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Arquivo : Taís Araújo

“Geração Brasil” falhou ao subestimar o folhetim tradicional
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Nilson Xavier

Ricardo Tozzi e Murilo Benício (Foto: Carol Caminha/Gshow)

Ricardo Tozzi e Murilo Benício (Foto: Carol Caminha/Gshow)

É certo que “Geração Brasil” – a novela das sete da Globo, que terminou nesta sexta, 31/10 – enfrentou um período difícil – primeiro Copa do Mundo, depois as Eleições, que alteraram a grade da emissora. Mas nem uma coisa nem outra justificam a sua performance. Decepcionou-se quem esperava um novo mega sucesso ao estilo de “Cheias de Charme”, a trama anterior dos autores, Filipe Miguez e Izabel de Oliveira. Um dos vilões de “Geração Brasil” pode ter sido a expectativa do público e a responsabilidade dos autores de repetirem um novo sucesso ante essa expectativa.

Ao tentar dialogar com o tradicional e variado público do horário, “Geração Brasil” falhou ao mirar demasiadamente em tecnologia: arregimentou o telespectador mais jovem e antenado, mas desprezou quem não liga para o assunto. Passada a novidade inicial, percebeu-se um esvaziamento da trama após a Copa do Mundo. Se não um esvaziamento, pelo menos uma confusão entre as histórias, que pareciam patinar.

Deflagrou-se então um de seus principais problemas: o público não sabia quem era o mocinho e quem era o vilão. A novela “A Favorita” (2008), de João Emanuel Carneiro, tinha o mesmo dilema. Bem interpretadas, as antagonistas Flora e Donatella eram personagens fortes e carismáticas, que caíram nas graças do público. Na novela das sete, Murilo Benício levou dignamente seu Jonas Marra até o fim. Mas era um personagem pouco cativante aos olhos do espectador. Na dúvida se era mocinho ou vilão, ficou difícil a torcida.

Com o passar do tempo, a trama da novela foi ficando mais clara e entrando nos eixos. No fim, percebemos a evolução de Jonas Marra, do anti-herói ao homem que se redime. Era um bom personagem, e bem interpretado. Mas, depois de seis meses, é de se questionar se não teria sido melhor Jonas arrebatar o público desde o início – mantendo a sua dubiedade, claro.

Taís Araújo (Foto: Laila Mesquita/Gshow) e Cláudia Abreu (Foto: Marcos Nepomuceno/Gshow)

Taís Araújo (Foto: Laila Mesquita/Gshow) e Cláudia Abreu (Foto: Marcos Nepomuceno/Gshow)

Enquanto isso, “Geração Brasil” foi se sustentando no que tinha de melhor: o elenco. Taís Araújo (Verônica), Cláudia Abreu (Pamela), Luís Miranda (Dorothy) e Leandro Hassun (Barata) apresentaram os melhores trabalhos. Rodrigo Pandolfo, apesar dos exageros de seu personagem Shin Soo, foi outro destaque. Humberto Carrão, Chandelly Braz e Isabelle Drummond estiveram corretos, em um triângulo amoroso que prometeu mais do que cumpriu. Já Lázaro Ramos, Renata Sorrah e Aracy Balabanian tiveram seus talentos desperdiçados em papeis aquém de suas possibilidades.

Não é mais novidade que a audiência da televisão aberta diminui cada vez mais com o passar do tempo. E “Geração Brasil” não escapou desta incômoda curva descendente. A média final no Ibope da Grande São Paulo ficou em 19 pontos, menor que a novela anterior, “Além do Horizonte” (20 pontos) e bem longe de “Cheias de Charme” (2012), a última do horário a alcançar uma média final de 30 pontos em São Paulo.

Apesar dos pesares, “Geração Brasil” sugeriu uma questão cara para a atualidade: o que o novíssimo público de televisão, beneficiado com a inclusão digital, espera da TV aberta brasileira. Foi uma novela pretensiosa, que propôs um link (para usar um termo moderno) entre o bom e velho folhetim e os anseios do público moderno. Mas falhou justamente em sua essência: exagerou ao tentar dialogar com a modernidade e subestimou o bom e velho folhetim. Esta discussão precisa ser maturada ainda. Demanda mais tempo e experiência.

Leia também, Maurício Stycer: “Por que Geração Brasil sofreu para capturar a atenção do espectador“.


Com proposta interessante, “Geração Brasil” não tem funcionado na prática
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Nilson Xavier

Murilo Benício, Cláudia Abreu, Isabelle Drummond e Luís Miranda (Foto: Divulgação/TV Globo)

Murilo Benício, Cláudia Abreu, Isabelle Drummond e Luís Miranda (Foto: Divulgação/TV Globo)

Não é o inglês falado na novela, nem o excesso de tecnologia abordado nela. O que tem distanciado o público de “Geração Brasil” é a própria essência da trama, não o que ela traz de diferente para o gênero. Assim como a forma com a qual apresenta a tecnologia (através de seus personagens e relações), “Geração Brasil” é uma novela fria, sem cor e vibração.

E era bastante aguardada, por ser da mesma dupla que lançou o sucesso “Cheias de Charme” – “a novela das Empreguetes” -, em 2012. De certa forma, Filipe Miguez e Izabel de Oliveira não decepcionaram. Como no trabalho anterior, lançaram mão de uma ideia original e boa. Mas, nem toda boa ideia no papel, funciona na prática.

Sim, foi prejudicada pela Copa. A Globo a lançou antes do campeonato começar, como que para estancar a baixa audiência registrada pela produção anterior – “Além do Horizonte” -, e para segurar, durante o período, o novo público que “Geração Brasil” fosse levantar. Até conseguiram manter algum interesse, com os “drops” diários, impulsionados pelo reality-show dentro da trama, que incentivava a interação do público (através do aplicativo “Filma-e”).

Mas, passada a apresentação de tramas, personagens e pares românticos, e o “Concurso Geração Brasil”, a novela ainda não decolou. A história hoje resulta confusa e inconsistente, mal costurada por flashbacks toscos (Murilo Benício adolescente?) e embaralhada nos horários atrapalhados pela Copa.

As chamadas prometiam algo de tirar o fôlego, com as presenças de Cláudia Abreu, Titina Medeiros, Isabelle Drummond, Ricardo Tozzi e Taís Araújo – de “Cheias de Charme” (entre outros), e ainda Renata Sorrah, Murilo Benício, Lázaro Ramos e Luís Miranda, personificando uma mulher. Ou seja, o elenco escalado é excelente. O telespectador pode, a princípio, ter estranhado as expressões em inglês ou o excesso de nerds e tecnologia. Mas, passados dois meses da estreia, já houve tempo suficiente para o público se habituar com a “vibe” da produção.

Taís Araújo e Leadro Hassun (Foto: Divulgação/TV Globo)

Taís Araújo e Leandro Hassun (Foto: Divulgação/TV Globo)

Geração Brasil” tem um protagonista – Jonas Marra (Murilo Benício) – pouco cativante, sem carisma. A mulher dele, Pâmela (Cláudia Abreu), no início parecia uma americana boa-praça e engraçadinha. Mas, hoje, a personagem está aquém das reais possibilidades de Cláudia Abreu. Em cena, a atriz parece uma boneca falante. Megan Lily (Isabelle Drummond), pela caracterização anunciada, prometia ser a grande “bad girl” da trama (a perfeita B.I.T.C.H.). Mas ficou só no exagero da promessa: não passa de uma garota mimada.

Cláudia Abreu e Murilo Benício até funcionam em cena: o casal Marra poderia continuar apresentando seus programas juntos. Mas a coisa muda quando separados, cada qual com seu novo interesse amoroso. Não há química entre Cláudia Abreu e o inexpressivo Ricardo Tozzi. E nem entre o sisudo Jonas Marra e Verônica – Taís Araújo ótima, uma das poucas personagens da novela com alguma intensidade.

Renata Sorrah, que também muito prometia, ainda não aconteceu. Um talento desperdiçado em uma participação de luxo. Também Titina Medeiros (entendemos que não dá para ser Socorro, a “personal curica”, em toda novela). Lázaro Ramos está com um dos piores personagens da história. A proposta é ser um guru caricato… mas que tivesse alguma história interessante… ou que fosse ao menos engraçadinho.

Além de Taís Araújo, os únicos atores que levam alguma luz a “Geração Brasil” são cômicos. Luís Miranda, como Dorothy – principalmente quando ela cita sua amiga Sheila, personagem de humor que o ator fazia no show “Terça Insana”. Um encontro entre Dorothy e Sheila seria hilário (#dica). E Leandro Hassun – que a tudo remete a programas de humor fácil da Globo – se sobressai como o apaixonado sem noção Barata, que imita Jonas Marra para conquistar o coração de Verônica – brilhante a imitação que o ator fez de Murilo Benício no capítulo deste sábado (05/07).

É fato que os números de audiência subiram com a nova novela das sete. Mas ainda estão longe do que a emissora considera um sucesso. E longe do que se esperava do novo folhetim de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira. A proposta de “Geração Brasil” é diferente da de “Cheias de Charme” – nem cabe a comparação. Mas a novela atual não tem o brilho e a cor da anterior (não estou falando da estética), e nem o folhetim bem amarrado e redondinho. E nenhum charme.


Mesmo em período de Copa, “Geração Brasil” continua rendendo bons momentos
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Nilson Xavier

Murilo Benício, Humberto Carrão e Chandelly Braz em "Geração Brasil" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Murilo Benício, Humberto Carrão e Chandelly Braz em “Geração Brasil” (Foto: Divulgação/TV Globo)

Geração Brasil”, a novela das sete da Globo, aos poucos vai entrando nos trilhos. Achava-se que, com a estreia do reality-show “Concurso Geração Brasil”, a novela ia parar durante a Copa, focada apenas no concurso. Ledo engano. O reality-show dentro da trama, que se iniciou há algumas semanas, ganhou um novo fôlego com uma reviravolta: os finalistas Davi (Humberto Carrão) e Manuela (Chandelly Braz) querem ser os campeões juntos e, para isso, hackearam os computadores da Marra e propuseram ao chefão Jonas (Murilo Benício) uma saída: o aplicativo Filma-e, desenvolvido pela dupla, que faz com que os fãs do programa gravem vídeos curtos de acordo com desafios diários.

A final será dia 23 de junho. Como a novela terá curta duração durante os dias da Copa, nada mais criativo do que juntar um “reality-show de mentirinha” que se renova e ainda estimula a participação do público – já que o Filma-e está disponível para baixar e o telespectador pode mandar seus vídeos. A interatividade com o folhetim remete a “Cheias de Charme”, em que o vídeo das Empreguetes “bombou” na Internet antes mesmo de ser apresentado na novela.

Longe do frisson causado pela trama anterior da dupla Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, “Geração Brasil” ainda assim se mantem dentro do proposto, oferecendo uma história dinâmica, aliada à tecnologia e linguagem moderna, e que incita a participação do público. Mesmo tendo o período da Copa para melar o meio de campo.

Por um momento, cheguei a pensar que a novela iria passar a Copa inteira, exclusivamente, com o “Concurso Geração Brasil”. Mas não. A novela não parou no reality e as tramas paralelas seguem. Inclusive os romances extraconjugais do casal Marra: Jonas Marra (Murilo Benício) com Verônica (Taís Araújo) e Pamela Parker Marra (Cláudia Abreu) com Herval (Ricardo Tozzi). Para quem reclamou do coreano Shin Soo (o ótimo Rodrigo Pandolfo) – eu, inclusive – o personagem tem uma trama sim, e bastante interessante, o que o torna mais humano, perdendo a caricatura irritante inicial. Leandro Hassum, como Barata, o apaixonado por Verônica, também tem arrancado boas risadas.

Renata Sorrah – Gláucia Beatriz, a mãe interesseira de Jonas – vai ganhando espaço, ainda que comendo pelas beiradas. A participação da atriz na novela gerou uma expectativa maior do que foi apresentado até agora. Espera-se que Gláucia Beatriz possa render muito mais ainda. Lázaro Ramos tem arrancado bocejos com seu personagem Brian Benson, mas a morte de Maria Vergara (Débora Nascimento), juntamente com Alex Torres (Fiuk), tem tudo para criar desdobramentos mais interessantes para esse núcleo – que tem a seu favor a figura incrível de Dorothy Benson (Luís Miranda, excelente na personagem), mãe de Brian.

Li muitas críticas ao inglês falado durante a novela. São frases tão curtinhas, expressões apenas, que em nada prejudicam o texto ou compreensão da trama. Não vejo como um fator negativo, apenas como um enfeite, ou um chiste. Serve apenas para ilustrar e ambientar os personagens, que são americanos. Pior seria se cada expressão em inglês viesse seguida da tradução, como acontece com o italiano Giácomo de Antônio Fagundes na novela das seis, “Meu Pedacinho de Chão”.

Imagina na Copa! Para quem achava que “Geração Brasil” ia começar só depois da Copa, a novela continua rendendo bons momentos.


Vista como chata, Helena de “Em Família” ainda não caiu no gosto do público
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Nilson Xavier

Júlia Lemmertz como a Helena de "Em Família" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Júlia Lemmertz como a Helena de “Em Família” (Foto: Divulgação/TV Globo)

Passados quase dois meses de sua estreia, “Em Família” ainda não pegou, ou seja, não emplacou no gosto popular, nem em audiência nem em repercussão. Com primeira e segunda fases que só ficaram interessantes porque foram apressadas, a novela entrou na terceira parte da história na marcha lenta, quase marcha ré.  Focada na protagonista Helena nas duas primeiras partes da trama (vivida por Juliana Dalavia e, depois, por Bruna Marquezine), a história de “Em Família” agora cozinha sua personagem principal em banho-maria. Tudo o que a atual Helena (Júlia Lemmertz) faz é sofrer com a temeridade da aproximação do primo Laerte (Gabriel Braga Nunes), um amor do passado transformado em fantasma, que voltou para atormentá-la.

Ainda que suplantada por outras personagens secundárias – como Juliana (Vanessa Gerbelli), Marina (Tainá Miller), Clara (Giovanna Antonelli), Shirley (Vivianne Pasmanter) e Chica (Natália do Valle), que têm tramas próprias bem mais avançadas – Helena não é um problema da atriz. Júlia Lemmertz está ótima ao passar, com muita competência, toda a angústia de sua personagem. A atriz já teve excelentes diálogos, em cenas perfeitas, tanto com Bruna Marquezine (Luiza, a filha) quanto com Humberto Martins (Virgílio, o marido).

Mas está sendo pouco para a personagem símbolo das tramas de Manoel Carlos ganhar o coração do público. “Em Família” ainda está no início, tem tudo para que este quadro se reverta, mas, cobra-se mais agilidade na trama da protagonista. O público só se mostrou apático desse jeito diante de uma Helena de Manoel Carlos uma vez antes: na última, a vivida por Taís Araújo em “Viver a Vida”, em 2009. Nesta novela, Helena perdeu o título de protagonista para uma coadjuvante, quando os olhos de todos voltaram-se para o drama de Luciana (Alinne Moraes), a bela modelo que ficou tetraplégica após um acidente.

Cada Helena do autor tinha um drama pessoal suficiente forte para puxar a novela. Vamos relembrá-los:

Baila Comigo” (1981): No passado, Helena (Lílian Lemmertz) viu-se obrigada a entregar um dos filhos gêmeos recém-nascidos para o pai dos bebês, Quim (Raul Cortez), que foi morar no exterior, enquanto ela criou o outro menino – segredo este nunca revelado a ninguém. Anos mais tarde, Quim retornou com seu filho, João Vitor, já adulto. A novela toda sustentava-se na iminência dos gêmeos João Vitor e Quinzinho (vividos por Tony Ramos) se encontrarem e Helena ser descoberta.

Felicidade” (1991-1992): Helena (Maitê Proença) engravidou de seu grande amor, Álvaro (Tony Ramos), mas não teve como lhe revelar isso: ele casou-se com outra mulher, Débora (Vivianne Pasmanter). Desiludida, ela criou a filha Bia (Tatyane Goulart) sozinha, sem revelar a ninguém a paternidade da menina. Anos depois, Helena se reencontrou com Álvaro ao trabalhar para a mãe dele, e não conseguiu evitar a aproximação da filha com o garoto Alvinho (Eduardo Caldas), filho de Álvaro e Débora.

História de Amor” (1995-1996): Solitária, Helena (Regina Duarte) sente o interesse do médico Carlos (José Mayer) e não resiste a essa nova paixão, apesar de ele ser um homem comprometido, em um casamento em crise com a possessiva Paula (Carolina Ferraz). Carlos também despertou o interesse da jovem Joice (Carla Marins), a filha rebelde de Helena. Mas a censura da época não permitiu que a mãe disputasse com a filha o mesmo homem, por causa do horário da novela – seis da tarde.

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Por Amor” (1997-1998): Helena (Regina Duarte), num gesto extremo de abdicação à filha, Eduarda (Gabriela Duarte), entrega o filho recém-nascido para ela criar como se fosse o seu próprio, sem que ela saiba, já que o bebê de Eduarda, nascido na mesma hora e maternidade, estava morto. Assim, Helena vê seu filho sendo criado pela filha e é obrigada a tratá-lo como neto. Isso custou também sua relação com Atílio (Antônio Fagundes), pai do menino, que acreditou que o bebê nascera morto.

Laços de Família” (2000-2001): Primeiro Helena (Vera Fischer) abdica de sua paixão por Edu (Reynaldo Gianecchini) em prol da filha, Camila (Carolina Dieckmann), que apaixonou-se por ele (Manoel Carlos leva adiante nesta novela a trama primeiramente pensada para “História de Amor”). Depois, Helena, já vivendo um novo romance com outro homem, Miguel (Tony Ramos), abdica novamente de um amor por causa da filha, ao descobrir que Camila tem leucemia e que apenas uma doação compatível a salvaria: Helena decide engravidar do pai de Camila, Pedro (José Mayer), para que seu bebê possa ser o doador da filha. Isso lhe custa sua relação com Miguel.

Mulheres Apaixonadas” (2003): Helena (Christiane Torloni) começa a questionar seu casamento com Téo (Tony Ramos) quando descobre o paradeiro de uma antiga paixão, César (José Mayer). Para complicar ainda mais o casamento em crise, Helena começa a desconfiar de um caso de Téo com Fernanda (Vanessa Gerbelli). Na verdade, não há mais nada entre os dois, mas Lucas (Victor Curgula), filho adotivo de Helena e Téo, é fruto desse antigo caso, fato que Helena desconhecia.

Páginas da Vida” (2006-2007): A médica Helena (Regina Duarte) não consegue salvar a jovem Nanda (Fernanda Vasconcellos) em seu parto. Apenas os bebês gêmeos sobrevivem, A avó das crianças, Marta (Lília Cabral), leva o menino mas rejeita a menina, por ela ser portadora de Síndrome de Down. Helena resolve ela mesma criar a pequena Clara (Joana Mocarzel) como se fosse sua filha. Os anos passam e Helena terá que travar uma batalha na justiça pela guarda da garota, já que o pai dela, Léo (Thiago Rodrigues) vem reclamar a paternidade.

Viver a Vida” (2009-2010): Helena (Taís Araújo) é uma top model que largou a carreira no auge para casar-se com Marcos (José Mayer), separado de Tereza (Lília Cabral), que não se conforma com a separação. Quem também não aceita essa união é Luciana (Alinne Moraes), filha de Marcos, aspirante a modelo, rival de Helena na profissão. Em uma viagem no exterior, um acidente vitima Luciana, que interrompe o sonho de ser modelo porque ficou tetraplégica. Mas Helena se sente culpada pela tragédia, pois Tereza havia lhe confiado tomar conta de sua filha.

Em Família” (2014): Helena (Bruna Marquezine) era apaixonada desde a adolescência pelo primo, Laerte (Guilherme Leicam), que disputava a moça com Virgílio (Nando Rodrigues), também apaixonado por ela. Acusado de matar Virgílio, Laerte é preso no dia de seu casamento com Helena, mas logo inocentado, porque Virgílio é encontrado ainda com vida. Desiludida, Helena se casa com Virgílio enquanto Laerte vai embora para o exterior. Os anos passam e Laerte (Gabriel Braga Nunes) agora está de volta na vida de Helena (Júlia Lemmertz), já que ficou amigo de Luiza (Bruna Marquezine), filha dela e Virgílio (Humberto Martins). Helena nunca perdoou o primo pelo sofrimento causado no passado, e não o perdoará por esse interesse pela sua filha.

Ou seja, tudo o que a Helena de “Em Família” tem feito nessa terceira e definitiva fase é reclamar de Laerte – quando não está servindo de “escada” para os dramas dos outros personagens, como os papos com a mãe Chica (Natália do Valle) e com a irmã Clara (Giovanna Antonelli), ou a surra de cinto no irmão alcoólatra Felipe (Thiago Mendonça). De tanto alertar a filha Luiza (Bruna Marquezine) sobre Laerte, Helena já ganhou a antipatia do público.

Helena chata assim, só a de Taís Araújo em “Viver a Vida”, que passou a novela despercebida e perdeu o posto de protagonista para uma coadjuvante.


“Cobras e Lagartos” é a próxima reprise do “Vale a Pena Ver de Novo”
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Nilson Xavier

Taís Araújo e Lázaro Ramos como Ellen e Foguinho em “Cobras e Lagartos” (Foto: Divulgação/TV Globo)

A Globo finalmente conseguiu a liberação da novela “Cobras e Lagartos” para reprisar no “Vale as Pena Ver de Novo”, com classificação indicativa de 10 anos. Talvez alguns cortes sejam feitos, já que se alegava que a novela continha muitas cenas de violência.

Cobras e Lagartos” foi ao ar originalmente entre abril e novembro de 2006. Escrita por João Emanuel Carneiro (de “Avenida Brasil”), teve a direção geral de Wolf Maya. A novela fez sucesso e era uma das mais pedidas para reprisar na faixa vespertina da Globo.

Narra a história de Omar Pasquim (Francisco Cuoco), dono da Luxus, uma loja de departamentos de alto luxo. Ele está com os dias contados e quer saber qual de seus herdeiros merece sua fortuna. Entre tantos interesseiros, estão as sobrinhas Bel (Mariana Ximenes), alheia à fortuna do tio, e a sórdida Leona (Carolina Dieckmann). A fortuna de Omar vai parar por engano nas mãos de Daniel Miranda, conhecido como Foguinho (Lázaro Ramos), confundido com outro Daniel Miranda, o Duda (Daniel Oliveira), namorado de Bel. Foguinho é apaixonado pela carreirista Ellen (Taís Araújo), que passa a travar uma verdadeira batalha contra Leona pelo poder dentro da Luxus. No elenco também Marília Pêra (Milu Montini), Herson Capri (Otaviano), Henri Castelli (Estevão), Carmo Dalla Vecchia (Luciano/Martim), Cléo Pires (Letícia), e outros.

Os destaques no elenco foram Marília Pêra, que viveu a hilariante e irreverente perua falida Milú Montini, e Lázaro Ramos, estreando em novelas, na pele do carismático e empolgante Foguinho, que conquistou todo o público. Lázaro foi indicado ao Emmy (prêmio norte-americano, o “Óscar da televisão”) como melhor ator por sua interpretação na novela.

Uma curiosidade: o cineasta Walter Salles acusou o autor da novela de plagiar o roteiro de seu filme “Linha de Passe”. No filme, um motoboy tem uma namorada apaixonada por música clássica que toca flauta transversa. Na novela, Duda (Daniel Oliveira) seria um motoboy que toca flauta transversa, ou seja, fundiria características de dois personagens do filme. Além disso, o motoboy de “Cobras e Lagartos” se apaixona por uma violoncelista, assim como no filme.

Cobras e Lagartos” volta a partir de 5 de agosto, no “Vale a Pena Ver de Novo”, substituindo “O Profeta”.

Saiba mais sobre “Cobras e Lagartosno site Teledramaturgia.


“Cheias de Charme”: repercussão foi maior que a audiência
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Nilson Xavier

Cida, Penha, Rosário, Fabian e Chayeme (Foto: TV Globo)

Pense numa novela porreta!

Vereda Tropical
Virou lugar comum elogiar Cheias de Charme, a novela da Globo que terminou nesta sexta-feira (28/09). Marcada pelo humor, criatividade e originalidade, talvez o maior mérito da trama tenha sido trazer de volta ao horário das sete um modelo de novela que a Globo consagrou na década de 1980, mas que foi sendo alterado com o passar dos anos e há muito não se via mais no horário: a comédia que parodia os pequenos dramas humanos, através de personagens cativantes, tramas alegres intercaladas com o mais puro dramalhão. Foi um formato que começou a ser moldado com Cassiano Gabus Mendes e teve seu ápice com Silvio de Abreu e Carlos Lombardi, e a dupla de diretores Jorge Fernando e Guel Arraes (vide Elas por Elas, Guerra dos Sexos, Vereda Tropical, Ti-Ti-Ti, Cambalacho, Brega e Chique, Sassaricando, Bebê a Bordo e Que Rei Sou Eu?).

Elas por Elas
Adaptada para os dias de hoje – em que personagens ricos já não protagonizam mais novelas sozinhos -, a história de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira colocou três empregadas, cinderelas modernas, como estrelas às voltas com uma patroa fada madrinha, uma bruxa de desenho animado e sua fiel escudeira atrapalhada – respectivamente Penha (Taís Araújo), Rosário (Leandra Leal), Cida (Isabelle Drummond), Lygia (Malu Galli), Chayene (Cláudia Abreu ) e Socorro (Titina Medeiros ). Cada uma delas, dentro de seu drama ou humor, tinham trajetórias e sonhos diferentes. Esta foi a grande sacada dos autores: juntas deram margem a um leque de opções bastante abrangente afim de gerar identificação para uma gama maior de telespectadores.

Que Rei Sou Eu?
Há alguns anos, via-se a Internet como uma concorrente da TV aberta. Um fenômeno de repercussão, Cheias de Charme teve o mérito de aliar-se à sua concorrente, tirando proveito da Internet (Se não pode contra ele, junte-se a ele!). A novela foi pioneira na ação de transmedia (como o lançamento do clipe das Empreguetes primeiro na Internet, depois na novela), abusou da própria programação da casa (os personagens foram vistos no Caldeirão do Huck, Encontro, Mais Você, Domingão do Faustão e outros), na citação às outras novelas (teve até propaganda de Guerra dos Sexos no penúltimo capítulo), e no uso dos cantores da trilha, que se apresentaram com os personagens-cantores fictícios. Isso sem falar nos produtos licenciados lançados no rastro de seu sucesso – ainda que se lamente o fato da Globo não ter posto no mercado o CD com as músicas cantadas pelas Empreguetes, Chayene e Fabian, ou o DVD com os clipes e shows deles.

Brega e Chique
A indústria do entretenimento real misturou-se ao entretenimento da ficção. O colorido dos shows de technobrega inspiraram os cenógrafos, figurinistas e diretores de arte da novela. Nunca o “sou brega, mas tô na moda” esteve tanto em evidência. A identidade visual deu o tom que o roteiro exigia, encheu os olhos, e juntamente com a história – um conto de fadas moderno – criou a empatia necessária para cativar os telespectadores de todas as idades. Não por acaso, a novela conquistou o público infantil, inclusive.

Laércio, Socorro e Chayene (Foto: TV Globo)

Cambalacho
As grandes estrelas de Cheias de Charme foram Cláudia Abreu e (a revelação) Titina Medeiros, nas peles das vilãs Chayene, a cantora invejosa e sem noção, e sua fã Socorro, a personal-curica desastrada. Juntas, protagonizaram as mais divertidas cenas, em meio a confusões, chá de ferra-goela, escorregadas no português, troca de nomes (Rosalba, Roxana, Rosilda, Rosiranha), e expressões que caíram na boca do povo (como “curica” e “amadinha”).

Sassaricando
Em contrapartida, é difícil falar da novela e deixar de lado os entrechos românticos e dramáticos, muito bem amarrados pelo texto afiado dos autores. Taís Araújo e Malu Galli brilharam com suas personagens. Penha, a mais pé no chão das empreguetes, mulher do povo, batalhadora, às voltas com um marido malandro (Sandro, um dos melhores papeis de Marcos Palmeira). Lygia, do outro lado, representante das patroetes, mas igualmente uma batalhadora. Para completar, vilões bem defendidos por Tato Gabus Mendes (Sarmento) e Alexandra Richter (Sônia), e o lado romântico, com Cida (Isabelle Drummond), uma cinderela dividida entre um príncipe que era um sapo (Conrado, Jonatas Faro) e um sapo que era um príncipe (Elano, Humberto Carrão). Também Rosário de Leandra Leal – que chegou a ganhar a antipatia do público por preferir a carreira em detrimento ao amor ao lado de Inácio (Ricardo Tozzi – destaque também como o caricato Fabian).

Ti-Ti-Ti
Cheias de Charme não foi nenhum grande fenômeno no Ibope: sua média geral deve fechar em 30 pontos, o que é o esperado para o horário (a mesma média de Ti-Ti-Ti e Morde e Assopra, de 2010-2011). Mas este é um fenômeno das novelas atuais: Cheias de Charme e Avenida Brasil são a prova de que audiência e repercussão nem sempre andam juntas – apesar da enorme repercussão, os números são ótimos, mas não excelentes. Uns culpam o início do Horário Político. Talvez o caso de Cheias de Charme seja o reflexo do único ponto negativo que a novela teve: a perda de agilidade em sua narrativa após o sucesso das Empreguetes como cantoras. A novela ficou dividida em duas partes: antes da formação das Empreguetes e depois. Mal acostumado com a história ágil da novela, o público se viu de repente em meio a uma trama que se arrastou até o final e cansou alguns. Reviravoltas pontuais e o carisma de Chayene salvaram a novela de um estrago maior.

Bebê a Bordo
A próxima novela, Guerra dos Sexos, que estreia segunda-feira (01/10), terá a difícil missão de manter não somente a audiência de Cheias de Charme, mas também a sua repercussão. Guardadas as devidas proporções, comparei aqui a linha dramatúrgica de Cheias de Charme com a das novelas da década de 1980. Resta saber se a trama deste remake de Guerra dos Sexos é compatível com os dias atuais, em que as mulheres ocuparam muito do espaço que reivindicavam no passado. Hoje são até capazes de virar empreguetes estrelas da música popular.


Estreias das reprises de “Da Cor do Pecado” e “Felicidade” movimentam a TV e as redes sociais
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Nilson Xavier

Paco e Preta (Reynaldo Gianecchini e Taís Araújo) em “Da Cor do Pecado” (foto: TV Globo)

A tarde de segunda-feira (24/09) foi de estreias nostálgicas na TV. O Vale a Pena Ver de Novo da Globo voltou a reprisar a novela Da Cor do Pecado, de João Emanuel Carneiro (direção de núcleo de Denise Saraceni). Originalmente, ela foi ao ar em 2004 e já havia sido reprisada em 2007. Apesar dos vários protestos e reclamações de telespectadores que prefeririam assistir a uma reprise inédita – alguma novela não reprisada antes -, o primeiro capítulo de Da Cor do Pecado bombou no Twitter. Durante toda a apresentação da novela (entre 14h30 e 15h30) a hashtag #DaCorDoPecado esteve em primeiro lugar nos TT´s (os assuntos mais comentados do Twitter). Sinal de que repercutiu bem.

O primeiro capítulo da novela já mostrou os principais personagens e núcleos. Belas imagens do Maranhão serviram de cenário para o início de romance entre Paco e Preta (Reynaldo Gianecchini e Taís Araújo), embalado por canções da trilha sonora.

Já percebemos em Da Cor do Pecado similaridades com personagens que João Emanuel Carneiro usa hoje em sua novela Avenida Brasil: o casal de amantes Bárbara e Kaíke (Giovanna Antonelli e Tuca Andrada) pretende engabelar o ricaço Paco através de uma gravidez – de um filho deles, no caso. Tal qual Carminha e Max (Adriana Esteves e Marcello Novaes) em Avenida Brasil, que fizeram Tufão (Murilo Benício) acreditar que Ágata (Ana Karolina Lannes) era filha de Genésio (Tony Ramos). E a personagem de Karina Bacchi é uma versão amenizada da periguete Suelen (Ísis Valverde): ela escolhe qual dos Sardinhas namorar de acordo com o desempenho dos irmãos lutadores no tatame.

Mário e Helena (Herson Capri e Maitê Proença) em “Felicidade” (foto: TV Globo)

Assim que terminou o primeiro capítulo de Da Cor do Pecado, os noveleiros puderam trocar de canal a tempo de curtir a estreia da reprise de Felicidade, no Canal Viva. De autoria de Manoel Carlos (também direção de núcleo de Denise Saraceni), Felicidade é mais antiga que Da Cor do Pecado: foi ao ar em 1991 e teve uma reprise no Vale a Pena Ver de Novo em 1998.

Em capítulo com menos de uma hora de duração, foi apresentado os protagonistas vividos por Maitê Proença, Herson Capri, Tony Ramos e Vivianne Pasmanter (estreando em novelas). A cidadezinha mineira de Rochedo serviu de locação para a fictícia cidade da novela, Vila Feliz. Em outro núcleo, a ação se passou em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro. Também vale destacar nesta estreia as presenças das saudosas atrizes Ariclê Perez, Yara Côrtes e Marly Bueno.

O Viva (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo) fez uma grande campanha de lançamento para a estreia de Felicidade, que incluiu banners espalhados pela internet e até em shopping centers, além de uma ampla divulgação através de sua fanpage no Facebook e do perfil oficial do canal no Twitter.


“Cheias de Charme” perdeu seu charme inicial
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Nilson Xavier

O que terá acontecido a um dos maiores sucessos do ano da Globo? A novela das sete, Cheias de Charme - meses atrás considerada um fenômeno de repercussão -, entrou num círculo desinteressante que pode por abaixo todos os elogios conquistados. Definitivamente, não é a mesma novela dos primeiros meses. Não está mais tão charmosa.

A primeira parte da novela – que vai até o momento em que as empreguetes conquistam o sucesso como cantoras – foi um dos eventos mais deliciosos do horário nos últimos anos. A ascensão do trio de cantoras causou uma verdadeira comoção junto ao público, que vibrou com as histórias das protagonistas e se divertiu com a novela, suas cores e seus personagens.

Mas, passada esta fase, a sensação é que Cheias de Charme perdeu gás. Para evitar a barriga (aquele momento na novela em que nada acontece), os autores chegaram a usar o que chamei aqui no blog de “narrativa episódica”: dar destaque para alguma trama paralela durante um curto período para depois substituí-la por outra. Mas, há semanas que isso não tem mais funcionado desse jeito. O fato é que, depois do sucesso, as três empreguetes protagonistas perderam muito do brilho que tinham no começo da história.

Cida (Isabelle Drummond), depois de rica, caiu muito facilmente no conto de dois de seus algozes da primeira fase: passou a amar o antigo patrão que a desprezava, Sarmento (Tato Gabus Mendes), depois que descobriu que era filha dele, e não resistiu – mais uma vez – à lábia de Conrado (Jonatas Faro,) o príncipe-sapo. Os dois, à primeira vista regenerados, passaram a “amar” a empreguete depois que ela enriqueceu. Não dá para torcer por uma heroína tão ingênua. A não ser que os autores reservem uma grande virada na personalidade da empreguete.

Rosário (Leandra Leal), a responsável pela união das três cantoras, sempre foi a mais ambiciosa delas e agora segue a carreira-solo depois que o grupo se desfez. No momento, está às voltas com seus dois interesses amorosos, os sósias Fabian e Inácio (Ricardo Tozzi), que se alternam no posto de cantor-par dela – Inácio está se fazendo passar por Fabian depois que este teve o rosto desfigurado por Chayene (Cláudia Abreu). Mas esta é uma trama que já deu mais do que tinha dar, disfarçada pela quantidade de clipes românticos dos shows de Rosário e Fabian – o que dá aquela sensação de “encheção de linguiça”.

Penha (Taís Araújo) seguia um flerte até bem interessante com o Dr. Otto (Leopoldo Pacheco) e tinha a aprovação do público. Sua relação com a antiga patroa e agora amiga Lygia (Malu Galli) continua sendo uma trama bastante interessante dentro da novela. E promete render mais, quando Lygia descobrir que Penha está tendo um romance com Gilson (Marcos Pasquim), um antigo amor dela. Mas o romance entre Penha e Gilson não está colando. Nas mídias sociais, a torcida maior é por Penha e Dr. Otto juntos. Cida e Conrado também é um par que não agrada. Será que até o final da novela, Penha e Cida se decidem por Dr. Otto e Elano (Humberto Carrão)?

Enquanto as tramas das três empreguetes seguem barrigudas, Chayene parece ser a única que ainda brilha na novela e chama a atenção da audiência. As tiradas de Cláudia Abreu continuam divertidas e impagáveis. Em contrapartida, sua personal-curica Socorro (Titina Medeiros) está apagadinha. Aliás, Socorro é aquela personagem que melhor personaliza Cheias de Charme: começou vibrante mas foi murchando com o passar do tempo. Uma peninha.


“Cheias de Charme” usa narrativa episódica para evitar “barriga”
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Nilson Xavier

A pouco menos de dois meses de seu término, já se pode afirmar que Cheias de Charme é dividida em duas partes: antes e depois do sucesso das Empreguetes como cantoras. O nascimento e ascensão do grupo musical formado pelas três domésticas marcou a primeira fase da novela, a mais interessante, a que cativou o público e fidelizou a audiência.

Depois que Penha, Rosário e Cida (Taís Araújo, Leandra Leal e Isabelle Drummond) ficaram ricas, a novela mudou. Não que esteja menos interessante ou parada. Pelo contrário, as histórias seguem com novos entrechos explorando a atual condição do trio de protagonistas. Barriga – no jargão novelístico – é aquela fase da novela em que nada acontece, em que o telespectador sente que está sendo enrolado. Não é o caso de Cheias de Charme. Talvez a sensação de barriga possa acontecer porque a novela correu muito na primeira parte e acostumou mal o telespectador, que ficou viciado num ritmo e sente uma diferença quando a trama desacelera. É o que também ocorre com Avenida Brasil, às nove horas.

Mas vemos personagens de participação efetiva na primeira fase parecerem deslocados agora, ou em segundo plano. Falo de Chayene e sua personal curica Socorro (Cláudia Abreu e Titina Medeiros). Tirando o episódio do reality-show de Chayene, a participação das duas diminuiu, o que se lamenta, já que a dupla movimentou a novela até então, dando aquele sabor delicioso de comédia escrachada. Com Chayene e Socorro um tanto quanto apagadinhas, Cheias de Charme quase cai na simples comédia de situação, ou no melodrama – não fossem outros bons personagens e tramas que garantem o interesse pela história.

Percebe-se que os autores optaram por uma narrativa episódica nesta segunda fase. Primeiro a derrocada da família Sarmento – trama que continua evoluindo e sendo muito bem explorada, com a inversão de papeis: a empregada virou a patroa, e a patroa virou a empregada. Depois veio a falsa gravidez e o reality-show de Chayene. Na sequência, Samuel (Miguel Roncato) encontrou seu pai, Gilson (Marcos Pasquim), o que culminou com a descoberta de Lygia (Malu Galli) sobre a infidelidade do marido Alejandro (Pablo Bellini). Atualmente o foco está em Fabian, que treina o sósia Inácio (Ricardo Tozzi) para substituí-lo nos palcos (numa alusão ao clássico O Príncipe e o Plebeu).

Mirar a novela em subtramas que duram duas ou três semanas é um recurso válido para evitar uma barriguinha e assim manter a audiência e o interesse do público na novela. Cheias de Charme está assim, como um seriado, dividida em episódios. Como pano de fundo, as Empreguetes experimentam todo o prazer e dissabor do sucesso.


Globo reprisa novamente “Da Cor do Pecado” no Vale a Pena Ver de Novo
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Nilson Xavier

Para a Globo, vale a pena ver de novo e de novo. Pela terceira vez consecutiva, a Globo opta por reprisar na faixa Vale a Pena Ver de Novo uma novela já reapresentada anteriormente. Depois de Mulheres de Areia e Chocolate com Pimenta, é a vez de Da Cor do Pecado voltar à tarde. Entre as outras candidatas à vaga, estavam novelas nunca antes reprisadas, como Meu Bem Querer (1998-1999), O Beijo do Vampiro (2002-2003), O Profeta (2006-2007) e Páginas da Vida (2006-2007).

A escolha por Da Cor do Pecado talvez se explique pela repercussão que a trama teve, tanto na sua apresentação original (de janeiro a agosto de 2004) – foi uma das maiores audiências do horário das 19 horas da Globo -, quanto na sua reprise anterior à tarde (entre maio e novembro de 2007). Também pelo fato de João Emanuel Carneiro ser o autor – o mesmo que faz sucesso atualmente com Avenida Brasil, às 21 horas. E a protagonista é Taís Araújo, que no momento vive a empreguete Penha em Cheias de Charme, o sucesso das 19 horas. Também Da Cor do Pecado é um sucesso de exportação – uma das novelas brasileiras mais vendidas para o exterior.

A trama conta a história de Preta (Taís Araújo), que vai do Maranhão ao Rio de Janeiro fazer com que o milionário Afonso Lambertini (Lima Duarte) reconheça seu filho pequeno Raí (Sérgio Malheiros) como neto dele. O menino é filho de Paco (Reynaldo Gianecchini), o filho de Afonso, dado como morto. Para impedir isso, a vilã Bárbara (Giovanna Antonelli), que também afirma ter um filho com Paco (na verdade o menino Otávio/Felipe Latgé é filho de seu amante Kaíke/Tuca Andrada), arma mil tramoias para desmoralizar Preta, e assim impedir que a herança dos Lambertini seja dividida.

O que ninguém sabe é que Paco tem um irmão gêmeo, Apolo, que vive com a mãe Edilásia (Rosi Campos) e com seus irmãos. Ela tivera os gêmeos com Afonso, mas ficou apenas com Apolo para criar, deixando Paco com o pai. O núcleo de Edilásia – chamada por todos de Mamushka – fez sucesso com o público, pela relação carinhosa da mãezona com seus cinco filhos marmanjões – uma família de lutadores em que apenas o caçula, Aberlardo (Caio Blat), não queria seguir os passos dos irmãos, mas ser maquiador. Outros núcleos de destaque foram o de Pai Helinho (Matheus Nachtergaele), um vidente de araque, e o do casal de trapaceiros Eduardo e Verinha (Ney Latorraca e Maitê Proença).

Guardadas as devidas proporções, Da Cor do Pecado tem algumas semelhanças com Avenida Brasil. Também teve personagem abandonado no lixão – Bárbara é largada lá no dia de seu casamento, vestida de noiva. E a dupla de vilões Bárbara e Kaíke tem as mesmas características de Caminha e Max (Adriana Esteves e Marcello Novaes).

Da Cor do Pecado foi a primeira novela solo de João Emanuel Carneiro, escrita com a colaboração de Ângela Carneiro, Vincent Villari e Vinícius Vianna, sob a supervisão de texto de Silvio de Abreu (35 primeiros capítulos). Direção de Maria de Médicis, Paulo Silvestrini, Denise Saraceni e Luiz Henrique Rios. Direção de núcleo de Denise Saraceni.
Estreia em 24 de setembro no Vale a Pena Ver de Novo.

Saiba mais sobre Da Cor do Pecado no site Teledramaturgia.

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