Blog do Nilson Xavier

Canal Viva traz de volta O Tempo e o Vento, minissérie clássica dos anos 80

Nilson Xavier

A partir do dia 2 de janeiro, o Canal Viva apresenta – às 23h15 – a minissérie O Tempo e o Vento, uma das mais requintadas produções da Rede Globo, levada ao ar originalmente em 25 capítulos, entre abril e maio de 1985, como parte da programação do vigésimo aniversário da emissora.

A trama abrange 150 anos de história da formação do Rio Grande do Sul. Começa com a personagem Bibiana velha narrando a história de sua avó, Ana Terra, passando pela sua juventude, quando se apaixona pelo Capitão Rodrigo Cambará, com quem se casa, e seguindo por mais duas gerações da família Terra Cambará. No elenco, interpretações marcantes de Glória Pires (como Ana Terra), Tarcísio Meira (como o capitão Rodrigo), e Louise Cardoso, Lílian Lemmertz e Lélia Abramo (em três fases da vida de Bibiana).

A adaptação da obra de Érico Veríssimo foi feita por Doc Comparato com a colaboração de Regina Braga, e teve direção geral de Paulo José. A minissérie abrange a primeira parte da trilogia do escritor gaúcho, que se encontra nos dois volumes de O Continente : Ana Terra, Um Certo Capitão Rodrigo, A Teiniaguá e O Sobrado. O Tempo e o Vento já havia sido adaptado para a televisão, como novela, produzida pela TV Excelsior entre 1967 e 1968, escrita por Teixeira Filho e dirigida por Dionísio Azevedo, com Geórgia Gomide (Ana Terra), Carlos Zara (Capitão Rodrigo) e Maria Estela (Bibiana).

A versão da Globo recebeu ares de super produção. Uma cidade cenográfica de 40 mil metros quadrados foi construída em Pedra de Guaratiba, no Rio de Janeiro, projetada pelo cenógrafo Mário Monteiro, exatamente como Érico Veríssimo a descreve no livro, com as mesmas ruas largas, o sol marcando a passagem do tempo sobre as casas, etc. O principal ponto de referência da cidade era uma figueira centenária, elaborada para caracterizar a ação do tempo e do vento ao longo dos 150 anos de história.

O elenco reuniu atores de diversos estados do Brasil. A direção de arte e figurinos contou com a assessoria de Antônio Augusto Fagundes, então um dos mais conhecidos tradicionalistas do Rio Grande do Sul. A trilha sonora, com músicas de Tom Jobim, foi feita especialmente para a minissérie, com destaque para o belo tema de abertura, um dos mais representativos da história da TV brasileira. O Tempo e o Vento foi premiada com o Coral Negro no Festival de Cinema e Vídeo de Havana, em 1986.

Esta apresentação do Viva por si só vale uma espiada, não apenas pela grandiosidade da obra em si, como produto televisivo, mas porque é a primeira vez que a minissérie é apresentada sem cortes, sendo que nem mesmo o DVD lançado comercialmente está na íntegra.

Link de O Tempo e o Vento no site Teledramaturgia