Blog do Nilson Xavier

Há 40 anos, concorrente da Globo reconheceu publicamente o sucesso da novela Locomotivas

Nilson Xavier

Lucélia Santos em “Locomotivas” (Foto: Nelson di Rago/TV Globo)

Há 40 anos, a TV Tupi, então maior concorrente da Globo, reconhecendo os imbatíveis números de audiência da novela “Locomotivas“, publicou uma nota em jornal convidando o telespectador a assistir primeiro a atração da Globo e depois trocar de canal: “A Rede Tupi mudou a novela ‘Éramos Seis’ para as sete e meia da noite. Assim você não perde as ‘Locomotivas’!“. Curiosamente, 17 anos depois, o SBT fez o mesmo durante o remake da novela “Éramos Seis” que ela exibia: chamou seu público para sintonizar em sua atração quando terminasse o capítulo da global “A Viagem“.

A novela “Locomotivas“, escrita por Cassiano Gabus Mendes e dirigida por Régis Cardoso, foi um grande sucesso do horário das sete. Estreou há exatos 40 anos, em 1º de março de 1977. Pode-se afirmar que ela foi responsável por iniciar um novo padrão entre as tramas do horário na Globo, comédias românticas leves e charmosas, com forte apelo jovem. Um estilo só quebrado nos anos 80, com as comédias rasgadas de Silvio de Abreu. “Locomotivas” era uma produção “ensolarada”, que abusava das externas, com muitas cenas de praia, mostrando um Rio de Janeiro jovem e colorido. Algo novo na época que passou a ser seguido desde então.  Não por acaso: foi a primeira novela inteiramente em cores do horário das sete – a anterior, “Estúpido Cupido”, teve apenas os dois últimos capítulos gravados em cores.

Lucélia Santos e Tony Corrêa / Walmor Chagas e Aracy Balabanian

A trama central era simples, mas extremamente folhetinesca: Milena (Aracy Balabanian) deu a filha para sua mãe criar e a menina cresceu achando que a verdadeira mãe era sua irmã. O problema maior aconteceu quando a filha já crescida, a rebelde Fernanda (Lucélia Santos), se apaixonou pelo namorado de Milena, Fábio (Walmor Chagas), e fez de tudo para melar a relação. Em nome da felicidade da filha, Milena abriu mão de seu amado. Claro que apenas no último capítulo Fernanda descobriu que ela era a sua mãe.

Lucélia Santos estrelava sua segunda novela. Ela havia acabado de sair de “Escrava Isaura” e foi escalada para viver uma patricinha rica e infeliz em “Locomotivas“. Pediu para trocar de papel e ficou com a rebelde e espevitada Fernanda, e impressionou o público e a crítica com um tipo completamente diferente de seu trabalho anterior, a submissa Escrava Isaura. O outro papel ficou com a atriz Elizângela.

As tramas paralelas também agradaram o público. A problemática Patrícia (Elizângela), uma moça rica e infeliz, queria se livrar do julgo do pai tirano. A mãe possessiva Margarida (Mírian Pires) inviabilizava os namoros de seu filho submisso, Netinho (Denis Carvalho), por sentir ciúmes de todas as suas namoradas. E as intrigas da dissimulada Lurdinha (Teresinha Sodré), que fazia de tudo para acabar com o namoro da amiga Gracinha (Maria Cristina Nunes) com o português Machadinho (Tony Corrêa).

Elizângela / Denis Carvalho / Eva Todor

Também a presença de Eva Todor, que imortalizou a personagem Kiki Blanche, uma ex-vedete simpática e carismática, proprietária de um salão de beleza, mãe de Milena, que adotou outros quatros filhos: Fernanda (a filha de Milena) mais Renata (Thaís de Andrade), Paulo (João Carlos Barroso) e a pequena Regina (Gisele Rocha). Kiki Blanche marcou tanto a carreira da atriz que ela voltou a vivê-la 33 anos depois, em uma participação especial no remake da novela “Ti-ti-ti”, que homenageava tramas e personagens de Cassiano Gabus Mendes.

A abertura de “Locomotivas” não tinha nenhum efeito especial, mas marcou época: uma modelo era maquiada e penteada ao som de “Maria-Fumaça” do grupo Black Rio. Ao final, ela levantava da cadeira e, com uma luva de boxe vermelha, dava um soco na câmera. O logotipo criado por Hans Donner e sua então esposa Sylvia Trenker – com o “V” de “Locomotivas” na parte de baixo de um biquíni – soa ousado até para os dias de hoje. As “locomotivas” do título eram uma alusão a uma gíria da época para designar mulher bonita, sensual e poderosa (assim como “pantera”).

Refletindo o sucesso da novela, suas trilhas sonoras venderam como água. Do LP internacional, destacaram-se hits da era disco, como “Young Hearts Run Free” (Candy Staton), “That´s the Trouble” (Grace Jones), “N.Y. You Got Me Dancing” (Andrea True Connection) e “Dance And Shake Your Tambourine” (Universal Robot Band). E também baladas românticas como “Conversation” (Morris Albert), “Sorrow” (Michael Sullivan), “Piu” (Ornela Vanoni), “Sweet Sounds, Oh Beautiful Music!” (Steve MacLean), “Rainy Day” (Richard Young) e “Sad Songs” (Alessi Brothers).

A trilha nacional é uma verdadeira joia dos sebos de hoje em dia, com sucessos como “Eu Preciso Te Esquecer” (Cláudia Telles), “Desencontro de Primavera” (Hermes Aquino), “Filho Único” (Erasmo Carlos, o tema de Netinho), “Locomotivas” (Rita Lee), “Coleção” (Cassiano), “Voo Sobre o Horizonte” (Azimuth) e “Baby” (numa gravação do Quinteto Ternura) – além de “Maria-Fumaça” (Black Rio), o tema de abertura.

AQUI mais informações sobre “Locomotivas” – história, elenco completo, personagens e núcleos, trilha sonora e outras curiosidades.

Fotos: divulgação.
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Sobre o autor

Nilson Xavier é catarinense e mora em São Paulo. Desde pequeno, um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: em 2000 lançou o site Teledramaturgia (http://www.teledramaturgia.com.br/), cujo sucesso o levou a publicar o Almanaque da Telenovela Brasileira, em 2007.

Sobre o blog

Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.

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