Blog do Nilson Xavier

O que seria de “I Love Paraisópolis” sem suas tramas paralelas?
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Nilson Xavier

A cena da morte de Raul (André Loddi). Foto: Divulgação/TV Globo)

A cena da morte de Raul (André Loddi). Foto: Divulgação/TV Globo)

Tradicionalmente uma estrutura de telenovela compreende uma trama central com várias tramas paralelas. E a história principal é o que norteia a novela. Mas não é o que acontece com “I Love Paraisópolis”, a produção das sete da Globo. Com uma rica e interessante galeria de coadjuvantes, as tramas paralelas estão fazendo o que a trama central não consegue.

A boa química entre Bruna Marquezine e Maurício Destri, em algumas cenas calientes, e o apelo do personagem Grego, de Caio Castro, chamaram a atenção no início. Mas não são suficientes para segurar a novela. O triângulo amoroso Ben-Mari-Grego, por si só, não sustenta “I Love Paraisópolis”. Falta história aí!

A trama dos protagonistas dá voltas, quando não apela para flashbacks – sempre embalados por “A Noite” (Tiê) e “Thinking Out Loud” (Ed Sheeran), repetidas à exaustão. Para enfeitar o romance que não chove nem molha, faz-se uso de outros personagens que tentam movimentar essa história central: a luta pelo poder do vilão Gabo (Henri Castelli), a gravidez de Margot (Maria Casadevall), e as sandices da megalômana Soraya (Letícia Spiller).

Enquanto isso, as histórias com o povo da bonita Paraisópolis da Globo carregam cada capítulo nas costas. É – praticamente – uma cena envolvendo os protagonistas (que pode ser um flashback) para três historinhas paralelas.

As tramas que recheiam “I Love Paraisópolis” primam pelo humor, a receita do horário das sete. E cumprem bem a função de divertir. São várias esquetes cômicas, como em um humorístico. E são cíclicas, seriadas: situações que se fecham e são substituídas por outras. Como, atualmente, a divertida disputa de Claudete e Mirela (Mariana Xavier e Luana Martau) por Raul (André Loddi), que rendeu as mandingas de Tinoca (Alice Borges), a suposta morte de Raul e desespero de Expedito (José Dumont), com medo da morte.

Já elogiei o elenco coadjuvante de “I Love ParaisópolisAQUI e reitero. A novela tem qualidades: é divertida e despretensiosa. A direção aproveita o excelente elenco e o texto afiado dos autores e dá um ar moderno às cenas de humor, com clipagens e efeitos divertidos. Funciona muito bem e a audiência na Grande São Paulo vai bem. Mas o que seria de “I Love Paraisópolis” sem esse elenco afiado nessas situações cômicas?


Trama paralela de “Babilônia” critica o público que rejeitou a novela
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Nilson Xavier

Dira Paes e Consuelo (Arlete Salles) no "Puro Chiquê" (Foto: Reprodução)

Dira Paes e Consuelo (Arlete Salles) no “Puro Chiquê'' (Foto: Reprodução)

Chega a ser irônico o fato da melhor trama de “Babilônia” ser justamente aquela que os autores (Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga) estão usando para alfinetar o público que rejeitou sua novela. E não é a trama central, a do trio Beatriz-Inês-Regina.

A atriz Arlete Salles – excelente – deita e rola com sua Consuelo, uma mulher convicta de sua religião, mas hipócrita, maldosa e arrogante. Mas nem por isso uma personagem pesada. Pelo contrário. Consuelo é engraçadíssima, o verdadeiro alívio cômico de “Babilônia”, uma versão moderna das risíveis carolas de sacristia das novelas de Dias Gomes. Só que, neste caso, não é católica.

Do alto de sua prepotência e megalomania, Consuelo quer aparecer às custas de gente famosa, que ela julga “chiques”, através de sua limitada visão de mundo. Com a ajuda do malandro Luís Fernando (finalmente uma função na novela para o personagem de Gabriel Braga Nunes), produzem o programa de entrevistas “Puro Chiquê”, com a proposta de entrevistar celebridades do mundo artístico.

É aí que os roteiristas de “Babilônia” espertamente destilam veneno. Na última tentativa (fracassada) de entrevista, com Dira Paes, Consuelo tentou arrancar da atriz fofocas do mundo dos famosos, detalhes sórdidos da relação com outros atores – no que Dira se negou terminantemente, lógico, já que o combinado era ela tratar de “assuntos de conteúdo”. Foi quando Consuelo soltou pérolas como “Não dá audiência, é muito realista! O povo não quer saber de coisas complicadas.”.

Os autores, desde o início da novela, usam o núcleo da família Pimenta para exorcizar o fracasso de “Babilônia” com a audiência. Representantes da “tradicional família brasileira”, Consuelo, o filho Aderbal (Marcos Palmeira), a nora Maria José (Laila Garin) e – sobra até para – o mordomo Xavier (Tadeu Aguiar) e a filha Laís (Luísa Arraes), representam o público limítrofe que não conseguiu assimilar “a proposta da novela”.

Ironia – ou mera coincidência -, a Família Pimenta tem o texto realmente reflexivo e carregado de crítica social na trama de “Babilônia”. Com um viés realista, Aderbal é o político corrupto e hipócrita que se vale da religião para tirar proveito em benefício próprio (ou de uma causa), justificar suas safadezas e esconder sua imoralidade. E Consuelo é a sátira dessa crítica, a caricatura – moderna – da religiosa intolerante, fofoqueira e limitada. Muito pertinente em tempos de intolerância – de qualquer tipo.

É válida a crítica aos políticos corruptos, intolerantes e hipócritas, que se valem da religião para tirar vantagens. O que não vale é jogar a culpa do fracasso da novela exclusivamente no público. Quem sabe a trama central de “Babilônia” focasse apenas no núcleo da família Pimenta, a recepção teria sido outra!


Há 35 anos, o país queria saber quem matou Miguel Fragonard de “Água Viva”
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Nilson Xavier

Raul Cortez e Betty Faria (Foto: Divulgação/TV Globo)

Raul Cortez e Betty Faria (Foto: Divulgação/TV Globo)

Há exatamente 35 anos, o público brasileiro se perguntava “quem matou Miguel Fragonard?” em mais uma movimentação coletiva acerca de uma telenovela da Globo. O folhetim em questão era “Água Viva”, um sucessão escrito por Gilberto Braga com a colaboração de Manoel Carlos. Era a novela de Gilberto seguida ao grande êxito de “Dancin´ Days” (1978). E a estreia de Maneco como novelista no horário nobre da emissora. Particularmente, uma das novelas do autor que eu mais gosto.

A Globo, através de sua área comercial, lançou para venda o DVD da novela, em 11 discos com 33 horas de duração. Há pouco tempo (entre 2013 e 2014), “Água Viva” foi exibida pelo canal Viva com boa repercussão. Para quem estuda ou gosta de televisão, essa novela é um prato cheio. O excelente elenco, com texto inspiradíssimo dos roteiristas, resulta no registro de uma época em que a televisão era muito, muito diferente de hoje em dia.

Cenas longuíssimas aos olhos de hoje, com atores proferindo textos extensos e reflexivos, em interpretações marcantes, “Água Viva” reflete um tempo em que, apesar da fraca concorrência e escassez de outras vias de entretenimento, a TV também primava por qualidade artística. Um contraponto com a atualidade, em que é preciso segurar e fidelizar o espectador, uma vez que a audiência é pulverizada, não se prende mais a uma grade engessada, e tem várias outras opções para diversão (internet, TV a cabo, etc.).

dvd_agua_vivaÁgua Viva” é também vista hoje como um ótimo registro dos hábitos, costumes e modismos da classe média carioca da passagem das décadas de 1970 para 1980. Diferente de “Dancin´ Days”, fechada em uma discoteca, “Água Viva” era uma novela com muitas externas, mais iluminada, que valorizava as belas paisagens do Rio de Janeiro de 1980.

Pesca submarina e windsurf foram esportes náuticos explorados na trama. A posição da mulher, descasada, que trabalha fora e sustenta os filhos (através da personagem Lígia, de Betty Faria), também foi abordada na novela – tema muito em voga na época, também discutido no seriado “Malu Mulher” e no programa “TV Mulher”. O top-less, uma novidade no Brasil, virou discussão na história, através da socialite libertária Stella Simpson (este considerado o melhor trabalho de Tônia Carrero na TV).

A trama apresenta dois irmãos em conflito, o famoso e rico cirurgião plástico Miguel Fragonard (Raul Cortez) e o playboy falido Nelson (Reginaldo Faria), que disputam o amor da mesma mulher, Lígia, dividida entre a paixão e o futuro incerto de um, e o amor porto-seguro do outro. Também a pequena órfã Maria Helena (Isabela Garcia então com 12 anos) que, com a ajuda da amiga Sueli (Ângela Leal), se aproxima do pai que não conhecia, Nelson, que, por sua vez, nem sabia da existência dela.

Sobre o “quem matou?”: em 1980, o telespectador ainda não estava saturado deste subterfúgio, hoje visto como “golpe baixo”, mais usado como um recurso fácil para “despertar audiências adormecidas”. O Brasil havia vivido, dois anos antes, a comoção do “quem matou Salomão Hayalla?”, na novela “O Astro”, de Janete Clair, que – literalmente – parou o país na exibição do último capítulo, em que se revelou a identidade do assassino. Outros tempos.

A trilha sonora, repleta de sucessos das rádios, também marcou época. Impossível não ouvir “Menino do Rio” – música de Caetano Veloso gravada por Baby Consuelo – e não associar à novela. No elenco, ainda Lucélia Santos, Fábio Jr, Glória Pires, Beatriz Segall, Cláudio Cavalcanti, Natália do Valle, Kadu Moliterno, José Lewgoy, Arlete Salles, Mauro Mendonça, Eloísa Mafalda, Carlos Eduardo Dolabella, Tamara Taxman, Fernando Eiras, Jorge Fernando, Maria Padilha e outros.

Quer saber quem matou Miguel Fragonard? Assista o DVD! Ou clique AQUI e vá na sessão Bastidores – tem tudo sobre “Água Viva”, curiosidades, elenco completo, trilha sonora, etc.


“Além do Tempo”: estreia deixa claro que a novela se trata de um dramalhão
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Nilson Xavier

Paolla Oliveira, Rafael Cardoso e Alinne Moraes (Foto: Fábio Rocha/Gshow)

Paolla Oliveira, Rafael Cardoso e Alinne Moraes (Foto: Fábio Rocha/Gshow)

Bonitas imagens marcaram a estreia de “Além do Tempo”, novela das seis de Elizabeth Jhin que a Globo estreou nesta segunda-feira, 13/07. Folhetim de época em produção esmerada, valorizada por belas paisagens do sul do país. A história se passa no século XIX, na fictícia Campobello, no Rio Grande do Sul. Para tanto, a Globo captou imagens das cidades de São José dos Ausentes e Garibaldi (RS).

Sai a trama naturalista de Lícia Manzo (“Sete Vidas”), e entra a folhetinesca história de amor entre Lívia e Felipe (Alinne Moraes e Rafael Cardoso), que, para ficarem juntos, enfrentarão vários percalços engendrados por vilões maniqueístas – como a antagonista Melissa (Paolla Oliveira) e a condessa Vitória (Irene Ravache), tia-avó do rapaz que não quer a aproximação entre eles.

Na contramão da novela anterior do horário, “Além do Tempo” junta uma série de elementos clássicos do folhetim com os pés bem fincados no mais puro dramalhão. Amores impossíveis, que se repetem em gerações, dificultados por vilões maniqueístas. O casal romântico central se apaixona à primeira vista já no primeiro capítulo. Ah, mas ela está abraçando a vida religiosa, e ele é comprometido. Pior ainda: suas famílias têm uma ligação de ódio do passado. Tudo isso embalado em uma roupagem bonita de produção de época da Globo, cheia de rapapés.

Essa história de amor atravessa o tempo, já que, após os 70 capítulos iniciais, haverá um salto de 150 anos na trama, quando o casal se reencontra em outra encarnação, nos dias atuais. Aí está o diferencial da novela de Elizabeth Jhin: o mesmo elenco retorna na contemporaneidade, com os mesmos nomes de personagens inclusive, mas em situações diferentes, vivendo outros dramas.

A ideia é fazer essas vidas expiarem erros do passado em uma nova encarnação. Assim, Irene Ravache, que vive a algoz de Ana Beatriz Nogueira nessa primeira fase, retornará para “pagar” suas maldades. Os primeiros 70 capítulos apresentam uma história fechada, com começo, meio e fim. Quando vem para o tempo atual, será uma outra história envolvendo os mesmos personagens, mas em situações diferentes. Talvez, por isso a abertura da novela – ao som de “Palavras ao Vento”, na voz de Cássia Eller – passe uma ideia de atemporalidade, já que servirá para as duas fases.

A proposta é interessante e original. É como se fosse uma continuação de uma novela de época, no tempo atual. Como a trama é linear, o desafio é fazer o público se interessar pelas duas histórias, que são praticamente duas novelas diferentes.

A estreia foi bonita e correta. Irene Ravache já disse a que veio, foi o grande destaque no elenco com sua personagem má. Está claro que “Além do Tempo” se trata de um dramalhão – logo, sem compromisso com a realidade, inclusive histórica. É novela de época e fim. Não tem a pretensão de recontar a nossa História. A trama acontece em uma cidadezinha no sul do Brasil. Mas também podia se passar em uma cidadezinha no México.


A TV precisa de mais bons roteiros e sutileza como em “Sete Vidas”
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Nilson Xavier

Nilson Xavier: Autora de “Sete Vidas'' merece horário nobre

“Podemos conversar?”
Essa foi a frase mais ouvida em “Sete Vidas”, a novela das seis da Globo que terminou nesta sexta-feira, 10/07. A trama repleta de DRs (discussões de relação) primou por um texto de altíssima qualidade, profundo e sutil, o grande diferencial da autora, Lícia Manzo, ao retratar relações humanas com muita sensibilidade. Talvez daí se explique a legião de fãs ante personagens e dramas de fácil identificação e simbiose.

Idealizada para ser curta – teve apenas 106 capítulos, quatro meses no ar –, se justifica a sensação de “quero mais” de seu público. Mas, convenhamos, a história do encontro das sete vidas concebidas artificialmente a partir de um mesmo pai biológico rendeu tudo o que tinha para render. Já nas últimas semanas, percebeu-se uma certa enrolação, que só não incomodou por conta de sua galeria de personagens cativantes.

setevidas_reginaDidática na medida certa, a novela também abordou temas espinhosos, como alienação parental e homossexualidade e preconceito – neste último exemplo, sem levantar bandeiras ou ser pretensamente panfletária. Um grande destaque para Regina Duarte, em uma coadjuvante que brilhou pela interpretação da atriz e pelo texto da autora. Também – o até então desconhecido do grande público – Fábio Herford, ao dar vida ao sensível Eriberto, um personagem riquíssimo que rendeu bem.

Produção caprichada e uma das melhores trilhas sonoras do últimos tempos. E o que seria do ótimo texto se não fosse um elenco e uma direção de atores à altura? E “Sete Vidas” preencheu os requisitos. Direção geral de Jayme Monjardim e atores bem escalados. Débora Bloch em uma de suas melhores interpretações na televisão. Gisele Fróes e Maria Eduarda Carvalho repetindo tipos que defenderam muito bem na novela anterior da autora, “A Vida da Gente” (2011-2012). Também um grande destaque para Cláudia Mello, Cyria Coentro, Malu Galli e o novato Michel Noher (o argentino Felipe).

Ao mesmo tempo, alguns bons atores que poderiam render bastante, não passaram de figuração de luxo: Selma Egrei, que era a mãe das personagens de Débora Bloch e Malu Galli, simplesmente sumiu da trama. Também os pais de Felipe, vividos por Jean-Pierre Noher e Lígia Cortez.

setevidas_deboraSete Vidas” também poderia se chamar “A Vida da Gente”. Lícia Manzo tem um texto naturalista, que se apropria da realidade de forma folhetinesca, mas sem os maniqueísmos, exageros ou arroubos do folhetim, sem grandes vilões, apelações, correrias ou acontecimentos catárticos para chamar a atenção do público. A autora conquista apenas pela sutileza dos diálogos e dos dramas universais vividos pelos personagens, que bem poderiam ser nossos amigos, parentes ou vizinhos, eu ou você.

Aqui cabe apenas uma crítica à autora, algo já percebido em “A Vida da Gente”. Seus dramas são universais e acometem todos os gêneros, mas percebe-se um maior afinco de Lícia ao retratar personagens femininas em detrimento aos masculinos, em sua maioria reconhecidos como fracos, emocionalmente imaturos e/ou dependentes, ou mesmo “bananas”.

Entende-se que a audiência da novela das seis é – em teoria – predominantemente feminina. Mas já que o estilo da autora é naturalista, uma melhor dosagem caberia bem, sem desmerecer nenhum gênero. Ainda mais porque Lícia Manzo tem um texto digno de um horário mais nobre, em que o público é bem mais amplo do que apenas as telespectadoras do horário das seis. Nossa televisão carece de roteiristas assim. #LiciaParaAs9 #ficaadica

Leia também: Maurício Stycer – Sete motivos por que vamos sentir saudades de “Sete Vidas”.

Audiência: “Sete Vidas” foi bem de audiência, fechou com uma média final de 19,4 pontos no Ibope da Grande São Paulo, elevando em dois pontos a média do horário das seis, quando comparada com as novelas anteriores – “Boogie Oogie” 17,4; “Meu Pedacinho de Chão” 17,78; “Joia Rara” 18,4. Fonte: Fábio Dias, blog “O Cabide Fala”.

Isabelle Drummond, Michel Noher, Maria Eduarda Carvalho e Thiago Rodrigues (Fonte: Reprodução)

Isabelle Drummond, Michel Noher, Maria Eduarda Carvalho e Thiago Rodrigues (Fonte: Reprodução)


Muito sincera, Laila é a personagem mais racional de “Sete Vidas”
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Nilson Xavier

Maria Eduarda Carvalho, a Laila de "Sete Vidas" (Foto: Reprodução)

Maria Eduarda Carvalho, a Laila de “Sete Vidas'' (Foto: Reprodução)

Já prestou atenção na personagem Laila da novela “Sete Vidas” – muito bem interpretada pela atriz Maria Eduarda Carvalho?! Laila é o ponto fora da curva na trama de Lícia Manzo. É a que destoa em meio a uma galeria de tipos sofridos, porém cordatos, educados, que não dão barraco ou vexame, que não levantam a voz nem mesmo em situações extremas, que engolem sapos, que escondem seus anseios e desejos.

Rodeada por um mundo de desencontros entre pessoas muito educadas, Laila é a ovelha negra, que fala o que pensa à hora que quer. Sem papas na língua, peita todo mundo, joga verdades na cara, expõe as mazelas e fraquezas dos demais sem medir palavras. Várias foram as situações em que ela criou saias justas sem pensar nas consequências. É a única personagem v1d4 l0k4 da novela.

Direta, franca e super sincera, ela fala o que todo mundo percebe, mas não tem coragem de expor. Laila é a “cota catarse” de “Sete Vidas”. É a personagem que se destaca em meio a uma trama que prima o diálogo, que parte da premissa de que tudo se resolve com uma boa conversa civilizada (entenda DR, “discussão de relação”).

eribertoMas Laila também funciona como um coringa nas mãos da autora Lícia Manzo. Como vimos no capítulo desta quinta-feira (02/07). Todos – principalmente o público – sempre estranharam a relação, no mínimo inusitada, entre a megera Marta (Gisele Fróes) e o “sensível” Eriberto (Fábio Herford, foto ao lado). Um casal por demais incomum, mas muito rico, dramaturgicamente falando, que poderia render (e até rendeu) bastante.

Entretanto, o casamento que tinha tudo para dar errado (e deu!) só foi cair na conta de Eriberto faltando uma semana para o término da novela. O que estava claro para todos, só ficou visível para ele com a mãozinha providencial de Laila. Numa cena divertida, após beber um pouco além da conta, ela arranca Eriberto do armário chique em que ele se encontrava.

Eriberto é um personagem interessante e tem a torcida pela sua amizade com o dentista Renan (Fernando Eiras) #Erinan, eu shippo! – como se fala nas redes sociais. E a autora usou Laila para o desfecho do personagem, a partir dessa luzinha que ela acendeu na cabeça dele. Tomara que nesta última semana, sobre bons desdobramentos para o fim da trama de Eriberto. Ainda que tenha soado precipitado fazer uso de Laila como a voz da razão de um personagem tão bom.

É isso! Laila é a voz dissonante da razão em “Sete Vidas”, diante de tantos personagens movidos por uma comedida emoção. E já foi assim com o papel da atriz na novela anterior de Lícia Manzo: a Nanda de “A Vida da Gente'' (2011-2012) divide muitas semelhanças com a Laila de “Sete Vidas“. Personagens coringa da autora e atriz idem.


“Babilônia”:Trama com personagem Wilma é igual a outra recentemente exibida
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Nilson Xavier

Cristina Galvão (com Tadeu Aguiar) (Foto: Fabiano Battaglin/Gshow)

Cristina Galvão (com Tadeu Aguiar) (Foto: Fabiano Battaglin/Gshow)

Curiosidade enviada pelo leitor Mr. Novela. Uma grande coincidência, digna de nota, que envolve dois trabalhos de Gilberto Braga e Ricardo Linhares.

Observe a premissa abaixo:

A atriz Cristina Galvão (foto acima) interpreta uma personagem de classe média baixa que sabe que alguém, de caráter duvidoso, não cometeu um crime de que está sendo acusado. Mas reluta em falar a verdade para a polícia. Tudo isso é determinante para a trama principal da novela. Sua personagem, até então secundária, tem a chave de um desenlace importante para a história.

Claro que o leitor já identificou a trama de “Babilônia” (escrita por Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga), que se encaixa na descrição acima. A personagem de Cristina Galvão é Wilma, que trabalha na casa de Tereza e Estela (Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg). Ela sabe que a pérfida Inês (Adriana Esteves) é inocente do crime pelo qual está presa. Mas, se revelar a verdade, compromete a filha de Estela, Beatriz (Glória Pires), a verdadeira culpada. O personagem de Tadeu Aguiar, o mordomo Xavier, seu confidente, a estimula a ficar de boca calada.

Todavia, a premissa acima também pode ser atribuída a um outro trabalho de Braga e Linhares: a novela “O Dono do Mundo”, escrita por eles mais Leonor Basséres, em 1991, reprisada pelo canal Viva até poucas semanas atrás.

cristina1Em “O Dono do Mundo”, a personagem de Cristina Galvão – Celeste – poderia testemunhar que o cirurgião vilão Felipe Barreto (Antônio Fagundes) não operou o irmão dela, o bandido Ladislau (Tuca Andrada), por dinheiro, e sim porque foi obrigado. Celeste seria a única pessoa a inocentar Felipe, mas não queria fazê-lo, por conta do que o vilão fez a seus amigos Márcia (Malu Mader) e Valter (ó Tadeu Aguiar aqui!).

Curiosamente, quando o Viva começou a exibir os momentos em que Celeste se torna determinante para a trama principal de “O Dono do Mundo”, foi o momento em que a personagem da atriz em “Babilônia”, Wilma, percebeu que Beatriz era a culpada do crime.

Duas histórias que foram escritas por Gilberto Braga e Ricardo Linhares (que tiveram problemas de audiência, diga-se de passagem) exibidas ao mesmo tempo (uma inédita e outra reprise). Há ainda a coincidência de elenco entre as duas novelas. Além de Cristina Galvão e Tadeu Aguiar: Fernanda Montenegro, Nathália Timberg, Glória Pires e Tuca Andrada.

Em tempo, Celeste revelou a verdade e livrou Felipe Barreto da cadeia. Será que Wilma livrará Inês do mesmo fim? A conferir!


“Verdades Secretas” se destaca pela direção primorosa
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Nilson Xavier

Camila Queiroz e Rodrigo Lombardi (Foto: Reprodução)

Camila Queiroz e Rodrigo Lombardi (Foto: Reprodução)

Que direção primorosa a da novela “Verdades Secretas”! E uma direção como essa faz toda a diferença, principalmente em se tratando de um texto de Walcyr Carrasco. A seu favor está o próprio formato: uma novela mais enxuta, com poucos núcleos, elenco menor, menos capítulos. Pode-se dar um acabamento mais sofisticado. O horário tardio também favorece as experimentações estéticas e as ousadias de roteiro.

Nos últimos anos, a Globo tem investido na plasticidade que o horário e uma produção mais curta permitem. Vide as minisséries “O Canto da Sereia” e “Amores Roubados“, a novela “O Rebu” e a série “Dupla Identidade”.

A direção de núcleo de “Verdades Secretas” é de Mauro Mendonça Filho, responsável também pelo último trabalho de Walcyr Carrasco, “Amor à Vida”, em que a direção acabou engolida pelo texto raso do autor nos longos oito meses de novela. Agora, Carrasco está mais comedido – um avanço e tanto! – o que resulta numa sintonia maior com a direção, que deita e rola em tomadas bonitas, favorecidas por muitas externas, fotografia estilosa e trilha sonora de bom gosto.

A equipe de Mauro Mendonça Filho em “Verdades Secretas”: Allan Fiterman, André Barros e Mariana Richard, com direção geral de André Felipe Binder e Natália Grimberg.

dupla-identidade_dvdMauro Mendonça Filho foi também foi o responsável pela aclamada série “Dupla Identidade”, de Glória Perez, exibida no ano passado, com Bruno Gagliasso vivendo um serial-killer. A área de licenciamento da Globo lançou a atração em DVD (já nas lojas). Os quatro discos trazem, além dos treze episódios, um material extra com entrevistas e depoimentos e um documentário. Em “Dupla Identidade”, a história de Glória Perez não teria tido o mesmo impacto não fosse o esmero estético da equipe de Mauro Mendonça Filho. O mesmo se percebe na atual “Verdades Secretas“.


Falta testosterona a “Sete Vidas”
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Nilson Xavier

Débora Bloch e Ângelo Antônio  (Foto: Felipe Monteiro/Gshow)

Débora Bloch e Ângelo Antônio (Foto: Felipe Monteiro/Gshow)

O que seria da novela “Sete Vidas” não fossem as DRs (discussões de relação), as sessões de terapia camufladas nos diálogos e as personagens femininas fortes e dominadoras em contraponto com personagens masculinos fracos e dominados?

Desde “A Vida da Gente” (2011-2012), o último trabalho de Lícia Manzo, este tem sido o norte da autora: conduzir a história proposta embasando-se em mulheres que questionam os homens amados, e estes representados apenas como meros receptores ou espectadores deste universo (melo)dramático feminino.

Faltando pouco menos de um mês para o término de “Sete Vidas”, já é possível perceber que a trama não tem sustentação para mais tempo. “A Vida da Gente”, tinha mais história para render, diferente da atual novela, em que seus dramas já estão quase todos fechados.

Isso não é uma crítica. “Sete Vidas” foi idealizada para contar uma história em um período de tempo menor (quatro meses), portanto, é mais enxuta. E fez bem a sua trajetória, com uma direção e produção de muito bom gosto e um texto inspirado, com foco nas relações humanas.

Mas as tramas de Lícia Manzo ainda carecem de personagens masculinos mais, digamos, fortes, assim como já são as mulheres de suas novelas. Seu mestre, Manoel Carlos, de quem herdou muitas características, também escrevia muito bem personagens femininas. Mas elas nunca sobrepujavam os masculinos.

Se “Sete Vidas” tivesse tido um tanto mais de testosterona (além da doação de sêmen, ponto de partida da história…), quem sabe essa relação ficasse melhor equilibrada. E assim, naturalmente, diminuiria a quantidade de DRs.

Leia também: Maurício Stycer – TOP 10 personagens masculinos mais vacilões de “Sete Vidas''.


20 personagens que Marieta Severo poderia ter vivido enquanto foi D. Nenê
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Nilson Xavier

Marieta Severo finalmente se livrou de Dona Nenê, sua simpática personagem na série “A Grande Família“, que viveu durante 13 anos (de 2001 a 2014). Atualmente a atriz é Fanny Richard, dona da agência de modelos da novela “Verdades Secretas“.

Agora, imagine se Marieta não tivesse sido a Dona Nenê por esse tempo todo? Ela poderia ter interpretado várias personagens bacanas em novelas. Veja abaixo 20 papeis que poderiam ter sido dela!