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Pirotecnia em “Dez Mandamentos” desviou atenção da fraca direção de elenco
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Nilson Xavier

Sidney Sampaio e Guilherme Winter. Foto divulgação/ Record

Sidney Sampaio e Guilherme Winter. Foto divulgação/ Record

O maior sucesso da dramaturgia da Record desde a retomada do setor (em 2004), a novela “Os Dez Mandamentos” chegou ao fim nesta segunda-feira, 23 de novembro. Sucesso este não esperado pela emissora, muito menos pelos profissionais envolvidos na produção.

A maior prova disto foi a falta de planejamento da Record e a “má administração do sucesso”. A novela foi sendo espichada à medida que o Ibope aumentava, o que prejudicou seu bom andamento, com tanta enrolação, e chegou a irritar alguns telespectadores. Sem uma substituta à altura (talvez outra trama bíblica inédita), a emissora preferiu protelar a estreia da sucessora (“Escrava-Mãe”, uma história ambientada no Rio de Janeiro do século 19) e pôs a reprise de uma minissérie bíblica em seu lugar (“Rei Davi”) – por sinal, com notável qualidade técnica inferior.

A Record ousou ao exibir “Os Dez Mandamentos” em formato de telenovela, uma história bíblica mundialmente conhecida que demanda muitos efeitos especiais e tem o famoso filme de Cecil B. DeMille (de 1956, com Charlton Heston) no inconsciente coletivo – uma referência que sempre gera comparações. Ousadia maior foi concorrer com os principais programas do horário nobre da Globo, o “JN” e a novela das nove.

E a emissora de Edir Macedo acertou em cheio. Pode-se dizer que “Os Dez Mandamentos” foi a novela certa no momento certo. Frente à crise econômica pela qual o país atravessa, com notícias desagradáveis diariamente nos telejornais, e a insistência da Globo em apostar em tramas ditas “realistas”, com violência, impunidade e favelas (“Babilônia” e “A Regra do Jogo”), parte do público preferiu o escapismo de uma história fantasiosa e bem distante da dura realidade brasileira.

Os Dez Mandamentos” fecha com uma média geral de 16 pontos no Ibope da Grande São Paulo. A audiência começou dentro do esperado pela emissora e foi crescendo com o passar do tempo. Encostou na Globo com as pragas do Egito, já em sua segunda metade. E bateu a concorrente com a travessia no Mar Vermelho, na reta final, para depois sofrer uma queda. Chamou a atenção até mesmo de quem era alheio a temas bíblicos, curioso com os efeitos especiais que a Record mandou fazer nos Estados Unidos, tanto para as pragas quanto para a travessia – a maioria, bons e eficientes.

Entretanto, tanta pirotecnia disfarçou um desajuste. A equipe de diretores, comandada por Alexandre Avancini, desviou as atenções para os efeitos especiais, mas deixou a desejar na direção de atores. Um texto bíblico, repleto de frases feitas e doutrinação, requer excelentes atores, bem dirigidos, para que tudo não soe como um jogral de igreja. Diante de um elenco numeroso, poucos nomes se destacaram, enquanto vários não passaram da declamação empostada. Faltou uma direção de atores mais criativa e menos preguiçosa, que fugisse do lugar comum, inclusive para tornar convincentes algumas interpretações do difícil texto bíblico.

No elenco, destacaram-se os excelentes Samara Felippo, Zé Carlos Machado, Denise Del Vecchio, Adriana Garambone, Giuseppe Oristânio e Petrônio Gontijo. Larissa Maciel, Vera Zimmermann, Heitor Martinez, Paulo Gorgulho e Floriano Peixoto também estiveram bem em seus personagens. O mesmo não se pode dizer de Guilherme Winter e Sérgio Marone, que interpretaram os protagonistas Moisés, o herói, e Ramsés, o vilão. Sem carisma, Winter viveu um Moisés frio e robótico, enquanto Marone foi a outro extremo, exagerando e pisando na falta de sutileza. Faltou da direção uma orientação para o meio termo correto entre os dois antagonistas.

Tecnicamente falando, a equipe de Alexandre Avancini está de parabéns. Tudo bem que os efeitos especiais são importados. Mas vale ressaltar também a cenografia e figurinos – ainda que perucas e barbas postiças continuem soando falsas. A fotografia corrigiu o colorido exagerado – mais escura, o Egito da novela escapou da comparação com o Egito de desfiles de escola de samba, como já visto em produções anteriores da emissora.

O sucesso provocou o alongamento e, para tanto, a edição abusou dos flashbacks, o que aumentou a sensação de embromação. Pior foi o último capítulo não exibir um fim da história para justificar uma “segunda temporada” em 2016. Já a autora, Vívian de Oliveira, conseguiu desenvolver um bom trabalho ao dosar o texto bíblico com uma linguagem mais próxima da telenovela (inclusive com boas tramas paralelas cômicas). Gostaria de ver Vívian escrevendo histórias contemporâneas, não-bíblicas.

Acima de tudo, com defeitos e qualidades – como qualquer outra produção, de qualquer canal -, “Os Dez Mandamentos” conseguiu um feito notável, destes que raramente acontecem na televisão brasileira. Conquistou o público com uma opção de entretenimento fora da Globo, no horário de maior faturamento da concorrente. Não é pouca coisa.

Mas a Record precisará de bem mais que histórias incríveis com efeitos especiais importados para continuar neste patamar. A concorrência poderá estar melhor munida na próxima vez, não só a Globo, mas também as demais emissoras. Nesta guerra deles, quem ganha é o público, com mais opções de entretenimento, independentemente do canal.

Leia também: Maurício Stycer “Terminar Os Dez Mandamentos sem mostrar o fim da história é caso de Procon”.

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A praga do não planejamento afeta “Dez Mandamentos” como afetou “Pantanal”
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Nilson Xavier

Cristiana Oliveira como Juma Marruá / Guilherme Winter como Moisés (Fotos: Dilvulgação)

Cristiana Oliveira como Juma Marruá / Guilherme Winter como Moisés (Fotos: Dilvulgação)

O sucesso de “Os Dez Mandamentos“, batendo o Ibope da Globo nas últimas semanas, tem levantado comparações entre a novela bíblica da Record e “Pantanal” (TV Manchete, 1990), trama que entrou para a história não só pelo banho de audiência (no último capítulo, a Manchete bateu a Globo com uma diferença de 20 pontos no Ibope), mas pelo arrebatamento que causou no público, tornando-se um marco em nossa Teledramaturgia.

Para além dos bons números de audiência – e, provavelmente, como razão para eles -, tanto uma quanto a outra se destacaram em suas épocas como opções diferenciadas ao que a Globo vinha apresentando. “Pantanal” revelou ao Brasil as belezas naturais da região que dá título à novela, com uma ambientação e estética inéditas, nunca vistas nas novelas globais. Com boa dose de escapismo, nunca deixou de ser, acima de tudo, um folhetim de qualidade inquestionável.

Não cabe aqui comparação entre a qualidade de uma e outra novela. Todavia, “Os Dez Mandamentos” é também escapista num momento em que o público parece cansado das tramas realistas globais.  O apelo bíblico de uma história mundialmente conhecida em uma produção cheia de pirotecnia aguça a curiosidade até mesmo de quem torce o nariz para histórias bíblicas que todos conhecem.

A preocupação atual da Record é manter o patamar de audiência alcançado e escapar do rótulo de “sucesso momentâneo” para sua novela. Sabemos que a emissora não se preparou adequadamente para a sucessora de “Os Dez Mandamentos“, por não imaginar que a novela iria tão longe. Prova do não saber o que fazer ou como lidar com esse sucesso todo é o fato da emissora de Edir Macedo ainda não ter decidido a data para o término de sua novela – se essa semana, ou a próxima, e em qual dia -, esticando-a ao máximo para usufruir o quanto pode dessa repercussão, correndo o risco de comprometer a produção e irritar o telespectador com tanta enrolação.

A falta de planejamento e a má administração do sucesso também acometeram a Manchete. Apesar da boa repercussão inicial da novela “A História de Ana Raio e Zé Trovão“, que substituiu “Pantanal“, e de “Xica da Silva” (1996, outro êxito isolado), a emissora foi se afundando até fechar suas portas, em 1999. No livro “Rede Manchete, Aconteceu, Virou História” (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo), o autor, Elmo Francfort, relata que Lourenço Carvano, gerente de manutenção da Manchete na época de “Pantanal“, afirmou que a novela foi um sucesso inesperado que a emissora não soube administrar. Elmo conclui:

“‘Pantanal‘, apesar do sucesso grandioso, com méritos, foi uma faca de dois gumes para a Manchete. A emissora vinha numa linha de crescimento gradativa e a novela foi produzida sem que a Manchete tivesse atingido uma maturidade que a tornasse totalmente estável, principalmente no lado comercial”.

Não obstante às mudanças de rumo de última hora, a Record parece depositar agora todas as suas fichas no horário nobre às suas produções bíblicas. Caberá a “Terra Prometida“, anunciada para o primeiro semestre de 2016, provar que a boa fase da emissora também está imune à famigerada praga da falta de planejamento.

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65 anos de TV: 200 milhões de críticos explicam a crise de A Regra do Jogo
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Nilson Xavier

Guilherme Winter como Moisés em "Os Dez Mandamentos" (Foto: Divulgação/TV Record)

Guilherme Winter como Moisés em “Os Dez Mandamentos” (Foto: Divulgação/TV Record)

O brasileiro tem vocação nata para televisão. Seja como profissional ou como público. Somos mais de 200 milhões de críticos, opinando, explicando ou justificando. A TV brasileira aqui chegou há exatos 65 anos e encontrou um terreno fértil para profissionais criativos e um público exigente. O que era artesanal em sua primeira década (anos 1950), industrializou-se e profissionalizou-se, atingindo um nível que a levou a ser reconhecida mundialmente. E este know-how do público foi sendo aprimorado e repassado de geração a geração, até a atualidade.

Saímos da geração criada pela TV – que fez as vezes de uma babá eletrônica (da qual também faço parte) -, e chegamos a um importante momento de mudança, em que os apelos eletrônicos são outros e estão pulverizados. A nova audiência já nasce sabendo acessar smartphones e toda a parafernália tecnológica moderna, ao alcance dos dedos ou nas nuvens.

Isso se reflete no atual cenário televisivo – hoje, 18 de setembro, dia em que se comemora os 65 anos da TV no Brasil. Mais especificamente na crise que a líder TV Globo enfrenta em seu prime-time. Num fenômeno que se repete uma vez a cada década (e olhe lá!), a hegemonia global é ameaçada em seu principal horário de audiência e faturamento.

Só mesmo a vocação do brasileiro para a televisão e seu nível de exigência para fazer surgir esse cenário de concorrência saudável e qualificada. Que bom que fosse sempre assim: programação diversificada e de qualidade, bom para o público e para os profissionais. A audiência da TV em geral, que vem caindo ano a ano – reflexo dos novos hábitos e outras formas de entretenimento (tv a cabo, videogames, internet, novas mídias) -, chega neste momento a um patamar sui generis.

A TV Record estreou sua novela bíblica “Os Dez Mandamentos” uma semana após a Globo lançar “Babilônia”, que acabou espinafrada pela opinião pública, amargando a pecha de “menor audiência da história do horário nobre global”. Parte desse público que desaprovou a trama de “Babilônia” endossou a história bíblica da concorrente – ainda que o confronto nunca tivesse sido direto, mas por alguns minutos. Outra parte ficou no SBT, com suas novelas infantis, ou em outros canais. Outra parte migrou para a TV a cabo. Outra, simplesmente desligou a TV para jogar, para acessar a Internet, para assistir séries, ou para fazer qualquer outra coisa.

Vanessa Giácomo, Alexandre Nero e Giovanna Antonelli na chamada de "A Regra do Jogo" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Vanessa Giácomo, Alexandre Nero e Giovanna Antonelli na chamada de “A Regra do Jogo” (Foto: Divulgação/TV Globo)

A Globo antecipou o fim de “Babilônia” para tentar “correr atrás do prejuízo” e apostou todas as fichas em sua nova novela, “A Regra do Jogo” – “do mesmo autor de ‘Avenida Brasil”, como fez questão de salientar nas chamadas – com produção de primeira, elenco estelar e direção com uma novidade, a “caixa cênica”. A Record, por sua vez, mostrou-se preparada. Com os bons números que sua trama vinha obtendo, reservou a melhor parte da história bíblica, a que chamaria mais a atenção do público (as pragas do Egito), para enfrentar a novidade global.

Entretanto, não é justo comparar as primeiras semanas de “Babilônia” com essas primeiras semanas de “A Regra do Jogo”. Não é um mesmo peso e medida. “Babilônia” pegou a audiência em alta da novela anterior, “Império”, e sem concorrência. A Record colocou “Os Dez Mandamentos” depois, e foi conquistando público aos poucos. “A Regra do Jogo”, por sua vez, pegou a audiência do horário em baixa e no momento de maior promoção de “Os Dez Mandamentos”, com público cativo.

Ainda: sempre que uma novela começa, ou ela “pega de cara”, ou ela precisa de um tempo para o telespectador comprar a nova história. “A Regra do Jogo” já mostrou não ser uma novela fácil, prioriza a ação policial, com uma trama complexa. Talvez não fosse a história certa para este momento.

Conclusão: a TV brasileira alcança seus 65 anos vendo a poderosa Rede Globo se desdobrando para não bater a sua principal novela de frente com “Os Dez Mandamentos” da concorrente. No embate direto, a audiência da Record, quando não é maior, é bem próxima. Vai ser difícil para a emissora carioca conquistar público para sua nova trama enquanto “Os Dez Mandamentos” estiver no ar.

Enquanto isso, a tática usada pela Globo é espichar o “Jornal Nacional” o máximo para fugir da trama da Record. A emissora concorrente, por sua vez, se aproveita da situação, tardando ela mesma sua principal atração. Isso sem falar nos capítulos a mais que “Os Dez Mandamentos” já ganhou, visando aproveitar ao máximo o atual momento. Haja enrolação e praga no Egito!

Somos 200 milhões de críticos de televisão, cada um com sua fórmula de sucesso para explicar o atual cenário, cada qual baseado em seu próprio conhecimento, universo, gosto pessoal ou torcida, por uma ou outra emissora ou atração. Brinco que, quem sabe, a TV Globo sairia da crise, ou a Record conquistaria a hegemonia definitiva, se contratassem cada um dos 200 milhões de especialistas e críticos em televisão desse país.

Leia também: Maurício Stycer: “Os Dez Mandamentos afeta A Regra do Jogo e o JN de forma quase igual“.


Record dita a regra do jogo com “Os Dez Mandamentos”
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Nilson Xavier

Petrônio Gontijo e Guilherme Winter (Fotos: Divulgação/TV Record)

Petrônio Gontijo e Guilherme Winter (Fotos: Divulgação/TV Record)

Começo me desculpando pelo trocadilho infame no título. Mas é notável o feito da Record com sua novela “Os Dez Mandamentos”, que está incomodando a Globo nesta estreia da aguardada novela de João Emanuel Carneiro, “A Regra do Jogo”. Por causa do sucesso da trama bíblica, a concorrente vem empurrando sua nova atração para mais tarde, tentando minimizar o confronto direto. A novela das nove da Globo (que já foi das oito), está sendo jocosamente chamada de “novela das dez”.

Os Dez Mandamentos”, escrita por Vívian de Oliveira, com direção geral de Alexandre Avancini, é a sexta produção bíblica da Record nesta década, a primeira no formato telenovela. As anteriores foram exibidas como histórias seriadas ou minisséries (“A História de Ester”, “Sansão e Dalila”, “Rei Davi”, “José do Egito” e “Milagres de Jesus”). De longe, é a produção de maior sucesso e repercussão.

Para transformar a saga de Moisés em novela, a autora Vívian de Oliveira apresenta a trama de forma folhetinesca, com entrechos que prendem o público de novelas. Mas sem fugir do ranço do texto bíblico, com muitas frases de doutrinação religiosa, que na maioria das vezes soam teatrais, principalmente quando empostadas por algum ator desavisado. O tom teatral é até de se esperar em uma produção do gênero – estranho seria se tudo fosse coloquial ou realista demais.

Sérgio Marone

Sérgio Marone

O elenco tem atores experientes em ótimas interpretações, como Denise Del Vecchio (Joquebede), Vera Zimmermann (Henutmire) e Adriana Garambone (Yunet). Guilherme Winter vive Moisés de forma correta. Sérgio Marone chama a atenção com seu Ramsés, assim como Zé Carlos Machado, que viveu o faraó Seti I.

A Record atingiu um bom patamar com sua experiência em minisséries bíblicas. A produção de “Os Dez Mandamentos” é caprichada, a direção (equipe de Alexandre Avancini), cuidadosa. Os cenários e figurinos estão mais coerentes após a correção na fotografia, que deixou a novela menos iluminada, com efeito, menos colorida e carnavalesca.

E a trama está em sua melhor fase – todos conhecem a incrível história das pragas do Egito -, justificando a boa repercussão. Por causa do sucesso que vem fazendo, “Os Dez Mandamentos” foi espichada para meados de novembro, ganhando, pelo menos, mais 20 capítulos além dos 150 inicialmente previstos. Sexta-feira, 04/09, foi ao ar o capítulo 120.

A novela estreou em março e já começou bem no Ibope: nos dois primeiros meses, marcou uma média de 12 a 13 pontos na Grande São Paulo (cada ponto equivale a 67 mil domicílios), desbancando o segundo lugar do SBT no horário. E a audiência foi crescendo. A média geral, até o momento, é de 14 pontos, que certamente será maior até o seu encerramento. Na semana passada, com o desenrolar da primeira praga do Egito (a água se transformou em sangue), “Os Dez Mandamentos” fechou com média semanal de 19 pontos.

Camila Rodrigues

Camila Rodrigues

Há muito tempo a Globo reconhece a repercussão da concorrência e se mobiliza para enfrentá-la. Já na época de “Pantanal” (da TV Manchete, em 1990), medidas foram tomadas para diminuir os efeitos da concorrente sobre sua programação. Na época, a Globo chegou a lançar uma novela (“Araponga”, de Dias Gomes) para concorrer diretamente com “Pantanal”. Sabemos que de nada adiantou.

A Record guardou a melhor fase de “Os Dez Mandamentos” para enfrentar a estreia de “A Regra de Jogo” – ainda que o confronto não seja direto, mas por alguns minutos. Assim, além do telespectador que já é fiel à novela, ela fisga ainda a parcela curiosa com as pragas do Egito, se aproveitando do fato da concorrente não ter tido tempo hábil para conquistar público com sua nova atração.

Lembrando que João Emanuel Carneiro enfrentou problema semelhante em 2008, com a estreia de “A Favorita”, que em seu início bateu de frente com a melhor fase de repercussão de “Os Mutantes”, da própria Record. O fato é que “A Regra do Jogo” herdou audiência em baixa de “Babilônia”. E “Os Dez Mandamentos” fica no ar por apenas mais dois meses. Esse jogo pode virar, quando estrear a nova produção da Record (“Escrava Mãe“, que não será uma trama bíblica).

O bom disso tudo é que são duas produções bem distintas em horários (quase) subsequentes, de canais diferentes. Representam diversidade para o público. As emissoras podem até impor suas regras. Cabe ao telespectador querer jogar ou não.

Leia também: Maurício Stycer – Contra “Os Dez Mandamentos”, “JN” fica mais longo do que a novela.


“Os Dez Mandamentos” é formal demais para uma novela, mesmo sendo bíblica
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Nilson Xavier

Roger Gobeth e Samara Felippo e o pequeno Moisés recém-nascido (Foto: TV Record/Divulgação)

Roger Gobeth e Samara Felippo e o pequeno Moisés recém-nascido (Foto: TV Record/Divulgação)

Substituir a novela “Vitória” não parece tarefa fácil para “Os Dez Mandamentos”, a nova produção da Record que estreou nesta segunda-feira (23/03). “Vitória”, escrita por Cristianne Fridman (que tem no currículo bons trabalhos na emissora, como “Chamas da Vida” e “Vidas em Jogo”), amargou uma pífia audiência e pouca repercussão. Em várias ocasiões ficou em terceiro lugar, perdendo para o SBT.

Nem histórias interessantes – que abordavam neonazismo, alcoolismo e Mal de Alzheimer -, tampouco as interpretações marcantes de Juliana Silveira, Lucinha Lins e Beth Goulart, conseguiram despertar interesse no público. De nada adiantou alfinetar a concorrente no horário na Globo, “Em Família”, chamando-a de salada de chuchu sem gosto. Não que “Em Família” não fosse. Se ela fez feio, imagina “Vitória”!

Entretanto, a “primeira novela bíblica da TV”, como foi vendida “Os Dez Mandamentos”, chega com algumas vantagens. A primeira é o horário de exibição. Diferente de “Vitória”, que batia de frente com a principal novela da Globo, a nova atração começa mais cedo, às 20h30, após o jornalístico “Cidade Alerta”, herdando já a audiência dele.

A outra vantagem é a temática religiosa, que já faz parte do DNA da emissora. A Record tem seu público cativo de minisséries bíblicas, e apostar nesse filão em uma atração diária e de longa duração, como a telenovela, chega a ser uma vantagem em cima dos folhetins contemporâneos anteriores.

A autora é a experiente Vívian de Oliveira, que integrou a equipe de roteiristas das minisséries “A História de Ester”, “Rei Davi”, “José do Egito” e “Milagres de Jesus”, entre 2010 e 2014. O diretor é outro experiente: Alexandre Avancini. O elenco é bom, de atores conhecidos da casa. Para contar a saga de Moisés (Enzo Simi/Guilherme Winter) em formato de telenovela, a autora promete incorporar à história bíblica tramas folhetinescas, envolvendo conflitos familiares, luta pelo poder, traições, inveja, ódio e amores proibidos. Até aí, nenhuma novidade, já que a Bíblia está repleta de histórias assim, que dariam ótimas novelas. Não é exagero afirmar que as histórias bíblicas são os ancestrais dos folhetins.

O primeiro capítulo foi ágil, exibindo bonitos cenários. Samara Felippo destacou-se. A atriz vive Joquebede, a mãe biológica de Moisés nessa primeira fase. ZéCarlos Machado (de “Sessão de Terapia”) também, ele é o faraó Seti I, que quer dar cabo aos bebês hebreus. O problema foram os nomes egípcios pronunciados pelo elenco, de difícil compreensão neste primeiro momento.

Já que a proposta era distanciar das minisséries para aproximar das novelas, teria sido interessante a inserção de legendas na tela apresentando os nomes dos personagens. Deixava tudo menos formal. A formalidade está ainda nos diálogos, declamados, empostados. Remete aos melodramas antigos. Tudo bem que é uma produção bíblica, existe o caráter épico. Mas é novela – brasileira – acima de tudo. Quem sabe seja interessante trazer o texto (e a produção como um todo) para a informalidade da telenovela contemporânea. Claro que ninguém vai sair falando gírias modernas, não é isso!

Um puxão de orelha na Record: a primeira novela bíblica brasileira foi exibida em 1968, pela TV Tupi e se promovia da mesma forma que “Os Dez Mandamentos” da Record: por ser “a primeira novela bíblica da TV brasileira”. Era “O Rouxinol da Galileia”, escrita por Júlio Atlas, que estreou na Semana Santa de 1968 e encenou a Paixão de Cristo. No elenco, tinha Lima Duarte, Vida Alves, Laura Cardoso, Patrícia Mayo, Paulo Figueiredo, Wilson Fragoso, Rildo Gonçalves e outros.


Novela “Vitória” é bem escrita, mas mal realizada nas cenas de ação
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Nilson Xavier

O delegado Ramiro (Jonas Bloch) fantasiado de neonazista (Foto: Reprodução)

O delegado Ramiro (Jonas Bloch) fantasiado de neonazista (Foto: Reprodução)

É evidente o empenho da novelista Cristianne Fridman em mostrar um bom trabalho em sua novela “Vitória”, na Record. A trama é movimentada, já teve várias reviravoltas, parece que sempre se renova. Isso é essencial para o folhetim nos dias de hoje, em que o público precisa ser fisgado. “Vitória” ainda dosa bem romance, humor e ação. Mesmo assim, a novela pouco repercute.

A parte folhetinesca está na trama central, que aborda as disputas e interesses familiares envolvendo o casal romântico principal, Arthur (Bruno Ferrari) e Diana (Thaís Melchior). As tramas paralelas de maior destaque são duas: a dos desempregados que tiram a roupa para ganhar algum dinheiro – que traz leveza à atração, a parte da comédia – e a trama envolvendo os neonazistas – o lado mais “pesado” da novela.

É aí que “Vitória” derrapa. A história é bem conduzida, mas mal realizada quando exige mais além do trivial. Difícil vislumbrar se é um problema de direção ou de produção. Ou os dois. As sequências com mais ação, envolvendo confrontos entre a polícia e os vilões, deixam a desejar. Como a do capítulo desta quinta-feira (16/10), em que o delegado Ramiro (Jonas Bloch) se “fantasiou” de neonazista para infiltrar-se em um bar frequentado pelos bandidos.

Descoberto pelos neonazistas, ele acionou os policiais do lado de fora, que invadiram o local e iniciaram o tiroteio, numa sequência das mais fakes já vistas na Teledramaturgia moderna. Socos e marcação dos atores tão improváveis quanto o sangue cenográfico usado na cena. Não foi a primeira sequência de ação que não convenceu. “Vitória” merecia um cuidado maior. Fridman teve mais sorte com suas novelas anteriores na Record, “Chamas da Vida” (2008-2009) e “Vidas em Jogo” (2011-2012).


Nova produção da Record, “Plano Alto” promete, apesar do horário tardio
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Nilson Xavier

Milhem Cortaz, Gracindo Jr. e Bernardo Falcone em "Plano Alto" (Foto: Divulgação/TV Record)

Milhem Cortaz, Gracindo Jr. e Bernardo Falcone em “Plano Alto” (Foto: Divulgação/TV Record)

A premissa de “Plano Alto” – a minissérie da Record que estreou nesta terça, 30/09 – é das mais interessantes. Três gerações de uma família ligada à Política: o avô lutou contra a Ditadura Militar, nos Anos de Chumbo, o pai foi cara pintada, no início da década de 1990, e o neto/filho participa das manifestações populares de 2013. Cai bem para um ano eleitoral como este. A produção estreia às vésperas do primeiro turno. Com apenas 12 capítulos (exibidos em três semanas), terminará antes do segundo turno.

Guido Flores (Gracindo Jr.) tornou-se governador. O filho, João Titino (Milhem Cortaz), com quem ele tem uma relação meramente política, é deputado federal. E Rico (Bernardo Falcone), criado longe do pai e do avô, é um estudante que vai se envolver com “black blocs”. Interessante notar que o autor, o experiente Marcílio Moraes, criou um distanciamento entre os personagens, apesar dos laços parentescos entre eles. O intuito é justamente dar ênfase ao jogo do poder político sobrepondo relações afetivas e familiares.

A minissérie pretende explorar uma faceta interessante da Política: a de que a dança do poder depende muito de qual lado se está. Contestadores na juventude – Guido como guerrilheiro e Titino como cara pintada –, os dois acabaram se rendendo ao sistema para chegar ao poder. O black bloc Rico terá o mesmo destino? Marcílio Moraes afirmou que, ao final da história, deixou uma brecha para que “Plano Alto” tivesse uma continuação (uma próxima temporada).

O autor ainda salientou que sua obra é totalmente apartidária e que não faz apologia a nenhum candidato neste ano de eleições. Nenhum partido real é mencionado. E a Brasília apresentada é cenográfica: a produção não conseguiu permissão para gravar em prédios do Governo – a não ser as tomadas da cidade, claro. O cara pintada Titino participou de manifestações pelo impeachment “de um certo presidente” no início dos anos 1990 – o nome de Fernando Collor não é citado na minissérie, apesar da referência óbvia.

Além do roteiro, que promete, “Plano Alto” tem outras qualidades que ficaram visíveis neste primeiro capítulo. O elenco é excelente: também Jussara Freire, Paulo Gorgulho, Esther Góes, Mariah Rocha, Daniela Galli, André Mattos, Floriano Peixoto, Giuseppe Oristânio, Flávia Monteiro, Bia Montez, Bemvindo Siqueira e outros. A direção de Ivan Zettel mostrou um ótimo serviço nessa estreia: edição ágil e bem cortada, sonorização de qualidade, câmeras seguras, elenco bem dirigido.

Por enquanto, apenas duas ressalvas. Ter que esperar o fim do episódio diário de “A Fazenda” para assistir a minissérie significa horário tardio e incerto. “Plano Alto” merecia um espaço mais nobre na grade da Record – apesar da possibilidade de o reality entregar a minissérie com audiência razoável. E há de se prestar atenção na escalação de Carla Diaz para um papel importante na trama, a black bloc Lucrécia. O pouco que se viu da atriz nesta estreia destoou do resto. Tomara que seja apenas a primeira impressão.

No mais, “Plano Alto” promete ser uma excelente opção off-Globo. Temáticas políticas que exploram os bastidores do poder são raras na Teledramaturgia brasileira. E “Plano Alto” ainda carrega a grife Marcílio Moraes.

Leia também: Maurício Stycer “Plano Alto” faz reflexão política inteligente mas estreia na data errada.


Apesar do capítulo de estreia confuso, “Vitória” pode agradar
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Nilson Xavier

Bruno Ferrari e Thaís Melchior (Foto: Divulgação/Rede Record)

Bruno Ferrari e Thaís Melchior (Foto: Divulgação/Rede Record)

A Record aposta em sua novelista mais tradicional para tentar alavancar a repercussão de sua Teledramaturgia, em baixa nos últimos anos. Christianne Fridman é autora de alguns títulos considerados sucessos para o padrão da emissora, como “Chamas da Vida” (2008-2009) e “Vidas em Jogo” (2011-2012). E Fridman vai por caminhos conhecidos nesta estreia de “Vitória”, a mais nova produção da casa, que começou nesta segunda-feira (02/06). Tudo era folhetim puro, levado às últimas consequências. Da trama em si aos diálogos melodramáticos, com muitas referências ao universo equino – mote central da novela. A Vitória do título é uma égua, não a protagonista (como pensaram alguns) – que se chama Diana, interpretada por Thaís Melchior, até então coadjuvante na Globo, de “Malhação” e “Saramandaia“.

O maior problema deste capítulo, a meu ver, foi a edição equivocada, apressada e confusa. Tudo bem que em uma estreia há de se apresentar ao público a história e os personagens principais. Mas o afã de explicar muito, e corrido, pode ser nocivo. A primeira parte do capitulo misturou a trama central com algumas paralelas – como o núcleo dos neonazistas – e outras, neste momento, sem importância – como o trio que foi demitido – para que? Pareceu solto, perdido.

A segunda parte do capítulo foi exclusiva para a trama central, com o amor fulminante (um tanto quanto pouco convincente) de Artur (Bruno Ferrari), o vilão paraplégico ávido por vingança, por Diana, filha do homem que ele quer vingar, que, por sinal, é seu pai (Antônio Grassi). Tudo muito rápido, quando lá na primeira parte se perdeu tempo com uma trama paralela desimportante. Sequências de flashback que deveriam explicar, confundiram. Entretanto, é preciso elogiar a ousadia de Christianne Fridman ao apostar no melodrama rasgado, com direito a sequências fortes, como aquela em que pai e filho se confrontam numa espécie de ajuste contas.

Ótima produção (com belas externas em Petrópólis e Curaçao, no Caribe), num capítulo de estreia dos mais confusos. “Vitória” tem o folhetim clássico como tempero principal – mais uma história de vingança. O melodrama latino-americano se fez sentir também pela locação caribenha e por Thalia na trilha sonora. A julgar pelo currículo da autora, a novela tem tudo para agradar. Ela só precisa parar com expressões do tipo:

“Nunca tive as rédeas de minha vida nas minhas mãos”
“Ele ficou paraplégico. Nenhum de nós se levantou novamente”
“Tomara eu ter emprenhado ela. As pernas não funcionam mas ainda sou um garanhão”
“Quanto mais coice, mais eu gosto”


“Pecado Mortal” foi uma novela diferente entre as produções da Record
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Nilson Xavier

Fernando Pavão e Simone Spoladore (Foto: Divulgação/Rede Record)

Fernando Pavão e Simone Spoladore (Foto: Divulgação/Rede Record)

Pecado Mortal”, a novela da Record que terminou nesta sexta-feira (30/05), esteve e manteve-se dentro do que se esperava de uma trama de Carlos Lombardi: diálogos rápidos e cheios de sarcasmo, piadinhas de cunho sexual e/ou duplo sentido, torsos nus, relações familiares conflituosas, muita ação, tiro, porrada e bomba. Nada muito diferente do já conhecido universo do novelista, por seus trabalhos anteriores na Globo.

Mas a grife Carlos Lombardi – estreia na Record – não foi o suficiente para chamar a atenção do público. “Pecado Mortal” até mudou de horário: das 22h30 foi para as 21h15, batendo de frente com a principal novela da Globo. Estratégia ou descaso da Record?… O folhetim fecha em 6 pontos no Ibope da Grande São Paulo, empatando entre as menores médias das novelas da Record, em dez anos. Se bem que audiência em declínio é um fenômeno que atinge o horário nobre de todas as emissoras.

O capítulo de estreia foi excelente – uma primeira fase que mostrou os antecedentes dos protagonistas. Ao longo da novela, alguns desdobramentos e cenas marcaram. Como o sonho de Carlão (Fernando Pavão), em que os personagens estavam com papeis invertidos, em uma espécie de “universo paralelo” dentro da trama da novela. Ou a ótima sequência exibida nesta semana final, em que Carlão se viu obrigado a atirar no pai, Michelle Vêneto (Luiz Guilherme), para que ele não sofresse ao morrer queimado pelo vilão Picasso (Victor Hugo).

Parece que a produção de “Pecado Mortal” optou por uma reconstituição de época (a história se passava na década de 1970) atemporal, que misturava elementos dos anos 1970 (como alguns cenários, automóveis, figurinos) com referências atuais. Estranhou no início, mas funcionou na trama de Lombardi, muito pautada em gírias e expressões modernas – também nos corpos sarados e bombados, quando este não era um padrão de beleza de quarenta anos atrás.

A história ziguezagueou, centralizada na perseguição de Picasso a Carlão, uma briga de gato e rato sem fim. Mas que até segurou-se bem, graça ao talento dos atores. Aliás, Victor Hugo foi, em minha opinião, a grande revelação da novela. Desde o início, uma interpretação segura e convincente. Fernando Pavão, tendo nas mãos o papel do herói, teve a seu favor o porte físico. O apelido de Carlão – Poderoso Thor – não foi à toa. “Pecado Mortal” mais pareceu um melodrama de super-herói de histórias em quadrinhos. Carlão – o herói – e Picasso – o vilão-mor. Só faltou a capa. E isso não é uma crítica negativa – pelo contrário, casou com a proposta de Lombardi. “Pecado Mortal” foi, acima de tudo, a história de um super-herói.

Além de Fernando Pavão e Victor Hugo, o elenco teve outros destaques, como Paloma Duarte (Doroteia), sempre ótima em interpretações intensas, Simone Spoladore (Patrícia), Luiz Guilherme (Michelle), Felipe Cardoso (Otávio), Gustavo Machado (Danilo), Carla Cabral (Laura) e Denise Del Vecchio (Das Dores). Pena que a trama de Laura (Carla Cabral) foi perdendo espaço na novela. Pena que Jussara Freire saiu da novela – sua Donana era uma das melhores personagens e a atriz estava excelente.

Além da saída de Jussara, a produção sofreu outras baixas: Marcos Pitombo foi remanejado para a nova novela da casa, “Vitória”; Mel Lisboa pediu para sair, priorizando outros compromissos profissionais (o que gerou um desconforto entre a atriz e a produção); o diretor geral, Alexandre Avancini, foi deslocado para outra produção; e a saúde de Betty Lago comprometeu a trama de sua personagem, Stella. O autor ainda teve que fazer alguns ajustes na história: carregou no romance, intensificando cenas de idílio amoroso e familiar entre os protagonistas.

Pecado Mortal”, longe de ser um sucesso, de audiência ou repercussão, cumpriu bem o seu papel – apesar dos pesares. Como já disse em outras ocasiões, é bom quando a televisão diversifica suas opções de entretenimento. E a história de Carlos Lombardi diversificou inclusive entre as produções da Record.

Leia também a entrevista de Carlos Lombardi ao colunista Maurício Stycer: “Quem gosta de novela se afastou da Record”, diz autor de “Pecado Mortal.


“Pecado Mortal” é uma boa opção diante do marasmo de “Em Família”
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Nilson Xavier

Simonje Spoladore, Fernando Pavão e Victor Hugo em "Pecado Mortal" (Foto: Divulgação/Rede Record)

Simone Spoladore, Fernando Pavão e Victor Hugo em “Pecado Mortal” (Foto: Divulgação/Rede Record)

“Em Família” está chata? Que tal trocar de canal?

Para o marasmo da novela das nove da Globo, não falta opção, em outros canais. Como “Pecado Mortal”, na Record, concorrente de “Em Família” no horário. A trama de Carlos Lombardi continua sendo uma boa pedida. A novela começou bem, elogiada pela crítica especializada. Mas a audiência, abaixo das fracas tramas antecessoras (“Balacobaco” e “Dona Xepa”), fez a Record trocar o horário de seu folhetim, das 22h30 para as 21h10, batendo de frente com a principal novela da Globo. Uma demonstração da falta de cuidado e atenção da emissora da Barra Funda com sua principal novela frente um desempenho aquém do desejado.

Com a mudança de horário, o Ibope de “Pecado Mortal” não deu sinal de melhoras: patina nos 6 pontos na Grande São Paulo – apesar da audiência de “Em Família” também estar abaixo do esperado no horário, para uma novela da Globo. Muito se tem reclamado da história de Manoel Carlos, que tem mantido seu público apático. O mesmo não se pode falar de “Pecado Mortal”, ainda embasada em boas reviravoltas, ação, romance e o ótimo texto do autor. Apesar de prejudicado, Lombardi tem se virado nos trinta para levar sua trama adiante. E não faltaram obstáculos nessa trajetória.

Por causa do déficit no casting da Record, atores e diretores têm sido remanejados. Como Marcos Pitombo, que perdeu seu personagem (Ramiro) para entrar na próxima novela, “Vitória”. O diretor geral Alexandre Avancini afastou-se – foi cuidar da nova produção da casa, “Os Dez Mandamentos”. A atriz Mel Lisboa pediu para sair, o que causou um desconforto entre ela e a produção. A saúde de Betty Lago, que vive uma das protagonistas (Stela), tem a mantido afastada da trama. E, por fim, por conta desses ajustes todos, Lombardi ainda sacrificou a excelente personagem de Jussara Freire, a vilã Donana – ela travava ótimos embates com Stela e a duas ainda formavam um triângulo amoroso maduro, com Michelle Vêneto (Luiz Guilherme).

Mexe aqui, ajusta ali e alguns focos foram perdendo força ao longo do tempo, como a trama de Laura (Carla Cabral), que tinha uma das principais histórias paralelas dentro da novela. Nesse sobe e desce, ganhou Denise Del Vecchio, cuja personagem, Das Dores, agora ajuda o protagonista Carlão (Fernando Pavão) contra os seus opositores. O romance entre Carlão e a mulher, Patrícia (Simone Spoladore), ganha novos contornos com o triângulo que se formou entre eles e Dorotéia (Paloma Duarte). Lombardi está carregando neste romance, fazendo o público ficar em dúvida se torce por Carlão com Patrícia ou com Dorotéia. É que Patrícia está caindo feito uma patinha na lábia do vilão Picasso (Victor Hugo), o antagonista-mor de Carlão.

Pecado Mortal” não deixa nada a dever a uma boa novela da Globo. Apesar de todos os percalços, tem produção e direção caprichadas, bom elenco e uma trama que mistura ação e romance no texto sempre afiado de Lombardi. Bom mesmo é assim, quando a TV pode garantir mais de uma opção, para todos os gostos. Ao alcance de um clique no controle remoto. Para trocar de canal ou para desligar a TV.