Blog do Nilson Xavier

Arquivo : Rainha da Sucata

“Guerra dos Sexos” acerta ao focar no melodrama
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Nilson Xavier

Guilhermina Guinle e Reynaldo Gianecchini em “Guerra dos Sexos” (Foto: TV Globo)

Muita coisa rolou depois de mais de três meses da estreia do remake de “Guerra dos Sexos“. A trama de Silvio de Abreu enfrentou o Horário Político, enfrenta o Horário de Verão e a atual fraca audiência em todo o horário nobre na TV aberta brasileira. Teve a rejeição do público órfão da novela anterior, o sucesso “Cheias de Charme”. Lidou com todas as comparações possíveis com a versão original da novela, de 1983 – de elenco a tramas. Foi criticada pelo tema anacrônico (feminismo versus machismo), pela comédia sem graça, por algumas atuações do elenco, etc.

Mas, apesar dos percalços, a novela parece ter encontrado seu caminho. Quase em sua metade, “Guerra dos Sexos” já não causa mais o estranhamento do início. Talvez parte do público tenha se acostumado com a interpretação dos atores e embarcado na trama. Talvez os atores tenham encontrado o ponto de seus personagens. Reynaldo Gianecchini já não parece mais imitar o Pascoal, seu papel em “Belíssima”. Drica Moraes está mais à vontade em sua Nieta. Tony Ramos já soa menos histriônico. Edson Celulari não parece mais tão bobalhão com seu Felipe. Bianca Bin já não faz mais caras e bocas.

O elenco de “Guerra dos Sexos”, com poucas exceções, está afinado com a trama de Silvio, que já desce mais redonda, está agradável de se acompanhar. O autor tem focado nos romances e no melodrama, em detrimento ao humor, o que é um acerto. Nos últimos capítulos, vimos o caso de Wânia (Luana Piovani) e Felipe (Edson Celulari) ser descoberto por Charlô (Irene Ravache), que demitiu sua funcionária. Tudo pelas mãos da ardilosa Carolina (Bianca Bin). Em seguida, foi a vez de Juliana (Mariana Ximenes) ter seu caso com Fábio (Paulo Rocha) descoberto pela mulher dele, a neurótica Manuela (Guilhermina Guinle), que brindou o público com um barraco daqueles. Manuela ainda sofreu um acidente de carro que envolveu sua filha pequena, Cissa (Jesuela Moro). E Felipe não quer perdoar a filha Juliana, por se sentir traído. Quanto drama!

É claro que o horário da sete pede humor. Mas folhetim, independente da proposta, é folhetim: o melodrama ainda é a base. E, historicamente falando, em raras exceções, é sempre o drama que pode socorrer uma novela. Silvio já tem experiência com isso. Em 1990, “Rainha da Sucata” entrou para a história porque o autor percebeu a tempo que tinha que focar no melodrama, em detrimento ao humor que vinha aplicando. Na verdade, não existe uma receita para o sucesso. Mas certas premissas devem ser respeitadas. Janete Clair já pregava a boa dosagem do drama e comédia. E – parece – “Guerra dos Sexos” encontrou seu ponto certo.


Canal Viva vai reprisar a novela “Rainha da Sucata”
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Nilson Xavier

Depois de suspender o repeteco da novela A Próxima Vítima, o Canal Viva confirmou: já tem o título da trama que substituirá Que Rei Sou Eu? na faixa da meia-noite e quinze. É Rainha da Sucata, um dos grandes sucessos de Silvio de Abreu na Globo, a estreia do autor no horário nobre da emissora. A novela volta em janeiro. A Próxima Vítima fica para depois de Renascer, às 16h30.

Rainha da Sucata foi ao ar originalmente entre abril e outubro de 1990 e teve uma reprise no Vale a Pena Ver de Novo em 1994. Com direção geral de Jorge Fernando, a novela tinha um elenco enxuto, mas grandioso – reunia Regina Duarte, Glória Menezes, Tony Ramos, Antônio Fagundes, Paulo Gracindo, Daniel Filho, Renata Sorrah, Raul Cortez, Cleyde Yáconis, Nicette Bruno, Gianfrancesco Guarnieri, Aracy Balabanian, Lolita Rodrigues, Claudia Raia, Patrícia Pillar, Cláudia Ohana, Andrea Beltrão, Maurício Mattar, Marisa Orth, Marcello Novaes e outros – além das participações especiais de Fernanda Montenegro e Lima Duarte.

A história de Maria do Carmo (Regina Duarte), de origem humilde, mas que enriqueceu a partir de um ferro-velho (daí o título da novela). Mulher extravagante, cafona, que sonhava em se casar com seu amor da juventude, o quatrocentão falido Edu (Tony Ramos). Mas ela tinha que disputá-lo com a madrasta do rapaz, Laurinha Figueroa (Glória Menezes), socialite arrogante, apaixonada pelo enteado.

Rainha da Sucata vinha no rastro do sucesso da lambada, mostrada na abertura ao som do hit Me Chama Que Eu Vou”, cantado por Sidney Magall. De quebra, Maria do Carmo lutava na justiça pela posse de um prédio na Avenida Paulista, onde mantinha a Sucata, uma casa de shows – que tocava lambada, lógico! Dona Armênia (Aracy Balabanian) se dizia proprietária do terreno e seu bordão foi um grande sucesso na época: “Quero a prédio na chón!”.

Outro bordão da novela que caiu na boca do povo foi “coisas de Laurinha”,  repetido pelo ricaço falido Betinho Figueroa (Paulo Gracindo), sempre se referindo à sua mulher Laurinha. Ela, por sua vez, termina a novela suicidando-se para culpar sua inimiga Maria do Carmo: se joga do alto do prédio da Sucata, numa cena antológica.

Em 1990, Fernando Collor havia sido recém-eleito presidente da República, e seu plano econômico, que confiscava as cadernetas de poupança, foi lançado enquanto Rainha da Sucata estava começando. E a novela tratava exatamente do dinheiro, que trocava de mão, passava aos emergentes, novos ricos da época – tudo isso muito antes da “nova classe C”, tão em voga no momento.

Escrita por Sílvio de Abreu, Alcides Nogueira e José Antônio de Souza, direção de Jorge Fernando, Mário Márcio Bandarra, Fábio Sabag e Jodele Larcher.

Saiba mais sobre Rainha da Sucata no site Teledramaturgia.


“Cheias de Charme” repete trama de “Fina Estampa”
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Nilson Xavier

Os emergentes estão mesmo na moda. Pelo menos nas novelas. Tem a família de Tufão (Murilo Benício) em Avenida Brasil, e agora as Empreguetes em Cheias de Charme. Houve uma passagem de tempo na novela das sete e o grupo musical formado pelas ex-domésticas Penha, Rosário e Cida (Taís Araújo, Leandra Leal e Isabelle Drummond) se transformou num sucesso nacional.

Todas melhoraram de vida e estão devidamente repaginadas. O capítulo de segunda-feira (16/07) mostrou Cida levando a madrinha (Dhu Moraes) para jantar num restaurante chique. Penha comprou um carro e está de casa nova, maior, bem equipada. E Rosário vai comprar um apartamento alto padrão no mesmo condomínio de luxo onde um dia trabalhou como cozinheira na casa de Chayene (Cláudia Abreu), a inimiga das Empreguetes. Também Cida vai morar no condomínio, onde moram seus ex-patrões, a família Sarmento – agora em derrocada financeira.

É a história se repetindo. Na recente Fina Estampa, a protagonista pobre e humilde – Griselda de Lília Cabral – vivia em pé de guerra com a ricaça arrogante – Tereza Cristina de Christiane Torloni. Após ganhar na loteria, Griselda comprou uma mansão bem em frente à mansão de Teresa Cristina, para quem um dia prestou serviços domésticos como “marida de aluguel”.

Em tempo: personagens emergentes são recorrentes em novelas, independente da economia do país ou público alvo das tramas. O Cafona (1971) contava a história de um comerciante de subúrbio – vivido por Francisco Cuoco – que enriqueceu com seu negócio se tornando presidente de uma rede de supermercados. Mas seu sonho era entrar para a alta roda, mesmo sem ter nenhum traquejo social. Daí o título da novela.

Em Os Ossos do Barão (1973-1974), um imigrante italiano (Lima Duarte), que enriquecera com o trabalho, quer comprar a cripta mortuária do barão do café para quem trabalhou quando era criança, e cuja família quatrocentona estava falida e disposta a vender inclusive seu título de nobreza.

Em Rainha da Sucata (1990), uma mulher (Regina Duarte) – cuja família de origem humilde enriquecera a partir de um ferro-velho – era apaixonada e queria se casar com um rapaz (Tony Ramos) de família quatrocentona, mas falida. Ele não a amava, mas aceitou o casamento para tirar a família do vermelho.

Ainda: Foguinho (Lázaro Ramos) em Cobras e Lagartos (2006), que ganhou dinheiro com uma herança; a família de Meg Trajano (Françoise Forton) em Por Amor (1997-1998), representante dos emergentes cariocas da Barra da Tijuca; os personagens de Vidas em Jogo (2011-2012), que enriqueceram com um prêmio da loteria; e outros.


50 anos de carreira de Regina Duarte: relembre seus trabalhos na TV – Anos 90
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Nilson Xavier

Em “Rainha da Sucata”

Em 1990, Regina Duarte atuou em mais um grande sucesso de sua carreira. Em Rainha da Sucata – de Silvio de Abreu, com direção geral de Jorge Fernando – ela era a rica empresária Maria do Carmo Pereira, que se estabelecera com o negócio do pai que, de dono de um ferro velho, chegou a empresário do ramo de automóveis. Por sua origem humilde e jeitão despachado e cafona, Maria do Carmo ficou conhecida como Sucateira. Apaixonada desde os tempos de colégio por Edu (Tony Ramos), filho de milionários falidos, ela faz de tudo para aproximar-se do rapaz, que a despreza. E ainda tem que lidar com a arrogância da madrasta dele, a socialite Laurinha Figueroa (Glória Menezes), apaixonada pelo enteado. A situação piora com a derrocada econômica, causada por seu administrador mau caráter, Renato Maia (DanielFilho). E ainda perde o prédio na Avenida Paulista para sua vizinha, Dona Armênia (Aracy Balabanian), a legítima proprietária. Lá funcionava sua casa de shows, a Sucata. Maria do Carmo não hesita em recomeçar do zero, novamente juntando ferro-velho, como o pai fizera um dia.

Regina voltaria à TV em 1993, na série Retrato de Mulher – direção de Del Rangel com supervisão de texto de Walcyr Carrasco – onde interpretava uma personagem diferente a cada episódio mensal. O início dos episódios apresentava Regina em frente a um espelho, preparando-se para assumir a personagem e explicando brevemente a vida da mulher em questão. Cada episódio se intitulava “Era uma Vez…” e o nome da personagem que Regina ia interpretar. Assim, foi ao ar “Era uma Vez… Luciana”, “Era uma Vez… Tereza”, “Era uma Vez… Madalena”, etc.

Na chamada da minissérie “Incidente em Antares”

Em 1994, Regina fez uma participação especialíssima na minissérie Incidente em Antares, escrita por Charles Peixoto e Nelson Nadotti a partir do romance de Érico Veríssimo, com direção geral de Paulo José. Ela era a telefonista Shirley, que passava o tempo todo ao telefone contando os últimos acontecimentos da cidade de Antares. Shirley funcionava como uma espécie de narradora da história e, a cada novo capítulo, relembrava o capítulo anterior.

Em sua participação no remake de “Irmãos Coragem”

Em comemoração aos trinta anos da Globo, a emissora produziu, em 1995, um remake da novela Irmãos Coragem, de Janete Clair, com direção geral de Luiz Fernando Carvalho e Reynaldo Boury. Regina havia atuado na primeira versão, em 1970, como Ritinha. Em 1995 ela retornou numa pequena participação que soou como uma homenagem. Regina aparece rapidamente numa cena com a filha Gabriela Duarte, a Ritinha desta nova versão.

Com José Mayer em “História de Amor”

Ainda em 1995, Regina Duarte estrelou História de Amor, de Manoel Carlos, em que viveu a primeira das três Helenas do autor que ela interpretou. A novela – com direção geral de Ricardo Waddington – foi um sucesso das seis da tarde, um folhetim leve e charmoso. Helena era uma mulher batalhadora que enfrentava a gravidez prematura da filha rebelde, Joice (Carla Marins). O ex-marido, Assunção (Nuno Leal Maia), pai de Joice, não se conformava com a situação. Solitária, Helena despertou o interesse do médico Carlos (José Mayer) e não resistiu a essa nova paixão. Mas Carlos já era comprometido e sofria com os ciúmes da possessiva noiva Paula (Carolina Ferraz). De casamento marcado com Paula e balançado por Helena, Carlos ainda era assediado pela ex-mulher Sheyla (Lília Cabral), que sonhava com uma reaproximação.

Com sua filha Gabriela Duarte em “Por Amor”

O trabalho seguinte de Regina foi interpretar outra das Helenas de Manoel Carlos: em Por Amor (1997-1998), com direção geral de Ricardo Waddington e Roberto Naar. Novamente a atriz voltava a contracenar com sua filha Gabriela, e nos papeis de mãe e filha, como já explicitava a bela abertura da novela. Helena se casou com Atílio (Antônio Fagundes), enquanto a filha Eduarda (Gabriela Duarte) se casou com Marcelo (Fábio Assunção). Mãe e filha engravidaram na mesma época e acabaram dando a luz no mesmo dia e horário, no mesmo hospital, aos cuidados do jovem médico César (Marcelo Serrado), eterno apaixonado por Eduarda. O filho de Helena nasceu saudável, mas Eduarda sofreu complicações no parto e seu filho morreu logo depois. Para complicar a situação da moça, ela nunca mais poderia ter filhos. Helena imaginou que seria um golpe duro demais para a filha e, desesperada, fez um pacto com o médico: trocou as crianças. Eduarda criou então o irmãozinho pensando ser ele seu próprio filho. A única pessoa que sabia desse segredo era César, que concordou com a troca pelo mesmo objetivo que a mãe: não fazer Eduarda sofrer. Mas o sofrimento maior era de Helena, que foi obrigada a tratar o filho como neto enquanto via seu relacionamento com Atílio desmoronar, apesar do grande amor que sentiam um pelo outro. Um folhetim dramático mas irresistível, Por Amor foi um dos maiores sucessos de Manoel Carlos – a troca de bebês da história mobilizou o país. A novela contou com a atuação de um excelente elenco, que tinha ainda Susana Vieira, Vivianne Pasmanter, Cássia Kiss, Carolina Ferraz e Paulo José em papeis marcantes.

Envelhecida para a minissérie “Chiquinha Gonzaga”

Regina Duarte encerrou a década de 1990 com um trabalho primoroso ao dar vida à compositora Chiquinha Gonzaga, na minissérie escrita por Lauro César Muniz e Marcílio Moraes, em 1999, com direção geral de Jayme Monjardim. Chiquinha escandalizou a sociedade carioca de sua época com seus ideais libertários, seus amores, sua arte e com a popularização do samba como música genuinamente brasileira. Entre a classe artística marginalizada, encontrou o apoio para compor e tornou-se a primeira compositora e maestrina do cenário brasileiro do final do século XIX. Gabriela Duarte viveu a personagem na fase jovem, enquanto Regina fez a Chiquinha madura e, com uma forte máscara de silicone, a Chiquinha velha.

Relembre a trajetória da atriz nos anos 60.

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