Blog do Nilson Xavier

Arquivo : Avenida Brasil

Sábado acontece o lançamento da “Sabor Brasilis”, a primeira HQ sobre novelas
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Nilson Xavier

Os bastidores da telenovela já inspiraram livros, filmes (“Tootsie”, “Segredos de uma Novela”, “A Novela das Oito”), peças (“Novela Brasil”) e até a própria telenovela (“Espelho Mágico”). Pela primeira vez, uma HQ se prontifica a explorar esse universo.

Sabor Brasilis” (Zarabatana Books), a graphic novel – uma novela gráfica, literalmente falando –, escrita por Hector Lima e Pablo Casado, com ilustrações de Felipe Cunha e George Schall, desvenda o que rola por trás da produção de uma telenovela de sucesso em seus últimos capítulos: o stress dos roteiristas, a pressão da emissora, das concorrentes, dos patrocinadores, da mídia, do público. A fogueira das vaidades e a luta de egos por trás da historinha de ficção.

As referências com a realidade estão em todas as páginas. Desde a emissora líder de audiência, até sua principal concorrente, administrada por um grupo religioso. A mídia que cobre as novelas: jornais, revistas, internet, programas de televisão. Referências a pessoas da vida real, desde autores de novela, até apresentadores de TV. Nem este blogueiro/tuiteiro escapou ileso!

Sabor Brasilis” foi escrita enquanto ia ao ar “Fina Estampa”, de Aguinaldo Silva, e a reprise de “Vale Tudo”, no Canal Viva – novelas de sucesso da temporada 2011-2012. O “quem matou Olívia Ribeiro” da HQ é uma alusão à Odete Roitman. Mesmo porque, a primeira frase da história é “Agora vale tudo!”. O autor de “Sabor Brasilis”, Antônio Callado, lembra Aguinaldo Silva, principalmente quando ele usa o twitter para divulgar seu trabalho.

Mas, o mais curioso é que “Sabor Brasilis” antevê o final apoteótico de “Avenida Brasil”, através do último capítulo da novela do gibi – a HQ já estava roteirizada antes da estreia da trama de João Emanuel Carneiro.

A ficção imita a vida real. Ou vice-versa. Existe uma máxima em televisão que afirma que as novelas são todas iguais, o que muda é a forma de contar uma mesma história. “Sabor Brasilis” se inspira nas novelas de televisão para imitar a vida real.

O lançamento e sessão de autógrafos com os autores acontece neste sábado, 23/02, a partir das 17 horas, na Gibeteria, Praça Benedito Calixto, 158, 1º  andar, em Pinheiros, São Paulo.

Visite o site da “Sabor Brasilis


Humor negro de “Pé na Cova” critica o preconceito e o politicamente correto
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Nilson Xavier

Elenco de “Pé na Cova” (Foto: TV Globo)

Nada como o humor negro para brincar com a morte e lançar um olhar debochado e divertido sobre a tragédia humana (da pobreza e da morte). “A Família Addams” fazia mais ou menos isso, mas de uma forma bem amena, liberada para todos os públicos. As referências de “Pé na Cova” – o seriado de Miguel Falabella que vai ao ar às quintas-feiras – vão bem além. Enganou-se quem achou que Falabella iria “chupar” o plot da série americana “A Sete Palmos” (“Six Feet Under”), sobre uma família esquisita proprietária de uma funerária. A alusão termina aí para começar uma série de referências à cultura pop, de Almodóvar à novela “Avenida Brasil”.

Pé na Cova” é uma série de humor com personagens preconceituosos que denuncia o próprio preconceito. O funesto das situações apresentadas abranda a lente de contato que o programa lança sobre o que o ser humano tem pior: o preconceito – contra o pobre, contra o sem instrução, contra o negro, contra o homossexual. Guardadas as devidas proporções, os personagens lembram a família de Tufão de “Avenida Brasil”, principalmente quando fica claro no texto a crítica à educação nesse país.  O melhor exemplo disto foi apresentado no episódio em que a família de Ruço (Miguel Falabella) discute o significado da palavra “laico”: “Não quero saber de gente laica em minha casa não!” – bradou Ruço, o que ignora a laicidade – tema em voga no momento.

A família de “Pé na Cova” é uma espécie de “A Grande Família” às avessas, que renuncia a moral, a ética, as convenções socais e o politicamente correto em prol da própria sobrevivência e união. O incorreto é a verve de “Pé na Cova”. A maquiadora de defuntos Darlene é alcoólatra – Marília Pêra inspiradíssima – e não pensa duas vezes antes de surrupiar os cadáveres. O casal surreal Luz Divina (Eliana Rocha) e Juscelino (Alexandre Zacchia) parece saído da série “Os Monstros”. A família de Ruço tem uma empregada (Sabrina Korgut) ainda mais pobre e ignorante que eles. Alessanderson (Daniel Torres), o filho, se julga muito malandro e esperto. Odete Roitman (Luma Costa) – que nome maravilhoso! -, a filha, é a ninfeta que namora a mecânica sapatão – que se chama “Tamanco” (Mart´nália) – e ganha a vida se despindo na webcam com a conivência do pai e o total apoio da mãe. Afinal, é fácil ter preconceito quando não é com você. Para sobreviver, há que se despir de qualquer preconceito, concluiria Ruço.


“Avenida Brasil” é citada em “Guerra dos Sexos”
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Nilson Xavier

Tony Ramos como Otávio em “Guerra dos Sexos” (Foto: TV Globo)

O capítulo desta quarta-feira (30/01) de “Guerra dos Sexos” exibiu uma sequência inusitada. Otávio, o personagem de Tony Ramos, conversou ao telefone com um amigo que ele chamou de JOÃO EMANUEL, e pediu a ele a indicação de um detetive. O detetive indicado chamava-se LELECO, que iria investigar os passos do personagem ZENON – em “Guerra dos Sexos”, interpretado por Thiago Rodrigues.

Foi uma clara alusão à novela “Avenida Brasil”, escrita por JOÃO EMANUEL Carneiro, que tinha o personagem LELECO, vivido por Marcos Caruso, e, inclusive, um detetive chamado ZENON (Mário Hermeto). Silvio de Abreu e João Emanuel já trabalharam juntos: Silvio foi supervisor de texto da novela “Da Cor do Pecado”, escrita por João Emanuel Carneiro em 2004.

Silvio de Abreu já fez referências a outras novelas dentro de “Guerra dos Sexos”, inclusive a “Salve Jorge”, de Glória Perez. Na versão original, de 1983, várias novelas foram citadas, como a contemporânea “Louco Amor”, a novela das 8 da época (que Silvio voltou a citar neste remake), e  as estreias de “Eu Prometo” e “Champagne” – novelas que começaram enquanto “Guerra dos Sexos” estava no ar. Também pudera, a novela das sete tem uma personagem que é noveleira de carteirinha: Nieta (Yara Amaral em 1983 / Drica Moraes atualmente) – várias dessas citações vêm da boca da personagem.

Citar novelas dos colegas é uma prática recorrente de Silvio de Abreu. Além de “Guerra Dos Sexos”, o autor fez o mesmo com muita propriedade em “Sassaricando”, em 1987-1988. Os colegas novelistas que ele mais citou em sua obra foram os amigos Cassiano Gabus Mendes e Gilberto Braga.


Balanço 2012: as Novelas que marcaram o ano
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Nilson Xavier

Adriana Esteves e Vera Holtz em “Avenida Brasil” (Foto: TV Globo)

O ano de 2012 foi de altos e baixos para a nossa Teledramaturgia. A Globo, por exemplo, foi ao céu e logo em seguida desceu ao inferno. Os dois maiores sucessos de repercussão da década (as novelas “Avenida Brasil” e “Cheias de Charme“) foram substituídos pela maior queda em audiência da história. Mais uma prova de que apenas boas produções com algum diferencial prendem o telespectador atualmente. O público hoje tem mais opções que antigamente e cansou do mais do mesmo na TV.

A Vida da Gente
Com uma trama feminina por excelência, Lícia Manzo mostrou competência em sua primeira novela solo, apresentando um texto realista e sensível poucas vezes visto em nossa teledramaturgia. Com o horário das seis em pleno Horário de Verão, a novela enfrentou a baixa audiência do início ao fim, apesar da boa aceitação do público. Talvez uma explicação estivesse no excesso de drama, presente em todos os núcleos, em detrimento ao humor.

Fina Estampa
Um sucesso popular que alavancou a audiência do horário nobre da Globo, a trama de Aguinaldo Silva foi a novela de maior ibope dos últimos cinco anos. O autor uniu tramas surreais – entende-se sem compromisso algum com a realidade – com personagens caricatos – como a vilã Tereza Cristina (Christiane Torloni) e o gay Crodoaldo Valério (Marcelo Serrado) -, e uma heroína maniqueísta – Griselda (Lília Cabral), mulher batalhadora, mãe sofrida, boa e justa, concebida para criar empatia com o público que se identifica com essa figura idealizada. A aposta no tom farsesco e na comédia popular funcionou. Apesar do espaço que a vilã Tereza Cristina ganhou em detrimento à protagonista Griselda, foi o coadjuvante Crô que teve mais notoriedade. E acabou pulando da telinha para a telona do cinema.

Aquele Beijo
Miguel Falabella apresentou uma trama de humor espirituoso e inteligente, típica de seu universo. Mas faltou à novela uma história central empolgante. Foram as tramas paralelas, recheadas de bons personagens secundários, que fizeram a novela. A audiência, aquém da esperada, ficou à altura da história morna apresentada.

Malhação
Em agosto de 2011, a Globo estreou com grande alarde “Malhação Conectados”. Trouxe Ingrid Zavarezzi da TV a cabo para roteirizar a nova fase de sua tradicional novela teen, e a lançou prometendo tramas sobrenaturais repletas de mistério e suspense. Mas de nada adiantou. À medida que a audiência foi caindo, os temas paranormais foram sumindo da história. Novos roteiristas entraram para auxiliar Zavarezzi. As tramas de suspense saíram, o romance ganhou mais destaque, mas o ibope continuou baixo.

Em agosto de 2012, “Malhação” estreou sua atual fase, que mantem a tradição do programa, retratando o dia-a-dia de colegiais, seus namoricos e problemas pessoais e familiares dentro e fora da escola. Com uma cara mais moderna e foco maior em adolescentes, a novelinha enfrenta a baixa audiência atual que assola a TV aberta.

Vidas em Jogo
A autora Cristianne Fridman soube despertar a atenção do público promovendo reviravoltas e pontuando a novela com momentos chave durante os longos onze meses em que a trama esteve no ar. Assassinatos em série, personagens com HIV e viciados em crack e até uma transexual foram o chamariz para despertar a curiosidade do público, que respondeu à altura e manteve a audiência do horário para a Record.

Rebelde
A primeira temporada da novela teen terminou em março de 2012 dando lugar à segunda temporada, que desgastou a grife e fez despencar a audiência. Prejudicada pelas constantes mudanças de horário, a trama apelou para a “vampiromania” e RPG sem sucesso. A crise maior instaurou-se com a estreia de “Carrossel” no SBT, que lhe tomou o posto de segunda colocada na audiência. A autora Margareth Boury acabou deixando a novela antes de seu término. “Rebelde” teve seu fim precipitado e terminou melancolicamente, com brigas e revolta nos bastidores. Apesar dos percalços, é inegável a repercussão junto aos fãs nas mídias sociais e nos shows da banda formada pelos atores da novela.

Empreguetes, Fabian e Chayene no palco, em “Cheias de Charme” (Foto: TV Globo)

Corações Feridos
Os 100 capítulos da novela de Íris Abravanel foram gravados entre março e agosto de 2010. Sua estreia foi sendo protelada, até que finalmente o SBT decidiu desengavetá-la. Puro folhetim, com todos os clichês possíveis do gênero, esta produção do SBT manteve o ranço melodramático da novela xicana original na qual foi inspirada – apesar de elementos nacionais incorporados à trama, como a trilha sonora e ambientações.

Amor Eterno Amor
Elizabeth Jhin apresentou uma trama folhetinesca diluída em um discurso filosófico e doutrinário com temas espiritualistas. Mas, ao impor uma doutrina em detrimento à história romântica, exagerou na dose religiosa, o que levou ao didatismo monótono. A trama ainda se arrastou por meses e a autora só apressou sua história no final. Os maiores destaques foram os vilões vividos por Cássia Kis Magro e Osmar Prado – Melissa e Virgílio.

Avenida Brasil
Um verdadeiro fenômeno de repercussão, a novela de João Emanoel Carneiro virou coqueluche na Internet , provando que a telenovela pode se aliar à rede, e não encará-la como uma concorrente. A “nova classe C” retratada na trama cativou todas as classes. Como em um jogo de certo ou errado, o autor brincou com as nuances simbólicas de ricos e pobres, elaborando uma crítica social muito pertinente. Adriana Esteves se consagrou na interpretação antológica da vilã Carminha, o melhor papel de sua carreira até então. No elenco, bem dirigido, destacaram-se também Débora Falabella, Murilo Benício, Marcello Novaes, José de Abreu, Vera Holtz, e muitos outros.

Avenida Brasil” transgrediu a fórmula do folhetim clássico ao apresentar uma história de vingança em detrimento à história de amor, com uma heroína de personalidade dúbia (Nina). A estética cinematográfica e o ritmo alucinante da trama – sempre com ganchos bombásticos, o que aproximou a novela dos seriados americanos – cativaram o telespectador e fidelizaram a audiência. Lamenta-se apenas que tenha perdido o fôlego na segunda metade para o final. O Brasil parou para assistir ao último capítulo – que chegou a ser noticiado pela imprensa internacional depois que um comício com a presidente Dilma Rousseff foi adiado para evitar a concorrência com o final da novela.

Cheias de Charme
A primeira novela da dupla de autores Filipe Miguez e Izabel Oliveira trouxe de volta o sucesso ao horário das sete da Globo e teve o mérito de tirar proveito da Internet, transformando-a numa poderosa aliada: a novela foi pioneira na ação de transmedia, com o lançamento do clipe das Empreguetes primeiro na rede, depois na novela. A indústria do entretenimento real misturou-se ao entretenimento da ficção, com os cantores da novela dividindo o palco com vários cantores reais. A identidade visual deu o tom que o roteiro exigia.  O colorido dos shows de technobrega inspiraram os cenógrafos, figurinistas e a direção de arte.

Cláudia Abreu brilhou com os figurinos exagerados e a interpretação da desastrosa vilã Chayene, sempre acompanhada de sua “personal curica” Socorro (a revelação Titina Medeiros). Apesar de toda a repercussão, registra-se a perda de agilidade em sua narrativa após o sucesso das Empreguetes como cantoras, a partir da segunda metade da trama.

Máscaras
Problemática atração da Record, a novela de Lauro César Muniz causou estranhamento logo no início: uma direção equivocada e um texto por demais confuso afastaram o telespectador. A emissora viu seu Ibope cair vertiginosamente, o que acabou por deflagrar a pior crise no setor de Teledramaturgia desde que foi renovado, em 2004. A novela teve seu horário de exibição trocado várias vezes, causou desconforto entre elenco e o autor (a atriz Luiza Tomé reclamou publicamente da novela e do autor), e culminou com a troca do diretor e a antecipação de seu término. Parte do elenco divulgou na Internet uma carta em que culpava a mídia pela repercussão negativa da novela. Mas o estrago já estava feito.

Carrossel
Um dos maiores êxitos do ano na televisão, a novela adaptada por Íris Abravanel (a partir do original mexicano) espantou até os dirigentes do SBT, que não esperavam esse sucesso todo. “Carrossel” tornou-se um fenômeno de audiência para os padrões atuais da emissora e lhe devolveu o segundo lugar no horário nobre, desbancando a Record. Novela com público fiel e certo – o infantil -, sua repercussão reflete a carência deste tipo de programação no horário nobre da TV aberta brasileira. A novela conseguiu atrair o público que estava nos canais pagos ou até mesmo longe da televisão.

Na sala de aula de “Carrossel” (Foto: SBT)

Gabriela
A nova adaptação para o romance de Jorge Amado – feita por Walcyr Carrasco – não marcou a história da TV como a primeira versão, de 1975, mas manteve uma boa audiência no horário das onze da noite. Elenco e direção competentes numa produção requintada, desde a abertura até cenários, figurinos, fotografia e a trilha sonora saudosista, que trouxe de volta algumas das músicas da novela da década de 1970. Os bordões “Vou lhe usar” (do Coronel Jesuíno/José Wilker) e “Jesus Maria José!” (de Dona Dorotéia/Laura Cardoso) se popularizaram e viraram memes na Internet. José Wilker e Laura Cardoso foram os grandes destaques no elenco.

Lado a Lado
A novela das seis – de autoria dos novatos João Ximenes Braga e Cláudia Lage – é a melhor atualmente no ar, mas amarga uma baixa audiência desde sua estreia, prejudicada pelo Horário Político e Horário de Verão. Uma trama de época com nuances históricas narrada sem grandes arroubos, retratando um período poucas vezes visto na teledramaturgia. A produção requintada e o elenco afiado parecem pouco para despertar a atenção do telespectador.

Guerra dos Sexos
Este remake da famosa novela de Silvio de Abreu da década de 1980 também sofre na audiência. Se não deslanchou depois de três meses no ar, dificilmente conseguirá. Aos olhos de hoje, a luta das mulheres pela conquista de um espaço na sociedade dominada por homens soa anacrônica. O autor até tirou o foco da disputa entre machistas e feministas, mas a direção optou por uma linha de humor mais ingênuo, que, no ar, soa bobinho demais. Na verdade, “Guerra dos Sexos” mostrou-se ser uma escolha equivocada para um remake.

Balacobaco
A Record antecipou o fim de “Máscaras” e colocou às pressas no ar essa história de Gisele Joras. Mas de nada adiantou. Nem o tom excessivamente popularesco da trama tem chamado a atenção do público. A novela tem uma pegada de comédia, é colorida, repleta de personagens caricatos e tem uma trilha sonora popularíssima. Une elementos de novelas das sete horas da Globo com trilha semelhante à de “Avenida Brasil”. Mas faltam personagens e histórias cativantes. Se “Máscaras” ficou marcada pela repercussão negativa, “Balacobaco”, com uma audiência ainda menor, nem sequer repercute.

Salve Jorge
Com a menor média de audiência da história no horário, a novela de Glória Perez tem enfrentado a rejeição do público e críticas por toda parte, seja pela repetição de temas e elenco, pelo número excessivo de personagens, ou pelas dancinhas e bordões estrangeiros que já não despertam mais tanto interesse como na época de “O Clone”. E a sensação de déjà vu é tão grande que a Turquia da novela parece uma mistura de Marrocos com a Índia.

Mas o inimigo maior de “Salve Jorge” é a novela anterior, “Avenida Brasil”, que acostumou mal o telespectador com uma trama ágil, deixou muitos “viúvos apaixonados” e tem uma grande diferença com a trama de Glória Perez: narrativa e esteticamente falando. O sabor de novidade de “Avenida Brasil” foi substituído por uma novela conservadora e já conhecida do público. Apesar de o tráfico humano abordado na trama ser uma novidade bem vinda.

Opine! Quais as novelas de 2012 que você mais gostou?


Sucesso prolongado de “Avenida Brasil” contribui para repercussão negativa de “Salve Jorge”
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Nilson Xavier

Totia Meirelles e Nanda Costa em cena de “Salve Jorge” (Foto: TV Globo)

Não sei se Glória Perez já usou o argumento de que existe uma campanha negativa da mídia contra Salve Jorge. Todo dia me deparo com alguma notícia espinafrando a novela ou, ao menos, chamando a atenção para a sua repercussão negativa, a baixa audiência, o número volumoso de atores no elenco, as repetições de temas, etc. Não vou me estender nos exemplos senão vai parecer que eu mesmo estou desqualificando a obra. O fato é que as audiências de todas as novelas no ar estão abaixo do esperado (com exceção de Carrossel, do SBT, que tem seu público cativo).

Continuo achando que Carminha é a grande vilã nessa má vontade toda do público com a trama de Glória. Avenida Brasil abriu um precedente: o público está cansado de mais do mesmo. É claro que Avenida também tinha mais do mesmo, como deve ter todo folhetim (a base da telenovela). Mas houve ali uma quebra de paradigma – pelo menos no formato (estética cinematográfica, linguagem de seriado com ganchos surpreendentes, elenco enxuto, etc.)… Também não vou me estender em enaltecer Avenida para não resvalar a novela da Glória na comparação com a trama de João Emanuel Carneiro.

O período de luto de Avenida Brasil se estende na medida em que a novela continua colhendo louros de seu sucesso. Na noite de terça-feira (27/11), Avenida foi a principal vencedora do Prêmio Extra de Televisão. Ganhou seis das nove categorias em que concorreu: Novela, Atriz (Adriana Esteves), Ator Coadjuvante (José de Abreu), Atriz Coadjuvante (Ísis Valverde), Revelação (Cacau Protásio) e Revelação Infantil (Mel Maia) – Marcelo Serrado, de Fina Estampa, levou o prêmio de Melhor Ator.

Os internautas comemoram na Internet. Assim como comemoram os capítulos de Avenida Brasil transmitidos atualmente pelo canal SIC, em Portugal, que podem ser vistos aqui pela Internet. E justamente na hora que está passando Salve Jorge. Que azar, hein!

“Roque Santeiro” – “Selva de Pedra” – “Vale Tudo” – “O Salvador da Pátria”

Assim como Avenida Brasil, outras duas novelas, do passado também causaram frisson e viraram coqueluche: Roque Santeiro (1985-1986) e Vale Tudo (1988-1989). A novela que teve a difícil tarefa de substituir Roque Santeiro foi o remake de Selva de Pedra (com Fernanda Torres, Tony Ramos e Christiane Torloni como protagonistas). Apesar do sucesso da novela original em 1972 (aquela dos 100% de audiência), o remake não agradou a maioria. A trama custou para pegar – se é que de fato “pegou” – e foi muito criticada na época. A história se repete mais ou menos assim agora, em 2012…

Em contrapartida, o caso de Vale Tudo foi diferente. Depois do enorme sucesso da novela, de todos saberem que foi Leila quem matou Odete Roitman, a trama substituta – O Salvador da Pátria – não fez feio. Aqui cabem algumas comparações. Selva de Pedra tinha a estrutura do mais clássico dos folhetins. Era uma história relativamente nova e conhecida em 1986 – havia sido reprisada em 1975, onze anos antes. Ou seja, foi escolhido um melodrama sem novidade para substituir um fenômeno de repercussão. Selva de Pedra, naquele momento, revelou-se uma escolha equivocada para entrar no lugar de Roque Santeiro.

Diferentemente, a trama que substituiu o fenômeno Vale TudoO Salvador da Pátria – trazia o mais apurado texto de Lauro César Muniz, na história do boia-fria matuto (Sassá Mutema de Lima Duarte) que serviu de bode expiatório para as falcatruas dos poderosos de uma cidadezinha. Apesar de ser uma releitura de um antigo conto de Lauro César (O Crime do Zé Bigorna, exibido nos anos 1970 como Caso Especial), O Salvador da Pátria apresentou uma história e tanto que cativou o público de cara, logo nos primeiros meses. Não por acaso, a novela registrou altos índices de audiência na época (apesar dos problemas que teve da metade para o final).

Roque Santeiro-Selva de Pedra e Vale Tudo-O Salvador da Pátria são exemplos para se refletir no atual caso Avenida Brasil-Salve Jorge. Acredito que o público deixa o luto pela novela anterior mais cedo quando o casamento seguinte traz novidade. E convenhamos que Salve Jorge carece de novidade. A única está no núcleo do tráfico de mulheres.

Como se não bastasse Salve Jorge ser uma novela tradicional demais para ocupar a vaga de Avenida Brasil, o sucesso prolongado da trama de João Emanuel Carneiro ecoa e intensifica a sensação do quanto as duas novelas são diferentes. Para melhor e para pior.


Com audiência baixa, “Salve Jorge” deveria focar na trama do tráfico de mulheres
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Nilson Xavier

Rodrigo Lombardi e Nanda Costa em “Salve Jorge” (Foto: TV Globo)

As críticas pipocam por todos os lados. “Salve Jorge é lenta e confusa” “Já vimos essa novela antes!” “São muitos personagens, não consigo decorar os nomes!” “Lá vem as dancinhas e os bordões estrangeiros!”.

A audiência

A novela de Glória Perez, depois de um mês no ar, não vem despertando grande audiência: é a pior média para o horário até o capítulo 24 – 30,63 pontos no Ibope da Grande São Paulo, a praça que realmente interessa ao mercado publicitário (cada ponto equivale a 60 mil domicílios). Sabe-se que no resto do Brasil a novela tem números melhores.

Compare com as tramas anteriores no horário – audiência média na Grande São Paulo até o capítulo 24:

Salve Jorge: 30,63
Avenida Brasil (2012): 35,5
Fina Estampa (2011-2012): 38,25
Insensato Coração (2011): 31,75
Passione (2010): 31,21
Viver a Vida (2009-2010): 36,5
Caminho das Índias (2009): 34,54
A Favorita (2008-2009): 35,25

Mesmo com 30,63 pontos, a novela das nove da Globo ainda é a maior audiência da TV aberta brasileira – há mais de 40 anos é assim -, líder isolada quando comparada à audiência da segunda emissora concorrente no horário.

Em um mês no ar, Salve Jorge pegou dois feriadões (2 e 15 de Novembro). E estreou em pleno Horário de Verão, o que seria um fator a ser considerado, já que o Horário de Verão costuma ser o fantasma das novelas das seis e sete horas (é um dos motivos para o baixo desempenho de Lado a Lado e Guerra dos Sexos). Mas, historicamente, o Horário de Verão afeta pouco a novela das nove horas. Há um ano, Fina Estampa – com dois meses no ar – registrava números bem mais expressivos.

Déjà vu total

Não desmerecendo o trabalho de pesquisa da autora, Salve Jorge nos dá a impressão de que a Turquia não passa de uma mistura de Marrocos com a Índia. Claro que cada autor tem seu estilo. Assim como os atores com quem gosta de trabalhar (as chamadas “panelinhas”) e os personagens e tramas que já usou várias vezes. Mas, uma coisa é estilo, outra é repetição deslavada. Salve Jorge parece um arremedo de O Clone + América + Caminho das Índias.

Nanda Costa chegou a ser citada em algum momento, mas a culpa não é da atriz, que, aliás, está ótima como Morena. Nanda defende com garra e talento a típica heroína de Glória Perez: a moça passional e batalhadora, contestadora, que luta pelos seus objetivos, mesmo abrindo mão de seu amor (vide Clara, Dara, Jade, Sol e Maya). O elenco é ótimo, grandioso em talento e – principalmente – em quantidade – o que, às vezes, confunde o público, perdido entre tantas tramas paralelas e nomes. Bom para os atores: todos empregados.

O diretor de núcleo é Marcos Schechtmann, que já acompanhou Glória em América e Caminho das Índias, entre outros trabalhos. Os dois têm afinidade mas, acostumados a trabalhar sempre com a mesma equipe técnica e artística, acabam deixando as suas novelas com a mesma cara, esteticamente falando. Somados a isso: elenco repetido, com atores que já estiveram com Gloria ou Marcos várias vezes, personagens com perfis psicológicos já vistos antes, exotismo de um país longínquo, diferenças culturais apresentadas didaticamente, figurinos folclóricos, dancinhas a todo o momento por qualquer motivo, palavras estrangeiras ditas com a tradução em português na sequência… Já vimos essa novela antes. E mais de uma vez.

Adriano Garib e Carolina Dieckmann em “Salve Jorge” (Foto: TV Globo)

Salve Jorge x Avenida Brasil

Na quinta-feira (feriado de 15 de Novembro), durante a exibição do capítulo de Salve Jorge, os tuiteiros subiram a hashtag #EssaHoraEmAvenidaBrasil (*) para bater de frente com a trama de Glória Perez, como uma forma de criticar a autora. Sim, existe o luto pela novela anterior. Mas, muito mais do que isso, existe o estranhamento causado pela novela substituta de Avenida Brasil.

A trama de João Emanuel Carneiro acostumou mal o seu público. Direção inovadora com tomadas e fotografia cinematográficas, atores soltando cacos (texto fora do roteiro), ritmo acelerado, ganchos impactantes, sempre envolvendo o núcleo central, elenco enxuto, linguagem de seriado, etc. A novela se tornou um grande sucesso e repercutiu como nunca nas redes sociais (principalmente no Twitter e Facebook).

Aí entra Salve Jorge, com a narrativa e linha dramatúrgica tradicional de Glória Perez, com o seu universo já conhecido, testado, aprovado e reprovado em trabalhos anteriores, e a direção linear e certinha de Marcos Schechtmann. O realismo e o sabor de novidade de Avenida Brasil foram substituídos pela mais conservadora das novelas, com uma trama central que beira o dramalhão mexicano. Realmente é uma diferença gritante. Como se diz no Twitter: tem que ver isso aí!

(*) a palavra-chave #EssaHoraEmAvenidaBrasil ficou entre os assuntos mais comentados do Twitter.

Merchandising social

Toda novela quando estreia leva um tempo para cativar a audiência. Caminho das Índias, o folhetim anterior de Glória Perez, também demorou a engrenar e terminou com ótimo Ibope – até ganhou prêmio no exterior.

Torcemos para que Salve Jorge decole. Glória Perez deveria focar no que sua novela tem de melhor: a trama do tráfico de mulheres, que é o grande diferencial de Salve Jorge em relação às suas outras novelas. O tema é interessante, chama a atenção, é atual, serve como alerta, denuncia, levanta a discussão. Merchandising social é uma marca registrada das novelas de Glória Perez, o diferencial que fez da autora uma das mais talentosas e competentes de nossa televisão.


“Avenida Brasil”: uma tragédia grega no subúrbio carioca
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Nilson Xavier

O Divino é aqui

Muito já foi falado e muito já se especulou sobre o fenômeno da repercussão de Avenida Brasil, a novela que terminou na sexta-feira (19/10). Não existe uma resposta apenas. Costumo dizer que esse sucesso todo se deve a uma soma de fatores muito positivos. Não vou discorrer sobre o que já foi fartamente discutido, sobre o que todos já sabem. É lógico que Avenida Brasil tinha uma direção espetacular – cinematográfica, em cenas, tomadas e fotografia – e de elenco – um grupo de atores brilhantes que, aliados ao bom texto, deram vida a vários personagens carismáticos e de forte apelo popular.

Avenida Brasil é um exemplo raro de nossa televisão da “novela certa na hora certa”. Não houve na história recente deste país uma telenovela que aproveitou tão bem a situação socioeconômica para refletir na tela um retrato pitoresco de nossa realidade contemporânea. Pode-se dizer que o fictício bairro do Divino é um microcosmo do Brasil e foi responsável por toda essa catarse que levou diariamente milhões de brasileiros à frente da TV e que repercutiu nas ruas e na Internet. Mais uma vez – como em poucos exemplos em nossa Teledramaturgia – o brasileiro se viu refletido na telenovela.

A “nova classe C” retratada na trama fisgou todas as classes. Como em um jogo de certo ou errado, o autor brincou com as nuances simbólicas de ricos e pobres, elaborando uma crítica social muito pertinente, seja através da grã-fina da Zona Sul que faz pouco caso da figura do suburbano, ou no velho-pobre novo-rico que zomba do velho elitismo. Da língua ferina de Verônica (Débora Bloch) ouvimos todo o discurso preconceituoso contra pobres que as regras do politicamente correto nos brecam. Ao mesmo tempo em que Carminha (Adriana Esteves) debochou ao fazer pouco caso dos pratos refinados da chef Nina (que ganhou um apelido pejorativo: Maria Antonieta), e do intelectualismo tardio de Tufão (Murilo Benício) – que lia livros indicados por Nina (Débora Falabella).

“TV vs. Internet” ou “TV + Internet”?

A telenovela sempre acompanhou a evolução da sociedade, seja apresentando temas da ordem do dia, seja aglutinando as novas tecnologias que foram surgindo, ou aliando-se a elas. A Internet já foi vista como um bicho-papão da televisão (como outrora se acreditou que a TV seria uma ameaça para o cinema). Com Avenida Brasil ficou mais do que provado que a Internet pode ser uma aliada da telenovela. Se antigamente a novela em tempo real era discutida apenas no âmbito familiar, hoje em dia ela tem o poder de unir todas as famílias para acompanhar juntas as emoções e discutir em tempo real o que acontece na telinha.

Avenida Brasil foi a primeira novela coqueluche da Internet. Que o digam os memes referenciando a trama, a cascata diária de “oioiois” no Twitter e as inúmeras charges engraçadinhas no Facebook. Hoje já não se espera mais o dia seguinte para comentar a novela com o vizinho. É tudo em “real time”, como se o telespectador fosse à janela gritar para os vizinhos o que achou de determinada cena. Avenida Brasil conseguiu reunir todas as noites milhões de brasileiros, ávidos em compartilhar opiniões, em um mesmo sofá, virtual. Os números do Ibope ainda interessam ao mercado. Mas a repercussão na Internet tem uma função maior: é formadora de opinião, tão influenciável quanto os velhos “group discussions” entre donas de casa organizados pelas emissoras.

Perda de agilidade e furos

Como se para atender a todos os públicos, Avenida Brasil reuniu vários estilos de dramaturgia em só produto. Transgrediu a fórmula do folhetim clássico ao apresentar uma história de vingança em detrimento a uma história de amor. Apresentou uma heroína torta, de personalidade dúbia: Nina foi capaz de roubar e enganar para atingir seus objetivos. A estética da novela a aproximou do cinema. A linguagem narrativa fez lembrar os seriados americanos. Os ganchos bombásticos cativaram e mantiveram o telespectador preso à trama – ainda não existe melhor maneira de fidelizar a audiência.

O ritmo alucinante da primeira metade de Avenida Brasil assustou o público: “uau, que novela é essa?”. Lamenta-se apenas que a trama tenha perdido o fôlego na segunda metade para o final. Não houve “barriga” (aquele parte da novela em que nada acontece), haja vista os ganchos sempre fortes. Mas a história começou a dar voltas, a patinar, a enrolar o público. Foi quando se deflagrou o maior problema da novela: Nina ignorou métodos modernos de armazenamento de informações (naquela história toda do pendrive) e atitudes incoerentes e furos no roteiro não passaram despercebidos nem pelo telespectador mais distraído.

“É tudo culpa da Riiita”, diria Carminha. É culpa do roteiro, disseram os telespectadores. É culpa das mídias sociais, que não deixam escapar nada, diriam os donos da novela. A legião apaixonada de fãs de Avenida Brasil não perdoa quando se sente subestimada. A internet tem esse poder: derruba uma obra com a mesma força que enaltece.

O último capítulo

A história de Avenida Brasil terminou na semana em que Nina foi vingada (através de Max) e Carminha foi expulsa da mansão de Tufão. Pelo menos a história apresentada desde o início da novela, a da vingança de Nina contra Carminha. Pena que Nina não esteve de corpo presente na sequência em que Carminha caiu em desgraça. Nina acendeu a pólvora e Max levou o pavio para explodir na casa de Tufão.

A última semana de Avenida Brasil serviu como epílogo da novela. Com uma semana para terminar, vimos novos entrechos virem à tona. O assassinato de Max explicou a origem dos personagens do lixão e os elos que os ligavam. O batido clichê do assassinato incomodou. Mas, na realidade, saber quem matou Max foi apenas o pano de fundo para explicar a origem da “família Lixão”.

De repente, Carminha despiu-se de suas roupas brancas (a máscara havia caído, ela não tinha mais a quem enganar, podia vestir cores escuras tal qual sua alma) e começou a agir de uma forma que não estávamos acostumados. Aquela não era a velha Carminha, arrogante, má, despudorada, debochada, que havia conquistado fãs. Causou estranhamento. Principalmente quando ela começou a dar indícios de que havia se regenerado. É quando aparece um novo vilão: Santiago (um Juca de Oliveira muitos tons acima) – um falso Gepeto que sugeria ter molestado o Pinóquio.

O último capítulo desconcertou quem esperava o retorno da Carminha má e o gran finale entre Nina e a megera. A princípio, pareceu pouco criativo, ou lógico demais, Carminha ter salvado Tufão e Nina da morte e se revelado a assassina de Max. Mas o tom de tragédia grega – que o autor mesclou tão bem com a caricatura do suburbano brasileiro – pedia um desfecho digno de toda esta resignação de Carminha. O autor não fez dela uma mártir, do tipo que salva a vida do amado se pondo em frente da bala. Nem lhe reservou a insanidade mental para justificar seus atos. Ou simplesmente a trancafiou em uma cela para dar a história por terminada. Carminha cumpriu pena, voltou para o lixão e teve o embate final com Nina. Sem gritaria e palavrões. Apenas com o olhar atravessado das relações mal resolvidas.


“Avenida Brasil”: os coadjuvantes que se destacaram na novela
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Nilson Xavier

José de Abreu como Nilo em “Avenida Brasil” (Foto: TV Globo)

O sucesso de Avenida Brasil pode ser medido pelos números de audiência e pela repercussão que a novela tem, nas ruas e nas mídias sociais. Em sua última semana de exibição, não se fala de outra coisa.

A morte de Nilo no capítulo de terça-feira (16/10) movimentou as redes sociais e pôs fim à magistral participação de José de Abreu na novela, que viveu um dos melhores papeis de sua carreira. Nilo, a princípio um mendigo repugnante, acabou por cativar o telespectador pelo tom que o ator deu ao personagem, pela sua insanidade e risadinha. Hi-hi-hi.

Além dele, Avenida Brasil teve vários outros destaques no elenco, muito além dos atores do núcleo principal da história, velhos conhecidos nossos de tantos trabalhos, como Adriana Esteves (Carminha), Débora Falabella (Nina), Murilo Benício (Tufão), Marcello Novaes (Max), Vera Holtz (Lucinda), Marcos Caruso (Leleco), Eliane Giardini (Muricy) e outros.

A novela esteve repleta de personagens coadjuvantes ricos e carismáticos, que caíram nas graças do público. Como a Zezé de Cacau Protásio. A empregada não teve uma história própria, estava ali apenas para dar um alívio cômico. Mas é difícil imaginar a família Tufão sem a presença dela.

Juliano Cazarré, José Loreto, Letícia Isnard, Cláudia Missura e Cacau Protásio (Foto: TV Globo)

Letícia Isnard também teve seu talento reconhecido ao viver Ivana, personagem tão humana que lembra uma prima, uma vizinha ou amiga de colégio. Juliano Cazarré conquistou fãs com seu Adauto, um tipo ignorante e encantador.

Também Fabíula Nascimento, que deu vida a uma Olenka despachada e divertida, no modo de falar e vestir. José Loreto, uma das revelações do elenco jovem, dividiu ótimas cenas de Darkson com o veterano Marcos Caruso. Ísis Valverde, como a periguete Suelen, amoral e imoral, mas livre de julgamento. E Cláudia Missura, atriz tarimbada que transformou uma empregada coadjuvante numa mulher tão rica e real que nos faz lembrar alguém conhecido.

Vale destacar também Luana Martau (a Beverly), que teve menos participação, mas sempre com tiradas ótimas e inspiradas. E as meninas Mell Maia (a Ritinha do início da história) e Ana Karolina Lannes (a Ágata), novinhas e já esbanjando talento e carisma.

Avenida Brasil ficará marcada como aquela produção em que elenco se orgulhará de ter feito parte. E aqui cabe aquela máxima: não existe papel pequeno quando um talentoso ator tem em mãos um texto à altura.

Quais outros atores e personagens se destacaram em Avenida Brasil?

Ísis Valverde, Fabíula Nascimento, Ana Karolina Lannes, Mell Maia e Luana Martau (Foto: TV Globo)


“Quem matou” pode finalmente revelar o vilão de “Avenida Brasil”
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Nilson Xavier

O “quem matou” é um recurso existente na telenovela desde a década de 1960. Alguns ficaram clássicos, como o “quem matou Salomão Hayalla”, de O Astro (1977-1978), e o “quem matou Odete Roitman”, de Vale Tudo (1988-1989).

De um tempo para cá, o “quem matou” tornou-se um estratagema recorrente para autores que querem dar um “up” na trama em sua reta final e assim despertar a audiência adormecida para a sua novela. Gilberto Braga fez uso do recurso em todos seus trabalhos desde a minissérie Labirinto, de 1998 (nas novelas Força de um Desejo, Celebridade, Paraíso Tropical e Insensato Coração).

Hoje, o público geralmente associa o “quem matou” à falta de criatividade do autor ou para chamar a atenção da audiência. O telespectador mais acostumado às artimanhas rocambolescas de nossos folhetins já vê o “quem matou” com certa resistência: lá vem mais um!

Em sua reta final, Avenida Brasil fez uso de um “quem matou” que já vinha sendo anunciado há algum tempo. A bola da vez é o mau caráter Maxwell (Marcello Novaes), morto no capítulo de quinta-feira (11/10). A trama de João Emanuel Carneiro precisava de tal recurso?

Um fenômeno de repercussão e audiência, Avenida Brasil, desde o início, angariou uma legião de fãs que se acostumaram a uma novela ágil, cheia de reviravoltas e ganchos surpreendentes a cada capítulo. Logo, não acho que o “quem matou Max” foi para alavancar audiência, muito menos falta de criatividade dos roteiristas.

Faltando uma semana para acabar, Avenida Brasil não tinha mais história para contar. Nina estava vingada e Carminha, desmascarada, caiu em desgraça. Quais nós restam ser desatados neste novelo? Talvez os que envolvam os personagens do lixão: o passado que une Max a Carminha (Adriana Esteves), a Mãe Lucinda (Vera Holtz), a Nilo (José de Abreu) e a Santiago (Juca de Oliveira).

O assassinato de Max vem para elucidar e justificar o comportamento destes personagens. Existe uma história em Avenida Brasil que ainda é mistério para o telespectador – que conhece apenas a trama que começou lá atrás, com a pequena Rita (Mell Maia), e avançou para o envolvimento de Carminha com a família de Tufão (Murilo Benício) até a atualidade.

Agora o público sabe que o começo desta história toda vem de muito antes. O desfecho do crime pode finalmente revelar quem é o vilão e quem é o mocinho deste folhetim.


“Avenida Brasil” bate recorde de audiência semanal
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Nilson Xavier

Avenida Brasil bateu seu recorde de audiência para um capítulo de sábado: prévia de 42 pontos no Ibope (cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo), em 06/10. A semana que passou registrou ainda a maior audiência semanal que a novela teve. Veja os números:

Seg 45 – Ter 42 – Qua 43 – Qui 46 – Sex 43 – Sab 42 = 43,5

Faltando apenas duas semanas para o seu término, apesar de toda a repercussão, Avenida Brasil ainda não bateu a audiência da trama antecessora no horário, Fina Estampa (que fechou com uma média geral de 39 pontos). Mas, ao que tudo indica, Avenida Brasil pode chegar lá. Até o momento sua média geral é 38 pontos.

No capítulo deste sábado, Carminha (Adriana Esteves) descobriu que Max (Marcello Novaes) está vivo. Para se vingar da megera, ele a amarrou no canil, entregou uma caixa para Ivana (Letícia Isnard) e saiu da mansão do Divino mandando uma banana para a família de Tufão (Murilo Benício), enquanto Ivana descobria as fotos de Carminha e Max.

O capítulo de segunda-feira promete!