Blog do Nilson Xavier

Arquivo : fevereiro 2012

Relembre os trabalhos de Marcelo Serrado na TV antes de ele ser o Crô
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Nilson Xavier

com Alexandre Nero em "Fina Estampa"

Atualmente o ator Marcelo Serrado faz sucesso como Crodoaldo Valério, o Crô, em Fina Estampa, uma das razões de ser da novela de Aguinaldo Silva. Carioca da gema, Marcelo Magalhães Serrado nasceu em 10 de fevereiro de 1967 e começou sua carreira na TV em 1987, participando da novela Corpo Santo, da Manchete. De lá para cá, foram 18 novelas, 4 minisséries e participações em séries e programas como Você Decide, Brava Gente, Sítio do Picapau Amarelo, A Diarista, Sob Nova Direção e Mandrake, além de filmes, como Malu de Bicicleta.

Carlinhos em Corpo Santo (trama de José Louzeiro e Cláudio MacDowell) e Antônio em Pacto de Sangue (de Regina Braga, já na Globo, em 1989) foram os primeiros papeis de Marcelo Serrado em novelas.

Na minissérie Desejo, de Glória Perez, apresentada em 1990, o ator foi Quidinho, um dos filhos do problemático casal Euclides da Cunha e Ana de Assis (Tarcísio Meira e Vera Fischer).

Ainda em 1990, Marcelo viveu Robin em Mico Preto, novela escrita por Marcílio Moraes, Leonor Bassères e Euclydes Marinho. Na trama, ele era apaixonado por Kathrine (Daniela Camargo), que por sua vez envolveu-se com seu primo Jota (Charles Möeller), formando assim um triângulo amoroso.

Logo depois, Marcelo Serrado atuou em uma novela do SBT, Brasileiras e Brasileiros, escrita por Carlos Alberto Sofredini e Wálter Avancini, onde viveu o personagem Boca.

Em 1991, de volta à Globo, trabalhou pela primeira vez com Gilberto Braga, na novela O Dono do Mundo, onde interpretou Umberto – primo da protagonista Márcia (Malu Mader) – que namorava Iara (Daniela Perez).

em "Mico Preto", "O Dono do Mundo", "Anos Rebeldes" e "Por Amor"

Em Anos Rebeldes (1992), minissérie de sucesso de Gilberto Braga, Marcelo Serrado foi Edgar, apaixonado por Maria Lúcia (Malu Mader). Ela vivia dividida entre a segurança ao lado de Edgar e uma vida atribulada com João Alfredo (Cássio Gabus Mendes), seu verdadeiro amor.

Seu trabalho seguinte foi O Mapa da Mina (1993), última novela de Cassiano Gabus Mendes, em que interpretou – de cabelos loiros – Silvio, um homem machista que podava a mulher Laís (Bianca Byngton) e se envolvia com a bela Nadir (Luísa Brunet).

Em Quatro por Quatro (1994), comédia de Carlos Lombardi, Marcelo Serrado foi o aloprado Danilo, irmão de Babalu (Letícia Spiller). O ator fez uma dobradinha de humor com Drica Moraes, sua mulher na novela.

Em 1996, em Quem É Você (escrita por Solange Castro Neves e Lauro César Muniz), o ator viveu Yúri, que tinha uma paixão juvenil e não correspondida pela protagonista Maria Luiza (Elizabeth Savala).

Em Por Amor (1997-1998), sucesso de Manoel Carlos, Marcelo Serrado foi o jovem médico César, que fez o parto de Eduarda (Gabriela Duarte), mas trocou o bebê morto dela pelo recém-nascido filho de Helena (Regina Duarte), mãe da moça. A troca das crianças foi feita com a conivência de Helena, que não suportaria ver o sofrimento de Eduarda, já que ela não poderia mais ter filhos.

com Luana Piovani em "Labirinto"

Em 1998, Marcelo Serrado participou de outra minissérie de Gilberto Braga: em Labirinto ele foi Júnior, o inseguro filho do milionário Otacílio Martins Fraga (Paulo José), misteriosamente assassinado numa festa de revéillon, no início da trama. Júnior era namorado da interesseira Virgínia (Luana Piovani), que se apaixonou pelo amigo dele, André (Fábio Assunção). Ao final descobria-se que Júnior era o assassino do próprio pai, que sempre o menosprezara.

No remake de Pecado Capital (1998-1999) – escrito por Glória Perez a partir da famosa novela de Janete Clair – Marcelo Serrado viveu Vinícius, papel que havia sido de Marco Nanini na primeira versão da novela. Vinícius apareceu na segunda metade da trama. Ele era o filho de Salviano Lisboa (Francisco Cuoco) que vivia nos Estados Unidos e retornou ao Brasil para infernizar a relação do pai com a jovem Lucinha (Carolina Ferraz).

Na novela Força de um Desejo (1999-2000) – de Gilberto Braga, Alcides Nogueira e Sérgio Marques – o ator foi Mariano Xavier, um jovem abolicionista que se apaixonou pela escrava branca Olívia (Cláudia Abreu) e lutava para livrá-la das garras de seu algoz, Higino Ventura (Paulo Betti).

em "Força de um Desejo", "Sabor da Paixão", "Mad Maria" e "Prova de Amor"

Na trama de Porto dos Milagres (2001), de Aguinaldo Silva, ele foi Rodolfo Augusto, filho da tresloucada Augusta Eugênia (Arlete Salles), que não aceitava o envolvimento do filho com a prostituta Selminha Aluada (Taís Araújo).

Entre 2002 e 2003, Marcelo Serrado viveu Nelson, o antagonista de Sabor da Paixão, trama de Ana Maria Moretzsohn. Ele era o namorado de Diana (Letícia Spiller) no início, mas ficou possesso quando ela o trocou por Alexandre (Luigi Baricelli) e fez de tudo para impedir o romance dos dois.

Em 2005, o ator foi visto na minissérie Mad Maria (2005), escrita por Benedito Ruy Barbosa, onde viveu o enfermeiro Jim.

No momento em que a Record iniciava uma nova fase em sua Teledramaturgia, Marcelo Serrado foi contratado pela emissora e lá atuou em três novelas vivendo personagens de destaque. Em Prova de Amor (2005-2006, de Tiago Santiago) o ator foi o protagonista Daniel Avelar, um homem que fugia da justiça por ter sido acusado de um crime que não cometeu e tinha que provar sua inocência para ficar ao lado de sua amada, Clarice (Lavínia Vlasak).

com Raul Gazola e Nicola Siri em "Vidas Opostas"

Em Vidas Opostas (2006-2007, de Marcílio Moraes), ele foi o delegado Nogueira, um vilão cruel tanto em casa com a mulher Neusa (Ana Paula Tabalipa), quanto no cumprimento de sua profissão.

Em Poder Paralelo (2009-2010, de Lauro César Muniz), Marcelo Serrado foi Bruno Villar, casado com Maura (Adriana Garambone) e amante da atriz Fernanda Lira (Paloma Duarte). O protagonista Tony Castellamare (Gabriel Braga Nunes) desconfiava que Bruno fosse “o Guri”, um bandido que comandava uma organização criminosa. Mas, ao final, descobria-se que Bruno, apesar de envolvido com negócios escusos, não era o Guri.

com Gabriel Braga Nunes e Paloma Duarte em "Poder Paralelo"

Crô é sem dúvida um dos personagens mais marcantes da carreira de Marcelo Serrado e – talvez – o maior destaque em Fina Estampa.

Comente: quais outros personagens de Marcelo Serrado você gostou?


O dia em que Fernanda Montenegro ganhou o Oscar, na ficção
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Nilson Xavier

Em 1999 vimos Fernanda Montenegro perder o Oscar de Melhor Atriz para Gwyneth Paltrow. A atriz brasileira concorria pela sua atuação no filme Central do Brasil, de Walter Salles. Já Paltrow atuou em Shakespeare Apaixonado – que inclusive levou o Oscar de melhor filme naquele ano.

Em 2001, o novelista Silvio de Abreu, cinéfilo confesso e amigo de Fernanda, lhe rendeu uma homenagem interessante através da personagem da atriz em sua novela As Filhas da Mãe (direção geral de Jorge Fernando).

Na história, Fernanda vivia Lucinda Maria Barbosa, uma mulher que no passado foi obrigada a abandonar a família e partiu para a Europa, onde fez carreira como uma brilhante diretora de arte do cinema, conhecida como Lulu de Luxemburgo.

A novela começa exatamente no momento em que Lulu de Luxemburgo é agraciada na cerimônia do Oscar com o prêmio de melhor direção de arte. E quem anuncia a vencedora e lhe entrega a estatueta é o próprio Silvio de Abreu, falando inglês e tudo – numa participação em sua novela.

Se na cerimônia do dia 26/02 Sergio Mendes e Carlinhos Brown não levaram o Oscar de melhor canção (pelo filme Rio), fica o consolo de que a arte sempre pode imitar a vida. Que diga Lulu de Luxemburgo.

Saiba mais sobre As Filhas da Mãe no site Teledramaturgia.


Globo muda o nome de sua próxima novela das sete
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Nilson Xavier

Cláudia Abreu com Michel Teló na próxima novela das sete

A Globo mudou o título de sua próxima novela das sete horas, com previsão de estreia para 17 de abril. De Marias do Lar, como a emissora vinha anunciando na mídia e em seu site, a novela passou a se chamar Cheias de Charme.

A trama – de autoria de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira – conta a história de três Marias – Maria da Penha (Taís Araújo), Maria do Rosário (Leandra Leal) e Maria Aparecida (Isabelle Drummond) – que são empregadas domésticas de um condomínio de luxo carioca, que se conheceram na cadeia e, por um golpe de sorte – e de talento -, conseguiram mudar seus destinos. Cláudia Abreu promete: será a vilã Chayene, uma cantora popular.

As três Marias protagonistas não tem nada a ver com o romance As Três Marias de Rachel de Queiroz, que já foi adaptado para o horário das seis, em 1980 (com Glória Pires, Nádia Lippi e Maitê Proença).

A novela Sem Lenço Sem Documento – de Mário Prata, de 1977, das sete horas – também tinha como protagonistas um grupo de empregadas domésticas, e fracassou no Ibope.

Piadinhas ligando o novo nome da novela com a música “Cheia de Charme” – de Guilherme Arantes, sucesso dos anos 80 – já proliferam nas redes sociais.

Sugestões para chamada da novela:

“Cheias de Charme: um desejo enorme de se aventurar… de revolucionar!”

“Cheias de Charme: paixão assim não acontece todo dia!”

Hoje em dia existe uma preocupação muito grande das emissoras em registrar os títulos de suas novelas para evitar que outras pessoas ou órgãos registrem antes – de quem as emissoras teriam que “comprar” os títulos. Por isso, muitas vezes, os títulos das novelas são “provisórios” e os títulos reais ficam guardados a sete chaves até que possam finalmente ser divulgados.

Relembre alguns títulos provisórios de novelas:

Navegantes – Máscaras

Marido de Aluguel – Fina Estampa

Pisa no Fulô – Cordel Encantado

Dinossauros e Robôs – Morde e Assopra

Girassol – Araguaia

Entre Dois Amores – Escrito nas Estrelas

Bom Dia Frankenstein – Tempos Modernos

Pelo Avesso – Cama de Gato

Juízo Final – A Favorita

Coração de Ouro – Cobras e Lagartos

Amor x Casamento – Páginas da Vida

Dinastia – Senhora do Destino

Fama – Celebridade

A Viúva Alegre – Chocolate com Pimenta

Cidade das Mulheres – Agora É Que São Elas

A Dona – Amor e Ódio

Suave Curare – Suave Veneno

Maluco Beleza – Andando nas Nuvens

Bumba-Meu-Boi – Renascer

Adeus Muchachos – Despedida de Solteiro

Pátria Amada – Vale Tudo

Filha da Mãe – Bebê a Bordo

Caviar com Goiabada – Brega e Chique

Troca-troca – Ti-ti-ti (1985)

Pancada de Amor Não Dói – A Gata Comeu

Amigo Secreto – Elas por Elas

Vento Norte – Água Viva

A Prisioneira – Dancin´ Days

As Raposas – Locomotivas

Parece que Foi Ontem – Estúpido Cupido

O Medo – Pecado Capital

Cidade Vazia – Fogo Sobre Terra

Você lembra de outros títulos provisórios de novelas?

O que você achou da mudança de Marias do Lar para Cheias de Charme? Opine!

Saiba mais sobre Cheias de Charme no site Teledramaturgia.


Relembre os travestis e transexuais das novelas
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Nilson Xavier

Esta semana o travesti da novela Aquele Beijo, Ana Girafa, vivido pelo ator Luís Salém, descobriu suas origens: Maruschka (Marília Pêra) é a sua mãe, que o entregou a um orfanato quando ele nasceu. Esta revelação trouxe novas emoções à novela das sete, já que Maruschka repudia o filho, a quem chegou a chamar de “aberração”, e Ana Girafa vai lutar para ser reconhecido como filho da megera.

Aproveitando o destaque atual de Ana Girafa em Aquele Beijo, vamos relembrar os travestidos que se destacaram nas novelas.


O primeiro ator a se travestir para uma novela foi Ziembinski em O Bofe (Globo, 1972-1973), novela de Bráulio Pedroso. Neste caso, o ator se vestiu de mulher para interpretar uma senhora solitária, a velha Stanislava.

Já na trama de O Grito (1975-1976), de Jorge Andrade, o personagem Agenor, vivido por Rúbens de Falco, era um homem angustiado com um segredo: durante o dia era um sério executivo e à noite se vestia de mulher para perambular pela noite paulistana.

Em 1977, na novela Espelho Mágico, de Lauro César Muniz, pela primeira vez um travesti de verdade ganhou um papel numa novela: Cláudia Celeste era uma corista do teatro de revista de Carijó (Lima Duarte) que ensinava coreografias à personagem de Sônia Braga. Mas Cláudia Celeste entrou para o elenco da novela sem que Daniel Filho (o diretor) soubesse de que se tratava de um travesti – na época do Regime Militar, os travestis eram proibidos de aparecer na televisão. Descoberto, o travesti teve que sair de cena. Mas Cláudia Celeste voltaria às novelas em 1988, em Olho por Olho – novela de José Louzeiro,da Manchete -, e dessa vez sem esconder sua identidade e com um papel fixo: o travesti Dinorá.

Sérgio Mamberti viveu em Dinheiro Vivo, trama de Mário Prata, da Tupi (1979), um personagem inusitado: Dr. Pacheco, cujo segredo era um santuário em homenagem à estrela do cinema Marilyn Monroe. Na trama, após a morte de sua esposa, Pacheco não conseguiu mais se relacionar com outras mulheres, pois em todas via a figura de Marilyn Monroe. O Dr. Pacheco travestia-se de Marilyn para cantar e dançar como se fosse a estrela norte-americana.


Ney Latorraca viveu vários personagens em Um Sonho a Mais (1985), escrita por Daniel Más e Lauro César Muniz. Volpone voltava ao Brasil para provar sua inocência à justiça e se escondia na pele de vários tipos, entre eles, a secretária Anabela Freire, uma personagem que cresceu na história e ganhou duas “primas”: Florisbela e Clarabela (Marco Nanini e Antônio Pedro). A novela também contou com a participação da sexóloga Olga Del Volga – criação de Patrício Bisso. Mas os personagens masculinos travestidos de mulheres chocaram a censura da Nova República. A Globo foi orientada a reduzir as aparições de Anabela na novela. Pior para suas comparsas, Florisbela e Clarabela, que tiveram que sair da trama. Mesmo com a polêmica dos personagens travestidos, aconteceu na novela a primeira bitoca entre dois homens na nossa teledramaturgia, na cena do casamento entre Anabela e Pedro Ernesto (Carlos Kroeber).

A participação especial de Rogéria em Tieta (1989-1990) movimentou a trama da novela de Aguinaldo Silva. Os homens de Santana do Agreste se encantaram pela amiga de Tieta (Betty Faria), que a visitava na cidade. Até descobrirem que Ninete se chamava na verdade Valdemar!


Silvio de Abreu ressuscitou Dona Armênia (Aracy Balabanain) e “seus três filhinhas” Geraldo, Gerson e Gino (Marcello Novaes, Gerson Brenner e Jandir Ferrari) na novela Deus Nos Acuda (1992-1993). Os personagens haviam feito sucesso na trama anterior do autor, Rainha da Sucata (1990). Mas, para desespero de Dona Armênia, o caçula Gino voltou de uma viagem da Europa como Gina e confundiu os marmanjos da novela.

A primeira vez que um travesti teve uma abordagem mais séria em horário nobre global foi em Explode Coração (1995), de Glória Perez. Na trama, o ator Floriano Peixoto – em sua estreia em novelas – encarnou a figura de Sarita Witt, que se vestia, falava e agia como mulher, e à noite ainda dava shows performáticos.

Em 1998 foi a vez de Matheus Nachtergaele encarnar um travesti na TV: Cintura Fina, amigo de Hilda Furacão, na minissérie de Glória Perez. Apesar da aparência frágil, Cintura era bom de briga e não levava desaforo para casa.

O travesti Ivone Shirley (Hairton Júnior), de Uga Uga (2000-2001), novela de Carlos Lombardi, ganhava a vida rodando bolsinha. Sua amiga Madá (Beth Lamas) – mulher – era sua parceira de rua. Curiosamente, Madá se passava por travesti por acreditar que assim era mais fácil conseguir clientes.

Em As Filhas da Mãe (2001), de Silvio de Abreu, Cláudia Raia viveu uma personagem inusitada: Ramona – que um dia fora Ramon -, a primeira transexual das novelas. Depois de anos fora do Brasil, o filho de Lulu de Luxemburgo (Fernanda Montenegro) retornou ao país com outro sexo, para o espanto da família. Ramona ainda enlouquecia a cabeça de Leonardo Brandão (Alexandre Borges) que era apaixonado pela moça mas não aceitava o fato de que um dia ela havia sido um homem.

Entre 2003 e 2004, Bruno Garcia, Lúcio Mauro Filho, Lázaro Ramos e Wagner Moura se revezaram em vários personagens femininos na série Sexo Frágil, fazendo graça com a diferença entre os sexos.


Walcyr Carrasco apresentou em Chocolate com Pimenta (2003-2004) um personagem nunca antes pensado em novelas: Kayky Brito viveu Bernadete, um menino que foi criado como menina e não sabia disso. A cena em que alguns personagens olham por debaixo da saia de Bernadete e descobrem que “ela” era “ele”, foi uma das sequências mais hilárias da novela.

Em 2005 foi ao ar o primeiro caso de cross-dressing em novelas. O termo é usado para designar pessoas que se vestem com roupas do sexo oposto independente da orientação sexual. Dona Roma – Miguel Magno em A Lua Me Disse,de Miguel Falabella – era a personagem de Amoroso Valentim, dono de uma pensão, que se vestia como mulher e era aceito por todos como tal.


Outro cross-dresser das novelas foi Orã, personagem de Luís Mello em Cobras e Lagartos (2006), de João Emanuel Carneiro. Apesar de inicialmente casado com Silvana (Totia Meirelles), ele se escondia na pele da espanhola Conchita, mas era apaixonado pela mulher e pela família.

Em Os Ricos Também Choram, novela do SBT, de 2005, o ator Celso Bernini viveu o trambiqueiro Hugo, que se vestia de mulher e encarnava Josefina para fugir das pessoas que enganava.


Entrecho semelhante tinha a trama de Bang Bang (2005-2006), de Mário Prata. Para fugir da justiça, os bandidos Billy the Kid (Evandro Mesquita) e Jesse James (Kadu Moliterno) instalaram-se na pequena cidade de Albuquerque disfarçados das irmãs solteironas Henaide e Denaide. Donas da pensão da cidade, ninguém desconfiava que elas fossem os famosos foras da lei. Até a chegada de Calamity Jane (Betty Lago), também procurada por seus crimes, que se hospedou na pensão sob a identidade do forasteiro Mike.

Na temporada de 2006 de Malhação, foi a vez de Bernardo Mendes se travestir. Na trama, seu personagem, Bodão, assumiu a identidade de Ivana para participar de um concurso de culinária. Já no final da temporada de 2004 de Malhação, Cabeção (Serginho Hondjakoff) se transformou em Verônica, uma “menina” que chegou ao Múltipla Escolha para animar o tristonho Rafa (Ícaro Silva).

Marmanjões que fogem da lei escondendo-se por trás de vestidos, perucas, maquiagem, salto alto e seios postiços, também é uma especialidade de Walcyr Carrasco. Em Sete Pecados (2007), o mordomo Antero (Marcelo Médici) personificou a recatada Zizi, entre outros disfarces. Da mesma forma, Elcio (Otaviano Costa) virou Elaine, a Pirulitona de Morde e Assopra (2011), e confundiu a cabeça dos homens da cidadezinha de Preciosa.

Em outra novela de Carrasco, Caras e Bocas (2009), Fabiano (Fábio Lago), travestido de mulata e enganando a todos, participou de um concurso de dança e foi eleito Rainha do Axé.

Na trama de Beleza Pura (2008) – novela de Andrea Maltarolli -, o químico Mateus (Rodrigo Veronesse) foi dado como morto deixando viúva a mulher Helena (Mônica Martelli). Para se manter, ela passou a usar a identidade do falecido marido, se passando por ele, trajando-se como homem. Mas Mateus não havia morrido e retornou. Para ajudar a mulher, que poderia ser processada por crime de falsidade ideológica – Mateus passou então a se vestir de mulher e assumiu a identidade de Tânia.

Em 2009, o SBT contratou um transexual, Fabianna Brazil, para sua novela Vende-se um Véu de Noiva, escrita por íris Abravanel. Na trama, Fabianna viveu o travesti Andressa Carla, pago pela vilã Eunice Baronese (Elaine Cristina) para desmoralizar Homero (Marcos Winter).

A trama de Vidas em Jogo – novela da Record, de Cristianne Fridman, atualmente no ar – teve uma reviravolta com a revelação de que Augusta (Denise Del Vecchio) na verdade era um transexual, o que revoltou seu filho Raimundo (Rômulo Arantes Neto).Recentemente, o personagem acabou misteriosamente assassinado na novela.

Em O Brado Retumbante, minissérie de Euclydes Marinho apresentada em janeiro, o presidente Paulo Ventura (Domingos Montagner) descobriu que seu filho Júlio (Murilo Armacollo) havia se transformado em Julie após uma cirurgia no exterior. Julie estava no Brasil para trocar de nome em seus documentos e sua chegada gerou conflitos, sofrimento e até violência.

Além dos casos citados acima, outras mulheres travestidas de homem também já fizeram sucesso em nossas novelas: Gloria Menezes em Almas de Pedra, Wanda Stephania em Cavalo Amarelo, Bianca Rinaldi em Pequena Travessa, Myrian Freeland em Essas Mulheres, Daniela Récco em Três Irmãs, Nathalia Dill em Cordel Encantado, Bruna Lombardi na minissérie Grande Sertão: Veredas, entre outras.


E a trama de Fina Estampa também apresenta um transexual: Fabrícia (personagem de Luciana Paes), uma das maridas de aluguel que trabalham para Griselda (Lília Cabral). Ela é descoberta e revela estar na fila do SUS esperando para ser operada e, enquanto isso, toma hormônios.


Embate entre irmãs de “A Vida da Gente” mostra que não existe vilão ou mocinho na novela
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Nilson Xavier

No capítulo desta terça-feira (13/02/2012) de A Vida da Gente aconteceu o embate mais aguardado da trama até agora, que resultou numa das melhores cenas da novela – se não a melhor: o desabafo ressentido entre as irmãs Manu (Marjorie Estiano) e Ana (Fernanda Vasconcellos), em que uma acusa a outra severamente.

Veja aqui uma sequência de imagens desta cena descrevendo o que aconteceu.

O texto afiado de Lícia Manzo, numa cena bem dirigida, com a brilhante atuação das duas atrizes, resultou numa sequência de tirar o fôlego poucas vezes vista em nossa teledramaturgia.

Até agora, a autora levou as duas personagens de uma forma a dividir opiniões e o público. Os telespectadores torciam por Ana ou por Manu – de onde se formou nas redes sociais o #TeamAna e o #TeamManu. As razões que levam o público a torcer por uma ou por outra personagem se limitam à identificação, ou à leitura individual que cada telespectador faz de cada uma das irmãs. Os que se identificam com Manu, defendem-na, enquanto há aqueles que preferem Ana e estão ao seu lado.

Na cena citada, a autora deixou claro que não existe a vilã nem a mocinha na novela. Cada uma, dentro de seu universo e individualidade, teve motivos para agir da maneira que agiu, ou sentir o que sentiu. A quem cabe julgar qual delas agiu de maneira correta ou errada quando as duas cometeram erros? Ana e Manu foram, na realidade, vítimas da situação em que se encontraram.

Se a autora quis incitar julgamentos e discussões acaloradas sobre o comportamento de cada uma, conseguiu. Mas como todo bom escritor, para além de provocar seu público, Lícia traz à tona uma reflexão bem realista. Muito longe do maniqueísmo vigente em nossa teledramaturgia, a autora se apoia no realismo e lembra que não existe vilão na vida da gente.

Cabe a Manu e a Ana reconhecer que cada uma errou, dentro de sua limitação. Só assim poderão encontrar – talvez não uma solução, mas, pelo menos – um entendimento para que possam prosseguir suas vidas sem mágoas ou ressentimentos. Afinal, elas são irmãs, e tem uma filha em comum.


Primeiras chamadas de “Amor Eterno Amor” apresentam o logotipo da nova novela das 6
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Nilson Xavier

A Globo estreia sua nova novela das seis da tarde, Amor Eterno Amor, dia 5 março. A trama é escrita por Elizabeth Jhin com direção geral de Rogério Gomes. Até a semana passada, vimos os primeiros teasers da nova atração e, nesta segunda-feira (dia 13/02/2012) foi ao ar a primeira chamada já com o logo oficial da novela, reproduzido abaixo.

Amor Eterno Amor apresenta a história de um menino separado da mãe que é criado longe dela, por outra família. A criança cresce com o dom de amansar animais. Levado para a ilha de Marajó, no Pará, ele (Gabriel Braga Nunes) torna-se um domador de búfalos e guarda no coração um amor de infância No Rio de Janeiro, sua mãe verdadeira (Ana Lúcia Torre) está à procura do filho desaparecido.

Como sugere o nome da novela, o logotipo apresenta o símbolo do infinito com o seu título escrito dentro. Passa a ideia de amor infinito e eterno, que transcende o espaço e o tempo – como no caso do personagem de Gabriel Braga Nunes, que cresceu longe da mãe e de sua amada, e os reencontra mais trarde.

Opine: o que você achou do logotipo? É bonito, esteticamente falando? Condiz com a ideia da novela?

Relembre alguns outros logos de novelas da Globo dos últimos anos.

Saiba mais sobre Amor Eterno Amor no site Teledramaturgia.


Relembre Whitney Houston em trilhas de novelas
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Nilson Xavier

A cantora norte-americana Whitney Houston morreu neste sábado (11/02/2012), aos 48 anos, segundo informações da agência de notícias Associated Press. De acordo com a polícia local, Houston foi encontrada morta em seu quarto, no hotel Beverly Hilton, em Beverly Hills. Whitney era filha da cantora gospel Cissy Houston, prima de Dionne Warwick e afilhada de Aretha Franklin.

Whitney Houston teve oito canções gravadas por ela em trilhas sonoras internacionais de novelas – todas baladas românticas, alguns de seus maiores sucessos.

Duas músicas de seu primeiro álbum foram parar em novelas, em 1985: Nobody loves me like you do, em que canta em dueto com Jermaine Jackson, entrou na trilha de Um Sonho a Mais – novela das sete horas, de autoria de Daniel Más. E Saving all my love for you fez parte da trilha de De Quina Pra Lua – novela das seis, de Alcides Nogueira.

Em 1986, um de seus maiores hits, Greatest love of all, foi tema da relação de amor de Naná (Fernanda Montenegro) e seus filhos adotivos na novela Cambalacho, de Silvio de Abreu. Esta música também embalou as cenas românticas entre os protagonistas Amanda (Susana Vieira) e Rogério (Cláudio Marzo).

Em 1988, a canção Didn´t we almost have it all, um grande sucesso popular, foi tema romântico de Jocasta (Vera Fischer) em Mandala, novela de Dias Gomes. No mesmo ano, outro sucesso da cantora, Where do broken hearts go? entrou para a trilha internacional da novela Vale Tudo, de Gilberto Braga.

Whitney emplacou mais um de seus sucessos na terceira novela consecutiva do horário nobre da Globo: em O Salvador da Pátria, de Lauro César Muniz, em 1989. A música era One moment in time, outro grande hit, que havia sido tema das Olimpíadas de Seul, no ano anterior. Na novela, foi tema da personagem de Susana Vieira – novamente.

Em 1991, a música All the man that I need fez parte da trilha da novela Lua Cheia de Amor, escrita por Ricardo Linhares, Ana Maria Moretzsohn e Maria Carmem Barbosa.

A última canção gravada por Whitney Houston ouvida em nossas novelas veio quase vinte anos depois, em 2010: I look to you, da trilha de Viver a Vida, trama de Manoel Carlos. Foi tema do casal romântico protagonista Luciana e Miguel (Alinne Moraes e Mateus Solano).

A minha música preferida entre as citadas é Where do broken hearts go?, talvez por causa da novela (Vale Tudo).

Qual a sua música preferida de Whitney Houston?


50 anos de carreira de Regina Duarte: relembre seus trabalhos na TV – Anos 2000 em diante
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Nilson Xavier

Com José de Abreu em “Desejos de Mulher”

Em 2002, Regina Duarte voltava à TV na pele da estilista Andréa Vargas de Desejos de Mulher, novela de Euclydes Marinho, com direção geral de Denis Carvalho e José Luiz Villamarim. Regina contracenou novamente com Glória Pires. Desta vez, elas eram irmãs, que, a princípio, se odiavam, o que prometia novamente um bom embate entre as atrizes. Mas a esperada dobradinha Regina-Glória não repetiu o sucesso de Vale Tudo, em que elas viveram mãe e filha. Desejos de Mulher capengou na audiência, e a relação de amor e ódio entre Júlia e Andréa acabou não acontecendo porque as irmãs tomaram rumos opostos. De antagonista, Júlia se tornou a mocinha da história. Regina Duarte, por sua vez, viveu uma Andréa Vargas muito sofrida. Além das diferenças com Júlia, descobria que não era filha legítima, foi traída pelo marido (José de Abreu) e por sua amiga Selma (Alessandra Negrini), descobriu o paradeiro da verdadeira mãe e que Selma era sua irmã e queria destruí-la. Por fim perdeu a memória e viu-se novamente com o ex-marido mau-caráter querendo aproveitar-se dela. Uma pena.

Em “Kubanacan”

Em 2003, Regina fez uma participação em Kubanacan, trama de Carlos Lombardi que teve a direção geral de Wolf Maya e Roberto Talma. A novela tinha uma estrutura episódica que permitiu a rápida participação de vários atores ao longo de sua história. Regina entrou para ser a mafiosa Maria Félix, uma mulher perigosa, suspeita de ser a mãe do protagonista Esteban (Marcos Pasquim), já que ela fora amante do pai dele (Werner Schünemann).

Com a menina Joana Mocarzel em “Páginas da Vida”

Depois das Helenas de História de Amor e Por Amor, Regina Duarte viveu sua terceira Helena de Manoel Carlos, em Páginas da Vida (2006-2007), novela com direção geral de Jayme Monjardim e Fabrício Mamberti. A médica Helena faz o parto da jovem Nanda (Fernanda Vasconcellos), que dá a luz a um casal de gêmeos. A moça não resiste e morre, mas Helena consegue salvar os bebês. No entanto, uma das crianças, portadora de Síndrome de Down, é rejeitada pela avó da moça, Marta (Lília Cabral). A médica decide adotar a criança, Clara (Joana Mocarzel) e faz da menina a razão de sua existência. O dilema de Helena no decorrer da trama era revelar ou não ao pai da criança – Léo (Thiago Rodrigues) – que a filha dele estava viva e era criada por ela. Enquanto isso, Helena era disputada por dois homens que brigavam pelo seu amor: Diogo (Marcos Paulo), uma paixão do passado, e Greg (José Mayer), o ex-marido. Vale destacar as ótimas cenas de Regina com a menina Joana Mocarzel, sua filha com Síndrome de Down na novela.

Com Ana Rosa em “Três Irmãs”

Sabe aquela personagem que não é a protagonista mas sabe o segredo da novela? Assim era “Waldete com W”, vivida por Regina em Três Irmãs (2008-2009), trama de Antônio Calmon com direção geral de Denis Carvalho e José Luiz Villamarim. Regina ia viver Virgínia, a mãe das três irmãs do título, mas a atriz preferiu interpretar a governanta Waldete, alegando ser esta a primeira personagem do tipo em sua carreira (Virgínia ficou a cargo de Ana Rosa). Waldete tinha um quê de Mary Poppins, inclusive no figurino. O guarda-chuva de Waldete, foi sugestão de Regina. Apesar de a personagem da novela ser alto-astral, divertida e amiga de todos, Três Irmãs não fez sucesso.

Em “Araguaia”

Envelhecida e com uma peruca grisalha – foi assim que Regina Duarte apareceu em sua rápida participação no início da novela Araguaia (2010-2011), de Wálter Negrão, com direção geral de Marcos Schechtmann e Marcelo Travesso. Amada no passado pelo vilão Max Martinez (Lima Duarte) – a quem sempre rejeitou -, Antoninha era uma mulher de fibra, mas solitária. Tinha por volta de 70 anos e estava gravemente doente. A chegada de seu único filho, Fernando (Edson Celulari), e a sua morte, com a revelação de um segredo, deram início à trama da novela.

Com Sônia Braga no episódio “A Adúltera da Urca” da série “As Cariocas”

Na série As Cariocas, Regina fez uma participação especial no episódio A Adúltera da Urca, exibido em 23/11/2010, contracenando com Sônia Braga, Antônio Fagundes e Dalton Vigh. A série, baseada na obra de Sérgio Porto – o Stanislaw Ponte Preta -, tinha texto final de Euclydes Marinho e direção geral de Daniel Filho. A personagem de Regina no programa se chamava Malu, numa homenagem à emblemática atuação da atriz em Malu Mulher (1979-1980), seriado de Daniel Filho. Já o casal vivido por Sônia Braga e Antônio Fagundes em As Cariocas era Júlia e Cacá, numa alusão aos personagens deles na novela Dancin´s Days (1978), dirigida por Daniel. Malu, uma mulher liberada, era a melhor amiga de Júlia, uma mulher atraente, mas muito séria, que confiava cegamente na fidelidade do marido Cacá. Malu influencia Júlia para que ela seja mais livre e moderna.

Como Clô Hayalla em “O Astro”

Concluindo a obra televisiva de Regina Duarte, sua atuação na novela O Astro (2011), remake da famosa trama de Janete Clair, assinada por Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro (com a colaboração de Tarcísio Lara Puiati e Vitor de Oliveira), dirigida por Mauro Mendonça Filho, Fred Mayrink, Allan Fiterman e Noa Bressane, com direção de núcleo de Roberto Talma. A interpretação que Regina deu à sua Clô Hayalla – vários tons acima, condizente com a proposta kitsch da novela -, fez o sucesso da personagem, marcada pelas caretas, olhares profundos, atitudes e gestos melodramáticos, figurino exagerado e penteado extravagante. Clô era uma mulher infeliz no casamento com o rico e prepotente Salomão Hayalla (Daniel Filho). Ela procurou carinho nos braços do jovem Felipe (Henri Castelli), um playboy de caráter duvidoso. O assassinato de Salomão mudou os rumos da história. Ao final, o ápice da trama policial com a revelação de que Clô era a principal assassina de Salomão.

Relembre a trajetória da atriz nos anos 60.

Relembre a trajetória da atriz nos anos 70.

Relembre a trajetória da atriz nos anos 80.

Relembre a trajetória da atriz nos anos 90.

Finalizo essa retrospectiva da carreira televisiva de Regina Duarte com a imagem abaixo (captada na Internet, autor desconhecido) que reproduz uma foto de Clô Hayalla imitando a capa do último álbum de Madonna. Sim, Regina também é diva pop!


50 anos de carreira de Regina Duarte: relembre seus trabalhos na TV – Anos 90
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Nilson Xavier

Em “Rainha da Sucata”

Em 1990, Regina Duarte atuou em mais um grande sucesso de sua carreira. Em Rainha da Sucata – de Silvio de Abreu, com direção geral de Jorge Fernando – ela era a rica empresária Maria do Carmo Pereira, que se estabelecera com o negócio do pai que, de dono de um ferro velho, chegou a empresário do ramo de automóveis. Por sua origem humilde e jeitão despachado e cafona, Maria do Carmo ficou conhecida como Sucateira. Apaixonada desde os tempos de colégio por Edu (Tony Ramos), filho de milionários falidos, ela faz de tudo para aproximar-se do rapaz, que a despreza. E ainda tem que lidar com a arrogância da madrasta dele, a socialite Laurinha Figueroa (Glória Menezes), apaixonada pelo enteado. A situação piora com a derrocada econômica, causada por seu administrador mau caráter, Renato Maia (DanielFilho). E ainda perde o prédio na Avenida Paulista para sua vizinha, Dona Armênia (Aracy Balabanian), a legítima proprietária. Lá funcionava sua casa de shows, a Sucata. Maria do Carmo não hesita em recomeçar do zero, novamente juntando ferro-velho, como o pai fizera um dia.

Regina voltaria à TV em 1993, na série Retrato de Mulher – direção de Del Rangel com supervisão de texto de Walcyr Carrasco – onde interpretava uma personagem diferente a cada episódio mensal. O início dos episódios apresentava Regina em frente a um espelho, preparando-se para assumir a personagem e explicando brevemente a vida da mulher em questão. Cada episódio se intitulava “Era uma Vez…” e o nome da personagem que Regina ia interpretar. Assim, foi ao ar “Era uma Vez… Luciana”, “Era uma Vez… Tereza”, “Era uma Vez… Madalena”, etc.

Na chamada da minissérie “Incidente em Antares”

Em 1994, Regina fez uma participação especialíssima na minissérie Incidente em Antares, escrita por Charles Peixoto e Nelson Nadotti a partir do romance de Érico Veríssimo, com direção geral de Paulo José. Ela era a telefonista Shirley, que passava o tempo todo ao telefone contando os últimos acontecimentos da cidade de Antares. Shirley funcionava como uma espécie de narradora da história e, a cada novo capítulo, relembrava o capítulo anterior.

Em sua participação no remake de “Irmãos Coragem”

Em comemoração aos trinta anos da Globo, a emissora produziu, em 1995, um remake da novela Irmãos Coragem, de Janete Clair, com direção geral de Luiz Fernando Carvalho e Reynaldo Boury. Regina havia atuado na primeira versão, em 1970, como Ritinha. Em 1995 ela retornou numa pequena participação que soou como uma homenagem. Regina aparece rapidamente numa cena com a filha Gabriela Duarte, a Ritinha desta nova versão.

Com José Mayer em “História de Amor”

Ainda em 1995, Regina Duarte estrelou História de Amor, de Manoel Carlos, em que viveu a primeira das três Helenas do autor que ela interpretou. A novela – com direção geral de Ricardo Waddington – foi um sucesso das seis da tarde, um folhetim leve e charmoso. Helena era uma mulher batalhadora que enfrentava a gravidez prematura da filha rebelde, Joice (Carla Marins). O ex-marido, Assunção (Nuno Leal Maia), pai de Joice, não se conformava com a situação. Solitária, Helena despertou o interesse do médico Carlos (José Mayer) e não resistiu a essa nova paixão. Mas Carlos já era comprometido e sofria com os ciúmes da possessiva noiva Paula (Carolina Ferraz). De casamento marcado com Paula e balançado por Helena, Carlos ainda era assediado pela ex-mulher Sheyla (Lília Cabral), que sonhava com uma reaproximação.

Com sua filha Gabriela Duarte em “Por Amor”

O trabalho seguinte de Regina foi interpretar outra das Helenas de Manoel Carlos: em Por Amor (1997-1998), com direção geral de Ricardo Waddington e Roberto Naar. Novamente a atriz voltava a contracenar com sua filha Gabriela, e nos papeis de mãe e filha, como já explicitava a bela abertura da novela. Helena se casou com Atílio (Antônio Fagundes), enquanto a filha Eduarda (Gabriela Duarte) se casou com Marcelo (Fábio Assunção). Mãe e filha engravidaram na mesma época e acabaram dando a luz no mesmo dia e horário, no mesmo hospital, aos cuidados do jovem médico César (Marcelo Serrado), eterno apaixonado por Eduarda. O filho de Helena nasceu saudável, mas Eduarda sofreu complicações no parto e seu filho morreu logo depois. Para complicar a situação da moça, ela nunca mais poderia ter filhos. Helena imaginou que seria um golpe duro demais para a filha e, desesperada, fez um pacto com o médico: trocou as crianças. Eduarda criou então o irmãozinho pensando ser ele seu próprio filho. A única pessoa que sabia desse segredo era César, que concordou com a troca pelo mesmo objetivo que a mãe: não fazer Eduarda sofrer. Mas o sofrimento maior era de Helena, que foi obrigada a tratar o filho como neto enquanto via seu relacionamento com Atílio desmoronar, apesar do grande amor que sentiam um pelo outro. Um folhetim dramático mas irresistível, Por Amor foi um dos maiores sucessos de Manoel Carlos – a troca de bebês da história mobilizou o país. A novela contou com a atuação de um excelente elenco, que tinha ainda Susana Vieira, Vivianne Pasmanter, Cássia Kiss, Carolina Ferraz e Paulo José em papeis marcantes.

Envelhecida para a minissérie “Chiquinha Gonzaga”

Regina Duarte encerrou a década de 1990 com um trabalho primoroso ao dar vida à compositora Chiquinha Gonzaga, na minissérie escrita por Lauro César Muniz e Marcílio Moraes, em 1999, com direção geral de Jayme Monjardim. Chiquinha escandalizou a sociedade carioca de sua época com seus ideais libertários, seus amores, sua arte e com a popularização do samba como música genuinamente brasileira. Entre a classe artística marginalizada, encontrou o apoio para compor e tornou-se a primeira compositora e maestrina do cenário brasileiro do final do século XIX. Gabriela Duarte viveu a personagem na fase jovem, enquanto Regina fez a Chiquinha madura e, com uma forte máscara de silicone, a Chiquinha velha.

Relembre a trajetória da atriz nos anos 60.

Relembre a trajetória da atriz nos anos 70.

Relembre a trajetória da atriz nos anos 80.

Relembre a trajetória da atriz nos anos 2000 em diante.


50 anos de carreira de Regina Duarte: relembre seus trabalhos na TV – Anos 80
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Nilson Xavier

Com Francisco Cuoco em “Sétimo Sentido”

Em 1982, Regina Duarte voltava à TV, em uma novela de Janete Clair. Em Sétimo Sentido (direção de Roberto Talma, Jorge Fernando e Guel Arraes), a atriz viveu a paranormal Luana Camará, que retornava ao Brasil para reaver a fortuna deixada pelo seu falecido pai, que estava sob o poder da família Rivoredo. Algum tempo depois, cansada de lutar em vão contra os ambiciosos Rivoredo, Luana retorna ao Marrocos, onde vivia, deixando para trás o seu amor pelo jovem Rudi Rivoredo (Carlos Alberto Riccelli). Mas de repente, todos se veem à volta com uma mulher idêntica a Luana, mas de temperamento completamente diferente. Ela é a esfuziante atriz italiana Priscila Capricce, que enlouquece de paixão Tião Bento (Francisco Cuoco), o principal opositor de Luana.  Na verdade, Luana havia incorporado o espírito da falecida atriz. Regina Duarte voltava a contracenar com Francisco Cuoco, com quem atuara em Legião dos Esquecidos (1968-1969), na Exlcesior, e em Selva de Pedra (1972), na Globo.

Anúncio do seriado “Joana”

Em 1984, afastada da Globo, Regina protagonizou uma produção independente do diretor Guga de Oliveira (irmão do Boni): o seriado Joana, apresentado na Manchete e, no ano seguinte, no SBT. A proposta era muito parecida com a de Malu Mulher, da Globo: as protagonistas eram mulheres feministas e destemidas, com conflitos com as seus respectivos filhos e ex-maridos. A jornalista Joana Martins está em seu segundo casamento e tem de conciliar sua vida em família com seu trabalho na revista, onde segue uma linha de jornalismo investigativo, envolvendo-se em questões sociais, políticas e criminais.

Com Lima Duarte em “Roque Santeiro”

De volta a Globo, Regina foi chamada para viver a Viúva Porcina, na regravação de Roque Santeiro. A novela havia sido censurada em 1975, na noite de sua estreia, e, dez anos depois, pôde finalmente ser gravada. Betty Faria não aceitou fazer o papel de Porcina, como há dez anos, e coube a Regina substituí-la. A novela – um grande sucesso, escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva, dirigida por Paulo Ubiratan, Gonzaga Blota, Marcos Paulo e Jayme Monjardim – marcou a história de nossa TV e a carreira de Regina Duarte, que brilhou na pele da espalhafatosa e fogosa viúva. De “Namoradinha do Brasil” a atriz tornou-se “Amante Nacional” – como se dizia na época. Porcina era o pivô de uma farsa institucionalizada por Sinhozinho Malta (Lima Duarte) para tirar proveito em cima da imagem de Roque Santeiro (José Wilker), a quem julgava morto. Para a amante, Sinhozinho criou a imagem da viúva de Roque, considerado santo pela população local. Mas Roque estava vivo e disposto a desfazer o seu mito, para o desespero de Sinhozinho. A situação se complica quando o “ex-morto” e sua “viúva” – a que era sem nunca ter sido – passam a ter um envolvimento amoroso. No final, ela tem que decidir se fica com Sinhozinho ou se embarca com Roque no avião – numa sequência rodada à la Casablanca, o filme – uma das mais marcantes da novela.

Com Glória Pires em “Vale Tudo”

Depois do grande sucesso de Roque Santeiro, Regina Duarte voltaria a TV em 1988, numa novela escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères: Vale Tudo, outro marco de nossa teledramaturgia. Ela era a simplória Raquel, uma mulher batalhadora que é enganada pela própria filha, Maria de Fátima (Glória Pires), que vendeu a casa em que viviam e fugiu com o dinheiro para o Rio de Janeiro. Raquel vai ao encalço da filha, mas só encontra seu desprezo. Disposta a esquecer Fátima, Raquel arregaça as mangas e recomeça do zero, vendendo sanduíches na praia. Seu negócio prospera até tornar-se proprietária de uma cadeia de restaurantes. Enquanto isso, Fátima usa dos métodos mais sórdidos para subir na vida. Casa-se com o ricaço Afonso (Cássio Gabus Mendes), filho da pérfida Odete Roitman (Beatriz Segall). Raquel, por sua vez, amava Ivan (Antônio Fagundes), mas eles acabaram se separando quando Ivan uniu-se à carente filha de Odete, Heleninha (Renata Sorrah), uma alcoólatra. Nesta novela – dirigida por Denis Carvalho e Ricardo Waddington – Regina dividiu os louros com outras grandes atrizes, como Glória Pires, Beatriz Segall e Renata Sorrah.

Vale destacar também duas participações marcantes de Regina em novelas dos anos 80. Em Guerra dos Sexos (1983), ela apareceu em alguns capítulos como Alma, uma das mulheres “do Bigode Preto”, enviada de Otávio (Paulo Autran) para irritar e amedrontar Charlô (Fernanda Montenegro), enquanto ele estava desaparecido. Em Top Model (1989-1990), Regina apareceu como Florinda, mãe de um dos filhos de Gaspar (Nuno Leal Maia). No caso, Florinda era mãe de Olívia, vivida na novela por Gabriela Duarte, filha de Regina.

 

Relembre a trajetória da atriz nos anos 60.

Relembre a trajetória da atriz nos anos 70.

Relembre a trajetória da atriz nos anos 90.

Relembre a trajetória da atriz nos anos 2000 em diante.