Blog do Nilson Xavier

Arquivo : dezembro 2012

Há 16 anos, a novela “O Fim do Mundo” já abordava o Apocalipse
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Nilson Xavier

José Wilker e Bruna Lombardi em “O Fim do Mundo” (Foto: TV Globo)

Se a morte assombra o Homem, a ideia da finitude do Universo sempre perseguiu a Humanidade. Haja vista a enorme produção do cinema sobre o tema, em filmes como “Independence Day“, “Armageddon“, “Impacto Profundo“, “O Dia Depois de Amanhã“, “Guerra dos Mundos“, “2012“, “Melancholia“, e outros. Aproveitando todo o burburinho em cima do dia 21 de dezembro (data do fim do mundo, de acordo com uma profecia maia), a Globo levou ao ar a série “Como Aproveitar o Fim do Mundo”, de Fernanda Young e Alexandre Machado.

No ano de 1996, o Apocalipse não era um assunto comentado. A virada do milênio só aconteceria em cinco anos. Mas Dias Gomes já criara uma história que explorava esse filão: “O Fim do Mundo“, exibida como “mininovela” (35 capítulos). Com o questionamento “o que você faria se só te restasse um dia” (da letra da música da abertura, cantada por Paulinho Moska), o autor brincou com a fantasia do apocalipse, do que o homem seria capaz de fazer ante a iminência de um fim coletivo.

Naquele ano, a novela ”O Rei do Gado“ (de Benedito Ruy Barbosa) seria a substituta de “Explode Coração” (de Glória Perez), mas a Globo não conseguiu produzi-la no tempo planejado para a estreia. A solução foi pegar o texto que Dias havia escrito para ser uma minissérie. A hipótese de espichar a trama de Glória chegou a ser cogitada, mas a emissora a descartou, pois tinha assumido o compromisso de liberar a novelista para o julgamento dos acusados do assassinato de sua filha (Daniela Perez).

Lançada como um “tapa-buraco”, “O Fim do Mundo” foi exibida como “mininovela”. A nomenclatura se justifica não só pela quantidade reduzida de capítulos, mas também pelo horário em que a atração foi ao ar: o tradicional horário das oito da noite. Se fosse apresentada mais tarde, certamente seria chamada de “minissérie”.

Os efeitos especiais foram um chamariz, mas, aos olhos de hoje, envelheceram, parecem “toscos”. A campanha de lançamento anunciava: “Uma super novela em 35 capítulos“. “O Fim do Mundo” manteve a audiência do horário, mas de “super” não trouxe nada, a não ser o universo tão característico de Dias Gomes.

Screenshots da abertura da novela

Para contar sua história, Dias criou uma cidadezinha perdida no interior da Bahia, repleta de tipos curiosos: Tabacópolis, famosa pelas plantações de fumo.  Lá vivia o paranormal Joãozinho de Dagmar (Paulo Betti), um místico conhecido pelos seus poderes de curandeiro e vidente. Acusado de charlatão por uns, Joãozinho atendia diariamente uma fila de romeiros em busca de conforto para seus males, da alma e do corpo. Mas se beneficiava da fé alheia.

Quando o vidente previu o fim do mundo, Tabacópolis entrou em polvorosa. Fenômenos começaram a assombrar o lugarejo: nasceu um bezerro com duas cabeças, barulho de sinos assustaram os moradores, que sabiam que a igreja não possuía um sino, a terra começou a tremer, e uma tempestade de excrementos emporcalhou a cidade.

Diante dos fatos, não restava dúvida para a população local. O fim dos tempos estava próximo. Era a oportunidade para cada um extravasar seus desejos e aproveitar os últimos momentos para ir à forra. Para tentar resolver seu problema de impotência, o fazendeiro Tião Socó (José Wilker) assediou sexualmente a cunhada, a bela Gardênia (Bruna Lombardi), por quem sempre fora apaixonado. Letícia (Paloma Duarte) desistiu de casar virgem com o insistente Josias (Guilherme Fontes) e se entregou ao peão Rosalvo (Maurício Mattar), que acabou capado pelo noivo ciumento dela.

O malandro Vadeco (Tato Gabus Mendes) começou a vender “terrenos no céu”. As pudicas e carolas irmãs Badaró (Lúcia Alves e Cininha de Paula) partiram para cima do doente mental Emiliano (Ricardo Blat), para satisfazerem seus desejos mais reprimidos. Chico Veloso (Tonico Pereira) pôde finalmente se vestir de mulher. Os malucos do hospício foram soltos. Também os presos da delegacia.

A autoritária prefeita Florisbela (Vera Holtz) tentou colocar ordem na população diante do caos generalizado que se estabeleceu em Tabacópolis. Mas o mundo não acabou. E todos tiveram que arcar com as consequências de seus atos impensados e de suas extravagâncias.

Saiba mais sobre “O Fim do Mundo no site Teledramaturgia.


“Gabriela”: autor fez graça ao retratar preconceitos e costumes retrógrados
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Nilson Xavier

Juliana Paes em “Gabriela” (Foto: TV Globo)

Esqueçam a história original de Jorge Amado, o filme de Bruno Barreto e as outras adaptações de Gabriela Cravo e Canela para a televisão. Quando um escritor se propõe a adaptar um livro, ele é o novo senhor do texto (já que adquiriu os direitos para tanto) e tem plenos poderes para imprimir sua marca na nova obra.

E foi assim com a Gabriela de Walcyr Carrasco, a novela da Globo que terminou na sexta-feira (26/10). Todas as características do novelista estavam lá. Os diálogos ferinos e espirituosos, as frases no imperativo, os personagens caricatos em situações engraçadinhas, camas quebradas, tortas na cara, etc. Até um bichinho de estimação Carrasco arrumou para Gabriela. Tudo isso já conhecemos de outras novelas do autor. E ele, esperto, sabe que funciona. Carrasco é um novelista popular.

Gabriela também teve cenas densas, seja pela violência ou pela emoção. O elenco de primeira e a direção primorosa (de Mauro Mendonça Filho) ajudaram bastante. Uma novela bela de se ver, uma produção requintada, desde a abertura (uma das mais bonitas dos últimos tempos) até cenários, figurinos, fotografia e a trilha sonora saudosista, que trouxe de volta algumas das músicas da novela de 1975 – um grande acerto.

Juliana Paes esforçou-se com a sua Gabriela e, por isso, merece crédito. Em momento algum comprometeu a personagem. E nem ficaria marcada pela sua interpretação ou “entraria para a história”. A Gabriela de Sônia Braga ficou lá em 1975, em outra novela, outra situação e momento (da televisão brasileira e de nossa sociedade). Não cabe aqui esperar que se fosse repetir o que aconteceu no passado.

A Gabriela de 2012 trabalhou com outros elementos e referências, que têm a ver com o nosso presente (apesar de ser uma trama de época). A Gabriela da década de 1970 também foi assim, usou as referências que tinha naquele tempo – inclusive as limitações, já que a TV vivia sob a censura do Regime Militar.

O Bataclan atual lembra o Moulin Rouge e a Maria Machadão é Ivete Sangalo. É a liberdade criativa que temos para hoje – ainda que seja duro de engolir um Bataclan tão glamuroso, com shows dignos da Broadway. Ivete Sangalo não fez bonito, mas tampouco fez feio. Esteve à altura do que tinha para mostrar e o texto não lhe exigiu muito.

José Wilker como o Coronel Jesuíno em “Gabriela” (Foto: TV Globo)

Gabriela conquistou o público ao poucos e por fim, agradou. Fechou com média de 19 pontos no Ibope (cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo), a mesma de O Astro, a atração do ano passado. Teve repercussão nas redes sociais – por várias vezes hashtags envolvendo a novela estiveram nos TTs do Twitter (os assuntos mais comentados). Os bordões “Vou lhe usar” (do Coronel Jesuíno/José Wilker) e “Jesus Maria José!” (de Dona Dorotéia/Laura Cardoso) se popularizaram, foram repetidos, viraram memes na Internet, charges engraçadinhas no Facebook.

Gabriela mal apareceu em alguns capítulos. A trama central – o romance entre ela e Nacib – ficou por várias vezes em segundo plano, à medida que algumas tramas paralelas foram despertando mais a atenção do público, como a história de Malvina, a trajetória de Lindinalva e o assassinato de Sinhazinha.

No elenco, vários atores se destacaram, tanto veteranos quanto novatos. Luiza Valdetaro (Jerusa), Vanessa Giácomo (Malvina), Giovanna Lacelotti (Lindinalva), Marco Pigossi (Juvenal) e Rodrigo Andrade (Berto) fizeram bonito. Humberto Martins deu um tom abobalhado ao seu Nacib, tanto quanto Marcelo Serrado fez com Tonico Bastos.

Mas foi a interpretação de Maitê Proença (como Sinhazinha Guedes Mendonça), José Wilker (como o Coronel Jesuíno) e Laura Cardoso (como a beata Dorotéia) que marcaram a produção. Em seu texto, Carrasco consegue pular do humor bobinho à emoção dramática com muita competência. Algumas vezes vimos cenas em que o Coronel Jesuíno (e também Dona Dorotéia) passava do risível ao emocionante com uma naturalidade impressionante.

Walcyr Carrasco fez graça ao retratar preconceitos, pensamentos e costumes – retrógrados aos olhos de hoje – da Ilhéus da década de 1920, em que os coronéis poderosos se julgavam acima da lei, as mulheres não tinham direito a se expressar, enquanto aos homens tudo era permitido, e a moral era altamente discutível. Temas que ecoam hoje em dia. Nas falas dos personagens, através de piadinhas sobre machismo, prostitutas e homossexuais, o autor encontrou respaldo no público, que reconheceu o que foi pintado na tela. Quem sabe até, se identificou. Talvez daí o seu sucesso.


“Gabriela” mistura bem cenas impactantes com sequências de diálogos divertidos
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Nilson Xavier

Walcyr Carrasco é um novelista que transita livremente pelo humor fácil, do tipo que mistura ingenuidade e malícia, experimentado e maturado em suas várias novelas nos horários das seis e sete da Globo (O Cravo e a Rosa, Chocolate com Pimenta, Alma Gêmea, Sete Pecados, Caras e Bocas, Morde e Assopra). Por sua tarimba com literatura infantil (ele é autor de vários livros para crianças), o autor carrega para seus trabalhos na televisão elementos de humor pastelão que mais facilmente arrancam riso de crianças do que de adultos (como torta na cara e pessoas arremessadas na lama ou chiqueiro). Outra característica marcante: falas de personagens adultos que carregam aquela sinceridade inerente às crianças – vícios de quem escreve para público infantil.

Em uma obra como a adaptação de Gabriela, de Jorge Amado, isso poderia não funcionar. E não funciona quando sentimos o choque entre dois estilos tão distintos. Jorge Amado, apesar da densidade em seus temas, tem momentos de leveza, mas que não combinam com o pastelão infantil de Carrasco. Exemplo: a insistência da fogosa Olga (Fabiana Karla) com o marido escorregadio Tonico Bastos (Marcelo Serrado) – sequências que já cansaram e não tem a menor graça.

Independente da diferença de estilos, temos que ter em mente que o produto televisivo leva a assinatura de Walcyr Carrasco. O exagero no pastelão apenas não soa bem para o horário no qual a novela é veiculada. Às onze da noite, o telespectador espera mais de uma novela. Apesar de algum pastelão, Gabriela nos tem brindado com sequências fortes e impactantes – como a do capítulo de quinta-feira (30/08), em que os jagunços do Coronel Ramiro Bastos (Antônio Fagundes) surraram Príncipe e Anabela (Emílio Orciollo e Bruna Linzmeyer) e ainda caparam o rapaz.

E é também do capítulo de quinta-feira uma das sequências mais pitorescas que já se viu na novela e que exemplifica bem essa mistura do estilo de escrita de Carrasco (sinceridade ingênua infantil) aplicado a personagens densos. No diálogo a seguir, a beata Doroteia (Laura Cardoso) – com o filho, Coronel Amâncio (Genézio de Barros) – censura o Coronel Jesuíno Mendonça (José Wilker) por ele se casar com uma moça muito jovem. O coronel já matou a mulher que o traía, é um homem bruto, truculento e violento. Doroteia é o cão em pessoa, velha amarga e maldosa.

Doroteia: “Coronel Jesuíno, Iracema é uma franguinha! O senhor tem idade para ser pai dela!”

Amâncio: “Até avô, quem sabe!”

Jesuíno: “Melhor casar com uma franguinha do que com uma galinha velha!”

Doroteia: “Coronel, uma mulher de mais idade tem mais respeito.”

Jesuíno: “Tem mais é pelanca, isso sim!”

Amâncio (rindo): “Coronel Jesuíno, se deseja carne fresca, vá ao Bataclan. Lá tem moça nova à disposição.”

Doroteia: “Respeito Amâncio! Não aconselhe o coronel a correr atrás de quenga.”

Amâncio: “Mainha, me perdoa, eu só estou tentando ajudar… Coronel Jesuíno, minha mãe está com a razão. Case com uma moça, com uma mulher que saiba cuidar de sua casa.”

Doroteia: “Se casar com uma franguinha, vai levar cornos de novo.”

Jesuíno: “Não me fale de cornos! Dona Doroteia, só não lhe dou na cara por respeito à sua idade.”

Doroteia: “Depois não diga que não foi avisado. E já será uma sorte grande se a moça for virgem.”

Jesuíno: “Se ela não for virgem, eu mato na noite de núpcias. Eu já matei uma, mato duas!… E agora, Dona Doroteia, Coronel Amâncio, me dão licença, eu vou cagar.”


Relembre os flagrantes de adultério mais marcantes das novelas
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Nilson Xavier

Nesta terça-feira, 07/08, foi ao ar a cena de Gabriela em que o Coronel Jesuíno Guedes Mendonça (José Wilker) flagra a mulher, Sinhazinha (Maitê Proença), na cama com o amante, o dentista Osmundo (Érik Marmo). Alertado pelas beatas da cidade, o coronel invadiu a casa do rapaz e não pensou duas vezes: lavou a honra com sangue.

Na própria Gabriela, mais para frente, será a protagonista (Juliana Paes) – que vai cair na lábia do sedutor Tonico Bastos (Marcelo Serrado) – a ser flagrada por Nacib (Humberto Martins) – tal qual acontecera na versão original da novela, com personagens vividos por Sônia Braga, Fúlvio Stefanini e Armando Bógus, respectivamente.

Ontem também, na trama das nove, Avenida Brasil, Carminha (Adriana Esteves) – ela mesma traidora do marido – deu um flagra no amante, Maxwell (Marcelo Novaes), aos amassos com sua arqui-inimiga, Nina/Rita (Débora Falabella), garantindo assim a congelada da dupla (aquele efeito de final de capítulo).

“Eu posso explicar!” / “Não é nada disso que você está pensando!”

Flagrantes de adultério são até corriqueiros em novelas. Gilberto Braga é um dos autores que mais se apropria do recurso. Um dos melhores flagras da história de nossas novelas aconteceu em Vale Tudo (1988), quando Afonso (Cássio Gabus Mendes) adentrou o apartamento do mau caráter César (Carlos Alberto Riccelli) e encontrou sua mulher, Fátima (Glória Pires), na cama dele (vídeo abaixo, a partir dos 8 minutos).

Outros flagrantes em novelas de Gilbeto Braga:

Dono do Mundo (1991): Aqui, Glória Pires esteve do outro lado: foi sua personagem, Stella, quem flagrou o marido sacana, Felipe Barreto (Antônio Fagundes), na cama com outra mulher (Letícia Sabatella).

Pátria Minha (1994-1995): o vilão Raul Pelegrine (Tarcísio Meira) pegou a mulher, Tereza (Eva Wilma), deitada com Rafael (Fúlvio Stefanini).

Celebridade (2003-2004): dois flagrantes que merecem citação: Beatriz (Débora Evelyn) em Fernando (Marcos Palmeira), na cama com Maria Clara Diniz (Malu Mader); e Renato Mendes (Fábio Assunção) na mulher, Laura (Cláudia Abreu), deitada com Bruno (Sérgio Menezes).

Paraíso Tropical (2007): Ana Luísa (Renée de Vielmond) pega o marido, Antenor (Tony Ramos), na cama com a amante, Fabiana (Maria Fernanda Cândido).

Insensato Coração (2011): Raul (Antônio Fagundes) dá um flagrante na mulher, Wanda (Natália do Valle), nos braços do irmão dele, Humberto (José Wilker).

Outros flagras notáveis:

Tieta (1989-1990): Perpétua (Joana Fomm) pega o filho, Ricardo (Cássio Gabus Mendes), na cama com a própria irmã, Tieta (Betty Faria) – portanto tia do rapaz. Perpétua fica cega com a cena (vídeo abaixo).


O Cravo e a Rosa (2000-2001): O submisso Cornélio (Ney Latorraca) cansou de ser feito de gato e sapato pela mulher, Dinorá (Maria Padilha), e deu um flagra nela nos braços do amante, Celso (Murilo Rosa).

Quatro por Quatro (1994-1995): O mecânico Raí (Marcelo Novaes) nem teve o que explicar quando a noiva, Babalu (Letícia Spiller), o flagrou com outra mulher (vídeo abaixo).


Belíssima (2005-2006): O caso de Júlia Assumpção (Glória Pires) foi grave: flagrou o marido, André (Marcelo Antony), deitado com a filha dela, Érica (Letícia Birkheuer).

A Próxima Vítima (1995): No dia de seu casamento, Diego (Marcos Frota) pega a noiva, Isabella (Cláudia Ohana), na cama com o tio dela, Marcelo (José Wilker), e lhe dá uma surra que entrou para a história (vídeo abaixo, a partir dos 5 minutos).


A Favorita (2008): Dois flagrantes se destacaram: nos flashbacks que explicam a história, Marcelo (Flávio Tolezani) pegou a mulher, Flora (Patrícia Pillar), com o amante, Dodi (Murilo Benício); e – mais adiante – Elias (Leonardo Medeiros) deu um flagrante na  mulher, Dedina (Helena Ranaldi), com seu amigo, Damião (Malvino Salvador).

Cite outros casos que você lembra! ;)


Conheça os personagens e compare os elencos das duas versões de “Gabriela”
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Nilson Xavier

A Globo estreia nesta segunda-feira (18/06) a sua nova “novela das 11”, Gabriela, adaptação de Walcyr Carrasco do romance Gabriela Cravo e Canela de Jorge Amado, com direção geral de Mauro Mendonça Filho. O primeiro capítulo (nesta segunda) vai ao ar – excepcionalmente – logo depois de Avenida Brasil.

Este não é um remake da novela homônima apresentada pela Globo em 1975, mas uma nova adaptação do livro de Jorge Amado. A produção dos anos 70 tornou-se um marco em nossa teledramaturgia – uma adaptação de Walter George Durst com direção geral de Walter Avancini, que comemorava à época os dez anos de existência da TV Globo e que lançou Sônia Braga ao estrelato.

Conheça os personagens e seus intérpretes em ambas as versões.

A história começa no sertão da Bahia em 1925, ano em que ocorreu uma grande seca no Nordeste brasileiro, o que obrigou populações famintas a migrarem para o sul do estado em busca de melhores condições de vida. É neste cenário que a jovem Gabriela parte para Ilhéus, próspera cidade no litoral, reduto de ricos fazendeiros de cacau.

Gabriela – Sônia Braga / Juliana Paes
Retirante que chega a Ilhéus fugindo da seca. Moça bela, sem maldade e de espírito livre. Vai trabalhar na casa do “turco” Nacib, com quem inicia um romance.

Nacib – Armando Bógus / Humberto Martins
Dono do Bar Vesúvio, ponto de encontro dos moradores de Ilhéus. Figura simpática e conhecida de todos. Apaixona-se pela beleza e ingenuidade de Gabriela, sua cozinheira.

Coronel Ramiro Bastos – Paulo Gracindo / Antônio Fagundes
Velho fazendeiro de cacau, líder político da região. É um homem temido por todos, que dita as leis de acordo com seus interesses.

Mundinho Falcão – José Wilker / Matheus Solano
Jovem de ideias progressistas que chega a Ilhéus e entra em choque com o Coronel Ramiro Bastos ao envolver-se nos movimentos de renovação política na região. Para enfrentá-lo, aproxima-se da neta do coronel, Jerusa, por quem acaba se apaixonado.

Tonico Bastos – Fúlvio Stefanini / Marcelo Serrado
Filho mais novo do Coronel Ramiro. Frequentador assíduo do Vesúvio e do Bataclan, famoso cabaré de Ilhéus. Mulherengo inveterado, apesar de casado. Vai tentar seduzir Gabriela.

Olga – Ângela Leal / Fabiana Karla
Mulher de Tonico, esposa ciumenta e que acredita na fidelidade do marido.

Alfredo Bastos – Hemílcio Fróes / Bertrand Duarte
Médico, filho mais velho do Coronel Ramiro. Assim como o irmão Tonico, não tem tino político para dar continuidade à supremacia da família Bastos na região, o que preocupa Ramiro, que quer deixar um herdeiro no comando.

Silvia – Sônia Oiticica / Conceição – Vera Zimermann
Mulher de Alfredo. Respeita o sogro Ramiro, a quem admira mais que o marido.

Jerusa – Nívea Maria / Luiza Valdetaro
A neta preferida do Coronel Ramiro. Filha de Alfredo por quem Mundinho se apaixona. Moça romântica, retribui o amor de Mundinho, apesar da oposição da família.

Malvina – Elizabeth Savalla / Vanessa Giácomo
Amiga e confidente de Jerusa. Moça de ideias liberais, não aceita as imposições à mulher na sociedade de seu tempo. Vive batendo de frente com o pai autoritário. Entra em choque com a família quando se apaixona pelo forasteiro Rômulo Vieira.

Coronel Melk Tavares – Gilberto Martinho / Chico Diaz
Braço direito do Coronel Ramiro Bastos. Pai de Malvina, homem rígido e de personalidade forte, impõe mil proibições à filha rebelde.

Idalina – Ana Ariel / Marialva – Bel Kutner
A submissa mulher do Coronel Melk. Sofre ao tentar acalmar os ânimos entre o marido e a filha Malvina.

Rômulo Vieira – Marcos Paulo / Henri Castelli
Engenheiro, amigo de Mundinho. Vem a Ilhéus a trabalho e seduz Malvina, que se apaixona por ele.

Coronel Jesuíno Guedes Mendonça – Francisco Dantas / José Wilker
Velho coronel de ideias retrógradas. Homem violento e rude, amigo do Coronel Ramiro Bastos.

Sinhazinha – Maria Fernanda / Maitê Proença
Esposa do Coronel Jesuíno, que sofre nas mãos do marido, um homem bruto. Mulher elegante e charmosa, é inconformada com a vida que leva, apesar da submissão ao marido.

Dr. Osmundo Pimentel – João Paulo Adour / Erik Marmo
Jovem dentista da capital que vem montar um consultório em Ilhéus. Tem um romance com Sinhazinha Guedes Mendonça, mas o casal de amantes é descoberto pelo marido dela.

Coronel Coriolano Ribeiro – Rafael de Carvalho / Ary Fontoura
Coronel que vive em sua fazenda mas mantem uma casa em Ilhéus para sua “teúda e manteúda”. Desconfiado e ciumento, sempre acha que está sendo traído, pois já fora várias vezes, o que o faz trocar constantemente de amante.

Glória – Ana Maria Magalhães / Suzana Pires
A atual “teúda e manteúda” do Coronel Coriolano. Ele a proíbe a sair de casa, o que faz com que ela passe o dia na janela a olhar o movimento da rua para se distrair.

Professor Josué – Marco Nanini / Anderson Di Rizzi
Professor de Jerusa e Malvina. Jovem tímido e romântico. Vai viver um tórrido romance com Glória, longe dos olhos do Coronel Coriolano.

Dr. Maurício Caires – Paulo Gonçalves / Cláudio Mendes
Diretor do principal colégio de Ilhéus, onde estudam Jerusa e Malvina. Puxa-saco e pau mandado do Coronel Ramiro Bastos.

Coronel Amâncio Leal – Castro Gonzaga / Genézio de Barros
Coronel aliado de Ramiro Bastos e, portanto, opositor de Mundinho Falcão.

Berto – Mário Gomes / Rodrigo Andrade
Filho do Coronel Amâncio. Jovem boa pinta e boa vida. O pai quer que ele se envolva com Jerusa, para que sua família se una com a família Bastos.

Maria Machadão – Eloísa Mafalda / Ivete Sangalo
Cafetina do Bataclan. Autoritária no trato com suas meninas, conhece a fundo os poderosos de Ilhéus.

Zarolha – Dina Sfat / Leona Cavalli
Prostituta do Bataclan, amiga de Maria Machadão. É a preferida de Nacib, até a chegada de Gabriela.

Dr. Pelópidas – Ary Fontoura / Ilya São Paulo
Conhecido apenas como “Doutor”, apoia as ideias de Mundinho Falcão.

João Fulgêncio – Luís Orioni / Paschoal da Conceição
Outro aliado de Mundinho Falcão, amigo do Doutor. Dono de uma papelaria que é o centro intelectual de Ilhéus.

Dr. Ezequiel Prado – Jaime Barcellos / José Rúbens Chachá
Jurista de ideias liberais, amigo de Nacib.

Padre Basílio – Jorge Cherques / Padre Cecílio – Frank Menezes
O pároco de Ilhéus. Sacerdote submisso que sofre com a pressão das beatas contra as prostitutas do Bataclan.

Príncipe Sandra – Paulo César Pereio / Emílio Orciollo
Ilusionista vigarista que chega a Ilhéus com Mundinho Falcão, acompanhado de sua parceira, Anabela.

Anabela – Neila Tavares / Bruna Linzmeyer
Comparsa de Príncipe em seus golpes. Usa a beleza para enganar os homens.

Dona Arminda – Thelma Reston / Neusa Maria Faro
Arrumadeira na casa de Nacib. Ensina o serviço a Gabriela e torna-se sua melhor amiga.

Tuísca – Cosme dos Santos / Max Lima
Engraxate e garoto de recados de Ilhéus. Torna-se amigo de Gabriela.

Chico Moleza – Tonico Pereira / Renan Ribeiro
Filho de Dona Arminda, trabalha como atendente no Vesúvio.

Negro Fagundes – Clementino Kelé / Jhe Oliveira
Atravessou a caatinga com Gabriela, de quem é amigo. Ao chegar a Ilhéus, torna-se jagunço na fazenda do Coronel Melk Tavares.

Clemente – Adhemar Rodrigues / Daniel Ribeiro
Amigo do Negro Fagundes, apaixonado por Gabriela, com quem vive um romance na travessia da caatinga. Também se torna jagunço na fazenda do Coronel Melk Tavares.

Existem personagens da versão de 1975 que não estão na nova novela. Assim como personagens novos que Walcyr Carrasco criou especialmente para sua adaptação: Doroteia (Laura Cardoso), Juvenal (Marco Pigossi), Coronel Manoel das Onças (Mauro Mendonça), Coronel Eustáquio (Lúcio Mauro), Coronel Altino (Nelson Xavier), Coronel Ribeirinho (Harildo Deda), Douglas (Jackson Costa), Nhô Galo (Edmilson Barros), Lindinalva (Giovanna Lancelotti), Florzinha (Bete Mendes), Quinquina (Ângela Rebello), Natasha (Nathália Rodrigues), Theodora (Emanuelle Araújo), Miss Pirangi (Gero Camilo), Mara (Suyane Moreira), e outros.

Uma curiosidade: José Wilker e Ary Fontoura aparecem nos elencos das duas versões de Gabriela. Em 1975, Wilker foi Mundinho Falcão (personagem hoje de Matheus Solano). Agora, Wilker é o Coronel Jesuíno (que foi Francisco Dantas em 1975). Ary Fontoura, por sua vez, foi o Doutor Pelópidas em 1975 (hoje, Ilya São Paulo), e na versão atual é o Coronel Coriolano (personagem de Rafael de Carvalho na década de 70).