Blog do Nilson Xavier

“Felizes Para Sempre?” estreia com um texto afiado sobre relações conjugais
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Nilson Xavier

Paolla Oliveira, Maria Fernanda Cândido e Enrique Diaz (Foto: Divulgação/TV Globo)

Paolla Oliveira, Maria Fernanda Cândido e Enrique Diaz (Foto: Divulgação/TV Globo)

A cidade de Brasília confere um charme extra a “Felizes Para Sempre?”, a nova minissérie da Globo que estreou nesta segunda-feira, 26/01. Foi poucas vezes usada como ambientação em nossa teledramaturgia, e, quando usada, sob o viés político – como nas minisséries “O Brado Retumbante” (Globo, 2012) – ainda que implicitamente – e “Plano Alto” (Record, 2014), ou na novela “O Rei do Gado” (Globo, 1996). Desta vez, a política fica apenas em segundo plano. Não é a razão de ser da atração.

O autor, Euclydes Marinho, aqui revisita uma antiga obra sua, a minissérie “Quem Ama Não Mata” (de 1982), que se passava em Niterói e no Rio de Janeiro, e tratava exclusivamente sobre as relações conflituosas de casais de uma mesma família. O mote central era um crime passional (razão do título) que acontecia no primeiro capítulo, cujo assassino e vítima só eram revelados no último.

Marinho manteve a essência de sua antiga minissérie, mas a trouxe para a luz da atualidade. A homossexualidade – por exemplo – não poderia ser abordada abertamente em 1982 como se faz agora. Paolla Oliveira vive uma prostituta de luxo que tem uma relação com outra mulher, personagens inexistentes em “Quem Ama Não Mata”. Mas os principais casais e seus dilemas no casamento foram mantidos. E com um texto afiadíssimo, provocativo e divertido. Um moderno diferencial.

Coprodução com a O2 Filmes, “Felizes Para Sempre?” tem na direção o peso da assinatura de Fernando Meirelles (dos filmes “Cidade de Deus”, de 2002, e “Ensaio Sobre a Cegueira”, de 2008) – um bom motivo para prestar atenção na minissérie. Fernando já havia apresentado um excelente trabalho na televisão, anteriormente, em outra minissérie: “Som e Fúria”, de 2009.

Aqui as tomadas são caprichadas. E inéditas: foram usados drones – veículos aéreos não tripulados – que captaram Brasília de ângulos nunca antes explorados. A trilha sonora é luxuosa, – um movimento nas séries e minisséries da Globo que vai na contramão do que é feito atualmente para musicar as novelas.

As qualidades técnicas são visíveis e inquestionáveis. Direção cinematográfica e apurada (com referências a alguns filmes), elenco excelente, muito à vontade, em interpretação natural. Fernando Meirelles e Euclydes Marinho abordam o casamento de forma moderna e despojada, sem medo, firulas ou conservadorismo. Já o cinismo de alguns personagens pode explicar a opção por Brasília.


Com “Império”, Aguinaldo Silva se redime de “Fina Estampa”
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Nilson Xavier

Laura Cardoso e Alexandre Nero (Foto: Divulgação/TV Globo)

Laura Cardoso e Alexandre Nero (Foto: Divulgação/TV Globo)

Entrando em sua reta final – “Império” termina em março – a novela de Aguinaldo Silva finalmente deslancha sua trama principal, a história do Comendador José Alfredo de Medeiros, vivido por Alexandre Nero.

Passaram-se exatos seis meses desde a estreia (21 de julho) e a trama do império do Comendador vinha comendo pelas beiradas, sendo construída paulatinamente. Neste tempo todo, o autor a costurou bem com tramas paralelas, bastante interessantes, envolvendo bons personagens, como Cláudio Bolgari (José Mayer), Enrico (Joaquim Lopez), Téo Pereira (Paulo Betti), Xana Summer (Aílton Graça), Magnólia e Severo (Zezé Polessa e Tato Gabus Mendes), Salvador (Paulo Vilhena) e Juju Popular (Cris Vianna).

A própria substituição de Drica Moraes por Marjorie Estiano (no papel de Cora) rendeu um bom reforço, repercutindo e colaborando na audiência. Diga-se de passagem, Marjorie nos apresenta uma Cora muito mais interessante do que a de Drica – não desmerecendo o ótimo trabalho que Drica Moraes fez. Talvez seja o momento da personagem na história. Ou talvez Cora tenha ganhado uma energia e jovialidade extras, próprias da personagem “remoçada”.

O mistério envolvendo a real identidade do vingativo (ou usurpador?) Maurílio Ferreira (Carmo Della Vecchia) aguça a curiosidade do público. Viram a ótima participação de Laura Cardoso nos últimos capítulos? A falsa morte do Comendador é um entrecho acertado do autor. Não é original, mas é folhetinesco.

Império” vai se fechando como uma novela redonda, sem muitos tropeços. A história central custou a acontecer, mas Aguinaldo a construiu com o suporte de tramas paralelas bem engendradas. Longe de ser um grande sucesso, a produção tampouco fez feio. Muito de seus atributos se deve ao elenco bem escalado e à direção de Rogério Gomes e sua equipe. Com “Império”, Aguinaldo Silva se redime de “Fina Estampa”, sua última novela (de 2011-2012), bastante criticada – apesar da expressiva audiência alcançada.


“Despedida de Solteiro” será a próxima novela a ser reprisada no canal Viva
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Nilson Xavier

Gabriela Alves, João Vitti, Paulo Gorgulho, Felipe Camargo e Eduardo Galvão em "Despedida de Solteiro" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Gabriela Alves, João Vitti, Paulo Gorgulho, Felipe Camargo e Eduardo Galvão em “Despedida de Solteiro'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

Sai uma novela de Walther Negrão e entra outra trama dele em seu lugar. O canal Viva irá reprisar, a partir de julho, a novela “Despedida de Solteiro”, em substituição a “Tropicaliente”, no horário das 15:30 (com reprise à 1 da manhã). As duas estavam entre as opções para votação do público no site do Viva, no ano passado (a terceira opção era “Lua Cheia de Amor”). A vencedora da enquete foi “Tropicaliente”, que estreou em novembro. A segunda colocada, “Despedida de Solteiro”, vem na sequência.

Escrita por Negrão, com direção geral de Reynaldo Boury, “Despedida de Solteiro” foi originalmente exibida entre junho de 1992 e janeiro de 1993, e reprisada no “Vale a Pena Ver de Novo” em 1996.

Lembra da abertura? A animação simulava um joguinho de videogame pixelizado, ao som de “Sugar Sugar“, em que o herói tinha que salvar a mocinha presa pelo vilão.

despsolteirot2A trama gira em torno dos amigos Pedro (Paulo Gorgulho), João Marcos (Felipe Camargo) e Paschoal (Eduardo Galvão), que lutam para provar que não foram os assassinos da prostituta Salete (Gabriela Alves), morta anos antes, crime pelo qual eles cumpriram pena e estavam em liberdade condicional. O quarto amigo, Xampu (João Vitti), que também fora condenado, morreu após a saída da prisão. O maior empecilho deles era o vilão Sérgio Santarém (Marcos Paulo), que faz de tudo para incriminá-los, já que sua mulher, Lenita (Tássia Camargo), ex-namorada de João Marcos, ainda é apaixonada por ele.

No elenco, também Lúcia Veríssimo, Lolita Rodrigues, Lucinha Lins, Elias Gleizer, Cristina Mullins, Helena Ranaldi, Jayme Periard, Mauro Mendonça, Ana Rosa, Rita Guedes, Sérgio Viotti, Maria Estela, Othon Bastos, Bárbara Fazzio, Cinira Camargo, Leila Lopes e outros.

Observação: o Viva informa que ainda não decidiu pela substituta de “O Dono do Mundo”, exibida à meia-noite, prevista para terminar em junho.

Saiba mais sobre “Despedida de SolteiroAQUI.


Falta de sutileza empobrece narrativa de “Boogie Oogie”
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Nilson Xavier

Leonor (Rita Elmor) e Elísio (Daniel Dantas) (Foto: Divulgação/TV Globo)

Leonor (Rita Elmor) e Elísio (Daniel Dantas) (Foto: Divulgação/TV Globo)

Despudorada. Assim poderíamos qualificar a novela das seis da Globo, “Boogie Oogie”. Sem se preocupar muito com verossimilhança, a trama de Rui Vilhena não tem pudor algum na hora de se enveredar pelos ganchos mais safados para justificar o rumo de sua história. Falta pudor, falta sutileza. Novelinha safada essa!

O clichê é característica master do folhetim e não está em discussão aqui. Tampouco uma novela precisa emular a realidade. Porém, para justificar o seguimento da ação, o autor faz uso de recursos mais fáceis, ou dos que tem à mão no momento, muitas vezes sacrificando a psicologia de seus personagens. Ou o bom senso.

Nas últimas semanas, vimos a sofisticada Leonor (Rita Elmor), uma personagem que era, até então, um exemplo de mulher moderna, “prafrentex” (de 1978), se interessar – de uma hora para outra, sem mais nem menos – pelo antiquado, autoritário e chato Elísio (Daniel Dantas).

Pareceria uma aproximação gratuita e sem o menor sentido, não fosse a mais pura necessidade de gerar mais um conflito na trama: minar ainda mais o casamento de Elísio. Soou como se o autor precisasse de uma personagem para ameaçar a relação dele com a mulher, Beatriz (Heloísa Périssé), e pegasse a primeira avulsa que encontrou: Leonor.

Sim, Beatriz se sente ameaçada pela figura “charmosa” de Leonor, uma mulher tão diferente dela e de sua realidade, e tão distante. Precisava ser tão distante assim? Precisava! O problema não está na figura de Leonor. Mas na figura de Elísio: no fato de Leonor se sentir atraída por um tipo como Elísio.

Outro exemplo da falta de pudor de Rui Vilhena é a língua solta do garoto Serginho (João Vithor Oliveira), o fofoqueiro mor que faz o elo entre os acontecimentos e os personagens. Precisa revelar algo importante na trama? É só colocar Serginho na escuta e, em seguida, de encontro com as partes interessadas. Não me admiraria se, ao final, fosse Serginho o porta-voz do famigerado “segredo de Carlota” (Giulia Gam) – que movimenta a história atualmente.

Esses recursos “fáceis” empobrecem a narrativa de uma novela. E os clichês – inerentes ao gênero folhetim – ganham assim “proporções faraônicas” – eu sendo despudorado também! Por outro lado, talvez venha daí o segredo de “Boogie Oogie” ter uma trama tão dinâmica, em que os acontecimentos fluem com facilidade e rapidez. Consequentemente, sem precisar ponderar muito.


Público tem acesso fácil à maioria das atrações do “Luz Câmera 50 Anos”
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Nilson Xavier

Tânia Alves e Nelson Xavier em "Lampião e Maria Bonita" (Foto: Divulgação/TV Globo)

“Lampião e Maria Bonita'' é a única das atrações que não tem em DVD e não foi reprisada no Viva (Foto: Divulgação/TV Globo)

A Globo exibe, a partir desta terça-feira (06/01), depois da novela “Império”, a série “Luz Câmera 50 Anos”, como parte da programação comemorativa do Cinquentenário da emissora. Foram escolhidas doze atrações, entre minisséries e séries, transformadas em telefilmes, de duas horas de duração em média, para serem exibidas por três semanas em janeiro. Uma ação conjunta entre as áreas de Entretenimento, que produziu os programas, e Programação, que os editou.

Em sua primeira semana, o “Luz Câmera 50 Anos” apresenta “O Canto da Sereia” (minissérie de 2013), “O Pagador de Promessas” (minissérie de 1988), “Força Tarefa” (a primeira temporada da série, de 2009), e “Maysa – Quando Fala o Coração” (minissérie de 2009). Nas duas últimas semanas, serão exibidos “Presença de Anita” (minissérie de 2001), “As Noivas de Copacabana” (minissérie de 1992), “Lampião e Maria Bonita”, (a primeira minissérie produzida pela Globo, em 1982), “Ó Paí Ó” (a primeira temporada da série, de 2008), “Dercy de Verdade” (minissérie de 2012), “A Teia” (série exibida há exatamente um ano), “Dalva e Herivelto – Uma Canção de Amor” (minissérie de 2010) e “Anos Dourados” (minissérie de 1986).

É antiga essa prática de reprisar programas que marcaram a história da Globo, de forma condensada, em comemoração ao aniversário da emissora. Eram chamados de Festival + números de anos da Globo. Em 1980, durante o “Festival 15 Anos”, foram exibidas – entre outras atrações – novelas de sucesso compactadas em duas horas: “Irmãos Coragem” (1970-1971), “Pecado Capital” (1975-1976), “O Astro” (1977-1978), “Dancin´ Days” (1978), “Escalada” (1975), “Pai Herói” (1979), “O Bem Amado” (1973), “Anjo Mau” (1976), “Gabriela” (1975), “Selva de Pedra” (1972) e “Locomotivas” (1977).

Em 1990, o “Festival 25 Anos” reexibiu, à tarde, além de minisséries, os compactos das novelas “Irmãos Coragem” (1970-1971) e “Escrava Isaura” (1976-1977). Em 1995, o “Festival 30 Anos” – que também reprisou minisséries – apresentou episódios das séries “Malu Mulher” (1979-1980), “Carga Pesada” (1979-1980), “Plantão de Polícia” (1979-1980), “Obrigado Doutor” (1981), “Amizade Colorida” (1981) e “O Bem Amado” (1980-1984). Também vale citar a excelente série de documentários “TV Ano 50 – Globo 35 Anos”, de 2000, em que a Globo se homenageava por seus 35 anos e comemorava, também, os 50 anos da TV no Brasil.

José Mayer e Denise Milfont em "O Pagador de Promessas" (Foto: Divulgação/TV Globo)

“O Pagador de Promessas'' nunca foi reprisada no Viva, mas tem em DVD (Foto: Divulgação/TV Globo)

Após esta pequena retrospectiva histórica, uma pequena reflexão – sem entrar no mérito do quanto uma edição de duas horas pode mutilar uma obra de dez ou trinta capítulos/episódios.

O Canto da Sereia”, exibida há dois anos (ainda fresca na memória), está disponível em DVD. “A Teia” foi ao ar há um ano. “Dalva e Herivelto” e “Dercy de Verdade” – também muito recentes e em DVD. Quase todas as demais atrações do “Luz Câmera 50 Anos” estão à venda nas lojas e já foram reprisadas pelo canal Viva, nos últimos quatro anos. Apenas “O Pagador de Promessas” tem em DVD e não foi reprisada no Viva. “Lampião e Maria Bonita” – justamente a mais antiga das atrações, de 1982 – é a única que não foi lançada em DVD e nem reprisada pelo Viva.

Na época em que a Globo ainda não comercializava suas produções (em DVD), o máximo de contato que o público tinha com o acervo da emissora era nas reprises do “Vale a Pena Ver de Novo” e nessas ocasiões comemorativas, de “Festival 15, 20, 25, 30 Anos”. Ou através do mercado negro, de gravações caseiras de fitas VHS. Hoje em dia, o público tem acesso fácil à maioria desses títulos escolhidos para o “Luz Câmera 50 Anos”. Com a fartura de possibilidades on demand (seja para compra ou para assistir na Internet, no site da Globo ou no Youtube), umas atrações mais antigas e ainda não disponíveis ao grande público representariam melhor o passado de dramaturgia da Globo, justificando assim a comemoração.


Globo ignora “Em Família” na premiação dos “Melhores do Ano” do Faustão
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Nilson Xavier

Alexandre Nero recebe de Faustão o troféu como Melhor Ator (Foto: Divulgação/TV Globo)

Alexandre Nero recebe de Faustão o troféu como Melhor Ator (Foto: Divulgação/TV Globo)

A Globo realmente pretende esquecer a novela “Em Família”. A maior prova disso foi a total esnobada que a produção de Manoel Carlos e Jayme Monjardim recebeu neste domingo (28/12) durante a premiação do “Melhores do Ano”, promovido pelo “Domingão do Faustão”.

O prêmio já é discutível pelo nome, uma vez que a finalidade é premiar exclusivamente os profissionais da casa, ignorando totalmente os de outras emissoras – não deveria se chamar “Melhores do Ano da Globo”? Logo, para as categorias Ator, Atriz, Revelação, etc, ficam de fora os talentos das concorrentes – no caso deste ano, no que se refere à dramaturgia, mereciam os profissionais de “Chiquititas”, “Pecado Mortal” e “Plano Alto”, pelo menos. Mais sobre o prêmio, você lê AQUI no texto de Maurício Stycer – “Exagerada, Globo proclama que troféu Domingão é o mais importante da TV”.

Voltando ao prêmio “Melhores do Ano”, ficou estranho que a maioria das produções de 2014 concorreram nas várias categorias, com exceção de “Em Família”. Muito provavelmente pelo fato de ela ter sido a maior decepção da Globo no ano. A sonolenta trama de Manoel Carlos amargou o título de menor Ibope da história entre as novelas do horário nobre da emissora. Sem dúvida, uma novela para a Globo esquecer.

Entretanto, ao excluir “Em Família”, ficam de fora alguns atores que se destacaram bem mais do que vários dos indicados por outras novelas. Pelo menos para os coadjuvantes, senti falta da citação a Humberto Martins, Giovanna Antonelli, Reynaldo Gianecchini, Vanessa Gerbelli e Marcello Melo Jr., todos irrepreensíveis em seus papeis. Uma lástima não terem sido lembrados.

Outra novela esnobada foi “O Rebu”, que teve apenas uma única indicação: Jesuíta Barbosa como Ator Revelação. E os trabalhos de Patrícia Pillar, Sophie Charlotte, Tony Ramos e Cássia Kis Magro? Também não vi nenhuma menção a Antônio Fagundes, Juliana Paes, Johnny Massaro, Rodrigo Lombardi, Inês Peixoto e Flavio Bauraqui, ótimos por seus papeis em “Meu Pedacinho de Chão”.

Não quero aqui discutir os métodos para as escolhas, já que envolve votação dos funcionários da Globo e voto popular pela Internet. Afinal, por ser algo de natureza subjetiva, nenhuma eleição dos “Melhores” terá um resultado lógico. Ainda mais em se tratando de um ano que teve tantas opções. Concluo com uma frase do discurso de agradecimento de Josie Pessoa, vencedora na categoria Atriz Revelação (pela Du de “Império”), que diz muito sobre a natureza deste tipo de premiação: “Agradeço meus fãs, que passaram a madrugada votando”. Bom para quem tem fã clube na Internet, não?

Veja os vencedores na categorias de dramaturgia:

Ator de Novela: Alexandre Nero por “Império”. Concorreu com Murilo Benício por “Geração Brasil” e Osmar Prado por “Meu Pedacinho de Chão”.

Atriz de Novela: Cláudia Abreu por “Geração Brasil”. Concorreu com Lília Cabral por “Império” e Bruna Linzmeyer por “Meu Pedacinho de Chão”.

Ator Coadjuvante: Aílton Graça por “Império”. Concorreu com Lázaro Ramos e Luís Miranda por “Geração Brasil”.

Atriz Coadjuvante: Drica Moraes por “Império”. Concorreu com Andreia Horta e Marina Ruy Barbosa por “Império”.

Ator Revelação: Chay Suede por “Império”. Concorreu com Jesuíta Barbosa por “O Rebu” e Irandhir Santos por “Meu Pedacinho de Chão”.

Atriz Revelação: Josie Pessoa por “Império''. Concorreu com Paula Barbosa por “Meu Pedacinho de Chão'' e Chandelly Braz por “Geração Brasil''.

Ator de Série ou Minissérie: Bruno Gagliasso por “Dupla Identidade”. Concorreu com Cauã Reymond por “Amores Roubados” e Vladimir Brichta por “Tapas e Beijos”.

Atriz de Série ou Minissérie: Fernanda Torres por “Tapas e Beijos”. Concorreu com Ísis Valverde por “Amores Roubados” e Luana Piovani por “Dupla Identidade”.

Ator/Atriz Mirim: Giovanna Rispoli por “Boogie Oogie”. Concorreu com Tomás Sampaio e Geytsa Garcia por “Meu Pedacinho de Chão”.

Houve ainda a categoria Humor, em que Leandro Hassum venceu por seu personagem na novela “Geração Brasil”, mas concorria com atores de programas humorísticos: Marcelo Adnet por “Tá no Ar” e Rodrigo Sant´Anna por “Zorra Total”.


Balanço: 2014 foi um ano de amadurecimento para as séries da TV aberta
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Nilson Xavier

Cauã Reymond e Ísis Valverde em "Amores Roubados", e "Bruno Gagliasso em "Dupla Identidade" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Cauã Reymond e Ísis Valverde em “Amores Roubados'', e “Bruno Gagliasso em “Dupla Identidade'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

Apesar da qualidade de produção de algumas novelas de 2014 (“Meu Pedacinho de Chão”, “O Rebu”), as suas audiências, de um modo geral, não foram significativas – nada além do que se podia prever para um ano de Copa do Mundo e campanha eleitoral. Em contrapartida, se nos voltarmos para as produções seriadas da TV aberta, houve um avanço significativo no ano que passou. Três delas, de qualidade inquestionável, se destacaram. E a audiência acompanhou a qualidade, em pelo menos duas delas.

Produção de tirar o fôlego, “Amores Roubados” – minissérie de dez capítulos, exibida em janeiro, com roteiro final assinado por George Moura e direção geral de José Luiz Villamarim – conquistou os telespectadores, cativando uma audiência que surpreendeu a própria Globo. Aqui, a emissora repetiu o trio que apresentara “O Canto da Sereia” em 2013: além de Moura no roteiro e Villamarim na direção, o fotógrafo Walter Carvalho. Essa equipe retornou em 2014 (mais Sergio Goldenberg no roteiro) com a novela “O Rebu”.

Outro sucesso de público (e de crítica) foi a excelente “Dupla Identidade”, assinada por Glória Perez com direção geral de Mauro Mendonça Filho. Tendo como referência séries policiais estrangeiras, este trabalho em nada lembra a desastrada “Salve Jorge”, última novela de Glória. Com um trabalho primoroso de pesquisa, texto, direção e a ótima atuação de Bruno Gagliasso e Débora Falabella, a autora exibiu um maduro panorama da realidade brasileira (dentro dos limites impostos pelos clichês do gênero, claro) no que se refere à investigação de crimes cometidos por serial killers. Tão representativa dentro da produção nacional que não seria exagero se, no futuro, a considerássemos um divisor de águas para o formato.

Enquanto “Amores Roubados” e “Dupla Identidade” conquistaram o público, dentro do que se espera da promoção de uma emissora como a Globo, a Record fez o que pode para divulgar sua ótima “Plano Alto”, minissérie de Marcílio Moraes, com direção geral de Ivan Zettel. A repercussão foi pouca, mas esta produção mostra que a emissora de Edir Macedo ainda preza por trabalhos que lhe deem prestígio a despeito da audiência. O autor aqui, em pleno ano eleitoral, traçou um panorama político brasileiro muito interessante. Só acho que deveria ter sido exibida antes do início da campanha eleitoral, e não às vésperas do segundo turno. A Record segue com outras produções de dramaturgia, além de uma novela. Em 2014, foram ao ar ainda a bíblica “Milagres de Jesus” e, agora no fim do ano, “Conselho Tutelar”.

Milhem Cortaz, Gracindo Jr. e Bernardo Falcone em "Plano Alto" (Foto: Divulgação/TV Record)

Milhem Cortaz, Gracindo Jr. e Bernardo Falcone em “Plano Alto'' (Foto: Divulgação/TV Record)

A Globo segue com suas séries cômicas, de apelo popular ou não, mas se renovando. A prova disso foi a extinção de “A Grande Família”, a mais longeva da história da emissora, com um último episódio inesquecível. “Tapas e Beijos” parece ser a herdeira natural, se considerarmos que já está no ar há algum tempo e o público alvo é o mesmo de “A Grande Família”. 2014 também teve a ótima “Doce de Mãe”, estrelada por Fernanda Montenegro. Gostosa, como o título sugere. Podia ter mais temporadas. E “Segunda Dama”, estrelada por Heloísa Périssé. Não precisa de segunda temporada.

Miguel Falabella apresentou a terceira temporada da ótima “Pé na Cova”, para quem aprecia o humor típico do autor, com uma dose de filosofia, lirismo e melancolia. Falabella ainda exibiu a controversa “Sexo e as Negas”, que causou tanto barulho antes da estreia (segmentos que representam as mulheres negras não gostaram da premissa da série) que só lhe serviu de promoção. Muito barulho por nada: ao final, como era de esperar, a atração em nada feriu o orgulho da mulher afrodescendente.

Se “Dupla Identidade” pode representar um “divisor de águas” para as séries policiais de suspense nacionais, pode-se afirmar que “A Teia” e “O Caçador” – exibidas antes, entre janeiro e julho – serviram como um bom ensaio para o que estava por vir. Assim, concluímos que 2014 foi um ano de amadurecimento para a produção nacional seriada. Pelo menos no que tange a TV aberta (a TV a cabo está em outro cenário, tem outras premissas e parâmetros). Mesmo longe de alcançar o modelo americano, tanto em produção quanto em repercussão, a experiência adquirida em 2014 não foi pouca.


As novelas que se destacaram e as que decepcionaram em 2014
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Nilson Xavier

Destaques de 2014: "Meu Pedacinho de Chão" e "O Rebu" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Destaques de 2014: “Meu Pedacinho de Chão'' e “O Rebu'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

Para quem preza mais a qualidade do que números de audiência, fica difícil avaliar de forma fria as “melhores” e as “piores” novelas do ano. O maior exemplo é “Além do Horizonte”. A novela será sempre lembrada como “um fracasso de audiência”, mas teve pontos tão positivos que a distanciam de ser classificada como um fracasso em termos de qualidade. Foi uma trama que priorizou a aventura e o mistério em detrimento à fórmula folhetinesca tradicional. Só por isso, vale o mérito. Conseguiu se reinventar sem descaracterizar sua proposta inicial. E a Globo sabia que era um projeto arriscado. Prova de que a emissora está disposta a avançar em experimentações, nem que seja ocasionalmente.

Outro exemplo disso é a ótima “Meu Pedacinho de Chão”. Projeto audacioso e arrojado da emissora, um dos destaques de 2014, mas que teve uma baixa audiência. Uma novela narrada como um contos de fadas, de apelo infantil, usando elementos lúdicos, e de altíssima qualidade de produção. Isso tudo – mais a direção sempre empolgante de Luiz Fernando Carvalho e o texto sensível de Benedito Ruy Barbosa -, a fazem uma das melhores produções da TV brasileira dos últimos tempos.

O Rebu” também não foi um sucesso de audiência. Mas a qualidade da produção, texto e direção é inquestionável. Errou sim, em alguns momentos, no roteiro, pouco salutar ao telespectador médio, e que, algumas vezes, mais confundiu do que ajudou o público a montar o quebra-cabeças da trama. Mas nada que desabonasse ou maculasse o resultado final. Também merece ser um dos destaques do ano.

2014 começou com o último mês de exibição de “Amor à Vida”. A questionável qualidade de texto de Walcyr Carrasco não impediu que a novela tivesse um forte apelo popular e que personagens como Félix (Mateus Solano), Márcia (Elizabeth Savalla) e Valdirene (Tatá Werneck) se tornassem alguns dos mais queridos dos últimos tempos. O grande destaque foi a abordagem da homossexualidade – através da relação de Félix com seu pai vilão, César (Antônio Fagundes). E propiciou um dos mais emocionantes finais de último capítulo da história das telenovelas: a reconciliação de Félix e César.

Joia Rara” (terminou em abril), a ganhadora do Emmy, cumpriu bem sua tarefa como produção: uma caprichada remontagem de época. Mas ainda ficou devendo em história. Também falhou no roteiro a sonolenta “Em Família”, lançada como “a última novela de Manoel Carlos”, mas que em nada lembrou os áureos tempos do novelista, com seus folhetins da década de 1990. Um desacerto entre roteiro e direção (Jayme Monjardim), que resultou em uma trama lenta e mal alinhavada e que afugentou o telespectador. Sim, o texto de Maneco continua bom, ainda mais se encontra atores à altura. Mas novela precisa de mais, bem mais. Acabou entre os piores resultados de 2014.

Além de “Em Família”, o ano apresentou outra grande decepção: “Geração Brasil”, a novela de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, a mesma dupla que fez o sucesso “Cheias de Charme”, em 2012. Desconsiderando a grande expectativa dos fãs da novela anterior da dupla, “Geração Brasil” ficou devendo muito. Ousou ao tratar tecnologia e nerds, mas só cansou com uma temática que revelou-se pouco folhetinesca. Uma ótima ideia, a princípio, mas que, na prática, não funcionava. Salvaram-se poucos bons momentos de alguns atores – como Luís Miranda e sua Dorothy Benson.

Decepções: "Geração Brasil" e "Em Família" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Decepções: “Geração Brasil'' e “Em Família'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

A Record tenta, mas está praticamente impossível concorrer com o carro-chefe da Globo – a novela das nove. “Pecado Mortal”, de Carlos Lombardi, foi um dos melhores folhetins já produzidos pela emissora, mas que pouca gente viu – uma pena. Tanta coisa deu certo ali – como Victor Hugo vivendo o vilão Picasso. A novela terminou em maio e foi substituída por “Vitória”, de Cristianne Fridman, onde ficou claro no primeiro capítulo o esforço em não arriscar e fazer um produto bem tradicional, sem maiores ousadias. O mais longe que a novela conseguiu ir ficou na abordagem ao neonazismo. Mas, mesmo assim, de maneira ainda pouco empolgante. Em nada lembra os melhores trabalhos de Fridman na Record.

O SBT segue firme e forte em dois segmentos: a reprise vespertina de novelas importadas (ou de suas produções de texto importado), e o filão infantil iniciado com “Carrossel” em 2012. “Chiquititas” caminha para seu segundo ano de exibição ininterrupta. Os resultados não são tão impactantes como na época de “Carrossel”, mas a emissora tem público cativo e vem adquirindo know-how com suas produções infantis. O melhor exemplo é a série “Patrulha Salvadora”, exibida ao longo deste ano, de produção melhor acabada.

Como de praxe, a temporada 2013 de “Malhação” terminou na metade de 2014 e foi substituída pela nova temporada. Aqui, nada de novo no front. A fórmula continua sendo proveitosa para a Globo – apesar da diminuição da audiência a cada temporada (na verdade reflexo da televisão em geral). Ao menos, forma novos atores, autores e diretores.

Império” (começou em julho), de Aguinaldo Silva, tem lá seus méritos. Ótima direção (núcleo) de Rogério Gomes (o que é um bom diferencial para Aguinaldo), elenco bem escalado e alguns personagens que caíram no gosto do público. Algumas histórias se destacam em detrimento às outras, mas nenhuma forte o bastante para fazer o público vibrar. Ainda falta um borogodó em “Império”. O Ibope está bom e a novela é melhor que as três últimas do horário. Já estamos no lucro.

Boogie Oogie” (começou em agosto), do estreante (como autor solo) Rui Vilhena, causou furor ao apresentar uma trama ágil e dinâmica, com muitas reviravoltas toda semana. Uma boa produção com a direção sempre certa de Ricardo Waddington. Já passou da metade. Vai manter o ritmo de sempre? Vamos torcer! A essa altura, o Rui já deve estar com a língua no chão.

Alto Astral” (começou em novembro), do também estreante autor solo, Daniel Ortiz, aqui supervisionado por seu mestre Silvio de Abreu, em direção de núcleo de Jorge Fernando. Depois de duas ousadias às sete horas, era natural que a Globo voltasse com uma novela despretensiosa. Começou extremamente romântica, é leve e o humor vai aumentando paulatinamente. Tem pouco tempo no ar e pode render muito ainda.

Com exceção de “Em Família” e “Geração Brasil” – as maiores decepções do ano – 2014 foi bom para as novelas, mesmo com intempéries como a Copa e a campanha eleitoral. Graças à habilidade de Aguinaldo Silva em fisgar o público, o horário das nove vê bons resultados novamente. Importante salientar também a oportunidade que a Globo vem dando a novos talentos: Carlos Gregório e Marcos Bernstein (“Além do Horizonte“), George Moura e Sergio Goldenberg (“O Rebu”), Rui Vilhena (“Boogie Oogie”) e Daniel Ortiz (“Alto Astral”).


2014 foi o ano dos gays nas novelas
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Nilson Xavier

Giovanna Antonelli e Tainá Muller (Em Família) e Klebber Toledo e José Mayer (Império) (Foto: Divulgação/TV Globo)

Giovanna Antonelli e Tainá Muller (Em Família) e Klebber Toledo e José Mayer (Império) (Foto: Divulgação/TV Globo)

A homossexualidade nunca foi tão abordada nas novelas quanto neste ano. Em 2014, os gays foram destaque e chamaram a atenção nos três folhetins do horário das nove da Globo – o de maior audiência e faturamento.

O ano começou com o último mês de exibição de “Amor à Vida”, de Walcyr Carrasco, e o auge da popularidade do personagem Félix (Mateus Solano), seu romance com o Carneirinho (Thiago Fragoso) e a relação conflituosa com o pai vilão, César (Antônio Fagundes), que culminou com o primeiro beijo gay em uma novela na Globo e com um dos mais emocionantes finais de todos os tempos: César reconhecendo o amor e dedicação do filho.

Na sequência, o maior destaque da insossa “Em Família”, de Manoel Carlos, foi um casal de lésbicas que também deu o que falar. A carismática Clara (Giovanna Antonelli), largava o marido boa-praça, Cadu (Reynaldo Gianecchini), para se unir à fotógrafa Marina (Tainá Muller), que fez de tudo para conquistá-la. O público se dividiu entre os que torciam pela relação “Clarina”, e os que reprovavam a atitude de Clara, já que ela abnegava do amor do marido, que estava doente, deixava um cenário de família de comercial de margarina – com direito a um filho fofo – para se unir a uma lésbica predadora.

Por fim, sai “Em Família” e entra “Império”, de Aguinaldo Silva, em que ganhou força a perseguição do jornalista gay – afeminadíssimo, fofoqueiro e maléfico – Téo Pereira (Paulo Betti) em cima de Cláudio Bolgari (José Mayer), homem casado com Beatriz (Suzy Rêgo), mas que estava de caso com o rapazote Leonardo (Klebber Toledo), relação que acabou ganhando a conivência da mulher. Além da “saída de armário” forçada de Cláudio, o autor da novela ainda apresentou a figura exótica de Xana (Aílton Graça), que se veste e se comporta como uma mulher, e discute a homofobia através de Enrico (Joaquim Lopez), filho de Cláudio que se revoltou contra o pai.

Contabilizando as tramas dos demais horários e emissoras: Joel (Marcelo Médici) de “Joia Rara”, um gay afetado que descobre que “gosta de mulher”; a transex Dorothy Benson (Luís Miranda) de “Geração Brasil”; a relação fraternal entre Ângela Mahler (Patrícia Pillar) e Duda (Sophie Charlotte), em “O Rebu”, que, ao final, sugeriu ser bem mais que isso; e, atualmente, temos o divertido Pepito (Conrado Caputto), em “Alto Astral”, e Virgulino (Ricardo Ferreira), em “Vitória” (na Record), alvo preferido dos neonazistas da trama (por ser gay e nordestino).

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Historicamente, essa “ocupação” dos gays nas novelas foi ocorrendo paulatinamente, à medida em que a sociedade vem discutindo o assunto (vide gráfico acima). Até meados dos anos 1980, os gays eram praticamente proibidos nas novelas e a homossexualidade era tratada como um tema tabu. Desde o início da década de 2000, se percebe um maior interesse dos novelistas em abordar a problemática homossexual – muito além da tarimbada figura alegórica do “gay caricato de programa de humor”.

O horário das sete, de maior leveza nas abordagens, foi o que mais registrou a presença do gay: do ano 2000 para cá, quase todas as novelas apresentaram, ao menos, um gay, ainda que fosse caricato. Mas é o horário das nove o que consegue aprofundar-se mais na temática e o que apresentou as melhores abordagens. Abaixo, apresento uma relação dos personagens do universo gay de maior representatividade em nossa Teledramaturgia.


“Império” levanta o horário nobre da Globo, mas ainda não para o Brasil
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Nilson Xavier

Lília Cabral (Maria Marta) e Alexandre Nero (José Alfredo) (Foto: Divulgação/TV Globo)

Lília Cabral (Maria Marta) e Alexandre Nero (José Alfredo) (Foto: Divulgação/TV Globo)

Há cinco meses no ar, a novela “Império” já tem um grande mérito: ter levantado a moral do horário nobre da Globo. Sua audiência na Grande São Paulo segue boa. Não tem um excelente Ibope, como a última do autor Aguinaldo Silva, “Fina Estampa” (de 2011-2012). Nem é um fenômeno de repercussão, como “Avenida Brasil” (de 2012). Mas, em alguns aspectos, “Império” é superior aos folhetins que vieram depois: “Salve Jorge”, “Amor à Vida” e “Em Família”. Todavia, é lógico que as antecessoras não são parâmetro para justificar ou compensar os problemas de “Império”.

Pode-se reclamar de tudo da trama de Aguinaldo. Menos dos erros crassos de roteiro e direção de “Salve Jorge”, do texto pobre de “Amor à Vida” ou do marasmo de “Em Família”. “Império” é uma boa novela. Mas seria melhor se a trama central fosse mais poderosa, daquelas de perder o fôlego, que prendem o telespectador, que fazem com que o público não fique sem perder um capítulo. O barraco familiar envolvendo Cora e o clã do Comendador (neste sábado, 13/12) pode ter passado batido para muitos. Mas, fisgar o espectador diariamente é uma tarefa cada vez mais difícil nos dias de hoje. Nós, o público, estamos mais e mais exigentes. O arroz com feijão diário já não é mais o suficiente para agradar.

Cena do capítulo de sábado, 13/12 (Foto: Divulgação/TV Globo)

Cena do capítulo de sábado, 13/12 (Foto: Reprodução)

O autor vai cozinhando uma trama aqui e outra ali, enquanto outra ganha os holofotes. Em meio a isso, destacam-se ótimos atores em suas performances. Nos últimos capítulos, vimos Marjorie Estiano substituir Drica Moraes no papel de Cora – duas excelentes atrizes em uma personagem complexa. Já reclamei AQUI que a Cora entregue não era a que havia sido vendida. Mas, a expectativa frustrada é compensada por uma personagem que vai se revelando mais densa. Sinceramente, espero que a Cora de Marjorie traga de volta a sobriedade amarga que a atriz deu à personagem na primeira fase. Muito mais interessante que a Cora cômica que solta pum – como já vimos Aguinaldo obrigar Drica Moraes a fazer.

Zezé Polessa e Tato Gabus também tiveram, nos últimos capítulos, sequências dignas de nota. O casal trambiqueiro, que parecia raso, ganha profundidade com a interpretação dos atores. Suzy Rêgo e José Mayer também têm seus grandes momentos. Alexandre Nero, Lília Cabral, Leandra Leal, Paulo Betti, Aílton Graça, Othon Bastos, Elizângela… “Império” tem um ótimo elenco, bem dirigido, com o bom texto de Aguinaldo, sempre com uma pegada popular. Talvez este seja o maior trunfo da novela: a união do bom texto do autor com a boa direção (núcleo de Rogério Gomes) e o elenco. Só falta a trama parar o Brasil. Isso ainda não aconteceu.