Blog do Nilson Xavier

“A Lei do Amor” terá política só após 2º turno das eleições, dizem autores
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Nilson Xavier

Faltando uma semana para a estreia da nova novela da Globo, “A Lei do Amor”, os autores Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari gravaram uma entrevista exclusiva para o UOL.

As chamadas anunciam um folhetim clássico. Maria Adelaide é categórica: “é um folhetim muito bem escrito”. A política entra na trama após as eleições, para não conflitar com a realidade. Os personagens gays vão aparecendo aos poucos. Assim como em trabalhos anteriores (“Ti-ti-ti”, “Sangue Bom”), a nossa Teledramaturgia será reverenciada em citações a tramas e personagens de outras novelas (existe uma personagem chamada Ruth Raquel, por exemplo). José Mayer viverá o grande vilão da história e Cláudia Raia e Heloísa Périssé se encarregarão do humor. Os autores falam ainda de merchandising social, trilha sonora e da relação com a audiência e os grupos de discussão. Assista aos vídeos!


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JUSTIÇA chega ao fim como uma das melhores produções da TV nos últimos anos
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Nilson Xavier

Cauã Reymond e Antônio Calloni (Foto: Divulgação/TV Globo)

Cauã Reymond e Antônio Calloni (Foto: Divulgação/TV Globo)

Sucesso de público e crítica, a série “Justiça” chegou ao fim (nesta sexta, 23/09) como uma das melhores produções da televisão brasileira neste ano. Ou melhor: nos últimos anos!

A única crítica fica por conta de algumas pontas soltas no roteiro, que exigiram mais do que boa vontade do telespectador. Ainda paira no ar a dúvida com a relação à temporalidade na ação que vai do atropelamento de Beatriz (Marjorie Estiano) à prisão de Maurício (Cauã Reymond). Em uma noite aconteceu: o atropelamento, a vinda do socorro, a internação, o diagnóstico médico de que ela estava tetraplégica, a decisão dela de morrer, a eutanásia em si, a chegada da polícia, a prisão e a ação na delegacia!

Outra questão diz respeito à morte de Vicente (Jesuíta Barbosa): o que aconteceu com seu carro, batida ou tiro? Tinha a influência de algum outro personagem? Não ficou claro. Pela natureza da série, o telespectador esperou os episódios seguintes para saber. Mas a resposta veio apenas no último frame do episódio final: estava estampado no jornal, juntamente com desfechos de outros personagens [imagem abaixo]. Interessante, já que os crimes do início da trama também eram mostrados como notícia de jornal. Só que dessa vez eram quatro notícias e não houve tempo hábil para o  telespectador ler tudo. Interessante, mas não foi eficiente.

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Relevemos esses deslizes e forçadas de barra. Ao final, não comprometeram a obra em sua totalidade. O roteiro mostrou-se eficiente dentro da proposta de cruzar tramas e personagens com protagonismos separados por dia. Melhor ainda: por não cair no lugar comum e na previsibilidade do clichê fácil, tão comum nas novelas. “Justiça” revelou-se um trabalho muito rico no conteúdo – sua maior qualidade -, suscitando reflexões ao discutir a linha tênue que separa a justiça subjetiva da vingança.

A autora – Manuela Dias – deu um desfecho original e diferente a cada protagonista. Maurício foi o único que conseguiu cumprir seu plano de vingança a contento, sem precisar sujar as mãos – ainda que tenha usado Vânia (Drica Moraes) e isso tenha custado a vida dela. Fátima (Adriana Esteves), a única presa injustamente, teve, aparentemente, um final feliz. Um sopro de esperança entre tantas histórias trágicas. Porém, a filha não largou a prostituição. Fátima está realmente feliz?

Elisa (Débora Bloch) havia desistido de se vingar, mas o acaso deu um empurrãozinho. No final, ela desfez o quarto da filha assassinada como a exorcizar o passado. Para ela, acabou. Racionalmente, Elisa livrou-se do que a incomodava. Débora também se vingou. Ela e Elisa cobraram um crime com outro. Porém, diferente de Elisa, Débora não conseguiu racionalizar a sua sede de vingança. Pelo contrário: ao longo de sua trajetória, foi dando claros sinais de insanidade. A imagem da personagem perambulando na estrada é o mais triste dos desfechos. Já sua amiga Rose (Jessica Ellen) acabou unindo-se ao traficante que, indiretamente, foi um dos responsáveis por sua prisão. Nada muito diferente da tão questionável atração entre Elisa e Vicente.

Jesuíta Barbosa, Adriana Esteves, Jessica Ellen e Cauã Reymond (Foto: Divulgação/TV Globo)

Jesuíta Barbosa, Adriana Esteves, Jessica Ellen e Cauã Reymond (Foto: Divulgação/TV Globo)

O roteiro instigante de “Justiça” veio acompanhado de uma direção artística primorosa, de José Luiz Villamarim, com cenários reais de Recife, em fotografia de Walter Carvalho, e uma trilha sonora empolgante. São diferenciais e tanto, principalmente na intenção de afastar-se do eixo Rio-SP e de auferir o máximo de naturalismo na narrativa. O elenco todo fez bonito, com destaque às grandes interpretações de Débora Bloch, Jesuíta Barbosa, Camila Márdila, Adriana Esteves, Enrique Diaz, Leandra Leal, Julia Dalavia, Luísa Arraes, Jessica Ellen, Antônio Calloni e Drica Moraes. Ainda as participações rápidas e especiais de Marina Ruy Barbosa e Marjorie Estiano.

A repercussão de “Justiça” é uma prova de que o público ainda responde bem quando a TV aberta oferece uma proposta original, de qualidade técnica e artística, e que nada fica a dever às melhores produções estrangeiras, da TV a cabo ou plataformas on demand e serviços de streaming.

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Atração de nicho, “Supermax” é um ótimo começo para o terror na televisão
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Nilson Xavier

Erom Cordeiro, Mariana Ximenes, Fabiana Gugli e Cléo Pires (Foto: Estevam Avellar/TV Globo)

Erom Cordeiro, Mariana Ximenes, Fabiana Gugli e Cléo Pires (Foto: Estevam Avellar/TV Globo)

As referências vão de “Lost” a “The Walking Dead” intercalando com outras séries e filmes de suspense e terror dos últimos quinze anos. “Supermax”, a nova atração da Globo, que estreia hoje (20/09) na TV aberta, não apresenta nada de original. Pelo contário: vem recheada de todos os mais batidos clichês que fazem a festa dos fãs do gênero. E nem poderia ser diferente: terror, sustos, sangue, monstros, seres ou almas de outros mundos usados para potencializar o medo povoam o imaginário coletivo desde a mitologia greco-romana, passando pelas pinturas de Bosch e romances de aventura de Julio Verne.

Não é original para quem está acostumado ao gênero. Entretanto, a  emissora aposta em algo pretensioso e inédito na TV brasileira: o terror vendido com o padrão da televisão americana. Zé do Caixão já havia usado a fórmula no cinema e na TV, mas tudo dentro de seu estilo e orçamento. A Globo aposta alto. Para isso, deu total liberdade de criação ao diretor artístico José Alvarenga Jr. e a uma equipe de roteiristas antenada, gente de cinema e literatura: Carolina Kotscho, roteirista de cinema, Raphael Draccon, autor da trilogia literária de fantasia “Dragões de Éter”, Fernando Bonassi, do romance “Luxúria”, Bráulio Mantovani, do filme “Cidade de Deus”, e Denisson Ramalho, especialista em filmes de terror.

Supermax”, a princípio, parece um reality-show (com direito a participação de Pedro Bial na estreia). Logo no segundo episódio, os 12 confinados num presídio de segurança máxima no meio da Amazônia percebem que algo está errado. Abandonados à própria sorte, os personagens se digladiam pela sobrevivência enquanto fatos bizarros acontecem. A atração vai ao ar sempre após as 23 horas e não poupa o telespectador de tudo o que o horário permite: sexo, nudez frontal, palavrões nunca antes ouvidos na TV aberta, violência, mutilação e muito sangue. Mas nada é gratuito, tudo está no contexto do programa.

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Até a metade (o quinto episódio) a narrativa é confusa. No afã de apresentar os personagens e a tensão crescente entre eles, o roteiro parece uma metralhadora desgovernada, atira para todo lado. Alguns diálogos são ruins e alguns atores parecem mal dirigidos. Um estranhamento que vai se diluindo com o avanço da trama, à medida que escolhemos quais personagens gostamos e quais odiamos (comum no público em séries com vários personagens e realities de competição). Fica a dúvida se a canastrice inicial é proposital – afinal de contas, participantes de realities de confinamento são canastrões no início, até as máscaras começarem a cair.

A ideia de iniciar a história a partir de um reality-show é boa – o reality serve à narrativa. Os personagens têm os vícios de quem conhece a dinâmica desses programas intensificados pelo fato de nenhum deles ser flor que se cheire: todos tem dívidas com a sociedade, são culpados de algum crime. Ou seja, a princípio, ali ninguém é amigo de ninguém. Todos desconfiam de todos e de tudo – inclusive – e principalmente – o telespectador. Não se sabe o que é real e o que é delírio e tudo pode acontecer. Assim como nada. O que é ruim, pois confunde e irrita o público.

Só a partir do sexto episódio – depois que conhecemos bem os participantes – a história ganha estofo e as peças começam a se encaixar. A tensão só aumenta e o programa melhora muito a cada episódio. A narrativa avança abusando de efeitos especiais, fantasia e pirotecnia, mas nunca fazendo cair o interesse pelo desfecho da história. Desfecho esse ainda desconhecido, já que a emissora disponibilizou no Globoplay (sua plataforma on demand) todos os episódios menos o final, que só vai ao ar em dezembro.

Supermax” – definitivamente – é uma atração de nicho, não é para todos os gostos. Os fãs de séries americanas gostarão se deixarem de lado o preconceito por essa ser uma produção brazuca e entenderem que ela não se pretende original. Pelo contrário, merece endosso só pela ousadia da Globo em apostar nesse formato inédito. E é um excelente começo.

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Domingos Montagner: dessa vez a vida não imitou a arte
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Nilson Xavier

Domingos Montagner (Foto: Caiuá Franco/TV Globo)

Domingos Montagner (Foto: Caiuá Franco/TV Globo)

Infelizmente perdemos Domingos Montagner. O ator (paulistano, de 54 anos) foi nadar no Rio São Francisco, num intervalo de gravação de “Velho Chico”, hoje (15/09), e acabou levado pela correnteza. Leia mais AQUI.

Uma triste coincidência com seu personagem na novela, Santo dos Anjos. Porém, dessa vez, a vida não imitou a arte. Na trama, Santo passou semanas desaparecido no São Francisco, até ser encontrado, com vida.

Outra coincidência: foi a segunda vez, subsequente, que Domingos interpretou um personagem que era dado como morto após um naufrágio. A anterior foi na novela “Sete Vidas”, no ano passado, em que interpretou Miguel.

Esta foi a segunda baixa de “Velho Chico”. O ator Umberto Magnani (o Padre Romão das primeiras fases da trama) morreu em 27 de abril (tinha 75 anos), dois dias depois de sofrer um acidente vascular encefálico hemorrágico durante uma gravação da novela. O ator Carlos Vereza foi chamado para viver outro padre (Benício) que fez as vezes do personagem de Magnani.

A trama está programada para ter seu último capítulo exibido dia 30 de setembro (em pouco mais de duas semanas). Vamos aguardar para saber qual desfecho a Globo, a direção da novela e os autores darão a Santo e a “Velho Chico”.

Domingos Montagner foi o terceiro protagonista de uma novela da Globo que faleceu durante a sua exibição. Os anteriores foram Sérgio Cardoso em ''O Primeiro Amor'' (1972) e Jardel Filho em ''Sol de Verão'' (1983). Leia também:  50 atores e outros profissionais de TV que faleceram durante as novelas (atualizado)

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“Só querem Apolo” diz autor de “Haja Coração” sobre os grupos de discussão
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Nilson Xavier

Mariana Ximenes e Malvino Salvador (Foto: Divulgação/TV Globo)

Mariana Ximenes e Malvino Salvador (Foto: Divulgação/TV Globo)

Conversei com Daniel Ortiz, autor da novela das sete da Globo, “Haja Coração”. Ele tentou explicar o sucesso que sua história vem fazendo – a novela mantem a mesma média (27 pontos no Ibope da Grande SP) da anterior no horário, “Totalmente Demais”, considerada um grande êxito. Ortiz também fala da participação de Cristina Pereira na trama (ela viveu Fedora em “Sassaricando” no anos 80), da volta de Teodora, das diferenças entre os públicos das redes sociais e dos grupos de discussão, do sucesso de Shirlipe (o casal Shirlei e Felipe) e de outros personagens.

Cristina Pereira

O nome da atriz foi o primeiro pensado para viver Teodora Abdala, mãe da extravagante e mimada Fedora, personagem que ela defendeu na trama original, “Sassaricando”. Mas Cristina estava presa a um contrato com adaniel_ortiz Record. Grace Gianoukas foi então escalada para o papel. Com o fim de suas obrigações com a Record, Cristina ficou livre e aceitou o convite para participar de “Haja Coração”, em uma personagem escrita especialmente para ela.

“A gente queria a Cristina desde o começo, para fazer a Teodora, mas ela tinha um contrato com a Record que vencia em julho, se não me engano. Insisti e criei a prima Safira. Fizemos o convite, mas ela queria conversar com a Record para saber se haveria interesse da parte deles em renovar com ela. Ouvi dizer que Cristina abriu o jogo com Fernando Rancoleta [diretor de elenco da emissora], contou do convite da novela e deixou claro que iria respeitar a Record em primeiro lugar. E ele foi compreensivo, entendeu o significado que era para ela estar em ‘Haja Coração’ e a liberou. A Safira fica um mês na novela. Sai quando volta Teodora. Mas, mesmo assim, voltará ainda alguns capítulos perto do final.”

“Cristina está adorando! Pedi para ela ser a Fedora de 1987, trinta anos depois. Mesmo figurino, cabelo, interpretação. Como a Fedora da Tatá Werneck é completamente diferente, não vi problema da Safira ser igual à Fedora de 87. Safira vai ser louca no Leozinho (Gabriel Godoy). Então vamos ver a Safira falando: “Ai Leozinhoooooo!”, como a Fedora de 'Sassaricando' falava! E ainda vamos ter um pesadelo do Aparício (Alexandre Borges) na cama com Safira e Teodora (Grace Gianoukas).”

Cristina Pereira e Tatá Werneck (Foto: Raphael Dias/Gshow)

Cristina Pereira e Tatá Werneck (Foto: Raphael Dias/Gshow)

Referências a outras novelas

Maurício Stycer escreveu sobre as referências a novelas do passado que Daniel Ortiz usa em “Haja Coração” (leia AQUI). O autor vai relembrar Tina Pepper – personagem de Regina Casé em “Cambalacho”, de 1986 – através de uma situação com Safira (Cristina Pereira). Ele torce para que Regina aceite participar da novela.

“A Safira liga para a amiga Tina Pepper e vai buscar na casa dela o Livro da Salamandra para fazer um feitiço para conquistar o Leozinho. Ela vai, inclusive, dançar a música da Tina [‘Você Me Incendeia’, que Tina Pepper cantou no Chacrinha, em ‘Cambalacho’]. Ainda não sabemos se a Regina Casé vai participar ou não.”

Redes Sociais x Grupos de Discussão

“O público de hoje não vai entender [as referências através de Safira], principalmente os entre 11 e 20 anos, que são fanáticos por Shirlipe (o casal Shirlei e Felipe) e reclamam de todos os personagens com mais de 40 anos! Então vamos ver como vai ser a reação. Mesmo que Cristina Pereira não faça sucesso nas redes sociais, isso não quer dizer nada, porque Twitter ou Instagram não servem de parâmetro.''

''No Twitter só falam do Beto e Shirlipe. Mas no Grupo de Discussão (GR), só querem saber de Apolo (Malvino Salvador), Tancinha (Mariana Ximenes) e Fedora (Tatá Werneck). O GR pega mulheres de 23 a 55 anos, de todas as classes sociais. O Twitter tem a faixa de 11 a 20 [além das outras]. Normal eles se identificarem com a Cinderela. E Beto é mais jovem que Apolo – que é o personagem mais querido nos grupos de discussão. No começo, fiquei assustado, porque a maioria nas redes sociais não gostava de Apolo. Fui ao grupo achando que ele ia ser massacrado, mas todas falavam em Apolo e suspiravam. Não houve uma das 80 mulheres que falou mal dele! Sempre gostei do Apolo e fiquei aliviado com o resultado. Houve um ranking e ele foi o personagem mais querido de todos os grupos. O TOP 5 ficou assim: 1 Apolo, 2 Tancinha, 3 Fedora. As posições 4 e 5 variavam entre Beto, Teodora, Camila, Shirlei, Aparício, Rebeca e Giovanni. Nunca houve rejeição ao Beto (João Baldasserini). Ah, e isso do Apolo ser um sucesso com as donas de casa não implica que ele ficará com a Tancinha! O final permanece em aberto.''

''O que achei mais interessante disso tudo é: o que as redes sociais gostam pode não ser exatamente o que o público tradicional de novelas gosta.”

Marcos Pitombo e Sabrina Petráglia (Foto: Felipe Monteiro/Gshow)

Marcos Pitombo e Sabrina Petráglia (Foto: Felipe Monteiro/Gshow)

Shirlipe

“A surpresa da novela é a Shirlei (Sabrina Petráglia) – que forma um casal com Felipe (Marcos Pitombo). O vídeo dela beijando o príncipe foi o mais visto da Globoplay, com 1,5 milhões de acessos. Não imaginava que ia ser tudo isso. Era para ser uma história pequena, secundária. Mas com essa repercussão vai ganhar mais espaço.''

Websérie com Teodora

Grace Gianoukas fez tanto sucesso em “Haja Coração” que ela está de volta. Porém, diferente de “Sassaricando” – em que a personagem (então vivida por Jandira Martini), morta, aparecia como fantasma, assombrando o marido Aparício (Paulo Autran na ocasião). A novidade agora é que Teodora está viva!

“Teodora volta mês que vem, na novela, com direito a uma websérie no Gshow: “O Que Aconteceu com Teodora”. São oito episódios contando como ela sobreviveu e o que andou fazendo. Na novela, a personagem volta viva, em carne e osso. Mas sem um dedo!”

Aparício

Ortiz contou que teve que mudar a trama de Aparício Varela (Alexandre Borges), que, em ''Sassaricando'' (vivido por Paulo Autran), flertava com as três amigas (que eram Tônia Carrero, Eva Wilma e Irene Ravache).

“Tive que mudar a história do Aparício. O público está muito romântico, só querem saber de romance. Se ele ficasse ciscando com as três, teria rejeição.”

''Haja Coração'' é uma novela sob medida. Não traz nenhuma inovação e nem tem essa pretensão. O autor pesa a mão no romantismo atendendo ao anseio do atual público do horário, que espera uma comédia romântica clássica. Essa era também a receita de ''Totalmente Demais''. De fato, Daniel Ortiz afastou-se da original, ''Sassaricando'', que tinha uma outra proposta (comédia escrachada) e atendia ao público e à televisão daquele momento.

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Elenco enxuto de “Velho Chico” dá chance para que todos se destaquem
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Nilson Xavier

Marcelo Serrado e Lucy Moraes (Foto: Inacio Moraes/Gshow)

Marcelo Serrado e Lucy Alves (Foto: Inacio Moraes/Gshow)

Um dos muitos méritos da novela “Velho Chico” é o seu elenco: escolhido a dedo, enxuto e com muitos nomes desconhecidos do público de televisão. A fase atual soma menos de trinta atores fixos (sem as participações esporádicas), em poucos núcleos – um dos menores elencos em uma novela global das oito/nove em mais de trinta anos. Isso possibilita que todo mundo apareça e tenha destaque. E elogiar este elenco é citar todos, sem exceção. Inclusive Antônio Fagundes, criticado pela caracterização e pela linha interpretativa diferente da de Rodrigo Santoro, que viveu o seu personagem nas fases anteriores da novela.

Vou me restringir à fase atual, que abrange a maior parte da ação, cinco dos seis meses da trama (que está a um mês de seu término).

Muitos são estreantes em novelas: Lucy Alves (Luzia), Lee Taylor (Martim), Suely Bispo (Doninha), Mariene de Castro (Dalva), Saulo Laranjeira (Prefeito Raimundo), Ivann Gomes, o Batoré (Queiroz), Lucas Veloso (Lucas), Ana Rayza (Isabel). Outros, experientes ou não, têm poucas novelas em seus currículos: Irandhir Santos (Bento), Zezita Matos (Piedade), Marcélia Cartaxo (Zefa), Gabriel Leoni (Miguel) e Giullia Buscacio (Olívia).

A narrativa e estética de “Velho Chico” demandam um elenco igualmente robusto. Cada ator tem a sua chance. Muitos nomes de peso engrandecem seus personagens por menores que estes possam parecer. Caso de Marcos Palmeira, como o jagunço Ciço, numa atuação marcante. Quem está brilhando neste momento é Marcelo Serrado, o escroque Carlos Eduardo, até então um personagem que vivia à sombra do coronel Saruê (Antônio Fagundes).

Outro destaque desse elenco é Christiane Torloni, que saiu de sua zona de conforto: pela primeira vez a atriz aparece com um sotaque nordestino. Também Selma Egrei, que passa por toda uma caracterização para dar vida a Dona Encarnação, a centenária mãe de Antônio Fagundes na novela. Curiosidade: Fagundes é apenas um mês mais novo que a atriz!

Família Dos Anjos (Foto: Reprodução)

Família Dos Anjos (Foto: Reprodução)

A cada noite, “Velho Chico” apresenta grandes interpretações suportadas pela direção (comandada por Luiz Fernando Carvalho) e pelo texto primoroso de Benedito Ruy Barbosa e Bruno Luperi. É preciso também citar os ótimos trabalhos de Domingos Montagner (Santo), Camila Pitanga (Maria Tereza), Dira Paes (Beatriz), Carlos Vereza (Padre Benício), Gésio Amadeu (Chico Criatura), Luci Pereira (Ceci) e José Dumont (Zé Pirangueiro).

E eu nem citei o elenco das fases anteriores!

Leia também:
''Queria que ele dominasse a porra toda, diz Marcelo Serrado sobre Carlos Eduardo''
''Fagundes realça lado patético do poder e lamenta que público rejeite o novo”.

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Japoneses e belas imagens chamaram a atenção na estreia de “Sol Nascente”
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Nilson Xavier

Bruno Gagliasso e Giovanna Antonelli (Foto: Ramon Vasconcelos/TV Globo)

Bruno Gagliasso e Giovanna Antonelli (Foto: Ramon Vasconcelos/TV Globo)

Todos os elementos de “Sol Nascente” – a nova novela das seis da Globo – foram apresentados para o público na estreia (nessa segunda, 29/08). A família italiana que dirige uma padaria (com mesa farta, como não poderia ser diferente), a família japonesa e seus costumes, bem diferentes da italiana, natureza, belíssimas paisagens marítimas, motoqueiros, barbudos e tatuados. A própria abertura da novela (muito bonita, por sinal) reforça sua premissa.

A beleza das imagens foi o que mais chamou a atenção nessa estreia. O cuidado estético, o colorido, as tomadas, a luz. Dizer que “Sol Nascente” é uma novela solar é uma redundância imperdoável. Também porque o autor, Walther Negrão (que assina a trama com Suzana Pires e Júlio Fischer) volta ao cenário praiano já abordado em outros trabalhos seus: “Tropicaliente” (1994), “Como uma Onda” (2004-2005), “Flor do Caribe” (2013).

Os autores pretendem explorar as relações familiares e de amizade, irmãos de sangue ou escolhidos, o amor que nasce da amizade ou o contrário. Temática bonita que pode conquistar o público se explorada com sensibilidade. Elenco bom tem: Giovanna Antonelli e Bruno Gagliasso, Francisco Cuoco e Aracy Balabanian, Letícia Spiller e Marcello Novaes (que povoam a memória afetiva dos novelomaníacos por conta de Babalu e Raí), Luís Mello, no papel de japonês (mestiço, como ficou claro no texto nesse primeiro capítulo).

A novela está bonita. A direção (artística de Leonardo Nogueira) é esmerada. A história central não é um arrasa quarteirão. Amizade que vira amor, por si só, não rende uma novela de cinco meses. Serão necessários outros elementos a rechear esse miolo. Já sabemos que Mário (Bruno Gagliasso) lutará pelo amor de Alice (Giovanna Antonelli) e terá César (Rafael Cardoso) como pedra em seu caminho. Triângulos amorosos em que o vilão revela-se um obcecado por sua amada estão presentes em quase toda novela de Negrão. Nada de novo. Mas já testado e aprovado pelo público.

A escalação de Luís Mello para o papel de um japonês mestiço (Kazuo Tanaka) está dando o que falar. O erro maior foi a escalação de um ator de origem oriental (Daniel Uemura) para viver seu personagem quando jovem. Os óculos fundo de garrafa em Luís Mello servem para disfarçar que ele não é oriental. E no ator jovem, são para disfarçar que ele é oriental?

Só para constar: Yoná Magalhães (pasme!) viveu uma japonesa (Suzuki) na novela ''A Sombra de Rebeca'', em 1967, e Edney Giovenazzi um japonês (Yamashita) em ''A Próxima Atração'' (também de Negrão), em 1970-1971.

Luís Mello e Giovanna Antonelli (Foto: João Miguel Jr./TV Globo)

Luís Mello e Giovanna Antonelli (Foto: João Miguel Jr./TV Globo)


“Êta Mundo Bom!” ofereceu entretenimento descompromissado e despretensioso
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Nilson Xavier

Flávia Alessandra, Camila Queiroz, Elizabeth Savalla, Sérgio Guizé (Foto: Divulgação/TV Globo)

Flávia Alessandra, Camila Queiroz, Elizabeth Savalla, Sérgio Guizé (Foto: Divulgação/TV Globo)

A sensação de desligar-se do mundo real no fim do dia para se divertir com uma história simples e otimista, e relaxar a cabeça sem precisar pensar muito – premissa que se aplica a “Êta Mundo Bom!”, a novela das seis que terminou nesta sexta, 26/08. Talvez, esta seja a principal explicação para seu sucesso, digamos, notável. “Êta Mundo Bom!” fecha com uma média final no Ibope da Grande SP de 27 pontos, a maior desde 2007. Nesse momento de crise (nacional, mundial, política, econômica, social), talvez tenha sido mesmo o melhor escapismo, depois da Rio 2016.

Êta Mundo Bom!” une-se a outros sucessos de Walcyr Carrasco no horário das seis da Globo: “O Cravo e a Rosa” (2000-2001), “Chocolate com Pimenta” (2003-2004), e “Alma Gêmea” (2005-2006) – as duas últimas, com o mesmo diretor geral, Jorge Fernando. Como não poderia ser diferente, reconhecemos na novela que acabou muitos elementos das anteriores: melodrama, maniqueísmo, humor inocente e/ou pastelão, vilões terríveis, núcleo na fazenda com caipiras, bichinhos de estimação, casamentos desfeitos no altar, torta na cara, personagens arremessados no chiqueiro.

Muitos diriam que é “mais do mesmo” de Walcyr Carrasco. Pode até ser. Mas mesmo usando elementos já fartamente explorados, o autor é famoso pela carpintaria e competência em conduzir tramas e personagens irresistíveis ao seu público sem fazê-lo perder o interesse na história. Prova disso é que “Êta Mundo Bom!” não teve barriga e sempre havia algum acontecimento importante em cada capítulo. Outra prova: Carrasco é o novelista mais trabalhador da Globo. Desde que se estabeleceu na emissora, em 2000, escreveu 11 novelas, a maioria sucessos, número muito superior ao de seus colegas.

O tom brejeiro e inocente do núcleo da fazenda agradou em cheio o público, graças a personagens cativantes, de sotaque caipira com português errado, em situações pueris e engraçadas (como as referências ao “cegonho” e sua função no casamento). O mérito não é só do autor, mas também da direção e do afinado elenco. Sérgio Guizé, Elizabeth Savalla, Ary Fontoura, Camila Queiroz, Rosi Campos, Anderson Di Rizzi, Dhu Moraes e Flávio Migliaccio deram um show.

Do outro lado, o núcleo da cidade, em que o português culto na boca dos personagens firmou-se como uma assinatura do autor, com grande destaque para as atuações de Marco Nanini, Eliane Giardini, Bianca Bin, Flávia Alessandra e Ana Lúcia Torre. Entre eles, Débora Nascimento, como Filomena, a que era para ter sido a principal personagem feminina da trama, passeou entre o sotaque caipira e o português culto sem obter sucesso, comprometendo a mocinha da novela.

Leia também, Maurício Stycer: ''Êta Mundo Bom promoveu esperança em tempos de crise e desencanto''.

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Núcleo da fazenda (Foto: Artur Meninea/Gshow)

Núcleo da fazenda (Foto: Artur Meninea/Gshow)


“Justiça” oferece forma e conteúdo poucas vezes vistos na televisão
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Nilson Xavier

Jesuíta Barbosa e Marina Ruy Barbosa (Foto? Estevam Avellar/TV Globo)

Jesuíta Barbosa e Marina Ruy Barbosa (Foto: Estevam Avellar/TV Globo)

Um crime passional é a primeira história apresentada na minissérie “Justiça”, que a Globo estreou nesta segunda-feira (22/08). O fato gerador da trama é o assassinato da jovem Isabela (Marina Ruy Barbosa) pelo namorado, Vicente (Jesuíta Barbosa). “Justiça” não trata do tema pelo viés da lei. Vai além: a minissérie aborda a questão sob a ótica subjetiva, não contemplada pela lógica da “lei dos homens”.

Vicente cumpriu a sua pena (sete anos). Porém, para a mãe da vítima, Elisa (Débora Bloch), a justiça seria realmente feita se ele tivesse o mesmo destino da filha: a morte. Elisa é questionada: ''você quer vingança, não quer justiça!'' O ápice é quando Elisa, sedenta por ''justiça pelas próprias mãos'', se depara com Vicente em meio a uma família que ela desconhecia. Durante os sete anos preso, ele refez sua vida, agora tem mulher e uma filha.

Esta é a primeira de quatro histórias que a Globo apresenta durante cinco semanas, sendo que cada dia da semana (com exceção das quartas-feiras) é dedicado a uma delas. O drama de Elisa (às segundas) tem continuidade na semana que vem. Terça é o dia de Fátima (Adriana Esteves) – não por acaso, a empregada de Elisa.

Justiça” cruza os personagens de tramas diferentes. Fátima apareceu rapidamente nessa segunda-feira, tem sua trama desenvolvida às terças, mas poderá dar o ar da graça às quintas e sextas. A cena em que Fátima aparece na sala de Elisa (fica sabendo pela televisão de um incidente no trabalho de seu marido) é vista pelo telespectador novamente na terça, porque também faz parte da história da doméstica. Mas é vista sob o ângulo de sua personagem e no que esse fato isolado lhe afeta, dentro de sua história.

Justiça” oferece ao público forma e conteúdo, se não inéditos, poucas vezes vistos na TV aberta brasileira – o roteiro é assinado por Manuela Dias (de “Ligações Perigosas”). A abordagem é realista – Recife é o cenário principal e une todas as histórias. A câmera persegue os atores, a luz e as tomadas são cinematográficas. A direção artística é de José Luiz Villamarim, consagrado por trabalhos como “Amores Roubados”, “Avenida Brasil”, “O Canto da Sereia”, “O Rebu” e outros.

Mas o ponto alto é mesmo a interpretação dos atores. Villamarim afirmou em entrevista que a escalação do elenco com grandes nomes foi proposital. Afinal, o texto requer estofo de seus intérpretes. Nesse primeiro episódio, vimos grandes atuações de Jesuíta Barbosa, Débora Bloch e Marina Ruy Barbosa, intensos e completamente entregues aos seus personagens, tão humanos quanto complexos. Condizentes com a proposta da minissérie.

Numa ação inédita, a Globo Play (plataforma on demand) já disponibilizou a primeira semana inteira de “Justiça” antes de passar na televisão. Nessa terça-feira, tem show de interpretação de Adriana Esteves, num episódio tão bom quanto o primeiro.

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Jesuíta Barbosa / Adriana Esteves (Foto: Ellen Soares/Gshow)

Jesuíta Barbosa / Adriana Esteves (Foto: Ellen Soares/Gshow)


SBT acerta ao exibir um estilo de novela indiferente à qualidade da Globo
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Nilson Xavier

Ricardo Blat e Ana Rosa em anúncio da primeira novela do SBT: "Destino"

Ricardo Blat e Ana Rosa em anúncio da primeira novela do SBT: ''Destino''

O público cativo do SBT já sabe o que esperar de suas novelas. Quanto mais melodrama, melhor. Isso vale, inclusive, para as produções infantis atuais. A fórmula vem das novelas importadas, principalmente das mexicanas, que sempre encontraram na emissora uma resposta satisfatória de seu público.

Evitando imitar a Globo, o SBT, na maior parte de sua trajetória, nunca se preocupou com o fato de permanecer aquém da qualidade de sua concorrente, fazendo valer assim a filosofia da ''liderança absoluta do segundo lugar''. Inovar para quê? Pelo contrário: quando começou a fazer novelas, deu um passo atrás diante da teledramaturgia que se fazia no país, voltando aos padrões dos anos 1960, quando a telenovela brasileira ainda não tinha uma cara própria e estava presa ao ranço dos dramalhões latinos.

A dramaturgia do SBT passou por algumas fases nesses 35 anos. Na primeira delas, entre 1982 e 1983, o público recebeu uma opção diferenciada de novelas. ''Os folhetins centralizavam a ação em poucos personagens, abolindo tramas paralelas. Era um retrocesso na Teledramaturgia Brasileira. Só que a emissora de Silvio Santos acertava num dado: oferecer um estilo opcional de novela, indiferente à qualidade das produções da Globo – textos importados, apenas traduzidos, tramas unificadas e poucos capítulos. Assim, evitava-se fazer imitações, como muitas vezes acontecera sem sucesso na Tupi e na Bandeirantes.'' (Ismael Fernandes em ''Memória da Telenovela Brasileira'')

''Desta forma, ao mesmo tempo que retomava o esquema que lançou a telenovela brasileira nos anos 1960, o SBT apresentou uma atração sob medida à sua filosofia popularesca.'' Em seus dois primeiros anos, a emissora levou ao ar 12 títulos seguindo essa fórmula, todas adaptações de novelas mexicanas: “Destino”, “A Força do Amor”, “A Leoa”, “Conflito”, “Sombras do Passado”, “Acorrentada”, “A Ponte do Amor”, “A Justiça de Deus”, “Pecado de Amor”, “Razão de Viver”, “O Anjo Maldito” e “Vida Roubada”. Eram produções pobres, com elenco enxuto e poucos atores conhecidos. E nunca chegaram aos dois dígitos de audiência. Estava claro que, com essas novelas, a emissora  não tinha a pretensão de ser líder no Ibope.

Anúncio de "Éramos Seis" / Regiane Alves e Marcos Damigo em "Fascinação"

Anúncio de ''Éramos Seis'' / Regiane Alves e Marcos Damigo em ''Fascinação''

A segunda fase (entre 1984 e 1991) marca um hiato entre a primeira e a terceira fases, com pouca produção própria de dramaturgia, irregular e sem um padrão definido.  Em oito anos, o SBT apresentou apenas seis novelas brasileiras: “Meus Filhos, Minha Vida”, “Jerônimo”, “Jogo do Amor”, “Uma Esperança no Ar”, “Cortina de Vidro” (a primeira de Walcyr Carrasco), e “Brasileiras e Brasileiros” (passagem do diretor Walter Avancini pelo SBT). Mas já não eram mais adaptações de melodramas ''xicanos'', e sim textos nacionais.

A terceira fase é considerada a melhor e a mais rica da dramaturgia do SBT. Ela vem com a contratação do diretor Nilton Travesso, que leva para a emissora vários profissionais da Globo, entre técnicos e atores. Vai de 1994 a 1997, somando oito produções: “Éramos Seis”, “As Pupilas do Senhor Reitor”, “Sangue do Meu Sangue”, “Razão de Viver” e “Os Ossos do Barão” (com direção de Travesso), e “Colégio Brasil”, “Antônio Alves, Taxista” e “Dona Anja” (produções terceirizadas).

Com investimento em cenografia, arte, figurinos e elenco, Nilton Travesso começou adaptando antigas novelas brasileiras de sucesso, em excelentes produções de época, comparáveis às da Globo, alcançando bons resultados no Ibope das três primeiras (“Éramos Seis”, “As Pupilas do Senhor Reitor” e “Sangue do Meu Sangue”). Com a queda da audiência ao longo do tempo, Silvio Santos desistiu de dar continuidade ao trabalho de Travesso e voltou a investir em melodramas importados.

Elenco de "Chiquititas" dos anos 90 / Anúncio de "Carrossel" atual

Elenco de ''Chiquititas'' dos anos 90 / Anúncio de ''Carrossel'' atual

Animado com o sucesso da trilogia das Marias – “Maria Mercedes”, “Marimar” e “Maria do Bairro”, novelas mexicanas estreladas pela cantora Thalía, exibidas entre 1996 e 1997 – Silvio Santos se voltou novamente às adaptações de importadas, e apresentou, entre 1997 e 2001, quatro títulos: “Chiquititas”, “Fascinação”, “Pérola Negra” e “O Direito de Nascer”. Destas, apenas “Fascinação” não era uma adaptação, mas um texto original de Walcyr Carrasco. Chiquititas, uma coprodução do SBT com a emissora argentina Telefé, virou uma febre e ficou no ar entre 1997 e 2001, somando cinco temporadas.

Em 2001, o SBT assinou um contrato com a mexicana Televisa para a produção e adaptação de suas novelas no Brasil. Começou uma nova fase, que se estendeu até 2008, somando 12 títulos: “Pícara Sonhadora”, “Amor e Ódio”, “Marisol”, “Pequena Travessa”, “Jamais Te Esquecerei”, “Canavial de Paixões”, “Seus Olhos”, “Esmeralda”, “Os Ricos Também Choram”, “Cristal”, “Maria Esperança” e “Amigas e Rivais”. Destas, pelo menos “Canavial de Paixões” e “Esmeralda” alcançaram um êxito relevante.

Em 2008, teve início a “Era Íris Abravanel”. A mulher de Silvio Santos se lançou na roteirização de novelas. O primeiro título foi “Revelação”, a única original. A seguinte, “Vende-se um Véu de Noiva”, era baseada numa radionovela de Janete Clair – o SBT comprou 30 textos radiofônicos da autora, mas só adaptou este. Seguiram-se “Corações Feridos” e as infantis “Carrossel”, “Chiquititas” e a atual “Cúmplices de um Resgate” – todas adaptações. Em 2010, o novelista Tiago Santiago, recém saído da Record, foi contratado e escreveu duas novelas: “Uma Rosa com Amor” e “Amor e Revolução'' – esta última, mais lembrada por uma cena de beijo entre duas mulheres.

Anúncio de "Canavial de Paixões"

Anúncio de ''Canavial de Paixões''

Com “Carrossel”, em 2012, o SBT descobriu um filão rentável e sem previsão de se esgotar: a novela infantil para a família. Um fenômeno de audiência para os padrões da emissora (sempre acima dos 10 pontos no Ibope), a novelinha a colocou em segundo lugar no horário nobre, desbancando a Record na época. Esta repercussão refletia a carência de programação infantil no prime-time da TV aberta brasileira. “Carrossel” conseguiu atrair um público que estava nos canais pagos ou até mesmo longe da televisão. O SBT não teve dúvida e, após esse êxito, continuou investindo em remakes de tramas infantis importadas, com a volta de ''Chiquititas'' (em uma nova versão) e ''Cúmplices de um Resgate''. E vem aí “Carinha de Anjo”!

Frente este quadro histórico, pode-se concluir que a referência maior para as novelas do SBT são as ''xicanas''. Produções mais simples, quando comparadas às da Globo, mas que têm em sua essência o folhetim mais puro, que mexe com as emoções básicas do ser humano. Há 35 anos elas estão na grade da emissora. A primeira, “Os Ricos Também Choram” (1982), foi um sucesso da época. Seguiram-se outros êxitos que povoam a memória afetiva dos fãs do SBT: “Chispita”, “Amor Cigano”, ''Estranho Poder'', ''Viviana, em Busca do Amor'', “Rosa Selvagem”, “Carrossel”, “Ambição”, “A Estranha Dama”, “Maria Mercedes”, “Marimar”, “Maria do Bairro”, “A Usurpadora”, ”O Privilégio de Amar”, ''Kassandra'', “A Mentira”, “Esmeralda”, “Café com Aroma de Mulher”, “Rosalinda”, “A Outra”, “A Madrasta”, “Rubi”, “Rebelde”, “A Feia Mais Bela” e outras.

AQUI tem a relação completa das novelas brasileiras do SBT, com elenco, curiosidades, trilhas  e mais.

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mexicanasEstrelas mexicanas do SBT: Verônica Castro (de ''Os Ricos Também Choram'' e ''Rosa Selvagem''), Thalía (da trilogia das Marias) e Gabriela Spanic de ''A Usurpadora''