Blog do Nilson Xavier

Arquivo : agosto 2012

“Gabriela” mistura bem cenas impactantes com sequências de diálogos divertidos
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Nilson Xavier

Walcyr Carrasco é um novelista que transita livremente pelo humor fácil, do tipo que mistura ingenuidade e malícia, experimentado e maturado em suas várias novelas nos horários das seis e sete da Globo (O Cravo e a Rosa, Chocolate com Pimenta, Alma Gêmea, Sete Pecados, Caras e Bocas, Morde e Assopra). Por sua tarimba com literatura infantil (ele é autor de vários livros para crianças), o autor carrega para seus trabalhos na televisão elementos de humor pastelão que mais facilmente arrancam riso de crianças do que de adultos (como torta na cara e pessoas arremessadas na lama ou chiqueiro). Outra característica marcante: falas de personagens adultos que carregam aquela sinceridade inerente às crianças – vícios de quem escreve para público infantil.

Em uma obra como a adaptação de Gabriela, de Jorge Amado, isso poderia não funcionar. E não funciona quando sentimos o choque entre dois estilos tão distintos. Jorge Amado, apesar da densidade em seus temas, tem momentos de leveza, mas que não combinam com o pastelão infantil de Carrasco. Exemplo: a insistência da fogosa Olga (Fabiana Karla) com o marido escorregadio Tonico Bastos (Marcelo Serrado) – sequências que já cansaram e não tem a menor graça.

Independente da diferença de estilos, temos que ter em mente que o produto televisivo leva a assinatura de Walcyr Carrasco. O exagero no pastelão apenas não soa bem para o horário no qual a novela é veiculada. Às onze da noite, o telespectador espera mais de uma novela. Apesar de algum pastelão, Gabriela nos tem brindado com sequências fortes e impactantes – como a do capítulo de quinta-feira (30/08), em que os jagunços do Coronel Ramiro Bastos (Antônio Fagundes) surraram Príncipe e Anabela (Emílio Orciollo e Bruna Linzmeyer) e ainda caparam o rapaz.

E é também do capítulo de quinta-feira uma das sequências mais pitorescas que já se viu na novela e que exemplifica bem essa mistura do estilo de escrita de Carrasco (sinceridade ingênua infantil) aplicado a personagens densos. No diálogo a seguir, a beata Doroteia (Laura Cardoso) – com o filho, Coronel Amâncio (Genézio de Barros) – censura o Coronel Jesuíno Mendonça (José Wilker) por ele se casar com uma moça muito jovem. O coronel já matou a mulher que o traía, é um homem bruto, truculento e violento. Doroteia é o cão em pessoa, velha amarga e maldosa.

Doroteia: “Coronel Jesuíno, Iracema é uma franguinha! O senhor tem idade para ser pai dela!”

Amâncio: “Até avô, quem sabe!”

Jesuíno: “Melhor casar com uma franguinha do que com uma galinha velha!”

Doroteia: “Coronel, uma mulher de mais idade tem mais respeito.”

Jesuíno: “Tem mais é pelanca, isso sim!”

Amâncio (rindo): “Coronel Jesuíno, se deseja carne fresca, vá ao Bataclan. Lá tem moça nova à disposição.”

Doroteia: “Respeito Amâncio! Não aconselhe o coronel a correr atrás de quenga.”

Amâncio: “Mainha, me perdoa, eu só estou tentando ajudar… Coronel Jesuíno, minha mãe está com a razão. Case com uma moça, com uma mulher que saiba cuidar de sua casa.”

Doroteia: “Se casar com uma franguinha, vai levar cornos de novo.”

Jesuíno: “Não me fale de cornos! Dona Doroteia, só não lhe dou na cara por respeito à sua idade.”

Doroteia: “Depois não diga que não foi avisado. E já será uma sorte grande se a moça for virgem.”

Jesuíno: “Se ela não for virgem, eu mato na noite de núpcias. Eu já matei uma, mato duas!… E agora, Dona Doroteia, Coronel Amâncio, me dão licença, eu vou cagar.”


Visual exótico, caneca e telefone de Cassia Kis fazem sucesso na novela das 6
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Nilson Xavier

A brilhante presença em cena de Cassia Kis Magro faz a maior diferença em Amor Eterno Amor. A atriz é o maior destaque da novela das seis da Globo. Cássia encarna a malévola vilã Melissa. Pérfida, vil, invejosa e diabólica, ela é capaz de qualquer coisa para atingir seus objetivos. Só não é capaz de se privar de seu look estiloso, nem mesmo quando dorme.

O que seria da performance de um ator sem a caracterização de seu personagem? Melissa que o diga. Da mesma forma que a Dulce de Morde e Assopra (a novela anterior de Cassia) não seria a mesma sem aqueles dentes estragados, Melissa não seria ela sem a série de itens e acessórios, elementos de cena, figurinos e maquiagem que compõe o visual exótico da personagem.

Socialmente, Melissa usa roupas chamativas com acessórios em abundância, como colares, pulseiras e anéis. A inspiração para o figurino vem das editoras de famosas revistas de moda internacionais, e vão do clássico às estampas de oncinha e zebrinha. Juntam-se cintos, bolsas de grife e sapatos plataforma. Também maquiagem pesada, sombra marcando os olhos e batom e esmalte em cores poderosas.

O mais interessante é perceber que Melissa não cai no estereótipo  da “perua”. Pelo contrário. Apesar de exagerada, a vilã é sofisticada e estilosa. A figurinista Natália Duran afirmou que a maioria dos modelitos da personagem foi adquirida em brechós em Belo Horizonte.

A peruca estilo chanel complementa o look da vilã, que pode ou não vir acompanhado dos óculos de grau redondos e gigantes. Os óculos são do tipo fundo de garrafa e dão um ar pitoresco à personagem. O visual lembra a atriz americana Linda Hunt e a personagem Edna Moda, do filme de animação Os Incríveis (Edna, por sua vez, foi inspirada em Edith Head, figurinista da Hollywood clássica).

Em casa, Melissa é mais discreta, mas não menos estilosa. Ela tira a peruca – o que deixa à mostra os cabelos grisalhos em desalinho – mas não se priva da maquiagem pesada. O robe roxo lhe dá um ar de bruxa medieval – a inspiração vem de Malévola, a bruxa da Bela Adormecida de Disney.

Muito da composição de um personagem se deve à experiência do ator. Cássia já afirmou que vários dos elementos que compõe Melissa são contribuições suas. O robe roxo, ela mandou fazer especialmente para a novela. A atriz trouxe de uma viagem à Londres a caneca ensanguentada com a qual aparece quase diariamente em cena. Cassia comprou a caneca numa loja no The Globe, o teatro de Shakespeare.

Os itens de Melissa mais desejados pelos telespectadores são a tal caneca com sangue e o pop-phone que a personagem usa em casa. Trata-se de um telefone de gancho (daqueles antigos) usado para acoplar ao celular. Pode ser facilmente encontrado à venda na Internet.

O visual de Melissa e os elementos de cena que a cercam sugerem uma leveza à personagem ao mesmo tempo em que intensificam os traços fortes de sua personalidade maléfica. Melissa é a bruxa do século XXI, tão estilosa quanto uma bruxa poderosa de contos de fadas medievais.


Primeira semana do Horário Político prejudica audiência das novelas
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Nilson Xavier

Com o início do Horário Político na televisão – na terça-feira, 21/08 – todas as emissoras tiveram que fazer um remanejamento em suas grades, alterando o horário de várias atrações. As novelas – algumas, os programas de maior audiência da TV – tiveram seus horários de exibição alterados – começaram mais cedo ou passaram para outro horário. Apenas Gabriela (Globo) e Máscaras (Record) continuam em seus horários originais.

Esta mudança acabou por prejudicar a audiência de algumas novelas da Globo – pelo menos nesta primeira semana, em que o público ainda não acostumou-se com a nova grade. As mais prejudicadas foram Malhação e as tramas das seis e sete horas, Amor Eterno Amor e Cheias de Charme, que começaram por volta de vinte minutos mais cedo – tiveram uma queda significativa no Ibope se comparadas com as semanas anteriores.

Cada ponto no Ibope equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo:

A primeira semana da nova temporada de Malhação – que começou na segunda-feira, 13/08 – registrou 17 pontos no Ibope, mas caiu para 13 na segunda semana, quando entrou o Horário Político. Amor Eterno Amor vinha com uma média semanal de 23 pontos e fechou a média da última semana em 20. Cheias de Charme marcou 32 pontos na semana de 13 a 18 de agosto, e consolidou a semana passada em 28.

Avenida Brasil, às 21 horas – no ar por volta de 10 minutos antes do habitual – registrou uma queda menor, apenas um ponto em comparação com a semana anterior: vinha de 40 e fechou a semana que passou com 39. A queda maior foi de segunda para terça-feira (quando começou o Horário Político): na segunda, a novela cravou 44 pontos, e terça, 38. Mas a audiência foi subindo com o passar da semana.

A novela infantil do SBT, Carrossel - exibida antes às 20h30 e agora às 19h50 – e a novela teen da Record, Rebelde – antes às 20h30 e agora às 21 horas -, mantiveram o público fiel que tinham, apesar da mudança de horário. Carrossel fechou a semana nos 13 pontos (um ponto a menos que a semana anterior), enquanto Rebelde continua com seus 4 pontos habituais.

Gabriela e Máscaras continuam em seus horários originais. Enquanto Máscaras subiu um ponto (fechou em 6 na semana passada) em relação às semanas anteriores, Gabriela, por sua vez, teve uma queda: registrou 18 pontos na semana entre 13 e 17/08, e fechou a última semana com 16 pontos no Ibope.


“Cheias de Charme” usa narrativa episódica para evitar “barriga”
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Nilson Xavier

A pouco menos de dois meses de seu término, já se pode afirmar que Cheias de Charme é dividida em duas partes: antes e depois do sucesso das Empreguetes como cantoras. O nascimento e ascensão do grupo musical formado pelas três domésticas marcou a primeira fase da novela, a mais interessante, a que cativou o público e fidelizou a audiência.

Depois que Penha, Rosário e Cida (Taís Araújo, Leandra Leal e Isabelle Drummond) ficaram ricas, a novela mudou. Não que esteja menos interessante ou parada. Pelo contrário, as histórias seguem com novos entrechos explorando a atual condição do trio de protagonistas. Barriga – no jargão novelístico – é aquela fase da novela em que nada acontece, em que o telespectador sente que está sendo enrolado. Não é o caso de Cheias de Charme. Talvez a sensação de barriga possa acontecer porque a novela correu muito na primeira parte e acostumou mal o telespectador, que ficou viciado num ritmo e sente uma diferença quando a trama desacelera. É o que também ocorre com Avenida Brasil, às nove horas.

Mas vemos personagens de participação efetiva na primeira fase parecerem deslocados agora, ou em segundo plano. Falo de Chayene e sua personal curica Socorro (Cláudia Abreu e Titina Medeiros). Tirando o episódio do reality-show de Chayene, a participação das duas diminuiu, o que se lamenta, já que a dupla movimentou a novela até então, dando aquele sabor delicioso de comédia escrachada. Com Chayene e Socorro um tanto quanto apagadinhas, Cheias de Charme quase cai na simples comédia de situação, ou no melodrama – não fossem outros bons personagens e tramas que garantem o interesse pela história.

Percebe-se que os autores optaram por uma narrativa episódica nesta segunda fase. Primeiro a derrocada da família Sarmento – trama que continua evoluindo e sendo muito bem explorada, com a inversão de papeis: a empregada virou a patroa, e a patroa virou a empregada. Depois veio a falsa gravidez e o reality-show de Chayene. Na sequência, Samuel (Miguel Roncato) encontrou seu pai, Gilson (Marcos Pasquim), o que culminou com a descoberta de Lygia (Malu Galli) sobre a infidelidade do marido Alejandro (Pablo Bellini). Atualmente o foco está em Fabian, que treina o sósia Inácio (Ricardo Tozzi) para substituí-lo nos palcos (numa alusão ao clássico O Príncipe e o Plebeu).

Mirar a novela em subtramas que duram duas ou três semanas é um recurso válido para evitar uma barriguinha e assim manter a audiência e o interesse do público na novela. Cheias de Charme está assim, como um seriado, dividida em episódios. Como pano de fundo, as Empreguetes experimentam todo o prazer e dissabor do sucesso.


Atores em pequenas participações se destacam em “Avenida Brasil”
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Nilson Xavier

Quem acompanha Avenida Brasil já notou a presença de alguns personagens soltos, que aparecem rapidamente na história e depois somem (ou voltam para sumir de novo), apenas para agilizar ou dar uma nova direção a alguma trama. Ou mesmo como personagens-chave em algum mistério – muito recorrente na novela, já que ela está cheia de mistérios.

Entram em cena atores pouco conhecidos do público que vão lá, dão o seu recado e saem da história. Mas deixam suas marcas – talento aliado ao texto de João Emanuel Carneiro e à ótima direção da novela. É o que se constata pela repercussão que eles fazem, ou por quanto são lembrados pelo público. No Twitter, o nomes de seus personagens facilmente chegam aos Trending Topics (os TT´s, os assuntos mais comentados).

No capítulo desta quinta-feira (16/08), a cafetina Neide (Cláudia Assunção) retornou à novela para revelar a Jorginho (Cauã Reymond) que Max (Marcello Novaes) é seu pai. Ela já havia aparecido anteriormente, na ocasião em que o rapaz descobriu que Carminha (Adriana Esteves) era sua mãe biológica.

Como esquecer o Otorrino Rui (Lui Strassburger), namorado de Alexia (Carolina Ferraz) que quase se casou com ela, não fosse Cadinho e Paloma (Alexandre Borges e Bruna Griphao) terem armado para impedir este casório. Ou Sidney (Felipe Titto), o irmão de Tessália (Débora Nascimento), que entrou na novela apenas para confundir o enciumado Leleco (Marcos Caruso).

Durante o sequestro de Carminha, apareceram quatro personagens que esquentaram ainda mais a trama: o detetive Zenon (Mário Hermetto), amigo de Leleco, ainda citado na novela, e os bandidos Moreira (Rodrigo Rangel), Tubarão (Breno de Filippo) e Serjão (Vicentini Gomez).

Ainda: Bernadete (Ângela Dip), a policial em quem Lúcio (Emiliano D´Avilla) tentou dar o golpe do “boa noite cinderela” mas acabou preso por ela;  Ramon (William Vitta), o cafetão que perseguia Suelen (Ísis Valverde); Tio Francisco (Wandi Doratiotto), que revelou a Roni (Daniel Rocha Azevedo) que Soninha Catatau (Paula Burlamaqui) era sua mãe; e muitos outros.


Globo reprisa novamente “Da Cor do Pecado” no Vale a Pena Ver de Novo
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Nilson Xavier

Para a Globo, vale a pena ver de novo e de novo. Pela terceira vez consecutiva, a Globo opta por reprisar na faixa Vale a Pena Ver de Novo uma novela já reapresentada anteriormente. Depois de Mulheres de Areia e Chocolate com Pimenta, é a vez de Da Cor do Pecado voltar à tarde. Entre as outras candidatas à vaga, estavam novelas nunca antes reprisadas, como Meu Bem Querer (1998-1999), O Beijo do Vampiro (2002-2003), O Profeta (2006-2007) e Páginas da Vida (2006-2007).

A escolha por Da Cor do Pecado talvez se explique pela repercussão que a trama teve, tanto na sua apresentação original (de janeiro a agosto de 2004) – foi uma das maiores audiências do horário das 19 horas da Globo -, quanto na sua reprise anterior à tarde (entre maio e novembro de 2007). Também pelo fato de João Emanuel Carneiro ser o autor – o mesmo que faz sucesso atualmente com Avenida Brasil, às 21 horas. E a protagonista é Taís Araújo, que no momento vive a empreguete Penha em Cheias de Charme, o sucesso das 19 horas. Também Da Cor do Pecado é um sucesso de exportação – uma das novelas brasileiras mais vendidas para o exterior.

A trama conta a história de Preta (Taís Araújo), que vai do Maranhão ao Rio de Janeiro fazer com que o milionário Afonso Lambertini (Lima Duarte) reconheça seu filho pequeno Raí (Sérgio Malheiros) como neto dele. O menino é filho de Paco (Reynaldo Gianecchini), o filho de Afonso, dado como morto. Para impedir isso, a vilã Bárbara (Giovanna Antonelli), que também afirma ter um filho com Paco (na verdade o menino Otávio/Felipe Latgé é filho de seu amante Kaíke/Tuca Andrada), arma mil tramoias para desmoralizar Preta, e assim impedir que a herança dos Lambertini seja dividida.

O que ninguém sabe é que Paco tem um irmão gêmeo, Apolo, que vive com a mãe Edilásia (Rosi Campos) e com seus irmãos. Ela tivera os gêmeos com Afonso, mas ficou apenas com Apolo para criar, deixando Paco com o pai. O núcleo de Edilásia – chamada por todos de Mamushka – fez sucesso com o público, pela relação carinhosa da mãezona com seus cinco filhos marmanjões – uma família de lutadores em que apenas o caçula, Aberlardo (Caio Blat), não queria seguir os passos dos irmãos, mas ser maquiador. Outros núcleos de destaque foram o de Pai Helinho (Matheus Nachtergaele), um vidente de araque, e o do casal de trapaceiros Eduardo e Verinha (Ney Latorraca e Maitê Proença).

Guardadas as devidas proporções, Da Cor do Pecado tem algumas semelhanças com Avenida Brasil. Também teve personagem abandonado no lixão – Bárbara é largada lá no dia de seu casamento, vestida de noiva. E a dupla de vilões Bárbara e Kaíke tem as mesmas características de Caminha e Max (Adriana Esteves e Marcello Novaes).

Da Cor do Pecado foi a primeira novela solo de João Emanuel Carneiro, escrita com a colaboração de Ângela Carneiro, Vincent Villari e Vinícius Vianna, sob a supervisão de texto de Silvio de Abreu (35 primeiros capítulos). Direção de Maria de Médicis, Paulo Silvestrini, Denise Saraceni e Luiz Henrique Rios. Direção de núcleo de Denise Saraceni.
Estreia em 24 de setembro no Vale a Pena Ver de Novo.

Saiba mais sobre Da Cor do Pecado no site Teledramaturgia.

Cite novelas que você gostaria de rever no Vale a Pena Ver de Novo!


No Dia dos Pais, relembre pais inesquecíveis das novelas
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Nilson Xavier

André Cajarana (Tony Ramos) com o avô (Lima Duarte) – Pai Herói (1979)

Carinhosos ou severos, modernos ou antiquados, legítimos ou adotivos, a teledramaturgia brasileira já nos apresentou pais de todos os tipos. Relembre alguns que marcaram a nossa TV.

A novela Pai Herói (1979) foi um grande sucesso de Janete Clair, e contava a história de André Cajarana (Tony Ramos), um jovem que luta para limpar o nome de seu falecido pai, conhecido como um contraventor.

Papai Coração (1976) era uma trama importada de Abel Santa Cruz que contava a história da doce relação do paizão Mário (Paulo Goulart) com a filha pequena Titina (Narjara Turetta), que conversava com o espírito de sua falecida mãe. A mesma história foi apresentada no SBT em 2001, Carinha de Anjo, numa produção mexicana.

Carlos Lombardi foi um dos autores que melhor retratou a relação pai e filhos em novelas, sempre famílias problemáticas, com pais separados, mas filhos muito amorosos. Como o Seu Tico (Sebastião Vasconcelos), pai de Tonhão, Rei e Rico (José de Abreu, Guilherme Leme e Guilherme Fontes) em Bebê a Bordo (1988-1989); Lupércio (Claudio Marzo), pai de Lenin, Fidel e Mussolini (Humberto Martins, Marcello Novaes e Luciano Vianna) em Vira-lata (1996); e Giácomo (Elias Gleizer), pai de Lance e Tadeu (Marcos Pasquim e Rodrigo Lombardi) em Pé na Jaca (2007).

Era Uma Vez… (1998) – claramente inspirada no filme A Noviça Rebelde – apresentou o viúvo Álvaro que se apaixonava pela nova governanta Madalena (Drica Moraes) e tinha o total apoio dos filhos pequenos Glorinha, Zé Maria, Marizé e Fafá (Luiza Curvo, Alexandre Lemos, Alessandra Aguiar e Pedro Agum).

Salviano Lisboa (Lima Duarte) – Pecado Capital (1975-1976)

Salviano Lisboa, personagem inesquecível de Lima Duarte na novela Pecado Capital (1975-1976), de Janete Clair, era um pai viúvo e solitário que sonhava com a união de sua prole: Vitória, Vicente, Vilma, Vinícius, Válter e Virgílio (Theresa Amayo, Luiz Armando Queiroz, Débora Duarte, Marco Nanini, João Carlos Barroso e Lauro Góes).

O melhor de Coração de Estudante (2002) era a relação afetuosa entre o professor Edu e seu filho pequeno, Lipe (Pedro Malta), que ele criou praticamente sozinho.

Hipertensão (1986-1987) tinha como mote central a história da bela Carina (Maria Zilda) que desconhecia a identidade de seu pai, até conhecer três velhinhos, que passaram a disputar sua atenção: Candinho, Napoleão e Romeu (Paulo Gracindo, Cláudio Corrêa e Castro e Ary Fontoura). Um deles era seu pai, e o mistério foi desvendado no último capítulo, quando Carina descobriu, teve uma conversa em particular com cada um e ficou claro que sua emoção era maior com Romeu.

Gaspar (Nuno Leal Maia) e os filhos – Top Model (1989-1990)

Um dos destaques da trama de Top Model (1989-1990) era a relação do surfista quarentão Gaspar com seus cinco filhos, de mães diferentes: Elvis Presley, Olivia Newton-John, Jane Fonda, Ringo Starr e John Lennon (Marcelo Faria, Gabriela Duarte, Carol Machado, Henrique Farias e Ígor Lage).

Entre 1991 e 1992, o SBT apresentou a série Grande Pai que mostrava as dificuldades do estressado viúvo Arthur (Flávio Galvão) em educar suas três filhas, de idades diferentes: Jô, Ana e Flor (Patrícia Lucchesi, Paloma Duarte e Vanessa Rubi).

Na novela Bambolê (1987-1988), Álvaro (Cláudio Marzo) era um pai relapso nas coisas práticas da vida, quase irresponsável, um mulherengo inveterado, mas amoroso na relação com suas três jovens filhas: Ana, Yolanda e Cristina (Myrian Rios, Thaís de Campos e Carla Marins).

A prole do Capitão Jonas Rocha (Reginaldo Faria) – Vamp (1991-1992)

Em Vamp (1991-1992), o capitão reformado Jonas Rocha (Reginaldo Faria) era um viúvo com seis filhos – Lipe, João, Jade, Nando, Isa e Tico (Fábio Assunção, Pedro Vasconcelos, Luciana Vendraminni, Henrique Farias, Fernanda Rodrigues e José Paulo Jr.) – que viu a família aumentar quando se casou com Carmem Maura (Joana Fomm), também viúva  e mãe de seis filhos  – Lena, Scarleth, Rubinho, Dorothy, Leon e Sig (Daniela Camargo, Bel Kutner, Aleph Del Moral, Carol Machado, Rodrigo Penna e João Rebello).

Benedito Ruy Barbosa é outro autor que já retratou muito bem dramas familiares envolvendo pai e filhos. Em Pantanal (1990), José Leôncio (Cláudio Marzo) era um pecuarista do Mato Grosso às voltas com o filho criado na cidade grande, Jove (Marcos Winter) e que, ao longo da história, se descobriu pai de dois outros filhos, Tadeu (Marcos Palmeira), que sempre esteve de seu lado, e o misterioso Zé Lucas de Nada (Paulo Gorgulho).

Em Renascer (1993), Zé Inocêncio (Antônio Fagundes) tinha uma difícil relação com seu filho caçula, João Pedro (Marcos Palmeira), a quem ele culpava -  veladamente – da morte de sua mulher, Maria Santa – morta no parto de João Pedro. A situação se complicou quando Zé Inocêncio passou a disputar com o filho o amor da jovem Mariana (Adriana Esteves). O Painho, como era conhecido Zé Inocêncio, tinha outros três filhos, José Augusto, José Bento e José Venâncio (Marco Ricca, Tarcísio Filho e Taumaturgo Ferreira).

Totó (Tony Ramos) com dois de seus filhos – Passione (2010)

Em Passione (2010), a vida de Totó (Tony Ramos), que morava na Itália com seus quatro filhos – Adamo, Agnelo, Agostina e Alfredo (Germano Pereira, Daniel de Oliveira, Leandra Leal e Miguel Roncato) – mudava drasticamente quando foi procurado pela sua mãe, que ele não conhecia, Bete Gouveia (Fernanda Montenegro).

Na novela Cavalo Amarelo (1980), o saudoso ator Rofolfo Mayer viveu o severo empresário Salvador Maldonado, que trazia sua prole em rédeas curtas: os filhos Joana, Téo, Wálter e Lalucha (Márcia de Windsor, Fúlvio Stefanini, Wálter Prado e Marta Volpiani), que o chamavam carinhosamente de Paizão. Com a morte de Maldonado, descobriu-se que ele tinha um filho bastardo, Zeca (Kito Junqueira), seu braço direito nos negócios.

Em Páginas da Vida (2006-2007), Tide (Tarcísio Meira) perdia a mulher, Lalinha (Glória Menezes), mas fazia questão de manter sua prole unida, os seis filhos e os filhos destes, seus netos. Os filhos de Tide eram Carmem, Leandro, Elisa, Márcia, Jorge e Olívia (Natália do Valle, Tato Gabus Mendes, Ana Botafogo, Helena Ranaldi, Thiago Lacerda e Ana Paula Arósio).

Sidney, o Papito (Daniel Dantas) – Cheias de Charme (2012)

Para finalizar, Seu Sidney, carinhosamente chamado de Papito pela filha adotiva, Rosário (Leandra Leal). Cheias de Charme mostra bem a afetuosa relação do homem que tirou uma menina de um orfanato e a criou com carinho, cumprindo as funções e pai e mãe e confirmando a máxima “pai é quem cria e dá amor“.

Cite outros pais marcantes de nossas novelas!


Perto do fim, “Amor Eterno Amor” começa a dar sinais de agilidade na trama
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Nilson Xavier

Faltando pouco menos de um mês para seu término, Amor Eterno Amor – o folhetim das seis da Globo – começa a dar sinais de alguma agilidade para fechar suas histórias. Agilidade esta que faltou ao longo de seus cinco meses de apresentação.

A trama de Elizabeh Jhin arrastou-se por esse tempo todo sem se preocupar com grandes viradas ou ganchos bombásticos. A história resumiu-se à procura de Rodrigo (Gabriel Braga Nunes) por sua amada de infância, Elisa, que acabou arremessada em sua vida por uma armação da vilã Melissa (Cássia Kis Magro) – ela providenciou uma falsa Elisa (Mayana Neiva) para engabelar o rapaz. E, no final das contas, Elisa esteve sempre ao seu lado: era a mocinha Míriam (Letícia Persiles), reencarnação da menina da infância de Rodrigo – que na verdade era o espírito de uma criança que lhe fazia companhia.

Espiritualismo demais e folhetim de menos

A autora já tentara a fórmula “trama folhetinesca + espiritualismo” em sua novela anterior, Escrito nas Estrelas, de 2010. Desta vez, Jhin inverteu a ordem: Amor Eterno Amor foi uma trama espiritual por excelência, em que o folhetim acabou ficando em segundo plano.  Talvez aí a explicação para a maior repercussão de Escrito nas Estrelas quando comparada com Amor Eterno Amor.

Desta vez, a autora foi mais longe no espiritualismo: impôs uma doutrina em detrimento à história romântica – e, consequentemente, acabou por cair no didatismo. Ivani Ribeiro, em sua A Viagem (Tupi, 1975-1976 / Globo, 1994) – um marco espiritualista da nossa teledramaturgia – teve a cautela de primeiro fisgar o público pela história folhetinesca para, aos poucos, inserir a doutrina kardecista na trama.

Elizabeth Jhin soube fazer isso muito bem em Escrito nas Estrelas, mas pecou ao inverter a ordem dos fatores em Amor Eterno Amor - que só não naufragou no marasmo por conta da ótima produção e direção e do talento de alguns atores do elenco, como Cássia Kis Magro e Osmar Prado.

Impor uma doutrina espiritualista afugenta quem não está muito disposto a ser doutrinado. A não ser quando o bônus é uma história realmente cativante.

Saiba mais sobre Amor Eterno Amor no site Teledramaturgia.


Relembre os flagrantes de adultério mais marcantes das novelas
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Nilson Xavier

Nesta terça-feira, 07/08, foi ao ar a cena de Gabriela em que o Coronel Jesuíno Guedes Mendonça (José Wilker) flagra a mulher, Sinhazinha (Maitê Proença), na cama com o amante, o dentista Osmundo (Érik Marmo). Alertado pelas beatas da cidade, o coronel invadiu a casa do rapaz e não pensou duas vezes: lavou a honra com sangue.

Na própria Gabriela, mais para frente, será a protagonista (Juliana Paes) – que vai cair na lábia do sedutor Tonico Bastos (Marcelo Serrado) – a ser flagrada por Nacib (Humberto Martins) – tal qual acontecera na versão original da novela, com personagens vividos por Sônia Braga, Fúlvio Stefanini e Armando Bógus, respectivamente.

Ontem também, na trama das nove, Avenida Brasil, Carminha (Adriana Esteves) – ela mesma traidora do marido – deu um flagra no amante, Maxwell (Marcelo Novaes), aos amassos com sua arqui-inimiga, Nina/Rita (Débora Falabella), garantindo assim a congelada da dupla (aquele efeito de final de capítulo).

“Eu posso explicar!” / “Não é nada disso que você está pensando!”

Flagrantes de adultério são até corriqueiros em novelas. Gilberto Braga é um dos autores que mais se apropria do recurso. Um dos melhores flagras da história de nossas novelas aconteceu em Vale Tudo (1988), quando Afonso (Cássio Gabus Mendes) adentrou o apartamento do mau caráter César (Carlos Alberto Riccelli) e encontrou sua mulher, Fátima (Glória Pires), na cama dele (vídeo abaixo, a partir dos 8 minutos).

Outros flagrantes em novelas de Gilbeto Braga:

Dono do Mundo (1991): Aqui, Glória Pires esteve do outro lado: foi sua personagem, Stella, quem flagrou o marido sacana, Felipe Barreto (Antônio Fagundes), na cama com outra mulher (Letícia Sabatella).

Pátria Minha (1994-1995): o vilão Raul Pelegrine (Tarcísio Meira) pegou a mulher, Tereza (Eva Wilma), deitada com Rafael (Fúlvio Stefanini).

Celebridade (2003-2004): dois flagrantes que merecem citação: Beatriz (Débora Evelyn) em Fernando (Marcos Palmeira), na cama com Maria Clara Diniz (Malu Mader); e Renato Mendes (Fábio Assunção) na mulher, Laura (Cláudia Abreu), deitada com Bruno (Sérgio Menezes).

Paraíso Tropical (2007): Ana Luísa (Renée de Vielmond) pega o marido, Antenor (Tony Ramos), na cama com a amante, Fabiana (Maria Fernanda Cândido).

Insensato Coração (2011): Raul (Antônio Fagundes) dá um flagrante na mulher, Wanda (Natália do Valle), nos braços do irmão dele, Humberto (José Wilker).

Outros flagras notáveis:

Tieta (1989-1990): Perpétua (Joana Fomm) pega o filho, Ricardo (Cássio Gabus Mendes), na cama com a própria irmã, Tieta (Betty Faria) – portanto tia do rapaz. Perpétua fica cega com a cena (vídeo abaixo).


O Cravo e a Rosa (2000-2001): O submisso Cornélio (Ney Latorraca) cansou de ser feito de gato e sapato pela mulher, Dinorá (Maria Padilha), e deu um flagra nela nos braços do amante, Celso (Murilo Rosa).

Quatro por Quatro (1994-1995): O mecânico Raí (Marcelo Novaes) nem teve o que explicar quando a noiva, Babalu (Letícia Spiller), o flagrou com outra mulher (vídeo abaixo).


Belíssima (2005-2006): O caso de Júlia Assumpção (Glória Pires) foi grave: flagrou o marido, André (Marcelo Antony), deitado com a filha dela, Érica (Letícia Birkheuer).

A Próxima Vítima (1995): No dia de seu casamento, Diego (Marcos Frota) pega a noiva, Isabella (Cláudia Ohana), na cama com o tio dela, Marcelo (José Wilker), e lhe dá uma surra que entrou para a história (vídeo abaixo, a partir dos 5 minutos).


A Favorita (2008): Dois flagrantes se destacaram: nos flashbacks que explicam a história, Marcelo (Flávio Tolezani) pegou a mulher, Flora (Patrícia Pillar), com o amante, Dodi (Murilo Benício); e – mais adiante – Elias (Leonardo Medeiros) deu um flagrante na  mulher, Dedina (Helena Ranaldi), com seu amigo, Damião (Malvino Salvador).

Cite outros casos que você lembra! ;)


Por que um remake de “Saramandaia”?
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Nilson Xavier

A Globo já bateu o martelo: a próxima atração da faixa das onze da noite, a estrear ano que vem, será o remake de Saramandaia, novela que Dias Gomes escreveu em 1976. Outra trama que estava no páreo era um remake de Dancin´ Days, mas a Globo preferiu deixar esta para 2014, para que Gilberto Braga, o autor, pudesse se recuperar por completo de seu problema de saúde (no ano passado, ele sofreu um AVC durante uma cirurgia no coração). A adaptação de Saramandaia ficará a cargo de Ricardo Linhares.

“Tranquila, agitada, festiva, absurda… Saramandaia! Realidade fantástica de Dias Gomes!”
(chamada de estreia, em 1976).

A novela original foi ao ar entre maio e dezembro de 1976, no horário das dez da noite da Globo, e tornou-se um clássico de nossa teledramaturgia. Sua maior contribuição foi ter incorporado o realismo fantástico às novelas brasileiras, com alusões ao romance “Cem Anos de Solidão” (1967), de Gabriel García Márquez, e ao filme “Amarcord” (1973), de Fellini.

Saramandaia ficou famosa por sua galeria de personagens bizarros em situações inusitadas:  João Gibão (Juca de Oliveira) possuía asas; Zico Rosado (Castro Gonzaga) soltava formigas pelo nariz; Dona Redonda (Wilza Carla) explodiu de tanto comer; Seu Cazuza (Rafael de Carvalho) cuspia o coração toda vez que se emocionava; Marcina (Sônia Braga), quando excitada, ficava em brasa, queimando tudo ao redor; e o Professor Aristóbulo (Ary Fontoura), além de virar lobisomem, há anos que não dormia, tendo em suas andanças noturnas se encontrado com vultos históricos.

Mas o próprio Dias Gomes rejeitava o rótulo de fantástico para seus estranhos personagens. Certa vez, em entrevista ao Jornal do Brasil, declarou:
Não vejo nada de fantástico nisso. Há gente que não dorme há muito mais tempo. Outros nunca acordaram. O meu chamado realismo fantástico não tem nada de sofisticado. O próprio ponto de partida popular elimina essa hipótese, pois me baseei na literatura de cordel nordestina.”

Dias já usara personagens pitorescos anteriormente: tal qual João Gibão de Saramandaia, o Zelão das Asas, vivido por Milton Gonçalves em O Bem Amado (1973), também voava no último capítulo da novela. Mais tarde, em Roque Santeiro (1985-1986), também houve um lobisomem – Professor Astromar, interpretado por Rui Rezende.

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  • http://televisao.uol.com.br/enquetes/2012/08/03/quem-deve-interpretar-dona-redonda-no-remake-de-saramandaia.js

Mas foi Aguinaldo Silva quem levou a fórmula adiante – ele mesmo um dos roteiristas de Roque Santeiro. Em Tieta (1989-1990), havia a figura da misteriosa Mulher de Branco, que abusava sexualmente de homens desprevenidos em noites de lua cheia. Outro personagem semelhante foi o Cadeirudo, de A Indomada (1997), que atacava mulheres indefesas. Na mesma novela, havia o delegado que caiu num buraco e foi parar no Japão. Em Pedra Sobre Pedra (1992), a flor de Jorge Tadeu (Fábio Jr.) enlouquecia as mulheres que a comiam, enquanto Sérgio Cabeleira (Osmar Prado) se sentia atraído pela lua cheia. Em Fera Ferida (1993-1994) havia a moça que dormia há anos; e o casal de amantes que inflamava a cama quando fazia amor – o que lembra o casal João Gibão e Marcina de Saramandaia.

Independente de Aguinaldo Silva ter esgotado a fórmula, a nova Saramandaia deve gerar curiosidade por conta de suas esquisitices, mesmo porque, já há mais de uma década Aguinaldo não abusa do realismo fantástico em suas novelas. E também porque hoje em dia os recursos tecnológicos para criar cenas incríveis estão avançados, quando comparados com os recursos da década de 1970 – cogita-se inclusive a utilização de 3D para este remake. Em vídeos de Saramandaia, percebe-se que a cena da explosão de Dona Redonda é simplória, mas sem deixar de ser impactante. O chromakey (recurso de sobreposição de imagens) usado numa sequência em que Seu Cazuza vomita o próprio coração é primário, tosco, mas hoje em dia, pode ficar bastante interessante. Por causa de seu apelo surreal, Saramandaia deve despertar a curiosidade do público, pelo que já se conhece dela.

Aferir o sucesso da Saramandaia original unicamente ao realismo fantástico chega a ser leviano. A novela tem a assinatura de Dias Gomes, um mestre na crítica social – que, naqueles anos de ditadura do Regime Militar, era velada. Afora isso, a direção sempre inovadora e perfeccionista de Wálter Avancini e um elenco de primeira. Além dos já citados: Antônio Fagundes (em sua estreia na Globo), Dina Sfat, Yoná Magalhães, Milton Moraes, Sebastião Vasconcelos, Eloísa Mafalda, José Augusto Branco, e outros. Também as participações de Elza Gomes, Carlos Eduardo Dolabella e os dois maiores galãs de novelas da época, Tarcísio Meira e Francisco Cuoco – que viveram D. Pedro I e Tiradentes, personagens históricos que se encontraram com o Professor Aristóbulo (Ary Fontoura) em suas andanças noturnas.

O cantor cearense Ednardo gravou a música Pavão Mysteriozo no início dos anos 1970, e desde então permanecia no ostracismo. Mas a música foi escolhida para a abertura de Saramandaia, tornando-se um grande sucesso popular e fazendo Ednardo conhecido do norte ao sul do país. Impossível não associar a música à novela.

Apesar de sua aura mítica, Saramandaia não chegou a ser um “grande sucesso arrebatador”, tal qual outras novelas das 22 horas anteriores, como Gabriela, um ano antes, ou a própria O Bem Amado, de Dias Gomes. Passada a novidade e a curiosidade sobre os personagens e situações surreais, lá pela metade a novela se arrastou até seu término. Talvez por isso nunca tenha sido reprisada.  Mas é inegável a sua importância dentro da história da TV brasileira.

Agora vamos aguardar as notícias de escalação de elenco. Já existe uma expectativa: quem viverá Dona Redonda? Veja a enquete acima.

Saiba mais sobre Saramandaia no site Teledramaturgia.