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Blog do Nilson Xavier

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25 anos da novela "Sonho Meu": por que esse sucesso nunca foi reprisado?

Nilson Xavier

27/09/2018 10h34

Carolina Pavanelli e Elias Gleizer

Há 25, a Globo estreou uma das novelas de maior sucesso dos anos 1990: "Sonho Meu", assinada por Marcílio Moraes, com supervisão de texto de Lauro César Muniz. Foi exibida essa única vez, entre setembro de 1993 e maio de 1994. A novela encantou pela história da pequena órfã, Laleska, maltratada em um orfanato, que encontra carinho nos braços de um bom velhinho, Tio Zé.

E pelo carisma da intérprete da menina, Carolina Pavanelli, que na época tinha 6 anos, em cenas emocionantes com Elias Gleizer (falecido em 2015). Hoje, formada em Comunicação, Carolina trabalha no Rio de Janeiro como professora de Língua Portuguesa. Também é escritora, tem dois livros publicados: "Sonho de Criança" e "Longe de Alguém Tão Perto".

Carolina Pavanelli em 1993 e em 2015, em uma reportagem para o Vídeo Show

A base para Marcílio Moraes escrever "Sonho Meu" foram as tramas centrais de duas antigas novelas de sucesso. De "A Pequena Órfã" (TV Excelsior, 1968), o autor retirou a história da amizade da menina e o velhinho (interpretados nesta novela por Patrícia Aires e Dionísio Azevedo). De "Ídolo de Pano" (TV Tupi, 1974), a disputa de dois irmãos pelo amor da mesma mulher (personagens de Tony Ramos, Denis Carvalho e Elaine Cristina).

Patrícia França e Leonardo Vieira eram os protagonistas românticos da trama de "Sonho Meu". Fábio Assunção, o antagonista. Patrícia e Leonardo ganharam os papéis principais por causa da repercussão como casal romântico na primeira fase da novela "Renascer" (1993).

Leonardo Vieira, Patrícia França e Fábio Assunção

Mas, por que uma novela de tanto sucesso, que registrou altos índices de audiência, nunca foi para o "Vale a Pena Ver de Novo"? A reprise foi sendo protelada, e quando estava no limite de tempo para a reapresentação, não pôde mais. A resposta mais cabível está na concorrência.

Credita-se esse "esquecimento" a parte dos principais profissionais envolvidos (os autores Marcílio MoraesLauro César Muniz e os atores protagonistas Patrícia França e Leonardo Vieira) terem migrado para a Record TV na fase de expansão da dramaturgia da emissora, entre 2004 e 2010, época limite para a reprise de "Sonho Meu", antes de ela ficar muito "velha" para a reexibição. Outro motivo: a história da pequena órfã voltou à TV em 2005, numa nova versão, e pela Record, como uma das tramas da novela "Prova de Amor", de Tiago Santiago, com Rogério Fróes (o velhinho) e Júlia Magessi (a menina).

Atualmente, a princípio, nada impede uma reprise no canal Viva. Patrícia França, Leonardo Vieira e Lauro César Muniz não estão mais na Record. Porém, Xuxa está. Ela gravou com o cantor José Augusto a marcante música da abertura:  ♫♪ Sonho meu, sonho meu. Eu posso tudo que eu sonhar! Se eu levar a vida a sério, se eu fizer direito, se eu acreditar… ♬

Daniela Camargo, Fábio Assunção e Beatriz Segall

Afastando-se do eixo Rio/São Paulo e Nordeste (prática na época), a trama de "Sonho Meu" foi centralizada em Curitiba, no Paraná, o que proporcionou uma beleza extra às locações, com imagens pouco comuns ao telespectador. A cidade cenográfica reproduziu detalhes da arquitetura de Curitiba, em evidência na ocasião.

Foi a primeira novela do ator Ângelo Paes Leme. E o último trabalho de Cláudia Magno, que faleceu durante a exibição da trama. A atriz entrou quando "Sonho Meu" já havia iniciado, mas não chegou a concluí-la. Cláudia deixou a produção já adoentada e faleceu em 05/01/1994, aos 35 anos de idade, de insuficiência respiratória aguda (em decorrência de Aids).

Para saber mais de "Sonho Meu", AQUI tem tudo: outras curiosidades, a trama, todo o elenco, os personagens e a trilha sonora.

Fotos: Acervo TV Globo.

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Sobre o autor

Nilson Xavier é catarinense e mora em São Paulo. Desde pequeno, um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: em 2000 lançou o site Teledramaturgia (http://www.teledramaturgia.com.br/), cujo sucesso o levou a publicar o Almanaque da Telenovela Brasileira, em 2007.

Sobre o blog

Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.