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Blog do Nilson Xavier

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"Nunca fui um ator de novela, não sinto falta", diz Luiz Fernando Guimarães

Nilson Xavier

22/11/2018 07h21

Luiz Fernando Guimarães (reprodução)

O ator Luiz Fernando Guimarães – no ar como o excêntrico Amadeu Barone da novela "O Tempo Não Para" – conversou com o escritor e blogueiro Ricardo Pierocini sobre sua carreira (de mais de 40 anos) e suas parcerias no teatro e televisão. Perguntado se sentia falta de atuar em novelas, Luiz Fernando foi categórico: "Não! Nunca fui um ator de novela. Comecei a fazer novela por acaso."

Ele revelou que começou a trabalhar em novelas por relações afetivas, com o autor Silvio de Abreu e com os diretores Jorge Fernando e Guel Arraes, seus amigos. "Voltei a fazer [bem] depois ["Cordel Encantado"], um mordomo que entrava mudo e saía calado. Me convidaram de última hora. Em "O Tempo Não Para" também, fui convidado na última hora porque era o Ney Latorraca que ia fazer [o personagem]. Me chamaram e topei. Mas meu histórico de TV não é novela, nunca foi. Mas me divirto tanto quanto fazendo outro programa… Agora! Antes era mais penoso."

Luiz Fernando revelou também que entrou tardiamente na carreira de ator: "Comecei a me relacionar com teatro cedo, mas não segui. Fui fazer outras coisas, ser bancário. Mais adiante, já com 25 anos, me deparei com o teatro de novo. Era a segunda vez que ele aparecia e pensei 'Vamos aceitar, né!'".

Sobre a escolha de seus trabalhos, Luiz Fernando Guimarães comentou que usa a intuição e que gosta de trabalhar com amigos: "Vou um pouco pelo afetivo e pela intuição. Tenho uma intuição muito forte e aprendi a lidar com ela. Acho que alguns [trabalhos] chegaram do céu. Como a novela 'eu topo, vou fazer!'. Outros são pensados assim 'quero trabalhar com essa pessoa'. Daí resulta numa coisa boa. Ou 'essa peça é muito boa, vai ser bom fazer, depois eu penso como serão as relações'. Tem sempre um critério, mas não é o mesmo."

"Eu gosto de curtir a arte de representar e me divirto. E gosto que a pessoa que esteja me vendo se divirta também. Para chegar até aí, eu estudo muito. Eu armo o meu circo para poder brincar."

Sobre parcerias, o ator falou de alguns nomes.
Regina Casé: "Devo o teatro a ela, ela me levou pelas mãos. Sou amigo-irmão até hoje."
Débora Bloch: "Depois do TV Pirata, fizemos uma peça. Aprendemos a fazer tudo, crescemos sendo produtores, discutindo cenários, luz, colocando nossa sensibilidade para fora."
Guel Arraes: "Ele era fã do Asdrúbal Trouxe o Trombone [grupo teatral do qual participou]. Ele me levou para a televisão, foi meu padrinho."
Jorge Fernando: "Da mesma época [que o Guel], da mesma turma. Nessa época, conheci muita gente: Mauro Rasi, Vicente Pereira, Miguel Falabella, Pedro Cardoso, Felipe Pinheiro, um time de escritores e atores que formou uma nova geração na televisão."
Fernanda Torres: "Após uma peça juntos, fomos para a África. Quando voltei, me chamaram para fazer Os Normais. Foi quando levei a Fernanda. Mostrei as fotos da viagem e falei: 'já tenho a minha noiva!'"

Sobre sua vida pessoal, Luiz Fernando Guimarães acredita que as pessoas conheçam 50%: "Não escondo. Mas acho que o que interessa ao público é o meu trabalho, o que penso disso, daquilo. Sempre me coloco exatamente como eu sou, não forço minha barra de jeito nenhum. O que não é para saberem, porque não são meus íntimos, não é para saber. Então imagino que seja 50%. Chutei!"

Assista à entrevista completa:

Sobre o autor

Nilson Xavier é catarinense e mora em São Paulo. Desde pequeno, um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: em 2000 lançou o site Teledramaturgia (http://www.teledramaturgia.com.br/), cujo sucesso o levou a publicar o Almanaque da Telenovela Brasileira, em 2007.

Sobre o blog

Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.