Blog do Nilson Xavier

Arquivo : janeiro 2013

“O Profeta” é a próxima reprise do “Vale a Pena Ver de Novo”
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Nilson Xavier

Paola Oliveira e Thiago Fragoso em “O Profeta” (Foto: TV Globo)

A Globo já tem a substituta para “Da Cor do Pecado” na faixa vespertina “Vale a Pena Ver de Novo“: é a novela “O Profeta“, originalmente exibida entre outubro de 2006 e maio de 2007. A estreia à tarde é no dia 25 de fevereiro. A emissora preferiu não arriscar mais e optou pela reprise de uma novela nunca antes reprisada.

É que as três últimas atrações do “Vale a Pena Ver de Novo” foram re-reprises: “Mulheres de Areia“, “Chocolate com Pimenta” e “Da Cor de Pecado“. Esta última derrubou a audiência do horário – apesar de que atualmente todos os horários passam por uma queda no Ibope. “Da Cor do Pecado” mostrou-se uma escolha equivocada: a novela, apesar do sucesso em sua exibição original (em 2004), havia sido reprisada há pouco tempo, em 2007.

O Profeta” fez sucesso quando apresentada em 2006-2007. Fechou com média geral de 33 pontos no Ibope, considerada ótima para o horário das seis. Escrita pela dupla Thelma Guedes e Duca Rachid – com supervisão de texto de Walcyr Carrasco, direção de núcleo de Roberto Talma -, a trama era baseada em um dos maiores sucessos de Ivani Ribeiro, da Tupi, na década de 1970. Mas não se trata de um remake, propriamente dito. O folhetim original serviu apenas de ponto de partida.

A história se passa em São Paulo na década de 1950. O protagonista é Marcos (Thiago Fragoso), rapaz que descobre possuir poderes paranormais. Ele prevê acontecimentos, mas não consegue impedir que se realizem. Durante sua trajetória, Marcos tem seu dom explorado por pessoas ambiciosas, que vislumbram nele uma oportunidade de ganhar dinheiro. No entanto, caberá a ele decidir se este é o caminho que pretende seguir ou se vale a pena descobrir qual é a sua verdadeira missão. Marcos se envolve com três mulheres: Ruth (Carol Castro), bela e fútil, Carola (Fernanda Souza), inteligente, mas problemática, e Sônia (Paola Oliveira), seu verdadeiro amor, que ele terá que disputar com o vilão Clóvis (Dalton Vigh).

Também no elenco: Luiz Gustavo, Rodrigo Phavanello, Vera Zimmermann, Maurício Mattar, Nívea Maria, Mauro Mendonça, Laura Cardoso, Rodrigo Faro, Fernanda Rodrigues, Paula Burlamaqui, Luigi Baricelli e outros.

Saiba mais sobre “O Profetano site Teledramaturgia.


“Gabriela”: autor fez graça ao retratar preconceitos e costumes retrógrados
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Nilson Xavier

Juliana Paes em “Gabriela” (Foto: TV Globo)

Esqueçam a história original de Jorge Amado, o filme de Bruno Barreto e as outras adaptações de Gabriela Cravo e Canela para a televisão. Quando um escritor se propõe a adaptar um livro, ele é o novo senhor do texto (já que adquiriu os direitos para tanto) e tem plenos poderes para imprimir sua marca na nova obra.

E foi assim com a Gabriela de Walcyr Carrasco, a novela da Globo que terminou na sexta-feira (26/10). Todas as características do novelista estavam lá. Os diálogos ferinos e espirituosos, as frases no imperativo, os personagens caricatos em situações engraçadinhas, camas quebradas, tortas na cara, etc. Até um bichinho de estimação Carrasco arrumou para Gabriela. Tudo isso já conhecemos de outras novelas do autor. E ele, esperto, sabe que funciona. Carrasco é um novelista popular.

Gabriela também teve cenas densas, seja pela violência ou pela emoção. O elenco de primeira e a direção primorosa (de Mauro Mendonça Filho) ajudaram bastante. Uma novela bela de se ver, uma produção requintada, desde a abertura (uma das mais bonitas dos últimos tempos) até cenários, figurinos, fotografia e a trilha sonora saudosista, que trouxe de volta algumas das músicas da novela de 1975 – um grande acerto.

Juliana Paes esforçou-se com a sua Gabriela e, por isso, merece crédito. Em momento algum comprometeu a personagem. E nem ficaria marcada pela sua interpretação ou “entraria para a história”. A Gabriela de Sônia Braga ficou lá em 1975, em outra novela, outra situação e momento (da televisão brasileira e de nossa sociedade). Não cabe aqui esperar que se fosse repetir o que aconteceu no passado.

A Gabriela de 2012 trabalhou com outros elementos e referências, que têm a ver com o nosso presente (apesar de ser uma trama de época). A Gabriela da década de 1970 também foi assim, usou as referências que tinha naquele tempo – inclusive as limitações, já que a TV vivia sob a censura do Regime Militar.

O Bataclan atual lembra o Moulin Rouge e a Maria Machadão é Ivete Sangalo. É a liberdade criativa que temos para hoje – ainda que seja duro de engolir um Bataclan tão glamuroso, com shows dignos da Broadway. Ivete Sangalo não fez bonito, mas tampouco fez feio. Esteve à altura do que tinha para mostrar e o texto não lhe exigiu muito.

José Wilker como o Coronel Jesuíno em “Gabriela” (Foto: TV Globo)

Gabriela conquistou o público ao poucos e por fim, agradou. Fechou com média de 19 pontos no Ibope (cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo), a mesma de O Astro, a atração do ano passado. Teve repercussão nas redes sociais – por várias vezes hashtags envolvendo a novela estiveram nos TTs do Twitter (os assuntos mais comentados). Os bordões “Vou lhe usar” (do Coronel Jesuíno/José Wilker) e “Jesus Maria José!” (de Dona Dorotéia/Laura Cardoso) se popularizaram, foram repetidos, viraram memes na Internet, charges engraçadinhas no Facebook.

Gabriela mal apareceu em alguns capítulos. A trama central – o romance entre ela e Nacib – ficou por várias vezes em segundo plano, à medida que algumas tramas paralelas foram despertando mais a atenção do público, como a história de Malvina, a trajetória de Lindinalva e o assassinato de Sinhazinha.

No elenco, vários atores se destacaram, tanto veteranos quanto novatos. Luiza Valdetaro (Jerusa), Vanessa Giácomo (Malvina), Giovanna Lacelotti (Lindinalva), Marco Pigossi (Juvenal) e Rodrigo Andrade (Berto) fizeram bonito. Humberto Martins deu um tom abobalhado ao seu Nacib, tanto quanto Marcelo Serrado fez com Tonico Bastos.

Mas foi a interpretação de Maitê Proença (como Sinhazinha Guedes Mendonça), José Wilker (como o Coronel Jesuíno) e Laura Cardoso (como a beata Dorotéia) que marcaram a produção. Em seu texto, Carrasco consegue pular do humor bobinho à emoção dramática com muita competência. Algumas vezes vimos cenas em que o Coronel Jesuíno (e também Dona Dorotéia) passava do risível ao emocionante com uma naturalidade impressionante.

Walcyr Carrasco fez graça ao retratar preconceitos, pensamentos e costumes – retrógrados aos olhos de hoje – da Ilhéus da década de 1920, em que os coronéis poderosos se julgavam acima da lei, as mulheres não tinham direito a se expressar, enquanto aos homens tudo era permitido, e a moral era altamente discutível. Temas que ecoam hoje em dia. Nas falas dos personagens, através de piadinhas sobre machismo, prostitutas e homossexuais, o autor encontrou respaldo no público, que reconheceu o que foi pintado na tela. Quem sabe até, se identificou. Talvez daí o seu sucesso.


“Gabriela” mistura bem cenas impactantes com sequências de diálogos divertidos
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Nilson Xavier

Walcyr Carrasco é um novelista que transita livremente pelo humor fácil, do tipo que mistura ingenuidade e malícia, experimentado e maturado em suas várias novelas nos horários das seis e sete da Globo (O Cravo e a Rosa, Chocolate com Pimenta, Alma Gêmea, Sete Pecados, Caras e Bocas, Morde e Assopra). Por sua tarimba com literatura infantil (ele é autor de vários livros para crianças), o autor carrega para seus trabalhos na televisão elementos de humor pastelão que mais facilmente arrancam riso de crianças do que de adultos (como torta na cara e pessoas arremessadas na lama ou chiqueiro). Outra característica marcante: falas de personagens adultos que carregam aquela sinceridade inerente às crianças – vícios de quem escreve para público infantil.

Em uma obra como a adaptação de Gabriela, de Jorge Amado, isso poderia não funcionar. E não funciona quando sentimos o choque entre dois estilos tão distintos. Jorge Amado, apesar da densidade em seus temas, tem momentos de leveza, mas que não combinam com o pastelão infantil de Carrasco. Exemplo: a insistência da fogosa Olga (Fabiana Karla) com o marido escorregadio Tonico Bastos (Marcelo Serrado) – sequências que já cansaram e não tem a menor graça.

Independente da diferença de estilos, temos que ter em mente que o produto televisivo leva a assinatura de Walcyr Carrasco. O exagero no pastelão apenas não soa bem para o horário no qual a novela é veiculada. Às onze da noite, o telespectador espera mais de uma novela. Apesar de algum pastelão, Gabriela nos tem brindado com sequências fortes e impactantes – como a do capítulo de quinta-feira (30/08), em que os jagunços do Coronel Ramiro Bastos (Antônio Fagundes) surraram Príncipe e Anabela (Emílio Orciollo e Bruna Linzmeyer) e ainda caparam o rapaz.

E é também do capítulo de quinta-feira uma das sequências mais pitorescas que já se viu na novela e que exemplifica bem essa mistura do estilo de escrita de Carrasco (sinceridade ingênua infantil) aplicado a personagens densos. No diálogo a seguir, a beata Doroteia (Laura Cardoso) – com o filho, Coronel Amâncio (Genézio de Barros) – censura o Coronel Jesuíno Mendonça (José Wilker) por ele se casar com uma moça muito jovem. O coronel já matou a mulher que o traía, é um homem bruto, truculento e violento. Doroteia é o cão em pessoa, velha amarga e maldosa.

Doroteia: “Coronel Jesuíno, Iracema é uma franguinha! O senhor tem idade para ser pai dela!”

Amâncio: “Até avô, quem sabe!”

Jesuíno: “Melhor casar com uma franguinha do que com uma galinha velha!”

Doroteia: “Coronel, uma mulher de mais idade tem mais respeito.”

Jesuíno: “Tem mais é pelanca, isso sim!”

Amâncio (rindo): “Coronel Jesuíno, se deseja carne fresca, vá ao Bataclan. Lá tem moça nova à disposição.”

Doroteia: “Respeito Amâncio! Não aconselhe o coronel a correr atrás de quenga.”

Amâncio: “Mainha, me perdoa, eu só estou tentando ajudar… Coronel Jesuíno, minha mãe está com a razão. Case com uma moça, com uma mulher que saiba cuidar de sua casa.”

Doroteia: “Se casar com uma franguinha, vai levar cornos de novo.”

Jesuíno: “Não me fale de cornos! Dona Doroteia, só não lhe dou na cara por respeito à sua idade.”

Doroteia: “Depois não diga que não foi avisado. E já será uma sorte grande se a moça for virgem.”

Jesuíno: “Se ela não for virgem, eu mato na noite de núpcias. Eu já matei uma, mato duas!… E agora, Dona Doroteia, Coronel Amâncio, me dão licença, eu vou cagar.”


Na estreia de “Gabriela”, o bordel chamou mais a atenção do que a própria personagem-título
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Nilson Xavier

Fotografia deslumbrante, cenários e caracterizações perfeitas, direção de arte, figurino, maquiagem, do que tem de melhor. Estamos em 2012, época do HD e de exportação de novelas para o gosto americano do prêmio Emmy. O primeiro capítulo de Gabriela – estreia desta segunda – apresentou o melhor que a Globo podia destinar a uma superprodução. E só por isso distancia-se cada vez mais de uma comparação com a versão original da novela, de 1975, a que lançou Sônia Braga e imortalizou sua Gabriela no inconsciente coletivo do brasileiro. Aqueles eram outros tempos e a TV tinha uma estética completamente diferente.

Mas o principal motivo para evitar comparações está no texto: é uma nova adaptação do livro de Jorge Amado – por Walcyr Carrasco – e não um remake da novela dos anos 70, adaptada na ocasião pelo saudoso Wálter George Durst. A Gabriela de Juliana Paes pouco teve para mostrar, além de olhares lânguidos da atriz e a estética barrenta da personagem. O resto do elenco é bom, mas Humberto Martins pareceu falar árabe em algumas cenas, em que não se fez entender pela dicção. Ivete Sangalo não fez feio como se esperava. Mas isso não quer dizer que fez bonito. Talvez o fato de Maria Machadão ter cantado logo no primeiro capítulo seja mesmo para lembrar que Ivete é cantora, e não atriz (pelo menos por enquanto).

O único detalhe que destoa da obra é o Bataclan glamurizado na Ilhéus da década de 1920: lembrou um Moulin Rouge na Chicago dos gangsters. Woody Allen teria gostado. O Bataclan chamou mais a atenção do que a própria personagem-título.

Vamos torcer para que Carrasco seja feliz em sua adaptação, afinal o horário pede algo mais do que suas comédias das seis e sete horas cumpriam. Todos no fundo esperam por um Adamo Angel – a persona que Carrasco assumiu quando escreveu a inspirada Xica da Silva.

Segundo a assessoria da Rede Globo, o primeiro capítulo de Gabriela deu audiência prévia de 30 pontos no Ibope. Cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo. Foi tudo muito bonito nessa estreia, apresentado num ritmo bom, envolvente. E tem muita coisa para ser vista ainda, afinal sabemos que a história de Jorge Amado é boa.

Conheça os personagens e compare os elencos das duas versões de Gabriela AQUI.


Re-reprise de “Chocolate com Pimenta” é precoce
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Nilson Xavier

A partir de segunda-feira (12/03), a Globo reprisa na faixa Vale a Pena Ver de Novo – novamente – a novela Chocolate com Pimenta, escrita por Walcyr Carrasco e Thelma Guedes, dirigida por Jorge Fernando, Fabrício Mamberti e Fred Mayrink. A trama foi apresentada originalmente entre setembro de 2003 e maio de 2004, às 18 horas. Menos de três anos depois, ela retornou à tarde, no Vale a Pena Ver de Novo, entre julho de 2006 e janeiro de 2007. E agora está de volta.

Chocolate com Pimenta é a quarta novela re-reprisada na história do Vale a Pena Ver de Novo. As anteriores foram três novelas de Ivani Ribeiro: A Gata Comeu, A Viagem e Mulheres de Areia – cuja última reprise terminou agora, na sexta-feira (09/03). O que espanta nesta re-reprise de Chocolate com Pimenta é que é a sua terceira apresentação num espaço de menos de dez anos. As re-reprises anteriores foram apresentadas num espaço de tempo bem maior, o que até justificava uma nova apresentação.

Chocolate com Pimenta foi a escolha da Globo depois da negativa pela reprise inédita da novela Páginas da Vida – de Manoel Carlos, trama das nove apresentada entre 2006 e 2007. Parece que está cada vez mais complicado para a Globo reprisar suas novelas das nove horas. Dos últimos dez anos para cá, do horário das nove, foram reprisadas apenas O Clone (de 2001-2002), Mulheres Apaixonadas (de 2003) e Senhora do Destino (de 2004-2005). A Globo bem que tenta, mas o Ministério da Justiça impõe tantos cortes para adequar a trama para uma reprise vespertina, que a novela iria ao ar completamente mutilada. Então é preferível não apresentar, e restam as novelas dos demais horários.

As opções das seis e das sete horas também não são muitas – considerando a repercussão que as novelas tiveram em suas apresentações originais. Se levarmos em conta o espaço de tempo entre 2002 e 2008, são poucas as novelas das seis e sete, ainda não reprisadas, que despertariam interesse da audiência à tarde. Talvez apenas O Beijo do Vampiro, Cobras e Lagartos e O Profeta. Existem outras opções interessantes, de 2009 para cá, mas creio serem ainda muito recentes para uma reapresentação: Paraíso, Caras e Bocas, Cama de Gato, Escrito nas Estrelas e Ti-Ti-Ti.

Abrindo mão de uma novela mais antiga (com mais de dez anos, anterior a 2002, portanto – como foi o caso deste último repeteco de Mulheres de Areia), a Globo, parece, preferiu optar pelo que já funcionou anteriormente. Chocolate com Pimenta foi um dos maiores sucessos da história do horário das seis e foi muito bem em sua primeira reprise. Apenas lamenta-se um retorno tão precoce em detrimento a outras tramas inéditas à tarde. Ou a novelas mais antigas.

Saiba mais sobre Chocolate com Pimenta no site Teledramaturgia.

Quais novelas você gostaria de ver reprisadas no Vale a Pena Ver de Novo? Opine! ;)