Blog do Nilson Xavier

Com boa estreia, “Império” promete ser um típico novelão
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Nilson Xavier

Marjorie Estiano e Vanessa Giácomo (Foto: Divulgação/TV Globo)

Marjorie Estiano e Vanessa Giácomo (Foto: Divulgação/TV Globo)

Aguinaldo Silva prometeu um novelão ao estilo dos grandes folhetins do passado. Se vai cumprir ou não, é cedo para afirmar. Entretanto, a julgar pela estreia de “Império” (nesta segunda, 21/07), já dá para ter uma ideia do que vem por aí. Um primeiro capítulo que pôs “Em Família”, sua antecessora, no chinelo, por tantos acontecimentos e reviravoltas, amores à primeira vista e armações de vilões – dignos do bom e velho folhetim.

Aguinaldo é experiente e não parece o tipo do autor acomodado. Conhece os meandros que mexem com o imaginário popular. Mesmo que, para isso, tenha que recorrer a velhas fórmulas rocambolescas, que muitos apregoam ultrapassadas. Não vejo como risco, mas um caminho conhecido, mais seguro.

A seu favor, o autor tem a direção sempre motivadora de Rogério Gomes, tanto pelas tomadas quanto pelos atores (direção geral de Pedro Vasconcellos e André Felipe Binder em núcleo de Rogério Gomes). Elenco afiado, com grande destaque para Marjorie Estiano, a vilã Cora da história, que já mostrou do que é capaz para defender os seus interesses. Vanessa Giácomo e Chay Suede seguraram bem as cenas em que Estiano comandou a ação dramática.

Trilha sonora pop com várias músicas requentadas de outras novelas. Seria uma homenagem de “Império” ao gênero? Fotografia bonita como sempre se vê em novelas de Rogério Gomes. É bom ter Aguinaldo com um novo diretor. É sempre um olhar diferente ao universo do novelista. Revezamento de diretores deveria ser uma prática mais constante.

Também percebe-se um cuidado maior com o realismo nos cenários. Como há muito tempo não se via em novelas, a casa do núcleo pobre realmente lembra uma “casa pobre”. A abertura tem uma música bonita (“Lucy in the sky with diamonds”), mas parece destoar das imagens exibidas.

Uma boa estreia, que repercutiu positivamente – pelo menos pelo que pude acompanhar no Twitter. “Império” tem um nome pomposo. Como que para deixar claro a que veio, teve até Regina Duarte de peruca fechando o capítulo! Que faça jus à proposta do autor, em fazer o público voltar a vibrar com uma boa história.


Baixa repercussão de “Em Família” sugere novos caminhos para a TV
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Nilson Xavier

Luísa (Bruna Marquezine) e Laerte (Gabriel Braga Nunes) (Foto: Divulgação/TV Globo)

Luísa (Bruna Marquezine) e Laerte (Gabriel Braga Nunes) (Foto: Divulgação/TV Globo)

A novela “Em Família”, que terminou nesta sexta-feira, 18/07, talvez sinalize os caminhos que a TV aberta tem pela frente em tempos de audiência decadente, fruto de concorrência brutal com novas mídias e TV a cabo (cada vez mais acessíveis), e novos hábitos e exigências do telespectador moderno. Foi-se o tempo em que apenas um bom texto segurava audiência.

Autor de sucessos marcantes da TV, como as novelas “A Sucessora” (1978-1979), “Baila Comigo” (1981), “História de Amor” (1995-1996, em reexibição no canal Viva), “Por Amor” (1997-1998), “Laços de Família” (2000-2001) e “Mulheres Apaixonadas” (2003), Manoel Carlos vem errando a mão desde que trocou sua parceria na direção com Ricardo Waddington por outro diretor: Jayme Monjardim – vide “Páginas da Vida” (2006-2007), “Viver a Vida” (2009) e, agora, “Em Família”.

É de se questionar se o novelista não anda muito inspirado e ligou o piloto automático com suas crônicas da classe média carioca, ou a direção de Waddington dava a elas um dinamismo que Monjardim – de um estilo mais contemplativo – não conseguiu alcançar. Ou os dois fatores: autor + diretor. Vale salientar que Jayme Monjardim já se saiu muito bem em trabalhos majoritariamente embasados em um texto tão ou mais profundo que o de Maneco. Lembra de “A Vida da Gente” (2011-2012), de Lícia Manzo?

Se considerarmos o último folhetim do autor, “Viver a Vida” – cujo ponto alto era as dificuldades de uma bela e vaidosa moça que ficou tetraplégica (Luciana de Alinne Moraes) -, era de se imaginar que a premissa de “Em Famíla” não era lá muito atraente para o horário mais visado (e visto) da Globo. A história de primos que se amaram no passado, mas que, no presente, ficou apenas o rancor de um amor mal resolvido, poderia ser contada à seis da tarde sem maiores percalços.

A Helena da vez (Júlia Lemmertz) não passou de mera coadjuvante para o drama da filha, Luiza (Bruna Marquezine), apaixonada pelo homem que desgraçou sua família no passado, Laerte (Gabriel Braga Nunes). O bom início da novela, que apresentou as primeira e segunda fases da história, se perdeu quando caiu na terceira e definitiva parte. Foi quando nos deparamos com uma trama mais lenta e que não fazia questão de prender o público na frente da TV, ante pouca ação e total ausência de bons ganchos.

Jairo (Marcello Melo Jr.) e Juliana (Vanessa Gerbelli) (Foto: Divulgação/TV Globo)

Jairo (Marcello Melo Jr.) e Juliana (Vanessa Gerbelli) (Foto: Divulgação/TV Globo)

Não vou bater na tecla das idades dos atores incompatíveis com seus personagens, porque isso já deveria ter sido superado. Por mais que tenha abusado, “Em Família” não foi a primeira e nem será a última a ter discrepâncias desse tipo por conta da escalação de elenco. Juliana, a tia de Helena, parecia mais velha que ela nas primeiras fases e, quando a atriz foi trocada por Vanessa Gerbelli, a personagem pareceu rejuvenescida. O que importa é que a trama de Juliana foi o ponto alto da novela, com Gerbelli vivendo um de seus melhores momentos na TV, formando um dupla interessante com Marcello Melo Jr. – o Jairo – o único casal que deu algum dinamismo ao folhetim. Os dois atores merecem elogios.

Apesar do ritmo, há de se elogiar também o texto sempre afiado de Maneco, com profundidade e emoção, quando encontra respaldo em atores à altura. Foi quando se destacaram Júlia Lemmertz, Bruna Marquezine e Humberto Martins. Por mais que os diálogos e dramas de seus personagens tenham se repetido ao longo da história (Helena não tinha outra função a não ser reclamar de Laerte), os seus diálogos salvaram “Em Família” da letargia total.

Em contrapartida, alguns personagens que – achava-se – iam decolar, morreram na pista. Caso de Shirley, vivida por Vivianne Pasmanter, que só ladrou mas não mordeu. Shirley é a personificação de “Em Família”: prometia muito nas primeiras fases, mas não cumpriu na continuação da história – com poucos personagens realmente cativantes, algumas tramas que poderiam ser bem conduzidas se perderam no meio do caminho.

Foi o caso da relação amorosa entre Clara e Marina (Giovanna Antonelli e Tainá Muller), que já começou estranhamente errada, quando o autor pintou uma Marina “destruidora de um lar feliz de comercial de margarina”. Cadu (Reynaldo Gianecchini) era um concorrente forte demais para que se angariasse torcida por Clarina (Clara + Marina). A doença do rapaz quase pôs tudo a perder, numa clara mostra do quanto essa trama foi mal conduzida. Quando os roteiristas se perceberam disso, tiraram o foco da doença de Cadu, minimizando-a, e criaram “o casal lésbico de comercial de margarina”. O ponto positivo foi o beijo entre as moças, simples sem a intenção de causar alarde, de forma natural como o tema deve ser tratado.

Marina (Tainá Muller) e Clara (Giovanna Antonelli) (Foto: Divulgação/TV Globo)

Marina (Tainá Muller) e Clara (Giovanna Antonelli) (Foto: Divulgação/TV Globo)

Na cota do merchandising social – outra marca do autor – Maneco retornou ao alcoolismo, através do personagem Felipe (Thiago Mendonça). Trama requentada – por mais que o tema seja sempre pertinente – afinal, Orestes (Paulo José) em “Por Amor” e Santana (Vera Holtz) em “Mulheres Apaixonadas” já haviam entrado para a história. O descaso com o idoso – tão bem abordado em “Mulheres Apaixonadas” – transformou-se em núcleo cômico sem graça alguma. E o Mal de Alzheimer de Selma (Ana Beatriz Nogueira) também acabou pendendo para o humor, um verdadeiro desserviço.

Outra trama mal costurada foi a de Alice (Érica Januza), fruto de um estupro que resolve fazer justiça colaborando com a polícia. Difícil de engolir a maneira fácil e rápida com que a polícia pôs em risco a vida da jovem, aparentemente com pouco preparo. Outros personagens ainda mudaram de personalidade de acordo com o andamento da novela. Chica era uma mulher cordata nas primeiras fases e, quando ressurgiu na pele de Natália do Valle, parece que havia se transformando em uma mulher liberta, despreocupada, mais alegre.

Branca (Ângela Vieira) teve momentos bons no início, parecia outra personagem que ia decolar, mas acabou minguando com o tempo. Por fim, Laerte (um Gabriel Braga Nunes bem apático) inexplicavelmente só mostrou a verdadeira personalidade (a que vimos na pele do ator Guilherme Leicam, na segunda fase) no finalzinho da novela. Talvez, se Maneco tivesse mexido mais com esse vilão, “Em Família” tivesse ganhado em dinamismo e, consequentemente, despertado mais interesse do público.

Retorno agora à ideia exposta no primeiro parágrafo. As atuais métricas de aferição de audiência não são mais eficazes e as emissoras estão entendendo isso. A audiência deveria ser medida pela repercussão, que pode ser positiva ou negativa. Liberta-se assim do engessado horário fixo, já que as plataformas se multiplicam e os programas podem ser vistos à hora que se bem deseja. As novelas do horário nobre da Globo sempre tiveram repercussão, independentemente da audiência. Vendem revistas, fomentam pautas em outros programas – da casa e de outras emissoras, inclusive.

Em Família” teve audiência baixa (média final de 30 pontos na Grande São Paulo, a menor da história no horário) e, no geral, repercutiu mal nas redes sociais. Um bom texto é imprescindível para qualquer obra dramatúrgica. Todavia, não é o suficiente. Nesses tempos em que, mais do que nunca, as emissoras lutam para chamar a atenção da audiência, cada vez mais pulverizada, voltada para outros interesses que não mais a TV por ela mesma, o marasmo do cotidiano não interessa mais. Aliás, nunca interessou. A não ser quando veio junto com uma boa história, atraente, cativante, envolvente. Não foi o caso de “Em Família”.


Prêmio Contigo deixa de indicar nomes importantes do ano que passou
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Nilson Xavier

Mateus Solano como Félix em "Amor à Vida" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Mateus Solano como Félix em “Amor à Vida'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

Recebi a relação dos indicados ao Prêmio Contigo – que acontece ainda esse mês – referente aos melhores da Teledramaturgia na TV aberta em 2013 e 2014. A novela “Saramandaia” e a série “Pé na Cova” não receberam nenhuma indicação, nem mesmo seus profissionais, como autores, diretores e atores. “Pecado Mortal“, uma das melhores novelas do período, recebeu apenas duas indicações, mas o prêmio desprezou o autor Carlos Lombardi, o diretor Alexandre Avancini e atores que se destacaram, como Paloma Duarte e Victor Hugo.

Melhor Novela: “Amor à Vida”, “Chiquititas”, “Dona Xepa”, “Em Família”, “Joia Rara”, “Sangue Bom”.
Não entendi porque “Dona Xepa” está na relação e “Pecado Mortal” – também da Record – não. O meu voto seria para “Sangue Bom”, em minha opinião, realmente, a melhor novela do período. Também senti falta de “Saramandaia” e “Meu Pedacinho de Chão”, superiores a “Chiquititas”, “Em Família” e “Joia Rara”.

Ator de Novela: Antônio Fagundes (“Amor à Vida“), Arthur Aguiar (“Dona Xepa“), Bruno Gagliasso (“Joia Rara“), Henri Castelli (“Flor do Caribe“), Humberto Carrão (“Sangue Bom“), Mateus Solano (“Amor à Vida“).
Meu voto seria para Mateus Solano, claro – irrepreensível com seu Félix. Antônio Fagundes também esteve ótimo em “Amor à Vida”. Sérgio Guizé (“Saramandaia”) e Irandhir Santos (“Meu Pedacinho de Chão”) também mereciam indicação.

Atriz de Novela: Bianca Salgueiro (“Malhação“), Juliana Paiva (“Além do Horizonte“), Bruna Marquezine (“Em Família“), Isabelle Drummond (“Sangue Bom“), Paolla Oliveira (“Amor à Vida“), Vanessa Giácomo (“Amor à Vida“).
Voto em Vanessa Giácomo, mas também gosto da atuação de Bruna Marquezine em “Em Família”. Só acho que Paloma Duarte (“Pecado Mortal”), Júlia Lemmertz (“Em Família”), e Bruna Linzmeyer (“Meu Pedacinho de Chão”) também deveriam ter sido lembradas. E por que Arthur Aguiar aparece indicado por ator em “Dona Xepa'' e Thaís Fersoza não? Ou mesmo Ângela Leal!

Ator Coadjuvante: Anderson Di Rizzi (“Amor à Vida“), Alexandre Nero (“Além do Horizonte“), Antônio Fagundes (“Meu Pedacinho de Chão“), Joaquim Lopes (“Sangue Bom“), Reynaldo Gianecchini (“Em Família“), Thiago Fragoso (“Amor à Vida“).
Meu voto vai para o Carneirinho de “Amor À Vida”: Thiago Fragoso. Também apreciei o trabalho de Antônio Fagundes (“Meu Pedacinho de Chão”) e Joaquim Lopez (“Sangue Bom”). Mas, cadê Ígor Rickli, Sérgio Mamberti e Luiz Carlos Vanconcelos (“Flor do Caribe”), Victor Hugo (“Pecado Mortal”), José de Abreu e Marcelo Médici (“Joia Rara”), Antônio Calloni e Marcello Novaes (“Além do Horizonte”), Humberto Martins e Marcello Melo Jr. (“Em Família”), Osmar Prado (“Meu Pedacinho de Chão”) e Luís Miranda e Leandro Hassun (“Geração Brasil”)?

Atriz Coadjuvante: Bruna Linszmeyer (“Amor à Vida“), Carla Cabral (“Pecado Mortal“), Elizabeth Savalla (“Amor à Vida“), Giovanna Antonelli (“Em Família“), Tainá Muller (“Em Família“), Mariana Rios (“Além do Horizonte“).
Bruna Linzmeyer esteve excelente como a Linda de “Amor à Vida”, assim como Carla Cabral em “Pecado Mortal”. Mas eu votaria em Elizabeth Savalla, a Tetê Para-Choque Para-Lama. Senti falta de Cláudia Netto e Cyria Coentro (“Flor do Caribe”), Giulia Gam e Marisa Orth (“Sangue Bom”), Vera Holtz (“Saramandaia”), Ana Cecília Costa e Luana Martau (“Joia Rara”), Carolina Ferraz e Luciana Paes (“Além do Horizonte”), Vanessa Gerbelli (“Em Família”), Juliana Paes e Paula Barbosa (“Meu Pedacinho de Chão”) e Taís Araúo (“Geração Brasil”).

Ator Infantil: Filipe Cavalcanti (“Chiquititas“), Gabriel Santana (“Chiquititas“), Jean Paulo Campos (“Patrulha Salvadora“), JP Rufino (“Além do Horizonte“), Tomás Sampaio (“Meu Pedacinho de Chão“), Vitor Figueiredo (“Em Família“).
Votaria em meu xará Nilson de “Além do Horizonte” – JP Rufino.

Atriz Infantil: Ayumi Iriê (“Sangue Bom“), Geytsa Garcia (“Meu Pedacinho de Chão“), Giovanna Grigio (“Chiquititas“), Klara Castanho (“Amor à Vida“), Larissa Manoela (“Patrulha Salvadora“), e Mel Maia (“Joia Rara“) – que ganharia meu voto.

Profissionais de "Saramandaia", "Pecado Mortal" e "Pé na Cova" não receberam indicação (Foto: Divulgação)

“Saramandaia'', “Pecado Mortal'' e “Pé na Cova'' pouca ou nenhuma indicação (Foto: Divulgação)

Série ou Minissérie: “Amores Roubados“, “O Dentista Mascarado“, “O Canto da Sereia“, “Doce de Mãe“, “Milagres de Jesus“, “Patrulha Salvadora“, “Tapas e Beijos“.
Gosto muito de ”O Canto da Sereia”, mas votaria em “Amores Roubados”. Por que não tem indicação para “Pé na Cova”?

Ator de Série ou Minissérie: Ângelo Paes Leme (“José do Egito“), Cauã Reymond (“Amores Roubados“), Cauã Reymond (“O Caçador“), Leandro Hassum (“O Dentista Mascarado“), Murilo Benício (“Amores Roubados“), Vladimir Brichta (“Tapas e Beijos“).
Votaria em Benício por sua atuação em “Amores Roubados”. Cauã também mandou bem tanto em “Amores Roubados” quanto em “O Caçador”. Senti falta de João Miguel (“O Canto da Sereia”) e Miguel Falabella (“Pé na Cova”).

Atriz de Série ou Minissérie: Bianca Rinaldi (“José do Egito“), Isis Valverde (“O Canto da Sereia“), Isis Valverde (“Amores Roubados“), Dira Paes (“Amores Roubados“), Cleo Pires (“O Caçador“), Fernanda Montenegro (“Doce de Mãe“).
Dos indicados, meu voto vai para Fernanda Montenegro, a Dona Picucha de “Doce de Mãe”. Dira Paes e Ísis Valverde também estiveram ótimas. Camila Morgado (“O Canto da Sereia”), Taís Araújo (“O Dentista Mascarado”), Marília Pêra e Eliana Rocha (“Pé na Cova”), e Patrícia Pillar e Cassia Kis Magro (“Amores Roubados”) também mereciam indicação.

Revelação: Felipe Cardoso (“Pecado Mortal“), Igor Angelkorte (“Além do Horizonte“), Igor Rickli (“Flor do Caribe“), Irandhir Santos (“Meu Pedacinho de Chão“), Tatá Werneck (“Amor à Vida“), Maria Casadevall (“Amor à Vida“).
Votaria em Igor Rickli, ótimo como o antagonista de “Flor de Caribe”. Irandhir Santos concorre aqui por sua atuação como Zelão de “Meu Pedacinho de Chão”, mas o ator, famoso no cinema, já havia aparecido em “Amores Roubados” e, bem antes, em “A Pedra do Reino” (2007). Felipe Cardoso e Igor Angelkorte também são boas indicações. Por ter sido o primeiro trabalho de Tatá Werneck na TV aberta, acho que é válida sua indicação, mas a atriz já era super conhecida da MTV. Sérgio Guizé, por “Saramandaia”, também seria uma boa indicação.

Autor de Novela: Benedito Ruy Barbosa (“Meu Pedacinho de Chão“), Carlos Gregório e Marcos Bernstein (“Além do Horizonte“), Íris Abravanel (“Chiquititas“), Manoel Carlos (“Em Família“), Walcyr Carrasco (“Amor à Vida“), Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari (“Sangue Bom“) – que ganham meu voto. Só acho que Ricardo Linhares (“Saramandaia”) e Carlos Lombardi (“Pecado Mortal”) deveriam ter sido indicados.

Diretor de Novelas: Dennis Carvalho (“Sangue Bom“), Jayme Monjardim e Leonardo Nogueira (“Em Família“), Luiz Fernando Carvalho e Carlos Araújo (“Meu Pedacinho de Chão“), Reynaldo Boury (“Chiquititas“), Ricardo Waddington e Amora Mautner (“Joia Rara“), Wolf Maya e Mauro Mendonça Filho (“Amor à Vida“).
Votaria em Luiz Fernando Carvalho e Carlos Araújo pelo belo trabalho em “Meu Pedacinho de Chão”. Mas faltou indicação para os diretores de “Saramandaia”, Denise Saraceni e Fabrício Mamberti, assim como a equipe de Alexandre Avanicini em “Pecado Mortal”.

E você, quais seriam os seus votos?

Leia também: “Amor à Vida'' e “Em Família'' disputam principais categorias em prêmio de TV.

Vote nos indicados ao 16º Prêmio Contigo! de TV.


Fotografia cinematográfica e edição chamam a atenção na estreia de “O Rebu”
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Nilson Xavier

Daniel Oliveira, Patrícia Pillar e Sophie Charlotte (Foto: Divulgação/TV Globo)

Daniel de Oliveira, Patrícia Pillar e Sophie Charlotte (Foto: Divulgação/TV Globo)

As chamadas de estreia de uma novela podem enganar, ao criar no público uma expectativa maior do que aquilo que vai ao ar no primeiro capítulo. Não foi o que aconteceu nesta segunda-feira, 14/07. A estreia de “O Rebu”, a nova novela das onze da Globo, superou todas. Acredito que seria mesmo muito difícil jogar nos intervalos comerciais pílulas do que se propunha. “O Rebu” é uma confusão. Mas das mais sofisticadas.

O novo folhetim da Globo é uma releitura de uma antiga novela da emissora, de 1974, criada por Bráulio Pedroso (o mesmo que revolucionara o gênero com “Beto Rockfeller”), famosa por sua cronologia estapafúrdia: a história toda se passa em praticamente um dia, quando acontece um assassinato durante uma festa da alta sociedade, seguido pelas investigações sobre o crime, e flashbacks mostrando os antecedentes dos personagens. Mas, tudo embaralhado, como em um quebra-cabeças.

Esta nova versão é outra novela, em que se aproveitou apenas a ideia central da trama de Bráulio Pedroso. Os personagens são diferentes, suas motivações para ir à festa – e também para cometer o assassinato – são outros. A maior prova do distanciamento entre a trama da década de 1970 e a atual é a revelação da identidade do morto, que já aconteceu no primeiro capítulo, enquanto que, em 1974, o público ficava sabendo quem morreu apenas quase na metade da história.

A cronologia engana e a edição exagera nos cortes bruscos. Confuso à primeira vista. Mas não é esta a proposta de toda trama policial? Aliada à edição turva, uma trilha sonora envolvente, que mistura o instrumental, para dar o clima de mistério, com muitos hits dançantes da festa. A fotografia é do premiado Walter Carvalho, que também está entre a equipe de diretores comandada por José Luiz Villamarim. Walter optou pela quase ausência de cor – puro cinema. É espirituoso notar que a atual versão da história é quase em preto em branco, enquanto que a novela original foi uma das primeiras coloridas da Globo.

Outro mérito da nova atração está na exibição do capítulo à segundas-feiras em substituição às quartas-feiras, quando a Globo transmite futebol, o que antes empurrava o capítulo da novela para além da meia-noite. Pela temática e o horário de sua apresentação, pode-se ousar mais, com cenas de sexo e drogas, muito comuns em festas do tipo, o que aproxima a novela da realidade. O elenco é de primeira, com destaque, nesta estreia, para as atuações de Patrícia Pillar, Cássia Kis Magro e Sophie Charlotte.

Muito luxo e sofisticação em cenários, figurinos e direção de arte – como pede o roteiro de George Moura e Sérgio Goldenberg. A produção de “O Rebu” passou um mês gravando na Argentina, em cenários como o Palácio Sans Souci, de arquitetura francesa. A equipe é quase a mesma de outro sucesso recente do horário, a minissérie “Amores Roubados”. Pelo que se viu nessa estreia, esse rebuliço tem tudo para agradar.


Chega às lojas o DVD da novela clássica “Pecado Capital”, de Janete Clair
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Nilson Xavier

Betty Faria e Francisco Cuoco como Lucinha e Carlão em "Pecado Capital" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Betty Faria e Francisco Cuoco como Lucinha e Carlão em “Pecado Capital'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

Chegou às lojas especializadas o mais novo lançamento da Globo Marcas, que interessa tantos aos saudosistas quanto aos curiosos por Teledramaturgia: o DVD da novela “Pecado Capital” – a versão original, de 1975, escrita por Janete Clair e dirigida por Daniel Filho. Tirando o fato de ser considerada pela crítica especializada a melhor novela da autora, “Pecado Capital” ainda carrega consigo uma série de curiosidades que cercam sua criação.

Em 1975, a TV Globo estava completando dez anos de aniversário. Enquanto Dias Gomes era elogiado por suas novelas no horário das dez da noite (“Bandeira Dois”, “O Bem Amado”, “O Espigão”), mais políticas, com crítica social e realismo, sua mulher, Janete Clair, tradicionalmente uma escritora do horário das oito, recebia muitas críticas por sua obra cada vez mais fantasiosa, que não condizia com os ares de realismo exigido pelo padrão da época (um movimento que havia se iniciado com “Beto Rockfeller”, na Tupi, em 1969).

Em uma decisão que deixou Janete chateada, a Globo a “rebaixou” para o horário das sete, enquanto “promoveu” Dias, substituindo-a no horário das oito, de maior audiência. Com grande alarde, Dias Gomes iria estrear nesta faixa noturna com “Roque Santeiro”, enquanto Janete foi para as sete horas escrever a novela “Bravo!”, tendo o então novato Gilberto Braga como colaborador.

Bravo!” já havia estreado, e “Roque Santeiro” estava pronta, com chamadas no ar e vários capítulos escritos e gravados. Porém, na noite de sua estreia, em 27 de agosto de 1975, Cid Moreira informou no “Jornal Nacional” que “Roque Santeiro” não ia entrar em seguida porque havia sido censurada pelo Regime Militar (vigente na época). Imediatamente a Globo preencheu o horário com uma reprise compacta de “Selva de Pedra” para, com tempo hábil, produzir uma novela substituta para “Roque”, aproveitando – dentro do possível – praticamente a mesma equipe de técnicos, atores e cenários.

revista_contigoJanete Clair foi então convocada para apagar esse incêndio. A novelista viu nessa oportunidade sua grande chance de mostrar à emissora que poderia se reciclar. “Roque Santeiro” ficou engavetada por dez anos e, apenas em 1985, com o fim da Ditadura, ela pôde estrear, com nova produção e elenco, tornando-se um dos maiores sucessos da TV. Janete deixou “Bravo!” nas mãos de seu pupilo Gilberto, que a finalizou, enquanto foi trabalhar em “Pecado Capital”. E acabou por escrever sua melhor novela!

Com um pé na realidade, mas sem abandonar o romantismo tão característico de sua obra, Janete Clair escreveu um drama urbano dos melhores, subvertendo receitas folhetinescas. Não existia herói, mocinha ou vilão em “Pecado Capital”. O casal romântico central era afastado pela ambição da “mocinha'' (Lucinha de Betty Faria), que desejava ascender socialmente, e pela dubiedade de caráter do “herói'' (Carlão de Francisco Cuoco), clara desde o início, quando ele decide esconder uma mala de dinheiro que não lhe pertencia (fruto de um assalto, esquecida no banco de trás de seu táxi).

Janete recebia a bem-vinda colaboração do diretor Daniel Filho na condução de sua história. Foi ele quem sugeriu que Carlão morresse no final, já que a autora estava optando por um final romântico que juntaria ele a Lucinha. O “vilão'' de “Pecado Capital” estava representado em seus próprios “heróis''. A autora subvertia assim o maniqueísmo tão condenado em sua obra. Com “Pecado Capital”, Janete Clair retomava o horário das oito, com o qual ficou conhecida como “Maga das Oito”.

Pecado Capital” foi exibida originalmente entre 24 de novembro de 1975 e 5 de junho de 1976, em 167 capítulos. Com Francisco Cuoco, Betty Faria, Lima Duarte, Rosamaria Murtinho, Dennis Carvalho, Débora Duarte, Theresa Amayo, Luiz Armando Queiroz, Marco Nanini, Lauro Góes, João Carlos Barroso, Gilberto Martinho, Lutero Luiz, Elizângela, Ilva Niño, Germano Filho, Leina Krespi, Lady Francisco, Elza Gomes, Emiliano Queiroz, Maria Pompeo, Milton Gonçalves, Dary Reis, Sandra Barsotti, Moacyr Deriquém, Fábio Mássimo, Zanoni Ferrite, e outros. Box com 10 DVD´s em 30 horas de programa. Preço médio: 160 reais.

Foto: Divulgação/Globo Marcas

Foto: Divulgação/Globo Marcas

Outras boas opções em Teledramaturgia lançadas recentemente pela Globo Marcas:

- DVD “TV Pirata Novelas”, que reúne novelinhas apresentadas dentro do programa, entre 1988 e 1991, como “Fogo no Rabo”, “Rala Rala”, “Prisão de Ventre” e “Sabrina, os diamantes não são para comer”. Direção de Guel Arraes, roteiro final de Cláudio Paiva, com Luiz Fernando Guimarães, Regina Casé, Diogo Vilela, Débora Bloch, Guilherme Karan, Claudia Raia, Ney Latorraca, Cristina Pereira, Marco Nanini, Louise Cardoso, Pedro Paulo Rangel e outros. Box com 2 DVD´s. Preço médio: 40 reais.

- DVD da minissérie “Amores Roubados”, sucesso exibido em janeiro deste ano, roteiro de George Moura, baseado “A Emparedada da Rua Nova”, de Carneiro Vilela, direção geral de José Luiz Villamarim, fotografia de Walter Carvalho – a mesma equipe que estreia nessa segunda (14/07) a novela “O Rebu“. No elenco de “Amores Roubados“, Cauã Reymond, Ísis Valverde, Murilo Benício, Patrícia Pilar, Dira Paes, Osmar Prado, Cássia Kis Magro, Irandhir Santos, Jesuíta Barbosa e outros. Box com 3 DVD´s. Preço médio: 75 reais.


Com proposta interessante, “Geração Brasil” não tem funcionado na prática
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Nilson Xavier

Murilo Benício, Cláudia Abreu, Isabelle Drummond e Luís Miranda (Foto: Divulgação/TV Globo)

Murilo Benício, Cláudia Abreu, Isabelle Drummond e Luís Miranda (Foto: Divulgação/TV Globo)

Não é o inglês falado na novela, nem o excesso de tecnologia abordado nela. O que tem distanciado o público de “Geração Brasil” é a própria essência da trama, não o que ela traz de diferente para o gênero. Assim como a forma com a qual apresenta a tecnologia (através de seus personagens e relações), “Geração Brasil” é uma novela fria, sem cor e vibração.

E era bastante aguardada, por ser da mesma dupla que lançou o sucesso “Cheias de Charme” – “a novela das Empreguetes” -, em 2012. De certa forma, Filipe Miguez e Izabel de Oliveira não decepcionaram. Como no trabalho anterior, lançaram mão de uma ideia original e boa. Mas, nem toda boa ideia no papel, funciona na prática.

Sim, foi prejudicada pela Copa. A Globo a lançou antes do campeonato começar, como que para estancar a baixa audiência registrada pela produção anterior – “Além do Horizonte” -, e para segurar, durante o período, o novo público que “Geração Brasil” fosse levantar. Até conseguiram manter algum interesse, com os “drops” diários, impulsionados pelo reality-show dentro da trama, que incentivava a interação do público (através do aplicativo “Filma-e”).

Mas, passada a apresentação de tramas, personagens e pares românticos, e o “Concurso Geração Brasil”, a novela ainda não decolou. A história hoje resulta confusa e inconsistente, mal costurada por flashbacks toscos (Murilo Benício adolescente?) e embaralhada nos horários atrapalhados pela Copa.

As chamadas prometiam algo de tirar o fôlego, com as presenças de Cláudia Abreu, Titina Medeiros, Isabelle Drummond, Ricardo Tozzi e Taís Araújo – de “Cheias de Charme” (entre outros), e ainda Renata Sorrah, Murilo Benício, Lázaro Ramos e Luís Miranda, personificando uma mulher. Ou seja, o elenco escalado é excelente. O telespectador pode, a princípio, ter estranhado as expressões em inglês ou o excesso de nerds e tecnologia. Mas, passados dois meses da estreia, já houve tempo suficiente para o público se habituar com a “vibe” da produção.

Taís Araújo e Leadro Hassun (Foto: Divulgação/TV Globo)

Taís Araújo e Leandro Hassun (Foto: Divulgação/TV Globo)

Geração Brasil” tem um protagonista – Jonas Marra (Murilo Benício) – pouco cativante, sem carisma. A mulher dele, Pâmela (Cláudia Abreu), no início parecia uma americana boa-praça e engraçadinha. Mas, hoje, a personagem está aquém das reais possibilidades de Cláudia Abreu. Em cena, a atriz parece uma boneca falante. Megan Lily (Isabelle Drummond), pela caracterização anunciada, prometia ser a grande “bad girl” da trama (a perfeita B.I.T.C.H.). Mas ficou só no exagero da promessa: não passa de uma garota mimada.

Cláudia Abreu e Murilo Benício até funcionam em cena: o casal Marra poderia continuar apresentando seus programas juntos. Mas a coisa muda quando separados, cada qual com seu novo interesse amoroso. Não há química entre Cláudia Abreu e o inexpressivo Ricardo Tozzi. E nem entre o sisudo Jonas Marra e Verônica – Taís Araújo ótima, uma das poucas personagens da novela com alguma intensidade.

Renata Sorrah, que também muito prometia, ainda não aconteceu. Um talento desperdiçado em uma participação de luxo. Também Titina Medeiros (entendemos que não dá para ser Socorro, a “personal curica”, em toda novela). Lázaro Ramos está com um dos piores personagens da história. A proposta é ser um guru caricato… mas que tivesse alguma história interessante… ou que fosse ao menos engraçadinho.

Além de Taís Araújo, os únicos atores que levam alguma luz a “Geração Brasil” são cômicos. Luís Miranda, como Dorothy – principalmente quando ela cita sua amiga Sheila, personagem de humor que o ator fazia no show “Terça Insana”. Um encontro entre Dorothy e Sheila seria hilário (#dica). E Leandro Hassun – que a tudo remete a programas de humor fácil da Globo – se sobressai como o apaixonado sem noção Barata, que imita Jonas Marra para conquistar o coração de Verônica – brilhante a imitação que o ator fez de Murilo Benício no capítulo deste sábado (05/07).

É fato que os números de audiência subiram com a nova novela das sete. Mas ainda estão longe do que a emissora considera um sucesso. E longe do que se esperava do novo folhetim de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira. A proposta de “Geração Brasil” é diferente da de “Cheias de Charme” – nem cabe a comparação. Mas a novela atual não tem o brilho e a cor da anterior (não estou falando da estética), e nem o folhetim bem amarrado e redondinho. E nenhum charme.


50 anos da carreira de Tony Ramos: relembre trabalhos mais marcantes na TV
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Nilson Xavier

Tony Ramos está completando 50 anos de carreira artística. Um dos atores mais queridos e respeitados, tanto pelo público quanto no meio artístico. E também um dos mais presentes na televisão. Várias gerações se acostumaram a ver Tony em novelas, séries e minisséries.

Relembro aqui 30 momentos que marcaram a carreira do ator na TV. E sua mais nova empreitada, a novela “O Rebu“, que estreia neste mês.

COMENTE: quais os personagens de Tony Ramos você mais gostou?


Canal Viva vai reprisar a novela “Pecado Capital”, o remake de 1998
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Nilson Xavier

Carolina Ferraz e Eduardo Moscovis em "Pecado Capital" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Carolina Ferraz e Eduardo Moscovis em “Pecado Capital'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

O Viva bateu o martelo e “Pecado Capital” será a próxima novela a ser reprisada pelo canal, em substituição a “História de Amor”, que termina em novembro (na faixa das 15h30, com reapresentação do capítulo à uma da manhã). Entretanto, se engana quem pensa que será a novela clássica, de Janete Clair, exibida entre 1975 e 1976, considerada pela crítica especializada a melhor da “Maga das Oito”. O Viva repete o remake de “Pecado Capital”, assinado por Glória Perez, exibido entre outubro de 1998 e maio de 1999 – nunca reprisada.

A história é praticamente a mesma da trama original da década de 1970: Carlão (Eduardo Moscovis) encontra, no banco de seu táxi, uma mala cheia de dinheiro, fruto de um assalto. Enquanto pensa em devolver a grana, uma série de acontecimentos o levam a usá-la. Ele investe parte desse dinheiro em sua própria frota de táxis, sempre pensando em devolver tudo com juros. Enquanto isso, sua namorada suburbana, Lucinha (Carolina Ferraz), se torna uma modelo famosa, contra a vontade dele, o que leva à separação do casal. É quando Lucinha se volta para o rico e solitário Salviano Lisboa (Francisco Cuoco), um viúvo, pai de seis filhos, que não veem com bons olhos a relação do velho com a moça.

Glória Perez distanciou-se da novela de Janete ao incorporar novas tramas e personagens à história original. Em certa altura de sua novela, a autora chegou a criar um novo interesse amoroso para Salviano: Laura, vivida por Vera Fischer, personagem que não existia em 1975. Aliás, o final da novela também é diferente do final da trama de Janete Clair. Na novela original, o triângulo amoroso foi defendido por Francisco Cuoco (Carlão), Betty Faria (Lucinha) e Lima Duarte (Salviano). Em tempo: a Globo Marcas lançou o DVD deste clássico, que já se encontra em pré-venda.

O Viva anunciou que não tem ainda os títulos que substituirão as demais novelas em exibição no canal – “Dancin´ Days” e “A Viagem” (que estreia agora em julho). O canal já havia cogitado (e anunciado) a reprise de “Pecado Capital” há exatamente um ano, mas, na época, acabou por optar pelo repeteco da novela “Anjo Mau”.

Pecado Capital” volta dia 10 de novembro, em substituição a “História de Amor”, às 15h30, com reprise do capítulo à uma da manhã. A direção é de Maurício Farias, Fabrício Mamberti e Vicente Barcellos com direção de núcleo de Wolf Maya. No elenco, também Cássia Kiss, Alexandre Borges, Paloma Duarte, Thiago Lacerda, Marcos Winter, Leandra Leal, Tato Gabus Mendes, Zilka Salaberry, Roberto Bomfim, Marcelo Serrado, Betty Lago, Eri Johnson, Pedro Paulo Rangel, Camila Pitanga e outros.

Curtiu a novidade? Qual novela você gostaria que o Viva reprisasse?


Perto de seu fim, “Em Família” ganha agilidade com a loucura de Laerte
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Nilson Xavier

Gabriel Braga Nunes como Laerte (Foto: Divulgação/TV Globo)

Gabriel Braga Nunes como Laerte (Foto: Divulgação/TV Globo)

Laerte parece, enfim, ter acordado de um sono profundo. Ou da total catatonia. Aos quarenta e cinco do segundo tempo (só para usar uma expressão que remete ao futebol, muito em voga no momento).

Faltando menos de um mês para o término da novela “Em Família”, Manoel Carlos, o autor, tirou da manga sua derradeira carta. Laerte – personagem de Gabriel Braga Nunes – que era um ser absolutamente passional, em estágio avançado da doença – a ponto de enterrar vivo o seu rival –, passou toda a terceira fase da trama (a maior parte da ação) com um olhar vazio no infinito que refletiu na novela em si, pautada pela lerdeza dos acontecimentos, marasmo das histórias e falta de ação. O cotidiano típico de Maneco, reconhecido em trabalhos anteriores, não encontrou na direção a agilidade necessária para a fluidez exigida pelo público de hoje.

Laerte reflete, em suma, muito do que foi “Em Família”. Foi o personagem mais comentado, o que, pelo seu comportamento, gerou sentimentos apaixonados de repúdio. Laerte foi, afinal, quem desencadeou a história de Manoel Carlos. Mais que Helena, a dita protagonista (Júlia Lemmertz). Mas, se o personagem era a força motriz de “Em Família”, por que esteve tanto tempo encubado, num “stand by” irritante? Enquanto isso, as mulheres de sua vida se estapearam entre elas – Helena (Júlia Lemmertz), Luiza (Bruna Marquezine), Verônica (Helena Ranaldi), Shirley (Vivianne Pasmanter), Selma (Ana Beatriz Nogueira) – na cata por migalhas de amor de Laerte e atenção do público.

Em Família” foi assim também. Um início de expectativas, com personagens que prometiam muito – como Laerte, Helena, Shirley. Mas o protagonista que surgiu na terceira e definitiva fase – encarnado por um Gabriel Braga Nunes de voz linear e olhar frio e distante – levou uma novela inteira para acontecer. Só agora, nas últimas semanas, reconhecemos nele o apaixonado com sangue nos olhos da segunda fase (vivido pelo jovem Guilherme Leicam). Um tanto quanto tarde para fazer “Em Família” acontecer, não? Mas, por consolo, antes tarde do que nunca.

Talvez, se Laerte tivesse agido bem antes, quem sabe a história não teria sido outra. Tanto na tela da TV quanto na reação do público, e, por consequência, na repercussão da novela de Manoel Carlos.


Números musicais em “Meu Pedacinho de Chão” poderiam ser mais frequentes
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Nilson Xavier

Gabriel Sater, Emiliano Queiroz e Antônio Fagundes em "Meu Pedacinho de Chão" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Gabriel Sater, Emiliano Queiroz e Antônio Fagundes em “Meu Pedacinho de Chão'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

No capítulo desta terça-feira (24/06) de “Meu Pedacinho de Chão”, o público foi mais uma vez agraciado com um bonito musical dentro da novela. Comandado pelo produtor Tim Rescala, o elenco já havia cantado, em outra ocasião, “Chuá Chuá”, de Pedro de Sá Pereira e Ary Pavão. Desta vez, a música foi “A Dor da Saudade”, de Mazzaropi.

A canção interiorana sempre esteve presente na obra de Benedito Ruy Barbosa. Com a participação de cantores no elenco, suas histórias regionais já promoveram rodas de viola, serestas, serenatas e cantorias. Vide Sérgio Reis em “Paraíso” (1982), Sérgio Reis e Almir Sater em “Pantanal” (1990) e “O Rei do Gado” (1996) e Daniel no remake de “Paraíso” (2009). Agora, Gabriel Sater, filho de Almir Sater, vive o violeiro Viramundo em “Meu Pedacinho de Chão” e, vez ou outra, canta algo na novela. A atriz Inês Peixoto (a Dona Tê na trama), que toca acordeon, também já deu uma palhinha.

Desta vez, a música entra na novela não apenas como uma mera exposição do cantor-ator, mas também em formato de musical, com a participação de todo o elenco, cada ator cantando uma parte da música. “Meu Pedacinho de Chão”, por si só, já é uma ousadia estética e tanto para o gênero telenovela. Misturar a história com musical mostra que a liberdade criativa, no gênero, não precisa de limites. Esses musicais poderiam ser mais frequentes, dá uma beleza extra à fábula de Benedito Ruy Barbosa e Luiz Fernando Carvalho. Enche os olhos e os ouvidos.

Ou, quem sabe, ao fim da novela, transformar tudo em musical para ser encenado no teatro: “Meu Pedacinho de Chão, o Musical”. #dica