Blog do Nilson Xavier http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br Blog do Nilson Xavier - UOL Televisão Thu, 18 Apr 2019 13:24:27 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Refugiados reais: diretor explica a bela abertura de “Órfãos da Terra” http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2019/04/18/refugiados-reais-diretor-explica-a-bela-abertura-de-orfaos-da-terra/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2019/04/18/refugiados-reais-diretor-explica-a-bela-abertura-de-orfaos-da-terra/#respond Thu, 18 Apr 2019 10:00:47 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=15696

Desde que surgiu pela primeira vez na tela, a abertura da novela “Órfãos da Terra” chama a atenção e arranca elogios. É uma das mais belas e sofisticadas dos últimos tempos. Ainda mais por ser uma ideia simples, embasada em pessoas, cenário, figurinos, arte e luz, dispensando trucagens de computação gráfica ou efeitos especiais. Claro que o computador entra, com filtros de luz, na edição, na sonorização. Porém, foge totalmente do padrão “pirotecnia eletrônica visual”.

A abertura impressiona por ser uma ideia simples, que demanda muito mais criatividade e trabalho humano do que tecnologia. E uma abertura completa: uma fusão feliz de imagens e música, ancorados na proposta e trama da novela. A música é a bela “Diáspora“, escrita e interpretada pelo grupo Tribalistas.

As pessoas que aparecem nas imagens são imigrantes ou refugiados reais, com histórias parecidas com as contadas na novela, oriundos de diversos países, como Congo, Angola, Venezuela e Síria. Entre eles Ruth Mariana, do Congo, Abdulbaset Jarour, Samy Mansour e Ramy Al Zoher, da Síria, Yves Makangwa e Maria Constancia Domingues, da Angola, e Nelson Jesus Sivira, da Venezuela. Há uma mescla de nacionalidades e de representatividade.

As pessoas são extremamente expressivas e a câmera parece traduzir a história de cada um em suas feições e olhares. Há ainda um ar altivo em suas expressões, o que confere um toque especial ao produto. A ONG “I Know My Rights” foi a parceira técnica para a seleção dos que participam da abertura. Além deles, surgem também alguns atores do elenco, ao final: Julia Dalavia, Renato Góes, Alice Wegmann, Osmar Prado, Eliane Giardini, Paulo Betti e Marco Ricca.

O  cenógrafo Keller Veiga usou elementos de diversas culturas representadas pelos refugiados: “Usamos muitos florais, cores terrosas, com uma aparência pesada, mas solene, tradicional e antiga. Elementos africanos também, latino-americanos, jamaicanos, pequenos detalhes para compor esse universo multinacional“, disse Keller ao Gshow.

Entrevistei Alexandre Romano, diretor da abertura de “Órfãos da Terra

1. Como nasceu a ideia da abertura?
De conversas e trocas com as autoras e direção da novela e a direção e equipe de criação da Comunicação da Globo. Para retratar o tema da trama, sentimos a necessidade de trazer algo que mostrasse os refugiados como pessoas comuns, com suas vidas comuns, que se viram numa situação de ter de abandonar seu país e, assim, discutir a importância de serem acolhidos com respeito. Achamos muito importante não só retratar o motivo da saída da terra natal, mas o acolhimento da cultura deles na nossa e vice versa. A trilha, escolhida pela direção no momento do briefing, nos dava um caminho narrativo crescente com uma mensagem agregadora e positiva. Na abertura começamos mostrando mais fisionomias e detalhes com expressão natural, daí vemos uma família síria e aos poucos vamos apresentando outras nacionalidades e elementos culturais. No decorrer do trabalho, exploramos os sorrisos e a interação entre eles até a grande mistura que encerra a abertura, com o elenco integrado às pessoas comuns. A ideia foi colocá-los junto aos refugiados e imigrantes de forma natural para os percebermos como parte do grupo da história que estão representando e com isso agregar valor histórico real para estarmos alinhados com o que a dramaturgia mostrará nos capítulos. A criação é minha (Alexandre Romano) e de Adriano Motta, diretor de arte, e com direção de criação de Mariana Sá.

2. A abertura foi gravada nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, e em São Paulo?
Foram duas diárias separadas e equipes diferentes de produção dirigidas por nós. Optamos por seguir assim para respeitarmos tanto a logística de gravação do elenco, no Rio de Janeiro, quanto a rotina das famílias, já que a maior parte delas mora em São Paulo. Para a abertura, imaginamos uma cenografia realista do ponto de vista de vivência e elementos, mas gráfica e lúdica do ponto de vista de composição. Então achamos uma locação em São Paulo, uma casa antiga onde “vestimos” cada ambiente com elementos das diversas culturas, a maioria vinda das casas dos refugiados e imigrantes. Queríamos uma luz natural para ter um visual mais documental e a casa, com suas janelas, portais e texturas nas paredes e pisos nos permitiu isso. No Rio de Janeiro, a cenografia da Globo reproduziu o mesmo cenário nos Estúdios Globo, partindo da base dos nossos layouts e pesquisas do projeto para gravarmos a última cena, composta por elenco e refugiados e imigrantes reais parte da figuração na novela.

3. Quais fontes serviram de inspiração?
Fizemos uma pesquisa de fotógrafos documentais e de arte que trabalham com temas como ambiente familiar e cultura, fisionomia e origem, traços de identidade e intimidade e o espetacular do cotidiano urbano. Trabalhos como o de Thomas Struth, onde fotos de família num ambiente privado mostram a dinâmica social através da riqueza e complexidade de elementos em cena que transbordam significados e possibilitam perceber novos elementos a cada olhar. Da Holandesa Rineke Dijkstra, que explora os traços de identidade e a intimidade em fotos que captam a autoconsciência e um certo desconforto de pessoas reais fora de seus ambientes particulares. Da brasileira Barbara Wagner, que retrata o sentimento de orgulho e pertencimento de pessoas comuns em ambientes de lazer. Do Alemão Thomas Ruff e sua série de retratos de jovens com expressões neutras em close-ups, que chamam nossa atenção para a fisionomia. E do contemporâneo Martin Parr, que busca um certo exagero e exuberância em fotos cotidianas, onde mostra em cores super saturadas e um tom acima da realidade como nos apresentamos aos outros e o que valorizamos.

4. Como foi feita a escolha dos refugiados que aparecem na abertura?
Queríamos captar a essência real de quem deixa uma vida, seu país de origem para trás de forma abrupta e precisa se readaptar à outra sociedade que os acolheu. Buscamos junto à ONG “I Know My Rights“, que acolhe e acompanha os refugiados recém chegados no Brasil e os ajuda a se integrar no país, algumas pessoas que poderiam fazer parte do trabalho. A entidade já estava trabalhando com as autoras e com a direção e produção da novela, então o apoio foi essencial para a escolha de pessoas com histórias de vida que conversam com nosso conceito. São todas pessoas comuns, cada uma com sua história de vida lá e aqui. Alguns fugiram da guerra na Síria, outros das violentas milícias do Congo, outros simplesmente imigrantes que resolveram tentar uma nova vida no nosso país. Tivemos todo um cuidado com eles na produção, pois não se tratavam de figurantes ou atores profissionais, todos dedicaram um tempo de suas vidas ali para representar sua origem. Minha orientação de direção foi pedir que agissem naturalmente, como se estivéssemos registrando uma foto de um momento especial, um momento de chegada e de encontro deles aqui no país que os acolheu, como uma foto oficial que os lembrassem não só do motivo que os trouxe ao Brasil, mas que apresentassem sua cultura e costumes para os brasileiros. Sentimos um orgulho forte em cada história deles e essa realidade é mais forte do que qualquer direção ou conceito.

Direção: Alexandre Romano / Direção de Criação: Sergio Valente, Mariana Sá / Criação e Direção de Arte: Alexandre Romano, Adriano Motta, Roberto Stein / Edição: Roberto Stein / Composição: Adriano Motta / Color Grading e Look Final: Alexandre Romano / Produção Executiva: Orlando Martins / Coordenação de Criação: Valerycka Rizzo / Logo Design e animação: Adriano Motta / Assistente de Criação: Gisele Ramalho / Atendimento: Carla Sá, Suzana Prista, Fabienne Verbicaro, Dryele Primo
Produtora: Detour Filmes / Produção Executiva: Michele Ruaro, Alvaro Beck / Direção de Fotografia: Lícia Arosteguy / Direção de Arte: Ana Henriques / Direção de Produção: Andrea Beni / Assistente de Direção: Flavia Zentil / Stylist: Guga Saraiva / Make Up: Aline Matias
Elenco e Consultoria Refugiados – Fundadora e Diretora Geral da ONG I Know My Rights – IKMR: Vivianne Reis
Produção Estudios Globo (última cena): Gerente de Produção: Lucas Zardo / Produção Comunicação: Amanda Lima / Cenógrafo: Keller Veiga / Cenógrafa Assistente: Milene Busch / Figurinista: Mariana Sued / Sup. Exec. Produção de Engenharia: Fábio Machado / Sup. Exec. de Produção de Execução: Lysia Backx / Sup. Produção: Renata Rossi / Ass. de Direção: Ricardo Franca, Cecília Bueno / Chefe Elétrica: Marcílio Maquinista / Chefe: Edison Mugica / Caracterizadora Titular: Gilvete Santos

Fotos: reprodução.

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Jogo de enigmas é o maior charme da minissérie Se Eu Fechar os Olhos Agora http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2019/04/15/jogo-de-enigmas-e-o-maior-charme-da-minisserie-se-eu-fechar-os-olhos-agora/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2019/04/15/jogo-de-enigmas-e-o-maior-charme-da-minisserie-se-eu-fechar-os-olhos-agora/#respond Mon, 15 Apr 2019 13:03:12 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=15672

João Gabriel D’Aleluia, Antônio Fagundes e Xande Valois (foto: Maurício Fidalgo/TV Globo)

A Globo estreia nesta segunda-feira (após “O Sétimo Guardião“) a ótima minissérie “Se Eu Fechar os Olhos Agora“, escrita por Ricardo Linhares a partir do livro homônimo de Edney Silvestre (vencedor do prêmio Jabuti de melhor romance de 2010). A produção – que tem direção artística de Carlos Manga Jr. – estreou ano passado no Now, plataforma on demand da Net e Claro, e só agora chega à TV aberta, em 10 capítulos.

Com uma trama dramática e policial – um thriller psicológico -, ambientada em uma bucólica cidadezinha fluminense, no início da década de 1960, a história retrata as memórias e um pedaço da infância de Paulo (Milton Gonçalves), o narrador. No elenco, os maiores destaques são Antônio Fagundes, Mariana Ximenes e os garotos João Gabriel D’Aleluia e Xande Valois – como Paulo e seu amigo Eduardo, os meninos protagonistas que investigam um misterioso assassinato envolvendo os poderosos locais.

A repressão sexual, a hipocrisia da sociedade da época, racismo, intolerância e jogos políticos e sociais são retratados por meio da belíssima fotografia, que confere um clima noir à produção.

Conversei com Edney Silvestre e Ricardo Linhares. O adaptador tomou todas as liberdades possíveis sobre o romance, com o total apoio do autor. Silvestre disse que Linhares deu “consistência” à trama na televisão. Uma das personagens que mais chama a atenção na minissérie, Adalgisa, interpretada por Mariana Ximenes, sequer existe no livro.

Edney Silvestre e Ricardo Linhares (foto: Estevam Avellar/TV Globo)

Mariana Ximenes vive aqui um de seus melhores momentos na televisão, em uma personagem rica e enigmática, espirituosa com uma ponta de melancolia, cheia de ótimas frases de efeito: “Só as viúvas sabem onde estão seus maridos” é uma delas.
Adalgisa tem um heroísmo que os outros personagens não têm“, disse Silvestre. “Ela traz leveza e ironia e um olhar urbano sobre a cidadezinha“, completou Linhares. Detalhe: Adalgisa é uma mera coadjuvante. Preste atenção à personagem.

Antônio Fagundes vive outro coadjuvante com destaque: Ubiratan, não menos enigmático. E é esse jogo de enigmas que dá charme à trama e enlouquece os pequenos aspirantes a detetive Paulo e Eduardo, vividos com muita segurança pelos talentosos João Gabriel D’Aleluia e Xande Valois.

Perguntado se a trama é autobiográfica, Edney Silvestre limitou-se a dizer que alguns entrechos ouviu de “cochichos” em sua infância, que os pais do menino Eduardo são uma referência aos seus próprios pais, e que pode-se afirmar que a fusão de Paulo e Eduardo representam seu alter ego.

Mariana Ximenes como Adalgisa (foto: Gshow)

Sobre a exibição na plataforma Now, a Globo fala em novas experiências e parcerias. Na verdade, o Now comprou um produto da TV aberta e pagou pela exclusividade. Ricardo Linhares justifica que sua minissérie “não é um produto tão óbvio como seria para a TV aberta“. Ele exemplifica citando Antônio Fagundes, um astro da Globo que, na produção, aparece lá pela metade em um personagem coadjuvante (apesar de importante na trama).

A parceria entre Linhares e Silvestre nasceu quando o escritor e jornalista procurou o novelista com a intenção de adaptar uma série de contos para a TV. Linhares preferiu o romance “Se Eu Fechar os Olhos Agora“, que ele já conhecia e no qual viu potencial para a televisão.

A trama se passa no anos 1960, mas tem ecos na atualidade. Ricardo Linhares fala ainda em “microcosmo do Brasil” representado na cidadezinha onde a história é ambientada, no que diz respeito ao jogo do poder e à opressão. Algo na linha de cidades de novelas, como Bole-Bole de “Saramandaia“, Asa Branca de “Roque Santeiro” e Greenville de “A Indomada“. Porém, sem realismo fantástico. Também a crítica social não é tão marcada. “A história aborda intolerância, preconceito, culpa. Os personagens são reféns de máscaras“, completa Linhares.

No elenco, ainda Murilo Benício, Débora Falabella, Gabriel Braga Nunes, Thainá Duarte, Renato Borghi, Jonas Bloch, Paulo Rocha, Enzo Romani, Marcela Fetter, Lidi Lisboa, Betty Faria e outros.

O site Teledramaturgia traz o elenco completo, trama, personagens e curiosidades da produção.

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Órfãos da Terra, novela das 6 ou 9? Faixa das 18h é estratégica, diz Globo http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2019/04/10/orfaos-da-terra-novela-das-6-ou-9-faixa-das-18h-e-estrategica-diz-globo/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2019/04/10/orfaos-da-terra-novela-das-6-ou-9-faixa-das-18h-e-estrategica-diz-globo/#respond Wed, 10 Apr 2019 10:00:51 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=15648

Kaysar Dadour e Herson Capri (foto: Paulo Belote/TV Globo)

O público de “Órfãos da Terra”, a nova atração das 18 horas da Globo, foi pego de surpresa com uma produção que, a princípio, dispõe um tratamento que a audiência estava acostumada às 21 ou 23 horas. Nada de fantasias de época e melodramas leves e coloridos. A trama de “Órfãos da Terra” é folhetinesca (uma história de amor prejudicada por vilões), porém vem embalada em um realismo poucas vezes visto no horário. Seria a faixa das seis, agora, a menina dos olhos da Globo?

O drama dos refugiados, sírios e de outras nacionalidades, tão atual e sensível à opinião pública, serve de pano de fundo para a história de amor. Contudo, não há eufemismo ou melindres, como se poderia imaginar às 6 da tarde. Logo no início, a família da trama foi vítima de um atentado terrorista, perdeu tudo, foi obrigada a partir, e o caçula, um menino, morreu. A ficção não poupa a realidade.

Diante do realismo apresentado e da robustez das imagens, a estreia de “Órfãos da Terra” tem gerado especulações sobre a aprovação da trama para as 18 horas. Afinal, as autoras Thelma Guedes e Duca Rachid haviam apresentado uma sinopse para a faixa das 9 da noite, que não vingou, e depois criaram outra para as 23 horas, que acabou migrando para as 18, com alterações. O público questiona se “Órfãos da Terra” não seria uma produção mais adequada às 21 horas.

Conversei com Thelma Guedes e ela explicou o que aconteceu. Sobre a sinopse apresentada para as 21 horas, era uma outra história: “A novela ‘O Homem Errado’ [o título original era ‘Jogo da Memória’] era para as 21 horas. A sinopse foi aprovada sim, a Globo estava animada. O primeiro bloco (do capítulo 1 ao 6), aprovado também. O segundo (do 7 ao 12) é que não foi aprovado. E decidiram cancelar a novela.

Marco Ricca e Julia Dalavia (foto: reprodução/TV Globo)

Com o cancelamento de “O Homem Errado“, as autoras escreveram a sinopse de “Órfãos da Terra“: “Apresentamos a novela para as 18 horas originalmente. Ao ler, Silvio de Abreu [diretor de dramaturgia da emissora] pediu uma versão para as 23. Fizemos uma, mais forte, indo mais fundo no tema. Mas ele disse que tinha ficado encantado com a anterior. E ficou decidido que seria para as 18 horas mesmo“, conclui Thelma.

De acordo com a área de Comunicação da Globo, a opção por uma abordagem realista na faixa é mais estratégica:
Todos os horários e todas as novelas têm a mesma importância. Cada horário tem suas características e desafios e cada um deles é tratado com igual atenção. A faixa das seis é muito estratégica, por ser a primeira das novelas da noite. Silvio de Abreu tem dado, inclusive, uma atenção especial a esse horário e os resultados têm sido animadores para as novelas e para a grade em geral. Por tudo isso, vamos continuar investindo nesse horário com ótimas tramas, elencos de grandes atores e importantes esforços de produção.

Com elogios vindos de todos os lados, a primeira semana de “Órfãos da Terra” impressionou pela qualidade da direção (Gustavo Fernández, André Câmara e equipe) e elenco vigoroso. Enquanto isso, a exibição de uma produção tão portentosa às 18 horas acena para uma nova realidade que se desenha: a de que os programas de televisão cada vez mais se desligam de horários engessados da grade.

Outra prova disso é a disponibilidade por parte da Globo de capítulos inéditos da novela no Globoplay antes de sua exibição na TV aberta – algo nunca tentado antes, em se tratando de novelas. Como disse o amigo Watson Hermann no Twitter, se você quer assistir a “Órfãos da Terra” às 21 horas, é só acessá-la diariamente no Globoplay às 21 horas. Voilà!

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“Malhação Viva a Diferença” vence o prêmio Emmy Internacional Kids http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2019/04/09/malhacao-viva-a-diferenca-vence-o-premio-emmy-internacional-kids/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2019/04/09/malhacao-viva-a-diferenca-vence-o-premio-emmy-internacional-kids/#respond Tue, 09 Apr 2019 21:56:26 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=15651

Protagonistas de Malhação, Viva a Diferença (Foto: Sergio Zalis/TV Globo)

A Rede Globo foi premiada em Cannes, na França, com o troféu de melhor Série no Emmy Internacional Kids 2018, com a temporada “Viva a Diferença” de “Malhação“, escrita por Cao Hamburger e dirigida por Paulo Silvestrini, exibida entre 2017 e 2018. Os vencedores foram anunciados pela Academia Internacional de Artes e Ciências da Televisão em uma cerimônia durante o MipTV. A Globo concorria com produções da Alemanha, Austrália e Canadá.

Esta foi a quarta indicação de “Malhação” ao prêmio. Por duas vezes, disputou a categoria Digital: em 2017, com “Malhação, Seu Lugar no Mundo“, e em 2016, com “Malhação Sonhos“. Em 2015, concorreu por melhor Série. 

Cao Hamburger comentou a premiação: “O reconhecimento internacional a esse trabalho é importante para celebrarmos a diversidade da sociedade e da cultura brasileira, nosso maior bem. Além de nos fazer lembrar de valores essenciais – como respeito e valorização dos direitos humanos, diferenças religiosas, culturais, raciais e de orientação sexual – e da educação pública, único caminho para o desenvolvimento do pais. É também o reconhecimento ao trabalho de alto nível de todo o elenco e equipe técnica e artística“.

Com a nova estatueta, a Globo já acumula 17 prêmios Emmy.

Tudo sobre “Malhação, Viva a Diferença: trama, elenco, personagens, trilha sonora e curiosidades.

Leia também, Stycer: “Série derivada de Viva a Diferença vai ao ar em 2020 na Globoplay“.

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8 curiosidades sobre Estrela-Guia: Sandy queria outro ator de par romântico http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2019/04/08/8-curiosidades-sobre-estrela-guia-sandy-queria-outro-ator-de-par-romantico/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2019/04/08/8-curiosidades-sobre-estrela-guia-sandy-queria-outro-ator-de-par-romantico/#respond Mon, 08 Apr 2019 10:00:31 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=15627

Guilherme Fontes e Sandy (foto: Acervo TV Globo)

O canal Viva estreia nesta segunda-feira (08/04), às 11h45, a novela “Estrela-Guia”, produção global de 2001, escrita por Ana Maria Moretzsohn e estrelada pela dupla Sandy e Júnior. “A novela da Sandy”, como ficou conhecida, foi produzida especialmente para aproveitar a popularidade dos astros teen, que, na época, vinham da experiência como atores no seriado dominical “Sandy & Jr.“, desde 1999. E eles continuaram gravando a série mesmo após o fim da novela: “Sandy & Jr.” terminou sua exibição em março de 2003, depois de quatro temporadas.

A volta da novela no Viva vem embalada pelo retorno aos palcos de Sandy e Júnior, após 12 anos separados, com uma turnê pelo Brasil neste ano. Na novela, Sandy vivia a adolescente Cristal, criada em uma “comunidade alternativa”. Órfã, partiu com seu padrinho para o Rio de Janeiro e acabou apaixonada por ele. O sortudo era Tony, interpretado por Guilherme Fontes. A escolha do par romântico de Sandy gerou buchicho na época. Fontes foi escalado depois de muita especulação e expectativa, e nem era o preferido da cantora. Seguem 8 curiosidades sobre a novela:

1. Sandy queria outro ator

De acordo com o seu perfil, Tony teria de ser 18 anos mais velho que Cristal, já que, na história, ele era tutor da garota, amigo do falecido pai dela. Guilherme Fontes foi escolhido entre 10 atores, desbancando candidatos como Felipe Camargo, Gabriel Braga Nunes e Rodrigo Santoro. Nomes como Marcelo Antony e Fábio Assunção foram cogitados, mas ambos estavam na ocasião escalados para outras produções. Antony era o preferido de Sandy. Guilherme Fontes – há 4 anos afastado da TV, desde a novela “O Rei do Gado” (1996-1997) – estava à época envolvido com os problemas de seu filme “Chatô, o Rei do Brasil” (finalmente lançado em 2015).

Carolina Ferraz (Vanessa) | Thaís Fersoza (Gisela) (foto: Acervo TV Globo)

2. Novela curta

Estrela-Guia” ficou apenas três meses no ar, totalizando 83 capítulos. Uma novela concebida para ser curta e não atrapalhar a agenda de shows de Sandy e Júnior. A autora Ana Maria Moretzsohn pôde assim apresentar uma história consistente, sem espichamento ou “barriga” (aquele período na novela em que nada acontece), mantendo uma audiência linear.

3. Elenco

Júnior também estava na novela, em um personagem pequeno: Zeca, um malabarista de rua. Além de Sandy e Guilherme Fontes, outros destaques no elenco foram Carolina Ferraz, como a fútil vilã Vanessa, Lília Cabral, a “perua country” Dafne, e Rodrigo Santoro vivendo o playboy Carlos Charles. A revelação foi Thaís Fersoza, ainda novata na televisão, dando uma interpretação segura à sua personagem, Gisela (de cabelo pink, laranja e roxo).

4. Pirenópolis

Várias locações externas foram em Pirenópolis, no estado de Goiás. Em fevereiro de 2001, foram reproduzidas na cidade – especialmente para a novela -, as tradicionais Cavalhadas, manifestação folclórica que, desde 1826, é encenada na cidade, mostrando a histórica batalha entre mouros e cristãos no século 6. Para a realização da Festa do Divino – também encenada na novela -, Pirenópolis foi enfeitada com bandeirinhas brancas e vermelhas e chitão colorido, e povoada de mascarados, pastorinhas e bandas de música, além de ganhar uma arena com 40 camarotes. O Rei dos Mouros foi interpretado por Rodrigo Santoro, que aprendeu as coreografias da batalha, em que os cavaleiros mouros vestem vermelho e os cristãos, azul, com 12 integrantes de cada lado. A encenação contou com mais de 120 cavalos. Ainda em Pirenópolis, a equipe de produção conheceu melhor o dia a dia de uma comunidade alternativa, a Frater Unidade: o ritmo de trabalho, a divisão de tarefas, a meditação, a produção de artesanato, a alimentação, etc.

Rodrigo Santoro (Carlos Charles) | Lília Cabral (Dafne) (foto: Acervo TV Globo)

5. Os hippies

Os colares e batas usados por Sandy na novela fizeram sucesso e ganharam as ruas. A indumentária do núcleo alternativo foi toda confeccionada com os mesmos procedimentos artesanais adotados na trama pelos habitantes da fictícia comunidade de Jagatah. Todas as peças foram feitas à mão, com retalhos reciclados ou tecidos em teares manuais com fios de algodão supostamente por eles cultivado. A equipe da figurinista Gogóia Sampaio pesquisou materiais e métodos compatíveis com os recursos encontrados na própria região do Arco da Aliança. Nada, absolutamente, foi feito industrialmente. Para suprir tal demanda de trabalho, uma equipe de costureiras e bordadeiras, além de pessoas para tingir e dar vivência ao tecido (fazê-lo parecer usado) foi montada exclusivamente para a novela. Joias e bijuterias criadas pela designer Tereza Xavier complementaram o visual dos moradores da comunidade de Jagatah.

6. Preparação do elenco

Os atores participaram de workshops sobre astrologia, antropologia, mantras e sociedade alternativa para entender melhor a filosofia sobre a vida e o cotidiano de seus personagens. Mônica Torres e Fernanda Rodrigues receberam noções de fabricação de joias e aprenderam a jogar tarô. Ana Carbatti contou com a consultoria da escultora Elisa Pena, que trabalhava com cerâmica, para dar veracidade à artista plástica Dominique. Para viver seu personagem, Sérgio Marone teve de se familiarizar com instrumentos musicais, como flauta, calimbaharmonium. Lília Cabral, Sérgio Mamberti e Nizo Neto aprenderam noções básicas de hipismo com a veterinária Gisela Ferraz, responsável pelos cavalos da novela. Nelson Xavier estudou um pouco de fitoterapia para viver o mestre espiritual Purunam. Sandy aprendeu a cantar os mantras da personagem Cristal com Tomaz Lima, conhecido pelo nome artístico de Homem de Bem.

7. Animais para as gravações

As gravações contaram com diferentes tipos de animais. Na comunidade Arco da Aliança, não faltaram araras, tucanos, saguis, bichos-preguiças e canários da terra, em contraste com as cobras, gaviões, onças e urubus-reis da fazenda de Dafne (Lília Cabral). Mais de 150 borboletas aparecem nas cenas em que Cristal medita, dança e canta mantras.

8. A trilha sonora

Com 18 músicas escolhidas a dedo para a novela, o CD com a trilha sonora de “Estrela-Guia” foi um sucesso de vendas. Paulo Ricardo gravou especialmente o tema de abertura, “Imagine“, de John Lennon. Júnior estava presente com um de seus sucessos, “Enrosca“, e Chitãozinho e Xororó com um medley de “Bailão de Peão” e “Na Aba do Meu Chapéu“. O restante da trilha reuniu novos e antigos sucessos, em regravações ou gravações originais: “Just the Way You Are” (Barry White), “Oye Como Va” (Santana), “Quase Nada” (Zeca Balero), “Father and Son” (Cat Stevens), “Vieste” (Lenine), “Lá em Mauá” (P.O. Box), “Amor de Índio” (Roupa Nova), “Como Nossos Pais” (Elis Regina) e outros.

O site Teledramaturgia traz mais informações sobre “Estrela-Guia“: a trama, elenco completo, personagens e mais curiosidades.

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A Globo gastou em Órfãos da Terra o apuro estético que poupou em Verão 90 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2019/04/02/a-globo-gastou-em-orfaos-da-terra-o-apuro-estetico-que-poupou-em-verao-90/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2019/04/02/a-globo-gastou-em-orfaos-da-terra-o-apuro-estetico-que-poupou-em-verao-90/#respond Tue, 02 Apr 2019 22:49:30 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=15615

Julia Dalavia, Renato Góes e Alice Wegmann (foto: Paulo Belote/TV Globo)

Impressionante a qualidade das imagens na estreia da novela “Órfãos da Terra“, a nova das seis, nesta terça-feira (02/04). A direção geral é André Câmara, com direção artística de Gustavo Fernández, e trama escrita pela dupla Duca Rachid e Thelma Guedes, das também visualmente belas “Cordel Encantado” e “Joia Rara“. E dizer que a Globo nem precisou sair do Brasil para representar a Síria e o Líbano.

Ainda que a trama parecesse correr nesse primeiro capítulo: família síria de classe média perde tudo e decide fugir dos horrores da guerra na Síria, partindo a pé para o Líbano, pensando em ir para São Paulo, onde tem parentes. Também incomodou o excesso de didatismo nos diálogos, explicando direitinho os laços familiares dos personagens. Novela é reiteração, logo saberemos as motivações de cada um.

Porém, a beleza de cenários – com uma realidade poucas vezes vista em novelas -, figurinos, trilha sonora, abertura e fotografia cinematográfica (ou de série?) fizeram esquecer (ou disfarçar) qualquer pequeno deslize. O elenco parece em sintonia: expressão corporal e verbal coesas, sotaques bonitos e frases no idioma – sem aquela necessidade irritante de traduzir tudo na sequência.

Herson Capri (foto: Paulo Belote/TV Globo)

É cedo ainda para destacar interpretações, mas Alice Wegmann e Herson Capri têm em mãos papéis que prometem muito: os terríveis vilões da história, o sheik Aziz Abdallah e sua filha Dalila, que já na estreia deram as cartas. Trata-se, acima de tudo, de uma história de amor, condizente com o horário. O gancho para o segundo capítulo é o amor à primeira vista – dos protagonistas Laila (Julia Dalavia) e Jamil (Renato Góes).

No mais, a temática explorada – o drama dos refugiados e expatriados – traz um gás novo para a teledramaturgia, um sabor de renovação e modernidade nas abordagens. Foi uma estreia auspiciosa – diria Tio Ali, personagem de Stênio Garcia em “O Clone” – neste momento, impossível escapar da associação.

O título deste texto é um gracejo proposital. Apuro estético tão belo e caprichado em “Órfãos da Terra” que nem parece a mesma emissora quando começa a mal acabada novela das sete, “Verão 90”.

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“Espelho da Vida” teria sido uma novela “redonda” se fosse mais curta http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2019/04/01/espelho-da-vida-teria-sido-uma-novela-redonda-se-fosse-mais-curta/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2019/04/01/espelho-da-vida-teria-sido-uma-novela-redonda-se-fosse-mais-curta/#respond Mon, 01 Apr 2019 22:17:43 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=15595

Alinne Moraes (foto: reprodução)

A Globo encerrou nesta segunda-feira (01/04) sua novela das 18 horas, “Espelho da Vida“. Infelizmente, a atração amarga o título de menor audiência no horário desde 2015 (quando foi exibida “Boogie Oogie“): média final de 17,5 pontos no Ibope da Grande São Paulo, abaixo do esperado para a faixa, 20 pontos.

Digo “infelizmente” porque, a meu ver, a produção reúne mais qualidades do que defeitos. Acho mesmo que merecia uma audiência maior. Como sabemos que Ibope não atesta qualidade – mesmo porque pode-se assistir à novela no Globoplay, quando quiser -, ratifico: quem não viu, perdeu uma obra, no mínimo, interessante. Porém, entendo o que afugentou o público da TV aberta tradicional, ou que não lhe despertou interesse.

Geralmente, culpa-se a passagem do ano como vilão para justificar audiências abaixo da média. De fato, devem ser levados em consideração o horário de verão (ainda mais em se tratando de uma novela que passa às seis da tarde, com sol a pino lá fora), as festas de fim de ano e, depois, o carnaval. Entretanto, não são preponderantes: há um ano, a excelente “Tempo de Amar” atravessou o mesmo período e fez bonito no Ibope.

Irene Ravache (foto: reprodução)

Espelho da Vida” foi duas novelas em uma. Não somente porque apresentou uma trama no passado e outra no presente, mas também porque foi uma até a metade, e outra depois de janeiro, quando a trama “deslanchou”. A história começou demasiadamente morosa com personagens pouco cativantes. O seu melhor – o confronto entre as duas épocas – só foi ganhar impulso depois de janeiro.

Porém, acho inconsistente culpar exclusivamente a morosidade da trama durante os meses quentes entre 2018 e 2019. Entende-se a intenção da autora Elizabeth Jhin em alongar-se para apresentar a trama e personagens, mesmo porque a novela tinha uma narrativa que necessitava de tempo para assimilação, com atores vivendo mais de um personagem em épocas distintas, exibidas concomitantemente.

Entretanto, faltaram nos primeiros meses de “Espelho da Vida” o apelo e o calor que a trama só começou a demonstrar quando a história na década de 1930 passou a ocupar maior tempo na narrativa – foi quando a novela ganhou emoção genuína.

João Vicente de Castro e Clara Galinari (foto: reprodução)

Em seu início, o público foi ludibriado com um mocinho que não era mocinho: Alain (João Vicente de Castro). Mal-humorado, egoísta e até grosseiro, Alain custou a cair nas graças da audiência. Ele não era exatamente “o vilão”, tampouco um “anti-herói”, mas simplesmente um tipo intragável, que afugenta as pessoas, inclusive o público. Alain só começou a perder ares de vilão quando descobriu a filha, Priscila (Clara Galinari).

Em consequência, a heroína Cris (Vitória Strada) ficou sozinha neste tempo, sem a figura do “mocinho”. Este, Danilo (Rafael Cardoso), só foi aparecer muito tempo depois, na década de 30, e em doses homeopáticas. Enquanto isso, o núcleo do cinema se estendia com personagens aleatórios. Convenhamos, um núcleo que em nada contribuiu para a novela, nem mesmo para a metalinguagem com proposta de “história dentro da história”.

O núcleo do filme (foto: reprodução)

Quando a trama no passado passou a ser priorizada pela autora, “Espelho da Vida” ganhou estofo, dando início à segunda novela. Foi quando suas qualidades afloraram. Vou reiterar o que escrevi há algumas semanas, exaltando o que “Espelho da Vida” teve de bom nesta fase, o que fazia dela a melhor novela no ar:

– A narrativa em duas épocas concomitantes não é inovadora ou inédita, porém é uma abordagem pouco visitada em teledramaturgia, o que conferiu um sabor da novidade à novela. Com um escape sedutor, a história mexe com a fantasia do espectador, acreditando ele ou não em reencarnação ou universos e dimensões paralelas;
– O ótimo elenco, apoiado na direção (Pedro Vasconcelos e equipe) e no texto de Elizabeth Jhin, com grandes atuações, principalmente Vitória Strada, Alinne Moraes, Irene Ravache, Felipe Camargo, Júlia Lemmertz, Suzana Faini, Patrícya Travassos, Ana Lúcia Torre e Emiliano Queiroz;
– A produção de primeira, com apuro técnico, iluminação, arte, figurinos e cenários caprichados e trilha sonora de bom gosto. Uma novela bonita e agradável de assistir;
– E ingredientes folhetinescos bem trabalhados nesta reta final: mocinhos sofredores, vilões terríveis, amor impossibilitado, segredos, mistérios, paternidades desconhecidas e um “quem matou?” original.

Rafael Cardoso e Vitória Strada (foto: reprodução)

Nos primeiros meses, ao subverter a fórmula do folhetim (heroína sem um interesse romântico, apenas uma citação), Elizabeth Jhin traiu um dos seus maiores alicerces: a emoção. “Espelho da Vida” era fria em seu início. Faltou maior habilidade em cativar o público de imediato, com personagens de maior apelo. Aí veio o verão e, com ele, a fome, a peste, a guerra.

Mesmo com todos os percalços, o saldo é positivo. Teria sido uma novela “redonda” se mais enxuta. Muito tempo se perdeu nos primeiros meses com pouca trama consistente. E caímos naquela velha discussão: de que as novelas deveriam ser mais curtas.

Leia também: “5 motivos que fazem de Espelho da Vida a melhor novela no ar“;
Stycer: “Aqui se faz, no futuro se paga, ensina trama espírita da Globo“;
Feltrin: “Novelas da Globo lideram ibope, mas têm pior momento histórico“.

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Irene Ravache e Reginaldo Faria (foto: reprodução)

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20 casos absurdos de censura às novelas pela Ditadura Militar http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2019/03/31/20-casos-absurdos-de-censura-as-novelas-pela-ditadura-militar/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2019/03/31/20-casos-absurdos-de-censura-as-novelas-pela-ditadura-militar/#respond Sun, 31 Mar 2019 10:00:34 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=15563

O Bem Amado | Escrava Isaura | O Casarão

Por 24 anos, a TV brasileira sofreu com a ação da censura oficial do Governo: de 1964 a 1984 (Regime Militar) e de 1985 a 1988 (Nova República). Também o teatro, cinema, rádio, música, artes, imprensa e mídia em geral. A Constituição de 1988 extinguiu o DCDP (Divisão de Censura de Diversões Públicas), pondo fim a uma era obscura que fez nossa TV parar no tempo, sem força para discutir temas caros à sociedade. O Governo continuou com poder de vigiar e limitar a programação da TV, mas por meio de outras instâncias, e não mais com um órgão governamental criado exclusivamente para esta função, ao qual as emissoras eram obrigadas a se submeter.

Foi com a ditadura do Governo Militar – que criou o DCDP -, que os obtusos censores de Brasília ganharam poder em vetar, coibir e limitar temas tidos como malditos para as telenovelas, como aborto, drogas, racismo, homossexualidade, política, polícia, adultério, sexo, incesto, gravidez, separação, religião, violência e outros – em nome da moral e dos bons costumes e pela manutenção da tríade tradição, família e propriedade. Abaixo, cito 20 dos mais emblemáticos e absurdos casos de censura às telenovelas durante o período da Ditadura Militar (1964-1984). A finalidade não é celebrar, mas lembrar e fazer refletir, para que não volte a acontecer.

Meu Pedacinho de Chão“, 1971

A novela enfrentou diversos problemas com a censura do Regime Militar, como, por exemplo, na cena em que um personagem tocava violão e cantava o Hino Nacional para os caboclos. Depois disso, um aluno cantava o hino da escola, tendo a bandeira do Brasil estendida sobre a mesa. A censura cortou as cenas, alegando que o hino brasileiro não podia ser cantado naquele ambiente e que a bandeira só podia aparecer em “cenas especiais”.

“Meu Pedacinho de Chão” (reprodução) | Clodovil | Francisco Cuoco e Dina Sfat em “Selva de Pedra”

Editora Mayo, Bom Dia“, 1971

A censura não viu com bons olhos a participação do costureiro Clodovil Hernandes na novela. Um censor justificou o veto de uma cena: “O personagem Clodovil faz com uma das mãos gestos irreverentes e obscenos.” Uma censora errou o nome do costureiro ao indicar o corte na cena “em que aparece o costureiro Cordovil (sic) com jeitinho afeminado.” Aos poucos Clodovil foi conquistando espaço na televisão, inclusive com mais participações em novelas.

Selva de Pedra“, 1972

A Censura Federal impediu o casamento de Cristiano (Francisco Cuoco) e Fernanda (Dina Sfat), ainda que ele acreditasse estar viúvo de Simone (Regina Duarte), considerada morta em um desastre de carro (no que, inclusive, os demais personagens acreditavam). O problema – para os censores – é que ela estava viva. Eles alegaram que, se Cristiano se casasse novamente, estaria incorrendo no crime de bigamia. Vinte e dois capítulos foram inutilizados e dezenas de sequências foram regravadas, a começar pela cena em que Fernanda espera o noivo na igreja.

O Bem Amado“, 1973

A censura implicou com as palavras “coronel”, que vinha sendo usada para se referir ao prefeito Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo), e “capitão”, como era chamado o matador Zeca Diabo (Lima Duarte). Os militares do Regime se sentiram atingidos, já que os apelidos eram usados para personagens “negativos”. A produção teve que apagar o áudio de dezenas de citações ao coronel em 15 capítulos já gravados. Também Zeca Diabo não poderia mais ser chamado de capitão. Palavras como “ódio” e “vingança” também foram vetadas. A música da abertura da novela, idem: era “Paiol de Pólvora”, interpretada por Toquinho e Vinícius de Moraes: “estamos sentados num paiol de pólvora…” Foi então substituída por outra música, “O Bem Amado”, gravada pelo grupo MPB4 (creditado no disco como Coral Som Livre).

Ida Gomes e Paulo Gracindo em “O Bem Amado” | Juca de Oliveira em “Fogo Sobre Terra” | Ziembinski em “O Rebu”

Fogo Sobre Terra“, 1974

Fizemos três novelas em uma só: uma que foi escrita, outra que foi realizada e uma terceira que foi ao ar.” Um dos diretores de produção assim definiu a batalha que foi a gravação de “Fogo Sobre Terra“, por causa da interferência da censura. Na época, o Governo Federal construía a Usina Hidrelétrica de Itaipu e enxergou na trama críticas à sua obra. Vários capítulos tiveram que ser regravados e outros tantos reescritos até que as autoridades ficassem satisfeitas. O pivô da celeuma era o personagem Pedro Azulão (Juca de Oliveira) que liderava os moradores de uma cidadezinha contra a construção da hidrelétrica da história. Os censores não gostaram de seu comportamento e exigiram que ele se emendasse. A autora pensou em dar uma morte heroica para Azulão, mas as autoridades preferiam que, em vez de mártir, ele se tornasse um cidadão cordato. Contou Janete Clair, a autora, em entrevista, queixando-se da censura:
É preciso dizer que não tem sido fácil escrever ‘Fogo Sobre Terra’. Por vezes o telespectador deve ter achado um capítulo sem nexo, truncado, e deve ter imaginado que eu enlouqueci. Não é fácil dizer a verdade. E, às vezes, ela vai ao ar mutilada por mil injunções. Em ‘Fogo Sobre Terra’, de uma só vez, tive que rasgar 12 capítulos. E muitas cenas saíram de minha máquina e não chegaram ao vídeo.

O Rebu“, 1974-1975

Pela primeira vez, a homossexualidade foi tratada em uma telenovela – mas não abertamente. Conrad Mahler (Ziembinski) tinha um caso com o garotão Cauê (Buza Ferraz), ainda que não fosse explícito para o telespectador. Para passar pela Censura Federal, foi exigido que Cauê aparecesse como filho adotivo do velho. Porém, no decorrer da trama, tudo ficava claro nas entrelinhas, principalmente pelas atitudes do “casal”. No meio da história, uma cena sem diálogos foi vítima de corte: uma suposta associação das imagens de Cauê e Silvia (Buza Ferraz e Beth Mendes), de mãos dadas, girando, com as imagens de Cauê e Mahler (Buza Ferraz e Ziembinski) na mesma atitude. “Essa associação reflete uma identidade de sentimentos entre os dois ‘casais’“, escreveram os censores. Capítulos adiante e mais uma observação sobre a postura do personagem Cauê: “demonstra os ciúmes do velho, percebendo-se em toda a sequência um envolvimento que explode quando Cauê se abraça com Mahler“. A novela também sugeria um interesse amoroso entre as personagens Roberta e Glorinha (Regina Viana e Isabel Ribeiro), o que fez os censores cortarem várias cenas.

Escalada“, 1975

Diversas cenas foram censuradas. Apesar da referência, na trama, à construção de Brasília, o nome do presidente Juscelino Kubitschek não era mencionado por imposição do Governo Militar. JK era persona non grata do Regime. Narrou o autor Lauro César Muniz ao jornal O Globo, em 2014:
Tentei usar [a sigla] JK. Fui impedido. Tentei Nonô, apelido de juventude. Nada! (…) O que fiz? Coloquei o personagem de um deputado assobiando ‘Peixe Vivo’, a música-símbolo do JK, da juventude do presidente em Diamantina, quando fazia serenatas.

Tarcísio Meira em “Escalada” | Lima Duarte em “Roque Santeiro” | Paulo José, Armando Bógus e Renata Sorrah em “O Casarão”

Roque Santeiro“, 1975

A novela já tinha 10 capítulos editados e quase 30 gravados quando, na noite de sua estreia, em 27/08/1975, foi proibida de ir ao ar pelo Governo Militar. Faltando poucos minutos para começar a atração, o apresentador Cid Moreira deu a notícia no “Jornal Nacional” e leu o editorial escrito por Armando Nogueira, então diretor do telejornal, anunciando o veto. O Governo justificava: “A novela contém ofensa à moral, à ordem pública e aos bons costumes, bem como achincalhe à Igreja.” Para escrever “Roque Santeiro“, Dias Gomes baseou-se em sua peça “O Berço do Herói”, escrita em 1963, já proibida, à época, de ser encenada. Sobre a proibição da novela, Artur Xexéo narrou em seu livro “Janete Clair, a Usineira de Sonhos”:
“A sinopse estava em Brasília quando o autor recebeu um telefonema do amigo Nelson Werneck Sodré. (…)
O que é que você está fazendo?’ – quis saber Werneck.
Uma pequena sacanagem’ – respondeu Dias. ‘Estou adaptando O Berço do Herói para a TV’.
Mas a Censura vai deixar passar?
Não tem mais o cabo. Assim passa. Esses militares são muito burros!
Como também era hábito, o telefone de Nelson Werneck Sodré estava grampeado. A conversa foi gravada, a censura entendeu as intenções de Dias, os militares voltaram a se sentir atingidos e a sinopse nunca foi oficialmente liberada.”
Dez anos depois, em 1985, com os ares liberais da Nova República, “Roque Santeiro” pôde enfim ir ao ar, em nova produção, tornando-se um dos maiores sucessos da TV brasileira de todos os tempos.

O Casarão“, 1976

A censura não permitiu que o autor Lauro César Muniz manipulasse o triângulo Jarbas-Estevão-Lina, que daria a mensagem final da posição da mulher na sociedade em suas mutações. Lina (Renata Sorrah), ao contrário das mulheres ancestrais de sua família, rompia um casamento fracassado com Estevão (Armando Bógus) para se juntar ao homem amado, Jarbas (Paulo José), contrastando dessa maneira com sua avó Carolina (Yara Côrtes), que se casou com um homem amando outro. Contudo, o Regime Militar não permitia o adultério feminino e recomendou que Lina pedisse o divórcio, pois não poderia se apaixonar ainda estando casada. Não foi permitido nem mostrar que Lina usava anticoncepcionais.

Saramandaia“, 1976

Apesar de experimentar o realismo fantástico, trabalhando com simbologias e metáforas, o autor Dias Gomes não escapou da censura do Regime e “Saramandaia” foi um das novelas mais visadas pelos militares na história. Quase todos os capítulos tiveram algum tipo de corte. O autor driblou como pôde a ação dos censores e usava um estratagema: como os critérios eram extremamente variáveis, e os censores eram trocados frequentemente, o autor repetia uma cena vetada 20 capítulos adiante e, se novamente cortada, voltava a repeti-la, até ela ser finalmente aprovada.

Ary Fontoura em “Saramandaia” | Antônio Fagundes e Regina Duarte em “Despedida de Casado” | Lucélia Santos e Edwin Luisi em “Escrava Isaura”

Despedida de Casado“, 1976

Um ano e três meses após vetar “Roque Santeiro“, a censura fez o mesmo com “Despedida de Casado“, novela que vinha sendo escrita para o horário das 22 horas. “Atentatória aos bons costumes” foi o diagnóstico. A novela tratava de um tema tabu para aqueles meados dos anos 70: a separação de casais. Dez dias antes de estrear, com chamadas no ar, a direção da TV Globo de Brasília recebeu um comunicado oficial do Governo declarando a novela definitivamente proibida. Trinta capítulos já estavam gravados e outros tantos escritos e sendo produzidos. Isso aconteceu às vésperas do Natal de 1976. A Globo anunciava sua nova atração para o horário das 22 horas com estreia para a segunda-feira do dia 03/01/1977. O autor, Walter George Durst, desabafou:
Com certeza os censores não leram toda a proposta da sinopse e permitiram assim que uma conclusão apressada jogasse por terra um trabalho em que venho me empenhando há anos (…) ‘Despedida de Casado’ não era contra o casamento. Eu quis mostrar a crise em que caem os casais depois daquela fase Romeu e Julieta, mas sobretudo eu mostrava que essas crises podem ser superadas.

Escrava Isaura“, 1976-1977

O autor Gilberto Braga foi chamado a Brasília para conversar com os censores. Ficou estabelecido que ele não poderia falar de escravo (!). Para a novela ser liberada, o autor teve que tirar dos diálogos a palavra “escravo”, substituindo por “peça”. Gilberto narrou em entrevista os problemas com a censura:
Uma censora me disse que a escravatura tinha sido uma mancha negra na história do Brasil e que não deveria ser lembrada – aliás, segundo ela, o ideal seria arrancar essa página dos livros didáticos; imagine então falar disso na novela das seis… Um censor falou que a novela podia despertar sentimentos racistas na netinha dele, porque ela via os brancos batendo nos escravos na televisão e podia querer bater nas coleguinhas pretas dela. Aí eu disse ao censor que ele devia ver um psicólogo para a menina porque, se ela se identificava assim com os bandidos…
Em 1992, Gilberto usou essa passagem, com muita propriedade, em sua minissérie “Anos Rebeldes“, ambientada durante a Ditadura Militar, em que o personagem Galeno Quintanilha (Pedro Cardoso), um novelista, é repreendido pelos censores ao escrever uma trama de cunho abolicionista. Galeno era o alter-ego do autor, que levou ao público, por meio da minissérie, as dificuldades de se escrever uma novela nos Anos de Chumbo.

Duas Vidas“, 1976-1977

Na trama da novela, o vilão era o metrô, que, à época, estava em construção na cidade do Rio de Janeiro. Uma obra do Governo Federal, e, como tal, não poderia ser criticada na televisão. A censura também não gostou do relacionamento amoroso entre Sônia (Isabel Ribeiro) e Maurício (Stepan Nercessian), por ela ser bem mais velha que ele, apesar de os dois serem solteiros e desimpedidos. O diagnóstico foi implacável: além de subversiva, “Duas Vidas” atentava contra a moral e os bons costumes. Janete Clair, a autora, desabafou em uma carta enviada aos censores:
Quem lhe escreve é uma escritora perplexa e desorientada em face dos cortes que vêm sendo feitos pela Censura Federal nos últimos capítulos da novela ‘Duas Vidas’. Perplexa e desorientada não apenas pela drástica mutilação da obra que venho realizando, como também diante do incompreensível critério que orienta a ação dos censores. De fato não posso entender que conceitos morais ou de qualquer natureza possam determinar a proibição de um romance de amor entre um jovem e uma mulher madura, ambos solteiros. (…) Não posso entender igualmente o porquê da proibição de outra cena em que o dono de uma casa de móveis reclama contra a poeira produzida pelas obras do metrô, que lhe emporcalha os móveis e afugenta a freguesia, quando todos nós sabemos dos transtornos ocasionados por essa obra pública.

Stepan Nercessian em “Duas Vidas” | Sylvia Kristel | Dercy Gonçalves em “Cavalo Amarelo”

Espelho Mágico“, 1977

A estrela internacional de filmes eróticos Sylvia Kristel (da série de filmes “Emmanuelle“), de passagem pelo Brasil, gravou uma participação especial na novela. Acabou cortada uma referência à proibição do filme no país. O argumento era de que o longa-metragem tinha sequer chegado oficialmente à censura para ser examinado. Ainda o veto da participação de uma travesti na novela. Pela primeira vez na história das novelas, uma travesti ganhou um papel: Cláudia Celeste vivia uma corista de teatro de revista. Porém, ela entrou para o elenco sem que o diretor Daniel Filho soubesse de que se tratava de uma travesti. O Regime Militar proibia travestis de aparecer em novelas. Descoberta, Cláudia Celeste teve que sair de cena.

Cavalo Amarelo“, 1980

Novela visadíssima pela censura por causa da presença no elenco de Dercy Gonçalves, como a protagonista Dulcinéa. No capítulo 26, os censores retiraram as expressões “xiriba” (umbigo) e “lelé da cuca tá a sua progenitora!“. Argumentaram que “os tais termos ficam engraçados pela maneira que estão colocados e pela personagem da atriz“. No capítulo 32, uma censora foi mais direta ao vetar a expressão “porque não sai nem com bicarbonato“. Ela justificou: “Em se tratando por personagem interpretada por Dercy Gonçalves, tal frase tem sentido conotativo direto com ejaculação” (!). Todavia, o sucesso de Dercy em “Cavalo Amarelo” foi tanto que sua personagem continuou na novela seguinte, “Dulcinéa Vai à Guerra“. E a censura continuou implicando com a atriz.

Baila Comigo“, 1981

Várias foram as intervenções do autor Manoel Carlos para adequar o texto ao gosto do pessoal de Brasília. Um dos bons temas inicialmente abordados na trama sumiu sem mais nem menos: os problemas ligados ao sexo na maturidade, discutidos pelo casal Helena e Plínio (Lílian Lemmertz e Fernando Torres). Em entrevista, o autor queixou-se:
O maior problema com a novela é a censura, que cortou todo o relacionamento dos personagens interpretados por Raul Cortez e Fernanda Montenegro, absolutamente necessários ao seguimento da história. Também impediu o tiro levado pelo personagem do Carlos Zara. Deixa que um marido seja enganado durante 60 capítulos mas corta sua vingança obrigando um salto no enredo que se tomou quase incompreensível para o público.
A cena em que Mauro (Otávio Augusto) atira em Caio (Carlos Zara) e atinge sua mão foi gravada, mas não foi exibida. No ar (no capítulo 70), a sequência ficou truncada e quase incompreensível.

Lílian Lemmertz em “Baila Comigo” | Fernanda Montenegro em “Brilhante” | David Cardoso em “O Homem Proibido”

Brilhante“, 1981-1982

A censura não autorizava o uso da palavra “homossexual” nos diálogos da novela. Segundo o autor Gilberto Braga, isso dificultava muito o andamento da trama, porque um dos eixos centrais envolvia o personagem Inácio (Denis Carvalho), um homossexual. Gilberto contou que Fernanda Montenegro – na novela, mãe de Inácio – queria que ele autorizasse o emprego da palavra, mas ele sabia que a censura iria cortar a cena. Porém, a pressão da atriz funcionou. Luiza (Vera Fisher), em um diálogo com Chica Newman (Fernanda Montenegro), mencionou “os problemas sexuais de seu filho”, e a frase não foi censurada.

O Homem Proibido“, 1982

O horário das 18 horas ousava adaptar Nelson Rodrigues. A Censura Federal ficou atenta e, depois de muito revisada pelos padrões dos “bons costumes”, a estreia aconteceu com um dia de atraso. O primeiro capítulo não foi ao ar na segunda-feira (01/03/1982), como estava previsto, mas na terça. Para que os primeiros capítulos fossem ao ar, a Globo teve que aceitar a imposição de dez cortes. Uma das alegações era a de que os diálogos entre as primas Sônia e Joice (Elizabeth Savala e Lídia Brondi) indicavam que elas eram homossexuais. Na verdade, o que chamou a atenção do Governo Militar foi a trinca Nelson Rodrigues, escritor conhecido como Anjo Pornográfico, e David Cardoso e Alba Valéria, atores do circuito da pornochanchada do cinema nacional.

Guerra dos Sexos“, 1983

A censura impôs mudanças em personagens, diálogos e cenas consideradas imorais. Logo no início, implicaram com o romance entre Juliana e Fábio (Maitê Proença e Herson Capri), que era casado com Manuela (Ada Chaseliov). Adultério era terminantemente proibido. A solução do autor foi sumir por um tempo com Manuela. Outra personagem vigiada foi Vânia (Maria Zilda), pelo fato de ela ser emancipada demais. A censura não via com bons olhos uma mulher que quisesse transar sem casar. Outra ocorrência curiosa aconteceu no capítulo 64, quando Frô (Cristina Pereira) vai parar em um cabaré, o Peru Vermelho. Todas as falas em que era referido o nome do cabaré foram cortadas. Porém, em uma cena com Frô, aparece escrito em um cartaz, atrás dela: Cabaré Peru Vermelho.

Maria Zilda em “Guerra dos Sexos” | Lucélia Santos em “Vereda Tropical”

Vereda Tropical“, 1984-1985

A censura implicou com a novela e, três dias antes da estreia, uma sexta-feira à noite, “Vereda Tropical” foi proibida de ir ao ar sob a alegação de que não era apropriada para o horário das 19 horas. Os censores haviam indicado 32 cortes no primeiro capítulo. Na segunda-feira pela manhã, os roteiristas Silvio de Abreu e Carlos Lombardi, acompanhados por dois representantes da TV Globo, desembarcaram em Brasília para conversar com os censores. Após muita negociação, a novela foi liberada.

Para ler: Beijo Amordaçado – A Censura às Telenovelas Durante a Ditadura Militar”, de Cláudio Ferreira (Ler Editora).

Leia também:10 vetos curiosos da Censura sobre as Novelas“;
UOL vasculha arquivo da censura às novelas e mostra curiosidades“.

Fotos: Acervo TV Globo.

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Com pé no melodrama, série da Netflix “Coisa Mais Linda” merece esse título http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2019/03/28/com-pe-no-melodrama-serie-da-netflix-coisa-mais-linda-merece-esse-titulo/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2019/03/28/com-pe-no-melodrama-serie-da-netflix-coisa-mais-linda-merece-esse-titulo/#respond Thu, 28 Mar 2019 10:00:39 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=15542

Pathy Dejesus e Maria Casadevall (foto: Aline Arruda/Netflix)

A Netflix estreou, no dia 22 de março, a série brasileira “Coisa Mais Linda“, sobre quatro mulheres enfrentando barreiras comuns ao universo feminino da década de 1950, principalmente machismo e racismo. A opressão, no entanto – e esta é a maior qualidade da série – é apresentada com embasamento e sutileza, dentro de uma narrativa extremamente folhetinesca que, aliada ao capricho e beleza estética da produção, seduzem e cativam o espectador.

Em sete episódios, “Coisa Mais Linda” leva pelo menos quatro para apresentar a história e os dramas de cada protagonista, uma completamente diferente da outra, mas que se unem e se completam. Maria Luiza (Maria Casadevall) jovem burguesa paulistana, abandonada e roubada pelo marido, enfrenta o universo machista para realizar um sonho: abrir um bar de bossa nova no Rio de Janeiro, no momento em que esse movimento estava nascendo e em que a mulher deveria se preocupar com lar e filhos.

Adélia (Pathy Dejesus) – diferentemente das outras, negra e pobre – luta com dificuldade para criar a filha que teve solteira, suportando todo tipo de privação, pela classe social, e humilhação, pela cor. Lígia (Fernanda Vasconcellos), trocou o sonho de ser cantora por um casamento estável, mas com um marido que não é nenhum príncipe encantado, o que a faz repensar suas escolhas. E Thereza (Mel Lisboa) é uma mulher à frente de seu tempo, libertária, que tenta se impor profissionalmente em um ambiente machista – aqui, o suprassumo: ela é a única mulher na redação de uma revista feminina.

Alexandre Cioletti e Mel Lisboa (foto: Aline Arruda/Netflix)

Salta aos olhos a atuação do elenco: Mel Lisboa e Fernanda Vasconcellos como você nunca viu na televisão; Pathy Dejesus, uma agradável revelação; e Maria Casadevall reafirmando seu potencial de encarar tensão e leveza com a mesma desenvoltura. São quatro personagens tão bem desenhadas e tão bem interpretadas e dirigidas, que não há como não se envolver com seus dramas e sua relação de sororidade.

O apuro técnico é outra qualidade de “Coisa Mais Linda“: tudo muito lindo mesmo. Cenários, figurinos e arte que retratam o final da década de 1950 com muito capricho e esmero, sem os exageros onde geralmente resvalam caracterizações de época. Trilha sonora original condizente com o que é abordado na trama, e fotografia colorida, quente e aconchegante.

Ainda, um Rio de Janeiro de outrora digno de cartão postal, idílico, quase idealizado – gente bonita e magra na praia e sorridente no morro – “para inglês ver” mesmo, já que a Netflix também aposta na audiência estrangeira. Seria a cidade a “coisa mais linda” do título?

Fernanda Vasconcellos e Gustavo Vaz (foto: Aline Arruda/Netflix)

Eu, particularmente, acho ótimo que séries bebam das novelas e novelas bebam das séries – formatos tão distintos. É uma troca saudável e um exercício e tanto. Porém, por ter o folhetim como condutor narrativo, “Coisa Mais Linda” acaba caindo em pequenos vícios desse tipo de estrutura. A série não consegue escapar da reiteração, do didatismo e do clichê, tão presentes em nossas novelas.

Pode funcionar em novela, pelo formato e pela exigência (mais de 100 capítulos, diários, etc). Em uma série, fica só parecendo ratificação de melodrama latino. Incomoda em “Coisa Mais Linda“. Entretanto, não tira sua beleza final tampouco sobrepõe a importância em reverberar assuntos que continuam em pauta cinquenta anos depois. Hoje, as redações de revistas femininas podem até ter mais mulheres que antigamente, mas por que elas continuam menos remuneradas que os homens?

Elenco principal: Maria Casadevall, Pathy Dejesus, Fernanda Vasconcellos, Mel Lisboa, Leandro Lima, Gustavo Machado, Ícaro Silva, Alexandre Cioletti e Gustavo Vaz.
Criação de Heather Roth e Giuliano Cedroni.
Direção geral de Caíto Ortiz.
Produção Prodigo Filmes.
Produtores executivos: Heather Roth, Giuliano Cedroni, Camila Groch, Francesco Civita, Caíto Ortiz e Beto Gauss.

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Assim como O Sétimo Guardião, conheça outras novelas processadas por plágio http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2019/03/27/assim-como-o-setimo-guardiao-conheca-outras-novelas-processadas-por-plagio/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2019/03/27/assim-como-o-setimo-guardiao-conheca-outras-novelas-processadas-por-plagio/#respond Wed, 27 Mar 2019 10:00:05 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=15515

Bruno Gagliasso e Lília Cabral em “O Sétimo Guardião” (foto: reprodução)

Mais uma bomba cai sobre a já tão devastada “O Sétimo Guardião” – novela cujos bastidores são mais movimentados que a trama em si.

De acordo com matéria publicada no UOL, por Ricardo Feltrin (nesta terça-feira, 26/03), a escritora Barbara da Cunha Coelho Rastelli, autora do livro “As Muralhas da Vida Eterna: Uma Metáfora Sobre o Tempo“, acusa a TV Globo e os autores de “O Sétimo Guardião” de terem plagiado o seu livro na novela. Barbara entrou com uma ação judicial pedindo que a emissora suspenda imediatamente a exibição da trama.

Não é a primeira vez que Aguinaldo Silva é acusado de plágio e nem é ele o único escritor de novelas a passar por isso. Abaixo cito os processos mais famosos. Trato aqui exclusivamente de casos que foram parar na Justiça, não de simples alegações de quem enxerga similaridades de tramas de novelas com filmes, livros, peças ou outras novelas.

Paulo Goulart e Armando Bógus em “A Próxima Atração” (foto: Acervo TV Globo)

Walther Negrão em “A Próxima Atração“, 1970:

O dramaturgo Hélio Bloch processou a Globo alegando que, em sua peça “A Úlcera de Ouro”, havia ingredientes usados por Negrão na novela “A Próxima Atração“. Especificamente, a campanha que a agência de publicidade da trama fazia para promover um determinado papel higiênico que, ao ser desenrolado, apresentava ao consumidor uma história em quadrinhos. Bloch ganhou o processo. O veredito final saiu quatro anos depois (em 1974), quando Negrão escrevia outra novela, “Supermanoela“, que ia mal de audiência. O desempenho desta novela mais o resultado do processo culminaram com a demissão do novelista. Negrão foi escrever novelas para a TV Tupi e só retornou à Globo em 1980.

Para o livro “A Seguir, Cenas do Próximo Capítulo” (de André Bernardo e Cíntia Lopes), Negrão afirmou que a ideia de “A Próxima Atração” partiu de dois executivos da TV Globo que sugeriram adaptar a trama do filme “O Cadilac de Ouro” (1956, de Richard Quine): “Na ânsia de acertar e agradar os chefes (…), aceitei sugestões de temas para desenvolver a novela. Dentre elas, duas pessoas, cujos nomes não vou citar, até porque uma está morta, sugeriram um filme como ponto de partida, ‘O Cadilac de Ouro’. Por coincidência, a mesma fonte de inspiração de Hélio Bloch para escrever “A Úlcera de Ouro”. Foi ingenuidade minha, porque as semelhanças apareceram. Quem deveria ter processado era o roteirista do filme. A mim e ao Hélio Bloch.”
Ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia” (do Projeto Memória Globo), Negrão revelou o nome do falecido diretor: Augusto César Vannucci.

Luiz Gustavo como Juca Pirama em “O Salvador da Pátria” (foto: reprodução)

Lauro César Muniz em “O Salvador da Pátria“, 1989:

A Globo foi processada por um radialista que se viu retratado à revelia na figura do personagem Juca Pirama, vivido por Luiz Gustavo. Na trama da novela, Juca era radialista – do bordão “Meninos, eu vi!“. Alcides Nogueira, colaborador de Lauro César Muniz, narrou ao livro “Autores, Histórias da Teledramaturgia” (Projeto Memória Globo):
“Houve um radialista muito popular em São Paulo que achou que o Juca Pirama, personagem do Luiz Gustavo, estava copiando o estilo dele. E moveu um processo. (…) Foi feita uma perícia e, é claro, o juiz nos deu ganho de causa. Era algo completamente absurdo. O cara queria faturar em cima da popularidade da Rede Globo e do fato de Juca Pirama ser um personagem com grande empatia popular.”

Malu Mader como Glorinha da Abolição em “O Outro” (foto: Acervo TV Globo)

Aguinaldo Silva em “O Outro“, 1987:

A roteirista (e depois cineasta) Tânia Lamarca processou a Globo alegando que a novela “O Outro” teria sido inspirada em “Enquanto Seu Lobo Não Vem”, sinopse escrita por ela e Marilu Saldanha e deixada na Casa de Criação Janete Clair, que, à época, recolhia sinopses para análises da Globo. Em 1987, Tânia pediu indenização de 12 milhões de reais (valores de 2009). Em 1994, o Supremo Tribunal Federal obrigou a Globo a indenizá-la. As duas partes entraram em acordo e Tânia embolsou 3 milhões. Com o dinheiro, ela produziu, em 1997, o filme “Buena Sorte“. Foi a partir daí que a Globo passou a proibir qualquer funcionário de receber sinopses de autores que não sejam da emissora.

Flávia Alessandra e Luigi Baricelli em “Alma Gêmea” (foto: Acervo TV Globo)

Walcyr Carrasco em “Alma Gêmea“, 2005:

Aqui, Carrasco foi acusado de plágio duas vezes. Primeiro o escritor Carlos de Andrade entrou com um processo alegando que a história de “Alma Gêmea” era uma cópia literal de seu livro “Chuva de Novembro”, lançado em 1997. Depois foi Shirley Costa, que processou o autor pelas semelhanças que viu entre a novela e seu romance “Rosácea”. Shirley alegou que tinha como provar que Carrasco esteve em contato com o seu livro. No fim, o autor foi absolvido.

Denis Carvalho e Regina Duarte em “Malu Mulher” (foto: Acervo TV Globo)

A título de curiosidade, cito um caso em que não houve processo ou qualquer acusação. Porém, o diretor Daniel Filho revelou o receio de que fosse descoberto. Foi em 1979, enquanto ele idealizava a série “Malu Mulher“. Daniel citou em seu livro “Antes que me Esqueçam” que a ideia da série surgiu depois que ele assistiu, nos Estados Unidos, em 1978, ao filme “Uma Mulher Descasada“, de Paul Mazursky:
Quando ‘Uma Mulher Descasada’ estreou no Brasil, tive medo de que descobrissem o plágio. Ninguém disse nada. Quando o programa começou a ser vendido para o exterior, o medo aumentou. Continuaram sem dizer nada. Mas até hoje, se ouço o nome de Paul Mazurkis, fico com medo de que ele apareça na minha frente dizendo: ‘Ah, foi você que me roubou?’

Leia também: “Escritora acusa Globo de plágio e pede suspensão de Sétimo Guardião“;
Alunos que acusaram Globo de plágio serão processados por plágio“;
O Sétimo Guardião tem bastidores mais atraentes que a própria trama da novela“.

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