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Arquivo : Regina Duarte

Canal Viva vai reprisar a novela “Rainha da Sucata”
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Nilson Xavier

Depois de suspender o repeteco da novela A Próxima Vítima, o Canal Viva confirmou: já tem o título da trama que substituirá Que Rei Sou Eu? na faixa da meia-noite e quinze. É Rainha da Sucata, um dos grandes sucessos de Silvio de Abreu na Globo, a estreia do autor no horário nobre da emissora. A novela volta em janeiro. A Próxima Vítima fica para depois de Renascer, às 16h30.

Rainha da Sucata foi ao ar originalmente entre abril e outubro de 1990 e teve uma reprise no Vale a Pena Ver de Novo em 1994. Com direção geral de Jorge Fernando, a novela tinha um elenco enxuto, mas grandioso – reunia Regina Duarte, Glória Menezes, Tony Ramos, Antônio Fagundes, Paulo Gracindo, Daniel Filho, Renata Sorrah, Raul Cortez, Cleyde Yáconis, Nicette Bruno, Gianfrancesco Guarnieri, Aracy Balabanian, Lolita Rodrigues, Claudia Raia, Patrícia Pillar, Cláudia Ohana, Andrea Beltrão, Maurício Mattar, Marisa Orth, Marcello Novaes e outros – além das participações especiais de Fernanda Montenegro e Lima Duarte.

A história de Maria do Carmo (Regina Duarte), de origem humilde, mas que enriqueceu a partir de um ferro-velho (daí o título da novela). Mulher extravagante, cafona, que sonhava em se casar com seu amor da juventude, o quatrocentão falido Edu (Tony Ramos). Mas ela tinha que disputá-lo com a madrasta do rapaz, Laurinha Figueroa (Glória Menezes), socialite arrogante, apaixonada pelo enteado.

Rainha da Sucata vinha no rastro do sucesso da lambada, mostrada na abertura ao som do hit Me Chama Que Eu Vou”, cantado por Sidney Magall. De quebra, Maria do Carmo lutava na justiça pela posse de um prédio na Avenida Paulista, onde mantinha a Sucata, uma casa de shows – que tocava lambada, lógico! Dona Armênia (Aracy Balabanian) se dizia proprietária do terreno e seu bordão foi um grande sucesso na época: “Quero a prédio na chón!”.

Outro bordão da novela que caiu na boca do povo foi “coisas de Laurinha”,  repetido pelo ricaço falido Betinho Figueroa (Paulo Gracindo), sempre se referindo à sua mulher Laurinha. Ela, por sua vez, termina a novela suicidando-se para culpar sua inimiga Maria do Carmo: se joga do alto do prédio da Sucata, numa cena antológica.

Em 1990, Fernando Collor havia sido recém-eleito presidente da República, e seu plano econômico, que confiscava as cadernetas de poupança, foi lançado enquanto Rainha da Sucata estava começando. E a novela tratava exatamente do dinheiro, que trocava de mão, passava aos emergentes, novos ricos da época – tudo isso muito antes da “nova classe C”, tão em voga no momento.

Escrita por Sílvio de Abreu, Alcides Nogueira e José Antônio de Souza, direção de Jorge Fernando, Mário Márcio Bandarra, Fábio Sabag e Jodele Larcher.

Saiba mais sobre Rainha da Sucata no site Teledramaturgia.


Nos 42 anos da estreia de “Irmãos Coragem”, relembre tramas e personagens da novela
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Nilson Xavier

Nesta semana a novela Irmãos Coragem completa 42 anos de sua estreia. Uma das mais marcantes obras de nossa Teledramaturgia, a trama – escrita por Janete Clair, com direção de Daniel Filho e Milton Gonçalves – foi importante por ter sido a divisora de águas no processo da hegemonia da audiência da TV Globo. Pela primeira vez, uma novela da emissora carioca conquistava a audiência nacional – o que nunca mais deixou de acontecer desde então, com exceção de alguns poucos casos isolados.

Irmãos Coragem é uma das mais longas novelas já produzidas pela Globo: com 328 capítulos, ficou no ar de 29 de junho de 1970 a 15 de julho de 1971. E também é lembrada por ter sido a primeira novela em que os homens assumiram que acompanhavam, por causa de sua trama masculina que misturava faroeste e futebol.

No ano passado, a Globo Marcas lançou no mercado o box da novela, com oito DVDs. Analisando o DVD, a impressão que se tem é que a TV do comecinho da década de 1970 – ainda em preto e branco – era muito, muito ingênua. E considerando a repercussão de Irmãos Coragem na época, seu público só podia ser muito ingênuo também, para embarcar naquela fantasia.

A fantasia que me refiro não é a história em si – muito boa, empolgante, bem conduzida, coerente na maioria das vezes, com tramas paralelas interessantes que se unificavam com a história central. Falo da realização da novela, sua produção e direção. Irmãos Coragem mistura cenas dignas de imagens conceituais de cinema com algumas das sequencias mais toscas já vistas na televisão.

O cinema fazia sucesso com filmes de bang-bang. Os italianos haviam criado seu estilo próprio neste segmento, o “western spaguetti”. A inspiração para Irmãos Coragem veio destes filmes, americanos e italianos. Proscritos, justiceiros a cavalo, muito tiroteio e o tempero brasileiro fizeram da novela o que se convencionou chamar de “faroeste caboclo”.

A história é bem brasileira, mas os arquétipos do faroeste estão todos lá. O justiceiro honesto, puro de coração e ingênuo, na figura do mocinho João Coragem (Tarcísio Meira), que desacreditado com o sistema, resolve fazer valer sua própria justiça, com a melhor das boas intenções. O vilão Pedro Barros (Gilberto Martinho), no estilo dos “coronéis” do sertão brasileiro, poderoso, arrogante, se julgando o dono da região e, portanto, fazendo valer a sua própria lei. A mocinha sofredora – que no caso sofre porque é doente: Lara (Glória Menezes) tem outras duas personalidades e enlouquece João Coragem de amor e dúvida.

E é no faroeste que Irmãos Coragem peca, com cenas de luta e tiroteio mal feitas, mal dirigidas, toscas no sentido exato da palavra. E não são assim por precariedade de recursos técnicos ou da época. A TV brasileira já apresentara produções do requinte do cinema na TV Excelsior, nos anos 60 – com novelas históricas como O Tempo e o VentoAs Minas de Prata e A Muralha. A impressão que passa é que as cenas foram gravadas assim de propósito, como se para imprimir um estilo próprio na novela, um faroeste caboclo, brasileiro e tosco.

Mas isso em nada diminui a obra. Pelo contrário, a deixa divertida. E chega a ser um contraponto muito grande, pois a novela tem outras cenas muito bem dirigidas, com atores em grandes interpretações e tomadas cinematográficas. Percebe-se o uso excessivo de closes fechados, recurso para disfarçar cenários pequenos, prática comum na época. E a trilha sonora incidental é toda “chupada” de filmes de faroeste.

O que salta aos olhos na novela é a direção de atores e a interpretação de seu elenco. Até atores menos conhecidos, ou que nos acostumamos a ver em papeis menores, tem em Irmãos Coragem grandes momentos. Pode-se dizer que Carlos Eduardo Dolabella (Delegado Falcão), Ênio Santos (Dr. Maciel), Ana Ariel (Domingas), José Augusto Branco (Rodrigo César) e Dary Reis (Lázaro) tiveram nesta novela os seus melhores papeis na televisão.

Também um grande momento para Tarcísio Meira (João Coragem), Glória Menezes (Lara/Diana/Márcia), Cláudio Cavalcanti (Jerônimo Coragem), Lúcia Alves (Potira), Regina Duarte (Ritinha), Emiliano Queiroz (Juca Cipó), Neuza Amaral (Branca) e Suzana Faini (Cema). Até Sônia Braga, novinha, em sua estreia em novelas, transmitiu segurança em cenas fortes de sua personagem Lídia.

Mas de todo o elenco, as melhores performances são de Gilberto Martinho e Zilka Salaberry. Martinho mostra uma interpretação visceral de seu vilão Pedro Barros. O personagem é um homem rude e odioso, quase selvagem, mas, ao mesmo tempo, humano, capaz de demonstrar afeto pelo filho bastardo (Juca Cipó), provando a dualidade do ser humano. A Sinhana de Zilka Salaberry é, por sua vez, a personificação da “mãe coragem”, capaz de tudo para proteger sua prole. A atriz se entregou totalmente à personagem. Com o olhar, revelava toda a ternura de uma mulher rude, batalhadora e sofrida.

Cenas marcantes:

 - João encontrando seu diamante – cena já repetida várias vezes na TV -, em uma tomada escura e claustrofóbica. Foi a primeira vez que a música tema da novela tocou na versão cantada, interpretada por Jair Rodrigues. Até então, o tema de abertura era uma versão instrumental da música.

- A primeira vez que ficou visível para o público que Lara era Diana – havia o mistério: eram a mesma pessoa ou mulheres distintas? Na sequência, a câmera faz um close fechado no rosto de Glória Menezes, que cobre a tela inteira, e a atriz passa de uma a outra personagem apenas mudando a expressão facial. A trilha sonora ajuda a dar o clima.

- Jerônimo Coragem é um dos melhores personagens da novela, talvez o mais rico de todos. Claudio Cavalcanti tem sequências memoráveis. Como o acerto de contas com Lídia, sua mulher, em que ela acaba baleada. Uma cena de discussão longa, tensa, marcada pela ótima interpretação dos atores.

- Em represália a João Coragem, os homens de Pedro Barros batem em Sinhana e a levam até a cidade puxada por um cavalo, amarrada a uma corda. Aos olhos de hoje, a sequência chega a ser cruel.

- O “sonho” de Ritinha. Na verdade ela é dopada enquanto Juca, disfarçado numa fantasia, rouba a chave do cofre da prefeitura. O que se vê na tela é a retratação de uma viagem de ácido. Não era para menos, aqueles eram tempos do LSD. A câmera é deformada num vai-e-vem constante e enjoativo, em que Ritinha é envolvida por uma criatura disforme, numa dança alucinógena. Podia beirar o tosco, mas não. Com um simples recurso de deformação da imagem, a sequência consegue passar para o público a dúvida da personagem: era real o que estava acontecendo ou um delírio de sua cabeça?

- O aborto de Potira. Assim como a viagem de ácido (ou o “sonho” de Ritinha) que fica subentendida para o público, também o aborto de Potira não é claro. Drogas e aborto eram temas por demais delicados para se tratar na televisão daqueles tempos. Para todos os efeitos, a índia Indaiá (Jurema Penna) prepara uma espécie de “ritual religioso” para que a criança que Potira espera “suma”. Mas é evidente que a índia velha deu à jovem algum chá abortivo.

- O casamento de Juca Cipó, numa referência a O Bem Amado, a peça de Dias Gomes, marido de Janete Clair. O Bem Amado ainda não havia sido adaptado para a televisão, e antes de Dirceu Borboleta ser obrigado a se casar com sua amada por ela estar grávida, Juca Cipó também se viu na mesma situação – com o agravante de que os personagens das duas novelas foram vividos pelo mesmo ator, Emiliano Queiroz.

- A sequência em que a câmera segue mostrando um rio e para na imagem de Gloria Menezes sentada em uma pedra. Por trás de uma árvore, é possível ver Tarcísio Meira parado, quando, do nada, ele sai e grita por Lara. A impressão que ficou é que o “gravando” começou antes do diretor dar a ordem. Ou a imagem de Tarcísio Meira vazou e ele foi focalizado antes do tempo.

- A cena da perseguição ao trem, em que os homens do bando de João Coragem tentam resgatá-lo. Chega a ser risível de tão tosco que é o efeito final que aparece na tela. Não dá para descrever, só vendo!

Enfim, o DVD de Irmãos Coragem é, acima de tudo, o registro de um tempo em que a telenovela ainda não havia entrado no esquema industrial. Por mais mal acabadas que algumas passagens possam parecer aos olhos de hoje, é nítida a garra de um grupo de profissionais que se valia do talento acima de qualquer recurso tecnológico. Indispensável para quem aprecia o gênero, diversão garantida para nostálgicos ou para os mais jovens que querem saber mais da história da nossa televisão.

Saiba mais sobre Irmãos Coragem no site Teledramaturgia.


Novela “Vale Tudo” completa 24 anos de sua estreia
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Nilson Xavier

Há exatos 24 anos estreava uma das melhores novelas já produzidas pela TV brasileira – se não a melhor: Vale Tudo. Escrita pela trinca Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, com direção de Denis Carvalho e Ricardo Waddington, a novela foi ao ar entre 16/05/1988 e 06/01/1989. Vale Tudo parava o país diariamente, que acompanhou o drama de Raquel (Regina Duarte), uma mulher batalhadora, íntegra e honesta (ao extremo), roubada pela filha ingrata e carreirista, Maria de Fátima (Glória Pires), que, mancomunada com o mau caráter César Ribeiro (Carlos Alberto Riccelli), tentava dar um golpe na milionária família Roitman, comandada pela megera Odete (Beatriz Segall), que acabou assassinada, rendendo um dos “quem matou?” mais emblemáticos de nossa TV.

Com 204 capítulos, a trama, redondinha, em momento algum fez o público perder o interesse. Com uma galeria de personagens ricos e inesquecíveis, além dos já citados, tiveram destaque Heleninha (Renata Sorrah) – alcoólatra, carente e infantil, seus porres homéricos viraram referência cult (“toca um mambo caliente aí, DJ!”) -, Solange “cherri” Duprat (Lídia Brondi) – com sua franja reta, o protótipo da moça moderninha, independente e antenada – , Tia Celina (Nathalia Timberg) – mulher bondosa, amiga e sonsa -, e Marco Aurélio (Reginaldo Faria) – o mau caráter que aprontou a novela inteira e se safou no final, mandando uma banana para o público. Também no elenco Antônio Fagundes, Adriano Reys, Cássio Gabus Mendes, Cássia Kiss, Cláudio Corrêa e Castro, Pedro Paulo Rangel, Lília Cabral, Rosane Gofman, Sérgio Mamberti e outros.

A novela uniu um excelente folhetim com crítica social ao país a partir de uma pergunta comum aos brasileiros: “Vale a pena ser honesto no Brasil de hoje?“. O ano era 1988, mas a questão nunca deixou de ser atual.

Curiosidades:

O ponto de partida foi o filme Almas em Suplício – (Mildred Pearce), dirigido por Michael Curtiz em 1945, com Joan Crawford e Ann Blyth – de onde se extraiu a trama da mãe simplória (Raquel) que enriquece, mas tem o desprezo da filha (Fátima). Na primeira parte da novela, o filme é referenciado quando Raquel – ainda uma guia turística em Foz do Iguaçu, então cenário da trama – chama uma senhora de Dona Mildred.

Daniel Filho afirmou em entrevista que, na primeira sinopse, a filha vendia a casa por volta do capítulo 40 ou 50. Mas o tema central não deslanchava. Ele argumentou: “Se a filha não vender a casa no primeiro capítulo e a mãe ficar na miséria, a novela não atingirá seu objetivo”. Ou seja, não deixaria claro seu tema. Os autores, então, adiantaram a novela em 40 capítulos.

No capítulo 193 – que foi ao ar na véspera do Natal de 1988 -, a vilã Odete Roitman foi assassinada com três tiros à queima-roupa. O mistério da identidade do assassino durou apenas 13 dias, mas dominou todas as conversas pelo país. O fabricante de caldo de galinha Maggi promoveu um concurso para premiar quem adivinhasse o nome do assassino. O Brasil parou diante da TV em 06/01/1989 para conhecer o criminoso.

O mistério da identidade do assassino de Odete Roitman tornou-se alvo de apostas, rifas e sorteios. A cena do disparo foi gravada no dia em que o último capítulo foi ao ar. Nem o próprio elenco sabia, até ao momento em que Denis Carvalho anunciou que era Leila (Cássia Kiss). A razão do assassinato: Leila atirou na megera por engano! Ela pensava que quem estava com seu marido Marco Aurélio (Reginaldo Faria) era a amante dele, Fátima (Glória Pires).

Além da questão da ética e honestidade, Vale Tudo discutiu o drama do alcoolismo e mostrou, pela primeira vez de forma explícita, o homossexualismo feminino. Por isso a novela enfrentou alguns problemas com a censura. Diálogos entre as personagens Cecília (Lala Deheinzelin) e Laís (Cristina Prochaska) tiveram que ser reescritos depois que foi vetada uma cena em que as duas contavam a Helena (Renata Sorrah) sobre os preconceitos de que eram vítimas por causa de seu relacionamento.

Em Cuba, em 1995, o governo resolveu legalizar uma rede de restaurantes privados que funcionava clandestinamente, num arrojado gesto de abrir mão da exploração exclusiva do setor. Esses restaurantes, geridos em âmbito familiar, tinham o nome de “paladares”, assim batizados por conta do nome da empresa de alimentos de Raquel na novela (Paladar).

Muitas foram as cenas marcantes, como o assassinato de Odete; Marco Aurélio fugindo do país num jatinho e se despedindo de todos com uma “banana”; Raquel rasgando o vestido de casamento de Fátima; os porres de Heleninha; os tapas na cara que Fátima levou de vários personagens; etc.

Em 2002, a Globo, numa parceria com a Rede Telemundo – cadeia de emissoras abertas voltada para a comunidade latina nos Estados Unidos – produziu uma nova versão de Vale Tudo, em espanhol: Vale Todo, com elenco formado por atores latinos – mas não teve o sucesso esperado.

A novela foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo em 1992. Entre outubro de 2010 e julho de 2011, Vale Tudo foi reprisada no Canal Viva, causando uma verdadeira comoção entre os internautas de redes sociais (como o Twitter), saudosos da novela que viram no passado ou curiosos pela obra que não puderam acompanhar antes. O #ValeTudoTeam mostrou a força da união da TV com as redes sociais na atualidade.

Saiba mais sobre Vale Tudo no site Teledramaturgia.


“Selva de Pedra” completa 40 anos
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Nilson Xavier

Há exatos quarenta anos a Globo lançava uma das novelas de maior sucesso da TV brasileira: Selva de Pedra, escrita por Janete Clair, com direção de Daniel Filho – substituído depois por Reynaldo Boury e Walter Avancini, então estreando na Globo.

Selva de Pedra foi a quarta de uma série de novelas consecutivas que Janete escreveu para o horário das oito da Globo. Entre novembro de 1969 e janeiro de 1973, a autora escreveu, ininterruptamente: Véu de Noiva, Irmãos Coragem (sendo esta uma das mais longas novelas da emissora), O Homem que Deve Morrer e Selva de Pedra.

A novela foi baseada no romance “Uma Tragédia Americana”, de Theodore Dreiser, que já havia rendido dois filmes em Hollywood: o primeiro, em 1931, de Joseph Von Sternberg, com o mesmo título do romance original, com Sylvia Sidney, Philips Holmes e Frances Dee. E o segundo, o filme “Um Lugar ao Sol”, em 1951, de George Stevens, com Shelley Winters, Montgomery Clift e Elizabeth Taylor.

Na TV, o triângulo amoroso central foi vivido por Regina Duarte (Simone), Francisco Cuoco (Cristiano) e Dina Sfat (Fernanda), numa interpretação marcante. Outro ator que brilhou no elenco foi Carlos Vereza, que deu vida ao malandro Miro, um tipo de caráter duvidoso, mas extremamente carismático, que caiu no gosto do público.

O ponto de partida é o mesmo da história original: rapaz pobre (Cristiano) se casa com moça pobre (Simone), mas conhece moça rica (Fernanda) e fica dividido entre as duas, pensando na possibilidade de matar a jovem pobre para viabilizar seu casamento com a rica. Mas a censura do Regime Militar da época obrigou a autora a mudar seu roteiro: o mocinho não poderia se casar com a rica porque já era casado com a pobre – mesmo ele pensando que a pobre estivesse morta. Janete Clair teve que inutilizar 22 capítulos e várias cenas foram regravadas.

Na história, Miro convencia Cristiano de que, para ele se casar com Fernanda, era preciso se livrar de Simone. Miro se encarregou do serviço e, numa perseguição, o carro de Simone caiu num precipício – uma das sequências mais marcantes da novela. Cristiano, em crise de consciência, não conseguiu se casar com Fernanda, abandonando-a no altar.

Mas Simone sobreviveu. Ela preferiu que todos continuassem achando que estava morta e partiu para o exterior com outra identidade, Rosana. Em seu retorno ao Brasil, Cristiano não acreditou na farsa e tentou se reaproximar da ex-mulher, que se tornara uma artista plástica famosa. Enquanto isso, Fernanda, enlouquecida, fazia de tudo para destruir seus desafetos, Cristiano e Simone.

A mudança de rumos acabou gerando novos desfechos para Selva de Pedra, que fez com o público ficasse cada vez mais vidrado na trama. O capítulo 152, apresentado em 04/10/1972, registrou incríveis 100% de audiência no Ibope, pelo menos nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.  Foi o capítulo em que Rosana, ou melhor, Simone, era desmascarada por Cristiano, na polícia.

Selva de Pedra foi ao ar originalmente entre abril de 1972 e janeiro de 1973, e reprisada em 1975, em forma compacta, também às oito da noite, cobrindo a censura de Roque Santeiro, que havia sido impedida de ir ao ar em sua estreia. Enquanto a Globo providenciava uma novela substituta (Pecado Capital), a emissora optou por reprisar Selva de Pedra, que, mesmo fresquinha na memória dos telespectadores, voltou a fazer sucesso. Em 1986 foi ao ar o remake da novela, com Fernanda Torres (Simone), Tony Ramos (Cristiano), Christiane Torloni (Fernanda) e Miguel Falabella (Miro).

Selva de Pedra é uma representante da era da inocência da televisão brasileira, em que o talento de seus profissionais se contrapunha aos parcos recursos técnicos da época e a um público muito diferente do de hoje em dia. Sob a vigilância do governo do Regime Militar, a TV evitava a dura realidade através de uma história extremamente sedutora e envolvente – como bem citou Ismael Fernandes em seu livro “Memória da Telenovela Brasileira”:

“O país vivia a fase do “milagre brasileiro” e com prazer se reunia à frente da televisão para assistir a vitória do bem sobre o mal, como mostrou o último capítulo. Acontecia um milagre na vida de Cristiano e Simone. Eles voltavam a se entender como nos duros tempos, mas não eram mais os mesmos. Agora eles se amavam envolvidos pelo dinheiro ao sabor do sucesso pessoal. Era o milagre brasileiro mesmo!”

Para finalizar, a música Rock and Roll Lullaby, gravada por B. J. Thomas, embalou o romance do casal protagonista e virou um fenômeno nas rádios, tornando-se um dos temas musicais mais marcantes de nossa TV.

Saiba mais sobre Selva de Pedra no site Teledramaturgia.


50 anos de carreira de Regina Duarte: relembre seus trabalhos na TV – Anos 2000 em diante
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Nilson Xavier

Com José de Abreu em “Desejos de Mulher”

Em 2002, Regina Duarte voltava à TV na pele da estilista Andréa Vargas de Desejos de Mulher, novela de Euclydes Marinho, com direção geral de Denis Carvalho e José Luiz Villamarim. Regina contracenou novamente com Glória Pires. Desta vez, elas eram irmãs, que, a princípio, se odiavam, o que prometia novamente um bom embate entre as atrizes. Mas a esperada dobradinha Regina-Glória não repetiu o sucesso de Vale Tudo, em que elas viveram mãe e filha. Desejos de Mulher capengou na audiência, e a relação de amor e ódio entre Júlia e Andréa acabou não acontecendo porque as irmãs tomaram rumos opostos. De antagonista, Júlia se tornou a mocinha da história. Regina Duarte, por sua vez, viveu uma Andréa Vargas muito sofrida. Além das diferenças com Júlia, descobria que não era filha legítima, foi traída pelo marido (José de Abreu) e por sua amiga Selma (Alessandra Negrini), descobriu o paradeiro da verdadeira mãe e que Selma era sua irmã e queria destruí-la. Por fim perdeu a memória e viu-se novamente com o ex-marido mau-caráter querendo aproveitar-se dela. Uma pena.

Em “Kubanacan”

Em 2003, Regina fez uma participação em Kubanacan, trama de Carlos Lombardi que teve a direção geral de Wolf Maya e Roberto Talma. A novela tinha uma estrutura episódica que permitiu a rápida participação de vários atores ao longo de sua história. Regina entrou para ser a mafiosa Maria Félix, uma mulher perigosa, suspeita de ser a mãe do protagonista Esteban (Marcos Pasquim), já que ela fora amante do pai dele (Werner Schünemann).

Com a menina Joana Mocarzel em “Páginas da Vida”

Depois das Helenas de História de Amor e Por Amor, Regina Duarte viveu sua terceira Helena de Manoel Carlos, em Páginas da Vida (2006-2007), novela com direção geral de Jayme Monjardim e Fabrício Mamberti. A médica Helena faz o parto da jovem Nanda (Fernanda Vasconcellos), que dá a luz a um casal de gêmeos. A moça não resiste e morre, mas Helena consegue salvar os bebês. No entanto, uma das crianças, portadora de Síndrome de Down, é rejeitada pela avó da moça, Marta (Lília Cabral). A médica decide adotar a criança, Clara (Joana Mocarzel) e faz da menina a razão de sua existência. O dilema de Helena no decorrer da trama era revelar ou não ao pai da criança – Léo (Thiago Rodrigues) – que a filha dele estava viva e era criada por ela. Enquanto isso, Helena era disputada por dois homens que brigavam pelo seu amor: Diogo (Marcos Paulo), uma paixão do passado, e Greg (José Mayer), o ex-marido. Vale destacar as ótimas cenas de Regina com a menina Joana Mocarzel, sua filha com Síndrome de Down na novela.

Com Ana Rosa em “Três Irmãs”

Sabe aquela personagem que não é a protagonista mas sabe o segredo da novela? Assim era “Waldete com W”, vivida por Regina em Três Irmãs (2008-2009), trama de Antônio Calmon com direção geral de Denis Carvalho e José Luiz Villamarim. Regina ia viver Virgínia, a mãe das três irmãs do título, mas a atriz preferiu interpretar a governanta Waldete, alegando ser esta a primeira personagem do tipo em sua carreira (Virgínia ficou a cargo de Ana Rosa). Waldete tinha um quê de Mary Poppins, inclusive no figurino. O guarda-chuva de Waldete, foi sugestão de Regina. Apesar de a personagem da novela ser alto-astral, divertida e amiga de todos, Três Irmãs não fez sucesso.

Em “Araguaia”

Envelhecida e com uma peruca grisalha – foi assim que Regina Duarte apareceu em sua rápida participação no início da novela Araguaia (2010-2011), de Wálter Negrão, com direção geral de Marcos Schechtmann e Marcelo Travesso. Amada no passado pelo vilão Max Martinez (Lima Duarte) – a quem sempre rejeitou -, Antoninha era uma mulher de fibra, mas solitária. Tinha por volta de 70 anos e estava gravemente doente. A chegada de seu único filho, Fernando (Edson Celulari), e a sua morte, com a revelação de um segredo, deram início à trama da novela.

Com Sônia Braga no episódio “A Adúltera da Urca” da série “As Cariocas”

Na série As Cariocas, Regina fez uma participação especial no episódio A Adúltera da Urca, exibido em 23/11/2010, contracenando com Sônia Braga, Antônio Fagundes e Dalton Vigh. A série, baseada na obra de Sérgio Porto – o Stanislaw Ponte Preta -, tinha texto final de Euclydes Marinho e direção geral de Daniel Filho. A personagem de Regina no programa se chamava Malu, numa homenagem à emblemática atuação da atriz em Malu Mulher (1979-1980), seriado de Daniel Filho. Já o casal vivido por Sônia Braga e Antônio Fagundes em As Cariocas era Júlia e Cacá, numa alusão aos personagens deles na novela Dancin´s Days (1978), dirigida por Daniel. Malu, uma mulher liberada, era a melhor amiga de Júlia, uma mulher atraente, mas muito séria, que confiava cegamente na fidelidade do marido Cacá. Malu influencia Júlia para que ela seja mais livre e moderna.

Como Clô Hayalla em “O Astro”

Concluindo a obra televisiva de Regina Duarte, sua atuação na novela O Astro (2011), remake da famosa trama de Janete Clair, assinada por Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro (com a colaboração de Tarcísio Lara Puiati e Vitor de Oliveira), dirigida por Mauro Mendonça Filho, Fred Mayrink, Allan Fiterman e Noa Bressane, com direção de núcleo de Roberto Talma. A interpretação que Regina deu à sua Clô Hayalla – vários tons acima, condizente com a proposta kitsch da novela -, fez o sucesso da personagem, marcada pelas caretas, olhares profundos, atitudes e gestos melodramáticos, figurino exagerado e penteado extravagante. Clô era uma mulher infeliz no casamento com o rico e prepotente Salomão Hayalla (Daniel Filho). Ela procurou carinho nos braços do jovem Felipe (Henri Castelli), um playboy de caráter duvidoso. O assassinato de Salomão mudou os rumos da história. Ao final, o ápice da trama policial com a revelação de que Clô era a principal assassina de Salomão.

Relembre a trajetória da atriz nos anos 60.

Relembre a trajetória da atriz nos anos 70.

Relembre a trajetória da atriz nos anos 80.

Relembre a trajetória da atriz nos anos 90.

Finalizo essa retrospectiva da carreira televisiva de Regina Duarte com a imagem abaixo (captada na Internet, autor desconhecido) que reproduz uma foto de Clô Hayalla imitando a capa do último álbum de Madonna. Sim, Regina também é diva pop!


50 anos de carreira de Regina Duarte: relembre seus trabalhos na TV – Anos 90
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Nilson Xavier

Em “Rainha da Sucata”

Em 1990, Regina Duarte atuou em mais um grande sucesso de sua carreira. Em Rainha da Sucata – de Silvio de Abreu, com direção geral de Jorge Fernando – ela era a rica empresária Maria do Carmo Pereira, que se estabelecera com o negócio do pai que, de dono de um ferro velho, chegou a empresário do ramo de automóveis. Por sua origem humilde e jeitão despachado e cafona, Maria do Carmo ficou conhecida como Sucateira. Apaixonada desde os tempos de colégio por Edu (Tony Ramos), filho de milionários falidos, ela faz de tudo para aproximar-se do rapaz, que a despreza. E ainda tem que lidar com a arrogância da madrasta dele, a socialite Laurinha Figueroa (Glória Menezes), apaixonada pelo enteado. A situação piora com a derrocada econômica, causada por seu administrador mau caráter, Renato Maia (DanielFilho). E ainda perde o prédio na Avenida Paulista para sua vizinha, Dona Armênia (Aracy Balabanian), a legítima proprietária. Lá funcionava sua casa de shows, a Sucata. Maria do Carmo não hesita em recomeçar do zero, novamente juntando ferro-velho, como o pai fizera um dia.

Regina voltaria à TV em 1993, na série Retrato de Mulher – direção de Del Rangel com supervisão de texto de Walcyr Carrasco – onde interpretava uma personagem diferente a cada episódio mensal. O início dos episódios apresentava Regina em frente a um espelho, preparando-se para assumir a personagem e explicando brevemente a vida da mulher em questão. Cada episódio se intitulava “Era uma Vez…” e o nome da personagem que Regina ia interpretar. Assim, foi ao ar “Era uma Vez… Luciana”, “Era uma Vez… Tereza”, “Era uma Vez… Madalena”, etc.

Na chamada da minissérie “Incidente em Antares”

Em 1994, Regina fez uma participação especialíssima na minissérie Incidente em Antares, escrita por Charles Peixoto e Nelson Nadotti a partir do romance de Érico Veríssimo, com direção geral de Paulo José. Ela era a telefonista Shirley, que passava o tempo todo ao telefone contando os últimos acontecimentos da cidade de Antares. Shirley funcionava como uma espécie de narradora da história e, a cada novo capítulo, relembrava o capítulo anterior.

Em sua participação no remake de “Irmãos Coragem”

Em comemoração aos trinta anos da Globo, a emissora produziu, em 1995, um remake da novela Irmãos Coragem, de Janete Clair, com direção geral de Luiz Fernando Carvalho e Reynaldo Boury. Regina havia atuado na primeira versão, em 1970, como Ritinha. Em 1995 ela retornou numa pequena participação que soou como uma homenagem. Regina aparece rapidamente numa cena com a filha Gabriela Duarte, a Ritinha desta nova versão.

Com José Mayer em “História de Amor”

Ainda em 1995, Regina Duarte estrelou História de Amor, de Manoel Carlos, em que viveu a primeira das três Helenas do autor que ela interpretou. A novela – com direção geral de Ricardo Waddington – foi um sucesso das seis da tarde, um folhetim leve e charmoso. Helena era uma mulher batalhadora que enfrentava a gravidez prematura da filha rebelde, Joice (Carla Marins). O ex-marido, Assunção (Nuno Leal Maia), pai de Joice, não se conformava com a situação. Solitária, Helena despertou o interesse do médico Carlos (José Mayer) e não resistiu a essa nova paixão. Mas Carlos já era comprometido e sofria com os ciúmes da possessiva noiva Paula (Carolina Ferraz). De casamento marcado com Paula e balançado por Helena, Carlos ainda era assediado pela ex-mulher Sheyla (Lília Cabral), que sonhava com uma reaproximação.

Com sua filha Gabriela Duarte em “Por Amor”

O trabalho seguinte de Regina foi interpretar outra das Helenas de Manoel Carlos: em Por Amor (1997-1998), com direção geral de Ricardo Waddington e Roberto Naar. Novamente a atriz voltava a contracenar com sua filha Gabriela, e nos papeis de mãe e filha, como já explicitava a bela abertura da novela. Helena se casou com Atílio (Antônio Fagundes), enquanto a filha Eduarda (Gabriela Duarte) se casou com Marcelo (Fábio Assunção). Mãe e filha engravidaram na mesma época e acabaram dando a luz no mesmo dia e horário, no mesmo hospital, aos cuidados do jovem médico César (Marcelo Serrado), eterno apaixonado por Eduarda. O filho de Helena nasceu saudável, mas Eduarda sofreu complicações no parto e seu filho morreu logo depois. Para complicar a situação da moça, ela nunca mais poderia ter filhos. Helena imaginou que seria um golpe duro demais para a filha e, desesperada, fez um pacto com o médico: trocou as crianças. Eduarda criou então o irmãozinho pensando ser ele seu próprio filho. A única pessoa que sabia desse segredo era César, que concordou com a troca pelo mesmo objetivo que a mãe: não fazer Eduarda sofrer. Mas o sofrimento maior era de Helena, que foi obrigada a tratar o filho como neto enquanto via seu relacionamento com Atílio desmoronar, apesar do grande amor que sentiam um pelo outro. Um folhetim dramático mas irresistível, Por Amor foi um dos maiores sucessos de Manoel Carlos – a troca de bebês da história mobilizou o país. A novela contou com a atuação de um excelente elenco, que tinha ainda Susana Vieira, Vivianne Pasmanter, Cássia Kiss, Carolina Ferraz e Paulo José em papeis marcantes.

Envelhecida para a minissérie “Chiquinha Gonzaga”

Regina Duarte encerrou a década de 1990 com um trabalho primoroso ao dar vida à compositora Chiquinha Gonzaga, na minissérie escrita por Lauro César Muniz e Marcílio Moraes, em 1999, com direção geral de Jayme Monjardim. Chiquinha escandalizou a sociedade carioca de sua época com seus ideais libertários, seus amores, sua arte e com a popularização do samba como música genuinamente brasileira. Entre a classe artística marginalizada, encontrou o apoio para compor e tornou-se a primeira compositora e maestrina do cenário brasileiro do final do século XIX. Gabriela Duarte viveu a personagem na fase jovem, enquanto Regina fez a Chiquinha madura e, com uma forte máscara de silicone, a Chiquinha velha.

Relembre a trajetória da atriz nos anos 60.

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50 anos de carreira de Regina Duarte: relembre seus trabalhos na TV – Anos 80
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Nilson Xavier

Com Francisco Cuoco em “Sétimo Sentido”

Em 1982, Regina Duarte voltava à TV, em uma novela de Janete Clair. Em Sétimo Sentido (direção de Roberto Talma, Jorge Fernando e Guel Arraes), a atriz viveu a paranormal Luana Camará, que retornava ao Brasil para reaver a fortuna deixada pelo seu falecido pai, que estava sob o poder da família Rivoredo. Algum tempo depois, cansada de lutar em vão contra os ambiciosos Rivoredo, Luana retorna ao Marrocos, onde vivia, deixando para trás o seu amor pelo jovem Rudi Rivoredo (Carlos Alberto Riccelli). Mas de repente, todos se veem à volta com uma mulher idêntica a Luana, mas de temperamento completamente diferente. Ela é a esfuziante atriz italiana Priscila Capricce, que enlouquece de paixão Tião Bento (Francisco Cuoco), o principal opositor de Luana.  Na verdade, Luana havia incorporado o espírito da falecida atriz. Regina Duarte voltava a contracenar com Francisco Cuoco, com quem atuara em Legião dos Esquecidos (1968-1969), na Exlcesior, e em Selva de Pedra (1972), na Globo.

Anúncio do seriado “Joana”

Em 1984, afastada da Globo, Regina protagonizou uma produção independente do diretor Guga de Oliveira (irmão do Boni): o seriado Joana, apresentado na Manchete e, no ano seguinte, no SBT. A proposta era muito parecida com a de Malu Mulher, da Globo: as protagonistas eram mulheres feministas e destemidas, com conflitos com as seus respectivos filhos e ex-maridos. A jornalista Joana Martins está em seu segundo casamento e tem de conciliar sua vida em família com seu trabalho na revista, onde segue uma linha de jornalismo investigativo, envolvendo-se em questões sociais, políticas e criminais.

Com Lima Duarte em “Roque Santeiro”

De volta a Globo, Regina foi chamada para viver a Viúva Porcina, na regravação de Roque Santeiro. A novela havia sido censurada em 1975, na noite de sua estreia, e, dez anos depois, pôde finalmente ser gravada. Betty Faria não aceitou fazer o papel de Porcina, como há dez anos, e coube a Regina substituí-la. A novela – um grande sucesso, escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva, dirigida por Paulo Ubiratan, Gonzaga Blota, Marcos Paulo e Jayme Monjardim – marcou a história de nossa TV e a carreira de Regina Duarte, que brilhou na pele da espalhafatosa e fogosa viúva. De “Namoradinha do Brasil” a atriz tornou-se “Amante Nacional” – como se dizia na época. Porcina era o pivô de uma farsa institucionalizada por Sinhozinho Malta (Lima Duarte) para tirar proveito em cima da imagem de Roque Santeiro (José Wilker), a quem julgava morto. Para a amante, Sinhozinho criou a imagem da viúva de Roque, considerado santo pela população local. Mas Roque estava vivo e disposto a desfazer o seu mito, para o desespero de Sinhozinho. A situação se complica quando o “ex-morto” e sua “viúva” – a que era sem nunca ter sido – passam a ter um envolvimento amoroso. No final, ela tem que decidir se fica com Sinhozinho ou se embarca com Roque no avião – numa sequência rodada à la Casablanca, o filme – uma das mais marcantes da novela.

Com Glória Pires em “Vale Tudo”

Depois do grande sucesso de Roque Santeiro, Regina Duarte voltaria a TV em 1988, numa novela escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères: Vale Tudo, outro marco de nossa teledramaturgia. Ela era a simplória Raquel, uma mulher batalhadora que é enganada pela própria filha, Maria de Fátima (Glória Pires), que vendeu a casa em que viviam e fugiu com o dinheiro para o Rio de Janeiro. Raquel vai ao encalço da filha, mas só encontra seu desprezo. Disposta a esquecer Fátima, Raquel arregaça as mangas e recomeça do zero, vendendo sanduíches na praia. Seu negócio prospera até tornar-se proprietária de uma cadeia de restaurantes. Enquanto isso, Fátima usa dos métodos mais sórdidos para subir na vida. Casa-se com o ricaço Afonso (Cássio Gabus Mendes), filho da pérfida Odete Roitman (Beatriz Segall). Raquel, por sua vez, amava Ivan (Antônio Fagundes), mas eles acabaram se separando quando Ivan uniu-se à carente filha de Odete, Heleninha (Renata Sorrah), uma alcoólatra. Nesta novela – dirigida por Denis Carvalho e Ricardo Waddington – Regina dividiu os louros com outras grandes atrizes, como Glória Pires, Beatriz Segall e Renata Sorrah.

Vale destacar também duas participações marcantes de Regina em novelas dos anos 80. Em Guerra dos Sexos (1983), ela apareceu em alguns capítulos como Alma, uma das mulheres “do Bigode Preto”, enviada de Otávio (Paulo Autran) para irritar e amedrontar Charlô (Fernanda Montenegro), enquanto ele estava desaparecido. Em Top Model (1989-1990), Regina apareceu como Florinda, mãe de um dos filhos de Gaspar (Nuno Leal Maia). No caso, Florinda era mãe de Olívia, vivida na novela por Gabriela Duarte, filha de Regina.

 

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50 anos de carreira de Regina Duarte: relembre seus trabalhos na TV – Anos 70
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Nilson Xavier

Com o fim da novela Véu de Noiva, em 1970, Regina foi escalada para a trama seguinte no horário das oito da noite na Globo, Irmãos Coragem, também escrita por Janete Clair e dirigida por Daniel Filho. Nesta trama, Regina era a doce e simplória caipirinha Ritinha, namorada de infância do caçula dos irmãos Coragem, Duda (Cláudio Marzo), que se tornara um famoso jogador de futebol e estava de volta à cidade depois de um longo período. Logo no início da novela, Ritinha engravida de Duda, e a família força um casamento entre os dois. Ritinha muda-se para o Rio de Janeiro e tem que se adaptar a um estilo de vida completamente diferente.

Com Cláudio Marzo em “Irmãos Coragem”

Durante Irmãos Coragem, Regina Duarte ficou grávida de seu primeiro filho, André. Janete Clair criou então uma gravidez para sua personagem, que ganhava uma filha, Gabriela. Em 1973, grávida novamente, a atriz teria finalmente uma filha, batizada de Gabriela. O sucesso da novela – que era protagonizada também por Tarcísio Meira, Glória Menezes e Cláudio Cavalcanti – fez a Globo espichá-la o máximo que pôde. Irmãos Coragem ficou pouco mais de um ano no ar, mas a dupla Regina Duarte e Cláudio Marzo se afastou antes de seu fim, para protagonizar a nova trama das sete horas da Globo, Minha Doce Namorada.

Com Cláudio Marzo em “Minha Doce Namorada”

Em Minha Doce Namorada (1971), novela de Vicente Sesso dirigida por Fernando Torres e Régis Cardoso, Regina viveu o ápice de sua fase de mocinhas cândidas e românticas na TV – daí o apelido “Namoradinha do Brasil”. Sua personagem, Patrícia, era uma garota sonhadora que trabalhava num parque de diversões e estava em busca de suas origens e um grande amor. A história se passava, a princípio, em Ouro Preto, Minas, e lá Patrícia conheceu e se apaixonou por um estudante (Cláudio Marzo), que, ao concluir seus estudos, voltou para o Rio de Janeiro. O parque de diversões não estava numa boa fase e partiu também para o Rio, levando Patrícia, que tinha a esperança de reencontrar  seu amado.

No Caso Especial “Dibuk, o Demônio”

Entre os Casos Especiais da Globo em que Regina Duarte atuou, destaca-se Dibuk, o Demônio, apresentado em 28 de julho 1972, uma adaptação de Domingos de Oliveira da peça de S. Anski, dirigida por Daniel Filho. 

Com Francisco Cuoco em “Selva de Pedra”

Em 1972, Regina Duarte estrelou uma nova trama de Janete Clair, Selva de Pedra, dirigida por Daniel Filho e Wálter Avancini. A atriz viveu Simone Marques, uma artista plástica do interior que se apaixona por um pobre rapaz, Cristiano Vilhena (Francisco Cuoco). Os dois partem para o Rio de Janeiro onde Simone vai tentar a vida como artista, enquanto Cristiano vai trabalhar no estaleiro do tio rico. Em contato com o universo do tio, Cristiano conhece a bela Fernanda (Dina Sfat), mulher sofisticada que se apaixona por ele. É o amigo Miro (Carlos Vereza) quem induz Cristiano a se livrar de Simone para ficar com a rica Fernanda. Envenenada por Miro, que lhe revela as intenções de seu marido, Simone foge, e seu carro cai num barranco e explode. Ela é dada como morta, mas na verdade sobreviveu. Simone assume a identidade de uma irmã falecida, Rosana Reis, e sai do país. No exterior, Simone – agora Rosana – torna-se uma importante artista plástica. Ao retornar para o Brasil, reencontra o marido, mas não revela-se. Ele, enlouquecido, tenta provar para todos que Rosana é Simone, e provar para a própria que ainda a ama e não fora o responsável pelo seu acidente. A cena em que Simone é desmascarada na delegacia ficou famosa: rendeu 100% de audiência no Rio e em São Paulo. Selva de Pedra tornou-se um clássico de nossa teledramaturgia.

Como a aeromoça Cecília em “Carinhoso”

O trabalho seguinte de Regina Duarte foi em Carinhoso (1973-1974), primeira novela-solo de Lauro César Muniz na Globo, dirigida por Wálter Campos. A novela fora encomendada a Lauro, que baseou-se no filme Sabrina, de Billy Wilder, com Audrey Hepburn. A protagonista Cecília foi pensada especialmente para Regina interpretar. Mas a atriz engravidou de sua filha Gabriela, e quando não dava mais para esconder sua barriga, a novela acabou. Cecília era uma aeromoça disputada pelos dois filhos (Cláudio Marzo e Marcos Paulo) dos patrões de seu pai, que era motorista da rica família. Indecisa entre os dois irmãos, Cecília acaba se casando com um  argentino milionário (Herval Rossano), mas o casamento fracassa. Em 1974, ao ser premiada com o Troféu Imprensa por seu trabalho em Carinhoso, Regina surpreendeu a todos ao repassar o prêmio para sua colega Eva Wilma, em reconhecimento pelo trabalho dela na novela Mulheres de Areia da Tupi.

Com Juca de Oliveira em “Fogo Sobre Terra”

Em 1974, a atriz viveu uma nova personagem de Janete Clair: Bárbara, da novela Fogo Sobre Terra, dirigida por Wálter Avancini. Na trama, dois irmãos (Juca de Oliveira e Jardel Filho) brigavam porque um era contra e o outro a favor da construção de uma usina hidrelétrica numa pequena cidade. Bárbara chega ao local e se depara com uma moradora simples (Neuza Amaral) que vive a lhe fazer as vontades. Ela é na realidade a sua mãe biológica, de quem Bárbara fora separada quando criança. Por conta deste trauma de infância, ela sofria com crises nervosas que a deixavam com uma cegueira psicológica. Mas Bárbara tinha o amor de Pedro Azulão (Juca de Oliveira), que lutava contra a construção da usina hidrelétrica, que varreria a cidade do mapa. Fogo Sobre Terra foi uma das novelas mais mutiladas pela censura do Regime Militar, que via em sua trama uma crítica à construção da hidrelétrica de Itaipu, uma obra do Governo.

Em “Despedida de Casado”

Depois de dez anos fazendo uma novela atrás da outra, Regina Duarte parou por quase dois anos para descansar a imagem e dedicar-se ao teatro e cinema. As gravações de Fogo Sobre Terra terminaram no final de 1974 e a atriz voltaria ao vídeo no final de 1976, na novela Despedida de Casado, de Wálter George Durst, dirigida por Avancini. Mas a novela – com trinta capítulos gravados e a dez dias da estreia – foi vetada pela censura, que julgou seu tema – separação de casais – impróprio e a proibiu de ir ao ar. Regina viveria Stela, uma mulher com o casamento em crise que, juntamente com o marido (Antônio Fagundes), procura auxílio de um profissional (Cláudio Maro) que lhes propõe uma terapia de casais.

Em “Nina”

Com a proibição de Despedida de Casado, toda a equipe da novela foi remanejada para a trama substituta. Wálter George Durst apresentou então a novela Nina (que estreou em meados de 1977, com direção de Avancini e Fábio Sabag), na qual Regina Duarte vivia a protagonista que dava título à trama. Nina era uma professora contestadora na sociedade moralista e conservadora da São Paulo da década de 1920. Ela lutava pelos direitos da mulher e entrava em choque com os poderosos, que se viam ameaçados pelas ideias liberais da professora. Com a personagem, Regina Duarte já começava a apagar a imagem de “Namoradinha do Brasil”. Seguindo uma linha mais realista, Nina foi outra novela muito prejudicada pela ação da censura. Ao final, a personagem não tem um final feliz com seu amor (o italiano vivido por Antônio Fagundes).

DVD de “Malu Mulher”

O grande divisor de águas na carreira de Regina Duarte na TV seria seu trabalho seguinte: o seriado Malu Mulher, apresentado entre 1979 e 1980. Com Malu, Regina deixava para trás as mocinhas românticas e bondosas, e dava lugar à mulher moderna e batalhadora. As histórias mostravam as dificuldades da mulher brasileira, madura e divorciada, a se posicionar na sociedade, na família e em uma relação homem-mulher. O programa, dirigido por Daniel Filho e estrelado também por Denis Carvalho e Narjara Turetta – como o ex-marido e a filha de Malu – foi um marco da televisão brasileira, tendo inclusive ganhado prêmios no exterior.

Entre as cantoras do musical “Mulher 80″

Em consequência do sucesso de Malu Mulher, a Globo lançou, em dezembro de 1979, o especial musical Mulher 80. Com direção de Daniel Filho e apresentação de Regina Duarte, o programa reuniu números musicais e depoimentos de cantoras brasileiras tendo como foco principal a atuação feminina na Música Popular Brasileira.

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50 anos de carreira de Regina Duarte: relembre seus trabalhos na TV
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Nilson Xavier

Regina Duarte é uma daquelas celebridades de nossa televisão que dispensam apresentações. Todo mundo já a viu em cena alguma vez, nem que seja apenas na TV. E já foi o suficiente para perceber o talento desta atriz, consagrada na televisão através de personagens marcantes e inesquecíveis. Ela completou 65 anos de idade em 5 de fevereiro de 2012. Neste ano, a atriz completa também 50 anos de carreira, comemorados com a exposição “Espelho da arte, a atriz em seu tempo“, em cartaz até outubro no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro. Em novembro, a exposição segue para São Paulo.

Regina Duarte fazia teatro amador e publicidade em TV quando foi chamada para uma conversa com o diretor Wálter Avancini, que estava montando o elenco de sua nova novela, A Deusa Vencida, escrita por Ivani Ribeiro. Era 1965 e Regina tinha 18 anos. Na época, a TV Excelsior de São Paulo era a maior produtora de telenovelas do país, e Ivani Ribeiro, a melhor novelista da casa. Na Excelsior, Regina estrelou oito novelas da autora, a maioria sob a batuta de Avancini.

Com Tarcísio Meira, Edson França e Glória Menezes em “A Deusa Vencida”

Em A Deusa Vencida, Regina era Malu, uma moça sofrida, doente, órfã, que vivia com o tio alcoólatra e avarento (Altair Lima) e apaixonada pelo primo (Tarcísio Meira), que amava outra mulher (Glória Menezes). Malu se fazia de boazinha, frágil e doce, mas, ao final, revelou-se uma cobra quando todos ficaram sabendo que ela era a responsável pelas cartas anônimas que assombravam os personagens da história.

Com o elenco de “A Grande Viagem”

A novela seguinte, novamente com Ivani Ribeiro no texto e Walter Avancini na direção, foi A Grande Viagem (1965-1966). Regina ganhou um dos principais papeis da novela, Isabel, que viajava num transatlântico com seu tutor (Mauro Mendonça) para receber uma herança. No navio, ela se apaixonou por um médico (Daniel Filho) e o disputou com uma paciente dele (Flora Geni). O tutor de Isabel era um homem misterioso que, descobriu-se depois, queria eliminá-la para ficar com sua herança.

Anúncio de “Anjo Marcado”

Na sequência, Regina atuou em outra novela da dupla Ivani-Avancini, Anjo Marcado (1966), onde viveu a personagem Lílian.

Com Armando Bógus em “As Minas de Prata”

Em As Minas de Prata (1966-1967) – adaptação de Ivani Ribeiro do romance de José de Alencar, dirigida por Avancini e Carlos Zara – Regina viveu Inesita, a heroína romântica do livro, que amava um fidalgo (Fúlvio Stefanini) mas, por imposição da família, tinha que se casar com outro homem (Armando Bógus). A novela foi um dos maiores sucessos da Excelsior daqueles tempos e Regina já era estrela da casa.

Com Márcia de Windsor e Átila Iório em “Os Fantoches”

O trabalho seguinte da atriz foi interpretar a personagem Beth de Os Fantoches (1967-1968), outra trama de Ivani, dirigida por Avancini e Carlos Zara.

Com Gianfrancesco Guarnieri em “O Terceiro Pecado”

Em 1968, Regina protagonizou O Terceiro Pecado – novamente Ivani, Avancini e Zara. Nesta história, ela era a boa moça Carolina, que precisava morrer, mas foi impedida por um anjo que se compadeceu de sua bondade (Gianfrancesco Guarnieri). Ele pediu ao Anjo da Morte (Nathalia Timberg) que levasse em seu lugar a irmã má (Maria Isabel de Lizandra) de Carolina, mas o pedido foi negado. Todavia, o Anjo da Morte adiou a passagem da heroína: ela morreria quando cometesse o terceiro pecado. Nisto, o anjo, já apaixonado pela moça, desceu à Terra para impedir que Carolina fosse levada tão cedo. O Terceiro Pecado recebeu uma nova versão na Globo, em 1989 (O Sexo dos Anjos), com Isabela Garcia no papel que havia sido de Regina Duarte.

Com Francisco Cuoco em “Legião dos Esquecidos”

Entre 1968 e 1969, Regina estrelou a novela Legião dos Esquecidos, escrita por Raimundo Lopes e dirigida por Waldemar de Moraes e Reynaldo Boury. Ela era Regina Célia, por quem o misterioso Felipe (Francisco Cuoco) se apaixonava ao chegar à pequena cidade de Esperança, uma vila de garimpeiros. A publicidade da época chamava a atenção: “Cuoco e Regina finalmente juntos!”. Mas a atração não fez sucesso.

Com Stênio Garcia e Pelé em “Os Estranhos”

A novela seguinte foi uma audácia para o gênero na época. No ano em que o homem pisava na Lua e os seriados americanos faziam sucesso com ficção científica, Ivani Ribeiro apresentou Os Estranhos, uma novela em que seres extraterrestres vinham à Terra para ajudar os homens a resolver seus problemas. Regina era a ET Melissa, com direito a figurino especialmente confeccionado e condizente com sua condição de ser de outro planeta. Uma curiosidade: Pelé também atuou nessa novela, sem se comprometer muito, já que seu personagem tinha poucas falas.

Trilha sonora de “Dez Vidas”

Em 1969 a Excelsior já estava em crise quando a emissora levou ao ar Dez Vidas, de Ivani Ribeiro, dirigida por Gonzaga Blota, Reynaldo Boury e Gianfrancesco Guarnieri, baseada na vida de Tiradentes. Regina Duarte vivia na novela uma rebelde do movimento inconfidente – Pompom -, quando foi chamada para uma conversa com Boni, da Globo. Ele e Daniel Filho estavam escalando atores para a novela Véu de Noiva, de Janete Clair. Com os salários na Excelsior atrasados, Regina não teve como recusar a proposta. A atriz abandonou a novela e foi substituída por Leila Diniz, que deu continuidade à personagem Pompom.

Como Andréia em “Véu de Noiva”

A publicidade de Véu de Noiva na época de sua estreia revelava: “Só mesmo Andréia traria Regina Duarte para a Globo!” Andréia desfazia seu noivado no dia do casamento, quando descobriu que o noivo (Geraldo Del Rey) estava apaixonado por sua irmã (Myrian Pérsia). Desiludida, a moça encontrou o verdadeiro amor nos braços de um corredor de automóveis (Cláudio Marzo). Quando sua irmã descobriu-se grávida, não quis assumir o filho sozinha, então abandonou a criança, que ficou sob a guarda de Andréia. Algum tempo depois, a irmã, já casada, pediu o filho de volta. A partir deste momento, a novela começou a girar ao redor da disputa das duas irmãs. Com quem ficaria a criança? Com a mãe adotiva ou com a mãe verdadeira, que a abandonara? Véu de Noiva foi um sucesso que transformou Regina Duarte na mais nova estrela da Globo.

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