Blog do Nilson Xavier

45 anos de Selva de Pedra, 10 curiosidades sobre a novela 100% de audiência

Nilson Xavier

12/04/2017 07h00

Cristiano (Francisco Cuoco) e Simone (Regina Duarte)

Considerada um clássico de nossa televisão, a novela “Selva de Pedra” de Janete Clair, completa, neste dia 12 de abril, 45 anos de estreia. Ficou famosa por ter atingido números de audiência aparentemente impossíveis. Hoje em dia, então, inimagináveis! Como seria a repercussão de “Selva de Pedra” na atualidade, com Netflix, audiência segmentada e pulverizada e com mais opções de entretenimento do que havia no início dos anos 1970? Seguem 10 curiosidades sobre a novela.

1. 100% de audiência

Durante a exibição do capítulo 152, em 04/10/1972 – a noite em que a personagem Simone (Regina Duarte) era desmascarada -, o índice de aparelhos sintonizados na novela em São Paulo e no Rio de Janeiro chegou aos 100%. Não houve um único entrevistado do Ibope que revelasse estar assistindo a outro canal.

2. Novelas em série

Selva de Pedra” foi a quarta de uma série de novelas consecutivas que Janete Clair roteirizou para o horário das oito da Globo, tamanha era sua capacidade inventiva e dedicação ao trabalho. Sim, uma após a outra, da mesma autora. Se hoje em dia, um novelista leva três anos para retornar, naquela época era prática trabalhar sem parar. Entre novembro de 1969 e janeiro de 1973, Janete escreveu, ininterruptamente: “Véu de Noiva”, “Irmãos Coragem” (mais de 1 ano no ar, uma das mais longas novelas da emissora), “O Homem que Deve Morrer” e “Selva de Pedra”.

Fernanda (Dina Sfat), Simone (Regina Duarte) e Jorge (Edney Giovenazzi)

3. Uma tragédia americana

O ponto de partida da trama foi a notícia de que um tocador de bumbo, numa praça do interior de Pernambuco, foi ridicularizado por outro rapaz e o matou. Entretanto, a história central era inspirada no romance “Uma Tragédia Americana”, de Theodore Dreiser (publicado em 1925), que já havia rendido duas versões cinematográficas em Hollywood: o filme, com o mesmo título do romance original, de Joseph Von Sternberg (em 1931), com Sylvia Sidney, Philips Holmes e Frances Dee; e o filme “Um Lugar ao Sol”, de George Stevens (em 1951), com Shelley Winters, Montgomery Clift e Elizabeth Taylor.

Caio (Carlos Eduardo Dolabella) e Miro (Carlos Vereza)

4. Propaganda subliminar do governo?

O pesquisador Ismael Fernandes cita em seu livro “Memória da Telenovela Brasileira”:
“O país vivia a fase do Milagre Brasileiro e com prazer se reunia à frente da televisão para assistir a vitória do bem sobre o mal, como mostrou o último capítulo. Acontecia um milagre na vida de Cristiano e Simone (Francisco Cuoco e Regina Duarte). Eles voltavam a se entender como nos duros tempos, mas não eram mais os mesmos. Agora eles se amavam envolvidos pelo dinheiro ao sabor do sucesso pessoal. Era o milagre brasileiro mesmo!”
Claro que Ismael estava sendo irônico! Porém, em época de ditadura militar, o brasileiro esquecia dos problemas embalado no sonho da prosperidade econômica prometida pelo governo.

Flavia (Sônia Braga), Jorge (Edney Giovenazzi) e Guido (João Paulo Adour)

5. A Censura, sempre ela!

Em agosto de 1972, a Censura Federal impediu o casamento de Cristiano (Francisco Cuoco) e Fernanda (Dina Sfat). Ainda que Cristiano acreditasse estar viúvo de Simone (Regina Duarte), considerada morta num desastre de carro (no que, inclusive, os demais personagens acreditavam), os obtusos censores consideraram a situação atentatória aos bons costumes da família brasileira, alegando que a personagem continuava viva e que, se Cristiano se casasse novamente, estaria incorrendo no crime de bigamia. Vinte e dois capítulos foram inutilizados e dezenas de sequências foram regravadas, a começar pela cena em que Fernanda espera o noivo na igreja. Anos depois, Janete Clair inventou uma pequena “vingança” para Dina Sfat: na novela “O Astro” (de 1978, em que Dina voltou a fazer par romântico com Francisco Cuoco), foi Amanda (Dina) quem faltou ao casamento com Herculano (Cuoco).

6. O acidente com o fusca

Em 1972, a cidade serrana de Petrópolis, no Rio de Janeiro, atraía diariamente dezenas de visitantes a dois pontos turísticos: a Rua Flávio Cavalcanti, onde se situava a mansão do popular apresentador de TV; e a estrada Rio-Petrópolis, no trecho próximo ao restaurante Belvedere, onde havia sido gravada a célebre sequência do acidente com o fusca de Simone. Foi a primeira vez na televisão brasileira que se gravou esse tipo de cena, com explosão de um carro. A sequência, gravada em preto-e-branco, impressiona até hoje. Eu tinha 6 anos quando vi (na reprise de 1975) e fiquei para sempre com essas imagens gravadas em minha memória.

7. Glória Pires menina

A então garotinha Glória Pires (com 9 anos na época) fez sua estreia como atriz em novelas. Sua personagem, Fátima, morava na Pensão Palácio, onde o casal Simone e Cristiano foram viver quando chegaram ao Rio. A atriz-mirim era creditada como Glória Maria na abertura. Também a estreia na Globo de Kadu Moliterno, numa ponta (ele assinava Carlos Eduardo, apenas).

Fátima (Glória Pires) e Irene (Agnes Fontoura)

8. Novela premiada

Por seus trabalhos na novela, Walter Avancini e Dina Sfat foram eleitos pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) o melhor diretor de novelas e a melhor atriz do ano de 1972. “Selva de Pedra” também foi premiada com o Troféu Imprensa de melhor novela do ano, e Francisco Cuoco e Regina Duarte levaram o prêmio de melhor ator e melhor atriz.

9. Reprise tapa-buraco

Selva de Pedra” foi reprisada três anos depois de sua apresentação original, num dos raros casos em que a Globo reprisou uma novela no horário nobre como tapa-buraco: entre 27/08 e 22/11/1975, em forma compacta (76 capítulos contra os 243 da exibição original). O motivo: substituindo a primeira versão de “Roque Santeiro”, que foi impedida de ir ao ar, censurada pelo Regime Militar.

10. Remake

Cristiano (Tony Ramos) e Simone (Fernanda Torres) no remake de “Selva de Pedra”

Foi produzido em 1986, mas não conseguiu repetir o êxito da primeira versão. No elenco, Fernanda Torres, Tony Ramos, Christiane Torloni e Miguel Falabella nos papéis que foram de Regina Duarte (Simone), Francisco Cuoco (Cristiano), Dina Sfat (Fernanda) e Carlos Vereza (Miro) em 1972.

AQUI tem tudo sobre “Selva de Pedra“: elenco completo, trama, curiosidades, trilha sonora.
Fotos: Acervo/TV Globo.
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Sobre o autor

Nilson Xavier é catarinense e mora em São Paulo. Desde pequeno, um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: em 2000 lançou o site Teledramaturgia (http://www.teledramaturgia.com.br/), cujo sucesso o levou a publicar o Almanaque da Telenovela Brasileira, em 2007.

Sobre o blog

Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.

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