Blog do Nilson Xavier http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br Blog do Nilson Xavier - UOL Televisão Fri, 20 Jul 2018 15:16:02 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Palmas para Letícia Colin! Rosa é a protagonista moral de “Segundo Sol” http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/07/20/palmas-para-leticia-colin-rosa-e-a-protagonista-moral-de-segundo-sol/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/07/20/palmas-para-leticia-colin-rosa-e-a-protagonista-moral-de-segundo-sol/#respond Fri, 20 Jul 2018 14:09:44 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=13160

Foto: reprodução

Excelente 1

A trama de amor de Beto Falcão (Emílio Dantas) e Luzia (Giovanna Antonelli) – que envolve a farsa da morte do cantor e o crime do qual ela é acusada, que a afastou dos filhos – deveria nortear a novela “Segundo Sol“. Deveria. Mas desde o início da Copa está em banho-maria. A bem da verdade, a farsa do cantor esgotou-se. Serão necessários novos desdobramentos para fazê-la andar. O que é uma pena, já que o talentoso Emílio Dantas está desde então relegado a segundo plano.

O que faz a história principal se movimentar é a trama da “marishquera” engabelada pela dupla do mal Karola & Laureta (Deborah Secco e Adriana Esteves) – já apelidada de Pink & Cérebro. É aí que vem despontando uma peça importante: a prostituta Rosa – que tem rendido toda a sorte de elogios à sua intérprete, Letícia Colin. Motivada por uma vingança pessoal contra Laureta, Rosa, parece (porque eu não leio spoilers!), trará à tona todas as maldades da vilã.

Mocinhos insossos fazem vilões tirar férias. Onde fica o conflito? Sem conflito, não há novela, série ou filme. Além de suas tramas pouco convincentes, Beto e Luzia estão apartados e se tornaram personagens apáticos. Como Karola alimenta-se de Beto, a vilã também perde força quando ele enfraquece. Laureta é quem se destaca. E o conflito de Laureta é deflagrado com Rosa – esta sim a verdadeira heroína da novela, a protagonista moral de “Segundo Sol“.

Letícia Colin e Roberto Bonfim (foto: reprodução)

Desde o início, Letícia Colin vem chamando a atenção por sua interpretação segura como Rosa. A personagem é torta: tem um apurado senso de justiça, é bom caráter, mas mente, engana, é ansiosa e mete os pés pelas mãos. Isso a torna potencialmente rica como personagem e, somado ao carisma da atriz, irresistível e apaixonante. Que sequência incrível (catártica e icônica) a expulsão de casa pelo pai Agenor – Roberto Bonfim, grande ator! Ótima atriz também Kelzi Ecard, como Nice, a mãe.

Rosa já entrou para aquela categoria “não consigo imaginar outra atriz no papel”. Assim como é difícil imaginar outra Princesa Leopoldina se não Letícia Colin (sua personagem anterior, da novela “Novo Mundo“).

Excelente 2: A trama central perder força para tramas paralelas é algo inédito em novelas de João Emanuel Carneiro. Ou tramas paralelas se destacarem mais que a principal. Falo do núcleo envolvendo Roberval (Fabrício Boliveira) e a família Athayde, que é muito bom.

Excelente 3: Chay Suede como Ícaro, o Marrentinho. Percebe-se uma construção de personagem. Assim como vemos em Letícia Colin. Tão bom atores muito jovens se destacando pelo trabalho e talento!

PS: Perceberam que acabou a Copa e a novela está movimentadíssima! JEC voltou da Rússia? E Gorete e Clóvis NÃO APARECERAM NOS DOIS ÚLTIMOS CAPÍTULOS! Nada contra os ótimos Thalita Carauta e Luís Lobianco. Mas que overdose!

Leia também:Segundo Sol” aderiu ao processo de “scoobydoolização” das novelas.
AQUI tem tudo sobre “Segundo Sol“: trama, elenco, personagens, trilha sonora, curiosidades.
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“Não haverá pregação”, garante autora de “Jesus”, a nova novela da Record http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/07/18/nao-havera-pregacao-garante-autora-de-jesus-a-nova-novela-da-record/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/07/18/nao-havera-pregacao-garante-autora-de-jesus-a-nova-novela-da-record/#respond Wed, 18 Jul 2018 20:55:22 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=13136

Jesus (Dudu Azevedo) | Satanás (Mayana Moura) fotos: Edu Moraes

A Record parece mesmo decidida a afastar de vez o fantasma do fracasso de “Apocalipse“, novela concluída em 25 de junho. A emissora tinha pretensões de voltar a incomodar a Globo, ao menos igualando os resultados aos obtidos com “Os Dez Mandamentos“, seu grande sucesso (de 2015-2016). Mas “Apocalipse” não passou de uma grande decepção e terminou como a produção bíblica com o pior desempenho no Ibope desde que a emissora voltou a investir em tramas bíblicas (2010) após a retomada de sua dramaturgia (2004): uma média geral em torno dos 8 pontos, em terceiro lugar, perdendo para o SBT.

Para reanimar o público, a emissora retoma as tramas bíblicas passadas na Antiguidade, desta vez narrando a vida do maior personagem: “Jesus“. A novela estreia dia 24 de julho, às 20h45, com previsão de 150 capítulos. A Record promoveu nesta terça-feira (17/07) a coletiva de imprensa para a apresentação de sua nova produção, que tem a direção geral de Edgard Miranda e conta com mais de 100 atores no elenco, divididos em duas fases.

Conversei com a autora, Paula Richard, que assina o roteiro com oito colaboradores, e ela foi taxativa: “Não haverá pregação!“. Uma referência – não aos ensinamentos de Jesus, mas – à ação de Cristiane Cardoso, filha de Edir Macedo (dono da Record), em “Apocalipse“. Cristiane supervisiona os textos das produções bíblicas da emissora e teria sido o pomo da discórdia que motivou o afastamento da autora de “Apocalipse“, Vívian de Oliveira, da produção. O excesso de pregação religiosa foi uma das principais críticas que essa novela recebeu.

Porém, Paula Richard (foto ao lado, crédito a Blad Meneghel) me confirmou que, como já ocorrera em seus trabalhos anteriores (“O Rico e Lázaro” e “Lia“), Cristiane Cardoso continua supervisionando seu texto, já que nunca tivera problema algum com as interferências que a filha de Edir Macedo fez em suas novelas e minisséries.

No lançamento, o diretor Edgard Miranda destacou as gravações no Marrocos, com o deslocamento de uma equipe de 65 profissionais (45 atores), em cenários já utilizados para várias produções cinematográficas – entre elas, “A Paixão de Cristo“, filme de Mel Gibson, de 2004, do qual tirou-se a referência para a caracterização de Mayana Moura, que viverá Satanás na novela. A atriz raspou a cabeça e sobrancelhas para ficar igualzinha ao Satanás do filme (foto acima).

O clipe de lançamento exibiu cenas das duas fases da novela, desde antes do nascimento do Messias até o martírio na crucificação. No Marrocos foram gravadas sequências de momentos adiantados da trama – as imagens da via crucis e da morte de Jesus, por exemplo, já foram captadas (aparecem no clipe).

Edgard Miranda citou também a preocupação com o realismo. Para evitar uma estética carnavalesca – uma grande crítica às primeiras produções bíblicas da Record – os figurinos passaram por um processo de envelhecimento, para fugir da aparência de novos, com cores muito vivas; e os atores homens não usarão barbas e cabelos postiços.

Dudu Azevedo (de “O Rico e Lázaro“), depois de muito suspense, foi o escolhido para viver Jesus. No elenco, ainda Juliana Xavier e Cláudia Mauro, como Maria, mãe de Jesus, nas duas fases, Guilherme Dellorto e Michel Bercovitch (como José, o pai), Iano Salomão (João Batista), Raphael Sander (o anjo Gabriel), Day Mesquita (Maria Madalena), Petrônio Gontijo (Pedro, o apóstolo), Guilherme Winter (o Moisés de “Os Dez Mandamentos“, como Judas Iscariotes, o traidor), André Gonçalves (Barrabás), Nicola Siri (Pôncio Pilatos), Paulo Gorgulho (Rei Herodes) e Tatsu Carvalho, Cridemar Aquino e Cássio Pandolpho (como os Reis Magos).

Também Marcos Winter, Fernando Pavão, Paulo Figueiredo, Adriana Garambone, Larissa Maciel, Vanessa Gerbelli, Beth Goulart, Giuseppe Oristânio, Benvindo Siqueira, Paulo César Pereio, Maurício Mattar, Camilla Amado, Cláudia Mello, Felipe Cardoso, Adriana Birolli, Gabriel Gracindo, Eucir de Souza, Ernani Moraes, Alexandre Slaviero, Rodrigo Andrade, Pierre Baitelli, Ronny Kriwat, Ricky Tavares, Marcela Muniz, Bárbara Borges, Júlia Magessi, Letícia Medina, Christiana Kalache, Ana Paula Tabalipa, Manuela do Monte, Rafael Sardão, Dani Moreno, Jessika Alves, Dedina Bernadelli, Anna Lima, Tadeu Aguiar, Felipe Roque, Luka Ribeiro, Bárbara Reis, Ademir Emboava, Thalita de Castro, César Pezzuoli, Luiz Nicolau, Edson Fieschi, Katia Moraes, e muitos outros.

Leia também: Após viver mulher de Macedo no cinema, atriz será Maria Madalena em “Jesus”;
Decepção para a Record, Apocalipse termina com menos audiência que reprises“.

AQUI tem tudo sobre a novela “Jesus“: a trama, o elenco completo, os personagens e curiosidades.

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“Onde Nascem os Fortes” é um ótimo exemplo da mistura de série e novela http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/07/16/onde-nascem-os-fortes-e-um-otimo-exemplo-da-mistura-de-serie-e-novela/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/07/16/onde-nascem-os-fortes-e-um-otimo-exemplo-da-mistura-de-serie-e-novela/#respond Tue, 17 Jul 2018 02:15:27 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=13108

Fabio Assunção (Foto: reprodução)

Já há algum tempo comenta-se sobre a “serialização das novelas” (*) ou a “novelização das séries”, nas quais características de um formato são incorporadas ao outro, apontando para um híbrido. “Avenida Brasil” (2012) foi a primeira novela brasileira a levantar essa bandeira, em um momento em que o mundo se rendia à séries exibidas na TV a cabo – um movimento que teve início nos anos 2000 (a Golden Age) e se perpetua, por meio de canais pagos e serviços de streaming (como a Netflix).

Um passo da Globo para embarcar nessa onda é a reformulação das novelas exibidas na faixa das 23 horas, que desde o ano passado são chamadas de superséries. A nomenclatura ainda causa estranheza. É bom lembrar que produções como “Verdades Secretas“, “Liberdade Liberdade“, “Os Dias Eram Assim” e “Onde Nascem os Fortes“, caso fossem produzidas na década passada, seriam chamadas de minisséries. Ou seja: o nome é mais uma demanda de ajuste ao mercado atual do que de formato.

A narrativa de “Onde Nascem os Fortes” – último capítulo exibido nesta segunda-feira (16/07) – foi a que mais se aproximou da de produções da HBO, Fox ou Netflix. Vejo como um marco nesse processo de “serialização das novelas”. Poucos núcleos, ambientes e personagens em uma trama condensada – ok, também características das minisséries. Contudo, uma linguagem marcada por reviravoltas e ótimos ganchos a costurar os episódios – características presentes nas mais badaladas séries do momento (também percebidas em “Avenida Brasil“).

Entretanto, “Onde Nascem os Fortes” não abandonou o teor folhetinesco, tão caro aos brasileiros: paternidade desconhecida é um clichê dos mais visitados nas novelas. Trata-se aqui de um case de sucesso da hibridação novela + série. A bem da verdade, as séries lá fora já conversam com o folhetim há muito tempo (novelização das séries). O que são “Dallas” e “Dinastia” senão novelões descarados? A única diferença era a interrupção por temporadas, como nas séries.

Uma questão a considerar é que os Estados Unidos, país que não tem enraizado culturalmente o folhetim em sua produção audiovisual, muitas vezes bebe dessa fonte, sem ter ciência disso ou sem assumir. O povo brasileiro (e o mexicano, o argentino, o venezuleano, o cubano), expert em novelas, reconhece claramente os recursos narrativos folhetinescos em séries de lá.

PS1: As cultuadas séries “A Casa de Papel” e “Merli“, exibidas na Netflix, espanholas que são, carregam em sua narrativa todo aquele tempero latino que conhecemos tão bem.
PS2: Conscientemente ou não, voluntariamente ou não, assumindo ou não, a hibridação ocorre em vários países, produtores de novelas ou séries. Ainda: boa fatia da audiência nas TVs e plataformas sob demanda nos Estados Unidos é latina.
PS3: A Turquia, Índia e Coreia de Sul também são mundialmente reconhecidos por suas telenovelas.

Patrícia Pillar, Alice Wegmann, Enrique Diaz, Alexandre Nero, Fabio Assunção (Foto: Estevam Avellar)

Onde Nascem os Fortes

Que produção espetacular! Direção (José Luiz Villamarim e equipe), roteiro (Sérgio Goldenberg, George Moura e equipe) e elenco. É muito difícil citar alguns atores e deixar outros de fora só porque tiveram papeis menores na trama ou foram coadjuvantes. Temos aqui um primoroso trabalho de direção de atores, com harmonia e simbiose poucas vezes vistas na televisão.
Leia: “Onde Nascem os Fortes” não deixa nada a desejar às melhores séries da Netflix.

O único senão foi a morosidade da trama no primeiro mês de exibição: ficou a sensação de que houve um start, depois a história andou em círculos por um mês para finalmente deslanchar. A supersérie fecha com uma média geral em torno dos 18 pontos no Ibope da Grande São Paulo. No último mês de exibição, a média foi de 20 pontos (21 nas duas últimas semanas). A média geral poderia ter sido maior, não fosse o período em que a trama empacou e os horários de exibição eram díspares (antes da Copa): dava 15, 16 pontos.
Leia: Com trama lenta, “Onde Nascem os Fortes” não é para os fracos.

Mas nem isso tirou o brilhantismo do projeto e o resultado final.
Texto que escrevi por ocasião da estreia: “Onde Nascem os Fortes” sugere suspense psicológico em “sertão sensorial“.
E minha entrevista com Villamarim e George Moura antes da estreia: “Onde Nascem os Fortes” propõe uma imersão profunda no sertão, diz diretor.

(*) A narrativa de toda telenovela é seriada (dividida por capítulos, com ganchos). Tomo a liberdade para chamar de “serialização das novelas” a incorporação de características de séries (o formato) nas telenovelas .

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“Segundo Sol” aderiu ao processo de “scoobydoolização” das novelas http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/07/13/segundo-sol-aderiu-ao-processo-de-scoobydoolizacao-das-novelas/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/07/13/segundo-sol-aderiu-ao-processo-de-scoobydoolizacao-das-novelas/#respond Fri, 13 Jul 2018 10:00:57 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=13091

Giovanna Antonelli | Scooby-Doo (divulgação)

Segundo Sol” é uma novela agradável, com muitas qualidades. O elenco é bom e alguns atores se destacam com personagens ricos, em perfil e texto – como Laureta (Adriana Esteves) e Rosa (Letícia Colin), por exemplo.

Entretanto, fica a sensação de que o autor João Emanuel Carneiro atira para todos os lados na ânsia de agradar a gregos e troianos. Frases espirituosas, cenas de grande impacto e bons ganchos são intercalados com passagens superficiais, resoluções preguiçosas e sequências que pouco ou nada agregam à trama ou à narrativa. Alguns entrechos lembram roteiro de desenho do Scooby-Doo.

Nem me refiro exclusivamente aos núcleos de humor, que na maioria das vezes só servem para alívio cômico e deles nada se exige além disso. Mas quando o humor começa a aparecer mais que a trama central, ou quando a trama central se afunila ou empaca em um núcleo cômico, há um indício de que algo não vai bem.

A chegada de Gorete (Thalita Carauta) e seus quiproquós com a família de Beto Falcão (Emílio Dantas) são, no momento, o que movimenta a trama do cantor supostamente falecido. Ou o que sobrou dela. Em todos os capítulos repetem-se as mesmas cenas, nas quais Gorete insiste em preservar a memória do cantor enquanto a família tenta sair pela tangente. A trama de Beto Falcão não só se resume a Gorete como depende da personagem cômica (imagino que o autor irá futuramente levar a trama para outro caminho, já que a novela está apenas no começo).

Ao mesmo tempo, Luzia/Ariella (Giovanna Antonelli), a outra protagonista, vinha tentando evitar que os filhos a reconhecessem. O que já não fazia muito sentido, já que ela voltou ao Brasil para revê-los. Nem vou entrar no mérito do “como não reconhecem Luzia (e Beto Falcão)?“. Fico na construção da trama. Por que Luzia não luta para provar sua inocência? Por que ao ser descoberta pelos rebentos não revelou a eles tudo o que aconteceu de fato? Porque se isso acontecer, acaba a trama de Luzia (como acabou a de Beto).

Para fazer a trama de Luzia render, o autor a construiu em uma base frágil, capenga e pouco verossímil. Luzia chega a ser ingênua demais (como Beto também é). Desmascarada pelo filho Ícaro, a DJ pareceu uma personagem do Scooby-Doo. Lembra que ao final de cada episódio o vilão era capturado, desmascarado, os garotos explicavam o mistério e o bandido soltava a frase de efeito: “Eu teria conseguido se não fosse esses garotos intrometidos!“. Só faltou Luzia desta forma se referir a Ícaro para Manu.

Thalita Carauta e Luís Lobianco (Foto: reprodução)

Tomo a liberdade de inventar o vocábulo “scoobydoolização” (palavra feia, eu sei!) para conceituar aqueles recursos de narrativa (tramas, entrechos, desfechos, diálogos) simplórios, preguiçosos, fáceis, às vezes em uma linguagem que beira a infantil (“infantil” = simplista), que revelam uma trama mal ajambrada, em que a lógica dos meios não interessa aos fins, porque o intuito é fazer valer uma ideia final, um desfecho ou um arco dramático, nem que para isso mande-se às favas a verossimilhança e subestime-se a inteligência do público. O propósito? Entreter de maneira direta um público mais abrangente e menos exigente.

Os personagens ingênuos e inocentes são os que movem as histórias nos desenhos animados. O amigo Maurício Stycer fala em seu vídeo para o UOL Vê TV dos personagens burros de “Segundo Sol” que movimentam a trama. Como nos desenhos animados. Esse processo de “scoobydoolização” das novelas não é de agora. “Salve Jorge“, em 2012-2013, já brincava com entrechos pouco convincentes que pareciam zombar do espectador. O wi-fi na caverna da Turquia, a igreja 24 horas e o assassinato com injeção letal no elevador entraram para a história das novelas como exemplos de recursos narrativos dignos de desenhos animados – e que, como eles, divertem.

Recentemente, “O Outro Lado do Paraíso” abriu um precedente malicioso. Deixo apenas um exemplo: a sequência final do julgamento do pedófilo, quando ele confessa abertamente todos os seus crimes e faz chacota com a plateia. Scooby-Doo total! Também a reiteração de frases à exaustão (“Patrick, o melhor advogado criminalista do país“) e atitudes absurdas dos personagens remetem a roteiros de desenhos dos canais infantis.

João Emanuel Carneiro é reconhecido pelo texto acima da média. Porém, em “Segundo Sol” o autor mira para todos os lados na esperança de acertar uma plateia mais ampla. Há o texto espirituoso nas falas de Laureta e Rosa. Mas há também os entrechos que exigem muita boa vontade do público. A “scoobydoolização” é ruim? Não, se a proposta é fazer a audiência apenas se divertir passivamente. Por outro lado -por não ser direcionado a um público infantil- passa atestado de narrativa pobre e superficial.

Em tempos de concorrência acirrada com streaming, Netflix, séries estrangeiras de alta qualidade (outras nem tanto), é de se refletir se as tramas das novelas não estejam se nivelando por baixo, quando lembramos que grandes dramaturgos (Dias Gomes, Bráulio Pedroso, Lauro César Muniz) escreveram títulos “acima da média” no tempo em que não existia a concorrência que existe hoje.

AQUI tudo sobre “Segundo Sol“: trama, elenco, personagens, trilha, curiosidades.

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Trama e vilões atraentes fazem de “Orgulho e Paixão” a melhor novela no ar http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/07/11/trama-e-viloes-atraentes-fazem-de-orgulho-e-paixao-a-melhor-novela-no-ar/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/07/11/trama-e-viloes-atraentes-fazem-de-orgulho-e-paixao-a-melhor-novela-no-ar/#respond Wed, 11 Jul 2018 22:13:38 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=13080

Natália do Valle (foto: reprodução)

A entrada de Natália do Valle em “Orgulho e Paixão” abalou as estruturas da novela. A personagem da atriz, a prepotente e arrogante Lady Margareth, é um verdadeiro furacão: quando surge, parece que nada fica no lugar. A força da atriz em cena deu um ótimo chacoalhão na trama das seis. Não que “Orgulho e Paixão” estivesse catatônica – longe disso! Mas é muito bem vinda uma vilã maniqueísta e perversa em uma trama essencialmente romântica como esta. Ainda mais por meio de uma atriz como Natália.

Até então, Julieta Bittencourt, vivida por Gabriela Duarte, cumpria essa função. A Rainha do Café tentava atrapalhar o romance do filho Camilo (Maurício Destri) com Jane (Pamela Tomé), uma das irmãs Benedito. Neste momento, Julieta ganhou um destino mais aprazível: redimida, sucumbiu ao amor de Aurélio Cavalcante (Marcelo Faria). Juntos, formam um dos melhores casais da novela – se não, o melhor!

A Rainha do Café não representava uma ameaça ao amor dos protagonistas Elisabeta e Darcy (Nathalia Dill e Thiago Lacerda). Tampouco outro vilão, Xavier (Ricardo Tozzi). Esta seria a função de Susana, mas a personagem de Alessandra Negrini tem um viés cômico agradável demais para resumir-se à vilã malévola. As cenas com Petúlia (Grace Gianoukas) ou Olegário (Joaquim Lopez) continuam sendo das melhores da novela.

A união de Susana e Lady Margareth supre o fim de maldades de Susana e Julieta. A nova dupla agora tem o papel de melar o romance central da trama, até então com poucos conflitos. A princípio, a personagem de Natália do Valle é inspirada em Lady Catherine de Bourgh, do livro “Orgulho e Preconceito” – um dos vários de Jane Austen que inspiram a novela das seis. Lady Margareth entrou para cumprir uma função que poderia ter sido de Lorde Williamson (Tarcísio Meira), pai de Darcy, que não existe no livro original e que saiu muito rapidamente da novela.

Tammy Di Calafiori e Christine Fernandes (foto: reprodução)

Outra vilã tem chamado a atenção: Josephinne, de Christine Fernandes, na trama de Cecília (Anaju Dorigon), mais uma das irmãs Benedito. A personagem tem uma história ótima com Fani (Tammy Di Calafiori) e as duas atrizes estão excelentes em seus papeis vilanescos. O perfil de Josephine ainda é costurado aos de outros núcleos da novela: com Uirapuru (Bruno Gissoni) – outro vilãozinho – e Brandão (Malvino Salvador).

Em 100 capítulos, “Orgulho e Paixão” se renova, ainda com fôlego para meses no ar. É um exemplo de boa dramaturgia na televisão: uma gama de personagens bem delineados e carismáticos em histórias bem traçadas, fieis à proposta de entreter. Uma novela romântica sem ser piegas ou excessivamente melodramática.

A única ressalva, a meu ver, é a trama de Mariana Benedito (Chandelly Braz) travestida de Mário. Não a trama em si, que rende bem. Mas a caracterização da atriz como Mário. A própria família não reconhecê-la é uma forçação de barra comparável a Beto Falcão em “Segundo Sol“: precisa de muita boa vontade para embarcar nessa!

AQUI tem tudo sobre “Orgulho e Paixão“: trama, elenco, personagens, trilha sonora e curiosidades.

Leia também: Flavio Ricco, “Orgulho e Paixão chega ao centésimo capítulo e promete viradas

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Durante Regime Militar, o povo abria asas com Dancin’Days, mas só na ficção http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/07/10/durante-regime-militar-o-povo-abria-asas-com-dancindays-mas-so-na-ficcao/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/07/10/durante-regime-militar-o-povo-abria-asas-com-dancindays-mas-so-na-ficcao/#respond Tue, 10 Jul 2018 10:00:38 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=13042

Paolette e Sônia Braga

Há exatos 40 anos, estreava a novela “Dancin´ Days“, um marco da televisão brasileira. Com um interessante retrato social traçado por Gilberto Braga (o autor) e Daniel Filho (o diretor), a produção, que virou coqueluche nacional, fez multiplicar discotecas pelo país afora, impulsionadas pela sua repercussão.

A metáfora na letra da música de abertura convidava o público: “abra suas asas, solte suas feras, caia na gandaia, entre nessa festa!“. Mas apenas através da vitrine de ilusões do horário mais nobre da TV. Em pleno contexto do Regime Militar (“a gente às vezes sente, sofre, dança sem querer dançar“), tudo era devidamente vigiado de Brasília: as asas ainda eram podadas e nada de soltar as feras contra o Governo Federal. O convite era apenas à fantasia, à fuga da realidade: “na nossa festa vale tudo…

A onda disco, as meias de lurex, os atores mais queridos do público, o remake: 10 curiosidades sobre a novela.

Pepita Rodrigues (Carminha) e Joana Fomm (Yolanda)

01. Sucesso inesperado

Foi a estreia de Gilberto Braga no horário nobre da Globo. Na verdade, uma aposta. O autor vinha de alguns sucessos às 18 horas e recebeu todo o suporte do diretor Daniel Filho. A trama – ex-presidiária tenta refazer a vida e conquistar o amor da filha, que mal a conhecia, criada pela irmã megera e carreirista – foi baseada em um argumento de Janete Clair (intitulado “A Prisioneira“). O sucesso foi inesperado: nem mesmo Gilberto acreditava nele.

02. A discoteca

A novela divulgou a onda disco e impulsionou a proliferação discotecas por todo o país. A ideia de usar uma boate como pano de fundo da história partiu do diretor Daniel Filho. A novela pegava carona no filme “Os Embalos de Sábado à Noite” (com John Travolta), que chegava ao Brasil na ocasião. O principal cenário era mesmo a discoteca, onde os personagens se encontravam e discutiam seus dramas, ainda que em meio à penumbra e som ambiente e entre dezenas de figurantes que dançavam enlouquecidos. O título surgiu da boate de Nelson Motta, a “Frenetic Dancing Days Discothèque” – citada na música “Tigresa“, de Caetano Veloso (gravada por Gal Costa na época). A discoteca foi mantida pelo produtor musical durante quatro meses em 1976, no recém-inaugurado Shopping da Gávea, no Rio de Janeiro. Com o sucesso da novela, Nelson Motta a reabriu em 1978, mas em outro local, no alto do Morro da Urca. Ela narra em seu livro “Noites Tropicais“:
Todas as sextas e sábados três mil pessoas lotavam os bondinhos (…) Muita gente que confundia a novela com a discoteca, que imaginava ‘estar’ na novela, que esperava encontrar a Sônia Braga dançando na pista.

Lauro Corona (Beto), Cláudio C. Castro (Franklin), Beatriz Segall (Celina) e Antônio Fagundes (Cacá)

03. Sônia Braga

Betty Faria foi cogitada para o papel de Júlia Matos, a protagonista. Mas a atriz estava envolvida com seu programa musical “Brasil Pandeiro” e não quis fazer a novela. Gilberto Braga queria Yoná Magalhães, mas Daniel Filho apostou em Sônia Braga, apesar de ela ser nova para o papel. A atriz tinha 28 anos na época e, na trama, sua personagem começava trintona, após onze anos de cadeia, com uma filha de 15  (a personagem de Glória Pires). Por isso, no início, quando Júlia sai da prisão, Sônia aparece envelhecida, com maquiagem, penteado e roupas simples, dentes escurecidos, postura curvada e olhar sério e baixo. Só se transforma na pantera quando a personagem tem uma virada na trama, ao voltar rica e repaginada de uma viagem.

Pepita Rodrigues e a boneca Pepa | Mário Lago | Reginaldo Faria, Glória Pires e Sônia Braga

04. As meias de lurex

Sônia Braga ditou moda com roupas de cetim e meias soquetes de lurex, que viraram mania nacional. As meias eram fosforescentes, listradas e coloridas, usadas com sandálias de tiras e salto alto. Para a marcante cena da volta triunfal de Júlia, no capítulo 79, a figurinista Marília Carneiro criou uma calça jogging vermelha de cetim com listras laterais. Completando o visual, a personagem usava as sandálias de salto fino sobre as tais meias de lurex.

05. Norma Bengell substituída por Joana Fomm

Às vésperas da estreia, várias cenas tiveram que ser regravadas com Joana Fomm substituindo Norma Bengell no papel da vilã Yolanda Pratini. Daniel Filho comentou em seu livro “Antes que me Esqueçam“:
O papel era muito bom, mas ela [Bengell] não conseguiu adaptar-se ao ritmo das gravações. Seus tempos de criação, suas propostas de interpretação não eram compatíveis com a novela. (…) As cenas saíam com dificuldade. O motivo principal era certamente o fato de ela se sentir menos prestigiada, porque o tratamento que recebia na televisão não era o mesmo a que estava acostumada no cinema. (…) Claro que ela tinha talento para fazer o papel. O que faltava nela era entrosamento com o ritmo da televisão. A saída, então, foi substituí-la.
Num erro de edição, deu para ver Norma em uma cena de externa do capítulo 6, quando Yolanda deixa Marisa (Glória Pires) de carro na porta da escola de sapateado. Antes de substituir a atriz, Joana Fomm estava escalada para viver Neide, empregada na casa de Celina (Beatriz Segall). Com a substituição, a atriz Regina Viana foi convocada para o papel de Neide.

Sônia Braga (Júlia), Joana Fomm (Yolanda) e Mauro Mendonça (Arthur)

06. Cenas marcantes

Uma das mais icônicas cenas da teledramaturgia brasileira: a volta triunfal de Júlia (Sônia Braga), depois de um banho de loja, como a mais nova pantera da sociedade carioca (“pantera” = gíria da época para mulher bela, sensual, que os homens desejam e as mulheres querem imitar), dançando com Paolette (do Dzi Croquettes) na discoteca da novela.Outra sequência inesquecível foi o acerto de contas final entre as irmãs antagonistas Júlia e Yolanda, no último capítulo. Daniel Filho menciona no livro “Antes que me Esqueçam“:
Dancin´ Days teve um dos finais mais emocionantes de gravar. (…) Houve momentos em que tive dificuldade de gravar closes dos atores, pois a emoção tomava conta deles. (…) Eu tinha que marcar a última cena, que era entre Sônia Braga e Joana Fomm. Era a cena em que as duas irmãs brigavam, uma cena de ódio e de amor. Depois se aproximavam, se abraçavam e pediam perdão uma à outra. (…) Acho a cena maravilhosa para televisão. Mas o choro que tomou as duas não foi o choro das personagens Júlia e Yolanda. Foi o choro de Sônia Braga, foi o choro de Joana Fomm, o choro da despedida de um enorme sucesso, de uma enorme satisfação, da satisfação do sucesso de toda uma família.

07. A trilha sonora

A trilha sonora nacional não tinha um tema romântico para o casal central, Júlia e Cacá (Sônia Braga e Antônio Fagundes). Foi então escolhida uma música gravada por Roberto Carlos que fazia sucesso na época, “Outra Vez“. Regravada por Márcio Lott, foi vendida à parte, em um compacto simples. A música que mais tocou na novela – além da abertura, com as Frenéticas – foi “Amanhã“, de Guilherme Arantes, tema de Júlia. Marcou também a canção “João e Maria“, melodia composta por Sivuca em 1947 que ganhou letra de Chico Buarque trinta anos depois. Gravada por Chico e Nara Leão, foi tema do casal adolescente Beto e Marisa (Lauro Corona e Glória Pires). “A empatia da música com os personagens foi tamanha que, em outubro daquele ano [1978], Lauro Corona e Glória Pires cantaram o tema em uma apresentação para o Fantástico” (Guilherme Bryan e Vincent Villari no livro “Teletema – A História da Música Popular Através da Teledramaturgia Brasileira“). Outras músicas de destaque da trilha nacional foram “Agora é Moda” (Rita Lee) e “Kitche Zona Sul” (Ronaldo Resedá).

A trilha internacional vendeu quase um milhão de cópias – batendo o recorde anterior, a trilha nacional da novela “Estúpido Cupido” (1976), com músicas dos anos 1960. Das 14 músicas do LP Dancin´ Days Internacional, 9 eram de discoteca. O maior destaque era o medley de hits do conjunto Bee Gees, gravado pelo quinteto feminino Harmony Cats. “A música mais curiosa do álbum é “Automatic Lover”, space disco da inglesa Dee D. Jackson, que narra a paixão de um robô por uma garota intergaláctica” (livro “Teletema”). Tocaram incessantemente na novela as baladas “I Loved You” (Freddy Cole), “Three Times a Lady” (Commodores) e “Follow You Follow Me” (Genesis), e na discoteca “Macho Man” (Village People), “Rivers of Babylon” (Boney M) e “Scotch Machine” (Voyage).

Lídia Brondi (Verinha) e Lauro Corona (Beto)

08. Retornos e estreias

Dancin´ Days” marcou a estreia em novelas dos então jovens atores Lauro Corona e Sura Berditchewsky. O ator Reginaldo Faria, que até então participava esporadicamente de novelas, passou a ser o mais novo galã da Globo e um dos mais requisitados, tendo atuado em novelas seguidas  a partir de então. Foi ainda a primeira novela na Globo de Cláudio Corrêa e Castro, que vinha da Tupi de São Paulo, e de Beatriz Segall, que retornava à televisão depois de anos afastada. A atriz aparecia creditada na abertura como “Beatrix Segall”, com “x”, por uma sugestão de Daniel Filho. Numa entrevista à revista Amiga, antes da estreia de sua novela seguinte, “Pai Herói“, Beatriz disse que havia solicitado que voltassem a grafar seu nome de maneira correta.

09. Prêmios

A APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) elegeu Joana Fomm, Yara Amaral e Gracinda Freire, por seus trabalhos na novela, as melhores atrizes da TV em 1978 (juntamente com Cleyde Yáconis, pela novela “Aritana”, da Tupi). Lauro Corona levou o prêmio de Ator Revelação (com Eduardo Conde, por “Sinal de Alerta”) e Glória Pires a Atriz Revelação.

Sura Berditchewsky (Inês) | José Lewgoy (Horácio) | Yara Amaral (Áurea)

10. Remake em Portugal

Exibida em Portugal entre 1979 e 1980 (pela emissora RTP 1), “Dancin´ Days” repetiu lá o sucesso daqui. Em 2012, a Globo em uma parceria com outra emissora, a SIC, produziu para a TV portuguesa um remake da novela, com elenco português. Foi a segunda coprodução realizada em parceria com essa emissora (a primeira foi a novela “Laços de Sangue“, exibida em Portugal em 2011). Esta adaptação, a cargo de Pedro Lopes, apesar de ter fugido bastante do original de Gilberto Braga, registrou relevante sucesso para a SIC. Ficou no ar por mais de um ano: de junho de 2012 a setembro de 2013, totalizando 336 capítulos (contra 174 da novela original).

AQUI tem tudo sobre “Dancin´ Days“: trama, elenco, personagens, trilha e mais curiosidades.
Foto: Acervo Globo.

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“Onde Nascem os Fortes” não deixa nada a desejar às séries da Netflix http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/07/05/onde-nascem-os-fortes-nao-deixa-nada-a-desejar-as-series-da-netflix/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/07/05/onde-nascem-os-fortes-nao-deixa-nada-a-desejar-as-series-da-netflix/#respond Fri, 06 Jul 2018 02:18:18 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=13023

Patrícia Pillar e Alice Wegmann (foto: reprodução)

O refrão da música da abertura de “Onde Nascem os Fortes” nunca fez tanto sentido: “Todo homem precisa de uma mãe“. Nesta semana, a supersérie teve uma nova reviravolta, com a revelação de que os gêmeos Maria e Nonato não são filhos de Cássia (Patrícia Pillar), mas de Madalena, sua amiga da juventude, que acabou morta pelo pai, Tião (Zé Dumont). Cássia os levou embora para que também não fossem vítimas do homem enlouquecido.

Como plot twist pouco é bobagem, a descoberta leva agora a um novo mistério: quem é o pai dos gêmeos? Pipocam nas redes sociais as dúvidas sobre Pedro (Alexandre Nero), Ramiro (Fábio Assunção) e Samir (Irandhir Santos), além de uma série de teorias envolvendo as reais intenções de Cássia (na relação com Pedro, por exemplo) e a identidade do assassino de Nonato (ainda nebulosa).

George Moura e Sérgio Goldenberg desenvolvem sua trama sem entregar tudo de bandeja para o público. A supersérie nada contra a onda de narrativas mastigadas, repetitivas e que subestimam a inteligência do espectador que vez ou outra invadem a TV, principalmente nas novelas. Da mesma forma, os tipos humanos de “Onde Nascem os Fortes” não são chapados ou unilaterais. Juntamente com a história que, aos poucos, se desenrola, os personagens são “descascados”, revelando camadas que dão margem a novas interpretações e visões pelo espectador.

Fábio Assunção (foto: reprodução)

Pedro Gouveia não é tão mau como se desenhou no início. Nem Ramirinho é uma vítima totalmente inocente. Aliás, o personagem de Jesuíta Barbosa é sutilmente dúbio, sempre flertando com o perigo e o inusitado. Aproveito para refazer uma crítica anterior, na qual eu punha em dúvida a possibilidade de Ramirinho passar despercebido como Shakira do Sertão nos shows. É um detalhe que não interessa à narrativa, porque a transcende. A trajetória de Ramirinho/Shakira vai muito além do fato de ele ser reconhecido ou não.

Tramas e personagens densos, plot twists e easter eggs: “Onde Nascem os Fortes” não deixa nada a desejar – em narrativa ou produção – às melhores séries da Netflix ou qualquer das plataformas on demand estrangeiras. Ainda que calcada no folhetim (existe algo mais folhetinesco que dúvida de paternidade?), a supersérie se afasta da novela, como gênero e se aproxima da série, como narrativa.

Em tempo: “plot twists” são reviravoltas na trama e “easter eggs” são detalhes de cenas ou narrativa que passam despercebidos à primeira vista, mas que revelam algo sobre a trama. Como a letra da abertura de “Onde Nascem os Fortes” – que em seu jogo de palavras ainda pode levar a outra compreensão (“Todo homem precisa… de uma mãe“).

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Clássico da TV, novela “Baila Comigo” estará de volta no canal Viva http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/07/05/classico-da-tv-novela-baila-comigo-estara-de-volta-no-canal-viva/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/07/05/classico-da-tv-novela-baila-comigo-estara-de-volta-no-canal-viva/#respond Thu, 05 Jul 2018 15:15:09 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=13008

Tony Ramos e Natália do Valle (detalhe da revista Amiga de 1981)

Por meio de sua assessoria de imprensa, o Viva informou a sua próxima atração, que mexerá com os fãs saudosistas do canal. A novela que fecha a trinca de estreias neste segundo semestre é “Baila Comigo“. Além de “Vale Tudo” (que estreou dia 18/06, às 15h30 e 0h30) e “A Indomada” (estreia em 30/07, substituindo “Explode Coração” às 13h30 e 23h30), “Baila Comigo” entrará no lugar de “Sinhá Moça“, a partir do dia 20/08, às 14h30 e 01h15.

Considerada um clássico de nossa TV, a novela escrita por Manoel Carlos foi ao ar entre março e setembro de 1981, nunca reprisada. Um grande sucesso, é sempre lembrada pela interpretação dupla de Tony Ramos, como os gêmeos João Vitor e Quinzinho, que foram separados no nascimento e não se conheciam. Foi a primeira novela de Maneco com uma Helena (nome de protagonista que ele perpetuou em novelas seguintes) – vivida aqui pela saudosa Lílian Lemmertz -, a mãe dos gêmeos, que criou Quinzinho mas se corrói de culpa por ter deixado o outro bebê com o pai, Joaquim, personagem de Raul Cortez.

O elenco é dos mais robustos – além de Tony, Lílian e Raul: Fernanda Montenegro, Fernado Torres, Natália do Valle, Lídia Brondi, Betty Faria, Reginaldo Faria, Carlos Zara, Tereza Rachel, Christiane Torloni, Lauro Corona, Beth Goulart, Cláudio Cavalcanti, Susana Vieira, Otávio Augusto, Arlete Salles, Milton Gonçalves e outros.

AQUI tem tudo sobre “Baila Comigo“: trama, elenco, personagens, trilha sonora, curiosidades.

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Roberval humilha a patroa para a mãe: uma das melhores cenas de Segundo Sol http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/07/04/roberval-humilha-a-patroa-para-a-mae-uma-das-melhores-cenas-de-segundo-sol/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/07/04/roberval-humilha-a-patroa-para-a-mae-uma-das-melhores-cenas-de-segundo-sol/#respond Wed, 04 Jul 2018 13:55:25 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=12994

Cláudia di Moura e Fabrício Boliveira (foto: reprodução)

Tenho criticado o marasmo que se tornou a novela “Segundo Solneste período de Copa: o protagonista Beto Falcão praticamente sumiu da novela, juntamente com sua trama; Luzia está servindo de escada para os filhos destrambelhados; Laureta emburreceu quando apaixonou-se pelo novinho; e a família de Dodô e Naná, com a chegada de Gorete, está tendo mais cenas que os protagonistas.

Ao mesmo tempo, o autor vai temperando outros núcleos. O capítulo desta terça-feira (03/07) foi marcado por duas sequências impactantes: a mãe descobre, por meio da secretária eletrônica, a relação da filha com a vizinha; e o jantar que Roberval oferece à mãe e à namorada para humilhar a família Athayde: fazendo de Karen a empregada, invertendo os papeis já que Zefa serve à rica família.

A cena remete a outra, exibida em “Avenida Brasil“: quando Nina troca de lugar com Carminha e exige que ela a sirva à mesa: ME SERVE VADIA, ME SERVE!

Temos aí um dos entrechos mais interessantes de “Segundo Sol“. Nao me refiro à suposta vingança do revoltado Roberval. Mas o que o motiva a isso. De um lado, o filho que se rebela contra o tratamento que ele e sua mãe sempre tiveram na mansão dos Athayde, na condição de serviçais – principalmente da mãe, que sempre serviu à mesa e à cama do patrão.

Fabíula Nascimento, Fabrício Boliveira, Maria Luísa Mendonça e Cláudia di Moura (foto: reprodução)

Do outro lado, a mãe, que, em um primeiro momento, parece conformada com sua condição de “escrava de dentro”. Mas Zefa tem muito mais camadas do que sugere a personagem. Para ela, não se trata de conformismo ou subserviência. Tampouco Zefa compactua passivamente com os Athayde – como sugeriu o filho em seu discurso: “uma lavagem cerebral”.

Diante do apresentado ao público até agora, chega a ser revoltante a empregada defendendo a família. Mas a relação de Zefa vai além. Ainda que para o clã ela não passe da empregada, Zefa é mãe de Edgar e se acha “da família”, já que sua vida se limita aos muros da casa grande. Roberval tenta abrir os olhos da mãe, mas da pior maneira possível. É um personagem torto que busca no ataque e humilhação uma forma de compensar seu sofrimento.

Como disse Cacau ao final da cena, Zefa não está interessada no dinheiro e condição social do filho, mas apenas em seu amor e afeto. São personagens – a mãe e o filho – com longos caminhos a percorrer para se ajustarem. Ela precisa reavaliar sua condição dentro da família que ama tanto. E ele, reavaliar seus métodos. Vamos ver como o autor desenvolverá essa trama.

A sequência do jantar foi uma das melhores da novela até agora. E merecem elogios os ótimos Cláudia di Moura (Zefa), Fabrício Boliveira (Roberval), Maria Luísa Mendonça (Karen) e Fabíula Nascimento (Cacau).

Leia também:Segundo Sol deve estar na Rússia, já que a novela parou com a Copa“;
Cristina Padiglione: “Segundo Sol resgata o uso da secretária eletrônica do telefone fixo“.

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50 anos da Pequena Órfã: traumatizada, atriz mirim teve que sair da novela http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/07/02/50-anos-da-pequena-orfa-traumatizada-atriz-mirim-teve-que-sair-da-novela/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/07/02/50-anos-da-pequena-orfa-traumatizada-atriz-mirim-teve-que-sair-da-novela/#respond Mon, 02 Jul 2018 03:46:34 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=12971

Patrícia Aires e Dionísio Azevedo no filme da Pequena Órfã

Há 50 anos, estreou um clássico da televisão: a novela “A Pequena Órfã“, exibida pela TV Excelsior entre julho de 1968 e maio de 1969.

Você conhece essa história: menina órfã, carente e graciosa que é maltratada por uma megera e encontra carinho nos braços de um bondoso velhinho. Poderia ser mais uma novela infantil do SBT com texto mexicano importado. Mas é uma história brasileira, criada pelo novelista Teixeira Filho (1922-1984). A menina era Toquinho, vivida pela então garotinha Patrícia Aires (filha do ator Percy Aires). A malvada era Elza, papel de Riva Nimitz. E o velhinho, chamado de Gui, era o ator Dionísio Azevedo, que também dirigia a novela.

Essa história inspirou, pelo menos, duas novelas posteriores. Em 1993, a trama da menina carente foi adicionada à espinha dorsal da novela “Sonho Meu“, produzida pela Globo, com Carolina Pavanelli (a menina), Nívea Maria (a megera) e Elias Gleizer (o velhinho). Em 2005, foi a vez da Record adaptá-la, dentro da novela “Prova de Amor“: Júlia Magessi (a menina), Vanessa Gerbelli (a megera) e Rogério Fróes (o velhinho).

A repercussão de “A Pequena Órfã” foi tanta que levou a concorrência, na época, a investir no filão dramático da criança abandonada ou carente. No rastro do sucesso de Toquinho vieram: “Ricardinho, Sou Criança, Quero Viver” na Bandeirantes (em 1968); “Sozinho no Mundo“, “O Doce Mundo de Guida” e “Meu Pé de Laranja Lima” na Tupi (entre 1968 e 1971); e “Tilim” e “Pingo de Gente” na Record (entre 1970 e 1971).

Patrícia Aires não foi até o fim da trama. Então com apenas cinco anos, a menina trabalhava cinco, seis dias por semana, quando o combinado inicial com seus pais era de dois dias semanais. Patrícia acabou desenvolvendo estafa e anemia e perdeu peso. Devido a isso, seus pais a tiraram da novela. Do passado nos estúdios de televisão, ela não guarda boas lembranças. Patrícia atuou em outras produções, mas ainda criança desistiu da carreira de atriz. Para o UOL, ela declarou em 2014: “A Pequena Órfã foi a novela que mais me traumatizou“.

As outras versões: “Sonho Meu” na Globo e “Prova de Amor” na Record

De acordo com reportagem publicada na revista Veja de 25/09/1968, Percy Aires alegou que tirou a filha da novela pois estavam fazendo-a trabalhar além do estipulado pelo contrato e além disso a machucaram numa cena mais bruta, onde ela levou um tapa, caiu e machucou o rosto e a boca. O diretor Dionísio de Azevedo rebateu alegando que Percy tirou a filha da novela para assinar um contrato mais vantajoso em outra emissora (a Record, da qual Percy era contratado), e que ainda levou um automóvel Galaxie de brinde.

Para substituir Patrícia Aires na novela, foi chamada a garota goiana Marize Ney, parecida com a intérprete mirim, só que três anos mais velha que ela. O autor resolveu o problema com uma passagem de tempo.

Grande destaque para a atriz Riva Nimitz ao interpretar a vilã Elza, que maltratava Toquinho. As atitudes da megera eram risíveis: ela era meio maluca e seus dramas, na verdade, estavam ligados ao fato de não ser mãe. A atriz dizia que por muito tempo foi lembrada pela personagem. E que, na época da novela, o nome Elza virou jargão entre as mães: se os filhos não comiam ou eram irresponsáveis na escola, elas ameaçavam “Olha que eu te levo para a Dona Elza!

A Globo reprisou “A Pequena Órfã” em 1971, após a extinção da TV Excelsior. Na nova abertura feita para esta reapresentação, podia-se ver a então menina Glória Pires (com 8 anos) em uma de suas primeiras aparições na televisão.

Em 1973, o cineasta Clery Cunha filmou a versão cinematográfica da novela da Excelsior, com o mesmo elenco base. Patricia aceitou fazer o filme se ganhasse um presente: “Quando eu tinha 9 anos me chamaram para fazer o filme da Pequena Orfã. O meu pai me perguntou se eu queria, e eu disse: ‘Quero, mas só se eu ganhar um mini-bug’“.

AQUI tem tudo sobre “A Pequena Órfã“: trama, elenco, personagens e mais curiosidades.

Fotos: divulgação.
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