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Blog do Nilson Xavier

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“Balacobaco” afastou lembrança de “Máscaras” mas penou na audiência

Nilson Xavier

19/05/2013 15h53

Juliana Silveira e Bruno Ferrari em "Balacobaco" (Foto: Divulgação/TV Record)

Se a intenção da Record com "Balacobaco" era afastar o fantasma de "Máscaras", pode-se dizer que a meta foi atingida. "Máscaras" ficou no passado e é um projeto que a Record não faz questão de lembrar. Mas isso não quer dizer que "Balacobaco" teve vida fácil.

A novela causou estranhamento quando estreou. Era uma proposta completamente diferente da de sua antecessora. Colorida, espalhafatosa, num tom farsesco, metida a engraçada, com trilha popularíssima e personagens caricatos. Ficou claro que a inspiração da autora, Gisele Joras, foram dois sucessos recentes da Globo: a também colorida e alegre "Cheias de Charme" com a pegada "nova classe C" de "Avenida Brasil". Pode-se dizer que foi uma aposta corajosa jogar às 22h30 uma novela com forte apelo de comédia e características comuns às novelas do horário das sete da Globo.

Alguns ajustes na trama foram feitos logo no início, mas, passados sete meses da estreia, percebe-se que a sua proposta permaneceu fiel até o fim, o que é bastante louvável. Outro ponto positivo foi a Record ter mantido "Balacobaco" em seu horário original desde o começo – diferente de "Máscaras", que correu ao caminho dos ventos da audiência e das prioridades da grade da emissora, o que muito a prejudicou.

Infelizmente, a Record ainda não conseguiu recuperar os áureos dois dígitos na audiência que suas novelas tinham antes de "Máscaras". "Vidas em Jogo" fechou com uma média final de 12 pontos no Ibope da Grande São Paulo. "Máscaras" derrubou para a metade (6 pontos), e "Balacobaco" fecha com 7 pontos. Pelo visto, "Dona Xepa" terá bastante trabalho pela frente.

Não foi a melhor novela de Gisele Joras. Prefiro "Amor e Intrigas", de 2008. Mas o vilão Norberto foi o melhor papel de Bruno Ferrari na TV – um jovem ator que já havia chamado a atenção em trabalhos anteriores e que cresce a passos largos a cada papel.

Leia também: "Autora de Balacobaco revela fim de alguns personagens".

Sobre o autor

Nilson Xavier é catarinense e mora em São Paulo. Desde pequeno, um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: em 2000 lançou o site Teledramaturgia (http://www.teledramaturgia.com.br/), cujo sucesso o levou a publicar o Almanaque da Telenovela Brasileira, em 2007.

Sobre o blog

Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.