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Blog do Nilson Xavier

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Helô e Stênio: o único casal romântico que empolga em “Salve Jorge”

Nilson Xavier

05/02/2013 11h44

Giovanna Antonelli e Alexandre Nero como Helô e Stênio em "Salve Jorge" (Foto: TV Globo)

Théo e Morena (Rodrigo Lombardi e Nanda Costa). Théo e Érika (Rodrigo Lombardi e Flávia Alessandra). Zyah e Bianca (Domingos Montagner e Cléo Pires).  Zyah e Ayla (Domingos Montagner e Tânia Khallil). Celso e Antônia (Caco Ciocler e Letícia Spiller). Pepeu e Drica (Ivan Mendes e Mariana Rios). Glória Perez bem que tenta emplacar os casais românticos de "Salve Jorge", mas sem muito sucesso.

Com foco na trama policial da novela, Morena e Théo se perderam no meio do caminho, em uma relação mal definida, mal desenhada, tanto por conta do caráter fraco dele, quanto da personalidade forte dela e dos apuros pelos quais ela tem passado. E falta química. Assim como falta química para Théo e Érika. Ela não passa de um joguete para ele, e a relação dos dois não tem para onde evoluir.

O triângulo Bianca-Zyah-Ayla também não empolga. Ele deixa Bianca louca na caverna, mas ela não se curva ao seu modus operandi. Zyah se divide entre a emoção da paixão pela "chilique estrangeira" e a razão do amor por Ayla e pelas tradições de seu povo. Conflitos amorosos e étnicos já conhecidos nossos, explorados à exaustão pela autora em suas tramas anteriores.

Mesmo se envolvendo com Carlos (Dalton Vigh), Antônia representa com Celso a pimenta nas relações mal resolvidas. Uma mágoa só que chegou ao ódio. É o peso da novela. Por sua vez, Pepeu e Drica – assim como Caíque e Lurdinha (Duda Nagle e Bruna Marquezine) – fazem jus à cota jovem e descompromissada que não tem conflitos, não avança nem recua, não chega a lugar nenhum.

Ao que parece, o único casal de "Salve Jorge" que realmente empolga é Helô e Stênio (Giovanna Antonelli e Alexandre Nero). E o grande mérito está na performance dos atores – ótimos em seus personagens -, que mostram uma química perfeita em cena, capazes de arrancar risos e suspiros.

Helô e Stênio têm a torcida da empregada Creuza (Luci Pereira) e do público. Podem continuar rendendo ótimas cenas, e ainda servem de respiro cômico para a trama pesada do tráfico, que só faz degringolar o romance dos protagonistas Morena e Théo. E nem seria má ideia a promoção de Helô e Stênio a protagonistas da novela.

Sobre o autor

Nilson Xavier é catarinense e mora em São Paulo. Desde pequeno, um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: em 2000 lançou o site Teledramaturgia (http://www.teledramaturgia.com.br/), cujo sucesso o levou a publicar o Almanaque da Telenovela Brasileira, em 2007.

Sobre o blog

Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.