Blog do Nilson Xavier

Arquivo : junho 2012

Nos 42 anos da estreia de “Irmãos Coragem”, relembre tramas e personagens da novela
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Nilson Xavier

Nesta semana a novela Irmãos Coragem completa 42 anos de sua estreia. Uma das mais marcantes obras de nossa Teledramaturgia, a trama – escrita por Janete Clair, com direção de Daniel Filho e Milton Gonçalves – foi importante por ter sido a divisora de águas no processo da hegemonia da audiência da TV Globo. Pela primeira vez, uma novela da emissora carioca conquistava a audiência nacional – o que nunca mais deixou de acontecer desde então, com exceção de alguns poucos casos isolados.

Irmãos Coragem é uma das mais longas novelas já produzidas pela Globo: com 328 capítulos, ficou no ar de 29 de junho de 1970 a 15 de julho de 1971. E também é lembrada por ter sido a primeira novela em que os homens assumiram que acompanhavam, por causa de sua trama masculina que misturava faroeste e futebol.

No ano passado, a Globo Marcas lançou no mercado o box da novela, com oito DVDs. Analisando o DVD, a impressão que se tem é que a TV do comecinho da década de 1970 – ainda em preto e branco – era muito, muito ingênua. E considerando a repercussão de Irmãos Coragem na época, seu público só podia ser muito ingênuo também, para embarcar naquela fantasia.

A fantasia que me refiro não é a história em si – muito boa, empolgante, bem conduzida, coerente na maioria das vezes, com tramas paralelas interessantes que se unificavam com a história central. Falo da realização da novela, sua produção e direção. Irmãos Coragem mistura cenas dignas de imagens conceituais de cinema com algumas das sequencias mais toscas já vistas na televisão.

O cinema fazia sucesso com filmes de bang-bang. Os italianos haviam criado seu estilo próprio neste segmento, o “western spaguetti”. A inspiração para Irmãos Coragem veio destes filmes, americanos e italianos. Proscritos, justiceiros a cavalo, muito tiroteio e o tempero brasileiro fizeram da novela o que se convencionou chamar de “faroeste caboclo”.

A história é bem brasileira, mas os arquétipos do faroeste estão todos lá. O justiceiro honesto, puro de coração e ingênuo, na figura do mocinho João Coragem (Tarcísio Meira), que desacreditado com o sistema, resolve fazer valer sua própria justiça, com a melhor das boas intenções. O vilão Pedro Barros (Gilberto Martinho), no estilo dos “coronéis” do sertão brasileiro, poderoso, arrogante, se julgando o dono da região e, portanto, fazendo valer a sua própria lei. A mocinha sofredora – que no caso sofre porque é doente: Lara (Glória Menezes) tem outras duas personalidades e enlouquece João Coragem de amor e dúvida.

E é no faroeste que Irmãos Coragem peca, com cenas de luta e tiroteio mal feitas, mal dirigidas, toscas no sentido exato da palavra. E não são assim por precariedade de recursos técnicos ou da época. A TV brasileira já apresentara produções do requinte do cinema na TV Excelsior, nos anos 60 – com novelas históricas como O Tempo e o VentoAs Minas de Prata e A Muralha. A impressão que passa é que as cenas foram gravadas assim de propósito, como se para imprimir um estilo próprio na novela, um faroeste caboclo, brasileiro e tosco.

Mas isso em nada diminui a obra. Pelo contrário, a deixa divertida. E chega a ser um contraponto muito grande, pois a novela tem outras cenas muito bem dirigidas, com atores em grandes interpretações e tomadas cinematográficas. Percebe-se o uso excessivo de closes fechados, recurso para disfarçar cenários pequenos, prática comum na época. E a trilha sonora incidental é toda “chupada” de filmes de faroeste.

O que salta aos olhos na novela é a direção de atores e a interpretação de seu elenco. Até atores menos conhecidos, ou que nos acostumamos a ver em papeis menores, tem em Irmãos Coragem grandes momentos. Pode-se dizer que Carlos Eduardo Dolabella (Delegado Falcão), Ênio Santos (Dr. Maciel), Ana Ariel (Domingas), José Augusto Branco (Rodrigo César) e Dary Reis (Lázaro) tiveram nesta novela os seus melhores papeis na televisão.

Também um grande momento para Tarcísio Meira (João Coragem), Glória Menezes (Lara/Diana/Márcia), Cláudio Cavalcanti (Jerônimo Coragem), Lúcia Alves (Potira), Regina Duarte (Ritinha), Emiliano Queiroz (Juca Cipó), Neuza Amaral (Branca) e Suzana Faini (Cema). Até Sônia Braga, novinha, em sua estreia em novelas, transmitiu segurança em cenas fortes de sua personagem Lídia.

Mas de todo o elenco, as melhores performances são de Gilberto Martinho e Zilka Salaberry. Martinho mostra uma interpretação visceral de seu vilão Pedro Barros. O personagem é um homem rude e odioso, quase selvagem, mas, ao mesmo tempo, humano, capaz de demonstrar afeto pelo filho bastardo (Juca Cipó), provando a dualidade do ser humano. A Sinhana de Zilka Salaberry é, por sua vez, a personificação da “mãe coragem”, capaz de tudo para proteger sua prole. A atriz se entregou totalmente à personagem. Com o olhar, revelava toda a ternura de uma mulher rude, batalhadora e sofrida.

Cenas marcantes:

 - João encontrando seu diamante – cena já repetida várias vezes na TV -, em uma tomada escura e claustrofóbica. Foi a primeira vez que a música tema da novela tocou na versão cantada, interpretada por Jair Rodrigues. Até então, o tema de abertura era uma versão instrumental da música.

- A primeira vez que ficou visível para o público que Lara era Diana – havia o mistério: eram a mesma pessoa ou mulheres distintas? Na sequência, a câmera faz um close fechado no rosto de Glória Menezes, que cobre a tela inteira, e a atriz passa de uma a outra personagem apenas mudando a expressão facial. A trilha sonora ajuda a dar o clima.

- Jerônimo Coragem é um dos melhores personagens da novela, talvez o mais rico de todos. Claudio Cavalcanti tem sequências memoráveis. Como o acerto de contas com Lídia, sua mulher, em que ela acaba baleada. Uma cena de discussão longa, tensa, marcada pela ótima interpretação dos atores.

- Em represália a João Coragem, os homens de Pedro Barros batem em Sinhana e a levam até a cidade puxada por um cavalo, amarrada a uma corda. Aos olhos de hoje, a sequência chega a ser cruel.

- O “sonho” de Ritinha. Na verdade ela é dopada enquanto Juca, disfarçado numa fantasia, rouba a chave do cofre da prefeitura. O que se vê na tela é a retratação de uma viagem de ácido. Não era para menos, aqueles eram tempos do LSD. A câmera é deformada num vai-e-vem constante e enjoativo, em que Ritinha é envolvida por uma criatura disforme, numa dança alucinógena. Podia beirar o tosco, mas não. Com um simples recurso de deformação da imagem, a sequência consegue passar para o público a dúvida da personagem: era real o que estava acontecendo ou um delírio de sua cabeça?

- O aborto de Potira. Assim como a viagem de ácido (ou o “sonho” de Ritinha) que fica subentendida para o público, também o aborto de Potira não é claro. Drogas e aborto eram temas por demais delicados para se tratar na televisão daqueles tempos. Para todos os efeitos, a índia Indaiá (Jurema Penna) prepara uma espécie de “ritual religioso” para que a criança que Potira espera “suma”. Mas é evidente que a índia velha deu à jovem algum chá abortivo.

- O casamento de Juca Cipó, numa referência a O Bem Amado, a peça de Dias Gomes, marido de Janete Clair. O Bem Amado ainda não havia sido adaptado para a televisão, e antes de Dirceu Borboleta ser obrigado a se casar com sua amada por ela estar grávida, Juca Cipó também se viu na mesma situação – com o agravante de que os personagens das duas novelas foram vividos pelo mesmo ator, Emiliano Queiroz.

- A sequência em que a câmera segue mostrando um rio e para na imagem de Gloria Menezes sentada em uma pedra. Por trás de uma árvore, é possível ver Tarcísio Meira parado, quando, do nada, ele sai e grita por Lara. A impressão que ficou é que o “gravando” começou antes do diretor dar a ordem. Ou a imagem de Tarcísio Meira vazou e ele foi focalizado antes do tempo.

- A cena da perseguição ao trem, em que os homens do bando de João Coragem tentam resgatá-lo. Chega a ser risível de tão tosco que é o efeito final que aparece na tela. Não dá para descrever, só vendo!

Enfim, o DVD de Irmãos Coragem é, acima de tudo, o registro de um tempo em que a telenovela ainda não havia entrado no esquema industrial. Por mais mal acabadas que algumas passagens possam parecer aos olhos de hoje, é nítida a garra de um grupo de profissionais que se valia do talento acima de qualquer recurso tecnológico. Indispensável para quem aprecia o gênero, diversão garantida para nostálgicos ou para os mais jovens que querem saber mais da história da nossa televisão.

Saiba mais sobre Irmãos Coragem no site Teledramaturgia.


Na mesma noite, “Avenida Brasil” vira assunto de novela e série da Globo
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Nilson Xavier

Na noite desta terça-feira (26/06) o sucesso da novela Avenida Brasil respingou em outros programas de Teledramaturgia da Globo. Primeiro foi Cheias de Charme, a novela das sete, através da personagem Brunessa (Chandelly Braz), que passou a trabalhar na casa da família Sarmento como doméstica. Ela contou a Cida (Isabelle Drummond) que está conquistando a patroa Sônia (Alexandra Richter) tal qual Nina (Débora Falabella) fez com Carminha (Adriana Esteves) em Avenida Brasil.

Depois foi a vez da série Tapas e Beijos apresentar um episódio todo em cima da novela das nove, com muitas referências, “oi oi oi”, personagens de nome Carminha e Leleco, e congeladas no cinza – aquele efeito do final de cada capítulo de Avenida Brasil (imagem acima).

A novela Cheias de Charme faz muito bom uso da programação da emissora. O Domingão do Faustão, o Esquenta de Regina Casé e o Mais Você de Ana Maria Braga também já foram apresentados na trama das sete. Na semana passada – a da estreia da novela Gabriela -, Chayene disse a uma jornalista ter recusado o convite para atuar na novela, não para interpretar Maria Machadão, papel de Ivete Sangalo, mas a própria Gabriela!

Não é de hoje que novelas citam outras tramas, contemporâneas ou não. Nos anos 80, Silvio de Abreu já referenciava as novelas da Globo em Guerra dos Sexos, Cambalacho e Sassaricando. O remake de Ti-Ti-Ti (de 2010) homenageou inúmeras novelas, em personagens, citações e tramas.

Clique AQUI e relembre participações de personagens de novelas em programas de auditório.


Recorde de audiência de “Cheias de Charme” comprova: é a melhor novela das sete dos últimos anos
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Nilson Xavier

O capítulo desta segunda-feira (25/06) de Cheias de Charme não teve nada de excepcional ou bombástico – o ponto alto foi a premiação das Empreguetes num show. Mas apesar disso, a novela bateu seu recorde de audiência. A meta no Ibope para o horário é de 30 pontos – cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo – e Cheias de Charme cravou 36 pontos nesta segunda, com 59% de participação.

A novela das sete da Globo já é um fenômenos de audiência. E não dá nem para estabelecer uma comparação com as anteriores no horário. A última novela a atingir uma média de 30 pontos até o capítulo 60 foi Sete Pecados, em 2007. E essa novela não é nem considerada um grande sucesso da Globo. De lá para cá, se passaram cinco anos, com uma vertiginosa queda na audiência da TV, em todos os horários. Ou seja, não serve nem para estabelecer um parâmetro de julgamento comparativo, seja por popularidade ou qualidade.

O fato é que a novela de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira conquistou sua audiência definitivamente. E a tendência é – no mínimo – de continuar no mesmo patamar. A história cativou todos os públicos – e não somente a “nova classe C”, a que se vê retratada na história das três domésticas que viram cantoras famosas. O recorde de audiência de Cheias de Charme comprova: já é a melhor novela das sete horas da Globo dos últimos anos.

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  • http://televisao.uol.com.br/enquetes/2012/06/26/qual-a-melhor-novela-das-19h-dos-ultimos-15-anos.js

Não tem como não se divertir com essa trama tão bem costurada, alto astral, colorida e que nos remete às deliciosas comédias das sete dos anos 80. Cada empregada é diferente entre si não por acaso, justamente para fisgar um leque maior de telespectadores. Penha (Taís Araújo como há tempos não víamos na TV) é a mais pé no chão das três, a que lida melhor com a realidade, a que sonha com uma vida melhor para ela e sua família. Cida (Isabelle Drummond) é a Cinderela que sonha com o amor romântico. E Rosário (Leandra Leal) talvez seja a mais ambiciosa: sonha com o sucesso. São três focos nos quais todos projetam seus desejos e ambições, seus sonhos.

E para completar, uma vilã de história em quadrinhos, divertida, exagerada, e que sempre se dá mal em suas vilanias. A Chayene de Cláudia Abreu é a cereja desse bolo que conclui as razões para o sucesso de Cheias de Charme. Completando os destaques no elenco, está Titina Medeiros, como a engraçada Socorro, cupincha de Chayene. Há muito o público do horário das sete ansiava por uma atração que divertisse e fizesse sonhar ao mesmo tempo. Cheias de Charme é entretenimento do melhor.


Relembre as beatas que marcaram as novelas, como Doroteia em “Gabriela”
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Nilson Xavier

Em Gabriela, Dona Doroteia (Laura Cardoso) é a líder das beatas de Ilhéus, e quer impedir a todo custo que as prostitutas do Bataclan participem da procissão na cidade.

Beatas, carolas, papa-hóstias, ratazanas de sacristia. Guardiãs da moral e dos bons costumes, elas geralmente são futriqueiras, adoram cuidar da vida alheia, julgam os demais e se julgam intocáveis. E por perder tanto tempos com os outros, não percebem o que acontece dentro de suas próprias casas. Frequentam todas as missas e cultos e se acham porta-vozes de Deus. Relembre as beatas que marcaram as novelas.

A irmãs Cajazeiras – Doroteia (Ida Gomes), Dulcineia (Dorinha Duval) e Judiceia (Dirce Migliaccio) – O Bem Amado (1973)

Vigilantes da moral de Sucupira, as irmãs Cajazeiras eram os cabos eleitorais oficiais do prefeito Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo). Mas todas tinham um xodó pelo prefeito, que se aproveitava do romantismo de cada uma, sem que as outras percebessem.

Mariana (Eloísa Mafalda em 1982-1983, Cássia Kis Magro em 2009) – Paraíso

Mãe da Santinha, a beata havia prometido a filha à vida religiosa, mas não se conformou quando ela trocou Jesus pelo Filho do Diabo.

Dona Pombinha (Eloísa Mafalda) – Roque Santeiro (1985-1986)

Devota de Roque Santeiro, lutou como pôde contra Matilde (Yoná Magalhães) e suas “meninas”, que levaram a boate Sexu´s a Asa Branca.

Perpétua, Amorzinho e Cinira (Joana Fomm, Lília Cabral e Rosane Gofman) – Tieta (1989-1990)

Perpétua fazia gato e sapato de suas pupilas Amorzinho e Cinira, duas carolas reprimidas sexualmente que acatavam a todas as ordens da “tribifu”.

Gioconda (Eloísa Mafalda) – Pedra Sobre Pedra (1992)

As beatas eram mesmo a especialidade da atriz Eloísa Mafalda. Gioconda implicou até com o novo padre de Resplendor, por ele ser negro.

Rosa, Brásia e Zefa (Míriam Mehler, Cláudia Mello e Ana Lúcia Torre) – As Pupilas do Senhor Reitor (1995)

As guardãs da moral e da vida alheia na aldeia portuguesa de Póvoa do Varzim.

Violante (Drica Moraes) – Xica da Silva (1996-1997)

A grande inimiga de Xica (Taís Araújo), tinha até a igreja ao seu lado na luta pessoal contra a Rainha do Tijuco.

Altiva (Eva Wilma) – A Indomada (1998)

Se dizia a dona de Greenville. Invocava Deus até em seu bordão: “Ó xente mai Gódi!”. Sua loucura acabou por consumi-la.

Imaculada (Elizabeth Savalla) – A Padroeira (2001)

Beata que tentava expiar os pecados da juventude através de sua filha, Isabel (Mariana Ximenes), que queria obrigar a abraçar a vida religiosa.

Eva (Eliane Gardini) – Cobras e Lagartos (2006).

Carola que fora casada com um ladrão de joias, tentava educar os três filhos com muita rigidez e religião. Em um determinado momento, passou a assumir outra identidade: a fogosa cigana Esmeralda.

Carminha (Adriana Esteves) – Avenida Brasil (2012)

Por fora, ela é uma mulher religiosa, devota que faz suas orações, preocupada com a comunidade e obras assistenciais. Mas por dentro… oi oi oi!

Cite outras beatas de novelas!


Na estreia de “Gabriela”, o bordel chamou mais a atenção do que a própria personagem-título
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Nilson Xavier

Fotografia deslumbrante, cenários e caracterizações perfeitas, direção de arte, figurino, maquiagem, do que tem de melhor. Estamos em 2012, época do HD e de exportação de novelas para o gosto americano do prêmio Emmy. O primeiro capítulo de Gabriela – estreia desta segunda – apresentou o melhor que a Globo podia destinar a uma superprodução. E só por isso distancia-se cada vez mais de uma comparação com a versão original da novela, de 1975, a que lançou Sônia Braga e imortalizou sua Gabriela no inconsciente coletivo do brasileiro. Aqueles eram outros tempos e a TV tinha uma estética completamente diferente.

Mas o principal motivo para evitar comparações está no texto: é uma nova adaptação do livro de Jorge Amado – por Walcyr Carrasco – e não um remake da novela dos anos 70, adaptada na ocasião pelo saudoso Wálter George Durst. A Gabriela de Juliana Paes pouco teve para mostrar, além de olhares lânguidos da atriz e a estética barrenta da personagem. O resto do elenco é bom, mas Humberto Martins pareceu falar árabe em algumas cenas, em que não se fez entender pela dicção. Ivete Sangalo não fez feio como se esperava. Mas isso não quer dizer que fez bonito. Talvez o fato de Maria Machadão ter cantado logo no primeiro capítulo seja mesmo para lembrar que Ivete é cantora, e não atriz (pelo menos por enquanto).

O único detalhe que destoa da obra é o Bataclan glamurizado na Ilhéus da década de 1920: lembrou um Moulin Rouge na Chicago dos gangsters. Woody Allen teria gostado. O Bataclan chamou mais a atenção do que a própria personagem-título.

Vamos torcer para que Carrasco seja feliz em sua adaptação, afinal o horário pede algo mais do que suas comédias das seis e sete horas cumpriam. Todos no fundo esperam por um Adamo Angel – a persona que Carrasco assumiu quando escreveu a inspirada Xica da Silva.

Segundo a assessoria da Rede Globo, o primeiro capítulo de Gabriela deu audiência prévia de 30 pontos no Ibope. Cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo. Foi tudo muito bonito nessa estreia, apresentado num ritmo bom, envolvente. E tem muita coisa para ser vista ainda, afinal sabemos que a história de Jorge Amado é boa.

Conheça os personagens e compare os elencos das duas versões de Gabriela AQUI.


Conheça os personagens e compare os elencos das duas versões de “Gabriela”
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Nilson Xavier

A Globo estreia nesta segunda-feira (18/06) a sua nova “novela das 11”, Gabriela, adaptação de Walcyr Carrasco do romance Gabriela Cravo e Canela de Jorge Amado, com direção geral de Mauro Mendonça Filho. O primeiro capítulo (nesta segunda) vai ao ar – excepcionalmente – logo depois de Avenida Brasil.

Este não é um remake da novela homônima apresentada pela Globo em 1975, mas uma nova adaptação do livro de Jorge Amado. A produção dos anos 70 tornou-se um marco em nossa teledramaturgia – uma adaptação de Walter George Durst com direção geral de Walter Avancini, que comemorava à época os dez anos de existência da TV Globo e que lançou Sônia Braga ao estrelato.

Conheça os personagens e seus intérpretes em ambas as versões.

A história começa no sertão da Bahia em 1925, ano em que ocorreu uma grande seca no Nordeste brasileiro, o que obrigou populações famintas a migrarem para o sul do estado em busca de melhores condições de vida. É neste cenário que a jovem Gabriela parte para Ilhéus, próspera cidade no litoral, reduto de ricos fazendeiros de cacau.

Gabriela – Sônia Braga / Juliana Paes
Retirante que chega a Ilhéus fugindo da seca. Moça bela, sem maldade e de espírito livre. Vai trabalhar na casa do “turco” Nacib, com quem inicia um romance.

Nacib – Armando Bógus / Humberto Martins
Dono do Bar Vesúvio, ponto de encontro dos moradores de Ilhéus. Figura simpática e conhecida de todos. Apaixona-se pela beleza e ingenuidade de Gabriela, sua cozinheira.

Coronel Ramiro Bastos – Paulo Gracindo / Antônio Fagundes
Velho fazendeiro de cacau, líder político da região. É um homem temido por todos, que dita as leis de acordo com seus interesses.

Mundinho Falcão – José Wilker / Matheus Solano
Jovem de ideias progressistas que chega a Ilhéus e entra em choque com o Coronel Ramiro Bastos ao envolver-se nos movimentos de renovação política na região. Para enfrentá-lo, aproxima-se da neta do coronel, Jerusa, por quem acaba se apaixonado.

Tonico Bastos – Fúlvio Stefanini / Marcelo Serrado
Filho mais novo do Coronel Ramiro. Frequentador assíduo do Vesúvio e do Bataclan, famoso cabaré de Ilhéus. Mulherengo inveterado, apesar de casado. Vai tentar seduzir Gabriela.

Olga – Ângela Leal / Fabiana Karla
Mulher de Tonico, esposa ciumenta e que acredita na fidelidade do marido.

Alfredo Bastos – Hemílcio Fróes / Bertrand Duarte
Médico, filho mais velho do Coronel Ramiro. Assim como o irmão Tonico, não tem tino político para dar continuidade à supremacia da família Bastos na região, o que preocupa Ramiro, que quer deixar um herdeiro no comando.

Silvia – Sônia Oiticica / Conceição – Vera Zimermann
Mulher de Alfredo. Respeita o sogro Ramiro, a quem admira mais que o marido.

Jerusa – Nívea Maria / Luiza Valdetaro
A neta preferida do Coronel Ramiro. Filha de Alfredo por quem Mundinho se apaixona. Moça romântica, retribui o amor de Mundinho, apesar da oposição da família.

Malvina – Elizabeth Savalla / Vanessa Giácomo
Amiga e confidente de Jerusa. Moça de ideias liberais, não aceita as imposições à mulher na sociedade de seu tempo. Vive batendo de frente com o pai autoritário. Entra em choque com a família quando se apaixona pelo forasteiro Rômulo Vieira.

Coronel Melk Tavares – Gilberto Martinho / Chico Diaz
Braço direito do Coronel Ramiro Bastos. Pai de Malvina, homem rígido e de personalidade forte, impõe mil proibições à filha rebelde.

Idalina – Ana Ariel / Marialva – Bel Kutner
A submissa mulher do Coronel Melk. Sofre ao tentar acalmar os ânimos entre o marido e a filha Malvina.

Rômulo Vieira – Marcos Paulo / Henri Castelli
Engenheiro, amigo de Mundinho. Vem a Ilhéus a trabalho e seduz Malvina, que se apaixona por ele.

Coronel Jesuíno Guedes Mendonça – Francisco Dantas / José Wilker
Velho coronel de ideias retrógradas. Homem violento e rude, amigo do Coronel Ramiro Bastos.

Sinhazinha – Maria Fernanda / Maitê Proença
Esposa do Coronel Jesuíno, que sofre nas mãos do marido, um homem bruto. Mulher elegante e charmosa, é inconformada com a vida que leva, apesar da submissão ao marido.

Dr. Osmundo Pimentel – João Paulo Adour / Erik Marmo
Jovem dentista da capital que vem montar um consultório em Ilhéus. Tem um romance com Sinhazinha Guedes Mendonça, mas o casal de amantes é descoberto pelo marido dela.

Coronel Coriolano Ribeiro – Rafael de Carvalho / Ary Fontoura
Coronel que vive em sua fazenda mas mantem uma casa em Ilhéus para sua “teúda e manteúda”. Desconfiado e ciumento, sempre acha que está sendo traído, pois já fora várias vezes, o que o faz trocar constantemente de amante.

Glória – Ana Maria Magalhães / Suzana Pires
A atual “teúda e manteúda” do Coronel Coriolano. Ele a proíbe a sair de casa, o que faz com que ela passe o dia na janela a olhar o movimento da rua para se distrair.

Professor Josué – Marco Nanini / Anderson Di Rizzi
Professor de Jerusa e Malvina. Jovem tímido e romântico. Vai viver um tórrido romance com Glória, longe dos olhos do Coronel Coriolano.

Dr. Maurício Caires – Paulo Gonçalves / Cláudio Mendes
Diretor do principal colégio de Ilhéus, onde estudam Jerusa e Malvina. Puxa-saco e pau mandado do Coronel Ramiro Bastos.

Coronel Amâncio Leal – Castro Gonzaga / Genézio de Barros
Coronel aliado de Ramiro Bastos e, portanto, opositor de Mundinho Falcão.

Berto – Mário Gomes / Rodrigo Andrade
Filho do Coronel Amâncio. Jovem boa pinta e boa vida. O pai quer que ele se envolva com Jerusa, para que sua família se una com a família Bastos.

Maria Machadão – Eloísa Mafalda / Ivete Sangalo
Cafetina do Bataclan. Autoritária no trato com suas meninas, conhece a fundo os poderosos de Ilhéus.

Zarolha – Dina Sfat / Leona Cavalli
Prostituta do Bataclan, amiga de Maria Machadão. É a preferida de Nacib, até a chegada de Gabriela.

Dr. Pelópidas – Ary Fontoura / Ilya São Paulo
Conhecido apenas como “Doutor”, apoia as ideias de Mundinho Falcão.

João Fulgêncio – Luís Orioni / Paschoal da Conceição
Outro aliado de Mundinho Falcão, amigo do Doutor. Dono de uma papelaria que é o centro intelectual de Ilhéus.

Dr. Ezequiel Prado – Jaime Barcellos / José Rúbens Chachá
Jurista de ideias liberais, amigo de Nacib.

Padre Basílio – Jorge Cherques / Padre Cecílio – Frank Menezes
O pároco de Ilhéus. Sacerdote submisso que sofre com a pressão das beatas contra as prostitutas do Bataclan.

Príncipe Sandra – Paulo César Pereio / Emílio Orciollo
Ilusionista vigarista que chega a Ilhéus com Mundinho Falcão, acompanhado de sua parceira, Anabela.

Anabela – Neila Tavares / Bruna Linzmeyer
Comparsa de Príncipe em seus golpes. Usa a beleza para enganar os homens.

Dona Arminda – Thelma Reston / Neusa Maria Faro
Arrumadeira na casa de Nacib. Ensina o serviço a Gabriela e torna-se sua melhor amiga.

Tuísca – Cosme dos Santos / Max Lima
Engraxate e garoto de recados de Ilhéus. Torna-se amigo de Gabriela.

Chico Moleza – Tonico Pereira / Renan Ribeiro
Filho de Dona Arminda, trabalha como atendente no Vesúvio.

Negro Fagundes – Clementino Kelé / Jhe Oliveira
Atravessou a caatinga com Gabriela, de quem é amigo. Ao chegar a Ilhéus, torna-se jagunço na fazenda do Coronel Melk Tavares.

Clemente – Adhemar Rodrigues / Daniel Ribeiro
Amigo do Negro Fagundes, apaixonado por Gabriela, com quem vive um romance na travessia da caatinga. Também se torna jagunço na fazenda do Coronel Melk Tavares.

Existem personagens da versão de 1975 que não estão na nova novela. Assim como personagens novos que Walcyr Carrasco criou especialmente para sua adaptação: Doroteia (Laura Cardoso), Juvenal (Marco Pigossi), Coronel Manoel das Onças (Mauro Mendonça), Coronel Eustáquio (Lúcio Mauro), Coronel Altino (Nelson Xavier), Coronel Ribeirinho (Harildo Deda), Douglas (Jackson Costa), Nhô Galo (Edmilson Barros), Lindinalva (Giovanna Lancelotti), Florzinha (Bete Mendes), Quinquina (Ângela Rebello), Natasha (Nathália Rodrigues), Theodora (Emanuelle Araújo), Miss Pirangi (Gero Camilo), Mara (Suyane Moreira), e outros.

Uma curiosidade: José Wilker e Ary Fontoura aparecem nos elencos das duas versões de Gabriela. Em 1975, Wilker foi Mundinho Falcão (personagem hoje de Matheus Solano). Agora, Wilker é o Coronel Jesuíno (que foi Francisco Dantas em 1975). Ary Fontoura, por sua vez, foi o Doutor Pelópidas em 1975 (hoje, Ilya São Paulo), e na versão atual é o Coronel Coriolano (personagem de Rafael de Carvalho na década de 70).


No Dia dos Namorados, relembre casais românticos que marcaram as novelas
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Nilson Xavier

Amanda e Herculano em "O Astro" (Carolina Ferraz e Rodrigo Lombardi)

Viúva Porcina e Sinhozinho Malta em "Roque Santeiro" (Regina Duarte e Lima Duarte)

Matteo e Giuliana em "Terra Nostra" (Thiago Lacerda e Ana Paula Arósio)

Lara e João em "Irmãos Coragem" (Glória Menezes e Tarcísio Meira)

João Fernandes e Xica em "Xica da Silva" (Victor Wagner e Taís Araújo)

Cacá e Júlia em "Dancin´ Days" (Antônio Fagundes e Sônia Braga)

Daniel e Clarisse em "Prova de Amor" (Marcelo Serrado e Lavínia Vlasak)

Marcos e Ruth em "Mulheres de Areia" (Guilherme Fontes e Glória Pires)

Afonso e Solange em "Vale Tudo" (Cássio Gabus Mendes e Lídia Brondi)

Beto e Renata em "Beto Rockfeller" (Luiz Gustavo e Bete Mendes)

Babalu e Raí em "Quatro por Quatro" (Letícia Spiller e Marcello Novaes)

Cristiano e Simone em "Selva de Pedra" (Francisco Cuoco e Regina Duarte)

Nando e Milena em "Por Amor" (Eduardo Moscovis e Carolina Ferraz)

Professor Fábio e Jô Penteado em "A Barba Azul" (Carlos Zara e Eva Wilma)

Jade e Lucas em "O Clone" (Giovanna Antonelli e Murilo Benício)

Márcio e Lili em "O Astro" (Tony Ramos e Elizabeth Savalla)

Cite outros casais românticos de novelas!


“Avenida Brasil” faz sucesso também nas redes sociais
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Nilson Xavier

Avenida Brasil é o sucesso do momento na televisão brasileira: é o programa de maior audiência na TV aberta. Na última semana, a novela bateu novamente seu recorde no Ibope e por mais de um dia chegou fácil aos 40 pontos. Mérito do autor, João Emanuel Carneiro, e de toda a equipe da novela.

Pontuada por reviravoltas e ganchos surpreendentes, a trama apresenta uma narrativa ágil, mesclando humor com drama na medida certa. Seu apelo popular foi pensado para agradar a todas as classes. E o elenco e direção estão afinadíssimos, proporcionando grandes momentos para o público.

E toda essa repercussão pode ser medida através das redes sociais. No Twitter, por exemplo, Avenida Brasil causa uma verdadeira catarse coletiva. Milhares (ou milhões) de tuiteiros se reúnem toda noite a partir das 21 horas para assistir a trama de João Emanuel Carneiro e comentar tudo o que rola na novela, desde os acontecimentos da história até os figurinos dos personagens. E melhor: com muito bom humor. É o #AvenidaBrasilTeam – como se denomina o grupo que se junta para tuitar acompanhando a novela. Algo semelhante aconteceu há um ano, quando da reprise de Vale Tudo no Canal Viva.

Não por acaso, diariamente várias hashtags (palavras-chave) envolvendo Avenida Brasil vão parar nos TT´s (Trending Topics, os assuntos mais comentados do Twitter). Aos primeiros acordes do tema de abertura, uma enxurrada de oi-oi-oi´s invade a timeline (foto ao lado). Muitos perfis aderiram aos avatares “congelados no cinza”, ou seja, fotos que reproduzem o efeito do final do capitulo da novela. Tudo isso representa muito bem a identificação que público tem com a trama. E o mais curioso é que a novela anterior no horário, Fina Estampa, que tinha uma média de audiência um pouco maior que a de Avenida Brasil, não causou esse frisson todo nas redes sociais.

Já se sabe que o Twitter é um ótimo parâmetro para se medir a receptividade do público. Não apenas elogios são apontados no microblog, mas também pontos negativos e o que não está agradando. E isso vale não só par as novelas, mas para qualquer programa de televisão. As redes sociais mudaram a forma de assistir TV, deixaram-na mais divertida. Agora só faltam ferramentas para medir também a audiência através dessa receptividade na Internet.

Saiba como fazer para deixar uma foto com o efeito “congelado no cinza” (do final dos capítulos de AvenidaBrasil) usando o Photoshop. AQUI


Crise em “Máscaras” mede o profissionalismo dos envolvidos
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Nilson Xavier

A crise pela qual passa a produção da novela Máscaras não é boa para ninguém – nem para a emissora, nem para a produção da novela, nem para o público. Constantes mudanças de horário na grade impossibilitam a fidelidade da audiência. O roteiro precisa estar à altura do telespectador, e a história, adequada ao que o ele espera – quando o autor está disposto a isso, claro. A direção, o elenco, os roteiristas e a produção tem que estar afinados para o bom andamento dos trabalhos.

Nenhuma telenovela, independente da emissora, está livre de encontrar percalços pelo caminho, seja na produção ou na receptividade do público. São dignos de elogios os esforços de Lauro César Muniz e seus colaboradores – bem como diretores, elenco e toda a equipe de produção – em seguir com a novela na tentativa de melhores resultados na questão da receptividade.

O profissionalismo se mede nesses momentos de crise. Aliás, esta é uma máxima que cabe para a televisão bem como para qualquer área de atuação. Pudera Máscaras seguir seu curso normal sem tropeços e ficar no ar por um ano (sua meta original) – teria assim garantido emprego por um ano a todos os profissionais envolvidos nesse projeto. Profissionais que, provavelmente, dão graças a Deus de ter mais uma novela no ar permitindo trabalho a técnicos, atores e a todos os envolvidos, direta ou indiretamente.


No aniversário de Aguinaldo Silva, relembre sua obra na televisão
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Nilson Xavier

Aguinaldo Silva no programa Roda Viva em março de 2012

O novelista Aguinaldo Silva completa 69 anos nesta quinta-feira, 7 de junho. Ele se autodenomina uma das cinco últimas ararinhas azuis do horário nobre da Globo, ou seja, um dos novelistas veteranos remanescentes do prime-time global (os demais são Gilberto Braga, Glória Perez, Manoel Carlos e Silvio de Abreu).

Natural de Carpina, interior de Pernambuco, de família humilde, Aguinaldo frequentou ótimos colégios no Recife até se tornar jornalista, publicar livros e se mudar para o Rio de Janeiro, aonde chegou a atuar no jornal O Globo, como repórter policial. Foi por causa de sua experiência nas páginas policiais que foi convidado a integrar a equipe de roteiristas do seriado Plantão de Polícia, em 1979 – seu primeiro trabalho na TV.

Em 1982, foi ao ar a primeira minissérie brasileira, Lampião e Maria Bonita, que Aguinaldo assinou com Doc Comparato. Dirigida por Paulo Afonso Grisolli e Luís Antônio Piá, a minissérie tinha Nelson Xavier e Tânia Alves como protagonistas e narrava a vida do rei do cangaço.

Em 1983, o submundo do crime foi retratado na minissérie Bandidos da Falange, nova parceria com Doc Comparato, direção de Luís Antônio Piá e Jardel Mello. A minissérie trouxe o problema da criminalidade urbana, os envolvimentos da polícia e a organização secreta de bandos dentro das penitenciárias em conexão com o crime organizado fora delas. Essa minissérie deveria ter estreado em agosto de 1982, mas teve problemas com a censura e só foi liberada cinco meses depois, picotada.

Novamente com Doc Comparato, Aguinaldo abordou a vida do Padre Cícero nesta minissérie, apresentada em 1984, tendo Stênio Garcia no papel-título, dirigida por Paulo Afonso Grisolli e José Carlos Piéri.

A estreia de Aguinaldo em telenovelas aconteceu em 1984, quando a Globo decidiu unir dois então novos roteiristas da casa para uma novela do horário nobre. Com Glória Perez, Aguinaldo começou a escrever Partido Alto, com direção geral de Roberto Talma. A falta de sintonia entre Aguinaldo e Glória fez com que a dupla fosse desfeita. Aguinaldo abandonou a novela e Glória a concluiu. No elenco, Cláudio Marzo, Elizabeth Savalla, Raul Cortez, Betty Faria, Glória Pires e outros.

Aguinaldo deixou Partido Alto para se dedicar a uma nova minissérie, uma adaptação do romance Tenda dos Milagres, de Jorge Amado, apresentada no segundo semestre de 1985. Com direção geral de Paulo Afonso Grisolli, tinha novamente Nelson Xavier e Tânia Alves como protagonistas.

Entre 1985 e 1986, foi ao ar Roque Santeiro. Aguinaldo foi chamado para escrever a novela com Dias Gomes, o autor da sinopse. Dos 209 capítulos da trama, Dias escreveu 99: os 51 iniciais e os 48 finais. Aguinaldo escreveu os 110 do miolo. Roque Santeiro tornou-se um marco da teledramaturgia nacional. Marcílio Moraes e Joaquim Assis colaboraram no texto e a direção ficou a cargo de Gonzaga Blota, Marco Paulo, Jayme Monjardim e Paulo Ubiratan. No elenco grandioso, José Wilker, Regina Duarte e Lima Duarte viveram os protagonistas Roque, Viúva Porcina e Sinhozinho Malta.

Em 1987, Aguinaldo apresentou uma trama urbana: O Outro, com Francisco Cuoco vivendo os sósias Denizard de Mattos e Paulo Della Santa na história em que um – desmemoriado – assumia a identidade do outro, dado como desaparecido. Direção geral de Gonzaga Blota, Ricardo Waddington e Antônio Rangel. No elenco, também Yoná Magalhães, Natália do Valle, Malu Mader e outros.

No ano seguinte, Aguinaldo uniu-se a Gilberto Braga e Leonor Bassères para juntos escreverem outro grande sucesso de nossa teledramaturgia: Vale Tudo – direção de Denis Carvalho e Ricardo Waddington. Com uma galeria de personagens memoráveis – Odete Roitman (Beatriz Segall), Fátima (Glória Pires), Heleninha (Renata Sorrah), Solange (Lídia Brondi), Marco Aurélio (Reginaldo Faria), César (Carlos Alberto Riccelli), Raquel  (Regina Duarte), e outros – Vale Tudo fez o país parar no último capítulo para o desfecho de um dos “quem matou?” mais notórios de nossa TV: quem matou Odete Roitman?
Leia AQUI o post especial que escrevi sobre Vale Tudo.

Tieta (1989-1990) foi outro grande êxito de nossa TV, considerada pelo próprio Aguinaldo como sua melhor novela. Adaptação do romance Tieta do Agreste de Jorge Amado, escrita com Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares, com direção geral de Paulo Ubiratan. O grandioso elenco escalado foi um dos fatores para o sucesso, com personagens na maioria caricatos e inesquecíveis. Destaque para a brilhante atuação de Joana Fomm como a vilã Perpétua. Dois mistérios aguçaram a curiosidade do público: o conteúdo de uma caixa que Perpétua escondia, e a identidade da “Mulher de Branco”, uma figura sinistra que atacava – sexualmente – homens nas noites de lua cheia. No elenco, também Betty Faria, José Mayer, Reginaldo Faria, Lídia Brondi, Yoná Magalhães, Arlete Salles e outros.

Em 1990 foi ao ar a minissérie Riacho Doce que Aguinaldo escreveu com Ana Maria Moretzsohn, adaptada do romance homônimo de José Lins do Rêgo. Com direção geral de Paulo Ubiratan, a minissérie apresentou belas paisagens de Fernando de Noronha. Os protagonistas foram vividos por Fernanda Montenegro, Vera Fischer e Carlos Alberto Riccelli.

Aguinaldo, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares se uniriam novamente para mais um novela com direção geral de Paulo Ubiratan: Pedra Sobre Pedra, sucesso do ano de 1992, com Lima Duarte, Renata Sorrah e Armando Bógus nos papeis centrais. O realismo fantástico, que o autor usara discretamente em Roque Santeiro e Tieta, teve aqui o seu ápice com uma série de personagens surreais: o morto que voltava para as mulheres que ele seduziu em vida, quando elas comiam uma flor; o homem atraído pela lua cheia; e a mulher com mais de cem anos e com uma memória prodigiosa. No elenco, ainda Eva Wilma, Maurício Mattar, Adriana Esteves, Eloísa Mafalda, Fábio Jr. e outros.

A trama seguinte, Fera Ferida (1993-1994) apresentou mais um leque de personagens curiosos e tramas por vezes absurdas de Aguinaldo Silva. Desta vez ele usou como ponto de partida os personagens e histórias de Lima Barreto. O realismo fantástico também esteve presente, no homem que prometia transformar ossos humanos em ouro; na personagem que entrou em sono profundo e dormiu anos a fio; no coveiro que falava com os mortos e sabia os segredos das famílias da cidade (Tubiacanga); e nas cenas de sexo dos amantes Demóstenes e Rubra Rosa (José Wilker e Susana Vieira), que pegavam fogo, literalmente. Novamente escrita com a coautoria de Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares. Direção geral de Denis Carvalho e Marcos Paulo. No elenco, também Edson Celulari, Giulia Gam, Lima Duarte, Hugo Carvana, Joana Fomm, Juca de Oliveira, Arlete Salles, Cassia Kiss e outros.

A Indomada - de 1997, escrita com a parceria de Ricardo Linhares e direção geral de Marcos Paulo – foi outro sucesso onde transitaram os personagens fantásticos de Aguinaldo Silva. A história se passava na fictícia cidade de Greenville, onde os moradores davam grande valor às tradições britânicas. O destaque foi o português com sotaque nordestino falado pelos personagens, misturado a expressões da língua inglesa. Frases como “oh chente, mai gódi” se popularizaram. Grande momento de Eva Wilma e Ary Fontoura, que viveram a ardilosa dupla de vilões Altiva e Pitágoras. Como ingrediente do realismo fantástico, havia o Delegado Motinha (José de Abreu) – que caiu num buraco e foi parar no Japão -, e Altiva – que no final virou fumaça jurando voltar para se vingar. Isso sem falar no mistério do Cadeirudo, a figura que atacava as mulheres de Greenville em noites de lua cheia (o que lembrava a “Mulher de Branco” de Tieta). No elenco, ainda Adriana Esteves, José Mayer, Claudio Marzo, Renata Sorrah, Betty Faria, Paulo Betti, Luiza Tomé e outros.

Em 1998, Aguinaldo foi supervisor de Ricardo Linhares na primeira novela solo dele na Globo: Meu Bem Querer (direção geral de Marcos Paulo e Roberto Naar). Lá estava todo o universo ficcional de Aguinaldo com o qual Linhares estava acostumado a lidar: cidadezinha do interior nordestino com personagens caricatos e de apelo popular, e doses de realismo fantástico. Unindo o universo dos dois autores, os endereços da cidadezinha da novela foram batizados com nomes de personagens criados pela dupla em outras novelas: Travessa Professor Praxedes de Menezes (de Fera Ferida), Ladeira Altiva de Mendonça e Albuquerque (de A Indomada), Beco da Cinira (de Tieta), Rua Gioconda Pontes e Largo Dona Francisquinha Queiróz (de Pedra Sobre Pedra). No elenco, Marília Pêra, José Mayer, Ângela Vieira, Murilo Benício, Alessandra Negrini, Leonardo Brício, Flávia Alessandra e outros.

A novela seguinte talvez tenha sido a mais problemática da carreira de Aguinaldo Silva: Suave Veneno (de 1999, direção geral de Marcos Schechtmann, Ricardo Waddington e Daniel Filho). Desta vez o autor voltou a ambientar sua trama no urbano. A história confundiu o telespectador que se afastou, e pouco restava a ser feito para reconquistá-lo. Durante a novela, o ator José Wilker teria circulado nos estúdios com uma camiseta em que se lia: “Suave Veneno: Eu sobrevivi!”. Destaque para o guru Uálber Cañedo (Diogo Vilela) e para a vilã Maria Regina (Letícia Spiller com os cabelos à la Isabella Rosselinni). O elenco também tinha Glória Pires, Irene Ravache, Betty Faria, Patrícia França, Ângelo Antônio e outros.

Porto dos Milagres – de 2001, escrita com Ricardo Linhares, direção geral de Marcos Paulo e Roberto Naar – pareceu uma salada de todas as tramas regionalistas que Aguinaldo fizera anteriormente. Foi, inclusive, seu último trabalho nesses moldes. Mas, graças ao ótimo elenco, a novela conseguiu escapar da simples cópia, garantindo boa audiência. Entre os destaques estava a vilã Adma Guerreiro (Cássia Kiss), a “perua” Amapola (Zezé Polessa), e Augusta Eugênia (Arlete Salles, que não se deixou abalar pelas críticas acerca da semelhança entre a personagem e Altiva que Eva Wilma viveu em A Indomada, e aos poucos deu um jeito diferente à personagem). O elenco também contou com Antônio Fagundes, Marcos Palmeira, Flávia Alessandra, Luiza Tomé, Leonardo Brício, Camila Pitanga, Fúlvio Stefanini e outros.

Em 2004, Aguinaldo abandonou o realismo fantástico e retomou definitivamente os dramas urbanos com Senhora do Destino, um de seus maiores sucessos (direção geral de Wolf Maya). O autor tirou o mote central da novela das manchetes de jornais: o seqüestro do garoto Pedrinho por Vilma Martins Costa – ela levou o bebê de uma maternidade de Brasília, em 1986, e o criou como se fosse seu filho até ser desmascarada, em 2003. Grande destaque para Renata Sorrah, que viveu a inesquecível vilã Nazaré Tedesco. José Wilker também conseguiu construir um personagem marcante: Giovanni Improta, um bicheiro bonachão com a dose exata de histrionismo. No elenco, também os atores Susana Vieira, Carolina Dieckamnn, José Mayer, Eduardo Moscovis, Letícia Spiller e outros.

A trama seguinte de Aguinaldo, Duas Caras – de 2007-2008, direção geral de Wolf Maya – abordou educação, racismo, luta de classes, drogas, homossexualidade, especulação imobiliária e invasão de terras improdutivas. Com Dalton Vigh, Marjorie Estiano, Antônio Fagundes, Susana Vieira, José Wilker, Renata Sorrah, e outros.

Em 2009, Aguinaldo Silva escreveu com Maria Elisa Berredo a minissérie Cinquentinha (direção geral de Wolf Maya), com Susana Vieira, Marília Gabriela, Betty Lago e Maria Padilha. A minissérie gerou um spin-off em 2011: o seriado Lara com Z, protagonizado por Lara Romero, a personagem de Susana Vieira em Cinquentinha (também escrita com Maria Elisa Berredo e dirigida por Wolf Maya).

Numa parceria com a emissora portuguesa SIC, a Globo produziu a novela Laços de Sangue em 2010, gravada em Portugal, com profissionais de lá, tendo Aguinaldo Silva como supervisor de texto do autor da novela, Pedro Lopes.

Entre 2011 e 2012, Aguinaldo escreveu outro sucesso popular, a novela Fina Estampa – (direção geral de Wolf Maya), que alavancou a audiência do horário nobre da Globo. O autor uniu tramas sem compromisso algum com a realidade com elementos populares em voga no momento – como UFC e o funk -, personagens caricatos – como a vilã Tereza Cristina (Christiane Torloni) e o gay Crodoaldo Valério (Marcelo Serrado) -, e uma heroína maniqueísta – Griselda (Lília Cabral), mulher batalhadora, boa e justa, concebida especialmente para criar empatia com o público que se identifica com essa figura idealizada: a “nova classe C” (responsável pela audiência do horário no momento). No elenco, também Dalton Vigh, José Mayer, Carolina Dieckmann, Eva Wilma e outros.
Leia AQUI meu post sobre o balanço final de Fina Estampa.

Leia AQUI meu post sobre os mistérios nas novelas de Aguinaldo Silva.

Leia AQUI meu post sobre a entrevista de Aguinaldo Silva ao programa Roda Viva da TV Cultura em março desse ano.

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