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Canal Viva vai reprisar a novela “A Gata Comeu”
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Nilson Xavier

Christiane Torloni (Jô Penteado) e Nuno Leal Maia (Profº Fábio) (Foto: Divulgação/TV Globo)

Christiane Torloni (Jô Penteado) e Nuno Leal Maia (Profº Fábio) (Foto: Divulgação/TV Globo)

Um dos maiores sucessos da TV da década de 1980 estará de volta no Viva: a novela “A Gata Comeu”, com Christiane Torloni e Nuno Leal Maia, substitui “Mulheres de Areia'' em outubro. A trama do casal Jô Penteado e Professor Fábio, que vivia feito cão e gato, é hoje cultuada por fãs e uma das campeãs de pedidos de reprise no canal.

Escrita por Ivani Ribeiro, com direção geral de Herval Rosano, “A Gata Comeu” foi originalmente exibida, no horário das seis da Globo, entre abril e outubro de 1985. Foi reprisada duas vezes no “Vale a Pena Ver de Novo“: em 1989 e em 2001. Era o remake de uma antiga novela da TV Tupi (de 1974): “A Barba Azul”, com Eva Wilma e Carlos Zara.

A trama leve, divertida e despretensiosa teve como maior destaque o elenco mirim – filhos e alunos do Professor Fábio -, que encantou o público infanto-juvenil na época: Danton Mello (em sua primeira novela, então com 10 anos), Kátia Moura, Oberdan Jr, Juliana Martins, Silvio Perroni, Rafael Alvarez e Juliana Lucas Martin.

Os capítulos iniciais foram antológicos. Vários personagens passam dias perdidos em uma ilha deserta, após uma pane no barco em que faziam uma excursão. Foi nessa viagem que Jô conheceu Fábio. Também Paula (Fátima Freire), então noiva dele, e as crianças, seus alunos. Como a antipatia foi imediata, a confusão estava armada! “Bateu, levou!” era o bordão do casal que se odiou à primeira vista e trocava farpas e tapas na cara. Um ódio que escondia uma atração fulminante que acabou em amor ao longo da trama.

No elenco, também Mauro Mendonça, Anilza Leoni, Bia Seidl, Laerte Morrone, Roberto Pirilo, Fátima Freire, Élcio Romar, Mayara Magri, Cláudio Corrêa e Castro, Marilu Bueno, Luís Carlos Arutin, Dirce Migliaccio, Nina de Pádua, José Mayer, Deborah Evelyn, Eduardo Tornaghi, Rogério Fróes, Diana Morel e outros.

Volta dia 24 de outubro no Viva, substituindo “Mulheres de Areia” na faixa das 15:30 (reprise à 0:45).
Lembrando que o Viva também confirmou o retorno de outro clássico da TV: “Pai Herói“, que volta dia 17 de outubro, à meia-noite. Saiba mais AQUI.
E “Torre de Babel“, que volta dia 10 de outubro, às 14:30.

AQUI tem elenco completo, personagens, trama, trilha sonora e curiosidades sobre “A Gata Comeu”.

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Danton Mello, Silvio Perroni, Juliana Martins e Oberdan Jr. (Foto: Divulgação/TV Globo)

Danton Mello, Silvio Perroni, Juliana Martins e Oberdan Jr. (Foto: Divulgação/TV Globo)


“Haja Coração” não funcionaria não fosse seu elenco bem escalado
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Nilson Xavier

João Baldasserini e Mariana Ximenes (Foto: Ellen Soares/Gshow)

João Baldasserini e Mariana Ximenes (Foto: Ellen Soares/Gshow)

Haja Coração” é uma novela de bons trunfos. Segue à risca a receita do tradicional horário das sete da Globo: a comédia romântica sem medo do pastelão, colorida, com farto elenco jovem e bonito. É uma trama folhetinesca e despretensiosa, com reviravoltas, ação e bons ganchos, sempre dosando comédia e romantismo. A serviço da trama, um elenco, na grande maioria, bem escalado.

Os personagens são bons, com ótimas possibilidades de exploração, dramática ou cômica. As tramas paralelas costuram-se às principais. Existe uma unidade narrativa que conversa com a estética. A história, apesar de requentada, não destoa da atualidade – ainda que seja difícil de reconhecer pelas ruas um tipo como Tancinha, a bela de pouca instrução, com sotaque italianado, vivida por uma esfuziante Mariana Ximenes. É uma personagem que não emula a realidade e nem tem essa pretensão.

Realmente, não existem Tancinhas por aí, no mundo real. Mas, convenhamos, não existia nem em 1987, quando foi ao ar a novela que a originou, “Sassaricando” – Cláudia Raia foi muito criticada pelo sotaque e os exageros de sua interpretação, até o público se render a ela. Tancinha é um tipo que cai como uma luva para a comédia de situação. É para este fim que ela trabalha. A bela irreal dos sonhos de Beto (João Baldasserini) é a única capaz de tirá-lo de seu mundano universo de conquistas descartáveis.

Tancinha é uma personagem idealizada unicamente para servir a comédia romântica a que se propõe a novela. As cenas de Ximenes com Baldasserini são ótimas. Os dois têm química e seus personagens se completam. Malvino Salvador ficou com a parte menos cativante, Apolo, o bruto-romântico, que serve de contraponto a Beto, o atrapalhado-romântico. É mesmo pra fazer qualquer uma fica divididinha!

Haja Coração” não funcionaria não fosse seu elenco bem escalado. O clã Abdala é divertidíssimo. Grace Gianoukas está fazendo um enorme sucesso com sua megera Teodora. E a dobradinha com Tatá Werneck é ótima. Fedora é, em minha opinião, o melhor dos três momentos da atriz-comediante-apresentadora em novelas (os anteriores foram Valdirene em “Amor à Vida” e Danda em “I Love Paraisópolis”). As falas de Tatá, declaradas sílaba a sílaba, parecem uma resposta debochada aos que criticavam sua dicção incompreensível nas novelas anteriores (este colunista inclusive).

Ainda que Aparício Varela seja feito de gato e sapato nas mãos da mulher Teodora, Alexandre Borges conseguiu escapar da mesmice dos tipos bobões de trabalhos anteriores (como em “Ti-ti-ti”, “Avenida Brasil” e “I Love Paraisópolis”). E se é para elogiar o elenco, tem que citar Cláudia Jimenez, Marcelo Médici, Marisa Orth, Chandelly Braz, Gabriel Godoy e o trio Malu Mader, Carolina Ferraz e Ellen Roche – esta última, uma grata surpresa.

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Livro resgata as dificuldades dos roteiristas de TV ao escrever uma novela
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Nilson Xavier

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Será lançado em São Paulo, nesta quinta-feira (23/06), o livro “Novela, a obra aberta e seus problemas” (Giostri Editora), do jornalista e pesquisador Fábio Costa. Uma ótima pedida para quem estuda o assunto, trabalha no ramo ou apenas se diverte com o universo novelístico. Ainda mais porque é baixo o número de bibliografia especializada sobre o tema, principalmente se considerarmos que este é o “país das novelas”. O prefácio é de Lauro César Muniz.

O autor compilou o resultado de uma detalhada pesquisa sobre as agruras pelas quais passa todo roteirista de televisão ao escrever uma novela. Pela sua natureza – uma obra que fica muito tempo no ar, que vai sendo escrita à medida que é produzida e exibida (por isso chamada de “obra aberta”) – a novela brasileira registrou em sua história inúmeros casos e curiosidades que atestam o talento (e o jogo de cintura) de nossos novelistas ao se depararem com percalços enquanto escrevem suas novelas, obrigando-os a mudarem os rumos de suas histórias, na maioria das vezes, de forma indesejada.

A doença de um ator (até mesmo sua morte), diretor ou do próprio autor. O baixo rendimento de um ator de quem se esperava mais, obrigando a diminuir a sua participação, ou substituí-lo. O alto desempenho de outro, de quem não se esperava tanto, ou cujo personagem caiu nas graças do público, fazendo aumentar sua participação na trama. Incêndios. Atrasos nas gravações (pelos mais variados motivos). Vazamentos de informações pela mídia, a contragosto do autor. A gravidez inesperada de uma atriz, o que muda os planos para sua personagem. As alterações no roteiro impostas pela censura (do Governo, da emissora) ou mesmo pelo público ou patrocinadores. Mudanças de horário de exibição. O alongamento (ou encurtamento) da novela. A concorrência. A baixa (ou a alta) audiência.

novelas1. O assassinato de Daniela Perez interrompeu a trajetória de sua personagem na novela “De Corpo e Alma” (1992);
2. A gravidez de Regina Duarte encurtou a novela “Carinhoso” (1974);
3. Alguns personagens rejeitados pelo público morreram na explosão do shopping em “Torre de Babel” (1998);
4. A censura do Regime Militar impediu o uso da palavra “escravo” em “Escrava Isaura” (1976).

Costumo dizer que o universo novelístico é um poço que precisa ser mais e mais cavoucado. O livro de Fábio Costa tem essa característica arqueológica de pesquisa. Um rico apanhado de informações que nos ajuda a refletir sobre o árduo caminho que o processo de produção percorre para chegar ao seu destino final, o telespectador, pronto para ser consumido. Em mais de cinquenta anos de telenovelas, muitas dificuldades ajudaram a construir e desconstruir essa história. “Novela, a obra aberta e seus problemas” satisfaz o público ávido por esse universo, seja o que vive dele (milhares de profissionais envolvidos, direta ou indiretamente), o que o estuda, ou o que apenas o aprecia. Ou seja, milhões de telespectadores Brasil afora.

Novela, a obra aberta e seus problemas”, de Fábio Costa, prefácio de Lauro César Muniz, Giostri Editora, R$50. Lançamento nesta quinta-feira, 23/06, às 19 horas, na Casa das Rosas, Avenida Paulista, 37, São Paulo. Antes da sessão de autógrafos, haverá um bate-papo entre o público, este colunista, o autor, Fábio Costa, e o novelista Lauro César Muniz.

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Despretensiosa, novela “Êta Mundo Bom” diverte com personagens cativantes
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Nilson Xavier

Marco Nanini e Sérgio Guizé (Foto: Reprodução)

Marco Nanini e Sérgio Guizé (Foto: Reprodução)

Atravessando sua melhor fase, “Êta Mundo Bom!” é uma novela deliciosa de acompanhar. Incrível como, passado um tempo, todas as primeiras críticas, do texto à interpretação de alguns atores, se dissiparam. Acabamos nos acostumando com os vícios do autor e de parte do elenco? Ou embarcamos na total despretensão da novela deixando de lado o perfeccionismo e tão simplesmente nos divertindo com o universo criado pelo autor?

Walcyr Carrasco é craque na carpintaria folhetinesca. Sabe como poucos enredar suas tramas e envolver o público com suas histórias e personagens. E o mais incrível de tudo: “Êta Mundo Bom!” não traz nada de novo. O autor recicla tramas e tipos já vistos em trabalhos anteriores. Torta na cara, casamento desfeito no altar, gente arremessada no chiqueiro… Sabemos exatamente o que esperar de uma novela dele. Vilões ávidos por amor e dinheiro, diferenças entre ricos e pobres, mocinhas sofredoras. Já vimos essas histórias várias vezes, tanto em suas novelas como em de outros. E sabemos como acabam. “Êta Mundo Bom!” é boa porque é previsível, ou é previsível porque é boa? Ou nem é tão previsível assim?

Finalmente ganhou função na trama o núcleo, até então adormecido, da madrasta má (Guilhermina Guinle) e o enteado na cadeira-de-rodas (Xande Valois) absorto em seu “jardim secreto”. Sandra (Flávia Alessandra) fará Anastácia (Eliane Giardini) sair de sua zona de conforto. Cunegundes (Elizabeth Savalla) humanizou-se com a chegada do netinho. Eponina (Rosi Campos) finalmente casou, o que tem rendido situações hilárias.

As tramas fluem sem atropelos ou “barriga”. Enquanto isso, o núcleo da fazenda de Cunegundes continua divertindo. Assim como Pancrácio (Marco Nanini, fantástico), com seus tipos fantasiados que tentam tomar dinheiro de incautos na rua. Na semana que passou, o ator arrancou risadas como uma inusitada bailarina. O que seria de “Êta Mundo Bom!” sem essas interpretações excelentes?

Faz parte da proposta da novela, logo não tem mais porque estranhar o tom teatral, tanto na impostação dos atores quanto no texto (com exceção dos caipiras, os personagens falam um português corretíssimo). É uma trama de época sem a pretensão de emular a realidade. Nem a mocinha Filomena (Débora Nascimento), incomoda mais: já sofre menos e foi providencial a repentina perda de seu sotaque caipira.

“É a Luna que voltou!”

Em tempo: a ótima repercussão de “Êta Mundo Bom!” explica a escolha de uma trama de Carrasco para o “Vale a Pena Ver de Novo”: “Alma Gêmea”, novela de sucesso do autor, exibida entre 2005 e 2006 (já reprisada à tarde, entre 2009 e 2010), voltará na grade vespertina da Globo em substituição à atual “Anjo Mau”. Walcyr Carrasco continua em alta.

AQUI tem tudo sobre “Alma Gêmea“.

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Eduardo Moscovis e Flávia Alessandra em "Alma Gêmea" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Eduardo Moscovis e Flávia Alessandra em “Alma Gêmea'' (Foto: Divulgação/TV Globo)


Novelão assumido, “Escrava Mãe” mal começou e já tem um “quem matou”
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Nilson Xavier

O Personagem de Antônio Petrin foi assassinado (Foto: Reprodução)

O personagem de Antônio Petrin foi misteriosamente assassinado (Foto: Reprodução)

Como já mencionei anteriormente aqui, a novela “Escrava Mãe” é uma salada folhetinesca. Junta todos os ingredientes – entenda clichês – que fazem a alegria dos fãs do gênero. O autor, Gustavo Reiz, já engatou um “quem matou” na segunda semana da novela! O mistério durou pouco tempo para o público: quem matou Custódio Avelar (Antônio Petrin) foi a filha dele, Maria Isabel (Thaís Fersoza). Os personagens da trama só descobrirão a identidade do assassino no final.

Em pouco mais de duas semanas de exibição, já se percebe que a produção de “Escrava Mãe” é belíssima, tanto em cenários quanto em figurinos, arte e fotografia. A trilha sonora acompanha. O elenco é bem escalado e não há deslizes. A novela é bem dirigida (equipe de Ivan Zettel).

Diante desses atrativos todos, já se destacam alguns nomes do elenco, muito bons em cena. Seguindo à risca a cartilha do folhetim, os personagens são maniqueístas: os bons são virtuosos e os maus são terríveis. Quando o ator é competente e/ou bem dirigido, é fácil embarcar nessa fantasia.

É o caso de Thaís Fersoza (quanta segurança para interpretar uma vilã!), Roberta Gualda (excelente como a sofredora), Zezé Motta, Antônio Petrin (pena que seu personagem morreu), Bete Coelho (comedida na dose certa), Luiz Guilherme, Lidi Lisboa (má e invejosa), Sidney Santiago, Luiza Tomé e Jussara Freire (que vem roubando as cenas sempre que aparece).

Os ganchos são bons. A festa de casamento de Almeida (Fernando Pavão) e Tereza (Roberta Gualda) foi um ótimo clímax, repleto de acontecimentos, que rendeu a morte do coronel Custódio (Antônio Petrin) e um “quem matou”. Apenas senti um descompasso da trilha sonora em algumas sequências: a música incidental, muito linear, não valorizou o ritmo, parecia não acompanhar os altos e baixos nas cenas do festejo.

A trama é bem costurada por Gustavo Reiz. Segredos do passado, mistérios, vilões cruéis (são vários), vingança, humor, hipocrisia da sociedade, sonho de liberdade, a questão da abolição, o sofrimento da mocinha, e agora um “quem matou”. O autor promete uma trama movimentada. Tem em mãos um bom arsenal para os meses que virão.

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(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)


Apesar de elenco e direção excelentes, trama de “Velho Chico” não empolga
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Nilson Xavier

Domingos Montagner e Camila Pitanga (Foto: Inácio Moraes/ Gshow)

Domingos Montagner e Camila Pitanga (Foto: Inácio Moraes/ Gshow)

Não resta dúvida de que “Velho Chico'' é uma produção bonita, caprichada, pensada nos mínimos detalhes – fotografia, trilha sonora, figurinos, arte. É de encher os olhos. O elenco e a direção de atores são primorosos. Apesar disso tudo, “Velho Chico” não acontece, pouco repercute, patina. Percebe que tudo se destaca na novela, menos a história? Diferente da primeira fase, a atual não desperta aquele desejo de correr para a TV quando a novela começa.

Faz falta nesta fase atual o conflito entre tipos marcantes da fase anterior, como os casais Ernesto Rosa e Eulália (Rodrigo Lombardi e Fabíula Nascimento) e Belmiro dos Anjos e Piedade (Chico Diaz e Cyria Coentro), mais o irresistível Afrânio de Rodrigo Santoro. A passagem para a atualidade foi chocante. O Afrânio anterior simplesmente desapareceu e deu lugar um tipo difícil de engolir, mais lembrado por uma peruca ridícula.

Não que atualmente “Velho Chico” não tenha tipos marcantes. A galeria de personagens bons continua, em grandes interpretações de Irandhir Santos, Dira Paes, Selma Egrei, Lee Taylor, Marcos Palmeira, Marcelo Serrado, Camila Pitanga, Domingos Montagner, Zezita Matos, Christiane Torloni, Suely Bispo, Gésio Amadeu, Lucy Alves, Carlos Vereza, Luci Pereira, Marcélia Cartaxo, José Dumont, e até os novatos Lucas Veloso e Giulia Buscacio. O elenco todo praticamente! “Velho Chico'' é novela de atores.

Vamos contar as tramas atuais: o amor do passado mal resolvido entre Maria Tereza e Santo, apimentado pelo ciúme de Luzia; a rivalidade entre Santo e o Saruê; o ódio do Saruê pelo filho Martim, em contraponto com o amor da avó Encarnação; o ciúme do Saruê pela mulher Iolanda; o amor politizado de Bento e Beatriz; os triângulos que se formarão entre Lucas, Olívia e Miguel e Bento, Beatriz e Martim; a resistência de Zé Pirangueiro em abandonar o Rio São Francisco.

Velho Chico” tem o seu ritmo próprio de conduzir essas histórias. Gostava muito da primeira fase, mas não sou viúvo dela. Porém, a impressão que se tem é que, atualmente, a novela se sustenta apenas nas interpretações dos atores e no esmero da direção em apresentar uma produção “diferenciada”. É uma novela linda demais, mas pouco envolvente. Nem mesmo os embates dessa semana, entre Martim e o pai Saruê, entre Carlos Eduardo e Santo pelo amor de Tereza parecem tirar “Velho Chico” de seu leito plácido.

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Globo lança o DVD da novela “Verdades Secretas”
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Nilson Xavier

Rodrigo Lombardi e Camila Queiroz (Foto: Reprodução)

Rodrigo Lombardi e Camila Queiroz (Foto: Reprodução)

A divisão de licenciamento da Globo acaba de lançar a novela “Verdades Secretas” em DVD. Considerada a melhor de 2015 pela crítica especializada, tendo o mundo da moda como pano de fundo, a trama (de autoria de Walcyr Carrasco, com direção artística de Mauro Mendonça Filho) foi sucesso de audiência e repercussão no ano passado, popularizando o chamado “book rosa”, o catálogo de modelos de agência que se prostituem.

O enredo pisou fundo e sem cerimônia em temas ainda considerados tabus em novelas, como prostituição, drogas e homossexualidade (tudo junto ou separado). A história partia de uma premissa ousada: o homem que se apaixona por uma ninfeta e se casa com a mãe dela para tê-la sempre por perto. Para apimentar, muitos nus e cenas de sexo.

Em sua trama de luxúria e degradação moral, Walcyr Carrasco fez brilhar a novata Camila Queiroz (hoje em “Eta Mundo Bom”), como Arlete – codinome Angel -, garota com ar angelical vinda do interior que trabalha como modelo e esconde da mãe, Carolina (Drica Moraes, excelente), que se prostitui. Ela se vê presa ao imoral Alex (Rodrigo Lombardi), que arma um triângulo perigoso ao se casar com Carolina.

Grazi Massafera impressionou como Larissa, a modelo em fim de carreira, drogada, que se afunda no submundo da “cracolândia” de São Paulo. Muito do realismo das cenas vem da direção inspirada de Mauro Mendonça Filho. No elenco, também destacaram-se Marieta Severo, como a agenciadora Fanny; Reynaldo Gianecchini, como Anthony, namorado de Fanny; Eva Wilma, como Fábia, a decadente mãe de Anthony; Rainer Cadete, como o booker Viscky; e Ágatha Moreira, como Giovanna, a rebelde filha de Alex.

De minha crítica final sobre a novela: “A proposta estética e a fotografia sofisticadas, o esmero nas tomadas, a trilha sonora escolhida a dedo para cada tipo de cena e a direção de atores contribuíram para um resultado final poucas vezes visto na televisão.” Leia a crítica completa AQUI.

O box de “Verdades Secretas” traz a novela na íntegra, em 13 DVDs (aproximadamente 25 horas de duração), com cenas extras e remontadas, bastidores das gravações e webdoc do Gshow, a um custo médio de 190 reais.

AQUI tem o elenco completo de “Verdades Secretas”, a história, trilha e curiosidades sobre a novela.

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“Haja Coração” teve estreia ágil e colorida, mas um tanto didática
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Nilson Xavier

Malvino Salvador e Mariana Ximenes  (Foto: Fabiano Battaglin/Gshow)

Malvino Salvador e Mariana Ximenes (Foto: Fabiano Battaglin/Gshow)

Movimentado esse capítulo de estreia de “Haja Coração”, a nova novela das sete da Globo, nessa terça, 31/05. Ao apresentar vários personagens, a novela não escapou do didatismo exagerado. Cenas pouco sutis de explicação sobre o passado do patriarca da família Di Marino, da relação dele com Aparício Varela (Alexandre Borges) e da prisão do filho, Giovanni (Jayme Matarazzo).

Um didatismo que soou forçado – poderia ser desenvolvido ao longo da semana, sem atropelos. Em contrapartida, apesar disso, a agilidade deu um toque agradável ao capítulo, que apresentou personagens solares em ambientações e caracterizações coloridas. Vários deles já deram mostra do tom de comédia romântica a que se propõe a produção.

Como não poderia ser diferente, os destaques no elenco foram Mariana Ximenes e Tatá Werneck, fartamente divulgadas nas chamadas. As comparações serão inevitáveis (e as atrizes sabem disso), principalmente de quem tem por volta de 40 anos ou mais. Ximenes pouco lembra a Tancinha de Claudia Raia e Tatá pouco lembra a Fedora de Cristina Pereira. Assim como Alexandre Borges pouco lembra o Aparício de Paulo Autran.

 O que é perfeitamente compreensível em se tratando de uma reedição (não é um remake). É uma outra novela, não é a “Sassaricando” dos anos 80. Mesmo porque, quase 30 anos separam uma produção da outra. Logo, a liberdade de recriar personagens é maior e até necessária. Ao mesmo tempo, é pura nostalgia ouvir de novo a música “Fatamorgana”, tema de Fedora que marcou a novela de 1987.

Outro destaque foi o deboche nas falas da personagem Leonora Lammar, de Ellen Roche, com uma crítica divertida aos reality-shows “Esse é um país sem memória, as pessoas nem lembram mais dos ex-bbb´s”. O deboche espirituoso é a cara do horário e sempre cai bem.

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Gabriel Godoy e Tatá Werneck (Foto: Divulgação/TV Globo)

Gabriel Godoy e Tatá Werneck (Foto: Divulgação/TV Globo)


Totalmente Demais cativou o público com trama simples recheada de melodrama
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Nilson Xavier

Fábio Assunção, Marina Ruy Barbosa e Felipe Simas (Foto: Fabiano Battaglin/Gshow)

Fábio Assunção, Marina Ruy Barbosa e Felipe Simas (Foto: Fabiano Battaglin/Gshow)

O saldo de “Totalmente Demais” – a novela das sete da Globo que terminou nesta segunda, 30/05 – não poderia ter sido mais positivo. É o maior sucesso de audiência e repercussão no horário em quatro anos – desde “Cheias de Charme”, de 2012. A trama de Rosane Svartman e Paulo Halm será sempre lembrada por ter conquistado o público de todas as idades (inclusive o jovem, hoje muito alheio às telenovelas) com uma história simples, fincada no dramalhão, repleta de personagens cativantes.

Que a dupla de autores dialogava bem com o jovem, sabíamos da temporada “Sonhos” de “Malhação” (2014-2015), um dos maiores êxitos de toda a história da novelinha vespertina. A receita de Svartman e Halm para conquistar o telespectador do horário das sete foi apimentar a trama de apelo juvenil com doses cavalares do mais tradicional folhetim. Assim, arregimentou-se também o público mais velho, tradicional consumidor de telenovelas.

A identificação e aceitação foi imediata. Personagens ancorados em arquétipos, claras referências em “Pigmalião” e “A Gata Borralheira” (Eliza parecia a própria), “Totalmente Demais” é a prova do porquê o melodrama encanta tanto mundo afora – outra referência é a mexicana “Maria do Bairro”, com Thalia.

Novela seriada

totalmentedemais_cassandraPara “Totalmente Demais” valeu a máxima “uma vez ganho o público, pouco importa a história contada“. A novela revelou uma trama de fases, ou melhor, uma trama seriada. Primeiro, o mote central que permeou boa parte da história: o longo concurso Garota Totalmente Demais. Sua duração foi até coerente, já que presenciamos a transformação paulatina de Eliza (Marina Ruy Barbosa), de garota arisca, selvagem, maltrapilha e descabelada a nova musa da beleza. O que incomodou foi a sensação de enrolação e a previsibilidade a cada nova fase (pouco criativa) do concurso, sempre com Cassandra (Juliana Paiva) e/ou Carolina (Juliana Paes) armando – inutilmente – para Eliza se dar mal.

Com o fim do concurso, os coadjuvantes já haviam desenvolvido suas histórias, principalmente os personagens do núcleo de Curicica. Foi quando Sofia (Priscila Steinman), que julgava-se morta, reapareceu, viva e louca, para se vingar de tudo e de todos. A novela entrou numa fase sinistra, com uma trama pouco coerente que culminou num dos desfechos mais absurdos da história de nossas novelas: Sofia foi baleada e morreu (de novo!) na frente dos pais. Melodrama potencializado, pouco sutil – repetido mais tarde em outras situações. Os autores pesaram a mão.

O Retorno de Sofia”, como poderia ter se chamado essa fase, revelou uma estratégia de Svartman e Halm na carpintaria de sua novela: a criação de subtramas dentro da história, de forma seriada, que começam e terminam, a fim de rechear a novela (ou encher linguiça). Foi o que se deflagrou quando a Globo deu ordens que “Totalmente Demais” fosse ampliada. Vimos historinhas que começaram e terminaram de uma hora para outra, para “cumprir tabela”. Exemplo: durou quase uma semana a viagem de Carolina, Eliza e Rafael ao Uruguai só para Carolina forjar um flagrante, dos mais bestas, entre Eliza e Rafael. Golpe baixo da personagem e dos autores.

Outro recurso foi o merchandising social. A engrossar a trama, a novela tratou de assédio, adiamento da maternidade, homossexualidade, homofobia, paraplegia e adoção. Ainda que sempre louvável, alguns couberam perfeitamente dentro da história, enquanto outros quase soaram gratuitos.

Com o espichamento de “Totalmente Demais”, ficou a sensação de que a novela poderia ter terminado há muito tempo, afinal, não restava mais muita história para contar. O público achou ruim? Pelo contrário. Prova de que a trama poderia durar um ano – como foi “Malhação Sonhos” – ou até virar um seriado de fato. O público já estava apaixonado pelos personagens, pelas idas e vindas do quadrilátero amoroso Jonatas-Eliza-Arthur-Carolina, pouco importando o quanto os personagens iam e voltavam. Mérito dos autores.

O contraponto

totalmentedemais_stelinhaSe, por um lado, Rosane Svartman e Paulo Halm pesaram a mão na condução de “Totalmente Demais”, por outro há de se destacar alguns personagens que foram na contramão do melodrama e deram um sabor todo especial à novela, graças aos seus intérpretes e ao texto dos autores. “Totalmente Demais” não teria o mesmo efeito não fossem tipos como a dupla Stelinha e Maurice (Glória Menezes e Reginaldo Faria), sempre com um texto afiado e inteligente. Glória Menezes brilhou como a ranzinza professora de boas maneiras de Eliza.

Cassandra, personagem da ótima Juliana Paiva, também fez toda a diferença dentro da história. Divertidamente nonsense, é outro exemplo de boa união entre o talento do ator e o texto criado para ele. O mesmo para Fábio Assunção (Arthur), Felipe Simas (Jonatas), Vivianne Pasmanter (Lili), Marat Descartes (Pietro), Pablo Sanábio (Max), Julianne Trevisol (Lu), Orã Figueiredo (Hugo), Guida Vianna (Cida), Malu Galli (Rosângela) e Aline Fanju (Maristela). Já Juliana Paes, de posse de uma das personagens mais importantes da novela, ficou devendo ante um tipo difícil e complexo.

O último capítulo bateu o recorde de audiência da novela: prévia de 36 pontos no Ibope da Grande São Paulo (às segundas a audiência das novelas é sempre maior). Os autores chutaram o balde da coerência e privilegiaram a fantasia: Eliza e Jonatas – que iniciaram o romance maltrapilhos pelas ruas do Rio de Janeiro – terminaram juntos e felizes em Paris, dividindo um gramado com a cantora inglesa Gabrielle Aplin que tocou no violão o tema do casal, “Home“. Pena que não ficaram no Brasil, justificaria o título da música e não precisaria de um chromakey tão fuleiro quanto o apresentado.

AQUI tudo sobre “Totalmente Demais”: elenco completo, personagens, trilha e várias curiosidades.

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Leia também: Maurício Stycer, “Até os autores riram do melodrama mexicano no fim de Totalmente Demais“.

Fotos: Divulgação/TV Globo.


“Escrava Mãe” promete salada de estilos para agradar a “família brasileira”
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Nilson Xavier

Gabriela Moreyra e Pedro Carvalho (Foto: Divulgação/Record)

Gabriela Moreyra e Pedro Carvalho (Foto: Divulgação/Record)

Prepare-se que a Record vem munida de um novelão – “Escrava Mãe” – para bater de frente com “Haja Coração” da Globo. As duas são as estreias dessa terça (31/05) na faixa das 19h30. Na sexta-feira do dia 20/05, a emissora da Barra Funda apresentou “Escrava Mãe” à imprensa, com a exibição de boa parte do primeiro capítulo e sequências dos capítulos seguintes. Escrita por Gustavo Reiz e dirigida por Ivan Zettel, a novela é uma coprodução, com a Casablanca.

A trama de época – que narra a saga da escrava Juliana (Gabriela Moreyra), mãe da personagem central do romance “A Escrava Isaura”, de Bernardo Guimarães – tem todos os ingredientes de um folhetim clássico brasileiro, numa verdadeira salada de estilos. A comédia romântica do horário das sete da Globo vai concorrer com um melodrama dos mais diversificados: tem romance, ação, vilões cruéis, amores impossíveis, sonho de liberdade e até comédia pastelão com direito a comida na cara.

“Novela para a família”

Nas chamadas já é possível ter uma ideia do romance exacerbado a que se propõe a produção, com cenas de amor ao som da música “Como Vai Você”, numa regravação rasgada de Bruno e Marrone. O sonho de liberdade associado ao amor impossível entre uma escrava e um homem branco, prejudicado pelo senhor cruel, já era o mote da clássica “A Escrava Isaura”, imortalizada na versão da Globo de 1976 (com Lucélia Santos e Rubens de Falco), e que também ganhou um adaptação na própria Record, entre 2004 e 2005 (com Bianca Rinaldi e Leopoldo Pacheco).

Não espere nada de novo na história. Não há sutileza: “Escrava Mãe” segue os passos seguros já trilhados por outras produções aprovadas pelo público. O folhetim tradicional será seguido à risca e a novela não fugirá de abordagens batidíssimas e conhecidas de todos, principalmente em se tratando de tramas de cunho abolicionista (como “Escrava Isaura”, “Sinhá Moça” e outras).

“É uma novela para a família”, adiantou o autor. Uma afirmação que já virou clichê quando as emissoras qualificam suas produções, talvez com medinho de rejeição ou boicote da “tradicional família brasileira”. “Escrava Mãe” mistura tudo o que – teoricamente – funciona em uma novela, com base no que – teoricamente – a audiência quer ver.

Salada de estilos

Duas famílias rivais disputam o poder (a fazenda tal versus a fazenda vizinha) tendo o amor proibido entre seus filhos, à la Romeu e Julieta, a engrossar essa animosidade. Também o embate entre vilões desumanos (fazendeiros escravocratas e seus feitores) e jovens militantes da causa abolicionista, com direito a um jornal que afronta os interesses dos senhores de escravos (já visto em “Sinhá Moça”). “Escrava Mãe” reforça a ideia de que as novelas são todas iguais, só muda a forma de contar a mesma história.

O humor se faz presente na figura de Dona Urraca (de Jussara Freire), uma “dama da sociedade”, moralista, que rivaliza com as meninas da taverna, supostas prostitutas, lideradas por Rosalinda, vivida por Luiza Tomé – o que remete a outra personagem da atriz: a cafetina Rosa Palmeirão de “Porto dos Milagres” (2001). “Moralistas versus prostitutas” também rende, vide as novelas de Dias Gomes e Aguinaldo Silva. Pelas cenas apresentadas, esse filão vem recheado com humor pastelão, farinha e ovo na cabeça.

O autor promete uma narrativa ágil, com muita ação, em que histórias se resolvem no próprio capítulo. Se a trama não traz nenhuma novidade, as imagens, pelo menos, são atraentes. As cenas mostraram tomadas cinematográficas, bonitas e criativas. Imagens com um quê de épico. Talvez aí esteja o diferencial de “Escrava Mãe”. A novela foi gravada em 4K (ou Ultra HD, com qualidade de imagem quatro vezes superior à alta definição), no interior de São Paulo (no Polo Cinematográfico de Paulínia e na Fazenda Santa Gertrudes). Anderson Souza, o diretor de teledramaturgia da Record, afirmou que o custo médio de cada capítulo é de 350 mil reais.

Só depois de “Totalmente Demais”

Sobre os meses em que “Escrava Mãe” ficou engavetada (substituiria “Os Dez Mandamentos” em outubro de 2015), a Record reconhece o sucesso de “Totalmente Demais” (nas palavras do diretor artístico Marcelo Silva) e esperou a novela das sete da Globo terminar para estrear sua nova produção. Assim como em “Haja Coração” na Globo, o primeiro capítulo de “Escrava Mãe” também não terá breaks comerciais. A novela está prevista para 140 capítulos, mas como a edição ainda está sendo feita, é provável que esse número varie, para mais ou para menos.

Apesar de abordar um período violento de nossa História, “Escrava Mãe” não mostrará violência: “Não quis valorizar a tortura para não parecer sensacionalista”, afirmou Gustavo Reiz. O diretor Ivan Zettel propõe com a trama “entender quem somos nós, portugueses, índios, negros”. Além dos negros escravos, a novela tem um ator português no elenco (Pedro Carvalho), e uma personagem índia, vivida por Adriana Londoño.

AQUI tem a trama, curiosidades e o elenco completo com os personagens de “Escrava Mãe”.

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