Blog do Nilson Xavier

8 motivos para assistir a estreia de "Bebê a Bordo" no Viva

Nilson Xavier

14/01/2018 07h00

Isabela Garcia e Beatriz Bertú

O canal Viva estreia nesta segunda-feira (15/01), às 15h30 (reprise 0h30), a novela “Bebê a Bordo“, sucesso da década de oitenta. Escrita por Carlos Lombardi, com direção geral de Roberto Talma, a novela foi originalmente exibida entre junho de 1988 e fevereiro de 1989, e reprisada no Vale a Pena a Ver de Novo entre 1992 e 1993. Abaixo, 8 motivos para conferir essa produção que marcou época na TV brasileira.

Estilo lombardiano

Uma novela anárquica, ágil, repleta de ação, diálogos irônicos com pitadas melodramáticas, traçada com criatividade pelo autor, que estabeleceu com ela o seu estilo peculiar, iniciado modestamente em “Vereda Tropical” (1984-1985) e perpetuado em seus trabalhos posteriores: “Perigosas Peruas” (1992), “Quatro por Quatro” (1994-1995), “Vira-lata” (1996), “Uga Uga” (2000-2001), “Kubanacan” (2003-2004) e outras.

Maria Zilda e José de Abreu

A bebê Heleninha

A bebê da trama servia para unir os diversos núcleos da história. Cinco crianças se revezaram no papel da menina Heleninha, em diferentes fases de seu crescimento. Entretanto, foi Beatriz Bertú (da última fase, em que a bebê engatinhava), a que ficou mais tempo no ar, que encantou a todos, elenco, produção e, principalmente, o público. Beatriz cresceu e seguiu a carreira de atriz: formou-se em Teatro pela UniRio e pela Casa de Artes de Laranjeiras (CAL), no Rio de Janeiro, tendo já atuado em 15 peças.

Primeiro capítulo antológico

O primeiro capítulo exibiu uma sequência que entrou para história da TV: o parto de Heleninha no carro durante a perseguição com a polícia pelas ruas movimentadas de São Paulo. Na trama, Ana (Isabela Garcia), mãe grávida de nove meses, assalta um banco e rapta um carro usando o motorista Tonico Ladeira (Tony Ramos) como refém. Durante a fuga da polícia, ela sente as dores do parto e sua bebê nasce ali mesmo, no carro, pelas mãos de Tonico. As gravações pararam a Zona Oeste de São Paulo, na esquina das avenidas Brigadeiro Faria Lima e Nove de Julho, e na Rua Augusta.

Carla Marins e Guilherme Fontes

Levar uns coelhos

A dupla de irmãos Rico e Rei (Guilherme Leme e Guilherme Fontes) popularizou o bordão “levar uns coelhos”, dito naturalmente pelos personagens na novela, mas compreendido pelo público de forma debochada e maliciosa: significava “transar”, o ato sexual. Os lenços usados na cabeça por Rei viraram moda na época. Ele e seu irmão andavam meio largados, sem muita preocupação com a estética. Lombardi os descreveu como neo-hippies. A figurinista Sônia Soares sugeriu o lenço para o personagem de Guilherme Fontes porque ele era entregador de pizza.

Tony Ramos cômico

Fugindo do rótulo de galã, o ator exercitou pela primeira vez em uma novela a sua veia cômica, compondo de forma inusitada o seu personagem, Tonico Ladeira. Lombardi pensou em dar ao ator um papel que ele nunca tinha vivido até então, o de um rapaz muito ansioso e cheio de manias. Segundo o autor, ele seria uma mistura de sua própria personalidade com a do diretor Roberto Talma. Por sua atuação, Tony Ramos foi premiado com o Troféu Imprensa de melhor ator de 1988. Em 2006, Lombardi praticamente reeditou Tonico Ladeira em sua novela “Pé na Jaca“, com um personagem muito semelhante: Arthur Fortuna, vivido por Murilo Benício.

Tony Ramos | Dina Sfat e Armando Bógus

Dina Sfat

Bebê a Bordo” foi o último trabalho da atriz na TV, falecida (vítima de câncer) em 20 de março 1989, pouco mais de um mês após o término da novela. A atriz Bel Kutner (filha de Dina e do ator Paulo José), em uma de suas primeiras aparições na TV, fez participações especiais como Laura (personagem de Dina na novela) jovem, em cenas de flashback.

Filha da mãe!

O título da novela – “Bebê a Bordo” – foi uma ideia de Boni (então poderoso chefão da Globo). O nome primeiramente pensado, “Filha da Mãe“, foi proibido pela Censura da Nova República, que justificou o seu veto: “O título, no contexto, sugere ‘… expressão eufemística para filho da puta’ (Novo Dicionário Aurélio), sendo, portanto, apelativo’“. (Cláudio Ferreira em “Beijo Amordaçado – A Censura às Telenovelas Durante a Ditadura Militar”). Este nome, por sua vez, acabou sendo usado em 2001 para uma novela de Silvio de Abreu: “As Filhas da Mãe“.


Trilha sonora

Os LPs da novela venderam como água. O disco internacional é repleto de hits das FMs da época. O mais executado era “Build“, da banda inglesa Housemartins, música mas conhecida por aqui como “Melô do Papel” (papapapapaa-peeeel). Também fez sucesso a curiosa “Electrica Salsa” (babá-babá), do DJ alemão Sven Väth, creditado no disco como OFF. A trilha nacional é ótima: “Mordida de Amor“, com a banda Yahoo, remete imediatamente à novela; “O Beco” (Os Paralamas do Sucesso), “Adoro” (Léo Jaime, que está no elenco da novela, como ator), “Quase Não Dá Para Ser Feliz” (Dalto), “Preciso Dizer que Te Amo” (Marina Lima), “Amor Bandido” (Joanna), “De Igual Pra Igual” (José Augusto), o tema de abertura “Amor e Bombas” (Eduardo Dussek) e outras.

AQUI tem tudo sobre “Bebê a Bordo“: trama, elenco, personagens, trilha e curiosidades.

Fotos: Acervo Globo.
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Sobre o autor

Nilson Xavier é catarinense e mora em São Paulo. Desde pequeno, um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: em 2000 lançou o site Teledramaturgia (http://www.teledramaturgia.com.br/), cujo sucesso o levou a publicar o Almanaque da Telenovela Brasileira, em 2007.

Sobre o blog

Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.

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