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Arquivo : Walcyr Carrasco

“Êta Mundo Bom!” ofereceu entretenimento descompromissado e despretensioso
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Nilson Xavier

Flávia Alessandra, Camila Queiroz, Elizabeth Savalla, Sérgio Guizé (Foto: Divulgação/TV Globo)

Flávia Alessandra, Camila Queiroz, Elizabeth Savalla, Sérgio Guizé (Foto: Divulgação/TV Globo)

A sensação de desligar-se do mundo real no fim do dia para se divertir com uma história simples e otimista, e relaxar a cabeça sem precisar pensar muito – premissa que se aplica a “Êta Mundo Bom!”, a novela das seis que terminou nesta sexta, 26/08. Talvez, esta seja a principal explicação para seu sucesso, digamos, notável. “Êta Mundo Bom!” fecha com uma média final no Ibope da Grande SP de 27 pontos, a maior desde 2007. Nesse momento de crise (nacional, mundial, política, econômica, social), talvez tenha sido mesmo o melhor escapismo, depois da Rio 2016.

Êta Mundo Bom!” une-se a outros sucessos de Walcyr Carrasco no horário das seis da Globo: “O Cravo e a Rosa” (2000-2001), “Chocolate com Pimenta” (2003-2004), e “Alma Gêmea” (2005-2006) – as duas últimas, com o mesmo diretor geral, Jorge Fernando. Como não poderia ser diferente, reconhecemos na novela que acabou muitos elementos das anteriores: melodrama, maniqueísmo, humor inocente e/ou pastelão, vilões terríveis, núcleo na fazenda com caipiras, bichinhos de estimação, casamentos desfeitos no altar, torta na cara, personagens arremessados no chiqueiro.

Muitos diriam que é “mais do mesmo” de Walcyr Carrasco. Pode até ser. Mas mesmo usando elementos já fartamente explorados, o autor é famoso pela carpintaria e competência em conduzir tramas e personagens irresistíveis ao seu público sem fazê-lo perder o interesse na história. Prova disso é que “Êta Mundo Bom!” não teve barriga e sempre havia algum acontecimento importante em cada capítulo. Outra prova: Carrasco é o novelista mais trabalhador da Globo. Desde que se estabeleceu na emissora, em 2000, escreveu 11 novelas, a maioria sucessos, número muito superior ao de seus colegas.

O tom brejeiro e inocente do núcleo da fazenda agradou em cheio o público, graças a personagens cativantes, de sotaque caipira com português errado, em situações pueris e engraçadas (como as referências ao “cegonho” e sua função no casamento). O mérito não é só do autor, mas também da direção e do afinado elenco. Sérgio Guizé, Elizabeth Savalla, Ary Fontoura, Camila Queiroz, Rosi Campos, Anderson Di Rizzi, Dhu Moraes e Flávio Migliaccio deram um show.

Do outro lado, o núcleo da cidade, em que o português culto na boca dos personagens firmou-se como uma assinatura do autor, com grande destaque para as atuações de Marco Nanini, Eliane Giardini, Bianca Bin, Flávia Alessandra e Ana Lúcia Torre. Entre eles, Débora Nascimento, como Filomena, a que era para ter sido a principal personagem feminina da trama, passeou entre o sotaque caipira e o português culto sem obter sucesso, comprometendo a mocinha da novela.

Leia também, Maurício Stycer: “Êta Mundo Bom promoveu esperança em tempos de crise e desencanto“.

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Núcleo da fazenda (Foto: Artur Meninea/Gshow)

Núcleo da fazenda (Foto: Artur Meninea/Gshow)


Quem se destacou e quem ficou devendo no elenco de “Êta Mundo Bom”
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Nilson Xavier

Flávia Alessandra, com Eriberto Leão (Foto: Divulgação/TV Globo)

Flávia Alessandra, com Eriberto Leão (Foto: Divulgação/TV Globo)

Confesso que, no início de “Êta Mundo Bom”, estranhei muito a interpretação de alguns atores. Passados sete meses, faltando duas semanas para o término da novela, revejo minhas críticas iniciais a Flávia Alessandra, Tarcísio Filho, Priscila Fantin e Rainer Cadete e os parabenizo pelo trabalho na novela. Fui ludibriado pelo texto rebuscado de Walcyr Carrasco. Não é fácil proferir cada palavra que o autor põe na boca de seus personagens.

Carrasco é um mestre na carpintaria da telenovela, na forma com que prende seu público através de tramas e personagens cativantes, muitas vezes abrindo mão do realismo e lançando-se ao maniqueísmo para estimular os sentimentos mais básicos do telespectador. Mas seu texto não surtiria efeito não fosse o elenco afinado com sua proposta. Além da direção (que faz valer as intenções do autor) e da produção competentes, pergunto o que seria de “Êta Mundo Bom” não fosse seu elenco.

O autor optou por dois tipos de interpretação. Os caipiras que falam errado (a maioria no núcleo da fazenda) – com o preciosismo de cada personagem ter sua forma própria de falar, com uma prosódia diferente, por exemplo. E os personagens, digamos, da cidade, que falam um português corretíssimo – com o uso farto do verbo “haver” (“Eu hei de conseguir”) e o verbo no infinitivo em substituição ao gerúndio (“O que está a fazer?” “Estou a ler!”).

Entre os atores com personagens caipiras, todos os aplausos para Sérgio Guizé (Candinho), Elizabeth Savalla (Cunegundes), Ary Fontoura (Quinzinho), Flávio Migliaccio (Josias), Rosi Campos (Eponina), Camila Queiroz (Mafalda), Anderson Di Rizzi (Zé dos Porcos) e Dhu Moraes (Manuela). Dos que falam o português culto de Walcyr Carrasco, elogios a Marco Nanini (Pancrácio/Pandolfo), Eliane Giardini (Anastácia), Flávia Alessandra (Sandra), Bianca Bin (Maria), Rainer Cadete (Celso), Arthur Aguiar (Osório) e Ana Lúcia Torre (Camélia).

Rever uma crítica após o susto inicial é um ótimo exercício. Para o bem e para o mal: depois de sete meses de novela, não tem como defender as interpretações de Débora Nascimento (a mocinha Filomena, que definitivamente não funcionou, nem com sotaque caipira, muito menos sem sotaque caipira), Eriberto Leão (Ernesto, o vilão canastrão, de expressão, entonação e trejeitos lineares, sem nuances) e Giovanna Grigio (Jerusa, a garota doente mais inexpressiva das novelas).

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Ary Fontoura e Elizabeth Savalla (Foto: Divulgação/TV Globo)

Ary Fontoura e Elizabeth Savalla (Foto: Divulgação/TV Globo)


Despretensiosa, novela “Êta Mundo Bom” diverte com personagens cativantes
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Nilson Xavier

Marco Nanini e Sérgio Guizé (Foto: Reprodução)

Marco Nanini e Sérgio Guizé (Foto: Reprodução)

Atravessando sua melhor fase, “Êta Mundo Bom!” é uma novela deliciosa de acompanhar. Incrível como, passado um tempo, todas as primeiras críticas, do texto à interpretação de alguns atores, se dissiparam. Acabamos nos acostumando com os vícios do autor e de parte do elenco? Ou embarcamos na total despretensão da novela deixando de lado o perfeccionismo e tão simplesmente nos divertindo com o universo criado pelo autor?

Walcyr Carrasco é craque na carpintaria folhetinesca. Sabe como poucos enredar suas tramas e envolver o público com suas histórias e personagens. E o mais incrível de tudo: “Êta Mundo Bom!” não traz nada de novo. O autor recicla tramas e tipos já vistos em trabalhos anteriores. Torta na cara, casamento desfeito no altar, gente arremessada no chiqueiro… Sabemos exatamente o que esperar de uma novela dele. Vilões ávidos por amor e dinheiro, diferenças entre ricos e pobres, mocinhas sofredoras. Já vimos essas histórias várias vezes, tanto em suas novelas como em de outros. E sabemos como acabam. “Êta Mundo Bom!” é boa porque é previsível, ou é previsível porque é boa? Ou nem é tão previsível assim?

Finalmente ganhou função na trama o núcleo, até então adormecido, da madrasta má (Guilhermina Guinle) e o enteado na cadeira-de-rodas (Xande Valois) absorto em seu “jardim secreto”. Sandra (Flávia Alessandra) fará Anastácia (Eliane Giardini) sair de sua zona de conforto. Cunegundes (Elizabeth Savalla) humanizou-se com a chegada do netinho. Eponina (Rosi Campos) finalmente casou, o que tem rendido situações hilárias.

As tramas fluem sem atropelos ou “barriga”. Enquanto isso, o núcleo da fazenda de Cunegundes continua divertindo. Assim como Pancrácio (Marco Nanini, fantástico), com seus tipos fantasiados que tentam tomar dinheiro de incautos na rua. Na semana que passou, o ator arrancou risadas como uma inusitada bailarina. O que seria de “Êta Mundo Bom!” sem essas interpretações excelentes?

Faz parte da proposta da novela, logo não tem mais porque estranhar o tom teatral, tanto na impostação dos atores quanto no texto (com exceção dos caipiras, os personagens falam um português corretíssimo). É uma trama de época sem a pretensão de emular a realidade. Nem a mocinha Filomena (Débora Nascimento), incomoda mais: já sofre menos e foi providencial a repentina perda de seu sotaque caipira.

“É a Luna que voltou!”

Em tempo: a ótima repercussão de “Êta Mundo Bom!” explica a escolha de uma trama de Carrasco para o “Vale a Pena Ver de Novo”: “Alma Gêmea”, novela de sucesso do autor, exibida entre 2005 e 2006 (já reprisada à tarde, entre 2009 e 2010), voltará na grade vespertina da Globo em substituição à atual “Anjo Mau”. Walcyr Carrasco continua em alta.

AQUI tem tudo sobre “Alma Gêmea“.

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Eduardo Moscovis e Flávia Alessandra em "Alma Gêmea" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Eduardo Moscovis e Flávia Alessandra em “Alma Gêmea” (Foto: Divulgação/TV Globo)


Globo lança o DVD da novela “Verdades Secretas”
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Nilson Xavier

Rodrigo Lombardi e Camila Queiroz (Foto: Reprodução)

Rodrigo Lombardi e Camila Queiroz (Foto: Reprodução)

A divisão de licenciamento da Globo acaba de lançar a novela “Verdades Secretas” em DVD. Considerada a melhor de 2015 pela crítica especializada, tendo o mundo da moda como pano de fundo, a trama (de autoria de Walcyr Carrasco, com direção artística de Mauro Mendonça Filho) foi sucesso de audiência e repercussão no ano passado, popularizando o chamado “book rosa”, o catálogo de modelos de agência que se prostituem.

O enredo pisou fundo e sem cerimônia em temas ainda considerados tabus em novelas, como prostituição, drogas e homossexualidade (tudo junto ou separado). A história partia de uma premissa ousada: o homem que se apaixona por uma ninfeta e se casa com a mãe dela para tê-la sempre por perto. Para apimentar, muitos nus e cenas de sexo.

Em sua trama de luxúria e degradação moral, Walcyr Carrasco fez brilhar a novata Camila Queiroz (hoje em “Eta Mundo Bom”), como Arlete – codinome Angel -, garota com ar angelical vinda do interior que trabalha como modelo e esconde da mãe, Carolina (Drica Moraes, excelente), que se prostitui. Ela se vê presa ao imoral Alex (Rodrigo Lombardi), que arma um triângulo perigoso ao se casar com Carolina.

Grazi Massafera impressionou como Larissa, a modelo em fim de carreira, drogada, que se afunda no submundo da “cracolândia” de São Paulo. Muito do realismo das cenas vem da direção inspirada de Mauro Mendonça Filho. No elenco, também destacaram-se Marieta Severo, como a agenciadora Fanny; Reynaldo Gianecchini, como Anthony, namorado de Fanny; Eva Wilma, como Fábia, a decadente mãe de Anthony; Rainer Cadete, como o booker Viscky; e Ágatha Moreira, como Giovanna, a rebelde filha de Alex.

De minha crítica final sobre a novela: “A proposta estética e a fotografia sofisticadas, o esmero nas tomadas, a trilha sonora escolhida a dedo para cada tipo de cena e a direção de atores contribuíram para um resultado final poucas vezes visto na televisão.” Leia a crítica completa AQUI.

O box de “Verdades Secretas” traz a novela na íntegra, em 13 DVDs (aproximadamente 25 horas de duração), com cenas extras e remontadas, bastidores das gravações e webdoc do Gshow, a um custo médio de 190 reais.

AQUI tem o elenco completo de “Verdades Secretas”, a história, trilha e curiosidades sobre a novela.

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Com “Êta Mundo Bom”, Carrasco devolve à telenovela sua função catalisadora
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Nilson Xavier

Candinho (Sérgio Guizé) e Anastácia (Eliane Giardini) se encontram (Foto: Divulgação/TV Globo)

Candinho (Sérgio Guizé) e Anastácia (Eliane Giardini) se encontram (Foto: Divulgação/TV Globo)

Walcyr Carrasco é um danado mesmo. Além de ser um dos mais assíduos na televisão (em seis anos está escrevendo sua quinta novela), cada trabalho seu é garantia de sucesso. Nesta semana, “Êta Mundo Bom!” (a atual atração das seis horas) registrou um recorde de audiência (mais de 32 pontos no Ibope da Grande São Paulo) não visto desde o último capítulo da novela “Escrito nas Estrelas“, exibido em setembro de 2010. E olha que nesse ínterim não faltaram ótimas novelas no horário das seis: “Cordel Encantado“, “A Vida da Gente“, “Lado a Lado“, “Sete Vidas“, “Além do Tempo” e outras.

Apesar de “Êta Mundo Bom” ainda não ter chegado à metade de sua história, Carrasco já deu um desfecho para a principal trama, o encontro de mãe e filho que não se conheciam, Anastácia (Eliane Giardini) e Candinho (Sérgio Guizé). O autor queimou seu principal cartucho. Mas alguém duvida de que ele criará novos entrechos tão atraentes quanto para manter a audiência cativa até o fim da novela?

Leve, despretensiosa, com uma mensagem otimista. Ótima produção com alguns excelentes atores em tramas interessantes e divertidas. E, acima de tudo, maniqueísta: os bons são bons, os maus são maus. O público já viu essa história várias vezes e sabe o que esperar dela. “Êta Mundo Bom!” é um novelão escancarado, daqueles que fisgam o telespectador, pela trama e pela galeria de personagens cativantes. Claro que há derrapadas, no texto, na direção, em alguns atores não tão bons assim – detalhes que aborrecem parte do público, mas que não chegam a comprometer o desempenho e a repercussão da novela.

Como novelista, Walcyr Carrasco tem uma qualidade inegável: o poder de catalisar as massas com suas histórias. Atualmente, poucos autores de novelas alcançam isso com tanta frequência quanto ele. Nesses tempos de concorrência acirrada – com outras formas de entretenimento, mil possibilidades de se assistir o que se quer à hora que se deseja, e, como consequência, o declínio da audiência da grade engessada -, Carrasco devolve à telenovela a sua função mais ancestral: a de unir o público em torno de uma mesma história em um determinado horário. Convenhamos, um feito e tanto para os dias atuais – ainda que esses números de audiência não se equiparem aos de antigamente.

Leia também, Maurício Stycer:
UOL Vê TV: 10 razões que explicam o sucesso de “Êta Mundo Bom”.
“Chorei muito” diz Walcyr sobre cena de “Êta Mundo Bom” que bateu recorde.

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Texto de “Êta Mundo Bom” exige melhor desempenho da direção e elenco
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Nilson Xavier

Débora Nascimento e Eriberto Leão (Foto: Divulgação/TV Globo)

Débora Nascimento e Eriberto Leão (Foto: Divulgação/TV Globo)

Percebeu que o núcleo da fazenda de “Êta Mundo Bom” – uma trama paralela que não “conversa” com as demais – tem um tratamento diferenciado dentro da obra? Não é só a fotografia que é diferente (as cenas da fazenda recebem um filtro pastel-escurecido que deixa a imagem com a impressão de envelhecida, enquanto o resto da novela tem uma iluminação mais colorida). A direção de atores também é outra, o que proporciona ao elenco da fazenda outros “tempos de interpretação”. Já que nesse núcleo o caipirês carregado prevalece, beirando a caricatura – e a maioria dos atores são excelentes, diga-se de passagem – as falas são menos teatrais e empostadas que nos núcleos da cidade.

Já elogiei o núcleo da fazenda de “Êta Mundo Bom” (leia AQUI), o mais divertido da novela. Claro que uma trama paralela não precisa ter conexão com a história central (João Emanuel Carneiro que o diga!). Mas a fazenda da família de Cunegundes está tão isolada (não apenas geograficamente) que nem parece fazer parte da mesma novela. Quando “Êta Mundo Bom” abre para os núcleos da cidade, muda a cor da novela (a iluminação fica mais clara, em cores vivas) e muda a interpretação dos atores. É quando a direção erra a mão ao fazer o elenco empostar suas falas e declamar palavra por palavra, teatralmente, num português corretíssimo. Pior do que isso é a sensação de jogral (naquelas cenas em que cada ator tem uma fala, dita na sequência, de forma nada natural).

Talvez a ideia de Walcyr Carrasco (o autor) e Jorge Fernando (o diretor artístico) seja justamente marcar bem a distinção entre os personagens da fazenda (os caipiras que falam errado) e os da cidade que, de acordo com a novela, falam um português culto. A diferença está na direção e nos atores. O português errado da fazenda soa natural na boca do elenco, diferente do português corretíssimo da cidade, que soa empostado. Até funciona no teatro. Mas na televisão (ou no cinema) há de se ter cuidado para não parecer que o ator está “canastrando”. Daí a importância (da eficiência) do trabalho do ator e do diretor.

Sabemos que Walcyr Carrasco tem esse estilo teatral na escrita, já visto em trabalhos anteriores. Acho até condizente com a proposta ora farsesca ora melodramática de “Êta Mundo Bom“. Fica bonito na boca de atores como Marco Nanini e Eliane Giardini, que não dependem tanto de uma direção mais atenciosa. Ana Lúcia Torre, Débora Oliveiri, Bianca Bin, Mariana Armelini também conseguem escapar incólumes. O problema (de atuação e direção) é percebido em Eriberto Leão, Flávia Alessandra, Rainer Cadete, Klebber Toledo, Tarcísio Filho, Priscila Fantin, Rômulo Arantes Neto, Débora Nascimento (cujo sotaque caipira já foi abortado, ainda bem!). É preciso ressaltar que já vimos alguns desses atores se saírem bem em outras propostas de dramaturgia e de direção.

Walcyr Carrasco não tem um texto fácil e ainda exige que o ator siga à risca o que ele escreve, sem cacos (a contribuição do ator). Seu texto funciona quando o ator é tarimbado. Em contrapartida, exige uma direção rigorosa para que tudo não resvale no “jogral de escola”.

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Divertido, núcleo caipira de “Êta Mundo Bom!” é o grande destaque da novela
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Nilson Xavier

A família caipira da novela (Foto: Divulgação/TV Globo)

A família caipira da novela (Foto: Divulgação/TV Globo)

A boa repercussão de “Êta Mundo Bom!“, nessas suas três primeiras semanas de exibição, tem provado que o público estava ansioso por uma história interiorana e folhetinesca. Walcyr Carrasco reúne nesta novela tudo o que marcou suas tramas do horário das seis na década passada. Mais especificamente, falo de “O Cravo e a Rosa” (2000-2001), “Chocolate com Pimenta” (2003-2004) e “Alma Gêmea” (2005-2006).

No elenco, alguns nomes já se destacam. Poucos ainda, a bem da verdade. O tom teatral do texto – que cabe na proposta da novela – exige um pouco mais do ator. Entre os que se sobressaem, Sérgio Guizé foi a escolha acertada para o protagonista. Candinho é tão original que o personagem parece feito para o ator. Eliane Giardini e Marco Nanini, experientes como são, também aproveitam a força de seus personagens e conseguem ir além do que pede o texto do autor.

Mas este post é para elogiar o que já considero, de longe, o melhor núcleo de “Êta Mundo Bom!” – do qual nem Guizé, Giardini ou Nanini fazem parte. Quem conhece as novelas de Carrasco, sabe de sua predileção por caipiras, com fazenda, bichinhos de estimação, chiqueiro e humor pastelão. Teve nas três novelas que citei acima mais “Morde e Assopra” (2011), trama contemporânea do horário das sete. O núcleo caipira de “Êta Mundo Bom!” é, até o momento, o que mais tem divertido o telespectador. Nele, Carrasco deita e rola em situações que dispensam sutileza. Sutileza para quê, quando se arremessa o povo no chiqueiro?

etamundobom_cunegundesElizabeth Savalla – figurinha fácil nas novelas do autor – exercita diariamente seu talento e garganta com o texto afiado de Carrasco e o sotaque carregado de Cunegundes, sua personagem. A atriz nos brinda com sua força interpretativa em situações hilárias que envolvem os demais membros dessa família Buscapé. Também com personagens à altura de seus talentos Ary Fontoura – Quinzinho, o marido submisso – e Rosi Campos – Eponina, a cunhada solitária e encalhada. Completam o quadro familiar, os filhos Quincas e Mafalda, vividos pelos jovens Miguel Rômulo e Camila Queiroz., e as empregadas Manoela e Dita, interpretadas por Dhu Moraes e Jennifer Nascimento.

Camila Queiroz já havia sinalizado seu potencial com a Angel de “Verdades Secretas“. E agetamundobom_mafaldaora surpreende numa personagem completamente diferente e que lhe exige bastante. É uma grata surpresa confirmar o que já se suspeitava. A moça está ótima como a inocente caipirinha, ora romântica e ingênua, ora engraçada e com boas tiradas. Também tem Anderson Di Rizzi, como o funcionário Zé dos Porcos, e Flávio Migliaccio, como o vizinho Josias. É um elenco tão afinado e coeso que chega a destoar dos demais núcleos da novela, em que as histórias ainda engatinham e a maioria dos personagens não se mostrou totalmente ou não disse a que veio.

Ainda que o clã caipira de “Êta Mundo Bom!” tenha tido importância para a trama central da novela – foi na família que o protagonista Candinho se criou e ainda há a filha Filó (Débora Nascimento) que partiu para a cidade grande -, a história se distancia da trama principal. O núcleo dos caipiras é inspirado no conto “O Comprador de Fazendas“, de Monteiro Lobato: uma família quer se livrar da fazenda decadente e faz um acordo com seus devedores para ‘maquiá-la’ a fim de vendê-la com mais facilidade, até que um suposto comprador – na verdade um malandro – se aproveita da situação para viver bem como hóspede, enquanto se decide.

A família Buscapé já fez sucesso como série na TV americana e até em desenho animado. É sempre um apelo cômico irresistível e que rende muito. Na novela de Walcyr Carrasco, texto, direção e elenco aproveitam – acertadamente – ao máximo esse potencial. Eta núcleo bom!

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“Êta Mundo Bom!” estreia com trilha caipira e filtro de Instagram
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Nilson Xavier

Sérgio Guizé como Candinho (Foto: Reprodução)

Sérgio Guizé como Candinho (Foto: Reprodução)

Com “Êta Mundo Bom!” (a novela das seis, estreia dessa segunda, 18/01) Walcyr Carrasco está de volta ao horário que o consagrou, com títulos como “O Cravo e a Rosa“, “Chocolate com Pimenta” e “Alma Gêmea“. Sabe o que essas novelas todas têm em comum e que, certamente, não faltará em “Êta Mundo Bom!“? Isso mesmo, caipiras, bichos de fazenda, gente arremessada no chiqueiro, torta na cara e Elizabeth Savala. Ops, Savala não atuou em “O Cravo e a Rosa” – mas esteve na maioria das novelas de Carrasco depois desta.

E é justamente a personagem de Elizabeth Savala – “Cunegundes” – a que dá o tom da novela de Carrasco: a atriz gritou e esperneou com um sotaque caipira puxadíssimo – no sentido de carregado mesmo. “Êta Mundo Bom!” promete toda a caricatura do caipira que fez o sucesso de Mazzaropi nos cinemas em meados do século passado. A trama é justamente baseada em um filme de Mazzaropi, “Candinho“, de 1954, que, por sua vez, tem referências no conto “Cândido ou o Otimismo“, de 1759, do filósofo francês Voltaire.

Não foi só Savala e o caipirês que chamaram a atenção nessa estreia. Sérgio Guizé está ótimo como o protagonista. Parece um roceiro ingênuo mas já deu mostras de ser esperto, deve cair nas graças do público. E tem a volta de Marco Nanini às novelas (finalmente!). Além do resgate do humor simplório (Carrasco estava afastado do horário das seis fazia dez anos), a trama carrega no melodrama digno de “O Direito de Nascer“, a mãe de todas as novelas – da TV e do rádio. E também tem uma novela dentro da novela – olha a referência à mítica “Espelho Mágico“, de Lauro César Muniz (1977). É a radionovela “Herança do Ódio” (por sua vez baseada na obra de Oduvaldo Vianna), que os personagens de “Êta Mundo Bom!” ouvirão.

A trilha sonora é predominantemente caipira, totalmente de acordo com a proposta da novela. Para a abertura, a banda Suricato fez uma gravação do clássico das festas juninas “O Sanfoneiro Só Tocava Isso” com arranjos modernos. A abertura aposta nas colagens (de novo, vide “Totalmente Demais“). Incomodou a fotografia da novela, com filtros saturando a imagem de tal forma que lembra nossas fotos de Instagram. Tudo pode ser uma questão de habituar-se (ou não!).

Carrasco é mestre na carpintaria da telenovela. Não é à toa que sua obra é formada, na maioria, de sucessos populares. O novelista se firma como um dos mais versáteis de nossa televisão. Já escreveu para todos os horários. De “Amor à Vida“, pulou para “Verdades Secretas” e agora dá um duplo mortal carpado com “Êta Mundo Bom!“, reinventando-se nos estilos. O pastelão está de volta. Prepare-se para oito, nove meses de muitos banhos no chiqueiro e torta na cara. Já teve no primeiro capítulo. Quer dizer, não teve a torta porque não deu tempo para a sobremesa, mas teve o prato principal.

Marco Nanini como Pancrácio (Foto: Reprodução)

Marco Nanini como Pancrácio (Foto: Reprodução)


APCA elege os melhores do Ano na TV. “Verdades Secretas” leva mais prêmios
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Nilson Xavier

Grazi Massafera (atriz) e Mauro Mendonça Filho (diretor) de "Verdades Secretas" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Grazi Massafera (atriz) e Mauro Mendonça Filho (diretor) de “Verdades Secretas” (Foto: Divulgação/TV Globo)

A APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte (da qual esse colunista faz parte) – escolheu na noite de quarta-feira (02/12), na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, os melhores de 2015 na Televisão em sete categorias. A novela “Verdades Secretas”, de Walcyr Carrasco, foi a produção que levou mais prêmios: melhor novela, melhor direção, para Mauro Mendonça Filho, e melhor atriz, para Grazi Massafera.

Veja os vencedores entre os candidatos em cada categoria.

Melhor Novela: “Verdades Secretas”, de Walcyr Carrasco.
Os outros candidatos: “Além do Tempo”, “I Love Paraisópolis”, “Os Dez Mandamentos” e “Sete Vidas”.

Melhor Série/Minissérie/Seriado: “Os Experientes” (coprodução da Globo e O2 Filmes).
Os outros candidatos: “Amorteamo”, “Felizes Para Sempre?”, “Magnífica 70” e “Pé na Cova”.

Melhor Ator: Alexandre Nero, pela novela “A Regra do Jogo”.
Os outros candidatos: Domingos Montagner (“Sete Vidas”), Juca de Oliveira (“Os Experientes”), Rafael Cardoso (“Além do Tempo”) e Tony Ramos (“A Regra do Jogo”.

Melhor Atriz: Grazi Massafera, pela novela “Verdades Secretas”.
As outras candidatas: Drica Moraes (“Verdades Secretas”), Irene Ravache (“Além do Tempo”), Marieta Severo (“Verdades Secretas”) e Simone Spoladore (“Magnífica 70”).

Melhor diretor: Mauro Mendonça Filho, pela novela “Verdades Secretas”.
Os outros candidatos: Cláudio Torres (“Magnífica 70”), Fernando Meirelles (“Felizes Para Sempre?” e “Os Experientes”), Jayme Monjardim (“Sete Vidas”) e Rogério Gomes (“Além do Tempo”).

Melhor Apresentador: Mônica Iozzi, pelo programa “Vídeo Show”.
Os outros candidatos: Dan Stulbach (“CQC”), Fátima Bernardes (“Encontro”), Mariana Godoy (“Mariana Godoy Entrevista”) e Sarah Oliveira (“Calada Noite”).

Melhor Programa: “Masterchef Brasil”, da Band.
Os outros candidatos: “Lucky Ladies” (Fox Life), “Que Monstro Te Mordeu” (TV Cultura), “Todas as Manhãs do Mundo” (Nat Geo) e “Zorra” (Globo).

Menção Honrosa: o programa “Mulheres” da TV Gazeta, pelos seus 35 anos.

Grande Prêmio da Crítica: Silvio Santos, pela sua trajetória na TV brasileira.

Com exceção da Menção Honrosa, cada vencedor receberá o Troféu APCA na cerimônia da 59ª Premiação da APCA (em São Paulo), no primeiro trimestre de 2016, ano em que a entidade completa 60 anos.

Além de premiar os melhores do ano na Televisão, a APCA também elege os melhores no Teatro, Teatro Infantil, Dança, Artes Visuais, Cinema, Rádio, Literatura, Música Erudita, Música Popular, Moda e Arquitetura.

APCA originou-se da ABCT (Associação Brasileira de Críticos de Teatro, criada em 1951). Em 1956, de ABCT, passou a ser APCT (Associação Paulista de Críticos de Teatro). Só em 1972, a entidade deixou de premiar apenas o Teatro e estendeu-se a outras áreas artísticas – já como APCA. Portanto, os melhores da Televisão são eleitos desde 1972.

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“Verdades Secretas”: bom exemplo de união entre roteiro, direção e elenco
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Nilson Xavier

Drica Moraes como Carolina (Foto: Reprodução)

Drica Moraes como Carolina (Foto: Reprodução)

Verdades Secretas”, a novela da faixa das onze, de Walcyr Carrasco – que terminou nesta sexta-feira (25/09) – foi a de maior repercussão do horário desde a sua implantação, em 2011, e a de maior audiência: termina com média final de 20 pontos no Ibope da Grande São Paulo – anteriormente, os remakes de “O Astro” e “Gabriela” fecharam em 19. O público vibrou com uma premissa pouco coerente, mas ousada: o homem que se casa com uma mulher apenas para ser amante da filha dela. O submundo da moda serviu como pano de fundo.

Carrasco, um bom criador de histórias, fez de “Verdades Secretas” uma novela de voyeurismo e, do telespectador, a testemunha ocular de sua trama como aquele que espia a vida alheia pela fechadura da porta, sozinho, na calada da noite, ávido por uma sacanagenzinha. Desta forma, quase tudo foi mostrado, como raras vezes mostrou-se antes em uma novela: drogas, homossexualidade e prostituição (tudo junto ou separado), com boa carga erótica e muitos nudes. Este recheio, muitas vezes, soou gratuito, mas deu um tempero especial à produção e garantiu boa repercussão.

A trama envolvente e a ousadia das abordagens fizeram de “Verdades Secretas” uma das melhores novelas do autor. Carrasco, desta vez mais comedido nos diálogos e cauteloso no humor, apresentou-se bem mais sutil do que o usual, quando comparado com trabalhos anteriores. Isso precisa ser considerado já que sua peculiar falta de sutileza nos diálogos e no humor – característica do autor – poderia pôr a perder todo o excelente trabalho da direção.

Mas não. Ainda que a história central e seu desenrolar soasse pouco coerente ou crível. Ainda que os xingamentos entre o exagerado Viscky (Rainer Cadete) e sua amiga/inimiga/amante Lurdeca (Dida Camero) tenham preenchido a cota carrasquiana. E ainda que alguns diálogos, em momentos isolados, parecessem forçados – como aquele “acerto de contas” entre Alex e seu filho (Rodrigo Lombardi e João Vitor Silva) que levou o garoto a afundar-se nas drogas.

Ponto para a direção, que conseguiu driblar, ou mascarar, algumas falhas de roteiro. O que seria da história de Walcyr Carrasco não fosse a direção primorosa de Mauro Mendonça Filho e sua equipe. A proposta estética e a fotografia sofisticadas, o esmero nas tomadas, a trilha sonora escolhida a dedo para cada tipo de cena e a direção de atores contribuíram para um resultado final poucas vezes visto na televisão. Evidente que a seu favor, autor e diretor tiveram o horário e o formato (novela mais enxuta, com menos tramas e personagens), o que permitiu extrapolar o trivial e apresentar um trabalho mais bem acabado.

Marieta Severo / Grazi Massafera / Eva Wilma (Fotos: Reprodução)

Marieta Severo / Grazi Massafera / Eva Wilma (Fotos: Reprodução)

O elenco respondeu à altura da proposta. A estreante Camila Queiroz (Arlete/Angel) fez bonito, passando a naturalidade e a jovialidade exigidas pela personagem. Aguardemos seu próximo trabalho. Drica Moraes exorcizou de vez a Cora de “Império”, um tipo que pouco lhe contribuiu ou favoreceu. Diferente de Carolina, personagem mais complexa, que poderia beirar o ridículo (por conta de sua trajetória na trama) não fosse a dimensão dramática que a atriz lhe conferiu.

Marieta Severo também exorcizou seu último trabalho. Fanny em nada lembrou Dona Nenê da série “A Grande Família”. Era para Marieta ter voltado às novelas há mais tempo. Eva Wilma emprestou toda a sensibilidade que sua personagem, Dona Fábia, demandava, num trabalho preciso e marcante. É outra atriz que consegue extrapolar o texto, lhe dando credibilidade. Destaque também para Ágatha Moreira (Giovanna), João Vitor Silva (Bruno) e Rainer Cadete (Viscky), muito bem em seus papéis.

Outra que muito brilhou – tendo inclusive desviado os holofotes da trama central – foi Grazi Massafera, como a modelo drogada Larissa. Grazi surpreendeu não apenas com a caracterização e com as várias cenas difíceis exigidas, envolvendo drogas, prostituição e cracolândia. A atriz conseguiu passar a verdade nua e crua da personagem de forma visceral, arrancando elogios de toda parte. E ela muito deve ao trabalho da direção. “Verdades Secretas” é um bom exemplo de união entre roteiro, direção e elenco.

É notável a recepção dessa novela no momento de forte resistência da audiência às tramas das nove da emissora (“Babilônia” e “A Regra do Jogo”). Todas elas tratam/trataram de temas espinhosos para a sociedade – guardadas as devidas proporções que os horários de exibição permitem. Aí entra uma outra questão: são públicos distintos? Ou releva-se “Verdades Secretas” por avançar para além da meia-noite? Todos os públicos gostam de temáticas fortes, ou a audiência está segmentada?

Veja também: O melhor e o pior de “Verdades Secretas” (Maurício Stycer)

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Alex (Rodrigo Lombardi) e Angel (Camila Queiroz) (Foto: Divulgação/TV Globo)

Alex (Rodrigo Lombardi) e Angel (Camila Queiroz) (Foto: Divulgação/TV Globo)