Blog do Nilson Xavier

Estreia de “A Regra do Jogo” exibiu tramas e personagens de forma objetiva
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Nilson Xavier

Alexandre Nero (Foto: DivulgaçãoTV Globo)

Alexandre Nero (Foto: DivulgaçãoTV Globo)

O primeiro capítulo de uma novela costuma ser um cartão de visitas: tem que passar uma boa impressão. Foi assim com “Babilônia”. E foi assim também com “A Regra do Jogo”, a trama das nove que a Globo estreou nesta segunda-feira (31/08), de João Emanuel Carneiro, “o mesmo autor de “Avenida Brasil, conforme anunciado nas chamadas.

O novelista tratou logo de deixar claro para o público do que se trata a sua história e o que está por vir nos próximos meses. A dubiedade do ser humano, o que ele aparenta e o que realmente intenciona. Como no jogo de xadrez humano das primeiras chamadas, o claro e o escuro de cada personagem.

Tóia (Vanessa Giácomo) foi apresentada como uma garota batalhadora e justa. Mas que, mesmo assim, não pensou duas vezes antes de roubar a patroa, Adisabeba (Susana Vieira numa personagem que parece feita sob medida para ela) para salvar a vida da mãe, Djanira (Cássia Kis Magro). Juliano (Cauã Reymond), saiu da prisão ávido por vingança contra os que o puseram na cadeia por um crime que ele diz não ter cometido. Atena é uma estelionatária (e Giovanna Antonelli rouba a cena) que engana para se dar bem. E Romero Rômulo (Alexandre Nero) finge ser o que não é em benefício próprio.

Os personagens que os circundam – parentes, amigos, vizinhos, opinião pública – pintam cada um a partir do que sabem sobre eles. E o telespectador também, cria a sua opinião em cima do que vê na novela, das informações que o roteiro vai passando. A proposta do autor é fazer o público montar esse quebra-cabeça a partir do seu julgamento, do que considera certo ou errado. A premissa de “A Regra do Jogo” é das mais interessantes e pode render muito.

Cauã Reymond e Vanessa Giácomo (Foto: Divulgação/TV Globo)

Cauã Reymond e Vanessa Giácomo (Foto: Divulgação/TV Globo)

A direção foi o ponto alto dessa estreia. Excelente toda a sequência do resgate no confronto entre bandidos, polícia, e Romero Rômulo, o mediador. Parece que o público já tem uma vilã para amar, odiar ou expurgar o dia-a-dia: Giovanna Antonelli fez de sua Atena um tipo nunca visto antes na pele da atriz. A “caixa cênica” da diretora Amora Mautner – cenários fechados com câmeras escondidas – aproxima o telespectador dos personagens sem o uso de closes marcados e estáticos. É uma novidade.

Durante o período de chamadas de estreia, foram inevitáveis as comparações com “Avenida Brasil”. Mas pouco foi visto do sucesso anterior de João Emanuel Carneiro. A novela atual está com uma fotografia diferente, tem uma trilha, digamos, mais eclética (não apenas popularesca). As principais tramas lembram mais “A Favorita” (outro sucesso do autor). Se bem que ainda não entraram os núcleos de humor…

Foi uma estreia correta e objetiva, em que o público conheceu os protagonistas e suas tramas. Dá para vislumbrar uma boa história para os próximos meses. Mas, até aí, “Babilônia” também teve uma excelente estreia… Que venham os capítulos seguintes.

Primeiro capítulo de “A Regra do Jogo''

Primeiro capítulo de “A Regra do Jogo''

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Provocativa e pretensiosa, “Babilônia” afastou-se do folhetim e fracassou
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Nilson Xavier

Glória Pires (Beatriz) e Adriana Esteves (Ines) (Foto: Reprodução)

Glória Pires (Beatriz) e Adriana Esteves (Ines) (Foto: Reprodução)

Nesta sexta (28/08) foi ao ar o derradeiro suspiro de “Babilônia”, novela de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga que penou com a repercussão negativa refletida na baixa audiência. Apesar de a emissora continuar sendo líder no horário, foi o menor Ibope já registrado em uma novela do prime-time da Globo: fechou com média geral de 25 pontos na Grande São Paulo. As duas anteriores, “Em Família” e “Império”, marcaram 30 e 33 respectivamente. “Avenida Brasil” foi o último “grande sucesso” do horário, com 39 de média final.

O ápice da crise se deu quando estreou a trama das sete, “I Love Paraisópolis”, de forte apelo jovem e popular: “Babilônia” teve audiência menor que a “I Love…'' em alguns dias, e empatou em outros. Uma “humilhação”, reconhecida por Gilberto Braga em uma entrevista ao jornal “O Globo”, em maio. Ainda: em duas ocasiões, “Babilônia” empatou com a novela das seis, “Além do Tempo”.

As chamadas de estreia do novo folhetim com a “grife Gilberto Braga” aguçaram a curiosidade do público. O primeiro capítulo foi “de tirar o fôlego”. Elogiei bastante essa estreia (leia AQUI). O que se viu foi um capítulo dinâmico, bem roteirizado, numa ótima produção e direção, e performances excelentes da dupla Glória Pires e Adriana Esteves, as protagonistas vilãs. Entretanto, os autores pesaram nas temáticas abordadas, provocando e assustando o público mais tradicional. De cara, sem aviso prévio, um beijo carinhoso e demorado entre as lésbicas vividas por Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg. Também violência doméstica e assassinato.

Os autores não pouparam o público e o público não perdoou. Diante de filha esbofeteando mãe e filho ameaçando pai, a audiência foi despencando vertiginosamente nas semanas seguintes. Para piorar, uma campanha anti-Babilônia por parte da uma ala mais conservadora da sociedade. Ao mesmo tempo, a concorrência estava bem munida: o SBT permanecia estável com a infantil “Chiquititas” e pôs a reprise do sucesso “Carrossel'' para competir no horário, e a Record ganhava audiência com a bíblica “Os Dez Mandamentos”, ainda que o enfrentamento direto com “Babilônia” fosse por pouco tempo.

O fato é que, apesar do ótimo primeiro capítulo, nas semanas que se seguiram, “Babilônia” foi desvendando um roteiro inconsistente. Era uma trama que prometia, mas que se revelou sem muito apelo. Para piorar, a mocinha, vivida por Camila Pitanga, ganhou a pecha de chata e a antipatia do público. Não havia na trama central um conflito romântico forte ou personagens com os quais o telespectador pudesse se identificar e torcer. Apenas duas vilãs loucas numa briga de gato e rato, e uma mocinha intragável que falava “pleiba”!

Camila Pitanga (Regina) e Thiago Fragoso (Vinícius) / Arlete Salles (Consuelo) (Foto: Divulgação/TV Globo)

Camila Pitanga (Regina) e Thiago Fragoso (Vinícius) / Arlete Salles (Consuelo) (Foto: Divulgação/TV Globo)

Após uma enxurrada de críticas, de todos os lados, os autores se mobilizaram para tentar consertar a novela. Foi quando a emenda saiu pior que o soneto. As alterações descaracterizaram os perfis de vários personagens. A grande vilã Beatriz (Glória Pires), uma mulher fria e calculista, ávida por sexo e poder, se revelou uma romântica boboca ao se apaixonar pelo nadador Diogo (Thiago Martins), num romance pouco crível.

Alice (Sophie Charlotte) e sua mãe Inês (Adriana Esteves), que se odiavam, se reconciliaram e viraram melhores amigas da noite para o dia. Alice, que era para ser uma prostituta de luxo, se tornou uma mocinha chorosa. O cafetão Murilo (Bruno Gagliasso) só não perdeu a função na novela porque, nas últimas semanas, os autores o pegaram para ser a vítima do “quem matou”. O romance entre Alice e Evandro (Cássio Gabus Mendes), meloso e forçado, foi outra mudança drástica, já que ele havia sido apresentado como um machista mau caráter no início. Ficou claro o foco nos romances para tentar fisgar o telespectador.

Os autores também investiram mais no humor do triângulo cômico (mas pouco engraçado) envolvendo Norberto, Valeska e Clóvis (Marcos Veras, Juliana Alves e Igor Angelkorte). E diminuíram o foco nos personagens gays. O romance estre as lésbicas, que prometia ser uma abordagem interessante, praticamente sumiu da história, sem mais beijos. Outro personagem descaracterizado foi Carlos Alberto (Marcos Pasquim), que seria um gay enrustido de caso com Ivan (Marcello Melo Jr.), mas que acabou envolvendo-se com Regina.

Tanto se mexeu nos dramas e personagens de “Babilônia” que a novela se transformou num remendo só, com tramas alinhavadas às pressas e personagens mal costurados e descaracterizados. Uma “novela Frankenstein”. Antes os autores tivessem seguido com a ideia original, porém tateando com cuidado nas abordagens dos temas considerados fortes ou pesados (ao público médio).

Em meio a tantos problemas, um grande destaque: o núcleo do político evangélico e corrupto Aderbal Pimenta, vivido por Marcos Palmeira. Com cenas divertidas envolvendo ele e sua mãe, Consuelo (Arlete Salles dando show), fez-se crítica aos governos populistas e à intolerância. Escândalos políticos atuais foram abordados, bem como a hipocrisia e ignorância do que se faz e pensa em nome da religião para alcançar poder e dinheiro. Aproveitando o gancho, vários diálogos soaram como uma resposta dos autores ao público representante da “tradicional família brasileira” que rejeitou a novela.

Babilônia” só sofreu rejeição porque faltou aos autores maior cuidado ao apresentar uma trama difícil para o público médio digerir. Temas como preconceito, violência (doméstica ou urbana), prostituição, religião, homossexualidade e corrupção política podem ser abordados e discutidos, desde que com responsabilidade e nunca como uma imposição. Faltou sutileza. E faltou uma história central forte o bastante para cativar a audiência. “Babilônia” foi pretensiosa ao provocar o público e chamar a atenção para temas pesados. Mas isso a afastou do folhetim. Na volta, ao tatear pelo folhetim na esperança de salvação, já não tinha mais o estofo de uma “novela da grife Gilberto Braga”.

Leia também: Apesar de tudo, cinco bons momentos de “Babilônia”, por Maurício Stycer.

Final de “Babilônia'' tem a pior audiência e fica atrás das antecessoras.


Grazi Massafera se destaca como a modelo drogada de “Verdades Secretas”
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Nilson Xavier

Grazi Massafera e Flavio Tolezani em "Verdades Secretas" (Foto: Reprodução)

Grazi Massafera e Flavio Tolezani em “Verdades Secretas'' (Foto: Reprodução)

Em meio à história central da novela “Verdades Secretas”, tem se destacado a trama paralela que envolve a personagem Larissa, vivida por Grazi Massafera. Impossível ficar alheio ao drama da modelo “que passou da idade”, sem melhores perspectivas profissionais, e se afunda cada vez mais no mundo das drogas. O excelente desempenho da atriz está ancorado na forma como tema é abordado. E Grazi vem bem assessorada, pelo roteiro (equipe de Walcyr Carrasco) e pela direção caprichada (equipe de Mauro Mendonça Filho).

Grazi se preparou bastante para viver a personagem. E em nada lembra os seus trabalhos anteriores na televisão. Está mesmo irreconhecível, desconstruída na decadência gradual de Larissa. Percebe-se na atriz o peso de carregar um tipo difícil, explorado num assunto urgente, de forma realista, sem rodeios, maniqueísmos ou vernizes. As sequências vistas essa semana, rodadas na região do centro de São Paulo conhecida como “Cracolândia”, imprimem um realismo tão assustador quanto um programa jornalístico. Novela não é documentário. Mas pode chegar perto.

Já tivemos outros personagens adictos em nossa Teledramaturgia: Guilherme (Marcello Antony em “Torre de Babel”, 1998), Alexandre (Guilherme Fontes em “A Viagem”, 1994), Begônia (Caroline Abras em “Avenida Brasil”, 2012), etc. Mas só o horário de “Verdades Secretas” (muitas vezes a novela avança para além da meia-noite) permite mostrar essa realidade de forma nua e crua.

Verdades Secretas” toca nas feridas da sociedade de maneira poucas vezes vistas antes em nossas novelas. Na trama de Larissa, Carrasco é pouco sutil, mas de forma absurdamente acertada. Há a sintonia do autor com a produção, a direção, a atriz e os demais atores com quem ela contracena. Uma combinação perfeita. Impossível ficar indiferente.


Nova “Malhação” estreia com câmera “nervosa” e proposta estética diferente
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Nilson Xavier

João Vithor Oliveira e Nicolas Prattes como os irmãos João e Rodrigo (Foto: Divulgação/TV Globo)

João Vithor Oliveira e Nicolas Prattes como os irmãos João e Rodrigo (Foto: Divulgação/TV Globo)

Nessa nova temporada de “Malhação” (que estreou segunda, 17/08), é possível ter uma prova do que vem por aí em “A Regra do Jogo”, a novela das nove que estreia dia 31. Com o subtítulo “Seu Lugar no Mundo”, “Malhação” se reinventa, esteticamente falando. A direção geral é de Leonardo Nogueira.

Isso pode ser notado na fotografia, com filtros que deixam a imagem mais escura, e nas paisagens naturais de tirar o fôlego (pelo menos nestes dois primeiros episódios). E também na câmera “nervosa”, que persegue o ator onde ele vai, ou onde quer se dar o foco da ação. Essa modalidade de filmagem diminui a marcação – que engessa o ator, já que ele precisa ficar dentro de um enquadramento para que câmeras fixas captem sua imagem.

A novela “A Regra do Jogo” está sendo vendida com uma novidade: o conceito da “caixa cênica”. Bem resumidamente explicando: o ator não percebe a câmera, ou não sabe onde ela está, ou não se preocupa com ela. Assim, o ator tem total liberdade de se movimentar, o que – de certa forma – aproxima a dramaturgia do reality.

Na industrialização da telenovela, já não se dirige mais uma linha de montagem uniforme.

A câmera “nervosa” – esse apelido é porque ela se movimenta ao correr atrás do ator – não é novidade em nossa dramaturgia. Em 2007, a novela “Duas Caras” abusou do recurso. Várias outras produções usaram, em maior ou menor escala. Mas parece que agora, com “Malhação”, a “nova ordem mundial da dramaturgia da Globo” ultrapassa sua última fronteira. Não existe mais lugar para a fotografia chapada.

E, cada vez mais, os diretores vão deixando sua marca registrada, nos estilos de dirigir – cenas, atores, estéticas. Herança de Luiz Fernando Carvalho e Jayme Monjardim, que, desde a década de 1990, deixavam uma marca pessoal em suas novelas. Sem desmerecer os grandes mestres do passado – Walter Avancini (1935-2001), já imprimia um estilo de direção em sua obra e se preocupava com estética ao dirigir.

Em tempo: “Malhação” reestreou bem este ano (em que completa seu vigésimo aniversário): manteve a boa audiência da temporada anterior, continua com seu forte apelo jovem e trouxe de volta o colégio como cenário principal. O roteiro é assinado por Emanoel Jacobina, um dos criadores do programa. Os dois primeiros capítulos encerraram-se com tragédias iminentes: no primeiro dia, Rodrigo (Nicolas Prattes) cai no mar e bate a cabeça numa pedra. No segundo, João (João Vithor Oliveira), sofre um acidente de carro. Um vale tudo para cativar o público com a nova história que se inicia.

Mais sobre “Malhação, Seu Lugar no Mundo AQUI.


“Quem matou Murilo?” ou o golpe de misericórdia de “Babilônia”?
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Nilson Xavier

A fim de incitar alguma curiosidade no público nesta reta final de “Babilônia”, os autores – Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga – criaram um “quem matou?”. O objetivo é claro: gerar algum burburinho para despertar a audiência adormecida da novela. Ainda que o recurso seja visto como “golpe baixo”, uma vez que já foi usado à exaustão.

O próprio Gilberto Braga tornou-se o novelista que mais fez uso deste subterfúgio em seus folhetins. Veja o álbum acima. Os seus últimos cinco trabalhos (desde 1998, portanto nos últimos 17 anos) tiveram um “quem matou?”. Vale destacar que é de Gilberto o mais famoso “quem matou?” da história de nossa Teledramaturgia: “quem matou Odete Roitman?”, Beatriz Segall em “Vale Tudo” (1988-1989).

It´s murder on the dancefloor!
O assassinato de Murilo (Bruno Gagliasso) foi ao ar no capítulo desta quinta-feira – 13 de agosto, que dia para se morrer! No meio da pista de dança, o bandidinho foi golpeado nas costas com um triturador de gelo. Já há algumas semanas, os autores vinham armando a situação e preparando o público. Nos últimos tempos, Murilo passou a ser o personagem mais odiado da novela, colecionando uma galeria de desafetos.

Murilo (Bruno Gagliasso) assassinado (Foto: Divulgação/TV Globo)

Murilo (Bruno Gagliasso) assassinado (Foto: Divulgação/TV Globo)

Portanto, vários personagens podem ter cometido o crime. E a boate onde ocorreu o assassinato estava lotada ontem, com a presença do elenco em peso, todos trajando roupa escura (enquanto Murilo usava uma camisa branca). Até a pacata Tia Celina (Débora Duarte) foi relembrar seus áureos tempos de “dancin´ days”! Além dela, são suspeitos: Inês (Adriana Esteves), Alice (Sophie Charlotte), Vinícius (Thiago Fragoso), Evandro (Cássio Gabus Mendes), Cris (Tainá Müller), Beatriz (Glória Pires), Diogo (Thiago Martins), Otávio (Herson Capri), Guto (Bruno Gissoni), Helô (Carla Salle), Pedro (André Bankoff), ufa!

Um “quem matou?” nunca é demais no roteiro de uma novela. É um bom entrecho, quando sua trama é coerente e bem elaborada, sem deixar arestas ou furos. E – mais importante – sem subestimar a inteligência do público. A princípio, a sequência da morte de Murilo, ontem, não teve nenhum grande clímax – todos já esperavam pelo crime.

A última pá de cal
Os últimos capítulos de “Babilônia” têm ficado acima dos 28 pontos no Ibope da Grande São Paulo – superior à média geral de novela até agora, 25 pontos, muito pouco para o horário. Sem descambar para o trocadilho infame, o assassinato de Murilo pareceu o golpe de misericórdia da novela que tanto penou ao longo dos últimos cinco meses, na audiência e na opinião pública. Vamos aguardar pelo dia 28 (último capítulo) para ver como os autores vão construir o desfecho desse mistério e enterrar “Babilônia” de vez.


Boa estreia de “Cúmplices de um Resgate” mostra avanço nas novelas do SBT
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Nilson Xavier

Larissa Manoela como Manuela e Isabela e o cão Manteiguinha (Foto: Divulgação/SBT)

Larissa Manoela como Manuela e Isabela e o cão Manteiguinha (Foto: Divulgação/SBT)

É notório o avanço do SBT na produção de suas novelas infantis. Nesta segunda-feira (03/08), estreou a nova atração da casa, “Cúmplices de um Resgate”, versão de Íris Abravanel para uma novela mexicana, já exibida pelo SBT, em 2002. Na sequência (às 21:50), mais um capítulo da reprise de “Carrossel”, novelinha de 2012-2013. E é gritante a diferença entre as duas, no que tange a produção. Percebe-se o investimento crescente da emissora de Silvio Santos em um público cativo neste segmento, desde 2012: o infantil.

E por se tratar de uma novela infantil, “Cúmplices de um Resgate” veio com um arsenal de novidades a fim de conquistar mais público ainda. Além do apelo musical (a trama tem duas bandas infantojuvenis) – já visto em “Carrossel” e “Chiquititas” –, além da imersão na atualidade (a proposta estética tem referências à linguagem dos computadores, realidade da criança contemporânea), “Cúmplices de um Resgate” traz animais fofos que pensam (outro apelo infantil) e mais externas do que de costume.

Na coletiva de imprensa, Íris Abravanel prometeu abordagens mais adultas, sem fugir do universo infantil, que é o que interessa ao seu principal público. A trama pretende tratar, de uma forma “leve”, a problemática das crianças desaparecidas e a tolerância religiosa. A novela tem um padre e um pastor evangélico e famílias católicas e evangélicas. É o SBT visando abocanhar uma parcela maior de público.

A estreia foi bonita, agradável, ágil, fluiu bem e terminou com um bom gancho: o encontro das meninas gêmeas que não se conheciam, vividas pela ótima e segura Larissa Manoela – que vai ter que se desdobrar para fazer quatro papeis diferentes: Isabela, Manuela, Isabela se passando por Manuela, e Manuela se passando por Isabela. Um clássico do folhetim! Impossível não lembrar de Ruth e Raquel de “Mulheres de Areia”. Ou das protagonistas de “A Usurpadora“.

De acordo com o SBT, os dados prévios no Ibope da Grande São Paulo são  14,4 pontos e pico de 15.


“Laços de Família” é a próxima reprise do canal Viva
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Nilson Xavier

Tony Ramos e Vera Fischer (Fotos: Divulgação/TV Globo)

Tony Ramos e Vera Fischer (Fotos: Divulgação/TV Globo)

O canal por assinatura Viva já tem a novela substituta para “Fera Ferida” na faixa da meia-noite: será “Laços de Família”, um dos maiores sucessos da dramaturgia TV Globo. A novela – escrita por Manoel Carlos, com direção de núcleo de Ricardo Waddington – foi originalmente exibida entre junho de 2000 e fevereiro de 2001, com uma reprise no “Vale a Pena Ver de Novo” em 2005. É a mais recente de todas as novelas já reprisadas pelo Viva. E a quarta de Manoel Carlos no canal (já foram ao ar “Por Amor“, “Felicidade'' e “História de Amor“).

A novela tem uma das sequências mais emblemáticas de nossa TV: a cena (exibida em 11/12/2000) em que a personagem Camila (Carolina Dieckmann) tem sua cabeça raspada por conta do tratamento de leucemia, ao som de “Love By Grace”, cantada por Lara Fabian.

lacosdefamilia_divulgacao24Na trama, Helena (Vera Fischer) é uma mãe que abre mão de sua felicidade em favor da filha Camila, duas vezes. Primeiro ela entrega de bandeja à garota o namorado Edu (Reynaldo Gianecchini) – as duas disputavam o rapaz. Depois ela engravida do pai de Camila, Pedro (José Mayer), com quem não falava há anos e que a garota nem conhecia – para que o filho que nascer possa ser o doador de medula para a doença de Camila. Mas, para isso, Helena teve que abdicar pela segunda vez de um amor: Miguel (Tony Ramos), com quem estava tendo uma relação estável.

Laços de Família” foi a novela de estreia de Reynaldo Gianecchini e Juliana Paes. E a novela em que Deborah Secco e Giovanna Antonelli tiveram seus primeiros papeis de grande destaque na TV. Deborah Secco viveu a mimada Íris, meia-irmã de Helena, apaixonada por Pedro e que vivia brigando com Camila. E Giovanna Antonelli era a “prostituta de família” Capitu, mãe solteira, de classe média, que se prostituía escondida da família para sustentar o filho pequeno.

No elenco, também Marieta Severo, Alexandre Borges, Luigi Bariccelli, Regiane Alves, Helena Ranaldi, Soraya Ravenle, Zé Victor Castiel, Leonardo Villar, Walderez de Barros, Júlia Feldes, Flávio Silvino e outros.

Laços de Família” volta no Viva em janeiro, à meia-noite (com reprise no dia seguinte, às 13h30).

Saiba mais sobre “Laços de Família AQUI.


Sem grandes novidades, “Além do Tempo” se firma como um melodrama dos bons
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Nilson Xavier

Lívia (Alinne Moraes) e Felipe (Rafael Cardoso) ainda não podem ficar juntos (Foto: Fábio Rocha/Gshow)

Lívia (Alinne Moraes) e Felipe (Rafael Cardoso) ainda não podem ficar juntos (Foto: Fábio Rocha/Gshow)

Em meu primeiro texto sobre “Além do Tempo”, na sua estreia (você pode ler AQUI), constatei que a novela se tratava de um grande dramalhão, daqueles que fazem a alegria dos amantes dos folhetins. Não foi minha intenção ser pejorativo – como alfinetaram alguns nos comentários. Tampouco depreciar a novela. Um dramalhão pode ser bom ou não.

Como todo melodrama, “Além do Tempo” segue a cartilha clássica do folhetim. Por se tratar de uma produção de época, parece mesmo que sua história foi tirada dos rodapés de jornais do século 19 (os folhetins eram histórias seriadas publicadas nos rodapés dos jornais).

Uma história de amor é o mote central. O casal de pombinhos – que se apaixonou à primeira vista, claro! – enfrenta, cada qual, uma série de dificuldades para viver esse amor. Ela (Lívia/Alinne Moraes) tem uma mãe (Emília/Ana Beatriz Nogueira) que é uma fera e a quer no convento a todo custo, por conta de um segredo do passado e o medo da aproximação com a condessa má (Vitória/Irene Ravache), a grande vilã da história – na verdade, a avó da mocinha.

Para piorar a situação, o mocinho (Felipe/Rafael Cardoso) é sobrinho-neto da tal condessa e tem uma pretendente que fará de tudo para fisgar esse bom partido, a ex-noiva (Melissa/Paolla Oliveira). Na lógica do folhetim, para que o casal central fique junto no final – para viverem felizes para sempre -, são necessários muitos percalços, intrigas, separações, vai-e-vem. Mesmo que, para isso, se mande às favas a lógica e a razão.

A audiência tem correspondido às expectativas da emissora. “Além do Tempo” herdou o bom Ibope da novela anterior no horário, “Sete Vidas”, e tem mantido o mesmo patamar. A produção é caprichada, a direção é boa e o elenco está à altura. É tudo muito bonito. Um melodrama assumidamente rasgado, mas de encher os olhos, em uma produção impecável. E sem novidade alguma no universo das novelas, nada além do que já vimos antes. É um dramalhão sim! Dos bons.


O que seria de “I Love Paraisópolis” sem suas tramas paralelas?
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Nilson Xavier

A cena da morte de Raul (André Loddi). Foto: Divulgação/TV Globo)

A cena da morte de Raul (André Loddi). Foto: Divulgação/TV Globo)

Tradicionalmente uma estrutura de telenovela compreende uma trama central com várias tramas paralelas. E a história principal é o que norteia a novela. Mas não é o que acontece com “I Love Paraisópolis”, a produção das sete da Globo. Com uma rica e interessante galeria de coadjuvantes, as tramas paralelas estão fazendo o que a trama central não consegue.

A boa química entre Bruna Marquezine e Maurício Destri, em algumas cenas calientes, e o apelo do personagem Grego, de Caio Castro, chamaram a atenção no início. Mas não são suficientes para segurar a novela. O triângulo amoroso Ben-Mari-Grego, por si só, não sustenta “I Love Paraisópolis”. Falta história aí!

A trama dos protagonistas dá voltas, quando não apela para flashbacks – sempre embalados por “A Noite” (Tiê) e “Thinking Out Loud” (Ed Sheeran), repetidas à exaustão. Para enfeitar o romance que não chove nem molha, faz-se uso de outros personagens que tentam movimentar essa história central: a luta pelo poder do vilão Gabo (Henri Castelli), a gravidez de Margot (Maria Casadevall), e as sandices da megalômana Soraya (Letícia Spiller).

Enquanto isso, as histórias com o povo da bonita Paraisópolis da Globo carregam cada capítulo nas costas. É – praticamente – uma cena envolvendo os protagonistas (que pode ser um flashback) para três historinhas paralelas.

As tramas que recheiam “I Love Paraisópolis” primam pelo humor, a receita do horário das sete. E cumprem bem a função de divertir. São várias esquetes cômicas, como em um humorístico. E são cíclicas, seriadas: situações que se fecham e são substituídas por outras. Como, atualmente, a divertida disputa de Claudete e Mirela (Mariana Xavier e Luana Martau) por Raul (André Loddi), que rendeu as mandingas de Tinoca (Alice Borges), a suposta morte de Raul e desespero de Expedito (José Dumont), com medo da morte.

Já elogiei o elenco coadjuvante de “I Love ParaisópolisAQUI e reitero. A novela tem qualidades: é divertida e despretensiosa. A direção aproveita o excelente elenco e o texto afiado dos autores e dá um ar moderno às cenas de humor, com clipagens e efeitos divertidos. Funciona muito bem e a audiência na Grande São Paulo vai bem. Mas o que seria de “I Love Paraisópolis” sem esse elenco afiado nessas situações cômicas?


Trama paralela de “Babilônia” critica o público que rejeitou a novela
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Nilson Xavier

Dira Paes e Consuelo (Arlete Salles) no "Puro Chiquê" (Foto: Reprodução)

Dira Paes e Consuelo (Arlete Salles) no “Puro Chiquê'' (Foto: Reprodução)

Chega a ser irônico o fato da melhor trama de “Babilônia” ser justamente aquela que os autores (Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga) estão usando para alfinetar o público que rejeitou sua novela. E não é a trama central, a do trio Beatriz-Inês-Regina.

A atriz Arlete Salles – excelente – deita e rola com sua Consuelo, uma mulher convicta de sua religião, mas hipócrita, maldosa e arrogante. Mas nem por isso uma personagem pesada. Pelo contrário. Consuelo é engraçadíssima, o verdadeiro alívio cômico de “Babilônia”, uma versão moderna das risíveis carolas de sacristia das novelas de Dias Gomes. Só que, neste caso, não é católica.

Do alto de sua prepotência e megalomania, Consuelo quer aparecer às custas de gente famosa, que ela julga “chiques”, através de sua limitada visão de mundo. Com a ajuda do malandro Luís Fernando (finalmente uma função na novela para o personagem de Gabriel Braga Nunes), produzem o programa de entrevistas “Puro Chiquê”, com a proposta de entrevistar celebridades do mundo artístico.

É aí que os roteiristas de “Babilônia” espertamente destilam veneno. Na última tentativa (fracassada) de entrevista, com Dira Paes, Consuelo tentou arrancar da atriz fofocas do mundo dos famosos, detalhes sórdidos da relação com outros atores – no que Dira se negou terminantemente, lógico, já que o combinado era ela tratar de “assuntos de conteúdo”. Foi quando Consuelo soltou pérolas como “Não dá audiência, é muito realista! O povo não quer saber de coisas complicadas.”.

Os autores, desde o início da novela, usam o núcleo da família Pimenta para exorcizar o fracasso de “Babilônia” com a audiência. Representantes da “tradicional família brasileira”, Consuelo, o filho Aderbal (Marcos Palmeira), a nora Maria José (Laila Garin) e – sobra até para – o mordomo Xavier (Tadeu Aguiar) e a filha Laís (Luísa Arraes), representam o público limítrofe que não conseguiu assimilar “a proposta da novela”.

Ironia – ou mera coincidência -, a Família Pimenta tem o texto realmente reflexivo e carregado de crítica social na trama de “Babilônia”. Com um viés realista, Aderbal é o político corrupto e hipócrita que se vale da religião para tirar proveito em benefício próprio (ou de uma causa), justificar suas safadezas e esconder sua imoralidade. E Consuelo é a sátira dessa crítica, a caricatura – moderna – da religiosa intolerante, fofoqueira e limitada. Muito pertinente em tempos de intolerância – de qualquer tipo.

É válida a crítica aos políticos corruptos, intolerantes e hipócritas, que se valem da religião para tirar vantagens. O que não vale é jogar a culpa do fracasso da novela exclusivamente no público. Quem sabe a trama central de “Babilônia” focasse apenas no núcleo da família Pimenta, a recepção teria sido outra!