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Arquivo : Taís Araújo

Vista como chata, Helena de “Em Família” ainda não caiu no gosto do público
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Nilson Xavier

Júlia Lemmertz como a Helena de "Em Família" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Júlia Lemmertz como a Helena de “Em Família” (Foto: Divulgação/TV Globo)

Passados quase dois meses de sua estreia, “Em Família” ainda não pegou, ou seja, não emplacou no gosto popular, nem em audiência nem em repercussão. Com primeira e segunda fases que só ficaram interessantes porque foram apressadas, a novela entrou na terceira parte da história na marcha lenta, quase marcha ré.  Focada na protagonista Helena nas duas primeiras partes da trama (vivida por Juliana Dalavia e, depois, por Bruna Marquezine), a história de “Em Família” agora cozinha sua personagem principal em banho-maria. Tudo o que a atual Helena (Júlia Lemmertz) faz é sofrer com a temeridade da aproximação do primo Laerte (Gabriel Braga Nunes), um amor do passado transformado em fantasma, que voltou para atormentá-la.

Ainda que suplantada por outras personagens secundárias – como Juliana (Vanessa Gerbelli), Marina (Tainá Miller), Clara (Giovanna Antonelli), Shirley (Vivianne Pasmanter) e Chica (Natália do Valle), que têm tramas próprias bem mais avançadas – Helena não é um problema da atriz. Júlia Lemmertz está ótima ao passar, com muita competência, toda a angústia de sua personagem. A atriz já teve excelentes diálogos, em cenas perfeitas, tanto com Bruna Marquezine (Luiza, a filha) quanto com Humberto Martins (Virgílio, o marido).

Mas está sendo pouco para a personagem símbolo das tramas de Manoel Carlos ganhar o coração do público. “Em Família” ainda está no início, tem tudo para que este quadro se reverta, mas, cobra-se mais agilidade na trama da protagonista. O público só se mostrou apático desse jeito diante de uma Helena de Manoel Carlos uma vez antes: na última, a vivida por Taís Araújo em “Viver a Vida”, em 2009. Nesta novela, Helena perdeu o título de protagonista para uma coadjuvante, quando os olhos de todos voltaram-se para o drama de Luciana (Alinne Moraes), a bela modelo que ficou tetraplégica após um acidente.

Cada Helena do autor tinha um drama pessoal suficiente forte para puxar a novela. Vamos relembrá-los:

Baila Comigo” (1981): No passado, Helena (Lílian Lemmertz) viu-se obrigada a entregar um dos filhos gêmeos recém-nascidos para o pai dos bebês, Quim (Raul Cortez), que foi morar no exterior, enquanto ela criou o outro menino – segredo este nunca revelado a ninguém. Anos mais tarde, Quim retornou com seu filho, João Vitor, já adulto. A novela toda sustentava-se na iminência dos gêmeos João Vitor e Quinzinho (vividos por Tony Ramos) se encontrarem e Helena ser descoberta.

Felicidade” (1991-1992): Helena (Maitê Proença) engravidou de seu grande amor, Álvaro (Tony Ramos), mas não teve como lhe revelar isso: ele casou-se com outra mulher, Débora (Vivianne Pasmanter). Desiludida, ela criou a filha Bia (Tatyane Goulart) sozinha, sem revelar a ninguém a paternidade da menina. Anos depois, Helena se reencontrou com Álvaro ao trabalhar para a mãe dele, e não conseguiu evitar a aproximação da filha com o garoto Alvinho (Eduardo Caldas), filho de Álvaro e Débora.

História de Amor” (1995-1996): Solitária, Helena (Regina Duarte) sente o interesse do médico Carlos (José Mayer) e não resiste a essa nova paixão, apesar de ele ser um homem comprometido, em um casamento em crise com a possessiva Paula (Carolina Ferraz). Carlos também despertou o interesse da jovem Joice (Carla Marins), a filha rebelde de Helena. Mas a censura da época não permitiu que a mãe disputasse com a filha o mesmo homem, por causa do horário da novela – seis da tarde.

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Por Amor” (1997-1998): Helena (Regina Duarte), num gesto extremo de abdicação à filha, Eduarda (Gabriela Duarte), entrega o filho recém-nascido para ela criar como se fosse o seu próprio, sem que ela saiba, já que o bebê de Eduarda, nascido na mesma hora e maternidade, estava morto. Assim, Helena vê seu filho sendo criado pela filha e é obrigada a tratá-lo como neto. Isso custou também sua relação com Atílio (Antônio Fagundes), pai do menino, que acreditou que o bebê nascera morto.

Laços de Família” (2000-2001): Primeiro Helena (Vera Fischer) abdica de sua paixão por Edu (Reynaldo Gianecchini) em prol da filha, Camila (Carolina Dieckmann), que apaixonou-se por ele (Manoel Carlos leva adiante nesta novela a trama primeiramente pensada para “História de Amor”). Depois, Helena, já vivendo um novo romance com outro homem, Miguel (Tony Ramos), abdica novamente de um amor por causa da filha, ao descobrir que Camila tem leucemia e que apenas uma doação compatível a salvaria: Helena decide engravidar do pai de Camila, Pedro (José Mayer), para que seu bebê possa ser o doador da filha. Isso lhe custa sua relação com Miguel.

Mulheres Apaixonadas” (2003): Helena (Christiane Torloni) começa a questionar seu casamento com Téo (Tony Ramos) quando descobre o paradeiro de uma antiga paixão, César (José Mayer). Para complicar ainda mais o casamento em crise, Helena começa a desconfiar de um caso de Téo com Fernanda (Vanessa Gerbelli). Na verdade, não há mais nada entre os dois, mas Lucas (Victor Curgula), filho adotivo de Helena e Téo, é fruto desse antigo caso, fato que Helena desconhecia.

Páginas da Vida” (2006-2007): A médica Helena (Regina Duarte) não consegue salvar a jovem Nanda (Fernanda Vasconcellos) em seu parto. Apenas os bebês gêmeos sobrevivem, A avó das crianças, Marta (Lília Cabral), leva o menino mas rejeita a menina, por ela ser portadora de Síndrome de Down. Helena resolve ela mesma criar a pequena Clara (Joana Mocarzel) como se fosse sua filha. Os anos passam e Helena terá que travar uma batalha na justiça pela guarda da garota, já que o pai dela, Léo (Thiago Rodrigues) vem reclamar a paternidade.

Viver a Vida” (2009-2010): Helena (Taís Araújo) é uma top model que largou a carreira no auge para casar-se com Marcos (José Mayer), separado de Tereza (Lília Cabral), que não se conforma com a separação. Quem também não aceita essa união é Luciana (Alinne Moraes), filha de Marcos, aspirante a modelo, rival de Helena na profissão. Em uma viagem no exterior, um acidente vitima Luciana, que interrompe o sonho de ser modelo porque ficou tetraplégica. Mas Helena se sente culpada pela tragédia, pois Tereza havia lhe confiado tomar conta de sua filha.

Em Família” (2014): Helena (Bruna Marquezine) era apaixonada desde a adolescência pelo primo, Laerte (Guilherme Leicam), que disputava a moça com Virgílio (Nando Rodrigues), também apaixonado por ela. Acusado de matar Virgílio, Laerte é preso no dia de seu casamento com Helena, mas logo inocentado, porque Virgílio é encontrado ainda com vida. Desiludida, Helena se casa com Virgílio enquanto Laerte vai embora para o exterior. Os anos passam e Laerte (Gabriel Braga Nunes) agora está de volta na vida de Helena (Júlia Lemmertz), já que ficou amigo de Luiza (Bruna Marquezine), filha dela e Virgílio (Humberto Martins). Helena nunca perdoou o primo pelo sofrimento causado no passado, e não o perdoará por esse interesse pela sua filha.

Ou seja, tudo o que a Helena de “Em Família” tem feito nessa terceira e definitiva fase é reclamar de Laerte – quando não está servindo de “escada” para os dramas dos outros personagens, como os papos com a mãe Chica (Natália do Valle) e com a irmã Clara (Giovanna Antonelli), ou a surra de cinto no irmão alcoólatra Felipe (Thiago Mendonça). De tanto alertar a filha Luiza (Bruna Marquezine) sobre Laerte, Helena já ganhou a antipatia do público.

Helena chata assim, só a de Taís Araújo em “Viver a Vida”, que passou a novela despercebida e perdeu o posto de protagonista para uma coadjuvante.


“Cobras e Lagartos” é a próxima reprise do “Vale a Pena Ver de Novo”
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Nilson Xavier

Taís Araújo e Lázaro Ramos como Ellen e Foguinho em “Cobras e Lagartos” (Foto: Divulgação/TV Globo)

A Globo finalmente conseguiu a liberação da novela “Cobras e Lagartos” para reprisar no “Vale as Pena Ver de Novo”, com classificação indicativa de 10 anos. Talvez alguns cortes sejam feitos, já que se alegava que a novela continha muitas cenas de violência.

Cobras e Lagartos” foi ao ar originalmente entre abril e novembro de 2006. Escrita por João Emanuel Carneiro (de “Avenida Brasil”), teve a direção geral de Wolf Maya. A novela fez sucesso e era uma das mais pedidas para reprisar na faixa vespertina da Globo.

Narra a história de Omar Pasquim (Francisco Cuoco), dono da Luxus, uma loja de departamentos de alto luxo. Ele está com os dias contados e quer saber qual de seus herdeiros merece sua fortuna. Entre tantos interesseiros, estão as sobrinhas Bel (Mariana Ximenes), alheia à fortuna do tio, e a sórdida Leona (Carolina Dieckmann). A fortuna de Omar vai parar por engano nas mãos de Daniel Miranda, conhecido como Foguinho (Lázaro Ramos), confundido com outro Daniel Miranda, o Duda (Daniel Oliveira), namorado de Bel. Foguinho é apaixonado pela carreirista Ellen (Taís Araújo), que passa a travar uma verdadeira batalha contra Leona pelo poder dentro da Luxus. No elenco também Marília Pêra (Milu Montini), Herson Capri (Otaviano), Henri Castelli (Estevão), Carmo Dalla Vecchia (Luciano/Martim), Cléo Pires (Letícia), e outros.

Os destaques no elenco foram Marília Pêra, que viveu a hilariante e irreverente perua falida Milú Montini, e Lázaro Ramos, estreando em novelas, na pele do carismático e empolgante Foguinho, que conquistou todo o público. Lázaro foi indicado ao Emmy (prêmio norte-americano, o “Óscar da televisão”) como melhor ator por sua interpretação na novela.

Uma curiosidade: o cineasta Walter Salles acusou o autor da novela de plagiar o roteiro de seu filme “Linha de Passe”. No filme, um motoboy tem uma namorada apaixonada por música clássica que toca flauta transversa. Na novela, Duda (Daniel Oliveira) seria um motoboy que toca flauta transversa, ou seja, fundiria características de dois personagens do filme. Além disso, o motoboy de “Cobras e Lagartos” se apaixona por uma violoncelista, assim como no filme.

Cobras e Lagartos” volta a partir de 5 de agosto, no “Vale a Pena Ver de Novo”, substituindo “O Profeta”.

Saiba mais sobre “Cobras e Lagartosno site Teledramaturgia.


“Cheias de Charme”: repercussão foi maior que a audiência
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Nilson Xavier

Cida, Penha, Rosário, Fabian e Chayeme (Foto: TV Globo)

Pense numa novela porreta!

Vereda Tropical
Virou lugar comum elogiar Cheias de Charme, a novela da Globo que terminou nesta sexta-feira (28/09). Marcada pelo humor, criatividade e originalidade, talvez o maior mérito da trama tenha sido trazer de volta ao horário das sete um modelo de novela que a Globo consagrou na década de 1980, mas que foi sendo alterado com o passar dos anos e há muito não se via mais no horário: a comédia que parodia os pequenos dramas humanos, através de personagens cativantes, tramas alegres intercaladas com o mais puro dramalhão. Foi um formato que começou a ser moldado com Cassiano Gabus Mendes e teve seu ápice com Silvio de Abreu e Carlos Lombardi, e a dupla de diretores Jorge Fernando e Guel Arraes (vide Elas por Elas, Guerra dos Sexos, Vereda Tropical, Ti-Ti-Ti, Cambalacho, Brega e Chique, Sassaricando, Bebê a Bordo e Que Rei Sou Eu?).

Elas por Elas
Adaptada para os dias de hoje – em que personagens ricos já não protagonizam mais novelas sozinhos -, a história de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira colocou três empregadas, cinderelas modernas, como estrelas às voltas com uma patroa fada madrinha, uma bruxa de desenho animado e sua fiel escudeira atrapalhada – respectivamente Penha (Taís Araújo), Rosário (Leandra Leal), Cida (Isabelle Drummond), Lygia (Malu Galli), Chayene (Cláudia Abreu ) e Socorro (Titina Medeiros ). Cada uma delas, dentro de seu drama ou humor, tinham trajetórias e sonhos diferentes. Esta foi a grande sacada dos autores: juntas deram margem a um leque de opções bastante abrangente afim de gerar identificação para uma gama maior de telespectadores.

Que Rei Sou Eu?
Há alguns anos, via-se a Internet como uma concorrente da TV aberta. Um fenômeno de repercussão, Cheias de Charme teve o mérito de aliar-se à sua concorrente, tirando proveito da Internet (Se não pode contra ele, junte-se a ele!). A novela foi pioneira na ação de transmedia (como o lançamento do clipe das Empreguetes primeiro na Internet, depois na novela), abusou da própria programação da casa (os personagens foram vistos no Caldeirão do Huck, Encontro, Mais Você, Domingão do Faustão e outros), na citação às outras novelas (teve até propaganda de Guerra dos Sexos no penúltimo capítulo), e no uso dos cantores da trilha, que se apresentaram com os personagens-cantores fictícios. Isso sem falar nos produtos licenciados lançados no rastro de seu sucesso – ainda que se lamente o fato da Globo não ter posto no mercado o CD com as músicas cantadas pelas Empreguetes, Chayene e Fabian, ou o DVD com os clipes e shows deles.

Brega e Chique
A indústria do entretenimento real misturou-se ao entretenimento da ficção. O colorido dos shows de technobrega inspiraram os cenógrafos, figurinistas e diretores de arte da novela. Nunca o “sou brega, mas tô na moda” esteve tanto em evidência. A identidade visual deu o tom que o roteiro exigia, encheu os olhos, e juntamente com a história – um conto de fadas moderno – criou a empatia necessária para cativar os telespectadores de todas as idades. Não por acaso, a novela conquistou o público infantil, inclusive.

Laércio, Socorro e Chayene (Foto: TV Globo)

Cambalacho
As grandes estrelas de Cheias de Charme foram Cláudia Abreu e (a revelação) Titina Medeiros, nas peles das vilãs Chayene, a cantora invejosa e sem noção, e sua fã Socorro, a personal-curica desastrada. Juntas, protagonizaram as mais divertidas cenas, em meio a confusões, chá de ferra-goela, escorregadas no português, troca de nomes (Rosalba, Roxana, Rosilda, Rosiranha), e expressões que caíram na boca do povo (como “curica” e “amadinha”).

Sassaricando
Em contrapartida, é difícil falar da novela e deixar de lado os entrechos românticos e dramáticos, muito bem amarrados pelo texto afiado dos autores. Taís Araújo e Malu Galli brilharam com suas personagens. Penha, a mais pé no chão das empreguetes, mulher do povo, batalhadora, às voltas com um marido malandro (Sandro, um dos melhores papeis de Marcos Palmeira). Lygia, do outro lado, representante das patroetes, mas igualmente uma batalhadora. Para completar, vilões bem defendidos por Tato Gabus Mendes (Sarmento) e Alexandra Richter (Sônia), e o lado romântico, com Cida (Isabelle Drummond), uma cinderela dividida entre um príncipe que era um sapo (Conrado, Jonatas Faro) e um sapo que era um príncipe (Elano, Humberto Carrão). Também Rosário de Leandra Leal – que chegou a ganhar a antipatia do público por preferir a carreira em detrimento ao amor ao lado de Inácio (Ricardo Tozzi – destaque também como o caricato Fabian).

Ti-Ti-Ti
Cheias de Charme não foi nenhum grande fenômeno no Ibope: sua média geral deve fechar em 30 pontos, o que é o esperado para o horário (a mesma média de Ti-Ti-Ti e Morde e Assopra, de 2010-2011). Mas este é um fenômeno das novelas atuais: Cheias de Charme e Avenida Brasil são a prova de que audiência e repercussão nem sempre andam juntas – apesar da enorme repercussão, os números são ótimos, mas não excelentes. Uns culpam o início do Horário Político. Talvez o caso de Cheias de Charme seja o reflexo do único ponto negativo que a novela teve: a perda de agilidade em sua narrativa após o sucesso das Empreguetes como cantoras. A novela ficou dividida em duas partes: antes da formação das Empreguetes e depois. Mal acostumado com a história ágil da novela, o público se viu de repente em meio a uma trama que se arrastou até o final e cansou alguns. Reviravoltas pontuais e o carisma de Chayene salvaram a novela de um estrago maior.

Bebê a Bordo
A próxima novela, Guerra dos Sexos, que estreia segunda-feira (01/10), terá a difícil missão de manter não somente a audiência de Cheias de Charme, mas também a sua repercussão. Guardadas as devidas proporções, comparei aqui a linha dramatúrgica de Cheias de Charme com a das novelas da década de 1980. Resta saber se a trama deste remake de Guerra dos Sexos é compatível com os dias atuais, em que as mulheres ocuparam muito do espaço que reivindicavam no passado. Hoje são até capazes de virar empreguetes estrelas da música popular.


Estreias das reprises de “Da Cor do Pecado” e “Felicidade” movimentam a TV e as redes sociais
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Nilson Xavier

Paco e Preta (Reynaldo Gianecchini e Taís Araújo) em “Da Cor do Pecado” (foto: TV Globo)

A tarde de segunda-feira (24/09) foi de estreias nostálgicas na TV. O Vale a Pena Ver de Novo da Globo voltou a reprisar a novela Da Cor do Pecado, de João Emanuel Carneiro (direção de núcleo de Denise Saraceni). Originalmente, ela foi ao ar em 2004 e já havia sido reprisada em 2007. Apesar dos vários protestos e reclamações de telespectadores que prefeririam assistir a uma reprise inédita – alguma novela não reprisada antes -, o primeiro capítulo de Da Cor do Pecado bombou no Twitter. Durante toda a apresentação da novela (entre 14h30 e 15h30) a hashtag #DaCorDoPecado esteve em primeiro lugar nos TT´s (os assuntos mais comentados do Twitter). Sinal de que repercutiu bem.

O primeiro capítulo da novela já mostrou os principais personagens e núcleos. Belas imagens do Maranhão serviram de cenário para o início de romance entre Paco e Preta (Reynaldo Gianecchini e Taís Araújo), embalado por canções da trilha sonora.

Já percebemos em Da Cor do Pecado similaridades com personagens que João Emanuel Carneiro usa hoje em sua novela Avenida Brasil: o casal de amantes Bárbara e Kaíke (Giovanna Antonelli e Tuca Andrada) pretende engabelar o ricaço Paco através de uma gravidez – de um filho deles, no caso. Tal qual Carminha e Max (Adriana Esteves e Marcello Novaes) em Avenida Brasil, que fizeram Tufão (Murilo Benício) acreditar que Ágata (Ana Karolina Lannes) era filha de Genésio (Tony Ramos). E a personagem de Karina Bacchi é uma versão amenizada da periguete Suelen (Ísis Valverde): ela escolhe qual dos Sardinhas namorar de acordo com o desempenho dos irmãos lutadores no tatame.

Mário e Helena (Herson Capri e Maitê Proença) em “Felicidade” (foto: TV Globo)

Assim que terminou o primeiro capítulo de Da Cor do Pecado, os noveleiros puderam trocar de canal a tempo de curtir a estreia da reprise de Felicidade, no Canal Viva. De autoria de Manoel Carlos (também direção de núcleo de Denise Saraceni), Felicidade é mais antiga que Da Cor do Pecado: foi ao ar em 1991 e teve uma reprise no Vale a Pena Ver de Novo em 1998.

Em capítulo com menos de uma hora de duração, foi apresentado os protagonistas vividos por Maitê Proença, Herson Capri, Tony Ramos e Vivianne Pasmanter (estreando em novelas). A cidadezinha mineira de Rochedo serviu de locação para a fictícia cidade da novela, Vila Feliz. Em outro núcleo, a ação se passou em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro. Também vale destacar nesta estreia as presenças das saudosas atrizes Ariclê Perez, Yara Côrtes e Marly Bueno.

O Viva (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo) fez uma grande campanha de lançamento para a estreia de Felicidade, que incluiu banners espalhados pela internet e até em shopping centers, além de uma ampla divulgação através de sua fanpage no Facebook e do perfil oficial do canal no Twitter.


“Cheias de Charme” perdeu seu charme inicial
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Nilson Xavier

O que terá acontecido a um dos maiores sucessos do ano da Globo? A novela das sete, Cheias de Charme - meses atrás considerada um fenômeno de repercussão -, entrou num círculo desinteressante que pode por abaixo todos os elogios conquistados. Definitivamente, não é a mesma novela dos primeiros meses. Não está mais tão charmosa.

A primeira parte da novela – que vai até o momento em que as empreguetes conquistam o sucesso como cantoras – foi um dos eventos mais deliciosos do horário nos últimos anos. A ascensão do trio de cantoras causou uma verdadeira comoção junto ao público, que vibrou com as histórias das protagonistas e se divertiu com a novela, suas cores e seus personagens.

Mas, passada esta fase, a sensação é que Cheias de Charme perdeu gás. Para evitar a barriga (aquele momento na novela em que nada acontece), os autores chegaram a usar o que chamei aqui no blog de “narrativa episódica”: dar destaque para alguma trama paralela durante um curto período para depois substituí-la por outra. Mas, há semanas que isso não tem mais funcionado desse jeito. O fato é que, depois do sucesso, as três empreguetes protagonistas perderam muito do brilho que tinham no começo da história.

Cida (Isabelle Drummond), depois de rica, caiu muito facilmente no conto de dois de seus algozes da primeira fase: passou a amar o antigo patrão que a desprezava, Sarmento (Tato Gabus Mendes), depois que descobriu que era filha dele, e não resistiu – mais uma vez – à lábia de Conrado (Jonatas Faro,) o príncipe-sapo. Os dois, à primeira vista regenerados, passaram a “amar” a empreguete depois que ela enriqueceu. Não dá para torcer por uma heroína tão ingênua. A não ser que os autores reservem uma grande virada na personalidade da empreguete.

Rosário (Leandra Leal), a responsável pela união das três cantoras, sempre foi a mais ambiciosa delas e agora segue a carreira-solo depois que o grupo se desfez. No momento, está às voltas com seus dois interesses amorosos, os sósias Fabian e Inácio (Ricardo Tozzi), que se alternam no posto de cantor-par dela – Inácio está se fazendo passar por Fabian depois que este teve o rosto desfigurado por Chayene (Cláudia Abreu). Mas esta é uma trama que já deu mais do que tinha dar, disfarçada pela quantidade de clipes românticos dos shows de Rosário e Fabian – o que dá aquela sensação de “encheção de linguiça”.

Penha (Taís Araújo) seguia um flerte até bem interessante com o Dr. Otto (Leopoldo Pacheco) e tinha a aprovação do público. Sua relação com a antiga patroa e agora amiga Lygia (Malu Galli) continua sendo uma trama bastante interessante dentro da novela. E promete render mais, quando Lygia descobrir que Penha está tendo um romance com Gilson (Marcos Pasquim), um antigo amor dela. Mas o romance entre Penha e Gilson não está colando. Nas mídias sociais, a torcida maior é por Penha e Dr. Otto juntos. Cida e Conrado também é um par que não agrada. Será que até o final da novela, Penha e Cida se decidem por Dr. Otto e Elano (Humberto Carrão)?

Enquanto as tramas das três empreguetes seguem barrigudas, Chayene parece ser a única que ainda brilha na novela e chama a atenção da audiência. As tiradas de Cláudia Abreu continuam divertidas e impagáveis. Em contrapartida, sua personal-curica Socorro (Titina Medeiros) está apagadinha. Aliás, Socorro é aquela personagem que melhor personaliza Cheias de Charme: começou vibrante mas foi murchando com o passar do tempo. Uma peninha.


“Cheias de Charme” usa narrativa episódica para evitar “barriga”
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Nilson Xavier

A pouco menos de dois meses de seu término, já se pode afirmar que Cheias de Charme é dividida em duas partes: antes e depois do sucesso das Empreguetes como cantoras. O nascimento e ascensão do grupo musical formado pelas três domésticas marcou a primeira fase da novela, a mais interessante, a que cativou o público e fidelizou a audiência.

Depois que Penha, Rosário e Cida (Taís Araújo, Leandra Leal e Isabelle Drummond) ficaram ricas, a novela mudou. Não que esteja menos interessante ou parada. Pelo contrário, as histórias seguem com novos entrechos explorando a atual condição do trio de protagonistas. Barriga – no jargão novelístico – é aquela fase da novela em que nada acontece, em que o telespectador sente que está sendo enrolado. Não é o caso de Cheias de Charme. Talvez a sensação de barriga possa acontecer porque a novela correu muito na primeira parte e acostumou mal o telespectador, que ficou viciado num ritmo e sente uma diferença quando a trama desacelera. É o que também ocorre com Avenida Brasil, às nove horas.

Mas vemos personagens de participação efetiva na primeira fase parecerem deslocados agora, ou em segundo plano. Falo de Chayene e sua personal curica Socorro (Cláudia Abreu e Titina Medeiros). Tirando o episódio do reality-show de Chayene, a participação das duas diminuiu, o que se lamenta, já que a dupla movimentou a novela até então, dando aquele sabor delicioso de comédia escrachada. Com Chayene e Socorro um tanto quanto apagadinhas, Cheias de Charme quase cai na simples comédia de situação, ou no melodrama – não fossem outros bons personagens e tramas que garantem o interesse pela história.

Percebe-se que os autores optaram por uma narrativa episódica nesta segunda fase. Primeiro a derrocada da família Sarmento – trama que continua evoluindo e sendo muito bem explorada, com a inversão de papeis: a empregada virou a patroa, e a patroa virou a empregada. Depois veio a falsa gravidez e o reality-show de Chayene. Na sequência, Samuel (Miguel Roncato) encontrou seu pai, Gilson (Marcos Pasquim), o que culminou com a descoberta de Lygia (Malu Galli) sobre a infidelidade do marido Alejandro (Pablo Bellini). Atualmente o foco está em Fabian, que treina o sósia Inácio (Ricardo Tozzi) para substituí-lo nos palcos (numa alusão ao clássico O Príncipe e o Plebeu).

Mirar a novela em subtramas que duram duas ou três semanas é um recurso válido para evitar uma barriguinha e assim manter a audiência e o interesse do público na novela. Cheias de Charme está assim, como um seriado, dividida em episódios. Como pano de fundo, as Empreguetes experimentam todo o prazer e dissabor do sucesso.


Globo reprisa novamente “Da Cor do Pecado” no Vale a Pena Ver de Novo
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Nilson Xavier

Para a Globo, vale a pena ver de novo e de novo. Pela terceira vez consecutiva, a Globo opta por reprisar na faixa Vale a Pena Ver de Novo uma novela já reapresentada anteriormente. Depois de Mulheres de Areia e Chocolate com Pimenta, é a vez de Da Cor do Pecado voltar à tarde. Entre as outras candidatas à vaga, estavam novelas nunca antes reprisadas, como Meu Bem Querer (1998-1999), O Beijo do Vampiro (2002-2003), O Profeta (2006-2007) e Páginas da Vida (2006-2007).

A escolha por Da Cor do Pecado talvez se explique pela repercussão que a trama teve, tanto na sua apresentação original (de janeiro a agosto de 2004) – foi uma das maiores audiências do horário das 19 horas da Globo -, quanto na sua reprise anterior à tarde (entre maio e novembro de 2007). Também pelo fato de João Emanuel Carneiro ser o autor – o mesmo que faz sucesso atualmente com Avenida Brasil, às 21 horas. E a protagonista é Taís Araújo, que no momento vive a empreguete Penha em Cheias de Charme, o sucesso das 19 horas. Também Da Cor do Pecado é um sucesso de exportação – uma das novelas brasileiras mais vendidas para o exterior.

A trama conta a história de Preta (Taís Araújo), que vai do Maranhão ao Rio de Janeiro fazer com que o milionário Afonso Lambertini (Lima Duarte) reconheça seu filho pequeno Raí (Sérgio Malheiros) como neto dele. O menino é filho de Paco (Reynaldo Gianecchini), o filho de Afonso, dado como morto. Para impedir isso, a vilã Bárbara (Giovanna Antonelli), que também afirma ter um filho com Paco (na verdade o menino Otávio/Felipe Latgé é filho de seu amante Kaíke/Tuca Andrada), arma mil tramoias para desmoralizar Preta, e assim impedir que a herança dos Lambertini seja dividida.

O que ninguém sabe é que Paco tem um irmão gêmeo, Apolo, que vive com a mãe Edilásia (Rosi Campos) e com seus irmãos. Ela tivera os gêmeos com Afonso, mas ficou apenas com Apolo para criar, deixando Paco com o pai. O núcleo de Edilásia – chamada por todos de Mamushka – fez sucesso com o público, pela relação carinhosa da mãezona com seus cinco filhos marmanjões – uma família de lutadores em que apenas o caçula, Aberlardo (Caio Blat), não queria seguir os passos dos irmãos, mas ser maquiador. Outros núcleos de destaque foram o de Pai Helinho (Matheus Nachtergaele), um vidente de araque, e o do casal de trapaceiros Eduardo e Verinha (Ney Latorraca e Maitê Proença).

Guardadas as devidas proporções, Da Cor do Pecado tem algumas semelhanças com Avenida Brasil. Também teve personagem abandonado no lixão – Bárbara é largada lá no dia de seu casamento, vestida de noiva. E a dupla de vilões Bárbara e Kaíke tem as mesmas características de Caminha e Max (Adriana Esteves e Marcello Novaes).

Da Cor do Pecado foi a primeira novela solo de João Emanuel Carneiro, escrita com a colaboração de Ângela Carneiro, Vincent Villari e Vinícius Vianna, sob a supervisão de texto de Silvio de Abreu (35 primeiros capítulos). Direção de Maria de Médicis, Paulo Silvestrini, Denise Saraceni e Luiz Henrique Rios. Direção de núcleo de Denise Saraceni.
Estreia em 24 de setembro no Vale a Pena Ver de Novo.

Saiba mais sobre Da Cor do Pecado no site Teledramaturgia.

Cite novelas que você gostaria de rever no Vale a Pena Ver de Novo!


Recorde de audiência de “Cheias de Charme” comprova: é a melhor novela das sete dos últimos anos
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Nilson Xavier

O capítulo desta segunda-feira (25/06) de Cheias de Charme não teve nada de excepcional ou bombástico – o ponto alto foi a premiação das Empreguetes num show. Mas apesar disso, a novela bateu seu recorde de audiência. A meta no Ibope para o horário é de 30 pontos – cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo – e Cheias de Charme cravou 36 pontos nesta segunda, com 59% de participação.

A novela das sete da Globo já é um fenômenos de audiência. E não dá nem para estabelecer uma comparação com as anteriores no horário. A última novela a atingir uma média de 30 pontos até o capítulo 60 foi Sete Pecados, em 2007. E essa novela não é nem considerada um grande sucesso da Globo. De lá para cá, se passaram cinco anos, com uma vertiginosa queda na audiência da TV, em todos os horários. Ou seja, não serve nem para estabelecer um parâmetro de julgamento comparativo, seja por popularidade ou qualidade.

O fato é que a novela de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira conquistou sua audiência definitivamente. E a tendência é – no mínimo – de continuar no mesmo patamar. A história cativou todos os públicos – e não somente a “nova classe C”, a que se vê retratada na história das três domésticas que viram cantoras famosas. O recorde de audiência de Cheias de Charme comprova: já é a melhor novela das sete horas da Globo dos últimos anos.

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Não tem como não se divertir com essa trama tão bem costurada, alto astral, colorida e que nos remete às deliciosas comédias das sete dos anos 80. Cada empregada é diferente entre si não por acaso, justamente para fisgar um leque maior de telespectadores. Penha (Taís Araújo como há tempos não víamos na TV) é a mais pé no chão das três, a que lida melhor com a realidade, a que sonha com uma vida melhor para ela e sua família. Cida (Isabelle Drummond) é a Cinderela que sonha com o amor romântico. E Rosário (Leandra Leal) talvez seja a mais ambiciosa: sonha com o sucesso. São três focos nos quais todos projetam seus desejos e ambições, seus sonhos.

E para completar, uma vilã de história em quadrinhos, divertida, exagerada, e que sempre se dá mal em suas vilanias. A Chayene de Cláudia Abreu é a cereja desse bolo que conclui as razões para o sucesso de Cheias de Charme. Completando os destaques no elenco, está Titina Medeiros, como a engraçada Socorro, cupincha de Chayene. Há muito o público do horário das sete ansiava por uma atração que divertisse e fizesse sonhar ao mesmo tempo. Cheias de Charme é entretenimento do melhor.


“Cheias de Charme” prova que a telenovela pode se reciclar
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Nilson Xavier

O lançamento na Internet do vídeo musical das domésticas da novela Cheias de Charme causou um verdadeiro frisson nas redes sociais. No início da semana, as “empreguetes” Rosário, Penha e Cida (Leandra Leal, Taís Araújo e Isabelle Drummond) gravaram o vídeo caseiro na mansão de Chayene (Cláudia Abreu), aproveitando que ela estava fora num show. Durante a semana, a novela fez suspense sobre o tal vídeo, que “vazou” no capítulo de sábado (19/05). O videoclipe das Empreguetes marca a grande virada na trama e dá início à ascensão do trio de domésticas no mundo da música.

O tão esperado capítulo, não por acaso, foi o de maior ibope que a novela já teve num sábado, dia em que a audiência da TV aberta é sempre menor. Na trama, a ótima e divertida Socorro (Titina Medeiros) – fã incondicional de Chayene – entrega um CD para a cantora assistir ao tal videoclipe que as empreguetes gravaram em sua casa. Chayene assiste a tudo horrorizada, enquanto o vídeo musical, já na rede, se espalha viralmente. A Globo disponibilizou o vídeo no momento exato em que o capítulo terminou. O link imediatamente foi divulgado pelas redes sociais e bastou um minuto para que o acesso ficasse sobrecarregado, impossibilitando a sua visualização – “baleiou” como se diz no jargão internético.

A música é tipo chiclete, gruda na cabeça, mas a letra é divertida e o vídeo, de caseiro não tem nada, pelo contrário, é uma produção de primeira, com uma edição bem trabalhada, apresentando as três atrizes muito à vontade. Com figurinos e cenários exagerados, coloridos e alegres, aproveitou-se todo o aparato cênico disponível na mansão de Chayene.

A televisão já entendeu que a Internet nunca vai substituí-la, pelo contrário, pode ser uma aliada poderosa. A maior prova disso é a infinidade de opções que os sites de novelas apresentam ao público como extensão da própria TV. Também o combo televisão + Internet, que mudou a maneira de se assistir TV, principalmente através das redes sociais, como o Twitter. E a identificação do telespectador internauta fica ainda maior quando a própria televisão reverencia a Internet.

A Teledramaturgia Brasileira, em 60 anos de história, sempre acompanhou a evolução da sociedade. Em minha opinião, este é o principal motivo pelo qual o formato nunca tenha se extinguido. Tem ainda muito fôlego para tudo que possa vir, basta se reciclar sempre. Cheias de Charme é o maior exemplo disso.

Assista ao vídeo AQUI.
Letra da música Vida de Empreguete: ”Globo divulga videoclipe caseiro das empreguetes de Cheias de Charme”


“Cheias de Charme” é chanchada contemporânea
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Nilson Xavier

Existem muitas semelhanças entre Avenida Brasil e Cheias de Charme – novela de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira que estreou nesta segunda, 16/04, às sete da noite. É inegável o apelo popular de ambas, e elas chegam mesmo a ficar muito parecidas em algumas sequências, repetindo cenários, ambientações e tipos humanos. Mas existe uma diferença gritante: enquanto Avenida Brasil nos apresenta um drama urbano baseado na tragédia clássica, com pitadas de humor, Cheias de Charme é a mais pura chanchada melodramática.

As chanchadas do cinema nacional – filmes, geralmente musicais, de humor popularesco e ingênuo – fizeram sucesso entre as décadas de 1930 e 1950. Cheias de Charme é assim, uma chanchada urbana contemporânea. Um melodrama (“melos”, do grego música, + drama) caricato, feito não apenas para agradar a “nova classe C” – a atual menina dos olhos da TV brasileira –, mas a todos os públicos.

E o primeiro capítulo já deu o tom da novela: apresentou as três “empreguetes” protagonistas (Taís Araújo, Leandra Leal e Isabelle Drummond) – pobres, sonhadoras, cada uma com suas características e dramas – em contraponto com a vilã Chayene, a poderosa cantora technobrega que promete balançar a novela nos próximos seis, sete meses. Cláudia Abreu foi o grande destaque dessa estreia – ainda que tenha aparecido em poucas cenas -, personificando a caricatura das musas de um estilo musical em que o exagero mexe com o imaginário popular.

E é no imaginário popular que Cheias de Charme se apoia. A estreia foi ágil, agradável, divertida. Promete.


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