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Blog do Nilson Xavier

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Decepção para a Record, Apocalipse termina com menos audiência que reprises

Nilson Xavier

25/06/2018 21h36

Flávio Galvão (foto: reprodução)

Foi um desastre de proporções bíblicas mesmo. Uma grande decepção para a Record. Talvez porque a expectativa fosse alta demais. A emissora tinha pretensões de voltar a incomodar a Globo, mas “Apocalipse'' foi a novela que menos repercutiu desde “Os Dez Mandamentos'' (2015-2016). Apocalipse, só nos números do Ibope.

A Record fez grande alarde para sua estreia. No lançamento, foi dada ênfase aos efeitos especiais. O investimento foi alto, com frentes de trabalho em Nova York, Roma e Israel e a contratação de um elenco grandioso, de mais de 100 atores, boa parte conhecidos do grande público. Claro que, à medida que a trama avançava, o número de personagens ia diminuindo e a pirotecnia (efeitos especiais) aumentando.

Mas pirotecnia não salva novela. Quando no máximo desperta curiosidade: a estreia (em 21/11/2017), que teve um tsunami relâmpago, foi o capítulo com recorde de audiência, jamais superado depois. Novela ainda é folhetim. Bom quando desperta a curiosidade da audiência com pirotecnia, desde que tenha uma boa história a ser contada: os curiosos permanecem. Foi assim com “Os Dez Mandamentos“. Não por acaso, a novela inédita da Record perdia em audiência para a reprise da saga de Moisés, exibida no horário anterior. Quando folhetim + pirotecnia são bons, o público prestigia de novo.

Os números (Ibope da Grande São Paulo)
A meta de “Apocalipse'' era de 10 pontos, mas terminou com média geral em torno dos 8. Menos de dois dígitos é sempre preocupante quando a concorrência passa fácil disso. É menos que a novela inédita anterior no horário, “O Rico e Lázaro'' (10 pontos de média geral). Enquanto isso, no horário anterior, a reprise de “Os Dez Mandamentos'' estava sempre na frente (média geral de 10 pontos). O que prova que parte do público que nela estava, ou desligava a TV ou trocava de canal quando começava “Apocalipse“.

Sérgio Marone (foto: divulgação/Record TV)

Exibida em horário mais nobre, a trama sobre o Fim dos Tempos registrou menos audiência que a reprise de “A Escrava Isaura“, há um ano, na faixa anterior, e menos que “Escrava Mãe'' (antes de “A Escrava Isaura'' no horário). A bem da verdade, a audiência na faixa das 20h30-21h45 vem caindo a cada novela após “Os Dez Mandamentos“, enquanto a concorrência, quando não cresceu (“A Força do Querer“, “O Outro Lado do Paraíso“, “As Aventuras de Poliana“), se manteve linear (“Carinha de Anjo“). O desempenho de “Apocalipse'' só não foi pior que o de “Belaventura“, que fechou em quase 6 pontos – porém exibida no horário anterior, que teoricamente tem menos público.

Concorrência munida
A novela da Record enfrentou concorrência feroz com “O Outro Lado do Paraíso“, um dos maiores sucessos dos últimos anos da Globo. Quando esta foi substituída por “Segundo Sol“, parte do público migrou para a nova atração infantil do SBT, “As Aventuras de Poliana“, que dá quase o dobro da audiência da Record: tem batido os 14 e 15. E “Segundo Sol“, na Globo, que tem momentos de confronto direto com as novelas do SBT e Record, se mantem nos 33 pontos.

A Record aprendeu que novela bíblica funciona, com roupas de época e ambientações na Antiguidade. Novela contemporânea com pregação religiosa e pouco apelo folhetinesco deve prender apenas o público cativo da emissora da Igreja Universal. A Record apostou alto demais para arregimentar público com essa nova proposta. Mas só espantou.

Por fim, foi a produção bíblica menos vista de todas, desde a primeira no Recnov (“A História de Ester“, em 2010). O último capítulo de “Apocalipse'' durou menos de uma hora e deixou a estranha sensação de que a emissora se livrava de uma vez por todas de sua novela.

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Sobre o autor

Nilson Xavier é catarinense e mora em São Paulo. Desde pequeno, um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: em 2000 lançou o site Teledramaturgia (http://www.teledramaturgia.com.br/), cujo sucesso o levou a publicar o Almanaque da Telenovela Brasileira, em 2007.

Sobre o blog

Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.