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“Balacobaco” afastou lembrança de “Máscaras” mas penou na audiência
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Nilson Xavier

Juliana Silveira e Bruno Ferrari em “Balacobaco” (Foto: Divulgação/TV Record)

Se a intenção da Record com “Balacobaco” era afastar o fantasma de “Máscaras”, pode-se dizer que a meta foi atingida. “Máscaras” ficou no passado e é um projeto que a Record não faz questão de lembrar. Mas isso não quer dizer que “Balacobaco” teve vida fácil.

A novela causou estranhamento quando estreou. Era uma proposta completamente diferente da de sua antecessora. Colorida, espalhafatosa, num tom farsesco, metida a engraçada, com trilha popularíssima e personagens caricatos. Ficou claro que a inspiração da autora, Gisele Joras, foram dois sucessos recentes da Globo: a também colorida e alegre “Cheias de Charme” com a pegada “nova classe C” de “Avenida Brasil”. Pode-se dizer que foi uma aposta corajosa jogar às 22h30 uma novela com forte apelo de comédia e características comuns às novelas do horário das sete da Globo.

Alguns ajustes na trama foram feitos logo no início, mas, passados sete meses da estreia, percebe-se que a sua proposta permaneceu fiel até o fim, o que é bastante louvável. Outro ponto positivo foi a Record ter mantido “Balacobaco” em seu horário original desde o começo – diferente de “Máscaras”, que correu ao caminho dos ventos da audiência e das prioridades da grade da emissora, o que muito a prejudicou.

Infelizmente, a Record ainda não conseguiu recuperar os áureos dois dígitos na audiência que suas novelas tinham antes de “Máscaras”. “Vidas em Jogo” fechou com uma média final de 12 pontos no Ibope da Grande São Paulo. “Máscaras” derrubou para a metade (6 pontos), e “Balacobaco” fecha com 7 pontos. Pelo visto, “Dona Xepa” terá bastante trabalho pela frente.

Não foi a melhor novela de Gisele Joras. Prefiro “Amor e Intrigas”, de 2008. Mas o vilão Norberto foi o melhor papel de Bruno Ferrari na TV – um jovem ator que já havia chamado a atenção em trabalhos anteriores e que cresce a passos largos a cada papel.

Leia também: “Autora de Balacobaco revela fim de alguns personagens”.


“Dona Xepa” promete ser uma boa opção da Record para 2013
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Nilson Xavier

Ângela Leal em cena de “Dona Xepa” (Folto: TV Record)

Assisti com receio ao clipe de lançamento da novela “Dona Xepa”, apresentada à imprensa nesta terça-feira (07/05), em um estúdio do Recnov, no Rio de Janeiro. Meu maior medo era a Record imprimir à sua nova novela a mesma pegada popularesca da atual “Balacobaco”. Mas não.

A próxima trama da emissora, que estreia dia 21, me pareceu “redondinha”, no sentido de ser uma novela sem maiores pretensões de obrigatoriamente agradar à famigerada “nova classe C” – como é “Balacobaco”, uma produção repleta de caricaturas e uma trilha por demais popularesca.

A história de “Dona Xepa” – a mãe batalhadora e simplória desprezada pelos filhos carreiristas – é, acima de tudo, um prato cheio para agradar públicos de todas as classes sociais. E parece que a Record vai tratá-la como deve ser: apenas um novelão.

A peça de Pedro Bloch – na qual a novela é inspirada – já foi adaptada para o cinema (filme de Darcy Evangelista, de 1959, com Alda Garrido) e, pelo menos, duas vezes para a TV (a novela “Dona Xepa”, de Gilberto Braga, em 1977, com Yara Côrtes, e a novela “Lua Cheia de Amor”, escrita por Ricardo Linhares, Ana Maria Moretzsohn e Maria Carmem Barbosa, em 1991, com Marília Pêra).

É claro que o autor Gustavo Reiz e sua equipe de roteiristas vão imprimir modernidades à nova história. Um vídeo de Dona Xepa vai cair no Youtube e virar hit na Internet. Vai ter mulher-fruta (nada mais condizente com a feira da novela), busca desmedida pela fama e especulação imobiliária. Coincidentemente, a novela das sete da Globo, “Sangue Bom”, também tem mulher-fruta e busca pela fama.

A nova classe média será retratada, claro, mas de forma mais comedida, menos acintosa: a classe abastada se rendendo ao poder econômico da nova classe C. Até a trilha sonora vem melhor. Curiosamente, o tema de abertura é o mesmo da versão da Globo de 1977 – a música “A Xepa” de Ruy Maurity e José Jorge, dessa vez em uma regravação de Eliana de Lima.

A história é ambientada em São Paulo, que está em alta na nossa Teledramaturgia: as outras emissoras também apostam na capital paulista, que detém o principal mercado publicitário do país. “Sangue Bom” e “Amor à Vida”, as novas novelas da Globo, também se passam lá (assim como “Chiquititas”, do SBT). Mas Gustavo Reiz preferiu não nomear regiões ou bairros de São Paulo. “Dona Xepa” se passa na fictícia Vila do Antigo Bonde e em algum bairro rico. Fim.

A previsão de duração inicial é de 96 capítulos – o que seria ideal para uma novela com um elenco enxuto. “Dona Xepa” tem apenas 31 atores, uma exceção nos dias de hoje e entre as tramas da emissora. Ângela Leal vive a protagonista – a atriz já participara da versão da Globo, de 1977. Thaís Fersoza e Arthur Aguiar (saído de “Rebelde”) são seus filhos Rosália e Edison. O restante de personagens têm nomes diferentes dos de outras versões da história. E Gustavo Reiz criou novas tramas que não existiam nas outras novelas. Luiza Tomé vive a perua esnobe Meg Pantaleão, que – de longe – tem algum paralelo com a popular Kika Jordão, vivida por Arlete Salles em “Lua Cheia de Amor”, em 1991.

A direção geral é de Ivan Zettel. A Record terceirizou a captação de imagens da cidade de São Paulo. “Dona Xepa” será a primeira novela da emissora gravada em 24 quadros por minuto, o que lhe confere uma aparência mais próxima do cinema. Pelo vídeo de apresentação, me pareceu uma novela colorida, alegre, como toda feira.

Mas só Deus e os bispos da Record poderão dizer o que pode acontecer nos próximos meses. Tudo dependerá da audiência (se for boa, a novela será espichada, prática comum na Record) ou da situação da emissora em relação à trama substituta, “Pecado Mortal”, de Carlos Lombardi – que poderá ter sua estreia bastante protelada.

Saiba mais sobre “Dona Xepa no site Teledramaturgia.


“José do Egito” mostra avanço da Record na produção de minisséries bíblicas
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Nilson Xavier

Ricky Tavares e Celso Frateschi em “José do Egito” (Foto: Rede Record)

“Essa é a mistura do Brasil com o Egito…”

A Record está se aprimorando cada vez mais na produção de suas minisséries bíblicas. É um nicho que tem a cara da emissora e que já deu provas de boa repercussão. “José do Egito”, que estreou nesta quarta-feira (30/01) – roteiro de Vivian de Oliveira, direção geral de Alexandre Avancini -, representa um grande avanço quando comparada às minisséries anteriores.

O elenco é bom. A fotografia é de cinema, com belíssimas tomadas – a minissérie contou com gravações no deserto do Atacama, no Chile, em Israel e no próprio Egito. Comparada com “Rei Davi” (a produção do ano passado), é visível a melhora na direção de atores e nas caracterizações (maquiagem e perucas principalmente). Tudo está mais natural, tanto no que vimos quanto no que ouvimos dos atores.

A Record optou em apresentar “José do Egito” apenas uma vez por semana – às quartas-feiras, dia de futebol na Globo, em que, costumeiramente, as chances de um melhor desempenho no Ibope são mais altas. Talvez essa seja uma boa estratégia se considerarmos que a emissora tem um mau hábito de optar por uma grade flutuante, que depende das atrações que, supostamente, dão mais audiência, como os realities.

Se for para apresentar “José do Egito” diariamente sem um horário fixo, sendo empurrada para mais tarde, então é mesmo preferível que fique apenas às quartas-feiras, na hora do futebol, em dia e horário em que todos saibam que a atração está lá.

O primeiro capítulo não apresentou nada de grandioso, nem na história, nem nas interpretações. Talvez haja mais o que declarar de texto e interpretações nos próximos capítulos. O protagonista José – vivido nesta fase pelo ator Ricky Tavares – acabou ficando em segundo plano quando ganhou mais destaque o drama de Diná (Marcela Barrozo), estuprada por Siquém (Paulo Nigro).

Essa estreia marcou 12 pontos no Ibope da Grande São Paulo, garantindo o segundo lugar. Destaca-se também a intenção de apenas contar uma história, em detrimento ao ranço da doutrinação religiosa que geralmente acomete esse tipo de produção. Tomara que continue neste patamar.


Record não quer errar: “Balacobaco” é popularíssima
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Nilson Xavier

Bárbara Borges e Roberta Gualda em “Balacobaco” (Foto: TV Record)

Quem ligou para ver a estreia de Balacobaco, a nova novela da Record, nesta quinta-feira (04/10), deve ter sentido algum estranhamento. 1: a novela estreou em uma quinta-feira. 2: parecia um capítulo do meio da história, e não um capítulo de estreia. 3: parecia uma trama das sete horas passando às onze.

Deu para perceber que a Record não quer correr o risco de errar: fez algo completamente diferente de Máscaras. Balacobaco é colorida demais, tem um humor forçado, efeitos de desenho animado no meio das cenas, personagens caricatos. Não parece uma trama condizente com o horário em que está sendo apresentada. Parece uma novela das sete. Tem um colorido kitsh em cenários exagerados, e lembra Bela, a Feia, da mesma autora, Gisele Joras.

Poucos núcleos e personagens foram apresentados. E também muito pouco da história. Ficou claro apenas que as trambiqueiras Diva e Dóris (Bárbara Borges e Roberta Gualda), no passado, tentaram roubar o carro de Isabel (Juliana Silveira), que acabou capotando, e as ladras foram presas e cumpriram pena. A mãe delas, Cremilda (Solange Couto), é uma cambalacheira que está tentando enganar Norberto (Bruno Ferrari), que namora Diva. Aliás, as cenas de Cremilda aplicando golpes lembraram a novela Cambalacho (Globo, 1986).

Ou seja, este pareceu um capítulo solto, lá do meio da história. Não disse a que veio e o apresentado foi muito pouco para despertar alguma curiosidade no telespectador pelo capítulo seguinte.

A trilha sonora é popularíssima. Impossível não se lembrar da trilha de Avenida Brasil, da Globo. Aliás, o tema da abertura já canta “tem mulher bonita, balada boa, praia, carnaval e dinheiro pra gastar”. A família de Tufão ia curtir.

Balacobaco ficou em terceiro lugar no Ibope em seu primeiro capítulo: 8 pontos de média (Globo 24.1, SBT 8.3 e Band 5) – cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo.

O tom desta estreia pode ser medido pelas cicatrizes que as cambalacheiras Diva e Dóris carregam na barriga, acima do umbigo, fruto do acidente de carro mostrado neste capítulo. Uma cicatriz forma um ponto de interrogação com o umbigo (?). Outra, um ponto de exclamação (!). E foi isso que a novela deixou para o segundo capítulo: um ponto de interrogação seguindo de um ponto de exclamação (?!) na cabeça do telespectador.


“Máscaras”: repercussão negativa foi sua maior inimiga
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Nilson Xavier

O último capítulo da novela Máscaras, da Record (nesta terça-feira, 02/10), foi encerrado com um bonito depoimento de Paloma Duarte, enaltecendo o trabalho do ator, que – nas palavras dela – faz a ponte entre o autor e o público. Ponte essa que – nestes seis meses em que a novela esteve no ar – balançou tanto que quase arrebentou.

Máscaras já começou com o pé esquerdo. Algumas declarações de Lauro César Muniz (o autor), antes da estreia, soaram mal para o público. Máscaras entrou no ar com a fama de não ser uma novela popular – Lauro havia criticado a tendência das novelas da Globo em mirar a tal “nova classe C”.

E, realmente, a estreia causou um grande estranhamento: uma direção equivocada e um texto por demais confuso afastaram o telespectador. Logo em seu início, a novela revelou-se uma atração problemática para a Record, que viu seu Ibope cair vertiginosamente, o que acabou por deflagrar a pior crise no setor de Teledramaturgia da emissora desde que foi renovado em 2004.

Máscaras teve seu horário de exibição trocado várias vezes (por causa da estreia da Fazenda, teve alguns capítulos exibidos após a meia-noite), causou desconforto entre elenco e o autor (a atriz Luiza Tomé reclamou publicamente da novela e do autor), e culminou com a troca do diretor – Ignácio Coqueiro foi substituído por Edgard Miranda – e redução de sua duração – dos 220 capítulos primeiramente pensados, terminou com 116 escritos.

Para tentar apagar o incêndio, juntamente com a troca da direção, Lauro César e seus roteiristas mexeram no texto, para deixá-lo mais digerível ao telespectador médio. Foi quando a novela melhorou significativamente. De fato, Máscaras tinha uma história muito interessante, como tantas outras de Lauro César Muniz. O autor usou entrechos já experimentados anteriormente, como tramas envolvendo organizações criminosas (vide O Salvador da Pátria e Poder Paralelo).

Em julho, parte do elenco divulgou na internet uma “carta de amor à Máscaras”, em que culpava a mídia pela repercussão negativa da novela. Os atores alegavam que a imprensa divulgava apenas os problemas (como a baixa audiência) e não noticiava a qualidade artística da obra, o trabalho e a garra dos atores e roteiristas.

Mas o estrago já estava feito. A tal ponte que Paloma Duarte citou, entre o autor e o público, era frágil demais, estava abalada pela repercussão negativa lá dos primeiros meses, quando faltou, justamente, a tal qualidade artística citada na carta dos atores para a imprensa.

Apesar da significativa melhora no que foi apresentado, o horário ingrato não contribuiu em nada para melhorar este quadro, e Máscaras acabou por amargar uma das piores audiências entre as novelas da Record desde 2004: fechou com 6 pontos na média geral do Ibope (cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo). O último capítulo registrou também 6 pontos, ficando em terceiro lugar (Globo 25,5 e SBT 8,4).

Há de se destacar o ótimo trabalho de Paloma Duarte, que brilhou a novela inteira com sua personagem dúbia e sem nome (Nameless). E o sensível trabalho de Bárbara Bruno, como Zezé, a mãe que não aceitava a perda do filho e convivia com ele em seu imaginário, no fino limite entre o trágico e o cômico.

Na cena mais marcante do último capítulo, o personagem Martim (Heitor Martinez) era morto a tiros por seus inimigos, que atiravam em uma parte de seu corpo por vez. A morte de Martim o fez tombar e do interior da árvore em que estava amarrado saíram pombos brancos, como se a morte do vilão significasse a paz dos protagonistas mocinhos da novela (minha leitura).

Esta cena me fez lembrar a novela Os Gigantes, que Lauro César Muniz escreveu para a Globo em 1979, famosa por ter sido um dos maiores fracassos da emissora. A abertura de Os Gigantes mostrava imagens de uma pomba e da atriz Dina Sfat, que vivia a protagonista, chamada Paloma, que se matou ao final da história pilotando um pequeno avião, em um voo suicida. Estaria Lauro fazendo alguma referência a este seu antigo trabalho, marcado por ter sido tão problemático, como foi Máscaras?


Elenco de “Máscaras” está correto: a novela melhorou significativamente
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Nilson Xavier

Quando Máscaras estreou, escrevi uma crítica sobre a novela após assistir os seus cinco primeiros capítulos – leia AQUI.

Já no primeiro capítulo, percebi o desacerto entre autores e a direção da trama. Como relato no texto supracitado, era “como se os autores estivessem querendo passar uma mensagem e os diretores não estivessem conseguindo realiza-la à altura”.

A crise instaurou-se em Máscaras e o diretor foi trocado. Mudanças de horário prejudicaram ainda mais a trama. Lauro César Muniz, o autor, prometeu mudar sua novela para conquistar novamente o público.

Nesta segunda-feira (02/07), foi divulgada na internet uma “carta de amor à Máscaras”, assinada por 28 atores do elenco. Nela, os atores reclamavam da mídia, que divulga apenas os problemas da novela (como a baixa audiência) e não noticia a qualidade artística da obra, o trabalho e a garra dos atores e da equipe de roteiristas comandada por Lauro Cesar Muniz.

Leia AQUI o texto do jornalista Mauricio Stycer sobre o assunto, com a carta transcrita na íntegra.

A carta afirma que Máscaras inova e ”quebra com os clichês das novelas convencionais” e isto não é divulgado pela mídia, e que “não é justo que essa inovação, essa ousadia, não fique registrada”. Analisemos cada um dos exemplos desta inovação citados na carta (item 3 da carta):

1. Apresenta um galã dúbio, que tanto pode ser bom ou mau caráter, sem heroísmo romântico;

Lauro César Muniz já apresentara galãs dúbios desde Escalada (na década de 1970) e Roda de Fogo (na década de 1980). Cidadão Brasileiro e Poder Paralelo, suas duas últimas novelas (na Record) também tinham. Outros autores também criaram heróis dúbios, como Dias Gomes, Bráulio Pedroso e Janete Clair.

2. Vilões que se apaixonam, cujas ações são misturadas com humor e atitudes paradoxais, sem maniqueísmos;

Várias novelas, há muito tempo, têm vilões com essas características. A própria Carminha de Avenida Brasil, por exemplo, ora é perversa, ora demonstra amor pelo filho, ora é engraçada, etc.

3. Um casal que tem um filho imaginário, uma metáfora, algo inexistente em novelas;

Realmente inédito!

4. Personagens com tesão explicita e realizada, fugindo aos padrões antigos de comportamento;

Um vídeo com uma cena entre Flavia Monteiro e Nicola Siri até virou piada na internet recentemente, o “Você quer Me Ter?”. Acho que representa bem esse item. Assista AQUI (link do Youtube).

5. Um retrato político do capitalismo selvagem internacional, ao mostrar uma organização com interesses em propriedades de outra nação, como acontece com o petróleo do Oriente Médio, ou a loucura dos investidores da bolsa americana, em sua ambição desenfreada, levando o mundo a uma crise imensa.

Lauro já tratou dessas “organizações internacionais” em novelas como O Salvador da Pátria e Poder Paralelo.

Ou seja, não vejo nada de muito “inovador” no que foi citado, pois existem vários exemplos de novelas – dentro e fora da própria Record – que abandonaram o maniqueísmo folhetinesco e apostaram em tramas mais naturalistas.

Assisti ao capítulo de Máscaras exibido nesta segunda-feira. Por este capítulo isolado, e pelo que afirmei acima, também não vi muita inovação na trama. Todavia, é notório que Máscaras melhorou muito. Realmente é outra novela. A direção (agora a cargo de Edgard Miranda) está segura, acompanhada de trilha sonora apropriada e uma iluminação eficiente. Diferente do início, em que a direção, trilha e fotografia eram absolutamente equivocadas.

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A direção de atores também é bem superior. O capítulo apresentou uma cena ótima entre Míriam Freeland e Petrônio Gontijo. E Fernando Pavão, que vive o protagonista, está bem mais seguro e convincente em seu papel. A trama me pareceu mais clara, sem aquela nuvem de dúvidas inicial que a deixava confusa.

Enfim, vendo apenas um capítulo já dá para sentir que a novela melhorou. Mas, seria necessário, ao menos, uma semana inteira para sentir algo realmente inovador na estrutura da trama. Prometo que voltarei ao assunto.

Em tempo, no início de junho escrevi um texto sobre o profissionalismo da equipe de Máscaras, elogiando o autor em sua tentativa de salvar a novela. Leia AQUI.


Crise em “Máscaras” mede o profissionalismo dos envolvidos
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Nilson Xavier

A crise pela qual passa a produção da novela Máscaras não é boa para ninguém – nem para a emissora, nem para a produção da novela, nem para o público. Constantes mudanças de horário na grade impossibilitam a fidelidade da audiência. O roteiro precisa estar à altura do telespectador, e a história, adequada ao que o ele espera – quando o autor está disposto a isso, claro. A direção, o elenco, os roteiristas e a produção tem que estar afinados para o bom andamento dos trabalhos.

Nenhuma telenovela, independente da emissora, está livre de encontrar percalços pelo caminho, seja na produção ou na receptividade do público. São dignos de elogios os esforços de Lauro César Muniz e seus colaboradores – bem como diretores, elenco e toda a equipe de produção – em seguir com a novela na tentativa de melhores resultados na questão da receptividade.

O profissionalismo se mede nesses momentos de crise. Aliás, esta é uma máxima que cabe para a televisão bem como para qualquer área de atuação. Pudera Máscaras seguir seu curso normal sem tropeços e ficar no ar por um ano (sua meta original) – teria assim garantido emprego por um ano a todos os profissionais envolvidos nesse projeto. Profissionais que, provavelmente, dão graças a Deus de ter mais uma novela no ar permitindo trabalho a técnicos, atores e a todos os envolvidos, direta ou indiretamente.


“Rei Davi” foi a melhor das minisséries épicas da Record
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Nilson Xavier

A Record comemora a repercussão de sua minissérie Rei Davi – cujo último capítulo foi exibido na quinta-feira, 03/05. Apresentada desde 24/01, às terças e quintas-feiras, em 30 capítulos, Rei Davi bateu de frente com a programação noturna da Globo e chegou a liderar a audiência no horário no qual era exibida em mais de vinte ocasiões, concorrendo diretamente com atrações como o BBB, a minissérie O Brado Retumbante e a séries As Brasileiras e Amor e Sexo.

E tem explicação para sua audiência cativa: a identificação direta do público alvo – o que aprecia histórias bíblicas – concorrendo com uma minissérie difícil de ser digerida (O Brado Retumbante), uma edição “apagada” do BBB e a safra irregular de As Brasileiras e Amor e Sexo, que não tinha linearidade da audiência (alguns episódios ruins faziam o público trocar de canal). Rei Davi se garantiu em seu público alvo e chamou a atenção daquele que fugiu de alternativas pouco animadoras dos outros canais.

Mas é injusto justificar a repercussão de Rei Davi na falta de opção da concorrência. A Record apresentou uma superprodução épica, um trabalho de mais de trezentas pessoas e investimento de mais de R$ 25 milhões de reais, primeira obra neste formato com cenas gravadas fora do país (no Canadá e Chile). Remeteu a produções americanas – guardadas as devidas proporções, claro! – como o filme 300 e as séries Spartacus e Game of Thrones.

Rei Davi representou um avanço nas minisséries bíblicas da Record – que a emissora prefere chamar de “minisséries épicas” – quando comparada com as produções anteriores: A História de Ester (2010) e Sansão e Dalila (2011). Alguns acidentes de percurso chamaram a atenção: Leonardo Brício, o Rei Davi, caiu do cavalo e, em outra ocasião, teve a mão machucada. Já a atriz Cibele Larrama teve uma parte de seus cabelos queimados durante uma gravação – chegou a fazer uma cirurgia plástica para amenizar as marcas de queimaduras nas costas.

Ainda uma nota triste: o falecimento da atriz Marly Bueno – que vivia a vilã Ainoã, mulher do Rei Saul (Gracindo Jr.) – no dia 12/04/2012, no Rio de Janeiro, após ter sido hospitalizada para uma cirurgia no intestino. Ela tinha 78 anos, estava no ar em Rei Davi, mas já havia concluído suas gravações na minissérie.

A produção de uma nova minissérie épica para 2013 está garantida. E que seja superior a Rei Davi – saem ganhando o público, a emissora e todos os profissionais envolvidos. E que seja também uma oportunidade para corrigir os erros cometidos nesta, como os de caracterização (maquiagem e perucas e barbas postiças fakes demais).

Rei Davi: minissérie de Vivian de Oliveira, livre adaptação dos livros I Samuel e II Samuel, da  Bíblia, escrita com Camilo Pellegrine, Emílio Boechat, Maria Cláudia Oliveira e Altenir Silva. Direção de Edson Spinello, Leonardo Miranda e Rogério Passos, com direção geral de Edson Spinello.

Saiba mais sobre Rei Davi no site Teledramaturgia.

Leia AQUI sobre o falecimento da atriz Marly Bueno.


“Máscaras” acerta no roteiro mas erra na realização
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Nilson Xavier

O que se viu até agora de Máscaras – a nova trama da Record, que estreou semana passada – justifica o seu título. A novela é enigmática, mascarada mesmo! Mas confunde mais do que desperta curiosidade. Lauro César Muniz já afirmou que seus personagens são mascarados, e parece que vai levar isso às últimas consequências. O autor usa de um recurso perigoso: o de não entregar a história de cara. Não que isso seja ruim, mas na realização – que é feita pela direção da novela – pode acabar confundindo o telespectador desatento e afastá-lo.

Nota-se que Lauro e Renato Modesto – o co-autor – não perdem tempo. Eles são incisivos no drama dos protagonistas e impregnaram a trama com um clima pesado desde a primeira cena. Maria – vivida por Miriam Freeland, a melhor do elenco até agora – é uma mulher com tensão pós-parto que, supostamente, tentou matar o filho. Logo em seguida, teve seu bebê raptado, para depois ela ser raptada. O marido e o irmão de Maria se acusam mutuamente. Mas, quem está dizendo a verdade? Maria? Otávio, o marido (Fernando Pavão)? Martim, o irmão (Heitor Martinez)? Todos ou nenhum?

E se por trás deste suposto drama familiar estiver uma organização internacional mal intencionada? Intriga internacional e teorias da conspiração já foram abordadas por Lauro César Muniz em novelas como Poder Paralelo (2009-2010) e O Salvador da Pátria (1989). Em Máscaras, já ficam claras as intenções do autor de repetir essa temática, com personagens situados fora do país, como Martim, a prostituta Manu (Gisele Itié) e a personagem de Paloma Duarte, a que não ousa dizer seu nome.

Percebe-se, entretanto, que existe um desacerto entre os autores e a realização da novela. Fotografia, trilha sonora, cenários e elementos de cena destoam do que os personagens falam. Explico: é como se os autores estivessem querendo passar uma mensagem e os diretores não estivessem conseguindo realiza-la à altura. O texto de Lauro César Muniz é certeiro, irônico e inteligente. Mas a impressão que se tem é que ele não encontrou na produção da novela um ambiente propício para causar o efeito que propõe.

A cena do jantar em que Valéria (Bete Coelho) reúne os amigos para anunciar o “descasamento” com o marido, Gomide (Henri Pagnocelli), poderia ter sido ótima, se não fosse tão mal realizada. Sabemos que são vários atores experientes em cena, o elenco é bom. Mas a direção fez tudo parecer capenga. O mesmo para as cenas que se seguiram, em que as mulheres ficam sozinhas, em especial a que Sônia (Bruna di Tulio) tira a peruca e avisa a todas que está com uma doença terminal. São cenas longas, declamadas, sem trilha sonora, que tornam os diálogos cansativos.

A novela está lenta e existe um claro desacerto entre os autores e a produção. Mas ainda é cedo para afirmar que paira no ar uma sombra negra de Os Gigantes. Tem muito chão pela frente, muita história para rolar e tudo pode mudar. Inclusive a abertura – fica a dica!


Longa duração prejudicou “Vidas em Jogo” e deixou o último capítulo sem fôlego
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Nilson Xavier

E chegou ao fim, nesta segunda-feira (09/04), mais uma saga da Record: a novela Vidas em Jogo, de Cristianne Fridman, com direção geral de Alexandre Avancini. Saga é um termo que bem poderia caracterizar as novelas da emissora – se considerarmos a duração delas, que ficam no ar por um ano, mais ou menos. Vidas em Jogo estreou há onze meses, em maio do ano passado, totalizando 243 capítulos. As novelas anteriores no horário tiveram o mesmo “formato saga”: Ribeirão do Tempo, de Marcílio Moraes, 250 capítulos; Poder Paralelo, de Lauro César Muniz, 237 capítulos; e Chamas da Vida, também escrita por Cristianne Fridman, 253 capítulos.

Este tem sido o maior problema da emissora na conquista pela audiência de suas novelas. Vidas em Jogo fechou com uma média de 12 pontos no Ibope. Poder Paralelo e Ribeirão do Tempo fecharam em 11 (médias arredondadas). As novelas eram até boas, bem escritas e bem dirigidas, com algumas histórias interessantes e bons elencos. Mas é difícil manter o público cativo por tanto tempo, ainda mais em um horário tão competitivo. Se em um ano no ar as atrações obtiveram 11, 12 pontos de média, supõe-se que conquistariam mais telespectadores se as novelas fossem mais enxutas, com tramas fluindo melhor, e duração reduzida a pouco mais da metade.

É muito difícil para o autor manter o fôlego inicial e o interesse do público em uma mesma história por um longo período. O arsenal de novidades tem que ser grande.  As barrigas – aquele momento da trama em que nada acontece – são inevitáveis. A Globo entendeu bem isso e hoje reduz substancialmente a duração de suas novelas das seis e sete horas: Aquele Beijo (155 capítulos), A Vida da Gente (137 capítulos), Cordel Encantado (143 capítulos). Até as novelas das nove estão mais curtas: Fina Estampa e Insensato Coração fecharam em 185 capítulos cada.

Diante desta problemática toda, Vidas em Jogo chega ao seu fim com um último capítulo que refletiu essa longa trajetória. A revelação da farsa do tal palhaço assassino e de que os personagens não morreram, frustrou o telespectador. O entrecho poderia ser interessante, mas o texto que se seguiu, na sequência final da novela, refletiu o cansaço de toda a equipe diante de um ano de enrolação. O destaque ficou com Betty Lago, numa clara homenagem à atriz, que está doente.

Apesar da barriga e do seu final, Cristianne Fridman bem que tentou chamar a atenção do público, promovendo reviravoltas na trama policial e pontuando a novela com momentos chave ao longo desses onze meses – como os supostos assassinatos do palhaço serial-killer e os dramas dos personagens Andreia (Simone Spoladore) – que contraiu o vírus HIV após ter sido estuprada pelo vilão Cleber (Sandro Rocha) –, Augusta (Denise Del Vecchio) – que se revelou uma transexual – e Wellington (Ricky Tavares) – um jovem jogador de futebol viciado em crack.

Beth Goulart se destacou no papel da vilã Regina, a melhor interpretação da novela. As cenas de perseguição cansaram – reflexo da barriga da trama. Ao que parece, Máscaras, que substitui Vidas em Jogo a partir de terça-feira, também será mais uma saga da Record. Seu autor, Lauro César Muniz, é justamente o porta-voz de uma campanha para a redução da duração das novelas. Vamos torcer para que a Record assimile essas ideias.

Saiba mais sobre Vidas em Jogo no site Teledramaturgia.