Blog do Nilson Xavier

Audiência de “Sol Nascente” sobe mas a novela continua “preguiçosa”

Nilson Xavier

Bruno Gagliasso, Giovanna Antonelli e Rafael Cardoso (Foto: João Miguel Jr./TV Globo)

Bruno Gagliasso, Giovanna Antonelli e Rafael Cardoso (Foto: João Miguel Jr./TV Globo)

As intervenções na novela das seis “Sol Nascente” surtiram efeito. A audiência reagiu. A novela melhorou mesmo? Ou o público (acomodado) acostumou-se a ela?

Já chamei a novela de “preguiçosa”. Refiro-me à trama pouco criativa e pouco original, sem uma história central consistente, muito embasada no blá-blá-blá politicamente correto sobre valores da família e amizade – ainda que travestida de frescor, com núcleos de japoneses, caiçaras e motoqueiros tatuados, cujas tramas, no fundo, nada agregam e nada trazem de novo ao universo da dramaturgia na TV. Conversando com meu amigo Júnior de Sousa, ele me chamou a atenção para algo comum nas novelas de Walther Negrão desde a década de 1990 (e de alguns outros autores) e que se aplica perfeitamente a “Sol Nascente” e à ideia de “novela preguiçosa”: a Lei da Inércia Dramatúrgica.

Ela acontece quando o autor liga chaves já testadas e conhecidas, aprovadas pelo público de trabalhos anteriores; “traveste” a novela com algo diferente como se fosse uma novidade – uma ambientação, um ou mais núcleos ou temas pouco explorados na dramaturgia; muda a fotografia, dá uma “maquiada”. Mas no fundo, é a mesma novela que vem sendo escrita há décadas. Sabemos que o folhetim é a arte da repetição, de se contar sempre a mesma história “só que de uma maneira diferente”. Mas o público brasileiro, com gerações formadas em Teledramaturgia diária, tornou-se expert no assunto e sabe reconhecer quando um autor está meramente se repetindo.

Em seus primeiros quatro meses de exibição (“Sol Nascente” estreou em 29/08/2016), a novela pareceu uma colcha de retalhos de vários outros folhetins, numa narrativa lenta com um amontoado de personagens clichês. Daí o apelido de preguiçosa. Chegou o verão e o fim de ano (quando naturalmente a audiência cai) e um dos autores, Walther Negrão, e a atriz Laura Cardoso (com a melhor personagem da trama) se afastaram por doença. Uma verdadeira força-tarefa foi deflagrada. Providencialmente, “Sol Nascente” teve a orientação de Silvio de Abreu e o reforço do experiente Sérgio Marques na roteirização dos capítulos.

Passado o período de fim de ano, a novela cresceu com mais dinamismo e a volta de Laura Cardoso. O público reagiu e, nas últimas semanas, ela tem registrado boas audiências para o horário: recebe um número bom de “Malhação” e consegue elevá-los a até seis pontos, entregando melhor ainda para o telejornal da sequência. Na semana que passou, “Sol Nascente” teve médias de 24, 24, 25, 24, 22, 22 pontos no Ibope da Grande São Paulo – abaixo dos números da que a antecedeu, “Eta Mundo Bom!” (considerada um sucessão, um ponto fora da curva), mas acima de várias novelas anteriores com tramas bem mais robustas.

Os ajustes verificados nesse mês de janeiro foram positivos. A fim de neutralizar o casal protagonista mal ajambrado – Alice e Mário (Giovanna Antonelli e Bruno Gagliasso) -, foram ganhando destaque na trama os casais Lenita e Vitório (Letícia Piller e Marcello Novaes) e Milena e Ralph (Giovanna Lancelotti e Henri Castelli), até que o público passasse finalmente a torcer por Alice e Mário. Ficou clara a razão da vilania de César (Rafael Cardoso): a vingança pessoal de sua avó, Dona Sinhá (Laura Cardoso), contra Tanaka (Luís Mello). Ou seja, agora o público já sabe exatamente para quem torcer e do que a história se trata. Até o final do ano passado, ainda não sabia.

Voltando à Lei da Inércia Dramatúrgica…

Muitas vezes, o público, apesar de reconhecer a mesma novela, não se cansa de vê-la novamente e aceita-a por puro comodismo (ou falta de algo melhor para fazer, ou algo melhor para assistir em outro canal). Neste caso, a inércia, ou a preguiça, é dos dois lados. O autor enfia aquela história goela abaixo e o telespectador, com o tempo, acata porque a trama e os personagens foram ficando familiares, passaram a fazer parte de seu dia a dia. Excluem-se casos de rejeição, que é quando o público não aceita a trama e, por consequência, a audiência despenca.

Mesmo com as intervenções, “Sol Nascente” não passa de uma história batida, que o público já viu antes e que engoliu novamente. Tem um elenco apenas correto, uma direção muito competente (de Leonardo Nogueira e equipe) e uma estética das mais bonitas. Como embalagem, “Sol Nascente” é linda, tem tomadas cinematográficas. É por excelência uma novela bonita, visualmente falando. É até agradável de assistir. Mas convenhamos, lhe falta tutano!

Colaborou Júnior de Sousa.

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Sobre o autor

Nilson Xavier é catarinense e mora em São Paulo. Desde pequeno, um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: em 2000 lançou o site Teledramaturgia (http://www.teledramaturgia.com.br/), cujo sucesso o levou a publicar o Almanaque da Telenovela Brasileira, em 2007.

Sobre o blog

Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.

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