Blog do Nilson Xavier

Arquivo : Patrícia Pillar

Faltou coesão a “Lado a Lado”
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Nilson Xavier

Cena do último capítulo de “Lado a Lado” (Foto: TV Globo)

Lado a Lado”, a novela das seis da Globo – escrita por João Ximenes Braga e Cláudia Lage – que terminou nesta sexta-feira (08/03), foi muito mais do que um folhetim de época. Retratar eventos históricos do Rio de Janeiro da década de 1910 (poucas vezes vistos anteriormente em TV) foi o seu grande trunfo. E dos mais louváveis.

É bom quando um programa de televisão, cujo principal objetivo é o entretenimento, se propõe também a ensinar e informar. Neste quesito, “Lado a Lado” saiu-se muito bem. Direção competente, produção bela e requintada, em uma reconstituição de época das mais perfeitas.

Ótima sacada fazer do personagem Zé Maria, de Lázaro Ramos, uma espécie de Forrest Gump (Tom Hanks no filme homônimo) que acompanha ou protagoniza os fatos históricos narrados na novela – entre outros, as revoltas da Vacina e da Chibata, o advento do futebol e do samba, o fim dos cortiços e o processo de favelização do Rio (o Bota Abaixo).

Por outro lado, a novela desviou-se do foco histórico ao desenhar um estilo que dialogou muito com o nosso tempo. Para o seu bem – como a excelente trilha sonora contemporânea – e para o seu mal – como gírias e expressões atuais e personagens muito fincados em 2013 (como a espevitada Neusinha, interpretada por uma Maria Clara Gueiros que abusou dos “adoooro!” e só faltou soltar um “vem cá, eu te conheço?”).

Apesar de seus perfis de “mulheres à frente de seu tempo”, as heroínas Isabel e Laura (Camila Pitanga e Marjorie Estiano) soaram modernas demais para o período da novela: pareciam mulheres de 2013 que foram catapultadas para o passado. Por um lado é bom porque intensifica o perfil das personagens. Por outro, fez – por exemplo – soar estranhos os embates entre a vilã Constância e sua filha moderninha Laura. O tom empostado dos argumentos retrógrados e preconceituosos da ex-baronesa (totalmente condizente com a personagem e sua época) fez Laura parecer um ET quando proferia o seu discurso libertário. Faltou sutileza.

Diga-se de passagem, Patrícia Pillar e Marjorie Estiano brilharam a novela inteira com suas interpretações. Suas personagens representaram bem os extremos dessa ponte entre o passado mostrado na novela e a contemporaneidade. No elenco de “Lado a Lado” destacaram-se também Caio Blat, Milton Gonçalves, Christiana Guinle, Isabela Garcia, Débora Duarte e o novato em televisão Álamo Facó (o Quequé).

Marjorie Estiano e Thiago Fragoso em “Lado a Lado” (Foto: TV Globo)

Dentro de sua proposta histórica, o didatismo de “Lado a Lado” incomodou apenas nos momentos em que o folhetim falhou. As idas e vindas das amigas Laura e Isabel se arrastaram pelos seis meses da novela. O horário e a época pediam uma trama mais ágil. Prejudicada pelas eleições no ano passado e pelo Horário de Verão, a audiência em São Paulo não correspondeu ao capricho da produção: uma média de 18 pontos, muito abaixo do esperado.

Também as personagens protagonistas enervaram em algum momento. Baluartes na luta pelos direitos das mulheres, a negra Isabel e a descasada Laura (muito bem defendidas por suas intérpretes) em algum momento deixaram para trás seus discursos para mostrar um lado bem egoísta, quando defendiam seus interesses particulares. O vai-e-vem de Laura e Edgar (Thiago Fragoso) cansou, pela intransigência dela. E a insistência de Isabel em afastar o filho da avó Constância quase fez com que se torcesse pela vilã.

Em sua fase final, “Lado a Lado” andou em círculos e só despertou na última semana. O último capítulo apresentou uma situação um tanto quanto clichê demais para uma novela que tinha a pretensão de se apoiar em fatos históricos e assim criar links com a realidade: todos os vilões se deram mal.

É necessário um mínimo de coesão e sutileza ao misturar folhetim com História, passado com presente e diálogos entre personagens rebuscados de 1910 com personagens coloquiais atuais. Ainda que uma obra bem acabada – acima da média até – pareceu que “Lado a Lado” não escapou do chavão da metralhadora desgovernada, a que atira para todos os lados sem se preocupar com o foco.


“As Noivas de Copacabana” é a próxima minissérie a estrear no canal Viva
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Nilson Xavier

Patrícia Pillar e Miguel Falabella em “As Noivas de Copacabana” (Foto: TV Globo)

O canal Viva já tem a minissérie substituta de “Um Só Coração” na faixa das 23h15. É “As Noivas de Copacabana”, originalmente exibida em junho de 1992 (em 16 capítulos).

Uma das minisséries de maior repercussão na década de 1990, “As Noivas de Copacabana” é um thriller policial escrito por Dias Gomes, Ferreira Gullar e Marcílio Moraes, com direção geral de Roberto Farias. Dias baseou-se em uma história real, sobre um assassino que matava suas vítimas vestidas de noiva.

A História

Donato Menezes (Miguel Falabella), um conceituado restaurador de arte, acima de qualquer suspeita, que leva uma vida pacata ao lado da noiva Cinara (Patrícia Pillar), é na realidade um serial killer que usa um método bastante peculiar com suas vítimas: ele as seduz, leva para a praia, pede para colocarem um vestido de noiva, e as estrangula durante o sexo. Donato caça as mulheres pelos classificados de jornal: ele as procura através de anúncios de vestido de noiva. Uma de suas vítimas era conhecida do detetive França (Reginaldo Faria), que fica obcecado em descobrir a identidade do assassino.

No elenco, também Christiane Torloni, Raul Cortez, Hugo Carvana, Yara Lins, Zezé Polessa, Branca de Camargo, Tássia Camargo, Ana Beatriz Nogueira, Ricardo Petráglia, Nelson Dantas, Chica Xavier, Patrícia Perrone, Marcelo Faria e outros.

As Noivas de Copacabana” estreia no Viva em 21 de março, às 23h15.

Saiba mais sobre “As Noivas de Copacabanano site Teledramaturgia.


“Lado a Lado” é o “Direito de Nascer” da vez
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Nilson Xavier

Milton Gonçalves, Cauê Campos e Camila Pitanga em “Lado a Lado” (Foto: TV Globo)

A primeira novela a causar comoção generalizada no público, considerada um fenômeno de repercussão, foi “O Direito de Nascer”, em 1965, apresentada em São Paulo pela TV Tupi e no Rio de Janeiro pela TV Rio (bem como no resto do país, pelas suas retransmissoras).  Foi a partir dela que os executivos de televisão se deram conta do poder que o gênero telenovela podia exercer sobre as massas.

A história importada (o original é do cubano Felix Caignet) era o mais puro folhetim, repleto de ingredientes que hoje servem de base para qualquer telenovela. Amores impossíveis, ódio entre famílias, paternidade desconhecida, nada disso é original, mas a forma diferente de se contar uma mesma história garante a sobrevivência das telenovelas até hoje.

Lado a Lado”, o atual folhetim das seis horas da Globo, é a “O Direito de Nascer” da vez. Existe muita similaridade entre as duas tramas. O menino Elias (Cauê Campos), o filho da heroína Isabel (Camila Pitanga), foi tomado dos braços da mãe no nascimento e criado por outra. A mocinha foi renegada pelo pai, por sua desonra – ficou grávida sem ter se casado, e de um homem que a abandonou – Albertinho (Rafael Cardoso). A criança teve seu crescimento custeado, mas mantido em segredo, longe de seus verdadeiros pais. Depois de crescido, o menino foi desprezado pelo pai, que não sabia que ele era seu filho. Segredos, revelações, choro, mágoa, corações dilacerados.

A trama que atualmente vai ao ar em “Lado a Lado”, apresenta quase a mesma história de “O Direito de Nascer”, com alguns detalhes diferentes, aqui e ali. E, não por menos, foi nesta fase da novela das seis – em que o melodrama fala mais alto – que ela conquistou sua melhor audiência e está chamando a atenção de toda a mídia especializada. “Lado a Lado” vinha amargando o título de “a menor média de audiência da história”. Produção requintada, bem dirigida, elenco afiado e texto vigoroso não pareciam o suficiente para cativar o telespectador.

Antes, um tanto quanto didática demais, mais preocupada em mostrar fatos históricos e em traçar um panorama da sociedade carioca da década de 1910. Foi só mexer na base dos sentimentos humanos que a trama passou a chamar a atenção. A novela é escrita pela dupla de iniciantes João Ximenes Braga e Cláudia Lage. Mas tem a supervisão de texto de Gilberto Braga, que, ao que parece, exerce uma forte influência sobre seus pupilos.

Quem conhece a obra de Gilberto, consegue enxergar em “Lado a Lado” várias de suas nuances. Só para exemplificar: foi na trama de época que ele se lançou como novelista (“Helena”, “Senhora”, “Escrava Isaura”, e – mais tarde – “Força de um Desejo”), e a vilã carreirista e preocupada com a sua posição perante a sociedade (Baronesa Constância/Patrícia Pillar) é o tipo mais recorrente em sua galeria de personagens.

Mas os autores acabaram por cometer em “Lado a Lado” o mesmo erro da trama anterior de Gilberto, “Insensato Coração” (da qual João Ximenes Braga foi colaborador): cozinharam a novela em fogo brando por mais de cem capítulos para só depois, a partir do entrecho folhetinesco, a trama fluir de verdade – quando Isabel descobre que seu filho está vivo. “Insensato Coração” só conquistou a audiência quando a personagem Norma (Glória Pires) deixou a prisão e iniciou seu plano de vingança, após o centésimo capítulo.

Nathalia Timberg e Amilton Fernandes em “O Direito de Nascer” (Foto: Divulgação)

Talvez se, desde o início, os autores de “Lado a Lado” tivessem dosado melhor o melodrama com o panorama histórico, quem sabe a média de audiência hoje estaria mais alta. Resta saber se, em sua reta final, a novela se manterá neste mesmo patamar melodramático e de audiência. A preocupação primordial em contar uma boa história foi o que garantiu a repercussão uniforme de “O Direito de Nascer”, lá na década de 1960.

Saiba mais sobre “O Direito de Nascerno site Teledramaturgia.


Patrícia Pillar e imagem de cinema são os destaques da estreia de “Lado a Lado”
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Nilson Xavier

Parece que a Globo reservou o horário das seis para apresentar novelas com uma estética mais apurada. Avenida Brasil, às nove da noite, é a primeira novela desta faixa com imagem de cinema. Mas, no horário das 18 horas, isso vem desde Araguaia (2010-2011), primeira novela das seis em HD. As tramas seguintes – Cordel Encantado, A Vida da Gente e Amor Eterno Amor – também tiveram tratamento de cinema, com fotografias belíssimas.

A estreia desta semana, Lado a Lado, não ficou de fora. E é pelo seu capricho visual que a novela chama a atenção. Uma fotografia escura com tons amarelos e marrons, nas sequências de rua e do cortiço, que contrastam com o colorido pastel dos cenários mais requintados – com direito a fogg, aquela camada de neblina que fica em segundo plano nas cenas de interior.

Tecnicamente falando, Lado a Lado enche os olhos. A direção de fotografia é de Walter Carvalho, renomado cineasta e fotógrafo paraibano. O figurino é belle époque – assinado por Beth Filipecki, tem referências no Impressionismo. Para as cenas que retratam ruas do Rio de Janeiro do início do século XX, a equipe da novela gravou no centro histórico de São Luís, no Maranhão, por sua arquitetura lembrar o Rio antigo. A abertura chama a atenção pelo ineditismo da música-tema: “Liberdade Liberdade”, samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense de 1989.

Mas a novela ainda não disse a que veio. Passados os dois primeiros capítulos, não ficou claro do que se trata a história. Lado a Lado é a estreia de João Ximenes Braga e Cláudia Lage como autores titulares. É a Globo renovando seu quadro de novelistas – como já aconteceu às sete horas, com Cheias de Charme, escrita pela dupla Felipe Miguez e Izabel de Oliveira. Coincidentemente, a novela das seis dos autores novatos estreia justamente na semana em que o experiente novelista Carlos Lombardi trocou a Globo pela Record.

João Ximenes Braga foi colaborador de Gilberto Braga em Paraíso Tropical (2007) e Insensato Coração (2011). Cláudia Lage trabalhou com Manoel Carlos em Viver a Vida (2009-2010). O texto de Lado a Lado tem a supervisão de Gilberto Braga. E já percebemos maneirismos do veterano autor em seus pupilos. No capítulo de terça-feira, a vilã, a baronesa Constância (Patrícia Pillar), chantageou uma funcionária da biblioteca para que a filha dela, Laura (Marjorie Estiano), deixasse de lecionar lá – chantagem do vilão é um recurso fartamente usado na teledramaturgia em geral, mas, por excelência, um recurso gilbertobraguiano.

Aliás, Patrícia Pillar é o grande destaque no elenco até agora. É da boca da arrogante baronesa que saem as melhores falas da novela (“Chantagem é um clássico, está nos melhores livros!”, disse ela ao chantagear a bibliotecária na cena descrita acima). Uma correlação inevitável: a Baronesa da Boa Vista só pode ser bisavó de Flora – a vilã interpretada por Patrícia em A Favorita (2008).

A audiência não respondeu à campanha de lançamento da novela. Com apenas 18 pontos no Ibope (cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo), Lado a Lado teve a pior estreia de uma trama das seis da Globo. A história da novela vai ter que pegar fogo já, pois, na iminência do horário de verão, vai ser difícil manter-se em patamares mais altos sem cativar a audiência logo.