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“Balacobaco” afastou lembrança de “Máscaras” mas penou na audiência
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Nilson Xavier

Juliana Silveira e Bruno Ferrari em “Balacobaco” (Foto: Divulgação/TV Record)

Se a intenção da Record com “Balacobaco” era afastar o fantasma de “Máscaras”, pode-se dizer que a meta foi atingida. “Máscaras” ficou no passado e é um projeto que a Record não faz questão de lembrar. Mas isso não quer dizer que “Balacobaco” teve vida fácil.

A novela causou estranhamento quando estreou. Era uma proposta completamente diferente da de sua antecessora. Colorida, espalhafatosa, num tom farsesco, metida a engraçada, com trilha popularíssima e personagens caricatos. Ficou claro que a inspiração da autora, Gisele Joras, foram dois sucessos recentes da Globo: a também colorida e alegre “Cheias de Charme” com a pegada “nova classe C” de “Avenida Brasil”. Pode-se dizer que foi uma aposta corajosa jogar às 22h30 uma novela com forte apelo de comédia e características comuns às novelas do horário das sete da Globo.

Alguns ajustes na trama foram feitos logo no início, mas, passados sete meses da estreia, percebe-se que a sua proposta permaneceu fiel até o fim, o que é bastante louvável. Outro ponto positivo foi a Record ter mantido “Balacobaco” em seu horário original desde o começo – diferente de “Máscaras”, que correu ao caminho dos ventos da audiência e das prioridades da grade da emissora, o que muito a prejudicou.

Infelizmente, a Record ainda não conseguiu recuperar os áureos dois dígitos na audiência que suas novelas tinham antes de “Máscaras”. “Vidas em Jogo” fechou com uma média final de 12 pontos no Ibope da Grande São Paulo. “Máscaras” derrubou para a metade (6 pontos), e “Balacobaco” fecha com 7 pontos. Pelo visto, “Dona Xepa” terá bastante trabalho pela frente.

Não foi a melhor novela de Gisele Joras. Prefiro “Amor e Intrigas”, de 2008. Mas o vilão Norberto foi o melhor papel de Bruno Ferrari na TV – um jovem ator que já havia chamado a atenção em trabalhos anteriores e que cresce a passos largos a cada papel.

Leia também: “Autora de Balacobaco revela fim de alguns personagens”.


Balanço 2012: as Novelas que marcaram o ano
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Nilson Xavier

Adriana Esteves e Vera Holtz em “Avenida Brasil” (Foto: TV Globo)

O ano de 2012 foi de altos e baixos para a nossa Teledramaturgia. A Globo, por exemplo, foi ao céu e logo em seguida desceu ao inferno. Os dois maiores sucessos de repercussão da década (as novelas “Avenida Brasil” e “Cheias de Charme“) foram substituídos pela maior queda em audiência da história. Mais uma prova de que apenas boas produções com algum diferencial prendem o telespectador atualmente. O público hoje tem mais opções que antigamente e cansou do mais do mesmo na TV.

A Vida da Gente
Com uma trama feminina por excelência, Lícia Manzo mostrou competência em sua primeira novela solo, apresentando um texto realista e sensível poucas vezes visto em nossa teledramaturgia. Com o horário das seis em pleno Horário de Verão, a novela enfrentou a baixa audiência do início ao fim, apesar da boa aceitação do público. Talvez uma explicação estivesse no excesso de drama, presente em todos os núcleos, em detrimento ao humor.

Fina Estampa
Um sucesso popular que alavancou a audiência do horário nobre da Globo, a trama de Aguinaldo Silva foi a novela de maior ibope dos últimos cinco anos. O autor uniu tramas surreais – entende-se sem compromisso algum com a realidade – com personagens caricatos – como a vilã Tereza Cristina (Christiane Torloni) e o gay Crodoaldo Valério (Marcelo Serrado) -, e uma heroína maniqueísta – Griselda (Lília Cabral), mulher batalhadora, mãe sofrida, boa e justa, concebida para criar empatia com o público que se identifica com essa figura idealizada. A aposta no tom farsesco e na comédia popular funcionou. Apesar do espaço que a vilã Tereza Cristina ganhou em detrimento à protagonista Griselda, foi o coadjuvante Crô que teve mais notoriedade. E acabou pulando da telinha para a telona do cinema.

Aquele Beijo
Miguel Falabella apresentou uma trama de humor espirituoso e inteligente, típica de seu universo. Mas faltou à novela uma história central empolgante. Foram as tramas paralelas, recheadas de bons personagens secundários, que fizeram a novela. A audiência, aquém da esperada, ficou à altura da história morna apresentada.

Malhação
Em agosto de 2011, a Globo estreou com grande alarde “Malhação Conectados”. Trouxe Ingrid Zavarezzi da TV a cabo para roteirizar a nova fase de sua tradicional novela teen, e a lançou prometendo tramas sobrenaturais repletas de mistério e suspense. Mas de nada adiantou. À medida que a audiência foi caindo, os temas paranormais foram sumindo da história. Novos roteiristas entraram para auxiliar Zavarezzi. As tramas de suspense saíram, o romance ganhou mais destaque, mas o ibope continuou baixo.

Em agosto de 2012, “Malhação” estreou sua atual fase, que mantem a tradição do programa, retratando o dia-a-dia de colegiais, seus namoricos e problemas pessoais e familiares dentro e fora da escola. Com uma cara mais moderna e foco maior em adolescentes, a novelinha enfrenta a baixa audiência atual que assola a TV aberta.

Vidas em Jogo
A autora Cristianne Fridman soube despertar a atenção do público promovendo reviravoltas e pontuando a novela com momentos chave durante os longos onze meses em que a trama esteve no ar. Assassinatos em série, personagens com HIV e viciados em crack e até uma transexual foram o chamariz para despertar a curiosidade do público, que respondeu à altura e manteve a audiência do horário para a Record.

Rebelde
A primeira temporada da novela teen terminou em março de 2012 dando lugar à segunda temporada, que desgastou a grife e fez despencar a audiência. Prejudicada pelas constantes mudanças de horário, a trama apelou para a “vampiromania” e RPG sem sucesso. A crise maior instaurou-se com a estreia de “Carrossel” no SBT, que lhe tomou o posto de segunda colocada na audiência. A autora Margareth Boury acabou deixando a novela antes de seu término. “Rebelde” teve seu fim precipitado e terminou melancolicamente, com brigas e revolta nos bastidores. Apesar dos percalços, é inegável a repercussão junto aos fãs nas mídias sociais e nos shows da banda formada pelos atores da novela.

Empreguetes, Fabian e Chayene no palco, em “Cheias de Charme” (Foto: TV Globo)

Corações Feridos
Os 100 capítulos da novela de Íris Abravanel foram gravados entre março e agosto de 2010. Sua estreia foi sendo protelada, até que finalmente o SBT decidiu desengavetá-la. Puro folhetim, com todos os clichês possíveis do gênero, esta produção do SBT manteve o ranço melodramático da novela xicana original na qual foi inspirada – apesar de elementos nacionais incorporados à trama, como a trilha sonora e ambientações.

Amor Eterno Amor
Elizabeth Jhin apresentou uma trama folhetinesca diluída em um discurso filosófico e doutrinário com temas espiritualistas. Mas, ao impor uma doutrina em detrimento à história romântica, exagerou na dose religiosa, o que levou ao didatismo monótono. A trama ainda se arrastou por meses e a autora só apressou sua história no final. Os maiores destaques foram os vilões vividos por Cássia Kis Magro e Osmar Prado – Melissa e Virgílio.

Avenida Brasil
Um verdadeiro fenômeno de repercussão, a novela de João Emanoel Carneiro virou coqueluche na Internet , provando que a telenovela pode se aliar à rede, e não encará-la como uma concorrente. A “nova classe C” retratada na trama cativou todas as classes. Como em um jogo de certo ou errado, o autor brincou com as nuances simbólicas de ricos e pobres, elaborando uma crítica social muito pertinente. Adriana Esteves se consagrou na interpretação antológica da vilã Carminha, o melhor papel de sua carreira até então. No elenco, bem dirigido, destacaram-se também Débora Falabella, Murilo Benício, Marcello Novaes, José de Abreu, Vera Holtz, e muitos outros.

Avenida Brasil” transgrediu a fórmula do folhetim clássico ao apresentar uma história de vingança em detrimento à história de amor, com uma heroína de personalidade dúbia (Nina). A estética cinematográfica e o ritmo alucinante da trama – sempre com ganchos bombásticos, o que aproximou a novela dos seriados americanos – cativaram o telespectador e fidelizaram a audiência. Lamenta-se apenas que tenha perdido o fôlego na segunda metade para o final. O Brasil parou para assistir ao último capítulo – que chegou a ser noticiado pela imprensa internacional depois que um comício com a presidente Dilma Rousseff foi adiado para evitar a concorrência com o final da novela.

Cheias de Charme
A primeira novela da dupla de autores Filipe Miguez e Izabel Oliveira trouxe de volta o sucesso ao horário das sete da Globo e teve o mérito de tirar proveito da Internet, transformando-a numa poderosa aliada: a novela foi pioneira na ação de transmedia, com o lançamento do clipe das Empreguetes primeiro na rede, depois na novela. A indústria do entretenimento real misturou-se ao entretenimento da ficção, com os cantores da novela dividindo o palco com vários cantores reais. A identidade visual deu o tom que o roteiro exigia.  O colorido dos shows de technobrega inspiraram os cenógrafos, figurinistas e a direção de arte.

Cláudia Abreu brilhou com os figurinos exagerados e a interpretação da desastrosa vilã Chayene, sempre acompanhada de sua “personal curica” Socorro (a revelação Titina Medeiros). Apesar de toda a repercussão, registra-se a perda de agilidade em sua narrativa após o sucesso das Empreguetes como cantoras, a partir da segunda metade da trama.

Máscaras
Problemática atração da Record, a novela de Lauro César Muniz causou estranhamento logo no início: uma direção equivocada e um texto por demais confuso afastaram o telespectador. A emissora viu seu Ibope cair vertiginosamente, o que acabou por deflagrar a pior crise no setor de Teledramaturgia desde que foi renovado, em 2004. A novela teve seu horário de exibição trocado várias vezes, causou desconforto entre elenco e o autor (a atriz Luiza Tomé reclamou publicamente da novela e do autor), e culminou com a troca do diretor e a antecipação de seu término. Parte do elenco divulgou na Internet uma carta em que culpava a mídia pela repercussão negativa da novela. Mas o estrago já estava feito.

Carrossel
Um dos maiores êxitos do ano na televisão, a novela adaptada por Íris Abravanel (a partir do original mexicano) espantou até os dirigentes do SBT, que não esperavam esse sucesso todo. “Carrossel” tornou-se um fenômeno de audiência para os padrões atuais da emissora e lhe devolveu o segundo lugar no horário nobre, desbancando a Record. Novela com público fiel e certo – o infantil -, sua repercussão reflete a carência deste tipo de programação no horário nobre da TV aberta brasileira. A novela conseguiu atrair o público que estava nos canais pagos ou até mesmo longe da televisão.

Na sala de aula de “Carrossel” (Foto: SBT)

Gabriela
A nova adaptação para o romance de Jorge Amado – feita por Walcyr Carrasco – não marcou a história da TV como a primeira versão, de 1975, mas manteve uma boa audiência no horário das onze da noite. Elenco e direção competentes numa produção requintada, desde a abertura até cenários, figurinos, fotografia e a trilha sonora saudosista, que trouxe de volta algumas das músicas da novela da década de 1970. Os bordões “Vou lhe usar” (do Coronel Jesuíno/José Wilker) e “Jesus Maria José!” (de Dona Dorotéia/Laura Cardoso) se popularizaram e viraram memes na Internet. José Wilker e Laura Cardoso foram os grandes destaques no elenco.

Lado a Lado
A novela das seis – de autoria dos novatos João Ximenes Braga e Cláudia Lage – é a melhor atualmente no ar, mas amarga uma baixa audiência desde sua estreia, prejudicada pelo Horário Político e Horário de Verão. Uma trama de época com nuances históricas narrada sem grandes arroubos, retratando um período poucas vezes visto na teledramaturgia. A produção requintada e o elenco afiado parecem pouco para despertar a atenção do telespectador.

Guerra dos Sexos
Este remake da famosa novela de Silvio de Abreu da década de 1980 também sofre na audiência. Se não deslanchou depois de três meses no ar, dificilmente conseguirá. Aos olhos de hoje, a luta das mulheres pela conquista de um espaço na sociedade dominada por homens soa anacrônica. O autor até tirou o foco da disputa entre machistas e feministas, mas a direção optou por uma linha de humor mais ingênuo, que, no ar, soa bobinho demais. Na verdade, “Guerra dos Sexos” mostrou-se ser uma escolha equivocada para um remake.

Balacobaco
A Record antecipou o fim de “Máscaras” e colocou às pressas no ar essa história de Gisele Joras. Mas de nada adiantou. Nem o tom excessivamente popularesco da trama tem chamado a atenção do público. A novela tem uma pegada de comédia, é colorida, repleta de personagens caricatos e tem uma trilha sonora popularíssima. Une elementos de novelas das sete horas da Globo com trilha semelhante à de “Avenida Brasil”. Mas faltam personagens e histórias cativantes. Se “Máscaras” ficou marcada pela repercussão negativa, “Balacobaco”, com uma audiência ainda menor, nem sequer repercute.

Salve Jorge
Com a menor média de audiência da história no horário, a novela de Glória Perez tem enfrentado a rejeição do público e críticas por toda parte, seja pela repetição de temas e elenco, pelo número excessivo de personagens, ou pelas dancinhas e bordões estrangeiros que já não despertam mais tanto interesse como na época de “O Clone”. E a sensação de déjà vu é tão grande que a Turquia da novela parece uma mistura de Marrocos com a Índia.

Mas o inimigo maior de “Salve Jorge” é a novela anterior, “Avenida Brasil”, que acostumou mal o telespectador com uma trama ágil, deixou muitos “viúvos apaixonados” e tem uma grande diferença com a trama de Glória Perez: narrativa e esteticamente falando. O sabor de novidade de “Avenida Brasil” foi substituído por uma novela conservadora e já conhecida do público. Apesar de o tráfico humano abordado na trama ser uma novidade bem vinda.

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“Máscaras”: repercussão negativa foi sua maior inimiga
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Nilson Xavier

O último capítulo da novela Máscaras, da Record (nesta terça-feira, 02/10), foi encerrado com um bonito depoimento de Paloma Duarte, enaltecendo o trabalho do ator, que – nas palavras dela – faz a ponte entre o autor e o público. Ponte essa que – nestes seis meses em que a novela esteve no ar – balançou tanto que quase arrebentou.

Máscaras já começou com o pé esquerdo. Algumas declarações de Lauro César Muniz (o autor), antes da estreia, soaram mal para o público. Máscaras entrou no ar com a fama de não ser uma novela popular – Lauro havia criticado a tendência das novelas da Globo em mirar a tal “nova classe C”.

E, realmente, a estreia causou um grande estranhamento: uma direção equivocada e um texto por demais confuso afastaram o telespectador. Logo em seu início, a novela revelou-se uma atração problemática para a Record, que viu seu Ibope cair vertiginosamente, o que acabou por deflagrar a pior crise no setor de Teledramaturgia da emissora desde que foi renovado em 2004.

Máscaras teve seu horário de exibição trocado várias vezes (por causa da estreia da Fazenda, teve alguns capítulos exibidos após a meia-noite), causou desconforto entre elenco e o autor (a atriz Luiza Tomé reclamou publicamente da novela e do autor), e culminou com a troca do diretor – Ignácio Coqueiro foi substituído por Edgard Miranda – e redução de sua duração – dos 220 capítulos primeiramente pensados, terminou com 116 escritos.

Para tentar apagar o incêndio, juntamente com a troca da direção, Lauro César e seus roteiristas mexeram no texto, para deixá-lo mais digerível ao telespectador médio. Foi quando a novela melhorou significativamente. De fato, Máscaras tinha uma história muito interessante, como tantas outras de Lauro César Muniz. O autor usou entrechos já experimentados anteriormente, como tramas envolvendo organizações criminosas (vide O Salvador da Pátria e Poder Paralelo).

Em julho, parte do elenco divulgou na internet uma “carta de amor à Máscaras”, em que culpava a mídia pela repercussão negativa da novela. Os atores alegavam que a imprensa divulgava apenas os problemas (como a baixa audiência) e não noticiava a qualidade artística da obra, o trabalho e a garra dos atores e roteiristas.

Mas o estrago já estava feito. A tal ponte que Paloma Duarte citou, entre o autor e o público, era frágil demais, estava abalada pela repercussão negativa lá dos primeiros meses, quando faltou, justamente, a tal qualidade artística citada na carta dos atores para a imprensa.

Apesar da significativa melhora no que foi apresentado, o horário ingrato não contribuiu em nada para melhorar este quadro, e Máscaras acabou por amargar uma das piores audiências entre as novelas da Record desde 2004: fechou com 6 pontos na média geral do Ibope (cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo). O último capítulo registrou também 6 pontos, ficando em terceiro lugar (Globo 25,5 e SBT 8,4).

Há de se destacar o ótimo trabalho de Paloma Duarte, que brilhou a novela inteira com sua personagem dúbia e sem nome (Nameless). E o sensível trabalho de Bárbara Bruno, como Zezé, a mãe que não aceitava a perda do filho e convivia com ele em seu imaginário, no fino limite entre o trágico e o cômico.

Na cena mais marcante do último capítulo, o personagem Martim (Heitor Martinez) era morto a tiros por seus inimigos, que atiravam em uma parte de seu corpo por vez. A morte de Martim o fez tombar e do interior da árvore em que estava amarrado saíram pombos brancos, como se a morte do vilão significasse a paz dos protagonistas mocinhos da novela (minha leitura).

Esta cena me fez lembrar a novela Os Gigantes, que Lauro César Muniz escreveu para a Globo em 1979, famosa por ter sido um dos maiores fracassos da emissora. A abertura de Os Gigantes mostrava imagens de uma pomba e da atriz Dina Sfat, que vivia a protagonista, chamada Paloma, que se matou ao final da história pilotando um pequeno avião, em um voo suicida. Estaria Lauro fazendo alguma referência a este seu antigo trabalho, marcado por ter sido tão problemático, como foi Máscaras?


Primeira semana do Horário Político prejudica audiência das novelas
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Nilson Xavier

Com o início do Horário Político na televisão – na terça-feira, 21/08 – todas as emissoras tiveram que fazer um remanejamento em suas grades, alterando o horário de várias atrações. As novelas – algumas, os programas de maior audiência da TV – tiveram seus horários de exibição alterados – começaram mais cedo ou passaram para outro horário. Apenas Gabriela (Globo) e Máscaras (Record) continuam em seus horários originais.

Esta mudança acabou por prejudicar a audiência de algumas novelas da Globo – pelo menos nesta primeira semana, em que o público ainda não acostumou-se com a nova grade. As mais prejudicadas foram Malhação e as tramas das seis e sete horas, Amor Eterno Amor e Cheias de Charme, que começaram por volta de vinte minutos mais cedo – tiveram uma queda significativa no Ibope se comparadas com as semanas anteriores.

Cada ponto no Ibope equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo:

A primeira semana da nova temporada de Malhação – que começou na segunda-feira, 13/08 – registrou 17 pontos no Ibope, mas caiu para 13 na segunda semana, quando entrou o Horário Político. Amor Eterno Amor vinha com uma média semanal de 23 pontos e fechou a média da última semana em 20. Cheias de Charme marcou 32 pontos na semana de 13 a 18 de agosto, e consolidou a semana passada em 28.

Avenida Brasil, às 21 horas – no ar por volta de 10 minutos antes do habitual – registrou uma queda menor, apenas um ponto em comparação com a semana anterior: vinha de 40 e fechou a semana que passou com 39. A queda maior foi de segunda para terça-feira (quando começou o Horário Político): na segunda, a novela cravou 44 pontos, e terça, 38. Mas a audiência foi subindo com o passar da semana.

A novela infantil do SBT, Carrossel - exibida antes às 20h30 e agora às 19h50 – e a novela teen da Record, Rebelde – antes às 20h30 e agora às 21 horas -, mantiveram o público fiel que tinham, apesar da mudança de horário. Carrossel fechou a semana nos 13 pontos (um ponto a menos que a semana anterior), enquanto Rebelde continua com seus 4 pontos habituais.

Gabriela e Máscaras continuam em seus horários originais. Enquanto Máscaras subiu um ponto (fechou em 6 na semana passada) em relação às semanas anteriores, Gabriela, por sua vez, teve uma queda: registrou 18 pontos na semana entre 13 e 17/08, e fechou a última semana com 16 pontos no Ibope.


Elenco de “Máscaras” está correto: a novela melhorou significativamente
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Nilson Xavier

Quando Máscaras estreou, escrevi uma crítica sobre a novela após assistir os seus cinco primeiros capítulos – leia AQUI.

Já no primeiro capítulo, percebi o desacerto entre autores e a direção da trama. Como relato no texto supracitado, era “como se os autores estivessem querendo passar uma mensagem e os diretores não estivessem conseguindo realiza-la à altura”.

A crise instaurou-se em Máscaras e o diretor foi trocado. Mudanças de horário prejudicaram ainda mais a trama. Lauro César Muniz, o autor, prometeu mudar sua novela para conquistar novamente o público.

Nesta segunda-feira (02/07), foi divulgada na internet uma “carta de amor à Máscaras”, assinada por 28 atores do elenco. Nela, os atores reclamavam da mídia, que divulga apenas os problemas da novela (como a baixa audiência) e não noticia a qualidade artística da obra, o trabalho e a garra dos atores e da equipe de roteiristas comandada por Lauro Cesar Muniz.

Leia AQUI o texto do jornalista Mauricio Stycer sobre o assunto, com a carta transcrita na íntegra.

A carta afirma que Máscaras inova e ”quebra com os clichês das novelas convencionais” e isto não é divulgado pela mídia, e que “não é justo que essa inovação, essa ousadia, não fique registrada”. Analisemos cada um dos exemplos desta inovação citados na carta (item 3 da carta):

1. Apresenta um galã dúbio, que tanto pode ser bom ou mau caráter, sem heroísmo romântico;

Lauro César Muniz já apresentara galãs dúbios desde Escalada (na década de 1970) e Roda de Fogo (na década de 1980). Cidadão Brasileiro e Poder Paralelo, suas duas últimas novelas (na Record) também tinham. Outros autores também criaram heróis dúbios, como Dias Gomes, Bráulio Pedroso e Janete Clair.

2. Vilões que se apaixonam, cujas ações são misturadas com humor e atitudes paradoxais, sem maniqueísmos;

Várias novelas, há muito tempo, têm vilões com essas características. A própria Carminha de Avenida Brasil, por exemplo, ora é perversa, ora demonstra amor pelo filho, ora é engraçada, etc.

3. Um casal que tem um filho imaginário, uma metáfora, algo inexistente em novelas;

Realmente inédito!

4. Personagens com tesão explicita e realizada, fugindo aos padrões antigos de comportamento;

Um vídeo com uma cena entre Flavia Monteiro e Nicola Siri até virou piada na internet recentemente, o “Você quer Me Ter?”. Acho que representa bem esse item. Assista AQUI (link do Youtube).

5. Um retrato político do capitalismo selvagem internacional, ao mostrar uma organização com interesses em propriedades de outra nação, como acontece com o petróleo do Oriente Médio, ou a loucura dos investidores da bolsa americana, em sua ambição desenfreada, levando o mundo a uma crise imensa.

Lauro já tratou dessas “organizações internacionais” em novelas como O Salvador da Pátria e Poder Paralelo.

Ou seja, não vejo nada de muito “inovador” no que foi citado, pois existem vários exemplos de novelas – dentro e fora da própria Record – que abandonaram o maniqueísmo folhetinesco e apostaram em tramas mais naturalistas.

Assisti ao capítulo de Máscaras exibido nesta segunda-feira. Por este capítulo isolado, e pelo que afirmei acima, também não vi muita inovação na trama. Todavia, é notório que Máscaras melhorou muito. Realmente é outra novela. A direção (agora a cargo de Edgard Miranda) está segura, acompanhada de trilha sonora apropriada e uma iluminação eficiente. Diferente do início, em que a direção, trilha e fotografia eram absolutamente equivocadas.

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A direção de atores também é bem superior. O capítulo apresentou uma cena ótima entre Míriam Freeland e Petrônio Gontijo. E Fernando Pavão, que vive o protagonista, está bem mais seguro e convincente em seu papel. A trama me pareceu mais clara, sem aquela nuvem de dúvidas inicial que a deixava confusa.

Enfim, vendo apenas um capítulo já dá para sentir que a novela melhorou. Mas, seria necessário, ao menos, uma semana inteira para sentir algo realmente inovador na estrutura da trama. Prometo que voltarei ao assunto.

Em tempo, no início de junho escrevi um texto sobre o profissionalismo da equipe de Máscaras, elogiando o autor em sua tentativa de salvar a novela. Leia AQUI.


Crise em “Máscaras” mede o profissionalismo dos envolvidos
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Nilson Xavier

A crise pela qual passa a produção da novela Máscaras não é boa para ninguém – nem para a emissora, nem para a produção da novela, nem para o público. Constantes mudanças de horário na grade impossibilitam a fidelidade da audiência. O roteiro precisa estar à altura do telespectador, e a história, adequada ao que o ele espera – quando o autor está disposto a isso, claro. A direção, o elenco, os roteiristas e a produção tem que estar afinados para o bom andamento dos trabalhos.

Nenhuma telenovela, independente da emissora, está livre de encontrar percalços pelo caminho, seja na produção ou na receptividade do público. São dignos de elogios os esforços de Lauro César Muniz e seus colaboradores – bem como diretores, elenco e toda a equipe de produção – em seguir com a novela na tentativa de melhores resultados na questão da receptividade.

O profissionalismo se mede nesses momentos de crise. Aliás, esta é uma máxima que cabe para a televisão bem como para qualquer área de atuação. Pudera Máscaras seguir seu curso normal sem tropeços e ficar no ar por um ano (sua meta original) – teria assim garantido emprego por um ano a todos os profissionais envolvidos nesse projeto. Profissionais que, provavelmente, dão graças a Deus de ter mais uma novela no ar permitindo trabalho a técnicos, atores e a todos os envolvidos, direta ou indiretamente.


“Máscaras” acerta no roteiro mas erra na realização
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Nilson Xavier

O que se viu até agora de Máscaras – a nova trama da Record, que estreou semana passada – justifica o seu título. A novela é enigmática, mascarada mesmo! Mas confunde mais do que desperta curiosidade. Lauro César Muniz já afirmou que seus personagens são mascarados, e parece que vai levar isso às últimas consequências. O autor usa de um recurso perigoso: o de não entregar a história de cara. Não que isso seja ruim, mas na realização – que é feita pela direção da novela – pode acabar confundindo o telespectador desatento e afastá-lo.

Nota-se que Lauro e Renato Modesto – o co-autor – não perdem tempo. Eles são incisivos no drama dos protagonistas e impregnaram a trama com um clima pesado desde a primeira cena. Maria – vivida por Miriam Freeland, a melhor do elenco até agora – é uma mulher com tensão pós-parto que, supostamente, tentou matar o filho. Logo em seguida, teve seu bebê raptado, para depois ela ser raptada. O marido e o irmão de Maria se acusam mutuamente. Mas, quem está dizendo a verdade? Maria? Otávio, o marido (Fernando Pavão)? Martim, o irmão (Heitor Martinez)? Todos ou nenhum?

E se por trás deste suposto drama familiar estiver uma organização internacional mal intencionada? Intriga internacional e teorias da conspiração já foram abordadas por Lauro César Muniz em novelas como Poder Paralelo (2009-2010) e O Salvador da Pátria (1989). Em Máscaras, já ficam claras as intenções do autor de repetir essa temática, com personagens situados fora do país, como Martim, a prostituta Manu (Gisele Itié) e a personagem de Paloma Duarte, a que não ousa dizer seu nome.

Percebe-se, entretanto, que existe um desacerto entre os autores e a realização da novela. Fotografia, trilha sonora, cenários e elementos de cena destoam do que os personagens falam. Explico: é como se os autores estivessem querendo passar uma mensagem e os diretores não estivessem conseguindo realiza-la à altura. O texto de Lauro César Muniz é certeiro, irônico e inteligente. Mas a impressão que se tem é que ele não encontrou na produção da novela um ambiente propício para causar o efeito que propõe.

A cena do jantar em que Valéria (Bete Coelho) reúne os amigos para anunciar o “descasamento” com o marido, Gomide (Henri Pagnocelli), poderia ter sido ótima, se não fosse tão mal realizada. Sabemos que são vários atores experientes em cena, o elenco é bom. Mas a direção fez tudo parecer capenga. O mesmo para as cenas que se seguiram, em que as mulheres ficam sozinhas, em especial a que Sônia (Bruna di Tulio) tira a peruca e avisa a todas que está com uma doença terminal. São cenas longas, declamadas, sem trilha sonora, que tornam os diálogos cansativos.

A novela está lenta e existe um claro desacerto entre os autores e a produção. Mas ainda é cedo para afirmar que paira no ar uma sombra negra de Os Gigantes. Tem muito chão pela frente, muita história para rolar e tudo pode mudar. Inclusive a abertura – fica a dica!