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“Êta Mundo Bom!” ofereceu entretenimento descompromissado e despretensioso
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Nilson Xavier

Flávia Alessandra, Camila Queiroz, Elizabeth Savalla, Sérgio Guizé (Foto: Divulgação/TV Globo)

Flávia Alessandra, Camila Queiroz, Elizabeth Savalla, Sérgio Guizé (Foto: Divulgação/TV Globo)

A sensação de desligar-se do mundo real no fim do dia para se divertir com uma história simples e otimista, e relaxar a cabeça sem precisar pensar muito – premissa que se aplica a “Êta Mundo Bom!”, a novela das seis que terminou nesta sexta, 26/08. Talvez, esta seja a principal explicação para seu sucesso, digamos, notável. “Êta Mundo Bom!” fecha com uma média final no Ibope da Grande SP de 27 pontos, a maior desde 2007. Nesse momento de crise (nacional, mundial, política, econômica, social), talvez tenha sido mesmo o melhor escapismo, depois da Rio 2016.

Êta Mundo Bom!” une-se a outros sucessos de Walcyr Carrasco no horário das seis da Globo: “O Cravo e a Rosa” (2000-2001), “Chocolate com Pimenta” (2003-2004), e “Alma Gêmea” (2005-2006) – as duas últimas, com o mesmo diretor geral, Jorge Fernando. Como não poderia ser diferente, reconhecemos na novela que acabou muitos elementos das anteriores: melodrama, maniqueísmo, humor inocente e/ou pastelão, vilões terríveis, núcleo na fazenda com caipiras, bichinhos de estimação, casamentos desfeitos no altar, torta na cara, personagens arremessados no chiqueiro.

Muitos diriam que é “mais do mesmo” de Walcyr Carrasco. Pode até ser. Mas mesmo usando elementos já fartamente explorados, o autor é famoso pela carpintaria e competência em conduzir tramas e personagens irresistíveis ao seu público sem fazê-lo perder o interesse na história. Prova disso é que “Êta Mundo Bom!” não teve barriga e sempre havia algum acontecimento importante em cada capítulo. Outra prova: Carrasco é o novelista mais trabalhador da Globo. Desde que se estabeleceu na emissora, em 2000, escreveu 11 novelas, a maioria sucessos, número muito superior ao de seus colegas.

O tom brejeiro e inocente do núcleo da fazenda agradou em cheio o público, graças a personagens cativantes, de sotaque caipira com português errado, em situações pueris e engraçadas (como as referências ao “cegonho” e sua função no casamento). O mérito não é só do autor, mas também da direção e do afinado elenco. Sérgio Guizé, Elizabeth Savalla, Ary Fontoura, Camila Queiroz, Rosi Campos, Anderson Di Rizzi, Dhu Moraes e Flávio Migliaccio deram um show.

Do outro lado, o núcleo da cidade, em que o português culto na boca dos personagens firmou-se como uma assinatura do autor, com grande destaque para as atuações de Marco Nanini, Eliane Giardini, Bianca Bin, Flávia Alessandra e Ana Lúcia Torre. Entre eles, Débora Nascimento, como Filomena, a que era para ter sido a principal personagem feminina da trama, passeou entre o sotaque caipira e o português culto sem obter sucesso, comprometendo a mocinha da novela.

Leia também, Maurício Stycer: “Êta Mundo Bom promoveu esperança em tempos de crise e desencanto“.

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Núcleo da fazenda (Foto: Artur Meninea/Gshow)

Núcleo da fazenda (Foto: Artur Meninea/Gshow)


“Justiça” oferece forma e conteúdo poucas vezes vistos na televisão
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Nilson Xavier

Jesuíta Barbosa e Marina Ruy Barbosa (Foto? Estevam Avellar/TV Globo)

Jesuíta Barbosa e Marina Ruy Barbosa (Foto: Estevam Avellar/TV Globo)

Um crime passional é a primeira história apresentada na minissérie “Justiça”, que a Globo estreou nesta segunda-feira (22/08). O fato gerador da trama é o assassinato da jovem Isabela (Marina Ruy Barbosa) pelo namorado, Vicente (Jesuíta Barbosa). “Justiça” não trata do tema pelo viés da lei. Vai além: a minissérie aborda a questão sob a ótica subjetiva, não contemplada pela lógica da “lei dos homens”.

Vicente cumpriu a sua pena (sete anos). Porém, para a mãe da vítima, Elisa (Débora Bloch), a justiça seria realmente feita se ele tivesse o mesmo destino da filha: a morte. Elisa é questionada: “você quer vingança, não quer justiça!'' O ápice é quando Elisa, sedenta por “justiça pelas próprias mãos'', se depara com Vicente em meio a uma família que ela desconhecia. Durante os sete anos preso, ele refez sua vida, agora tem mulher e uma filha.

Esta é a primeira de quatro histórias que a Globo apresenta durante cinco semanas, sendo que cada dia da semana (com exceção das quartas-feiras) é dedicado a uma delas. O drama de Elisa (às segundas) tem continuidade na semana que vem. Terça é o dia de Fátima (Adriana Esteves) – não por acaso, a empregada de Elisa.

Justiça” cruza os personagens de tramas diferentes. Fátima apareceu rapidamente nessa segunda-feira, tem sua trama desenvolvida às terças, mas poderá dar o ar da graça às quintas e sextas. A cena em que Fátima aparece na sala de Elisa (fica sabendo pela televisão de um incidente no trabalho de seu marido) é vista pelo telespectador novamente na terça, porque também faz parte da história da doméstica. Mas é vista sob o ângulo de sua personagem e no que esse fato isolado lhe afeta, dentro de sua história.

Justiça” oferece ao público forma e conteúdo, se não inéditos, poucas vezes vistos na TV aberta brasileira – o roteiro é assinado por Manuela Dias (de “Ligações Perigosas”). A abordagem é realista – Recife é o cenário principal e une todas as histórias. A câmera persegue os atores, a luz e as tomadas são cinematográficas. A direção artística é de José Luiz Villamarim, consagrado por trabalhos como “Amores Roubados”, “Avenida Brasil”, “O Canto da Sereia”, “O Rebu” e outros.

Mas o ponto alto é mesmo a interpretação dos atores. Villamarim afirmou em entrevista que a escalação do elenco com grandes nomes foi proposital. Afinal, o texto requer estofo de seus intérpretes. Nesse primeiro episódio, vimos grandes atuações de Jesuíta Barbosa, Débora Bloch e Marina Ruy Barbosa, intensos e completamente entregues aos seus personagens, tão humanos quanto complexos. Condizentes com a proposta da minissérie.

Numa ação inédita, a Globo Play (plataforma on demand) já disponibilizou a primeira semana inteira de “Justiça” antes de passar na televisão. Nessa terça-feira, tem show de interpretação de Adriana Esteves, num episódio tão bom quanto o primeiro.

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Jesuíta Barbosa / Adriana Esteves (Foto: Ellen Soares/Gshow)

Jesuíta Barbosa / Adriana Esteves (Foto: Ellen Soares/Gshow)


SBT acerta ao exibir um estilo de novela indiferente à qualidade da Globo
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Nilson Xavier

Ricardo Blat e Ana Rosa em anúncio da primeira novela do SBT: "Destino"

Ricardo Blat e Ana Rosa em anúncio da primeira novela do SBT: “Destino''

O público cativo do SBT já sabe o que esperar de suas novelas. Quanto mais melodrama, melhor. Isso vale, inclusive, para as produções infantis atuais. A fórmula vem das novelas importadas, principalmente das mexicanas, que sempre encontraram na emissora uma resposta satisfatória de seu público.

Evitando imitar a Globo, o SBT, na maior parte de sua trajetória, nunca se preocupou com o fato de permanecer aquém da qualidade de sua concorrente, fazendo valer assim a filosofia da “liderança absoluta do segundo lugar''. Inovar para quê? Pelo contrário: quando começou a fazer novelas, deu um passo atrás diante da teledramaturgia que se fazia no país, voltando aos padrões dos anos 1960, quando a telenovela brasileira ainda não tinha uma cara própria e estava presa ao ranço dos dramalhões latinos.

A dramaturgia do SBT passou por algumas fases nesses 35 anos. Na primeira delas, entre 1982 e 1983, o público recebeu uma opção diferenciada de novelas. “Os folhetins centralizavam a ação em poucos personagens, abolindo tramas paralelas. Era um retrocesso na Teledramaturgia Brasileira. Só que a emissora de Silvio Santos acertava num dado: oferecer um estilo opcional de novela, indiferente à qualidade das produções da Globo – textos importados, apenas traduzidos, tramas unificadas e poucos capítulos. Assim, evitava-se fazer imitações, como muitas vezes acontecera sem sucesso na Tupi e na Bandeirantes.'' (Ismael Fernandes em “Memória da Telenovela Brasileira'')

“Desta forma, ao mesmo tempo que retomava o esquema que lançou a telenovela brasileira nos anos 1960, o SBT apresentou uma atração sob medida à sua filosofia popularesca.'' Em seus dois primeiros anos, a emissora levou ao ar 12 títulos seguindo essa fórmula, todas adaptações de novelas mexicanas: “Destino”, “A Força do Amor”, “A Leoa”, “Conflito”, “Sombras do Passado”, “Acorrentada”, “A Ponte do Amor”, “A Justiça de Deus”, “Pecado de Amor”, “Razão de Viver”, “O Anjo Maldito” e “Vida Roubada”. Eram produções pobres, com elenco enxuto e poucos atores conhecidos. E nunca chegaram aos dois dígitos de audiência. Estava claro que, com essas novelas, a emissora  não tinha a pretensão de ser líder no Ibope.

Anúncio de "Éramos Seis" / Regiane Alves e Marcos Damigo em "Fascinação"

Anúncio de “Éramos Seis'' / Regiane Alves e Marcos Damigo em “Fascinação''

A segunda fase (entre 1984 e 1991) marca um hiato entre a primeira e a terceira fases, com pouca produção própria de dramaturgia, irregular e sem um padrão definido.  Em oito anos, o SBT apresentou apenas seis novelas brasileiras: “Meus Filhos, Minha Vida”, “Jerônimo”, “Jogo do Amor”, “Uma Esperança no Ar”, “Cortina de Vidro” (a primeira de Walcyr Carrasco), e “Brasileiras e Brasileiros” (passagem do diretor Walter Avancini pelo SBT). Mas já não eram mais adaptações de melodramas “xicanos'', e sim textos nacionais.

A terceira fase é considerada a melhor e a mais rica da dramaturgia do SBT. Ela vem com a contratação do diretor Nilton Travesso, que leva para a emissora vários profissionais da Globo, entre técnicos e atores. Vai de 1994 a 1997, somando oito produções: “Éramos Seis”, “As Pupilas do Senhor Reitor”, “Sangue do Meu Sangue”, “Razão de Viver” e “Os Ossos do Barão” (com direção de Travesso), e “Colégio Brasil”, “Antônio Alves, Taxista” e “Dona Anja” (produções terceirizadas).

Com investimento em cenografia, arte, figurinos e elenco, Nilton Travesso começou adaptando antigas novelas brasileiras de sucesso, em excelentes produções de época, comparáveis às da Globo, alcançando bons resultados no Ibope das três primeiras (“Éramos Seis”, “As Pupilas do Senhor Reitor” e “Sangue do Meu Sangue”). Com a queda da audiência ao longo do tempo, Silvio Santos desistiu de dar continuidade ao trabalho de Travesso e voltou a investir em melodramas importados.

Elenco de "Chiquititas" dos anos 90 / Anúncio de "Carrossel" atual

Elenco de “Chiquititas'' dos anos 90 / Anúncio de “Carrossel'' atual

Animado com o sucesso da trilogia das Marias – “Maria Mercedes”, “Marimar” e “Maria do Bairro”, novelas mexicanas estreladas pela cantora Thalía, exibidas entre 1996 e 1997 – Silvio Santos se voltou novamente às adaptações de importadas, e apresentou, entre 1997 e 2001, quatro títulos: “Chiquititas”, “Fascinação”, “Pérola Negra” e “O Direito de Nascer”. Destas, apenas “Fascinação” não era uma adaptação, mas um texto original de Walcyr Carrasco. Chiquititas, uma coprodução do SBT com a emissora argentina Telefé, virou uma febre e ficou no ar entre 1997 e 2001, somando cinco temporadas.

Em 2001, o SBT assinou um contrato com a mexicana Televisa para a produção e adaptação de suas novelas no Brasil. Começou uma nova fase, que se estendeu até 2008, somando 12 títulos: “Pícara Sonhadora”, “Amor e Ódio”, “Marisol”, “Pequena Travessa”, “Jamais Te Esquecerei”, “Canavial de Paixões”, “Seus Olhos”, “Esmeralda”, “Os Ricos Também Choram”, “Cristal”, “Maria Esperança” e “Amigas e Rivais”. Destas, pelo menos “Canavial de Paixões” e “Esmeralda” alcançaram um êxito relevante.

Em 2008, teve início a “Era Íris Abravanel”. A mulher de Silvio Santos se lançou na roteirização de novelas. O primeiro título foi “Revelação”, a única original. A seguinte, “Vende-se um Véu de Noiva”, era baseada numa radionovela de Janete Clair – o SBT comprou 30 textos radiofônicos da autora, mas só adaptou este. Seguiram-se “Corações Feridos” e as infantis “Carrossel”, “Chiquititas” e a atual “Cúmplices de um Resgate” – todas adaptações. Em 2010, o novelista Tiago Santiago, recém saído da Record, foi contratado e escreveu duas novelas: “Uma Rosa com Amor” e “Amor e Revolução'' – esta última, mais lembrada por uma cena de beijo entre duas mulheres.

Anúncio de "Canavial de Paixões"

Anúncio de “Canavial de Paixões''

Com “Carrossel”, em 2012, o SBT descobriu um filão rentável e sem previsão de se esgotar: a novela infantil para a família. Um fenômeno de audiência para os padrões da emissora (sempre acima dos 10 pontos no Ibope), a novelinha a colocou em segundo lugar no horário nobre, desbancando a Record na época. Esta repercussão refletia a carência de programação infantil no prime-time da TV aberta brasileira. “Carrossel” conseguiu atrair um público que estava nos canais pagos ou até mesmo longe da televisão. O SBT não teve dúvida e, após esse êxito, continuou investindo em remakes de tramas infantis importadas, com a volta de “Chiquititas'' (em uma nova versão) e “Cúmplices de um Resgate“. E vem aí “Carinha de Anjo”!

Frente este quadro histórico, pode-se concluir que a referência maior para as novelas do SBT são as “xicanas''. Produções mais simples, quando comparadas às da Globo, mas que têm em sua essência o folhetim mais puro, que mexe com as emoções básicas do ser humano. Há 35 anos elas estão na grade da emissora. A primeira, “Os Ricos Também Choram” (1982), foi um sucesso da época. Seguiram-se outros êxitos que povoam a memória afetiva dos fãs do SBT: “Chispita”, “Amor Cigano”, “Estranho Poder“, “Viviana, em Busca do Amor“, “Rosa Selvagem”, “Carrossel”, “Ambição”, “A Estranha Dama”, “Maria Mercedes”, “Marimar”, “Maria do Bairro”, “A Usurpadora”, ”O Privilégio de Amar”, “Kassandra“, “A Mentira”, “Esmeralda”, “Café com Aroma de Mulher”, “Rosalinda”, “A Outra”, “A Madrasta”, “Rubi”, “Rebelde”, “A Feia Mais Bela” e outras.

AQUI tem a relação completa das novelas brasileiras do SBT, com elenco, curiosidades, trilhas  e mais.

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mexicanasEstrelas mexicanas do SBT: Verônica Castro (de “Os Ricos Também Choram'' e “Rosa Selvagem''), Thalía (da trilogia das Marias) e Gabriela Spanic de “A Usurpadora''


Quem se destacou e quem ficou devendo no elenco de “Êta Mundo Bom”
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Nilson Xavier

Flávia Alessandra, com Eriberto Leão (Foto: Divulgação/TV Globo)

Flávia Alessandra, com Eriberto Leão (Foto: Divulgação/TV Globo)

Confesso que, no início de “Êta Mundo Bom”, estranhei muito a interpretação de alguns atores. Passados sete meses, faltando duas semanas para o término da novela, revejo minhas críticas iniciais a Flávia Alessandra, Tarcísio Filho, Priscila Fantin e Rainer Cadete e os parabenizo pelo trabalho na novela. Fui ludibriado pelo texto rebuscado de Walcyr Carrasco. Não é fácil proferir cada palavra que o autor põe na boca de seus personagens.

Carrasco é um mestre na carpintaria da telenovela, na forma com que prende seu público através de tramas e personagens cativantes, muitas vezes abrindo mão do realismo e lançando-se ao maniqueísmo para estimular os sentimentos mais básicos do telespectador. Mas seu texto não surtiria efeito não fosse o elenco afinado com sua proposta. Além da direção (que faz valer as intenções do autor) e da produção competentes, pergunto o que seria de “Êta Mundo Bom” não fosse seu elenco.

O autor optou por dois tipos de interpretação. Os caipiras que falam errado (a maioria no núcleo da fazenda) – com o preciosismo de cada personagem ter sua forma própria de falar, com uma prosódia diferente, por exemplo. E os personagens, digamos, da cidade, que falam um português corretíssimo – com o uso farto do verbo “haver” (“Eu hei de conseguir”) e o verbo no infinitivo em substituição ao gerúndio (“O que está a fazer?” “Estou a ler!”).

Entre os atores com personagens caipiras, todos os aplausos para Sérgio Guizé (Candinho), Elizabeth Savalla (Cunegundes), Ary Fontoura (Quinzinho), Flávio Migliaccio (Josias), Rosi Campos (Eponina), Camila Queiroz (Mafalda), Anderson Di Rizzi (Zé dos Porcos) e Dhu Moraes (Manuela). Dos que falam o português culto de Walcyr Carrasco, elogios a Marco Nanini (Pancrácio/Pandolfo), Eliane Giardini (Anastácia), Flávia Alessandra (Sandra), Bianca Bin (Maria), Rainer Cadete (Celso), Arthur Aguiar (Osório) e Ana Lúcia Torre (Camélia).

Rever uma crítica após o susto inicial é um ótimo exercício. Para o bem e para o mal: depois de sete meses de novela, não tem como defender as interpretações de Débora Nascimento (a mocinha Filomena, que definitivamente não funcionou, nem com sotaque caipira, muito menos sem sotaque caipira), Eriberto Leão (Ernesto, o vilão canastrão, de expressão, entonação e trejeitos lineares, sem nuances) e Giovanna Grigio (Jerusa, a garota doente mais inexpressiva das novelas).

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Ary Fontoura e Elizabeth Savalla (Foto: Divulgação/TV Globo)

Ary Fontoura e Elizabeth Savalla (Foto: Divulgação/TV Globo)


“Justiça”: entenda a narrativa da nova minissérie da Globo
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Nilson Xavier

Jesuíta Barbosa, Adriana Esteves, Jéssica Ellen e Cauã Reymond (Foto: Divulgação/TV Globo)

Jesuíta Barbosa, Adriana Esteves, Jéssica Ellen e Cauã Reymond (Foto: Divulgação/TV Globo)

Lembra que na série “Sessão de Terapia” cada dia da semana era dedicado a um paciente? Se você quisesse saber a continuação de seu drama, teria que esperar a semana seguinte. A minissérie “Justiça” – que a Globo estreia no da 22 após “Velho Chico” – é mais ou menos assim. A cada dia da semana, “Justiça” conta uma história diferente em que um personagem é condenado a sete anos de prisão e tem sua vida transformada ao sair da cadeia: Vicente (Jesuíta Barbosa) às segundas-feiras, Fátima (Adriana Esteves) às terças, Rose (Jéssica Ellen) às quintas e Maurício (Cauã Reymond) às sextas (quarta-feira o programa não será exibido). No total, serão 20 capítulos em cinco semanas.

A diferença é que as histórias desses personagens se cruzam (em “Sessão de Terapia”, as histórias eram totalmente independentes). Fátima, a protagonista das terças, trabalha como doméstica na casa de Elisa (Débora Bloch), cuja filha foi assassinada por Vicente – a trama das segundas. Ou seja, Fátima também aparece às segundas como coadjuvante, ou figurante, ou uma personagem aparentemente sem importância. E ainda pode aparecer nos outros dias (pode simplesmente surgir no fundo de alguma cena), já que, em algum momento, ela poderá se relacionar com personagens das outras histórias.

O maior diferencial com “Sessão de Terapia”, no entanto, está no fato de esses cruzamentos serem importantes para as histórias dos outros dias. Exemplo hipotético: às segundas, numa cena corriqueira na trama de Vicente, Fátima poderá dar uma dica para o público de algo a respeito de sua história (a da terça). E o mais sensacional: o telespectador vai rever aquela cena no dia seguinte, mas sob o ângulo de Fátima, já que a trama principal agora é a dela e o núcleo de Vicente ficou em segundo plano.

Em “Sessão de Terapia”, o protagonista de cada dia da semana era independente dos outros. Você podia, sem prejuízo algum, acompanhar exclusivamente a história das segundas-feiras, por exemplo. Em “Justiça”, é aconselhável assistir todos os dias da semana, para uma visão sistêmica e um entendimento mais amplo desse emaranhado de histórias. A autora Manuela Dias e o diretor artístico José Luiz Villamarim propõe ao público um exercício de atenção e percepção – diferente da reiteração das novelas, em que o telespectador recebe a mesma história repetida e mastigada todos os dias.

“A ideia é fazer do formato um atrativo e não uma dificuldade. A cada dia, a cada cena conjunta que une personagens das quatro tramas, o público vai ganhar um presente: uma mesma situação será vista por vários pontos de vista. E a cada repetição de cena, o público vai perceber algum detalhe novo”, explicou Villamarim (também diretor das novelas “Avenida Brasil'' e “O Rebu'' e das minisséries “O Canto da Sereia'' e “Amores Roubados“).

O diretor José Luiz Villamarim e a autora Manuela Dias no lançamento da minissérie (Foto: Ellen Soares/Gshow)

O diretor José Luiz Villamarim e a autora Manuela Dias no lançamento da minissérie (Foto: Ellen Soares/Gshow)

A justiça a que se refere a minissérie não é a formal, legal, com julgamento ou tribunal. “Justiça” trata da visão pessoal e subjetiva do tema, abordando perdão, vingança e arrependimento. Vicente matou a namorada e cumpriu sua pena. Mas, para a mãe da vítima, a justiça seria realmente feita se ele também morresse. Fátima é vítima: foi presa portando drogas através da armação de um policial mau caráter. A prisão injusta desestruturou sua família. Rose foi pega com drogas juntamente com sua melhor amiga, Débora (Luísa Arraes). Acabou condenada porque era negra e pobre, diferente de Débora, branca e rica, que foi liberada. Maurício foi preso porque cometeu eutanásia contra a mulher, vítima de um acidente que a deixou tetraplégica. Mas ele acatou a um pedido dela, para abreviar seu sofrimento. Ao sair da cadeia, ele vai se vingar do homem que atropelou sua esposa sem prestar-lhe socorro.

A cada dia, essas histórias são narradas sob o ponto de vista de seus protagonistas. Entretanto, ao cruzarem com personagens dos outros dias, essas visões ganham novas perspectivas, porque serão vistas posteriormente sob o ponto de vista de outros personagens. Elisa (Débora Bloch) é patroa de Fátima, a doméstica simplória que tem seu caminho tranquilo transformado pelo policial Douglas (Enrique Diaz). Ele é o policial preconceituoso que prende Rose, sob a acusação de tráfico de drogas. Desde antes da prisão que mudou radicalmente sua vida, Rose namora Celso (Vladimir Brichta), dono de um quiosque e sócio de Maurício. Este, por sua vez, trabalha para Euclydes (Luiz Carlos Vasconcellos), que é sócio de Antenor (Antonio Calloni), o homem que, em fuga, atropela a esposa de Maurício, Beatriz (Marjorie Estiano), deixando-a tetraplégica. Euclydes é pai de Vicente, que, num ataque de ciúmes, matou a noiva, Isabela (Marina Ruy Barbosa), filha de Elisa.

“Nessa minissérie, forma é conteúdo. A ideia do formato e a ideia das histórias nasceram juntas. O que é justo depende do ponto de vista em que vemos a questão. Por isso, contar a história sob diversos pontos de vista é uma questão estrutural que explora o conteúdo trazendo uma nova forma narrativa”, disse Manuela Dias (também autora da minissérie “Ligações Perigosas“).

AQUI tem tudo sobre “Justiça”: as tramas de cada dia, elenco completo e curiosidades.

Leia também, Maurício Stycer: “Com formato incomum na TV Brasileira, 'Justiça' quer reeducar fã de novela

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Jesuíta Barbosa, Adriana Esteves, Jéssica Ellen e Cauã Reymond (Foto: Ellen Soares/Gshow)

Jesuíta Barbosa, Adriana Esteves, Jéssica Ellen e Cauã Reymond (Foto: Ellen Soares/Gshow)


O pecado de “Liberdade Liberdade” foi deixar o melhor para a reta final
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Nilson Xavier

Joaquina (Andreia Horta) vai á forca (Foto: Divulgação/TV Globo)

Joaquina (Andreia Horta) vai à forca (Foto: Divulgação/TV Globo)

Se “Liberdade Liberdade” tivesse começado no ritmo que terminou, certamente sua audiência e repercussão teriam sido melhores. A novela das onze da Globo – escrita por Mário Teixeira com direção artística de Vinícius Coimbra – teve seu último capítulo exibido nessa quinta-feira (04/08) fechando uma média geral de 18 pontos no Ibope da Grande São Paulo, dois pontos a menos que a atração do ano passado, “Verdades Secretas” (que conquistou o grande público desde o início, tornando-se o maior sucesso entre as novelas das 23h desde que a Globo implantou a faixa, em 2011). Sob este prisma, o pecado de “Liberdade Liberdade” foi justamente ter deixado o melhor para o final.

A novela brindou o público com produção e direção de arte esmeradas que retrataram sem maquiagens Vila Rica (atual Ouro Preto, Minas Gerais) entre o final do século 18 e início do 19. A fotografia escura tonificou a aparência encardida de cenários, figurinos e atores, impregnando um realismo poucas vezes visto em produções de época na TV brasileira (compare com “Escrava Mãe”, da Record, que abrange o mesmo período).

As maiores qualidades de “Liberdade Liberdade” estão na produção e direção (elogios à equipe técnica de Vinícius Coimbra), e no elenco. Uma galeria de personagens cativantes na pele de atores em sintonia com a narrativa, com destaque para Mateus Solano (como o vilão Rubião), Marco Ricca (o bandoleiro Mão de Luva, um de seus melhores momentos na televisão), Maitê Proença (a amarga Dionísia), Lília Cabral (a sofrida Virgínia), Zezé Polessa (a comedida Ascenção), Nathalia Dill (a mimada Branca), Juliana Carneiro da Cunha (como Alexandra, precisamos vê-la mais na televisão), Caio Blat (na medida certa como o sensível André, fugindo da caricatura do “gay de época”) e Ricardo Pereira (como o Capitão Tolentino).

Mateus Solano e Andreia Horta (Foto: Felipe Monteiro/Gshow)

Mateus Solano e Andreia Horta (Foto: Felipe Monteiro/Gshow)

Andreia Horta também desenvolveu um bom trabalho como a heroína Joaquina/Rosa Raposo. Heroína não, mocinha! Aqui cabe uma crítica à personagem (não à atriz). A novela vendeu Joaquina, a filha de Tiradentes, como uma espécie de grande revolucionária. Mas o que se viu na maior parte da trama foi pouca luta (logo, pouco foco na História) e uma mocinha de melodrama que sucumbiu às armadilhas e à gratidão por Rubião (Mateus Solano), caindo muito facilmente em sua rede, assim pouco condizente com o perfil de heroína. Andreia Horta fez o que pôde, mas Joaquina/Rosa poderia ter sido bem mais, em concordância com a proposta inicial da novela.

Como escrevi recentemente (AQUI), “Liberdade Liberdade” começou bem, porém modorrenta e levou um tempo até se estabelecer – chamei o roteiro de enviesado. A luta pela Independência serviu apenas de pano de fundo a uma trama que andou em círculos e que, ao final, conclui-se: poderia ter se passado em qualquer época e lugar. Vale lembrar que esse não era um projeto de Mário Teixeira. O novelista (recém saído de “I Love Paraisópolis”, uma comédia das sete) foi convocado para tocar algo que estava em andamento (a autora original, Márcia Prates, foi afastada porque a emissora não estava satisfeita com o que ela vinha apresentando).

Independentemente do roteiro enviesado até mais de sua metade, a novela apresentou uma reta final de perder o fôlego. Ainda que o autor tenha apelado para cenas de violência física para chamar a atenção do público (enforcamento, emparedamento, membro decepado, olho arrancado, veja a relação AQUI), tudo coube na proposta da novela e no horário de exibição. A primeira cena de sexo entre dois homens (André e Tolentino) marcou pelo ineditismo. A abordagem do drama de André mostrou que o sonho de liberdade que se propôs a novela foi bem além do jugo da Coroa Portuguesa.

Leia também, Maurício Stycer: “Sem sexo e violência, Liberdade Liberdade seria uma novela das 18h“.

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Ricardo Pereira e Caio Blat (Foto: Felipe Monteiro/Gshow)

Ricardo Pereira e Caio Blat (Foto: Felipe Monteiro/Gshow)


Globo bate recordes de audiência em seu horário nobre
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Nilson Xavier

André (Caio Blat) na forca (Foto: Felipe Monteiro/Gshow)

André (Caio Blat) na forca (Foto: Felipe Monteiro/Gshow)

A Globo bateu recordes de audiência em São Paulo e Rio de Janeiro durante seu horário nobre nesta terça-feira, 02/08. O último capítulo de “Malhação, Seu Lugar no Mundo” obteve 26 pontos na Grande São Paulo, e 42% de participação. Desde 2011, a série não registrava índice maior ou igual a 26 pontos na capital paulista.

O último episódio desta temporada de “Mister Brau” também liderou em SP: o seriado atingiu recorde da temporada 2016 com 24 pontos e 37% participação. O penúltimo capítulo de “Liberdade Liberdade”, que foi ao ar nesta terça-feira, alcançou recorde da novela às terças na cidade, com 22 pontos e 38% de participação.

O capítulo de “Anjo Mau” (no “Vale a Pena Ver de Novo”) foi recorde da novela com 20 pontos e 35% de participação. Em seguida, “Eta Mundo Bom” igualou o recorde da novela com 34 pontos e 51% de participação. E “Haja Coração” igualou o recorde da novela com 31 pontos e 44% de participação.

Os Braun adotam crianças (Foto: Divulgação/TV Globo)

Os Brau adotam crianças (Foto: Divulgação/TV Globo)

Enquanto isso, no Rio de Janeiro não foi diferente. O último capítulo de “Malhação, Seu Lugar no Mundo” foi recorde com 33 pontos e 52% de participação. Desde 2009, a série não registrava índice maior ou igual a 33 pontos na cidade. É a maior média de último capítulo de “Malhação” no RJ desde 2006. O penúltimo capítulo de “Liberdade, Liberdade” alcançou recorde da novela às terças com 23 pontos e 39% de participação.

O capítulo de “Anjo Mau” igualou o recorde da novela no Rio, com 24 pontos e 43% de participação. Em seguida, “Eta Mundo Bom” foi recorde da novela às terças-feiras com 39 pontos e 58% de participação. E “Haja Coração” igualou o recorde da novela com 31 pontos e 44% de participação. “Velho Chico'' cravou 31 pontos no Ibope em São Paulo e 32 no Rio.

Malhação”, “Liberdade Liberdade” e “Mister Brau” também repercutiram nas redes sociais, principalmente no Twitter. O capítulo final dessa temporada de “Malhação” rendeu 54 mil depoimentos dos usuários enquanto a novelinha estava no ar, 980% acima da média de depoimentos da novela no último mês, sendo destaque também nos Trending Topics Brasil e Mundo. As hashtags que entraram nos TTs mundiais foram #Malhação, #EncontramosNossoLugarNoMundo, #UodsonEternizado e #Samurai.

Uodson (Lucas Lucco) e Alina (Pamela Tomé) (Foto: João Miguel Jr/TV Globo)

Uodson (Lucas Lucco) e Alina (Pamela Tomé) (Foto: João Miguel Jr/TV Globo)

Com a hashtag #MisterBrau, o seriado foi destaque nos Trending Topics Brasil e Mundo. Houve um crescimento de 162% no buzz. Foram mais de 2,3 mil depoimentos no Twitter. Os usuários comentaram principalmente que sentirão saudades da série e elogiaram Michele, personagem de Taís Araújo.

Liberdade Liberdade“ recebeu 43,2 mil depoimentos no Twitter ontem. A trama foi destaque nos Trending Topics com a hasgtag #LiberdadeLiberdade nos TTs Brasil e Mundo. A média de depoimentos da novela vem crescendo ainda mais nesta reta final, e sobre o capítulo de ontem houve um crescimento de 715% no buzz. A morte de André (Caio Blat) comoveu os usuários que replicaram sua frase “Se algum crime eu cometi foi ter amado”.


“Laços de Família” exibe um dos melhores barracos da história das novelas
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Nilson Xavier

Regiane Alves e Giovanna Antonelli (Foto: reprodução)

Regiane Alves e Giovanna Antonelli (Foto: reprodução)

O canal por assinatura Viva exibe nessa terça-feira um dos momentos mais aguardados da novela “Laços de Família”: a rancorosa Clara (Regiane Alves) arma um barraco homérico durante a festa de casamento de Camila e Edu (Carolina Dieckmann e Reynaldo Gianecchini) ao revelar que Capitu (Giovanna Antonelli) é prostituta, diante de todos, inclusive da família dela. A sequência foi originalmente exibida em novembro de 2000.

O autor, Manoel Carlos, costurou essa trama paralela de forma engenhosa e a cozinhou durante mais de cinco meses, guardando este ápice para quando a novela já era um sucesso absoluto. Não resta dúvida de que a sequência mais icônica de “Laços de Família” é Carolina Dieckmann tendo sua cabeça raspada ao som da música “Love By Grace” (que ainda não foi ao ar). Mas a revelação das atividades noturnas de Capitu, de forma tão – digamos – contundente, está entre os melhores barracos já armados pelo novelista em todos os seus trabalhos.

Para divulgar o capítulo nas redes sociais, o Viva criou a hashtag #BarracoDeFamiliaNoVIVA e um evento no Facebook: “Mega barraco no casamento de Edu e Camila” – se você quiser “comparecer”, veja AQUI.

Filha única de Paschoal (Leonardo Villar) e Ema (Walderez de Barros), Capitu escondia de todos que era garota de programa. Mãe solteira de um bebê, a bela se prostituía para sustentar a família e o filho. Era uma personagem “do bem”, querida pelo público, que passava uma aura de vítima das circunstâncias. Capitu foi o papel de Giovanna Antonelli que a fez alçar voos maiores – foi protagonista em sua novela seguinte, “O Clone”, tonando-se a mais nova estrela global.

Poucos personagens da novela sabiam do trabalho de Capitu (uma amiga, o pai de seu filho, o agenciador e alguns clientes). Capitu apaixonou-se por Fred (Luigi Barricelli), filho de sua vizinha Helena (Vera Fischer), irmão de Camila. Ele vivia um casamento em constante crise com a temperamental e ciumenta Clara (Regiane Alves). Com a separação, Fred se aproxima de Capitu, provocando a ira da ex-mulher. Ele ficou sabendo recentemente que ela fazia programas. No capítulo de segunda-feira (01/08), Clara ouviu uma conversa e descobriu tudo.

Luigi Barricelli e Giovanna Antonelli (Foto: CEDOC/TV Globo)

Luigi Barricelli e Giovanna Antonelli (Foto: CEDOC/TV Globo)

(SPOILER, apesar de se tratar de uma reprise)

Nesta terça-feira, Clara não resiste à felicidade estampada nos olhos de Capitu e Fred. Durante a festa de casamento da cunhada, no momento em que Capitu pega o buquê da noiva, Clara a ataca, primeiro lhe arrancando e destruindo o arranjo de flores, depois verbalmente. Fora de si, sobe ao palco e, de posse do microfone, faz a grande revelação. O capítulo termina aí e o barraco continua no dia seguinte, com direto a tapas na cara.

O Viva exibe “Laços de Família” hoje às 23h30, com reprise do capítulo no dia seguinte, às 13h30.

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Só agora “Liberdade Liberdade” exibe uma interessante trama histórica
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Nilson Xavier

Juliana Carneiro da Cunha (Alexandra) e Susana Ribeiro (Carlota Joaquina) (Foto: Felipe Monteiro/Gshow)

Juliana Carneiro da Cunha (Alexandra) e Susana Ribeiro (Carlota Joaquina) (Foto: Felipe Monteiro/Gshow)

Duas semanas para o seu término e “Liberdade Liberdade” está pegando fogo! O cerco se fecha cada vez mais sobre os personagens de Vila Rica. A trama ganhou novo fôlego com a chegada do interventor da Coroa Portuguesa, o Duque de Ega (Gabriel Braga Nunes), que na verdade está mancomunado com a Princesa Carlota Joaquina (Susana Ribeiro) numa conspiração para que a Espanha domine o Brasil – o que revela interesses escusos escondidos sob a aura do sonho de liberdade.

Em sua reta final, “Liberdade Liberdade” apresenta agora o que faltou em três quartos da novela: uma trama ágil e coesa com conexão histórica. A maior crítica contra a produção era justamente ter pouca História retratada. Até então, apesar das alusões a vultos históricos (como Tiradentes e os inconfidentes, a Família Real Portuguesa e Mão de Luva), a novela não passava de um amarrado melodrama que poderia ser ambientado em qualquer época.

Liberdade Liberdade” começou modorrenta e levou um tempo até se estabelecer. A trama vinha andando em círculos, dando destaques momentâneos a personagens e núcleos isolados. Enquanto se desenrolava lentamente a trama principal, foram apresentados o rapto de Bertoleza (Sheron Menezes), a volta do marido (Jackson Antunes) de Dionísia (Maitê Proença), o drama do cego Ventura (Vitor Thiré) – que, diga-se de passagem, atualmente está abandonado -, etc.

Entretanto, apesar de seu roteiro um tanto quanto enviesado, “Liberdade Liberdade” tinha a seu favor ótimos trunfos que faziam valer a pena a audiência. O maior deles talvez fosse o excelente elenco em ótimos personagens, todos ricamente construídos, com destaque para Mateus Solano/Rubião, Lília Cabral/Virgínia, Maitê Proença/Dionísia, Caio Blat/André, Nathalia Dill/Branca, Zezé Polessa/Ascenção, Marco Ricca/Mão de Luva e Juliana Carneiro da Cunha/Alexandra.

A direção (artística de Vinícius Coimbra) teve importante papel na produção, tanto na condução do elenco quanto nos detalhes estéticos, com ênfase para as caracterizações pouco maquiadas, de atores e cenários – percebam como a fotografia escura deixa Vila Rica, os cenários e personagens com um aspecto ainda mais sujo. Uma proposta estética que flerta com o realismo, mas que, todavia, encontrava pouca ressonância no texto.

Faltando duas semanas para acabar, “Liberdade Liberdade” vem apresentando desfechos emocionantes para os personagens. E – apenas agora – tem revelado uma faceta histórica do período pouco conhecida ou divulgada, mas interessante: a de que conspirações podem servir a diferentes interesses. Bom quando uma trama histórica reverbera a atualidade.

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Entre as novelas atuais, “Velho Chico” é a que apresenta o melhor texto
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Nilson Xavier

Lee Taylor, Dira Paes e Irandhir Santos (Foto: Caiuá Franco/TV Globo)

Lee Taylor, Dira Paes e Irandhir Santos (Foto: Caiuá Franco/TV Globo)

Os autores de novelas têm escolhido o caminho mais seguro para contar a suas histórias: o do texto fácil que não exige muito do público a não ser a sua passividade. Telenovela é, acima de tudo, entretenimento. E é isso o que a maioria dos telespectadores querem: um texto mastigado de onde sabem exatamente o que esperar.

De todas as novelas atualmente no ar, em todas as emissoras, a única com um texto mais denso, que exige alguma reflexão do público, que traz à tona alguma problemática ou que levanta uma discussão de interesse social, é “Velho Chico”. E, não por coincidência, a novela tem uma média de audiência abaixo do esperado por sua emissora – ainda que tenha tido melhoras nas últimas semanas.

Ressalto que me refiro exclusivamente ao texto, e não ao enredo ou à trama. Tampouco desmereço o texto de obras como “Êta Mundo Bom”, “Cúmplices de um Resgate” e “A Terra Prometida”. Todas são escritas especialmente para os seus públicos alvo. O telespectador das novelas bíblicas já sabe que vai receber tudo mastigado, inclusive a pregação ou a filosofia religiosa. E em uma produção infanto-juvenil, a simplicidade ao contar uma história é preponderante. Tá tudo certo!

Entretanto, cabe uma crítica aos textos de “Escrava Mãe” e “Haja Coração”, em que imperam a reiteração e os esgarçados clichês folhetinescos, usados à exaustão, sem filtro, e sem ousadia ou criatividade. A novela da Record, apesar da bela produção e de seu bom elenco, soa como uma trama de época requentada, ou uma grande mistura de várias novelas de época. A da Globo resvala na repetição: como se não bastasse ser um remake, se apropria de mais tramas que já estamos carecas de conhecer – como Shirlei, a manca que era de outra novela, ou a mãe rejeitada pelo filho já vista no trabalho anterior do autor, vivida pela mesma atriz. É o clichê do clichê?

Liberdade Liberdade” se beneficia do horário tardio, em que nudez, sexo e violência são permitidos  – o  que, não necessariamente, lhe conferem o status de “ousada”. A única vanguarda até agora vista foi o sexo entre dois homens, que deu o mérito à novela de ser a primeira a exibir esse recurso. Em suma, “Liberdade Liberdade” é uma produção de primeira, bem dirigida, com elenco excelente e ótimos personagens. Tem história, todavia lhe falta História. E apesar do ineditismo, a discussão sobre homossexualidade (ou liberdade ou escravidão) ainda é rasa.

Velho Chico” vai pelo caminho menos fácil. A começar pela estética, que ainda causa estranhamento em boa parte da audiência. Muitos dirão que tem menos história que “Escrava Mãe”, “Liberdade Liberdade” ou “Êta Mundo Bom”. Discordo. Tem história, mas está em outro ritmo. “Velho Chico” convida à contemplação das imagens, às interpretações do elenco e à reflexão sobre o “ter agora'' e o “preservar para ter no futuro'' – seja do meio ambiente ou das relações humanas.

Outros dirão que “Velho Chico” tem menos audiência que “Êta Mundo Bom” ou “Haja Coração”. Mas a audiência nem sempre está disposta a refletir – na maioria das vezes, só quer se divertir. E nisso, todas as novelas têm cumprido seu papel, cada qual para seu público alvo.

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