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O público votou e “Tropicaliente” é a próxima novela reprisada no Viva
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Nilson Xavier

Silvia Pfeifer e Herson Capri em "Tropicaliente" (Foto: Divlgação/TV Globo)

Silvia Pfeifer e Herson Capri em “Tropicaliente'' (Foto: Divlgação/TV Globo)

Após voltar atrás com a reprise de “Pecado Capital” (a versão de 1998), o canal Viva colocou uma enquete em seu site para que o público decidisse qual a próxima novela a substituir “História de Amor” na faixa da tarde. Entre as três opções disponíveis, a mais votada foi “Tropicaliente” que ganhou com 37% dos votos. As outras concorrentes eram “Lua Cheia de Amor” (ficou com 30% dos votos) e “Despedida de Solteiro” (33%).

Tropicaliente” foi originalmente exibida em 1994, no horário das seis, com uma reprise no “Vale a Pena Ver de Novo” em 2000. De autoria de Walther Negrão, com direção geral de Gonzaga Blota. Para esta trama, a Globo ambientou a história em paradisíacas praias do Ceará.

No elenco, Selton Mello viveu Victor Velazquez, um playboy com um amor doentio pela caiçara Açucena – primeiro papel de destaque de Carolina Dieckmann em novelas. Na trama central, o romance conturbado entre Letícia Velazquez (Silvia Pfeifer), mãe de Victor, e o pescador Ramiro (Herson Capri), pai de Açucena. Os dois se amaram na juventude mas, separados, cada um seguiu sua vida. Viúva, ela retorna ao Ceará e reencontra Ramiro casado com Serena (Regina Dourado). “Tropicaliente” foi a novela de estreia de Márcio Garcia, Daniela Escobar e Giovanna Antonelli.

Uma das melhores curiosidades de “Tropicaliente” vem do título que a novela ganhou na Rússia, quando foi exibida nesse país, onde fez um enorme sucesso – talvez pelas ambientações parecerem exóticas demais para o povo russo. Lá, “Tropicaliente” teve seu nome trocado para “Tropikanka” – “mulher tropical” em russo. A novela foi tão bem recebida pelos russos, que a trama substituta, “Mulheres de Areia”, foi batizada de “Sekret Tropikanki” – que significa “o segredo de uma mulher tropical” – ou “Tropikanka 2“. Só que uma novela não tem nada a ver com outra, a não ser a estética tropical, com praias e colônias de pescadores.

A música tema de abertura, “Coração da Gente”, cantada por Elba Ramalho, grudou como chiclete e foi parodiada no humorístico “Casseta e Planeta” na época: o comediante Cláudio Manoel, travestido de Elba, aparecia de cinco em cinco minutos cantando “Ô-ô-ô-ô Tropicaliente, ô-ô-ô-ô enluará o coração da gente…”.

No elenco, também Francisco Cuoco, Stênio Garcia, Ana Rosa, Carla Marins, Delano Avelar, Cássio Gabus Mendes, Victor Fasano, Paloma Duarte, Lúcia Alves, Edney Giovenazzi, Leila Lopes e outros. A data prevista para seu retorno é 10 de novembro, às 15:30 (com reprise à 1 da manhã).

Saiba mais sobre “Tropicaliente'' no site Teledramaturgia.


“O Rebu” não agradou a todos, mas trouxe prestígio à Globo
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Nilson Xavier

Sophie Charlotte e Daniel de Oliveira foram destaques no elenco de "O Rebu" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Sophie Charlotte e Daniel de Oliveira, destaques no elenco de “O Rebu'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

Assim como em sua primeira versão (em 1974), a novela “O Rebu” não foi um sucesso popular. E o motivo pode ter sido o mesmo: causou confusão no público, muito acostumado às tramas mastigadinhas das novelas convencionais e alheio a histórias policiais mais elaboradas. A narrativa não linear requer atenção redobrada. Os autores (George Moura e Sérgio Goldenberg) contavam com o fato de o telespectador atual estar familiarizado com filmes e séries americanas que dispensam a linearidade temporal dos acontecimentos.

Talvez, o formato telenovela, para este tipo de narrativa, não tenha funcionado. Depois de seus 35 capítulos, concluímos que “O Rebu” poderia ter sido ainda mais enxuta (na novela original de Bráulio Pedroso, o mistério foi contado em 112 capítulos). A grade variável também prejudicou: além de pular um dia da semana (quarta-feira não havia exibição), a trama começava mais cedo às segundas. Para o público tradicional (para o qual a medição de audiência interessa), novela é hábito: mais fácil fidelizar se estiver em uma grade horizontal (todos os dias no mesmo horário). Por esses motivos, a história de “O Rebu'' pode ser melhor assimilada se acompanhada pelo DVD (ou outro meio) à hora que se quer.

O ápice da confusão foi o telespectador perguntar por que, depois de dois meses de novela, os personagens não trocavam de roupa. Ou afirmar que “perdeu o fio da meada da história” após ter deixado de assistir algum capítulo – como que para justificar a falta de entendimento. “O Rebu” também perdeu muito de seu charme ao fazer da festa da trama um mero coadjuvante. Não era o que vendiam as chamadas. Teria sido um apelo a mais se a maior parte da ação tivesse acontecido durante essa festa.

Ainda: diferente da novela de 1974, na qual, além do “quem matou”, se perguntava também “quem morreu”, a versão de 2014 optou por revelar logo de cara a identidade do morto. Esperava-se algum entrecho mirabolante que compensasse essa opção. Mas não, a novela atual apenas distanciou-se ainda mais da antiga.

Em contrapartida, “O Rebu” se firma como um produto de altíssima qualidade da Globo – técnica e artística. Era o que se esperava da tríade George Moura (no roteiro), José Luiz Villamarim (na direção) e Walter Carvalho (na fotografia), que já havia feito “O Canto da Sereia” (2013) e “Amores Roubados” (2014) – por sinal, com mais repercussão que “O Rebu”, que termina com média final de 15 pontos no Ibope da Grande São Paulo (a mesma de “Saramandaia”, o folhetim das onze do ano passado).

O elenco, escalado a dedo, que misturava rostos conhecidos do grande público com outros nem tanto, proporcionou grandes momentos, com destaque para as atuações de Patrícia Pillar (Ângela Mahler), Tony Ramos (Braga), Cássia Kis Magro (Gilda), Sophie Charlotte (Duda), Camila Morgado (Maria Angélica), Jesuíta Barbosa (o “bandidinho” Alain), Júlio Andrade (o “maluco” Oswaldo), Bel Kowarick (Lídia, mulher de Braga), César Farrario (o cozinheiro Adão) e Cláudio Jaborandy (o garçon falastrão Severino).

Também merecem citação Vera Holtz, José de Abreu, Dira Paes, Marcos Palmeira, Daniel de Oliveira, Maria Flor, Pablo Sanábio, Elcir de Souza, Mariana Lima, Elea Mercúrio, Cyria Coentro e Jean-Pierre Noher.

Pelo seu valor artístico, “O Rebu”, como produto final, se aproxima muito de outra produção recente da Globo, “Meu Pedacinho de Chão” – que, igualmente, não agradou a todos os públicos. A novela das onze talvez não tenha superado a repercussão desejada pela emissora, mas, com certeza, lhe dá prestígio. Com direção e edição criativas, fotografia cinematográfica e trilha sonora de qualidade, “O Rebu” é mais uma prova da tentativa da emissora em experimentar novos caminhos para a telenovela, aproximando-a da narrativa do seriado americano e da estética do cinema. Ainda que não tenha atingido todos públicos, vale como experimentação e uma opção diferenciada e de qualidade.

E no último capítulo, guardadas as devidas proporções, o final é equivalente ao final da primeira versão da novela. Mahler mata por ciúmes.


Trama central de “Império” resume-se ao caso do Comendador e sua “suitchal”
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Nilson Xavier

Marina Ruy Barbosa e Alexandre Nero (Foto: Divulgação/TV Globo)

Marina Ruy Barbosa e Alexandre Nero (Foto: Divulgação/TV Globo)

Passado mais de um mês de sua estreia, a novela “Império” enfrenta agora o período com Horário Eleitoral, que a entrega com audiência lá embaixo. Talvez seja por causa dessa “fase” que o autor Aguinaldo Silva esteja meio que “cozinhando a trama central em banho-maria”. As histórias paralelas têm andado bem mais rápido que a principal – a que envolve a relação do Comendador José Alfredo (Alexandre Nero) com sua filha bastarda, Cristina (Leandra Leal).

Assim, já vimos se fechar (por ora) as tramas de Juju Popular (Chris Vianna) e seu marido safado Orville (Paulo Rocha), e de Elivaldo (Rafael Losso) na luta contra Tuane (Nanda Costa) pela guarda do filho. Claro que estas histórias ainda podem (e devem) render. Também já está bem adiantado imbróglio entre Téo Pereira (Paulo Betti), Claudio (José Mayer) e Leonardo (Klebber Toledo).

Porém, enquanto Cristina lutava para tirar o irmão Elivaldo da cadeia, ficou em stand-by a relação dela com o pai Zé Alfredo e o quanto isso interessa aos dois, à ambiciosa Cora (Drica Moraes), tia de Cristina, à Maria Marta (Lília Cabral), ex-mulher do Comendador, e aos filhos deles – este sim, o mote central de “Império”.

Entre um desfalque na firma aqui, e um chilique de Maria Marta acolá, vai se desenrolando a trama do caso extraconjugal do Comendador com sua amante, teúda e manteúda, Maria Ísis (Marina Ruy Barbosa), a quem ele chama carinhosamente de “suitchal” (ou algo assim que ele pronuncie, vindo do inglês “sweet child“). Por enquanto, a família pilantra da amante, descoberta no capítulo deste sábado (06/09) por José Alfredo, tem rendido mais do que a ameaça que Cristina ou Cora podem representar ao Comendador, seu império e seus herdeiros.

Zezé Polessa, Rômulo Arantes Neto e Tato Gabus Mendes, a família pilantra de Maria Ísis (Foto: Divulgação/TV Globo)

Zezé Polessa, Rômulo Arantes Neto e Tato Gabus Mendes, a família pilantra de Maria Ísis (Foto: Divulgação/TV Globo)

Pelo período no ar, fica notório que “Império” padece do mesmo mal que as duas novelas anteriores no horário – “Amor à Vida” e “Em Família”: a perda do ótimo fôlego inicial. Com promessas de arrasa-quarteirão, a novela de Aguinaldo Silva foi perdendo o gás e, em mais de um mês, pouco restou das dinâmicas primeiras duas semanas. Tomara que, com o fim do Horário Eleitoral, a trama ganhe novo impulso. A história está no começo, é certo que o autor tem ainda muita munição para gastar.


“O Dono do Mundo” substitui “Dancin´ Days” no canal Viva
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Nilson Xavier

Malu Mader e Antônio Fagundes em "O Dono do Mundo" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Malu Mader e Antônio Fagundes em “O Dono do Mundo'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

O canal Viva já decidiu a novela substituta para “Dancin´ Days” na faixa da meia-noite: será “O Dono do Mundo”, exibida em 1991. Com esta, será a terceira novela consecutiva de Gilberto Braga no horário.

O Dono do Mundo” gerou controvérsia na época de sua exibição. A princípio, o público torceu o nariz para mocinha, Márcia, vivida por Malu Mader, que muito facilmente cai na conversa do vilão Felipe Barreto, o cirurgião plástico interpretado por Antônio Fagundes. Na trama, Felipe apostara a que seria capaz de tirar a virgindade da moça antes de seu noivo, no dia de seu casamento.

Gilberto Braga não esperava que a virgindade ainda fosse um tabu em 1991. O telespectador mais conservador assustou-se com tamanha ousadia. Ante a rejeição da audiência, o autor providenciou mudanças substanciais e a trama foi entrando nos eixos. Enquanto isso, o público se encantava com as canalhices do vilão e reprovava a mocinha, que, a certa altura, promoveu uma vingança pessoal contra seu algoz.

Tadeu Aguiar e Malu Mader em "O Dono do Mundo" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Tadeu Aguiar e Malu Mader em “O Dono do Mundo'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

Escrita por Gilberto Braga, Leonor Bassères, Sérgio Marques, Ângela Carneiro e Ricardo Linhares. Direção de Denis Carvalho, Ricardo Waddington, Mauro Mendonça Filho e Ivan Zettel. No elenco, Antônio Fagundes, Malu Mader, Fernanda Montenegro, Glória Pires, Kadu Moliterno, Ângelo Antônio, Letícia Sabatella, Stênio Garcia, Paulo Goulart, Nathalia Timberg, Ana Rosa, Tadeu Aguiar, Hugo Carvana, Daniel Dantas, Maria Padilha, Paulo Gorgulho, Antônio Calloni e outros.

O Dono do Mundo” volta dia 27 de outubro, à meia-noite, com reprise do capítulo no dia seguinte, às 13h30.

Saiba mais sobre “O Dono do Mundono site Teledramaturgia.


Cora de “Império” vai se distanciando da promessa de grande vilã da novela
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Nilson Xavier

Drica Moraes como Cora em "Império" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Drica Moraes como Cora em “Império'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

Cora, quem diria! Agora deu para cheirar cuecas….

Quando apareceu nas primeiras chamadas de “Império”, a atriz Drica Moraes, personificada como a vilã Cora da novela, causou furor. Havia um quê de Carminha em sua caracterização (Carminha, Adriana Esteves, a vilã de “Avenida Brasil”, lembram?). Drica Moraes deu um tom interessante à sua personagem. Cora remete àquelas vilãs secas por dentro, feias, mal arrumadas e mal amadas, que se escondem atrás da religião para destilar veneno à vontade. Uma grande promessa de vilanias.

Cora também lembra outra vilã: Perpétua de “Tieta”, vivida por Joana Fomm. A diferença básica entre Carminha e Perpétua é que a segunda era uma caricatura de vilã, muito próxima das bruxas de desenho animado, onde o humor é sempre bem-vindo. Sim, Cora pode, até, ser engraçadinha. Mas, com o passar da novela, a personagem foi se distanciando da ideia vendida pelas chamadas e pelos primeiros capítulos. Cora, hoje, cheira cuecas de rapagões.

Enquanto isso, “Império” segue com outra vilã em sua trama central, que tem se revelado mais interessante. Maria Marta, de Lília Cabral, é inteligente, culta, espirituosa e tem uma língua ferina, sempre com ótimas tiradas. Mas não chega a ser realmente má. Esnobe e altiva, ela defende o que acredita. E até já se mostrou muito humana e compreensiva em algumas situações.

Império” ainda não cumpriu sua cota de grandes vilanias. Uma maledicência de Cora aqui, uma intriga de Maria Marta lá. E só. Cora, a grande promessa, está se tornando uma “bruxa engraçadinha”. Medo de ela virar uma “nova Shirley” – a personagem de Vivianne Pasmanter na novela anterior, “Em Família”, na qual também criou-se uma grande expectativa, mas que acabou morrendo na praia. Ou pior: “uma nova Tereza Cristina”, na versão “mulambenta” – a esquecível personagem de Christiane Torloni em “Fina Estampa”.


O público de telenovelas está envelhecendo?
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Nilson Xavier

Imagem: Reprodução/Internet

Imagem: Reprodução/Internet

A telenovela brasileira sempre adequou-se à evolução dos tempos, acompanhando as novidades, trazendo à baila – sempre que possível – assuntos efervescentes, de interesse social. Quando não ditou ela mesma modas e modismos, foi a maior vitrine de tendências – de mercado ou comportamentais. Durante décadas, foi através de nossa teleficção que o brasileiro se viu retratado e se espelhou. Formadora de opinião ou (para alguns) alienadora. Sem nunca deixar de lado o seu principal papel: simplesmente entreter.

Todavia, não deixa de ser curioso notar que, atualmente, a telenovela – ela própria – esteja sendo vítima dos tempos modernos. Na ânsia de se reciclar, vai perdendo cada vez mais espaço para a novidade… Será?

Nas décadas de 1950 e 1960, a TV foi fator de socialização: quem podia comprar um televisor atraía a vizinhança, os “televizinhos”. Já na década de 1970, com o barateamento dos aparelhos, os núcleos familiares se encontravam na sala para assistir TV. Com o passar do tempo, essas velhas formas de audiência foram se transformando.

A popularização do controle remoto, nos anos 1980, causou uma verdadeira revolução nas audiências: a prática do zapping. Na década de 1990, o boom da venda de televisores pulverizou a audiência como nunca. Dois, três aparelhos numa mesma residência permitiu uma maior segmentação, cada membro da família assistindo a um tipo de programa. Ainda: a popularização da TV a cabo, nos anos 2000, representou um novo baque para audiência tradicional.

tvhoje2Hoje em dia, a telenovela se desdobra para lutar com concorrentes fortíssimos: Internet, redes sociais, games, séries estrangeiras no auge da popularidade. Já que não pode lutar contra, nada mais natural do que aliar-se aos seus concorrentes. Novas produções já são pensadas de forma a alimentar ou atender os anseios do público que não larga a Internet: com ações de transmídia, cross-media, social TV, conteúdo para outras plataformas e segunda e terceira telas, etc.

Com esses aparatos todos, estaria o velho modelo de medição de Ibope ficando obsoleto? Seria exagero afirmar que apenas os mais resistentes às novidades acompanham uma novela diariamente em um mesmo horário, como nos velhos tempos? Como fica a medição de audiência quando o telespectador tem a opção de assistir ao capítulo na Internet, à hora que bem entender, posteriormente à sua exibição na TV? O que tem maior valor: um número de audiência no “Ibope da Grande São Paulo” ou a repercussão positiva que essa audiência reverbera através da segunda tela, nas rede sociais (Twitter, Facebook, etc), gerando memes, mentions, posições nos Trending Topics, etc?

A tradicional aferição de audiência também traz um dado alarmante para ela mesma quando se analisa a faixa etária do telespectador: há pouca renovação de público. A audiência tradicional está envelhecendo, já que os jovens, cada vez mais, estão deixando de assistir novelas pelo modo tradicional. Dispersos em outras plataformas (que não a TV) ou em concorrentes da telenovela (games, séries estrangeiras on demand ou em canais a cabo), já não obedecem mais as engessadas grades das emissoras.

Alardear que uma novela estreou com recorde negativo de audiência em seu horário não é mais notícia. É uma realidade, as emissoras estão cientes disso. A queda vertiginosa da audiência na TV aberta, em todos os horários, emissoras e programas, aponta que vivemos uma revolução na forma de se assistir televisão. O interesse pela TV e seu conteúdo persiste. Mais que cumprir o seu papel de entreter, a TV socializa. Só que de uma forma mais moderna do que nos tempos dos televizinhos.


Quem em “Boogie Oogie” existia e o que estava fazendo em 1978
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Nilson Xavier

Quem em “Boogie Oogie'' existia e o que estava fazendo em 1978.
E quem não existia.

Apontar as discrepâncias temporais de “Boogie Oogie”, a novela das seis, virou um esporte divertido nas redes sociais.

“A caracterização de Vitória (Bianca Bin) condiz mais com os anos 80, não com 1978!”
“Essa jaqueta de Rafael (Marco Pigossi) existia em 1978?”
“’Heart of Glass’ (a música) não existia em 1978!”

Dentro da trama, já vimos personagens assistindo novelas da época, como “O Astro”, que estava no ar no ano de 1978. E “O Astro” era estrelada por Francisco Cuoco, que está no elenco de “Boogie Oogie” (vivendo o personagem Vicente). Assim como Cuoco, outros atores do elenco já eram profissionais naquele tempo, atuando no teatro, cinema ou televisão. Outros se tornariam atores mais tarde. E, por fim, boa parte do elenco nem era nascido ainda – não existia em 1978!

Descubra quem no elenco de “Boogie Oogie” de fato “existia em 1978” e o que estava fazendo na época. E quem “não existia em 1978”!


Seminário discute estratégias de transmídia para o futuro da Telenovela
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Nilson Xavier

Mesa de abertura do OBITEL (Foto: Reinaldo Marques)

Mesa de abertura do OBITEL (Foto: Reinaldo Marques)

Aconteceu na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), entre os dias 26 e 27 de agosto, o IX Seminário OBITEL – Observatório Íbero-Americano de Ficção Televisiva -, formado por acadêmicos de doze países: Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, México, Estados Unidos, Portugal e Espanha. Os coordenadores foram os professores Maria Immacolata Vassallo de Lopes, da Universidade de São Paulo, e Guillermo Orozco Gómez, da Universidade de Guadalajara (México).

O OBITEL realiza anualmente o monitoramento e análise da produção, circulação, audiência e repercussão sociocultural dos programas ficcionais em televisão aberta produzidos nesses países. Entre seus principais objetivos estão identificar as representações que os diversos países fazem de si e dos outros, através de seu principal gênero televisivo, e fornecer uma visão sobre a força cultural e econômica que a ficção adquiriu nas televisões desses países. No evento, também é lançado o Anuário OBITEL, com o registro de todas essas pesquisas.

Com apoio da TV Globo, em parceria com o Centro de Estudos de Telenovela da ECA-USP, o OBITEL 2014 contou com profissionais dos países envolvidos, da Globo e do Ibope. O tema deste ano foi “Estratégias da Produção Transmídia na Ficção Televisiva”. Uma das questões apresentadas foi como a penetração e o crescimento da internet na Ibero-América estão transformando as redes sociais virtuais nas principais plataformas de transmidiação dos conteúdos de ficção.

O principal orador do evento foi o Professor Michael Curtin, da Universidade da California, com a palestra “Styles of Creativity and Capital in Global Television”, em que defendeu a ideia de que estamos vivendo uma proliferação de meios de comunicação e que muitos deles estariam sendo produzidos e veiculados pela indústria da televisão, que continua sendo a mais lucrativa e poderosa do mundo. Destacou que praticamente todos os aspectos da indústria do cinema e da TV estão sendo modificados por uma revolução da distribuição digital, um fenômeno no qual media capitals (capitais de midia) estariam começando a utilizar mecanismos de produção transnacional, a fim de conhecer melhor públicos alvos e competir com o mercado tradicional.

Nos dois dias de seminário, algumas informações me chamaram a atenção:

- O Professor Curtin ressaltou que os grandes aglomerados de comunicação, matrizes de empresas de televisão e cinema, nunca são nas capitais políticas dos países – Bollywood: Mumbai (Índia), Hollywood: Califórnia (EUA), Hong-Kong, etc. – justamente para que essas empresas possam trabalhar de forma mais independente, sem interferências políticas.

- A indústria cosmética continua sendo a que mais investe em merchandising dentro das novelas. Uma tradição que se renova com o passar do tempo, já que foi essa indústria que, nos primórdios da TV, lançou as telenovelas. Até a década de 1960, a Gessy-Lever e a Colgate-Palmolive eram os maiores patrocinadores de novelas no Brasil, tendo sido, inclusive, responsáveis pela produção e divulgação de várias (por isso que, em inglês, “novela” é “soap opera”, “ópera de sabonete”).

- Palavras de Juliana Sawaia, do Ibope: “A TV não vai morrer. A forma de lidar com a TV é que vai se transformar”. O que já está acontecendo, haja vista a produção de novelas que já preveem ações de transmídia e cross-mídia (junção de TV e internet, Social TV, conteúdo para internet, redes sociais e outras plataformas).

- Na Colômbia, atualmente, as séries produzidas lá estão fazendo mais sucesso que as novelas.

- O Uruguai não possui know-how e tradição na produção de telenovelas, que ainda é muito tímida. Basicamente, o país importa novelas do Brasil e da Argentina.

- No Peru, o merchandising dentro das novelas é ostensivo e exagerado aos olhos do brasileiro. Já na Venezuela, por causa do controle político, é proibido.

- A TV venezuelana sofre com a influência e censura do governo deste país, que, entre outras coisas, proíbe o merchandising social (e de qualquer tipo). Suas produções são marcadas pela presença de armas e violência e exaltação ao governo. No país, imperam as novelas mexicanas e colombianas, por terem uma narrativa mais tradicional, que passam pelo crivo da censura do governo venezuelano.

- As novelas brasileiras são conhecidas lá fora por serem “mais moderninhas”, ou melhor, mais ousadas, tanto em conteúdo e narrativa quanto em produção. As mexicanas, por sua vez, por serem mais tradicionais, mais calcadas no melodrama folhetinesco, tem uma penetração maior pelo mundo afora, principalmente em países mais conservadores, ou aqueles que sofrem com maior controle do governo (como na Ásia, África ou Leste Europeu). Em alguns países de governo ditatorial, as novelas da Globo são, muitas vezes, vistas como subversivas. Daí a maior penetração mundial do modelo mexicano de telenovela, do que do modelo brasileiro.

- A emissora mexicana Televisa segue sendo a maior produtora de telenovelas do mundo. Uma parte deste poderio se deve à enorme audiência de suas novelas entre a população hispânica nos Estados Unidos, onde o mercado publicitário voltado a essa audiência é muito grande e representativo.

- Curiosamente, a equipe mexicana do OBITEL não conta com o apoio da Televisa. Diferente do que acontece no Brasil, em que a equipe brasileira tem o apoio da TV Globo.

- Não existe entre os executivos da TV mexicana o interesse em inovar o modelo de suas novelas (como aconteceu no Brasil entre o final da década de 1960 e por toda a década de 1970). A TV mexicana continua vendendo e lucrando como nunca, e, para eles, isso é o que importa. Vale ressaltar que a figura mais importante nas telenovelas mexicanas é a do produtor, diferente do Brasil, em que as emissoras apoiam autores e diretores em suas propostas artísticas.

- De acordo com os dados das TVs mexicana e americana (nos EUA, as novelas são predominantemente mexicanas), o público está envelhecendo, já que a faixa etária que mais assiste novelas é de pessoas acima de 30 anos. Os jovens são os que menos assistem TV na forma tradicional. Ou não veem, ou migram para outras plataformas (segunda, terceira telas). A Professora Immacolata (da USP) questionou os mexicanos se não estaria havendo uma debandada deste público jovem, que poderia estar trocando as novelas pelas séries americanas, que fazem muito sucesso nos EUA. A questão ficou em aberto, para reflexão.

Em comum entre as emissoras de todos os países envolvidos está o esforço em gerar conteúdo para outras plataformas (transmidiação), não limitando-se apenas à produção da novela para a TV aberta. Esta é uma realidade já entendida pelos executivos de televisão do mundo todo. O alvo é – principalmente – a fidelização do público mais jovem, que garantirá a sustentação (e sobrevivência) da telenovela como formato, no futuro. É a TV aliando-se ao que poderia ser seu inimigo. E a telenovela precisa acompanhar essa nova forma de lidar com a televisão.

Visite a página do OBITEL.


“O Rebu” funciona melhor na teoria do que na prática
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Nilson Xavier

Mais um assassinato marcou a semana em "O Rebu" (Foto: Pedro Curi / TV Globo)

Mais um assassinato marcou a semana em “O Rebu'' (Foto: Pedro Curi / TV Globo)

Perdi o fio da meada de #ORebu :(

Cada vez mais leio essa frase nas redes sociais. “O Rebu”, uma trama de mistério, pautada em uma investigação de assassinato, requer atenção redobrada. Caso contrário, perde-se o “fio da meada” mesmo. Sua cronologia que vai-e-vem-e-volta não é para os negligentes, para os que deixam a TV ligada e vão fazer outra coisa ou os que assistem dia sim, dia não. Só os atenciosos entenderão.

Não que todos os que acompanham um “quem matou” estejam realmente ávidos em colher pista a pista no roteiro para descobrir a identidade do assassino. Isso pode ser mais recorrente em uma trama com cronologia linear. Mas não em “O Rebu”, onde a falta de unidade temporal na narrativa não só confunde quem aprecia histórias de mistério, como também corre o risco de provocar o desinteresse no telespectador. O que, a princípio, parece um jogo atraente, pode acabar se tornando algo maçante.

A novela também não cumpre com o seu maior charme prometido: “a festa cintilante da alta sociedade”. Nas chamadas e nos primeiros capítulos (antes de a polícia chegar, na manhã seguinte à festa), a maioria das cenas mostrava que o “rebu” do título era a festa em si, com personagens bêbados ou drogados ultrapassando todos os seus limites, embalados por uma trilha sonora de qualidade. A primeira sequência da novela, em que a câmera segue alguns personagens e capta suas atitudes e reações, definia bem o “rebu” que estava por vir.

Com a chegada da polícia, a festa, como cenário principal, deixou de ser o foco, que deu lugar aos antecedentes dos personagens, o que os levaram à mansão de Ângela Mahler (Patrícia Pillar) e suas motivações para matar Bruno Ferraz (Daniel de Oliveira). Com isso, “O Rebu” perdeu muito do seu brilho, de seu apelo – ainda que o objetivo do roteiro seja o avanço da investigação policial.

Com uma proposta das mais originais e qualidade de produção inquestionável (direção, elenco, texto, fotografia, trilha, arte), “O Rebu” tem mostrado que funciona melhor na teoria do que na prática. É de encher os olhos. Contudo, para uma história seriada, requer disciplina do público. Em tempos em que a TV aberta concorre com tantos ruídos externos, é necessário um apelo hercúleo para manter o telespectador diariamente fisgado na história – ainda mais em um horário ingrato e variável, e em que há uma interrupção às quartas-feiras e fins de semana.

O Rebu” talvez funcione melhor “on demand”, para se assistir no DVD, no horário em que se esteja realmente disponível para a novela.


Trama ágil e bons ganchos são as melhores qualidades de “Boogie Oogie”
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Nilson Xavier

Ísis Valverde, Marco Pigossi e Deborah Secco em "Boogie Oogie" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Ísis Valverde, Marco Pigossi e Deborah Secco em “Boogie Oogie'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

Costuma-se dizer que a receita para uma boa novela é a soma de vários fatores. Uma boa produção, um bom elenco, uma boa direção e um bom texto são muito importantes e ajudam bastante. Mas uma boa história ainda é imprescindível. E nem precisa ser “inovadora”. Bastaria o novelista dominar a carpintaria da telenovela e desenvolver sua trama de forma a manter o interesse do público ao longo dos meses em que a história seriada vai ao ar.

Uma regra básica para se obter sucesso nessa façanha é a construção de bons ganchos – o momento clímax ao final de cada capítulo, que vai despertar a curiosidade e o interesse do telespectador em continuar acompanhando aquela história no dia seguinte. Um capítulo pode, inclusive, fazer uso deles antes de cada intervalo comercial. E, manter-se com bons ganchos ao longo de sete, oito meses, é uma tarefa nada fácil, e vai refletir em uma trama ágil, dinâmica e, muitas vezes, carregada de reviravoltas.

Em sua terceira semana no ar, “Boogie Oogie”, de Rui Vilhena, já merece elogios pelo dinamismo com o qual sua história é contada. É uma novela de cenas curtas, rápidas, com diálogos objetivos. O autor não perde tempo para contar suas historinhas, bem alinhavadas e com núcleos que conversam entre si. Ainda que algumas situações forcem a barra: foi difícil de engolir, na semana passada, a sequência em que Márcia (a ótima Christiana Guinle) se deixou sequestrar por Inês (Deborah Secco, também ótima) – e a personagem nem estava bêbada, como de costume.

A produção, a direção e o elenco de “Boogie Oogie” ajudam bastante – ainda que acusada de não ser fiel à época retratada (final da década de 1970). O texto é bom, e a história bem conduzida – ainda que extremamente folhetinesca, sem novidade alguma e sem a pretensão de inovar nada. É uma novela ágil e agradável de assistir. E possui a ótima qualidade de terminar cada capítulo com ganchos interessantes. Rui Vilhena faz direitinho e mostra a que veio. “Boogie Oogie” começou bem. Reviravoltas na história estão prometidas. Agora, resta torcer para que a novela mantenha-se nesse patamar e a trama tenha fôlego para os meses vindouros.