Blog do Nilson Xavier

87 anos de Lima Duarte: 10 fatos sobre o ator que você não sabia

Nilson Xavier

29/03/2017 07h00

Shankar em “Caminho das Índias” | Oscar em “Marron-Glacé”

Lima Duarte, um dos mais respeitados e queridos atores do Brasil, completa 87 anos nesse dia 29 de março. A maioria aqui cresceu vendo esse homem na TV! Inspirado por sua brilhante carreira e invejável galeria de personagens e tipos humanos, listo 10 curiosidades que você precisa saber sobre Lima. Ou melhor, sobre Ariclenes!

1. Seu nome de batismo é Ariclenes Venâncio Martins. O amigo Cassiano Gabus Mendes o homenageou ao batizar de Ariclenes um dos protagonistas da novela “Ti-ti-ti” (em 1985), interpretado por Luiz Gustavo (que, na trama, virou o costureiro Victor Valentim).

“I-eu?” (Sassá Mutema em “O Salvador da Pátria)

Egisto Ghirotto em “Os Ossos do Barão” (1ª versão) | Sassá Mutema em “O Salvador da Pátria”

2. Sassá Mutema, um de seus personagens mais famosos, tem suas origens na própria origem de seu intérprete. Ele era mineiro, como Lima, e citava o lugarejo Desemboque, onde o ator nasceu. Na verdade, Nossa Senhora da Purificação do Desemboque e Santíssimo Sacramento, distrito de Sacramento, Minas Gerais (região de Araxá e Uberaba). Lima nasceu em 29 de março de 1930, filho de um boiadeiro e uma artista circense. Ele conta que chegou em São Paulo, em 1946 (tinha 16 anos), a bordo de um caminhão de manga para tentar a vida na capital paulista. Ariclenes foi parar no rádio, onde fez de tudo, até se tornar radioator, adotando o nome artístico de Lima Duarte.

“Hilda, minha filha!” (Murilo Pontes em “Pedra Sobre Pedra”)

Murilo Pontes e Pilar Batista (Renata Sorrah) em “Pedra Sobre Pedra”

3. Lima foi pioneiro da TV brasileira. Estava lá em 1950, por ocasião da inauguração da primeira emissora no Brasil, a TV Tupi de São Paulo, onde trabalhou por 22 anos, como ator e diretor, até mudar-se para a TV Globo, em 1972. Lima esteve no elenco da célebre primeira telenovela brasileira, “Sua Vida Me Pertence“, em 1951-1952.

“Eu quero melão!” (Dom Lázaro Venturini em “Meu Bem Meu Mal”)

4. Lima Duarte é pai adotivo da atriz Débora Duarte – filha da também atriz Marisa Sanches (falecida em 2002), com quem Lima foi casado. Quando sua mãe se casou com Lima, Débora tinha um ano e oito meses. Ao entrar para a carreira de atriz, Débora adotou o sobrenome artístico do pai, Duarte. Lima é avô de Daniela e Paloma Duarte, filhas de Débora – Paloma, também atriz.

Boneco em “O Rebu” (1ª versão) | Zé Bolacha em “A Próxima Vítima”

5. Lima Duarte teve sua vida artística quase toda voltada ao rádio, à televisão, veículo que ajudou a profissionalizar, e ao cinema. Em 1961, foi atuar no Teatro de Arena, que fez história no teatro brasileiro, tendo participado de peças como “O Testamento do Cangaceiro“, em 1961, e “Arena Conta Zumbi“, em 1966. No cinema, o ator teve uma presença constante. Foram mais de 30 filmes, entre eles, “Chão Bruto” (1958), “A Queda” (1976), “Os Sete Gatinhos” (1980), “Sargento Getúlio” (1983), “A Ostra e o Vento” (1997), “O Auto da Compadecida” (2000), “Eu, Tu, Eles” (2000), “Dois Filhos de Francisco” (2005) e “Assalto ao Banco Central” (2011).

Lima também foi dublador, lá nos anos 60. Entre suas vozes célebres estão personagens famosos de desenhos animados dos estúdios Hanna-Barbera, como o gato Manda Chuva, o jacaré Wally Gator e o cão Dundum (parceiro da Tartaruga Tuchê).

Tatuapu (Claudio Heinrich) e Nikos em “Uga Uga”

6. Em 1984, Lima substituiu Rolando Boldrin na apresentação do programa dominical “Som Brasil“, sobre música regional brasileira. Lima ficou à frente do programa até seu término, em 1989. Foi também um dos apresentadores do “Você Decide“, na temporada de 1993.

Lucinha (Betty Faria) e Salviano Lisboa em “Pecado Capital” (1ª versão)

7. Lima Duarte foi um dos responsáveis pela nacionalização da telenovela brasileira. Esteve na equipe de “Beto Rockfeller” (1968-1969), novela da TV Tupi que revolucionou o gênero. Cassiano Gabus Mendes foi o idealizador, Bráulio Pedroso, o roteirista, e Lima Duarte e Walter Avancini, os diretores. Nessa novela, além de dirigir, Lima chegou a atuar, mas seu rosto nunca foi visto pelo público. Ele viveu uns cinco personagens efêmeros, que vinham e desapareciam, mas que o telespectador só ouvia a voz, via as mãos ou via de costas.

“Ooooooooouro!” (Major Bentes em “Fera Ferida”)

Afonso Lambertini em “Da Cor do Pecado” | Major Bentes em “Fera Ferida”

8. Pode-se afirmar que Lima foi contratado pela TV Globo quase que “por acaso”. Ao lançar a novela “O Bofe“, em 1972, a Globo quis reeditar a dupla responsável pelo sucesso de “Beto Rockfeller” da Tupi: Bráulio Pedroso como roteirista e Lima Duarte como diretor. Os dois vieram para o Rio para trabalhar na Globo, porém “O Bofe” foi um fracasso retumbante e teve seu fim antecipado. A novela substituta, “O Bem Amado“, de Dias Gomes, precisava de um ator para viver o matador Zeca Diabo, um papel, a princípio, pequeno. Lima estava sem fazer nada e sem contrato, e o diretor Daniel Filho perguntou se ele tinha interesse no papel. Lima aceitou, o personagem fez o maior sucesso e ganhou grande destaque na trama graças à interpretação marcante do ator. Lima Duarte nunca mais deixou a Globo. O personagem Zeca Diabo voltou em 1980, quando a emissora transformou a novela numa série semanal, que ficou no ar até 1984.

“Juro pelo meu padim padi Ciço Romão Batista!” ( Zeca Diabo em “O Bem Amado”)

Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo), Dirceu Borboleta (Emiliano Queiroz) e Zeca Diabo em “O Bem Amado”

9. Não se pode dizer que Lima foi um “galã romântico” de nossas novelas. Nessa função, o ator trocou beijos apaixonados com poucas atrizes. As mais marcantes foram Betty Faria em “Pecado Capital” (1975-1976), Regina Duarte em “Roque Santeiro” (1985-1986), Maitê Proença em “O Salvador da Pátria” (1989) e Renata Sorrah em “Pedra Sobre Pedra” (1992). Não existe “uma atriz com quem Lima mais contracenou”. Mas existe um ator: João Carlos Barroso, que viveu seu filho em três novelas: “O Bem Amado” (1973), “Pecado Capital” (1975-1976) e “Marron-Glacé” (1979-1980) e com quem trocou muitas cenas em “Roque Santeiro” (1985-1986), “O Salvador da Pátria” (1989) e “Pedra Sobre Pedra” (1992).

“Tô certo ou tô errado?” (Sinhozinho Malta em “Roque Santeiro”)

Viúva Porcina (Regina Duarte) e Sinhozinho Malta em “Roque Santeiro”

10. Lima Duarte é um dos maiores criadores de tipos de nossa televisão. Já interpretou os mais variados sotaques: o carioca malandro em “O Rebu“, o mineiro matuto em “O Salvador da Pátria“, o nordestino matuto em “O Bem Amado“, o nordestino arrogante, ao estilo dos coronéis, em “Roque Santeiro” e “Pedra Sobre Pedra“, o italiano em “Meu Bem Meu Mal“, “Os Ossos do Barão” e “I Love Paraisópolis”, o português em “Rainha da Sucata“, o grego em “Uga Uga“, o indiano em “Caminho das Índias“, o turco em “Belíssima” e na minissérie “Agosto“, o gaúcho em “Araguaia” e na minissérie “O Tempo e o Vento“.

Fotos: Acervo/TV Globo.
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Sobre o autor

Nilson Xavier é catarinense e mora em São Paulo. Desde pequeno, um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: em 2000 lançou o site Teledramaturgia (http://www.teledramaturgia.com.br/), cujo sucesso o levou a publicar o Almanaque da Telenovela Brasileira, em 2007.

Sobre o blog

Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.

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