Blog do Nilson Xavier

Arquivo : Silvio de Abreu

“Guerra dos Sexos” funcionou mais no drama do que na comédia
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Nilson Xavier

Irene Ravache e Tony Ramos (Foto: divulgação TV Globo)

É sempre grande a expectativa pelo remake de uma novela que fez muito sucesso no passado. As comparações acabam sendo inevitáveis. Os saudosistas que acompanharam a versão original estão sempre dispostos a apontar as diferenças e o que não está funcionando na versão atual. É difícil manter um distanciamento. Mas é necessário. Os tempos são outros, a sociedade e – principalmente – a TV são outras. Nosso olhar sobre a TV também, inclusive.

Guerra dos Sexos”, a novela de 1983, foi um marco e, de certa forma, revolucionou o horário das sete horas da Globo. A responsabilidade de Silvio de Abreu – o autor – era ainda maior. Também de Jorge Fernando, o diretor geral deste remake, que foi um dos diretores da novela original. Há ainda o fato de Jorginho ter sido o responsável pelo remake de “Ti-ti-ti”, em 2010, considerado um grande êxito: esperava-se a mesma repercussão nesta regravação de outro sucesso do passado. Esperava-se muito desta nova “Guerra dos Sexos”.

A novela estreou em um período por demais ingrato. Horário Político, Horário de Verão, festas de fim de ano, calor, tudo isso contribui para que as pessoas não estejam na frente da TV na hora da novela. A média geral na audiência da Grande São Paulo foi a pior já registrada no horário: 23 pontos no Ibope. Mas é importante salientar que esta baixa acometeu todo o horário nobre da TV aberta. Também “Salve Jorge” (às 21 horas) e “Lado a Lado” (às 18), registraram recordes negativos. Fenômeno este muito particular de São Paulo, haja vista que essas novelas tiveram números bem mais expressivos em outras praças.

A trama de Silvio de Abreu tem todos os ingredientes para o sucesso. A história é boa, o elenco e a produção são de primeira, os personagens são carismáticos, tem humor (necessário para o horário) e tem o melodrama (necessário para qualquer folhetim). No início, criticou-se muito o anacronismo do tema central – a luta entre homens e mulheres, em voga em 1983, mas um tanto quanto obsoleto nos dias atuais. Mas Silvio sempre foi categórico ao afirmar que não escreveria um compêndio sobre o assunto – seu objetivo era apenas divertir e fazer rir do ridículo desta luta insana entre homens e mulheres. Foi assim em 1983 e foi assim atualmente, guardadas as devidas proporções.

Drica Moraes, Bianca Bin e Daniel Boaventura (Foto: divulgação TV Globo)

O autor prometeu mudanças na história, mas poucas foram vistas. As mais objetivas ficaram para o final, como o desfecho de alguns personagens. Mas é fato que Charlô (Irene Ravache) – para caber na proposta atual – já não era mais uma feminista ferrenha como outrora. Otávio (Tony Ramos) manteve o ranço dos machistas irascíveis, o que conferiu certo exagero na interpretação de Tony Ramos em alguns momentos. O português Dominguinhos foi um respiro nas chatices de Otávio e deu a Tony a oportunidade de ampliar sua interpretação. Mesmo quando Otávio retornou, já estava mais humano, o que fez Tony Ramos brilhar em várias sequências.

No elenco, vale destacar também a interpretação marcante de Drica Moraes e Glória Pires (as irmãs Nieta e Roberta, respectivamente), que em nada deixaram a dever às intérpretes originais, Yara Amaral e Glória Menezesopa, olha a comparação! Bianca Bin teve a sorte de lhe cair nas mãos uma vilã, tipo mais rico e fácil de interpretar do que a mocinha (como havia sido a Açucena de “Cordel Encantado”, o trabalho anterior da jovem atriz). Edson Celulari cresceu com a novela: o estranhamento de um Felipe abobalhado no início foi se dissipando com o próprio amadurecimento do personagem ao longo da trama.

Se por um lado acho um equívoco acusar o tema central de “Guerra dos Sexos” de anacrônico, por outro vejo anacronismo no humor da novela – talvez este o seu maior problema. O autor propunha uma mistura de estilos de comédia, que vinha desde o humor infantil de desenho animado até o humor sofisticado do cinema clássico americano. Mas o resultado na tela passou batido. Talvez a direção não soube compilar essa sofisticação na hora de tirar do papel e passar para a tela. Faltou à direção fazer rir – o grande trunfo da novela em 1983.

De “Guerra dos Sexos”, ficamos com os momentos risíveis proporcionados por Nieta (Drica Moraes), Dona Semíramis (Débora Olivieri), Frô (Mariana Armellini), Dominguinhos (Tony Ramos), Olívia (Marilu Bueno) e alguns outros. E o lado folhetinesco da trama. Sempre se espera de uma novela que o público torça pelos seus casais românticos e se questione sobre os destinos dos personagens: “Com quem Nando vai ficar, Roberta ou Juliana?” “Ou Roberta fica com Felipe?” “E o fim de Carolina?”. Por conta dessa especulação em torno de seus desfechos, a novela viu sua audiência crescer na reta final, tendo inclusive ultrapassado os 30 pontos (a meta no horário) em uma ocasião. A “Guerra dos Sexos” de 2012-2013 saiu-se melhor no melodrama.

Leia também a opinião de Maurício Stycer sobre a novela ‘Com tema pouco atual e aposta no exagero, Guerra dos Sexos provocou indiferença’


Cinismo em “Guerra dos Sexos”: Jorge Fernando pede para sua mãe parar de apitar na novela
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Nilson Xavier

Jorge Fernando com sua mãe Hilda Rebello, ao fundo (Foto: TV Globo)

Perto de seu final, a novela das sete da Globo, o remake de “Guerra dos Sexos”, de Silvio de Abreu, apresentou, no capítulo de sexta-feira (12/04), uma cena inusitada, divertida e até bonitinha, que teve a participação do diretor geral da novela, Jorge Fernando (talvez vivendo ele mesmo).

Jorginho aparece rapidamente abordando sua mãe, Hilda Rebello – na vida real e na novela, já que ele a chamou de mãe. A sua participação nada mais era do que uma desculpa para um merchan: ele a presenteia com um sabonete de uma marca de cosméticos. E aproveita e pede encarecidamente para que ela pare de apitar na novela.

“Para com esse apito, mãe! Você não precisa disso!”

Ao final, ele olha sorridente para a câmera e fala: “Minha mãe!”

Dona Hilda passou “Guerra dos Sexos” inteira apitando – o que chegou a gerar reclamações nas redes sociais, como no Twitter. Ela é uma espécie de guarda que cuida do trânsito no estacionamento da loja Charlô´s. A personagem não existia na versão original do folhetim, e parece ter sido criada especialmente para ela.

Apesar de não ter relação nenhuma com a trama da novela, a sequência ficou agradável e soou como uma homenagem do diretor à sua mãe. Há mais de vinte anos, Hilda Rebello é uma figura presente em praticamente todas as novelas que Jorge Fernando dirigiu. O próprio diretor sempre dá um jeito de aparecer atuando em suas novelas – outra marca registrada sua.

Foi divertido ver uma sequência que já chegou a incomodar sendo tratada com cinismo: “Para com esse apito, mãe!” Foi o humor sarcástico, debochado e cínico que fez o sucesso da primeira versão de “Guerra dos Sexos” (em 1983) e que, justamente, ficou faltando neste remake, que optou por um humor mais infantil, e bobinho muitas vezes.

Ainda estou aguardando a cena em que Verusca – para fugir de uma perseguição, já que está de posse de umas pedras preciosas – dá um giro e se transforma na Mulher Maravilha!


“Guerra dos Sexos” ignora Carnaval e apresenta festa italiana fora de época
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Nilson Xavier

Drica Moraes e Fernando Eiras em “Guerra dos Sexos” (Foto: TV Globo)

A novela das sete da Globo, “Guerra dos Sexos”, ignorou o Carnaval em suas tramas. Até aí, tudo bem, não existe a menor obrigatoriedade de as novelas abordarem as festas que acontecem enquanto estão no ar – como também o Natal e o Ano Novo.

Mas, a novela de Silvio de Abreu revelou uma total falta de senso de oportunidade ao exibir, em pleno Carnaval, a Festa de San Gennaro em seu entrecho.  Soou estranho uma tradicional festa italiana de São Paulo apresentada em pleno Carnaval – já que a festa de San Gennaro acontece entre os meses de setembro e outubro.

Sinal de que o autor realmente pouco está adaptando de sua novela original. Em 1983, quando foi ao ar a primeira versão de “Guerra Dos Sexos”, essa parte da história coincidiu com os festejos de San Gennaro, em outubro daquele ano. Ou seja, o autor aproveitou a festa para inclui-la em sua história.

Apropriar-se do calendário e acompanhar os festejos da vida real cria uma maior identificação do público com o que rola na ficção. “Guerra dos Sexos” aproveitou o Natal e o Ano Novo em seu entrecho. Talvez fosse também o caso de adaptar as histórias para o Carnaval de 2013, aproveitando assim a festa e evitando essa discrepância nas datas.


“Avenida Brasil” é citada em “Guerra dos Sexos”
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Nilson Xavier

Tony Ramos como Otávio em “Guerra dos Sexos” (Foto: TV Globo)

O capítulo desta quarta-feira (30/01) de “Guerra dos Sexos” exibiu uma sequência inusitada. Otávio, o personagem de Tony Ramos, conversou ao telefone com um amigo que ele chamou de JOÃO EMANUEL, e pediu a ele a indicação de um detetive. O detetive indicado chamava-se LELECO, que iria investigar os passos do personagem ZENON – em “Guerra dos Sexos”, interpretado por Thiago Rodrigues.

Foi uma clara alusão à novela “Avenida Brasil”, escrita por JOÃO EMANUEL Carneiro, que tinha o personagem LELECO, vivido por Marcos Caruso, e, inclusive, um detetive chamado ZENON (Mário Hermeto). Silvio de Abreu e João Emanuel já trabalharam juntos: Silvio foi supervisor de texto da novela “Da Cor do Pecado”, escrita por João Emanuel Carneiro em 2004.

Silvio de Abreu já fez referências a outras novelas dentro de “Guerra dos Sexos”, inclusive a “Salve Jorge”, de Glória Perez. Na versão original, de 1983, várias novelas foram citadas, como a contemporânea “Louco Amor”, a novela das 8 da época (que Silvio voltou a citar neste remake), e  as estreias de “Eu Prometo” e “Champagne” – novelas que começaram enquanto “Guerra dos Sexos” estava no ar. Também pudera, a novela das sete tem uma personagem que é noveleira de carteirinha: Nieta (Yara Amaral em 1983 / Drica Moraes atualmente) – várias dessas citações vêm da boca da personagem.

Citar novelas dos colegas é uma prática recorrente de Silvio de Abreu. Além de “Guerra Dos Sexos”, o autor fez o mesmo com muita propriedade em “Sassaricando”, em 1987-1988. Os colegas novelistas que ele mais citou em sua obra foram os amigos Cassiano Gabus Mendes e Gilberto Braga.


“Guerra dos Sexos” acerta ao focar no melodrama
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Nilson Xavier

Guilhermina Guinle e Reynaldo Gianecchini em “Guerra dos Sexos” (Foto: TV Globo)

Muita coisa rolou depois de mais de três meses da estreia do remake de “Guerra dos Sexos“. A trama de Silvio de Abreu enfrentou o Horário Político, enfrenta o Horário de Verão e a atual fraca audiência em todo o horário nobre na TV aberta brasileira. Teve a rejeição do público órfão da novela anterior, o sucesso “Cheias de Charme”. Lidou com todas as comparações possíveis com a versão original da novela, de 1983 – de elenco a tramas. Foi criticada pelo tema anacrônico (feminismo versus machismo), pela comédia sem graça, por algumas atuações do elenco, etc.

Mas, apesar dos percalços, a novela parece ter encontrado seu caminho. Quase em sua metade, “Guerra dos Sexos” já não causa mais o estranhamento do início. Talvez parte do público tenha se acostumado com a interpretação dos atores e embarcado na trama. Talvez os atores tenham encontrado o ponto de seus personagens. Reynaldo Gianecchini já não parece mais imitar o Pascoal, seu papel em “Belíssima”. Drica Moraes está mais à vontade em sua Nieta. Tony Ramos já soa menos histriônico. Edson Celulari não parece mais tão bobalhão com seu Felipe. Bianca Bin já não faz mais caras e bocas.

O elenco de “Guerra dos Sexos”, com poucas exceções, está afinado com a trama de Silvio, que já desce mais redonda, está agradável de se acompanhar. O autor tem focado nos romances e no melodrama, em detrimento ao humor, o que é um acerto. Nos últimos capítulos, vimos o caso de Wânia (Luana Piovani) e Felipe (Edson Celulari) ser descoberto por Charlô (Irene Ravache), que demitiu sua funcionária. Tudo pelas mãos da ardilosa Carolina (Bianca Bin). Em seguida, foi a vez de Juliana (Mariana Ximenes) ter seu caso com Fábio (Paulo Rocha) descoberto pela mulher dele, a neurótica Manuela (Guilhermina Guinle), que brindou o público com um barraco daqueles. Manuela ainda sofreu um acidente de carro que envolveu sua filha pequena, Cissa (Jesuela Moro). E Felipe não quer perdoar a filha Juliana, por se sentir traído. Quanto drama!

É claro que o horário da sete pede humor. Mas folhetim, independente da proposta, é folhetim: o melodrama ainda é a base. E, historicamente falando, em raras exceções, é sempre o drama que pode socorrer uma novela. Silvio já tem experiência com isso. Em 1990, “Rainha da Sucata” entrou para a história porque o autor percebeu a tempo que tinha que focar no melodrama, em detrimento ao humor que vinha aplicando. Na verdade, não existe uma receita para o sucesso. Mas certas premissas devem ser respeitadas. Janete Clair já pregava a boa dosagem do drama e comédia. E – parece – “Guerra dos Sexos” encontrou seu ponto certo.


“Guerra dos Sexos” tem a menor média de audiência desde 2010
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Nilson Xavier

Depois de duas semanas no ar, já pode tocar o sinal vermelho para Guerra dos Sexos: é a menor média no Ibope desde Tempos Modernos, em 2010. A novela das sete da Globo fechou sua segunda semana com uma média de 24,42 pontos (cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo), quando a meta é 30. Veja a média até o capítulo 12 das últimas novelas no horário:

Guerra dos Sexos: 24,42
Cheias de Charme: 29
Aquele Beijo: 27,1
Morde e Assopra: 26,2
Ti-ti-ti: 28,3
Tempos Modernos: 24,1
Caras e Bocas: 27,42

Fonte: blog O Cabide Fala.

Há algo de obsoleto na nova Guerra dos Sexos. E não estou me referindo exclusivamente ao seu tema, a luta Homens vs. Mulheres, muito em voga na época da novela original, mas um tanto sem sentido hoje em dia, pela forma como é abordado e está sendo apresentado na novela atual. Em tempos em que gays lutam pelos seus direitos, Guerra dos Sexos, ao ignorá-los, mantem o ranço da censura do início dos anos 1980, que proibia a presença deles em novelas.

Aliás, Guerra dos Sexos quebra um padrão entre as novelas das sete horas da Globo: desde o início da década de 2000, toda trama das sete tinha alguma referência a um personagem gay. Esta é a primeira novela, em mais de dez anos, em que não existe nenhuma. Não que seja obrigatória – a telenovela não precisa levantar bandeira de causa alguma, muito menos retratar gays caricatos ou não. Mas para uma novela que se propõe a ir além do simples remake e atualizar a temática apresentada há 29 anos, soa estranho não haver referência a gays nesta guerra entre homens e mulheres.

Tão obsoleto quanto o tema é o humor que a direção desta nova Guerra imprime à novela – o que tem feito a nova geração questionar a tal revolução na comédia que a trama original propiciou à TV na década de 1980. Se antes a criatividade da direção, aliada ao texto, deu origem a um delicioso espetáculo de comédia, hoje em dia, depois de tantas novelas engraçadinhas de Walcyr Carrasco dirigidas por Jorge Fernando e equipe, o mais do mesmo cansa e soa banalizado.

O tom exagerado nas atuações teatrais de Tony Ramos e Irene Ravache tem conseguido, no máximo, arrancar um sorriso amarelo. Reynaldo Giancecchini ainda não sabe muito o que fazer com seu Nando, que parece uma mistura de Jamanta com o mecânico Pascoal, que o ator viveu em outra trama de Silvio de Abreu, Belíssima, de 2005 – em que contracenava com Jamanta (Cacá Carvalho).

Os destaques no elenco têm sido Glória Pires e Drica Moraes, que demonstram bastante segurança em suas personagens. Guerra dos Sexos ainda não acertou seu tom. A direção, outrora inovadora, hoje soa burocrática no texto de Silvio de Abreu. Ainda bem que a Guerra está apenas começando Tem tempo de sobra para mudar as estratégias e vencer algumas batalhas.


Apesar de parecer datada, a nova “Guerra dos Sexos” promete divertir
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Nilson Xavier

Não faltaram referências à década de 1980 na estreia de Guerra dos Sexos, a nova novela das sete da Globo (nesta segunda-feira, 01/10). Como numa fala de Juliana (Mariana Ximenes) “que coisa mais anos 80!”, a trilha sonora é saudosista – o tema de abertura é o mesmo, com novo arranjo, assim como as músicas “Viva” e “Anjo”, hits da novela original de 1983, escrita por Silvio de Abreu com a colaboração de Carlos Lombardi. E também atores falando diretamente para a câmera, dialogando com o público, artifício que a novela usou e abusou na época.

Em 1983, as primeiras chamadas de Guerra dos Sexos já despertavam atenção pelo título da novela. A palavra “sexo” ainda era tratada com certo tabu na televisão. Mas a trama não passava de uma comédia rasgada, e das boas. Guerra dos Sexos ficou marcada por levar à TV um estilo inovador de humor, nunca visto antes, e que se perpetuou a partir de então, repetido em outras obras de Silvio e Lombardi (Vereda Tropical, Cambalacho, Sassaricando, Bebê a Bordo). Um humor tão inovador que inspirou Armação Ilimitada e o TV Pirata.

Vinte e nove anos depois, este humor televisivo não é mais novidade. Assim como soa velho hoje em dia palavras como “machismo”, “porco chauvinista”, “feminista”. É claro que os machões ainda existem e que as mulheres continuam ganhando menos que os homens no mercado de trabalho. Mas este era um tema muito em voga no longínquo ano de 1983. Entrou na TV com a série Malu Mulher e teve seu ápice como comédia, em Guerra dos Sexos. Hoje em dia, é tão antiquado ser machista que pontuar uma trama na luta machismo x feminismo parece um retrocesso.

Mas, Silvio de Abreu já afirmou que sua novela não é nenhum tratado de antropologia, apenas entretenimento. Como já era em 1983. Silvio também alardeou que este não é um remake de sua novela… Bem, não foi a impressão que ficou depois deste primeiro capítulo. Revisto o capítulo 1 da Guerra de 1983, a maioria das cenas apresentadas na estreia desta nova Guerra é ipsis litteris a sua versão original. Salvo algumas poucas exceções, são as mesmas situações, as mesmas falas e até enquadramentos.

Isso é ruim? Não acho. Pelo contrário: em se tratando de remakes, sou um entusiasta do ctrl-c ctrl-v na TV, pelo puro prazer da comparação. Entretanto, sabemos de antemão que um remake não é feito para os saudosistas, mas para a nova geração, que não viu o original. Então, qual o problema em ser remake ou não? Em ser uma guerra ultrapassada ou não? Quando o objetivo é apenas divertir…

Novela é fantasia. Novela das sete é comédia romântica. Quer mais fantasia que três empregadas que do nada colocam um vídeo na Internet e se tornam estrelas da música da noite para o dia? Tente você fazer um vídeo na Internet com a intenção de ser sucesso!

Aliás, falando em Cheias de Charme, teve transmedia já no primeiro capítulo de Guerra dos Sexos: na página real da Globo.com havia o tal anúncio da morte de Charlô e Otávio (Fernanda Montengro e Paulo Autran), citada na novela (foto ao lado).

O primeiro capítulo não chamou a atenção da audiência, se compararmos com tramas anteriores: a prévia no Ibope foi de 27 pontos (cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo). Cheias de Charme e Aquele Beijo – duas novelas tão díspares -, cravaram 35 pontos na estreia. Isso comprova que números do primeiro capítulo não dizem nada sobre o que vai acontecer com a novela. Que venha a Guerra!


Canal Viva vai reprisar a novela “Rainha da Sucata”
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Nilson Xavier

Depois de suspender o repeteco da novela A Próxima Vítima, o Canal Viva confirmou: já tem o título da trama que substituirá Que Rei Sou Eu? na faixa da meia-noite e quinze. É Rainha da Sucata, um dos grandes sucessos de Silvio de Abreu na Globo, a estreia do autor no horário nobre da emissora. A novela volta em janeiro. A Próxima Vítima fica para depois de Renascer, às 16h30.

Rainha da Sucata foi ao ar originalmente entre abril e outubro de 1990 e teve uma reprise no Vale a Pena Ver de Novo em 1994. Com direção geral de Jorge Fernando, a novela tinha um elenco enxuto, mas grandioso – reunia Regina Duarte, Glória Menezes, Tony Ramos, Antônio Fagundes, Paulo Gracindo, Daniel Filho, Renata Sorrah, Raul Cortez, Cleyde Yáconis, Nicette Bruno, Gianfrancesco Guarnieri, Aracy Balabanian, Lolita Rodrigues, Claudia Raia, Patrícia Pillar, Cláudia Ohana, Andrea Beltrão, Maurício Mattar, Marisa Orth, Marcello Novaes e outros – além das participações especiais de Fernanda Montenegro e Lima Duarte.

A história de Maria do Carmo (Regina Duarte), de origem humilde, mas que enriqueceu a partir de um ferro-velho (daí o título da novela). Mulher extravagante, cafona, que sonhava em se casar com seu amor da juventude, o quatrocentão falido Edu (Tony Ramos). Mas ela tinha que disputá-lo com a madrasta do rapaz, Laurinha Figueroa (Glória Menezes), socialite arrogante, apaixonada pelo enteado.

Rainha da Sucata vinha no rastro do sucesso da lambada, mostrada na abertura ao som do hit Me Chama Que Eu Vou”, cantado por Sidney Magall. De quebra, Maria do Carmo lutava na justiça pela posse de um prédio na Avenida Paulista, onde mantinha a Sucata, uma casa de shows – que tocava lambada, lógico! Dona Armênia (Aracy Balabanian) se dizia proprietária do terreno e seu bordão foi um grande sucesso na época: “Quero a prédio na chón!”.

Outro bordão da novela que caiu na boca do povo foi “coisas de Laurinha”,  repetido pelo ricaço falido Betinho Figueroa (Paulo Gracindo), sempre se referindo à sua mulher Laurinha. Ela, por sua vez, termina a novela suicidando-se para culpar sua inimiga Maria do Carmo: se joga do alto do prédio da Sucata, numa cena antológica.

Em 1990, Fernando Collor havia sido recém-eleito presidente da República, e seu plano econômico, que confiscava as cadernetas de poupança, foi lançado enquanto Rainha da Sucata estava começando. E a novela tratava exatamente do dinheiro, que trocava de mão, passava aos emergentes, novos ricos da época – tudo isso muito antes da “nova classe C”, tão em voga no momento.

Escrita por Sílvio de Abreu, Alcides Nogueira e José Antônio de Souza, direção de Jorge Fernando, Mário Márcio Bandarra, Fábio Sabag e Jodele Larcher.

Saiba mais sobre Rainha da Sucata no site Teledramaturgia.


Conheça o elenco, personagens e tramas da nova “Guerra dos Sexos”
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Nilson Xavier

O remake de Guerra dos Sexos – novela substituta de Cheias de Charme no horário das sete da Globo – já tem data prevista para estreia: 1° de outubro. O próprio Silvio de Abreu, autor do original, trabalhará em cima da modernização da história. A direção de núcleo é de Jorge Fernando, que foi um dos diretores da primeira versão da novela, em 1983. O elenco já está praticamente fechado – pelo menos os que viverão os personagens que vieram da versão original.

(Os nomes grifados são dos atores da nova versão da novela)

Os primos CHARLÔ e OTÁVIO (Fernanda Montenegro e Paulo Autran em 1983), morrem na atualidade e deixam uma herança para os sobrinhos homônimos CHARLÔ II e OTÁVIO II (Irene Ravache e Tony Ramos), primos que se odeiam e que passam a disputar a tal herança, dando início a uma verdadeira guerra. Eles herdam a Charlô’s, uma famosa loja de departamentos.

Os dois vão morar na mansão dos falecidos tios, onde já está a criada OLÍVIA (Marilu Bueno), a mesma da versão de 1983, que – assim como na novela original – terá que lidar diariamente com as brigas de Charlô e Otávio, os novos patrões.

Charlô tem um filho adotivo, FILIPE (Tarcísio Meira / Edson Celulari), que teve cinco casamentos fracassados, é instável, egoísta, trapalhão, infantil e mimado. É o aliado de Otávio em suas armações.

Filipe tem duas filhas: JULIANA (Maitê Proença / Mariana Ximenes), a mais velha, moça romântica, e ANALÚ (Ângela Figueiredo / Raquel Bertami), a caçula, garota desmiolada.

Otávio tem um motorista, NANDO (Mário Gomes / Reynaldo Gianecchini), tipo bonitão, mas atrapalhado. É apaixonado por Juliana, mas sofre com as investidas de Analú, louca por ele.

Foto: Daniel Boaventura (Nenê Gomalina), Mayana Moura (Verusca), Reynaldo Gianecchini (Nando), Glória Pires (Roberta), Irene Ravache (Charlô), Luana Piovani (Wânia) e Drica Moraes (Nieta).
Tony Ramos (Otávio), Thiago Rodrigues (Zenon), Paulo Rocha (Fábio), Mariana Ximenes (Juliana), Edson Celulari (Filipe), Guilhermina Guinle (Manuela) e Marilu Bueno (Olívia).

Charlô é muito amiga da empresária ROBERTA LEONI (Glória Menezes / Glória Pires), dona da Ravello Sports, confecção que fornece roupas para as lojas Charlô´s. Roberta fica do lado da amiga contra as armações de Otávio e Filipe, de quem se torna inimiga mortal. Acaba apaixonada pelo motorista Nando, apesar da diferença de idade e classe social.

Roberta tem um filho: KIKO (Diogo Vilela / Johnny Massaro), nerd, aprendiz de cientista maluco, apaixonado por Analú – mas ela não quer saber dele.

A secretária de Roberta na Ravello é a ardilosa VERUSCA (Sônia Clara / Mayana Moura), informante e sabotadora paga por Otávio.

Contra Roberta e Charlô, está também a jovem CAROLINA (Lucélia Santos / Bianca Bin), sobrinha interesseira de Roberta. Vive na vila e sonha em ficar rica e ter uma vida melhor. Vai trabalhar na Charlô’s e une-se a Otávio e Filipe contra a patroa e a própria tia. Acaba tendo um caso com Filipe.

A mãe de Carolina é NIETA (Yara Amaral / Drica Moraes), irmã de Roberta, a quem inveja por ser uma mulher bem sucedida, enquanto ela é pobre.

Nieta é casada com o submisso DINORÁ (Ary Fontoura / Fernando Eiras), contador na Ravello, que sempre nutriu um amor platônico pela cunhada Roberta.

Roberta e Nieta tem um irmão, o boa-vida NENÊ GOMALINA (Hélio Souto / Daniel Boaventura), vigarista que já esteve preso. É o protegido de Nieta, que o enche de mimos. Ele acaba ficando contra Roberta, aliando-se a Verusca nas armações dela.

Na casa de Nieta vai morar a jovem LUCILENE (Helena Ramos / Thalita Lippi), moça sozinha, recém-chegada do interior. Muito bonita, mas ingênua, não percebe as segundas intenções dos homens ao seu redor. Vai trabalhar como secretária na Charlô´s.

Foto: Bianca Bin (Carolina), Fernando Eiras (Dinorá), Thalita Lippi (Lucilene), Johnny Massaro (Kiko) e Raquel Bertami (Analú).
Antônia Pires (Leda), Marianna Armelini (Frô), Jesus Luz (Ronaldo), Débora Olivieri (Semíramis) e Eriberto Leão (Ulisses).

Na vila, mora também o batalhador ULISSES (José Mayer / Eriberto Leão), vizinho de Dinorá e Nieta, o melhor amigo de Nando. Carregador na Charlô’s, ele é apaixonado por Carolina, e não percebe o interesse de Lucilene. Ulisses é lutador de UFC e seu treinador é MONTANHA DUNCREZIO (Fernando José / Marcelo Barros).

Ulisses é irmão de ZENON (Edson Celulari / Thiago Rodrigues), rapaz de caráter duvidoso por quem Carolina já fora apaixonada, mas a abandonou ao sumir pelo mundo. De volta, tenta se aproximar de Charlô a fim de conquistá-la, por interesse.

AFRODITE, a FRÔ (Cristina Pereira / Marianna Armelini) é a irmã de Ulisses e Zenon. Ela é feia, mas se acha irresistivelmente bela. Trabalha na lanchonete da Charlô’s e seu passatempo preferido é a fofoca. Quem tem que aturá-la diariamente é sua colega de trabalho, a paciente DALETE (Lys Beltrão / Carol Rebello).

Os irmãos Ulisses, Zenon e Frô moram na casa da tia solitária SEMÍRAMIS (Leina Krespi / Débora Olivieri), amiga de Nieta. Nando também mora lá, num quarto alugado por Semíramis.

O fotógrafo FÁBIO (Herson Capri / Paulo Rocha) é amigo de Filipe e esconde dele que tem um caso amoroso com sua filha Juliana. O problema é que Fábio é casado, com a neurótica MANUELA (Ada Chaseliov / Guilhermina Guinle), uma mulher ciumenta e possessiva.

Filipe, por sua vez, mantem uma relação amorosa com a sensual WÂNIA TRABUCCO (Maria Zilda / Luana Piovani), amiga de Charlô e Juliana. Os dois escondem o romance de todos, já que estão em lados opostos na guerra travada por Otávio e Charlô.

Também trabalha na Charlô´s a intransigente LEDA (Teresinha Sodré / Antônia Pires), que vive às turras com RONALDO (Paulo César Grande / Jesus Luz) – os dois ainda não sabem, mas por trás de toda a implicância que sentem um pelo outro existe uma atração avassaladora.

Saiba mais sobre a versão original de Guerra dos Sexos (de 1983) no site Teledramaturgia.


“A Próxima Vítima” e “Felicidade” são as próximas novelas reprisadas no Canal Viva
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Nilson Xavier

Em evento realizado na manhã desta terça-feira (15/05) em São Paulo – em comemoração aos seus dois anos de existência – o Canal Viva divulgou as suas próximas estreias de novelas: Felicidade (substituindo Top Model, às 15h30), e A Próxima Vítima (substituindo Barriga de Aluguel às 16h30 – as novelas têm horários alternativos nas madrugadas).

Felicidade – novela de Manoel Carlos, escrita por ele e Elizabeth Jhin, com direção geral de Denise Saraceni – foi ao ar originalmente entre outubro de 1991 e maio de 1992 (com uma reprise no Vale a Pena Ver de Novo em 1998). Marcou o retorno definitivo de Maneco à Globo, depois de quase dez anos afastado da emissora. Maitê Proença viveu a segunda das Helenas do autor. Foi a primeira novela de Vivianne Pasmanter, estreando com um papel importante, a antagonista Débora, que dividia com Helena o amor de Álvaro (Tony Ramos). Helena, por sua vez, era também disputada pelos personagens de Herson Capri e Marcos Winter. Também se destacaram as então crianças Tatyane Fontinhas Goulart (como Bia, a filha de Helena e Álvaro) e Eduardo Caldas (como Alvinho, filho de Álvaro e Débora). Ainda no elenco Laura Cardoso, Othon Bastos, Esther Góes, Yara Côrtes, Umberto Magnani, Ariclé Perez, Monique Cury, Edney Giovenazzi, Milton Gonçalves e outros.

A Próxima Vítima – novela de Silvio de Abreu, escrita por ele, Alcides Nogueira e Maria Adelaide Amaral, com direção geral de Jorge Fernando – foi ao ar entre março e novembro de 1995 (com reprise no Vale a Pena Ver de Novo em 2000). O grande sucesso daquele ano, a novela – essencialmente policial – inovou ao despertar a atenção do telespectador não somente pelo mistério da identidade do serial killer da história, mas também pela expectativa sobre qual personagem seria a próxima vítima do assassino. Grande destaque para a família Ferreto, encabeçada por Filomena (Aracy Balabanian), com a sobrinha maléfica Isabella (Cláudia Ohana), o cunhado Marcelo (José Wilker), as irmãs Francesca (Tereza Rachel), Carmela (Yoná Magalhães) e Romana (Rosamaria Murtinho). No elenco, também Tony Ramos, Susana Vieira, Natália do Valle, Vivianne Pasmanter, Marcos Frota, Lima Duarte, Paulo Betti, Gianfrancesco Guarnieri, Cecil Thiré e outros. Resta saber qual dos finais gravados será o apresentado no Viva, já que no Vale a Pena Ver de Novo e no mercado internacional o assassino (e o desfecho da história) não era o mesmo da apresentação original da novela.

O Viva também anunciou a apresentação do seriado Delegacia de Mulheres (de 1990) e (novamente) da minissérie Chiquinha Gonzaga, de Lauro César Muniz (de 1999).

Saiba mais sobre Felicidade no site Teledramaturgia.

Saiba mais sobre A Próxima Vítima no site Teledramaturgia.