Blog do Nilson Xavier

Arquivo : Trilha sonora

Globo falha por não lançar CD com músicas dos personagens de “Cheias de Charme”
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Nilson Xavier

Empreguetes (foto: TV Globo)

Nesta terça-feira (26), em entrevista ao programa Mais Você (de Ana Maria Braga), a atriz Cláudia Abreu – a Chayene da novela Cheias de Charme – afirmou alto e em bom som:

“Acho que foi uma pena não terem lançado um CD com as músicas cantadas na novela, como ‘Vida de Empreguete’, ‘Vida de Patroete’. Tem que ter um CD, um DVD com os clipes das músicas…”.

Esta é uma solicitação do público da novela desde que a trama começou. E a Globo desperdiçou uma ótima oportunidade em faturar com produtos audiovisuais em cima da repercussão de Cheias de Charme. A novela termina essa semana, e é um tanto quanto tarde lançar somente agora um CD com as músicas dos personagens-cantores, ou DVD com seus clipes. Se CDs ou DVDs tivessem sido lançados no auge do sucesso do folhetim, o aproveitamento teria sido bem maior.

O SBT tira vantagem do sucesso de sua novela Carrossel com o lançamento de produtos licenciados (mochilas, cadernos e artigos escolares em geral, álbuns de figurinhas, bonecas e outros brinquedos, CDs e DVDs). A Record faz o mesmo com a marca Rebelde. É algo que a Globo deveria ter pensado já na concepção de sua novela.

Não sei se existe algum impedimento mercadológico ou estratégico para a Globo neste sentido. Não vou discorrer sobre a crise no mercado fonográfico. Tampouco comparar a Som Livre (que comercializa as trilhas sonoras da emissora) de hoje com antigamente – quando cada trama tinha pelo menos duas trilhas lançadas DURANTE A EXIBIÇÃO DA NOVELA, e não ao final, como vem ocorrendo frequentemente nos últimos anos (isso quando mais de uma trilha é lançada).

Se Cheias de Charme usou o máximo que pôde de divulgação dentro dos próprios programas da Globo, e foi a novela que melhor fez uso da Internet a seu favor, faltou apenas a emissora tirar vantagem do potencial musical de sua novela.

Concordamos com a amadinha Chayene: foi uma pena não terem lançado um CD com as músicas cantadas na novela, ou um DVD com os clipes das músicas. Quem sabe ainda sai… semana que vem…

Algumas das músicas cantadas pelos personagens de Cheias de Charme:

Chayene (foto: TV Globo)

“Xote da Brabuleta (Voa Voa Voa Brabuleta)” – Chayene;
“Vida de Patroete” – Chayene;
“Vida de Empreguete” – Empreguetes;
“Marias Brasileiras” – Empreguetes;
“Forró das Curicas” – Empreguetes;
“Nosso Brilho” – Empreguetes;
“Chalalá” – Rosário;
“Amor Sem Fim” – Rosário;
“Só Me Vejo Contigo (Quando a Gente Briga)” – Rosário e Fabian;
“Vou Matar Esse Amor Dentro de Mim” – Rosário e Fabian;
“Impossível Acreditar que Perdi Você” – Fabian;
“Cheia de Charme” – Fabian;
“Se Você Me Der” – Chayene e Fabian;
“Chora Me Liga”  – Chayene.


Trilha de “Gabriela” traz músicas da versão original e aumenta a sensação de “déjà vu”
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Nilson Xavier

A novela Gabriela é uma produção de encher os olhos, bonita esteticamente falando, com direção de arte, figurinos e cenários deslumbrantes às vezes. Vide o Bataclan, suas meninas e shows à la Moulin Rouge. O ritmo é bom – não é uma trama lenta, tampouco ágil demais.

Mas existe uma sensação de déjà vu no ar. De “já vi isso antes”. Assisti à Gabriela original – a de 1975, com Sônia Braga – em 1989, numa reprise à tarde. É sabido que esta novela foi um marco em nossa teledramaturgia. Portanto, comparações são inevitáveis. Deixemos de lado a performance do elenco e se Juliana Paes está bem ou não no papel que era de Sônia Braga.

A história é a mesma, com os mesmos tipos de personagens, afinal a fonte inspiradora é o mesmo romance de Jorge Amado. A ambientação também é a mesma – com exceção dos cenários atuais, bem mais elaborados – como a casa de Ramiro Bastos ou o próprio Bataclan. Desconsideremos um ou outro núcleo que não existia nos anos 70 – com o de Lindinalva (Giovanna Lancellotti). A Ilhéus da década de 1920 é a mesmíssima, com o mesmo clima.

Hoje, além da mesma história com os mesmos personagens, a sensação de déjà vu é intensificada pela trilha sonora, que repete as músicas emblemáticas feitas especialmente para a novela dos anos 70 e que ainda permanecem no imaginário popular. Fosse uma trilha totalmente nova, talvez Gabriela 2012 surtisse um outro efeito no ar. A novela atual mostra a força e a importância da trilha sonora para uma obra dramatúrgica.

A trilha desta nova Gabriela traz nove canções do disco original. Além do tema de abertura, Modinha para Gabriela – de Dorival Caymmi, cantada por Gal Costa – , tem:
Filho da Bahia – de Walter Queiroz, primeiro sucesso da carreira de Fafá de Belém;
Alegre Menina – música de Jorge Amado e Dorival Caymmi, na voz de outro então iniciante: Djavan;
Coração Ateu - com Maria Bethânia;
Caravana – de Geraldo Azevedo e Alceu Valença, interpretada por Geraldo Azevedo;
São Jorge dos Ilhéus – de Alceu Valença;
Guitarra Baiana – de Moraes Moreira;
Retirada – de Elomar;
Porto – de Dori Caymmi, com o MPB4.

As demais músicas da trilha são:
Tema de Amor de Gabriela – de Tom Jobim, com ele e Banda Nova;
Você Não Me Ensinou a Te Esquecer – de Fernando Mendes, cantada por Caetano Veloso;
Morena – com Mu Chebabi;
Lamento Sertanejo – de Gilberto Gil e Dominguinhos, interpretada por Elba Ramalho e Dominguinhos;
Flor da Noite – de Celso Fonseca e Ronaldo Bastos, interpretada por eles e Nana Caymmi;
Depois Cura – com Mart´nália;
Aura de Glória – com João Bosco e Aldir Blanc, cantada por João Bosco.

Conheça AQUI a trilha da Gabriela 1975.

Observação: este não é um texto crítico, mas um texto informativo. Não estou criticando a trilha sonora da novela. Pelo contrário, gosto muito deste “déjà vu”!