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“A Terra Prometida” estreia com produção superior a “Os Dez Mandamentos”
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Nilson Xavier

Sidney Sampaio à frente do elenco (Foto: Divulgação/Rede Record)

Sidney Sampaio à frente do elenco (Foto: Divulgação/Rede Record)

Não há como negar: “A Terra Prometida” é um upgrade de “Os Dez Mandamentos”. O novo folhetim bíblico foi a estreia dessa terça-feira (05/07) na TV Record. Tudo é melhor: o texto, o elenco, a produção, a direção, os cenários e figurinos. O expertise adquirido pela Record – não só com “Os Dez Mandamentos”, mas também com as minisséries anteriores – é incontestável. A emissora investe bem nesse filão que já tem o seu público cativo. Todos saem ganhando: o público, os profissionais e a concorrência.

A referência a “Game of Thrones” é proposital. Assim como é proposital vislumbrar os subprodutos que podem vir com a novela. A Record já faz “A Terra Prometida” pensando em sua versão para os cinemas, a exemplo de “Os Dez Mandamentos”. O texto é de Renato Modesto, um novo autor. A direção geral ainda é de Alexandre Avancini, o mesmo da produção anterior. Agora a Record vem com a parceria da Casablanca, a mesma produtora que apresenta atualmente “Escrava Mãe”, às 19h30.

O elenco traz vários atores conhecidos, da própria Record ou da Globo: além de Sidney Sampaio (ótimo como o protagonista Josué), apareceram nessa estreia Beth Goulart, Felipe Folgosi, Paloma Bernardi, Raphael Viana, Milhem Cortaz, Igor Rickly, Juliana Silveira, Kadu Moliterno, Cristiana Oliveira, Marcos Winter, Nívea Stellman, Thaís Melchior, Marisol Ribeiro, Paulo César Grande, Guilherme Leme, Myrian Freeland, Ernani Moraes, Valéria Alencar, Elizângela, Castrinho, Walter Breda, e outros.

Um detalhe ousado que distancia ainda mais “A Terra Prometida” de “Os Dez Mandamentos” (apesar de uma história ser continuação da outra): a novela já começa introduzindo o seu ápice, a queda das muralhas de Jericó. “Os Dez Mandamentos” cozinhou por meses a sua história até que aparecessem as primeiras pragas do Egito. Numa cronologia ousada, o primeiro capítulo de “A Terra Prometida” mostrou o que está por vir para em seguida retroceder a história para seu começo. Não é original, outras novelas já o fizeram. Mas é uma forma de assegurar ao público fortes emoções.

Esperamos que “A Terra Prometida” atinja a mesma repercussão de “Os Dez Mandamentos”. E que a qualidade técnica e artística de sua produção se distancie ainda mais da novela anterior – o que pode ser traduzido com uma trama mais ágil, sem enrolações, interpretações melhores, uma direção mais criativa, texto menos didático e evangelizador, e caracterizações sem talco no cabelo para envelhecer atores jovens (que marcou o triste fim da saga de Moisés).

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Novelão assumido, “Escrava Mãe” mal começou e já tem um “quem matou”
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Nilson Xavier

O Personagem de Antônio Petrin foi assassinado (Foto: Reprodução)

O personagem de Antônio Petrin foi misteriosamente assassinado (Foto: Reprodução)

Como já mencionei anteriormente aqui, a novela “Escrava Mãe” é uma salada folhetinesca. Junta todos os ingredientes – entenda clichês – que fazem a alegria dos fãs do gênero. O autor, Gustavo Reiz, já engatou um “quem matou” na segunda semana da novela! O mistério durou pouco tempo para o público: quem matou Custódio Avelar (Antônio Petrin) foi a filha dele, Maria Isabel (Thaís Fersoza). Os personagens da trama só descobrirão a identidade do assassino no final.

Em pouco mais de duas semanas de exibição, já se percebe que a produção de “Escrava Mãe” é belíssima, tanto em cenários quanto em figurinos, arte e fotografia. A trilha sonora acompanha. O elenco é bem escalado e não há deslizes. A novela é bem dirigida (equipe de Ivan Zettel).

Diante desses atrativos todos, já se destacam alguns nomes do elenco, muito bons em cena. Seguindo à risca a cartilha do folhetim, os personagens são maniqueístas: os bons são virtuosos e os maus são terríveis. Quando o ator é competente e/ou bem dirigido, é fácil embarcar nessa fantasia.

É o caso de Thaís Fersoza (quanta segurança para interpretar uma vilã!), Roberta Gualda (excelente como a sofredora), Zezé Motta, Antônio Petrin (pena que seu personagem morreu), Bete Coelho (comedida na dose certa), Luiz Guilherme, Lidi Lisboa (má e invejosa), Sidney Santiago, Luiza Tomé e Jussara Freire (que vem roubando as cenas sempre que aparece).

Os ganchos são bons. A festa de casamento de Almeida (Fernando Pavão) e Tereza (Roberta Gualda) foi um ótimo clímax, repleto de acontecimentos, que rendeu a morte do coronel Custódio (Antônio Petrin) e um “quem matou”. Apenas senti um descompasso da trilha sonora em algumas sequências: a música incidental, muito linear, não valorizou o ritmo, parecia não acompanhar os altos e baixos nas cenas do festejo.

A trama é bem costurada por Gustavo Reiz. Segredos do passado, mistérios, vilões cruéis (são vários), vingança, humor, hipocrisia da sociedade, sonho de liberdade, a questão da abolição, o sofrimento da mocinha, e agora um “quem matou”. O autor promete uma trama movimentada. Tem em mãos um bom arsenal para os meses que virão.

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(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)


“Escrava Mãe” promete salada de estilos para agradar a “família brasileira”
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Nilson Xavier

Gabriela Moreyra e Pedro Carvalho (Foto: Divulgação/Record)

Gabriela Moreyra e Pedro Carvalho (Foto: Divulgação/Record)

Prepare-se que a Record vem munida de um novelão – “Escrava Mãe” – para bater de frente com “Haja Coração” da Globo. As duas são as estreias dessa terça (31/05) na faixa das 19h30. Na sexta-feira do dia 20/05, a emissora da Barra Funda apresentou “Escrava Mãe” à imprensa, com a exibição de boa parte do primeiro capítulo e sequências dos capítulos seguintes. Escrita por Gustavo Reiz e dirigida por Ivan Zettel, a novela é uma coprodução, com a Casablanca.

A trama de época – que narra a saga da escrava Juliana (Gabriela Moreyra), mãe da personagem central do romance “A Escrava Isaura”, de Bernardo Guimarães – tem todos os ingredientes de um folhetim clássico brasileiro, numa verdadeira salada de estilos. A comédia romântica do horário das sete da Globo vai concorrer com um melodrama dos mais diversificados: tem romance, ação, vilões cruéis, amores impossíveis, sonho de liberdade e até comédia pastelão com direito a comida na cara.

“Novela para a família”

Nas chamadas já é possível ter uma ideia do romance exacerbado a que se propõe a produção, com cenas de amor ao som da música “Como Vai Você”, numa regravação rasgada de Bruno e Marrone. O sonho de liberdade associado ao amor impossível entre uma escrava e um homem branco, prejudicado pelo senhor cruel, já era o mote da clássica “A Escrava Isaura”, imortalizada na versão da Globo de 1976 (com Lucélia Santos e Rubens de Falco), e que também ganhou um adaptação na própria Record, entre 2004 e 2005 (com Bianca Rinaldi e Leopoldo Pacheco).

Não espere nada de novo na história. Não há sutileza: “Escrava Mãe” segue os passos seguros já trilhados por outras produções aprovadas pelo público. O folhetim tradicional será seguido à risca e a novela não fugirá de abordagens batidíssimas e conhecidas de todos, principalmente em se tratando de tramas de cunho abolicionista (como “Escrava Isaura”, “Sinhá Moça” e outras).

“É uma novela para a família”, adiantou o autor. Uma afirmação que já virou clichê quando as emissoras qualificam suas produções, talvez com medinho de rejeição ou boicote da “tradicional família brasileira”. “Escrava Mãe” mistura tudo o que – teoricamente – funciona em uma novela, com base no que – teoricamente – a audiência quer ver.

Salada de estilos

Duas famílias rivais disputam o poder (a fazenda tal versus a fazenda vizinha) tendo o amor proibido entre seus filhos, à la Romeu e Julieta, a engrossar essa animosidade. Também o embate entre vilões desumanos (fazendeiros escravocratas e seus feitores) e jovens militantes da causa abolicionista, com direito a um jornal que afronta os interesses dos senhores de escravos (já visto em “Sinhá Moça”). “Escrava Mãe” reforça a ideia de que as novelas são todas iguais, só muda a forma de contar a mesma história.

O humor se faz presente na figura de Dona Urraca (de Jussara Freire), uma “dama da sociedade”, moralista, que rivaliza com as meninas da taverna, supostas prostitutas, lideradas por Rosalinda, vivida por Luiza Tomé – o que remete a outra personagem da atriz: a cafetina Rosa Palmeirão de “Porto dos Milagres” (2001). “Moralistas versus prostitutas” também rende, vide as novelas de Dias Gomes e Aguinaldo Silva. Pelas cenas apresentadas, esse filão vem recheado com humor pastelão, farinha e ovo na cabeça.

O autor promete uma narrativa ágil, com muita ação, em que histórias se resolvem no próprio capítulo. Se a trama não traz nenhuma novidade, as imagens, pelo menos, são atraentes. As cenas mostraram tomadas cinematográficas, bonitas e criativas. Imagens com um quê de épico. Talvez aí esteja o diferencial de “Escrava Mãe”. A novela foi gravada em 4K (ou Ultra HD, com qualidade de imagem quatro vezes superior à alta definição), no interior de São Paulo (no Polo Cinematográfico de Paulínia e na Fazenda Santa Gertrudes). Anderson Souza, o diretor de teledramaturgia da Record, afirmou que o custo médio de cada capítulo é de 350 mil reais.

Só depois de “Totalmente Demais”

Sobre os meses em que “Escrava Mãe” ficou engavetada (substituiria “Os Dez Mandamentos” em outubro de 2015), a Record reconhece o sucesso de “Totalmente Demais” (nas palavras do diretor artístico Marcelo Silva) e esperou a novela das sete da Globo terminar para estrear sua nova produção. Assim como em “Haja Coração” na Globo, o primeiro capítulo de “Escrava Mãe” também não terá breaks comerciais. A novela está prevista para 140 capítulos, mas como a edição ainda está sendo feita, é provável que esse número varie, para mais ou para menos.

Apesar de abordar um período violento de nossa História, “Escrava Mãe” não mostrará violência: “Não quis valorizar a tortura para não parecer sensacionalista”, afirmou Gustavo Reiz. O diretor Ivan Zettel propõe com a trama “entender quem somos nós, portugueses, índios, negros”. Além dos negros escravos, a novela tem um ator português no elenco (Pedro Carvalho), e uma personagem índia, vivida por Adriana Londoño.

AQUI tem a trama, curiosidades e o elenco completo com os personagens de “Escrava Mãe”.

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2ª temporada de “Os Dez Mandamentos” começa com novas (e boas) histórias
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Nilson Xavier

Leonardo Vieira e Marcela Barrozo (Foto: Divulgação/TV Record)

Leonardo Vieira e Marcela Barrozo (Foto: Divulgação/TV Record)

A autora de “Os Dez Mandamentos“, Vívian de Oliveira, promete causar rebuliço também na segunda temporada da novela – que estreou nesta segunda, 04/04, na Record, após um hiato de pouco mais de quatro meses. O capítulo pareceu mesmo uma continuação de onde a novela havia parado, lá em novembro de 2015. A opção pelo sonho de Ana (Tammy Di Calafiori) para fazer um pequeno flashback do seu drama, na temporada passada, foi uma estratégia criativa de fazer o público lembrar o que acontecera. Também o flashback foi usado para mostrar alguns desfechos não vistos pelo público no ano passado e que dão agora continuidade na história.

Novos personagens foram introduzidos em novas tramas. Essa temporada começou com mais cara de novelão do que a anterior. Na ausência dos reis vilões do Egito, os novos reis Balaque e Elda (Daniel Alvin e Francisca Queiroz) prometem fazer as vezes de Ramsés e Nefertari (Sérgio Maroni e Camila Rodrigues). Agora, tendo um feiticeiro – Balaão (Leonardo Vieira) – como mentor de maldades – o que remete à clássica figura do Bruxo Ravengar, Antõnio Abujamra em “Que Rei Sou Eu?” (ainda que o tom deste fosse a paródia).

Moisés, Zípora, Joquebede, Arão, Josué, Ana, Hur, Miriã, Leila, Jetro e vários outros da temporada anterior dão prosseguimento à saga. Corá continua o vilão entre os hebreus e Victor Hugo parece o ator ideal para o papel. Chamou a atenção duas novas tramas que prometem o “rebuliço” que Vívian de Oliveira falou. Através de um flashback (de novo!), o público ficou sabendo que Betânia (Marcela Barrozo) ofertou seu bebê em sacrifício sob a influência do Bruxo Balaão. Ela o reencontra quando visita o palácio real com o pai Jetro (Paulo Figeiuredo), e o bruxo a ameaça, avisando que sua filha está viva – o que ela não sabia.

O outro bom entrecho foi o que encerrou o capítulo, com um ótimo gancho: o Rei Balaque (Daniel Alvim) se encanta com Adira (Rayanna Carvalho), outra filha de Jetro, e lhe afirma o seu desejo de casar-se com ela, o que é negado pelo pai, pelas diferenças de crenças e por ela já ser casada, com Menahem (Jorge Pontual). É quando o rei dá um sinal e um guarda mata Menahem. Fim do primeiro capítulo.

Não enrolarás!
Para prender o público, além desses (bons) novos entrechos folhetinescos, a autora promete acontecimentos surreais e pirotécnicos tão sedutores quanto as pragas do Egito e a travessia do Mar Vermelho, que fizeram a festa no ano passado. Para encerrar a saga de Moisés em 60 capítulos, a Record usará as mesmas armas que garantiram o sucesso da primeira temporada. Como dessa vez a novela é mais curta, esperamos que a emissora não cometa o mesmo erro anterior: o pecado da enrolação.

Leia também:Nova temporada vai causar rebuliço – aposta a autora

Saiba mais sobre “Os Dez Mandamentos” no site Teledramaturgia.

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Pirotecnia em “Dez Mandamentos” desviou atenção da fraca direção de elenco
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Nilson Xavier

Sidney Sampaio e Guilherme Winter. Foto divulgação/ Record

Sidney Sampaio e Guilherme Winter. Foto divulgação/ Record

O maior sucesso da dramaturgia da Record desde a retomada do setor (em 2004), a novela “Os Dez Mandamentos” chegou ao fim nesta segunda-feira, 23 de novembro. Sucesso este não esperado pela emissora, muito menos pelos profissionais envolvidos na produção.

A maior prova disto foi a falta de planejamento da Record e a “má administração do sucesso”. A novela foi sendo espichada à medida que o Ibope aumentava, o que prejudicou seu bom andamento, com tanta enrolação, e chegou a irritar alguns telespectadores. Sem uma substituta à altura (talvez outra trama bíblica inédita), a emissora preferiu protelar a estreia da sucessora (“Escrava-Mãe”, uma história ambientada no Rio de Janeiro do século 19) e pôs a reprise de uma minissérie bíblica em seu lugar (“Rei Davi”) – por sinal, com notável qualidade técnica inferior.

A Record ousou ao exibir “Os Dez Mandamentos” em formato de telenovela, uma história bíblica mundialmente conhecida que demanda muitos efeitos especiais e tem o famoso filme de Cecil B. DeMille (de 1956, com Charlton Heston) no inconsciente coletivo – uma referência que sempre gera comparações. Ousadia maior foi concorrer com os principais programas do horário nobre da Globo, o “JN” e a novela das nove.

E a emissora de Edir Macedo acertou em cheio. Pode-se dizer que “Os Dez Mandamentos” foi a novela certa no momento certo. Frente à crise econômica pela qual o país atravessa, com notícias desagradáveis diariamente nos telejornais, e a insistência da Globo em apostar em tramas ditas “realistas”, com violência, impunidade e favelas (“Babilônia” e “A Regra do Jogo”), parte do público preferiu o escapismo de uma história fantasiosa e bem distante da dura realidade brasileira.

Os Dez Mandamentos” fecha com uma média geral de 16 pontos no Ibope da Grande São Paulo. A audiência começou dentro do esperado pela emissora e foi crescendo com o passar do tempo. Encostou na Globo com as pragas do Egito, já em sua segunda metade. E bateu a concorrente com a travessia no Mar Vermelho, na reta final, para depois sofrer uma queda. Chamou a atenção até mesmo de quem era alheio a temas bíblicos, curioso com os efeitos especiais que a Record mandou fazer nos Estados Unidos, tanto para as pragas quanto para a travessia – a maioria, bons e eficientes.

Entretanto, tanta pirotecnia disfarçou um desajuste. A equipe de diretores, comandada por Alexandre Avancini, desviou as atenções para os efeitos especiais, mas deixou a desejar na direção de atores. Um texto bíblico, repleto de frases feitas e doutrinação, requer excelentes atores, bem dirigidos, para que tudo não soe como um jogral de igreja. Diante de um elenco numeroso, poucos nomes se destacaram, enquanto vários não passaram da declamação empostada. Faltou uma direção de atores mais criativa e menos preguiçosa, que fugisse do lugar comum, inclusive para tornar convincentes algumas interpretações do difícil texto bíblico.

No elenco, destacaram-se os excelentes Samara Felippo, Zé Carlos Machado, Denise Del Vecchio, Adriana Garambone, Giuseppe Oristânio e Petrônio Gontijo. Larissa Maciel, Vera Zimmermann, Heitor Martinez, Paulo Gorgulho e Floriano Peixoto também estiveram bem em seus personagens. O mesmo não se pode dizer de Guilherme Winter e Sérgio Marone, que interpretaram os protagonistas Moisés, o herói, e Ramsés, o vilão. Sem carisma, Winter viveu um Moisés frio e robótico, enquanto Marone foi a outro extremo, exagerando e pisando na falta de sutileza. Faltou da direção uma orientação para o meio termo correto entre os dois antagonistas.

Tecnicamente falando, a equipe de Alexandre Avancini está de parabéns. Tudo bem que os efeitos especiais são importados. Mas vale ressaltar também a cenografia e figurinos – ainda que perucas e barbas postiças continuem soando falsas. A fotografia corrigiu o colorido exagerado – mais escura, o Egito da novela escapou da comparação com o Egito de desfiles de escola de samba, como já visto em produções anteriores da emissora.

O sucesso provocou o alongamento e, para tanto, a edição abusou dos flashbacks, o que aumentou a sensação de embromação. Pior foi o último capítulo não exibir um fim da história para justificar uma “segunda temporada” em 2016. Já a autora, Vívian de Oliveira, conseguiu desenvolver um bom trabalho ao dosar o texto bíblico com uma linguagem mais próxima da telenovela (inclusive com boas tramas paralelas cômicas). Gostaria de ver Vívian escrevendo histórias contemporâneas, não-bíblicas.

Acima de tudo, com defeitos e qualidades – como qualquer outra produção, de qualquer canal -, “Os Dez Mandamentos” conseguiu um feito notável, destes que raramente acontecem na televisão brasileira. Conquistou o público com uma opção de entretenimento fora da Globo, no horário de maior faturamento da concorrente. Não é pouca coisa.

Mas a Record precisará de bem mais que histórias incríveis com efeitos especiais importados para continuar neste patamar. A concorrência poderá estar melhor munida na próxima vez, não só a Globo, mas também as demais emissoras. Nesta guerra deles, quem ganha é o público, com mais opções de entretenimento, independentemente do canal.

Leia também: Maurício Stycer “Terminar Os Dez Mandamentos sem mostrar o fim da história é caso de Procon”.

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A praga do não planejamento afeta “Dez Mandamentos” como afetou “Pantanal”
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Nilson Xavier

Cristiana Oliveira como Juma Marruá / Guilherme Winter como Moisés (Fotos: Dilvulgação)

Cristiana Oliveira como Juma Marruá / Guilherme Winter como Moisés (Fotos: Dilvulgação)

O sucesso de “Os Dez Mandamentos“, batendo o Ibope da Globo nas últimas semanas, tem levantado comparações entre a novela bíblica da Record e “Pantanal” (TV Manchete, 1990), trama que entrou para a história não só pelo banho de audiência (no último capítulo, a Manchete bateu a Globo com uma diferença de 20 pontos no Ibope), mas pelo arrebatamento que causou no público, tornando-se um marco em nossa Teledramaturgia.

Para além dos bons números de audiência – e, provavelmente, como razão para eles -, tanto uma quanto a outra se destacaram em suas épocas como opções diferenciadas ao que a Globo vinha apresentando. “Pantanal” revelou ao Brasil as belezas naturais da região que dá título à novela, com uma ambientação e estética inéditas, nunca vistas nas novelas globais. Com boa dose de escapismo, nunca deixou de ser, acima de tudo, um folhetim de qualidade inquestionável.

Não cabe aqui comparação entre a qualidade de uma e outra novela. Todavia, “Os Dez Mandamentos” é também escapista num momento em que o público parece cansado das tramas realistas globais.  O apelo bíblico de uma história mundialmente conhecida em uma produção cheia de pirotecnia aguça a curiosidade até mesmo de quem torce o nariz para histórias bíblicas que todos conhecem.

A preocupação atual da Record é manter o patamar de audiência alcançado e escapar do rótulo de “sucesso momentâneo” para sua novela. Sabemos que a emissora não se preparou adequadamente para a sucessora de “Os Dez Mandamentos“, por não imaginar que a novela iria tão longe. Prova do não saber o que fazer ou como lidar com esse sucesso todo é o fato da emissora de Edir Macedo ainda não ter decidido a data para o término de sua novela – se essa semana, ou a próxima, e em qual dia -, esticando-a ao máximo para usufruir o quanto pode dessa repercussão, correndo o risco de comprometer a produção e irritar o telespectador com tanta enrolação.

A falta de planejamento e a má administração do sucesso também acometeram a Manchete. Apesar da boa repercussão inicial da novela “A História de Ana Raio e Zé Trovão“, que substituiu “Pantanal“, e de “Xica da Silva” (1996, outro êxito isolado), a emissora foi se afundando até fechar suas portas, em 1999. No livro “Rede Manchete, Aconteceu, Virou História” (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo), o autor, Elmo Francfort, relata que Lourenço Carvano, gerente de manutenção da Manchete na época de “Pantanal“, afirmou que a novela foi um sucesso inesperado que a emissora não soube administrar. Elmo conclui:

“‘Pantanal‘, apesar do sucesso grandioso, com méritos, foi uma faca de dois gumes para a Manchete. A emissora vinha numa linha de crescimento gradativa e a novela foi produzida sem que a Manchete tivesse atingido uma maturidade que a tornasse totalmente estável, principalmente no lado comercial”.

Não obstante às mudanças de rumo de última hora, a Record parece depositar agora todas as suas fichas no horário nobre às suas produções bíblicas. Caberá a “Terra Prometida“, anunciada para o primeiro semestre de 2016, provar que a boa fase da emissora também está imune à famigerada praga da falta de planejamento.

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65 anos de TV: 200 milhões de críticos explicam a crise de A Regra do Jogo
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Nilson Xavier

Guilherme Winter como Moisés em "Os Dez Mandamentos" (Foto: Divulgação/TV Record)

Guilherme Winter como Moisés em “Os Dez Mandamentos” (Foto: Divulgação/TV Record)

O brasileiro tem vocação nata para televisão. Seja como profissional ou como público. Somos mais de 200 milhões de críticos, opinando, explicando ou justificando. A TV brasileira aqui chegou há exatos 65 anos e encontrou um terreno fértil para profissionais criativos e um público exigente. O que era artesanal em sua primeira década (anos 1950), industrializou-se e profissionalizou-se, atingindo um nível que a levou a ser reconhecida mundialmente. E este know-how do público foi sendo aprimorado e repassado de geração a geração, até a atualidade.

Saímos da geração criada pela TV – que fez as vezes de uma babá eletrônica (da qual também faço parte) -, e chegamos a um importante momento de mudança, em que os apelos eletrônicos são outros e estão pulverizados. A nova audiência já nasce sabendo acessar smartphones e toda a parafernália tecnológica moderna, ao alcance dos dedos ou nas nuvens.

Isso se reflete no atual cenário televisivo – hoje, 18 de setembro, dia em que se comemora os 65 anos da TV no Brasil. Mais especificamente na crise que a líder TV Globo enfrenta em seu prime-time. Num fenômeno que se repete uma vez a cada década (e olhe lá!), a hegemonia global é ameaçada em seu principal horário de audiência e faturamento.

Só mesmo a vocação do brasileiro para a televisão e seu nível de exigência para fazer surgir esse cenário de concorrência saudável e qualificada. Que bom que fosse sempre assim: programação diversificada e de qualidade, bom para o público e para os profissionais. A audiência da TV em geral, que vem caindo ano a ano – reflexo dos novos hábitos e outras formas de entretenimento (tv a cabo, videogames, internet, novas mídias) -, chega neste momento a um patamar sui generis.

A TV Record estreou sua novela bíblica “Os Dez Mandamentos” uma semana após a Globo lançar “Babilônia”, que acabou espinafrada pela opinião pública, amargando a pecha de “menor audiência da história do horário nobre global”. Parte desse público que desaprovou a trama de “Babilônia” endossou a história bíblica da concorrente – ainda que o confronto nunca tivesse sido direto, mas por alguns minutos. Outra parte ficou no SBT, com suas novelas infantis, ou em outros canais. Outra parte migrou para a TV a cabo. Outra, simplesmente desligou a TV para jogar, para acessar a Internet, para assistir séries, ou para fazer qualquer outra coisa.

Vanessa Giácomo, Alexandre Nero e Giovanna Antonelli na chamada de "A Regra do Jogo" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Vanessa Giácomo, Alexandre Nero e Giovanna Antonelli na chamada de “A Regra do Jogo” (Foto: Divulgação/TV Globo)

A Globo antecipou o fim de “Babilônia” para tentar “correr atrás do prejuízo” e apostou todas as fichas em sua nova novela, “A Regra do Jogo” – “do mesmo autor de ‘Avenida Brasil”, como fez questão de salientar nas chamadas – com produção de primeira, elenco estelar e direção com uma novidade, a “caixa cênica”. A Record, por sua vez, mostrou-se preparada. Com os bons números que sua trama vinha obtendo, reservou a melhor parte da história bíblica, a que chamaria mais a atenção do público (as pragas do Egito), para enfrentar a novidade global.

Entretanto, não é justo comparar as primeiras semanas de “Babilônia” com essas primeiras semanas de “A Regra do Jogo”. Não é um mesmo peso e medida. “Babilônia” pegou a audiência em alta da novela anterior, “Império”, e sem concorrência. A Record colocou “Os Dez Mandamentos” depois, e foi conquistando público aos poucos. “A Regra do Jogo”, por sua vez, pegou a audiência do horário em baixa e no momento de maior promoção de “Os Dez Mandamentos”, com público cativo.

Ainda: sempre que uma novela começa, ou ela “pega de cara”, ou ela precisa de um tempo para o telespectador comprar a nova história. “A Regra do Jogo” já mostrou não ser uma novela fácil, prioriza a ação policial, com uma trama complexa. Talvez não fosse a história certa para este momento.

Conclusão: a TV brasileira alcança seus 65 anos vendo a poderosa Rede Globo se desdobrando para não bater a sua principal novela de frente com “Os Dez Mandamentos” da concorrente. No embate direto, a audiência da Record, quando não é maior, é bem próxima. Vai ser difícil para a emissora carioca conquistar público para sua nova trama enquanto “Os Dez Mandamentos” estiver no ar.

Enquanto isso, a tática usada pela Globo é espichar o “Jornal Nacional” o máximo para fugir da trama da Record. A emissora concorrente, por sua vez, se aproveita da situação, tardando ela mesma sua principal atração. Isso sem falar nos capítulos a mais que “Os Dez Mandamentos” já ganhou, visando aproveitar ao máximo o atual momento. Haja enrolação e praga no Egito!

Somos 200 milhões de críticos de televisão, cada um com sua fórmula de sucesso para explicar o atual cenário, cada qual baseado em seu próprio conhecimento, universo, gosto pessoal ou torcida, por uma ou outra emissora ou atração. Brinco que, quem sabe, a TV Globo sairia da crise, ou a Record conquistaria a hegemonia definitiva, se contratassem cada um dos 200 milhões de especialistas e críticos em televisão desse país.

Leia também: Maurício Stycer: “Os Dez Mandamentos afeta A Regra do Jogo e o JN de forma quase igual“.


Record dita a regra do jogo com “Os Dez Mandamentos”
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Nilson Xavier

Petrônio Gontijo e Guilherme Winter (Fotos: Divulgação/TV Record)

Petrônio Gontijo e Guilherme Winter (Fotos: Divulgação/TV Record)

Começo me desculpando pelo trocadilho infame no título. Mas é notável o feito da Record com sua novela “Os Dez Mandamentos”, que está incomodando a Globo nesta estreia da aguardada novela de João Emanuel Carneiro, “A Regra do Jogo”. Por causa do sucesso da trama bíblica, a concorrente vem empurrando sua nova atração para mais tarde, tentando minimizar o confronto direto. A novela das nove da Globo (que já foi das oito), está sendo jocosamente chamada de “novela das dez”.

Os Dez Mandamentos”, escrita por Vívian de Oliveira, com direção geral de Alexandre Avancini, é a sexta produção bíblica da Record nesta década, a primeira no formato telenovela. As anteriores foram exibidas como histórias seriadas ou minisséries (“A História de Ester”, “Sansão e Dalila”, “Rei Davi”, “José do Egito” e “Milagres de Jesus”). De longe, é a produção de maior sucesso e repercussão.

Para transformar a saga de Moisés em novela, a autora Vívian de Oliveira apresenta a trama de forma folhetinesca, com entrechos que prendem o público de novelas. Mas sem fugir do ranço do texto bíblico, com muitas frases de doutrinação religiosa, que na maioria das vezes soam teatrais, principalmente quando empostadas por algum ator desavisado. O tom teatral é até de se esperar em uma produção do gênero – estranho seria se tudo fosse coloquial ou realista demais.

Sérgio Marone

Sérgio Marone

O elenco tem atores experientes em ótimas interpretações, como Denise Del Vecchio (Joquebede), Vera Zimmermann (Henutmire) e Adriana Garambone (Yunet). Guilherme Winter vive Moisés de forma correta. Sérgio Marone chama a atenção com seu Ramsés, assim como Zé Carlos Machado, que viveu o faraó Seti I.

A Record atingiu um bom patamar com sua experiência em minisséries bíblicas. A produção de “Os Dez Mandamentos” é caprichada, a direção (equipe de Alexandre Avancini), cuidadosa. Os cenários e figurinos estão mais coerentes após a correção na fotografia, que deixou a novela menos iluminada, com efeito, menos colorida e carnavalesca.

E a trama está em sua melhor fase – todos conhecem a incrível história das pragas do Egito -, justificando a boa repercussão. Por causa do sucesso que vem fazendo, “Os Dez Mandamentos” foi espichada para meados de novembro, ganhando, pelo menos, mais 20 capítulos além dos 150 inicialmente previstos. Sexta-feira, 04/09, foi ao ar o capítulo 120.

A novela estreou em março e já começou bem no Ibope: nos dois primeiros meses, marcou uma média de 12 a 13 pontos na Grande São Paulo (cada ponto equivale a 67 mil domicílios), desbancando o segundo lugar do SBT no horário. E a audiência foi crescendo. A média geral, até o momento, é de 14 pontos, que certamente será maior até o seu encerramento. Na semana passada, com o desenrolar da primeira praga do Egito (a água se transformou em sangue), “Os Dez Mandamentos” fechou com média semanal de 19 pontos.

Camila Rodrigues

Camila Rodrigues

Há muito tempo a Globo reconhece a repercussão da concorrência e se mobiliza para enfrentá-la. Já na época de “Pantanal” (da TV Manchete, em 1990), medidas foram tomadas para diminuir os efeitos da concorrente sobre sua programação. Na época, a Globo chegou a lançar uma novela (“Araponga”, de Dias Gomes) para concorrer diretamente com “Pantanal”. Sabemos que de nada adiantou.

A Record guardou a melhor fase de “Os Dez Mandamentos” para enfrentar a estreia de “A Regra de Jogo” – ainda que o confronto não seja direto, mas por alguns minutos. Assim, além do telespectador que já é fiel à novela, ela fisga ainda a parcela curiosa com as pragas do Egito, se aproveitando do fato da concorrente não ter tido tempo hábil para conquistar público com sua nova atração.

Lembrando que João Emanuel Carneiro enfrentou problema semelhante em 2008, com a estreia de “A Favorita”, que em seu início bateu de frente com a melhor fase de repercussão de “Os Mutantes”, da própria Record. O fato é que “A Regra do Jogo” herdou audiência em baixa de “Babilônia”. E “Os Dez Mandamentos” fica no ar por apenas mais dois meses. Esse jogo pode virar, quando estrear a nova produção da Record (“Escrava Mãe“, que não será uma trama bíblica).

O bom disso tudo é que são duas produções bem distintas em horários (quase) subsequentes, de canais diferentes. Representam diversidade para o público. As emissoras podem até impor suas regras. Cabe ao telespectador querer jogar ou não.

Leia também: Maurício Stycer – Contra “Os Dez Mandamentos”, “JN” fica mais longo do que a novela.


“Os Dez Mandamentos” é formal demais para uma novela, mesmo sendo bíblica
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Nilson Xavier

Roger Gobeth e Samara Felippo e o pequeno Moisés recém-nascido (Foto: TV Record/Divulgação)

Roger Gobeth e Samara Felippo e o pequeno Moisés recém-nascido (Foto: TV Record/Divulgação)

Substituir a novela “Vitória” não parece tarefa fácil para “Os Dez Mandamentos”, a nova produção da Record que estreou nesta segunda-feira (23/03). “Vitória”, escrita por Cristianne Fridman (que tem no currículo bons trabalhos na emissora, como “Chamas da Vida” e “Vidas em Jogo”), amargou uma pífia audiência e pouca repercussão. Em várias ocasiões ficou em terceiro lugar, perdendo para o SBT.

Nem histórias interessantes – que abordavam neonazismo, alcoolismo e Mal de Alzheimer -, tampouco as interpretações marcantes de Juliana Silveira, Lucinha Lins e Beth Goulart, conseguiram despertar interesse no público. De nada adiantou alfinetar a concorrente no horário na Globo, “Em Família”, chamando-a de salada de chuchu sem gosto. Não que “Em Família” não fosse. Se ela fez feio, imagina “Vitória”!

Entretanto, a “primeira novela bíblica da TV”, como foi vendida “Os Dez Mandamentos”, chega com algumas vantagens. A primeira é o horário de exibição. Diferente de “Vitória”, que batia de frente com a principal novela da Globo, a nova atração começa mais cedo, às 20h30, após o jornalístico “Cidade Alerta”, herdando já a audiência dele.

A outra vantagem é a temática religiosa, que já faz parte do DNA da emissora. A Record tem seu público cativo de minisséries bíblicas, e apostar nesse filão em uma atração diária e de longa duração, como a telenovela, chega a ser uma vantagem em cima dos folhetins contemporâneos anteriores.

A autora é a experiente Vívian de Oliveira, que integrou a equipe de roteiristas das minisséries “A História de Ester”, “Rei Davi”, “José do Egito” e “Milagres de Jesus”, entre 2010 e 2014. O diretor é outro experiente: Alexandre Avancini. O elenco é bom, de atores conhecidos da casa. Para contar a saga de Moisés (Enzo Simi/Guilherme Winter) em formato de telenovela, a autora promete incorporar à história bíblica tramas folhetinescas, envolvendo conflitos familiares, luta pelo poder, traições, inveja, ódio e amores proibidos. Até aí, nenhuma novidade, já que a Bíblia está repleta de histórias assim, que dariam ótimas novelas. Não é exagero afirmar que as histórias bíblicas são os ancestrais dos folhetins.

O primeiro capítulo foi ágil, exibindo bonitos cenários. Samara Felippo destacou-se. A atriz vive Joquebede, a mãe biológica de Moisés nessa primeira fase. ZéCarlos Machado (de “Sessão de Terapia”) também, ele é o faraó Seti I, que quer dar cabo aos bebês hebreus. O problema foram os nomes egípcios pronunciados pelo elenco, de difícil compreensão neste primeiro momento.

Já que a proposta era distanciar das minisséries para aproximar das novelas, teria sido interessante a inserção de legendas na tela apresentando os nomes dos personagens. Deixava tudo menos formal. A formalidade está ainda nos diálogos, declamados, empostados. Remete aos melodramas antigos. Tudo bem que é uma produção bíblica, existe o caráter épico. Mas é novela – brasileira – acima de tudo. Quem sabe seja interessante trazer o texto (e a produção como um todo) para a informalidade da telenovela contemporânea. Claro que ninguém vai sair falando gírias modernas, não é isso!

Um puxão de orelha na Record: a primeira novela bíblica brasileira foi exibida em 1968, pela TV Tupi e se promovia da mesma forma que “Os Dez Mandamentos” da Record: por ser “a primeira novela bíblica da TV brasileira”. Era “O Rouxinol da Galileia”, escrita por Júlio Atlas, que estreou na Semana Santa de 1968 e encenou a Paixão de Cristo. No elenco, tinha Lima Duarte, Vida Alves, Laura Cardoso, Patrícia Mayo, Paulo Figueiredo, Wilson Fragoso, Rildo Gonçalves e outros.


Novela “Vitória” é bem escrita, mas mal realizada nas cenas de ação
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Nilson Xavier

O delegado Ramiro (Jonas Bloch) fantasiado de neonazista (Foto: Reprodução)

O delegado Ramiro (Jonas Bloch) fantasiado de neonazista (Foto: Reprodução)

É evidente o empenho da novelista Cristianne Fridman em mostrar um bom trabalho em sua novela “Vitória”, na Record. A trama é movimentada, já teve várias reviravoltas, parece que sempre se renova. Isso é essencial para o folhetim nos dias de hoje, em que o público precisa ser fisgado. “Vitória” ainda dosa bem romance, humor e ação. Mesmo assim, a novela pouco repercute.

A parte folhetinesca está na trama central, que aborda as disputas e interesses familiares envolvendo o casal romântico principal, Arthur (Bruno Ferrari) e Diana (Thaís Melchior). As tramas paralelas de maior destaque são duas: a dos desempregados que tiram a roupa para ganhar algum dinheiro – que traz leveza à atração, a parte da comédia – e a trama envolvendo os neonazistas – o lado mais “pesado” da novela.

É aí que “Vitória” derrapa. A história é bem conduzida, mas mal realizada quando exige mais além do trivial. Difícil vislumbrar se é um problema de direção ou de produção. Ou os dois. As sequências com mais ação, envolvendo confrontos entre a polícia e os vilões, deixam a desejar. Como a do capítulo desta quinta-feira (16/10), em que o delegado Ramiro (Jonas Bloch) se “fantasiou” de neonazista para infiltrar-se em um bar frequentado pelos bandidos.

Descoberto pelos neonazistas, ele acionou os policiais do lado de fora, que invadiram o local e iniciaram o tiroteio, numa sequência das mais fakes já vistas na Teledramaturgia moderna. Socos e marcação dos atores tão improváveis quanto o sangue cenográfico usado na cena. Não foi a primeira sequência de ação que não convenceu. “Vitória” merecia um cuidado maior. Fridman teve mais sorte com suas novelas anteriores na Record, “Chamas da Vida” (2008-2009) e “Vidas em Jogo” (2011-2012).