Blog do Nilson Xavier

Arquivo : setembro 2012

“Cheias de Charme”: repercussão foi maior que a audiência
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Nilson Xavier

Cida, Penha, Rosário, Fabian e Chayeme (Foto: TV Globo)

Pense numa novela porreta!

Vereda Tropical
Virou lugar comum elogiar Cheias de Charme, a novela da Globo que terminou nesta sexta-feira (28/09). Marcada pelo humor, criatividade e originalidade, talvez o maior mérito da trama tenha sido trazer de volta ao horário das sete um modelo de novela que a Globo consagrou na década de 1980, mas que foi sendo alterado com o passar dos anos e há muito não se via mais no horário: a comédia que parodia os pequenos dramas humanos, através de personagens cativantes, tramas alegres intercaladas com o mais puro dramalhão. Foi um formato que começou a ser moldado com Cassiano Gabus Mendes e teve seu ápice com Silvio de Abreu e Carlos Lombardi, e a dupla de diretores Jorge Fernando e Guel Arraes (vide Elas por Elas, Guerra dos Sexos, Vereda Tropical, Ti-Ti-Ti, Cambalacho, Brega e Chique, Sassaricando, Bebê a Bordo e Que Rei Sou Eu?).

Elas por Elas
Adaptada para os dias de hoje – em que personagens ricos já não protagonizam mais novelas sozinhos -, a história de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira colocou três empregadas, cinderelas modernas, como estrelas às voltas com uma patroa fada madrinha, uma bruxa de desenho animado e sua fiel escudeira atrapalhada – respectivamente Penha (Taís Araújo), Rosário (Leandra Leal), Cida (Isabelle Drummond), Lygia (Malu Galli), Chayene (Cláudia Abreu ) e Socorro (Titina Medeiros ). Cada uma delas, dentro de seu drama ou humor, tinham trajetórias e sonhos diferentes. Esta foi a grande sacada dos autores: juntas deram margem a um leque de opções bastante abrangente afim de gerar identificação para uma gama maior de telespectadores.

Que Rei Sou Eu?
Há alguns anos, via-se a Internet como uma concorrente da TV aberta. Um fenômeno de repercussão, Cheias de Charme teve o mérito de aliar-se à sua concorrente, tirando proveito da Internet (Se não pode contra ele, junte-se a ele!). A novela foi pioneira na ação de transmedia (como o lançamento do clipe das Empreguetes primeiro na Internet, depois na novela), abusou da própria programação da casa (os personagens foram vistos no Caldeirão do Huck, Encontro, Mais Você, Domingão do Faustão e outros), na citação às outras novelas (teve até propaganda de Guerra dos Sexos no penúltimo capítulo), e no uso dos cantores da trilha, que se apresentaram com os personagens-cantores fictícios. Isso sem falar nos produtos licenciados lançados no rastro de seu sucesso – ainda que se lamente o fato da Globo não ter posto no mercado o CD com as músicas cantadas pelas Empreguetes, Chayene e Fabian, ou o DVD com os clipes e shows deles.

Brega e Chique
A indústria do entretenimento real misturou-se ao entretenimento da ficção. O colorido dos shows de technobrega inspiraram os cenógrafos, figurinistas e diretores de arte da novela. Nunca o “sou brega, mas tô na moda” esteve tanto em evidência. A identidade visual deu o tom que o roteiro exigia, encheu os olhos, e juntamente com a história – um conto de fadas moderno – criou a empatia necessária para cativar os telespectadores de todas as idades. Não por acaso, a novela conquistou o público infantil, inclusive.

Laércio, Socorro e Chayene (Foto: TV Globo)

Cambalacho
As grandes estrelas de Cheias de Charme foram Cláudia Abreu e (a revelação) Titina Medeiros, nas peles das vilãs Chayene, a cantora invejosa e sem noção, e sua fã Socorro, a personal-curica desastrada. Juntas, protagonizaram as mais divertidas cenas, em meio a confusões, chá de ferra-goela, escorregadas no português, troca de nomes (Rosalba, Roxana, Rosilda, Rosiranha), e expressões que caíram na boca do povo (como “curica” e “amadinha”).

Sassaricando
Em contrapartida, é difícil falar da novela e deixar de lado os entrechos românticos e dramáticos, muito bem amarrados pelo texto afiado dos autores. Taís Araújo e Malu Galli brilharam com suas personagens. Penha, a mais pé no chão das empreguetes, mulher do povo, batalhadora, às voltas com um marido malandro (Sandro, um dos melhores papeis de Marcos Palmeira). Lygia, do outro lado, representante das patroetes, mas igualmente uma batalhadora. Para completar, vilões bem defendidos por Tato Gabus Mendes (Sarmento) e Alexandra Richter (Sônia), e o lado romântico, com Cida (Isabelle Drummond), uma cinderela dividida entre um príncipe que era um sapo (Conrado, Jonatas Faro) e um sapo que era um príncipe (Elano, Humberto Carrão). Também Rosário de Leandra Leal – que chegou a ganhar a antipatia do público por preferir a carreira em detrimento ao amor ao lado de Inácio (Ricardo Tozzi – destaque também como o caricato Fabian).

Ti-Ti-Ti
Cheias de Charme não foi nenhum grande fenômeno no Ibope: sua média geral deve fechar em 30 pontos, o que é o esperado para o horário (a mesma média de Ti-Ti-Ti e Morde e Assopra, de 2010-2011). Mas este é um fenômeno das novelas atuais: Cheias de Charme e Avenida Brasil são a prova de que audiência e repercussão nem sempre andam juntas – apesar da enorme repercussão, os números são ótimos, mas não excelentes. Uns culpam o início do Horário Político. Talvez o caso de Cheias de Charme seja o reflexo do único ponto negativo que a novela teve: a perda de agilidade em sua narrativa após o sucesso das Empreguetes como cantoras. A novela ficou dividida em duas partes: antes da formação das Empreguetes e depois. Mal acostumado com a história ágil da novela, o público se viu de repente em meio a uma trama que se arrastou até o final e cansou alguns. Reviravoltas pontuais e o carisma de Chayene salvaram a novela de um estrago maior.

Bebê a Bordo
A próxima novela, Guerra dos Sexos, que estreia segunda-feira (01/10), terá a difícil missão de manter não somente a audiência de Cheias de Charme, mas também a sua repercussão. Guardadas as devidas proporções, comparei aqui a linha dramatúrgica de Cheias de Charme com a das novelas da década de 1980. Resta saber se a trama deste remake de Guerra dos Sexos é compatível com os dias atuais, em que as mulheres ocuparam muito do espaço que reivindicavam no passado. Hoje são até capazes de virar empreguetes estrelas da música popular.


“Cheias de Charme” perdeu seu charme inicial
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Nilson Xavier

O que terá acontecido a um dos maiores sucessos do ano da Globo? A novela das sete, Cheias de Charme - meses atrás considerada um fenômeno de repercussão -, entrou num círculo desinteressante que pode por abaixo todos os elogios conquistados. Definitivamente, não é a mesma novela dos primeiros meses. Não está mais tão charmosa.

A primeira parte da novela – que vai até o momento em que as empreguetes conquistam o sucesso como cantoras – foi um dos eventos mais deliciosos do horário nos últimos anos. A ascensão do trio de cantoras causou uma verdadeira comoção junto ao público, que vibrou com as histórias das protagonistas e se divertiu com a novela, suas cores e seus personagens.

Mas, passada esta fase, a sensação é que Cheias de Charme perdeu gás. Para evitar a barriga (aquele momento na novela em que nada acontece), os autores chegaram a usar o que chamei aqui no blog de “narrativa episódica”: dar destaque para alguma trama paralela durante um curto período para depois substituí-la por outra. Mas, há semanas que isso não tem mais funcionado desse jeito. O fato é que, depois do sucesso, as três empreguetes protagonistas perderam muito do brilho que tinham no começo da história.

Cida (Isabelle Drummond), depois de rica, caiu muito facilmente no conto de dois de seus algozes da primeira fase: passou a amar o antigo patrão que a desprezava, Sarmento (Tato Gabus Mendes), depois que descobriu que era filha dele, e não resistiu – mais uma vez – à lábia de Conrado (Jonatas Faro,) o príncipe-sapo. Os dois, à primeira vista regenerados, passaram a “amar” a empreguete depois que ela enriqueceu. Não dá para torcer por uma heroína tão ingênua. A não ser que os autores reservem uma grande virada na personalidade da empreguete.

Rosário (Leandra Leal), a responsável pela união das três cantoras, sempre foi a mais ambiciosa delas e agora segue a carreira-solo depois que o grupo se desfez. No momento, está às voltas com seus dois interesses amorosos, os sósias Fabian e Inácio (Ricardo Tozzi), que se alternam no posto de cantor-par dela – Inácio está se fazendo passar por Fabian depois que este teve o rosto desfigurado por Chayene (Cláudia Abreu). Mas esta é uma trama que já deu mais do que tinha dar, disfarçada pela quantidade de clipes românticos dos shows de Rosário e Fabian – o que dá aquela sensação de “encheção de linguiça”.

Penha (Taís Araújo) seguia um flerte até bem interessante com o Dr. Otto (Leopoldo Pacheco) e tinha a aprovação do público. Sua relação com a antiga patroa e agora amiga Lygia (Malu Galli) continua sendo uma trama bastante interessante dentro da novela. E promete render mais, quando Lygia descobrir que Penha está tendo um romance com Gilson (Marcos Pasquim), um antigo amor dela. Mas o romance entre Penha e Gilson não está colando. Nas mídias sociais, a torcida maior é por Penha e Dr. Otto juntos. Cida e Conrado também é um par que não agrada. Será que até o final da novela, Penha e Cida se decidem por Dr. Otto e Elano (Humberto Carrão)?

Enquanto as tramas das três empreguetes seguem barrigudas, Chayene parece ser a única que ainda brilha na novela e chama a atenção da audiência. As tiradas de Cláudia Abreu continuam divertidas e impagáveis. Em contrapartida, sua personal-curica Socorro (Titina Medeiros) está apagadinha. Aliás, Socorro é aquela personagem que melhor personaliza Cheias de Charme: começou vibrante mas foi murchando com o passar do tempo. Uma peninha.


“Cheias de Charme” usa narrativa episódica para evitar “barriga”
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Nilson Xavier

A pouco menos de dois meses de seu término, já se pode afirmar que Cheias de Charme é dividida em duas partes: antes e depois do sucesso das Empreguetes como cantoras. O nascimento e ascensão do grupo musical formado pelas três domésticas marcou a primeira fase da novela, a mais interessante, a que cativou o público e fidelizou a audiência.

Depois que Penha, Rosário e Cida (Taís Araújo, Leandra Leal e Isabelle Drummond) ficaram ricas, a novela mudou. Não que esteja menos interessante ou parada. Pelo contrário, as histórias seguem com novos entrechos explorando a atual condição do trio de protagonistas. Barriga – no jargão novelístico – é aquela fase da novela em que nada acontece, em que o telespectador sente que está sendo enrolado. Não é o caso de Cheias de Charme. Talvez a sensação de barriga possa acontecer porque a novela correu muito na primeira parte e acostumou mal o telespectador, que ficou viciado num ritmo e sente uma diferença quando a trama desacelera. É o que também ocorre com Avenida Brasil, às nove horas.

Mas vemos personagens de participação efetiva na primeira fase parecerem deslocados agora, ou em segundo plano. Falo de Chayene e sua personal curica Socorro (Cláudia Abreu e Titina Medeiros). Tirando o episódio do reality-show de Chayene, a participação das duas diminuiu, o que se lamenta, já que a dupla movimentou a novela até então, dando aquele sabor delicioso de comédia escrachada. Com Chayene e Socorro um tanto quanto apagadinhas, Cheias de Charme quase cai na simples comédia de situação, ou no melodrama – não fossem outros bons personagens e tramas que garantem o interesse pela história.

Percebe-se que os autores optaram por uma narrativa episódica nesta segunda fase. Primeiro a derrocada da família Sarmento – trama que continua evoluindo e sendo muito bem explorada, com a inversão de papeis: a empregada virou a patroa, e a patroa virou a empregada. Depois veio a falsa gravidez e o reality-show de Chayene. Na sequência, Samuel (Miguel Roncato) encontrou seu pai, Gilson (Marcos Pasquim), o que culminou com a descoberta de Lygia (Malu Galli) sobre a infidelidade do marido Alejandro (Pablo Bellini). Atualmente o foco está em Fabian, que treina o sósia Inácio (Ricardo Tozzi) para substituí-lo nos palcos (numa alusão ao clássico O Príncipe e o Plebeu).

Mirar a novela em subtramas que duram duas ou três semanas é um recurso válido para evitar uma barriguinha e assim manter a audiência e o interesse do público na novela. Cheias de Charme está assim, como um seriado, dividida em episódios. Como pano de fundo, as Empreguetes experimentam todo o prazer e dissabor do sucesso.


Tramas com vingança e paternidade desconhecida são destaques em três novelas da Globo ao mesmo tempo
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Nilson Xavier

Vingança e paternidade desconhecida são dois clássicos do folhetim. Também: amores impossíveis por causa de famílias inimigas ou de classes sociais diferentes, sósias em que um toma o lugar do outro, ou gêmeos de personalidades opostas. Estão sempre nas novelas dando aquela sensação de déjà vu. Mas é a maneira de contar uma história repetente o que diferencia uma trama da outra – e o que faz com que os telespectadores caiam sempre na mesma história.

Coincidentemente, três novelas da Globo estão atualmente explorando os batidos filões da vingança e da paternidade desconhecida.

“Vingança, minha filha! Vingança!”
Quatro amigas na cadeia selam um pacto contra os homens que as fizeram sofrer.
(Quatro por Quatro, 1994)

Em Avenida Brasil, a vingança de Nina/Rita (Débora Falabella) contra Carminha (Adriana Esteves) está dando o que falar nas rodas e redes sociais, e dividindo opiniões e torcidas. A patroa praticamente trocou de lugar com a empregada, e Carminha ainda tem que ceder calada às chantagens de Nina – numa clara alusão ao Primo Basílio, de Eça de Queiroz.

Ao mesmo tempo, na novela das sete – Cheias de Charme -, Cida (Isabelle Drummond) tomou uma decisão importante no capítulo desta terça-feira (31/07): decidiu ir à forra contra a família Sarmento, que a humilhou no passado. Após saber por Ernani (Tato Gabus Mendes) que é filha dele, mudou-se para a casa dos Sarmentos “pela porta da frente” – como uma vingancinha pessoal contra a ex-patroa Sônia (Alexandra Richter) e suas duas filhas malvadas, Isadora e Ariela (Gisele Batista e Simone Gutierrez).

A novela das seis, Amor Eterno Amor, por ser uma trama espiritualista, tem uma vingança à altura. Após ser assassinado por Melissa (Cássia Kis Magro), Zenóbio (Lucci Ferreira) retorna em espírito para atormentar sua algoz. O espírito obsessor de Zenóbio já provocou o acidente de carro de Fernando (Carmo Della Vecchia), filho de Melissa. E inclusive já baixou nele, para que ele maltratasse a mãe. Nos próximos capítulos, Zenóbio tentará matar Melissa, induzindo-a a se jogar no mar.

“Meu filho nasceu perfeito. O da Eduarda morreu logo depois de nascer.”
Eduarda lendo o diário da mãe e descobrindo que a criança não era seu filho, mas seu irmão.
(Por Amor, 1998)

Em Avenida Brasil, Jorginho (Cauã Reymond), descobriu que Carminha é sua verdadeira mãe, que o abandonara no lixão e depois o pegou de volta para acabar de criar. Falta ele saber quem é o pai. O passado de Carminha também é um mistério, e envolve Mãe Lucinda (Vera Holtz), Santiago (Juca de Oliveira) e Nilo (José de Abreu). Recentemente, Roni (Daniel Rocha Azevedo) descobriu que Soninha Catatau (Paula Burlamaqui) é sua mãe, e Paloma (Bruna Griphao) descobriu que Cadinho (Alexandre Borges) é seu pai. Aliás, e a mãe da Rita hein? Nunca foi citada, né! Por enquanto…

Em Cheias de Charme – como descrito acima -, Cida ficou sabendo ontem que Ernani Sarmento é seu pai, que se envolvera com a empregada da casa, mãe dela. Samuel (Miguel Roncato), por sua vez, pressionou a mãe, Lygia (Malu Galli), para lhe revelar a identidade do pai que ele nunca conheceu. Nos próximos capítulos Marcos Pasquim entra na novela para viver Gilson, pai biológico de Samuel.

Em Amor Eterno Amor, a personagem Priscila (Laila Zaid) descobriu recentemente que o vilão Dimas (Luís Mello) é o seu pai biológico, e não perdoa a mãe, Laura (Giulia Gam) de nunca tê-la contado. A novela tem ainda outra trama muito parecida: Laís (Jéssika Alves) quer saber da mãe Marlene (Hermila Guedes) quem é o pai que ela nunca conheceu. Logo mais esse mistério será desvendado.

As vinganças podem ser pelos motivos mais variados. E concretizadas de mil formas diferentes. Os filhos que desconhecem pai ou mãe geralmente envolvem algum segredo, mantido pelas mais diversas razões. Cabe a cada autor dar um entrecho diferente para cada história, ao seu modo. De antemão, sabemos apenas que o final – geralmente -será feliz.


“Cheias de Charme” repete trama de “Fina Estampa”
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Nilson Xavier

Os emergentes estão mesmo na moda. Pelo menos nas novelas. Tem a família de Tufão (Murilo Benício) em Avenida Brasil, e agora as Empreguetes em Cheias de Charme. Houve uma passagem de tempo na novela das sete e o grupo musical formado pelas ex-domésticas Penha, Rosário e Cida (Taís Araújo, Leandra Leal e Isabelle Drummond) se transformou num sucesso nacional.

Todas melhoraram de vida e estão devidamente repaginadas. O capítulo de segunda-feira (16/07) mostrou Cida levando a madrinha (Dhu Moraes) para jantar num restaurante chique. Penha comprou um carro e está de casa nova, maior, bem equipada. E Rosário vai comprar um apartamento alto padrão no mesmo condomínio de luxo onde um dia trabalhou como cozinheira na casa de Chayene (Cláudia Abreu), a inimiga das Empreguetes. Também Cida vai morar no condomínio, onde moram seus ex-patrões, a família Sarmento – agora em derrocada financeira.

É a história se repetindo. Na recente Fina Estampa, a protagonista pobre e humilde – Griselda de Lília Cabral – vivia em pé de guerra com a ricaça arrogante – Tereza Cristina de Christiane Torloni. Após ganhar na loteria, Griselda comprou uma mansão bem em frente à mansão de Teresa Cristina, para quem um dia prestou serviços domésticos como “marida de aluguel”.

Em tempo: personagens emergentes são recorrentes em novelas, independente da economia do país ou público alvo das tramas. O Cafona (1971) contava a história de um comerciante de subúrbio – vivido por Francisco Cuoco – que enriqueceu com seu negócio se tornando presidente de uma rede de supermercados. Mas seu sonho era entrar para a alta roda, mesmo sem ter nenhum traquejo social. Daí o título da novela.

Em Os Ossos do Barão (1973-1974), um imigrante italiano (Lima Duarte), que enriquecera com o trabalho, quer comprar a cripta mortuária do barão do café para quem trabalhou quando era criança, e cuja família quatrocentona estava falida e disposta a vender inclusive seu título de nobreza.

Em Rainha da Sucata (1990), uma mulher (Regina Duarte) – cuja família de origem humilde enriquecera a partir de um ferro-velho – era apaixonada e queria se casar com um rapaz (Tony Ramos) de família quatrocentona, mas falida. Ele não a amava, mas aceitou o casamento para tirar a família do vermelho.

Ainda: Foguinho (Lázaro Ramos) em Cobras e Lagartos (2006), que ganhou dinheiro com uma herança; a família de Meg Trajano (Françoise Forton) em Por Amor (1997-1998), representante dos emergentes cariocas da Barra da Tijuca; os personagens de Vidas em Jogo (2011-2012), que enriqueceram com um prêmio da loteria; e outros.


Recorde de audiência de “Cheias de Charme” comprova: é a melhor novela das sete dos últimos anos
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Nilson Xavier

O capítulo desta segunda-feira (25/06) de Cheias de Charme não teve nada de excepcional ou bombástico – o ponto alto foi a premiação das Empreguetes num show. Mas apesar disso, a novela bateu seu recorde de audiência. A meta no Ibope para o horário é de 30 pontos – cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo – e Cheias de Charme cravou 36 pontos nesta segunda, com 59% de participação.

A novela das sete da Globo já é um fenômenos de audiência. E não dá nem para estabelecer uma comparação com as anteriores no horário. A última novela a atingir uma média de 30 pontos até o capítulo 60 foi Sete Pecados, em 2007. E essa novela não é nem considerada um grande sucesso da Globo. De lá para cá, se passaram cinco anos, com uma vertiginosa queda na audiência da TV, em todos os horários. Ou seja, não serve nem para estabelecer um parâmetro de julgamento comparativo, seja por popularidade ou qualidade.

O fato é que a novela de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira conquistou sua audiência definitivamente. E a tendência é – no mínimo – de continuar no mesmo patamar. A história cativou todos os públicos – e não somente a “nova classe C”, a que se vê retratada na história das três domésticas que viram cantoras famosas. O recorde de audiência de Cheias de Charme comprova: já é a melhor novela das sete horas da Globo dos últimos anos.

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Não tem como não se divertir com essa trama tão bem costurada, alto astral, colorida e que nos remete às deliciosas comédias das sete dos anos 80. Cada empregada é diferente entre si não por acaso, justamente para fisgar um leque maior de telespectadores. Penha (Taís Araújo como há tempos não víamos na TV) é a mais pé no chão das três, a que lida melhor com a realidade, a que sonha com uma vida melhor para ela e sua família. Cida (Isabelle Drummond) é a Cinderela que sonha com o amor romântico. E Rosário (Leandra Leal) talvez seja a mais ambiciosa: sonha com o sucesso. São três focos nos quais todos projetam seus desejos e ambições, seus sonhos.

E para completar, uma vilã de história em quadrinhos, divertida, exagerada, e que sempre se dá mal em suas vilanias. A Chayene de Cláudia Abreu é a cereja desse bolo que conclui as razões para o sucesso de Cheias de Charme. Completando os destaques no elenco, está Titina Medeiros, como a engraçada Socorro, cupincha de Chayene. Há muito o público do horário das sete ansiava por uma atração que divertisse e fizesse sonhar ao mesmo tempo. Cheias de Charme é entretenimento do melhor.


“Cheias de Charme” prova que a telenovela pode se reciclar
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Nilson Xavier

O lançamento na Internet do vídeo musical das domésticas da novela Cheias de Charme causou um verdadeiro frisson nas redes sociais. No início da semana, as “empreguetes” Rosário, Penha e Cida (Leandra Leal, Taís Araújo e Isabelle Drummond) gravaram o vídeo caseiro na mansão de Chayene (Cláudia Abreu), aproveitando que ela estava fora num show. Durante a semana, a novela fez suspense sobre o tal vídeo, que “vazou” no capítulo de sábado (19/05). O videoclipe das Empreguetes marca a grande virada na trama e dá início à ascensão do trio de domésticas no mundo da música.

O tão esperado capítulo, não por acaso, foi o de maior ibope que a novela já teve num sábado, dia em que a audiência da TV aberta é sempre menor. Na trama, a ótima e divertida Socorro (Titina Medeiros) – fã incondicional de Chayene – entrega um CD para a cantora assistir ao tal videoclipe que as empreguetes gravaram em sua casa. Chayene assiste a tudo horrorizada, enquanto o vídeo musical, já na rede, se espalha viralmente. A Globo disponibilizou o vídeo no momento exato em que o capítulo terminou. O link imediatamente foi divulgado pelas redes sociais e bastou um minuto para que o acesso ficasse sobrecarregado, impossibilitando a sua visualização – “baleiou” como se diz no jargão internético.

A música é tipo chiclete, gruda na cabeça, mas a letra é divertida e o vídeo, de caseiro não tem nada, pelo contrário, é uma produção de primeira, com uma edição bem trabalhada, apresentando as três atrizes muito à vontade. Com figurinos e cenários exagerados, coloridos e alegres, aproveitou-se todo o aparato cênico disponível na mansão de Chayene.

A televisão já entendeu que a Internet nunca vai substituí-la, pelo contrário, pode ser uma aliada poderosa. A maior prova disso é a infinidade de opções que os sites de novelas apresentam ao público como extensão da própria TV. Também o combo televisão + Internet, que mudou a maneira de se assistir TV, principalmente através das redes sociais, como o Twitter. E a identificação do telespectador internauta fica ainda maior quando a própria televisão reverencia a Internet.

A Teledramaturgia Brasileira, em 60 anos de história, sempre acompanhou a evolução da sociedade. Em minha opinião, este é o principal motivo pelo qual o formato nunca tenha se extinguido. Tem ainda muito fôlego para tudo que possa vir, basta se reciclar sempre. Cheias de Charme é o maior exemplo disso.

Assista ao vídeo AQUI.
Letra da música Vida de Empreguete: ”Globo divulga videoclipe caseiro das empreguetes de Cheias de Charme”