Blog do Nilson Xavier

Melodrama comum, a supersérie Os Dias Eram Assim não tem nada de super

Nilson Xavier

23/05/2017 11h53

Renato Góes e Sophie Charlotte (Foto: Raphael Dias/Gshow)

No último “Domingão do Faustão”, Silvio de Abreu revelou que, de acordo com pesquisas, parte do público desconhece os fatos históricos representados na novela “Novo Mundo” e na supersérie “Os Dias Eram Assim”. A trama de seis se aproveita dos fatos históricos para incrementar sua narrativa – cria entrechos em cima da História e desenvolve sua própria trama, misturando ficção com realidade.

Conhecer ou não História do Brasil – desde que não se confunda Dom Pedro, da Independência, com Pedro Álvares Cabral, do Descobrimento -, não impede o público de embarcar na trama. Tanto que a recepção de “Novo Mundo” é ótima, a audiência vai bem. Este é um bom caso de didatismo a serviço da narrativa.

Os Dias Eram Assim” está sob uma perspectiva diferente. O período histórico serve apenas como pano de fundo para contar uma trama de amor impossível. Trata-se tão somente de um romance impossibilitado pelas circunstâncias históricas. Sob esse ponto de vista, a novela até que cumpre bem sua a função, quando não tem a pretensão de ser didática.

O didatismo serve apenas para embasar e ambientar a trama, fazer o público entender que Renato (Renato Góes) teve que se separar de Alice (Sophie Charlotte) porque havia se tornado um subversivo aos olhos da repressão de seu tempo – representada pelo pai da moça, Arnaldo (Antônio Calloni), pelo policial Amaral (Marco Ricca) e pelo pretendente Vitor (Daniel de Oliveira), a outra ponta do triângulo amoroso. É um microcosmo do todo: Renato-Alice = o povo, Arnaldo-Amaral-Vitor = o governo.

Antônio Calloni e Sophie Charlotte (Foto: divulgação)

Entendido que Renato e Alice são os mocinhos (os perseguidos e oprimidos) e que Arnaldo, Amaral e Vitor são os vilões (os opressores), nos deparamos com um melodrama dos mais comuns e maniqueístas. Os fatos históricos forçam “Os Dias Eram Assim” para o maniqueísmo, trabalhando contra a sua narrativa – diferente do que acontece em “Novo Mundo“.

Trata-se de um melodrama embrulhado numa produção caprichada, bem dirigida e com elenco de primeira. Pretensiosamente se auto intitula “supersérie” – com um ou outro nude (que o horário permite), abordando um momento negro da História recente do país, ainda que en passant.

De super, a supersérie “Os Dias Eram Assim” não tem nada. A intenção da Globo é apenas mudar a nomenclatura das produções exibidas no meio do ano – desde 2011 chamadas de novelas. Além de serem mais curtas que uma novela tradicional, não é uma produção contínua (é interrompida para só voltar na grade no ano seguinte).

Só que a Globo poderia ter escolhido uma trama mais “super” para dar início a essa mudança de hábito.

Leia também, Maurício Stycer:
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Sobre o autor

Nilson Xavier é catarinense e mora em São Paulo. Desde pequeno, um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: em 2000 lançou o site Teledramaturgia (http://www.teledramaturgia.com.br/), cujo sucesso o levou a publicar o Almanaque da Telenovela Brasileira, em 2007.

Sobre o blog

Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.

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