Blog do Nilson Xavier

Arquivo : outubro 2012

“Avenida Brasil”: uma tragédia grega no subúrbio carioca
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Nilson Xavier

O Divino é aqui

Muito já foi falado e muito já se especulou sobre o fenômeno da repercussão de Avenida Brasil, a novela que terminou na sexta-feira (19/10). Não existe uma resposta apenas. Costumo dizer que esse sucesso todo se deve a uma soma de fatores muito positivos. Não vou discorrer sobre o que já foi fartamente discutido, sobre o que todos já sabem. É lógico que Avenida Brasil tinha uma direção espetacular – cinematográfica, em cenas, tomadas e fotografia – e de elenco – um grupo de atores brilhantes que, aliados ao bom texto, deram vida a vários personagens carismáticos e de forte apelo popular.

Avenida Brasil é um exemplo raro de nossa televisão da “novela certa na hora certa”. Não houve na história recente deste país uma telenovela que aproveitou tão bem a situação socioeconômica para refletir na tela um retrato pitoresco de nossa realidade contemporânea. Pode-se dizer que o fictício bairro do Divino é um microcosmo do Brasil e foi responsável por toda essa catarse que levou diariamente milhões de brasileiros à frente da TV e que repercutiu nas ruas e na Internet. Mais uma vez – como em poucos exemplos em nossa Teledramaturgia – o brasileiro se viu refletido na telenovela.

A “nova classe C” retratada na trama fisgou todas as classes. Como em um jogo de certo ou errado, o autor brincou com as nuances simbólicas de ricos e pobres, elaborando uma crítica social muito pertinente, seja através da grã-fina da Zona Sul que faz pouco caso da figura do suburbano, ou no velho-pobre novo-rico que zomba do velho elitismo. Da língua ferina de Verônica (Débora Bloch) ouvimos todo o discurso preconceituoso contra pobres que as regras do politicamente correto nos brecam. Ao mesmo tempo em que Carminha (Adriana Esteves) debochou ao fazer pouco caso dos pratos refinados da chef Nina (que ganhou um apelido pejorativo: Maria Antonieta), e do intelectualismo tardio de Tufão (Murilo Benício) – que lia livros indicados por Nina (Débora Falabella).

“TV vs. Internet” ou “TV + Internet”?

A telenovela sempre acompanhou a evolução da sociedade, seja apresentando temas da ordem do dia, seja aglutinando as novas tecnologias que foram surgindo, ou aliando-se a elas. A Internet já foi vista como um bicho-papão da televisão (como outrora se acreditou que a TV seria uma ameaça para o cinema). Com Avenida Brasil ficou mais do que provado que a Internet pode ser uma aliada da telenovela. Se antigamente a novela em tempo real era discutida apenas no âmbito familiar, hoje em dia ela tem o poder de unir todas as famílias para acompanhar juntas as emoções e discutir em tempo real o que acontece na telinha.

Avenida Brasil foi a primeira novela coqueluche da Internet. Que o digam os memes referenciando a trama, a cascata diária de “oioiois” no Twitter e as inúmeras charges engraçadinhas no Facebook. Hoje já não se espera mais o dia seguinte para comentar a novela com o vizinho. É tudo em “real time”, como se o telespectador fosse à janela gritar para os vizinhos o que achou de determinada cena. Avenida Brasil conseguiu reunir todas as noites milhões de brasileiros, ávidos em compartilhar opiniões, em um mesmo sofá, virtual. Os números do Ibope ainda interessam ao mercado. Mas a repercussão na Internet tem uma função maior: é formadora de opinião, tão influenciável quanto os velhos “group discussions” entre donas de casa organizados pelas emissoras.

Perda de agilidade e furos

Como se para atender a todos os públicos, Avenida Brasil reuniu vários estilos de dramaturgia em só produto. Transgrediu a fórmula do folhetim clássico ao apresentar uma história de vingança em detrimento a uma história de amor. Apresentou uma heroína torta, de personalidade dúbia: Nina foi capaz de roubar e enganar para atingir seus objetivos. A estética da novela a aproximou do cinema. A linguagem narrativa fez lembrar os seriados americanos. Os ganchos bombásticos cativaram e mantiveram o telespectador preso à trama – ainda não existe melhor maneira de fidelizar a audiência.

O ritmo alucinante da primeira metade de Avenida Brasil assustou o público: “uau, que novela é essa?”. Lamenta-se apenas que a trama tenha perdido o fôlego na segunda metade para o final. Não houve “barriga” (aquele parte da novela em que nada acontece), haja vista os ganchos sempre fortes. Mas a história começou a dar voltas, a patinar, a enrolar o público. Foi quando se deflagrou o maior problema da novela: Nina ignorou métodos modernos de armazenamento de informações (naquela história toda do pendrive) e atitudes incoerentes e furos no roteiro não passaram despercebidos nem pelo telespectador mais distraído.

“É tudo culpa da Riiita”, diria Carminha. É culpa do roteiro, disseram os telespectadores. É culpa das mídias sociais, que não deixam escapar nada, diriam os donos da novela. A legião apaixonada de fãs de Avenida Brasil não perdoa quando se sente subestimada. A internet tem esse poder: derruba uma obra com a mesma força que enaltece.

O último capítulo

A história de Avenida Brasil terminou na semana em que Nina foi vingada (através de Max) e Carminha foi expulsa da mansão de Tufão. Pelo menos a história apresentada desde o início da novela, a da vingança de Nina contra Carminha. Pena que Nina não esteve de corpo presente na sequência em que Carminha caiu em desgraça. Nina acendeu a pólvora e Max levou o pavio para explodir na casa de Tufão.

A última semana de Avenida Brasil serviu como epílogo da novela. Com uma semana para terminar, vimos novos entrechos virem à tona. O assassinato de Max explicou a origem dos personagens do lixão e os elos que os ligavam. O batido clichê do assassinato incomodou. Mas, na realidade, saber quem matou Max foi apenas o pano de fundo para explicar a origem da “família Lixão”.

De repente, Carminha despiu-se de suas roupas brancas (a máscara havia caído, ela não tinha mais a quem enganar, podia vestir cores escuras tal qual sua alma) e começou a agir de uma forma que não estávamos acostumados. Aquela não era a velha Carminha, arrogante, má, despudorada, debochada, que havia conquistado fãs. Causou estranhamento. Principalmente quando ela começou a dar indícios de que havia se regenerado. É quando aparece um novo vilão: Santiago (um Juca de Oliveira muitos tons acima) – um falso Gepeto que sugeria ter molestado o Pinóquio.

O último capítulo desconcertou quem esperava o retorno da Carminha má e o gran finale entre Nina e a megera. A princípio, pareceu pouco criativo, ou lógico demais, Carminha ter salvado Tufão e Nina da morte e se revelado a assassina de Max. Mas o tom de tragédia grega – que o autor mesclou tão bem com a caricatura do suburbano brasileiro – pedia um desfecho digno de toda esta resignação de Carminha. O autor não fez dela uma mártir, do tipo que salva a vida do amado se pondo em frente da bala. Nem lhe reservou a insanidade mental para justificar seus atos. Ou simplesmente a trancafiou em uma cela para dar a história por terminada. Carminha cumpriu pena, voltou para o lixão e teve o embate final com Nina. Sem gritaria e palavrões. Apenas com o olhar atravessado das relações mal resolvidas.


Situações incoerentes têm cansado o público de “Avenida Brasil”
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Nilson Xavier

Em meu último texto, chamei a atenção para o fato de Cheias de Charme, a novela das sete, ter perdido o gás com o passar dos capítulos.

Leia AQUI o post “Cheias de Charme perdeu seu charme inicial”.

O mesmo se pode afirmar sobre Avenida Brasil? Sim e não.

Avenida Brasil foi cativando o público aos poucos e, numa escala ascendente, teve um ápice de repercussão – lá pelo capítulo 100, quando Nina (Débora Falabella) revelou para Carminha (Adriana Esteves) que era Rita e começou a chantageá-la com fotos. Só que esse gráfico ascendente de popularidade tem caído muito desde então. Com uma semana de Nina tripudiando Carminha, a “heroína” Nina (se é que podemos chamá-la assim) passou a perder muitos seguidores. E a novela, como um todo, também.

Avenida Brasil, sempre com ganchos muito bons em todos os capítulos, não teve “barriga” (aquele momento na trama em que nada acontece). Mas padeceu de outro mal: a enrolação. Já se passaram 50 capítulos desde que Nina começou a chantagear Carminha com as famigeradas fotos, e a trama parece ter andado em círculos, com alguns entrechos nada coerentes.

Novela é uma obra longa e pode chegar um momento em que todos ficam cansados, até o público. Não é fácil manter o interesse durante tanto tempo, então, às vezes, a enrolação se faz até necessária. Mas além de enrolar, a trama de João Emanuel Carneiro vem subestimando seu público. E este é um pecado sem perdão para a fidelização de audiência.

Cada novela segue uma linha, uma proposta, que pode ser realista, naturalista, caricata, fantasiosa, etc. Cabe ao público embarcar na história ou não. Não se exige 100% de realismo de uma novela, caso contrário não seria folhetim, seria documentário, ou outro tipo de programa. Mas um mínimo de verossimilhança se faz necessário em uma obra que tem a pretensão de seguir uma linha realista de dramaturgia. E é aí que Avenida Brasil tem falhado, ou, ao menos, extrapolado.

Os chamados furos no roteiro têm cansado o telespectador mais entusiasta de Avenida Brasil. Nina entregou cópias das fotos para amigos, para se proteger. Mas onde está o cartão de memória da câmera? E por que não salvou as fotos em um pendrive? A trama dá a entender que esses detalhes foram ignorados, por mais absurdo que isso possa parecer – afinal Nina é uma garota moderna, usou Internet para se aproximar da família de Tufão (Murilo Benício) no início da história. É inconcebível que esses detalhes não tenham passado por sua cabeça. A não ser que esta venha a ser a sua salvação no futuro – um entrecho para ser usado mais adiante.

É até compreensível que Débora e Begônia (Nathalia Dill e Carol Abras) não tenham tido curiosidade de olhar o conteúdo das fotos – afinal, se Begônia tivesse visto, teria reconhecido Max (Marcello Novaes) e não cairia em seu golpe. No capítulo de terça (18/09), Nilo (José de Abreu) roubou as cópias das fotos que estavam com Débora. Ela carregava em sua bolsa um envelope que era para estar guardado a sete chaves? E quem sai do banco carregando grandes quantias em dinheiro pede para ser roubado, não é mesmo?

Detalhes assim não passam despercebidos pelo telespectador, que se sente traído, feito de bobo, subestimado. Foram pelo menos 40 capítulos em que situações para lá de forçadas e inverossímeis afastaram parte do público que torcia pela novela. Avenida Brasil não perdeu seu fôlego, continua com bons ganchos. Mas caiu na armadilha das soluções fáceis e inverossímeis que não condizem com o excelente roteiro apresentado até então. Resta aguardar para que o desfecho dessa história justifique tais situações.


TOP 10 DE NOVELAS: Pais e filhos apaixonados pela mesma mulher
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Nilson Xavier

Um novo triângulo amoroso promete agitar ainda mais a trama de Avenida Brasil: Tufão que ama Nina que ama Jorginho. Será que pai e filho disputarão o amor da mesma mulher?

Relembramos aqui outros casos de pai e filho que lutaram pela mesma paixão.

10º lugar: O JULGAMENTO (Tupi, 1976)
O estopim do ódio velado entre Lourenço Paixão (Cláudio Corrêa e Castro) e seu filho mais velho Dimas (Carlos Zara) foi a paixão repentina do velho pela bela Sônia (Eva Wilma), a amada do rapaz. Lourenço acabou assassinado. Teria sido seu filho o assassino? Este era o mote central dessa novela da Tupi da década de 1970.

9º lugar: UM HOMEM MUITO ESPECIAL (Band, 1980)
O Conde Drácula (Rúbens de Falco) deixa a Transilvânia e vem para o Brasil à procura de seu filho Rafael (Carlos Alberto Riccelli). Reencontra o filho, mas se apaixona pela mulher dele, Mariana (Bruna Lombardi), que acredita ser a reencarnação de seu único amor no passado.

“O Julgamento”, “Um Homem Muito Especial”, “O Astro”

8º lugar: O ASTRO (Globo, 2011)
Salomão Hayalla (Daniel Filho) era um homem duro, que vivia um casamento infeliz com a mulher infiel, Clô (Regina Duarte), até que se apaixonou por uma funcionária, Lili (Alinne Moraes), sem desconfiar que ela era namorada de seu filho Márcio (Thiago Fragoso). Também acabou assassinado. Não pelo filho, mas pela mulher.

7º lugar: XICA DA SILVA (Manchete, 1996-1997)
Dona Micaela (Teresa Sequerra) vivia os horrores de um casamento infeliz com Thomaz Cabral (Carlos Alberto), um homem rude e violento. Mas não resistiu à paixão pelo filho dele, Luís Felipe (Fernando Eiras). Para a felicidade do casal, o velho morreu. E para a infelicidade, a filha mais velha do morto, a pérfida Violante (Drica Moraes), descobriu tudo e passou a torturar Dona Micaela.

6º lugar: AMOR COM AMOR SE PAGA (Globo, 1984)
O sovina Nonô Correia (Ary Fontoura) aceita a mão da bela e jovem Mariana (Cláudia Ohana) para saldar uma dívida do pai da moça. Mas quando ela conhece o filho dele, Tomaz (Edson Celulari), o triângulo está formado.

“Xica da Silva”, “Amor com Amor se Paga”, “Direito de Amar”

5º lugar: DIREITO DE AMAR (Globo, 1987)
Da mesma forma que o caso acima, o poderoso banqueiro Sr. de Montserrat (Carlos Vereza) propõe a um devedor que se case com a filha dele em perdão da dívida. Mas mesmo antes de conhecer seu futuro marido, a jovem Rosália apaixonou-se por Adriano (Lauro Corona), sem imaginar que ele era filho do Sr. de Montserrat.

4º lugar: ESCRITO NAS ESTRELAS (Globo, 2010)
A morte prematura de Daniel (Jayme Matarazzo) acaba por aproximar o pai dele, Dr. Ricardo Aguillar (Humberto Martins), da jovem Viviane (Nathalia Dill), sem que o médico saiba que ela fora a amada de seu filho. Apaixonado por Viviane, Ricardo nem desconfia que o espírito do filho esteja a rodeá-lo, formando um triângulo amoroso que transcende a vida.

3º lugar: FORÇA DE UM DESEJO (Globo, 1999-2000)
O Barão Henrique Sobral (Reginaldo Faria) se casa com a bela cortesã Ester Dellamare (Malu Mader) e a leva para viver em sua fazenda. Mas ela não imaginava que ele fosse pai de Inácio (Fábio Assunção), por quem fora apaixonada. O convívio faz reascender a antiga paixão. Mas o barão acaba assassinado na mesma noite em que Inácio e Ester fogem para viver juntos.

“Renascer”, “Força de um Desejo”, “Escrito nas Estrelas”

2º lugar: RENASCER (Globo, 1993)
As desavenças entre o Coronel Zé Inocêncio (Antônio Fagundes) e seu filho caçula João Pedro (Marcos Palmeira) só aumentam quando o pai conquista e se casa com a namorada do filho, a bela Mariana (Adriana Esteves). Mas estaria ela verdadeiramente apaixonada pelo velho coronel, ou seria parte de um plano de vingança?

1º lugar: AVENIDA BRASIL (Globo, 2012)
Tufão (Murilo Benício) se declarou para Nina (Débora Falabella). O ex-jogador está completamente apaixonado pela empregada. Nina e Jorginho (Cauã Reymond) ficaram em uma situação conflitante. A família de Tufão o apoiará? E Carminha (Adriana Esteves) deixará isso barato? Nina usará Tufão como mais uma arma para seu plano de vingança? Avenida Brasil volta a esquentar em sua reta final.


Relembre os flagrantes de adultério mais marcantes das novelas
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Nilson Xavier

Nesta terça-feira, 07/08, foi ao ar a cena de Gabriela em que o Coronel Jesuíno Guedes Mendonça (José Wilker) flagra a mulher, Sinhazinha (Maitê Proença), na cama com o amante, o dentista Osmundo (Érik Marmo). Alertado pelas beatas da cidade, o coronel invadiu a casa do rapaz e não pensou duas vezes: lavou a honra com sangue.

Na própria Gabriela, mais para frente, será a protagonista (Juliana Paes) – que vai cair na lábia do sedutor Tonico Bastos (Marcelo Serrado) – a ser flagrada por Nacib (Humberto Martins) – tal qual acontecera na versão original da novela, com personagens vividos por Sônia Braga, Fúlvio Stefanini e Armando Bógus, respectivamente.

Ontem também, na trama das nove, Avenida Brasil, Carminha (Adriana Esteves) – ela mesma traidora do marido – deu um flagra no amante, Maxwell (Marcelo Novaes), aos amassos com sua arqui-inimiga, Nina/Rita (Débora Falabella), garantindo assim a congelada da dupla (aquele efeito de final de capítulo).

“Eu posso explicar!” / “Não é nada disso que você está pensando!”

Flagrantes de adultério são até corriqueiros em novelas. Gilberto Braga é um dos autores que mais se apropria do recurso. Um dos melhores flagras da história de nossas novelas aconteceu em Vale Tudo (1988), quando Afonso (Cássio Gabus Mendes) adentrou o apartamento do mau caráter César (Carlos Alberto Riccelli) e encontrou sua mulher, Fátima (Glória Pires), na cama dele (vídeo abaixo, a partir dos 8 minutos).

Outros flagrantes em novelas de Gilbeto Braga:

Dono do Mundo (1991): Aqui, Glória Pires esteve do outro lado: foi sua personagem, Stella, quem flagrou o marido sacana, Felipe Barreto (Antônio Fagundes), na cama com outra mulher (Letícia Sabatella).

Pátria Minha (1994-1995): o vilão Raul Pelegrine (Tarcísio Meira) pegou a mulher, Tereza (Eva Wilma), deitada com Rafael (Fúlvio Stefanini).

Celebridade (2003-2004): dois flagrantes que merecem citação: Beatriz (Débora Evelyn) em Fernando (Marcos Palmeira), na cama com Maria Clara Diniz (Malu Mader); e Renato Mendes (Fábio Assunção) na mulher, Laura (Cláudia Abreu), deitada com Bruno (Sérgio Menezes).

Paraíso Tropical (2007): Ana Luísa (Renée de Vielmond) pega o marido, Antenor (Tony Ramos), na cama com a amante, Fabiana (Maria Fernanda Cândido).

Insensato Coração (2011): Raul (Antônio Fagundes) dá um flagrante na mulher, Wanda (Natália do Valle), nos braços do irmão dele, Humberto (José Wilker).

Outros flagras notáveis:

Tieta (1989-1990): Perpétua (Joana Fomm) pega o filho, Ricardo (Cássio Gabus Mendes), na cama com a própria irmã, Tieta (Betty Faria) – portanto tia do rapaz. Perpétua fica cega com a cena (vídeo abaixo).


O Cravo e a Rosa (2000-2001): O submisso Cornélio (Ney Latorraca) cansou de ser feito de gato e sapato pela mulher, Dinorá (Maria Padilha), e deu um flagra nela nos braços do amante, Celso (Murilo Rosa).

Quatro por Quatro (1994-1995): O mecânico Raí (Marcelo Novaes) nem teve o que explicar quando a noiva, Babalu (Letícia Spiller), o flagrou com outra mulher (vídeo abaixo).


Belíssima (2005-2006): O caso de Júlia Assumpção (Glória Pires) foi grave: flagrou o marido, André (Marcelo Antony), deitado com a filha dela, Érica (Letícia Birkheuer).

A Próxima Vítima (1995): No dia de seu casamento, Diego (Marcos Frota) pega a noiva, Isabella (Cláudia Ohana), na cama com o tio dela, Marcelo (José Wilker), e lhe dá uma surra que entrou para a história (vídeo abaixo, a partir dos 5 minutos).


A Favorita (2008): Dois flagrantes se destacaram: nos flashbacks que explicam a história, Marcelo (Flávio Tolezani) pegou a mulher, Flora (Patrícia Pillar), com o amante, Dodi (Murilo Benício); e – mais adiante – Elias (Leonardo Medeiros) deu um flagrante na  mulher, Dedina (Helena Ranaldi), com seu amigo, Damião (Malvino Salvador).

Cite outros casos que você lembra! ;)


Tramas com vingança e paternidade desconhecida são destaques em três novelas da Globo ao mesmo tempo
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Nilson Xavier

Vingança e paternidade desconhecida são dois clássicos do folhetim. Também: amores impossíveis por causa de famílias inimigas ou de classes sociais diferentes, sósias em que um toma o lugar do outro, ou gêmeos de personalidades opostas. Estão sempre nas novelas dando aquela sensação de déjà vu. Mas é a maneira de contar uma história repetente o que diferencia uma trama da outra – e o que faz com que os telespectadores caiam sempre na mesma história.

Coincidentemente, três novelas da Globo estão atualmente explorando os batidos filões da vingança e da paternidade desconhecida.

“Vingança, minha filha! Vingança!”
Quatro amigas na cadeia selam um pacto contra os homens que as fizeram sofrer.
(Quatro por Quatro, 1994)

Em Avenida Brasil, a vingança de Nina/Rita (Débora Falabella) contra Carminha (Adriana Esteves) está dando o que falar nas rodas e redes sociais, e dividindo opiniões e torcidas. A patroa praticamente trocou de lugar com a empregada, e Carminha ainda tem que ceder calada às chantagens de Nina – numa clara alusão ao Primo Basílio, de Eça de Queiroz.

Ao mesmo tempo, na novela das sete – Cheias de Charme -, Cida (Isabelle Drummond) tomou uma decisão importante no capítulo desta terça-feira (31/07): decidiu ir à forra contra a família Sarmento, que a humilhou no passado. Após saber por Ernani (Tato Gabus Mendes) que é filha dele, mudou-se para a casa dos Sarmentos “pela porta da frente” – como uma vingancinha pessoal contra a ex-patroa Sônia (Alexandra Richter) e suas duas filhas malvadas, Isadora e Ariela (Gisele Batista e Simone Gutierrez).

A novela das seis, Amor Eterno Amor, por ser uma trama espiritualista, tem uma vingança à altura. Após ser assassinado por Melissa (Cássia Kis Magro), Zenóbio (Lucci Ferreira) retorna em espírito para atormentar sua algoz. O espírito obsessor de Zenóbio já provocou o acidente de carro de Fernando (Carmo Della Vecchia), filho de Melissa. E inclusive já baixou nele, para que ele maltratasse a mãe. Nos próximos capítulos, Zenóbio tentará matar Melissa, induzindo-a a se jogar no mar.

“Meu filho nasceu perfeito. O da Eduarda morreu logo depois de nascer.”
Eduarda lendo o diário da mãe e descobrindo que a criança não era seu filho, mas seu irmão.
(Por Amor, 1998)

Em Avenida Brasil, Jorginho (Cauã Reymond), descobriu que Carminha é sua verdadeira mãe, que o abandonara no lixão e depois o pegou de volta para acabar de criar. Falta ele saber quem é o pai. O passado de Carminha também é um mistério, e envolve Mãe Lucinda (Vera Holtz), Santiago (Juca de Oliveira) e Nilo (José de Abreu). Recentemente, Roni (Daniel Rocha Azevedo) descobriu que Soninha Catatau (Paula Burlamaqui) é sua mãe, e Paloma (Bruna Griphao) descobriu que Cadinho (Alexandre Borges) é seu pai. Aliás, e a mãe da Rita hein? Nunca foi citada, né! Por enquanto…

Em Cheias de Charme – como descrito acima -, Cida ficou sabendo ontem que Ernani Sarmento é seu pai, que se envolvera com a empregada da casa, mãe dela. Samuel (Miguel Roncato), por sua vez, pressionou a mãe, Lygia (Malu Galli), para lhe revelar a identidade do pai que ele nunca conheceu. Nos próximos capítulos Marcos Pasquim entra na novela para viver Gilson, pai biológico de Samuel.

Em Amor Eterno Amor, a personagem Priscila (Laila Zaid) descobriu recentemente que o vilão Dimas (Luís Mello) é o seu pai biológico, e não perdoa a mãe, Laura (Giulia Gam) de nunca tê-la contado. A novela tem ainda outra trama muito parecida: Laís (Jéssika Alves) quer saber da mãe Marlene (Hermila Guedes) quem é o pai que ela nunca conheceu. Logo mais esse mistério será desvendado.

As vinganças podem ser pelos motivos mais variados. E concretizadas de mil formas diferentes. Os filhos que desconhecem pai ou mãe geralmente envolvem algum segredo, mantido pelas mais diversas razões. Cabe a cada autor dar um entrecho diferente para cada história, ao seu modo. De antemão, sabemos apenas que o final – geralmente -será feliz.


Início da vingança de Nina faz “Avenida Brasil” bater seu recorde semanal de audiência
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Nilson Xavier

Com a vingança de Nina (Débora Falabella), iniciada há uma semana, a novela Avenida Brasil bateu seu recorde de audiência semanal: 41,5. Veja os números diários da semana que passou (pontos no Ibope, cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo).

Segunda: 45 | Terça: 45 | Quarta: 42 | Quinta: 42 | Sexta: 41 | Sábado: 34 = 41,5.

O recorde anterior era de 40 pontos, atingido na semana entre 18 e 23 de junho. Foi quando Carminha (Adriana Esteves) armou um barraco no salão de cabeleireiros de Monalisa (Heloísa Périssé) ao flagrá-la com Tufão (Murilo Benício). E Max (Marcello Novaes) planejou o assalto à casa de Tufão, em que Janaína (Cláudia Missura) descobriu que Lúcio (Emiliano D´Avilla) era o assaltante.

Nesta semana, a insistência de Nina em humilhar Carminha acabou por incomodar alguns telespectadores, cansados com os gritos da empregada e a passividade de Carminha diante da chantagem dela. Na sexta-feira configurou-se uma reviravolta, quando Carminha prendeu Nina no banheiro e fugiu atrás de ajuda. A megera foi parar na festa de casamento de Roni (Daniel Rocha Azevedo ) e Suellen (Ísis Valverde), mas desmaiou e Nina foi buscá-la.

Enquanto isso, Tufão foi avisado de que Carminha não estava nada bem, e nos próximos capítulos, a família toda deve retornar à mansão do Divino. Nina dará prosseguimento à sua vingança e Carminha continuará cedendo à sua chantagem. Nina fará todos pensarem que Carminha enlouqueceu.

A repercussão da novela também foi recorde nas redes sociais. Avenida Brasil bombou no Twitter e hashtags (palavras-chave) relacionadas à novela estiveram diariamente entre os Trending Topics (os assuntos mais comentados). O Facebook foi invadido com charges engraçadinhas envolvendo a trama e personagens.

Esta interatividade entre o público, Internet e televisão não passa despercebida pela Globo. O site da novela promoveu uma enquete para saber quem o público gostaria de ver “congelado no cinza” (aquele efeito do final dos capítulos) – já que geralmente apenas os protagonistas são os que congelam. Os telespectadores foram surpreendidos na quinta-feira quando a empregada Zezé (Cacau Protásio) ficou congelada. Sábado foi a vez de Janaína encerrar o capítulo. Aguardamos o congelamento de Ágata (Anna Karolina Lannes) e Adauto (Juliano Cazarré)!


“Avenida Brasil” bate recorde de audiência com o início da vingança de Nina
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Nilson Xavier

Depois de um capítulo emblemático de Avenida Brasil no último sábado – em que vimos Carminha (Adriana Esteves) tripudiar em cima de Nina (Débora Falabella) enterrada – iniciou-se definitivamente a vingança de Nina no capítulo desta segunda-feira, 23/07. E não foi por menos que a novela bateu seu recorde de audiência – média de 45 pontos no Ibope da Grande São Paulo (o recorde anterior era de 43 pontos, cada ponto equivale a 60 mil domicílios).

O melhor do capítulo ficou por conta da comemoração de Carminha numa casa de swing com Max (Marcello Novaes), onde a vilã até dançou no pole. Na sequência, Carminha chega em casa e nem imagina o que a aguarda. Numa cena impactante, Nina está esperando pela megera, com um “jantar” feito especialmente para ela. Ao acender a luz, há fotos comprometedoras de Carminha e Max espalhadas pela casa. Jantar indigesto esse. Carminha, ao que parece, vai pagar por ter subestimado sua inimiga.

Como comentei em meu último post (leia AQUI), para Avenida Brasil ter apresentado um capítulo tão bom num sábado – dia em que, tradicionalmente, a audiência é menor -,  era porque o autor tinha muita coisa interessante ainda para apresentar durante a semana. Que venha o capítulo de terça!

“Então? Gostou?”

Texto atualizado às 11:15 de 24/07/2012: a média consolidada de audiência é 45 pontos.


“Avenida Brasil” peca ao exibir capítulo emblemático num sábado, dia de menor audiência
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Nilson Xavier

Finalmente chegou o capítulo 100 de Avenida Brasil! Com dois dias de atraso. E num sábado! Explico. O autor, João Emanuel Carneiro, há tempos anunciou que haveria a grande virada da novela em seu centésimo capítulo. Criou-se uma grande expectativa nele, já que Carminha (Adriana Esteves) iria descobrir que sua empregada Nina (Débora Falabella) era na verdade Rita, que ela abandonara no lixão quando criança.

O capítulo 100 foi exibido na quinta-feira e a sequência tão aguardada foi deixada para o final. As redes sociais se mobilizaram durante todo o dia 19, comentando o tão esperado momento. Mas foi nos capítulos seguintes que a coisa realmente pegou fogo. No sábado (capítulo 102), o grande ápice: Carminha se vinga de Nina/Rita jogando-a numa cova, para ser enterrada viva. Uma sequência das mais tensas já apresentadas na televisão brasileira – com referências no cinema, diga-se de passagem, em filmes como Kill Bill, de Tarantino.

JEC – como costumamos chamar João Emanuel – já apresentara momentos de grande tensão em sua novela anterior, A Favorita, de 2008. Mas as cenas vistas em Avenida Brasil beiraram o terror. Tanto na sequência em que Nina está enterrada, com Carminha humilhando-a psicologicamente, até quando Nina deixa a cova cambaleante, feito um zumbi. A fotografia e a trilha sonora – ótimas – ajudaram a construir o clima de horror que a cena pedia.

Há de se destacar a grande interpretação de Adriana Esteves com sua Carmem Lúcia, que já entrou para a galeria das personagens inesquecíveis de nossa TV. E Débora Falabella – outra grande atriz -, que segura firme todas as cenas com a companheira. Repercussão pouca é bobagem, haja vista a enorme quantidade de charges envolvendo as duas personagens que proliferaram na Internet nos últimos dias.

O curioso foi deixar um capítulo tão emblemático para ser apresentado em um sábado, dia em que, tradicionalmente, a audiência é menor. A prévia no Ibope ficou na média dos 35 pontos – ótima para um sábado, acostumado a registrar 31, 32. Mas talvez renderia uns 45 pontos se fosse exibido numa segunda-feira (dia em que, geralmente, o Ibope é maior). De qualquer forma, reservar um momento tão importante dentro da trama para um sábado pode indicar bala na agulha para mais fortes emoções na próxima semana. É aguardar.

Avenida Brasil segue como uma das melhores novelas dos últimos anos, o que pode ser constatado através do Ibope – alto para os padrões atuais -; através de sua produção de primeira, com direção impecável, elenco afiadíssimo, trama envolvente e personagens cativantes; e através da repercussão positiva nas mídias sociais, repletas de fãs fervorosos da trama.

De fato, a novela é tão boa que seus pontos fracos são passíveis de perdão. Que tal seguir o conselhos dos tuiteiros: reservar os momentos das tramas paralelas que caíram no desinteresse, dos personagens coadjuvantes chatos, com a trilha sonora nacional indigesta, para tomar água, ler um email ou fazer xixi!

Nota: as duas imagens maiores são screenshots de cenas extraídos no site da novela.
A imagem animada de Carminha vermelha (acima) foi criada por Marcus Vinícius (@MV_Oficial).
Não encontrei o autor da outra imagem animada de Carminha. Mas darei o crédito se ele se manifestar.


“Avenida Brasil”: capítulo da virada frustra telespectadores
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Nilson Xavier

O tão aguardado “capítulo da virada” de Avenida Brasil (o centésimo, desta quinta-feira, 19/07) frustrou alguns telespectadores. Pelo menos aqueles que realmente aguardavam por algo impactante na trama de João Emanuel Carneiro. Se bem que já era de se esperar que o clímax do capítulo ocorresse ao seu término. Ou seja, o momento em que Carminha (Adriana Esteves) juntou as peças do quebra-cabeça e concluiu que Nina é Rita (Débora Falabella) aconteceu apenas no final. Na verdade, é no capítulo desta sexta-feira, e nos subsequentes, que a história começa a fluir melhor, com o embate entre as duas protagonistas.

Antes das ótimas cenas de Adriana Esteves bufando no volante de seu carro, o público teve que esperar assistindo sequências de Cadinho (Alexandre Borges) às voltas com suas mulheres, Roni (Daniel Rocha Azevedo) na fossa, Suelen (Ísis Valverde) tomando as rédeas da loja de Diógenes (Otávio Augusto), Jorginho (Cauã Reymond) saindo do coma, etc. Ou seja, nada de especial. O que interessava mesmo foram as passagens que envolviam Nina, ou Carminha pressionando Betânia e Nilo, até a sequencia final.

A audiência não foi nem melhor nem pior do que Avenida Brasil vem tendo. De acordo com a prévia do Ibope, deu 40 pontos (cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo), o que é bom, está na média da novela. Só não foi superior, como se esperava, por se tratar de um capítulo-chave. O capítulo anterior, de quarta-feira (que é mais curto por conta do futebol), teve uma média baixa para a novela: fechou em 36 pontos. E o centésimo capítulo de Avenida Brasil ainda é inferior ao centésimo de Fina Estampa, a novela antecessora.

Apesar de o público registrar um dia normal para a novela, Avenida Brasil bombou nas mídias sociais por conta da expectativa em cima desse centésimo capítulo. No Twitter, horas antes de a novela estrear, a hashtag (palavra-chave) #AvenidaBrasil  já estava entre os TT´s (os assuntos mais comentados). Na hora da novela, os tuiteiros subiram ao primeiro lugar a tag #OiOiOi100, em homenagem à trama. Durante todo o dia, vários usuários mudaram o avatar de seus perfis para a imagem “congelada” – que imita o efeito do final de cada capítulo da novela (como na imagem acima). Várias charges envolvendo a trama foram destaque também no Facebook.

O sucesso da novela de João Emanuel Carneiro não se restringe apenas à audiência passiva – a que simplesmente sintoniza na novela na hora em que ela está sendo transmitida. O acompanhamento pelas mídias sociais reflete uma repercussão positiva que Avenida Brasil alcança. Só que essa repercussão não é considerada na hora de medir audiência. E nem serve como ferramenta para uma amostra estatística. Mas é um termômetro, ou um parâmetro de popularidade de um extrato de audiência.


“Avenida Brasil” promete grande virada a partir de quinta-feira
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Nilson Xavier

O desfecho do capítulo de sábado (14/07) de Avenida Brasil dá o tom do que está por acontecer nesta semana na novela. Ontem, Carminha (Adriana Esteves) descobriu uma relação entre Nina (Débora Falabella) e a falsa Rita (Betânia, Bianca Comparato). O cerco se fecha cada vez mais para Nina, com a obsessão de Carminha em descobrir a verdade sobre sua empregada.

Na próxima quinta-feira (19/07) vai ao ar o aguardado centésimo capítulo da novela, em que o autor, João Emanuel Carneiro, prometeu uma grande reviravolta: Carminha descobrirá que Nina é a verdadeira Rita, a sua enteada que ela abandonara no lixão quando era criança.

O autor levou cem capítulos para formatar a vingança de Nina: ela infiltrou-se na casa de Carminha, envolveu-se com vários personagens, reuniu provas contra a megera, e, por mais de uma vez, quase teve sua identidade revelada, já que seus planos foram descobertos por Jorginho, Nilo e Max (Cauã Reymond, José de Abreu e Marcello Novaes).

Na trama anterior de João Emanuel Carneiro, A Favorita (2008), o autor teve que ser mais rápido, já que a novela não foi inicialmente bem aceita pelo público, incomodado com o fato de não ficar claro quem era a mocinha e quem era a vilã da história – Flora (Patrícia Pillar) ou Donatela (Cláudia Raia). João Emanuel acabou por revelar que Flora era a grande vilã antecipadamente, no capítulo 56. Teve que adiantar um desfecho que era para ser mais tardio.

Em Avenida Brasil, o autor conseguiu levar sua proposta adiante. Só agora novos fatos darão uma mexida na trama da novela. Muitos reclamaram que a história da tal vingança de Nina estava dando voltas, que Nina havia se tornado uma personagem chata e desinteressante, obcecada por um plano de vingança que não deslanchava.

A verdade é que, mesmo com essa demora, Avenida Brasil nunca deixou de ter fôlego. A trama da novela sempre foi bastante movimentada e a grande maioria dos capítulos fechou com ganchos (o clímax, quando o capítulo termina) bombásticos envolvendo Nina e Carminha. Aliás – diga-se de passagem -, foi por isso que as duas personagens foram as que mais vezes fecharam os capítulos – ou “congelaram no cinza”, como se fala nas redes sociais.

A audiência tem respondido bem: até o capítulo 90, Avenida Brasil fechou com uma média de 37,52 pontos no Ibope – pouco menos do que o registrado pela trama anterior, Fina Estampa: média de 38,58 até o capítulo 90 (cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo). Quem sabe agora, com os novos rumos, a audiência da novela de João Emanuel Carneiro ultrapasse a da trama de seu “coleguinha” Aguinaldo Silva.