Blog do Nilson Xavier

Arquivo : setembro 2012

“Cheias de Charme”: repercussão foi maior que a audiência
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Nilson Xavier

Cida, Penha, Rosário, Fabian e Chayeme (Foto: TV Globo)

Pense numa novela porreta!

Vereda Tropical
Virou lugar comum elogiar Cheias de Charme, a novela da Globo que terminou nesta sexta-feira (28/09). Marcada pelo humor, criatividade e originalidade, talvez o maior mérito da trama tenha sido trazer de volta ao horário das sete um modelo de novela que a Globo consagrou na década de 1980, mas que foi sendo alterado com o passar dos anos e há muito não se via mais no horário: a comédia que parodia os pequenos dramas humanos, através de personagens cativantes, tramas alegres intercaladas com o mais puro dramalhão. Foi um formato que começou a ser moldado com Cassiano Gabus Mendes e teve seu ápice com Silvio de Abreu e Carlos Lombardi, e a dupla de diretores Jorge Fernando e Guel Arraes (vide Elas por Elas, Guerra dos Sexos, Vereda Tropical, Ti-Ti-Ti, Cambalacho, Brega e Chique, Sassaricando, Bebê a Bordo e Que Rei Sou Eu?).

Elas por Elas
Adaptada para os dias de hoje – em que personagens ricos já não protagonizam mais novelas sozinhos -, a história de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira colocou três empregadas, cinderelas modernas, como estrelas às voltas com uma patroa fada madrinha, uma bruxa de desenho animado e sua fiel escudeira atrapalhada – respectivamente Penha (Taís Araújo), Rosário (Leandra Leal), Cida (Isabelle Drummond), Lygia (Malu Galli), Chayene (Cláudia Abreu ) e Socorro (Titina Medeiros ). Cada uma delas, dentro de seu drama ou humor, tinham trajetórias e sonhos diferentes. Esta foi a grande sacada dos autores: juntas deram margem a um leque de opções bastante abrangente afim de gerar identificação para uma gama maior de telespectadores.

Que Rei Sou Eu?
Há alguns anos, via-se a Internet como uma concorrente da TV aberta. Um fenômeno de repercussão, Cheias de Charme teve o mérito de aliar-se à sua concorrente, tirando proveito da Internet (Se não pode contra ele, junte-se a ele!). A novela foi pioneira na ação de transmedia (como o lançamento do clipe das Empreguetes primeiro na Internet, depois na novela), abusou da própria programação da casa (os personagens foram vistos no Caldeirão do Huck, Encontro, Mais Você, Domingão do Faustão e outros), na citação às outras novelas (teve até propaganda de Guerra dos Sexos no penúltimo capítulo), e no uso dos cantores da trilha, que se apresentaram com os personagens-cantores fictícios. Isso sem falar nos produtos licenciados lançados no rastro de seu sucesso – ainda que se lamente o fato da Globo não ter posto no mercado o CD com as músicas cantadas pelas Empreguetes, Chayene e Fabian, ou o DVD com os clipes e shows deles.

Brega e Chique
A indústria do entretenimento real misturou-se ao entretenimento da ficção. O colorido dos shows de technobrega inspiraram os cenógrafos, figurinistas e diretores de arte da novela. Nunca o “sou brega, mas tô na moda” esteve tanto em evidência. A identidade visual deu o tom que o roteiro exigia, encheu os olhos, e juntamente com a história – um conto de fadas moderno – criou a empatia necessária para cativar os telespectadores de todas as idades. Não por acaso, a novela conquistou o público infantil, inclusive.

Laércio, Socorro e Chayene (Foto: TV Globo)

Cambalacho
As grandes estrelas de Cheias de Charme foram Cláudia Abreu e (a revelação) Titina Medeiros, nas peles das vilãs Chayene, a cantora invejosa e sem noção, e sua fã Socorro, a personal-curica desastrada. Juntas, protagonizaram as mais divertidas cenas, em meio a confusões, chá de ferra-goela, escorregadas no português, troca de nomes (Rosalba, Roxana, Rosilda, Rosiranha), e expressões que caíram na boca do povo (como “curica” e “amadinha”).

Sassaricando
Em contrapartida, é difícil falar da novela e deixar de lado os entrechos românticos e dramáticos, muito bem amarrados pelo texto afiado dos autores. Taís Araújo e Malu Galli brilharam com suas personagens. Penha, a mais pé no chão das empreguetes, mulher do povo, batalhadora, às voltas com um marido malandro (Sandro, um dos melhores papeis de Marcos Palmeira). Lygia, do outro lado, representante das patroetes, mas igualmente uma batalhadora. Para completar, vilões bem defendidos por Tato Gabus Mendes (Sarmento) e Alexandra Richter (Sônia), e o lado romântico, com Cida (Isabelle Drummond), uma cinderela dividida entre um príncipe que era um sapo (Conrado, Jonatas Faro) e um sapo que era um príncipe (Elano, Humberto Carrão). Também Rosário de Leandra Leal – que chegou a ganhar a antipatia do público por preferir a carreira em detrimento ao amor ao lado de Inácio (Ricardo Tozzi – destaque também como o caricato Fabian).

Ti-Ti-Ti
Cheias de Charme não foi nenhum grande fenômeno no Ibope: sua média geral deve fechar em 30 pontos, o que é o esperado para o horário (a mesma média de Ti-Ti-Ti e Morde e Assopra, de 2010-2011). Mas este é um fenômeno das novelas atuais: Cheias de Charme e Avenida Brasil são a prova de que audiência e repercussão nem sempre andam juntas – apesar da enorme repercussão, os números são ótimos, mas não excelentes. Uns culpam o início do Horário Político. Talvez o caso de Cheias de Charme seja o reflexo do único ponto negativo que a novela teve: a perda de agilidade em sua narrativa após o sucesso das Empreguetes como cantoras. A novela ficou dividida em duas partes: antes da formação das Empreguetes e depois. Mal acostumado com a história ágil da novela, o público se viu de repente em meio a uma trama que se arrastou até o final e cansou alguns. Reviravoltas pontuais e o carisma de Chayene salvaram a novela de um estrago maior.

Bebê a Bordo
A próxima novela, Guerra dos Sexos, que estreia segunda-feira (01/10), terá a difícil missão de manter não somente a audiência de Cheias de Charme, mas também a sua repercussão. Guardadas as devidas proporções, comparei aqui a linha dramatúrgica de Cheias de Charme com a das novelas da década de 1980. Resta saber se a trama deste remake de Guerra dos Sexos é compatível com os dias atuais, em que as mulheres ocuparam muito do espaço que reivindicavam no passado. Hoje são até capazes de virar empreguetes estrelas da música popular.


Globo falha por não lançar CD com músicas dos personagens de “Cheias de Charme”
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Nilson Xavier

Empreguetes (foto: TV Globo)

Nesta terça-feira (26), em entrevista ao programa Mais Você (de Ana Maria Braga), a atriz Cláudia Abreu – a Chayene da novela Cheias de Charme – afirmou alto e em bom som:

“Acho que foi uma pena não terem lançado um CD com as músicas cantadas na novela, como ‘Vida de Empreguete’, ‘Vida de Patroete’. Tem que ter um CD, um DVD com os clipes das músicas…”.

Esta é uma solicitação do público da novela desde que a trama começou. E a Globo desperdiçou uma ótima oportunidade em faturar com produtos audiovisuais em cima da repercussão de Cheias de Charme. A novela termina essa semana, e é um tanto quanto tarde lançar somente agora um CD com as músicas dos personagens-cantores, ou DVD com seus clipes. Se CDs ou DVDs tivessem sido lançados no auge do sucesso do folhetim, o aproveitamento teria sido bem maior.

O SBT tira vantagem do sucesso de sua novela Carrossel com o lançamento de produtos licenciados (mochilas, cadernos e artigos escolares em geral, álbuns de figurinhas, bonecas e outros brinquedos, CDs e DVDs). A Record faz o mesmo com a marca Rebelde. É algo que a Globo deveria ter pensado já na concepção de sua novela.

Não sei se existe algum impedimento mercadológico ou estratégico para a Globo neste sentido. Não vou discorrer sobre a crise no mercado fonográfico. Tampouco comparar a Som Livre (que comercializa as trilhas sonoras da emissora) de hoje com antigamente – quando cada trama tinha pelo menos duas trilhas lançadas DURANTE A EXIBIÇÃO DA NOVELA, e não ao final, como vem ocorrendo frequentemente nos últimos anos (isso quando mais de uma trilha é lançada).

Se Cheias de Charme usou o máximo que pôde de divulgação dentro dos próprios programas da Globo, e foi a novela que melhor fez uso da Internet a seu favor, faltou apenas a emissora tirar vantagem do potencial musical de sua novela.

Concordamos com a amadinha Chayene: foi uma pena não terem lançado um CD com as músicas cantadas na novela, ou um DVD com os clipes das músicas. Quem sabe ainda sai… semana que vem…

Algumas das músicas cantadas pelos personagens de Cheias de Charme:

Chayene (foto: TV Globo)

“Xote da Brabuleta (Voa Voa Voa Brabuleta)” – Chayene;
“Vida de Patroete” – Chayene;
“Vida de Empreguete” – Empreguetes;
“Marias Brasileiras” – Empreguetes;
“Forró das Curicas” – Empreguetes;
“Nosso Brilho” – Empreguetes;
“Chalalá” – Rosário;
“Amor Sem Fim” – Rosário;
“Só Me Vejo Contigo (Quando a Gente Briga)” – Rosário e Fabian;
“Vou Matar Esse Amor Dentro de Mim” – Rosário e Fabian;
“Impossível Acreditar que Perdi Você” – Fabian;
“Cheia de Charme” – Fabian;
“Se Você Me Der” – Chayene e Fabian;
“Chora Me Liga”  – Chayene.


“Cheias de Charme” perdeu seu charme inicial
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Nilson Xavier

O que terá acontecido a um dos maiores sucessos do ano da Globo? A novela das sete, Cheias de Charme - meses atrás considerada um fenômeno de repercussão -, entrou num círculo desinteressante que pode por abaixo todos os elogios conquistados. Definitivamente, não é a mesma novela dos primeiros meses. Não está mais tão charmosa.

A primeira parte da novela – que vai até o momento em que as empreguetes conquistam o sucesso como cantoras – foi um dos eventos mais deliciosos do horário nos últimos anos. A ascensão do trio de cantoras causou uma verdadeira comoção junto ao público, que vibrou com as histórias das protagonistas e se divertiu com a novela, suas cores e seus personagens.

Mas, passada esta fase, a sensação é que Cheias de Charme perdeu gás. Para evitar a barriga (aquele momento na novela em que nada acontece), os autores chegaram a usar o que chamei aqui no blog de “narrativa episódica”: dar destaque para alguma trama paralela durante um curto período para depois substituí-la por outra. Mas, há semanas que isso não tem mais funcionado desse jeito. O fato é que, depois do sucesso, as três empreguetes protagonistas perderam muito do brilho que tinham no começo da história.

Cida (Isabelle Drummond), depois de rica, caiu muito facilmente no conto de dois de seus algozes da primeira fase: passou a amar o antigo patrão que a desprezava, Sarmento (Tato Gabus Mendes), depois que descobriu que era filha dele, e não resistiu – mais uma vez – à lábia de Conrado (Jonatas Faro,) o príncipe-sapo. Os dois, à primeira vista regenerados, passaram a “amar” a empreguete depois que ela enriqueceu. Não dá para torcer por uma heroína tão ingênua. A não ser que os autores reservem uma grande virada na personalidade da empreguete.

Rosário (Leandra Leal), a responsável pela união das três cantoras, sempre foi a mais ambiciosa delas e agora segue a carreira-solo depois que o grupo se desfez. No momento, está às voltas com seus dois interesses amorosos, os sósias Fabian e Inácio (Ricardo Tozzi), que se alternam no posto de cantor-par dela – Inácio está se fazendo passar por Fabian depois que este teve o rosto desfigurado por Chayene (Cláudia Abreu). Mas esta é uma trama que já deu mais do que tinha dar, disfarçada pela quantidade de clipes românticos dos shows de Rosário e Fabian – o que dá aquela sensação de “encheção de linguiça”.

Penha (Taís Araújo) seguia um flerte até bem interessante com o Dr. Otto (Leopoldo Pacheco) e tinha a aprovação do público. Sua relação com a antiga patroa e agora amiga Lygia (Malu Galli) continua sendo uma trama bastante interessante dentro da novela. E promete render mais, quando Lygia descobrir que Penha está tendo um romance com Gilson (Marcos Pasquim), um antigo amor dela. Mas o romance entre Penha e Gilson não está colando. Nas mídias sociais, a torcida maior é por Penha e Dr. Otto juntos. Cida e Conrado também é um par que não agrada. Será que até o final da novela, Penha e Cida se decidem por Dr. Otto e Elano (Humberto Carrão)?

Enquanto as tramas das três empreguetes seguem barrigudas, Chayene parece ser a única que ainda brilha na novela e chama a atenção da audiência. As tiradas de Cláudia Abreu continuam divertidas e impagáveis. Em contrapartida, sua personal-curica Socorro (Titina Medeiros) está apagadinha. Aliás, Socorro é aquela personagem que melhor personaliza Cheias de Charme: começou vibrante mas foi murchando com o passar do tempo. Uma peninha.


“Cheias de Charme” usa narrativa episódica para evitar “barriga”
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Nilson Xavier

A pouco menos de dois meses de seu término, já se pode afirmar que Cheias de Charme é dividida em duas partes: antes e depois do sucesso das Empreguetes como cantoras. O nascimento e ascensão do grupo musical formado pelas três domésticas marcou a primeira fase da novela, a mais interessante, a que cativou o público e fidelizou a audiência.

Depois que Penha, Rosário e Cida (Taís Araújo, Leandra Leal e Isabelle Drummond) ficaram ricas, a novela mudou. Não que esteja menos interessante ou parada. Pelo contrário, as histórias seguem com novos entrechos explorando a atual condição do trio de protagonistas. Barriga – no jargão novelístico – é aquela fase da novela em que nada acontece, em que o telespectador sente que está sendo enrolado. Não é o caso de Cheias de Charme. Talvez a sensação de barriga possa acontecer porque a novela correu muito na primeira parte e acostumou mal o telespectador, que ficou viciado num ritmo e sente uma diferença quando a trama desacelera. É o que também ocorre com Avenida Brasil, às nove horas.

Mas vemos personagens de participação efetiva na primeira fase parecerem deslocados agora, ou em segundo plano. Falo de Chayene e sua personal curica Socorro (Cláudia Abreu e Titina Medeiros). Tirando o episódio do reality-show de Chayene, a participação das duas diminuiu, o que se lamenta, já que a dupla movimentou a novela até então, dando aquele sabor delicioso de comédia escrachada. Com Chayene e Socorro um tanto quanto apagadinhas, Cheias de Charme quase cai na simples comédia de situação, ou no melodrama – não fossem outros bons personagens e tramas que garantem o interesse pela história.

Percebe-se que os autores optaram por uma narrativa episódica nesta segunda fase. Primeiro a derrocada da família Sarmento – trama que continua evoluindo e sendo muito bem explorada, com a inversão de papeis: a empregada virou a patroa, e a patroa virou a empregada. Depois veio a falsa gravidez e o reality-show de Chayene. Na sequência, Samuel (Miguel Roncato) encontrou seu pai, Gilson (Marcos Pasquim), o que culminou com a descoberta de Lygia (Malu Galli) sobre a infidelidade do marido Alejandro (Pablo Bellini). Atualmente o foco está em Fabian, que treina o sósia Inácio (Ricardo Tozzi) para substituí-lo nos palcos (numa alusão ao clássico O Príncipe e o Plebeu).

Mirar a novela em subtramas que duram duas ou três semanas é um recurso válido para evitar uma barriguinha e assim manter a audiência e o interesse do público na novela. Cheias de Charme está assim, como um seriado, dividida em episódios. Como pano de fundo, as Empreguetes experimentam todo o prazer e dissabor do sucesso.


“Cheias de Charme” repete trama de “Fina Estampa”
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Nilson Xavier

Os emergentes estão mesmo na moda. Pelo menos nas novelas. Tem a família de Tufão (Murilo Benício) em Avenida Brasil, e agora as Empreguetes em Cheias de Charme. Houve uma passagem de tempo na novela das sete e o grupo musical formado pelas ex-domésticas Penha, Rosário e Cida (Taís Araújo, Leandra Leal e Isabelle Drummond) se transformou num sucesso nacional.

Todas melhoraram de vida e estão devidamente repaginadas. O capítulo de segunda-feira (16/07) mostrou Cida levando a madrinha (Dhu Moraes) para jantar num restaurante chique. Penha comprou um carro e está de casa nova, maior, bem equipada. E Rosário vai comprar um apartamento alto padrão no mesmo condomínio de luxo onde um dia trabalhou como cozinheira na casa de Chayene (Cláudia Abreu), a inimiga das Empreguetes. Também Cida vai morar no condomínio, onde moram seus ex-patrões, a família Sarmento – agora em derrocada financeira.

É a história se repetindo. Na recente Fina Estampa, a protagonista pobre e humilde – Griselda de Lília Cabral – vivia em pé de guerra com a ricaça arrogante – Tereza Cristina de Christiane Torloni. Após ganhar na loteria, Griselda comprou uma mansão bem em frente à mansão de Teresa Cristina, para quem um dia prestou serviços domésticos como “marida de aluguel”.

Em tempo: personagens emergentes são recorrentes em novelas, independente da economia do país ou público alvo das tramas. O Cafona (1971) contava a história de um comerciante de subúrbio – vivido por Francisco Cuoco – que enriqueceu com seu negócio se tornando presidente de uma rede de supermercados. Mas seu sonho era entrar para a alta roda, mesmo sem ter nenhum traquejo social. Daí o título da novela.

Em Os Ossos do Barão (1973-1974), um imigrante italiano (Lima Duarte), que enriquecera com o trabalho, quer comprar a cripta mortuária do barão do café para quem trabalhou quando era criança, e cuja família quatrocentona estava falida e disposta a vender inclusive seu título de nobreza.

Em Rainha da Sucata (1990), uma mulher (Regina Duarte) – cuja família de origem humilde enriquecera a partir de um ferro-velho – era apaixonada e queria se casar com um rapaz (Tony Ramos) de família quatrocentona, mas falida. Ele não a amava, mas aceitou o casamento para tirar a família do vermelho.

Ainda: Foguinho (Lázaro Ramos) em Cobras e Lagartos (2006), que ganhou dinheiro com uma herança; a família de Meg Trajano (Françoise Forton) em Por Amor (1997-1998), representante dos emergentes cariocas da Barra da Tijuca; os personagens de Vidas em Jogo (2011-2012), que enriqueceram com um prêmio da loteria; e outros.


“Cheias de Charme” bate novo recorde de audiência com número de novela das nove
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Nilson Xavier

E mais uma vez Cheias de Charme bate seu recorde no Ibope. O último pico de audiência foi no capítulo do dia 25 de junho (uma segunda-feira) quando a novela cravou 36 pontos. O capítulo desta quinta-feira (12/07) consolidou 37 pontos no Ibope (com 62% de participação) – quando o esperado para o horário das sete horas são 30 (cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo).

Este foi um capítulo isolado – a novela vem mantendo uma média geral entre os 30 e 31 pontos. Mas 37 é mais audiência do que foi registrado em muita novela das nove nos últimos anos. Viver a Vida (2009-2010) e Insensato Coração (2011), por exemplo, fecharam com uma média geral de 36 pontos. Passione (2010), com 35 pontos. Ontem Cheias de Charme ficou cinco pontos atrás de Avenida Brasil – que cravou 42 pontos.

O clímax do capítulo foi a briga entre Socorro e Chayene (Titina Medeiros e Cláudia Abreu), com direito a troca de insultos, ovo, farinha e puxada de cabelo. Era para ser uma farsa, já que Socorro tinha que aparentar ser maltratada pela patroa. Mas Chayene, cansada das trapalhadas de sua “personal curica”, acabou por despedi-la.

Fenômeno de audiência, não dá para estabelecer um parâmetro de comparação com as tramas anteriores no horário, como explico em meu texto “Melhor novela das sete dos últimos anos” – clique AQUI para ler.


Recorde de audiência de “Cheias de Charme” comprova: é a melhor novela das sete dos últimos anos
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Nilson Xavier

O capítulo desta segunda-feira (25/06) de Cheias de Charme não teve nada de excepcional ou bombástico – o ponto alto foi a premiação das Empreguetes num show. Mas apesar disso, a novela bateu seu recorde de audiência. A meta no Ibope para o horário é de 30 pontos – cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo – e Cheias de Charme cravou 36 pontos nesta segunda, com 59% de participação.

A novela das sete da Globo já é um fenômenos de audiência. E não dá nem para estabelecer uma comparação com as anteriores no horário. A última novela a atingir uma média de 30 pontos até o capítulo 60 foi Sete Pecados, em 2007. E essa novela não é nem considerada um grande sucesso da Globo. De lá para cá, se passaram cinco anos, com uma vertiginosa queda na audiência da TV, em todos os horários. Ou seja, não serve nem para estabelecer um parâmetro de julgamento comparativo, seja por popularidade ou qualidade.

O fato é que a novela de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira conquistou sua audiência definitivamente. E a tendência é – no mínimo – de continuar no mesmo patamar. A história cativou todos os públicos – e não somente a “nova classe C”, a que se vê retratada na história das três domésticas que viram cantoras famosas. O recorde de audiência de Cheias de Charme comprova: já é a melhor novela das sete horas da Globo dos últimos anos.

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Não tem como não se divertir com essa trama tão bem costurada, alto astral, colorida e que nos remete às deliciosas comédias das sete dos anos 80. Cada empregada é diferente entre si não por acaso, justamente para fisgar um leque maior de telespectadores. Penha (Taís Araújo como há tempos não víamos na TV) é a mais pé no chão das três, a que lida melhor com a realidade, a que sonha com uma vida melhor para ela e sua família. Cida (Isabelle Drummond) é a Cinderela que sonha com o amor romântico. E Rosário (Leandra Leal) talvez seja a mais ambiciosa: sonha com o sucesso. São três focos nos quais todos projetam seus desejos e ambições, seus sonhos.

E para completar, uma vilã de história em quadrinhos, divertida, exagerada, e que sempre se dá mal em suas vilanias. A Chayene de Cláudia Abreu é a cereja desse bolo que conclui as razões para o sucesso de Cheias de Charme. Completando os destaques no elenco, está Titina Medeiros, como a engraçada Socorro, cupincha de Chayene. Há muito o público do horário das sete ansiava por uma atração que divertisse e fizesse sonhar ao mesmo tempo. Cheias de Charme é entretenimento do melhor.


Relembre participações de personagens de novelas em programas de auditório
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Nilson Xavier

No capítulo de Cheias de Charme desta terça-feira (22/05), a dupla de cantores Chayene e Fabian (Cláudia Abreu e Ricardo Tozzi) se apresentou no Domingão do Faustão cantando uma música que é de Rosário (Leandra Leal). Faustão perguntou a Chayene sobre a fofoca de sua briga com Ivete Sangalo e a ela desmentiu. Questionada também sobre sua vida amorosa, Chayene disse que, por Faustão, colocava um avental e virava “empreguete”. Na sequência, Chayene recebeu Fabian, os dois se declararam apaixonados um pelo outro e cantaram a música, enquanto Rosário – na cadeia juntamente com Penha e Cida (Taís Araújo e Isabelle Drummond) – assistiu pela televisão à apresentação da dupla.

A Globo sempre usou muito bem de sua programação para divulgar suas novelas, não apenas através das reportagens do Video Show, mas também levando seu elenco para participar de programas de entrevistas, variedades e até humorísticos. No caso de Chayene no Faustão, foi uma troca: Faustão cedeu seu palco para a novela das sete, enquanto Cláudia Abreu participou do programa no último domingo. É um toma lá dá cá onde uma atração divulga a outra.

Faustão já participara em outras novelas. Em 2008, em A Favorita, o roqueiro Augusto César (José Mayer), depois de anos no ostracismo, apresentou-se no Domingão do Faustão. No mesmo dia, outro personagem, Cassiano (Thiago Rodrigues), se lançava como cantor no programa.

Em 2005, a croata Vitza (Carol Machado) – personagem da novela A Lua Me Disse -, mesmo sem falar uma palavra em português, participou do quadro Se Vira nos 30 do Faustão, fazendo acrobacias em cordas.

Em Suave Veneno (1999), Eliete (Nívea Stellman) ganhou o concurso Garota Bumbum Dourado do Domingão do Faustão.

Em 1998, as personagens Clarelis (Leandra Leal) e Ritinha (Camila Pitanga), do remake de Pecado Capital, participaram de um concurso de dança no programa de Fausto Silva.

Ainda em 1998, dentro da trama de Torre de Babel, o fajuto cantor Johnny Percebe (Oscar Magrini) se apresentou no Faustão, mas foi desmascarado pelo próprio apresentador: Fausto Silva descobriu que quem cantava suas músicas era seu irmão Boneca (Ernani Moraes). Na novela, Johnny Percebe também já havia se apresentado no programa da Xuxa.

Na novela Deus Nos Acuda (1992), Faustão, direto de seu programa, ligou para um número aleatório oferecendo uma viagem para o Caribe. A felizarda que atendeu a ligação foi Maria Escandalosa (Claudia Raia), que viajou com seu pai Tomás (Jorge Dória).

É normal uma novela fazer uso em seu roteiro de outras produções de sua emissora. A prática é antiga e não exclusiva da Globo. Em 1979, a doméstica Zita – vivida pela atriz Lizete Negreiros na novela Como Salvar Meu Casamento, da Tupi – sonhava em ser cantora e participou do programa de calouros de Raul Gil.

Silvio Santos já foi visto em três novelas de diferentes emissoras. Em Vende-se um Véu de Noiva (SBT, 2009), a personagem Isabel (Anastácia Custódio) ganhou um dinheirinho no programa Roda a Roda Jequiti, apresentado por Silvio.

Em 1987, Silvio Santos teve seu programa do SBT apresentado numa novela da TV Manchete. Em Carmem, a personagem Creuza (Bia Sion) foi tentar arranjar um namorado no Namoro da TV. E em 1970, Silvio foi visto na novela Pigmalião 70, quando o animador tinha seu programa dentro da Globo.

O mais curioso desses casos foi na novela O Bofe (Globo, 1972), em que uma das personagens, a socialite Suzana Leopoldina – vivida por Ilka Soares – era jurada da Buzina do Chacrinha, garantindo a participação o Velho Guerreiro na novela.

Mas, sem dúvida, a mais divertida e lembrada participação de um personagem de novela em programa de auditório aconteceu em Cambalacho, em 1986, quando a cantora Tina Pepper, um arremedo de Tina Turner – vivida por Regina Casé -, foi ao Cassino do Chacrinha cantar seu maior sucesso, Você Me Incendeia. Veja o vídeo abaixo, extraído do Video Show.


“Cheias de Charme” prova que a telenovela pode se reciclar
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Nilson Xavier

O lançamento na Internet do vídeo musical das domésticas da novela Cheias de Charme causou um verdadeiro frisson nas redes sociais. No início da semana, as “empreguetes” Rosário, Penha e Cida (Leandra Leal, Taís Araújo e Isabelle Drummond) gravaram o vídeo caseiro na mansão de Chayene (Cláudia Abreu), aproveitando que ela estava fora num show. Durante a semana, a novela fez suspense sobre o tal vídeo, que “vazou” no capítulo de sábado (19/05). O videoclipe das Empreguetes marca a grande virada na trama e dá início à ascensão do trio de domésticas no mundo da música.

O tão esperado capítulo, não por acaso, foi o de maior ibope que a novela já teve num sábado, dia em que a audiência da TV aberta é sempre menor. Na trama, a ótima e divertida Socorro (Titina Medeiros) – fã incondicional de Chayene – entrega um CD para a cantora assistir ao tal videoclipe que as empreguetes gravaram em sua casa. Chayene assiste a tudo horrorizada, enquanto o vídeo musical, já na rede, se espalha viralmente. A Globo disponibilizou o vídeo no momento exato em que o capítulo terminou. O link imediatamente foi divulgado pelas redes sociais e bastou um minuto para que o acesso ficasse sobrecarregado, impossibilitando a sua visualização – “baleiou” como se diz no jargão internético.

A música é tipo chiclete, gruda na cabeça, mas a letra é divertida e o vídeo, de caseiro não tem nada, pelo contrário, é uma produção de primeira, com uma edição bem trabalhada, apresentando as três atrizes muito à vontade. Com figurinos e cenários exagerados, coloridos e alegres, aproveitou-se todo o aparato cênico disponível na mansão de Chayene.

A televisão já entendeu que a Internet nunca vai substituí-la, pelo contrário, pode ser uma aliada poderosa. A maior prova disso é a infinidade de opções que os sites de novelas apresentam ao público como extensão da própria TV. Também o combo televisão + Internet, que mudou a maneira de se assistir TV, principalmente através das redes sociais, como o Twitter. E a identificação do telespectador internauta fica ainda maior quando a própria televisão reverencia a Internet.

A Teledramaturgia Brasileira, em 60 anos de história, sempre acompanhou a evolução da sociedade. Em minha opinião, este é o principal motivo pelo qual o formato nunca tenha se extinguido. Tem ainda muito fôlego para tudo que possa vir, basta se reciclar sempre. Cheias de Charme é o maior exemplo disso.

Assista ao vídeo AQUI.
Letra da música Vida de Empreguete: ”Globo divulga videoclipe caseiro das empreguetes de Cheias de Charme”


“Cheias de Charme” é chanchada contemporânea
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Nilson Xavier

Existem muitas semelhanças entre Avenida Brasil e Cheias de Charme – novela de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira que estreou nesta segunda, 16/04, às sete da noite. É inegável o apelo popular de ambas, e elas chegam mesmo a ficar muito parecidas em algumas sequências, repetindo cenários, ambientações e tipos humanos. Mas existe uma diferença gritante: enquanto Avenida Brasil nos apresenta um drama urbano baseado na tragédia clássica, com pitadas de humor, Cheias de Charme é a mais pura chanchada melodramática.

As chanchadas do cinema nacional – filmes, geralmente musicais, de humor popularesco e ingênuo – fizeram sucesso entre as décadas de 1930 e 1950. Cheias de Charme é assim, uma chanchada urbana contemporânea. Um melodrama (“melos”, do grego música, + drama) caricato, feito não apenas para agradar a “nova classe C” – a atual menina dos olhos da TV brasileira –, mas a todos os públicos.

E o primeiro capítulo já deu o tom da novela: apresentou as três “empreguetes” protagonistas (Taís Araújo, Leandra Leal e Isabelle Drummond) – pobres, sonhadoras, cada uma com suas características e dramas – em contraponto com a vilã Chayene, a poderosa cantora technobrega que promete balançar a novela nos próximos seis, sete meses. Cláudia Abreu foi o grande destaque dessa estreia – ainda que tenha aparecido em poucas cenas -, personificando a caricatura das musas de um estilo musical em que o exagero mexe com o imaginário popular.

E é no imaginário popular que Cheias de Charme se apoia. A estreia foi ágil, agradável, divertida. Promete.