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Arquivo : Senhora do Destino

No aniversário de Aguinaldo Silva, relembre sua obra na televisão
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Nilson Xavier

Aguinaldo Silva no programa Roda Viva em março de 2012

O novelista Aguinaldo Silva completa 69 anos nesta quinta-feira, 7 de junho. Ele se autodenomina uma das cinco últimas ararinhas azuis do horário nobre da Globo, ou seja, um dos novelistas veteranos remanescentes do prime-time global (os demais são Gilberto Braga, Glória Perez, Manoel Carlos e Silvio de Abreu).

Natural de Carpina, interior de Pernambuco, de família humilde, Aguinaldo frequentou ótimos colégios no Recife até se tornar jornalista, publicar livros e se mudar para o Rio de Janeiro, aonde chegou a atuar no jornal O Globo, como repórter policial. Foi por causa de sua experiência nas páginas policiais que foi convidado a integrar a equipe de roteiristas do seriado Plantão de Polícia, em 1979 – seu primeiro trabalho na TV.

Em 1982, foi ao ar a primeira minissérie brasileira, Lampião e Maria Bonita, que Aguinaldo assinou com Doc Comparato. Dirigida por Paulo Afonso Grisolli e Luís Antônio Piá, a minissérie tinha Nelson Xavier e Tânia Alves como protagonistas e narrava a vida do rei do cangaço.

Em 1983, o submundo do crime foi retratado na minissérie Bandidos da Falange, nova parceria com Doc Comparato, direção de Luís Antônio Piá e Jardel Mello. A minissérie trouxe o problema da criminalidade urbana, os envolvimentos da polícia e a organização secreta de bandos dentro das penitenciárias em conexão com o crime organizado fora delas. Essa minissérie deveria ter estreado em agosto de 1982, mas teve problemas com a censura e só foi liberada cinco meses depois, picotada.

Novamente com Doc Comparato, Aguinaldo abordou a vida do Padre Cícero nesta minissérie, apresentada em 1984, tendo Stênio Garcia no papel-título, dirigida por Paulo Afonso Grisolli e José Carlos Piéri.

A estreia de Aguinaldo em telenovelas aconteceu em 1984, quando a Globo decidiu unir dois então novos roteiristas da casa para uma novela do horário nobre. Com Glória Perez, Aguinaldo começou a escrever Partido Alto, com direção geral de Roberto Talma. A falta de sintonia entre Aguinaldo e Glória fez com que a dupla fosse desfeita. Aguinaldo abandonou a novela e Glória a concluiu. No elenco, Cláudio Marzo, Elizabeth Savalla, Raul Cortez, Betty Faria, Glória Pires e outros.

Aguinaldo deixou Partido Alto para se dedicar a uma nova minissérie, uma adaptação do romance Tenda dos Milagres, de Jorge Amado, apresentada no segundo semestre de 1985. Com direção geral de Paulo Afonso Grisolli, tinha novamente Nelson Xavier e Tânia Alves como protagonistas.

Entre 1985 e 1986, foi ao ar Roque Santeiro. Aguinaldo foi chamado para escrever a novela com Dias Gomes, o autor da sinopse. Dos 209 capítulos da trama, Dias escreveu 99: os 51 iniciais e os 48 finais. Aguinaldo escreveu os 110 do miolo. Roque Santeiro tornou-se um marco da teledramaturgia nacional. Marcílio Moraes e Joaquim Assis colaboraram no texto e a direção ficou a cargo de Gonzaga Blota, Marco Paulo, Jayme Monjardim e Paulo Ubiratan. No elenco grandioso, José Wilker, Regina Duarte e Lima Duarte viveram os protagonistas Roque, Viúva Porcina e Sinhozinho Malta.

Em 1987, Aguinaldo apresentou uma trama urbana: O Outro, com Francisco Cuoco vivendo os sósias Denizard de Mattos e Paulo Della Santa na história em que um – desmemoriado – assumia a identidade do outro, dado como desaparecido. Direção geral de Gonzaga Blota, Ricardo Waddington e Antônio Rangel. No elenco, também Yoná Magalhães, Natália do Valle, Malu Mader e outros.

No ano seguinte, Aguinaldo uniu-se a Gilberto Braga e Leonor Bassères para juntos escreverem outro grande sucesso de nossa teledramaturgia: Vale Tudo – direção de Denis Carvalho e Ricardo Waddington. Com uma galeria de personagens memoráveis – Odete Roitman (Beatriz Segall), Fátima (Glória Pires), Heleninha (Renata Sorrah), Solange (Lídia Brondi), Marco Aurélio (Reginaldo Faria), César (Carlos Alberto Riccelli), Raquel  (Regina Duarte), e outros – Vale Tudo fez o país parar no último capítulo para o desfecho de um dos “quem matou?” mais notórios de nossa TV: quem matou Odete Roitman?
Leia AQUI o post especial que escrevi sobre Vale Tudo.

Tieta (1989-1990) foi outro grande êxito de nossa TV, considerada pelo próprio Aguinaldo como sua melhor novela. Adaptação do romance Tieta do Agreste de Jorge Amado, escrita com Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares, com direção geral de Paulo Ubiratan. O grandioso elenco escalado foi um dos fatores para o sucesso, com personagens na maioria caricatos e inesquecíveis. Destaque para a brilhante atuação de Joana Fomm como a vilã Perpétua. Dois mistérios aguçaram a curiosidade do público: o conteúdo de uma caixa que Perpétua escondia, e a identidade da “Mulher de Branco”, uma figura sinistra que atacava – sexualmente – homens nas noites de lua cheia. No elenco, também Betty Faria, José Mayer, Reginaldo Faria, Lídia Brondi, Yoná Magalhães, Arlete Salles e outros.

Em 1990 foi ao ar a minissérie Riacho Doce que Aguinaldo escreveu com Ana Maria Moretzsohn, adaptada do romance homônimo de José Lins do Rêgo. Com direção geral de Paulo Ubiratan, a minissérie apresentou belas paisagens de Fernando de Noronha. Os protagonistas foram vividos por Fernanda Montenegro, Vera Fischer e Carlos Alberto Riccelli.

Aguinaldo, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares se uniriam novamente para mais um novela com direção geral de Paulo Ubiratan: Pedra Sobre Pedra, sucesso do ano de 1992, com Lima Duarte, Renata Sorrah e Armando Bógus nos papeis centrais. O realismo fantástico, que o autor usara discretamente em Roque Santeiro e Tieta, teve aqui o seu ápice com uma série de personagens surreais: o morto que voltava para as mulheres que ele seduziu em vida, quando elas comiam uma flor; o homem atraído pela lua cheia; e a mulher com mais de cem anos e com uma memória prodigiosa. No elenco, ainda Eva Wilma, Maurício Mattar, Adriana Esteves, Eloísa Mafalda, Fábio Jr. e outros.

A trama seguinte, Fera Ferida (1993-1994) apresentou mais um leque de personagens curiosos e tramas por vezes absurdas de Aguinaldo Silva. Desta vez ele usou como ponto de partida os personagens e histórias de Lima Barreto. O realismo fantástico também esteve presente, no homem que prometia transformar ossos humanos em ouro; na personagem que entrou em sono profundo e dormiu anos a fio; no coveiro que falava com os mortos e sabia os segredos das famílias da cidade (Tubiacanga); e nas cenas de sexo dos amantes Demóstenes e Rubra Rosa (José Wilker e Susana Vieira), que pegavam fogo, literalmente. Novamente escrita com a coautoria de Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares. Direção geral de Denis Carvalho e Marcos Paulo. No elenco, também Edson Celulari, Giulia Gam, Lima Duarte, Hugo Carvana, Joana Fomm, Juca de Oliveira, Arlete Salles, Cassia Kiss e outros.

A Indomada - de 1997, escrita com a parceria de Ricardo Linhares e direção geral de Marcos Paulo – foi outro sucesso onde transitaram os personagens fantásticos de Aguinaldo Silva. A história se passava na fictícia cidade de Greenville, onde os moradores davam grande valor às tradições britânicas. O destaque foi o português com sotaque nordestino falado pelos personagens, misturado a expressões da língua inglesa. Frases como “oh chente, mai gódi” se popularizaram. Grande momento de Eva Wilma e Ary Fontoura, que viveram a ardilosa dupla de vilões Altiva e Pitágoras. Como ingrediente do realismo fantástico, havia o Delegado Motinha (José de Abreu) – que caiu num buraco e foi parar no Japão -, e Altiva – que no final virou fumaça jurando voltar para se vingar. Isso sem falar no mistério do Cadeirudo, a figura que atacava as mulheres de Greenville em noites de lua cheia (o que lembrava a “Mulher de Branco” de Tieta). No elenco, ainda Adriana Esteves, José Mayer, Claudio Marzo, Renata Sorrah, Betty Faria, Paulo Betti, Luiza Tomé e outros.

Em 1998, Aguinaldo foi supervisor de Ricardo Linhares na primeira novela solo dele na Globo: Meu Bem Querer (direção geral de Marcos Paulo e Roberto Naar). Lá estava todo o universo ficcional de Aguinaldo com o qual Linhares estava acostumado a lidar: cidadezinha do interior nordestino com personagens caricatos e de apelo popular, e doses de realismo fantástico. Unindo o universo dos dois autores, os endereços da cidadezinha da novela foram batizados com nomes de personagens criados pela dupla em outras novelas: Travessa Professor Praxedes de Menezes (de Fera Ferida), Ladeira Altiva de Mendonça e Albuquerque (de A Indomada), Beco da Cinira (de Tieta), Rua Gioconda Pontes e Largo Dona Francisquinha Queiróz (de Pedra Sobre Pedra). No elenco, Marília Pêra, José Mayer, Ângela Vieira, Murilo Benício, Alessandra Negrini, Leonardo Brício, Flávia Alessandra e outros.

A novela seguinte talvez tenha sido a mais problemática da carreira de Aguinaldo Silva: Suave Veneno (de 1999, direção geral de Marcos Schechtmann, Ricardo Waddington e Daniel Filho). Desta vez o autor voltou a ambientar sua trama no urbano. A história confundiu o telespectador que se afastou, e pouco restava a ser feito para reconquistá-lo. Durante a novela, o ator José Wilker teria circulado nos estúdios com uma camiseta em que se lia: “Suave Veneno: Eu sobrevivi!”. Destaque para o guru Uálber Cañedo (Diogo Vilela) e para a vilã Maria Regina (Letícia Spiller com os cabelos à la Isabella Rosselinni). O elenco também tinha Glória Pires, Irene Ravache, Betty Faria, Patrícia França, Ângelo Antônio e outros.

Porto dos Milagres – de 2001, escrita com Ricardo Linhares, direção geral de Marcos Paulo e Roberto Naar – pareceu uma salada de todas as tramas regionalistas que Aguinaldo fizera anteriormente. Foi, inclusive, seu último trabalho nesses moldes. Mas, graças ao ótimo elenco, a novela conseguiu escapar da simples cópia, garantindo boa audiência. Entre os destaques estava a vilã Adma Guerreiro (Cássia Kiss), a “perua” Amapola (Zezé Polessa), e Augusta Eugênia (Arlete Salles, que não se deixou abalar pelas críticas acerca da semelhança entre a personagem e Altiva que Eva Wilma viveu em A Indomada, e aos poucos deu um jeito diferente à personagem). O elenco também contou com Antônio Fagundes, Marcos Palmeira, Flávia Alessandra, Luiza Tomé, Leonardo Brício, Camila Pitanga, Fúlvio Stefanini e outros.

Em 2004, Aguinaldo abandonou o realismo fantástico e retomou definitivamente os dramas urbanos com Senhora do Destino, um de seus maiores sucessos (direção geral de Wolf Maya). O autor tirou o mote central da novela das manchetes de jornais: o seqüestro do garoto Pedrinho por Vilma Martins Costa – ela levou o bebê de uma maternidade de Brasília, em 1986, e o criou como se fosse seu filho até ser desmascarada, em 2003. Grande destaque para Renata Sorrah, que viveu a inesquecível vilã Nazaré Tedesco. José Wilker também conseguiu construir um personagem marcante: Giovanni Improta, um bicheiro bonachão com a dose exata de histrionismo. No elenco, também os atores Susana Vieira, Carolina Dieckamnn, José Mayer, Eduardo Moscovis, Letícia Spiller e outros.

A trama seguinte de Aguinaldo, Duas Caras – de 2007-2008, direção geral de Wolf Maya – abordou educação, racismo, luta de classes, drogas, homossexualidade, especulação imobiliária e invasão de terras improdutivas. Com Dalton Vigh, Marjorie Estiano, Antônio Fagundes, Susana Vieira, José Wilker, Renata Sorrah, e outros.

Em 2009, Aguinaldo Silva escreveu com Maria Elisa Berredo a minissérie Cinquentinha (direção geral de Wolf Maya), com Susana Vieira, Marília Gabriela, Betty Lago e Maria Padilha. A minissérie gerou um spin-off em 2011: o seriado Lara com Z, protagonizado por Lara Romero, a personagem de Susana Vieira em Cinquentinha (também escrita com Maria Elisa Berredo e dirigida por Wolf Maya).

Numa parceria com a emissora portuguesa SIC, a Globo produziu a novela Laços de Sangue em 2010, gravada em Portugal, com profissionais de lá, tendo Aguinaldo Silva como supervisor de texto do autor da novela, Pedro Lopes.

Entre 2011 e 2012, Aguinaldo escreveu outro sucesso popular, a novela Fina Estampa – (direção geral de Wolf Maya), que alavancou a audiência do horário nobre da Globo. O autor uniu tramas sem compromisso algum com a realidade com elementos populares em voga no momento – como UFC e o funk -, personagens caricatos – como a vilã Tereza Cristina (Christiane Torloni) e o gay Crodoaldo Valério (Marcelo Serrado) -, e uma heroína maniqueísta – Griselda (Lília Cabral), mulher batalhadora, boa e justa, concebida especialmente para criar empatia com o público que se identifica com essa figura idealizada: a “nova classe C” (responsável pela audiência do horário no momento). No elenco, também Dalton Vigh, José Mayer, Carolina Dieckmann, Eva Wilma e outros.
Leia AQUI meu post sobre o balanço final de Fina Estampa.

Leia AQUI meu post sobre os mistérios nas novelas de Aguinaldo Silva.

Leia AQUI meu post sobre a entrevista de Aguinaldo Silva ao programa Roda Viva da TV Cultura em março desse ano.

Comente os trabalhos de Aguinaldo Silva que você mais gostou!


Dia da Mulher: Top 10 Novelas Femininas
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Nilson Xavier

Durante anos a telenovela carregou o ranço de ser uma atração exclusivamente feminina, estigma que só foi perdendo a partir do final dos anos 60.

Como há décadas já não é mais exclusividade delas, relembro 10 novelas em que as mulheres tiveram papel fundamental. Tramas femininas, sobre mulheres. As histórias independem do gênero, mas elas foram as protagonistas absolutas.

10. Éramos Seis (Tupi, 1977 / SBT, 1994) escrita por Rúbens Ewald Filho e Silvio de Abreu.

Baseada no romance de Maria José Dupret, a história narra a triste história de Dona Lola (Nicette Bruno / Irene Ravache), uma mulher batalhadora que lutou a vida toda para harmonizar seu lar – marido e quatro filhos -, mas que, ao final da vida, termina sozinha, já que o marido e o filho mais velho morreram e os outros filhos a abandonam num asilo. A versão do SBT é considerada a melhor novela da história da emissora.

9. Vitória Bonelli (Tupi, 1972-1973), escrita por Geraldo Vietri.

Outra saga sobre uma mulher batalhadora e zelosa pela família. Vitória Bonelli (Berta Zemel) é uma mulher que, por uma série de circunstâncias, ficou enclausurada durante vinte anos em seu quarto, vivendo fora da realidade, num mundo particular. Quando o marido morre e a falência financeira se abate sobre a família, ela é obrigada a sair de seu refúgio para enfrentar um ambiente hostil, vivendo através dos problemas de seus quatro filhos e tentando conscientizá-los dessa nova realidade. Preocupada em manter a família unida, Vitória deixa de lado o conforto no qual se criara, abandona os hábitos burgueses e abre uma cantina para dela tirar o sustento de sua prole.

8. Locomotivas (Globo, 1977), escrita por Cassiano Gabus Mendes.

Kiki Blanche (Eva Todor), uma antiga vedete do teatro rebolado, vive às voltas com seu salão de beleza e os quatro filhos, dos quais, apenas a mais velha, Milena (Aracy Balabanian), é a legítima. Mas Fernanda (Lucélia Santos), uma das filhas adotivas de Kiki, desconhece que é na realidade filha de Milena, já que as duas se tratam como irmãs. Um atrito inevitável acontece quando Milena e Fernanda se apaixonam pelo mesmo homem e passam a disputá-lo. A palavra “locomotiva” era uma gíria dos anos 70 que significava mulher sensual e poderosa.

7. Xica da Silva (Manchete, 1996-1997), escrita por Walcyr Carrasco (sob o pseudônimo de Adamo Angel).

A história da escrava que virou rainha em pleno século XVIII. Bela, atrevida e muito esperta, a escrava Xica (Taís Araújo) conquistou o coração de seu senhor, tomando-lhe da noiva fidalga, Violante Cabral (Drica Moraes). O contratador João Fernandes (Victor Wagner) assume em público a sua relação com Xica, dando-lhe todos os luxos e satisfazendo-lhe todos os caprichos. Isso provoca a ira de Violante – inconformada por ter sido preterida por uma escrava – que faz de tudo para destruir a responsável pela sua infelicidade.

6. A Favorita (Globo, 2008), escrita por João Emanuel Carneiro, Denise Bandeira, Fausto Galvão, Márcia Prates e Vincent Villari.

Flora (Patrícia Pillar) cumpriu pena por ter matado Marcelo, o amante, deixando a filha dos dois, Lara, para ser criada por Donatela (Cláudia Raia), esposa de Marcelo. Quando sai da cadeia, Flora luta para provar a todos que foi presa injustamente e que a assassina de Marcelo é na verdade Donatela. Ela quer convencer a filha Lara (Mariana Ximenes) de que é inocente. Lara foi criada por Donatela e se vê em meio a um fogo cruzado quando suas mães se acusam mutuamente. A garota se torna o alvo de disputa entre as duas mulheres que, um dia, foram amigas. Donatela teme que Flora se aproxime de Lara, a quem diz amar como se fosse sua própria filha. Enquanto o objetivo de Flora é se reaproximar de Lara, Donatela faz de tudo para impedir que isso aconteça. Mas, quem está dizendo a verdade afinal?

5. Essas Mulheres (Record, 2005), escrita por Marcílio Moraes, Rosane Lima, Bosco Brasil e Cristianne Fridman.

Novela baseada em três romances clássicos de José de Alencar: Senhora, Lucíola e Diva, dos quais saíram as três mulheres protagonistas. Aurélia, Maria da Glória e Mila são três amigas separadas pelo destino. Aurélia (Christine Fernandes) herda uma fortuna, tonando-se a mais cobiçada jovem da corte, tendo dinheiro inclusive para comprar o antigo noivo que a abandonou quando ela era pobre. Maria da Glória (Carla Regina) é uma jovem que, por doença na família, é obrigada a renunciar a sua pureza, tornando-se Lúcia, uma prostituta de luxo. E Mila (Myrian Freeland) é uma pintora de ideias avançadas numa época em que apenas os homens expunham suas obras. Vai usar o pseudônimo de Paulo Almeida e escandalizar a sociedade. Adoecida, Mila vive uma tumultuada e conflituosa paixão com um médico negro.

4. Elas por Elas (Globo, 1982), escrita por Cassiano Gabus Mendes.

Sete amigas de colégio se reencontram depois de vinte anos separadas. A reaproximação reacenderá antigas desavenças: Adriana (Ester Góes) reencontra o namorado da juventude que a trocou pela amiga Helena (Aracy Balabanian). Natália (Joana Fomm) investiga a morte do irmão, pois desconfia que uma de suas amigas foi a responsável. Wanda (Sandra Bréa) descobre que Márcia (Eva Wilma) é a esposa de seu amante. As demais amigas são Carmem (Maria Helena Dias) e Marlene (Mila Moreira). Entre elas, as confusões do atrapalhado detetive Mário Fofoca (Luiz Gustavo), irmão de Wanda, que desperta o interesse de Márcia.

3. Senhora do Destino (Globo, 2004-2005), escrita por Aguinaldo Silva, Filipe Miguez, Glória Barreto, Maria Elisa Berredo e Nelson Nadotti.

Maria do Carmo teve sua filha Lindalva roubada quando ela era bebê. A mulher que levou a criança é Nazaré Tedesco, que a criou como se fosse sua filha, dando-lhe inclusive um novo nome: Isabel. A novela começa com a luta de Maria do Carmo (Susana Vieira), mais de vinte anos depois, para reencontrar a filha. Isabel (Carolina Dieckamnn) nem desconfia que Nazaré (Renata Sorrah) não é sua mãe verdadeira. Nem que ela é uma mulher louca, capaz das piores atrocidades. Até que o destino une novamente Maria do Carmo e Isabel. Ou melhor, Lindalva.

2. Mulheres Apaixonadas (Globo, 2003), escrita por Manoel Carlos, Maria Carolina, Fausto Galvão e Vinícius Vianna.

Como o próprio título sugere, a novela aborda a paixão feminina nos mais variados níveis. Helena (Christiane Torloni) é uma mulher entediada com o casamento com Téo (Tony Ramos), mas que sente reacender a paixão por um antigo amor, o médico César (José Mayer). Mas César já é disputado por duas outras mulheres, companheiras de profissão: a instável Drª Laura (Carolina Kasting) e a jovem médica Luciana (Camila Pitanga), filha de Téo. Lorena (Susana Vieira), irmã de Téo, é uma mulher madura que se sente atraída por um jovem rapaz. Heloísa (Giulia Gam), irmã de Helena, desenvolve um ciúme doentio pelo marido Sérgio (Marcelo Antony). E Raquel (Helena Ranaldi), uma professora de educação física, desperta o amor adolescente de um aluno. Só que essa relação é ameaçada quando entra em cena o antigo namorado dela, o violento Marcos (Dan Stulbach), que tem paixão por Raquel e por raquetes de tênis.

1. A Vida da Gente (Globo, 2011-2012), escrita por Lícia Manzo, Marcos Bernstein, Álvaro Ramos, Carlos Gregório, Giovana Moraes, Marta Góes, Tati Bernardi, Dora Castellar e Daniel Adjafre.

A mais feminina de todas as novelas de nossa teledramaturgia, com tramas abordadas sob a ótica feminina, com mulheres fortes se impondo aos personagens masculinos. A jogadora de tênis Ana (Fernanda Vasconcellos) entra em coma após um acidente. Seu amado Rodrigo (Rafael Cardoso) e sua irmã Manuela (Marjorie Estiano) criam a filha pequena, Júlia, e uma aproximação é inevitável, haja vista que Manuela já era apaixonada pelo namorado da irmã. Ao despertar do coma, Ana depare-se com a filha crescida, que praticamente não a conhece, e a irmã casada com o namorado. E tem que adaptar-se a essa nova realidade. É quando Rodrigo e Ana reaproximam-se, o que faz com que Manu rompa com a irmã.

Outras novelas que contam histórias de personagens femininas marcantes:

Mulheres de Areia (Tupi, 1973-1974 / Globo, 1993), As Divinas e Maravilhosas (Tupi, 1973-1974), Dona Xepa (Globo, 1977), Dancin´ Days (Globo, 1978), Rosa Baiana (Band, 1981), Dona Beija (Manchete, 1986), Sinhá Moça (Globo, 1986 / 2006), Brega e Chique (Globo, 1987), Vale Tudo (Globo, 1988), Tieta (Globo, 1989-1990), Rainha da Sucata (Globo, 1990), Barriga de Aluguel (Globo, 1990-1991), Perigosas Peruas (Globo, 1992), Quatro por Quatro (Globo, 1994-1995), A Idade da Loba (Band, 1995), A Indomada (Globo, 1997), Por Amor (Globo, 1997-1998), Agora É Que São Elas (Globo, 2003), Celebridade (Globo, 2003-2004), Páginas da Vida (Globo, 2006-2007), Amigas e Rivais (SBT, 2007).

Cite você também outras novelas sobre mulheres! ;)


Mistérios de Aguinaldo Silva alavancam Ibope de suas novelas; relembre alguns
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Nilson Xavier

No capítulo de Fina Estampa de 02/02/2012, o tão esperado segredo de Tereza Cristina (Christiane Torloni) foi revelado para sua família. Ela era, na realidade, filha de uma empregada (Carlota Valdez), que morreu louca num hospício. Mas este segredo envolve outros mistérios, que serão revelados apenas no final da novela.

Aguinaldo Silva já usara esse desfecho em sua novela Senhora do Destino (2005/2005), onde o prepotente Leonardo, personagem de Wolf Maya, acreditava ser filho de um aristocrata (o Barão Pedro, vivido por Raul Cortez), mas revela-se que ele era filho do mordomo da família com uma cozinheira da casa onde cresceu.

Independente da trama requentada, Aguinaldo Silva geralmente acerta nos segredos e mistérios que apresenta em suas novelas, pois eles viram sucesso. O suspense de um mistério aguça a curiosidade do telespectador. E o autor tem usado esse subterfúgio em sua obra com bastante frequência.

Na trama da novela O Outro (1987), os personagens – e o público – queriam saber a identidade do Perfumado, um tarado que atacava as mulheres seduzidas por seu perfume. O mistério foi mantido até o final, quando se descobriu a identidade do homem: era Gato (Milton Rodrigues), o dono do bar frequentado pelos personagens da novela.

Já em Tieta (1989/1990), os homens de Santana do Agreste eram as vítimas. Nas noites de lua-cheia, eles corriam o risco de encontrarem a misteriosa Mulher de Branco, uma espécie de assombração que abusava sexualmente de barbados indefesos. Depois de várias vítimas, a identidade da figura veio à tona: Laura (Cláudia Alencar), a fogosa esposa do Comandante Dário (Flávio Galvão).

Ainda em Tieta, outro mistério chamou a atenção do público. A vilã Perpétua (Joana Fomm) agarrava-se a uma misteriosa caixa escondida em seu guarda-roupa. O segredo do conteúdo da caixa foi desvendado ao final: ficou subentendido que – para matar as saudades do falecido marido – Perpétua guardava, embalsamado, o órgão genital do defunto.

Em Pedra Sobre Pedra (1992), o “retratista” Jorge Tadeu (Fábio Jr.) foi morto a tiros. Para a alegria das mulheres seduzidas por ele na novela, o fotógrafo retornava em espírito. O mistério deste “quem matou” fez sucesso na época. Ao final descobre-se que ele foi morto pela beata Gioconda Pontes (Eloísa Mafalda). O fotógrafo havia descoberto que ela roubava objetos sacros de valor da igreja e os substituía por réplicas falsas. Jorge Tadeu flagrou a ladra roubando e bateu uma foto. Gioconda, que já o odiava por causa de seu envolvimento com a filha Úrsula (Andrea Beltrão), resolveu livrar-se dele para não ser denunciada. Desmascarada, a beata se fez de louca para não ir para a cadeia, e foi internada num hospício.

Em A Indomada (1997), mais um mistério envolvendo ataques sexuais. Dessa vez, as mulheres de Greenville eram as vítimas de um tarado nas noites de lua-cheia. A figura ficou conhecida como o Cadeirudo, por sua silhueta estranha e andar peculiar. Para o espanto de todos, o Cadeirudo era uma mulher: a beata Lurdes Maria (Sônia de Paula).

Em Suave Veneno (1999), os personagens estavam interessados em saber a identidade do assassino da advogada Clarisse Ribeiro (Patrícia França), morta por causa de valiosos diamantes que ela havia roubado. Ao final, o assassino da advogada é revelado. Augusto Ivan (Tarcísio Filho) sabia que Clarisse tinha os diamantes e tentou extorqui-la. Como não conseguiu, matou a moça. Ao ser desmascarado, tentou fugir e acabou morrendo atropelado durante a fuga. Vários personagens da novela se preocuparam então em descobrir onde estavam os tais diamantes.

Para finalizar, Aguinaldo – mais uma vez requentando tramas – apresentou em Duas Caras (2007/2008) outro tarado misterioso que atacava mulheres indefesas: o Sufocador. Geraldo Peixeiro (Wolf Maya) era a identidade do meliante, descoberta no final da novela.

 

 


Renata Sorrah revive Nazaré Tedesco em “Fina Estampa”
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Nilson Xavier

Não deve ser fácil para um ator ficar marcado em sua carreira com um papel. Tem o lado bom, claro. Mas tem o outro lado, em que o público faz comparações e exige o tempo todo um papel semelhante, ou à altura daquele que fora sucesso. Acontece atualmente com Renata Sorrah, no ar em Fina Estampa.

A atriz já havia ficado marcada como a alcoólatra Heleninha Roitman de Vale Tudo, em 1988. Dezesseis anos depois voltou a brilhar com uma personagem totalmente diferente e que fez tanto sucesso que ainda povoa o imaginário brasileiro: a vilã Nazaré Tedesco de Senhora do Destino (2004/2005). Depois desta, Renata participou de apenas duas outras novelas, mas com personagens que passaram despercebidas: foi a juíza Tereza, de Páginas da Vida (2006/2007), e a sofrida dona de casa Célia Mara, de Duas Caras (2007/2008).

Atualmente, Renata Sorrah vive a Drª Danielle Frasier, uma médica que, ao longo de Fina Estampa, mostrou não ser muito ética. A personagem está tendo o seu momento de evidência na novela e a atriz está bem no papel. Mas é comum ouvir do público reclamações do tipo “Renata Sorrah merecia papel melhor” ou “Quando teremos uma nova Nazaré Tedesco?”. Ainda mais porque o autor Aguinaldo Silva referencia sua vilã de Senhora de Destino vez ou outra dentro de Fina Estampa.

As experiências genéticas de Danielle lembram a trama central de Barriga de Aluguel (1990/1991), como bem frisaram Carla Neves e Mauricio Stycer num texto no UOL – leia a matéria AQUI.  Para além das semelhanças com a trama de Glória Perez (que inclusive é reprisada atualmente no canal Viva), percebe-se, neste momento de Fina Estampa, uma forte ligação entre a Drª Danielle e Nazaré Tedesco.

Nazaré era uma mulher desequilibrada, uma vilã caricata e engraçada – por isso a popularidade. Ela roubou um bebê e o criou como se fosse seu filho. Por outro lado, Danielle Frasier é uma cientista, uma mulher culta e esclarecida. Mas que também demonstra desequilíbrio, em sua obsessão em perpetuar a memória do falecido irmão. Primeiro através do sobrinho, que ela luta contra os avós dele para ter a guarda. E agora, através da filha do falecido irmão que a médica gerou no útero de Esther (Júlia Lemmertz), uma mulher que não pode ter filhos.

A grande semelhança entre as duas personagens está nas tramas. Nazaré roubou uma criança recém-nascida e fugiu com ela. Danielle roubou os óvulos de Beatriz (Monique Alfradique) para que fossem fecundados com os espermatozoides de seu irmão e, assim, ter seu sobrinho gerado na “barriga de aluguel” de Esther. Tudo bem que afirmar que Danielle “roubou” os óvulos de Beatriz é uma força de expressão, pois Beatriz, na verdade, doou seus óvulos para a médica. Mas a doutora foi omissa e antiética quando escondeu de Beatriz que usou seus óvulos em Esther, e que, portanto, a menina que Esther deu a luz é de Beatriz e do irmão da médica.

É claro que Nazaré e Danielle são muito diferentes entre si, e a maior prova disso é a popularidade de uma em comparação com a da outra personagem. Mas assim como Nazaré, a médica de Fina Estampa usa a maternidade frustrada – de Esther e Beatriz, e por que não a sua própria – para se satisfazer, ainda que em nome da ciência. Aliás, essa trama lembra ainda outra novela de Glória Perez, O Clone (2001/2002), em que o cientista Albieri (Juca de Olveira), faz experiências genéticas por meios escusos – assim como a Drª Danielle Frasier.

Tem ainda Os Mutantes de Tiago Santiago. Mas aí já é dar asas à imaginação…