Blog do Nilson Xavier http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br Blog do Nilson Xavier - UOL Televisão Mon, 26 Jun 2017 13:05:07 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 “Os Dias Eram Assim” erra ao citar novela censurada por abordar corrupção http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2017/06/26/os-dias-eram-assim-erra-ao-citar-novela-censurada-por-abordar-corrupcao/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2017/06/26/os-dias-eram-assim-erra-ao-citar-novela-censurada-por-abordar-corrupcao/#respond Mon, 26 Jun 2017 11:57:37 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=9247

Ana Miranda, Cássia Kiss e Luiz Felipe Mello (Foto: reprodução)

Cena do capítulo de sexta-feira (23/06) da supersérie “Os Dias Eram Assim“: Gustavo (Gabriel Leoni) chega em casa à noite e encontra a família assistindo televisão: a mãe Vera (Cássia Kiss), a empregada Dalva (Ana Miranda) e o sobrinho pequeno Valentim (Luiz Felipe Mello). A sequência, rápida e didática, serviu apenas para explicar a censura do Governo sobre a TV.

Gustavo: O que vocês estão vendo aí?
Dalva: Estamos assistindo a novela “Champagne”. Essa sua mãe gosta!
Vera: É. O autor está tendo problemas com a censura. A novela fala sobre corrupção no Brasil.
Valentim: O que é censura?
Dalva: Censura é quando cortam, tiram tudo o que não pode ser falado.
Gustavo: É que, quando se fala mal do Brasil, tem muita gente que não gosta. Entendeu?
Valentim: Entendi!

Essa cena, à primeira vista corriqueira, me chamou a atenção por dois motivos. Pela primeira vez a personagem Vera aparece assistindo uma novela, com a desculpa de que ela abordava a corrupção no país. E a novela em questão (“Champagne“), apesar de ter de fato sofrido a ação da censura, nem chegou perto de discutir a corrupção num sentido amplo – ou que pelo menos justificasse Vera gostar dela, como sugeriu o diálogo. Soou gratuito e deslocado.

A trama de “Os Dias Eram Assim” está em 1984, no momento em que a TV Globo exibia “Champagne” em seu horário nobre. A novela não passava de uma trama despretensiosa sobre o mistério de um assassinato ocorrido no passado, com doses de humor e casais em crise. Não fez sucesso, é pouco conhecida e pouco lembrada pela própria Globo (raramente aparece no “Vídeo Show“, por exemplo). Ou seja: apesar de ter liderado a audiência (como toda a grade da emissora), “Champagne” não marcou. Pelo contrário: é mais lembrada pelo vexame de ter perdido no Ibope para as transmissões do carnaval feitas pela TV Manchete em 1984 – único ano em que a Globo não exibiu o carnaval.

Por que Vera, pouco afeita às telenovelas, preferiria essa? Não me parece um produto que casasse com o seu perfil.

Marieta Severo e Cássio Gabus Mendes em “Champagne” (Foto: reprodução)

Na fala da empregada Dalva “Estamos assistindo a novela. Essa sua mãe gosta!“, ela destacou que a patroa Vera não via novela. E Vera se justificou: “A novela fala sobre corrupção no Brasil“. Vera é uma intelectual, dona de uma livraria. Os filhos herdaram dela (e do marido, falecido) a consciência política. A cena deixa claro que sua família não tem o hábito de assistir novela, enquanto a empregada, de forma subliminar, intensifica o clichê de que este é um produto para pessoas “intelectualmente inferiores”, socialmente falando (a patroa não gosta de novela, mas a empregada gosta). Dalva, por sua vez, acaba dando uma ótima definição de censura: “É quando cortam, tiram tudo o que não pode ser falado.” Apesar de assistir novela, teria Dalva, no convívio com a família de Vera, se tornado uma pessoa esclarecida? (contém ironia) Minha crítica, neste ponto, é ao esteriótipo de que a empregada vê novela e a patroa não.

Particularmente durante a década de 1970 (os Anos de Chumbo), a telenovela foi acusada por uma ala intelectual da sociedade de ferramenta de alienação das massas. Como as emissoras de televisão são uma concessão do Governo e eram alvo da Censura Federal, a telenovela era vista pelo meio intelectual como um produto que, ao promover o escapismo da realidade, indiretamente agia a favor do Governo. Acusação injusta, uma vez que vários intelectuais do teatro, incapacitados de trabalhar por causa do Regime, migraram para a TV, mesmo continuando vigiados (Dias Gomes, Lauro César Muniz, Jorge Andrade, Bráulio Pedroso e outros). Esse ranço de que pessoas “intelectualmente esclarecidas” não veem novela perdurou durante muito tempo, mas acabou se suavizando com o passar dos anos.

Cassiano Gabus Mendes, o autor de “Champagne“, desabafou na época: “Eles não querem que se mexa com a realidade, com o que vemos diariamente por ai!” Entre outras coisas, a Censura não gostou de um personagem que era advogado e ladrão – talvez daí a discussão sobre corrupção mencionada em “Os Dias Eram Assim“. Mas era tudo muito sutil e carregado no humor, nada além disso.

Lógico que a cena envolvendo Vera e a novela serviu tão somente para ilustrar e contextualizar a censura na televisão – embora “Champagne” estivesse longe de promover uma discussão acerca de corrupção no Brasil, como sugeriu a supersérie. Se o público torceu o nariz para a novela na época, imagina a intelectual Vera, que nem via novela!

AQUI tem tudo sobre a novela “Champagne“: trama, elenco, personagens, curiosidades, trilha sonora.
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Entenda por que “A Força do Querer” é a melhor novela de Glória Perez desde “O Clone” http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2017/06/23/entenda-por-que-a-forca-do-querer-e-a-melhor-novela-de-gloria-perez-desde-o-clone/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2017/06/23/entenda-por-que-a-forca-do-querer-e-a-melhor-novela-de-gloria-perez-desde-o-clone/#respond Fri, 23 Jun 2017 13:51:44 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=9230

Paolla Oliveira (Jeiza), Rodrigo Lombardi (Caio) e Juliana Paes (Bibi) (Foto: Fabio Rocha/Gshow)

A Força do Querer” está praticamente em sua metade e a novela de Glória Perez já é a mais vista desde “Amor à Vida”, de Walcyr Carrasco, em 2013. E vou além: é a melhor novela da autora desde o sucesso de “O Clone”, exibida entre 2001 e 2002. Depois desta, Glória apresentou as novelas “América” (2005), “Caminho das Índias” (2009) e “Salve Jorge” (2012-2013).

O curioso é que as três tramas subsequentes a “O Clone” são mais parecidas com a própria do que “A Força do Querer” – que considero a mais original das novelas de Glória dos últimos anos. O que me leva a concluir que a fórmula de sucesso de “O Clone” foi repetida nas três tramas seguintes até atingir um desgaste (o auge foi “Salve Jorge”).

Teria o público se cansado das culturas de países distantes (Marrocos, Índia, Turquia), com vestimentas, linguagem (entenda aqui expressões e bordões) e dancinhas exóticas? Vejo duas razões principais.

1. A mudança de diretor

Sai Marcos Schechtmann, que dirigiu as quatro novelas anteriores da autora, entra Rogério Gomes em “A Força do Querer“. Schechtmann deveria trabalhar com praticamente a mesma equipe, o que deixava as novelas muito parecidas. Rogério traz uma proposta estética diferente, dá um novo tom, um novo estilo, outros ares à obra de Glória. Não querendo desmerecer o trabalho de Schechtmann, mas a mudança de diretor foi um importante upgrade para a autora. Sabemos que a maioria dos novelistas têm o seu diretor preferido, mas promover mudança de ares é muito importante, para todos.

2. A correção de erros

Glória Perez está mais comedida em “A Força do Querer”. Ela já não repete nesta novela erros comuns às suas obras anteriores. O primeiro: o número de personagens. Lembra dos 300 atores fazendo figuração de luxo em “Salve Jorge”? “A Força do Querer” tem um elenco enxuto, em que todos aparecem, a maioria com trama ou função. Alguns ainda não se destacaram – mas a novela nem chegou em sua metade. Outros tiveram seus momentos e agora estão em stand-by.

O excesso de fantasia

Lembra da igreja 24h de “Salve Jorge”? Do wi-fi na caverna da Turquia? Do assassinato no elevador sem câmera do hotel de luxo? Uma boa dose de fantasia é inerente a todo folhetim. “É preciso voar!“, diria Glória. Mas convenhamos que a autora extrapolava. “A Força do Querer” tem uma trama em que o romance exacerbado se impõe à fantasia. Tirando um ou outro exagero, a trama é bastante crível. Por isso sinto Glória mais comedida. É possível embarcar na história, comprar os dramas dos personagens, sem se sentir subestimado ou lesado (ok, agora fui eu quem exagerou!).

Fora isso, as qualidades de “A Força do Querer” vão além da proposta estética e da trama bem urdida. Um elenco primoroso, bem dirigido, em cenas bonitas, de bom gosto. Diferente das três anteriores da autora, “A Força do Querer” é praticamente uma novela redondinha, tudo se encaixa, não há excessos. Como todos gostam.

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12 anos depois, a novela “Alma Gêmea” continua viva nos memes da internet http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2017/06/21/12-anos-depois-a-novela-alma-gemea-continua-viva-nos-memes-da-internet/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2017/06/21/12-anos-depois-a-novela-alma-gemea-continua-viva-nos-memes-da-internet/#respond Wed, 21 Jun 2017 16:09:04 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=9209

No que depender da internet, vários personagens de TV que povoam o imaginário popular não morrerão nunca. Ou pelo menos serão visitados de tempos em tempos.

Mais recentemente, os gringos descobriram a Cuca do “Sítio do Picapau Amarelo” (a versão de 2001). Antes disso, chamaram uma das várias caretas de Nazaré Tedesco (Renata Sorrah na novela “Senhora do Destino”) de “Confused Lady”, com fórmulas matemáticas para ilustrar.

Aqui no Brasil, personas reais, como Gretchen, Inês Brasil, Ana Maria Braga, Susana Vieira e Glória Maria, divertem as redes sociais sob a forma de memes, geralmente em ótimas sacadas.

Há um bom tempo tenho notado na internet a presença constante de duas figuras marcantes de nossa Teledramaturgia: as vilãs Débora e Cristina da novela “Alma Gêmea”, mãe e filha interpretadas pelas atrizes Ana Lúcia Torre e Flávia Alessandra.

A novela completou nessa semana doze anos de sua estreia. Escrita por Walcyr Carrasco, “Alma Gêmea” foi um fenômeno, tanto em audiência quanto repercussão, na exibição original, em 2005, e na reprise no “Vale a Pena Ver de Novo”, entre 2009 e 2010.

Pela proposta de interpretação das atrizes, exageradamente teatral e over, Débora e Cristina rendem várias imagens (gifs) que ilustram perfeitamente um número incontável das mais variadas situações. Servem para tudo! Um gif de Cristina em chamas, gritando QUE HINO vem sendo muito replicado de uns tempos para cá.

Conversei sobre o assunto com o Forum PAN, o grupo na internet que popularizou esses memes de Débora e Cristina: “Os gifs surgiram em 2009-2010, com a reprise da novela. (…) A cena da morte de Débora, envenenada depois de tomar um refresco, é tão expressiva que é possível usar em diversas ocasiões.” Os memes com Débora fizeram tanto sucesso que até hoje os fãs continuam criando gifs – inclusive da atriz Ana Lúcia Torre em outras novelas que ela participou.

Antes da Gretchen fazer sucesso nesse segmento, Susana Vieira e a personagem Débora dominavam esse ‘mercado de gifs’. Após o sucesso da Gretchen, isso parou um pouco, mas ainda usamos muito os bordões e gifs da cena da morte da Ana Lúcia em ‘Alma Gêmea’. Porque é um gif que diz tudo e você praticamente não precisa dizer nada, ele expressa por você!

O meme de Cristina em chamas gritando QUE HINO é mais recente. “A gente tinha essa mania de gritar QUE HINO para qualquer coisa, desde música até filme. O gif dela gritando deu muito certo para legendar isso. (…) Tem vários dessa cena da morte da Cristina: ela sendo puxada pro espelho, pondo fogo na casa, colocando a tiara na cabeça, etc.

Em tempo: na trama de “Alma Gêmea”, Débora prova do próprio veneno, literalmente: ela põe veneno no refresco para matar outra personagem e acaba tomando o copo errado. Já Cristina morreu em um incêndio e sua alma foi para o inferno.

Acesse o banco de gifs da Débora AQUI.
Saiba tudo sobre “Alma GêmeaAQUI: elenco completo, trama, personagens, curiosidades, etc.
Leia também: “Após Nazaré, Cuca do Sítio vira meme internacional e confunde gringos
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Pasmaceira na trama de “O Rico e Lázaro” pode explicar a baixa audiência da novela http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2017/06/20/pasmaceira-na-trama-de-o-rico-e-lazaro-pode-explicar-a-baixa-audiencia-da-novela/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2017/06/20/pasmaceira-na-trama-de-o-rico-e-lazaro-pode-explicar-a-baixa-audiencia-da-novela/#respond Tue, 20 Jun 2017 12:30:14 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=9199

Igor Rickli e Dudu Azevedo (Foto: divulgação/Rede Record)

Há mais de duas semanas não acontece absolutamente nada de relevante na trama de “O Rico e Lázaro”, a atual novela bíblica da Record. O último fato marcante foi a morte do personagem Chaim (Henri Pagnoncelli) no capítulo 60, exibido na sexta-feira do dia 02/06.

De lá para cá, pequenos acontecimentos tentam em vão esquentar a trama da novela: a luta entre Asher (Dudu Azevedo) e outro escravo, Dalila (Juliana Kelling) julgada por ter invadido sonâmbula o quarto de Nabucodonosor (Heitor Martinez), a prisão de Shag-Shag (Cássia Linhares). A novela se vale de seu elenco numeroso para rechear os capítulos e assim disfarçar o marasmo.

A Record informa que as gravações de “O Rico e Lázaro” estão adiantadíssimas. A novela estreou em meados de março e tem previsão para acabar em novembro, totalizando oito meses de exibição. Porém, até sua metade (daqui um mês) ela já terá encerrado suas gravações. A Record até já exibe uma pequena chamada da trama substituta, “Apocalipse” (que só estreia em novembro).

A audiência de “O Rico e Lázaro” é a menor entre as novelas bíblicas do horário. Até o capítulo 70, acumula uma média geral de 10.4 pontos no Ibope da Grande São Paulo, bem abaixo de “A Terra Prometida” (14.5), “Os Dez Mandamentos, 2ª temporada” (15.6, finalizada no capítulo 66), e “Os Dez Mandamentos” (13.1).

Claro que parte dessa queda se deve ao sinal da emissora cortado da TV a cabo em SP desde o início da novela. Entretanto, há de se considerar também a fatia do público que abandona a Record quando termina a atração anterior. “O Rico e Lázaro” não tem conseguido segurar o telespectador que acompanha “A Escrava Isaura”, que já está em sua terceira reprise e tem dado mais audiência que a trama bíblica inédita (11 x 10,4 pontos na última semana).

O Rico e Lázaro” enfrenta ainda o momento de maior promoção de “A Força do Querer”, na Globo. Essa sim, repleta de acontecimentos a cada capítulo.

Pesquisa de dados de audiência: Fábio Dias.
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“Malhação” exibe beijo lésbico às vésperas da Parada LGBT http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2017/06/16/malhacao-exibe-beijo-lesbico-as-vesperas-da-parada-lgbt/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2017/06/16/malhacao-exibe-beijo-lesbico-as-vesperas-da-parada-lgbt/#respond Fri, 16 Jun 2017 21:48:33 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=9185

Malhação Viva a Diferença” realmente está fazendo a diferença. No capítulo dessa sexta-feira (16/06) rolou um beijo lésbico na novelinha vespertina. Em uma festa Anos 80, Lica (Manoela Aliperti) resolveu beijar geral, e não poupou nem as amigas. Deu um beijo em K1 (Talita Younan) e depois pegou Samanta (Giovanna Grigio) – essa última cena não foi mostrada, apenas sugerida. Tudo isso às vésperas da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, que acontece no domingo, 18/06. Um dos diferenciais da atual temporada de “Malhação” é a ambientação na cidade de São Paulo.

O amigo Sergio Santos (@zamenza) me alertou no Twitter que não foi a primeira vez que teve beijo gay na “Malhação“. No encerramento da temporada “Sonhos” (em 2015), aconteceu um beijo geral, com vários casais, inclusive homoafetivos (imagem abaixo).

Leia também:Viva a Diferença: Cao Hamburger inova a Malhação na forma e conteúdo“.
Imagens: reprodução.
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“Estavam todos eufóricos” diz ator brasileiro que gravou com o elenco de Sense8 na Parada LGBT http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2017/06/16/estavam-todos-euforicos-diz-ator-brasileiro-que-gravou-com-o-elenco-de-sense8-na-parada-lgbt/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2017/06/16/estavam-todos-euforicos-diz-ator-brasileiro-que-gravou-com-o-elenco-de-sense8-na-parada-lgbt/#respond Fri, 16 Jun 2017 10:00:58 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=9156

Foto: reprodução

Há pouco mais de um ano, o ator paulistano Eduardo Semerjian gravava sua participação na série da Netflix “Sense8”, durante a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Ele e Bruno Fagundes foram os únicos atores brasileiros a participar da série. Bruno aparece rapidamente em uma cena. Eduardo tem uma participação maior, em duas sequências, inclusive na apoteótica passagem dos atores de “Sense8” na Parada. As cenas estão no sexto episódio da última temporada disponível na Netflix. Conversei com o ator que me contou como foram as gravações.

A escalação

Foi um processo interno. A Netflix firmou uma parceria com a O2 [produtora brasileira] para a produção em São Paulo. Houve uma seleção. Como o pessoal da O2 me conhecia e sabia que eu dominava o inglês, me chamaram para um teste. Fiz o teste e ganhei o papel do anfitrião da Parada.
Seu personagem recepciona Lito Rodriguez, Hernando e Daniela (Miguel Ángel Silvestre, Alfonso Herrera e Eréndira Ibarra) no aeroporto e, em outra sequência, apresenta os personagens durante o evento, do alto do carro, para a multidão na Avenida Paulista.

Foto: reprodução

As gravações

Foram quatro diárias: 1 dia para o teste, 1 dia para a prova do figurino e 2 dias para as gravações. O primeiro dia de gravação foi no aeroporto e, depois, a simulação da Parada [antes do evento em si]. Em Congonhas, gravamos no meio das pessoas que estavam no aeroporto naquele momento, eu e os figurantes recepcionando os personagens que chegaram [Lito, Hernando e Daniela].

O segundo dia de gravação foi durante a Parada (no domingo, 29/05/2016), no alto do carro, onde estavam presentes os oito sensates: além do mexicano Lito, o motorista queniano Capheus “Van Damme” (Toby Onwumere), a coreana Sun (Doona Bae), a hacker americana Nomi (Jamie Clayton), a indiana Kala (Tina Desai), o alemão Wolfgang (Max Riemelt), a DJ islandesa Riley (Tuppence Middleton) e o ex-policial Will (Brian J. Smith).

Eduardo Sermejian com o atores de Sense8 (Foto: arquivo pessoal do ator)

Sobre a equipe de Sense8 e a gravação na Parada

Destaco a simplicidade de todos da produção: atores, técnicos e diretores. Todos muito focados no trabalho, sem o menor sinal de superioridade. E todos me receberam muito bem, simpáticos, como se eu já fizesse parte da equipe!
Os atores estavam curtindo, se divertindo muito [com a parada]. Estavam todos muito eufóricos.
No princípio fiquei apreensivo [na hora de gravar], eu não sabia como o público iria reagir a mim. Foi muito intenso, estar ali no caminhão na frente daquele mar de gente.

Outros trabalhos

Na TV aberta, Eduardo Semerjian é mais conhecido pelo papel de André Matarazzo, o primeiro marido da cantora Maysa, vivida por Larissa Maciel, na minissérie “Maysa, Quando Fala o Coração”, de Manoel Carlos, exibida em 2009. O personagem (real) era pai do diretor da produção, Jayme Monjardim.

Logo Semerjian poderá ser visto em outras duas séries da TV a cabo: a última temporada de “O Negócio” (HBO) e “Rotas do Ódio” (Universal Channel), ambas para 2018. No teatro, o ator concluiu em fevereiro, em São Paulo, a temporada da peça “Tróilo e Créssida”, dirigida por Jô Soares.

Eduardo Semerjian e Larissa Maciel em “Maysa, quando fala o coração” (Foto: Acervo Globo)

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40 anos de Espelho Mágico, a novela com outra novela dentro, uma das mais polêmicas da TV http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2017/06/14/40-anos-de-espelho-magico-a-novela-com-outra-novela-dentro-uma-das-mais-polemicas-da-tv/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2017/06/14/40-anos-de-espelho-magico-a-novela-com-outra-novela-dentro-uma-das-mais-polemicas-da-tv/#respond Wed, 14 Jun 2017 10:00:40 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=9120  

Há 40 anos, o novelista Lauro César Muniz propôs uma ideia inovadora para o universo da telenovela: desvendar para o público os bastidores da produção de uma novela de televisão e os problemas enfrentados pela classe artística. As chamadas de estreia deixavam claras as intenções do autor:

Espelho Mágico – revelando a você a vida de um famoso casal de televisão, o aparecimento de um novo autor de novelas, de um velho cômico do teatro de revista, a ambição de uma jovem atriz, o fracasso de uma outra, e daquela que abandonou a carreira por um bom casamento. Você vai conhecer a verdade de uma bailarina, de um jornalista, de uma vedete de teatro. Tudo o que você sempre quis saber sobre a vida no teatro, cinema e TV. Espelho Mágico, onde a vida imita a arte!”

Para interromper o processo de que os artistas são mitos inatingíveis, a novela procurou mostrar o outro lado, isto é, que eles são, no dia a dia, pessoas comuns. Uma ideia genial de Lauro César, mas incompreendida pelo grande público.

A novela dentro da novela

Espelho Mágico” foi dividida entre a realidade cotidiana – os atores-personagens vivendo suas vidas e problemas – e a arte através dos espetáculos, principalmente através da peça de teatro e da novela produzidas em sua trama. “Espelho Mágico” era estrelada pelo casal Tarcísio Meira e Glória Menezes, que viviam um famoso casal de atores: Diogo Maia e Leila Lombardi, protagonistas de uma novela de televisão. Assim, o público assistia a duas novelas: “Espelho Mágico” e, dentro dela, “Coquetel de Amor”, a novela dentro da novela – escrita por Jordão Amaral (Juca de Oliveira), dirigida por João Gabriel (Daniel Filho, o próprio diretor de “Espelho Mágico“) e, ainda no elenco, os atores Paulo Morel (Tony Ramos), Diana Queiroz (Vera Fischer), Nora Pelegrine (Yoná Magalhães), Cynthia Levy (Sônia Braga) e outros.

O público não entendeu

A metalinguagem proposta por Lauro César Muniz não foi bem captada pelo telespectador, o que fez de “Espelho Mágico” uma das produções mais polêmicas da história de nossa televisão. A repercussão foi mais pelos comentários que suscitou do que pela audiência alcançada. Por incrível que pareça, o público estava mais interessado na trama de “Coquetel de Amor” do que nos problemas dos artistas de “Espelho Mágico”. Daniel Filho, o diretor, desabafou em seu livro “O Circo Eletrônico”:

Hoje, para mim, é claro que, para fazer uma paródia revelando os truques a que recorríamos para fazer as novelas, devíamos utilizar outros gêneros que não a própria novela. Foi uma queda de quase 20 pontos na audiência, numa época em que a TV Globo era a dona absoluta no horário. (…) Possivelmente, se tivéssemos feito uma novela sobre os heróis da televisão sem expor os seus defeitos, o resultado não tivesse sido tão repudiado.

O diretor vivido por Daniel Filho dirigindo o personagem de Milton Moraes

Plágio

A trama de “Coquetel de Amor” foi acusada de plágio, principalmente em seu entrecho central, que lembrava nitidamente outra novela: “O Semideus” (1973-1974), de Janete Clair. O acidente de iate forjado para eliminar o protagonista de “O Semideus” foi recriado em “Coquetel de Amor”. Com sua trama metalinguística, Lauro César Muniz quis fazer referências a cenas marcantes de histórias de seus colegas. Janete Clair não gostou dessa citação à sua novela. Mas não foi intenção de Lauro César criticar a obra de Janete. A ideia do autor era brincar com as diversas e repetitivas tramas folhetinescas. “É um coquetel carinhoso de todas as novelas”, explicou Lauro César Muniz, fazendo alusão a outra obra sua, “Carinhoso” (1973-1974).

Atores reais entre os atores ficcionais

No elenco, os atores-personagens de “Espelho Mágico“, como Diogo Maia e Leila Lombardi, misturavam-se a atores reais, como Bibi Vogel, que atuava na peça “Cyrano de Bergerac” montada dentro da novela, e Nelson Caruso, Jorge Botelho e Maria Lúcia Dahl, que estavam em “Coquetel de Amor“. E enquanto Daniel Filho dirigia “Espelho Mágico“, seu personagem, João Gabriel, dirigia “Coquetel de Amor“.

Carlos Eduardo Dolabella e Vera Fischer

A classe jornalística reclamou

Alguns jornalistas sentiram-se atingidos por causa do personagem Edgar Rabelo (Carlos Eduardo Dolabella), especializado em cobertura jornalística do mundo artístico, por usar de vários artifícios para entrevistar os atores, além de algumas vezes escrever matérias bombásticas sobre televisão – muito antes do venenoso colunista Téo Pereira, vivido por Paulo Betti em “Império” (2014-2015), de Aguinaldo Silva. De quebra, na trama, Edgar era colunista da fictícia revista Magia, anagrama de Amiga, famosa revista sobre televisão. Rapidamente a revista da vida real viu provocação tanto no jornalista quanto na revista da ficção.

Personagens baseados nos próprios atores

Além de Tarcísio e Glória, que viviam na ficção um famoso casal de atores de televisão (como na vida real), outros atores do elenco também tiveram suas trajetórias retratadas em “Espelho Mágico”. Vera Fischer, estreando em novelas, vivia uma ex-miss que tentava a carreira de atriz de TV, depois de ter participado de pornochanchadas no cinema. Djenane Machado interpretava uma atriz de teatro de revista, como o pai, vivido por Lima Duarte. Djenane é filha de Carlos Machado, considerado o “rei da noite carioca” nos anos 1950 e 1960. A atriz cresceu no auge da era dos teatros de revista, entre a produção de shows e espetáculos de teatro produzidos e dirigidos pelo pai.

Tony Ramos, Sônia Braga e Lídia Brondi

A travesti teve que sair da novela

Pela primeira vez na história de nossas telenovelas, uma travesti ganhou um papel: Cláudia Celeste era uma corista do teatro de revista de Carijó (Lima Duarte) que ensinava coreografias à personagem de Sônia Braga. Mas Cláudia entrou para o elenco da novela sem que Daniel Filho soubesse de que se tratava de uma travesti (na época do Regime Militar, travestis eram proibidas de aparecer na televisão). Descoberta, Cláudia teve que sair de cena.

A crítica aplaudiu

Espelho Mágico” foi premiada pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) como Melhor Novela de 1977. Lídia Brondi ganhou o prêmio de Revelação e Lima Duarte foi o Melhor Ator (juntamente com Mário Lago e Antônio Fagundes, pela novela “Nina”, e Carlos Augusto Strazzer, por “O Profeta”).

AQUI tem tudo sobre “Espelho Mágico”: trama, elenco completo, trilha sonora e mais curiosidades.
Fotos: Acervo/TV Globo.
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Viva exibirá a novela do Cigano Igor e duas outras dos anos 80; saiba quais http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2017/06/13/viva-exibira-a-novela-do-cigano-igor-e-duas-outras-dos-anos-80-saiba-quais/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2017/06/13/viva-exibira-a-novela-do-cigano-igor-e-duas-outras-dos-anos-80-saiba-quais/#respond Tue, 13 Jun 2017 22:41:17 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=9122

Ricardo Macchi e Tereza Seiblitz em “Explode Coração”

O canal Viva me confirmou os títulos das próximas novelas que irá reprisar, com estreias previstas para dezembro de 2017 e janeiro de 2018. Só não tem ainda as datas exatas e os horários de exibição, ou quais substituirão quais.

Explode Coração”, de Glória Perez, exibida originalmente entre 1995 e 1996, nunca reprisada. Mais famosa por ter imortalizado a figura do Cigano Ígor, personagem do então pretendente a ator Ricardo Macchi. Foi também a primeira imersão de Glória na cultura de um povo exótico aos nossos olhos, o cigano. A internet (como conhecemos hoje) estava apenas engatinhando e a autora criou um romance entre duas pessoas que se conhecem pela rede, uma novidade na época. Glória ainda incluiu na trama uma campanha por crianças desaparecidas. E fez muito sucesso o casal divertido Lucineide e Salgadinho, vivido por Regina Dourado e Rogério Cardoso, com o bordão “Stop, take it easy! Me poupe, me economize!”. No elenco, também Tereza Seiblitz, Edson Celulari, Maria Luísa Mendonça, Françoise Forton, Paulo José, Eliane Giardini, Laura Cardoso, Stênio Garcia, Leandra Leal e outros. Saiba tudo sobre “Explode Coração” AQUI.

Lucélia Santos, Marcos Paulo e Sergio Viotti em “Sinhá Moça”

Sinhá Moça”, de Benedito Ruy Barbosa, a primeira versão, exibida em 1986. Dez anos após “Escrava Isaura”, com Lucélia Santos, como a mocinha, e Rubens de Falco, como o vilão, a Globo voltou a investir em uma novela de época sobre o período da escravatura com os dois atores, visando o mercado internacional e o sucesso da escrava lá fora. Dessa vez, Sinhá Moça (Lucélia) era filha do vilão, o Barão de Araruna (Rubens), fazendeiro escravocrata em conflito com a filha, que era a favor da abolição. No elenco, também Marcos Paulo, Elaine Cristina, Raymundo de Souza, Mauro Mendonça, Daniel Dantas, Patrícia Pillar, Chica Xavier, Grande Otelo, Ruth de Souza, Sérgio Viotti e outros. “Sinhá Moça” teve um remake em 2006, com Débora Falabella e Osmar Prado. Saiba tudo sobre “Sinhá Moça” AQUI.

Maitê Proença, Paulo Goulart e Glória Menezes em “Jogo da Vida”

Jogo da Vida”, de Silvio de Abreu, no ar pela primeira vez entre 1981 e 1982. Inspirada em um argumento de Janete Clair, a novela começou como um dramalhão às sete horas, mas foi ganhando humor à medida que fazia sucesso, e terminou como uma comédia rasgada, abrindo espaço para o autor revolucionar o horário em seu trabalho seguinte, “Guerra dos Sexos”. Era a novela dos cupidos, em que parte dos personagens perseguia um cupido de bronze que escondia milhares de dólares. No elenco, Glória Menezes, Gianfrancesco Guarnieri, Raul Cortez, Rosamaria Murtinho, Paulo Goulart, Maitê Proença, Carlos Augusto Strazzer, Débora Bloch, Mário Gomes e outros. Saiba tudo sobre “Jogo da Vida” AQUI.

Fotos: Acervo/TV Globo.
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Suicídio, bala perdida, tragédia no mar e outras mortes curiosas de atores de Fera Radical http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2017/06/13/suicidio-bala-perdida-tragedia-no-mar-e-outras-mortes-curiosas-de-atores-de-fera-radical/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2017/06/13/suicidio-bala-perdida-tragedia-no-mar-e-outras-mortes-curiosas-de-atores-de-fera-radical/#respond Tue, 13 Jun 2017 10:00:52 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=9098

Uma probabilidade: quanto mais antiga a novela, maior o número de atores do elenco falecidos. Apesar de 29 anos de sua produção, “Fera Radical” (atualmente no canal Viva) traz um número curioso: um terço de seus atores já nos deixou. Tudo bem que a novela tem um elenco enxuto, até para os padrões de sua época. Mas o que dizer das mortes, digamos, pouco comuns de parte desse elenco?

Tragédia em alto mar

Yara Amaral, que vivia a vilã Joana Flores, faleceu pouco mais de um mês após o último capítulo da novela. A atriz foi uma das vítimas da tragédia do Bateau Mouche, no réveillon de 1989. Levando um grupo de turistas para assistir, do mar, à queima de fogos de Copacabana, o barco Bateau Mouche IV afundou na baía de Guanabara, em 1º de janeiro de 1989. Yara tinha 52 anos.

Yara Amaral | Cazarré

Bala perdida

Podemos chamar de uma “morte estúpida”. O ator Cazarré (Robério na novela) foi atingido no peito por uma bala perdida enquanto dormia em seu apartamento, em Copacabana. Ele faleceu em 26 de fevereiro de 1992 e tinha 57 anos.

Suicídio

Luís Maçãs tinha 25 anos quando interpretou o estudante Dudu em “Fera Radical”. Ele cometeu suicídio aos 33 anos, em 27 de julho de 1996. Sua morte nunca foi esclarecida pela família, sabe-se apenas que ele passava por uma depressão.

Luís Maçãs | George Otto

Enfarte fulminante

George Otto viveu o playboy Rafael em “Fera Radical”. Ele faleceu pouco mais de dois anos após a novela. O jovem ator foi vítima de um enfarte fulminante em 4 de agosto de 1991. Tinha apenas 36 anos de idade.

Aids

Não é uma morte incomum, mas fica o registro, pelos atores terem morrido tão jovens. Thales Pan Chacon (Heitor na novela) e Cláudia Magno (Vick na novela) perderam a batalha contra a Aids nos anos 90. Thales faleceu em 2 de outubro de 1997, aos 41 anos. Cláudia morreu em 6 de janeiro de 1994, tinha 36 anos.

Thales Pan Chacon | Claudia Magno

As outras mortes do elenco de “Fera Radical“:

Elias Gleizer (Donato): faleceu em 16 de maio de 2015, aos 81 anos, em decorrência de complicações causadas por uma broncopneumonia.

Rodrigo Santiago (Jorge): faleceu em 13 de outubro de 1999, aos 56 anos, de insuficiência cardíaca após uma cirurgia.

Paulo Goulart (Altino): faleceu em 31 de março de 2014, aos 81 anos. Tinha câncer.

Fotos: reprodução.
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Elias Gleizer | Rodrigo Santiago | Paulo Goulart

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Viva a Diferença: Cao Hamburger inova a Malhação na forma e conteúdo http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2017/06/11/viva-a-diferenca-cao-hamburger-inova-a-malhacao-na-forma-e-conteudo/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2017/06/11/viva-a-diferenca-cao-hamburger-inova-a-malhacao-na-forma-e-conteudo/#respond Sun, 11 Jun 2017 10:00:32 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=9086

Lina Agifu, Juan Paiva e Heslaine Vieira (Foto: reprodução)

Na coletiva de imprensa de “Malhação, Viva a Diferença”, perguntei a Cao Hamburger, seu idealizador, se o programa retrataria a juventude paulistana que frequenta lugares como a Praça Roosevelt e o Baixo Augusta – já que a maior propaganda da novela era o jovem de São Paulo e sua diversidade. Ele respondeu que estava fora do escopo do programa.

Nem poderia ser, afinal “Malhação” é exibida à tarde e mira um público adolescente, menor de idade. E por mais que a proposta seja realista, seu compromisso com a realidade pode ser bem flexível. É ficção, não é documentário.

Porém, sempre me incomodou a maneira como “Malhação”, na maioria das vezes, retratou o jovem: de forma idealizada, romantizada, ou didática, mesmo quando abordou a problemática da juventude (e algumas vezes o fez muito bem). A “juventude de mentirinha do Projac”.

Em “Viva a Diferença”, Cao Hamburger esbarra nas limitações próprias do formato. O programa tem histórias já vistas anteriormente: gravidez precoce, discussão sobre racismo, adolescentes que sofrem com a separação dos pais, ricos vs. pobres. Mesmo assim, Cao consegue sair do lugar comum e imprimir sua marca ao mesmo tempo em que injeta frescor nas tardes da Globo – na forma e no conteúdo.

As meninas protagonistas são ótimas, tanto as personagens, muito ricas, quanto as atrizes que as interpretam: Ana Hikari (Tina), Daphne Bozaski (Benê), Gabi Medvedovski (Keila), Heslaine Vieira (Ellen) e Manoela Aliperti (Lica). Todas têm chance de brilhar e é tudo pensando para que essa dosagem seja homogênea. Não há um protagonismo.

Lina Agifu | Heslaine Vieira (Foto: divulgação/TV Globo)

Junto ao sotaque carioca – outra marca registrada de mais de vinte anos de “Malhação” – entra o paulistanês e o sotaque neutro (as atrizes são de regiões diversas). Outra novidade é o programa não limitar-se à cidade cenográfica. Apesar de a maioria das cenas serem gravadas nos Estúdios Globo, no Rio, a paisagem urbana de São Paulo é presente.

Porém, o maior diferencial é o texto. Uma mistura muito feliz de velhos chavões de “Malhação” com uma dramaturgia envolvente. O jovem de Cao Hamburger não é estúpido e nem boçal. Também não o vejo idealizado, romantizado. O autor se mantem fiel à proposta de discutir a diferença usando velhos clichês, mas de forma eficiente.

No capítulo da última sexta-feira (09/06), houve uma longa cena sobre racismo e preconceito social. A lente de aumento na personagem racista Mitsuko (Lina Agifu) – necessária para demarcar a discussão – poderia facilmente cair no discurso batido da dualidade “os bons vs. os maus”, a classe dominante opressora vs. o negro pobre vitimizado. Mas Mitsuko, Ellen (Heslaine Vieira) e Anderson (Juan Paiva) são personagens tão bem elaborados que dão credibilidade à ação.

Isso acontece quando há a construção minuciosa dos personagens e cumplicidade entre texto, direção e atores. A sequência toda foi ótima, bem escrita, dirigida e interpretada. O clichê fica crível quando o personagem tem estofo, o texto não subestima o público e a direção está em total sintonia com a proposta. Viva a Malhação diferente das outras!

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