Blog do Nilson Xavier

Novela “Vale Tudo” completa 24 anos de sua estreia

Há exatos 24 anos estreava uma das melhores novelas já produzidas pela TV brasileira – se não a melhor: Vale Tudo. Escrita pela trinca Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, com direção de Denis Carvalho e Ricardo Waddington, a novela foi ao ar entre 16/05/1988 e 06/01/1989. Vale Tudo parava o país diariamente, que acompanhou o drama de Raquel (Regina Duarte), uma mulher batalhadora, íntegra e honesta (ao extremo), roubada pela filha ingrata e carreirista, Maria de Fátima (Glória Pires), que, mancomunada com o mau caráter César Ribeiro (Carlos Alberto Riccelli), tentava dar um golpe na milionária família Roitman, comandada pela megera Odete (Beatriz Segall), que acabou assassinada, rendendo um dos “quem matou?” mais emblemáticos de nossa TV.

Com 204 capítulos, a trama, redondinha, em momento algum fez o público perder o interesse. Com uma galeria de personagens ricos e inesquecíveis, além dos já citados, tiveram destaque Heleninha (Renata Sorrah) – alcoólatra, carente e infantil, seus porres homéricos viraram referência cult (“toca um mambo caliente aí, DJ!”) -, Solange “cherri” Duprat (Lídia Brondi) – com sua franja reta, o protótipo da moça moderninha, independente e antenada – , Tia Celina (Nathalia Timberg) – mulher bondosa, amiga e sonsa -, e Marco Aurélio (Reginaldo Faria) – o mau caráter que aprontou a novela inteira e se safou no final, mandando uma banana para o público. Também no elenco Antônio Fagundes, Adriano Reys, Cássio Gabus Mendes, Cássia Kiss, Cláudio Corrêa e Castro, Pedro Paulo Rangel, Lília Cabral, Rosane Gofman, Sérgio Mamberti e outros.

A novela uniu um excelente folhetim com crítica social ao país a partir de uma pergunta comum aos brasileiros: “Vale a pena ser honesto no Brasil de hoje?“. O ano era 1988, mas a questão nunca deixou de ser atual.

Curiosidades:

O ponto de partida foi o filme Almas em Suplício – (Mildred Pearce), dirigido por Michael Curtiz em 1945, com Joan Crawford e Ann Blyth – de onde se extraiu a trama da mãe simplória (Raquel) que enriquece, mas tem o desprezo da filha (Fátima). Na primeira parte da novela, o filme é referenciado quando Raquel – ainda uma guia turística em Foz do Iguaçu, então cenário da trama – chama uma senhora de Dona Mildred.

Daniel Filho afirmou em entrevista que, na primeira sinopse, a filha vendia a casa por volta do capítulo 40 ou 50. Mas o tema central não deslanchava. Ele argumentou: “Se a filha não vender a casa no primeiro capítulo e a mãe ficar na miséria, a novela não atingirá seu objetivo”. Ou seja, não deixaria claro seu tema. Os autores, então, adiantaram a novela em 40 capítulos.

No capítulo 193 – que foi ao ar na véspera do Natal de 1988 -, a vilã Odete Roitman foi assassinada com três tiros à queima-roupa. O mistério da identidade do assassino durou apenas 13 dias, mas dominou todas as conversas pelo país. O fabricante de caldo de galinha Maggi promoveu um concurso para premiar quem adivinhasse o nome do assassino. O Brasil parou diante da TV em 06/01/1989 para conhecer o criminoso.

O mistério da identidade do assassino de Odete Roitman tornou-se alvo de apostas, rifas e sorteios. A cena do disparo foi gravada no dia em que o último capítulo foi ao ar. Nem o próprio elenco sabia, até ao momento em que Denis Carvalho anunciou que era Leila (Cássia Kiss). A razão do assassinato: Leila atirou na megera por engano! Ela pensava que quem estava com seu marido Marco Aurélio (Reginaldo Faria) era a amante dele, Fátima (Glória Pires).

Além da questão da ética e honestidade, Vale Tudo discutiu o drama do alcoolismo e mostrou, pela primeira vez de forma explícita, o homossexualismo feminino. Por isso a novela enfrentou alguns problemas com a censura. Diálogos entre as personagens Cecília (Lala Deheinzelin) e Laís (Cristina Prochaska) tiveram que ser reescritos depois que foi vetada uma cena em que as duas contavam a Helena (Renata Sorrah) sobre os preconceitos de que eram vítimas por causa de seu relacionamento.

Em Cuba, em 1995, o governo resolveu legalizar uma rede de restaurantes privados que funcionava clandestinamente, num arrojado gesto de abrir mão da exploração exclusiva do setor. Esses restaurantes, geridos em âmbito familiar, tinham o nome de “paladares”, assim batizados por conta do nome da empresa de alimentos de Raquel na novela (Paladar).

Muitas foram as cenas marcantes, como o assassinato de Odete; Marco Aurélio fugindo do país num jatinho e se despedindo de todos com uma “banana”; Raquel rasgando o vestido de casamento de Fátima; os porres de Heleninha; os tapas na cara que Fátima levou de vários personagens; etc.

Em 2002, a Globo, numa parceria com a Rede Telemundo – cadeia de emissoras abertas voltada para a comunidade latina nos Estados Unidos – produziu uma nova versão de Vale Tudo, em espanhol: Vale Todo, com elenco formado por atores latinos – mas não teve o sucesso esperado.

A novela foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo em 1992. Entre maio de 2010 e julho de 2011, Vale Tudo foi reprisada no Canal Viva, causando uma verdadeira comoção entre os internautas de redes sociais (como o Twitter), saudosos da novela que viram no passado ou curiosos pela obra que não puderam acompanhar antes. O #ValeTudoTeam mostrou a força da união da TV com as redes sociais na atualidade.

Saiba mais sobre Vale Tudo no site Teledramaturgia.

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“A Próxima Vítima” e “Felicidade” são as próximas novelas reprisadas no Canal Viva

Em evento realizado na manhã desta terça-feira (15/05) em São Paulo – em comemoração aos seus dois anos de existência – o Canal Viva divulgou as suas próximas estreias de novelas: Felicidade (substituindo Top Model, às 15h30), e A Próxima Vítima (substituindo Barriga de Aluguel às 16h30 – as novelas têm horários alternativos nas madrugadas).

Felicidade – novela de Manoel Carlos, escrita por ele e Elizabeth Jhin, com direção geral de Denise Saraceni – foi ao ar originalmente entre outubro de 1991 e maio de 1992 (com uma reprise no Vale a Pena Ver de Novo em 1998). Marcou o retorno definitivo de Maneco à Globo, depois de quase dez anos afastado da emissora. Maitê Proença viveu a segunda das Helenas do autor. Foi a primeira novela de Vivianne Pasmanter, estreando com um papel importante, a antagonista Débora, que dividia com Helena o amor de Álvaro (Tony Ramos). Helena, por sua vez, era também disputada pelos personagens de Herson Capri e Marcos Winter. Também se destacaram as então crianças Tatyane Fontinhas Goulart (como Bia, a filha de Helena e Álvaro) e Eduardo Caldas (como Alvinho, filho de Álvaro e Débora). Ainda no elenco Laura Cardoso, Othon Bastos, Esther Góes, Yara Côrtes, Umberto Magnani, Ariclé Perez, Monique Cury, Edney Giovenazzi, Milton Gonçalves e outros.

A Próxima Vítima – novela de Silvio de Abreu, escrita por ele, Alcides Nogueira e Maria Adelaide Amaral, com direção geral de Jorge Fernando – foi ao ar entre março e novembro de 1995 (com reprise no Vale a Pena Ver de Novo em 2000). O grande sucesso daquele ano, a novela – essencialmente policial – inovou ao despertar a atenção do telespectador não somente pelo mistério da identidade do serial killer da história, mas também pela expectativa sobre qual personagem seria a próxima vítima do assassino. Grande destaque para a família Ferreto, encabeçada por Filomena (Aracy Balabanian), com a sobrinha maléfica Isabella (Cláudia Ohana), o cunhado Marcelo (José Wilker), as irmãs Francesca (Tereza Rachel), Carmela (Yoná Magalhães) e Romana (Rosamaria Murtinho). No elenco, também Tony Ramos, Susana Vieira, Natália do Valle, Vivianne Pasmanter, Marcos Frota, Lima Duarte, Paulo Betti, Gianfrancesco Guarnieri, Cecil Thiré e outros. Resta saber qual dos finais gravados será o apresentado no Viva, já que no Vale a Pena Ver de Novo e no mercado internacional o assassino (e o desfecho da história) não era o mesmo da apresentação original da novela.

O Viva também anunciou a apresentação do seriado Delegacia de Mulheres (de 1990) e (novamente) da minissérie Chiquinha Gonzaga, de Lauro César Muniz (de 1999).

Saiba mais sobre Felicidade no site Teledramaturgia.

Saiba mais sobre A Próxima Vítima no site Teledramaturgia.

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Mãe Heroína: relembre as mães que marcaram as novelas

Batalhadoras, guerreiras, amorosas, passionais e capazes de qualquer sacrifício pela sua prole, até mesmo abdicar da própria felicidade. Neste Dia das Mães, relembre as mães inesquecíveis de nossa Teledramaturgia.

Sinhana – Zilka Salaberry em Irmãos Coragem (Globo, 1970-1971)
Uma verdadeira Mãe Coragem, Sinhana era capaz de qualquer coisa para defender os filhos de seus inimigos, inclusive pegar em armas ou trabalhar no garimpo de sol a sol quando eles estavam ausentes. A novela ganhou um remake em 1995 com Laura Cardoso no papel da matriarca dos irmãos Coragem.

Vitória – Berta Zemel em Vitória Bonelli (Tupi, 1972-1973)
A derrocada financeira da família Bonelli fez Vitória vencer sua síndrome do pânico para enfrentar o mundo lá fora. Mantendo os quatros filhos juntos de si, enfrentando os problemas pessoais de cada um, Vitória deu a volta por cima em nome de sua dignidade e da sua família.

Leda Maria – Betty Faria em Duas Vidas (Globo, 1976-1977)
A relação de Leda Maria com o filho pequeno, Téo (Carlos Poyart), foi o ponto alto da novela. Mulher batalhadora, não hesitou em ir à luta mesmo quando o marido mau caráter a abandonou. Ao lado de Téo, Leda teve que recomeçar do zero quando descobriu que não tinha para onde ir.

Kiki Blanche e Milena – Eva Todor e Aracy Balabanian em Locomotivas (Globo, 1977)
A alegre Kiki Blanche fora uma vedete de sucesso no passado. Com o passar dos anos, abriu um salão de beleza que administra ao lado da filha Milena e de quatro filhos adotivos. Milena, por sua vez, vive um drama ao esconder de Fernanda (Lucélia Santos) – criada como filha de Kiki -, o fato de que é sua mãe verdadeira. As coisas complicam quando a rebelde Fernanda se apaixona pelo seu namorado.

Dona Xepa – Yara Côrtes em Dona Xepa (Globo, 1977)
A simplória feirante Xepa sempre fez de tudo para garantir o futuro dos filhos, mesmo eles não reconhecendo seus esforços. Xepa não esmoreceu nem mesmo diante da filha ingrata e carreirista que tinha vergonha dela. A novela – baseada na peça de Pedro Bloch – ganhou uma nova versão em 1990 – Lua Cheia de Amor -, com Marília Pêra no papel equivalente ao de Yara Côrtes.

Dona Lola – Nicette Bruno em Éramos Seis (Tupi, 1977)
A triste história de Lola, desde quando era feliz com o marido e os quatro filhos pequenos, até quando perdeu o marido e o primogênito e teve que lidar com os problemas dos demais filhos. A história – baseada no romance de Maria José Dupré – já tivera uma versão em 1967, pela Tupi, com Cleyde Yáconis no papel de Lola. Em 1994, o SBT levou ao ar uma nova versão, com Irene Ravache vivendo a protagonista.

Júlia Matos – Sônia Braga em Dancin´ Days (Globo, 1978)
Após cumprir pena por um crime cometido no passado, tudo o que Júlia queria era se reaproximar da filha Marisa (Glória Pires), que cresceu longe da mãe, criada pela tia. Mas as decepções e as intrigas de sua irmã, Yolanda (Joana Fomm), só a afastavam cada vez mais de seu propósito.

Rosa – Nancy Wanderley em Rosa Baiana (Bandeirantes, 1981)
Nos campos petrolíferos da Bahia, vive Rosa, às voltas com os problemas de seus sete filhos e a esperança de que seu companheiro – o pai deles – retorne mais uma vez para casa.

Helena – Lílian Lemmertz em Baila Comigo (Globo, 1981)
Helena deu a luz a gêmeos, mas não pôde criá-los ao lado do pai dos meninos. Por isso lhe entregou um deles e criou o outro com seu marido. Os gêmeos cresceram sem que um soubesse da existência do outro. Helena terá que lidar com a verdade quando descobrir que o seu filho, que não viu crescer, está por perto.

Luzia – Míriam Pires em Meus Filhos, Minha Vida (SBT, 1984-1985)
Luzia sustentou sozinha seus três filhos e sofre ao vê-los seguir caminhos tortuosos. Depois de todas as provações que passa por causa deles, termina sozinha, mas apegada à fé e à imagem de Nossa Senhora Aparecida. A novela ganhou um remake em 1996 – Razão de Viver – com Irene Ravache no papel de Luzia.

Bina – Geórgia Gomide em Vereda Tropical (Globo, 1984-1985)
Bina é a típica mama italiana. Passional, exagerada, possessiva e ciumenta, faz de tudo para ter os quatro filhos perto de si, sempre envolvida nos problemas de cada um.

Naná – Fernanda Montenegro em Cambalacho (Globo, 1986)
Naná é uma cambalacheira profissional. Mas todos os golpes que aplica são por um bom motivo: o sustento da casa em que abriga crianças de rua, seus filhos adotivos. A confusão está armada quando Naná descobre que é herdeira de uma fortuna e que tem gente querendo surrupiar sua herança.

Jocasta – Vera Fischer em Mandala (Globo, 1987-1988)
Baseada na tragédia grega de Sófocles, a novela reproduz no Rio de Janeiro contemporâneo o drama da mãe que teve seu filho tomado de seus braços ao nascer. Passados mais de vinte anos, Jocasta ainda está em busca do filho desaparecido. Mas o destino lhe reserva uma surpresa: ela se apaixonará pelo rapaz que nem desconfia que é o seu filho.

Clara e Ana – Cláudia Abreu e Cássia Kiss em Barriga de Aluguel (Globo, 1990-1991)
A luta de duas mulheres pelo direito de ser mãe. Uma doou o óvulo fecundado para que a criança se desenvolvesse na barriga da outra. Ana sabe que terá um filho com seus traços genéticos, mas não sente seu corpo se transformando, não vive a sensação de maternidade. Clara sabe que espera um filho que não é seu, mas vive o conflito de ter de se distanciar emocionalmente da criança que cresce dentro dela. Com que deve ficar a criança, com a mãe biológica ou com a “mãe de aluguel”?

Helena – Regina Duarte em Por Amor (Globo, 1997-1998)
Helena foi capaz de um sacrifício extremo pela felicidade da filha, Eduarda (Gabriela Duarte). As duas, mãe e filha, engravidaram na mesma época e deram a luz ao mesmo tempo. Mas o filho de Eduarda morreu após o parto e ela não poderia mais ser mãe. Helena assumiu para si o neto morto e deu a Eduarda o seu filho, para que ela o criasse como sendo seu, escondendo de Eduarda toda a verdade. Esse ato extremo teve consequências drásticas para ambas.

Helena – Vera Fischer em Laços de Família (Globo, 2000-2001)
Helena foi outra mãe capaz de qualquer sacrifício pela filha, Camila (Carolina Dieckmann), diagnosticada com leucemia. A única possibilidade de uma salvação seria um transplante de medula de um filho de Helena. Ela não hesitou em abandonar o seu amor para se reaproximar do pai de Camila, para que juntos gerassem um novo filho, cuja medula salvaria a vida de Camila. Isso sem falar que, anteriormente, Helena já havia abandonado um amor quando descobriu que a filha estava apaixonada pelo mesmo homem que ela.

Maria do Carmo – Susana Vieira em Senhora do Destino (Globo, 2004-2005)
Maria do Carmo teve a filha, Lindalva, roubada quando era bebê e passou a vida toda procurando pela menina desaparecida. Na atualidade, finalmente descobre seu paradeiro. Lindalva agora é Isabel (Carolina Dieckmann), que fora criada por Nazaré (Renata Sorrah), a mulher enlouquecida que a roubou no passado.

Helena – Regina Duarte em Páginas da Vida (Globo, 2006-2007)
A médica Helena não hesita em tomar para si a pequena Clara (Joana Mocarzel), um bebê recém nascido com síndrome de Down, rejeitado pela avó – já que a mãe da criança havia morrido no parto. No futuro, Helena lutará na justiça contra o pai da menina, pela sua guarda.

Ana e Manuela – Fernanda Vasconcellos e Marjorie Estiano em A Vida da Gente (Globo, 2011-2012)
As irmãs Ana e Manuela são amigas inseparáveis. Mas um acidente põe Ana em coma por anos, enquanto Manuela cria a pequena filha da irmã, Júlia (Jesuela Moro), como se fosse sua. Ao acordar do coma, Ana terá que se adaptar a uma nova realidade, lidando com o fato de sua irmã estar agora junto com seu antigo namorado – pai de Júlia -, e com a filha que mal conhece a mãe e que, a princípio, não consegue tratá-la como tal.

Cite outras mães marcantes nas novelas!

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Sátira política da novela “Que Rei Sou Eu?” continua atual

A novela Que Rei Sou Eu? – a mais nova atração do Canal Viva, que estreou na segunda, dia 7 – é uma boa pedida para as noites de segunda a sexta-feira – no ar à 0h15, com reprise no dia seguinte, ao meio-dia.

De cara, chama a atenção nessa novela o elenco grandioso – no sentido de majestoso mesmo. É um privilégio ver contracenando atores como Tereza Rachel, Antônio Abujamra, John Herbert, Oswaldo Loureiro, Jorge Dória, Carlos Augusto Strazzer, Laerte Morrone, Ítala Nandi, Daniel Filho, Marieta Severo, Stênio Garcia, Fábio Sabag, Gianfrancesco Guarnieri, e outros. Alguns já se foram e não existe mais a chance de vê-los novamente – apenas assim, por reprises.

Que Rei Sou Eu? foi ao ar há 23 anos. À primeira vista, parece que alguma coisa envelheceu – talvez a luz, que deixa a novela escura em alguns cenários. Mas o texto afiadíssimo do autor, Cassiano Gabus Mendes, faz vibrar. Uma comédia de costumes – humor inteligente, sem ser pastelão – que critica a sociedade e o cenário político brasileiro do final dos anos 80 – e que continua tão atual. As maracutaias, intrigas, negociatas e conchavos dos conselheiros da Rainha são o ponto alto deste início da novela.

Tereza Rachel já dá o tom de sua Rainha Valentine, uma monarca tirana, mulher devassa, dominada pelo Bruxo Ravengar, vivido por um Antônio Abujamra que meteu muito medo em criancinhas na época da apresentação original da novela. Não por acaso, esses personagens marcaram para sempre as carreiras de Tereza e Abu. Impossível desassociar os atores de Valentine e Ravengar.

A trilha sonora faz a alegria dos saudosistas, com músicas como “Chama” (Roupa Nova), “Renascer” (Zizi Possi), “Espanhola” (Kleiton e Kledir), “Bye Bye Tristeza” (Sandra de Sá) e “Raça de Herois” (Guilherme Arantes). Cenários e caracterizações (figurinos, maquiagem, perucas) são propositalmente carnavalescos. A história se passa nos tempos da Revolução Francesa, os personagens têm nomes franceses, mas a novela retrata uma França bem brasileira, tanto nas tintas quanto nas referências ao nosso país.

Que Rei Sou Eu? para sempre será lembrada pela seriedade dos temas tratados sob o viés da comédia crítica – escrachada ou subliminar. A história se passava na época da Revolução Francesa. A novela foi apresentada na época da Nova República. Mas poderia ter ido ao ar durante a ditatura do Regime Militar. Ou nos dias atuais. É atemporal.

Saiba mais sobre Que Rei Sou Eu? no site Teledramaturgia.

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Novela “Elas por Elas” – do detetive Mário Fofoca – completa 30 anos

Há trinta anos, a TV Globo lançava, no horário das sete, uma das novelas de maior sucesso da década de 1980: Elas por Elas, escrita pelo mestre Cassiano Gabus Mendes. Inesquecível pela presença de um dos personagens mais marcantes de nossa teledramaturgia: o atrapalhado detetive Mário Fofoca, vivido pelo ator Luiz Gustavo. O personagem é lembrado também pela sua caracterização: um indefectível paletó xadrez lilás.

Apesar do irrepreensível elenco feminino e da trama centrada nos dramas de sete mulheres – amigas do passado que se reencontravam -, foi Luiz Gustavo quem obteve o maior destaque. Mário Fofoca marcou sua carreira – assim como outros personagens criados por Cassiano para o ator, como Beto Rockfeller (da novela homônima) e Victor Valentim (de Ti-Ti-Ti).

Mário Fofoca ainda rendeu a Luiz Gustavo a protagonização de um filme – As Aventuras de Mário Fofoca, de Adriano Stuart – e de um seriado de TV – Mário Fofoca -, ambos em 1983, mas, infelizmente, marcados pelo insucesso. Em 2010, Luiz Gustavo voltou a viver o aloprado detetive no remake da novela Ti-Ti-Ti, assinado por Maria Adelaide Amaral – que homenageava Cassiano Gabus Mendes com a aparição de vários dos personagens do autor na novela.

Cassiano contou com a colaboração de Carlos Lombardi no texto, então um iniciante em dramaturgia na Globo. A novela teve a direção de Paulo Ubiratan, Wolf Maya e Mário Márcio Bandarra.

A história girava em torno do reencontro de sete amigas dos tempos de colégio, vinte anos depois. O roteiro era dividido em três histórias principais, que se cruzavam envolvendo as sete amigas. Márcia (Eva Wilma) queria descobrir quem era a amante do marido recém falecido. Para isso contrata os serviços do detetive Mário Fofoca, irmão de sua amiga Wanda (Sandra Bréa). O que Márcia não desconfia é que a mulher que ela procura é Wanda.

Natália (Joana Fomm) é uma mulher neurótica com a ideia fixa de que uma de suas amigas empurrou seu irmão numa pedra, vinte anos antes. Ela atormenta a vida das seis amigas para tentar saber qual delas foi a responsável pela morte do irmão.

Helena (Aracy Balabanian) preocupa-se com a reaproximação de sua amiga Adriana (Ester Góes) com seu marido Jaime (Carlos Zara), antigo namorado de Adriana. Mas o perigo maior está no segredo que seu pai, Miguel (Mário Lago) guarda: no passado, ele pagou uma enfermeira – Eva (Nathalia Timberg) – para trocar os bebês no parto de Helena, caso ela desse a luz a uma menina. Eva trocou a filha de Helena pelo filho de Adriana, e assim uma criou o filho da outra sem saber que as crianças foram trocadas na maternidade. O reencontro de Helena e Adriana faz nascer um interesse entre Gil (Lauro Corona) e Míriam (Tássia Camargo), os filhos delas, já crescidos.

A história, extremamente envolvente e bem amarrada, prendeu a atenção do público do início ao fim. Os dramas das sete amigas, entremeados pelo humor nonsense do detetive Mário Fofoca, garantiu a audiência durante os seis meses de exibição da novela. O elenco contava ainda com Reginaldo Faria, Christiane Torloni, Herson Capri, Mila Moreira, Maria Helena Dias, Laerte Morrone, Marco Nanini, Felipe Carone, Ana Ariel e outros.

A abertura de Elas por Elas – produzida pelo designer Hans Donner e sua equipe – foi uma das mais criativas já feita. Ao som do grupo The Fevers, exibia uma festa dos anos 60, em preto e branco. A imagem de uma jovem da festa era congelada após um efeito de flash de máquina fotográfica. A cena se transformava numa foto, e a moça fotografada saía desta foto, fundindo-se com a imagem de uma atriz do elenco, na atualidade, já colorida.

Primeira novela na Globo dos atores Cássio Gabus Mendes (filho de Cassiano), André de Biasi, Tássia Camargo e Cristina Pereira. Elas por Elas teve as participações de Xuxa e Luíza Brunet nas cenas em que a personagem Ieda (Cristina Pereira) imaginava-se uma outra mulher, linda e sedutora, vivenciando cenas românicas com Renê (Reginaldo Faria). Xuxa – na época modelo – apareceu sensualizando no capítulo 40, muito antes de se tornar a “rainha dos baixinhos”.

Elas por Elas estreou em 10 de maio de 1982 e ficou no ar até 27 de novembro daquele ano, totalizando 173 capítulos. Teve apenas uma reprise, no Vale a Pena Ver de Novo, de fevereiro e julho de 1985. Merecia uma reprise no Canal Viva!

Veja mais de Elas por Elas no site Teledramaturgia.

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As Periguetes invadem as novelas

As periguetes estão em alta nas novelas globais. E já faz um tempo. Suelen é uma das personagens mais populares de Avenida Brasil. Ísis Valverde brilha na pele da maria-chuteira oferecida que usa o corpo para conseguir o quer. Muito a vontade na personagem, a atriz afasta para sempre o estigma de Rakelli, que viveu na novela Beleza Pura, em 2008. Suas insinuações para os rapazes na frente do “ficante” Leandro (Thiago Martins), e os seus bate-bocas com Roni (Daniel Rocha Azevedo) são diversão na certa.

A novela das sete, Cheias de Charme, também tem uma periguete à altura de Suelen. Brunessa é a funkeira abusada que faz qualquer coisa por dinheiro e, tal qual sua colega de Avenida Brasil, usa o corpo como uma arma poderosa. A personagem é interpretada pela atriz Chandelly Braz, estreante em novelas (ela participara da série Clandestinos, o Sonho Começou, em 2010).

Às seis da tarde, em Amor Eterno Amor, Andreia Horta vive Valéria, uma moça da ilha de Marajó um tanto quanto “atirada”, que faz qualquer coisa pelo seu amor, Carlos (Gabriel Braga Nunes). Romântica, mas não menos periguete, o corpo – de novo – é a arma que ela usa para prender seu homem.

As novelas anteriores também tinham sua cota-periguete. Em A Vida da Gente, a cerejinha Cris (Regiane Alves) até se deu bem por um tempo, ao fisgar o ricaço Jonas (Paulo Betti), mas o casório não durou até o último capítulo. Fina Estampa teve uma das maiores periguetes de todos os tempos: Theodora (Carolina Dieckmann), que até mostrou ser boa gente ao aproximar-se do filho pequeno, mas nem por isso deixou de lado os métodos sórdidos para conseguir o queria. Da mesma novela, saiu a periguetinha funkeira Solange (Carol Macedo), que só queria saber de rebolar até o chão.

Em Insensato Coração, era Natalie Lamour, vivida por Deborah Secco, quem fazia qualquer coisa para se dar bem e estar diante dos holofotes. Aliás, Deborah interpretou outras periguetes parecidas: a deslumbrada Darlene de Celebridade (2003-2004), a sonsa Céu de A Favorita (2008), e a maria-chuteira Marina de Suave Veneno (1999).

Mas a lista é grande: Thaísa (Fernanda Souza em Ti-Ti-Ti), Elvira (Bárbara Borges em Bela, a Feia), Norminha (Dira Paes em Caminho das Índias), Gislaine (Juliana Alves em Duas Caras), Valquíria (Renata Dominguez em Amor e Intrigas), Bebel (Camila Pitanga em Paraíso Tropical), Leona (Carolina Dieckmann em Cobras e Lagartos), Creusa (Juliana Paes em América), Karla com K (Juliana Paes em O Clone),  Sandrinha (Adriana Esteves em Torre de Babel), Mary Matoso (Patrícia Travassos em Vamp), Clara (Cláudia Abreu em Barriga de Aluguel), Nicinha (Marisa Orth em Rainha da Sucata), Fátima (Glória Pires em Vale Tudo), Tina Pepper (Regina Casé em Cambalacho), Marilda (Elizângela em Roque Santeiro), Carolina (Lucélia Santos em Guerra dos Sexos).

Cite outras periguetes que você lembra!

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“Rei Davi” foi a melhor das minisséries épicas da Record

A Record comemora a repercussão de sua minissérie Rei Davi – cujo último capítulo foi exibido na quinta-feira, 03/05. Apresentada desde 24/01, às terças e quintas-feiras, em 30 capítulos, Rei Davi bateu de frente com a programação noturna da Globo e chegou a liderar a audiência no horário no qual era exibida em mais de vinte ocasiões, concorrendo diretamente com atrações como o BBB, a minissérie O Brado Retumbante e a séries As Brasileiras e Amor e Sexo.

E tem explicação para sua audiência cativa: a identificação direta do público alvo – o que aprecia histórias bíblicas – concorrendo com uma minissérie difícil de ser digerida (O Brado Retumbante), uma edição “apagada” do BBB e a safra irregular de As Brasileiras e Amor e Sexo, que não tinha linearidade da audiência (alguns episódios ruins faziam o público trocar de canal). Rei Davi se garantiu em seu público alvo e chamou a atenção daquele que fugiu de alternativas pouco animadoras dos outros canais.

Mas é injusto justificar a repercussão de Rei Davi na falta de opção da concorrência. A Record apresentou uma superprodução épica, um trabalho de mais de trezentas pessoas e investimento de mais de R$ 25 milhões de reais, primeira obra neste formato com cenas gravadas fora do país (no Canadá e Chile). Remeteu a produções americanas – guardadas as devidas proporções, claro! – como o filme 300 e as séries Spartacus e Game of Thrones.

Rei Davi representou um avanço nas minisséries bíblicas da Record – que a emissora prefere chamar de “minisséries épicas” – quando comparada com as produções anteriores: A História de Ester (2010) e Sansão e Dalila (2011). Alguns acidentes de percurso chamaram a atenção: Leonardo Brício, o Rei Davi, caiu do cavalo e, em outra ocasião, teve a mão machucada. Já a atriz Cibele Larrama teve uma parte de seus cabelos queimados durante uma gravação – chegou a fazer uma cirurgia plástica para amenizar as marcas de queimaduras nas costas.

Ainda uma nota triste: o falecimento da atriz Marly Bueno – que vivia a vilã Ainoã, mulher do Rei Saul (Gracindo Jr.) – no dia 12/04/2012, no Rio de Janeiro, após ter sido hospitalizada para uma cirurgia no intestino. Ela tinha 78 anos, estava no ar em Rei Davi, mas já havia concluído suas gravações na minissérie.

A produção de uma nova minissérie épica para 2013 está garantida. E que seja superior a Rei Davi – saem ganhando o público, a emissora e todos os profissionais envolvidos. E que seja também uma oportunidade para corrigir os erros cometidos nesta, como os de caracterização (maquiagem e perucas e barbas postiças fakes demais).

Rei Davi: minissérie de Vivian de Oliveira, livre adaptação dos livros I Samuel e II Samuel, da  Bíblia, escrita com Camilo Pellegrine, Emílio Boechat, Maria Cláudia Oliveira e Altenir Silva. Direção de Edson Spinello, Leonardo Miranda e Rogério Passos, com direção geral de Edson Spinello.

Saiba mais sobre Rei Davi no site Teledramaturgia.

Leia AQUI sobre o falecimento da atriz Marly Bueno.

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Sequestro de Carminha empolga e movimenta a trama de “Avenida Brasil”

Que Avenida Brasil é uma novela bastante movimentada, todos já perceberam. O autor, João Emanuel Carneiro, brinda seu público com um arsenal inesgotável de novidades a cada capítulo. Há mais de um mês no ar, a trama tem prendido a atenção do público e surpreendido pelos ótimos ganchos – aquele suspense ao final do capítulo que desperta a curiosidade no público em acompanhar a trama no dia seguinte. E novela se faz disso mesmo, afinal são os ganchos que mantem o telespectador preso à história por meses a fio.

Mas, o que se viu na última semana vai além de ótimos ganchos. Toda a trama do sequestro de Carminha (Adriana Esteves) tem rendido elogios nas redes sociais a João Emanuel, ao elenco e à direção da novela. Não por acaso, várias hashtags (palavras-chave) com nomes dos personagens envolvidos nessa trama sempre figuram entre os Trending Topics do Twitter (os itens mais comentados) no momento da exibição da novela.

O falso sequestro – que acabou virando um sequestro real na história – já dura uma semana, desde que Max (Marcello Novaes) sugeriu a Carminha forjar o sequestro dela para conseguir dinheiro de Tufão (Murilo Benício). De lá para cá, a novela empolgou com sequências eletrizantes, reviravoltas surpreendentes e atuações irrepreensíveis do elenco.

O texto afiadíssimo do autor na boca de Adriana Esteves faz a alegria do público, que se diverte com as tiradas impagáveis da vilã Carminha. Adriana e Marcello Novaes conseguem, nas cenas mais fortes, transmitir toda a tensão pela qual passam seus personagens. A direção – segura, competente – ajuda muito. E os atores coadjuvantes que participam do sequestro também se destacam.

Rodrigo Rangel vive Moreira, o violento agiota para quem Max deve dinheiro, chefe dos sequestradores. O ator teve cenas fortes e emocionantes com Adriana Esteves e liderou os TT´s do Twitter algumas vezes. Seus comparsas no sequestro são Tubarão (Breno de Filippo), um tipo “devagar”, e Serjão (Vicentini Gomez), o medroso. Tem ainda a figura propositalmente inóspita do detetive Zenon (Mário Hemetto), um policial aposentado que Leleco (Marcos Caruso) levou à família de Tufão para investigar o caso sem a presença da polícia.

Toda essa trama do sequestro movimenta a história de Avenida Brasil e mostra que, com apenas um mês no ar, o autor dá provas do fôlego que sua trama tem para os próximos cinco, seis meses. Que continue com muitos ganchos empolgantes, desses que nos fazem correr para frente da TV na hora da novela – sonho dourado de todo novelista e de toda emissora de televisão. E de todo noveleiro.

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Novela dos anos 70 já trazia empregadas domésticas como protagonistas

A novela Cheias de Charme põe os dramas de três domésticas em pauta: Maria da Penha (Taís Araújo), Maria do Rosário (Leandra Leal) e Maria Aparecida (Isabelle Drummond). A trama – bem conduzida por Filipe Miguez e Izabel  de Oliveira – é uma fábula moderna sobre três mulheres simples e batalhadoras que sonham com uma vida melhor, premissa criada para uma rápida identificação do público – o que, parece, tem surtido efeito, já que a audiência da atração vai bem.

Em novelas, raramente as empregadas tiveram dramas próprios que conduzissem uma história. Servir à mesa ou bajular patrões sempre foi delegado a personagens secundários – ainda que alguns tivessem obtido algum destaque dentro dos núcleos de seus patrões, como a empregada Marilda, vivida recentemente por Kátia Moraes na novela Fina Estampa.

O novelista Manoel Carlos será sempre lembrado por suas Helenas e pelas empregadas de suas novelas, cheias de diálogos, que tinham intimidade com seus patrões e se envolviam em seus dramas, dando pitaco ou oferecendo o ombro amigo. Vale ressaltar também que as atrizes Ilva Niño e Chica Xavier foram as que mais viveram empregadas domésticas na televisão, desde a década de 1970.

Domésticas já foram protagonistas anteriormente. A novela Sem Lenço Sem Documento – trama das sete horas que Mário Prata escreveu para a Globo entre 1977 e 1978, dirigida por Régis Cardoso e Denis Carvalho – tinha um forte núcleo de quatro irmãs pernambucanas que migraram para o Rio de Janeiro onde passaram a trabalhar como domésticas. As irmãs eram diferentes entre si, cada uma com sua trama.

Graça (Isabel Ribeiro), a única casada, dividia o serviço na casa da patroa com seus dramas familiares. Cotinha (Ilva Niño), a mais velha, morava na casa dos patrões, onde trabalhava há anos e era considerada um membro da família. Cotinha era apaixonada pela voz de um locutor de rádio. Dorzinha (Arlete Salles) era a sonhadora, lia fotonovelas e imaginava-se protagonizando uma. E Rosário (Ana Maria Braga – não a apresentadora, mas a atriz, irmã de Sônia Braga e mãe de Alice Braga), a mais jovem, estava chegando ao Rio quando a novela começou, para fechar seu destino com o das irmãs.

A abertura apresentava uma fotonovela em que os créditos do elenco vinham dentro dos balões de diálogo (muito parecida com a abertura da novela Uga Uga). Pejorativamente – e referenciando a personagem de Arlete Salles – acreditava-se na época que as revistas de fotonovelas eram a leitura preferida das empregadas domésticas. Sem Lenço Sem Documento tinha outras histórias também, com destaque para os núcleos de Marco (Ney Latorraca) e Bilé (Ivan Setta) e das irmãs modelos Carla (Bruna Lombardi estreando como atriz) e Berta (Ana Helena).

Sem Lenço Sem Documento reverteu o padrão folhetinesco de então, desmerecendo uma história romântica com herói-mocinha-vilão para centrar-se nos dramas de gente comum. Mas pagou caro: a novela não fez sucesso na época.

Abertura da novela

Saiba mais sobre Sem Lenço Sem Documento no site Teledramaturgia.

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No Dia do Livro, relembre as obras literárias que inspiraram novelas e minisséries

Sônia Braga em "Gabriela" de Jorge Amado

23 de Abril é o Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor, data comemorativa instituída pela UNESCO em 1996, escolhida por ter sido o dia da morte dos escritores Miguel de Cervantes e William Shakespeare, no ano de 1616.

A Teledramaturgia Brasileira (a exemplo do cinema mundial) sempre bebeu da literatura, inesgotável fonte de inspiração para os novelistas. Jorge Amado foi o escritor mais adaptado para a televisão. O romance Gabriela Cravo e Canela rendeu uma das novelas mais marcantes da história da TV, adaptada por Walter George Durst em 1975, com Sônia Braga no papel-título. Para este ano de 2012, a Globo prepara uma nova adaptação do romance, escrita por Walcyr Carrasco, com Juliana Paes.

Além de Gabriela, Tieta do Agreste virou a novela Tieta (1989-1990), com Betty Faria, e Tereza Batista Cansada de Guerra, a minissérie Tereza Batista (1992) com Patrícia França. Dona Flor e Seus Dois Maridos foi um sucesso do cinema nacional em 1976, com Sônia Braga, e virou minissérie, em 1998, com Giulia Gam. Também Terras do Sem Fim (novela em 1981, baseada nos romances Terras do Sem Fim, Cacau e São Jorge dos Ilhéus), Tenda dos Milagres (minissérie em 1985), Capitães da Areia (minissérie em 1989), Tocaia Grande (novela em 1995-1996), Porto dos Milagres (novela em 2001, baseada nos romances Mar Morto e A Descoberta da América pelos Turcos), e Pastores da Noite (série, em 2002).

Claudio Marzo e Norma Blum em "Senhora" de José de Alencar

Até 1975, o horário das 18 horas da Globo ainda não era uma tradicional faixa de novelas. Com o núcleo de dramaturgia comandado pelo diretor Herval Rossano a partir daquele ano, o horário das seis passou a apresentar novelas num projeto da emissora de adaptar obras da literatura brasileira. Entre 1975 e 1982 foi ao ar um total de vinte produções – a maioria de época. A ideia foi aplaudida pelo público e discutida nas escolas, que propunham aos alunos a leitura das obras adaptadas, seja para comparar com o original, ou para saber o desfecho delas – o que alavancou sensivelmente a venda dos livros adaptados. Foi nesse período que Benedito Ruy Barbosa e Manoel Carlos estrearam na Globo, enquanto Gilberto Braga teve grande destaque com suas adaptações literárias, sendo alçado em seguida ao horário nobre (às oito da noite).

Os maiores sucessos desta fase foram: Helena (de Machado de Assis), Senhora (de José de Alencar), A Moreninha (de Joaquim Manuel de Macedo), O Feijão e o Sonho (de Orígenes Lessa), Escrava Isaura (de Bernardo Guimarães), Dona Xepa (de Pedro Bloch), Maria Maria (baseada no romance Maria Dusá de Lindolfo Rocha), A Sucessora (de Carolina Nabuco), Cabocla (de Ribeiro Couto) e Ciranda de Pedra (de Lygia Fagundes Telles).

Curiosamente, até Nelson Rodrigues foi adaptado para o horário das seis: O Homem Proibido virou novela em 1982. Mas o resultado final pouco teve a ver com o livro do “Anjo Pornográfico”, já que o horário quase nada permitia da obra do autor. Nelson pôde ser mais bem aproveitado em outras produções, como nas minisséries Meu Destino É Pecar (1984) e Engraçadinha (1995), e na série A Vida Como Ela É (1996).

Alessandra Negrini e Paulo Betti em "Engraçadinha" de Nelson Rodrigues

Entre 1981 e 1982, a TV Cultura de São Paulo produziu uma série de 17 adaptações de obras da literatura brasileira, chamadas de Tele Romances, como Floradas na Serra (de Dinah Silveira de Queiroz), O Resto é Silêncio e Música ao Longe (de Érico Veríssimo), Casa de Pensão (de Aluísio Azevedo), O Coronel e o Lobisomem (de José Cândido de Carvalho), O Tronco do Ipê (de José de Alencar), Iaiá Garcia (de Machado de Assis), entre outros. A Cultura chegou a promover um concurso literário, incentivando o público a comparar as obras adaptadas com seus originais.

Érico Veríssimo foi outro escritor bastante adaptado para a TV. Além dos Tele Romances O Resto é Silêncio e Música ao Longe: a novela Olhai os Lírios do Campo (1980) e as minisséries O Tempo e o Vento (1985) e Incidente em Antares (1994).

A dramaturgia inspirada na literatura movimenta as livrarias. Um livro, quando adaptado para a TV, tem um aumento siginificativo em suas vendas. O romance A Casa das Sete Mulheres, de Letícia Wierzchowski, havia vendido menos de 13 mil exemplares até ser transformando em minissérie (em 2003), quando ultrapassou os 30 mil em apenas três semanas. A adaptação que Manoel Carlos fez do romance Maria Dusá, de Lindolfo Rocha, – a novela Maria Maria (1978) – tirou o autor e sua principal obra do ostracismo em que se achavam desde o início do século passado.

A Teledramaturgia também tem o mérito de divulgar a literatura brasileira no exterior. A sucesso mundial da novela Escrava Isaura tornou o romance de Bernardo Guimarães conhecido no mundo todo.

Tarcísio Meira em "O Tempo e o Vento" de Érico Veríssimo

O romance Senhora, de José de Alencar, foi um dos mais adaptados para a televisão. Nos tempos da TV ao vivo, e quando a telenovela ainda não era diária, a história foi apresentada pelo menos quatro vezes, por emissoras diferentes. Entre 1971 e 1972, a Tupi produziu uma versão contemporânea: O Preço de um Homem. Na Globo, em 1975, Gilberto Braga foi fiel ao livro, na versão com Norma Blum. Na Record, em 2005, a novela Essas Mulheres apresentou uma nova adaptação de Senhora, somada a dois outros livros de José de Alencar: Lucíola e Diva.

"Éramos Seis" de Maria José Dupré

A Moreninha, romance de Joaquim Manuel de Macedo, também já teve várias adaptações para a TV: três vezes quando as novelas não eram diárias; em 1965, pela Globo, com Marília Pêra; e em 1975, novamente na Globo, com Nívea Maria. Helena, de Machado de Assis: três vezes quando as novelas não eram diárias; em 1975, pela Globo, com Lúcia Alves; e em 1987, na Manchete, com Luciana Braga.

O Sítio do Picapau Amarelo, da obra de Monteiro Lobato, já teve cinco produções diferentes: pela Tupi, de 1952 a 1962; pela Cultura, em 1964; pela Bandeirantes, em 1967; pela Globo, de 1977 a 1986; e novamente na Globo, de 2001 a 2007.

O romance Éramos Seis, de Maria José Dupré, teve quatro versões para a TV: na Record em 1958, com Gessy Fonseca; na Tupi em 1967, com Cleyde Yáconis; de novo na Tupi, em 1977, com Nicette Bruno; e no SBT em 1994, com Irene Ravache.

O best-seller O Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos, foi produzido para a televisão três vezes: em 1970, por Ivani Ribeiro, para a Tupi; em 1980, na Bandeirantes, num remake da novela da Tupi, de Ivani Ribeiro; e novamente na Band, em 1998-1999, numa nova adaptação, de Ana Maria Moretzsohn.

Estes são alguns dos escritores e livros mais adaptados para a televisão. Tomar um romance e transformá-lo em novela ou minissérie, não é uma tarefa fácil. Às vezes o livro não rende um produto para a TV e o adaptador precisa mudar muita coisa. Outras vezes, ele apenas se baseia no mote central do livro, e cria uma nova história, que ao final, pouco tem a ver com o que está na obra original. Afinal, as obras literárias servem de inspiração para novas histórias e ajustes devem ser feitos, já que a televisão é um veículo muito diferente do livro em si.

Cite outras obras literárias transformadas em novelas ou minisséries!

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