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Arquivo : Melissa

Discurso doutrinário fez “Amor Eterno Amor” parecer uma novela de autoajuda
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Nilson Xavier

Amor Eterno Amor, a novela das seis da Globo que terminou na sexta-feira (07/09), apresentou uma trama folhetinesca diluída em um discurso filosófico e doutrinário que a deixou com cara de “novela de autoajuda”. Para intensificar seu caráter religioso, o maniqueísmo – representado pela luta do bem contra o mal – esteve onipresente durante toda a trama. Os maus, extremamente maus: Melissa (Cássia Kis Magro) parecia uma bruxa de desenho animado, inclusive na caracterização – o que deixou a personagem até bastante interessante. Os bons, tão bons e politicamente corretos que soaram chatos – o que dizer de Clara, a clarividente menina vivida por Klara Castanho?!

De um lado, os representantes do mal, o “lado negro da força”. Do outro, os mocinhos, que difundiam temas espiritualistas – na verdade um mix de teorias filosóficas recheadas com kardecismo, fenômenos paranormais, crianças índigo, vidas passadas, sessões de regressão, clarividência, experiência de quase morte, anjos, mantras, rezas, e toda uma sorte de assuntos esotéricos impostos ao telespectador de forma didática e unilateral. A autora limitou-se a apresentar os temas, mas a discussão aprofundada não interessou à trama da novela. Tanto que o personagem cético, o médico Gabriel (Felipe Camargo) – que deveria representar o contraponto com as filosofias difundidas -, sucumbiu ao discurso religioso da novela ao final.

Qual o problema disso tudo? Nenhum, a partir do momento em que as filosofias apresentadas na história trabalhem em prol da trama folhetinesca da novela. Amor Eterno Amor até que teve uma história de amor bem amarrada e coerente. O “amor que transcende a vida” é um clichê batidíssimo, mas inegavelmente irresistível. Misturar religião com romance pode ser uma boa receita: quando bem feito, cativa o telespectador mais sensível.

Mas Elizabeth Jhin exagerou na dose religiosa de sua novela. Impor uma doutrina em detrimento à história romântica pode levar ao didatismo monótono. E foi o que se viu em algumas sequências. Esta é a principal diferença entre Amor Eterno Amor e a novela anterior de Jhin, Escrito nas Estrelas, de 2010, onde, ao contrário, a religião serviu apenas de pano de fundo para a trama central. O principal problema de novelas que levantam bandeiras religiosas é quando a discussão é unilateral. Pode agradar alguns, pode não agradar a todos.

Lamenta-se também a morosidade com que as tramas foram desenvolvidas. A autora levou a metade da novela para apresentar a antagonista no amor entre os mocinhos Rodrigo e Míriam (Gabriel Braga Nunes e Letícia Persiles). Antes da chegada da falsa Elisa (Mayana Neiva), o empecilho para o romance do casal era Valéria (Andreia Horta), mas um conflito que nem existia, já que Rodrigo não era apaixonado por ela. Elisa representou de fato uma ameaça para o amor dos protagonistas e foi a partir daí que a novela começou a andar.

Mas a chegada de Elisa/Amparo não quer dizer que Amor Eterno Amor tenha ganhado agilidade. A novela das seis só apressou sua história no último mês de exibição. Não apenas a trama principal, mas a novela como um todo. Os meses que antecederam foram passando e as tramas paralelas patinaram junto com a história central, o que afugentou o telespectador acostumado às tramas ágeis das novelas das sete e nove horas (Cheias de Charme e Avenida Brasil).

O elenco merece alguns destaques. Elogiar Cássia Kis Magro virou lugar comum. A atriz se reinventa de uma forma impressionante a cada papel. Também um trabalho muito curioso de Osmar Prado, como Virgílio, mais um tipo inusitado na carreira do ator. Os embates entre Melissa e Virgílio (“Dana Miliiiçaaa!”) eram incríveis. Grande momento da veterana atriz Denise Weinberg, como Angélica, a sofrida mãe de criação de Rodrigo. Daniela Fontan iluminou a novela com sua matuta Gracinha, uma personagem deliciosa. Andréia Horta viveu um de seus melhores trabalhos em TV, como a passional Valéria. E a ótima Vera Mancini também merece citação, apesar de sua Carmem ter diminuído a partir da segunda metade da trama.

A ótima direção da equipe de Rogério Gomes, aliada à bela fotografia com imagens do Pará também foram um diferencial. Pena que o Pará sumiu da novela quando todo o núcleo do Marajó migrou para o Rio de Janeiro e foi parar no Edifício São Jorge – onde havia um núcleo que tentou fazer humor, sem sucesso.

A audiência manteve-se mais ou menos dentro do esperado, similar às novelas anteriores no horário. A repercussão nas redes sociais foi fraca: apenas o primeiro capítulo teve hashtags (palavras-chave) entre os TT´s do Twitter (Trending Topics, os assuntos mais comentados).

Elizabeth Jhin prometeu uma trilogia de “novelas espiritualistas”. Esperamos que a próxima seja mais Escrito nas Estrelas e menos Amor Eterno Amor.


Visual exótico, caneca e telefone de Cassia Kis fazem sucesso na novela das 6
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Nilson Xavier

A brilhante presença em cena de Cassia Kis Magro faz a maior diferença em Amor Eterno Amor. A atriz é o maior destaque da novela das seis da Globo. Cássia encarna a malévola vilã Melissa. Pérfida, vil, invejosa e diabólica, ela é capaz de qualquer coisa para atingir seus objetivos. Só não é capaz de se privar de seu look estiloso, nem mesmo quando dorme.

O que seria da performance de um ator sem a caracterização de seu personagem? Melissa que o diga. Da mesma forma que a Dulce de Morde e Assopra (a novela anterior de Cassia) não seria a mesma sem aqueles dentes estragados, Melissa não seria ela sem a série de itens e acessórios, elementos de cena, figurinos e maquiagem que compõe o visual exótico da personagem.

Socialmente, Melissa usa roupas chamativas com acessórios em abundância, como colares, pulseiras e anéis. A inspiração para o figurino vem das editoras de famosas revistas de moda internacionais, e vão do clássico às estampas de oncinha e zebrinha. Juntam-se cintos, bolsas de grife e sapatos plataforma. Também maquiagem pesada, sombra marcando os olhos e batom e esmalte em cores poderosas.

O mais interessante é perceber que Melissa não cai no estereótipo  da “perua”. Pelo contrário. Apesar de exagerada, a vilã é sofisticada e estilosa. A figurinista Natália Duran afirmou que a maioria dos modelitos da personagem foi adquirida em brechós em Belo Horizonte.

A peruca estilo chanel complementa o look da vilã, que pode ou não vir acompanhado dos óculos de grau redondos e gigantes. Os óculos são do tipo fundo de garrafa e dão um ar pitoresco à personagem. O visual lembra a atriz americana Linda Hunt e a personagem Edna Moda, do filme de animação Os Incríveis (Edna, por sua vez, foi inspirada em Edith Head, figurinista da Hollywood clássica).

Em casa, Melissa é mais discreta, mas não menos estilosa. Ela tira a peruca – o que deixa à mostra os cabelos grisalhos em desalinho – mas não se priva da maquiagem pesada. O robe roxo lhe dá um ar de bruxa medieval – a inspiração vem de Malévola, a bruxa da Bela Adormecida de Disney.

Muito da composição de um personagem se deve à experiência do ator. Cássia já afirmou que vários dos elementos que compõe Melissa são contribuições suas. O robe roxo, ela mandou fazer especialmente para a novela. A atriz trouxe de uma viagem à Londres a caneca ensanguentada com a qual aparece quase diariamente em cena. Cassia comprou a caneca numa loja no The Globe, o teatro de Shakespeare.

Os itens de Melissa mais desejados pelos telespectadores são a tal caneca com sangue e o pop-phone que a personagem usa em casa. Trata-se de um telefone de gancho (daqueles antigos) usado para acoplar ao celular. Pode ser facilmente encontrado à venda na Internet.

O visual de Melissa e os elementos de cena que a cercam sugerem uma leveza à personagem ao mesmo tempo em que intensificam os traços fortes de sua personalidade maléfica. Melissa é a bruxa do século XXI, tão estilosa quanto uma bruxa poderosa de contos de fadas medievais.


Perto do fim, “Amor Eterno Amor” começa a dar sinais de agilidade na trama
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Nilson Xavier

Faltando pouco menos de um mês para seu término, Amor Eterno Amor – o folhetim das seis da Globo – começa a dar sinais de alguma agilidade para fechar suas histórias. Agilidade esta que faltou ao longo de seus cinco meses de apresentação.

A trama de Elizabeh Jhin arrastou-se por esse tempo todo sem se preocupar com grandes viradas ou ganchos bombásticos. A história resumiu-se à procura de Rodrigo (Gabriel Braga Nunes) por sua amada de infância, Elisa, que acabou arremessada em sua vida por uma armação da vilã Melissa (Cássia Kis Magro) – ela providenciou uma falsa Elisa (Mayana Neiva) para engabelar o rapaz. E, no final das contas, Elisa esteve sempre ao seu lado: era a mocinha Míriam (Letícia Persiles), reencarnação da menina da infância de Rodrigo – que na verdade era o espírito de uma criança que lhe fazia companhia.

Espiritualismo demais e folhetim de menos

A autora já tentara a fórmula “trama folhetinesca + espiritualismo” em sua novela anterior, Escrito nas Estrelas, de 2010. Desta vez, Jhin inverteu a ordem: Amor Eterno Amor foi uma trama espiritual por excelência, em que o folhetim acabou ficando em segundo plano.  Talvez aí a explicação para a maior repercussão de Escrito nas Estrelas quando comparada com Amor Eterno Amor.

Desta vez, a autora foi mais longe no espiritualismo: impôs uma doutrina em detrimento à história romântica – e, consequentemente, acabou por cair no didatismo. Ivani Ribeiro, em sua A Viagem (Tupi, 1975-1976 / Globo, 1994) – um marco espiritualista da nossa teledramaturgia – teve a cautela de primeiro fisgar o público pela história folhetinesca para, aos poucos, inserir a doutrina kardecista na trama.

Elizabeth Jhin soube fazer isso muito bem em Escrito nas Estrelas, mas pecou ao inverter a ordem dos fatores em Amor Eterno Amor - que só não naufragou no marasmo por conta da ótima produção e direção e do talento de alguns atores do elenco, como Cássia Kis Magro e Osmar Prado.

Impor uma doutrina espiritualista afugenta quem não está muito disposto a ser doutrinado. A não ser quando o bônus é uma história realmente cativante.

Saiba mais sobre Amor Eterno Amor no site Teledramaturgia.


Tramas com vingança e paternidade desconhecida são destaques em três novelas da Globo ao mesmo tempo
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Nilson Xavier

Vingança e paternidade desconhecida são dois clássicos do folhetim. Também: amores impossíveis por causa de famílias inimigas ou de classes sociais diferentes, sósias em que um toma o lugar do outro, ou gêmeos de personalidades opostas. Estão sempre nas novelas dando aquela sensação de déjà vu. Mas é a maneira de contar uma história repetente o que diferencia uma trama da outra – e o que faz com que os telespectadores caiam sempre na mesma história.

Coincidentemente, três novelas da Globo estão atualmente explorando os batidos filões da vingança e da paternidade desconhecida.

“Vingança, minha filha! Vingança!”
Quatro amigas na cadeia selam um pacto contra os homens que as fizeram sofrer.
(Quatro por Quatro, 1994)

Em Avenida Brasil, a vingança de Nina/Rita (Débora Falabella) contra Carminha (Adriana Esteves) está dando o que falar nas rodas e redes sociais, e dividindo opiniões e torcidas. A patroa praticamente trocou de lugar com a empregada, e Carminha ainda tem que ceder calada às chantagens de Nina – numa clara alusão ao Primo Basílio, de Eça de Queiroz.

Ao mesmo tempo, na novela das sete – Cheias de Charme -, Cida (Isabelle Drummond) tomou uma decisão importante no capítulo desta terça-feira (31/07): decidiu ir à forra contra a família Sarmento, que a humilhou no passado. Após saber por Ernani (Tato Gabus Mendes) que é filha dele, mudou-se para a casa dos Sarmentos “pela porta da frente” – como uma vingancinha pessoal contra a ex-patroa Sônia (Alexandra Richter) e suas duas filhas malvadas, Isadora e Ariela (Gisele Batista e Simone Gutierrez).

A novela das seis, Amor Eterno Amor, por ser uma trama espiritualista, tem uma vingança à altura. Após ser assassinado por Melissa (Cássia Kis Magro), Zenóbio (Lucci Ferreira) retorna em espírito para atormentar sua algoz. O espírito obsessor de Zenóbio já provocou o acidente de carro de Fernando (Carmo Della Vecchia), filho de Melissa. E inclusive já baixou nele, para que ele maltratasse a mãe. Nos próximos capítulos, Zenóbio tentará matar Melissa, induzindo-a a se jogar no mar.

“Meu filho nasceu perfeito. O da Eduarda morreu logo depois de nascer.”
Eduarda lendo o diário da mãe e descobrindo que a criança não era seu filho, mas seu irmão.
(Por Amor, 1998)

Em Avenida Brasil, Jorginho (Cauã Reymond), descobriu que Carminha é sua verdadeira mãe, que o abandonara no lixão e depois o pegou de volta para acabar de criar. Falta ele saber quem é o pai. O passado de Carminha também é um mistério, e envolve Mãe Lucinda (Vera Holtz), Santiago (Juca de Oliveira) e Nilo (José de Abreu). Recentemente, Roni (Daniel Rocha Azevedo) descobriu que Soninha Catatau (Paula Burlamaqui) é sua mãe, e Paloma (Bruna Griphao) descobriu que Cadinho (Alexandre Borges) é seu pai. Aliás, e a mãe da Rita hein? Nunca foi citada, né! Por enquanto…

Em Cheias de Charme – como descrito acima -, Cida ficou sabendo ontem que Ernani Sarmento é seu pai, que se envolvera com a empregada da casa, mãe dela. Samuel (Miguel Roncato), por sua vez, pressionou a mãe, Lygia (Malu Galli), para lhe revelar a identidade do pai que ele nunca conheceu. Nos próximos capítulos Marcos Pasquim entra na novela para viver Gilson, pai biológico de Samuel.

Em Amor Eterno Amor, a personagem Priscila (Laila Zaid) descobriu recentemente que o vilão Dimas (Luís Mello) é o seu pai biológico, e não perdoa a mãe, Laura (Giulia Gam) de nunca tê-la contado. A novela tem ainda outra trama muito parecida: Laís (Jéssika Alves) quer saber da mãe Marlene (Hermila Guedes) quem é o pai que ela nunca conheceu. Logo mais esse mistério será desvendado.

As vinganças podem ser pelos motivos mais variados. E concretizadas de mil formas diferentes. Os filhos que desconhecem pai ou mãe geralmente envolvem algum segredo, mantido pelas mais diversas razões. Cabe a cada autor dar um entrecho diferente para cada história, ao seu modo. De antemão, sabemos apenas que o final – geralmente -será feliz.