Blog do Nilson Xavier

Arquivo : julho 2012

Início da vingança de Nina faz “Avenida Brasil” bater seu recorde semanal de audiência
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Nilson Xavier

Com a vingança de Nina (Débora Falabella), iniciada há uma semana, a novela Avenida Brasil bateu seu recorde de audiência semanal: 41,5. Veja os números diários da semana que passou (pontos no Ibope, cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo).

Segunda: 45 | Terça: 45 | Quarta: 42 | Quinta: 42 | Sexta: 41 | Sábado: 34 = 41,5.

O recorde anterior era de 40 pontos, atingido na semana entre 18 e 23 de junho. Foi quando Carminha (Adriana Esteves) armou um barraco no salão de cabeleireiros de Monalisa (Heloísa Périssé) ao flagrá-la com Tufão (Murilo Benício). E Max (Marcello Novaes) planejou o assalto à casa de Tufão, em que Janaína (Cláudia Missura) descobriu que Lúcio (Emiliano D´Avilla) era o assaltante.

Nesta semana, a insistência de Nina em humilhar Carminha acabou por incomodar alguns telespectadores, cansados com os gritos da empregada e a passividade de Carminha diante da chantagem dela. Na sexta-feira configurou-se uma reviravolta, quando Carminha prendeu Nina no banheiro e fugiu atrás de ajuda. A megera foi parar na festa de casamento de Roni (Daniel Rocha Azevedo ) e Suellen (Ísis Valverde), mas desmaiou e Nina foi buscá-la.

Enquanto isso, Tufão foi avisado de que Carminha não estava nada bem, e nos próximos capítulos, a família toda deve retornar à mansão do Divino. Nina dará prosseguimento à sua vingança e Carminha continuará cedendo à sua chantagem. Nina fará todos pensarem que Carminha enlouqueceu.

A repercussão da novela também foi recorde nas redes sociais. Avenida Brasil bombou no Twitter e hashtags (palavras-chave) relacionadas à novela estiveram diariamente entre os Trending Topics (os assuntos mais comentados). O Facebook foi invadido com charges engraçadinhas envolvendo a trama e personagens.

Esta interatividade entre o público, Internet e televisão não passa despercebida pela Globo. O site da novela promoveu uma enquete para saber quem o público gostaria de ver “congelado no cinza” (aquele efeito do final dos capítulos) – já que geralmente apenas os protagonistas são os que congelam. Os telespectadores foram surpreendidos na quinta-feira quando a empregada Zezé (Cacau Protásio) ficou congelada. Sábado foi a vez de Janaína encerrar o capítulo. Aguardamos o congelamento de Ágata (Anna Karolina Lannes) e Adauto (Juliano Cazarré)!


“Gabriela”: cena do telhado ficou sem o mesmo impacto da primeira versão
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Nilson Xavier

Só mesmo a paixão do brasileiro pelas novelas para explicar que cenas de nossa Teledramaturgia tenham ficado para sempre na memória afetiva do povo, verdadeiros patrimônios do inconsciente coletivo do país. João Coragem encontrando seu diamante. Carlão baleado nas obras do metrô. Julia Mattos dançando triunfalmente na discoteca. Charlô e Otávio jogando o café da manhã um no outro. Porcina indecisa entre ficar com Sinhozinho Malta ou partir com Roque. Odete Roitman sendo assassinada. Laurinha Figueroa se jogando do prédio da Sucata.

Por isso, quando acontece uma releitura, gera-se expectativa em torno da regravação de tal momento marcante. Pense numa cena de Gabriela – a novela que consagrou Sônia Braga em 1975. Gabriela, moleca e inocente, sobe no telhado, pega a pipa que lá caiu e a levanta sorridente para a multidão lá embaixo, que está eufórica com a visão da bela mulher que expõe suas partes pudendas sem se dar conta. A cena é bonita, no melhor dos sentidos. Causa um misto de diversão – porque chega a ser engraçada – com emoção, por conta da pureza da protagonista. Marcou a TV e de lá para cá foi repetida inúmeras vezes pelos vídeo-shows da vida.

Veja abaixo a sequência (vídeo do Youtube).

Como não poderia ser diferente, com o atual remake da novela criou-se expectativa para a tal cena do telhado. A sequência ficou igualmente divertida. Mas, como a Gabriela Juliana Paes se sairia nesse momento frente a uma Gabriela Sônia Braga icônica? A disputa, por si só, já é infiel quando a Gabriela de axila depilada a laser concorre com uma Gabriela naturalmente brejeira e potencialmente mais jorgeamadiana.

Os recursos tecnológicos estão aí para facilitar a vida de técnicos, diretores e atores. Mas chroma-key bom (o recurso que sobrepõe imagens) é aquele que não deixa transparecer que foi usado. E o chroma-key pingou numa das tomadas que mostra Juliana Paes no telhado com a multidão lá embaixo (imagem acima). Também vários closes na calçola larga de Gabriela explicitaram algo que funcionaria melhor se fosse sugerido – o que, aliás, funcionou muito bem na primeira versão (assista ao vídeo acima). A atual banalização das bundas faz com que uma cena como a de Sônia Braga pareça casta aos olhos de hoje em dia.

Por fim – e principalmente -, a produção da novela optou pelo anticlímax: dividiu a sequência toda em duas partes, apresentadas em dois dias, o que diminui consideravelmente qualquer impacto. E com o agravante de que a primeira parte foi exibida depois da meia-noite do capítulo de quarta-feira (15/07), que já começou tarde (após o futebol) – e que acabou por registrar uma das menores médias de audiência que a novela já teve num capítulo: 17,5 pontos na Grande São Paulo.


“Avenida Brasil” bate recorde de audiência com o início da vingança de Nina
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Nilson Xavier

Depois de um capítulo emblemático de Avenida Brasil no último sábado – em que vimos Carminha (Adriana Esteves) tripudiar em cima de Nina (Débora Falabella) enterrada – iniciou-se definitivamente a vingança de Nina no capítulo desta segunda-feira, 23/07. E não foi por menos que a novela bateu seu recorde de audiência – média de 45 pontos no Ibope da Grande São Paulo (o recorde anterior era de 43 pontos, cada ponto equivale a 60 mil domicílios).

O melhor do capítulo ficou por conta da comemoração de Carminha numa casa de swing com Max (Marcello Novaes), onde a vilã até dançou no pole. Na sequência, Carminha chega em casa e nem imagina o que a aguarda. Numa cena impactante, Nina está esperando pela megera, com um “jantar” feito especialmente para ela. Ao acender a luz, há fotos comprometedoras de Carminha e Max espalhadas pela casa. Jantar indigesto esse. Carminha, ao que parece, vai pagar por ter subestimado sua inimiga.

Como comentei em meu último post (leia AQUI), para Avenida Brasil ter apresentado um capítulo tão bom num sábado – dia em que, tradicionalmente, a audiência é menor -,  era porque o autor tinha muita coisa interessante ainda para apresentar durante a semana. Que venha o capítulo de terça!

“Então? Gostou?”

Texto atualizado às 11:15 de 24/07/2012: a média consolidada de audiência é 45 pontos.


“Avenida Brasil” peca ao exibir capítulo emblemático num sábado, dia de menor audiência
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Nilson Xavier

Finalmente chegou o capítulo 100 de Avenida Brasil! Com dois dias de atraso. E num sábado! Explico. O autor, João Emanuel Carneiro, há tempos anunciou que haveria a grande virada da novela em seu centésimo capítulo. Criou-se uma grande expectativa nele, já que Carminha (Adriana Esteves) iria descobrir que sua empregada Nina (Débora Falabella) era na verdade Rita, que ela abandonara no lixão quando criança.

O capítulo 100 foi exibido na quinta-feira e a sequência tão aguardada foi deixada para o final. As redes sociais se mobilizaram durante todo o dia 19, comentando o tão esperado momento. Mas foi nos capítulos seguintes que a coisa realmente pegou fogo. No sábado (capítulo 102), o grande ápice: Carminha se vinga de Nina/Rita jogando-a numa cova, para ser enterrada viva. Uma sequência das mais tensas já apresentadas na televisão brasileira – com referências no cinema, diga-se de passagem, em filmes como Kill Bill, de Tarantino.

JEC – como costumamos chamar João Emanuel – já apresentara momentos de grande tensão em sua novela anterior, A Favorita, de 2008. Mas as cenas vistas em Avenida Brasil beiraram o terror. Tanto na sequência em que Nina está enterrada, com Carminha humilhando-a psicologicamente, até quando Nina deixa a cova cambaleante, feito um zumbi. A fotografia e a trilha sonora – ótimas – ajudaram a construir o clima de horror que a cena pedia.

Há de se destacar a grande interpretação de Adriana Esteves com sua Carmem Lúcia, que já entrou para a galeria das personagens inesquecíveis de nossa TV. E Débora Falabella – outra grande atriz -, que segura firme todas as cenas com a companheira. Repercussão pouca é bobagem, haja vista a enorme quantidade de charges envolvendo as duas personagens que proliferaram na Internet nos últimos dias.

O curioso foi deixar um capítulo tão emblemático para ser apresentado em um sábado, dia em que, tradicionalmente, a audiência é menor. A prévia no Ibope ficou na média dos 35 pontos – ótima para um sábado, acostumado a registrar 31, 32. Mas talvez renderia uns 45 pontos se fosse exibido numa segunda-feira (dia em que, geralmente, o Ibope é maior). De qualquer forma, reservar um momento tão importante dentro da trama para um sábado pode indicar bala na agulha para mais fortes emoções na próxima semana. É aguardar.

Avenida Brasil segue como uma das melhores novelas dos últimos anos, o que pode ser constatado através do Ibope – alto para os padrões atuais -; através de sua produção de primeira, com direção impecável, elenco afiadíssimo, trama envolvente e personagens cativantes; e através da repercussão positiva nas mídias sociais, repletas de fãs fervorosos da trama.

De fato, a novela é tão boa que seus pontos fracos são passíveis de perdão. Que tal seguir o conselhos dos tuiteiros: reservar os momentos das tramas paralelas que caíram no desinteresse, dos personagens coadjuvantes chatos, com a trilha sonora nacional indigesta, para tomar água, ler um email ou fazer xixi!

Nota: as duas imagens maiores são screenshots de cenas extraídos no site da novela.
A imagem animada de Carminha vermelha (acima) foi criada por Marcus Vinícius (@MV_Oficial).
Não encontrei o autor da outra imagem animada de Carminha. Mas darei o crédito se ele se manifestar.


“Avenida Brasil”: capítulo da virada frustra telespectadores
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Nilson Xavier

O tão aguardado “capítulo da virada” de Avenida Brasil (o centésimo, desta quinta-feira, 19/07) frustrou alguns telespectadores. Pelo menos aqueles que realmente aguardavam por algo impactante na trama de João Emanuel Carneiro. Se bem que já era de se esperar que o clímax do capítulo ocorresse ao seu término. Ou seja, o momento em que Carminha (Adriana Esteves) juntou as peças do quebra-cabeça e concluiu que Nina é Rita (Débora Falabella) aconteceu apenas no final. Na verdade, é no capítulo desta sexta-feira, e nos subsequentes, que a história começa a fluir melhor, com o embate entre as duas protagonistas.

Antes das ótimas cenas de Adriana Esteves bufando no volante de seu carro, o público teve que esperar assistindo sequências de Cadinho (Alexandre Borges) às voltas com suas mulheres, Roni (Daniel Rocha Azevedo) na fossa, Suelen (Ísis Valverde) tomando as rédeas da loja de Diógenes (Otávio Augusto), Jorginho (Cauã Reymond) saindo do coma, etc. Ou seja, nada de especial. O que interessava mesmo foram as passagens que envolviam Nina, ou Carminha pressionando Betânia e Nilo, até a sequencia final.

A audiência não foi nem melhor nem pior do que Avenida Brasil vem tendo. De acordo com a prévia do Ibope, deu 40 pontos (cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo), o que é bom, está na média da novela. Só não foi superior, como se esperava, por se tratar de um capítulo-chave. O capítulo anterior, de quarta-feira (que é mais curto por conta do futebol), teve uma média baixa para a novela: fechou em 36 pontos. E o centésimo capítulo de Avenida Brasil ainda é inferior ao centésimo de Fina Estampa, a novela antecessora.

Apesar de o público registrar um dia normal para a novela, Avenida Brasil bombou nas mídias sociais por conta da expectativa em cima desse centésimo capítulo. No Twitter, horas antes de a novela estrear, a hashtag (palavra-chave) #AvenidaBrasil  já estava entre os TT´s (os assuntos mais comentados). Na hora da novela, os tuiteiros subiram ao primeiro lugar a tag #OiOiOi100, em homenagem à trama. Durante todo o dia, vários usuários mudaram o avatar de seus perfis para a imagem “congelada” – que imita o efeito do final de cada capítulo da novela (como na imagem acima). Várias charges envolvendo a trama foram destaque também no Facebook.

O sucesso da novela de João Emanuel Carneiro não se restringe apenas à audiência passiva – a que simplesmente sintoniza na novela na hora em que ela está sendo transmitida. O acompanhamento pelas mídias sociais reflete uma repercussão positiva que Avenida Brasil alcança. Só que essa repercussão não é considerada na hora de medir audiência. E nem serve como ferramenta para uma amostra estatística. Mas é um termômetro, ou um parâmetro de popularidade de um extrato de audiência.


“Cheias de Charme” repete trama de “Fina Estampa”
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Nilson Xavier

Os emergentes estão mesmo na moda. Pelo menos nas novelas. Tem a família de Tufão (Murilo Benício) em Avenida Brasil, e agora as Empreguetes em Cheias de Charme. Houve uma passagem de tempo na novela das sete e o grupo musical formado pelas ex-domésticas Penha, Rosário e Cida (Taís Araújo, Leandra Leal e Isabelle Drummond) se transformou num sucesso nacional.

Todas melhoraram de vida e estão devidamente repaginadas. O capítulo de segunda-feira (16/07) mostrou Cida levando a madrinha (Dhu Moraes) para jantar num restaurante chique. Penha comprou um carro e está de casa nova, maior, bem equipada. E Rosário vai comprar um apartamento alto padrão no mesmo condomínio de luxo onde um dia trabalhou como cozinheira na casa de Chayene (Cláudia Abreu), a inimiga das Empreguetes. Também Cida vai morar no condomínio, onde moram seus ex-patrões, a família Sarmento – agora em derrocada financeira.

É a história se repetindo. Na recente Fina Estampa, a protagonista pobre e humilde – Griselda de Lília Cabral – vivia em pé de guerra com a ricaça arrogante – Tereza Cristina de Christiane Torloni. Após ganhar na loteria, Griselda comprou uma mansão bem em frente à mansão de Teresa Cristina, para quem um dia prestou serviços domésticos como “marida de aluguel”.

Em tempo: personagens emergentes são recorrentes em novelas, independente da economia do país ou público alvo das tramas. O Cafona (1971) contava a história de um comerciante de subúrbio – vivido por Francisco Cuoco – que enriqueceu com seu negócio se tornando presidente de uma rede de supermercados. Mas seu sonho era entrar para a alta roda, mesmo sem ter nenhum traquejo social. Daí o título da novela.

Em Os Ossos do Barão (1973-1974), um imigrante italiano (Lima Duarte), que enriquecera com o trabalho, quer comprar a cripta mortuária do barão do café para quem trabalhou quando era criança, e cuja família quatrocentona estava falida e disposta a vender inclusive seu título de nobreza.

Em Rainha da Sucata (1990), uma mulher (Regina Duarte) – cuja família de origem humilde enriquecera a partir de um ferro-velho – era apaixonada e queria se casar com um rapaz (Tony Ramos) de família quatrocentona, mas falida. Ele não a amava, mas aceitou o casamento para tirar a família do vermelho.

Ainda: Foguinho (Lázaro Ramos) em Cobras e Lagartos (2006), que ganhou dinheiro com uma herança; a família de Meg Trajano (Françoise Forton) em Por Amor (1997-1998), representante dos emergentes cariocas da Barra da Tijuca; os personagens de Vidas em Jogo (2011-2012), que enriqueceram com um prêmio da loteria; e outros.


“Avenida Brasil” promete grande virada a partir de quinta-feira
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Nilson Xavier

O desfecho do capítulo de sábado (14/07) de Avenida Brasil dá o tom do que está por acontecer nesta semana na novela. Ontem, Carminha (Adriana Esteves) descobriu uma relação entre Nina (Débora Falabella) e a falsa Rita (Betânia, Bianca Comparato). O cerco se fecha cada vez mais para Nina, com a obsessão de Carminha em descobrir a verdade sobre sua empregada.

Na próxima quinta-feira (19/07) vai ao ar o aguardado centésimo capítulo da novela, em que o autor, João Emanuel Carneiro, prometeu uma grande reviravolta: Carminha descobrirá que Nina é a verdadeira Rita, a sua enteada que ela abandonara no lixão quando era criança.

O autor levou cem capítulos para formatar a vingança de Nina: ela infiltrou-se na casa de Carminha, envolveu-se com vários personagens, reuniu provas contra a megera, e, por mais de uma vez, quase teve sua identidade revelada, já que seus planos foram descobertos por Jorginho, Nilo e Max (Cauã Reymond, José de Abreu e Marcello Novaes).

Na trama anterior de João Emanuel Carneiro, A Favorita (2008), o autor teve que ser mais rápido, já que a novela não foi inicialmente bem aceita pelo público, incomodado com o fato de não ficar claro quem era a mocinha e quem era a vilã da história – Flora (Patrícia Pillar) ou Donatela (Cláudia Raia). João Emanuel acabou por revelar que Flora era a grande vilã antecipadamente, no capítulo 56. Teve que adiantar um desfecho que era para ser mais tardio.

Em Avenida Brasil, o autor conseguiu levar sua proposta adiante. Só agora novos fatos darão uma mexida na trama da novela. Muitos reclamaram que a história da tal vingança de Nina estava dando voltas, que Nina havia se tornado uma personagem chata e desinteressante, obcecada por um plano de vingança que não deslanchava.

A verdade é que, mesmo com essa demora, Avenida Brasil nunca deixou de ter fôlego. A trama da novela sempre foi bastante movimentada e a grande maioria dos capítulos fechou com ganchos (o clímax, quando o capítulo termina) bombásticos envolvendo Nina e Carminha. Aliás – diga-se de passagem -, foi por isso que as duas personagens foram as que mais vezes fecharam os capítulos – ou “congelaram no cinza”, como se fala nas redes sociais.

A audiência tem respondido bem: até o capítulo 90, Avenida Brasil fechou com uma média de 37,52 pontos no Ibope – pouco menos do que o registrado pela trama anterior, Fina Estampa: média de 38,58 até o capítulo 90 (cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo). Quem sabe agora, com os novos rumos, a audiência da novela de João Emanuel Carneiro ultrapasse a da trama de seu “coleguinha” Aguinaldo Silva.


“Cheias de Charme” bate novo recorde de audiência com número de novela das nove
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Nilson Xavier

E mais uma vez Cheias de Charme bate seu recorde no Ibope. O último pico de audiência foi no capítulo do dia 25 de junho (uma segunda-feira) quando a novela cravou 36 pontos. O capítulo desta quinta-feira (12/07) consolidou 37 pontos no Ibope (com 62% de participação) – quando o esperado para o horário das sete horas são 30 (cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo).

Este foi um capítulo isolado – a novela vem mantendo uma média geral entre os 30 e 31 pontos. Mas 37 é mais audiência do que foi registrado em muita novela das nove nos últimos anos. Viver a Vida (2009-2010) e Insensato Coração (2011), por exemplo, fecharam com uma média geral de 36 pontos. Passione (2010), com 35 pontos. Ontem Cheias de Charme ficou cinco pontos atrás de Avenida Brasil – que cravou 42 pontos.

O clímax do capítulo foi a briga entre Socorro e Chayene (Titina Medeiros e Cláudia Abreu), com direito a troca de insultos, ovo, farinha e puxada de cabelo. Era para ser uma farsa, já que Socorro tinha que aparentar ser maltratada pela patroa. Mas Chayene, cansada das trapalhadas de sua “personal curica”, acabou por despedi-la.

Fenômeno de audiência, não dá para estabelecer um parâmetro de comparação com as tramas anteriores no horário, como explico em meu texto “Melhor novela das sete dos últimos anos” – clique AQUI para ler.


Cena de “Avenida Brasil” pega telespectador de surpresa
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Nilson Xavier

Pela primeira vez em Avenida Brasil, vimos Nina (Débora Falabella) reagir ao destempero de Carminha (Adriana Esteves). A sequência exibida no capítulo de sábado (07/07) pegou o telespectador de surpresa, acostumado a ver uma Nina submissa, que engole passivamente todos os desaforos da patroa.

A gota d´agua para Nina foi quando Carminha relatou a morte de Dodi, o cachorro de Rita – a falsa, Betânia na verdade (Bianca Comparato). Carminha descreveu com requintes de crueldade como o cachorrinho morreu envenenado, e Nina lembrou-se da infância, quando era maltratada pela madrasta.

A empregada não se conteve: ao servir Carminha, derramou todo o suco em cima dela. A interpretação das atrizes segurou a cena, tensa e bem dirigida, provando mais uma vez que a escolha delas para interpretar as personagens não poderia ter sido mais acertada. Débora era só ódio no olhar. E Adriana arfava – dava para sentir as veias saltando!

O telespectador, atônito, esperava o momento em que as duas fossem partir para a violência física. Mas não. Cada personagem segurou a raiva ao seu modo, afinal, uma precisa da outra. Para Nina, uma reação poria a perder todo seu plano de vingança. Ela precisava continuar aguentando calada as humilhações da outra. Para Carminha, Nina ainda era uma aliada, além de uma excelente serviçal.

Esta sequência é mais uma que entra para a galeria das cenas marcantes de Avenida Brasil. E o prenúncio de que não tardará para Carminha descobrir quem é a verdadeira Nina e, aí sim, uma se voltar contra a outra.

Assista AQUI (vídeo no Youtube) a cena em que Nina derruba suco em Carminha.


Trilha de “Gabriela” traz músicas da versão original e aumenta a sensação de “déjà vu”
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Nilson Xavier

A novela Gabriela é uma produção de encher os olhos, bonita esteticamente falando, com direção de arte, figurinos e cenários deslumbrantes às vezes. Vide o Bataclan, suas meninas e shows à la Moulin Rouge. O ritmo é bom – não é uma trama lenta, tampouco ágil demais.

Mas existe uma sensação de déjà vu no ar. De “já vi isso antes”. Assisti à Gabriela original – a de 1975, com Sônia Braga – em 1989, numa reprise à tarde. É sabido que esta novela foi um marco em nossa teledramaturgia. Portanto, comparações são inevitáveis. Deixemos de lado a performance do elenco e se Juliana Paes está bem ou não no papel que era de Sônia Braga.

A história é a mesma, com os mesmos tipos de personagens, afinal a fonte inspiradora é o mesmo romance de Jorge Amado. A ambientação também é a mesma – com exceção dos cenários atuais, bem mais elaborados – como a casa de Ramiro Bastos ou o próprio Bataclan. Desconsideremos um ou outro núcleo que não existia nos anos 70 – com o de Lindinalva (Giovanna Lancellotti). A Ilhéus da década de 1920 é a mesmíssima, com o mesmo clima.

Hoje, além da mesma história com os mesmos personagens, a sensação de déjà vu é intensificada pela trilha sonora, que repete as músicas emblemáticas feitas especialmente para a novela dos anos 70 e que ainda permanecem no imaginário popular. Fosse uma trilha totalmente nova, talvez Gabriela 2012 surtisse um outro efeito no ar. A novela atual mostra a força e a importância da trilha sonora para uma obra dramatúrgica.

A trilha desta nova Gabriela traz nove canções do disco original. Além do tema de abertura, Modinha para Gabriela – de Dorival Caymmi, cantada por Gal Costa – , tem:
Filho da Bahia – de Walter Queiroz, primeiro sucesso da carreira de Fafá de Belém;
Alegre Menina – música de Jorge Amado e Dorival Caymmi, na voz de outro então iniciante: Djavan;
Coração Ateu - com Maria Bethânia;
Caravana – de Geraldo Azevedo e Alceu Valença, interpretada por Geraldo Azevedo;
São Jorge dos Ilhéus – de Alceu Valença;
Guitarra Baiana – de Moraes Moreira;
Retirada – de Elomar;
Porto – de Dori Caymmi, com o MPB4.

As demais músicas da trilha são:
Tema de Amor de Gabriela – de Tom Jobim, com ele e Banda Nova;
Você Não Me Ensinou a Te Esquecer – de Fernando Mendes, cantada por Caetano Veloso;
Morena – com Mu Chebabi;
Lamento Sertanejo – de Gilberto Gil e Dominguinhos, interpretada por Elba Ramalho e Dominguinhos;
Flor da Noite – de Celso Fonseca e Ronaldo Bastos, interpretada por eles e Nana Caymmi;
Depois Cura – com Mart´nália;
Aura de Glória – com João Bosco e Aldir Blanc, cantada por João Bosco.

Conheça AQUI a trilha da Gabriela 1975.

Observação: este não é um texto crítico, mas um texto informativo. Não estou criticando a trilha sonora da novela. Pelo contrário, gosto muito deste “déjà vu”!