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Novela “Vitória” é bem escrita, mas mal realizada nas cenas de ação
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Nilson Xavier

O delegado Ramiro (Jonas Bloch) fantasiado de neonazista (Foto: Reprodução)

O delegado Ramiro (Jonas Bloch) fantasiado de neonazista (Foto: Reprodução)

É evidente o empenho da novelista Cristianne Fridman em mostrar um bom trabalho em sua novela “Vitória”, na Record. A trama é movimentada, já teve várias reviravoltas, parece que sempre se renova. Isso é essencial para o folhetim nos dias de hoje, em que o público precisa ser fisgado. “Vitória” ainda dosa bem romance, humor e ação. Mesmo assim, a novela pouco repercute.

A parte folhetinesca está na trama central, que aborda as disputas e interesses familiares envolvendo o casal romântico principal, Arthur (Bruno Ferrari) e Diana (Thaís Melchior). As tramas paralelas de maior destaque são duas: a dos desempregados que tiram a roupa para ganhar algum dinheiro – que traz leveza à atração, a parte da comédia – e a trama envolvendo os neonazistas – o lado mais “pesado” da novela.

É aí que “Vitória” derrapa. A história é bem conduzida, mas mal realizada quando exige mais além do trivial. Difícil vislumbrar se é um problema de direção ou de produção. Ou os dois. As sequências com mais ação, envolvendo confrontos entre a polícia e os vilões, deixam a desejar. Como a do capítulo desta quinta-feira (16/10), em que o delegado Ramiro (Jonas Bloch) se “fantasiou” de neonazista para infiltrar-se em um bar frequentado pelos bandidos.

Descoberto pelos neonazistas, ele acionou os policiais do lado de fora, que invadiram o local e iniciaram o tiroteio, numa sequência das mais fakes já vistas na Teledramaturgia moderna. Socos e marcação dos atores tão improváveis quanto o sangue cenográfico usado na cena. Não foi a primeira sequência de ação que não convenceu. “Vitória” merecia um cuidado maior. Fridman teve mais sorte com suas novelas anteriores na Record, “Chamas da Vida” (2008-2009) e “Vidas em Jogo” (2011-2012).


Nova produção da Record, “Plano Alto” promete, apesar do horário tardio
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Nilson Xavier

Milhem Cortaz, Gracindo Jr. e Bernardo Falcone em "Plano Alto" (Foto: Divulgação/TV Record)

Milhem Cortaz, Gracindo Jr. e Bernardo Falcone em “Plano Alto” (Foto: Divulgação/TV Record)

A premissa de “Plano Alto” – a minissérie da Record que estreou nesta terça, 30/09 – é das mais interessantes. Três gerações de uma família ligada à Política: o avô lutou contra a Ditadura Militar, nos Anos de Chumbo, o pai foi cara pintada, no início da década de 1990, e o neto/filho participa das manifestações populares de 2013. Cai bem para um ano eleitoral como este. A produção estreia às vésperas do primeiro turno. Com apenas 12 capítulos (exibidos em três semanas), terminará antes do segundo turno.

Guido Flores (Gracindo Jr.) tornou-se governador. O filho, João Titino (Milhem Cortaz), com quem ele tem uma relação meramente política, é deputado federal. E Rico (Bernardo Falcone), criado longe do pai e do avô, é um estudante que vai se envolver com “black blocs”. Interessante notar que o autor, o experiente Marcílio Moraes, criou um distanciamento entre os personagens, apesar dos laços parentescos entre eles. O intuito é justamente dar ênfase ao jogo do poder político sobrepondo relações afetivas e familiares.

A minissérie pretende explorar uma faceta interessante da Política: a de que a dança do poder depende muito de qual lado se está. Contestadores na juventude – Guido como guerrilheiro e Titino como cara pintada –, os dois acabaram se rendendo ao sistema para chegar ao poder. O black bloc Rico terá o mesmo destino? Marcílio Moraes afirmou que, ao final da história, deixou uma brecha para que “Plano Alto” tivesse uma continuação (uma próxima temporada).

O autor ainda salientou que sua obra é totalmente apartidária e que não faz apologia a nenhum candidato neste ano de eleições. Nenhum partido real é mencionado. E a Brasília apresentada é cenográfica: a produção não conseguiu permissão para gravar em prédios do Governo – a não ser as tomadas da cidade, claro. O cara pintada Titino participou de manifestações pelo impeachment “de um certo presidente” no início dos anos 1990 – o nome de Fernando Collor não é citado na minissérie, apesar da referência óbvia.

Além do roteiro, que promete, “Plano Alto” tem outras qualidades que ficaram visíveis neste primeiro capítulo. O elenco é excelente: também Jussara Freire, Paulo Gorgulho, Esther Góes, Mariah Rocha, Daniela Galli, André Mattos, Floriano Peixoto, Giuseppe Oristânio, Flávia Monteiro, Bia Montez, Bemvindo Siqueira e outros. A direção de Ivan Zettel mostrou um ótimo serviço nessa estreia: edição ágil e bem cortada, sonorização de qualidade, câmeras seguras, elenco bem dirigido.

Por enquanto, apenas duas ressalvas. Ter que esperar o fim do episódio diário de “A Fazenda” para assistir a minissérie significa horário tardio e incerto. “Plano Alto” merecia um espaço mais nobre na grade da Record – apesar da possibilidade de o reality entregar a minissérie com audiência razoável. E há de se prestar atenção na escalação de Carla Diaz para um papel importante na trama, a black bloc Lucrécia. O pouco que se viu da atriz nesta estreia destoou do resto. Tomara que seja apenas a primeira impressão.

No mais, “Plano Alto” promete ser uma excelente opção off-Globo. Temáticas políticas que exploram os bastidores do poder são raras na Teledramaturgia brasileira. E “Plano Alto” ainda carrega a grife Marcílio Moraes.

Leia também: Maurício Stycer “Plano Alto” faz reflexão política inteligente mas estreia na data errada.


Apesar do capítulo de estreia confuso, “Vitória” pode agradar
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Nilson Xavier

Bruno Ferrari e Thaís Melchior (Foto: Divulgação/Rede Record)

Bruno Ferrari e Thaís Melchior (Foto: Divulgação/Rede Record)

A Record aposta em sua novelista mais tradicional para tentar alavancar a repercussão de sua Teledramaturgia, em baixa nos últimos anos. Christianne Fridman é autora de alguns títulos considerados sucessos para o padrão da emissora, como “Chamas da Vida” (2008-2009) e “Vidas em Jogo” (2011-2012). E Fridman vai por caminhos conhecidos nesta estreia de “Vitória”, a mais nova produção da casa, que começou nesta segunda-feira (02/06). Tudo era folhetim puro, levado às últimas consequências. Da trama em si aos diálogos melodramáticos, com muitas referências ao universo equino – mote central da novela. A Vitória do título é uma égua, não a protagonista (como pensaram alguns) – que se chama Diana, interpretada por Thaís Melchior, até então coadjuvante na Globo, de “Malhação” e “Saramandaia“.

O maior problema deste capítulo, a meu ver, foi a edição equivocada, apressada e confusa. Tudo bem que em uma estreia há de se apresentar ao público a história e os personagens principais. Mas o afã de explicar muito, e corrido, pode ser nocivo. A primeira parte do capitulo misturou a trama central com algumas paralelas – como o núcleo dos neonazistas – e outras, neste momento, sem importância – como o trio que foi demitido – para que? Pareceu solto, perdido.

A segunda parte do capítulo foi exclusiva para a trama central, com o amor fulminante (um tanto quanto pouco convincente) de Artur (Bruno Ferrari), o vilão paraplégico ávido por vingança, por Diana, filha do homem que ele quer vingar, que, por sinal, é seu pai (Antônio Grassi). Tudo muito rápido, quando lá na primeira parte se perdeu tempo com uma trama paralela desimportante. Sequências de flashback que deveriam explicar, confundiram. Entretanto, é preciso elogiar a ousadia de Christianne Fridman ao apostar no melodrama rasgado, com direito a sequências fortes, como aquela em que pai e filho se confrontam numa espécie de ajuste contas.

Ótima produção (com belas externas em Petrópólis e Curaçao, no Caribe), num capítulo de estreia dos mais confusos. “Vitória” tem o folhetim clássico como tempero principal – mais uma história de vingança. O melodrama latino-americano se fez sentir também pela locação caribenha e por Thalia na trilha sonora. A julgar pelo currículo da autora, a novela tem tudo para agradar. Ela só precisa parar com expressões do tipo:

“Nunca tive as rédeas de minha vida nas minhas mãos”
“Ele ficou paraplégico. Nenhum de nós se levantou novamente”
“Tomara eu ter emprenhado ela. As pernas não funcionam mas ainda sou um garanhão”
“Quanto mais coice, mais eu gosto”


“Pecado Mortal” foi uma novela diferente entre as produções da Record
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Nilson Xavier

Fernando Pavão e Simone Spoladore (Foto: Divulgação/Rede Record)

Fernando Pavão e Simone Spoladore (Foto: Divulgação/Rede Record)

Pecado Mortal”, a novela da Record que terminou nesta sexta-feira (30/05), esteve e manteve-se dentro do que se esperava de uma trama de Carlos Lombardi: diálogos rápidos e cheios de sarcasmo, piadinhas de cunho sexual e/ou duplo sentido, torsos nus, relações familiares conflituosas, muita ação, tiro, porrada e bomba. Nada muito diferente do já conhecido universo do novelista, por seus trabalhos anteriores na Globo.

Mas a grife Carlos Lombardi – estreia na Record – não foi o suficiente para chamar a atenção do público. “Pecado Mortal” até mudou de horário: das 22h30 foi para as 21h15, batendo de frente com a principal novela da Globo. Estratégia ou descaso da Record?… O folhetim fecha em 6 pontos no Ibope da Grande São Paulo, empatando entre as menores médias das novelas da Record, em dez anos. Se bem que audiência em declínio é um fenômeno que atinge o horário nobre de todas as emissoras.

O capítulo de estreia foi excelente – uma primeira fase que mostrou os antecedentes dos protagonistas. Ao longo da novela, alguns desdobramentos e cenas marcaram. Como o sonho de Carlão (Fernando Pavão), em que os personagens estavam com papeis invertidos, em uma espécie de “universo paralelo” dentro da trama da novela. Ou a ótima sequência exibida nesta semana final, em que Carlão se viu obrigado a atirar no pai, Michelle Vêneto (Luiz Guilherme), para que ele não sofresse ao morrer queimado pelo vilão Picasso (Victor Hugo).

Parece que a produção de “Pecado Mortal” optou por uma reconstituição de época (a história se passava na década de 1970) atemporal, que misturava elementos dos anos 1970 (como alguns cenários, automóveis, figurinos) com referências atuais. Estranhou no início, mas funcionou na trama de Lombardi, muito pautada em gírias e expressões modernas – também nos corpos sarados e bombados, quando este não era um padrão de beleza de quarenta anos atrás.

A história ziguezagueou, centralizada na perseguição de Picasso a Carlão, uma briga de gato e rato sem fim. Mas que até segurou-se bem, graça ao talento dos atores. Aliás, Victor Hugo foi, em minha opinião, a grande revelação da novela. Desde o início, uma interpretação segura e convincente. Fernando Pavão, tendo nas mãos o papel do herói, teve a seu favor o porte físico. O apelido de Carlão – Poderoso Thor – não foi à toa. “Pecado Mortal” mais pareceu um melodrama de super-herói de histórias em quadrinhos. Carlão – o herói – e Picasso – o vilão-mor. Só faltou a capa. E isso não é uma crítica negativa – pelo contrário, casou com a proposta de Lombardi. “Pecado Mortal” foi, acima de tudo, a história de um super-herói.

Além de Fernando Pavão e Victor Hugo, o elenco teve outros destaques, como Paloma Duarte (Doroteia), sempre ótima em interpretações intensas, Simone Spoladore (Patrícia), Luiz Guilherme (Michelle), Felipe Cardoso (Otávio), Gustavo Machado (Danilo), Carla Cabral (Laura) e Denise Del Vecchio (Das Dores). Pena que a trama de Laura (Carla Cabral) foi perdendo espaço na novela. Pena que Jussara Freire saiu da novela – sua Donana era uma das melhores personagens e a atriz estava excelente.

Além da saída de Jussara, a produção sofreu outras baixas: Marcos Pitombo foi remanejado para a nova novela da casa, “Vitória”; Mel Lisboa pediu para sair, priorizando outros compromissos profissionais (o que gerou um desconforto entre a atriz e a produção); o diretor geral, Alexandre Avancini, foi deslocado para outra produção; e a saúde de Betty Lago comprometeu a trama de sua personagem, Stella. O autor ainda teve que fazer alguns ajustes na história: carregou no romance, intensificando cenas de idílio amoroso e familiar entre os protagonistas.

Pecado Mortal”, longe de ser um sucesso, de audiência ou repercussão, cumpriu bem o seu papel – apesar dos pesares. Como já disse em outras ocasiões, é bom quando a televisão diversifica suas opções de entretenimento. E a história de Carlos Lombardi diversificou inclusive entre as produções da Record.

Leia também a entrevista de Carlos Lombardi ao colunista Maurício Stycer: “Quem gosta de novela se afastou da Record”, diz autor de “Pecado Mortal.


“Pecado Mortal” é uma boa opção diante do marasmo de “Em Família”
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Nilson Xavier

Simonje Spoladore, Fernando Pavão e Victor Hugo em "Pecado Mortal" (Foto: Divulgação/Rede Record)

Simone Spoladore, Fernando Pavão e Victor Hugo em “Pecado Mortal” (Foto: Divulgação/Rede Record)

“Em Família” está chata? Que tal trocar de canal?

Para o marasmo da novela das nove da Globo, não falta opção, em outros canais. Como “Pecado Mortal”, na Record, concorrente de “Em Família” no horário. A trama de Carlos Lombardi continua sendo uma boa pedida. A novela começou bem, elogiada pela crítica especializada. Mas a audiência, abaixo das fracas tramas antecessoras (“Balacobaco” e “Dona Xepa”), fez a Record trocar o horário de seu folhetim, das 22h30 para as 21h10, batendo de frente com a principal novela da Globo. Uma demonstração da falta de cuidado e atenção da emissora da Barra Funda com sua principal novela frente um desempenho aquém do desejado.

Com a mudança de horário, o Ibope de “Pecado Mortal” não deu sinal de melhoras: patina nos 6 pontos na Grande São Paulo – apesar da audiência de “Em Família” também estar abaixo do esperado no horário, para uma novela da Globo. Muito se tem reclamado da história de Manoel Carlos, que tem mantido seu público apático. O mesmo não se pode falar de “Pecado Mortal”, ainda embasada em boas reviravoltas, ação, romance e o ótimo texto do autor. Apesar de prejudicado, Lombardi tem se virado nos trinta para levar sua trama adiante. E não faltaram obstáculos nessa trajetória.

Por causa do déficit no casting da Record, atores e diretores têm sido remanejados. Como Marcos Pitombo, que perdeu seu personagem (Ramiro) para entrar na próxima novela, “Vitória”. O diretor geral Alexandre Avancini afastou-se – foi cuidar da nova produção da casa, “Os Dez Mandamentos”. A atriz Mel Lisboa pediu para sair, o que causou um desconforto entre ela e a produção. A saúde de Betty Lago, que vive uma das protagonistas (Stela), tem a mantido afastada da trama. E, por fim, por conta desses ajustes todos, Lombardi ainda sacrificou a excelente personagem de Jussara Freire, a vilã Donana – ela travava ótimos embates com Stela e a duas ainda formavam um triângulo amoroso maduro, com Michelle Vêneto (Luiz Guilherme).

Mexe aqui, ajusta ali e alguns focos foram perdendo força ao longo do tempo, como a trama de Laura (Carla Cabral), que tinha uma das principais histórias paralelas dentro da novela. Nesse sobe e desce, ganhou Denise Del Vecchio, cuja personagem, Das Dores, agora ajuda o protagonista Carlão (Fernando Pavão) contra os seus opositores. O romance entre Carlão e a mulher, Patrícia (Simone Spoladore), ganha novos contornos com o triângulo que se formou entre eles e Dorotéia (Paloma Duarte). Lombardi está carregando neste romance, fazendo o público ficar em dúvida se torce por Carlão com Patrícia ou com Dorotéia. É que Patrícia está caindo feito uma patinha na lábia do vilão Picasso (Victor Hugo), o antagonista-mor de Carlão.

Pecado Mortal” não deixa nada a dever a uma boa novela da Globo. Apesar de todos os percalços, tem produção e direção caprichadas, bom elenco e uma trama que mistura ação e romance no texto sempre afiado de Lombardi. Bom mesmo é assim, quando a TV pode garantir mais de uma opção, para todos os gostos. Ao alcance de um clique no controle remoto. Para trocar de canal ou para desligar a TV.


“Pecado Mortal” e “Além do Horizonte” são ótimos folhetins policiais
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Nilson Xavier

Marcello Novaes, Caco Ciocler e Thiago Rodrigues em "Além do Horizonte" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Marcello Novaes, Caco Ciocler e Thiago Rodrigues em “Além do Horizonte” (Foto: Divulgação/TV Globo)

O telespectador não está dando a devida atenção para duas ótimas novelas atualmente no ar: “Pecado Mortal” (de Carlos Lombardi, na Record) e “Além do Horizonte” (da dupla Carlos Gregório e Marcos Bernstein, na Globo). Ambas passam por uma audiência vexatória e carregam o estigma do “menor Ibope”. “Pecado Mortal” é o menor Ibope entre as novelas da Record desde a retomada da dramaturgia da emissora, em 2004 – oscila entre 4 e 5 pontos. E “Além do Horizonte”, o menor Ibope da história entre as novelas do horário das sete da Globo – média de 19 pontos (há um ano, no mesmo período de horário de verão, “Guerra dos Sexos” estava em 21).

As duas causam/causaram preocupação em suas emissoras. “Pecado Mortal”, apesar de bem recebida pela crítica especializada, tem audiência ainda menor que os metralhados três folhetins anteriores (“Máscaras”, “Balacobaco” e “Dona Xepa”). Era grande a esperança da Record em retomar o público que se esvaiu do canal, mas só decepcionou. Numa estratégia para melhorar o seu primetime, a emissora jogou a novela para concorrer diretamente com a nova atração da Globo, a aguardada “Em Família”, de Manoel Carlos. É claro que não surtiria efeito.

Além do Horizonte” começou com ares de “inovação”. Uma trama cheia de mistérios – que lembrava seriados americanos do gênero – e subjetiva demais (a busca da felicidade) que afastou o público, não acostumado com esse tipo de abordagem às sete horas. Com o horário de verão, não teve como escapar da pecha de “menor audiência da história no horário”.

Fernando Pavão e Simone Spoladore em "Pecado Mortal" (Foto: Divulgação/TV Record)

Fernando Pavão e Simone Spoladore em “Pecado Mortal” (Foto: Divulgação/TV Record)

Vejo que os dois folhetins têm algo em comum: atualmente, são tramas carregadas de ação, com uma pegada policial, mas sem abandonar o romance. “Pecado Mortal”, desde o começo, tinha ação, perseguições policiais e o humor sarcástico embutido no ótimo texto de Carlos Lombardi. Para chamar a atenção do público, o que autor fez? Engrossou o romance e o apelo familiar, com muitas cenas de idílio amoroso entre os protagonistas Carlão (Fernando Pavão) e Patrícia (Simone Spoladore) e sua prole.

Além do Horizonte”, por sua vez, abandonou os mistérios nebulosos e deixou claro para o público do que se tratava, carregou no romance (inclusive rearranjando casais românticos), no humor e transformou-se de uma trama de suspense em uma trama policial. A novela ganhou em agilidade narrativa. Aliás, foi impressionante a forma como os autores reverteram a situação, transformando personagens dúbios (como Líder Jorge/Cássio Gabus Mendes, LC/Antônio Calloni, Hermes/Alexandre Nero e Tereza/Carolina Ferraz) em tipos bem mais ricos e interessantes.

Quando se fala em tornar uma novela mais digerível para o público médio, o primeiro diagnóstico é o de que falta romance na trama. Folhetim é folhetim, não é seriado americano (e nem cabe comparação). Não adianta fugir da velha fórmula de amores complicados, cheios de percalços. Até a revolucionária “Beto Rockfeller” (1968-1969), considerada a grande virada na teledramaturgia brasileira, manteve-se fiel ao gênero. “O Bem Amado” (1973), “Roque Santeiro” (1985-1986), “Vale Tudo” (1988), “Que Rei Sou Eu?” (1989), todas tinham boas doses de amores conflituosos. O público mais conservador entende que vai assistir a algum romance. Se não o reconhece, estranha.

O Rebu” (1974) e “A Próxima Vítima” (1995) são exemplos de folhetins policiais por excelência (romance + o gênero policial). “Pecado Mortal” e “Além do Horizonte” são interessantes casos de novelas policiais em que o folhetim não está abandonado. A proposta de “inovação” sempre será bem vinda. Mas não adianta reinventar a roda. E o mais do mesmo feijão com arroz ainda funciona, mesmo em tempos de novas mídias e concorrência com tv a cabo e internet. Chamar a atenção da audiência adormecida é outra questão. E não é tarefa fácil.


Público conservador parece rejeitar “Pecado Mortal”
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Nilson Xavier

Denise Del Vecchio e Victor Hugo em cena de "Pecado Mortal" (Foto: Divulgação/Rede Record)

Denise Del Vecchio e Victor Hugo em cena de “Pecado Mortal” (Foto: Divulgação/Rede Record)

É difícil concluir quem é o vilão de “Pecado Mortal”, a novela da Record. Não o vilão da história, mas o vilão que impede que a trama de Carlos Lombardi deslanche na audiência. Patinando nos 6 pontos no Ibope da Grande São Paulo, a novela mantém o baixo índice das tramas anteriores no horário.

A Globo tem esticado seu folhetim das nove, “Amor à Vida”, o quanto pode. Ontem, quinta-feira (28/11), a novela de Walcyr Carrasco terminou às 22h45. A Record entende que o melhor público para “Pecado Mortal” é aquele que viu “Amor à Vida” e troca de canal procurando uma outra novela. E quanto mais “Pecado Mortal” for empurrada para mais tarde, menos público terá.

Outro fator a ser considerado é que a Record perdeu parte do público de novelas que tinha. “Vidas em Jogo”, que terminou em abril de 2012, foi o último folhetim da emissora a registrar dois dígitos no Ibope. “Máscaras”, que veio na sequência, afundou a audiência e, desde então, a emissora não consegue emplacar uma novela com resultados satisfatórios – entende-se dois dígitos no Ibope.

De todas as novelas apresentadas desde então, “Pecado Mortal” é, sem dúvida, a melhor delas. Uma produção caprichada, uma novela bem feita, bem dirigida (direção geral de Alexandre Avancini). Um elenco milimetricamente escalado, com ótimos atores. Uma trama interessante, história bem contada, que mistura romance, dramas familiares, e uma boa dose de trama policial, com ação e um tanto de violência. A fórmula foi pensada para conquistar desde a dona de casa até o pai de família.

De quebra, o texto sempre inspirado de Carlos Lombardi, na medida certa, sem mais os exageros de humor de suas novelas das sete horas da Globo. No ar, “Pecado Mortal” mantém a grife do autor, inclusive com os descamisados e as mulheres sensuais – como não poderia ser diferente.

É difícil traçar um diagnóstico. Mas arrisco um. O telespectador da Record, o que prestigiava as novelas até “Vidas em Jogo” e que se esvaiu, parece um público muito conservador, que não se empolga com as liberdades criativas de Lombardi, com seu universo permissivo, onde o sexo está sempre implicitamente presente.

Pecado Mortal” começou num ritmo alucinante e pode, a princípio, ter confundido o telespectador. Lombardi reduziu a velocidade. A novela está mais romântica, mais leve, com muitas cenas “de família”, de relação pais e filhos, envolvendo o afeto do clã dos Veneto. Parece que a iniciativa visa cativar e chamar a atenção de um público que não vê com bons olhos a permissividade lombardiana perpetuada em tramas com personagens em pouca roupa e um texto repleto de tesão nas entrelinhas.


Com audiência baixa, “Pecado Mortal” ainda não decolou
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Nilson Xavier

Jussara Freire (Donana), Betty Lago (Stella) e Luiz Guilherme (Michelle) em “Pecado Mortal” (Foto: Divulgação/Rede Record)

Passado um mês da estreia de “Pecado Mortal”, a novela da Record, nos perguntamos por que a trama de Carlos Lombardi ainda não caiu no gosto do público. Os números no Ibope não são muito diferentes dos da atração anterior no horário, “Dona Xepa” – entre 6 e 8 pontos de média na Grande São Paulo.

Maurício Stycer, colunista do UOL, já fez a mesma pergunta em seu texto de 8 de outubro, AQUI.

A novela apresenta uma ótima produção, um bom elenco e é bem dirigida. Não deixa muito a dever às produções da Globo. O casal de atores protagonistas – Fernando Pavão e Simone Spoladore (Carlão e Patrícia) – está bem, eles combinam com o texto do autor e têm química em cena. O trio Betty Lago, Luiz Guilherme e Jussara Freire (Stella-Michelle-Donana)  deitam e rolam em cenas bem escritas e dirigidas. Carla Cabral (Laura) e Paloma Duarte (Doroteia) se destacam no elenco feminino, enquanto Victor Hugo (Picasso) e Felipe Cardoso (Otávio) mostram que foram apostas acertadas.

A novela é bastante ágil, com texto rápido, cenas clipadas, ação, perseguição, tiroteio, violência. Requer atenção do público, desacostumado já com novelas que exijam um pouco mais do que sua simples passividade. Seria esse o calcanhar de Aquiles de “Pecado Mortal”? Ou o telespectador ainda está muito condicionado à programação global? Notei que o único dia em que a concorrente apresenta algo que soa como novidade para seu público, na hora de “Pecado Mortal”, é quinta-feira, com o “The Voice Brasil” (anteriormente uma atração dominical).

O autor já afirmou que vai dar uma diminuída no ritmo da novela e abrir mais espaço para o romance. Acho prudente. É preciso primeiro cativar o público com personagens que ele goste, se identifique – claro, tendo como pano de fundo uma história que lhe agrade. Essa primeira conquista é essencial, vital, é quando o telespectador compra a novela, paga para ver.

A julgar pelos números de Ibope, o telespectador de “Pecado Mortal” é o cativo da emissora, o mesmo de “Balacobaco” e “Dona Xepa”. Toda campanha de lançamento para atrair um público novo parece ter surtido pouco efeito até o momento. Mas sabemos também que um mês é pouco tempo. Ainda mais em se tratando da Record, que vem de uma fase de baixa. É normal que essa conquista aconteça paulatinamente.


“Pecado Mortal” estreia em grande estilo
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Nilson Xavier

Maytê Piragibe e Marcela Barrozo no prólogo de “Pecado Mortal” (Foto: Divulgação/TV Record)

No contrato de Carlos Lombardi com a Record deve ter uma cláusula assim: “Quero que minha estreia seja em grande estilo”. E foi isso o que se viu no primeiro capítulo de “Pecado Mortal”, nesta quarta, 25/09. Agilidade é a palavra que definiu o capítulo. Desde a primeira fase da história, passada em 1941, rápida, incisiva e objetiva, até o desenrolar da trama, 36 anos depois, em 1977. Talvez o público mais desavisado tenha estranhado a rapidez de Lombardi em contar uma história, afinal ele está há seis anos afastado das novelas (a última foi “Pé na Jaca”, em 2007).

Foi acertada a estreia numa quarta-feira – dia com futebol na Globo e em que a trama das nove global termina mais cedo. A novela da Record marcou 11 pontos no Ibope da Grande São Paulo (Globo 20 e SBT 7). Estranho mesmo foi ver em “Pecado Mortal” boa parte do elenco da atração anterior, a minissérie bíblica “José do Egito”.

A primeira fase encheu os olhos com uma fotografia interessante e uma bonita reconstituição de época. Neste momento, brilhou Maytê Piragibe, segura como a vilã Donana, capaz de matar o bicheiro chefão do morro para que seu marido ocupasse a posição dele, e roubar o filho recém-nascido da mulher de seu amante para apresentá-lo como seu filho legítimo para o marido. Ufa!

De repente, a novela cortou para a década de 1970, com um clipe colorido que contrastou com a fotografia soturna da fase anterior. A trilha sonora nostálgica se fez presente durante todo o capítulo, muito bem executada, mesclando 70´s hits brasileiros e estrangeiros. Os personagens e as tramas foram sendo apresentados, mas à moda lombardiana, ou seja, com tiros, perseguições, correria, diálogos diretos e sarcásticos e torsos nus – marcas registradas do autor que o consagraram em suas tramas globais. Lombardi havia prometido moderação no humor e foco na ação dramática. E cumpriu.

Abertura bonita, trilha sonora condizente, proposta estética interessante (poucas vezes a década de 1970 foi reconstituída em nossa Teledramaturgia). Direção (geral de Alexandre Avancini) firme e elenco seguro (Fernando Pavão é o descamisado da vez.). Ótimo gancho para o segundo capítulo. “Pecado Mortal” estreou em grande estilo, sem tropeços, de tirar o fôlego – raras vezes visto na Record. Tomara que continue assim. Lembram como foi a estreia de “Amor À Vida”?


“Balacobaco” afastou lembrança de “Máscaras” mas penou na audiência
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Nilson Xavier

Juliana Silveira e Bruno Ferrari em “Balacobaco” (Foto: Divulgação/TV Record)

Se a intenção da Record com “Balacobaco” era afastar o fantasma de “Máscaras”, pode-se dizer que a meta foi atingida. “Máscaras” ficou no passado e é um projeto que a Record não faz questão de lembrar. Mas isso não quer dizer que “Balacobaco” teve vida fácil.

A novela causou estranhamento quando estreou. Era uma proposta completamente diferente da de sua antecessora. Colorida, espalhafatosa, num tom farsesco, metida a engraçada, com trilha popularíssima e personagens caricatos. Ficou claro que a inspiração da autora, Gisele Joras, foram dois sucessos recentes da Globo: a também colorida e alegre “Cheias de Charme” com a pegada “nova classe C” de “Avenida Brasil”. Pode-se dizer que foi uma aposta corajosa jogar às 22h30 uma novela com forte apelo de comédia e características comuns às novelas do horário das sete da Globo.

Alguns ajustes na trama foram feitos logo no início, mas, passados sete meses da estreia, percebe-se que a sua proposta permaneceu fiel até o fim, o que é bastante louvável. Outro ponto positivo foi a Record ter mantido “Balacobaco” em seu horário original desde o começo – diferente de “Máscaras”, que correu ao caminho dos ventos da audiência e das prioridades da grade da emissora, o que muito a prejudicou.

Infelizmente, a Record ainda não conseguiu recuperar os áureos dois dígitos na audiência que suas novelas tinham antes de “Máscaras”. “Vidas em Jogo” fechou com uma média final de 12 pontos no Ibope da Grande São Paulo. “Máscaras” derrubou para a metade (6 pontos), e “Balacobaco” fecha com 7 pontos. Pelo visto, “Dona Xepa” terá bastante trabalho pela frente.

Não foi a melhor novela de Gisele Joras. Prefiro “Amor e Intrigas”, de 2008. Mas o vilão Norberto foi o melhor papel de Bruno Ferrari na TV – um jovem ator que já havia chamado a atenção em trabalhos anteriores e que cresce a passos largos a cada papel.

Leia também: “Autora de Balacobaco revela fim de alguns personagens”.