Blog do Nilson Xavier http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br Blog do Nilson Xavier - UOL Televisão Thu, 20 Sep 2018 15:51:28 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Odiada na internet no passado, Gabriela Duarte vira o jogo na novela das 6 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/09/20/odiada-na-internet-no-passado-gabriela-duarte-vira-o-jogo-na-novela-das-6/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/09/20/odiada-na-internet-no-passado-gabriela-duarte-vira-o-jogo-na-novela-das-6/#respond Thu, 20 Sep 2018 13:22:15 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=13652

Gabriela Duarte em “Por Amor” e “Orgulho e Paixão” (fotos: divulgação)

Julieta Bittencourt, a Rainha do Café, é uma das personagens mais queridas pelo público da novela “Orgulho e Paixão“. Muito disso se deve ao texto do autor da trama, Marcos Bernstein, ao perfil da personagem e à interpretação da atriz Gabriela Duarte, de volta às novelas após um hiato de oito anos (a última inteira foi “Passione”, depois, somente pequenas participações, em “Amor à Vida” e “A Lei do Amor”).

Orgulho e Paixão” iniciou pintando Julieta como uma grande vilã: austera, amarga, rancorosa e prepotente. Mas surgiu em seu caminho Aurélio (Marcelo Faria), um homem bom que enxergou um coração e uma mulher admirável por baixo da casca de megera. A insistência de Aurélio, aos poucos, fez Julieta derreter a neve e revelar um perfil dócil, que foi conquistando o público. Surgiu então na internet a hashtag Aurieta, para designar o shipping do casal, ou seja, a torcida do público para que Aurélio e Julieta se acertassem romanticamente.

Hoje, Julieta é uma das personagens mais adoradas da novela das 6: como pode ser constatado diariamente na internet, em manifestações no Twitter, Instagram e Facebook. Boa parcela dessa mudança vem da identificação do público com o perfil da personagem. Principalmente após a redenção de Julieta, depois de revelados os abusos passados com o falecido marido e a razão de sua amargura com o mundo. Hoje, Julieta é completamente diferente do que era no início: fez as pazes com o filho e a nora, com o amor e a vida. O capítulo dessa quarta-feira (19/09) coroou a personagem com a bonita sequência do casamento de Aurieta.

Marcelo Faria e Gabriela Duarte: Aurieta (foto: reprodução)

Mas nem sempre foi assim

Entre 1997 e 1998, Gabriela Duarte foi vítima do primeiro caso registrado de ódio cibernético contra uma personagem de novela. Na época, não existiam as redes sociais como conhecemos hoje – até existiam, mas não com esse nome e dimensão. A internet ainda não tinha o alcance de hoje e o máximo que se podia fazer para levantar uma ideia era criar uma página (uma homepage, um site) que seria divulgado aos poucos.

Na ocasião, Gabriela estava no ar na novela “Por Amor“, de Manoel Carlos, contracenando com a mãe, Regina Duarte. Sua personagem, Maria Eduarda, pode ser definida como uma patricinha mimada, classe média, egoísta, com sonhos pequeno-burgueses. E chata, muito chata. Tanto que um site foi criado para os que não suportavam a personagem. Foi a primeira vez que isso aconteceu. Com cerca de 8 mil visitas em menos de um mês, a página alertava: “Exigimos a morte dessa chata o mais rápido possível”.

O público teve a mesma reação na novela seguinte de Manoel Carlos, “Laços de Família” (2000-2001), com Camila, vivida por Carolina Dieckmann: assim como Eduarda, ganhou uma página na internet para reunir os que a odiavam.

Mas Maria Eduarda cresceu na trama de Manoel Carlos. A interpretação segura da atriz acabou por conquistar o público e a personagem não foi morta. Revista recentemente no canal Viva, pode-se afirmar que Maria Eduarda é uma ótima personagem, bem defendida por sua intérprete. E, hoje, Gabriela volta a conquistar o público graças ao seu talento.

AQUI tem tudo sobre “Por Amor“: trama, elenco, personagens, curiosidades, trilha sonora.

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Juliana Paiva se firma como uma das melhores atrizes de sua geração http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/09/19/juliana-paiva-se-firma-como-uma-das-melhores-atrizes-de-sua-geracao/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/09/19/juliana-paiva-se-firma-como-uma-das-melhores-atrizes-de-sua-geracao/#respond Wed, 19 Sep 2018 13:44:48 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=13642

Juliana Paiva em cena com Edson Celulari (foto: reprodução)

Um dos grandes acertos de “O Tempo Não Para” é a escalação de seu elenco (com pouquíssimas exceções). Só que ótimos atores precisam de grandes personagens e um ótimo texto – sem minimizar o trabalho da direção, muito importante, na condução do ator. Palmas para Mário Teixeira (no texto) e Leonardo Nogueira (na direção) e suas respectivas equipes.

No elenco, Edson Celulari, Rosi Campos, Christiane Torloni, Solange Couto, Felipe Simas, Maria Eduarda Carvalho, Regiane Alves, Carol Macedo, Olívia Araújo, Alexandra Richter, Kiko Mascarenhas, Milton Gonçalves, Adriane Galisteu e Maicon Rodrigues, em mãos com os personagens mais ricos em possibilidades – pelo menos por enquanto, outros nomes podem se sobressair mais e melhor futuramente.

Este texto é para destacar o trabalho de uma jovem atriz, que, de tanto talento em cena, não dá para ficar impassível. Juliana Paiva é de uma segurança ímpar com sua Marocas – algo pouco visto em colegas de sua geração. Começa pelo perfil da personagem. Marocas não se resume simplesmente a uma mocinha de época à frente de seu tempo, “empoderada” como se fala hoje – perfil que, às vezes, carrega o ranço de discursos politicamente corretos.

Marocas é mais rica que a mocinha empoderada. Humana, ela erra, titubeia e mete os pés pelas mãos. Acima de tudo, Juliana explora com maestria o brio, princípios e ética da personagem (que é de um outro tempo), quando expostos à luz de nossa época. Nas cenas com Samuca (Nicolas Prattes), seu par romântico na novela, a atriz passa a credibilidade necessária para o público comprar a personagem, indecisa entre o amor e a moral de seu tempo.

Em Ti-ti-ti, Malhação, Totalmente Demais e A Força do Querer (fotos: divulgação)

Marocas é o melhor trabalho da carreira de Juliana Paiva na TV, iniciada no remake de “Ti-ti-ti” (2010), com Val, uma personagem que era para ter acontecido, mas não aconteceu. Fatinha da “Malhação” (2012) tornou a atriz popular. Veio a Lili de “Além do Horizonte” (2013-2014) e quando “Totalmente Demais” (2015) começou, imaginamos que Juliana reeditaria a Fatinha em Cassandra. Só que não: Cassandra ganhou vida própria.

Não houve espaço para Juliana em “A Força do Querer” (2017) – diante de tantas tramas polêmicas e personagens fortes dessa novela. Apesar de ótimos momentos, pontuais, de sua personagem, Simone, contracenando com seus pais na novela (vividos por Humberto Martins e Lília Cabral). Marocas é a volta por cima da atriz, que já se destacou na comédia e no drama.

Preste atenção nos embates entre Marocas e seu pai Dom Sabino (Edson Celulari), acentuados nestes últimos capítulos. O texto evidencia o conflito maior, de gerações e de época. Juliana Paiva honra o texto que lhe é confiado e peita seu parceiro de cena de igual para igual, com a mesma segurança do colega experiente. E olha que Celulari tem em mãos um dos melhores personagens da dramaturgia de 2018!

Leia também:Trama de O Tempo Não Para estagnou e novela vem perdendo audiência“;
Nicolas Prattes fica parecendo Paulo Autran perto do namorado de Sasha“.

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Luzia, Clara, Nina: relembre os maiores vingativos das novelas http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/09/18/luzia-clara-nina-relembre-os-maiores-vingativos-das-novelas/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/09/18/luzia-clara-nina-relembre-os-maiores-vingativos-das-novelas/#respond Tue, 18 Sep 2018 14:07:00 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=13616

Giovanna Antonelli | Bianca Bin | Débora Falabella (fotos: divulgação/TV Globo)

Vingança em novela cansou? Ou ainda pode render?

A novela “Segundo Sol” – depois de esvaziada e finalizada a trama das falsas identidades (Beto Falcão e Luzia) – assumiu uma vingança como mote central. Foi a tal “virada” prometida pelo autor João Emanuel Carneiro. Luzia (Giovanna Antonelli) jurou vingar-se de suas algozes Laureta e Karola (Adriana Esteves e Deborah Secco). Para tanto, mancomunou-se com Roberval (Fabrício Boliveira).

Daí que a novela recorra a clichês manjados?! Ainda que um prato requentado (que pela repetição constante corre o risco de enjoar), foi a vingança que fez a festa de duas das novelas mais vistas na década – “Avenida Brasil” (do próprio João Emanuel) e “O Outro Lado do Paraíso” (de Walcyr Carrasco). Muitos viram na vingança de Clara (Bianca Bin), de “O Outro Lado”, semelhanças com outra história de vingança de Carrasco: a de Ana Francisca (Mariana Ximenes) em “Chocolate com Pimenta” (2003).

Histórias de vingança já foram contadas das mais variadas formas. As principais inspirações vêm do romance “O Conde de Monte Cristo”, de Alexandre Dumas, e da peça “A Visita da Velha Senhora”, de Friedrich Dürrenmat. Em quase todas, o vingativo retorna a algum lugar para um ajuste de contas ou para se vingar de pessoas que o fizeram sofrer no passado. Veja a relação abaixo!

A novela “Os Inocentes” (Tupi, 1974), de Ivani Ribeiro, foi baseada em A Visita da Velha Senhora. Juliana (Cleyde Yáconis) retorna à cidadezinha – que deixara quando criança – como uma mulher rica e poderosa, que se faz de amiga de todos. Mas ela esconde suas reais intenções: se vingar dos antigos moradores que, no passado, a expulsaram da cidade com sua mãe. E Juliana, como filha da mulher expulsa injustamente, vai se vingar nos herdeiros dos algozes da mãe – daí o título da novela, Os Inocentes.

Em “Chocolate com Pimenta, Walcyr Carrasco misturou as tramas de “A Visita da Velha Senhora com “A Viúva Alegre, de Franz Lehár. Aninha (Mariana Ximenes), quando jovem, fora ridicularizada pelos colegas de escola perante toda a cidade. Casou-se com o homem mais rico da região e partiu. Após a morte do marido, Aninha – ou melhor, Ana Francisca – volta à cidade com sede de vingança contra os moradores que a fizeram sofrer. Seu plano é tirar do local a fábrica de chocolates que herdou, a principal fonte de renda dos moradores e dos ricos da cidade.

Tieta – personagem de Jorge Amado interpretada por Betty Faria na novela de 1989-1990 – quer se vingar dos moradores de Santana do Agreste, que um dia a escorraçaram da cidade. Seu principal alvo é a irmã invejosa, Perpétua (Joana Fomm). Voltando à cidade, rica e poderosa, ela se faz de boazinha e se deixa bajular por todos – tal qual Juliana de “Os Inocentes” e Ana Francisca de “Chocolate com Pimenta“.

Em “Cavalo de Aço” (Globo, 1973) – de Walther Negrão -, Rodrigo (Tarcísio Meira) chega a uma cidadezinha para vingar o extermínio de sua família ocorrido na infância. O responsável é o rico fazendeiro Max (Ziembinski). Para realizar seus intentos, Rodrigo se envolve com Joana (Betty Faria), filha de Max.

Negrão usou o mesmo mote para outra novela sua: “Fera Radical” (1988), em que Cláudia (Malu Mader) quer se vingar dos Flores, latifundiários a quem ela responsabiliza pelo morte de sua família no passado. Para tanto, Cláudia se envolve com os herdeiros Fernando (José Mayer) e Heitor Flores (Thales Pan Chacon).

Cavalo de Aço” e “Fera Radical” têm tramas semelhantes à da novela “Marron-Glacé” (1979-1980), de Cassiano Gabus Mendes: Otávio (Paulo Figueiredo) se infiltra na família de Madame Clô (Yara Côrtes) como garçom do restaurante de sua propriedade. Ele seduz ao mesmo tempo as duas filhas da madame (Louise Cardoso e Sura Berditchewsky). Tudo faz parte de um plano de vingança contra o falecido marido de Clô, a quem Otávio responsabilizava pela ruína de sua família.

Em “Fera Ferida” (1993-1994) – novela baseada na obra de Lima Barreto -, Feliciano Júnior (Edson Celulari) retorna à cidade de Tubiacanga para se vingar dos poderosos da região, que no passado foram os responsáveis pela morte de seus pais. Ele se esconde na pele do rico alquimista Raimundo Flamel, e desperta a cobiça de todos com sua ideia de transformar ossos humanos em ouro. Tudo não passava de uma farsa como parte de seu plano de vingança.

Na novela “Dona Beija” (Manchete, 1986), a protagonista, vivida por Maitê Proença, se transforma numa famosa e desejada cortesã para se vingar do ouvidor do rei (Carlos Alberto), que a raptara para fazer dela sua amante. Enquanto ele viajava, Beija servia aos homens em troca de joias. Rica, ela funda a Chácara do Jatobá, um refinado bordel onde se transforma num mito como cortesã, escandalizando todas as famílias conservadoras da região de Araxá. Seu intuito maior era ferir seu amor do passado, Antônio (Gracindo Jr.) e a família dele, que a repudiou.

A história de “Quatro por Quatro” (1994-1995), de Carlos Lombardi, começa quando quatro mulheres – Abigail (Betty Lago), Auxiliadora (Elizabeth Savalla), Babalu (Letícia Spiller) e Tatiana (Cristiana Oliveira) -, se sentindo desprezadas por seus respectivos homens, unem forças para vingarem-se deles. Quem não lembra da famosa cena em que elas fazem um pacto quando estão presas, unindo as mãos e gritando: “Vingança”!

A trama espírita da novela “A Viagem” (1994), de Ivani Ribeiro, desenvolveu-se em cima da vingança do espírito de Alexandre (Guilherme Fontes) contra as pessoas que ele considerava responsáveis pela sua prisão e morte. Alexandre se suicidou na cadeia e, em outro plano, passou a interferir na vida de seus desafetos – mais especificamente o irmão e o cunhado (Miguel Falabella e Maurício Mattar), que o entregaram à polícia, e o advogado Otávio Jordão (Antônio Fagundes), que o condenou.

Em “O Dono do Mundo” (1991) – de Gilberto Braga -, Márcia (Malu Mader) foi seduzida pelo canalha cirurgião Felipe Barreto (Antônio Fagundes), na noite de núpcias dela, o que culminou com a morte de seu noivo. Rejeitada e abandonada por todos, Márcia inicia então uma implacável vingança contra o homem responsável pela sua desgraça.

Em outra trama de Gilberto Braga – “Celebridade” (2003-2004) -, a maquiavélica Laura Prudente da Costa (Cláudia Abreu) usa de todos os meios para tomar o lugar, a fortuna e a fama da empresária Maria Clara Diniz (Malu Mader). Tudo fazia parte de um plano de vingança contra a ela, a quem Laura responsabilizava pela desgraça de seu pai, o verdadeiro autor da música que lançou Maria Clara ao estrelato.

Em “Insensato Coração” (2011) – novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares -, o mau caráter Léo (Gabriel Braga Nunes) se envolve com a simplória enfermeira Norma (Glória Pires) para roubar o dinheiro do velho rico que ela cuidava. Norma vai presa injustamente, acusada da morte do velho. Ela cumpre pena e tem apenas um objetivo na vida: vingar-se de Léo. Ao deixar a cadeia, Norma, agora uma mulher rica, arma para Léo, transformando-o em uma espécie de escravo, sob a ameaça de entregá-lo à polícia pelos crimes cometidos.

Avenida Brasil” envolve uma vingança particular de Nina (Débora Falabella) contra Carminha (Adriana Esteves). Criança, a menina Rita foi abandonada num lixão pela madrasta, Carminha, depois que esta roubou seu pai e ele morreu. Adotada por uma família rica, Rita – agora Nina –, retorna adulta com sede de vingança contra Carminha. Para tanto, ela se infiltra na casa da madrasta sem revelar sua identidade.

Já “O Outro Lado do Paraíso” é cuspida e escarrada “O Conde de Monte Cristo“. Para se apossar de uma mina de esmeraldas que Clara (Bianca Bin) herdou, a vilã Sophia (Marieta Severo) a interna em um clínica com a ajuda do “psiquiatra, do delegado e do juiz”. Clara consegue escapar, herda a fortuna de uma boa senhora, e volta com sede de vingança: “Vocês não imaginam o prazer que é estar de volta!“.

As histórias se repetem. Mas o olhar do autor e a forma de contar podem fazer a diferença. Muitas outras tramas de novelas abordaram vinganças. Cite as que você lembrar!

Leia também:Virada de “Segundo Sol” subestima o público com trama repetida e preguiçosa“.

Fotos: divulgação, por suas respectivas emissoras.
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Trama de “O Tempo Não Para” estagnou e novela vem perdendo audiência http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/09/14/trama-de-o-tempo-nao-para-estagnou-e-novela-vem-perdendo-audiencia/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/09/14/trama-de-o-tempo-nao-para-estagnou-e-novela-vem-perdendo-audiencia/#respond Fri, 14 Sep 2018 13:49:37 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=13596

Cleo, Nicolas Prattes e Juliana Paiva (foto: reprodução)

Como esperado, baixou a euforia com as novidades da novela “O Tempo Não Para“. Passados um mês e meio de trama, os congelados foram acordando e só restou um ainda em estado sonolento: a escrava Cairu (Cris Vianna).

Os números de audiência, apesar de muito bons, atestam uma perda de interesse do público pela novela. São quase sete semanas no ar e o Ibope segue caindo: 29.4|27.3|28.3|27.8|26.5|26.2|25.7 (média em cada semana na Grande SP). “O Tempo Não Para” já perde em décimos para o último sucesso do horário, “Pega Pega“, que, ao contrário, teve audiência crescente após a sexta semana.

O grande receio era que, uma vez que os congelados tivessem despertado, a novela perdesse seu maior charme: a reação deles diante do mundo novo. Como a maioria já acordou, a novela entra agora na fase em que o autor Mário Teixeira precisa se virar para manter o interesse do público. E para isso, a necessidade de engendrar os ex-congelados em tramas próprias ou participando de tramas de outros personagens.

Diríamos que agora a novela começou de verdade. O foco de conflito atual é Betina, a vilã de Cléo Pires (ou Cleo, como queira a atriz). Mas, convenhamos, os barracos da megera não têm estofo para segurar a novela. Com a iminente descoberta por Dom Sabino (Edson Celulari) de suas terras, teremos um conflito forte o bastante para barrar a felicidade do casal protagonista, Marocas e Samuca (Juliana Paiva e Nicloas Prattes).

Rosi Campos, Olívia Araújo, Bia Montez e Solange Couto (foto: reprodução)

Apesar da leve estagnada na trama, a novela de Mário Texeira tem um grande trunfo: o texto espirituoso, inteligente e divertido ao escancarar as diferenças – e similaridades – entre o antigo e o novo, o que dá margem para ótimas cenas e pode garantir um bom arsenal para mais cinco meses de novela.

Destaco a ótima sequência, exibida na quarta-feira (12/09), do embate entre Dona Agustina e Cesária (Rosi Campos e Olívia Araújo) contra Coronela e Januza (Solange Couto e Bia Montez) – todas as atrizes excelentes em seus papeis. Cesária paga uma dívida depois de um bate boca em que Coronela afirma que não é negra e é refutada pela ex-escrava. Foi engraçado e faz refletir.

Ainda acho que o texto é a melhor qualidade de “O Tempo Não Para” e o que faz valer a pena continuar na novela. Mas concordo que a trama e os conflitos têm que avançar. Afinal, precisa haver história para seis meses de novela.

PS1: o Horário Político não afetou a exibição da novela.
PS2: nessa semana a grade ficou bagunçada por causa dos jogos de futebol, o que afeta o Ibope. Mas a queda na audiência vem ocorrendo, gradativamente, desde o início.

Leia também: Nicolas Prattes fica parecendo Paulo Autran perto do namorado de Sasha.

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Virada de “Segundo Sol” subestima o público com trama repetida e preguiçosa http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/09/11/virada-de-segundo-sol-subestima-o-publico-com-trama-repetida-e-preguicosa/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/09/11/virada-de-segundo-sol-subestima-o-publico-com-trama-repetida-e-preguicosa/#respond Tue, 11 Sep 2018 14:37:09 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=13576

Quem matou Remy? (foto: reprodução)

Recentemente, ouvi de um roteirista da Globo, com larga experiência e produtos reconhecidos, que a emissora clama por boas ideias em dramaturgia. Mas elas não vêm. Das inúmeras que chegam, de pouquíssimas se pode aproveitar algo. Também tenho ouvido que este é O MOMENTO para quem quer investir na carreira de roteirista (de TV, cinema ou qualquer meio audiovisual). O mercado de dramaturgia está aquecido e há uma grande demanda por boas tramas.

A Globo corre contra o tempo para não perder o bonde da história. Existe uma geração, muito diferente da minha, que não sabe o que é TV aberta. Eu pertenço a um grupo que tem uma relação afetiva com um modelo de televisão fadado à extinção. Enquanto isso, a maior emissora do país tenta correr atrás de um povo que não vai criar qualquer laço afetivo com ela (a Globo TV aberta). A ideia não é fazê-lo ir até ela, mas estar onde esse público está. Daí a Globoplay e um modelo de streaming com conteúdo exclusivo que não vai para a TV aberta (ou quando vai, vai bem depois).

A concorrência com os mais modernos métodos de consumo de televisão é grande. Por isso a demanda da Globo (e de todas as produtoras de audiovisual, aqui e lá fora) por boas histórias. No universo das telenovelas, a preocupação maior não é com as novelas bíblicas da Record ou as infantis do SBT – essas redes brigam entre elas pelo comodismo do segundo lugar. A Globo está de olho no público que, por exemplo, deixa de acompanhar suas novelas e corre para a Netflix. Claro que é um público ainda pequeno quando comparado à grande massa que dá audiência à novela das nove. Mas como estará a televisão em dez anos? Quantos outros Netflix estarão ao alcance de um clique de controle remoto?

Quem matou Remy? (foto: reprodução)

Ou: até quando modelos de dramaturgia, como a de “Segundo Sol“, terão a recepção irrestrita do “grande público”? A tão divulgada virada na trama de João Emanuel Carneiro, alardeada pela emissora e pela mídia nas últimas semanas, não passa de um engodo: uma trama batidíssima, inclusive vista na novela anterior no horário. A empolgação com “Segundo Sol” durou uns dois meses para depois a trama resvalar num rame-rame que culmina com a mocinha sem carisma repetindo os mesmos erros a fim de justificar um roteiro manjado e preguiçoso, que fez a novela voltar à estaca zero e acionar um quem matou e uma trama de vingança.

Novela é a arte de contar uma mesma história, só que de forma diferente“. Mas, convenhamos, dentro da mesma novela (inception?) e em duas novelas seguidas?! Já não estava na hora de termos roteiros melhor acabados, que não subestimassem a inteligência do público, que fizessem os autores saírem da zona de conforto de famigeradas vinganças e “quem matou”? Até quando vai durar esse público que prefere rever a mesma história a se sentir instigado em tramas que não subestimem sua inteligência?

Não critico o modelo, o gênero telenovela. Pelo contrário, a defenderei sempre. E é por sua defesa que escrevo. Todavia, diante de uma “Vale Tudo” (em reprise no Viva), o roteiro raso de “Segundo Sol” salta aos olhos. Novela não é série (apesar de muitas vezes uma se apropriar de características da outra) e não cabe por na mesma balança gêneros distintos (e detesto quando o fazem). Mas vamos falar de concorrência? – que é o que preocupa a Globo.

A Casa das Flores | O Tempo Não Para (fotos: divulgação)

Estou neste momento acompanhando a série “A Casa das Flores“, na Netflix. Mexicana, estrelada por Verónica Castro, musa de um clássico da Televisa, “Os Ricos Também Choram” (olha a adequação aos novos tempos!). Não é novela, é uma série. Porém, cabe chamá-la de híbrido (até aí a grande maioria das badaladas séries da Netflix e HBO também são, série + novela). “A Casa das Flores” narra a história de uma família, diria até banal. Mas contada de uma forma tão espirituosa, divertida e em concordância com a atualidade que o que mais se destaca é o texto, não a história. Um texto que não te chama de burro.

A Globo sabe de tudo isso. Taí a novela das sete, “O Tempo Não Para“, uma trama repleta de clichês folhetinescos, mas contada em um texto divertido, espirituoso e em concordância com a atualidade. Diverte. Escapismo (como disse Maurício Stycer em sua coluna na Folha). Por sinal, melhor que várias séries disponíveis na Netflix. É quando eu largo uma série para a ver a novela das sete!

Minha bronca é tão somente com a novela que subestima o público. Aí lembro de Beto Falcão e Luzia e dá vontade bater a cabeça no teclado. Quanto tempo durará a audiência para esse tipo de escapismo repetitivo? O bonde da história dirá.

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Beatriz Segall não quis mais viver vilãs nem falar de Odete Roitman http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/09/05/beatriz-segall-nao-quis-mais-viver-vilas-e-se-negava-falar-de-odete-roitman/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/09/05/beatriz-segall-nao-quis-mais-viver-vilas-e-se-negava-falar-de-odete-roitman/#respond Wed, 05 Sep 2018 17:00:45 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=13440

Como Odete Roitman em “Vale Tudo” (1988)

Impossível não relacionar Beatriz Segall à figura de Odete Roitman, personagem imortalizada pela atriz em “Vale Tudo“, de 1988. Não só porque está em evidência neste momento, com a reprise da novela no canal Viva, mas principalmente pelo fantasma da megera ter vivido à sombra da atriz pelos últimos trinta anos. A personagem foi tão marcante que, após a conclusão de “Vale Tudo“, Beatriz por um bom tempo se negou a falar dela. E só aceitava interpretar papeis de mulheres bem diferentes da vilã, na tentativa de afastar o estigma de “atriz de uma personagem só”.

Em entrevista ao site da Veja, em 2011, a atriz se queixou:
Isso é muito chato, fica repetitivo, chega a um ponto que você não aguenta mais. Pô, eu sou muito mais que Odete Roitman. Já fiz tanta coisa, os papéis mais diversos. Eu sou uma atriz de teatro, não sou uma atriz de um papel só.

Com Lauro Corona, Cláudio C. e Castro e Antônio Fagundes em “Dancin´ Days” (1978)

A atriz faleceu nesta quarta-feira (05/09), aos 92 anos de idade, em São Paulo. Beatriz de Toledo nasceu no Rio de Janeiro, em 25 de julho de 1926. De família de classe média, recebeu uma educação primorosa, já que seu pai era diretor do prestigiado Instituto Lafayette. No final da década de 1940, lecionou francês por cinco anos em colégios do Rio de Janeiro.

Em 1950, ao concluir seus estudos no Serviço Nacional do Teatro, estreou profissionalmente na peça “Manequim“, pelo Teatro Popular de Arte (TPA). Integrou a companhia Os Artistas Unidos, de Henriette Morineau, participando das montagens de “Um Cravo na Lapela” e “Jezebel“, em 1953. Nesta ocasião, ganhou do governo francês uma bolsa para estudar teatro e literatura em Paris. Lá, conheceu Maurício Segall (filho do pintor lituano Lasar Segall), com quem se casou em 1954. Da união, teve três filhos: Sérgio, Mário e Paulo. O casamento a fez momentaneamente abrir mão da carreira de atriz.

Com Monah Delacy em “Pai Herói” (1979)

Beatriz Segall retomou a carreira em 1964, substituindo Henriette Morineau na peça “Andorra“, no Teatro Oficina, dirigida por José Celso Martinez Corrêa. Não largou mais os palcos. Atuou em “Os Inimigos” (1965), “Marta Saré” (1968), “O Inimigo do Povo” e “Hamlet” (1969), “A Longa Noite de Cristal” (1970), “O Interrogatório” (1971), “A Grande Imprecação Diante dos Muros da Cidade” e “Casamento de Fígaro” (1972), “Frank V” e “O Prodígio do Mundo Ocidental” (1973), “À Margem da Vida” (1976) e “Maflor” (1977).

Em 1985, atuou no monólogo “Emily“, dirigido por Miguel Falabella. Com o Grupo TAPA, em 1986, participou da montagem de “O Tempo e os Conways“. Em 1988, “O Manifesto“, encenado por José Possi Neto. Em 1993, “A Guerra Santa“, em encenação de Gabriel Villela. Viveu uma octogenária em “Três Mulheres Altas“, sob a direção de José Possi Neto, pelo qual foi premiada com o Mambembe de melhor atriz de 1995. Ainda: “O Lado Fatal” (1996), “Estórias Roubadas” (2000), “Quarta- feira sem falta lá em casa” (2003) e “Conversando com Mamãe” (2011).

Com Fábio Jr. em “Água Viva” (1980)

No cinema, esteve em dez filmes, com destaque para “À Flor da Pele” (1976), “O Cortiço” (1978), “Pixote, a Lei do Mais Fraco” (1980), “Romance” (1988) e “Desmundo” (2003). O último foi “Família Vende Tudo“, em 2011. Depois que voltou aos palcos, em 1964, Beatriz custou a aderir à televisão. Vale registrar uma participação anterior, na série de ficção científica da Tupi “Lever no Espaço“, exibida em 1957 (TV ao vivo), no papel de uma alienígena, em uma roupa de plástico prateada e peruca branca. Entre 1967 e 1970, participou das novelas “Angústia de Amar” (Tupi), “Ana” (Record) e “A Gordinha” (Tupi).

Em 1978, voltou definitivamente à televisão, como Celina, mãe do personagem de Antônio Fagundes em “Dancin´ Days“. A atriz aparecia creditada na abertura como “Beatrix Segall”, com “x”, por uma sugestão do diretor Daniel Filho. Mas Celina não ficou até o fim: a personagem acabou morrendo por falta de função na trama. Em contrapartida, a atriz foi escalada para a novela seguinte, “Pai Herói“, na qual viveu Norah, mãe da protagonista interpretada por Elizabeth Savalla. Em “Pai Herói”, Beatriz pediu que seu nome fosse creditado corretamente na abertura, com “z” no lugar do “x”.

Com Mário Lago em “Barriga de Aluguel” (1990)

Em seu trabalho seguinte, Beatriz experimentou pela primeira vez a popularidade de uma personagem de grande apelo em novelas: a megera Lourdes Mesquita de “Água Viva” (1980). Curiosamente, a vilã estava inicialmente destinada a Tônia Carrero, que acabou ficando com outra personagem, Stella Simpson, abrindo a possibilidade para Beatriz interpretar Lourdes.

Após “Água Viva”, Beatriz atuou em duas novelas seguidas na TV Bandeirantes: “Os Adolescentes” e “Ninho da Serpente“, entre 1981 e 1982. Apesar de sempre lembrada por papéis de mulheres ricas, esnobes ou posudas, Beatriz Segall também viveu mulheres simplórias, do povo. Foram três personagens neste perfil: Iracema de “Os Adolescentes” (1981), na Band, Eunice de “Champagne” (1983), na Globo, e Alzira de “Carmem” (1987), na Manchete.

Com Jackson Antunes em “Anjo Mau” (1997)

Em 1982, foi Laura, mãe de Irene Ravache em “Sol de Verão“. Após “Carmem“, foi escalada para interpretar uma das maiores vilãs da Teledramaturgia nacional: Odete Roitman de “Vale Tudo” (1988). De novo o papel não era para ela: Tônia Carrero e Odete Lara foram anteriormente cogitadas. Após esta, Beatriz Segall passou a ser perseguida pelo fantasma de sua personagem: não quis mais interpretar vilãs, só mulheres simpáticas, de boa índole.

Foram assim: a cientista Penélope Brown de “Barriga de Aluguel” (1990-1991), Stella de “De Corpo e Alma” (1992-1993), Paula de “Sonho Meu” (1993-1994) e Clô do remake de “Anjo Mau” (1997-1998). A partir da década de 2000, a atriz passou a ser vista menos na televisão. Reviveu Miss Brown, sua personagem de “Barriga de Aluguel”, em uma participação em “O Clone” (2002). Depois “Esperança” (2003), “Bicho do Mato“, na Record (2006-2007), a série “Lara com Z” (2011), e “Lado a Lado” (2012). O último trabalho na TV foi em 2015, em um episódio da elogiada série “Os Experientes“.

Com João Côrtes em “Os Experientes” (2015)

Não fosse Odete Roitman, Beatriz Segall seria lembrada por tantas outras atuações que lhe marcaram a carreira, nas telas ou nos palcos. No entanto, a vilã tornou-se um ícone da TV brasileira e uma referência de interpretação.

Ao projeto Memória Globo, a atriz declarou:
Sempre me encabulo quando tenho que falar da Odete Roitman, fico com medo de parecer pretensiosa, e tenho certeza de que não sou, mas acho que ninguém na televisão brasileira recebeu um presente tão grande como esse.

Leia também: “Português é uma língua tão chinfrim” e outras 20 pérolas de Odete Roitman.

Fotos: Acervo Globo.

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Nicolas Prattes fica parecendo Paulo Autran perto do namorado de Sasha http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/09/04/nicolas-prattes-fica-parecendo-paulo-autran-perto-do-namorado-de-sasha/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/09/04/nicolas-prattes-fica-parecendo-paulo-autran-perto-do-namorado-de-sasha/#respond Tue, 04 Sep 2018 23:28:46 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=13557

Nicolas Prattes e Bruno Montaleone (foto: reprodução)

Assim que “O Tempo Não Para” iniciou, li algumas críticas a Nicolas Prattes. Particularmente, minha única ressalva é a idade do ator, jovem demais para o personagem. Acho que Prattes se sai muito bem como Samuca. O personagem é um tipo simpático e não exige muito do garoto. Dá até para relevar a sua pouca experiência para um protagonista. Fora que ele tem uma ótima química com Juliana Paiva.

Porém, das poucas cenas de Bruno Montaleone (no momento mais conhecido como o namorado de Sasha Meneghel), o que se viu foi um descompasso total com o resto do elenco de “O Tempo Não Para“. Pode parecer que não, mas seu personagem, Bento, demanda mais que Samuca. Não é fácil reproduzir falas e expressão corporal de um janota do final do século 19. E, por isso mesmo, a escalação requeria um ator com mais estofo. Ou pelo menos com mais experiência.

Montaleone se saía melhor como o irmão malandro de Juliano Cazarré em “O Outro Lado do Paraíso” – ainda que seu texto não passasse de uma chanchada surrealista. Mas ao dar entonação e gestual a Bento, Montaleone põe os pés pelas mãos. E destoa justamente porque o elenco de “O Tempo Não Para” é extremamente bem escalado, com muitos atores se destacando em personagens formidáveis.

No capítulo dessa terça-feira (04/09), num embate entre Prattes e Montaleone, deu para perceber um abismo entre os dois jovens atores. Tomara que Bruno Montaleone cresça com esse trabalho. Mas sempre é possível congelar Bento de volta.

PS: Sobre o título, com o devido respeito à memória de Paulo Autran.

Leia também: Sutilmente, novela das 7 discute dívida histórica entre brancos e negros;
Maior sucesso das 7 em anos, “O Tempo Não Para” diverte com texto delicioso.

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Rosa murchou? Por que a personagem de Segundo Sol perdeu destaque na novela http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/09/03/rosa-murchou-por-que-a-personagem-de-segundo-sol-perdeu-destaque-na-novela/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/09/03/rosa-murchou-por-que-a-personagem-de-segundo-sol-perdeu-destaque-na-novela/#respond Tue, 04 Sep 2018 00:51:20 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=13543

Letícia Colin (foto: reprodução)

Novela é obra aberta, tudo pode mudar ao longo de seis, sete meses no ar. Até uma grande promessa tornar-se uma grande decepção. Ou o contrário.

Veja Rosa, a personagem de Letícia Colin em “Segundo Sol“. Na fase prostituta, foi uma das mais aclamadas e amadas personagens da novela. A sem papas na língua, a que distribuía tapas na cara da sociedade com suas atitudes pouco ortodoxas, que batia de frente com o pai opressor e truculento, que peitava a megera Laureta. E assim, conquistou o público da novela.

E Letícia Colin ganhou aplausos pela interpretação arretada e cheia de garra, dando um brilho todo especial a Rosa. O sucesso foi tanto que a personagem tornou-se a queridinha, a “protagonista moral da novela” – como escrevi em crítica publicada em julho (leia AQUI). Rosa brilhava mais que Beto, Luzia, Laureta e Karola juntos. Um autêntico caso de roubo de protagonismo.

Letícia Colin (foto: reprodução)

A rosa murchou

A virada da personagem, quando ela se bandeia para o lado de Laureta, marcou uma nova fase na novela. Mas apagou o viço de Rosa. Claro que ela nunca foi santa. Claro que suas ações eram bastante questionáveis: mentia e ludibriava em benefício próprio. Mas Laureta a corrompeu por completo. Não só Rosa passou para o lado sombrio da Força, como também Letícia Colin foi perdendo o destaque na novela. E o protagonismo conquistado.

A personagem foi abafada para que os protagonistas se destacassem? É uma explicação bastante razoável. Mesmo porque Luzia, Beto e Karola não possuíam um terço do carisma e força de Rosa.

Sua personagem ainda é importante, detentora de algumas cartas na manga. Pode inclusive detonar todos os vilões da novela, afinal, tem a chave do segredo de “Segundo Sol” ainda não revelado: que Valentim é filho de Luzia, e não de Karola. Certamente o autor João Emanuel Carneiro usará esse trunfo no momento certo. E que bom que está nas mãos de Rosa.

Pena que a personagem vem patinando e sendo lenta e dolorosamente cozinhada em banho-maria. Porém, como afirmei acima, novela é obra aberta. No balanço das horas tudo pode mudar. Podemos até voltar a amar Rosa.

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Como explicar o beijo gay da novela das 6 para os filhos? A novela explica! http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/08/30/como-explicar-os-gays-da-novela-das-6-para-os-filhos-a-novela-explica/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/08/30/como-explicar-os-gays-da-novela-das-6-para-os-filhos-a-novela-explica/#respond Thu, 30 Aug 2018 10:00:51 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=13518

Juliano Laham e Pedro Henrique Müller (foto: reprodução)

Atualizado em 12/09/2018.

Vamos falar de homossexualidade na novela das seis. Sim, “Orgulho e Paixão“, uma trama romântica, de época, em um horário, a princípio, visado. Não precisa tirar os filhos da sala para ver a novela – mas respeitemos a classificação indicativa, 12 anos. “Orgulho e Paixão” é a primeira do horário com uma trama romântica envolvendo gays. E tratando o assunto de forma que qualquer criança possa compreender – o sentimento entre duas pessoas do mesmo sexo –  sem apelação ou a pretensão de ser didática ou levantar bandeira.

Talvez a temporada “Viva a Diferença” da Malhação (2017-2018) tenha sido a primeira da novelinha a abordar o tema abertamente e sem melindres ou didatismo. Ou pelo menos a que melhor tocou no assunto. O ápice foi o beijo entre duas garotas. A atração avançou na abordagem e abriu precedente para que outras produções fossem pelo mesmo caminho.

Nunca antes os dilemas da homossexualidade foram trabalhados de maneira tão eficaz em uma novela das seis quanto agora, em “Orgulho e Paixão“. Na trama, o jovem Luccino (Juliano Laham), de uma família de simples camponeses, em uma cidadezinha do interior, na década de 1910, sente-se atraído e desperta para a paixão pelo militar Otávio (Pedro Henrique Müller), que corresponde aos seus sentimentos.

Sagaz, o autor Marcos Bernstein inseriu com cuidado a trama em sua novela. Primeiro ele esperou o tempo certo para o público amadurecer a ideia: depois de meses da novela no ar, já com audiência estabelecida. Segundo fez o público gostar dos personagens. Otávio, a princípio, tinha um viés cômico ou estava envolvido em situações cômicas. Era um personagem pequeno, mas agradável.

Pedro Henrique Müller e Juliano Laham (foto: reprodução)

Já Luccino foi apresentado desde o início como um rapaz de boa índole, trabalhador, bom filho e bom irmão. Um personagem “do bem”. Sua trajetória foi elaborada de modo que o público acompanhasse com ele a descoberta de seus sentimentos. Primeiro por Mário, em quem Mariana (Chandelly Braz) se travestia. Depois por Otávio. Outro acerto foi a escolha dos atores, pouco conhecidos do grande público e muito bem nos papeis.

Além do texto meticuloso de Bernstein, a produção prima pelo bom gosto da direção (Fred Mayrink e equipe). Foi bonita e cuidadosa toda a sequência do beijo entre Luccino e Otávio, no capítulo desta quarta-feira, 12/09. Texto, direção e elenco na medida certa.

Já critiquei a atemporalidade do texto de “Orgulho e Paixão“, em que os personagens, de época, pensam com a cabeça de 2018 (leia AQUI). No caso dos gays da novela, a trama se limita a mostrar os sentimentos dos personagens e seus dramas. Eles vivem os dilemas e renúncias comuns a todos os homossexuais, de todas as épocas – ainda que alguns amigos de Luccino e Otávio aceitem tudo com uma naturalidade bastante contemporânea.

O horário das 18h de novelas é o mais tradicional da TV, haja vista seu público alvo, na maioria donas de casa, crianças e adolescentes. Com bom gosto e cuidado, tateando para não ferir os mais sensíveis ao tema, a novela explica, sem ser didática, por meio de uma trama bem conduzida, romântica e atraente. Com “Orgulho e Paixão“, a Globo quebra mais um tabu de sua programação e avança na discussão.

Em tempo: a novela “Sete Vidas” (2015) também apresentou casais homossexuais com uma abordagem muito boa. Porém, referindo-me a “Orgulho e Paixão“, trato do desenvolvimento de um personagem gay de forma didática e sutil, de fácil compreensão e alcance.

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Bissexualidade ou novela reforça cura gay e ideal de família tradicional? http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/08/26/bissexualidade-ou-novela-reforca-cura-gay-e-ideal-de-familia-tradicional/ http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2018/08/26/bissexualidade-ou-novela-reforca-cura-gay-e-ideal-de-familia-tradicional/#respond Sun, 26 Aug 2018 14:40:36 +0000 http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/?p=13505

Armando Babaioff e Nanda Costa (foto: reprodução)

Novela “Segundo Sol“. Personagens: Selma (Carol Fazu) + Maura (Nanda Costa) | Ionan (Armando Babaioff) + Doralice (Roberta Rodrigues)

Selma era casada, mas traía o marido com Maura, que, por sua vez, foi apresentada desde o início como lésbica. Com a morte do marido, Selma assumiu o romance com Maura. As duas foram viver juntas e resolveram ter um filho por inseminação artificial. O doador do sêmen é Ionan, colega de trabalho de Maura. Ele, por sua vez, tem um casamento atribulado com Doralice, por causa do ciúme dela.

Ionan envolve-se cada vez mais com Maura, criando emoções com o bebê que está por vir. A novela vai, aos poucos, formando um casal bonito para conquistar o público, enquanto Selma passa a ser apresentada como uma cônjuge chata e possessiva, como Doralice já era. Está claro no roteiro um direcionamento para o público torcer por Maura e Ionan. Os atores têm química.

Maura e Ionan acabaram se beijando no capítulo de sábado (25/08). Selma, que traía o marido com uma mulher, agora é traída pela esposa, com um homem.

Carol Fazu e Nanda Costa (divulgação)

O autor João Emanuel Carneiro mexe em um campo minado. Não há problema em Maura ser bissexual – não tivesse a personagem desde o início sido apresentada como lésbica. Porém, não há problema em uma lésbica se descobrir atraída (sexualmente ou romanticamente) por um homem – não tivesse a trama de Maura se enveredado por questões delicadas para gays e lésbicas, como se assumir perante a família e enfrentar o preconceito – tendo sido Maura, inclusive, expulsa de casa pelo pai homofóbico com o asqueroso discurso machista do “falta um homem para te mostrar o que é bom“.

Há de se levar em consideração a verossimilhança: toda a trama descrita acima é crível e acontece na vida real. E há de se manter a liberdade criativa: por a novela ser uma obra de ficção e pelo direito do autor de expressar-se como lhe aprouver. Porém, existe a questão da responsabilidade social, que está no DNA de toda telenovela brasileira, pelo seu alcance e poder de influência e, assim, por servir de espelho para a sociedade.

Essa trama ainda está em construção. Contudo, até aqui, com a romantização de Ionan, Maura e um bebê, a novela vem reforçando o ideal de família “homem + mulher” e a ideia de “cura gay”. O pior é dar razão ao pai homofóbico de Maura e endossar seu discurso machista e preconceituoso. Vou repetir minha crítica à cura gay que se desenrolava na novela anterior, “O Outro Lado do Paraíso“: não é mimimi de politicamente correto. Trata-se do reforço de estigmatização e preconceito, um desserviço para o país que mais mata LGBTs no mundo.

A Favorita | Avenida Brasil (divulgação)

Reincidência de trama

Não terá sido a primeira vez que João Emanuel Carneiro promove uma “desconstrução de gênero” em novelas. Aconteceu desde a primeira. Em “Da Cor do Pecado“, Abelardo (Caio Blat) era um gay trancado no armário em uma família machista, “seduzido” por Tina (Karina Bacchi). Em “Cobras e Lagartos“, uma situação muito semelhante envolvendo Tomás (Leonardo Miggiorin), apresentado a princípio como metrossexual, envolvido por Sandrinha (Maria Maya).

Em “A Favorita“, Orlandinho (Iran Malfitano) era apaixonado por Halley (Cauã Reymond) até a chegada de Céu (Deborah Secco), que o seduziu e o fez “mudar de lado”. Aqui um escancarado caso de cura gay. Em “Avenida Brasil“, deu o que falar o triângulo Roni (Daniel Rocha), apaixonado por Leandro (Thiago Martins) mas envolvido no jogo de sedução da “periguete” Suelen (Ísis Valverde). O trio acabou junto, na cama.

O entrecho da inseminação de “Segundo Sol” é a reedição de uma trama da novela anterior do autor, “A Regra do Jogo“: as lésbicas Úrsula (Júlia Rabelo) e Duda (Gisele Batista) decidem pela inseminação e o doador de sêmen é Vavá (Marcello Novaes), irmão de Úrsula, que acaba se envolvendo com a cunhada, grávida dele.

Seria bom que João Emanuel Carneiro promovesse em “Segundo Sol” uma ampla e responsável discussão sobre “desconstrução de gênero”. Vamos aguardar o desenrolar dessa história e torcer. Não sem antes desconsiderar o seu currículo, já que o autor abordou a temática tantas vezes mas nunca ultrapassou a esfera do entretenimento descompromissado.

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