Blog do Nilson Xavier

45 atores e outros profissionais de TV que faleceram durante as novelas
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Nilson Xavier

Jardel Filho / Umberto Magnani / Sérgio Cardoso

Jardel Filho / Umberto Magnani / Sérgio Cardoso

A morte repentina de um ator que está atuando em uma novela marca a todos: desde os profissionais que conviviam com ele por trás das câmeras, até os telespectadores acostumados com a sua presença diária no vídeo. Na semana que passou, perdemos Umberto Magnani, que atuava em “Velho Chico“. Abaixo, listo mais 45 atores, diretores e roteiristas de novelas, minisséries e séries brasileiras que morreram vítimas de doença, acidentes, suicídios e até um assassinato. Minha fonte é o “Almanaque da Telenovela Brasileira'' (atualizado), de minha autoria, e as fotos são de divulgação.

1. Na época em que participava da novela “Sangue e areia'' (Globo), o ator Amilton Fernandes sofreu um acidente de automóvel, em 29/01/1968. Ele ficou hospitalizado 69 dias, passando por seis cirurgias. Amilton veio a falecer em 07/04/1968, em decorrência das sequelas causadas pelo acidente.

2. Um acidente automobilístico também vitimou o jovem ator Celso Marques, em 16/09/1968, enquanto ele atuava em “A gata de vison'' (Globo). Sua morte ocorreu dois dias antes do ator completar 26 anos.

3. O garoto Noel Marcos, filho do casal de atores Dionísio Azevedo e Flora Geny, faleceu no dia 01/11/1969, quando estrelava sua primeira novela, “Seu único pecado'' (Record), dirigida pelo pai. O triste fato fez interromper a produção. O menino foi vítima de um atropelamento enquanto passeava com sua bicicleta nova no bairro do Sumaré, em São Paulo, onde residia.

4. A atriz Glauce Rocha, uma das protagonistas da novela “Hospital'' (Tupi), morreu de parada cardíaca no decorrer da trama, em 12/10/1971. Faltavam apenas cinco capítulos para a atriz concluir as gravações de sua personagem, Helena.

5. O ator Sérgio Cardoso morreu de ataque cardíaco, aos 47 anos de idade, no dia 18/08/1972, quando faltavam 28 capítulos para terminar a novela “O primeiro amor'' (Globo). Seu papel passou a ser interpretado por Leonardo Villar. A substituição do personagem foi feita com todo o elenco reunido no estúdio. Sérgio Cardoso aparecia saindo por uma porta em sua última aparição na novela. Depois, com a cena congelada no vídeo, um texto lido pelo ator Paulo José explicava o que acontecera e relembrava a trajetória do ator. Por fim, batia-se à porta e, quando a cena recomeçava, entrava Leonardo Villar, sendo recebido pelo elenco.

Amilton Fernandes / Glauce Rocha / Sérgio Cardoso

Amilton Fernandes / Glauce Rocha / Sérgio Cardoso

6. “O Conde Zebra'' (Tupi) foi o último trabalho do ator Otelo Zeloni, cujo falecimento interrompeu a novela. No dia 28/12/1973, a trama foi retirada do ar em função do estado de saúde do ator, que interpretava o protagonista. Um tumor cerebral, cujos primeiros sintomas haviam se manifestado trinta dias antes, o levou na manhã seguinte, em 29/12/1973.

7. A atriz Rachel Martins, que vivia Zazá em “A barba azul'' (Tupi), faleceu durante a novela, em 02/12/1974. A atriz não foi substituída. As vezes da personagem foram feitas por outra: Olga, de Wilma de Aguiar.

8. Em março de 1975, o seriado “A grande família'' (a primeira versão) foi suspenso, por causa da morte de seu principal roteirista, Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, vítima de câncer. Paulo Pontes chegou a substituí-lo como redator principal, mas terminou por se achar sem condições psicológicas para continuar a tarefa.

9. Em 1976, pouco tempo depois de concluir sua participação na novela “Xeque-mate'' (Tupi), o ator Paulo Padilha cometeu suicídio, enforcando-se.

10. O ator Zanoni Ferrite, que era anunciado nas chamadas de estreia do remake “O direito de nascer'' (Tupi) como o personagem Dom Jorge Luiz, faleceu num desastre automobilístico em julho de 1978, sendo substituído na novela por Adriano Reys.

11. O ator Oscar Felipe faleceu em 1980, enquanto participava da novela “A deusa vencida'' (Band). Foi substituído na trama por Felipe Levy.

12. O jovem ator Osmar de Matos foi escalado para “As três Marias'' (Globo), na qual viveria o personagem Cleber. Entretanto, ele foi vítima de um acidente automobilístico (tinha 22 anos) numa rodovia em São Paulo, em outubro de 1980, antes da novela estrear. Osmar chegou a gravar apenas os primeiros capítulos. Com seu falecimento, o personagem deixou de existir.

13. O ator Rafael de Carvalho faleceu em 03/05/1981, enquanto a novela “Rosa baiana'' (Bandeirantes) estava sendo rodada. O autor, Lauro César Muniz, descartou a hipótese de matar o personagem ou substituir o ator. Assim sendo, ele fez com que o personagem Edmundo Lua Nova abandonasse sua família, deixando a trama.

14. Márcia de Windsor faleceu em agosto de 1982, durante a última semana de exibição da novela “Ninho da serpente'' (Bandeirantes), na qual atuava. Faltava gravar as últimas cenas de sua personagem.

15. “Sol de verão'' (Globo) culminou com a morte de Jardel Filho, que vivia Heitor, um dos protagonistas. O ator morreu de ataque cardíaco em 19/02/1983. Manoel Carlos, o autor, sentiu-se impossibilitado de terminar a novela como havia planejado. Lauro César Muniz foi então acionado e escreveu os 17 capítulos finais, precipitando seu término. A saída encontrada para explicar o sumiço do personagem foi uma viagem. No primeiro capítulo sem Jardel Filho, o elenco, emocionado, fez uma homenagem ao ator.

16. “Eu prometo'' (Globo) foi o último trabalho de Janete Clair, que faleceu de câncer no intestino, aos 58 anos de idade, no dia 16/11/1983, tendo escrito a novela até o capítulo 60. Glória Perez, terminou de escrevê-la após sua morte, com supervisão de texto de Dias Gomes, marido de Janete.

Jardel Filho / Janete Clair / Yara Amaral

Jardel Filho / Janete Clair / Yara Amaral

17. O ator Ricardo Zambelli faleceu em um acidente de moto durante o Carnaval de 1985, poucos dias depois da estreia da novela “Um sonho a mais“, em que viveria o personagem Felipe, papel que deixou de existir por conta da morte do ator. Ele era marido da atriz Zaira Zambelli e este seria seu primeiro personagem fixo em uma novela.

18. Em “A gata comeu'' (Globo, 1985) a atriz que foi escalada e começou a gravar como a personagem Dona Biloca, era Ema D'Ávila. Porém, uma semana antes da estreia, ela faleceu. A produção da novela escalou uma nova atriz para a personagem: Norma Geraldy.

19. A atriz Yara Amaral faleceu pouco mais de um mês depois de terminar sua participação na novela “Fera radical'' (Globo). Ela foi vítima da tragédia do barco Bateau Mouche IV, que afundou na baía de Guanabara no réveillon de 1989.

20. “Bebê a bordo'' (Globo) foi o último trabalho da atriz Dina Sfat, falecida em março de 1989, vítima de câncer, um mês depois de concluir sua participação na novela.

21. Por motivo de doença, Lauro Corona deixou a novela “Vida nova'' (Globo) em sua reta final. Sua última cena, a despedida de seu personagem, o português Manoel Vitor, foi uma das mais comoventes sequências da trama. Nela, o personagem parte para Portugal, numa noite de chuva, ao som de um poema de Fernando Pessoa, declamado em off pelo ator. Lauro Corona veio a falecer em julho de 1989, aos 32 anos de idade, vítima de complicações causadas pela Aids.

22. O ator Lutero Luiz faleceu durante a novela “O sexo dos anjos'' (Globo), em 20/02/1990. Seu personagem, o jardineiro Bastião, não foi substituído, simplesmente saiu de cena.

Dina Sfat / Lauro Corona / Lutero Luiz

Dina Sfat / Lauro Corona / Lutero Luiz

23. Chiquinho Brandão havia gravado cerca de vinte capítulos da minissérie “O sorriso do lagarto'' (Globo), quando morreu num acidente automobilístico, em 04/06/1991. Para ocupar o seu lugar, os autores providenciaram um primo do personagem, que foi vivido por Stepan Nercessian.

24. O entrecho de maior repercussão da novela “De corpo e alma'' (Globo) não era ficção, mas realidade. Na noite do dia 28/12/1992 a jovem atriz Daniela Perez – filha da autora da trama, Glória Perez – foi violentamente assassinada pelo seu colega de elenco, o ator Guilherme de Pádua, e a mulher dele, Paula Tomaz. Na novela, os dois viviam um par romântico, Yasmin e Bira. Glória Perez conduziu a novela até o fim, mesmo abalada pelo crime. A saída de Yasmin da trama foi explicada com uma viagem. Já o personagem Bira simplesmente deixou de existir.

25. A atriz Dayse Tenório foi escalada para viver Alice, governanta na casa da família Assunção em “Mulheres de Areia“. Mas faleceu em janeiro de 1993 – antes da novela estrear – vítima de um acidente automobilístico, aos 33 anos de idade. Algumas cenas haviam sido gravadas mas não foram substituídas. A personagem Alice apareceu nos primeiros capítulos da novela e a governanta logo foi substituída por outra, com outro nome.

26. O ator Armando Bógus faleceu em 02/05/1993, vítima de leucemia, pouco tempo depois de concluir uma participação na minissérie “Sex appeal'' (Globo). As cenas com o ator foram ao ar depois que ele já havia falecido, pois a minissérie estreou em 01/06/1993.

Daniela Perez / Armando Bógus / Cláudia Magno

Daniela Perez / Armando Bógus / Cláudia Magno

27. “O mapa da mina'' (Globo) foi o último trabalho de Cassiano Gabus Mendes que faleceu em 18/08/1993, antes da novela ser finalizada. O autor havia deixado todos os capítulos já escritos, e o último foi ao ar em 04/09/1993. A novela terminou com uma homenagem: logo depois da última cena, Lima Duarte (numa participação) despediu-se do amigo com um emocionado depoimento pessoal, em nome de toda a equipe da novela e da própria emissora.

28. Felipe Pinheiro faleceu em 01/11/1993, em conseqüência de problemas cardio-respiratórios, sem ter concluído sua participação em “Olho no olho'' (Globo). A solução encontrada para a saída do personagem da trama foi uma viagem: na novela, Felipe vivia um ator, que foi viajar para tentar a vida em Los Angeles.

29. Cláudia Magno entrou para o elenco de “Sonho meu'' (Globo) quando a novela já havia iniciado, mas não chegou a concluí-la. A atriz deixou a trama adoentada e faleceu em 05/01/1994, aos 35 anos de idade, de insuficiência respiratória aguda (em decorrência de Aids).

30. “A idade da loba'' (Bandeirantes) foi o último trabalho do ator Luiz Carlos Arutin, que faleceu em 08/01/1996, alguns dias antes da novela terminar. Sua participação na trama já havia sido gravada. O ator morreu asfixiado num incêndio em seu apartamento, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

31. Em “Xica da Silva'' (Manchete), o ator Alexandre Lipiani morreu antes do fim da novela. Ele faleceu em decorrência de um acidente automobilístico quando as gravações ainda não haviam sido encerradas. Sua última aparição foi no capítulo exibido em 28/07/1997, que teve uma homenagem da produção da novela.

32. Thales Pan Chacon faleceu um mês após o término da novela “Os ossos do barão'' (SBT), em 02/10/1997, aos 41 anos, de parada respiratória em decorrência de complicações relacionadas ao vírus da Aids.

Luiz Carlos Arutin / Alexandre Lipiani / Thales Pan Chacon

Luiz Carlos Arutin / Alexandre Lipiani / Thales Pan Chacon

33. O diretor Paulo Ubiratan faleceu de ataque cardíaco, aos 51 anos de idade, em abril de 1998, enquanto concluía seu trabalho como diretor artístico da novela “Por amor'' (Globo), e iniciava a nova atração das sete horas, “Meu bem querer“, em fase de pré-produção. No último capítulo de “Meu bem querer'', o elenco prestou uma homenagem.

34. O diretor Walter Avancini, já debilitado, iniciou seu trabalho na novela “A Padroeira'' (Globo) mas não chegou a ver sua obra finalizada: por problemas de saúde foi afastado da produção em julho de 2001, vindo a falecer em 26 de setembro daquele ano.

35. O ator Luiz de Lima, que fazia uma pequena participação em “Esperança'' (Globo), como pai do português Murruga (Nuno Lopes), faleceu no decorrer da novela, em 2003. Saiu de cena o pai do personagem e entrou a mãe, interpretada por Beatriz Segall.

36. O ator Rogério Cardoso, o Seu Flor da série “A grande família'' (Globo), faleceu no dia 24/07/2003, aos 66 anos de idade, vítima de um ataque cardíaco fulminante. Em agosto de 2005, foi a vez de Francisco Milani partir. Ele havia sido chamado para cobrir a ausência de Rogério Cardoso, interpretando Juvenal, o Tio Mala, que aparecia esporadicamente no seriado.

37. Leonor Bassères, coautora de Gilberto Braga em “Celebridade'' (Globo), faleceu no dia 29/01/2004, vítima de câncer. Ela foi parceira constante de Gilberto em suas novelas e minisséries desde o início dos anos 1980. Com a morte de Leonor, o novelista Ricardo Linhares foi convidado por Gilberto para contribuir nos rumos de sua história.

38. Com problemas de saúde, Mirian Pires teve de deixar a novela “Senhora do destino'' (Globo). Na ficção, sua personagem, Clementina, era hospitalizada. No, lugar da atriz, entrou Cristina Mullins, escalada para viver a filha de Dona Clementina. Mirian Pires morreu em 07/09/2004, aos 77 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos juntamente com as complicações causadas pelo tempo de permanência no CTI, em função de ter contraído uma toxoplasmose. A atriz foi homenageada na novela, no capítulo do lançamento do livro de receitas escrito pela personagem na trama.

Walter Avancini / Rogério Cardoso / Mírian Pires

Walter Avancini / Rogério Cardoso / Mírian Pires

39. A atriz Ariclê Perez faleceu em 26/03/2006, dois dias depois de terminar a minissérie “JK'' (Globo), onde interpretava a mãe do protagonista. Ela havia finalizado sua participação na minissérie na semana anterior. A atriz, que tinha 62 anos, caiu do décimo andar de seu prédio, em São Paulo. Na época, especulou-se que tenha sido suicídio.

40. Gianfrancesco Guarnieri faleceu em 22/07/2006, treze dias após o término da novela “Belíssima'' (Globo), seu último trabalho. O ator já estava bastante debilitado quando iniciou as gravações. Seu personagem, nas poucas vezes em que apareceu na trama, estava sempre sentado, e tinha poucas falas, para não exigir demais do ator. Gianfrancesco morreu aos 71 anos em função de complicações geradas por insuficiência renal crônica.

41. Nair Bello já havia gravado suas primeiras cenas em “Pé na jaca'' (Globo, 2006/2007). Mas a atriz sofreu uma parada cardíaca e entrou em coma, uma semana antes da novela estrear. Nair ficou hospitalizada e veio a falecer cinco meses depois. Na novela, a atriz foi substituída por Arlete Salles e todas as suas cenas foram refeitas.

42. O ator Luiz Carlos Tourinho, que interpretava o personagem Nezinho na novela “Desejo proibido'' (Globo), faleceu em 21/01/2008, aos 43 anos, vítima de uma parada cardio-respiratória provocada por um aneurisma cerebral.

Nair Bello / Luiz Carlos Tourinho / Marly Bueno

Nair Bello / Luiz Carlos Tourinho / Marly Bueno

43. Em 19/01/2012, faleceu a atriz Yedda do Rêgo Alves, do elenco da novela “Aquele beijo'' (Globo). Ela tinha 83 anos e estava internada com câncer. O capítulo exibido em 03/02/2012 prestou uma homenagem à atriz.

44. A atriz Marly Bueno faleceu em 12/04/2012, enquanto era vista na minissérie “Rei Davi'' (Record). Tinha 78 anos e estava hospitalizada para uma cirurgia no intestino. Ela já havia concluído suas gravações na minissérie, que terminou pouco tempo depois.

45. Marília Pêra faleceu em 05/12/2015, aos 72 anos, vítima de câncer. Ela era vista na série “Pé na Cova“, que já estava totalmente gravada e finalizada e continuou sendo exibida mesmo depois de sua morte.

 Umberto Magnani, que atuava em “Velho Chico“, como o Padre Romão, morreu em 27/04/2016, aos 75 anos, dois dias depois de sofrer um acidente vascular encefálico hemorrágico durante uma gravação da novela. O ator Carlos Vereza foi chamado para viver um outro padre que fará as vezes do personagem de Magnani.

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Relembre a carreira de Umberto Magnani e seus papeis de destaque na TV
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Nilson Xavier

Foto: Divulgação/TV Globo

Foto: Divulgação/TV Globo

Perdemos nesta quarta (27/04) o ator Umberto Magnani, vítima de um AVC hemorrágico, que sofreu na segunda-feira, dia 25 de abril (dia de seu aniversário), enquanto gravava a novela “Velho Chico“. Magnani passou dois dias em coma e faleceu. Na novela, o ator interpretava, desde a primeira fase, o Padre Romão, um personagem importante na trama, que costurava vários núcleos, por sua condição de líder religioso. Um novo padre entrará em substituição, para fazer as vezes de Romão, e será vivido por Carlos Vereza.

Umberto Magnani Netto nasceu em 25 de abril de 1941, em Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo. Tinha 75 anos. O ator é mais lembrado pela série de participações em produções assinadas pelo amigo Manoel Carlos. Entre 1991 e 2006, foi visto em seis novelas e uma minissérie de Maneco. Na primeira delas, “Felicidade'' (1991-1992), Magnani viveu o seu personagem mais popular e com o qual ficou mais conhecido: o sonhador Ataxerxes, pai da protagonista Helena, vivida por Maitê Proença, casado com a ríspida Ametista, personagem de Ariclê Perez.

Seguiram-se Mauro Moretti em “História de Amor'' (1995-1996), pai do protagonista Carlos (José Mayer); Antenor em “Por Amor'' (1997-1998), pai do médico César (Marcelo Serrado, o que trocou os bebês da história); Eládio em “Laços de Família'' (2000-2001, atualmente em reprise no canal Viva), padrasto de Cintia (Helena Ranaldi); Dr. Eugênio na minissérie “Presença de Anita'' (2001); Argemiro em “Mulheres Apaixonadas'' (2003), pai de Edwiges (Carolina Dieckmann); e Zé Ribeiro em “Páginas da Vida'' (2006), caseiro da fazenda de Tide (Tarcísio Meira).

Umberto Magnani resistiu muito tempo aos apelos da televisão, apesar de sua vasta e reconhecida carreira no teatro (em 2015, assisti à sua última peça, “Elza e Fred“, em que dividiu o palco com Suely Franco como protagonista). A estreia na telinha foi aos 32 anos de idade, em 1973, na novela “Mulheres de Areia'' (a primeira versão, da TV Tupi), em que viveu o médico Zé Luís, irmão do vilão César (Rolando Boldrin). O ator voltou à TV na década de 1980, em pequenas participações: “Caso Verdade“, a série “Joana'' (com Regina Duarte), a novela “Razão de Viver“, do SBT, e as minisséries “Anarquistas Graças a Deus'' e “Grande Sertão: Veredas“, ambas dirigidas por Walter Avancini.

Na década de 1990, além do trabalho com Manoel Carlos, Magnani foi visto na minissérie “Rosa-dos-Rumos“, da TV Manchete; na novela “Éramos Seis“, do SBT, como o vendeiro espanhol Alonso, pai de Carmencita (Eliete Cigarini); e na série infanto-juvenil “Sandy e Jr.“. Em 2004, viveu o engraçado Chico Bento, amigo do Coronel Boanerges (Tony Ramos) em “Cabocla“, de Benedito Ruy Barbosa. E, em 2005, foi seu Elias, pai de Kátia (Rita Guedes), em “Alma Gêmea“, de Walcyr Carrasco.

Em 2007, Umberto Magnani atuou na novela “Amigas e Rivais“, do SBT (como Pedro Gonçalves) e, entre 2008 e 2015, fez parte do casting da TV Record, tendo atuado em quatro novelas (“Chamas da Vida“, atualmente em reprise, como Dionísio, “Ribeirão do Tempo“, como o delegado Ajuricaba, “Máscaras“, como Jeremias, e “Balacobaco“, como Genivaldo), e duas séries (a bíblica “Milagres de Jesus'' e “Conselho Tutelar“). “Velho Chico'' marcava o retorno do ator à TV Globo.

Vale destacar também a carreira de Umberto Magnani no cinema, em apenas sete filmes, mas todos importantes: “Chão Bruto'' (1976), “Jogo Duro“, (1985), “A Hora da Estrela'' (1985), “Kuarup'' (1989), “Cronicamente Inviável'' (2000), “Cristina Quer Casar'' (2003) e “Quanto Vale ou é Por Kilo?'' (2005).

Umberto Magnani será enterrado nesta quinta-feira (28/04), em sua cidade natal, Santa Cruz do Rio Pardo, onde o seu corpo será velado no Palácio da Cultura Umberto Magnani Netto, assim batizado em sua homenagem.

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Totalmente Demais segue com tramas eficientes apesar do melodrama e marasmo
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Nilson Xavier

Rafael e Eliza juntos (Foto: NeoTop)

Rafael e Eliza juntos (Foto: NeoTop)

Com o fim do concurso Garota Totalmente Demais da novela das sete da Globo, muita coisa mudou na trama escrita por Rosane Svartman e Paulo Halm. Sofia (Priscila Steinman) veio do mundo dos mortos para assombrar os personagens da novela numa vingança que faria Nina de “Avenida Brasil'' tremer. Quem perdeu com a ascensão da personagem foi Jonatas (Felipe Simas), deixado em segundo plano, agora fazendo apenas figuração. Enquanto isso, o fotógrafo “galinha'' Rafael (Daniel Rocha) virou um personagem coringa: sem muita função, é a carta usada para fazer alguns entrechos andarem, como o imbróglio das fotos de Carolina (Juliana Paes) que separou Eliza (Marina Ruy Barbosa) de Arthur (Fábio Assunção).

Totalmente Demais'' já está ganha: tem um público cativo (o que não é pouco) e uma legião de fãs conquistada por uma série de personagens irresistíveis.  Assim, os autores não têm muito pudor em transformar a novela num grande melodrama. As vilanias da ensandecida Sofia remetem aos maiores clássicos da mexicana Televisa. Mas, convenhamos, funcionam. O melodrama é inerente ao folhetim – por mais moderninho ou pretensioso que este seja – e é eficaz quando bem desenvolvido.

Neste ponto é interessante notar a carpintaria dos roteiristas. As cenas em que Carolina tenta fotografar Rafael e Eliza (um golpe baixíssimo da personagem e dos autores) levou uns três intermináveis capítulos se desenrolando na semana passada, para que o ápice (a separação do casal central da história) gerasse os conflitos que agora são levados ao ar. Como numa gangorra, “Totalmente Demais'' tem momentos de marasmo, que justificam o fato da novela ter sido espichada, com capítulos interessantes em que tramas bem desenhadas justificam toda a boa repercussão da novela.

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Afrânio de Antônio Fagundes em “Velho Chico” é como Dorian Gray do retrato
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Nilson Xavier

Antônio Fagundes e Rodrigo Santoro como o Coronel Saruê nas duas fases da novela (Foto: Divulgação/TV Globo0

Antônio Fagundes e Rodrigo Santoro como o Coronel Saruê nas duas fases da novela (Foto: Divulgação/TV Globo0

Mudança de fase em novela é uma verdadeira temeridade. Iniciar uma nova etapa é como começar uma nova novela, com alguns elementos já conhecidos do público. Em 1987, Dias Gomes viu “Mandala'' (Édipo, Jocasta, como uma deusa, lembra?) despencar na audiência e não se levantar mais quando a trama saiu da interessantíssima primeira fase na década de 1960 e entrou numa modorrenta contemporaneidade travestida de tragédia grega. Foi uma tragédia mesmo.

Benedito Ruy Barbosa separa suas histórias em partes desde “Pantanal“, em 1990. Suas novelas “Renascer'' (1993) e “O Rei do Gado'' (1996) tiveram primeiras fases curtas e de grande aceitação junto aos telespectadores. Naturalmente houve algum estranhamento quando da transição para a nova etapa das histórias. Mas o autor nunca deixou de reconquistar seu público, mesmo envelhecendo personagens ou inserindo novas tramas para dar continuidade às suas sagas.

A primeira fase de “Velho Chico'' causou alguma comoção com personagens de grande apelo, como Afrânio (Rodrigo Santoro), Capitão Rosa (Rodrigo Lombardi), Eulália (Fabíula Nascimento), Miro (Chico Diaz), Santo (Renato Góes), Tereza (Júlia Dallavia), Leonor (Marina Nery), Yolanda (Carol Castro) e outros. Na passagem para a fase atual da novela, alguns desses deixaram de existir enquanto outros ganharam novos intérpretes.

Respeitando o perfil já conhecido dos personagens nas fases anteriores, exige-se alguma coerência para além de “Camila Pitanga é nova demais para viver Tereza, com um filho desse tamanho e par de Domingos Montagner“. Faço coro à premissa de que a idade real do ator pouco interessa diante de seus recursos cênicos para dar vida a tipos mais jovens ou mais velhos que ele – guardadas as devidas proporções, claro.

Por outro lado, salta aos olhos a repentina mudança visual e psicológica de um personagem sem um motivo realmente convincente. Aconteceu com Afrânio, então o “jovem Coronel Saruê'', vivido por Rodrigo Santoro, que se transformou no “velho Coronel Saruê'' completamente diferente quando passou a ser interpretado por Antônio Fagundes. O novo personagem em absolutamente nada lembra o antigo. O visual bufão, com peruca e roupas coloridas, o jeito bonachão e caricato de coronel arrogante (que remete à folclórica figura de Odorico Paraguaçu) está quilômetros longe da imagem humanizada criada por Santoro.

Um tipo apaixonante, contraditório em sua essência, o Afrânio jovem não pôde viver seu grande amor da juventude (Yolanda), mas tampouco deixou de amar a mulher com quem se casou (Leonor). Festeiro, alegre e inconsequente, teve que tomar as rédeas dos negócios e do poder herdadas do pai. Foi se fechando, endurecendo e perdendo a ternura. O público acompanhou toda a transformação do alegre Afrânio em Coronel Saruê, embalada por uma trilha sonora de bom gosto e uma fotografia belíssima.

A explicação para o Afrânio de Antônio Fagundes está no embrutecimento que a vida lhe causou ao longo dos anos, debatido numa cena da semana passada em que sua mulher Yolanda (Christiane Torloni) defende o marido para a filha dele, Tereza (Camila Pitanga). Além da interpretação caricata de Fagundes, lhe pesam seus trejeitos conhecidos do público de personagens como Bruno Mezenga (de “O Rei do Gado“), Juvenal Antena (de “Duas Caras“) e até o recente vendeiro Giácomo (de “Meu Pedacinho de Chão“). A princípio, Fagundes não parece introduzir nenhuma novidade, a não ser emular Odorico Paraguaçu ao seu modo.

Por outro lado, pesa no público o carinho pelo personagem da fase anterior. Talvez o maior problema do velho coronel seja o jovem coronel, apaixonante e magnificamente bem defendido por Rodrigo Santoro. A comparação é inevitável e necessária. Também identifico no embrutamento do velho Coronel Saruê a figura de Dorian Gray (personagem de Oscar Wilde), o do retrato, vítima da passagem do tempo sobre seu corpo e sua alma. O Coronel Saruê de Santoro é o Dorian Gray jovem que o público insiste em guardar na memória.

Os autores e diretores de “Velho Chico'' terão que trabalhar dobrado para reconquistar o público viúvo da fase anterior da novela. Os sinais já aparecem, através de bons entrechos e ótimas sequências vistas nos últimos capítulos envolvendo os personagens Luzia (Lucy Alves), Santo (Domingos Montagner), Piedade (Zezita Mattos), Bento (Irandhir Santos) e Beatriz (Dira Paes). Resta o velho coronel Saruê ganhar a simpatia e a empatia do público. Talvez seja apenas uma questão de tempo.

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Com “Êta Mundo Bom”, Carrasco devolve à telenovela sua função catalisadora
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Nilson Xavier

Candinho (Sérgio Guizé) e Anastácia (Eliane Giardini) se encontram (Foto: Divulgação/TV Globo)

Candinho (Sérgio Guizé) e Anastácia (Eliane Giardini) se encontram (Foto: Divulgação/TV Globo)

Walcyr Carrasco é um danado mesmo. Além de ser um dos mais assíduos na televisão (em seis anos está escrevendo sua quinta novela), cada trabalho seu é garantia de sucesso. Nesta semana, “Êta Mundo Bom!'' (a atual atração das seis horas) registrou um recorde de audiência (mais de 32 pontos no Ibope da Grande São Paulo) não visto desde o último capítulo da novela “Escrito nas Estrelas“, exibido em setembro de 2010. E olha que nesse ínterim não faltaram ótimas novelas no horário das seis: “Cordel Encantado“, “A Vida da Gente“, “Lado a Lado“, “Sete Vidas“, “Além do Tempo'' e outras.

Apesar de “Êta Mundo Bom'' ainda não ter chegado à metade de sua história, Carrasco já deu um desfecho para a principal trama, o encontro de mãe e filho que não se conheciam, Anastácia (Eliane Giardini) e Candinho (Sérgio Guizé). O autor queimou seu principal cartucho. Mas alguém duvida de que ele criará novos entrechos tão atraentes quanto para manter a audiência cativa até o fim da novela?

Leve, despretensiosa, com uma mensagem otimista. Ótima produção com alguns excelentes atores em tramas interessantes e divertidas. E, acima de tudo, maniqueísta: os bons são bons, os maus são maus. O público já viu essa história várias vezes e sabe o que esperar dela. “Êta Mundo Bom!'' é um novelão escancarado, daqueles que fisgam o telespectador, pela trama e pela galeria de personagens cativantes. Claro que há derrapadas, no texto, na direção, em alguns atores não tão bons assim – detalhes que aborrecem parte do público, mas que não chegam a comprometer o desempenho e a repercussão da novela.

Como novelista, Walcyr Carrasco tem uma qualidade inegável: o poder de catalisar as massas com suas histórias. Atualmente, poucos autores de novelas alcançam isso com tanta frequência quanto ele. Nesses tempos de concorrência acirrada – com outras formas de entretenimento, mil possibilidades de se assistir o que se quer à hora que se deseja, e, como consequência, o declínio da audiência da grade engessada -, Carrasco devolve à telenovela a sua função mais ancestral: a de unir o público em torno de uma mesma história em um determinado horário. Convenhamos, um feito e tanto para os dias atuais – ainda que esses números de audiência não se equiparem aos de antigamente.

Leia também, Maurício Stycer:
UOL Vê TV: 10 razões que explicam o sucesso de “Êta Mundo Bom”.
“Chorei muito” diz Walcyr sobre cena de “Êta Mundo Bom” que bateu recorde.

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Produção caprichada e agilidade disfarçam didatismo em Liberdade Liberdade
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Nilson Xavier

Thiago Lacerda (Foto: Felipe Monteiro/ Gshow)

Thiago Lacerda (Foto: Felipe Monteiro/ Gshow)

Produção caprichadíssima a de “Liberdade Liberdade“, a novela das onze da noite da Globo, estreia dessa segunda, 11/04, escrita por Mário Teixeira (de “I Love Paraisópolis“) com direção artística de Vinícius Coimbra (de “Ligações Perigosas“). Chama a atenção por reproduzir um período poucas vezes visto em nossa Teledramaturgia – o século 18 nas Minas Gerais. A situação é outra mas impossível não lembrar duas produções clássicas da finada TV Manchete: “Dona Beija'' (1986) e “Xica da Silva'' (1996-1997) – principalmente Xica.

No curto primeiro capítulo, vimos um de nossos vultos históricos mais famosos, Tiradentes, vivido por Thiago Lacerda, conspirar, ser traído, preso, julgado e enforcado. O didatismo termina aí. A partir de terça, entram os personagens fictícios que dão lugar à aula de História do Brasil. Percebeu-se a segurança em cena de Letícia Sabatella, Mateus Solano, Marco Ricca e Lília Cabral. E da menina Mel Maia – surpreendente a cada trabalho -, como Joaquina, filha de Tiradentes, que dará continuidade à história.

A abertura de “Liberdade Liberdade'' é bonita mas, por mais que as imagens tivessem sido produzidas em estúdio, não deixou de remeter às novelas mexicanas, famosas por usar takes de personagens ou cenas da produção para ilustrar suas aberturas.

Capítulo ágil e ao mesmo tempo preocupado em contextualizar a trama, ambientação e personagens. Algum didatismo e frases de efeito bem disfarçados pelo ritmo e produção esmerada. Saltam aos olhos a reconstituição de época, produção de arte, cenários e figurinos. Pelo visto nas chamadas, é uma produção com potencial.


Inspirado, Falabella fez o público rir da melancolia com “Pé na Cova”
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Nilson Xavier

Miguel Falabella e Marília Pêra (Foto: Globo/Renato Rocha Miranda)

Miguel Falabella e Marília Pêra (Foto: Globo/Renato Rocha Miranda)

Miguel Falabella encerra mais um excelente trabalho. “Pé na Cova'' (que terminou nesta quinta, 07/04) pode ser considerado o seu melhor na televisão. Uma comédia melancólica repleta de referências pops e eruditas, ainda que usadas com deboche – “Quem disse isso? Cheics-Pír?''. Elenco afinado, personagens emblemáticos, complexos, bem delineados, insanos, humanos. Um tributo à diversidade, de tipos, de vidas, de propostas.

Pesa sobre esse episódio a derradeira participação de Marília Pêra na televisão. “A gente nunca sabe quando vai poder ver as coisas outra vez“, foi a última fala da atriz. Mesmo combalida, a diva nunca deixou de fazer sua Darlene brilhar, nas tiradas espirituosas (e até sábias) e no olhar atento sobre a vida – mesmo quando acompanhados de um trago de gim. O adeus foi embalado pela canção pop-romântica “Goodbye“, gravada pela dupla Air Supply. There´s nothing left to say.

A graça extraída da melancolia foi o cerne do programa. Ruço terminou sua trajetória chorando. Um paradoxo para uma atração que se pretendia fazer rir. Inclusive da morte, como bem sugere o título. “Cheics-Pír“, tantas vezes citado pelos personagens, inspirou o último episódio: o que resta é o silêncio. There's no other way than to say goodbye.


2ª temporada de “Os Dez Mandamentos” começa com novas (e boas) histórias
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Nilson Xavier

Leonardo Vieira e Marcela Barrozo (Foto: Divulgação/TV Record)

Leonardo Vieira e Marcela Barrozo (Foto: Divulgação/TV Record)

A autora de “Os Dez Mandamentos“, Vívian de Oliveira, promete causar rebuliço também na segunda temporada da novela – que estreou nesta segunda, 04/04, na Record, após um hiato de pouco mais de quatro meses. O capítulo pareceu mesmo uma continuação de onde a novela havia parado, lá em novembro de 2015. A opção pelo sonho de Ana (Tammy Di Calafiori) para fazer um pequeno flashback do seu drama, na temporada passada, foi uma estratégia criativa de fazer o público lembrar o que acontecera. Também o flashback foi usado para mostrar alguns desfechos não vistos pelo público no ano passado e que dão agora continuidade na história.

Novos personagens foram introduzidos em novas tramas. Essa temporada começou com mais cara de novelão do que a anterior. Na ausência dos reis vilões do Egito, os novos reis Balaque e Elda (Daniel Alvin e Francisca Queiroz) prometem fazer as vezes de Ramsés e Nefertari (Sérgio Maroni e Camila Rodrigues). Agora, tendo um feiticeiro – Balaão (Leonardo Vieira) – como mentor de maldades – o que remete à clássica figura do Bruxo Ravengar, Antõnio Abujamra em “Que Rei Sou Eu?'' (ainda que o tom deste fosse a paródia).

Moisés, Zípora, Joquebede, Arão, Josué, Ana, Hur, Miriã, Leila, Jetro e vários outros da temporada anterior dão prosseguimento à saga. Corá continua o vilão entre os hebreus e Victor Hugo parece o ator ideal para o papel. Chamou a atenção duas novas tramas que prometem o “rebuliço'' que Vívian de Oliveira falou. Através de um flashback (de novo!), o público ficou sabendo que Betânia (Marcela Barrozo) ofertou seu bebê em sacrifício sob a influência do Bruxo Balaão. Ela o reencontra quando visita o palácio real com o pai Jetro (Paulo Figeiuredo), e o bruxo a ameaça, avisando que sua filha está viva – o que ela não sabia.

O outro bom entrecho foi o que encerrou o capítulo, com um ótimo gancho: o Rei Balaque (Daniel Alvim) se encanta com Adira (Rayanna Carvalho), outra filha de Jetro, e lhe afirma o seu desejo de casar-se com ela, o que é negado pelo pai, pelas diferenças de crenças e por ela já ser casada, com Menahem (Jorge Pontual). É quando o rei dá um sinal e um guarda mata Menahem. Fim do primeiro capítulo.

Não enrolarás!
Para prender o público, além desses (bons) novos entrechos folhetinescos, a autora promete acontecimentos surreais e pirotécnicos tão sedutores quanto as pragas do Egito e a travessia do Mar Vermelho, que fizeram a festa no ano passado. Para encerrar a saga de Moisés em 60 capítulos, a Record usará as mesmas armas que garantiram o sucesso da primeira temporada. Como dessa vez a novela é mais curta, esperamos que a emissora não cometa o mesmo erro anterior: o pecado da enrolação.

Leia também:Nova temporada vai causar rebuliço – aposta a autora

Saiba mais sobre “Os Dez Mandamentos'' no site Teledramaturgia.

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Com narrativa ousada, “Velho Chico” requer atenção do telespectador
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Nilson Xavier

Fabíula Nascimento e Chico Diaz (Foto: Divulgação/TV Globo)

Fabíula Nascimento e Chico Diaz (Foto: Divulgação/TV Globo)

Tenho estado atento à recepção de “Velho Chico“. É uma novela que divide opiniões. Os elogios e críticas são os mais diversos. Elogia-se a iniciativa da Globo em apresentar algo diferente no horário – na ambientação (foge do eixo Rio-São Paulo), na abordagem menos realista e na estética. Ao mesmo tempo, critica-se pelos mesmos motivos. “Novela diferentona'' – o que para alguns é um elogio e, para outros, é um defeito.

Causa estranhamento em quem estava habituado à mesma narrativa por décadas a fio. Não é só a fotografia, a luz, a caracterização e o suor dos atores. Os tempos da narrativa são outros. Muitas vezes, a edição contrapõe cenários e diálogos para um mesmo seguimento de ação. Enquanto Afrânio (Rodrigo Santoro) planeja com seu capanga Clemente (Júlio Machado) uma ofensiva contra a fazenda da vizinha Eulália (Fabíula Nascimento), ela está em sua casa resolvendo com Miro (Chico Diaz) a melhor forma de se defender do inimigo. Os dois diálogos seguem intercalados, até que se concluam as cenas. Moderníssimo – pelo menos para uma telenovela.

Outro diferencial é a ação sem diálogo que obriga o telespectador a assistir a novela e a prestar atenção – e não somente a ouvir. Várias das belas sequências de “Velho Chico'' dispensaram o diálogo e focaram apenas na imagem com a trilha sonora. Esse tipo de narrativa andava há décadas esquecida em nossas novelas. Chega a ser uma ousadia nesses tempos de concorrência acirrada com outras mídias. Era mais fácil lá nos idos de “Pantanal'' (1990), quando a televisão ainda reinava absoluta como forma de entretenimento preferida (ou única) do brasileiro.

Velho Chico'' é uma produção que extrapola o imediatismo supérfluo com que a televisão nos acostumou nas últimas décadas. Como produto audiovisual, está mais para o cinema, que demanda um mínimo de atenção sem interferências externas. Talvez por obrigar o público a degustar suas cenas, “Velho Chico'' esteja sendo tachada de “lenta'' (outra crítica frequente). No que discordo totalmente. Em duas semanas de exibição, muito aconteceu, vários personagens entraram e saíram, morreram e nasceram. Percebeu quem prestou atenção na novela.

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Júlio Machado e Rodrigo Santoro (Foto: Reprodução)

Júlio Machado e Rodrigo Santoro (Foto: Reprodução)


“Totalmente Demais” é eficaz ao dar novos contornos a arquétipos conhecidos
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Nilson Xavier

Marina Ruy Barbosa e Paulo Rocha (Foto: Inácio Moraes/Gshow)

Marina Ruy Barbosa e Paulo Rocha (Foto: Inácio Moraes/Gshow)

Não existe uma fórmula de sucesso para uma novela. Uma junção de fatores, internos e externos, podem colaborar para isso. Em suma, a novela é arte de contar uma mesma história, mas de forma diferente. O que se faz é mudar uma coisa aqui e outra ali para sempre trazer uma novidade ao público. Exemplo disso é “Totalmente Demais“, a atual atração das sete da noite da Globo, o maior sucesso do horário desde “Cheias de Charme'' (2012). É uma trama das mais despretensiosas – como foram também as duas últimas da faixa, “Alto Astral'' e “I Love Paraisópolis“, mas inferiores em repercussão.

Um dos méritos dos autores Rosane Svartman e Paulo Halm está na história simples, inspirada em arquétipos de contos de fadas, que já geraram romances, peças de teatro e filmes famosos. Ou seja: uma história conhecida de todos. A protagonista Eliza (Marina Ruy Barbosa) é a gata borralheira da vez. A princípio rude, mas ingênua, vimos sua paulatina transformação em princesa através do concurso da trama. Passados mais de cem capítulos, findo o concurso, a dois meses do término da novela, a história de Eliza ganha agora novos contornos que ainda podem render bastante.

O barbudão Dino (vivido pelo ator português Paulo Rocha) faz agora as vezes da madrasta má, em substituição a Carolina (Juliana Paes). Mas ele é pior: é o padrasto que persegue a enteada com sede de vingança pela rejeição. Isso reverbera no público de forma potencializada. Dino surge na vida de Eliza não como madrasta da Cinderela. Está mais para o Lobo Mau querendo a Chapeuzinho. O desejo sexual implícito no personagem (e entendido pelo público) é a força motriz da história de terror que se transformou o conto de fadas de Eliza.

Em contrapartida, Arthur (Fábio Assunção) há muito deixou de ser o Príncipe, ou melhor, a salvação da mocinha dessa história. A própria Eliza não se ilude com sua figura charmosa e sedutora. Esse comportamento assexual da personagem – já percebido de sua relação com Jonatas (Felipe Simas) – reflete o asco que sente pelo padrasto odioso. Germano (Humberto Martins), agora revelado o pai biológico da mocinha, vem ocupar essa posição de salvador, a lacuna do amparo que sempre lhe faltou. Mais condizente para livrá-la das garras de seu malfeitor e carrasco. Dino é o verdadeiro vilão dessa história, que apresenta um perigo muito maior do que Carolina. A integridade física e psicológica de Eliza lhe valem mais do que o sonho de princesa.

Os autores prometeram novos entrechos e desdobramentos para a trajetória da heroína após o Concurso Totalmente Demais. E estão cumprindo à altura. A novela é eficiente ao reciclar arquétipos de mitos que todos reconhecem e entendem, trazidos à luz da modernidade, dando novos contornos e rumos.

Rosane Svartman e Paulo Halm conseguem ainda a façanha de unir públicos distintos para uma mesma obra. “Totalmente Demais'' tem a pegada jovem de “Malhação'' (a bem sucedida temporada do ano passado foi o último trabalho da dupla) aliada ao apelo folhetinesco do público tradicional de novelas. Um elenco bem escalado, personagens carismáticos, disputas, inclusive amorosas, que dividem o público, drama e comédia – ingredientes de sucesso fartamente testados anteriormente mas que nem sempre atingiram o objetivo. Aqui vêm atingindo.

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