Blog do Nilson Xavier

Arquivo : maio 2012

“Avenida Brasil” e “Cheias de Charme” miram a classe C mas agradam a todos os públicos
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Nilson Xavier

É evidente no Brasil a atual preocupação de todos os setores em bajular a “nova classe C”, tão em voga no momento, inclusive na televisão. De acordo com dados do Ibope, esta classe emergente foi responsável por 52% da audiência dos canais abertos em 2011. Daí a intenção dos executivos de televisão em reproduzir na telinha gostos e padrões da “nova classe C” – atualmente evidenciados nas novelas da sete e nove horas da Globo, Avenida Brasil e Cheias de Charme.

Para definições e curiosidades sobre o fenômeno “nova classe C”, sugiro a leitura no site da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE). AQUI

A questão da “nova classe C” nas novelas está mais no produto em si – em sua temática, tramas e personagens – do que no público telespectador. Considerando as atuais novelas das sete e nove horas, houve uma mudança de foco: o popular se destaca (em tramas e personagens) – quando comparamos com novelas anteriores onde se evidenciavam as classes mais abastadas (como em tramas de Gilberto Braga e Manoel Carlos).

Mas isso não quer dizer que a novela não possa agradar a todas as classes. O segredo está em continuar fazendo novelas que agradam a todos de uma forma universal, mas mudando temas/tramas/personagens onde a “nova classe C” possa sentir uma maior identificação.

Se antes as empregadas eram personagens que só serviam à mesa e entravam mudas e saiam caladas, hoje elas podem ser as protagonistas – algo impensável tempos atrás, pois, de certa forma, “subvertia” a linguagem estabelecida. Os novos ricos da novela das nove não abandonaram o subúrbio, tampouco deixaram para trás seus gostos e comportamentos.

Avenida Brasil e Cheias de Charme conseguem esse feito, o de agradar a todos. São “populares” porque miram o popular. No entanto, não abrem mão de uma linguagem estética estilizada – vide a fotografia e trilha instrumental de Avenida Brasil. Até mesmo Cheias de Charme, com seu colorido, que remete ao “technobrega” – inclusive quando focalizada a comunidade do Borralho, a favela da trama. É na preocupação estética que percebemos a “classe” da novela. Não vou nem citar a irrepreensível direção e interpretação de atores – estão acima de qualquer “luta de classes”.

Cabe aqui uma comparação entre Avenida Brasil e Fina Estampa, a novela anterior no horário. A trama de Aguinaldo Silva manteve uma estética mais simplista com personagens maniqueístas (Griselda, Crô, Tereza Cristina), concebidos exclusivamente para agradar um público menos exigente, através de uma linguagem mais fácil, mais digerível – mais popular. Mesmo assim, diante da repercussão que teve Fina Estampa (entende-se números de Ibope), parece que acabou por agradar a todos de uma mesma forma.

Independente do novo foco, novo público alvo, novas temáticas, o fato é que as novelas continuam como dantes: atingindo todas as classes, seja qual for o poder aquisitivo. Na verdade, no Brasil sempre existiu produção teledramatúrgica para todos os gostos: novela cômica, dramática, realista, infantil, adulta, off-Globo, dramalhão latino, seriados, etc, populares ou não. Que continuemos escolhendo o que ver.


“Carrossel” supre carência de programação infantil no horário nobre
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Nilson Xavier

O sucesso da primeira semana de Carrossel não era esperado nem pelo próprio SBT, acostumado aos 7, 8 pontos de audiência de suas tramas anteriores. Carrossel fechou sua primeira semana com uma média de 13 pontos no Ibope, enquanto a primeira semana de Corações Feridos, a novela anterior, fechou em 4. Já é um dos maiores sucessos do SBT nos últimos anos. E o engraçado é que a novela conquistou audiência sem fazer grande estrago na concorrência.

De todos os lados pipocam explicações para este fenômeno de nossa moderna televisão. Com certeza, a má fase pela qual vem passando a Record (principal concorrente do SBT) e o saudosismo dos que acompanharam a versão mexicana da novela (apresentada com grande sucesso entre 1991 e 1992) contribuem para este bom resultado. Vamos levar em conta também a forte campanha publicitária que a emissora de Silvio Santos fez para o lançamento de sua novelinha, há muito tempo prometida e aguardada.

O fato é que existe certa verdade em discursos do tipo “Carrossel é uma novela para a família, em que pais e filhos podem acompanhar juntos, sem o constrangimento das demais novelas”. Bem, a classificação indicativa está aí para isso, para nortear os pais. Mas convenhamos que há muito tempo a TV aberta comercial brasileira estava carente de uma programação infantil em seu horário nobre.

Vamos contar?

Desconsideremos canais estatais como a TV Cultura – que, por sinal, sempre ofereceu farta programação infantil e de alta qualidade. Desconsideremos a grade do fim de semana. Desconsideremos a programação “adolescente”, como as novelas Malhação (Globo) e Rebelde (Record), o programa Estação Teen (RedeTV!) e seriados enlatados como Todo Mundo Odeia o Chris (Record), As Visões da Raven (SBT) e Kenan & Kel (Band). O que sobra para as crianças a partir do período da tarde? Apenas as reprises do Chaves, que o SBT apresenta às 18h30.

O SBT sempre privilegiou programação infantil e continua o fazendo, com Carrossel Animado e Bom Dia e Cia, que ocupam todo o período da manhã, durante a semana. A Globo – que outrora teve Vila Sésamo, Globinho, Sítio do Picapau Amarelo, Balão Mágico, Xou da Xuxa, TV Colosso e os programas da Angélica – agora dedica apenas uma hora e vinte minutos de sua grade matinal às crianças, com o TV Globinho – com a probabilidade de sair do ar já que está para estrear o programa de Fátima Bernardes. A Band apresenta o Band Kids, em duas horas matinais, e o enlatado Power Rangers, à tarde. A Record e a RedeTV! inexistem para as crianças.

Ou seja, a TV aberta deixou para os canais a cabo a tarefa de entreter nossas crianças no horário nobre (que vai mais ou menos das 19 às 23 horas). E elas estavam mesmo tão condicionadas a Cartoon Network, Discovery Kids, Nickelodeon e outras, que, ao chegar da escola no fim do dia, nem lembravam que existia TV aberta. As crianças – principalmente a partir da última década – trocaram a TV aberta pela TV a cabo e pelo video game. Carrossel se beneficiou desse público – além de tirar um pouquinho da audiência dos canais concorrentes na TV aberta... E quem não tinha cabo ou video game?…

Carrossel é toda apelo infantil. Cores fortes, cenários coloridos e por vezes fantásticos, historinhas clichês, educativas e de fácil assimilação, crianças fofinhas (ou quase isso). Tudo planejado para cativar os filhos e, por tabela, os pais, saudosistas ou não. E como o público alvo é a garotada, não há de se cobrar realismo algum das histórias, ou grandes interpretações dos atores mirins que estão começando agora. “Crianças não se prendem a esses detalhes!“, diriam alguns para justificar interpretações e texto fracos.

É cedo para saber se a novela se manterá na média dos 13 pontos, ou ao menos na casa dos dois dígitos. É necessário um pouco mais de tempo para se conquistar a fidelidade do público. Seja ele infantil ou não.


Relembre participações de personagens de novelas em programas de auditório
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Nilson Xavier

No capítulo de Cheias de Charme desta terça-feira (22/05), a dupla de cantores Chayene e Fabian (Cláudia Abreu e Ricardo Tozzi) se apresentou no Domingão do Faustão cantando uma música que é de Rosário (Leandra Leal). Faustão perguntou a Chayene sobre a fofoca de sua briga com Ivete Sangalo e a ela desmentiu. Questionada também sobre sua vida amorosa, Chayene disse que, por Faustão, colocava um avental e virava “empreguete”. Na sequência, Chayene recebeu Fabian, os dois se declararam apaixonados um pelo outro e cantaram a música, enquanto Rosário – na cadeia juntamente com Penha e Cida (Taís Araújo e Isabelle Drummond) – assistiu pela televisão à apresentação da dupla.

A Globo sempre usou muito bem de sua programação para divulgar suas novelas, não apenas através das reportagens do Video Show, mas também levando seu elenco para participar de programas de entrevistas, variedades e até humorísticos. No caso de Chayene no Faustão, foi uma troca: Faustão cedeu seu palco para a novela das sete, enquanto Cláudia Abreu participou do programa no último domingo. É um toma lá dá cá onde uma atração divulga a outra.

Faustão já participara em outras novelas. Em 2008, em A Favorita, o roqueiro Augusto César (José Mayer), depois de anos no ostracismo, apresentou-se no Domingão do Faustão. No mesmo dia, outro personagem, Cassiano (Thiago Rodrigues), se lançava como cantor no programa.

Em 2005, a croata Vitza (Carol Machado) – personagem da novela A Lua Me Disse -, mesmo sem falar uma palavra em português, participou do quadro Se Vira nos 30 do Faustão, fazendo acrobacias em cordas.

Em Suave Veneno (1999), Eliete (Nívea Stellman) ganhou o concurso Garota Bumbum Dourado do Domingão do Faustão.

Em 1998, as personagens Clarelis (Leandra Leal) e Ritinha (Camila Pitanga), do remake de Pecado Capital, participaram de um concurso de dança no programa de Fausto Silva.

Ainda em 1998, dentro da trama de Torre de Babel, o fajuto cantor Johnny Percebe (Oscar Magrini) se apresentou no Faustão, mas foi desmascarado pelo próprio apresentador: Fausto Silva descobriu que quem cantava suas músicas era seu irmão Boneca (Ernani Moraes). Na novela, Johnny Percebe também já havia se apresentado no programa da Xuxa.

Na novela Deus Nos Acuda (1992), Faustão, direto de seu programa, ligou para um número aleatório oferecendo uma viagem para o Caribe. A felizarda que atendeu a ligação foi Maria Escandalosa (Claudia Raia), que viajou com seu pai Tomás (Jorge Dória).

É normal uma novela fazer uso em seu roteiro de outras produções de sua emissora. A prática é antiga e não exclusiva da Globo. Em 1979, a doméstica Zita – vivida pela atriz Lizete Negreiros na novela Como Salvar Meu Casamento, da Tupi – sonhava em ser cantora e participou do programa de calouros de Raul Gil.

Silvio Santos já foi visto em três novelas de diferentes emissoras. Em Vende-se um Véu de Noiva (SBT, 2009), a personagem Isabel (Anastácia Custódio) ganhou um dinheirinho no programa Roda a Roda Jequiti, apresentado por Silvio.

Em 1987, Silvio Santos teve seu programa do SBT apresentado numa novela da TV Manchete. Em Carmem, a personagem Creuza (Bia Sion) foi tentar arranjar um namorado no Namoro da TV. E em 1970, Silvio foi visto na novela Pigmalião 70, quando o animador tinha seu programa dentro da Globo.

O mais curioso desses casos foi na novela O Bofe (Globo, 1972), em que uma das personagens, a socialite Suzana Leopoldina – vivida por Ilka Soares – era jurada da Buzina do Chacrinha, garantindo a participação o Velho Guerreiro na novela.

Mas, sem dúvida, a mais divertida e lembrada participação de um personagem de novela em programa de auditório aconteceu em Cambalacho, em 1986, quando a cantora Tina Pepper, um arremedo de Tina Turner – vivida por Regina Casé -, foi ao Cassino do Chacrinha cantar seu maior sucesso, Você Me Incendeia. Veja o vídeo abaixo, extraído do Video Show.


“Carrossel” é bonita no vídeo mas parece jogral de escola
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Nilson Xavier

Todos já sabem o que esperar de Carrossel. Primeiro porque a novela já passou por aqui – é um remake de versão mexicana apresentada no Brasil entre 1991 e 1992, e que fez muito sucesso na época. Segundo porque a história reúne todos os clichês possíveis e imagináveis quando o roteiro apresenta uma escola com uma professora amorosa que se envolve nos dramas de seus pequenos alunos.

E quanto drama! Todos os estereótipos estão lá: a gordinha, a rica mimada, a apaziguadora, o rebelde, o bagunceiro, o bom menino, o nerd, o apaixonado não correspondido, o pobre, o rico… sem contar a mistura de religiões, etnias, cores. E quanta cor! A novela é colorida, feita justamente para agradar as crianças. E, se depender do primeiro capítulo, vai agradar, já que o público alvo é o infantil.

Carrossel tem um bom acabamento, ficou bonita no vídeo, com bela trilha sonora, abertura, cenografia caprichada, criativos efeitos de passagem de cenas, etc. Toda gravada em estúdio, intensifica a sensação de descompromisso com a realidade. Por outro lado, o bullying – tão em voga no momento – é a tônica e, parece, o fio condutor de todas as historinhas.

A apresentação do primeiro capítulo superou as expectativas por audiência (12 de média quando se esperava 7) e fez a alegria dos saudosistas (da versão dos anos 90) nas redes sociais. No Twitter, várias hashtags (palavras-chave) sobre a novela emplacaram nos TT´s (os assuntos mais comentados).

Mas deve ser complicado dirigir tantas crianças juntas. Algumas estão à vontade. Outras parecem recitar um jogral. Um conselho à Professora Helena: que ela ensaie mais com seus alunos para que a apresentação final fique mais bonita.


“Cheias de Charme” prova que a telenovela pode se reciclar
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Nilson Xavier

O lançamento na Internet do vídeo musical das domésticas da novela Cheias de Charme causou um verdadeiro frisson nas redes sociais. No início da semana, as “empreguetes” Rosário, Penha e Cida (Leandra Leal, Taís Araújo e Isabelle Drummond) gravaram o vídeo caseiro na mansão de Chayene (Cláudia Abreu), aproveitando que ela estava fora num show. Durante a semana, a novela fez suspense sobre o tal vídeo, que “vazou” no capítulo de sábado (19/05). O videoclipe das Empreguetes marca a grande virada na trama e dá início à ascensão do trio de domésticas no mundo da música.

O tão esperado capítulo, não por acaso, foi o de maior ibope que a novela já teve num sábado, dia em que a audiência da TV aberta é sempre menor. Na trama, a ótima e divertida Socorro (Titina Medeiros) – fã incondicional de Chayene – entrega um CD para a cantora assistir ao tal videoclipe que as empreguetes gravaram em sua casa. Chayene assiste a tudo horrorizada, enquanto o vídeo musical, já na rede, se espalha viralmente. A Globo disponibilizou o vídeo no momento exato em que o capítulo terminou. O link imediatamente foi divulgado pelas redes sociais e bastou um minuto para que o acesso ficasse sobrecarregado, impossibilitando a sua visualização – “baleiou” como se diz no jargão internético.

A música é tipo chiclete, gruda na cabeça, mas a letra é divertida e o vídeo, de caseiro não tem nada, pelo contrário, é uma produção de primeira, com uma edição bem trabalhada, apresentando as três atrizes muito à vontade. Com figurinos e cenários exagerados, coloridos e alegres, aproveitou-se todo o aparato cênico disponível na mansão de Chayene.

A televisão já entendeu que a Internet nunca vai substituí-la, pelo contrário, pode ser uma aliada poderosa. A maior prova disso é a infinidade de opções que os sites de novelas apresentam ao público como extensão da própria TV. Também o combo televisão + Internet, que mudou a maneira de se assistir TV, principalmente através das redes sociais, como o Twitter. E a identificação do telespectador internauta fica ainda maior quando a própria televisão reverencia a Internet.

A Teledramaturgia Brasileira, em 60 anos de história, sempre acompanhou a evolução da sociedade. Em minha opinião, este é o principal motivo pelo qual o formato nunca tenha se extinguido. Tem ainda muito fôlego para tudo que possa vir, basta se reciclar sempre. Cheias de Charme é o maior exemplo disso.

Assista ao vídeo AQUI.
Letra da música Vida de Empreguete: ”Globo divulga videoclipe caseiro das empreguetes de Cheias de Charme”


José de Abreu faz de Nilo um dos personagens mais interessantes de “Avenida Brasil”
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Nilson Xavier

É a hora e a vez de José de Abreu em Avenida Brasil. Seu personagem, Nilo – o “velho do saco” como foi apelidado nas redes sociais -, está cada vez mais ganhando espaço na trama de João Emanoel Carneiro.

De coadjuvante – catador de lixo repugnante, bêbado, mau caráter, cruel e com uma ponta de loucura -, Nilo se tornou o foco da atenção dos telespectadores na última semana, quando descobriu o segredo que Rita (Débora Falabella), que engana Carminha (Adriana Esteves) trabalhando na casa dela com outra identidade, Nina, e ainda colocou Betânia (Bianca Comparato) em seu lugar para que fizesse se passar por ela na frente de Carminha.

Claro que Nilo ia querer tirar algum proveito dessas informações. No capítulo de quarta-feira (16/05), ele se aprontou todo para aparecer de surpresa na festa de aniversário de Ivana (Leticia Isnard), na mansão de Tufão (Murilo Benício). A sequência em que Nilo se barbeia e se veste para o evento, é digna de uma opereta, com destaque para a ótima trilha de suspense que se seguiu. Ao saber que Nilo estava presente, tanto Nina quanto Carminha e Max (Marcello Novaes) se desesperaram, pois todos têm o rabo preso com o velho do saco. Mas Nilo logo foi posto para fora da festa, quando Max armou para parecer que ele roubou um relógio.

Na sequência dos acontecimentos, Nilo barganhou com Carminha e Nina o valor de seu silêncio. E nessa, deixa de perder quem paga mais alto. No caso Nina, que aceitou pagar o que ele pediu – o dobro do que ela havia oferecido – e ainda o mimou com um jantar de rei e todo o falso carinho que ela jamais demonstrou antes.

Para quem reclamava que a vingança de Nina estava demorando muito para acontecer, parece que agora a trama de Avenida Brasil ganha um novo fôlego. E nisso tudo, quem ganha é o público, com a brilhante atuação de José de Abreu, que já faz de Nilo um dos personagens mais ricos da novela e um dos melhores momentos de sua carreira.


Novela “Vale Tudo” completa 24 anos de sua estreia
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Nilson Xavier

Há exatos 24 anos estreava uma das melhores novelas já produzidas pela TV brasileira – se não a melhor: Vale Tudo. Escrita pela trinca Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, com direção de Denis Carvalho e Ricardo Waddington, a novela foi ao ar entre 16/05/1988 e 06/01/1989. Vale Tudo parava o país diariamente, que acompanhou o drama de Raquel (Regina Duarte), uma mulher batalhadora, íntegra e honesta (ao extremo), roubada pela filha ingrata e carreirista, Maria de Fátima (Glória Pires), que, mancomunada com o mau caráter César Ribeiro (Carlos Alberto Riccelli), tentava dar um golpe na milionária família Roitman, comandada pela megera Odete (Beatriz Segall), que acabou assassinada, rendendo um dos “quem matou?” mais emblemáticos de nossa TV.

Com 204 capítulos, a trama, redondinha, em momento algum fez o público perder o interesse. Com uma galeria de personagens ricos e inesquecíveis, além dos já citados, tiveram destaque Heleninha (Renata Sorrah) – alcoólatra, carente e infantil, seus porres homéricos viraram referência cult (“toca um mambo caliente aí, DJ!”) -, Solange “cherri” Duprat (Lídia Brondi) – com sua franja reta, o protótipo da moça moderninha, independente e antenada – , Tia Celina (Nathalia Timberg) – mulher bondosa, amiga e sonsa -, e Marco Aurélio (Reginaldo Faria) – o mau caráter que aprontou a novela inteira e se safou no final, mandando uma banana para o público. Também no elenco Antônio Fagundes, Adriano Reys, Cássio Gabus Mendes, Cássia Kiss, Cláudio Corrêa e Castro, Pedro Paulo Rangel, Lília Cabral, Rosane Gofman, Sérgio Mamberti e outros.

A novela uniu um excelente folhetim com crítica social ao país a partir de uma pergunta comum aos brasileiros: “Vale a pena ser honesto no Brasil de hoje?“. O ano era 1988, mas a questão nunca deixou de ser atual.

Curiosidades:

O ponto de partida foi o filme Almas em Suplício – (Mildred Pearce), dirigido por Michael Curtiz em 1945, com Joan Crawford e Ann Blyth – de onde se extraiu a trama da mãe simplória (Raquel) que enriquece, mas tem o desprezo da filha (Fátima). Na primeira parte da novela, o filme é referenciado quando Raquel – ainda uma guia turística em Foz do Iguaçu, então cenário da trama – chama uma senhora de Dona Mildred.

Daniel Filho afirmou em entrevista que, na primeira sinopse, a filha vendia a casa por volta do capítulo 40 ou 50. Mas o tema central não deslanchava. Ele argumentou: “Se a filha não vender a casa no primeiro capítulo e a mãe ficar na miséria, a novela não atingirá seu objetivo”. Ou seja, não deixaria claro seu tema. Os autores, então, adiantaram a novela em 40 capítulos.

No capítulo 193 – que foi ao ar na véspera do Natal de 1988 -, a vilã Odete Roitman foi assassinada com três tiros à queima-roupa. O mistério da identidade do assassino durou apenas 13 dias, mas dominou todas as conversas pelo país. O fabricante de caldo de galinha Maggi promoveu um concurso para premiar quem adivinhasse o nome do assassino. O Brasil parou diante da TV em 06/01/1989 para conhecer o criminoso.

O mistério da identidade do assassino de Odete Roitman tornou-se alvo de apostas, rifas e sorteios. A cena do disparo foi gravada no dia em que o último capítulo foi ao ar. Nem o próprio elenco sabia, até ao momento em que Denis Carvalho anunciou que era Leila (Cássia Kiss). A razão do assassinato: Leila atirou na megera por engano! Ela pensava que quem estava com seu marido Marco Aurélio (Reginaldo Faria) era a amante dele, Fátima (Glória Pires).

Além da questão da ética e honestidade, Vale Tudo discutiu o drama do alcoolismo e mostrou, pela primeira vez de forma explícita, o homossexualismo feminino. Por isso a novela enfrentou alguns problemas com a censura. Diálogos entre as personagens Cecília (Lala Deheinzelin) e Laís (Cristina Prochaska) tiveram que ser reescritos depois que foi vetada uma cena em que as duas contavam a Helena (Renata Sorrah) sobre os preconceitos de que eram vítimas por causa de seu relacionamento.

Em Cuba, em 1995, o governo resolveu legalizar uma rede de restaurantes privados que funcionava clandestinamente, num arrojado gesto de abrir mão da exploração exclusiva do setor. Esses restaurantes, geridos em âmbito familiar, tinham o nome de “paladares”, assim batizados por conta do nome da empresa de alimentos de Raquel na novela (Paladar).

Muitas foram as cenas marcantes, como o assassinato de Odete; Marco Aurélio fugindo do país num jatinho e se despedindo de todos com uma “banana”; Raquel rasgando o vestido de casamento de Fátima; os porres de Heleninha; os tapas na cara que Fátima levou de vários personagens; etc.

Em 2002, a Globo, numa parceria com a Rede Telemundo – cadeia de emissoras abertas voltada para a comunidade latina nos Estados Unidos – produziu uma nova versão de Vale Tudo, em espanhol: Vale Todo, com elenco formado por atores latinos – mas não teve o sucesso esperado.

A novela foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo em 1992. Entre outubro de 2010 e julho de 2011, Vale Tudo foi reprisada no Canal Viva, causando uma verdadeira comoção entre os internautas de redes sociais (como o Twitter), saudosos da novela que viram no passado ou curiosos pela obra que não puderam acompanhar antes. O #ValeTudoTeam mostrou a força da união da TV com as redes sociais na atualidade.

Saiba mais sobre Vale Tudo no site Teledramaturgia.


“A Próxima Vítima” e “Felicidade” são as próximas novelas reprisadas no Canal Viva
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Nilson Xavier

Em evento realizado na manhã desta terça-feira (15/05) em São Paulo – em comemoração aos seus dois anos de existência – o Canal Viva divulgou as suas próximas estreias de novelas: Felicidade (substituindo Top Model, às 15h30), e A Próxima Vítima (substituindo Barriga de Aluguel às 16h30 – as novelas têm horários alternativos nas madrugadas).

Felicidade – novela de Manoel Carlos, escrita por ele e Elizabeth Jhin, com direção geral de Denise Saraceni – foi ao ar originalmente entre outubro de 1991 e maio de 1992 (com uma reprise no Vale a Pena Ver de Novo em 1998). Marcou o retorno definitivo de Maneco à Globo, depois de quase dez anos afastado da emissora. Maitê Proença viveu a segunda das Helenas do autor. Foi a primeira novela de Vivianne Pasmanter, estreando com um papel importante, a antagonista Débora, que dividia com Helena o amor de Álvaro (Tony Ramos). Helena, por sua vez, era também disputada pelos personagens de Herson Capri e Marcos Winter. Também se destacaram as então crianças Tatyane Fontinhas Goulart (como Bia, a filha de Helena e Álvaro) e Eduardo Caldas (como Alvinho, filho de Álvaro e Débora). Ainda no elenco Laura Cardoso, Othon Bastos, Esther Góes, Yara Côrtes, Umberto Magnani, Ariclé Perez, Monique Cury, Edney Giovenazzi, Milton Gonçalves e outros.

A Próxima Vítima – novela de Silvio de Abreu, escrita por ele, Alcides Nogueira e Maria Adelaide Amaral, com direção geral de Jorge Fernando – foi ao ar entre março e novembro de 1995 (com reprise no Vale a Pena Ver de Novo em 2000). O grande sucesso daquele ano, a novela – essencialmente policial – inovou ao despertar a atenção do telespectador não somente pelo mistério da identidade do serial killer da história, mas também pela expectativa sobre qual personagem seria a próxima vítima do assassino. Grande destaque para a família Ferreto, encabeçada por Filomena (Aracy Balabanian), com a sobrinha maléfica Isabella (Cláudia Ohana), o cunhado Marcelo (José Wilker), as irmãs Francesca (Tereza Rachel), Carmela (Yoná Magalhães) e Romana (Rosamaria Murtinho). No elenco, também Tony Ramos, Susana Vieira, Natália do Valle, Vivianne Pasmanter, Marcos Frota, Lima Duarte, Paulo Betti, Gianfrancesco Guarnieri, Cecil Thiré e outros. Resta saber qual dos finais gravados será o apresentado no Viva, já que no Vale a Pena Ver de Novo e no mercado internacional o assassino (e o desfecho da história) não era o mesmo da apresentação original da novela.

O Viva também anunciou a apresentação do seriado Delegacia de Mulheres (de 1990) e (novamente) da minissérie Chiquinha Gonzaga, de Lauro César Muniz (de 1999).

Saiba mais sobre Felicidade no site Teledramaturgia.

Saiba mais sobre A Próxima Vítima no site Teledramaturgia.


Sátira política da novela “Que Rei Sou Eu?” continua atual
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Nilson Xavier

A novela Que Rei Sou Eu? – a mais nova atração do Canal Viva, que estreou na segunda, dia 7 – é uma boa pedida para as noites de segunda a sexta-feira – no ar à 0h15, com reprise no dia seguinte, ao meio-dia.

De cara, chama a atenção nessa novela o elenco grandioso – no sentido de majestoso mesmo. É um privilégio ver contracenando atores como Tereza Rachel, Antônio Abujamra, John Herbert, Oswaldo Loureiro, Jorge Dória, Carlos Augusto Strazzer, Laerte Morrone, Ítala Nandi, Daniel Filho, Marieta Severo, Stênio Garcia, Fábio Sabag, Gianfrancesco Guarnieri, e outros. Alguns já se foram e não existe mais a chance de vê-los novamente – apenas assim, por reprises.

Que Rei Sou Eu? foi ao ar há 23 anos. À primeira vista, parece que alguma coisa envelheceu – talvez a luz, que deixa a novela escura em alguns cenários. Mas o texto afiadíssimo do autor, Cassiano Gabus Mendes, faz vibrar. Uma comédia de costumes – humor inteligente, sem ser pastelão – que critica a sociedade e o cenário político brasileiro do final dos anos 80 – e que continua tão atual. As maracutaias, intrigas, negociatas e conchavos dos conselheiros da Rainha são o ponto alto deste início da novela.

Tereza Rachel já dá o tom de sua Rainha Valentine, uma monarca tirana, mulher devassa, dominada pelo Bruxo Ravengar, vivido por um Antônio Abujamra que meteu muito medo em criancinhas na época da apresentação original da novela. Não por acaso, esses personagens marcaram para sempre as carreiras de Tereza e Abu. Impossível desassociar os atores de Valentine e Ravengar.

A trilha sonora faz a alegria dos saudosistas, com músicas como “Chama” (Roupa Nova), “Renascer” (Zizi Possi), “Espanhola” (Kleiton e Kledir), “Bye Bye Tristeza” (Sandra de Sá) e “Raça de Herois” (Guilherme Arantes). Cenários e caracterizações (figurinos, maquiagem, perucas) são propositalmente carnavalescos. A história se passa nos tempos da Revolução Francesa, os personagens têm nomes franceses, mas a novela retrata uma França bem brasileira, tanto nas tintas quanto nas referências ao nosso país.

Que Rei Sou Eu? para sempre será lembrada pela seriedade dos temas tratados sob o viés da comédia crítica – escrachada ou subliminar. A história se passava na época da Revolução Francesa. A novela foi apresentada na época da Nova República. Mas poderia ter ido ao ar durante a ditatura do Regime Militar. Ou nos dias atuais. É atemporal.

Saiba mais sobre Que Rei Sou Eu? no site Teledramaturgia.


Novela “Elas por Elas” – do detetive Mário Fofoca – completa 30 anos
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Nilson Xavier

Há trinta anos, a TV Globo lançava, no horário das sete, uma das novelas de maior sucesso da década de 1980: Elas por Elas, escrita pelo mestre Cassiano Gabus Mendes. Inesquecível pela presença de um dos personagens mais marcantes de nossa teledramaturgia: o atrapalhado detetive Mário Fofoca, vivido pelo ator Luiz Gustavo. O personagem é lembrado também pela sua caracterização: um indefectível paletó xadrez lilás.

Apesar do irrepreensível elenco feminino e da trama centrada nos dramas de sete mulheres – amigas do passado que se reencontravam -, foi Luiz Gustavo quem obteve o maior destaque. Mário Fofoca marcou sua carreira – assim como outros personagens criados por Cassiano para o ator, como Beto Rockfeller (da novela homônima) e Victor Valentim (de Ti-Ti-Ti).

Mário Fofoca ainda rendeu a Luiz Gustavo a protagonização de um filme – As Aventuras de Mário Fofoca, de Adriano Stuart – e de um seriado de TV – Mário Fofoca -, ambos em 1983, mas, infelizmente, marcados pelo insucesso. Em 2010, Luiz Gustavo voltou a viver o aloprado detetive no remake da novela Ti-Ti-Ti, assinado por Maria Adelaide Amaral – que homenageava Cassiano Gabus Mendes com a aparição de vários dos personagens do autor na novela.

Cassiano contou com a colaboração de Carlos Lombardi no texto, então um iniciante em dramaturgia na Globo. A novela teve a direção de Paulo Ubiratan, Wolf Maya e Mário Márcio Bandarra.

A história girava em torno do reencontro de sete amigas dos tempos de colégio, vinte anos depois. O roteiro era dividido em três histórias principais, que se cruzavam envolvendo as sete amigas. Márcia (Eva Wilma) queria descobrir quem era a amante do marido recém falecido. Para isso contrata os serviços do detetive Mário Fofoca, irmão de sua amiga Wanda (Sandra Bréa). O que Márcia não desconfia é que a mulher que ela procura é Wanda.

Natália (Joana Fomm) é uma mulher neurótica com a ideia fixa de que uma de suas amigas empurrou seu irmão numa pedra, vinte anos antes. Ela atormenta a vida das seis amigas para tentar saber qual delas foi a responsável pela morte do irmão.

Helena (Aracy Balabanian) preocupa-se com a reaproximação de sua amiga Adriana (Ester Góes) com seu marido Jaime (Carlos Zara), antigo namorado de Adriana. Mas o perigo maior está no segredo que seu pai, Miguel (Mário Lago) guarda: no passado, ele pagou uma enfermeira – Eva (Nathalia Timberg) – para trocar os bebês no parto de Helena, caso ela desse a luz a uma menina. Eva trocou a filha de Helena pelo filho de Adriana, e assim uma criou o filho da outra sem saber que as crianças foram trocadas na maternidade. O reencontro de Helena e Adriana faz nascer um interesse entre Gil (Lauro Corona) e Míriam (Tássia Camargo), os filhos delas, já crescidos.

A história, extremamente envolvente e bem amarrada, prendeu a atenção do público do início ao fim. Os dramas das sete amigas, entremeados pelo humor nonsense do detetive Mário Fofoca, garantiu a audiência durante os seis meses de exibição da novela. O elenco contava ainda com Reginaldo Faria, Christiane Torloni, Herson Capri, Mila Moreira, Maria Helena Dias, Laerte Morrone, Marco Nanini, Felipe Carone, Ana Ariel e outros.

A abertura de Elas por Elas – produzida pelo designer Hans Donner e sua equipe – foi uma das mais criativas já feita. Ao som do grupo The Fevers, exibia uma festa dos anos 60, em preto e branco. A imagem de uma jovem da festa era congelada após um efeito de flash de máquina fotográfica. A cena se transformava numa foto, e a moça fotografada saía desta foto, fundindo-se com a imagem de uma atriz do elenco, na atualidade, já colorida.

Primeira novela na Globo dos atores Cássio Gabus Mendes (filho de Cassiano), André de Biasi, Tássia Camargo e Cristina Pereira. Elas por Elas teve as participações de Xuxa e Luíza Brunet nas cenas em que a personagem Ieda (Cristina Pereira) imaginava-se uma outra mulher, linda e sedutora, vivenciando cenas românicas com Renê (Reginaldo Faria). Xuxa – na época modelo – apareceu sensualizando no capítulo 40, muito antes de se tornar a “rainha dos baixinhos”.

Elas por Elas estreou em 10 de maio de 1982 e ficou no ar até 27 de novembro daquele ano, totalizando 173 capítulos. Teve apenas uma reprise, no Vale a Pena Ver de Novo, de fevereiro e julho de 1985. Merecia uma reprise no Canal Viva!

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