Blog do Nilson Xavier

Arquivo : abril 2012

Novela dos anos 70 já trazia empregadas domésticas como protagonistas
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Nilson Xavier

A novela Cheias de Charme põe os dramas de três domésticas em pauta: Maria da Penha (Taís Araújo), Maria do Rosário (Leandra Leal) e Maria Aparecida (Isabelle Drummond). A trama – bem conduzida por Filipe Miguez e Izabel  de Oliveira – é uma fábula moderna sobre três mulheres simples e batalhadoras que sonham com uma vida melhor, premissa criada para uma rápida identificação do público – o que, parece, tem surtido efeito, já que a audiência da atração vai bem.

Em novelas, raramente as empregadas tiveram dramas próprios que conduzissem uma história. Servir à mesa ou bajular patrões sempre foi delegado a personagens secundários – ainda que alguns tivessem obtido algum destaque dentro dos núcleos de seus patrões, como a empregada Marilda, vivida recentemente por Kátia Moraes na novela Fina Estampa.

O novelista Manoel Carlos será sempre lembrado por suas Helenas e pelas empregadas de suas novelas, cheias de diálogos, que tinham intimidade com seus patrões e se envolviam em seus dramas, dando pitaco ou oferecendo o ombro amigo. Vale ressaltar também que as atrizes Ilva Niño e Chica Xavier foram as que mais viveram empregadas domésticas na televisão, desde a década de 1970.

Domésticas já foram protagonistas anteriormente. A novela Sem Lenço Sem Documento – trama das sete horas que Mário Prata escreveu para a Globo entre 1977 e 1978, dirigida por Régis Cardoso e Denis Carvalho – tinha um forte núcleo de quatro irmãs pernambucanas que migraram para o Rio de Janeiro onde passaram a trabalhar como domésticas. As irmãs eram diferentes entre si, cada uma com sua trama.

Graça (Isabel Ribeiro), a única casada, dividia o serviço na casa da patroa com seus dramas familiares. Cotinha (Ilva Niño), a mais velha, morava na casa dos patrões, onde trabalhava há anos e era considerada um membro da família. Cotinha era apaixonada pela voz de um locutor de rádio. Dorzinha (Arlete Salles) era a sonhadora, lia fotonovelas e imaginava-se protagonizando uma. E Rosário (Ana Maria Braga – não a apresentadora, mas a atriz, irmã de Sônia Braga e mãe de Alice Braga), a mais jovem, estava chegando ao Rio quando a novela começou, para fechar seu destino com o das irmãs.

A abertura apresentava uma fotonovela em que os créditos do elenco vinham dentro dos balões de diálogo (muito parecida com a abertura da novela Uga Uga). Pejorativamente – e referenciando a personagem de Arlete Salles – acreditava-se na época que as revistas de fotonovelas eram a leitura preferida das empregadas domésticas. Sem Lenço Sem Documento tinha outras histórias também, com destaque para os núcleos de Marco (Ney Latorraca) e Bilé (Ivan Setta) e das irmãs modelos Carla (Bruna Lombardi estreando como atriz) e Berta (Ana Helena).

Sem Lenço Sem Documento reverteu o padrão folhetinesco de então, desmerecendo uma história romântica com herói-mocinha-vilão para centrar-se nos dramas de gente comum. Mas pagou caro: a novela não fez sucesso na época.

Abertura da novela

Saiba mais sobre Sem Lenço Sem Documento no site Teledramaturgia.


No Dia do Livro, relembre as obras literárias que inspiraram novelas e minisséries
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Nilson Xavier

Sônia Braga em "Gabriela" de Jorge Amado

23 de Abril é o Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor, data comemorativa instituída pela UNESCO em 1996, escolhida por ter sido o dia da morte dos escritores Miguel de Cervantes e William Shakespeare, no ano de 1616.

A Teledramaturgia Brasileira (a exemplo do cinema mundial) sempre bebeu da literatura, inesgotável fonte de inspiração para os novelistas. Jorge Amado foi o escritor mais adaptado para a televisão. O romance Gabriela Cravo e Canela rendeu uma das novelas mais marcantes da história da TV, adaptada por Walter George Durst em 1975, com Sônia Braga no papel-título. Para este ano de 2012, a Globo prepara uma nova adaptação do romance, escrita por Walcyr Carrasco, com Juliana Paes.

Além de Gabriela, Tieta do Agreste virou a novela Tieta (1989-1990), com Betty Faria, e Tereza Batista Cansada de Guerra, a minissérie Tereza Batista (1992) com Patrícia França. Dona Flor e Seus Dois Maridos foi um sucesso do cinema nacional em 1976, com Sônia Braga, e virou minissérie, em 1998, com Giulia Gam. Também Terras do Sem Fim (novela em 1981, baseada nos romances Terras do Sem Fim, Cacau e São Jorge dos Ilhéus), Tenda dos Milagres (minissérie em 1985), Capitães da Areia (minissérie em 1989), Tocaia Grande (novela em 1995-1996), Porto dos Milagres (novela em 2001, baseada nos romances Mar Morto e A Descoberta da América pelos Turcos), e Pastores da Noite (série, em 2002).

Claudio Marzo e Norma Blum em "Senhora" de José de Alencar

Até 1975, o horário das 18 horas da Globo ainda não era uma tradicional faixa de novelas. Com o núcleo de dramaturgia comandado pelo diretor Herval Rossano a partir daquele ano, o horário das seis passou a apresentar novelas num projeto da emissora de adaptar obras da literatura brasileira. Entre 1975 e 1982 foi ao ar um total de vinte produções – a maioria de época. A ideia foi aplaudida pelo público e discutida nas escolas, que propunham aos alunos a leitura das obras adaptadas, seja para comparar com o original, ou para saber o desfecho delas – o que alavancou sensivelmente a venda dos livros adaptados. Foi nesse período que Benedito Ruy Barbosa e Manoel Carlos estrearam na Globo, enquanto Gilberto Braga teve grande destaque com suas adaptações literárias, sendo alçado em seguida ao horário nobre (às oito da noite).

Os maiores sucessos desta fase foram: Helena (de Machado de Assis), Senhora (de José de Alencar), A Moreninha (de Joaquim Manuel de Macedo), O Feijão e o Sonho (de Orígenes Lessa), Escrava Isaura (de Bernardo Guimarães), Dona Xepa (de Pedro Bloch), Maria Maria (baseada no romance Maria Dusá de Lindolfo Rocha), A Sucessora (de Carolina Nabuco), Cabocla (de Ribeiro Couto) e Ciranda de Pedra (de Lygia Fagundes Telles).

Curiosamente, até Nelson Rodrigues foi adaptado para o horário das seis: O Homem Proibido virou novela em 1982. Mas o resultado final pouco teve a ver com o livro do “Anjo Pornográfico”, já que o horário quase nada permitia da obra do autor. Nelson pôde ser mais bem aproveitado em outras produções, como nas minisséries Meu Destino É Pecar (1984) e Engraçadinha (1995), e na série A Vida Como Ela É (1996).

Alessandra Negrini e Paulo Betti em "Engraçadinha" de Nelson Rodrigues

Entre 1981 e 1982, a TV Cultura de São Paulo produziu uma série de 17 adaptações de obras da literatura brasileira, chamadas de Tele Romances, como Floradas na Serra (de Dinah Silveira de Queiroz), O Resto é Silêncio e Música ao Longe (de Érico Veríssimo), Casa de Pensão (de Aluísio Azevedo), O Coronel e o Lobisomem (de José Cândido de Carvalho), O Tronco do Ipê (de José de Alencar), Iaiá Garcia (de Machado de Assis), entre outros. A Cultura chegou a promover um concurso literário, incentivando o público a comparar as obras adaptadas com seus originais.

Érico Veríssimo foi outro escritor bastante adaptado para a TV. Além dos Tele Romances O Resto é Silêncio e Música ao Longe: a novela Olhai os Lírios do Campo (1980) e as minisséries O Tempo e o Vento (1985) e Incidente em Antares (1994).

A dramaturgia inspirada na literatura movimenta as livrarias. Um livro, quando adaptado para a TV, tem um aumento siginificativo em suas vendas. O romance A Casa das Sete Mulheres, de Letícia Wierzchowski, havia vendido menos de 13 mil exemplares até ser transformando em minissérie (em 2003), quando ultrapassou os 30 mil em apenas três semanas. A adaptação que Manoel Carlos fez do romance Maria Dusá, de Lindolfo Rocha, – a novela Maria Maria (1978) – tirou o autor e sua principal obra do ostracismo em que se achavam desde o início do século passado.

A Teledramaturgia também tem o mérito de divulgar a literatura brasileira no exterior. A sucesso mundial da novela Escrava Isaura tornou o romance de Bernardo Guimarães conhecido no mundo todo.

Tarcísio Meira em "O Tempo e o Vento" de Érico Veríssimo

O romance Senhora, de José de Alencar, foi um dos mais adaptados para a televisão. Nos tempos da TV ao vivo, e quando a telenovela ainda não era diária, a história foi apresentada pelo menos quatro vezes, por emissoras diferentes. Entre 1971 e 1972, a Tupi produziu uma versão contemporânea: O Preço de um Homem. Na Globo, em 1975, Gilberto Braga foi fiel ao livro, na versão com Norma Blum. Na Record, em 2005, a novela Essas Mulheres apresentou uma nova adaptação de Senhora, somada a dois outros livros de José de Alencar: Lucíola e Diva.

"Éramos Seis" de Maria José Dupré

A Moreninha, romance de Joaquim Manuel de Macedo, também já teve várias adaptações para a TV: três vezes quando as novelas não eram diárias; em 1965, pela Globo, com Marília Pêra; e em 1975, novamente na Globo, com Nívea Maria. Helena, de Machado de Assis: três vezes quando as novelas não eram diárias; em 1975, pela Globo, com Lúcia Alves; e em 1987, na Manchete, com Luciana Braga.

O Sítio do Picapau Amarelo, da obra de Monteiro Lobato, já teve cinco produções diferentes: pela Tupi, de 1952 a 1962; pela Cultura, em 1964; pela Bandeirantes, em 1967; pela Globo, de 1977 a 1986; e novamente na Globo, de 2001 a 2007.

O romance Éramos Seis, de Maria José Dupré, teve quatro versões para a TV: na Record em 1958, com Gessy Fonseca; na Tupi em 1967, com Cleyde Yáconis; de novo na Tupi, em 1977, com Nicette Bruno; e no SBT em 1994, com Irene Ravache.

O best-seller O Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos, foi produzido para a televisão três vezes: em 1970, por Ivani Ribeiro, para a Tupi; em 1980, na Bandeirantes, num remake da novela da Tupi, de Ivani Ribeiro; e novamente na Band, em 1998-1999, numa nova adaptação, de Ana Maria Moretzsohn.

Estes são alguns dos escritores e livros mais adaptados para a televisão. Tomar um romance e transformá-lo em novela ou minissérie, não é uma tarefa fácil. Às vezes o livro não rende um produto para a TV e o adaptador precisa mudar muita coisa. Outras vezes, ele apenas se baseia no mote central do livro, e cria uma nova história, que ao final, pouco tem a ver com o que está na obra original. Afinal, as obras literárias servem de inspiração para novas histórias e ajustes devem ser feitos, já que a televisão é um veículo muito diferente do livro em si.

Cite outras obras literárias transformadas em novelas ou minisséries!


Relembre as tramas de vingança que fizeram sucesso nas novelas
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Nilson Xavier

A trama central da novela Avenida Brasil envolve uma vingança particular de Nina (Débora Falabella) contra Carminha (Adriana Esteves). Criança, a menina Rita foi abandonada num lixão pela madrasta, Carminha, depois que esta roubou seu pai e ele morreu. Adotada por uma família rica, com quem foi morar no exterior, Rita, – agora Nina – retorna adulta com sede de vingança contra Carminha. Para tanto, ela se infiltra na casa da madrasta sem revelar sua identidade.

Vingança é um tema pra lá de recorrente em novelas. Essa história já foi contada antes, de diversas formas. Remete ao romance O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, e à peça A Visita da Velha Senhora, de Friedrich Dürrenmat. Vamos relembrar algumas novelas que tiveram a vingança como mote central. Quase todas tem alguém que retorna a algum lugar, escondendo sua identidade (ou não), para um ajuste de contas ou para se vingar de pessoas que a fizeram sofrer no passado.

A novela Os Inocentes (Tupi, 1974), de Ivani Ribeiro, foi baseada em A Visita da Velha Senhora. Juliana (Cleyde Yáconis) retorna à cidadezinha – que deixara quando criança – como uma mulher rica e poderosa, que se faz de amiga de todos. Mas ela esconde suas reais intenções: se vingar dos antigos moradores que, no passado, a expulsaram da cidade com sua mãe. E Juliana, como filha da mulher expulsa injustamente, vai se vingar nos herdeiros dos algozes da mãe – daí o título da novela, Os Inocentes.

Em Chocolate com Pimenta (de 2003-2004, em reprise atualmente), o autor Walcyr Carrasco fez uma mistura das tramas de A Visita da Velha Senhora com A Viúva Alegre, de Franz Lehár. Aninha (Mariana Ximenes), quando jovem, fora ridicularizada pelos colegas de escola perante toda a cidade. Casou-se com o homem mais rico da região e partiu. Após a morte do marido, Aninha – ou melhor, Ana Francisca – volta à cidade com sede de vingança contra os moradores que a fizeram sofrer. Seu plano é tirar do local a fábrica de chocolates que herdou, a principal fonte de renda dos moradores e dos ricos ambiciosos, que tiram vantagem do dinheiro vindo da fábrica.

Tieta – personagem de Jorge Amado interpretada por Betty Faria na novela de Aguinaldo Silva (de 1989-1990) – quer se vingar dos moradores de Santana do Agreste, que um dia a escorraçaram da cidade. Seu principal alvo é a irmã invejosa, Perpétua (Joana Fomm). Voltando à cidade, rica e poderosa, ela se faz de boazinha e se deixa bajular por todos – tal qual Juliana de Os Inocentes e Ana Francisca de Chocolate com Pimenta.

Em Cavalo de Aço (Globo, 1973) – de Walter Negrão -, Rodrigo (Tarcísio Meira) chega a uma cidadezinha para vingar o extermínio de sua família ocorrido na infância. O responsável pelo massacre é o rico fazendeiro Max (Ziembinski). Para realizar seus intentos, Rodrigo se envolve com Joana (Betty Faria), filha de Max.

Negrão usaria o mesmo mote para outra novela sua: Fera Radical (1988), em que Cláudia (Malu Mader) quer se vingar dos Flores, latifundiários a quem ela responsabiliza pelo morte de sua família no passado. Para tanto, Cláudia se envolve com os herdeiros Fernando (José Mayer) e Heitor Flores (Thales Pan Chacon).

Histórias semelhantes à da novela Marron-Glacé (1979-1980), de Cassiano Gabus Mendes: Otávio (Paulo Figueiredo) se infiltra na família de Madame Clô (Yara Côrtes) como garçon do restaurante de propriedade dela. Ele seduz ao mesmo tempo as duas filha da madame (Louise Cardoso e Sura Berditchewsky). Tudo faz parte de um plano de vingança contra o falecido marido de Clô, a quem Otávio responsabilizava pela ruína e morte de seus pais.

Em Fera Ferida (1993-1994) – trama de Aguinaldo Silva baseada na obra de Lima Barreto -, Feliciano Júnior (Edson Celulari) retorna à cidade de Tubiacanga para se vingar dos poderosos da região, que no passado foram os responsáveis pela morte de seus pais. Ele se esconde na pele do rico alquimista Raimundo Flamel, e desperta a cobiça de todos com sua ideia de transformar ossos humanos em ouro. Tudo não passava de uma farsa como parte de seu plano de vingança.

Na novela Dona Beija (Manchete, 1986) – de Wilson Aguiar Filho -, a protagonista, vivida por Maitê Proença, se transforma numa famosa e desejada cortesã para se vingar do ouvidor do Rei (Carlos Alberto), que a raptara para fazer dela sua amante. Enquanto ele viajava, Beija servia aos homens em troca de joias. Rica, ela retorna a Araxá, atrás de seu amor, Antônio (Gracindo Jr.), mas só encontra repúdio, dele e de toda população. Beija funda então a Chácara do Jatobá, um refinado bordel onde se transforma num mito como cortesã, escandalizando todas as famílias conservadoras de Araxá. Seu intuito maior era ferir Antônio.

A história de Quatro por Quatro (1994-1995), de Carlos Lombardi, começa quando quatro mulheres (Abigail – Betty Lago, Auxiliadora – Elizabeth Savalla, Babalu – Letícia Spiller, e Tatiana – Cristiana Oliveira), se sentindo desprezadas por seus respectivos homens, se unem para se vingar deles. Quem não se lembra da famosa cena em que elas fazem um pacto quando estão presas, unindo as mãos e gritando: “Vingança!”!

A trama espírita da novela A Viagem (1994), de Ivani Ribeiro, desenvolveu-se em cima da vingança do espírito de Alexandre (Guilherme Fontes) contra as pessoas que ele considerava responsáveis pela sua prisão e morte. Alexandre se suicidou na cadeia e, em outro plano, começou a influenciar na vida de seus desafetos – mais especificamente o irmão e o cunhado (Miguel Falabella e Maurício Mattar), que o entregaram à polícia, e o advogado (Antônio Fagundes) que o condenou.

Em O Dono do Mundo (1991) – de Gilberto Braga -, Márcia (Malu Mader) foi seduzida pelo canalha cirurgião Felipe Barreto (Antônio Fagundes), na noite de núpcias dela, o que culminou com a morte de seu noivo. Rejeitada e abandonada por todos, Márcia inicia então uma implacável vingança contra o homem responsável pela sua desgraça.

Em outra trama de Gilberto Braga – Celebridade (2003-2004) -, a maquiavélica Laura Prudente da Costa (Cláudia Abreu) usa de todos os meios para tomar o lugar, a fortuna e a fama da empresária Maria Clara Diniz (Malu Mader). Tudo fazia parte de um plano de vingança contra a ela, a quem Laura responsabilizava pela desgraça de seu pai, o verdadeiro autor da música que lançou Maria Clara ao estrelato.

Em Insensato Coração (2011) – novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares -, o mau caráter Léo (Gabriel Braga Nunes) se envolve com a simplória enfermeira Norma (Glória Pires) tão somente para roubar o dinheiro do velho rico que ela cuidava. Norma vai presa injustamente, acusada da morte do velho. Ela cumpre pena e tem apenas um objetivo na vida: vingar-se de Léo. Como parte de seu plano de vingança, Norma se casa com um milionário que lhe deixa polpuda fortuna ao morrer. Rica e poderosa, Dona Norma arma para Léo transformando-o em uma espécie de escravo em sua mansão, sob a ameaça de ele ser entregue à polícia pelos crimes cometidos.

As histórias, muitas vezes, se repetem. Mas o olhar do autor, ou a forma de se contar a história, faz toda a diferença. Muitas outras tramas trataram de vingança, em vários níveis. Cite outras novelas com vingança!


Canal Viva cresce em cobertura e audiência e entra no Top 10 da TV por assinatura
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Nilson Xavier

Cobertura
O Viva (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo) registrou um aumento de 56% em sua cobertura no horário nobre durante o primeiro trimestre de 2012 – comparado ao mesmo período do ano passado -, com cerca de 24 milhões de telespectadores diferentes passando pelo canal.

Audiência
Nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2012, o Viva obteve um crescimento de aproximadamente 50% na audiência do total de indivíduos e mais de 90% na audiência das classes B2C – também comparado ao mesmo período de 2011. O desempenho do Viva ficou acima da média de crescimento do mercado de TV por assinatura e do aumento da base de assinantes.

Com este resultado, o Canal Viva figurou no TOP 10 do ranking da TV por assinatura. Os programas que mais contribuíram para este resultado foram: a novela Roque Santeiro, os humorísticos Sai de Baixo e Escolinha do Professor Raimundo, a série Carga Pesada e o Cassino do Chacrinha (exibido no sábado de carnaval).

Fonte: Ibope. Análise: por faixa horária. Horário nobre: período entre as 19 horas e 1 hora.


“Cheias de Charme” é chanchada contemporânea
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Nilson Xavier

Existem muitas semelhanças entre Avenida Brasil e Cheias de Charme – novela de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira que estreou nesta segunda, 16/04, às sete da noite. É inegável o apelo popular de ambas, e elas chegam mesmo a ficar muito parecidas em algumas sequências, repetindo cenários, ambientações e tipos humanos. Mas existe uma diferença gritante: enquanto Avenida Brasil nos apresenta um drama urbano baseado na tragédia clássica, com pitadas de humor, Cheias de Charme é a mais pura chanchada melodramática.

As chanchadas do cinema nacional – filmes, geralmente musicais, de humor popularesco e ingênuo – fizeram sucesso entre as décadas de 1930 e 1950. Cheias de Charme é assim, uma chanchada urbana contemporânea. Um melodrama (“melos”, do grego música, + drama) caricato, feito não apenas para agradar a “nova classe C” – a atual menina dos olhos da TV brasileira –, mas a todos os públicos.

E o primeiro capítulo já deu o tom da novela: apresentou as três “empreguetes” protagonistas (Taís Araújo, Leandra Leal e Isabelle Drummond) – pobres, sonhadoras, cada uma com suas características e dramas – em contraponto com a vilã Chayene, a poderosa cantora technobrega que promete balançar a novela nos próximos seis, sete meses. Cláudia Abreu foi o grande destaque dessa estreia – ainda que tenha aparecido em poucas cenas -, personificando a caricatura das musas de um estilo musical em que o exagero mexe com o imaginário popular.

E é no imaginário popular que Cheias de Charme se apoia. A estreia foi ágil, agradável, divertida. Promete.


“Máscaras” acerta no roteiro mas erra na realização
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Nilson Xavier

O que se viu até agora de Máscaras – a nova trama da Record, que estreou semana passada – justifica o seu título. A novela é enigmática, mascarada mesmo! Mas confunde mais do que desperta curiosidade. Lauro César Muniz já afirmou que seus personagens são mascarados, e parece que vai levar isso às últimas consequências. O autor usa de um recurso perigoso: o de não entregar a história de cara. Não que isso seja ruim, mas na realização – que é feita pela direção da novela – pode acabar confundindo o telespectador desatento e afastá-lo.

Nota-se que Lauro e Renato Modesto – o co-autor – não perdem tempo. Eles são incisivos no drama dos protagonistas e impregnaram a trama com um clima pesado desde a primeira cena. Maria – vivida por Miriam Freeland, a melhor do elenco até agora – é uma mulher com tensão pós-parto que, supostamente, tentou matar o filho. Logo em seguida, teve seu bebê raptado, para depois ela ser raptada. O marido e o irmão de Maria se acusam mutuamente. Mas, quem está dizendo a verdade? Maria? Otávio, o marido (Fernando Pavão)? Martim, o irmão (Heitor Martinez)? Todos ou nenhum?

E se por trás deste suposto drama familiar estiver uma organização internacional mal intencionada? Intriga internacional e teorias da conspiração já foram abordadas por Lauro César Muniz em novelas como Poder Paralelo (2009-2010) e O Salvador da Pátria (1989). Em Máscaras, já ficam claras as intenções do autor de repetir essa temática, com personagens situados fora do país, como Martim, a prostituta Manu (Gisele Itié) e a personagem de Paloma Duarte, a que não ousa dizer seu nome.

Percebe-se, entretanto, que existe um desacerto entre os autores e a realização da novela. Fotografia, trilha sonora, cenários e elementos de cena destoam do que os personagens falam. Explico: é como se os autores estivessem querendo passar uma mensagem e os diretores não estivessem conseguindo realiza-la à altura. O texto de Lauro César Muniz é certeiro, irônico e inteligente. Mas a impressão que se tem é que ele não encontrou na produção da novela um ambiente propício para causar o efeito que propõe.

A cena do jantar em que Valéria (Bete Coelho) reúne os amigos para anunciar o “descasamento” com o marido, Gomide (Henri Pagnocelli), poderia ter sido ótima, se não fosse tão mal realizada. Sabemos que são vários atores experientes em cena, o elenco é bom. Mas a direção fez tudo parecer capenga. O mesmo para as cenas que se seguiram, em que as mulheres ficam sozinhas, em especial a que Sônia (Bruna di Tulio) tira a peruca e avisa a todas que está com uma doença terminal. São cenas longas, declamadas, sem trilha sonora, que tornam os diálogos cansativos.

A novela está lenta e existe um claro desacerto entre os autores e a produção. Mas ainda é cedo para afirmar que paira no ar uma sombra negra de Os Gigantes. Tem muito chão pela frente, muita história para rolar e tudo pode mudar. Inclusive a abertura – fica a dica!


“Aquele Beijo” termina como começou: morna mas irônica
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Nilson Xavier

Miguel Falabella nos brindou em Aquele Beijo com uma trama de humor espirituoso e inteligente, típico de seu universo, floreado com uma narração sempre inspirada. Mas faltou à novela uma história central empolgante, que prendesse o público à frente da TV diariamente e o fizesse torcer pelos personagens centrais. Foram as tramas paralelas, recheadas de bons personagens secundários, que fizeram Aquele Beijo. A audiência respondeu à história morna: uma média final, arredondada, de 25 pontos –  inferior aos 30 alcançados pelas duas últimas novelas do horário, Morde e Assopra e Ti-Ti-Ti.

As idas e vindas do quadrilátero Rubinho-Cláudia-Vicente-Lucena (Victor Pecoraro, Giovanna Antonelli, Ricardo Pereira e Grazzi Massafera) não empolgava e foi se esvaindo ao longo da novela. Por um momento, sentimos que a o casal romântico central era Alberto e Sarita (Herson Capri e Sheron Menezes), tendo Maruschka como a antagonista vilã. De todos esses personagens citados, o único que chamou a atenção foi Maruschka Lemos de Sá, interpretada por uma Marília Pêra sempre bem aproveitada e valorizada no texto afiado de Falabella.

O autor havia afirmado que Aquele Beijo era uma novela sobre o preconceito. E Falabella usou de ironia para tratar do preconceito. O preconceito contra os pobres, através do núcleo da comunidade do Covil do Bagre – chamada pejorativamente de “favela” várias vezes ao longo da história. O preconceito contra o gay, na figura da travesti Ana Girafa (Luís Salém). O preconceito contra os gordos – mostrado sob a ótica do humor -, através do núcleo de Olavo e Marieta (Ernani Moraes e Renata Celidônio), com grande destaque para Priscila Marinho, a Chocotona. O preconceito contra os nordestinos – também sob uma ótica inversa: Felizardo (Diogo Vilela) era um patrão tirano com seus funcionários – destaque para a atriz Lana Guelero, a Raimundinha. O preconceito contra o negro, através do núcleo da família de Deusa (Zezeh Barbosa), que de prostituta se tornou uma nobre francesa.

As tramas paralelas engoliram a desinteressante trama central e, através delas, Falabella prestou uma homenagem ao gênero Telenovela. Mãe Iara (Claudia Jimenez) dizia encarnar o espírito de uma criança mexicana, a partir do momento em que sua mãe foi morta quando um ônibus adentrou a sala onde ela estava assistindo a uma novela mexicana. Mirta (Jacqueline Laurence) não era vilã, mas usava um tapa-olho combinando com a roupa tal qual uma vilã de folhetim mexicano. E a abertura apresentou várias cenas de famosos beijos de nossas telenovelas. Os beijos alternavam de tempos em tempos e, no total, foram quatro mudanças na abertura. Apenas lamenta-se que este recurso tenha sido abandonado a partir de janeiro deste ano.

Como rezaria o atual código da Classificação Indicativa, Ana Girafa, a travesti, não teve um entrecho amoroso e ficou sem par romântico no final. Mas seria uma “ironia falabeliana” e tanto se houvesse um beijo entre Ana Girafa e outro homem em plena novela da sete! Foi também por causa do horário da novela que o fim de Grace Kelly (Leilah Moreno) – que se tornara prostituta – foi anunciado na narração do autor desta forma: “morreu aos 32 anos de causas naturais, enterrada como indigente”. Um eufemismo irônico do autor.

O último capítulo foi bonito, mas sem grandes reviravoltas na trama – “morno”, como foi a novela. Falabella até brincou com seu elenco em cena, sentado num trono indiano comandando a dança de seus personagens – que lembrou Bollywood ou a novela Caminho das Índias – como uma divindade que tem poder sobre suas criaturas, como se comandasse marionetes com cordas.


Relembre a carreira de Marly Bueno
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Nilson Xavier

Na minissérie "Rei Davi", da Record

A atriz Marly Bueno faleceu na madrugada de quinta-feira, 12/04, no Rio de Janeiro, após ter sido hospitalizada para uma cirurgia no intestino. Ela tinha 78 anos e estava no ar, na minissérie Rei Davi, da Record, onde vivia a vilã Ainoã, mulher do Rei Saul (Gracindo Jr.).

Marly Bueno nasceu Amália Angelina Marly D´Angelo, em São Paulo, em 11 de junho de 1933. Ela foi pioneira da TV no Brasil, tendo participado de vários programas ainda no início de década de 1950. Garota propaganda, começou a receber convites para apresentar programas no rádio e na televisão, e para atuar em teleteatros e no cinema – em filmes como “A Família Lero-Lero” (1953) e “Na Senda do Crime” (1954), e, mais tarde, “Entre Mulheres e Espiões” (1961), comédia de Carlos Manga onde atuou com Oscarito.

Ao casar-se com o jornalista Hilton Marques, Marly Bueno abandonou a TV… temporariamente. Um convite de Helena Rubinstein a fez voltar à telinha, como apresentadora do concurso Miss Brasil, entre 1965 e 1979. Mas Marly Bueno só voltaria a atuar mesmo nos anos 90.

Na novela "Mulheres Apaixonadas", de Manoel Carlos

Foi através do amigo novelista Manoel Carlos que Marly Bueno ficou conhecida pela nova geração, tendo atuado em quase todos os trabalhos dele desde então. Em Felicidade (1991-1992) viveu Leonor, secretária da prefeitura da cidadezinha de Vila Feliz. Em História de Amor (1995-1996), ganhou um papel de destaque, sua primeira megera, Rafaela Moretti, que não aprovava o namoro do filho Bruno (Cláudio Lins) com a espevitada Joice (Carla Marins).

Em Por Amor (1997-1998), fez uma pequena participação. Em Laços de Família (2000-2001) foi Olívia, mãe de Cíntia (Helena Ranaldi). Em Mulheres Apaixonadas (2003), viveu Marta, outra megera, que não via com bons olhos o envolvimento do filho Cláudio (Erik marmo) com Gracinha (Carol Castro), a filha da empregada. E em Páginas da Vida (2006-2007), Marly Bueno interpretou a severa freira Maria, apelidada de Irmã Má – novamente uma megera -, que fiscalizava tudo e todos no hospital onde trabalhava.

Na novela "Páginas da Vida", de Manoel Carlos

Marly Bueno atuou também nas novelas Quatro por Quatro (1994-1995), Estrela de Fogo (Iolanda, 1998-1999), Coração de Estudante (Zuzu, 2002), América (Srª Matos, 2005) e Poder Paralelo (Sônia, 2009-2010), e nas minisséries O Portador (1991) e Um Só Coração (Lúcia, 2004). E voltou a fazer cinema: “Sombras de Julho” (1995), “Oriundi” (2000), “Fica Comigo Esta Noite” (2006), “Inesquecível” (2007) e “A Mulher Invisível” (2009).

Marly Bueno será lembrada pelos seus papeis de mulher fina e arrogante das novelas de Manoel Carlos. Mas sempre elegante e altiva, como se mostrava na TV desde os tempos do concurso de Miss Brasil.


“Selva de Pedra” completa 40 anos
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Nilson Xavier

Há exatos quarenta anos a Globo lançava uma das novelas de maior sucesso da TV brasileira: Selva de Pedra, escrita por Janete Clair, com direção de Daniel Filho – substituído depois por Reynaldo Boury e Walter Avancini, então estreando na Globo.

Selva de Pedra foi a quarta de uma série de novelas consecutivas que Janete escreveu para o horário das oito da Globo. Entre novembro de 1969 e janeiro de 1973, a autora escreveu, ininterruptamente: Véu de Noiva, Irmãos Coragem (sendo esta uma das mais longas novelas da emissora), O Homem que Deve Morrer e Selva de Pedra.

A novela foi baseada no romance “Uma Tragédia Americana”, de Theodore Dreiser, que já havia rendido dois filmes em Hollywood: o primeiro, em 1931, de Joseph Von Sternberg, com o mesmo título do romance original, com Sylvia Sidney, Philips Holmes e Frances Dee. E o segundo, o filme “Um Lugar ao Sol”, em 1951, de George Stevens, com Shelley Winters, Montgomery Clift e Elizabeth Taylor.

Na TV, o triângulo amoroso central foi vivido por Regina Duarte (Simone), Francisco Cuoco (Cristiano) e Dina Sfat (Fernanda), numa interpretação marcante. Outro ator que brilhou no elenco foi Carlos Vereza, que deu vida ao malandro Miro, um tipo de caráter duvidoso, mas extremamente carismático, que caiu no gosto do público.

O ponto de partida é o mesmo da história original: rapaz pobre (Cristiano) se casa com moça pobre (Simone), mas conhece moça rica (Fernanda) e fica dividido entre as duas, pensando na possibilidade de matar a jovem pobre para viabilizar seu casamento com a rica. Mas a censura do Regime Militar da época obrigou a autora a mudar seu roteiro: o mocinho não poderia se casar com a rica porque já era casado com a pobre – mesmo ele pensando que a pobre estivesse morta. Janete Clair teve que inutilizar 22 capítulos e várias cenas foram regravadas.

Na história, Miro convencia Cristiano de que, para ele se casar com Fernanda, era preciso se livrar de Simone. Miro se encarregou do serviço e, numa perseguição, o carro de Simone caiu num precipício – uma das sequências mais marcantes da novela. Cristiano, em crise de consciência, não conseguiu se casar com Fernanda, abandonando-a no altar.

Mas Simone sobreviveu. Ela preferiu que todos continuassem achando que estava morta e partiu para o exterior com outra identidade, Rosana. Em seu retorno ao Brasil, Cristiano não acreditou na farsa e tentou se reaproximar da ex-mulher, que se tornara uma artista plástica famosa. Enquanto isso, Fernanda, enlouquecida, fazia de tudo para destruir seus desafetos, Cristiano e Simone.

A mudança de rumos acabou gerando novos desfechos para Selva de Pedra, que fez com o público ficasse cada vez mais vidrado na trama. O capítulo 152, apresentado em 04/10/1972, registrou incríveis 100% de audiência no Ibope, pelo menos nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.  Foi o capítulo em que Rosana, ou melhor, Simone, era desmascarada por Cristiano, na polícia.

Selva de Pedra foi ao ar originalmente entre abril de 1972 e janeiro de 1973, e reprisada em 1975, em forma compacta, também às oito da noite, cobrindo a censura de Roque Santeiro, que havia sido impedida de ir ao ar em sua estreia. Enquanto a Globo providenciava uma novela substituta (Pecado Capital), a emissora optou por reprisar Selva de Pedra, que, mesmo fresquinha na memória dos telespectadores, voltou a fazer sucesso. Em 1986 foi ao ar o remake da novela, com Fernanda Torres (Simone), Tony Ramos (Cristiano), Christiane Torloni (Fernanda) e Miguel Falabella (Miro).

Selva de Pedra é uma representante da era da inocência da televisão brasileira, em que o talento de seus profissionais se contrapunha aos parcos recursos técnicos da época e a um público muito diferente do de hoje em dia. Sob a vigilância do governo do Regime Militar, a TV evitava a dura realidade através de uma história extremamente sedutora e envolvente – como bem citou Ismael Fernandes em seu livro “Memória da Telenovela Brasileira”:

“O país vivia a fase do “milagre brasileiro” e com prazer se reunia à frente da televisão para assistir a vitória do bem sobre o mal, como mostrou o último capítulo. Acontecia um milagre na vida de Cristiano e Simone. Eles voltavam a se entender como nos duros tempos, mas não eram mais os mesmos. Agora eles se amavam envolvidos pelo dinheiro ao sabor do sucesso pessoal. Era o milagre brasileiro mesmo!”

Para finalizar, a música Rock and Roll Lullaby, gravada por B. J. Thomas, embalou o romance do casal protagonista e virou um fenômeno nas rádios, tornando-se um dos temas musicais mais marcantes de nossa TV.

Saiba mais sobre Selva de Pedra no site Teledramaturgia.


Osmar Prado se destaca em seu retorno a “Amor Eterno Amor”
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Nilson Xavier

O ator Osmar Prado voltou em cena na novela Amor Eterno Amor, no capítulo desta quarta-feira (11/04) e, pelo visto, movimentará a trama, que andava bem parada até então. Seu personagem, Virgílio, havia aparecido apenas no início da história, na primeira fase. Ele é o pai de criação do protagonista Carlos (Gabriel Braga Nunes), um homem mau e ambicioso que explorava o dom do filho de amansar feras, quando este era criança Com a morte da mãe de criação, Carlos conseguiu fugir do pai cruel. Tentando juntar as peças de seu passado nebuloso, Carlos, já adulto, reencontrou Virgílio, que não via desde a infância.

E eis que surge Osmar Prado numa interpretação irretocável, como o homem simplório que tenta se aproximar do filho. A caracterização perfeita mostra um Virgílio velho e marcado pela passagem do tempo. A cena em que ele tenta se explicar com Carlos e convencê-lo de suas boas intenções chegou a ser tocante. E percebemos as nuances do personagem na despedida com Carlos, quando, sozinho, Virgílio mostra sua verdadeira face, revelando ao público que suas intenções não são tão boas assim.

A autora, Elizabeth Jhin, tem aí a oportunidade de dar um gás em Amor Eterno Amor. Explorar o talento de Osmar Prado e as possibilidades desse bom entrecho é uma chance de alavancar o interesse do público pela novela, que vem sofrendo de um marasmo letárgico. Osmar Prado é um daqueles atores perfeitos para criação de tipos inusitados, da mesma categoria de Lima Duarte,Tony Ramos e outros poucos.

Eis alguns personagens que marcaram a carreira do ator:

Mingo em Bandeira Dois (1971-1972)
Juba em Bicho do Mato (1972)
Amaro em Chega Mais (1980)
Seu Quequé no Tele Romance Seu Quequé (1982)
Tabaco em Roda de Fogo (1986-1987)
Pietro em Vida Nova (1988-1989)
Sérgio Cabeleira em Pedra Sobre Pedra (1992)
Tião Galinha em Renascer (1993)
Zeca em Éramos Seis (1994)
Clóvis Camargo em Sangue do Meu Sangue (1995-1996)
Barnabé de Barros em Meu Bem Querer (1998)
Tomás de Alencar na minissérie Os Maias (2001)
Lobato em O Clone (2001-2002)
Margarido em Chocolate com Pimenta (2003-2004)
Pai de Maria na minissérie Hoje é Dia de Maria (2005)
Barão de Araruna em Sinhá Moça (2006)
Cícero Cassini em Ciranda de Pedra (2008)
Manu Meetha em Caminho das Índias (2009)
Delegado Batoré em Cordel Encantado (2011).

Cite os personagens de Osmar Prado na televisão que você mais gostou!