Blog do Nilson Xavier

Arquivo : Record

“Pecado Mortal” e “Além do Horizonte” são ótimos folhetins policiais
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Nilson Xavier

Marcello Novaes, Caco Ciocler e Thiago Rodrigues em "Além do Horizonte" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Marcello Novaes, Caco Ciocler e Thiago Rodrigues em “Além do Horizonte” (Foto: Divulgação/TV Globo)

O telespectador não está dando a devida atenção para duas ótimas novelas atualmente no ar: “Pecado Mortal” (de Carlos Lombardi, na Record) e “Além do Horizonte” (da dupla Carlos Gregório e Marcos Bernstein, na Globo). Ambas passam por uma audiência vexatória e carregam o estigma do “menor Ibope”. “Pecado Mortal” é o menor Ibope entre as novelas da Record desde a retomada da dramaturgia da emissora, em 2004 – oscila entre 4 e 5 pontos. E “Além do Horizonte”, o menor Ibope da história entre as novelas do horário das sete da Globo – média de 19 pontos (há um ano, no mesmo período de horário de verão, “Guerra dos Sexos” estava em 21).

As duas causam/causaram preocupação em suas emissoras. “Pecado Mortal”, apesar de bem recebida pela crítica especializada, tem audiência ainda menor que os metralhados três folhetins anteriores (“Máscaras”, “Balacobaco” e “Dona Xepa”). Era grande a esperança da Record em retomar o público que se esvaiu do canal, mas só decepcionou. Numa estratégia para melhorar o seu primetime, a emissora jogou a novela para concorrer diretamente com a nova atração da Globo, a aguardada “Em Família”, de Manoel Carlos. É claro que não surtiria efeito.

Além do Horizonte” começou com ares de “inovação”. Uma trama cheia de mistérios – que lembrava seriados americanos do gênero – e subjetiva demais (a busca da felicidade) que afastou o público, não acostumado com esse tipo de abordagem às sete horas. Com o horário de verão, não teve como escapar da pecha de “menor audiência da história no horário”.

Fernando Pavão e Simone Spoladore em "Pecado Mortal" (Foto: Divulgação/TV Record)

Fernando Pavão e Simone Spoladore em “Pecado Mortal” (Foto: Divulgação/TV Record)

Vejo que os dois folhetins têm algo em comum: atualmente, são tramas carregadas de ação, com uma pegada policial, mas sem abandonar o romance. “Pecado Mortal”, desde o começo, tinha ação, perseguições policiais e o humor sarcástico embutido no ótimo texto de Carlos Lombardi. Para chamar a atenção do público, o que autor fez? Engrossou o romance e o apelo familiar, com muitas cenas de idílio amoroso entre os protagonistas Carlão (Fernando Pavão) e Patrícia (Simone Spoladore) e sua prole.

Além do Horizonte”, por sua vez, abandonou os mistérios nebulosos e deixou claro para o público do que se tratava, carregou no romance (inclusive rearranjando casais românticos), no humor e transformou-se de uma trama de suspense em uma trama policial. A novela ganhou em agilidade narrativa. Aliás, foi impressionante a forma como os autores reverteram a situação, transformando personagens dúbios (como Líder Jorge/Cássio Gabus Mendes, LC/Antônio Calloni, Hermes/Alexandre Nero e Tereza/Carolina Ferraz) em tipos bem mais ricos e interessantes.

Quando se fala em tornar uma novela mais digerível para o público médio, o primeiro diagnóstico é o de que falta romance na trama. Folhetim é folhetim, não é seriado americano (e nem cabe comparação). Não adianta fugir da velha fórmula de amores complicados, cheios de percalços. Até a revolucionária “Beto Rockfeller” (1968-1969), considerada a grande virada na teledramaturgia brasileira, manteve-se fiel ao gênero. “O Bem Amado” (1973), “Roque Santeiro” (1985-1986), “Vale Tudo” (1988), “Que Rei Sou Eu?” (1989), todas tinham boas doses de amores conflituosos. O público mais conservador entende que vai assistir a algum romance. Se não o reconhece, estranha.

O Rebu” (1974) e “A Próxima Vítima” (1995) são exemplos de folhetins policiais por excelência (romance + o gênero policial). “Pecado Mortal” e “Além do Horizonte” são interessantes casos de novelas policiais em que o folhetim não está abandonado. A proposta de “inovação” sempre será bem vinda. Mas não adianta reinventar a roda. E o mais do mesmo feijão com arroz ainda funciona, mesmo em tempos de novas mídias e concorrência com tv a cabo e internet. Chamar a atenção da audiência adormecida é outra questão. E não é tarefa fácil.


Público conservador parece rejeitar “Pecado Mortal”
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Nilson Xavier

Denise Del Vecchio e Victor Hugo em cena de "Pecado Mortal" (Foto: Divulgação/Rede Record)

Denise Del Vecchio e Victor Hugo em cena de “Pecado Mortal” (Foto: Divulgação/Rede Record)

É difícil concluir quem é o vilão de “Pecado Mortal”, a novela da Record. Não o vilão da história, mas o vilão que impede que a trama de Carlos Lombardi deslanche na audiência. Patinando nos 6 pontos no Ibope da Grande São Paulo, a novela mantém o baixo índice das tramas anteriores no horário.

A Globo tem esticado seu folhetim das nove, “Amor à Vida”, o quanto pode. Ontem, quinta-feira (28/11), a novela de Walcyr Carrasco terminou às 22h45. A Record entende que o melhor público para “Pecado Mortal” é aquele que viu “Amor à Vida” e troca de canal procurando uma outra novela. E quanto mais “Pecado Mortal” for empurrada para mais tarde, menos público terá.

Outro fator a ser considerado é que a Record perdeu parte do público de novelas que tinha. “Vidas em Jogo”, que terminou em abril de 2012, foi o último folhetim da emissora a registrar dois dígitos no Ibope. “Máscaras”, que veio na sequência, afundou a audiência e, desde então, a emissora não consegue emplacar uma novela com resultados satisfatórios – entende-se dois dígitos no Ibope.

De todas as novelas apresentadas desde então, “Pecado Mortal” é, sem dúvida, a melhor delas. Uma produção caprichada, uma novela bem feita, bem dirigida (direção geral de Alexandre Avancini). Um elenco milimetricamente escalado, com ótimos atores. Uma trama interessante, história bem contada, que mistura romance, dramas familiares, e uma boa dose de trama policial, com ação e um tanto de violência. A fórmula foi pensada para conquistar desde a dona de casa até o pai de família.

De quebra, o texto sempre inspirado de Carlos Lombardi, na medida certa, sem mais os exageros de humor de suas novelas das sete horas da Globo. No ar, “Pecado Mortal” mantém a grife do autor, inclusive com os descamisados e as mulheres sensuais – como não poderia ser diferente.

É difícil traçar um diagnóstico. Mas arrisco um. O telespectador da Record, o que prestigiava as novelas até “Vidas em Jogo” e que se esvaiu, parece um público muito conservador, que não se empolga com as liberdades criativas de Lombardi, com seu universo permissivo, onde o sexo está sempre implicitamente presente.

Pecado Mortal” começou num ritmo alucinante e pode, a princípio, ter confundido o telespectador. Lombardi reduziu a velocidade. A novela está mais romântica, mais leve, com muitas cenas “de família”, de relação pais e filhos, envolvendo o afeto do clã dos Veneto. Parece que a iniciativa visa cativar e chamar a atenção de um público que não vê com bons olhos a permissividade lombardiana perpetuada em tramas com personagens em pouca roupa e um texto repleto de tesão nas entrelinhas.


Com audiência baixa, “Pecado Mortal” ainda não decolou
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Nilson Xavier

Jussara Freire (Donana), Betty Lago (Stella) e Luiz Guilherme (Michelle) em “Pecado Mortal” (Foto: Divulgação/Rede Record)

Passado um mês da estreia de “Pecado Mortal”, a novela da Record, nos perguntamos por que a trama de Carlos Lombardi ainda não caiu no gosto do público. Os números no Ibope não são muito diferentes dos da atração anterior no horário, “Dona Xepa” – entre 6 e 8 pontos de média na Grande São Paulo.

Maurício Stycer, colunista do UOL, já fez a mesma pergunta em seu texto de 8 de outubro, AQUI.

A novela apresenta uma ótima produção, um bom elenco e é bem dirigida. Não deixa muito a dever às produções da Globo. O casal de atores protagonistas – Fernando Pavão e Simone Spoladore (Carlão e Patrícia) – está bem, eles combinam com o texto do autor e têm química em cena. O trio Betty Lago, Luiz Guilherme e Jussara Freire (Stella-Michelle-Donana)  deitam e rolam em cenas bem escritas e dirigidas. Carla Cabral (Laura) e Paloma Duarte (Doroteia) se destacam no elenco feminino, enquanto Victor Hugo (Picasso) e Felipe Cardoso (Otávio) mostram que foram apostas acertadas.

A novela é bastante ágil, com texto rápido, cenas clipadas, ação, perseguição, tiroteio, violência. Requer atenção do público, desacostumado já com novelas que exijam um pouco mais do que sua simples passividade. Seria esse o calcanhar de Aquiles de “Pecado Mortal”? Ou o telespectador ainda está muito condicionado à programação global? Notei que o único dia em que a concorrente apresenta algo que soa como novidade para seu público, na hora de “Pecado Mortal”, é quinta-feira, com o “The Voice Brasil” (anteriormente uma atração dominical).

O autor já afirmou que vai dar uma diminuída no ritmo da novela e abrir mais espaço para o romance. Acho prudente. É preciso primeiro cativar o público com personagens que ele goste, se identifique – claro, tendo como pano de fundo uma história que lhe agrade. Essa primeira conquista é essencial, vital, é quando o telespectador compra a novela, paga para ver.

A julgar pelos números de Ibope, o telespectador de “Pecado Mortal” é o cativo da emissora, o mesmo de “Balacobaco” e “Dona Xepa”. Toda campanha de lançamento para atrair um público novo parece ter surtido pouco efeito até o momento. Mas sabemos também que um mês é pouco tempo. Ainda mais em se tratando da Record, que vem de uma fase de baixa. É normal que essa conquista aconteça paulatinamente.


“Pecado Mortal” estreia em grande estilo
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Nilson Xavier

Maytê Piragibe e Marcela Barrozo no prólogo de “Pecado Mortal” (Foto: Divulgação/TV Record)

No contrato de Carlos Lombardi com a Record deve ter uma cláusula assim: “Quero que minha estreia seja em grande estilo”. E foi isso o que se viu no primeiro capítulo de “Pecado Mortal”, nesta quarta, 25/09. Agilidade é a palavra que definiu o capítulo. Desde a primeira fase da história, passada em 1941, rápida, incisiva e objetiva, até o desenrolar da trama, 36 anos depois, em 1977. Talvez o público mais desavisado tenha estranhado a rapidez de Lombardi em contar uma história, afinal ele está há seis anos afastado das novelas (a última foi “Pé na Jaca”, em 2007).

Foi acertada a estreia numa quarta-feira – dia com futebol na Globo e em que a trama das nove global termina mais cedo. A novela da Record marcou 11 pontos no Ibope da Grande São Paulo (Globo 20 e SBT 7). Estranho mesmo foi ver em “Pecado Mortal” boa parte do elenco da atração anterior, a minissérie bíblica “José do Egito”.

A primeira fase encheu os olhos com uma fotografia interessante e uma bonita reconstituição de época. Neste momento, brilhou Maytê Piragibe, segura como a vilã Donana, capaz de matar o bicheiro chefão do morro para que seu marido ocupasse a posição dele, e roubar o filho recém-nascido da mulher de seu amante para apresentá-lo como seu filho legítimo para o marido. Ufa!

De repente, a novela cortou para a década de 1970, com um clipe colorido que contrastou com a fotografia soturna da fase anterior. A trilha sonora nostálgica se fez presente durante todo o capítulo, muito bem executada, mesclando 70´s hits brasileiros e estrangeiros. Os personagens e as tramas foram sendo apresentados, mas à moda lombardiana, ou seja, com tiros, perseguições, correria, diálogos diretos e sarcásticos e torsos nus – marcas registradas do autor que o consagraram em suas tramas globais. Lombardi havia prometido moderação no humor e foco na ação dramática. E cumpriu.

Abertura bonita, trilha sonora condizente, proposta estética interessante (poucas vezes a década de 1970 foi reconstituída em nossa Teledramaturgia). Direção (geral de Alexandre Avancini) firme e elenco seguro (Fernando Pavão é o descamisado da vez.). Ótimo gancho para o segundo capítulo. “Pecado Mortal” estreou em grande estilo, sem tropeços, de tirar o fôlego – raras vezes visto na Record. Tomara que continue assim. Lembram como foi a estreia de “Amor À Vida”?


“Balacobaco” afastou lembrança de “Máscaras” mas penou na audiência
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Nilson Xavier

Juliana Silveira e Bruno Ferrari em “Balacobaco” (Foto: Divulgação/TV Record)

Se a intenção da Record com “Balacobaco” era afastar o fantasma de “Máscaras”, pode-se dizer que a meta foi atingida. “Máscaras” ficou no passado e é um projeto que a Record não faz questão de lembrar. Mas isso não quer dizer que “Balacobaco” teve vida fácil.

A novela causou estranhamento quando estreou. Era uma proposta completamente diferente da de sua antecessora. Colorida, espalhafatosa, num tom farsesco, metida a engraçada, com trilha popularíssima e personagens caricatos. Ficou claro que a inspiração da autora, Gisele Joras, foram dois sucessos recentes da Globo: a também colorida e alegre “Cheias de Charme” com a pegada “nova classe C” de “Avenida Brasil”. Pode-se dizer que foi uma aposta corajosa jogar às 22h30 uma novela com forte apelo de comédia e características comuns às novelas do horário das sete da Globo.

Alguns ajustes na trama foram feitos logo no início, mas, passados sete meses da estreia, percebe-se que a sua proposta permaneceu fiel até o fim, o que é bastante louvável. Outro ponto positivo foi a Record ter mantido “Balacobaco” em seu horário original desde o começo – diferente de “Máscaras”, que correu ao caminho dos ventos da audiência e das prioridades da grade da emissora, o que muito a prejudicou.

Infelizmente, a Record ainda não conseguiu recuperar os áureos dois dígitos na audiência que suas novelas tinham antes de “Máscaras”. “Vidas em Jogo” fechou com uma média final de 12 pontos no Ibope da Grande São Paulo. “Máscaras” derrubou para a metade (6 pontos), e “Balacobaco” fecha com 7 pontos. Pelo visto, “Dona Xepa” terá bastante trabalho pela frente.

Não foi a melhor novela de Gisele Joras. Prefiro “Amor e Intrigas”, de 2008. Mas o vilão Norberto foi o melhor papel de Bruno Ferrari na TV – um jovem ator que já havia chamado a atenção em trabalhos anteriores e que cresce a passos largos a cada papel.

Leia também: “Autora de Balacobaco revela fim de alguns personagens”.


“Dona Xepa” promete ser uma boa opção da Record para 2013
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Nilson Xavier

Ângela Leal em cena de “Dona Xepa” (Folto: TV Record)

Assisti com receio ao clipe de lançamento da novela “Dona Xepa”, apresentada à imprensa nesta terça-feira (07/05), em um estúdio do Recnov, no Rio de Janeiro. Meu maior medo era a Record imprimir à sua nova novela a mesma pegada popularesca da atual “Balacobaco”. Mas não.

A próxima trama da emissora, que estreia dia 21, me pareceu “redondinha”, no sentido de ser uma novela sem maiores pretensões de obrigatoriamente agradar à famigerada “nova classe C” – como é “Balacobaco”, uma produção repleta de caricaturas e uma trilha por demais popularesca.

A história de “Dona Xepa” – a mãe batalhadora e simplória desprezada pelos filhos carreiristas – é, acima de tudo, um prato cheio para agradar públicos de todas as classes sociais. E parece que a Record vai tratá-la como deve ser: apenas um novelão.

A peça de Pedro Bloch – na qual a novela é inspirada – já foi adaptada para o cinema (filme de Darcy Evangelista, de 1959, com Alda Garrido) e, pelo menos, duas vezes para a TV (a novela “Dona Xepa”, de Gilberto Braga, em 1977, com Yara Côrtes, e a novela “Lua Cheia de Amor”, escrita por Ricardo Linhares, Ana Maria Moretzsohn e Maria Carmem Barbosa, em 1991, com Marília Pêra).

É claro que o autor Gustavo Reiz e sua equipe de roteiristas vão imprimir modernidades à nova história. Um vídeo de Dona Xepa vai cair no Youtube e virar hit na Internet. Vai ter mulher-fruta (nada mais condizente com a feira da novela), busca desmedida pela fama e especulação imobiliária. Coincidentemente, a novela das sete da Globo, “Sangue Bom”, também tem mulher-fruta e busca pela fama.

A nova classe média será retratada, claro, mas de forma mais comedida, menos acintosa: a classe abastada se rendendo ao poder econômico da nova classe C. Até a trilha sonora vem melhor. Curiosamente, o tema de abertura é o mesmo da versão da Globo de 1977 – a música “A Xepa” de Ruy Maurity e José Jorge, dessa vez em uma regravação de Eliana de Lima.

A história é ambientada em São Paulo, que está em alta na nossa Teledramaturgia: as outras emissoras também apostam na capital paulista, que detém o principal mercado publicitário do país. “Sangue Bom” e “Amor à Vida”, as novas novelas da Globo, também se passam lá (assim como “Chiquititas”, do SBT). Mas Gustavo Reiz preferiu não nomear regiões ou bairros de São Paulo. “Dona Xepa” se passa na fictícia Vila do Antigo Bonde e em algum bairro rico. Fim.

A previsão de duração inicial é de 96 capítulos – o que seria ideal para uma novela com um elenco enxuto. “Dona Xepa” tem apenas 31 atores, uma exceção nos dias de hoje e entre as tramas da emissora. Ângela Leal vive a protagonista – a atriz já participara da versão da Globo, de 1977. Thaís Fersoza e Arthur Aguiar (saído de “Rebelde”) são seus filhos Rosália e Edison. O restante de personagens têm nomes diferentes dos de outras versões da história. E Gustavo Reiz criou novas tramas que não existiam nas outras novelas. Luiza Tomé vive a perua esnobe Meg Pantaleão, que – de longe – tem algum paralelo com a popular Kika Jordão, vivida por Arlete Salles em “Lua Cheia de Amor”, em 1991.

A direção geral é de Ivan Zettel. A Record terceirizou a captação de imagens da cidade de São Paulo. “Dona Xepa” será a primeira novela da emissora gravada em 24 quadros por minuto, o que lhe confere uma aparência mais próxima do cinema. Pelo vídeo de apresentação, me pareceu uma novela colorida, alegre, como toda feira.

Mas só Deus e os bispos da Record poderão dizer o que pode acontecer nos próximos meses. Tudo dependerá da audiência (se for boa, a novela será espichada, prática comum na Record) ou da situação da emissora em relação à trama substituta, “Pecado Mortal”, de Carlos Lombardi – que poderá ter sua estreia bastante protelada.

Saiba mais sobre “Dona Xepa no site Teledramaturgia.


“José do Egito” mostra avanço da Record na produção de minisséries bíblicas
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Nilson Xavier

Ricky Tavares e Celso Frateschi em “José do Egito” (Foto: Rede Record)

“Essa é a mistura do Brasil com o Egito…”

A Record está se aprimorando cada vez mais na produção de suas minisséries bíblicas. É um nicho que tem a cara da emissora e que já deu provas de boa repercussão. “José do Egito”, que estreou nesta quarta-feira (30/01) – roteiro de Vivian de Oliveira, direção geral de Alexandre Avancini -, representa um grande avanço quando comparada às minisséries anteriores.

O elenco é bom. A fotografia é de cinema, com belíssimas tomadas – a minissérie contou com gravações no deserto do Atacama, no Chile, em Israel e no próprio Egito. Comparada com “Rei Davi” (a produção do ano passado), é visível a melhora na direção de atores e nas caracterizações (maquiagem e perucas principalmente). Tudo está mais natural, tanto no que vimos quanto no que ouvimos dos atores.

A Record optou em apresentar “José do Egito” apenas uma vez por semana – às quartas-feiras, dia de futebol na Globo, em que, costumeiramente, as chances de um melhor desempenho no Ibope são mais altas. Talvez essa seja uma boa estratégia se considerarmos que a emissora tem um mau hábito de optar por uma grade flutuante, que depende das atrações que, supostamente, dão mais audiência, como os realities.

Se for para apresentar “José do Egito” diariamente sem um horário fixo, sendo empurrada para mais tarde, então é mesmo preferível que fique apenas às quartas-feiras, na hora do futebol, em dia e horário em que todos saibam que a atração está lá.

O primeiro capítulo não apresentou nada de grandioso, nem na história, nem nas interpretações. Talvez haja mais o que declarar de texto e interpretações nos próximos capítulos. O protagonista José – vivido nesta fase pelo ator Ricky Tavares – acabou ficando em segundo plano quando ganhou mais destaque o drama de Diná (Marcela Barrozo), estuprada por Siquém (Paulo Nigro).

Essa estreia marcou 12 pontos no Ibope da Grande São Paulo, garantindo o segundo lugar. Destaca-se também a intenção de apenas contar uma história, em detrimento ao ranço da doutrinação religiosa que geralmente acomete esse tipo de produção. Tomara que continue neste patamar.


Record não quer errar: “Balacobaco” é popularíssima
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Nilson Xavier

Bárbara Borges e Roberta Gualda em “Balacobaco” (Foto: TV Record)

Quem ligou para ver a estreia de Balacobaco, a nova novela da Record, nesta quinta-feira (04/10), deve ter sentido algum estranhamento. 1: a novela estreou em uma quinta-feira. 2: parecia um capítulo do meio da história, e não um capítulo de estreia. 3: parecia uma trama das sete horas passando às onze.

Deu para perceber que a Record não quer correr o risco de errar: fez algo completamente diferente de Máscaras. Balacobaco é colorida demais, tem um humor forçado, efeitos de desenho animado no meio das cenas, personagens caricatos. Não parece uma trama condizente com o horário em que está sendo apresentada. Parece uma novela das sete. Tem um colorido kitsh em cenários exagerados, e lembra Bela, a Feia, da mesma autora, Gisele Joras.

Poucos núcleos e personagens foram apresentados. E também muito pouco da história. Ficou claro apenas que as trambiqueiras Diva e Dóris (Bárbara Borges e Roberta Gualda), no passado, tentaram roubar o carro de Isabel (Juliana Silveira), que acabou capotando, e as ladras foram presas e cumpriram pena. A mãe delas, Cremilda (Solange Couto), é uma cambalacheira que está tentando enganar Norberto (Bruno Ferrari), que namora Diva. Aliás, as cenas de Cremilda aplicando golpes lembraram a novela Cambalacho (Globo, 1986).

Ou seja, este pareceu um capítulo solto, lá do meio da história. Não disse a que veio e o apresentado foi muito pouco para despertar alguma curiosidade no telespectador pelo capítulo seguinte.

A trilha sonora é popularíssima. Impossível não se lembrar da trilha de Avenida Brasil, da Globo. Aliás, o tema da abertura já canta “tem mulher bonita, balada boa, praia, carnaval e dinheiro pra gastar”. A família de Tufão ia curtir.

Balacobaco ficou em terceiro lugar no Ibope em seu primeiro capítulo: 8 pontos de média (Globo 24.1, SBT 8.3 e Band 5) – cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo.

O tom desta estreia pode ser medido pelas cicatrizes que as cambalacheiras Diva e Dóris carregam na barriga, acima do umbigo, fruto do acidente de carro mostrado neste capítulo. Uma cicatriz forma um ponto de interrogação com o umbigo (?). Outra, um ponto de exclamação (!). E foi isso que a novela deixou para o segundo capítulo: um ponto de interrogação seguindo de um ponto de exclamação (?!) na cabeça do telespectador.


“Máscaras”: repercussão negativa foi sua maior inimiga
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Nilson Xavier

O último capítulo da novela Máscaras, da Record (nesta terça-feira, 02/10), foi encerrado com um bonito depoimento de Paloma Duarte, enaltecendo o trabalho do ator, que – nas palavras dela – faz a ponte entre o autor e o público. Ponte essa que – nestes seis meses em que a novela esteve no ar – balançou tanto que quase arrebentou.

Máscaras já começou com o pé esquerdo. Algumas declarações de Lauro César Muniz (o autor), antes da estreia, soaram mal para o público. Máscaras entrou no ar com a fama de não ser uma novela popular – Lauro havia criticado a tendência das novelas da Globo em mirar a tal “nova classe C”.

E, realmente, a estreia causou um grande estranhamento: uma direção equivocada e um texto por demais confuso afastaram o telespectador. Logo em seu início, a novela revelou-se uma atração problemática para a Record, que viu seu Ibope cair vertiginosamente, o que acabou por deflagrar a pior crise no setor de Teledramaturgia da emissora desde que foi renovado em 2004.

Máscaras teve seu horário de exibição trocado várias vezes (por causa da estreia da Fazenda, teve alguns capítulos exibidos após a meia-noite), causou desconforto entre elenco e o autor (a atriz Luiza Tomé reclamou publicamente da novela e do autor), e culminou com a troca do diretor – Ignácio Coqueiro foi substituído por Edgard Miranda – e redução de sua duração – dos 220 capítulos primeiramente pensados, terminou com 116 escritos.

Para tentar apagar o incêndio, juntamente com a troca da direção, Lauro César e seus roteiristas mexeram no texto, para deixá-lo mais digerível ao telespectador médio. Foi quando a novela melhorou significativamente. De fato, Máscaras tinha uma história muito interessante, como tantas outras de Lauro César Muniz. O autor usou entrechos já experimentados anteriormente, como tramas envolvendo organizações criminosas (vide O Salvador da Pátria e Poder Paralelo).

Em julho, parte do elenco divulgou na internet uma “carta de amor à Máscaras”, em que culpava a mídia pela repercussão negativa da novela. Os atores alegavam que a imprensa divulgava apenas os problemas (como a baixa audiência) e não noticiava a qualidade artística da obra, o trabalho e a garra dos atores e roteiristas.

Mas o estrago já estava feito. A tal ponte que Paloma Duarte citou, entre o autor e o público, era frágil demais, estava abalada pela repercussão negativa lá dos primeiros meses, quando faltou, justamente, a tal qualidade artística citada na carta dos atores para a imprensa.

Apesar da significativa melhora no que foi apresentado, o horário ingrato não contribuiu em nada para melhorar este quadro, e Máscaras acabou por amargar uma das piores audiências entre as novelas da Record desde 2004: fechou com 6 pontos na média geral do Ibope (cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo). O último capítulo registrou também 6 pontos, ficando em terceiro lugar (Globo 25,5 e SBT 8,4).

Há de se destacar o ótimo trabalho de Paloma Duarte, que brilhou a novela inteira com sua personagem dúbia e sem nome (Nameless). E o sensível trabalho de Bárbara Bruno, como Zezé, a mãe que não aceitava a perda do filho e convivia com ele em seu imaginário, no fino limite entre o trágico e o cômico.

Na cena mais marcante do último capítulo, o personagem Martim (Heitor Martinez) era morto a tiros por seus inimigos, que atiravam em uma parte de seu corpo por vez. A morte de Martim o fez tombar e do interior da árvore em que estava amarrado saíram pombos brancos, como se a morte do vilão significasse a paz dos protagonistas mocinhos da novela (minha leitura).

Esta cena me fez lembrar a novela Os Gigantes, que Lauro César Muniz escreveu para a Globo em 1979, famosa por ter sido um dos maiores fracassos da emissora. A abertura de Os Gigantes mostrava imagens de uma pomba e da atriz Dina Sfat, que vivia a protagonista, chamada Paloma, que se matou ao final da história pilotando um pequeno avião, em um voo suicida. Estaria Lauro fazendo alguma referência a este seu antigo trabalho, marcado por ter sido tão problemático, como foi Máscaras?


Elenco de “Máscaras” está correto: a novela melhorou significativamente
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Nilson Xavier

Quando Máscaras estreou, escrevi uma crítica sobre a novela após assistir os seus cinco primeiros capítulos – leia AQUI.

Já no primeiro capítulo, percebi o desacerto entre autores e a direção da trama. Como relato no texto supracitado, era “como se os autores estivessem querendo passar uma mensagem e os diretores não estivessem conseguindo realiza-la à altura”.

A crise instaurou-se em Máscaras e o diretor foi trocado. Mudanças de horário prejudicaram ainda mais a trama. Lauro César Muniz, o autor, prometeu mudar sua novela para conquistar novamente o público.

Nesta segunda-feira (02/07), foi divulgada na internet uma “carta de amor à Máscaras”, assinada por 28 atores do elenco. Nela, os atores reclamavam da mídia, que divulga apenas os problemas da novela (como a baixa audiência) e não noticia a qualidade artística da obra, o trabalho e a garra dos atores e da equipe de roteiristas comandada por Lauro Cesar Muniz.

Leia AQUI o texto do jornalista Mauricio Stycer sobre o assunto, com a carta transcrita na íntegra.

A carta afirma que Máscaras inova e ”quebra com os clichês das novelas convencionais” e isto não é divulgado pela mídia, e que “não é justo que essa inovação, essa ousadia, não fique registrada”. Analisemos cada um dos exemplos desta inovação citados na carta (item 3 da carta):

1. Apresenta um galã dúbio, que tanto pode ser bom ou mau caráter, sem heroísmo romântico;

Lauro César Muniz já apresentara galãs dúbios desde Escalada (na década de 1970) e Roda de Fogo (na década de 1980). Cidadão Brasileiro e Poder Paralelo, suas duas últimas novelas (na Record) também tinham. Outros autores também criaram heróis dúbios, como Dias Gomes, Bráulio Pedroso e Janete Clair.

2. Vilões que se apaixonam, cujas ações são misturadas com humor e atitudes paradoxais, sem maniqueísmos;

Várias novelas, há muito tempo, têm vilões com essas características. A própria Carminha de Avenida Brasil, por exemplo, ora é perversa, ora demonstra amor pelo filho, ora é engraçada, etc.

3. Um casal que tem um filho imaginário, uma metáfora, algo inexistente em novelas;

Realmente inédito!

4. Personagens com tesão explicita e realizada, fugindo aos padrões antigos de comportamento;

Um vídeo com uma cena entre Flavia Monteiro e Nicola Siri até virou piada na internet recentemente, o “Você quer Me Ter?”. Acho que representa bem esse item. Assista AQUI (link do Youtube).

5. Um retrato político do capitalismo selvagem internacional, ao mostrar uma organização com interesses em propriedades de outra nação, como acontece com o petróleo do Oriente Médio, ou a loucura dos investidores da bolsa americana, em sua ambição desenfreada, levando o mundo a uma crise imensa.

Lauro já tratou dessas “organizações internacionais” em novelas como O Salvador da Pátria e Poder Paralelo.

Ou seja, não vejo nada de muito “inovador” no que foi citado, pois existem vários exemplos de novelas – dentro e fora da própria Record – que abandonaram o maniqueísmo folhetinesco e apostaram em tramas mais naturalistas.

Assisti ao capítulo de Máscaras exibido nesta segunda-feira. Por este capítulo isolado, e pelo que afirmei acima, também não vi muita inovação na trama. Todavia, é notório que Máscaras melhorou muito. Realmente é outra novela. A direção (agora a cargo de Edgard Miranda) está segura, acompanhada de trilha sonora apropriada e uma iluminação eficiente. Diferente do início, em que a direção, trilha e fotografia eram absolutamente equivocadas.

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A direção de atores também é bem superior. O capítulo apresentou uma cena ótima entre Míriam Freeland e Petrônio Gontijo. E Fernando Pavão, que vive o protagonista, está bem mais seguro e convincente em seu papel. A trama me pareceu mais clara, sem aquela nuvem de dúvidas inicial que a deixava confusa.

Enfim, vendo apenas um capítulo já dá para sentir que a novela melhorou. Mas, seria necessário, ao menos, uma semana inteira para sentir algo realmente inovador na estrutura da trama. Prometo que voltarei ao assunto.

Em tempo, no início de junho escrevi um texto sobre o profissionalismo da equipe de Máscaras, elogiando o autor em sua tentativa de salvar a novela. Leia AQUI.