Blog do Nilson Xavier

Arquivo : Tufão

“Avenida Brasil”: uma tragédia grega no subúrbio carioca
Comentários 157

Nilson Xavier

O Divino é aqui

Muito já foi falado e muito já se especulou sobre o fenômeno da repercussão de Avenida Brasil, a novela que terminou na sexta-feira (19/10). Não existe uma resposta apenas. Costumo dizer que esse sucesso todo se deve a uma soma de fatores muito positivos. Não vou discorrer sobre o que já foi fartamente discutido, sobre o que todos já sabem. É lógico que Avenida Brasil tinha uma direção espetacular – cinematográfica, em cenas, tomadas e fotografia – e de elenco – um grupo de atores brilhantes que, aliados ao bom texto, deram vida a vários personagens carismáticos e de forte apelo popular.

Avenida Brasil é um exemplo raro de nossa televisão da “novela certa na hora certa”. Não houve na história recente deste país uma telenovela que aproveitou tão bem a situação socioeconômica para refletir na tela um retrato pitoresco de nossa realidade contemporânea. Pode-se dizer que o fictício bairro do Divino é um microcosmo do Brasil e foi responsável por toda essa catarse que levou diariamente milhões de brasileiros à frente da TV e que repercutiu nas ruas e na Internet. Mais uma vez – como em poucos exemplos em nossa Teledramaturgia – o brasileiro se viu refletido na telenovela.

A “nova classe C” retratada na trama fisgou todas as classes. Como em um jogo de certo ou errado, o autor brincou com as nuances simbólicas de ricos e pobres, elaborando uma crítica social muito pertinente, seja através da grã-fina da Zona Sul que faz pouco caso da figura do suburbano, ou no velho-pobre novo-rico que zomba do velho elitismo. Da língua ferina de Verônica (Débora Bloch) ouvimos todo o discurso preconceituoso contra pobres que as regras do politicamente correto nos brecam. Ao mesmo tempo em que Carminha (Adriana Esteves) debochou ao fazer pouco caso dos pratos refinados da chef Nina (que ganhou um apelido pejorativo: Maria Antonieta), e do intelectualismo tardio de Tufão (Murilo Benício) – que lia livros indicados por Nina (Débora Falabella).

“TV vs. Internet” ou “TV + Internet”?

A telenovela sempre acompanhou a evolução da sociedade, seja apresentando temas da ordem do dia, seja aglutinando as novas tecnologias que foram surgindo, ou aliando-se a elas. A Internet já foi vista como um bicho-papão da televisão (como outrora se acreditou que a TV seria uma ameaça para o cinema). Com Avenida Brasil ficou mais do que provado que a Internet pode ser uma aliada da telenovela. Se antigamente a novela em tempo real era discutida apenas no âmbito familiar, hoje em dia ela tem o poder de unir todas as famílias para acompanhar juntas as emoções e discutir em tempo real o que acontece na telinha.

Avenida Brasil foi a primeira novela coqueluche da Internet. Que o digam os memes referenciando a trama, a cascata diária de “oioiois” no Twitter e as inúmeras charges engraçadinhas no Facebook. Hoje já não se espera mais o dia seguinte para comentar a novela com o vizinho. É tudo em “real time”, como se o telespectador fosse à janela gritar para os vizinhos o que achou de determinada cena. Avenida Brasil conseguiu reunir todas as noites milhões de brasileiros, ávidos em compartilhar opiniões, em um mesmo sofá, virtual. Os números do Ibope ainda interessam ao mercado. Mas a repercussão na Internet tem uma função maior: é formadora de opinião, tão influenciável quanto os velhos “group discussions” entre donas de casa organizados pelas emissoras.

Perda de agilidade e furos

Como se para atender a todos os públicos, Avenida Brasil reuniu vários estilos de dramaturgia em só produto. Transgrediu a fórmula do folhetim clássico ao apresentar uma história de vingança em detrimento a uma história de amor. Apresentou uma heroína torta, de personalidade dúbia: Nina foi capaz de roubar e enganar para atingir seus objetivos. A estética da novela a aproximou do cinema. A linguagem narrativa fez lembrar os seriados americanos. Os ganchos bombásticos cativaram e mantiveram o telespectador preso à trama – ainda não existe melhor maneira de fidelizar a audiência.

O ritmo alucinante da primeira metade de Avenida Brasil assustou o público: “uau, que novela é essa?”. Lamenta-se apenas que a trama tenha perdido o fôlego na segunda metade para o final. Não houve “barriga” (aquele parte da novela em que nada acontece), haja vista os ganchos sempre fortes. Mas a história começou a dar voltas, a patinar, a enrolar o público. Foi quando se deflagrou o maior problema da novela: Nina ignorou métodos modernos de armazenamento de informações (naquela história toda do pendrive) e atitudes incoerentes e furos no roteiro não passaram despercebidos nem pelo telespectador mais distraído.

“É tudo culpa da Riiita”, diria Carminha. É culpa do roteiro, disseram os telespectadores. É culpa das mídias sociais, que não deixam escapar nada, diriam os donos da novela. A legião apaixonada de fãs de Avenida Brasil não perdoa quando se sente subestimada. A internet tem esse poder: derruba uma obra com a mesma força que enaltece.

O último capítulo

A história de Avenida Brasil terminou na semana em que Nina foi vingada (através de Max) e Carminha foi expulsa da mansão de Tufão. Pelo menos a história apresentada desde o início da novela, a da vingança de Nina contra Carminha. Pena que Nina não esteve de corpo presente na sequência em que Carminha caiu em desgraça. Nina acendeu a pólvora e Max levou o pavio para explodir na casa de Tufão.

A última semana de Avenida Brasil serviu como epílogo da novela. Com uma semana para terminar, vimos novos entrechos virem à tona. O assassinato de Max explicou a origem dos personagens do lixão e os elos que os ligavam. O batido clichê do assassinato incomodou. Mas, na realidade, saber quem matou Max foi apenas o pano de fundo para explicar a origem da “família Lixão”.

De repente, Carminha despiu-se de suas roupas brancas (a máscara havia caído, ela não tinha mais a quem enganar, podia vestir cores escuras tal qual sua alma) e começou a agir de uma forma que não estávamos acostumados. Aquela não era a velha Carminha, arrogante, má, despudorada, debochada, que havia conquistado fãs. Causou estranhamento. Principalmente quando ela começou a dar indícios de que havia se regenerado. É quando aparece um novo vilão: Santiago (um Juca de Oliveira muitos tons acima) – um falso Gepeto que sugeria ter molestado o Pinóquio.

O último capítulo desconcertou quem esperava o retorno da Carminha má e o gran finale entre Nina e a megera. A princípio, pareceu pouco criativo, ou lógico demais, Carminha ter salvado Tufão e Nina da morte e se revelado a assassina de Max. Mas o tom de tragédia grega – que o autor mesclou tão bem com a caricatura do suburbano brasileiro – pedia um desfecho digno de toda esta resignação de Carminha. O autor não fez dela uma mártir, do tipo que salva a vida do amado se pondo em frente da bala. Nem lhe reservou a insanidade mental para justificar seus atos. Ou simplesmente a trancafiou em uma cela para dar a história por terminada. Carminha cumpriu pena, voltou para o lixão e teve o embate final com Nina. Sem gritaria e palavrões. Apenas com o olhar atravessado das relações mal resolvidas.


“Avenida Brasil” bate recorde de audiência semanal
Comentários 43

Nilson Xavier

Avenida Brasil bateu seu recorde de audiência para um capítulo de sábado: prévia de 42 pontos no Ibope (cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo), em 06/10. A semana que passou registrou ainda a maior audiência semanal que a novela teve. Veja os números:

Seg 45 – Ter 42 – Qua 43 – Qui 46 – Sex 43 – Sab 42 = 43,5

Faltando apenas duas semanas para o seu término, apesar de toda a repercussão, Avenida Brasil ainda não bateu a audiência da trama antecessora no horário, Fina Estampa (que fechou com uma média geral de 39 pontos). Mas, ao que tudo indica, Avenida Brasil pode chegar lá. Até o momento sua média geral é 38 pontos.

No capítulo deste sábado, Carminha (Adriana Esteves) descobriu que Max (Marcello Novaes) está vivo. Para se vingar da megera, ele a amarrou no canil, entregou uma caixa para Ivana (Letícia Isnard) e saiu da mansão do Divino mandando uma banana para a família de Tufão (Murilo Benício), enquanto Ivana descobria as fotos de Carminha e Max.

O capítulo de segunda-feira promete!


TOP 10 DE NOVELAS: Pais e filhos apaixonados pela mesma mulher
Comentários 9

Nilson Xavier

Um novo triângulo amoroso promete agitar ainda mais a trama de Avenida Brasil: Tufão que ama Nina que ama Jorginho. Será que pai e filho disputarão o amor da mesma mulher?

Relembramos aqui outros casos de pai e filho que lutaram pela mesma paixão.

10º lugar: O JULGAMENTO (Tupi, 1976)
O estopim do ódio velado entre Lourenço Paixão (Cláudio Corrêa e Castro) e seu filho mais velho Dimas (Carlos Zara) foi a paixão repentina do velho pela bela Sônia (Eva Wilma), a amada do rapaz. Lourenço acabou assassinado. Teria sido seu filho o assassino? Este era o mote central dessa novela da Tupi da década de 1970.

9º lugar: UM HOMEM MUITO ESPECIAL (Band, 1980)
O Conde Drácula (Rúbens de Falco) deixa a Transilvânia e vem para o Brasil à procura de seu filho Rafael (Carlos Alberto Riccelli). Reencontra o filho, mas se apaixona pela mulher dele, Mariana (Bruna Lombardi), que acredita ser a reencarnação de seu único amor no passado.

“O Julgamento”, “Um Homem Muito Especial”, “O Astro”

8º lugar: O ASTRO (Globo, 2011)
Salomão Hayalla (Daniel Filho) era um homem duro, que vivia um casamento infeliz com a mulher infiel, Clô (Regina Duarte), até que se apaixonou por uma funcionária, Lili (Alinne Moraes), sem desconfiar que ela era namorada de seu filho Márcio (Thiago Fragoso). Também acabou assassinado. Não pelo filho, mas pela mulher.

7º lugar: XICA DA SILVA (Manchete, 1996-1997)
Dona Micaela (Teresa Sequerra) vivia os horrores de um casamento infeliz com Thomaz Cabral (Carlos Alberto), um homem rude e violento. Mas não resistiu à paixão pelo filho dele, Luís Felipe (Fernando Eiras). Para a felicidade do casal, o velho morreu. E para a infelicidade, a filha mais velha do morto, a pérfida Violante (Drica Moraes), descobriu tudo e passou a torturar Dona Micaela.

6º lugar: AMOR COM AMOR SE PAGA (Globo, 1984)
O sovina Nonô Correia (Ary Fontoura) aceita a mão da bela e jovem Mariana (Cláudia Ohana) para saldar uma dívida do pai da moça. Mas quando ela conhece o filho dele, Tomaz (Edson Celulari), o triângulo está formado.

“Xica da Silva”, “Amor com Amor se Paga”, “Direito de Amar”

5º lugar: DIREITO DE AMAR (Globo, 1987)
Da mesma forma que o caso acima, o poderoso banqueiro Sr. de Montserrat (Carlos Vereza) propõe a um devedor que se case com a filha dele em perdão da dívida. Mas mesmo antes de conhecer seu futuro marido, a jovem Rosália apaixonou-se por Adriano (Lauro Corona), sem imaginar que ele era filho do Sr. de Montserrat.

4º lugar: ESCRITO NAS ESTRELAS (Globo, 2010)
A morte prematura de Daniel (Jayme Matarazzo) acaba por aproximar o pai dele, Dr. Ricardo Aguillar (Humberto Martins), da jovem Viviane (Nathalia Dill), sem que o médico saiba que ela fora a amada de seu filho. Apaixonado por Viviane, Ricardo nem desconfia que o espírito do filho esteja a rodeá-lo, formando um triângulo amoroso que transcende a vida.

3º lugar: FORÇA DE UM DESEJO (Globo, 1999-2000)
O Barão Henrique Sobral (Reginaldo Faria) se casa com a bela cortesã Ester Dellamare (Malu Mader) e a leva para viver em sua fazenda. Mas ela não imaginava que ele fosse pai de Inácio (Fábio Assunção), por quem fora apaixonada. O convívio faz reascender a antiga paixão. Mas o barão acaba assassinado na mesma noite em que Inácio e Ester fogem para viver juntos.

“Renascer”, “Força de um Desejo”, “Escrito nas Estrelas”

2º lugar: RENASCER (Globo, 1993)
As desavenças entre o Coronel Zé Inocêncio (Antônio Fagundes) e seu filho caçula João Pedro (Marcos Palmeira) só aumentam quando o pai conquista e se casa com a namorada do filho, a bela Mariana (Adriana Esteves). Mas estaria ela verdadeiramente apaixonada pelo velho coronel, ou seria parte de um plano de vingança?

1º lugar: AVENIDA BRASIL (Globo, 2012)
Tufão (Murilo Benício) se declarou para Nina (Débora Falabella). O ex-jogador está completamente apaixonado pela empregada. Nina e Jorginho (Cauã Reymond) ficaram em uma situação conflitante. A família de Tufão o apoiará? E Carminha (Adriana Esteves) deixará isso barato? Nina usará Tufão como mais uma arma para seu plano de vingança? Avenida Brasil volta a esquentar em sua reta final.


Início da vingança de Nina faz “Avenida Brasil” bater seu recorde semanal de audiência
Comentários 11

Nilson Xavier

Com a vingança de Nina (Débora Falabella), iniciada há uma semana, a novela Avenida Brasil bateu seu recorde de audiência semanal: 41,5. Veja os números diários da semana que passou (pontos no Ibope, cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo).

Segunda: 45 | Terça: 45 | Quarta: 42 | Quinta: 42 | Sexta: 41 | Sábado: 34 = 41,5.

O recorde anterior era de 40 pontos, atingido na semana entre 18 e 23 de junho. Foi quando Carminha (Adriana Esteves) armou um barraco no salão de cabeleireiros de Monalisa (Heloísa Périssé) ao flagrá-la com Tufão (Murilo Benício). E Max (Marcello Novaes) planejou o assalto à casa de Tufão, em que Janaína (Cláudia Missura) descobriu que Lúcio (Emiliano D´Avilla) era o assaltante.

Nesta semana, a insistência de Nina em humilhar Carminha acabou por incomodar alguns telespectadores, cansados com os gritos da empregada e a passividade de Carminha diante da chantagem dela. Na sexta-feira configurou-se uma reviravolta, quando Carminha prendeu Nina no banheiro e fugiu atrás de ajuda. A megera foi parar na festa de casamento de Roni (Daniel Rocha Azevedo ) e Suellen (Ísis Valverde), mas desmaiou e Nina foi buscá-la.

Enquanto isso, Tufão foi avisado de que Carminha não estava nada bem, e nos próximos capítulos, a família toda deve retornar à mansão do Divino. Nina dará prosseguimento à sua vingança e Carminha continuará cedendo à sua chantagem. Nina fará todos pensarem que Carminha enlouqueceu.

A repercussão da novela também foi recorde nas redes sociais. Avenida Brasil bombou no Twitter e hashtags (palavras-chave) relacionadas à novela estiveram diariamente entre os Trending Topics (os assuntos mais comentados). O Facebook foi invadido com charges engraçadinhas envolvendo a trama e personagens.

Esta interatividade entre o público, Internet e televisão não passa despercebida pela Globo. O site da novela promoveu uma enquete para saber quem o público gostaria de ver “congelado no cinza” (aquele efeito do final dos capítulos) – já que geralmente apenas os protagonistas são os que congelam. Os telespectadores foram surpreendidos na quinta-feira quando a empregada Zezé (Cacau Protásio) ficou congelada. Sábado foi a vez de Janaína encerrar o capítulo. Aguardamos o congelamento de Ágata (Anna Karolina Lannes) e Adauto (Juliano Cazarré)!


Tramas e personagens de “Avenida Brasil” lembram Nelson Rodrigues
Comentários 17

Nilson Xavier

João Emanuel Carneiro já afirmou que sua inspiração para os personagens e tramas de Avenida Brasil vem da literatura. Na novela existem referências a Dostoievski, Charles Dickens e Alexandre Dumas, entre outros escritores. A literatura também está presente de uma forma mais explícita: através dos livros que Nina (Debora Falabella) dá para Tufão (Murilo Benício) ler, a fim de que ele abra sua cabeça e desperte para as coisas que acontecem ao seu redor. O ex-craque já leu de Kafka e Flaubert a Brás Cubas, Eça de Queiroz e Machado de Assis. Essa semana, duas tramas que ganharam destaque apontam uma nova fonte de inspiração: Nelson Rodrigues.

Leleco – brilhantemente interpretado por Marcos Caruso – é o tiozão boa-praça que namora a jovem e bela Tessália (Débora Nascimento), mas que morre de ciúmes da moça – o que denota sua insegurança por ser bem mais velho que ela e não estar à altura para concorrer com os rapagões do Divino. Agora Leleco inventou de contratar o galalau Darkson (José Loreto) para dar em cima de sua mulher e colocar a fidelidade dela à prova. Leleco não tem pudor algum em externar a sua fragilidade em relação a Tessália e, por conta de sua loucura, não mede as consequências ao empurrar a namorada para a cova dos leões. Pelo seu comportamento, podemos afirmar que Leleco é, por excelência, um personagem nelsonrodrigueano.

Diógenes (Otávio Augusto) criou sozinho o único filho, Roni (Daniel Rocha Azevedo), depois que a mãe dele – Soninha Catatau (Paula Burlamaqui), uma atriz pornô – sumiu pela vida. O pai sempre escondeu do garoto a identidade da mãe. Agora Soninha resolveu aparecer, arrependida, dizendo que largou a vida mundana, tornou-se religiosa e até trocou de nome – passou a se chamar Dolores. Ela quer uma aproximação com seu filho, no que Diógenes é absolutamente contra. Mas um fato vem aumentar esse imbróglio: Roni é gay e nem mesmo o pai sabe disso. Bem, pelo menos o público acha que Diógenes não sabe… Será que não mora aí a real razão do pavor de Diógenes pela aproximação de Soninha e Roni? Nelson Rodrigues se sentiria homenageado.

Poderíamos concluir que várias outras tramas da novela lembram histórias ou personagens de Nelson Rodrigues, como a messalina Suelen (Ísis Valverde), o malandro Silas (Ailton Graça), que se finge de doente para sensibilizar a namorada, ou Cadinho (Alexandre Borges) e suas três mulheres. A própria família de Tufão é tipicamente nelsonrodrigueana – todos convivem numa mesma casa, se amando e se aturando, com segredos e traições. Aliás, assim como o ex-craque, Nelson Rodrigues também era um apaixonado por futebol. Só falta Nina dar alguma história do Anjo Pornográfico para Tufão ler e, finalmente, ele cair em si e entender a vida como ela é.


“Avenida Brasil” inicia nova fase com recorde de audiência
Comentários 47

Nilson Xavier

Quem não assistiu ao sétimo capítulo de Avenida Brasil nesta segunda-feira (02/04), perdeu o melhor capítulo da novela até agora: o que deixou para trás a primeira fase da trama – com fotografia escura – e deu lugar à segunda fase – com mais luminosidade e colorido, novas músicas da trilha sonora e novos atores do elenco. Rita e Batata (Mel Maia e Bernardo Simões) estão agora crescidos, mas separados e com novos nomes: Nina e Jorginho – interpretados por Débora Falabella e Cauã Reymond.

A menina Mel Maia – que surpreendeu a todos pela sua graça e talento na primeira semana de Avenida Brasil – deixou a novela com uma linda cena de despedida com Batata, quando sai do lixão e parte para a Argentina com sua nova família. Vai deixar saudades.

O capítulo foi surpreendente, pelos rumos que os personagens tomaram, por algumas revelações que foram feitas e outras dúvidas que o autor semeou no público: Batata é filho legítimo de Carminha e Max (Adriana Esteves e Marcello Novaes) e havia sido abandonado no lixão pela mãe, aos cuidados de Lucinda (Vera Holtz). Mas, qual o segredo que une Lucinda a Carminha, que impede a fada madrinha do lixão de delatar as maldades da bruxa? Só os próximos capítulos dirão.

Carminha e Tufão (Murilo Benício) se casaram. Carminha deu a luz a Ágata, e não escondeu o desagrado por ter sido uma menina. Já vimos que Carminha humilha a filha, já crescida (Ana Karolina Lannes): “Filha, você já não é bonita!”. A menina Rita foi adotada por uma rica família argentina e passou a ser chamada de Nina. Carminha voltou ao lixão para buscar Batata, mas não revelou a Tufão que ele era seu filho. Batata seguiu os passos – e os dribles – do pai adotivo, tornando-se um jogador de futebol, Jorginho.

Nina não esqueceu sua mágoa contra Carminha e planeja uma vingança contra a madrasta má. E o capítulo se encerrou com chave de ouro: Carminha promoveu um festão para celebrar o aniversário de casamento com Tufão – bem cafona, por sinal. Jorginho, bêbado, humilhou a mãe diante de todos os convidados. Uma sequência que lembrou as festas que Flora (Patrícia Pillar) dava em A Favorita.

O capítulo movimentou as redes sociais. Várias hashtags referentes à novela estiveram entre os TTs do Twitter (os assuntos mais comentados). E o capítulo foi o recordista de audiência – da novela, até agora, e o maior ibope do sétimo capítulo entre as novelas dos últimos cinco anos.

Audiência do sétimo capítulo:
Avenida Brasil: 40
Fina Estampa: 37
Insensato Coração: 33
Passione: 33
Viver a Vida: 39
Caminho das Índias: 31
A Favorita: 36
Duas Caras: 37
Paraíso Tropical: 39

Durante a primeira semana, a audiência de Avenida Brasil esteve abaixo da primeira semana de Fina Estampa, mas acima das novelas anteriores. Vamos aguardar os próximos capítulos para ver se a novela finalmente fisgou o telespectador, depois deste bombástico sétimo capítulo.