Blog do Nilson Xavier

Arquivo : março 2012

Novela “Aquele Beijo” acerta apenas nas tramas paralelas
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Nilson Xavier

A novela Aquele Beijo é a história do que mesmo?

Várias podem ser as respostas para esta pergunta:
- uma vidente de araque que explora os poderes do primo, que são reais, enquanto promove banhos em rapagões incautos;
- um prêmio de loteria dividido por casal em que um parceiro tenta trapacear o outro;
- a proprietária de uma loja de alto luxo frente à derrocada financeira e processos na justiça;
- uma mãe que expulsou a filha de casa porque ela se rebelou contra o seu sonho de vê-la transformada em miss;
- os desencontros de um problemático quadrilátero amoroso;
- a luta de uma mulher em manter um orfanato enquanto sua irmã faz de tudo para livrar-se dele;
- uma travesti que sonha em ter o reconhecimento da mãe biológica que o abandonou quando era criança;
- uma advogada que luta a favor de uma comunidade prestes a ser despejada pela loja que se diz proprietária do terreno;
- uma impostora que se infiltra em uma família;
- a mulher que passou anos na Europa vivendo como uma concubina prisioneira e herda uma fortuna e um título de nobreza quando é solta após a morte de seu algoz.

Enfim, Aquele Beijo é uma novela de várias histórias, que se cruzam ou não. A proposta inicial, com uma trama central – a da conturbada relação do quadrilátero Rubinho-Cláudia-Vicente-Lucena -, foi se esvaindo ao longo dos capítulos frente a uma audiência bocejante – que despertava apenas com as tramas paralelas.

Perto de seu fim – a novela acaba em 14/04 – Aquele Beijo é hoje uma novela sem protagonista, já que as tramas paralelas foram engolindo a trama central. Após um período de marasmo, com audiência em baixa, aos poucos o interesse pelas histórias foi sendo despertado e Aquele Beijo já mostra fôlego para vários desfechos interessantes.

O grande destaque no elenco é, sem dúvida, a pérfida e espirituosa Maruschka, interpretada por uma Marília Pêra sempre inspirada quando vive personagens desse tipo. Maruschka tem a afetação de Rafaela Alvaray (de Brega e Chique), a maldade de Custódia (de Meu Bem Querer), a graça de Milu Montini (de Cobras e Lagartos), a arrogância de Catarina Faisol (da série A Vida Alheia). Mas a atriz sempre consegue se inovar a cada personagem.

Também ganhou destaque ao longo da novela de Miguel Falabella a trama dos primos Mãe Iara e Joselito (Cláudia Jimenez e Bruno Garcia), a divertida família “king size” de Olavo e Marieta (Ernani Moraes e Renata Celidônio), a intrusa Damiana (Bia Nunnes), que se faz passar por irmã de Felizardo (Diogo Vilela), e os dramas da travesti Ana Girafa (Luís Salém).

Apenas lamenta-se que a direção de Aquele Beijo tenha abandonado a proposta de alternar os famosos beijos da abertura. Era bonito, original, e fazia a festa dos saudosistas de nossa teledramaturgia, como eu.

Saiba mais sobre Aquele Beijo no site Teledramaturgia.


“Avenida Brasil” convida as classes elitizadas a dançar o Kuduro
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Nilson Xavier

De nada adiantou João Emanuel Carneiro afirmar que Avenida Brasil não foi concebida visando estrategicamente o público da “nova classe C”. Com a novela no ar, nada seria mais representativo. Do que foi mostrado até agora, do perfil dos protagonistas às ambientações dos principais núcleos, tudo remete a essa emergente classe social. A abertura – que ainda não disse ao que veio – e seu o tema musical – uma versão do “Kuduro” – só vem intensificar essa premissa.

Mas já se percebe uma diferença fundamental quando Avenida Brasil é comparada com Fina Estampa (a “trama nova classe C” anterior): a assinatura sempre elitista de João Emanuel Carneiro (o autor) e Ricardo Waddington (o diretor). Fotografia, roteiro, direção e interpretação de atores independem da classe social da audiência. O pano de fundo pode ser um bairro pobre do subúrbio carioca e os personagens podem ser do “povão”. Mas a estética e o tratamento dado à produção denotam um capricho digno de produções digamos, “mais elitizadas”.

Os personagens principais de Avenida Brasil são clássicos, universais, atemporais. Os dramas se desenrolam no subúrbio carioca, com gente simples. Mas poderiam ser no Leblon de Manoel Carlos. Indo mais longe: a história poderia ser ambientada no interior da Rússia de Dostoievski, de quem João Emanuel já afirmou ter buscado inspiração para sua novela.

O autor disse em entrevista: “A novela é uma fábula do século 19, não tem pretensão sociológica.” Além da referência a Dostoievski, em personagens e dramas, é fácil também se lembrar da história de Branca de Neve, a princesinha abandonada na floresta pelo caçador a mando da madrasta má. Mas, como novela das nove precisa carregar no drama, essa princesa não tem a mesma sorte de encontrar sete bondosos anões.

Os dois primeiros capítulos se apresentaram em cores fortes, emocionantes, de intensa carga dramática, com sequências alucinantes e de tirar o fôlego. A direção e o elenco mostram que não estão de brincadeira. O núcleo principal que o diga: Adriana Esteves – a vilã Carminha -, Tony Ramos – o marido enganado Genésio – e Mel Maia – a pequena órfã Rita, maltratada pela madrasta e entregue à própria sorte.

A menina Mel Maia passa em cena uma expressividade poucas vezes vista em atores mirins. Na sequência em que Rita é abandonada no lixão, deu aquela vontade de correr lá para salvar a garota. Adriana Esteves pesa a mão na interpretação na medida certa para admirarmos o talento da atriz e odiarmos (ou não!) a personagem.

O Tufão de Murilo Benício é aquele personagem criado para gerar a identificação imediata com a nova classe C: um suburbano craque do futebol que enriqueceu e não quis sair do subúrbio, rodeado de todos os tipos clássicos e possíveis que estereotipam o “povão”.  É a Griselda da vez.

Para dar o refresco entre as cenas pesadas e dramáticas, foi apresentado o núcleo cômico de Cadinho (Alexandre Borges), o mulherengo atrapalhado que tem duas famílias e ainda se envolve com uma terceira mulher. Era para ser engraçado, mas nem a sonoplastia de desenho animado está ajudando. O que se viu de bom neste núcleo, por enquanto, foram as presenças espirituosas de Débora Bloch e Carolina Ferraz, lindas e com o texto afiado do autor na ponta da língua.

Esta, aliás, é uma lição que João Emanuel Carneiro aprendeu com Aguinaldo Silva: a nova classe C gosta de ver os ricos da zona sul carioca fazendo papel de bobos. Reza a cartilha da mais nova teledramaturgia que os dramas têm que ficar com os pobres e o humor, com os ricos. Tereza Cristina que o diga.

A audiência, ao que parece, não vem correspondendo à altura da atração: o ibope dos dois primeiros capítulos de Avenida Brasil esteve abaixo dos dois primeiros capítulos de Fina Estampa. Esqueceram de avisar para João Emanuel Carneiro e Ricardo Waddington que a nova classe C demanda um tempo para acostumar-se com uma proposta nova, diferente da qual estava bitolada.


Edição do Troféu Imprensa foi questionável mas divertiu
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Nilson Xavier

Neste domingo, 25/03, Silvio Santos promoveu mais uma edição do Troféu Imprensa. Lembro que quando eu era criança e adolescente, acompanhava com seriedade a atração, uma das mais antigas da nossa TV. Por seu histórico e popularidade, o Troféu Imprensa sempre é lembrado como um prêmio de televisão almejado pelos candidatos. E até importante. E soa assim, principalmente pela sua imparcialidade, visto que ele premia atrações de todas as emissoras – diferente de alguns prêmios entregues por outros canais, que prestigiam apenas as emissoras que os promovem.

Mas o que se viu ontem destoa de todo o histórico do troféu. Um verdadeiro festival de gafes entre Silvio Santos, o júri, a plateia e os convidados, apimentadas pela troca de farpas entre Décio Piccinini e Nelson Rúbens e a língua afiada de Leão Lobo, ao criticar candidatos. Impossível não rir das piadinhas de Silvio, como sempre um mestre de cerimônias espirituoso. Um programa divertido, um verdadeiro show de humor, acompanhado pelos internautas que levaram a hashtag #TrofeuImprensa ao primeiro lugar no Twitter.

Mas tão risível quanto o programa em si, foram alguns candidatos finalistas dentro de algumas categorias. Para ganhar o prêmio, os três finalistas eram escolhidos entre cinco dos jurados presentes. Irei analisar apenas as categorias que mais me dizem respeito: Novela, Ator e Atriz.

Das três finalistas ao Troféu Imprensa de Melhor Atriz do ano passado, achei que o resultado não poderia ser mais justo. E qualquer uma das que ganhasse seria um bom resultado: Glória Pires – por Norma em Insensato Coração (a minha escolha), Lília Cabral e Christiane Torloni – por Griselda e Tereza Cristina em Fina Estampa. Outras atrizes que atuaram no ano passado também poderiam ser citadas: Cássia Kiss por Morde e Assopra, Lília Cabral pela série Divã, Regina Duarte por O Astro, Beth Goulart por Vidas em Jogo e pelo menos quatro atrizes da novela A Vida da Gente, Fernanda Vasconcellos, Marjorie Estiano, Nicette Bruno e Ana Beatriz Nogueira (uma novela feminina por excelência).

A revelação dos candidatos a Melhor Novela de 2011 causou estranheza pela presença da novela teen Rebelde, da Record (as demais foram Cordel Encantado e Fina Estampa). Não desmerecendo Rebelde, o estranhamento está no fato de haverem outras candidatas bem mais fortes e representativas, como Vidas em Jogo, da própria Record, e Insensato Coração, Morde e Assopra, O Astro e A Vida da Gente – indiscutivelmente novelas que tiveram mais repercussão que Rebelde.

Mas o que coroou esta divertida noite de Troféu Imprensa foi sem duvida o pronunciamento aos candidatos a Melhor Ator: Gabriel Braga Nunes por Léo em Insensato Coração (merecido), mais Caio Castro por Antenor em Fina Estampa e Chay Suede por Tomás em Rebelde. Eu vou me abster de discutir a presença dos nomes de Caio Castro e Chay Suede. Apenas lembrarei que 2011 contou com as performances de Marcelo Serrado por Crô em Fina Estampa, Herson Capri por Cortez em Insensato Coração, Humberto Martins por Neco em O Astro, Domingos Montagner por Herculano em Cordel Encantado e André Gonçalves por Áureo em Morde e Assopra.

E o tal Troféu Internet, o prêmio que acompanha o Troféu Imprensa já há alguns anos, torna a situação ainda mais engraçada, beirando o constrangimento: os fãs da novela Rebelde promoveram uma força tarefa na Internet e conseguiram elege-la em todas as categorias possíveis: Melhor Novela, Melhor Ator (Chay Suede), Melhor Atriz (Mel Fronckowiak, que ainda levou o prêmio como Revelação) e melhor conjunto musical (Rebeldes). Parabéns ao #RebeldeTeam! Uma prova de que são bem unidos.

Não vou questionar as regras e critérios para a votação ou escolha dos candidatos aos prêmios. Mesmo porque, se analisarmos os jurados, também parece não haver um critério muito homogêneo com relação às suas escolhas. Décio Piccinini, por exemplo, justificou seu voto de melhor novela a Fina Estampa alegando que ela merece porque foi a maior audiência do ano passado. E Sônia Abrahão parabenizou por Rebelde estar entre as finalistas, já que a novela não é da Globo – desmerecendo assim novelas melhores que deveriam estar lá, independente de emissora.

Se a escolha dos candidatos ao Troféu Imprensa se dá por meio de votação na Internet, o perfil de votantes torna-se bem limitado. E o critério “melhor” pode ser bastante questionável. Usando jargões da própria Internet: “Tem que ver isso aí!”. Ou “Critérios, não trabalhamos”. Ou ainda: “#puxado!

Jurados: José Armando Vannucci, Nelson Rubens, Sonia Abrão, Paulo Barboza, Leão Lobo, Keila Jimenez, Décio Piccinini, Valença Sotero, Paulo Cabral e Regina Rito.

Troféu Imprensa:

Cantora - Paula Fernandes
Programa infantil Carrossel Animado com Patati Patatá
Jornal de TV - Jornal Nacional
Novela - Cordel Encantado
Programa de entrevista - Agora é Tarde
Dupla sertaneja - Victor e Leo
Atriz - Lilia Cabral
Programa humorístico - CQC e Pânico na TV
Animadora ou apresentadora de TV - Eliana
Ator - Gabriel Braga Nunes
Conjunto musical - Exaltasamba
Revelação - Patricia Abravanel
Animador ou apresentador de TV - Rodrigo Faro
Programa jornalístico - Conexão Repórter
Cantor - Roberto Carlos

 Troféu Internet:

Cantora - Paula Fernandes
Programa infantil Bom Dia & Cia
Jornal de TV - Jornal Nacional
Novela - Rebelde
Programa de entrevista - De Frente com Gabi
Dupla sertaneja - Jorge e Mateus
Atriz - Mel Fronckowiak
Programa humorístico - Pânico na TV
Animadora ou apresentadora de TV - Eliana
Ator - Chay Suede
Conjunto musical - Rebeldes
Revelação - Mel Fronckowiak
Animador ou apresentador de TV - Silvio Santos
Programa jornalístico - Fantástico
Cantor - Michel Teló


Relembre as participações de Chico Anysio em novelas e séries
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Nilson Xavier

Nesta sexta-feira, 23/03, perdemos o comediante Chico Anysio, um dos nomes mais importantes do humor que a nossa televisão já teve. Chico faleceu aos 80 anos de idade, no Rio de Janeiro, onde estava hospitalizado desde dezembro do ano passado. O humorista nasceu em 12 de abril de 1931, em Maranguape, no Ceará.

Para além de seus vários programas de humor – como Chico City, Chico Anysio Show, Chico Total, TV QCV, Linguinha, O Belo e as Feras e A Escolinha do Professor Raimundo – Chico Anysio foi visto atuando em várias produções de dramaturgia na Globo.

Fez participações em seriados como Armação Ilimitada (1985), Delegacia de Mulheres (1990), A Diarista (2004), Sítio do Picapau Amarelo (2005) e Guerra e Paz (2008). Também foi visto rapidamente na minissérie Engraçadinha, em 1995, e na temporada de 2010 de Malhação.

Chico Anysio em "Sinhá Moça", "Pé na Jaca" e "Caminho das Índias"

Em novelas, Chico Anysio fez participações especiais em Que Rei Sou Eu? (1989) e Terra Nostra (2000). E ganhou personagens fixos em três outras novelas: Everaldo, um fazendeiro escravocrata em Sinhá Moça (2006), o cego Cigano, dono de um parque de diversões em Pé na Jaca (2007), e o trambiqueiro Namit em Caminho das Índias (2009).

Em janeiro deste ano, Chico Anysio foi personagem na minissérie Dercy de Verdade, onde foi interpretado pelo seu filho, Nizo Neto.


“Fina Estampa” apostou na comédia e acertou na audiência
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Nilson Xavier

A máxima “fale mal, mas fale” poderia ser aplicada à novela Fina Estampa – cujo último capítulo foi exibido nessa sexta-feira, 23/03. Desde sua estreia, a trama de Aguinaldo Silva foi alvo das críticas mais ferrenhas, vindas de todos os lados, por causa de sua história, personagens, direção ou proposta “nova classe C”. Mas o fato é que a novela alavancou a audiência do horário. Isso é o que interessa para a emissora e para seu autor.

No ibope da Grande São Paulo (o que conta para o mercado publicitário), Fina Estampa teve na média geral menos audiência (39) que a última trama de Aguinaldo, Duas Caras (41), e a novela seguinte, A Favorita (40), e empatou com Caminho das Índias. Mas ultrapassou as três novelas subsequentes: Viver a Vida (36), Passione (35) e Insensato Coração (36). Já na média nacional (PNT – Painel Nacional de Televisão, que Aguinaldo divulga em seu blog), Fina Estampa se saiu melhor: 41 pontos, empatando com Duas Caras e ultrapassando as demais novelas.

Ainda que as críticas recebidas pudessem funcionar como um chamariz para a trama, está claro que o sucesso da novela não veio delas. Ver para falar mal pode até ser um passatempo divertido, mas não é o suficiente para justificar sua repercussão. O fato é que a novela cativou o público, independente das críticas.

Aguinaldo Silva uniu tramas surreais – entende-se sem compromisso algum com a realidade – com elementos populares em voga no momento – como UFC e o funk -, personagens caricatos – como a vilã Tereza Cristina (Christiane Torloni) e o gay Crodoaldo Valério (Marcelo Serrado) -, e uma heroína maniqueísta – Griselda (Lília Cabral), mulher batalhadora, de personalidade forte, mãe sofrida, boa e justa, concebida especialmente para criar empatia com o público que se identifica com essa figura idealizada: a chamada “nova classe C”, que, acredita-se, é a principal responsável pela audiência do horário nobre na TV aberta brasileira no momento.

Aguinaldo sempre foi um autor popular, escreveu algumas das melhores novelas de nossa TV, é um mestre na arte de despertar audiências com tramas e personagens marcantes. Fina Estampa está longe de ser seu melhor trabalho. Não teve uma história consistente, marcante, inovadora ou original. O autor se perdeu do mote inicial: Griselda, que, ao ficar rica, se questionaria se o que vale mais é a aparência ou o caráter – como bem sugere a abertura e o título da novela.

Isso acabou não acontecendo e a vilã tresloucada Tereza Cristina passou a ganhar mais espaço dentro da história, despertando a atenção do público acerca de seu “segredo”. Mas esse segredo – cuja revelação foi ápice em dois momentos – acabou por frustrar o telespectador, à la “segredo de Gerson” (personagem de Marcelo Antony na novela Passione). O autor também frustrou o público com a não revelação da identidade do amante de Crô. Uma brincadeirinha de Aguinaldo.

Apesar do espaço que Tereza Cristina ganhou na trama, pela primeira vez não foi a vilã da novela que despertou paixões no telespectador – como Nazaré Tedesco de Senhora do Destino, Odete Roitman de Vale Tudo, Altiva de A Indomada, Laura de Celebridade, Flora de A Favorita, e tantas outras. O personagem de Fina Estampa que entra para galeria de tipos queridos da TV é o Crô de Marcelo Serrado, o grande destaque da novela, impagável nas cenas com Tereza Cristina, o chofer Baltazar (Alexandre Nero) e a empregada Marilda (Kátia Moraes) – que juntos formavam o melhor núcleo da novela.

Também Pereirinha (José Mayer), Teodora (Carolina Dieckamnn) e Tia Íris (Eva Wilma) tiveram ótimos momentos com seus personagens, valorizados pelo texto afiado do autor e pela interpretação dos atores. O núcleo de Ester-Paulo-Danielle (Júlia Lemmertz, Dan Stulbach e Renata Sorrah), em banho-maria por mais da metade da novela, despertou nesta reta final e chegou a movimentar a trama.

Apesar de vários núcleos e personagens com histórias desinteressantes, e por mais surreal que a novela tenha sido – com direito a citações a várias outras tramas do autor -, a aposta no tom farsesco e na comédia popular funcionou. O que talvez não teria acontecido se o autor tivesse se restringido à chata família de Griselda e seu discurso politicamente correto. Ou ao núcleo da praia e seus aplausos ao sol.


Canal Viva reprisa “Que Rei Sou Eu?” em maio
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Nilson Xavier

O canal Viva já tem uma novela substituta para Roque Santeiro (de segunda a sexta-feira à meia-noite e quinze): é Que Rei Sou Eu?, já com teasers no ar (as primeiras chamadas curtas que aguçam a curiosidade do telespectador). A estreia é em 7 de maio.

Que Rei Sou Eu? é um dos maiores sucessos da teledramaturgia da Globo. A novela foi ao ar originalmente entre fevereiro e setembro de 1989, e reprisou uma única vez, logo após sua apresentação, entre outubro e dezembro de 1989, em forma compacta. Escrita por Cassiano Gabus Mendes, com a colaboração de Luís Carlos Fusco, a novela foi dirigida por Jorge Fernando, Mário Márcio Bandarra, Lucas Bueno e Fábio Sabag.

No fictício reino de Avilan, três anos antes da Revolução Francesa, o Bruxo Ravengar (Antônio Abujamra), de conluio com a Rainha Valentine (Tereza Rachel), põe no trono um mendigo, Pichot (Tato Gabus Mendes), o que vem atender aos interesses dos nobres, para evitar que os rebeldes – os representantes do povo – assumam o poder, mais especificamente Jean-Pierre (Edson Celulari), filho bastardo do falecido rei e legítimo herdeiro do trono de Avilan.

A trama de capa e espada propunha uma paródia bem humorada do Brasil do final da década de 1980. O reino de Avilan era um micro cosmo do país, onde os conselheiros reais representavam os políticos corruptos. A novela retratou a instabilidade financeira do Brasil, com sucessivos planos econômicos, moeda desvalorizada que mudava de nome, elevada carga de impostos, entre outros acontecimentos comuns ao brasileiro daqueles tempos.

Que Rei Sou Eu?, estreia 07/05/2012, 0h15 com reprise às 12h no dia seguinte.

Saiba mais sobre Que Rei Sou Eu? no site Teledramaturiga.


Vitor de Oliveira lança o livro “Eu Prefiro Melão” no Rio
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Nilson Xavier

O escritor Vitor de Oliveira – roteirista da Globo, foi colaborador de Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro no remake da novela O Astro, no ano passado – lança no Rio de Janeiro o livro Eu Prefiro Melão, Melhores Momentos de um Blog Televisivo (Navilouca Livros), com textos de seu blog novelístico de sucesso na Internet, o Eu Prefiro Melão – título tirado da célebre frase de Lima Duarte na novela Meu Bem Meu Mal, em 1990.

Clique AQUI para acessar o blog Eu Prefiro Melão.

O prefácio é do novelista Alcides Nogueira. Eu assino a orelha. E a atriz Betty Faria – “musa do Melão”, como afirma Vitor – escreveu o depoimento da contracapa.

“São textos mais informais, evocando nossa memória afetiva e discutindo temas relevantes, mas sempre mais do ponto de vista do espectador do que do crítico ou do profissional de roteiro”, afirmou Vitor sobre seu mais novo trabalho.

A noite de autógrafos será na quarta-feira, dia 21/03, a partir das 21h30, no Galeria Café, em Ipanema. Após o coquetel, acontece no local a Festa X-Tudo, às 23h. O Galeria Café fica na Rua Teixeira de Melo, 31, lojas E e F, Ipanema.

Estarei lá prestigiando o amigo. E o convite é extensivo a todos, do Rio ou não.

“Que bom ver um jovem com tanto conhecimento de teledramaturgia brasileira.” – Betty Faria.


Novela das 6 “Amor Eterno Amor” tem a pior média de audiência até o décimo capítulo
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Nilson Xavier

A novela das seis da Globo, Amor Eterno Amor – de Elizabeth Jhin, com direção de núcleo de Rogério Gomes -, teve a pior média de audiência já registrada para o horário até o décimo capítulo: pouco mais de 21 pontos, quando a meta é 25. Amor Eterno Amor começou lenta, apostando no romantismo e introspecção, tendo o espiritualismo como fio condutor. Em Escrito nas Estrelas, a trama anterior da autora, de 2010, viu-se um início bem mais movimentado. Apesar das belas imagens de Marajó em Amor Eterno Amor, paira no ar a impressão de “já vi essa novela antes”.

Marajó maravilhoso

A sensação de déjà vu tem razão de ser. Escrito nas Estrelas também apresentou uma trama espiritualista, e também foi dirigida por Rogério Gomes. A estética, com temática rural, lembra Paraíso, novela de Benedito Ruy Barbosa, de 2009, outra trama sob a batuta de Gomes. Mas é impossível não lembrar-se também de Araguaia (de Wálter Negrão, de 2010-2011), América (de Glória Perez, de 2005) e Senhora do Destino (de Aguinaldo Silva, de 2004-2005).

As imagens são belíssimas, com fotografia de cinema – o que já é costumeiro no horário das seis. A novela é gravada em 24 quadros por segundo, quando normalmente se usa 30 quadros. E Amor Eterno Amor mostra um cenário inédito em novelas: paisagens deslumbrantes da Ilha de Marajó, um atrativo a mais do folhetim, e que ainda tem o mérito de divulgar a região. O clima romântico é envolvente, como se propõe a história. A trilha sonora, introspectiva e de bom gosto, ajuda.

Além do cenário, o universo do Marajó está presente nas danças com trajes típicos (saias rodadas e flor no cabelo) e no linguajar, com expressões como “Égua!”, que causou certo estranhamento no início, mas já foi devidamente assimilado pelo público.

Atores e perucas

O elenco é de primeira, valorizado pela direção segura. Letícia Persiles vive uma heroína romântica que segue interessante. Gabriel Braga Nunes parece contido demais em cena, culpa de seu personagem que não dá margem a uma atuação mais desenvolta – pelo menos por enquanto. A personagem de Andreia Horta – lindíssima – é um furacão e dá a pimenta ao trio romântico central que já se desenha.

O casal vivido por Pedro Paulo Rangel e Vera Mancini já chamou a atenção. Ele, cuja caracterização lembra um Pereirinha (personagem de José Mayer em Fina Estampa, a trama das 9) caipira e covarde, tem os mesmos tiques de interpretação de tantos outros personagens que já viveu em novelas. Vera Mancini – que se destacou recentemente como a engraçada empregada Cleonice de Morde e Assopra (também dirigida por Rogério Gomes) – está à vontade na pele da mulher mandona e voluntariosa. E Vera só não é a atriz que mais chama atenção no elenco porque não usa uma peruca.

As perucas da novela merecem um parágrafo à parte. Cássia Kis Magro já usava uma peruca fake na novela Eterna Magia, que Elizabeth Jhin escreveu em 2007. Em Escrito nas Estrelas, Suzana Faini ostentou uma peruca grisalha, mas ainda discreta. Já a personagem de Walderez de Barros naquela novela era apaixonada por perucas: tinha várias em sua casa e cuidava delas com devoção. Em Amor Eterno Amor, as perucas de Ana Lúcia Torre e Cássia Kis Magro são propositalmente fakes e destoam tanto da história quanto da proposta estética da novela. Mesmo assim, as atrizes estão ótimas em seus papeis. Ainda que, às vezes, Cássia Kis pareça beirar o histrionismo. Deve ser impressão, por causa da peruca!

Espiritualismo e crianças índigo

Acho que se deve prestar um pouco mais de atenção na trama central da novela e na atriz mirim Klara Castanho. A menina Clara (sua personagem) tem poderes paranormais, lê os pensamentos das pessoas. Ou seja, é o tipo de personagem que pode tudo na trama de uma novela, para o bem ou para o mal. Criança índigo e criança prodígio ou super dotada, que não tem papas na língua e fala como um adulto, pode soar chata ou arrogante.

O espiritualismo é o que move a trama de Amor Eterno Amor. Diferente de outras novelas que já exploraram esse filão – como Escrito nas Estrelas e a espírita A Viagem, de Ivani Ribeiro -, dessa vez a temática vem explícita e soa impositiva. O personagem de Felipe Camargo é um homem cético e, por isso, na trama da novela, precisa ser “doutrinado” pelas filhas espiritualistas. Afinal, para embarcar nessa viagem a Marajó em busca da criança perdida, é preciso crer no que prega a história.

Aí, fica realmente difícil para quem é cético embarcar nessa viagem. Ou melhor, nessa história. A novela corre o risco de afugentar quem tem outras crenças, ou quem não acredita na doutrina apresentada pela autora. Talvez o efeito seria outro se a parte espiritualista de Amor Eterno Amor não fosse tão explícita nesse primeiro momento. Ou se ficasse em segundo plano. Mas aí não teria novela, já que a trama central depende da trama espiritualista para acontecer.


Aguinaldo Silva no Roda Viva: “A telenovela é tratada com profundo desdém pela mídia.”
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Nilson Xavier

Na segunda-feira, 12/03, participei do programa Roda Viva, na TV Cultura, em que o novelista Aguinaldo Silva foi entrevistado. Além de mim, o autor de Fina Estampa foi sabatinado por Mário Sérgio Conti (apresentador do programa), Mauricio Stycer (repórter e crítico de televisão do UOL), Cristina Padiglione (editora e colunista de TV do jornal O Estado de São Paulo), Katia Mello (gerente de conteúdo da TV1 Eventos) e Raimundo Rodrigues Pereira (diretor da revista Retrato do Brasil).

Diferente da postura em seu blog e no Twitter, Aguinaldo mostrou-se uma pessoa calma, serena, de fala mansa e baixa e muito simpática. Questionei se ele usava um personagem nas redes sociais e ele afirmou que não faria um blog apenas para descrever o seu dia a dia. “Todos criam uma persona na Internet! (…) É um personagem, aquilo não sou eu. Quem me conhece sabe que eu não sou assim”.

Gostei bastante do programa, mesmo porque – e até comentei com Aguinaldo – não me lembrava de já tê-lo assistido em alguma entrevista na TV. Durante mais de uma hora e meia, ele falou – entre coisas cosas – do sucesso e dos bastidores de Fina Estampa, de sua carreira antes da televisão, quando era jornalista e repórter policial, de como cria seus personagens, de seu restaurante e sua pousada, de Portugal, do politicamente correto, da censura que já sofreu e que ainda sofre, da nova classe C, de sua desavença com Walcyr Carrasco, de novelas x seriados, de seu futuro na Globo (seu contrato vai até setembro de 2014), de sua imagem na Internet e de sua relação com a mídia em geral.

Sobre o final de Fina Estampa, Aguinaldo revelou apenas que a vilã Tereza Cristina (Christiane Torloni) não morrerá nem será presa, e que Baltazar (Alexandre Nero) não é o amante de Crô (Marcelo Serrado). O mote central da novela – “o que vale mais, o caráter ou a aparência?”, que fora abandonado no decorrer da trama – será retomado quando Griselda (Lília Cabral) discursar sobre ética na formatura do filho Antenor (Caio Castro). Ele confirmou ainda que a Barra da Tijuca não será varrida do mapa com um tsunami, como já fora anunciado.

Desenhos do cartunista Paulo Caruso

Aguinaldo disse que alguns personagens da novela são como personagens de desenho animado: “As crianças adoram o Crô porque ele é o Pica Pau! (…) E Tereza Cristina é o Tom” (da dupla Tom & Jerry). Perguntado se algum personagem de Fina Estampa ficará para a posteridade, Aguinaldo respondeu: “O Crô, para a infelicidade dos gays [que criticam o personagem]”.

Questionado sobre sua melhor novela, o escritor primeiro deu uma resposta clichê: “É sempre a última!”. Ao final do programa, ele reconheceu: “É Tieta! A primeira que escrevi depois do fim da censura. Pude me permitir coisas que não podia antes”.

Sempre achei estranho Aguinaldo Silva ter sido supervisor de texto de Bosco Brasil em Tempos Modernos (trama das 7 horas, de 2010) pelo fato da novela não ter absolutamente nada a ver com o seu universo ficcional (a trama era ambientada em São Paulo e, no início, tinha uma “pegada” de ficção científica). Perguntei a ele qual foi a sua efetiva participação na novela, no que Aguinaldo respondeu: “Praticamente nenhuma! Porque nada na novela tinha a ver comigo”.

Questionei também se Aguinaldo não tem mais interesse em fazer novelas regionalistas. Sua resposta: “Vou te contar um segredo: eu continuo fazendo novelas rurais! Eu uso um truque: finjo que faço novela urbana! Você acha que aquilo é a Barra da Tijuca [cenário de Fina Estampa]? Não é! É uma cidadezinha do interior!”

Para Aguinaldo, os autores de novelas das 21 horas da Globo estão em extinção, porque escrever novela exige muita disciplina, que só os veteranos têm. Ele chama os novelistas veteranos remanescentes no horário de “as cinco últimas ararinhas azuis”, a saber: ele, Gilberto Braga, Glória Perez, Manoel Carlos e Silvio de Abreu. E João Emanuel Carneiro, “um jovem autor de 40 anos”.

Abaixo transcrevo algumas de suas melhores frases no programa.

“Os gays que abominam o Crô anseiam por parecerem heterossexuais.”

“Todas as pesquisas indicam que as pessoas não querem ver o beijo gay [na novela]. Dependendo de mim, beijo gay só na minha casa!”

“Crítico é uma pessoa que entende e gosta de televisão. Em primeiro lugar tem que gostar de televisão!”

“A telenovela é tratada com profundo desdém pela mídia.”

“Não me interessa falar de jornalistas sérios, porque eles são irretocáveis. Me interessa falar dos que não são sérios, porque eles existem. A gente sabe que existem jornalistas assim, principalmente cobrindo televisão.”

“Novela é entretenimento, não é arte. Porque é uma obra coletiva.”

“Sempre comparo novela com jornal de ontem: quando acaba, some da mente das pessoas. Não existe nada mais antigo do que jornal de ontem.”

“O brasileiro gosta mais de novelas do que seriados porque não temos bons seriados. (…) Temos muito que aprender com os americanos. (…) Acho que a linguagem dos seriados [nacionais] ainda é antiga.”
“Tentei fazer algo novo
[sobre Lara com Z], não sei se consegui. Tenho que reconhecer que eu tenho os vícios da novela. Então meus seriados sempre acabam ficando no meio termo entre o seriado e a novela.”

 “Quando tinha a Censura [oficial] era mais divertido, porque as regras do jogo eram muito claras.”

“A novela não é minha, é do produtor [da emissora]. Mas você é o senhor da novela – sinto que nós somos o lado negro da história, e isso é perigoso! Se pudesse fazer novelas sem autor, seria melhor.”

O brasileiro não se preocupa com spoiler “porque mesmo sabendo o que vai acontecer, o público quer saber como vai acontecer.”

“Entrego uma sinopse que dura no máximo 80 capítulos. Depois, seja o que Deus quiser!”

 “Eu ainda tenho muitas histórias para contar. Não estou interessado em remakes.”

“Se eu posso fazer propaganda de uma peça de teatro, por que não posso fazer de minha pousada?”

Assista abaixo a entrevista na íntegra (vídeo do Youtube).


Nova temporada de “Rebelde” reafirma compromisso com seu público alvo: os jovens
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Nilson Xavier

O primeiro capítulo da nova temporada de Rebelde, que foi ao ar nesta terça-feira (13/03), não tinha cara de estreia. Jovens casais se formavam, enquanto alguns já formados trocavam juras de amor e outros se desfaziam. Parecia mesmo uma espécie de prólogo do que estava por vir. Ao final do primeiro capítulo, apareceram os novos personagens que, ao que parece, darão a tônica nesta nova temporada: os gêmeos Lucy (Ully Lages) e Miguel (Thiago Amaral), que fingirão ser vampiros – a grande novidade de Rebelde para 2012.

A autora Margareth Boury já afirmou que sua novela em nada se assemelha às tramas ou personagens da série Crepúsculo, de Stephenie Meyer. Vampiros são mesmo universais, mas a referência é inevitável, uma vez que adolescentes enchem as salas de cinema para acompanhar a saga nas telonas. E não faltará quem cite ainda True Blood e The Vampire Diaries, ainda em voga.

No segundo capítulo os novos alunos do colégio foram apresentados e já despertaram a atenção e a libido de alguns alunos antigos. A novela continua com edição e diálogos ágeis, linguagem clipada, direção segura. Alguns atores do elenco renderiam melhor se os personagens fossem diferentes, como Daniel Erthal, que causa estranhamento com um personagem abobalhado.

Nesta nova temporada, Rebelde vai brincar de vampiromania, uma vez que os novos personagens farão de conta que são vampiros. A ideia é legal, mexe com o imaginário do jovem e deve chamar a atenção deste público alvo. Rebelde tem um trunfo que Malhação nenhuma lhe tira: mesmo que todo tipo de público venha a assistir, é assumidamente uma atração para adolescentes, sem compromisso algum com verossimilhança e que se presta exclusivamente a entreter. Seu único compromisso é com seu público. Nisso, até que cumpre bem seu papel. Os teen pira!