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Balanço 2012: as Novelas que marcaram o ano
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Nilson Xavier

Adriana Esteves e Vera Holtz em “Avenida Brasil” (Foto: TV Globo)

O ano de 2012 foi de altos e baixos para a nossa Teledramaturgia. A Globo, por exemplo, foi ao céu e logo em seguida desceu ao inferno. Os dois maiores sucessos de repercussão da década (as novelas “Avenida Brasil” e “Cheias de Charme“) foram substituídos pela maior queda em audiência da história. Mais uma prova de que apenas boas produções com algum diferencial prendem o telespectador atualmente. O público hoje tem mais opções que antigamente e cansou do mais do mesmo na TV.

A Vida da Gente
Com uma trama feminina por excelência, Lícia Manzo mostrou competência em sua primeira novela solo, apresentando um texto realista e sensível poucas vezes visto em nossa teledramaturgia. Com o horário das seis em pleno Horário de Verão, a novela enfrentou a baixa audiência do início ao fim, apesar da boa aceitação do público. Talvez uma explicação estivesse no excesso de drama, presente em todos os núcleos, em detrimento ao humor.

Fina Estampa
Um sucesso popular que alavancou a audiência do horário nobre da Globo, a trama de Aguinaldo Silva foi a novela de maior ibope dos últimos cinco anos. O autor uniu tramas surreais – entende-se sem compromisso algum com a realidade – com personagens caricatos – como a vilã Tereza Cristina (Christiane Torloni) e o gay Crodoaldo Valério (Marcelo Serrado) -, e uma heroína maniqueísta – Griselda (Lília Cabral), mulher batalhadora, mãe sofrida, boa e justa, concebida para criar empatia com o público que se identifica com essa figura idealizada. A aposta no tom farsesco e na comédia popular funcionou. Apesar do espaço que a vilã Tereza Cristina ganhou em detrimento à protagonista Griselda, foi o coadjuvante Crô que teve mais notoriedade. E acabou pulando da telinha para a telona do cinema.

Aquele Beijo
Miguel Falabella apresentou uma trama de humor espirituoso e inteligente, típica de seu universo. Mas faltou à novela uma história central empolgante. Foram as tramas paralelas, recheadas de bons personagens secundários, que fizeram a novela. A audiência, aquém da esperada, ficou à altura da história morna apresentada.

Malhação
Em agosto de 2011, a Globo estreou com grande alarde “Malhação Conectados”. Trouxe Ingrid Zavarezzi da TV a cabo para roteirizar a nova fase de sua tradicional novela teen, e a lançou prometendo tramas sobrenaturais repletas de mistério e suspense. Mas de nada adiantou. À medida que a audiência foi caindo, os temas paranormais foram sumindo da história. Novos roteiristas entraram para auxiliar Zavarezzi. As tramas de suspense saíram, o romance ganhou mais destaque, mas o ibope continuou baixo.

Em agosto de 2012, “Malhação” estreou sua atual fase, que mantem a tradição do programa, retratando o dia-a-dia de colegiais, seus namoricos e problemas pessoais e familiares dentro e fora da escola. Com uma cara mais moderna e foco maior em adolescentes, a novelinha enfrenta a baixa audiência atual que assola a TV aberta.

Vidas em Jogo
A autora Cristianne Fridman soube despertar a atenção do público promovendo reviravoltas e pontuando a novela com momentos chave durante os longos onze meses em que a trama esteve no ar. Assassinatos em série, personagens com HIV e viciados em crack e até uma transexual foram o chamariz para despertar a curiosidade do público, que respondeu à altura e manteve a audiência do horário para a Record.

Rebelde
A primeira temporada da novela teen terminou em março de 2012 dando lugar à segunda temporada, que desgastou a grife e fez despencar a audiência. Prejudicada pelas constantes mudanças de horário, a trama apelou para a “vampiromania” e RPG sem sucesso. A crise maior instaurou-se com a estreia de “Carrossel” no SBT, que lhe tomou o posto de segunda colocada na audiência. A autora Margareth Boury acabou deixando a novela antes de seu término. “Rebelde” teve seu fim precipitado e terminou melancolicamente, com brigas e revolta nos bastidores. Apesar dos percalços, é inegável a repercussão junto aos fãs nas mídias sociais e nos shows da banda formada pelos atores da novela.

Empreguetes, Fabian e Chayene no palco, em “Cheias de Charme” (Foto: TV Globo)

Corações Feridos
Os 100 capítulos da novela de Íris Abravanel foram gravados entre março e agosto de 2010. Sua estreia foi sendo protelada, até que finalmente o SBT decidiu desengavetá-la. Puro folhetim, com todos os clichês possíveis do gênero, esta produção do SBT manteve o ranço melodramático da novela xicana original na qual foi inspirada – apesar de elementos nacionais incorporados à trama, como a trilha sonora e ambientações.

Amor Eterno Amor
Elizabeth Jhin apresentou uma trama folhetinesca diluída em um discurso filosófico e doutrinário com temas espiritualistas. Mas, ao impor uma doutrina em detrimento à história romântica, exagerou na dose religiosa, o que levou ao didatismo monótono. A trama ainda se arrastou por meses e a autora só apressou sua história no final. Os maiores destaques foram os vilões vividos por Cássia Kis Magro e Osmar Prado – Melissa e Virgílio.

Avenida Brasil
Um verdadeiro fenômeno de repercussão, a novela de João Emanoel Carneiro virou coqueluche na Internet , provando que a telenovela pode se aliar à rede, e não encará-la como uma concorrente. A “nova classe C” retratada na trama cativou todas as classes. Como em um jogo de certo ou errado, o autor brincou com as nuances simbólicas de ricos e pobres, elaborando uma crítica social muito pertinente. Adriana Esteves se consagrou na interpretação antológica da vilã Carminha, o melhor papel de sua carreira até então. No elenco, bem dirigido, destacaram-se também Débora Falabella, Murilo Benício, Marcello Novaes, José de Abreu, Vera Holtz, e muitos outros.

Avenida Brasil” transgrediu a fórmula do folhetim clássico ao apresentar uma história de vingança em detrimento à história de amor, com uma heroína de personalidade dúbia (Nina). A estética cinematográfica e o ritmo alucinante da trama – sempre com ganchos bombásticos, o que aproximou a novela dos seriados americanos – cativaram o telespectador e fidelizaram a audiência. Lamenta-se apenas que tenha perdido o fôlego na segunda metade para o final. O Brasil parou para assistir ao último capítulo – que chegou a ser noticiado pela imprensa internacional depois que um comício com a presidente Dilma Rousseff foi adiado para evitar a concorrência com o final da novela.

Cheias de Charme
A primeira novela da dupla de autores Filipe Miguez e Izabel Oliveira trouxe de volta o sucesso ao horário das sete da Globo e teve o mérito de tirar proveito da Internet, transformando-a numa poderosa aliada: a novela foi pioneira na ação de transmedia, com o lançamento do clipe das Empreguetes primeiro na rede, depois na novela. A indústria do entretenimento real misturou-se ao entretenimento da ficção, com os cantores da novela dividindo o palco com vários cantores reais. A identidade visual deu o tom que o roteiro exigia.  O colorido dos shows de technobrega inspiraram os cenógrafos, figurinistas e a direção de arte.

Cláudia Abreu brilhou com os figurinos exagerados e a interpretação da desastrosa vilã Chayene, sempre acompanhada de sua “personal curica” Socorro (a revelação Titina Medeiros). Apesar de toda a repercussão, registra-se a perda de agilidade em sua narrativa após o sucesso das Empreguetes como cantoras, a partir da segunda metade da trama.

Máscaras
Problemática atração da Record, a novela de Lauro César Muniz causou estranhamento logo no início: uma direção equivocada e um texto por demais confuso afastaram o telespectador. A emissora viu seu Ibope cair vertiginosamente, o que acabou por deflagrar a pior crise no setor de Teledramaturgia desde que foi renovado, em 2004. A novela teve seu horário de exibição trocado várias vezes, causou desconforto entre elenco e o autor (a atriz Luiza Tomé reclamou publicamente da novela e do autor), e culminou com a troca do diretor e a antecipação de seu término. Parte do elenco divulgou na Internet uma carta em que culpava a mídia pela repercussão negativa da novela. Mas o estrago já estava feito.

Carrossel
Um dos maiores êxitos do ano na televisão, a novela adaptada por Íris Abravanel (a partir do original mexicano) espantou até os dirigentes do SBT, que não esperavam esse sucesso todo. “Carrossel” tornou-se um fenômeno de audiência para os padrões atuais da emissora e lhe devolveu o segundo lugar no horário nobre, desbancando a Record. Novela com público fiel e certo – o infantil -, sua repercussão reflete a carência deste tipo de programação no horário nobre da TV aberta brasileira. A novela conseguiu atrair o público que estava nos canais pagos ou até mesmo longe da televisão.

Na sala de aula de “Carrossel” (Foto: SBT)

Gabriela
A nova adaptação para o romance de Jorge Amado – feita por Walcyr Carrasco – não marcou a história da TV como a primeira versão, de 1975, mas manteve uma boa audiência no horário das onze da noite. Elenco e direção competentes numa produção requintada, desde a abertura até cenários, figurinos, fotografia e a trilha sonora saudosista, que trouxe de volta algumas das músicas da novela da década de 1970. Os bordões “Vou lhe usar” (do Coronel Jesuíno/José Wilker) e “Jesus Maria José!” (de Dona Dorotéia/Laura Cardoso) se popularizaram e viraram memes na Internet. José Wilker e Laura Cardoso foram os grandes destaques no elenco.

Lado a Lado
A novela das seis – de autoria dos novatos João Ximenes Braga e Cláudia Lage – é a melhor atualmente no ar, mas amarga uma baixa audiência desde sua estreia, prejudicada pelo Horário Político e Horário de Verão. Uma trama de época com nuances históricas narrada sem grandes arroubos, retratando um período poucas vezes visto na teledramaturgia. A produção requintada e o elenco afiado parecem pouco para despertar a atenção do telespectador.

Guerra dos Sexos
Este remake da famosa novela de Silvio de Abreu da década de 1980 também sofre na audiência. Se não deslanchou depois de três meses no ar, dificilmente conseguirá. Aos olhos de hoje, a luta das mulheres pela conquista de um espaço na sociedade dominada por homens soa anacrônica. O autor até tirou o foco da disputa entre machistas e feministas, mas a direção optou por uma linha de humor mais ingênuo, que, no ar, soa bobinho demais. Na verdade, “Guerra dos Sexos” mostrou-se ser uma escolha equivocada para um remake.

Balacobaco
A Record antecipou o fim de “Máscaras” e colocou às pressas no ar essa história de Gisele Joras. Mas de nada adiantou. Nem o tom excessivamente popularesco da trama tem chamado a atenção do público. A novela tem uma pegada de comédia, é colorida, repleta de personagens caricatos e tem uma trilha sonora popularíssima. Une elementos de novelas das sete horas da Globo com trilha semelhante à de “Avenida Brasil”. Mas faltam personagens e histórias cativantes. Se “Máscaras” ficou marcada pela repercussão negativa, “Balacobaco”, com uma audiência ainda menor, nem sequer repercute.

Salve Jorge
Com a menor média de audiência da história no horário, a novela de Glória Perez tem enfrentado a rejeição do público e críticas por toda parte, seja pela repetição de temas e elenco, pelo número excessivo de personagens, ou pelas dancinhas e bordões estrangeiros que já não despertam mais tanto interesse como na época de “O Clone”. E a sensação de déjà vu é tão grande que a Turquia da novela parece uma mistura de Marrocos com a Índia.

Mas o inimigo maior de “Salve Jorge” é a novela anterior, “Avenida Brasil”, que acostumou mal o telespectador com uma trama ágil, deixou muitos “viúvos apaixonados” e tem uma grande diferença com a trama de Glória Perez: narrativa e esteticamente falando. O sabor de novidade de “Avenida Brasil” foi substituído por uma novela conservadora e já conhecida do público. Apesar de o tráfico humano abordado na trama ser uma novidade bem vinda.

Opine! Quais as novelas de 2012 que você mais gostou?


Discurso doutrinário fez “Amor Eterno Amor” parecer uma novela de autoajuda
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Nilson Xavier

Amor Eterno Amor, a novela das seis da Globo que terminou na sexta-feira (07/09), apresentou uma trama folhetinesca diluída em um discurso filosófico e doutrinário que a deixou com cara de “novela de autoajuda”. Para intensificar seu caráter religioso, o maniqueísmo – representado pela luta do bem contra o mal – esteve onipresente durante toda a trama. Os maus, extremamente maus: Melissa (Cássia Kis Magro) parecia uma bruxa de desenho animado, inclusive na caracterização – o que deixou a personagem até bastante interessante. Os bons, tão bons e politicamente corretos que soaram chatos – o que dizer de Clara, a clarividente menina vivida por Klara Castanho?!

De um lado, os representantes do mal, o “lado negro da força”. Do outro, os mocinhos, que difundiam temas espiritualistas – na verdade um mix de teorias filosóficas recheadas com kardecismo, fenômenos paranormais, crianças índigo, vidas passadas, sessões de regressão, clarividência, experiência de quase morte, anjos, mantras, rezas, e toda uma sorte de assuntos esotéricos impostos ao telespectador de forma didática e unilateral. A autora limitou-se a apresentar os temas, mas a discussão aprofundada não interessou à trama da novela. Tanto que o personagem cético, o médico Gabriel (Felipe Camargo) – que deveria representar o contraponto com as filosofias difundidas -, sucumbiu ao discurso religioso da novela ao final.

Qual o problema disso tudo? Nenhum, a partir do momento em que as filosofias apresentadas na história trabalhem em prol da trama folhetinesca da novela. Amor Eterno Amor até que teve uma história de amor bem amarrada e coerente. O “amor que transcende a vida” é um clichê batidíssimo, mas inegavelmente irresistível. Misturar religião com romance pode ser uma boa receita: quando bem feito, cativa o telespectador mais sensível.

Mas Elizabeth Jhin exagerou na dose religiosa de sua novela. Impor uma doutrina em detrimento à história romântica pode levar ao didatismo monótono. E foi o que se viu em algumas sequências. Esta é a principal diferença entre Amor Eterno Amor e a novela anterior de Jhin, Escrito nas Estrelas, de 2010, onde, ao contrário, a religião serviu apenas de pano de fundo para a trama central. O principal problema de novelas que levantam bandeiras religiosas é quando a discussão é unilateral. Pode agradar alguns, pode não agradar a todos.

Lamenta-se também a morosidade com que as tramas foram desenvolvidas. A autora levou a metade da novela para apresentar a antagonista no amor entre os mocinhos Rodrigo e Míriam (Gabriel Braga Nunes e Letícia Persiles). Antes da chegada da falsa Elisa (Mayana Neiva), o empecilho para o romance do casal era Valéria (Andreia Horta), mas um conflito que nem existia, já que Rodrigo não era apaixonado por ela. Elisa representou de fato uma ameaça para o amor dos protagonistas e foi a partir daí que a novela começou a andar.

Mas a chegada de Elisa/Amparo não quer dizer que Amor Eterno Amor tenha ganhado agilidade. A novela das seis só apressou sua história no último mês de exibição. Não apenas a trama principal, mas a novela como um todo. Os meses que antecederam foram passando e as tramas paralelas patinaram junto com a história central, o que afugentou o telespectador acostumado às tramas ágeis das novelas das sete e nove horas (Cheias de Charme e Avenida Brasil).

O elenco merece alguns destaques. Elogiar Cássia Kis Magro virou lugar comum. A atriz se reinventa de uma forma impressionante a cada papel. Também um trabalho muito curioso de Osmar Prado, como Virgílio, mais um tipo inusitado na carreira do ator. Os embates entre Melissa e Virgílio (“Dana Miliiiçaaa!”) eram incríveis. Grande momento da veterana atriz Denise Weinberg, como Angélica, a sofrida mãe de criação de Rodrigo. Daniela Fontan iluminou a novela com sua matuta Gracinha, uma personagem deliciosa. Andréia Horta viveu um de seus melhores trabalhos em TV, como a passional Valéria. E a ótima Vera Mancini também merece citação, apesar de sua Carmem ter diminuído a partir da segunda metade da trama.

A ótima direção da equipe de Rogério Gomes, aliada à bela fotografia com imagens do Pará também foram um diferencial. Pena que o Pará sumiu da novela quando todo o núcleo do Marajó migrou para o Rio de Janeiro e foi parar no Edifício São Jorge – onde havia um núcleo que tentou fazer humor, sem sucesso.

A audiência manteve-se mais ou menos dentro do esperado, similar às novelas anteriores no horário. A repercussão nas redes sociais foi fraca: apenas o primeiro capítulo teve hashtags (palavras-chave) entre os TT´s do Twitter (Trending Topics, os assuntos mais comentados).

Elizabeth Jhin prometeu uma trilogia de “novelas espiritualistas”. Esperamos que a próxima seja mais Escrito nas Estrelas e menos Amor Eterno Amor.


Visual exótico, caneca e telefone de Cassia Kis fazem sucesso na novela das 6
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Nilson Xavier

A brilhante presença em cena de Cassia Kis Magro faz a maior diferença em Amor Eterno Amor. A atriz é o maior destaque da novela das seis da Globo. Cássia encarna a malévola vilã Melissa. Pérfida, vil, invejosa e diabólica, ela é capaz de qualquer coisa para atingir seus objetivos. Só não é capaz de se privar de seu look estiloso, nem mesmo quando dorme.

O que seria da performance de um ator sem a caracterização de seu personagem? Melissa que o diga. Da mesma forma que a Dulce de Morde e Assopra (a novela anterior de Cassia) não seria a mesma sem aqueles dentes estragados, Melissa não seria ela sem a série de itens e acessórios, elementos de cena, figurinos e maquiagem que compõe o visual exótico da personagem.

Socialmente, Melissa usa roupas chamativas com acessórios em abundância, como colares, pulseiras e anéis. A inspiração para o figurino vem das editoras de famosas revistas de moda internacionais, e vão do clássico às estampas de oncinha e zebrinha. Juntam-se cintos, bolsas de grife e sapatos plataforma. Também maquiagem pesada, sombra marcando os olhos e batom e esmalte em cores poderosas.

O mais interessante é perceber que Melissa não cai no estereótipo  da “perua”. Pelo contrário. Apesar de exagerada, a vilã é sofisticada e estilosa. A figurinista Natália Duran afirmou que a maioria dos modelitos da personagem foi adquirida em brechós em Belo Horizonte.

A peruca estilo chanel complementa o look da vilã, que pode ou não vir acompanhado dos óculos de grau redondos e gigantes. Os óculos são do tipo fundo de garrafa e dão um ar pitoresco à personagem. O visual lembra a atriz americana Linda Hunt e a personagem Edna Moda, do filme de animação Os Incríveis (Edna, por sua vez, foi inspirada em Edith Head, figurinista da Hollywood clássica).

Em casa, Melissa é mais discreta, mas não menos estilosa. Ela tira a peruca – o que deixa à mostra os cabelos grisalhos em desalinho – mas não se priva da maquiagem pesada. O robe roxo lhe dá um ar de bruxa medieval – a inspiração vem de Malévola, a bruxa da Bela Adormecida de Disney.

Muito da composição de um personagem se deve à experiência do ator. Cássia já afirmou que vários dos elementos que compõe Melissa são contribuições suas. O robe roxo, ela mandou fazer especialmente para a novela. A atriz trouxe de uma viagem à Londres a caneca ensanguentada com a qual aparece quase diariamente em cena. Cassia comprou a caneca numa loja no The Globe, o teatro de Shakespeare.

Os itens de Melissa mais desejados pelos telespectadores são a tal caneca com sangue e o pop-phone que a personagem usa em casa. Trata-se de um telefone de gancho (daqueles antigos) usado para acoplar ao celular. Pode ser facilmente encontrado à venda na Internet.

O visual de Melissa e os elementos de cena que a cercam sugerem uma leveza à personagem ao mesmo tempo em que intensificam os traços fortes de sua personalidade maléfica. Melissa é a bruxa do século XXI, tão estilosa quanto uma bruxa poderosa de contos de fadas medievais.


Primeira semana do Horário Político prejudica audiência das novelas
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Nilson Xavier

Com o início do Horário Político na televisão – na terça-feira, 21/08 – todas as emissoras tiveram que fazer um remanejamento em suas grades, alterando o horário de várias atrações. As novelas – algumas, os programas de maior audiência da TV – tiveram seus horários de exibição alterados – começaram mais cedo ou passaram para outro horário. Apenas Gabriela (Globo) e Máscaras (Record) continuam em seus horários originais.

Esta mudança acabou por prejudicar a audiência de algumas novelas da Globo – pelo menos nesta primeira semana, em que o público ainda não acostumou-se com a nova grade. As mais prejudicadas foram Malhação e as tramas das seis e sete horas, Amor Eterno Amor e Cheias de Charme, que começaram por volta de vinte minutos mais cedo – tiveram uma queda significativa no Ibope se comparadas com as semanas anteriores.

Cada ponto no Ibope equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo:

A primeira semana da nova temporada de Malhação – que começou na segunda-feira, 13/08 – registrou 17 pontos no Ibope, mas caiu para 13 na segunda semana, quando entrou o Horário Político. Amor Eterno Amor vinha com uma média semanal de 23 pontos e fechou a média da última semana em 20. Cheias de Charme marcou 32 pontos na semana de 13 a 18 de agosto, e consolidou a semana passada em 28.

Avenida Brasil, às 21 horas – no ar por volta de 10 minutos antes do habitual – registrou uma queda menor, apenas um ponto em comparação com a semana anterior: vinha de 40 e fechou a semana que passou com 39. A queda maior foi de segunda para terça-feira (quando começou o Horário Político): na segunda, a novela cravou 44 pontos, e terça, 38. Mas a audiência foi subindo com o passar da semana.

A novela infantil do SBT, Carrossel - exibida antes às 20h30 e agora às 19h50 – e a novela teen da Record, Rebelde – antes às 20h30 e agora às 21 horas -, mantiveram o público fiel que tinham, apesar da mudança de horário. Carrossel fechou a semana nos 13 pontos (um ponto a menos que a semana anterior), enquanto Rebelde continua com seus 4 pontos habituais.

Gabriela e Máscaras continuam em seus horários originais. Enquanto Máscaras subiu um ponto (fechou em 6 na semana passada) em relação às semanas anteriores, Gabriela, por sua vez, teve uma queda: registrou 18 pontos na semana entre 13 e 17/08, e fechou a última semana com 16 pontos no Ibope.


Perto do fim, “Amor Eterno Amor” começa a dar sinais de agilidade na trama
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Nilson Xavier

Faltando pouco menos de um mês para seu término, Amor Eterno Amor – o folhetim das seis da Globo – começa a dar sinais de alguma agilidade para fechar suas histórias. Agilidade esta que faltou ao longo de seus cinco meses de apresentação.

A trama de Elizabeh Jhin arrastou-se por esse tempo todo sem se preocupar com grandes viradas ou ganchos bombásticos. A história resumiu-se à procura de Rodrigo (Gabriel Braga Nunes) por sua amada de infância, Elisa, que acabou arremessada em sua vida por uma armação da vilã Melissa (Cássia Kis Magro) – ela providenciou uma falsa Elisa (Mayana Neiva) para engabelar o rapaz. E, no final das contas, Elisa esteve sempre ao seu lado: era a mocinha Míriam (Letícia Persiles), reencarnação da menina da infância de Rodrigo – que na verdade era o espírito de uma criança que lhe fazia companhia.

Espiritualismo demais e folhetim de menos

A autora já tentara a fórmula “trama folhetinesca + espiritualismo” em sua novela anterior, Escrito nas Estrelas, de 2010. Desta vez, Jhin inverteu a ordem: Amor Eterno Amor foi uma trama espiritual por excelência, em que o folhetim acabou ficando em segundo plano.  Talvez aí a explicação para a maior repercussão de Escrito nas Estrelas quando comparada com Amor Eterno Amor.

Desta vez, a autora foi mais longe no espiritualismo: impôs uma doutrina em detrimento à história romântica – e, consequentemente, acabou por cair no didatismo. Ivani Ribeiro, em sua A Viagem (Tupi, 1975-1976 / Globo, 1994) – um marco espiritualista da nossa teledramaturgia – teve a cautela de primeiro fisgar o público pela história folhetinesca para, aos poucos, inserir a doutrina kardecista na trama.

Elizabeth Jhin soube fazer isso muito bem em Escrito nas Estrelas, mas pecou ao inverter a ordem dos fatores em Amor Eterno Amor - que só não naufragou no marasmo por conta da ótima produção e direção e do talento de alguns atores do elenco, como Cássia Kis Magro e Osmar Prado.

Impor uma doutrina espiritualista afugenta quem não está muito disposto a ser doutrinado. A não ser quando o bônus é uma história realmente cativante.

Saiba mais sobre Amor Eterno Amor no site Teledramaturgia.


Tramas com vingança e paternidade desconhecida são destaques em três novelas da Globo ao mesmo tempo
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Nilson Xavier

Vingança e paternidade desconhecida são dois clássicos do folhetim. Também: amores impossíveis por causa de famílias inimigas ou de classes sociais diferentes, sósias em que um toma o lugar do outro, ou gêmeos de personalidades opostas. Estão sempre nas novelas dando aquela sensação de déjà vu. Mas é a maneira de contar uma história repetente o que diferencia uma trama da outra – e o que faz com que os telespectadores caiam sempre na mesma história.

Coincidentemente, três novelas da Globo estão atualmente explorando os batidos filões da vingança e da paternidade desconhecida.

“Vingança, minha filha! Vingança!”
Quatro amigas na cadeia selam um pacto contra os homens que as fizeram sofrer.
(Quatro por Quatro, 1994)

Em Avenida Brasil, a vingança de Nina/Rita (Débora Falabella) contra Carminha (Adriana Esteves) está dando o que falar nas rodas e redes sociais, e dividindo opiniões e torcidas. A patroa praticamente trocou de lugar com a empregada, e Carminha ainda tem que ceder calada às chantagens de Nina – numa clara alusão ao Primo Basílio, de Eça de Queiroz.

Ao mesmo tempo, na novela das sete – Cheias de Charme -, Cida (Isabelle Drummond) tomou uma decisão importante no capítulo desta terça-feira (31/07): decidiu ir à forra contra a família Sarmento, que a humilhou no passado. Após saber por Ernani (Tato Gabus Mendes) que é filha dele, mudou-se para a casa dos Sarmentos “pela porta da frente” – como uma vingancinha pessoal contra a ex-patroa Sônia (Alexandra Richter) e suas duas filhas malvadas, Isadora e Ariela (Gisele Batista e Simone Gutierrez).

A novela das seis, Amor Eterno Amor, por ser uma trama espiritualista, tem uma vingança à altura. Após ser assassinado por Melissa (Cássia Kis Magro), Zenóbio (Lucci Ferreira) retorna em espírito para atormentar sua algoz. O espírito obsessor de Zenóbio já provocou o acidente de carro de Fernando (Carmo Della Vecchia), filho de Melissa. E inclusive já baixou nele, para que ele maltratasse a mãe. Nos próximos capítulos, Zenóbio tentará matar Melissa, induzindo-a a se jogar no mar.

“Meu filho nasceu perfeito. O da Eduarda morreu logo depois de nascer.”
Eduarda lendo o diário da mãe e descobrindo que a criança não era seu filho, mas seu irmão.
(Por Amor, 1998)

Em Avenida Brasil, Jorginho (Cauã Reymond), descobriu que Carminha é sua verdadeira mãe, que o abandonara no lixão e depois o pegou de volta para acabar de criar. Falta ele saber quem é o pai. O passado de Carminha também é um mistério, e envolve Mãe Lucinda (Vera Holtz), Santiago (Juca de Oliveira) e Nilo (José de Abreu). Recentemente, Roni (Daniel Rocha Azevedo) descobriu que Soninha Catatau (Paula Burlamaqui) é sua mãe, e Paloma (Bruna Griphao) descobriu que Cadinho (Alexandre Borges) é seu pai. Aliás, e a mãe da Rita hein? Nunca foi citada, né! Por enquanto…

Em Cheias de Charme – como descrito acima -, Cida ficou sabendo ontem que Ernani Sarmento é seu pai, que se envolvera com a empregada da casa, mãe dela. Samuel (Miguel Roncato), por sua vez, pressionou a mãe, Lygia (Malu Galli), para lhe revelar a identidade do pai que ele nunca conheceu. Nos próximos capítulos Marcos Pasquim entra na novela para viver Gilson, pai biológico de Samuel.

Em Amor Eterno Amor, a personagem Priscila (Laila Zaid) descobriu recentemente que o vilão Dimas (Luís Mello) é o seu pai biológico, e não perdoa a mãe, Laura (Giulia Gam) de nunca tê-la contado. A novela tem ainda outra trama muito parecida: Laís (Jéssika Alves) quer saber da mãe Marlene (Hermila Guedes) quem é o pai que ela nunca conheceu. Logo mais esse mistério será desvendado.

As vinganças podem ser pelos motivos mais variados. E concretizadas de mil formas diferentes. Os filhos que desconhecem pai ou mãe geralmente envolvem algum segredo, mantido pelas mais diversas razões. Cabe a cada autor dar um entrecho diferente para cada história, ao seu modo. De antemão, sabemos apenas que o final – geralmente -será feliz.


As Periguetes invadem as novelas
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Nilson Xavier

As periguetes estão em alta nas novelas globais. E já faz um tempo. Suelen é uma das personagens mais populares de Avenida Brasil. Ísis Valverde brilha na pele da maria-chuteira oferecida que usa o corpo para conseguir o quer. Muito a vontade na personagem, a atriz afasta para sempre o estigma de Rakelli, que viveu na novela Beleza Pura, em 2008. Suas insinuações para os rapazes na frente do “ficante” Leandro (Thiago Martins), e os seus bate-bocas com Roni (Daniel Rocha Azevedo) são diversão na certa.

A novela das sete, Cheias de Charme, também tem uma periguete à altura de Suelen. Brunessa é a funkeira abusada que faz qualquer coisa por dinheiro e, tal qual sua colega de Avenida Brasil, usa o corpo como uma arma poderosa. A personagem é interpretada pela atriz Chandelly Braz, estreante em novelas (ela participara da série Clandestinos, o Sonho Começou, em 2010).

Às seis da tarde, em Amor Eterno Amor, Andreia Horta vive Valéria, uma moça da ilha de Marajó um tanto quanto “atirada”, que faz qualquer coisa pelo seu amor, Carlos (Gabriel Braga Nunes). Romântica, mas não menos periguete, o corpo – de novo – é a arma que ela usa para prender seu homem.

As novelas anteriores também tinham sua cota-periguete. Em A Vida da Gente, a cerejinha Cris (Regiane Alves) até se deu bem por um tempo, ao fisgar o ricaço Jonas (Paulo Betti), mas o casório não durou até o último capítulo. Fina Estampa teve uma das maiores periguetes de todos os tempos: Theodora (Carolina Dieckmann), que até mostrou ser boa gente ao aproximar-se do filho pequeno, mas nem por isso deixou de lado os métodos sórdidos para conseguir o queria. Da mesma novela, saiu a periguetinha funkeira Solange (Carol Macedo), que só queria saber de rebolar até o chão.

Em Insensato Coração, era Natalie Lamour, vivida por Deborah Secco, quem fazia qualquer coisa para se dar bem e estar diante dos holofotes. Aliás, Deborah interpretou outras periguetes parecidas: a deslumbrada Darlene de Celebridade (2003-2004), a sonsa Céu de A Favorita (2008), e a maria-chuteira Marina de Suave Veneno (1999).

Mas a lista é grande: Thaísa (Fernanda Souza em Ti-Ti-Ti), Elvira (Bárbara Borges em Bela, a Feia), Norminha (Dira Paes em Caminho das Índias), Gislaine (Juliana Alves em Duas Caras), Valquíria (Renata Dominguez em Amor e Intrigas), Bebel (Camila Pitanga em Paraíso Tropical), Leona (Carolina Dieckmann em Cobras e Lagartos), Creusa (Juliana Paes em América), Karla com K (Juliana Paes em O Clone),  Sandrinha (Adriana Esteves em Torre de Babel), Mary Matoso (Patrícia Travassos em Vamp), Clara (Cláudia Abreu em Barriga de Aluguel), Nicinha (Marisa Orth em Rainha da Sucata), Fátima (Glória Pires em Vale Tudo), Tina Pepper (Regina Casé em Cambalacho), Marilda (Elizângela em Roque Santeiro), Carolina (Lucélia Santos em Guerra dos Sexos).

Cite outras periguetes que você lembra!


Osmar Prado se destaca em seu retorno a “Amor Eterno Amor”
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Nilson Xavier

O ator Osmar Prado voltou em cena na novela Amor Eterno Amor, no capítulo desta quarta-feira (11/04) e, pelo visto, movimentará a trama, que andava bem parada até então. Seu personagem, Virgílio, havia aparecido apenas no início da história, na primeira fase. Ele é o pai de criação do protagonista Carlos (Gabriel Braga Nunes), um homem mau e ambicioso que explorava o dom do filho de amansar feras, quando este era criança Com a morte da mãe de criação, Carlos conseguiu fugir do pai cruel. Tentando juntar as peças de seu passado nebuloso, Carlos, já adulto, reencontrou Virgílio, que não via desde a infância.

E eis que surge Osmar Prado numa interpretação irretocável, como o homem simplório que tenta se aproximar do filho. A caracterização perfeita mostra um Virgílio velho e marcado pela passagem do tempo. A cena em que ele tenta se explicar com Carlos e convencê-lo de suas boas intenções chegou a ser tocante. E percebemos as nuances do personagem na despedida com Carlos, quando, sozinho, Virgílio mostra sua verdadeira face, revelando ao público que suas intenções não são tão boas assim.

A autora, Elizabeth Jhin, tem aí a oportunidade de dar um gás em Amor Eterno Amor. Explorar o talento de Osmar Prado e as possibilidades desse bom entrecho é uma chance de alavancar o interesse do público pela novela, que vem sofrendo de um marasmo letárgico. Osmar Prado é um daqueles atores perfeitos para criação de tipos inusitados, da mesma categoria de Lima Duarte,Tony Ramos e outros poucos.

Eis alguns personagens que marcaram a carreira do ator:

Mingo em Bandeira Dois (1971-1972)
Juba em Bicho do Mato (1972)
Amaro em Chega Mais (1980)
Seu Quequé no Tele Romance Seu Quequé (1982)
Tabaco em Roda de Fogo (1986-1987)
Pietro em Vida Nova (1988-1989)
Sérgio Cabeleira em Pedra Sobre Pedra (1992)
Tião Galinha em Renascer (1993)
Zeca em Éramos Seis (1994)
Clóvis Camargo em Sangue do Meu Sangue (1995-1996)
Barnabé de Barros em Meu Bem Querer (1998)
Tomás de Alencar na minissérie Os Maias (2001)
Lobato em O Clone (2001-2002)
Margarido em Chocolate com Pimenta (2003-2004)
Pai de Maria na minissérie Hoje é Dia de Maria (2005)
Barão de Araruna em Sinhá Moça (2006)
Cícero Cassini em Ciranda de Pedra (2008)
Manu Meetha em Caminho das Índias (2009)
Delegado Batoré em Cordel Encantado (2011).

Cite os personagens de Osmar Prado na televisão que você mais gostou!


Novela das 6 “Amor Eterno Amor” tem a pior média de audiência até o décimo capítulo
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Nilson Xavier

A novela das seis da Globo, Amor Eterno Amor – de Elizabeth Jhin, com direção de núcleo de Rogério Gomes -, teve a pior média de audiência já registrada para o horário até o décimo capítulo: pouco mais de 21 pontos, quando a meta é 25. Amor Eterno Amor começou lenta, apostando no romantismo e introspecção, tendo o espiritualismo como fio condutor. Em Escrito nas Estrelas, a trama anterior da autora, de 2010, viu-se um início bem mais movimentado. Apesar das belas imagens de Marajó em Amor Eterno Amor, paira no ar a impressão de “já vi essa novela antes”.

Marajó maravilhoso

A sensação de déjà vu tem razão de ser. Escrito nas Estrelas também apresentou uma trama espiritualista, e também foi dirigida por Rogério Gomes. A estética, com temática rural, lembra Paraíso, novela de Benedito Ruy Barbosa, de 2009, outra trama sob a batuta de Gomes. Mas é impossível não lembrar-se também de Araguaia (de Wálter Negrão, de 2010-2011), América (de Glória Perez, de 2005) e Senhora do Destino (de Aguinaldo Silva, de 2004-2005).

As imagens são belíssimas, com fotografia de cinema – o que já é costumeiro no horário das seis. A novela é gravada em 24 quadros por segundo, quando normalmente se usa 30 quadros. E Amor Eterno Amor mostra um cenário inédito em novelas: paisagens deslumbrantes da Ilha de Marajó, um atrativo a mais do folhetim, e que ainda tem o mérito de divulgar a região. O clima romântico é envolvente, como se propõe a história. A trilha sonora, introspectiva e de bom gosto, ajuda.

Além do cenário, o universo do Marajó está presente nas danças com trajes típicos (saias rodadas e flor no cabelo) e no linguajar, com expressões como “Égua!”, que causou certo estranhamento no início, mas já foi devidamente assimilado pelo público.

Atores e perucas

O elenco é de primeira, valorizado pela direção segura. Letícia Persiles vive uma heroína romântica que segue interessante. Gabriel Braga Nunes parece contido demais em cena, culpa de seu personagem que não dá margem a uma atuação mais desenvolta – pelo menos por enquanto. A personagem de Andreia Horta – lindíssima – é um furacão e dá a pimenta ao trio romântico central que já se desenha.

O casal vivido por Pedro Paulo Rangel e Vera Mancini já chamou a atenção. Ele, cuja caracterização lembra um Pereirinha (personagem de José Mayer em Fina Estampa, a trama das 9) caipira e covarde, tem os mesmos tiques de interpretação de tantos outros personagens que já viveu em novelas. Vera Mancini – que se destacou recentemente como a engraçada empregada Cleonice de Morde e Assopra (também dirigida por Rogério Gomes) – está à vontade na pele da mulher mandona e voluntariosa. E Vera só não é a atriz que mais chama atenção no elenco porque não usa uma peruca.

As perucas da novela merecem um parágrafo à parte. Cássia Kis Magro já usava uma peruca fake na novela Eterna Magia, que Elizabeth Jhin escreveu em 2007. Em Escrito nas Estrelas, Suzana Faini ostentou uma peruca grisalha, mas ainda discreta. Já a personagem de Walderez de Barros naquela novela era apaixonada por perucas: tinha várias em sua casa e cuidava delas com devoção. Em Amor Eterno Amor, as perucas de Ana Lúcia Torre e Cássia Kis Magro são propositalmente fakes e destoam tanto da história quanto da proposta estética da novela. Mesmo assim, as atrizes estão ótimas em seus papeis. Ainda que, às vezes, Cássia Kis pareça beirar o histrionismo. Deve ser impressão, por causa da peruca!

Espiritualismo e crianças índigo

Acho que se deve prestar um pouco mais de atenção na trama central da novela e na atriz mirim Klara Castanho. A menina Clara (sua personagem) tem poderes paranormais, lê os pensamentos das pessoas. Ou seja, é o tipo de personagem que pode tudo na trama de uma novela, para o bem ou para o mal. Criança índigo e criança prodígio ou super dotada, que não tem papas na língua e fala como um adulto, pode soar chata ou arrogante.

O espiritualismo é o que move a trama de Amor Eterno Amor. Diferente de outras novelas que já exploraram esse filão – como Escrito nas Estrelas e a espírita A Viagem, de Ivani Ribeiro -, dessa vez a temática vem explícita e soa impositiva. O personagem de Felipe Camargo é um homem cético e, por isso, na trama da novela, precisa ser “doutrinado” pelas filhas espiritualistas. Afinal, para embarcar nessa viagem a Marajó em busca da criança perdida, é preciso crer no que prega a história.

Aí, fica realmente difícil para quem é cético embarcar nessa viagem. Ou melhor, nessa história. A novela corre o risco de afugentar quem tem outras crenças, ou quem não acredita na doutrina apresentada pela autora. Talvez o efeito seria outro se a parte espiritualista de Amor Eterno Amor não fosse tão explícita nesse primeiro momento. Ou se ficasse em segundo plano. Mas aí não teria novela, já que a trama central depende da trama espiritualista para acontecer.


Primeiras chamadas de “Amor Eterno Amor” apresentam o logotipo da nova novela das 6
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Nilson Xavier

A Globo estreia sua nova novela das seis da tarde, Amor Eterno Amor, dia 5 março. A trama é escrita por Elizabeth Jhin com direção geral de Rogério Gomes. Até a semana passada, vimos os primeiros teasers da nova atração e, nesta segunda-feira (dia 13/02/2012) foi ao ar a primeira chamada já com o logo oficial da novela, reproduzido abaixo.

Amor Eterno Amor apresenta a história de um menino separado da mãe que é criado longe dela, por outra família. A criança cresce com o dom de amansar animais. Levado para a ilha de Marajó, no Pará, ele (Gabriel Braga Nunes) torna-se um domador de búfalos e guarda no coração um amor de infância No Rio de Janeiro, sua mãe verdadeira (Ana Lúcia Torre) está à procura do filho desaparecido.

Como sugere o nome da novela, o logotipo apresenta o símbolo do infinito com o seu título escrito dentro. Passa a ideia de amor infinito e eterno, que transcende o espaço e o tempo – como no caso do personagem de Gabriel Braga Nunes, que cresceu longe da mãe e de sua amada, e os reencontra mais trarde.

Opine: o que você achou do logotipo? É bonito, esteticamente falando? Condiz com a ideia da novela?

Relembre alguns outros logos de novelas da Globo dos últimos anos.

Saiba mais sobre Amor Eterno Amor no site Teledramaturgia.