Blog do Nilson Xavier

Arquivo : outubro 2012

“Avenida Brasil”: uma tragédia grega no subúrbio carioca
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Nilson Xavier

O Divino é aqui

Muito já foi falado e muito já se especulou sobre o fenômeno da repercussão de Avenida Brasil, a novela que terminou na sexta-feira (19/10). Não existe uma resposta apenas. Costumo dizer que esse sucesso todo se deve a uma soma de fatores muito positivos. Não vou discorrer sobre o que já foi fartamente discutido, sobre o que todos já sabem. É lógico que Avenida Brasil tinha uma direção espetacular – cinematográfica, em cenas, tomadas e fotografia – e de elenco – um grupo de atores brilhantes que, aliados ao bom texto, deram vida a vários personagens carismáticos e de forte apelo popular.

Avenida Brasil é um exemplo raro de nossa televisão da “novela certa na hora certa”. Não houve na história recente deste país uma telenovela que aproveitou tão bem a situação socioeconômica para refletir na tela um retrato pitoresco de nossa realidade contemporânea. Pode-se dizer que o fictício bairro do Divino é um microcosmo do Brasil e foi responsável por toda essa catarse que levou diariamente milhões de brasileiros à frente da TV e que repercutiu nas ruas e na Internet. Mais uma vez – como em poucos exemplos em nossa Teledramaturgia – o brasileiro se viu refletido na telenovela.

A “nova classe C” retratada na trama fisgou todas as classes. Como em um jogo de certo ou errado, o autor brincou com as nuances simbólicas de ricos e pobres, elaborando uma crítica social muito pertinente, seja através da grã-fina da Zona Sul que faz pouco caso da figura do suburbano, ou no velho-pobre novo-rico que zomba do velho elitismo. Da língua ferina de Verônica (Débora Bloch) ouvimos todo o discurso preconceituoso contra pobres que as regras do politicamente correto nos brecam. Ao mesmo tempo em que Carminha (Adriana Esteves) debochou ao fazer pouco caso dos pratos refinados da chef Nina (que ganhou um apelido pejorativo: Maria Antonieta), e do intelectualismo tardio de Tufão (Murilo Benício) – que lia livros indicados por Nina (Débora Falabella).

“TV vs. Internet” ou “TV + Internet”?

A telenovela sempre acompanhou a evolução da sociedade, seja apresentando temas da ordem do dia, seja aglutinando as novas tecnologias que foram surgindo, ou aliando-se a elas. A Internet já foi vista como um bicho-papão da televisão (como outrora se acreditou que a TV seria uma ameaça para o cinema). Com Avenida Brasil ficou mais do que provado que a Internet pode ser uma aliada da telenovela. Se antigamente a novela em tempo real era discutida apenas no âmbito familiar, hoje em dia ela tem o poder de unir todas as famílias para acompanhar juntas as emoções e discutir em tempo real o que acontece na telinha.

Avenida Brasil foi a primeira novela coqueluche da Internet. Que o digam os memes referenciando a trama, a cascata diária de “oioiois” no Twitter e as inúmeras charges engraçadinhas no Facebook. Hoje já não se espera mais o dia seguinte para comentar a novela com o vizinho. É tudo em “real time”, como se o telespectador fosse à janela gritar para os vizinhos o que achou de determinada cena. Avenida Brasil conseguiu reunir todas as noites milhões de brasileiros, ávidos em compartilhar opiniões, em um mesmo sofá, virtual. Os números do Ibope ainda interessam ao mercado. Mas a repercussão na Internet tem uma função maior: é formadora de opinião, tão influenciável quanto os velhos “group discussions” entre donas de casa organizados pelas emissoras.

Perda de agilidade e furos

Como se para atender a todos os públicos, Avenida Brasil reuniu vários estilos de dramaturgia em só produto. Transgrediu a fórmula do folhetim clássico ao apresentar uma história de vingança em detrimento a uma história de amor. Apresentou uma heroína torta, de personalidade dúbia: Nina foi capaz de roubar e enganar para atingir seus objetivos. A estética da novela a aproximou do cinema. A linguagem narrativa fez lembrar os seriados americanos. Os ganchos bombásticos cativaram e mantiveram o telespectador preso à trama – ainda não existe melhor maneira de fidelizar a audiência.

O ritmo alucinante da primeira metade de Avenida Brasil assustou o público: “uau, que novela é essa?”. Lamenta-se apenas que a trama tenha perdido o fôlego na segunda metade para o final. Não houve “barriga” (aquele parte da novela em que nada acontece), haja vista os ganchos sempre fortes. Mas a história começou a dar voltas, a patinar, a enrolar o público. Foi quando se deflagrou o maior problema da novela: Nina ignorou métodos modernos de armazenamento de informações (naquela história toda do pendrive) e atitudes incoerentes e furos no roteiro não passaram despercebidos nem pelo telespectador mais distraído.

“É tudo culpa da Riiita”, diria Carminha. É culpa do roteiro, disseram os telespectadores. É culpa das mídias sociais, que não deixam escapar nada, diriam os donos da novela. A legião apaixonada de fãs de Avenida Brasil não perdoa quando se sente subestimada. A internet tem esse poder: derruba uma obra com a mesma força que enaltece.

O último capítulo

A história de Avenida Brasil terminou na semana em que Nina foi vingada (através de Max) e Carminha foi expulsa da mansão de Tufão. Pelo menos a história apresentada desde o início da novela, a da vingança de Nina contra Carminha. Pena que Nina não esteve de corpo presente na sequência em que Carminha caiu em desgraça. Nina acendeu a pólvora e Max levou o pavio para explodir na casa de Tufão.

A última semana de Avenida Brasil serviu como epílogo da novela. Com uma semana para terminar, vimos novos entrechos virem à tona. O assassinato de Max explicou a origem dos personagens do lixão e os elos que os ligavam. O batido clichê do assassinato incomodou. Mas, na realidade, saber quem matou Max foi apenas o pano de fundo para explicar a origem da “família Lixão”.

De repente, Carminha despiu-se de suas roupas brancas (a máscara havia caído, ela não tinha mais a quem enganar, podia vestir cores escuras tal qual sua alma) e começou a agir de uma forma que não estávamos acostumados. Aquela não era a velha Carminha, arrogante, má, despudorada, debochada, que havia conquistado fãs. Causou estranhamento. Principalmente quando ela começou a dar indícios de que havia se regenerado. É quando aparece um novo vilão: Santiago (um Juca de Oliveira muitos tons acima) – um falso Gepeto que sugeria ter molestado o Pinóquio.

O último capítulo desconcertou quem esperava o retorno da Carminha má e o gran finale entre Nina e a megera. A princípio, pareceu pouco criativo, ou lógico demais, Carminha ter salvado Tufão e Nina da morte e se revelado a assassina de Max. Mas o tom de tragédia grega – que o autor mesclou tão bem com a caricatura do suburbano brasileiro – pedia um desfecho digno de toda esta resignação de Carminha. O autor não fez dela uma mártir, do tipo que salva a vida do amado se pondo em frente da bala. Nem lhe reservou a insanidade mental para justificar seus atos. Ou simplesmente a trancafiou em uma cela para dar a história por terminada. Carminha cumpriu pena, voltou para o lixão e teve o embate final com Nina. Sem gritaria e palavrões. Apenas com o olhar atravessado das relações mal resolvidas.


“Quem matou” pode finalmente revelar o vilão de “Avenida Brasil”
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Nilson Xavier

O “quem matou” é um recurso existente na telenovela desde a década de 1960. Alguns ficaram clássicos, como o “quem matou Salomão Hayalla”, de O Astro (1977-1978), e o “quem matou Odete Roitman”, de Vale Tudo (1988-1989).

De um tempo para cá, o “quem matou” tornou-se um estratagema recorrente para autores que querem dar um “up” na trama em sua reta final e assim despertar a audiência adormecida para a sua novela. Gilberto Braga fez uso do recurso em todos seus trabalhos desde a minissérie Labirinto, de 1998 (nas novelas Força de um Desejo, Celebridade, Paraíso Tropical e Insensato Coração).

Hoje, o público geralmente associa o “quem matou” à falta de criatividade do autor ou para chamar a atenção da audiência. O telespectador mais acostumado às artimanhas rocambolescas de nossos folhetins já vê o “quem matou” com certa resistência: lá vem mais um!

Em sua reta final, Avenida Brasil fez uso de um “quem matou” que já vinha sendo anunciado há algum tempo. A bola da vez é o mau caráter Maxwell (Marcello Novaes), morto no capítulo de quinta-feira (11/10). A trama de João Emanuel Carneiro precisava de tal recurso?

Um fenômeno de repercussão e audiência, Avenida Brasil, desde o início, angariou uma legião de fãs que se acostumaram a uma novela ágil, cheia de reviravoltas e ganchos surpreendentes a cada capítulo. Logo, não acho que o “quem matou Max” foi para alavancar audiência, muito menos falta de criatividade dos roteiristas.

Faltando uma semana para acabar, Avenida Brasil não tinha mais história para contar. Nina estava vingada e Carminha, desmascarada, caiu em desgraça. Quais nós restam ser desatados neste novelo? Talvez os que envolvam os personagens do lixão: o passado que une Max a Carminha (Adriana Esteves), a Mãe Lucinda (Vera Holtz), a Nilo (José de Abreu) e a Santiago (Juca de Oliveira).

O assassinato de Max vem para elucidar e justificar o comportamento destes personagens. Existe uma história em Avenida Brasil que ainda é mistério para o telespectador – que conhece apenas a trama que começou lá atrás, com a pequena Rita (Mell Maia), e avançou para o envolvimento de Carminha com a família de Tufão (Murilo Benício) até a atualidade.

Agora o público sabe que o começo desta história toda vem de muito antes. O desfecho do crime pode finalmente revelar quem é o vilão e quem é o mocinho deste folhetim.


“Avenida Brasil” bate recorde de audiência semanal
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Nilson Xavier

Avenida Brasil bateu seu recorde de audiência para um capítulo de sábado: prévia de 42 pontos no Ibope (cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo), em 06/10. A semana que passou registrou ainda a maior audiência semanal que a novela teve. Veja os números:

Seg 45 – Ter 42 – Qua 43 – Qui 46 – Sex 43 – Sab 42 = 43,5

Faltando apenas duas semanas para o seu término, apesar de toda a repercussão, Avenida Brasil ainda não bateu a audiência da trama antecessora no horário, Fina Estampa (que fechou com uma média geral de 39 pontos). Mas, ao que tudo indica, Avenida Brasil pode chegar lá. Até o momento sua média geral é 38 pontos.

No capítulo deste sábado, Carminha (Adriana Esteves) descobriu que Max (Marcello Novaes) está vivo. Para se vingar da megera, ele a amarrou no canil, entregou uma caixa para Ivana (Letícia Isnard) e saiu da mansão do Divino mandando uma banana para a família de Tufão (Murilo Benício), enquanto Ivana descobria as fotos de Carminha e Max.

O capítulo de segunda-feira promete!


Relembre os flagrantes de adultério mais marcantes das novelas
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Nilson Xavier

Nesta terça-feira, 07/08, foi ao ar a cena de Gabriela em que o Coronel Jesuíno Guedes Mendonça (José Wilker) flagra a mulher, Sinhazinha (Maitê Proença), na cama com o amante, o dentista Osmundo (Érik Marmo). Alertado pelas beatas da cidade, o coronel invadiu a casa do rapaz e não pensou duas vezes: lavou a honra com sangue.

Na própria Gabriela, mais para frente, será a protagonista (Juliana Paes) – que vai cair na lábia do sedutor Tonico Bastos (Marcelo Serrado) – a ser flagrada por Nacib (Humberto Martins) – tal qual acontecera na versão original da novela, com personagens vividos por Sônia Braga, Fúlvio Stefanini e Armando Bógus, respectivamente.

Ontem também, na trama das nove, Avenida Brasil, Carminha (Adriana Esteves) – ela mesma traidora do marido – deu um flagra no amante, Maxwell (Marcelo Novaes), aos amassos com sua arqui-inimiga, Nina/Rita (Débora Falabella), garantindo assim a congelada da dupla (aquele efeito de final de capítulo).

“Eu posso explicar!” / “Não é nada disso que você está pensando!”

Flagrantes de adultério são até corriqueiros em novelas. Gilberto Braga é um dos autores que mais se apropria do recurso. Um dos melhores flagras da história de nossas novelas aconteceu em Vale Tudo (1988), quando Afonso (Cássio Gabus Mendes) adentrou o apartamento do mau caráter César (Carlos Alberto Riccelli) e encontrou sua mulher, Fátima (Glória Pires), na cama dele (vídeo abaixo, a partir dos 8 minutos).

Outros flagrantes em novelas de Gilbeto Braga:

Dono do Mundo (1991): Aqui, Glória Pires esteve do outro lado: foi sua personagem, Stella, quem flagrou o marido sacana, Felipe Barreto (Antônio Fagundes), na cama com outra mulher (Letícia Sabatella).

Pátria Minha (1994-1995): o vilão Raul Pelegrine (Tarcísio Meira) pegou a mulher, Tereza (Eva Wilma), deitada com Rafael (Fúlvio Stefanini).

Celebridade (2003-2004): dois flagrantes que merecem citação: Beatriz (Débora Evelyn) em Fernando (Marcos Palmeira), na cama com Maria Clara Diniz (Malu Mader); e Renato Mendes (Fábio Assunção) na mulher, Laura (Cláudia Abreu), deitada com Bruno (Sérgio Menezes).

Paraíso Tropical (2007): Ana Luísa (Renée de Vielmond) pega o marido, Antenor (Tony Ramos), na cama com a amante, Fabiana (Maria Fernanda Cândido).

Insensato Coração (2011): Raul (Antônio Fagundes) dá um flagrante na mulher, Wanda (Natália do Valle), nos braços do irmão dele, Humberto (José Wilker).

Outros flagras notáveis:

Tieta (1989-1990): Perpétua (Joana Fomm) pega o filho, Ricardo (Cássio Gabus Mendes), na cama com a própria irmã, Tieta (Betty Faria) – portanto tia do rapaz. Perpétua fica cega com a cena (vídeo abaixo).


O Cravo e a Rosa (2000-2001): O submisso Cornélio (Ney Latorraca) cansou de ser feito de gato e sapato pela mulher, Dinorá (Maria Padilha), e deu um flagra nela nos braços do amante, Celso (Murilo Rosa).

Quatro por Quatro (1994-1995): O mecânico Raí (Marcelo Novaes) nem teve o que explicar quando a noiva, Babalu (Letícia Spiller), o flagrou com outra mulher (vídeo abaixo).


Belíssima (2005-2006): O caso de Júlia Assumpção (Glória Pires) foi grave: flagrou o marido, André (Marcelo Antony), deitado com a filha dela, Érica (Letícia Birkheuer).

A Próxima Vítima (1995): No dia de seu casamento, Diego (Marcos Frota) pega a noiva, Isabella (Cláudia Ohana), na cama com o tio dela, Marcelo (José Wilker), e lhe dá uma surra que entrou para a história (vídeo abaixo, a partir dos 5 minutos).


A Favorita (2008): Dois flagrantes se destacaram: nos flashbacks que explicam a história, Marcelo (Flávio Tolezani) pegou a mulher, Flora (Patrícia Pillar), com o amante, Dodi (Murilo Benício); e – mais adiante – Elias (Leonardo Medeiros) deu um flagrante na  mulher, Dedina (Helena Ranaldi), com seu amigo, Damião (Malvino Salvador).

Cite outros casos que você lembra! ;)


Sequestro de Carminha empolga e movimenta a trama de “Avenida Brasil”
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Nilson Xavier

Que Avenida Brasil é uma novela bastante movimentada, todos já perceberam. O autor, João Emanuel Carneiro, brinda seu público com um arsenal inesgotável de novidades a cada capítulo. Há mais de um mês no ar, a trama tem prendido a atenção do público e surpreendido pelos ótimos ganchos – aquele suspense ao final do capítulo que desperta a curiosidade no público em acompanhar a trama no dia seguinte. E novela se faz disso mesmo, afinal são os ganchos que mantem o telespectador preso à história por meses a fio.

Mas, o que se viu na última semana vai além de ótimos ganchos. Toda a trama do sequestro de Carminha (Adriana Esteves) tem rendido elogios nas redes sociais a João Emanuel, ao elenco e à direção da novela. Não por acaso, várias hashtags (palavras-chave) com nomes dos personagens envolvidos nessa trama sempre figuram entre os Trending Topics do Twitter (os itens mais comentados) no momento da exibição da novela.

O falso sequestro – que acabou virando um sequestro real na história – já dura uma semana, desde que Max (Marcello Novaes) sugeriu a Carminha forjar o sequestro dela para conseguir dinheiro de Tufão (Murilo Benício). De lá para cá, a novela empolgou com sequências eletrizantes, reviravoltas surpreendentes e atuações irrepreensíveis do elenco.

O texto afiadíssimo do autor na boca de Adriana Esteves faz a alegria do público, que se diverte com as tiradas impagáveis da vilã Carminha. Adriana e Marcello Novaes conseguem, nas cenas mais fortes, transmitir toda a tensão pela qual passam seus personagens. A direção – segura, competente – ajuda muito. E os atores coadjuvantes que participam do sequestro também se destacam.

Rodrigo Rangel vive Moreira, o violento agiota para quem Max deve dinheiro, chefe dos sequestradores. O ator teve cenas fortes e emocionantes com Adriana Esteves e liderou os TT´s do Twitter algumas vezes. Seus comparsas no sequestro são Tubarão (Breno de Filippo), um tipo “devagar”, e Serjão (Vicentini Gomez), o medroso. Tem ainda a figura propositalmente inóspita do detetive Zenon (Mário Hemetto), um policial aposentado que Leleco (Marcos Caruso) levou à família de Tufão para investigar o caso sem a presença da polícia.

Toda essa trama do sequestro movimenta a história de Avenida Brasil e mostra que, com apenas um mês no ar, o autor dá provas do fôlego que sua trama tem para os próximos cinco, seis meses. Que continue com muitos ganchos empolgantes, desses que nos fazem correr para frente da TV na hora da novela – sonho dourado de todo novelista e de toda emissora de televisão. E de todo noveleiro.