Blog do Nilson Xavier

Fato raro na Globo: nenhuma das principais novelas se passa no Rio ou SP

Nilson Xavier

27/03/2018 07h00

Cena de “O Outro Lado do Paraíso” (Foto: reprodução)

As atuais produções dos principais horários de novelas da Globo estão sendo ambientadas fora do eixo Rio-SP. Sim, trata-se de um fato raríssimo! Com exceção de “Malhação” (Rio de Janeiro), as novelas da emissora não mostram os batidos cartões postais das duas maiores cidades brasileiras, como nos acostumamos a ver por quase 50 anos.

Claro que são várias as histórias que se passaram em lugares fictícios ou nas outras regiões do país. Mas as três novelas no ar, ao mesmo tempo?

A trama das seis, “Orgulho e Paixão“, se passa no fictício Vale do Café, interior do estado de São Paulo. Alguns personagens até irão passar uma temporada na capital paulista. Mas trata-se de uma história na década de 1910, muito longe da São Paulo de hoje. A novela das sete, “Deus Salve o Rei“, é uma pretensa trama medieval ambientada na fictícia região da Cália, tendo dois reinos como foco, Montemor e Artena.

Já “O Outro Lado do Paraíso” tem como cenário o estado do Tocantins, mais precisamente a região do Jalapão e a capital Palmas. Ainda que com um núcleo no Rio de Janeiro, digamos que mais de 90% das cenas são fora da Cidade Maravilhosa. Optou-se por mostrar uma região pouco (ou nunca) visitada pela nossa ficção televisiva.

“Orgulho e Paixão” | “Deus Salve o Rei” (Fotos: divulgação/TV Globo)

Sabe quando essa situação aconteceu antes? Apenas uma vez: no primeiro semestre de 1989, quando a Globo exibia às seis da tarde a novela “Pacto de Sangue“, trama de época ambientada na região de Campos dos Goytacazes, norte fluminense; às sete, “Que Rei Sou Eu?“, que se passava em um reino fictício, Avilan; e às oito, a novela “O Salvador da Pátria“, em Ouro Verde e Tangará, duas fictícias cidades do interior paulista.

São os únicos momentos (1989 e hoje) na história das novelas da Globo em que paisagens urbanas contemporâneas do Rio e São Paulo, as praças que mais interessam ao mercado publicitário, deixaram de servir de vitrine para a audiência em suas três principais faixas de novelas. Com isso, além de variar e arejar os cenários, a emissora atende uma grande fatia do público que anseia em se ver retratada na telinha. Demonstra a intenção em gerar no povo de outras regiões identificação e representação. E assim arregimentar mais audiência.

Por vezes, a emissora divide as cenas das novelas entre cidades diferentes, mas mantem um núcleo forte no Rio ou SP – com pelo menos 75% das cenas nessas cidades. “A Força do Querer” começou no Pará, mas logo os personagens migraram para o Rio (capital e região metropolitana). Já a novela “Em Família” (de 2014), tinha um núcleo em Goiás – e não por acaso: historicamente, é um dos estados onde a Globo tem menos audiência.

“Onde Nascem os Fortes” | “Segundo Sol” (Foto: divulgação/TV Globo)

E a coisa não para por aí. As duas próximas produções da emissora também estarão fora deste eixo. “Onde Nascem os Fortes“, a supersérie que estreia mês que vem, é toda ambientada no sertão da Paraíba. E a novela das nove que substitui “O Outro Lado do Paraíso” em maio, “Segundo Sol“, se passará totalmente na Bahia.

Ainda sobre este assunto, lembrei de uma prática antiga da Globo que foi abandonada: começar a novela das oito/nove em um algum país no estrangeiro – como várias das tramas das oito da década de 1990. Uma prática que foi perdendo força a partir dos anos 2000. As últimas foram “Salve Jorge” (2012-2013) com sequências gravadas na Turquia, “Amor à Vida” (2013) no Peru e “Babilônia” (2015) em Dubai. De lá para cá, nenhuma novela ousou começar fora de terras brasileiras.

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Sobre o autor

Nilson Xavier é catarinense e mora em São Paulo. Desde pequeno, um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: em 2000 lançou o site Teledramaturgia (http://www.teledramaturgia.com.br/), cujo sucesso o levou a publicar o Almanaque da Telenovela Brasileira, em 2007.

Sobre o blog

Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.

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