Blog do Nilson Xavier

Arquivo : João Emanuel Carneiro

“Avenida Brasil” é citada em “Guerra dos Sexos”
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Nilson Xavier

Tony Ramos como Otávio em “Guerra dos Sexos” (Foto: TV Globo)

O capítulo desta quarta-feira (30/01) de “Guerra dos Sexos” exibiu uma sequência inusitada. Otávio, o personagem de Tony Ramos, conversou ao telefone com um amigo que ele chamou de JOÃO EMANUEL, e pediu a ele a indicação de um detetive. O detetive indicado chamava-se LELECO, que iria investigar os passos do personagem ZENON – em “Guerra dos Sexos”, interpretado por Thiago Rodrigues.

Foi uma clara alusão à novela “Avenida Brasil”, escrita por JOÃO EMANUEL Carneiro, que tinha o personagem LELECO, vivido por Marcos Caruso, e, inclusive, um detetive chamado ZENON (Mário Hermeto). Silvio de Abreu e João Emanuel já trabalharam juntos: Silvio foi supervisor de texto da novela “Da Cor do Pecado”, escrita por João Emanuel Carneiro em 2004.

Silvio de Abreu já fez referências a outras novelas dentro de “Guerra dos Sexos”, inclusive a “Salve Jorge”, de Glória Perez. Na versão original, de 1983, várias novelas foram citadas, como a contemporânea “Louco Amor”, a novela das 8 da época (que Silvio voltou a citar neste remake), e  as estreias de “Eu Prometo” e “Champagne” – novelas que começaram enquanto “Guerra dos Sexos” estava no ar. Também pudera, a novela das sete tem uma personagem que é noveleira de carteirinha: Nieta (Yara Amaral em 1983 / Drica Moraes atualmente) – várias dessas citações vêm da boca da personagem.

Citar novelas dos colegas é uma prática recorrente de Silvio de Abreu. Além de “Guerra Dos Sexos”, o autor fez o mesmo com muita propriedade em “Sassaricando”, em 1987-1988. Os colegas novelistas que ele mais citou em sua obra foram os amigos Cassiano Gabus Mendes e Gilberto Braga.


Sucesso prolongado de “Avenida Brasil” contribui para repercussão negativa de “Salve Jorge”
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Nilson Xavier

Totia Meirelles e Nanda Costa em cena de “Salve Jorge” (Foto: TV Globo)

Não sei se Glória Perez já usou o argumento de que existe uma campanha negativa da mídia contra Salve Jorge. Todo dia me deparo com alguma notícia espinafrando a novela ou, ao menos, chamando a atenção para a sua repercussão negativa, a baixa audiência, o número volumoso de atores no elenco, as repetições de temas, etc. Não vou me estender nos exemplos senão vai parecer que eu mesmo estou desqualificando a obra. O fato é que as audiências de todas as novelas no ar estão abaixo do esperado (com exceção de Carrossel, do SBT, que tem seu público cativo).

Continuo achando que Carminha é a grande vilã nessa má vontade toda do público com a trama de Glória. Avenida Brasil abriu um precedente: o público está cansado de mais do mesmo. É claro que Avenida também tinha mais do mesmo, como deve ter todo folhetim (a base da telenovela). Mas houve ali uma quebra de paradigma – pelo menos no formato (estética cinematográfica, linguagem de seriado com ganchos surpreendentes, elenco enxuto, etc.)… Também não vou me estender em enaltecer Avenida para não resvalar a novela da Glória na comparação com a trama de João Emanuel Carneiro.

O período de luto de Avenida Brasil se estende na medida em que a novela continua colhendo louros de seu sucesso. Na noite de terça-feira (27/11), Avenida foi a principal vencedora do Prêmio Extra de Televisão. Ganhou seis das nove categorias em que concorreu: Novela, Atriz (Adriana Esteves), Ator Coadjuvante (José de Abreu), Atriz Coadjuvante (Ísis Valverde), Revelação (Cacau Protásio) e Revelação Infantil (Mel Maia) – Marcelo Serrado, de Fina Estampa, levou o prêmio de Melhor Ator.

Os internautas comemoram na Internet. Assim como comemoram os capítulos de Avenida Brasil transmitidos atualmente pelo canal SIC, em Portugal, que podem ser vistos aqui pela Internet. E justamente na hora que está passando Salve Jorge. Que azar, hein!

“Roque Santeiro” – “Selva de Pedra” – “Vale Tudo” – “O Salvador da Pátria”

Assim como Avenida Brasil, outras duas novelas, do passado também causaram frisson e viraram coqueluche: Roque Santeiro (1985-1986) e Vale Tudo (1988-1989). A novela que teve a difícil tarefa de substituir Roque Santeiro foi o remake de Selva de Pedra (com Fernanda Torres, Tony Ramos e Christiane Torloni como protagonistas). Apesar do sucesso da novela original em 1972 (aquela dos 100% de audiência), o remake não agradou a maioria. A trama custou para pegar – se é que de fato “pegou” – e foi muito criticada na época. A história se repete mais ou menos assim agora, em 2012…

Em contrapartida, o caso de Vale Tudo foi diferente. Depois do enorme sucesso da novela, de todos saberem que foi Leila quem matou Odete Roitman, a trama substituta – O Salvador da Pátria – não fez feio. Aqui cabem algumas comparações. Selva de Pedra tinha a estrutura do mais clássico dos folhetins. Era uma história relativamente nova e conhecida em 1986 – havia sido reprisada em 1975, onze anos antes. Ou seja, foi escolhido um melodrama sem novidade para substituir um fenômeno de repercussão. Selva de Pedra, naquele momento, revelou-se uma escolha equivocada para entrar no lugar de Roque Santeiro.

Diferentemente, a trama que substituiu o fenômeno Vale TudoO Salvador da Pátria – trazia o mais apurado texto de Lauro César Muniz, na história do boia-fria matuto (Sassá Mutema de Lima Duarte) que serviu de bode expiatório para as falcatruas dos poderosos de uma cidadezinha. Apesar de ser uma releitura de um antigo conto de Lauro César (O Crime do Zé Bigorna, exibido nos anos 1970 como Caso Especial), O Salvador da Pátria apresentou uma história e tanto que cativou o público de cara, logo nos primeiros meses. Não por acaso, a novela registrou altos índices de audiência na época (apesar dos problemas que teve da metade para o final).

Roque Santeiro-Selva de Pedra e Vale Tudo-O Salvador da Pátria são exemplos para se refletir no atual caso Avenida Brasil-Salve Jorge. Acredito que o público deixa o luto pela novela anterior mais cedo quando o casamento seguinte traz novidade. E convenhamos que Salve Jorge carece de novidade. A única está no núcleo do tráfico de mulheres.

Como se não bastasse Salve Jorge ser uma novela tradicional demais para ocupar a vaga de Avenida Brasil, o sucesso prolongado da trama de João Emanuel Carneiro ecoa e intensifica a sensação do quanto as duas novelas são diferentes. Para melhor e para pior.


“Avenida Brasil”: uma tragédia grega no subúrbio carioca
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Nilson Xavier

O Divino é aqui

Muito já foi falado e muito já se especulou sobre o fenômeno da repercussão de Avenida Brasil, a novela que terminou na sexta-feira (19/10). Não existe uma resposta apenas. Costumo dizer que esse sucesso todo se deve a uma soma de fatores muito positivos. Não vou discorrer sobre o que já foi fartamente discutido, sobre o que todos já sabem. É lógico que Avenida Brasil tinha uma direção espetacular – cinematográfica, em cenas, tomadas e fotografia – e de elenco – um grupo de atores brilhantes que, aliados ao bom texto, deram vida a vários personagens carismáticos e de forte apelo popular.

Avenida Brasil é um exemplo raro de nossa televisão da “novela certa na hora certa”. Não houve na história recente deste país uma telenovela que aproveitou tão bem a situação socioeconômica para refletir na tela um retrato pitoresco de nossa realidade contemporânea. Pode-se dizer que o fictício bairro do Divino é um microcosmo do Brasil e foi responsável por toda essa catarse que levou diariamente milhões de brasileiros à frente da TV e que repercutiu nas ruas e na Internet. Mais uma vez – como em poucos exemplos em nossa Teledramaturgia – o brasileiro se viu refletido na telenovela.

A “nova classe C” retratada na trama fisgou todas as classes. Como em um jogo de certo ou errado, o autor brincou com as nuances simbólicas de ricos e pobres, elaborando uma crítica social muito pertinente, seja através da grã-fina da Zona Sul que faz pouco caso da figura do suburbano, ou no velho-pobre novo-rico que zomba do velho elitismo. Da língua ferina de Verônica (Débora Bloch) ouvimos todo o discurso preconceituoso contra pobres que as regras do politicamente correto nos brecam. Ao mesmo tempo em que Carminha (Adriana Esteves) debochou ao fazer pouco caso dos pratos refinados da chef Nina (que ganhou um apelido pejorativo: Maria Antonieta), e do intelectualismo tardio de Tufão (Murilo Benício) – que lia livros indicados por Nina (Débora Falabella).

“TV vs. Internet” ou “TV + Internet”?

A telenovela sempre acompanhou a evolução da sociedade, seja apresentando temas da ordem do dia, seja aglutinando as novas tecnologias que foram surgindo, ou aliando-se a elas. A Internet já foi vista como um bicho-papão da televisão (como outrora se acreditou que a TV seria uma ameaça para o cinema). Com Avenida Brasil ficou mais do que provado que a Internet pode ser uma aliada da telenovela. Se antigamente a novela em tempo real era discutida apenas no âmbito familiar, hoje em dia ela tem o poder de unir todas as famílias para acompanhar juntas as emoções e discutir em tempo real o que acontece na telinha.

Avenida Brasil foi a primeira novela coqueluche da Internet. Que o digam os memes referenciando a trama, a cascata diária de “oioiois” no Twitter e as inúmeras charges engraçadinhas no Facebook. Hoje já não se espera mais o dia seguinte para comentar a novela com o vizinho. É tudo em “real time”, como se o telespectador fosse à janela gritar para os vizinhos o que achou de determinada cena. Avenida Brasil conseguiu reunir todas as noites milhões de brasileiros, ávidos em compartilhar opiniões, em um mesmo sofá, virtual. Os números do Ibope ainda interessam ao mercado. Mas a repercussão na Internet tem uma função maior: é formadora de opinião, tão influenciável quanto os velhos “group discussions” entre donas de casa organizados pelas emissoras.

Perda de agilidade e furos

Como se para atender a todos os públicos, Avenida Brasil reuniu vários estilos de dramaturgia em só produto. Transgrediu a fórmula do folhetim clássico ao apresentar uma história de vingança em detrimento a uma história de amor. Apresentou uma heroína torta, de personalidade dúbia: Nina foi capaz de roubar e enganar para atingir seus objetivos. A estética da novela a aproximou do cinema. A linguagem narrativa fez lembrar os seriados americanos. Os ganchos bombásticos cativaram e mantiveram o telespectador preso à trama – ainda não existe melhor maneira de fidelizar a audiência.

O ritmo alucinante da primeira metade de Avenida Brasil assustou o público: “uau, que novela é essa?”. Lamenta-se apenas que a trama tenha perdido o fôlego na segunda metade para o final. Não houve “barriga” (aquele parte da novela em que nada acontece), haja vista os ganchos sempre fortes. Mas a história começou a dar voltas, a patinar, a enrolar o público. Foi quando se deflagrou o maior problema da novela: Nina ignorou métodos modernos de armazenamento de informações (naquela história toda do pendrive) e atitudes incoerentes e furos no roteiro não passaram despercebidos nem pelo telespectador mais distraído.

“É tudo culpa da Riiita”, diria Carminha. É culpa do roteiro, disseram os telespectadores. É culpa das mídias sociais, que não deixam escapar nada, diriam os donos da novela. A legião apaixonada de fãs de Avenida Brasil não perdoa quando se sente subestimada. A internet tem esse poder: derruba uma obra com a mesma força que enaltece.

O último capítulo

A história de Avenida Brasil terminou na semana em que Nina foi vingada (através de Max) e Carminha foi expulsa da mansão de Tufão. Pelo menos a história apresentada desde o início da novela, a da vingança de Nina contra Carminha. Pena que Nina não esteve de corpo presente na sequência em que Carminha caiu em desgraça. Nina acendeu a pólvora e Max levou o pavio para explodir na casa de Tufão.

A última semana de Avenida Brasil serviu como epílogo da novela. Com uma semana para terminar, vimos novos entrechos virem à tona. O assassinato de Max explicou a origem dos personagens do lixão e os elos que os ligavam. O batido clichê do assassinato incomodou. Mas, na realidade, saber quem matou Max foi apenas o pano de fundo para explicar a origem da “família Lixão”.

De repente, Carminha despiu-se de suas roupas brancas (a máscara havia caído, ela não tinha mais a quem enganar, podia vestir cores escuras tal qual sua alma) e começou a agir de uma forma que não estávamos acostumados. Aquela não era a velha Carminha, arrogante, má, despudorada, debochada, que havia conquistado fãs. Causou estranhamento. Principalmente quando ela começou a dar indícios de que havia se regenerado. É quando aparece um novo vilão: Santiago (um Juca de Oliveira muitos tons acima) – um falso Gepeto que sugeria ter molestado o Pinóquio.

O último capítulo desconcertou quem esperava o retorno da Carminha má e o gran finale entre Nina e a megera. A princípio, pareceu pouco criativo, ou lógico demais, Carminha ter salvado Tufão e Nina da morte e se revelado a assassina de Max. Mas o tom de tragédia grega – que o autor mesclou tão bem com a caricatura do suburbano brasileiro – pedia um desfecho digno de toda esta resignação de Carminha. O autor não fez dela uma mártir, do tipo que salva a vida do amado se pondo em frente da bala. Nem lhe reservou a insanidade mental para justificar seus atos. Ou simplesmente a trancafiou em uma cela para dar a história por terminada. Carminha cumpriu pena, voltou para o lixão e teve o embate final com Nina. Sem gritaria e palavrões. Apenas com o olhar atravessado das relações mal resolvidas.


“Quem matou” pode finalmente revelar o vilão de “Avenida Brasil”
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Nilson Xavier

O “quem matou” é um recurso existente na telenovela desde a década de 1960. Alguns ficaram clássicos, como o “quem matou Salomão Hayalla”, de O Astro (1977-1978), e o “quem matou Odete Roitman”, de Vale Tudo (1988-1989).

De um tempo para cá, o “quem matou” tornou-se um estratagema recorrente para autores que querem dar um “up” na trama em sua reta final e assim despertar a audiência adormecida para a sua novela. Gilberto Braga fez uso do recurso em todos seus trabalhos desde a minissérie Labirinto, de 1998 (nas novelas Força de um Desejo, Celebridade, Paraíso Tropical e Insensato Coração).

Hoje, o público geralmente associa o “quem matou” à falta de criatividade do autor ou para chamar a atenção da audiência. O telespectador mais acostumado às artimanhas rocambolescas de nossos folhetins já vê o “quem matou” com certa resistência: lá vem mais um!

Em sua reta final, Avenida Brasil fez uso de um “quem matou” que já vinha sendo anunciado há algum tempo. A bola da vez é o mau caráter Maxwell (Marcello Novaes), morto no capítulo de quinta-feira (11/10). A trama de João Emanuel Carneiro precisava de tal recurso?

Um fenômeno de repercussão e audiência, Avenida Brasil, desde o início, angariou uma legião de fãs que se acostumaram a uma novela ágil, cheia de reviravoltas e ganchos surpreendentes a cada capítulo. Logo, não acho que o “quem matou Max” foi para alavancar audiência, muito menos falta de criatividade dos roteiristas.

Faltando uma semana para acabar, Avenida Brasil não tinha mais história para contar. Nina estava vingada e Carminha, desmascarada, caiu em desgraça. Quais nós restam ser desatados neste novelo? Talvez os que envolvam os personagens do lixão: o passado que une Max a Carminha (Adriana Esteves), a Mãe Lucinda (Vera Holtz), a Nilo (José de Abreu) e a Santiago (Juca de Oliveira).

O assassinato de Max vem para elucidar e justificar o comportamento destes personagens. Existe uma história em Avenida Brasil que ainda é mistério para o telespectador – que conhece apenas a trama que começou lá atrás, com a pequena Rita (Mell Maia), e avançou para o envolvimento de Carminha com a família de Tufão (Murilo Benício) até a atualidade.

Agora o público sabe que o começo desta história toda vem de muito antes. O desfecho do crime pode finalmente revelar quem é o vilão e quem é o mocinho deste folhetim.


Estreias das reprises de “Da Cor do Pecado” e “Felicidade” movimentam a TV e as redes sociais
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Nilson Xavier

Paco e Preta (Reynaldo Gianecchini e Taís Araújo) em “Da Cor do Pecado” (foto: TV Globo)

A tarde de segunda-feira (24/09) foi de estreias nostálgicas na TV. O Vale a Pena Ver de Novo da Globo voltou a reprisar a novela Da Cor do Pecado, de João Emanuel Carneiro (direção de núcleo de Denise Saraceni). Originalmente, ela foi ao ar em 2004 e já havia sido reprisada em 2007. Apesar dos vários protestos e reclamações de telespectadores que prefeririam assistir a uma reprise inédita – alguma novela não reprisada antes -, o primeiro capítulo de Da Cor do Pecado bombou no Twitter. Durante toda a apresentação da novela (entre 14h30 e 15h30) a hashtag #DaCorDoPecado esteve em primeiro lugar nos TT´s (os assuntos mais comentados do Twitter). Sinal de que repercutiu bem.

O primeiro capítulo da novela já mostrou os principais personagens e núcleos. Belas imagens do Maranhão serviram de cenário para o início de romance entre Paco e Preta (Reynaldo Gianecchini e Taís Araújo), embalado por canções da trilha sonora.

Já percebemos em Da Cor do Pecado similaridades com personagens que João Emanuel Carneiro usa hoje em sua novela Avenida Brasil: o casal de amantes Bárbara e Kaíke (Giovanna Antonelli e Tuca Andrada) pretende engabelar o ricaço Paco através de uma gravidez – de um filho deles, no caso. Tal qual Carminha e Max (Adriana Esteves e Marcello Novaes) em Avenida Brasil, que fizeram Tufão (Murilo Benício) acreditar que Ágata (Ana Karolina Lannes) era filha de Genésio (Tony Ramos). E a personagem de Karina Bacchi é uma versão amenizada da periguete Suelen (Ísis Valverde): ela escolhe qual dos Sardinhas namorar de acordo com o desempenho dos irmãos lutadores no tatame.

Mário e Helena (Herson Capri e Maitê Proença) em “Felicidade” (foto: TV Globo)

Assim que terminou o primeiro capítulo de Da Cor do Pecado, os noveleiros puderam trocar de canal a tempo de curtir a estreia da reprise de Felicidade, no Canal Viva. De autoria de Manoel Carlos (também direção de núcleo de Denise Saraceni), Felicidade é mais antiga que Da Cor do Pecado: foi ao ar em 1991 e teve uma reprise no Vale a Pena Ver de Novo em 1998.

Em capítulo com menos de uma hora de duração, foi apresentado os protagonistas vividos por Maitê Proença, Herson Capri, Tony Ramos e Vivianne Pasmanter (estreando em novelas). A cidadezinha mineira de Rochedo serviu de locação para a fictícia cidade da novela, Vila Feliz. Em outro núcleo, a ação se passou em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro. Também vale destacar nesta estreia as presenças das saudosas atrizes Ariclê Perez, Yara Côrtes e Marly Bueno.

O Viva (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo) fez uma grande campanha de lançamento para a estreia de Felicidade, que incluiu banners espalhados pela internet e até em shopping centers, além de uma ampla divulgação através de sua fanpage no Facebook e do perfil oficial do canal no Twitter.


Situações incoerentes têm cansado o público de “Avenida Brasil”
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Nilson Xavier

Em meu último texto, chamei a atenção para o fato de Cheias de Charme, a novela das sete, ter perdido o gás com o passar dos capítulos.

Leia AQUI o post “Cheias de Charme perdeu seu charme inicial”.

O mesmo se pode afirmar sobre Avenida Brasil? Sim e não.

Avenida Brasil foi cativando o público aos poucos e, numa escala ascendente, teve um ápice de repercussão – lá pelo capítulo 100, quando Nina (Débora Falabella) revelou para Carminha (Adriana Esteves) que era Rita e começou a chantageá-la com fotos. Só que esse gráfico ascendente de popularidade tem caído muito desde então. Com uma semana de Nina tripudiando Carminha, a “heroína” Nina (se é que podemos chamá-la assim) passou a perder muitos seguidores. E a novela, como um todo, também.

Avenida Brasil, sempre com ganchos muito bons em todos os capítulos, não teve “barriga” (aquele momento na trama em que nada acontece). Mas padeceu de outro mal: a enrolação. Já se passaram 50 capítulos desde que Nina começou a chantagear Carminha com as famigeradas fotos, e a trama parece ter andado em círculos, com alguns entrechos nada coerentes.

Novela é uma obra longa e pode chegar um momento em que todos ficam cansados, até o público. Não é fácil manter o interesse durante tanto tempo, então, às vezes, a enrolação se faz até necessária. Mas além de enrolar, a trama de João Emanuel Carneiro vem subestimando seu público. E este é um pecado sem perdão para a fidelização de audiência.

Cada novela segue uma linha, uma proposta, que pode ser realista, naturalista, caricata, fantasiosa, etc. Cabe ao público embarcar na história ou não. Não se exige 100% de realismo de uma novela, caso contrário não seria folhetim, seria documentário, ou outro tipo de programa. Mas um mínimo de verossimilhança se faz necessário em uma obra que tem a pretensão de seguir uma linha realista de dramaturgia. E é aí que Avenida Brasil tem falhado, ou, ao menos, extrapolado.

Os chamados furos no roteiro têm cansado o telespectador mais entusiasta de Avenida Brasil. Nina entregou cópias das fotos para amigos, para se proteger. Mas onde está o cartão de memória da câmera? E por que não salvou as fotos em um pendrive? A trama dá a entender que esses detalhes foram ignorados, por mais absurdo que isso possa parecer – afinal Nina é uma garota moderna, usou Internet para se aproximar da família de Tufão (Murilo Benício) no início da história. É inconcebível que esses detalhes não tenham passado por sua cabeça. A não ser que esta venha a ser a sua salvação no futuro – um entrecho para ser usado mais adiante.

É até compreensível que Débora e Begônia (Nathalia Dill e Carol Abras) não tenham tido curiosidade de olhar o conteúdo das fotos – afinal, se Begônia tivesse visto, teria reconhecido Max (Marcello Novaes) e não cairia em seu golpe. No capítulo de terça (18/09), Nilo (José de Abreu) roubou as cópias das fotos que estavam com Débora. Ela carregava em sua bolsa um envelope que era para estar guardado a sete chaves? E quem sai do banco carregando grandes quantias em dinheiro pede para ser roubado, não é mesmo?

Detalhes assim não passam despercebidos pelo telespectador, que se sente traído, feito de bobo, subestimado. Foram pelo menos 40 capítulos em que situações para lá de forçadas e inverossímeis afastaram parte do público que torcia pela novela. Avenida Brasil não perdeu seu fôlego, continua com bons ganchos. Mas caiu na armadilha das soluções fáceis e inverossímeis que não condizem com o excelente roteiro apresentado até então. Resta aguardar para que o desfecho dessa história justifique tais situações.


Atores em pequenas participações se destacam em “Avenida Brasil”
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Nilson Xavier

Quem acompanha Avenida Brasil já notou a presença de alguns personagens soltos, que aparecem rapidamente na história e depois somem (ou voltam para sumir de novo), apenas para agilizar ou dar uma nova direção a alguma trama. Ou mesmo como personagens-chave em algum mistério – muito recorrente na novela, já que ela está cheia de mistérios.

Entram em cena atores pouco conhecidos do público que vão lá, dão o seu recado e saem da história. Mas deixam suas marcas – talento aliado ao texto de João Emanuel Carneiro e à ótima direção da novela. É o que se constata pela repercussão que eles fazem, ou por quanto são lembrados pelo público. No Twitter, o nomes de seus personagens facilmente chegam aos Trending Topics (os TT´s, os assuntos mais comentados).

No capítulo desta quinta-feira (16/08), a cafetina Neide (Cláudia Assunção) retornou à novela para revelar a Jorginho (Cauã Reymond) que Max (Marcello Novaes) é seu pai. Ela já havia aparecido anteriormente, na ocasião em que o rapaz descobriu que Carminha (Adriana Esteves) era sua mãe biológica.

Como esquecer o Otorrino Rui (Lui Strassburger), namorado de Alexia (Carolina Ferraz) que quase se casou com ela, não fosse Cadinho e Paloma (Alexandre Borges e Bruna Griphao) terem armado para impedir este casório. Ou Sidney (Felipe Titto), o irmão de Tessália (Débora Nascimento), que entrou na novela apenas para confundir o enciumado Leleco (Marcos Caruso).

Durante o sequestro de Carminha, apareceram quatro personagens que esquentaram ainda mais a trama: o detetive Zenon (Mário Hermetto), amigo de Leleco, ainda citado na novela, e os bandidos Moreira (Rodrigo Rangel), Tubarão (Breno de Filippo) e Serjão (Vicentini Gomez).

Ainda: Bernadete (Ângela Dip), a policial em quem Lúcio (Emiliano D´Avilla) tentou dar o golpe do “boa noite cinderela” mas acabou preso por ela;  Ramon (William Vitta), o cafetão que perseguia Suelen (Ísis Valverde); Tio Francisco (Wandi Doratiotto), que revelou a Roni (Daniel Rocha Azevedo) que Soninha Catatau (Paula Burlamaqui) era sua mãe; e muitos outros.


Globo reprisa novamente “Da Cor do Pecado” no Vale a Pena Ver de Novo
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Nilson Xavier

Para a Globo, vale a pena ver de novo e de novo. Pela terceira vez consecutiva, a Globo opta por reprisar na faixa Vale a Pena Ver de Novo uma novela já reapresentada anteriormente. Depois de Mulheres de Areia e Chocolate com Pimenta, é a vez de Da Cor do Pecado voltar à tarde. Entre as outras candidatas à vaga, estavam novelas nunca antes reprisadas, como Meu Bem Querer (1998-1999), O Beijo do Vampiro (2002-2003), O Profeta (2006-2007) e Páginas da Vida (2006-2007).

A escolha por Da Cor do Pecado talvez se explique pela repercussão que a trama teve, tanto na sua apresentação original (de janeiro a agosto de 2004) – foi uma das maiores audiências do horário das 19 horas da Globo -, quanto na sua reprise anterior à tarde (entre maio e novembro de 2007). Também pelo fato de João Emanuel Carneiro ser o autor – o mesmo que faz sucesso atualmente com Avenida Brasil, às 21 horas. E a protagonista é Taís Araújo, que no momento vive a empreguete Penha em Cheias de Charme, o sucesso das 19 horas. Também Da Cor do Pecado é um sucesso de exportação – uma das novelas brasileiras mais vendidas para o exterior.

A trama conta a história de Preta (Taís Araújo), que vai do Maranhão ao Rio de Janeiro fazer com que o milionário Afonso Lambertini (Lima Duarte) reconheça seu filho pequeno Raí (Sérgio Malheiros) como neto dele. O menino é filho de Paco (Reynaldo Gianecchini), o filho de Afonso, dado como morto. Para impedir isso, a vilã Bárbara (Giovanna Antonelli), que também afirma ter um filho com Paco (na verdade o menino Otávio/Felipe Latgé é filho de seu amante Kaíke/Tuca Andrada), arma mil tramoias para desmoralizar Preta, e assim impedir que a herança dos Lambertini seja dividida.

O que ninguém sabe é que Paco tem um irmão gêmeo, Apolo, que vive com a mãe Edilásia (Rosi Campos) e com seus irmãos. Ela tivera os gêmeos com Afonso, mas ficou apenas com Apolo para criar, deixando Paco com o pai. O núcleo de Edilásia – chamada por todos de Mamushka – fez sucesso com o público, pela relação carinhosa da mãezona com seus cinco filhos marmanjões – uma família de lutadores em que apenas o caçula, Aberlardo (Caio Blat), não queria seguir os passos dos irmãos, mas ser maquiador. Outros núcleos de destaque foram o de Pai Helinho (Matheus Nachtergaele), um vidente de araque, e o do casal de trapaceiros Eduardo e Verinha (Ney Latorraca e Maitê Proença).

Guardadas as devidas proporções, Da Cor do Pecado tem algumas semelhanças com Avenida Brasil. Também teve personagem abandonado no lixão – Bárbara é largada lá no dia de seu casamento, vestida de noiva. E a dupla de vilões Bárbara e Kaíke tem as mesmas características de Caminha e Max (Adriana Esteves e Marcello Novaes).

Da Cor do Pecado foi a primeira novela solo de João Emanuel Carneiro, escrita com a colaboração de Ângela Carneiro, Vincent Villari e Vinícius Vianna, sob a supervisão de texto de Silvio de Abreu (35 primeiros capítulos). Direção de Maria de Médicis, Paulo Silvestrini, Denise Saraceni e Luiz Henrique Rios. Direção de núcleo de Denise Saraceni.
Estreia em 24 de setembro no Vale a Pena Ver de Novo.

Saiba mais sobre Da Cor do Pecado no site Teledramaturgia.

Cite novelas que você gostaria de rever no Vale a Pena Ver de Novo!


“Avenida Brasil” peca ao exibir capítulo emblemático num sábado, dia de menor audiência
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Nilson Xavier

Finalmente chegou o capítulo 100 de Avenida Brasil! Com dois dias de atraso. E num sábado! Explico. O autor, João Emanuel Carneiro, há tempos anunciou que haveria a grande virada da novela em seu centésimo capítulo. Criou-se uma grande expectativa nele, já que Carminha (Adriana Esteves) iria descobrir que sua empregada Nina (Débora Falabella) era na verdade Rita, que ela abandonara no lixão quando criança.

O capítulo 100 foi exibido na quinta-feira e a sequência tão aguardada foi deixada para o final. As redes sociais se mobilizaram durante todo o dia 19, comentando o tão esperado momento. Mas foi nos capítulos seguintes que a coisa realmente pegou fogo. No sábado (capítulo 102), o grande ápice: Carminha se vinga de Nina/Rita jogando-a numa cova, para ser enterrada viva. Uma sequência das mais tensas já apresentadas na televisão brasileira – com referências no cinema, diga-se de passagem, em filmes como Kill Bill, de Tarantino.

JEC – como costumamos chamar João Emanuel – já apresentara momentos de grande tensão em sua novela anterior, A Favorita, de 2008. Mas as cenas vistas em Avenida Brasil beiraram o terror. Tanto na sequência em que Nina está enterrada, com Carminha humilhando-a psicologicamente, até quando Nina deixa a cova cambaleante, feito um zumbi. A fotografia e a trilha sonora – ótimas – ajudaram a construir o clima de horror que a cena pedia.

Há de se destacar a grande interpretação de Adriana Esteves com sua Carmem Lúcia, que já entrou para a galeria das personagens inesquecíveis de nossa TV. E Débora Falabella – outra grande atriz -, que segura firme todas as cenas com a companheira. Repercussão pouca é bobagem, haja vista a enorme quantidade de charges envolvendo as duas personagens que proliferaram na Internet nos últimos dias.

O curioso foi deixar um capítulo tão emblemático para ser apresentado em um sábado, dia em que, tradicionalmente, a audiência é menor. A prévia no Ibope ficou na média dos 35 pontos – ótima para um sábado, acostumado a registrar 31, 32. Mas talvez renderia uns 45 pontos se fosse exibido numa segunda-feira (dia em que, geralmente, o Ibope é maior). De qualquer forma, reservar um momento tão importante dentro da trama para um sábado pode indicar bala na agulha para mais fortes emoções na próxima semana. É aguardar.

Avenida Brasil segue como uma das melhores novelas dos últimos anos, o que pode ser constatado através do Ibope – alto para os padrões atuais -; através de sua produção de primeira, com direção impecável, elenco afiadíssimo, trama envolvente e personagens cativantes; e através da repercussão positiva nas mídias sociais, repletas de fãs fervorosos da trama.

De fato, a novela é tão boa que seus pontos fracos são passíveis de perdão. Que tal seguir o conselhos dos tuiteiros: reservar os momentos das tramas paralelas que caíram no desinteresse, dos personagens coadjuvantes chatos, com a trilha sonora nacional indigesta, para tomar água, ler um email ou fazer xixi!

Nota: as duas imagens maiores são screenshots de cenas extraídos no site da novela.
A imagem animada de Carminha vermelha (acima) foi criada por Marcus Vinícius (@MV_Oficial).
Não encontrei o autor da outra imagem animada de Carminha. Mas darei o crédito se ele se manifestar.


“Avenida Brasil”: capítulo da virada frustra telespectadores
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Nilson Xavier

O tão aguardado “capítulo da virada” de Avenida Brasil (o centésimo, desta quinta-feira, 19/07) frustrou alguns telespectadores. Pelo menos aqueles que realmente aguardavam por algo impactante na trama de João Emanuel Carneiro. Se bem que já era de se esperar que o clímax do capítulo ocorresse ao seu término. Ou seja, o momento em que Carminha (Adriana Esteves) juntou as peças do quebra-cabeça e concluiu que Nina é Rita (Débora Falabella) aconteceu apenas no final. Na verdade, é no capítulo desta sexta-feira, e nos subsequentes, que a história começa a fluir melhor, com o embate entre as duas protagonistas.

Antes das ótimas cenas de Adriana Esteves bufando no volante de seu carro, o público teve que esperar assistindo sequências de Cadinho (Alexandre Borges) às voltas com suas mulheres, Roni (Daniel Rocha Azevedo) na fossa, Suelen (Ísis Valverde) tomando as rédeas da loja de Diógenes (Otávio Augusto), Jorginho (Cauã Reymond) saindo do coma, etc. Ou seja, nada de especial. O que interessava mesmo foram as passagens que envolviam Nina, ou Carminha pressionando Betânia e Nilo, até a sequencia final.

A audiência não foi nem melhor nem pior do que Avenida Brasil vem tendo. De acordo com a prévia do Ibope, deu 40 pontos (cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo), o que é bom, está na média da novela. Só não foi superior, como se esperava, por se tratar de um capítulo-chave. O capítulo anterior, de quarta-feira (que é mais curto por conta do futebol), teve uma média baixa para a novela: fechou em 36 pontos. E o centésimo capítulo de Avenida Brasil ainda é inferior ao centésimo de Fina Estampa, a novela antecessora.

Apesar de o público registrar um dia normal para a novela, Avenida Brasil bombou nas mídias sociais por conta da expectativa em cima desse centésimo capítulo. No Twitter, horas antes de a novela estrear, a hashtag (palavra-chave) #AvenidaBrasil  já estava entre os TT´s (os assuntos mais comentados). Na hora da novela, os tuiteiros subiram ao primeiro lugar a tag #OiOiOi100, em homenagem à trama. Durante todo o dia, vários usuários mudaram o avatar de seus perfis para a imagem “congelada” – que imita o efeito do final de cada capítulo da novela (como na imagem acima). Várias charges envolvendo a trama foram destaque também no Facebook.

O sucesso da novela de João Emanuel Carneiro não se restringe apenas à audiência passiva – a que simplesmente sintoniza na novela na hora em que ela está sendo transmitida. O acompanhamento pelas mídias sociais reflete uma repercussão positiva que Avenida Brasil alcança. Só que essa repercussão não é considerada na hora de medir audiência. E nem serve como ferramenta para uma amostra estatística. Mas é um termômetro, ou um parâmetro de popularidade de um extrato de audiência.