Blog do Nilson Xavier

Incoerências e furos de roteiro ajudaram na repercussão “Salve Jorge”
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Nilson Xavier

Nanda Costa e Rodrigo Lombardi em “Salve Jorge” (Foto: Divulgação/TV Globo)

O “bonde do recalque” se desfez nesta sexta-feira (17/05), com a exibição do último capítulo de “Salve Jorge”. Bonde do recalque foi o apelido que a autora Glória Perez deu a uma turminha no Twitter para revidar as críticas diárias que recebia sobre sua novela. A acusação de que existia uma campanha deliberada contra “Salve Jorge” – em que até sugeriu que havia gente recebendo dinheiro para falar mal da trama – mostra que a aproximação com o público tem dois lados: pode aproximar ou afastar. Bloquear perfis que criticam e retuitar apenas os que elogiam talvez tenha sido uma forma nada amistosa de lidar com a situação. Pelo contrário. A meu ver, gerou antipatia e só alimentou ainda mais o bonde do recalque.

Mas é inegável que até as críticas geraram ruído e repercussão para a novela. “Salve Jorge” sobreviveu do que repercutiu. Thammy Gretchen dançando a “Conga”, travestis traficados, as surras que Wanda levou, a seringada no elevador, o wi-fi na caverna, viagens de jatinho à Turquia, o “cabelo bipolar” de Morena, a igreja 24 horas, os personagens que sumiram, bebês dentro da bolsa, português falado na Turquia, a repetição de elenco e estilo, e o próprio bonde do recalque, só serviram para chamar a atenção do público para uma trama que capengou na audiência em seu início e demorou para engrenar.

Salve Jorge” chega ao seu fim com a pecha de “menor média no Ibope entre as tramas das nove da Globo”: 34 pontos (perdendo para “Passione” 35, “Insensato Coração” 36, “Fina Estampa” e “Avenida Brasil”, 39). Mas a audiência não é um fato isolado. A novela estreou em uma época muito ruim, com Horário Político, Horário de Verão, festas de fim de ano, feriadões. E não só a novela das nove, mas todo o horário nobre sofreu uma queda vertiginosa na audiência no período, em todas as emissoras. Não por acaso, a trama das sete (“Guerra dos Sexos”) e a das seis (“Lado a Lado”) também amargaram índices baixos. E estamos falando de Ibope na Grande São Paulo (o que interessa ao mercado publicitário). Em outras praças, e em outros mecanismos de medição, a audiência foi mais representativa.

E mais uma vez Glória fisgou seu público com tipos bem populares (Maria Vanúbia/Roberta Rodrigues PIPIPIPIPI que o diga) e temas de interesse social. Adoção ilegal, alienação parental e tráfico de humanos (mulheres, travestis, bebês) estiveram na pauta durante os sete meses da novela: o grande mérito de “Salve Jorge”, levar ao conhecimento do público assuntos tão sérios. Já estamos acostumados às campanhas sociais de Glória em seus folhetins, sempre pertinentes e interessantes. E também acostumados às culturas exóticas de países distantes, com personagens, dancinhas e bordões, pitorescos ou chatos. A repetição de estilo e elenco foi uma das maiores reclamações do início da novela. Assim como o grande número de personagens – muitos se perderam no caminho e sumiram sem maiores explicações.

Antes mesmo da estreia, Glória Perez enfrentou um dragão com sua novela: a escalação de Nanda Costa para viver a protagonista Morena foi criticada. A atriz, sempre coadjuvante na TV, já se destacara no cinema, mas estranhou os desavisados. Pois todos tiveram que engolir Morena. Nanda fez seu papel direitinho e mostrou a segurança das protagonistas até nas cenas que mais lhe exigiam. Em contrapartida, o protagonista masculino ganhou uma alcunha que lhe caiu como uma luva: PasThéo. Mais culpa do texto e do perfil do personagem do que da capacidade do ator (Rodrigo Lombardi). Mas viver um protagonista masculino em uma novela de Glória Perez não é tarefa nada fácil. Que o diga Márcio Garcia em “Caminho das Índias”.

Murilo Grossi e Giovanna Antonelli em “Salve Jorge” (Foto: Divulgação/TV Globo)

Salve Jorge” reservou ótimos momentos para Giovanna Antonelli e Carolina Dieckmann – quase elevadas à categoria de protagonistas da novela, ante a rejeição inicial sobre Morena/Nanda Costa. Antonelli brilhou tanto que sua delegada Donelô já é um de seus melhores papeis em TV. Brilharam também Dira Paes e Totia Meirelles. A mãe-coragem Lucimar e a vilã Wanda foram uma atração à parte dentro da trama. Dira teve cenas ótimas, responsável por alguns dos momentos de maior carga dramática na história. Wanda foi o destaque do núcleo dos vilões, a única com alguma humanidade e que fugiu do estereótipo caricato de Lívia Marine ou Irina (as robóticas Cláudia Raia e Vera Fischer).

Thammy “Gretchen” Miranda chamou a atenção positivamente. Sem levantar bandeira, a lésbica Jô esteve lá quietinha em sua mesa boa parte do tempo, cumprindo sua função profissional. Ponto para a autora, que não teve a pretensão de discutir a homossexualidade de Jô. Glória preferiu outro viés, mais condizente com a trama central da novela: gays e travestis foram incluídos no grupo dos traficados. Pena que os gays apresentados eram bem caricatos e estereotipados. Diferente das travestis, que ganharam uma caracterização mais realista.

Do núcleo dos turcos, entre vários personagens desinteressantes, salvou-se a trama da família de Mustafá (Antônio Calloni), com o drama de Aisha (Dany Moreno), que passou a novela inteira atrás de suas origens e, ao final, descobriu que havia sido vítima do tráfico de recém-nascidos. Mas foi difícil de engolir a resistência de Aisha em aceitar a mãe biológica (por ela ser uma humilde moradora do Morro do Alemão) após ter caído no papo de Wanda e aceitado ela como sua mãe, mesmo Wanda estando presa. Preconceito social de Aisha, ou uma situação, que ficou incoerente, criada apenas para atender o roteiro?

Independente de esta ter sido mais uma das várias incongruências de “Salve Jorge”, a novela entrou para a história como a que teve mais furos de roteiro. E o bonde do recalque foi implacável com Glória Perez, nada passou despercebido. O auge ocorreu na sequência em que Raquel (Ana Beatriz Nogueira) é assassinada: ela entra no elevador do hotel para melhorar o sinal do celular (oi?) e Lívia Marine mete-lhe uma seringa envenenada no pescoço dentro do elevador – ignorando o fato de que qualquer elevador possui câmeras de segurança.

Do remendo, o que foi o pior? A autora ter ido ao Twitter tentar se explicar, ou a explicação em si? “Livia Marine tinha contatos no hotel”. FIM. Outra justificativa muito usada pela autora foi a de que novela é ficção, não tem a obrigação de mostrar a realidade. ”Licença poética! É preciso voar!” (com direito a clipe do “Pavão Misterioso” de Ednardo). Coerência para quê, diante de tal argumento?

Glória está certa, o folhetim é um estilo que permite vôos altos. Mas, pelo menos 48 anos separam o folhetim de Glória Perez dos folhetins de outra Glória, a Magadan, novelista que usava e abusava de tramas rocambolescas e fantasiosas em países exóticos, na década de 1960. A telenovela no Brasil é o que é hoje porque se sofisticou a tal ponto (como narrativa e programa televisivo de entretenimento) que seu público conhece e reconhece estilos e propostas. “Salve Jorge” foi vendida como uma trama realista, que tratava de um tema urgente, difícil e alarmante: o tráfico de humanos – mais uma novela de Glória Perez calcada em um tema social. Mas, como embarcar em uma proposta tida como realista que acabou tendo um desenvolvimento muitas vezes fantasioso, com vilões caricatos, em que a autora pedia ao seu público que voasse com ela? “Salve Jorge” não era realismo fantástico (“Saramandaia”, “A Indomada”), ou uma fantasia (“Cordel Encantado”). O tema tráfico humano merecia um desenrolar mais realista, à altura de sua problemática e urgência.

A autora pecou pelas incoerências e furos de roteiro enquanto a direção derrapou em várias sequências, com direito a erros de continuidade (o “cabelo bipolar da Morena”, por exemplo, uma hora liso, outra cacheado). Ficou a impressão de que a direção preferiu fechar os olhos a esses “detalhes” e dar vazão ao lema da autora: “é preciso voar”. Só que o público não gosta de ser subestimado.

A televisão sempre acompanhou a evolução social e tecnológica. O futuro da telenovela depende disso. Algumas produções já compreenderam esse contexto. Não se pode mais ignorar que falhas passem despercebidas. Antigamente, se uma falha fosse notada, o máximo que se podia fazer era escrever uma carta para a redação de uma revista. Hoje em dia, milhares de telespectadores assistem à novela e comentam juntos, no momento em que ela vai ao ar. Nada passa despercebido e qualquer falha vira alvo de reclamação ou troll. Independente se paga-se para isso ou não. O bonde do recalque, parece, vai continuar de olho.


Roberta Rodrigues, a Maria Vanúbia, é destaque em capítulo de “Salve Jorge”
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Nilson Xavier

Totia Meirelles e Roberta Rodrigues em cena de “Salve Jorge” (Foto: TV Globo)

Última segunda-feira de “Salve Jorge” e um capítulo bastante atípico. Primeiro porque Glória Perez se lembrou de uma trama solta lá do início da novela e que passou despercebida por esses sete meses: Celso (Caco Ciocler) não é filho de Arturo (Stênio Garcia). Glória lembrou também de Eva Todor, que há sete meses não aparecia na novela. Seu retorno desencadeou a morte de Arturo: foi pela boca dela que ele ficou sabendo de toda a verdade. Foi demais para o velho, que teve uma síncope e faleceu. Pronto. Um fio solto a menos neste novelo.

Mas o grande destaque do capítulo foi Maria Vanúbia, a periguete-mor do Alemão, interpretada por uma Roberta Rodrigues esfuziante. A audácia, o palavreado, os trejeitos e o sangue quente de Vanúbia já haviam chamado a atenção do público, nos sete meses em que a personagem passou tomando sol na laje, levando cantada barata de Pescoço (Nando Cunha) e batendo boca com as mulheres recalcadas do Alemão, que não aguentavam tanta petulância e sex-appeal.

Roberta Rodrigues “arrasou”, ou “sambou” – como se fala atualmente. Ou seja: mandou muito bem mesmo. É de longe o seu melhor momento em novelas. Uma “googlada” rápida revela que ela já interpretou muita empregada e papeis pequenos. Tem uma boa atriz aí e que merece mais papeis à sua altura.

Vanúbia caiu no conto do dinheiro fácil na Turquia. Mas foi a única que peitou os chefões. Uma faca providencial e Morena (Nanda Costa) a salvaram da Organização. Uma personagem ótima, interpretada por uma atriz idem merecia ter tido cenas desse tipo há mais tempo,  não apenas banho de sol e bate-boca. Certeza de que as aventuras de Maria Vanúbia na Turquia teriam rendido mais audiência à novela e pontinhos a mais no gosto do público por “Salve Jorge”.


“Dona Xepa” promete ser uma boa opção da Record para 2013
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Nilson Xavier

Ângela Leal em cena de “Dona Xepa” (Folto: TV Record)

Assisti com receio ao clipe de lançamento da novela “Dona Xepa”, apresentada à imprensa nesta terça-feira (07/05), em um estúdio do Recnov, no Rio de Janeiro. Meu maior medo era a Record imprimir à sua nova novela a mesma pegada popularesca da atual “Balacobaco”. Mas não.

A próxima trama da emissora, que estreia dia 21, me pareceu “redondinha”, no sentido de ser uma novela sem maiores pretensões de obrigatoriamente agradar à famigerada “nova classe C” – como é “Balacobaco”, uma produção repleta de caricaturas e uma trilha por demais popularesca.

A história de “Dona Xepa” – a mãe batalhadora e simplória desprezada pelos filhos carreiristas – é, acima de tudo, um prato cheio para agradar públicos de todas as classes sociais. E parece que a Record vai tratá-la como deve ser: apenas um novelão.

A peça de Pedro Bloch – na qual a novela é inspirada – já foi adaptada para o cinema (filme de Darcy Evangelista, de 1959, com Alda Garrido) e, pelo menos, duas vezes para a TV (a novela “Dona Xepa”, de Gilberto Braga, em 1977, com Yara Côrtes, e a novela “Lua Cheia de Amor”, escrita por Ricardo Linhares, Ana Maria Moretzsohn e Maria Carmem Barbosa, em 1991, com Marília Pêra).

É claro que o autor Gustavo Reiz e sua equipe de roteiristas vão imprimir modernidades à nova história. Um vídeo de Dona Xepa vai cair no Youtube e virar hit na Internet. Vai ter mulher-fruta (nada mais condizente com a feira da novela), busca desmedida pela fama e especulação imobiliária. Coincidentemente, a novela das sete da Globo, “Sangue Bom”, também tem mulher-fruta e busca pela fama.

A nova classe média será retratada, claro, mas de forma mais comedida, menos acintosa: a classe abastada se rendendo ao poder econômico da nova classe C. Até a trilha sonora vem melhor. Curiosamente, o tema de abertura é o mesmo da versão da Globo de 1977 – a música “A Xepa” de Ruy Maurity e José Jorge, dessa vez em uma regravação de Eliana de Lima.

A história é ambientada em São Paulo, que está em alta na nossa Teledramaturgia: as outras emissoras também apostam na capital paulista, que detém o principal mercado publicitário do país. “Sangue Bom” e “Amor à Vida”, as novas novelas da Globo, também se passam lá (assim como “Chiquititas”, do SBT). Mas Gustavo Reiz preferiu não nomear regiões ou bairros de São Paulo. “Dona Xepa” se passa na fictícia Vila do Antigo Bonde e em algum bairro rico. Fim.

A previsão de duração inicial é de 96 capítulos – o que seria ideal para uma novela com um elenco enxuto. “Dona Xepa” tem apenas 31 atores, uma exceção nos dias de hoje e entre as tramas da emissora. Ângela Leal vive a protagonista – a atriz já participara da versão da Globo, de 1977. Thaís Fersoza e Arthur Aguiar (saído de “Rebelde”) são seus filhos Rosália e Edison. O restante de personagens têm nomes diferentes dos de outras versões da história. E Gustavo Reiz criou novas tramas que não existiam nas outras novelas. Luiza Tomé vive a perua esnobe Meg Pantaleão, que – de longe – tem algum paralelo com a popular Kika Jordão, vivida por Arlete Salles em “Lua Cheia de Amor”, em 1991.

A direção geral é de Ivan Zettel. A Record terceirizou a captação de imagens da cidade de São Paulo. “Dona Xepa” será a primeira novela da emissora gravada em 24 quadros por minuto, o que lhe confere uma aparência mais próxima do cinema. Pelo vídeo de apresentação, me pareceu uma novela colorida, alegre, como toda feira.

Mas só Deus e os bispos da Record poderão dizer o que pode acontecer nos próximos meses. Tudo dependerá da audiência (se for boa, a novela será espichada, prática comum na Record) ou da situação da emissora em relação à trama substituta, “Pecado Mortal”, de Carlos Lombardi – que poderá ter sua estreia bastante protelada.

Saiba mais sobre “Dona Xepa no site Teledramaturgia.


Drama do pai que paga pelo crime do filho é destaque em “Flor do Caribe”
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Nilson Xavier

Luiz Carlos Vasconcelos e Cyria Coentro em “Flor do Caribe” (Foto: divulgação TV Globo)

Uma das tramas paralelas que mais chama a atenção em “Flor do Caribe” – a novela das seis da Globo – é a que envolve o pescador Donato (Luiz Carlos Vasconcelos), que pagou por um crime no lugar do filho, Hélio (Raphael Viana).

Sete anos atrás, Hélio atropelou um casal de turistas, matando-os, mas o pai assumiu seu lugar e cumpriu pena. Posto em liberdade, este era um segredo entre Donato e Hélio e ele esperava que o filho assumisse a culpa, pelo menos diante da família.

Hélio, um rapaz ambicioso, prosperou economicamente, e um crime é uma mancha que poderia estragar seus planos maiores de ascensão social. Donato, sofrendo com a situação, não conseguiu mais esconder este segredo de sua mulher, Bibiana (Cyria Coentro).

O capítulo deste sábado de “Flor do Caribe” (04/05) apresentou uma das cenas mais emocionantes da novela até agora. Bibiana chama o filho para um acerto de contas com o pai, e toda a verdade vem à tona. Em uma sequência de quase nove minutos, os três atores expõe um texto bonito, através de uma direção competente, esbanjando emoção na medida certa.

Os experientes Luiz Carlos Vasconcelos – que já apresentara outras cenas emocionantes na novela – e Cyria Coentro tomam a situação com segurança e talento, e passam a vez para o novato Raphael Viana, que consegue segurar na mesma emoção e também faz bonito. O resultado final é um texto de forte carga dramática, em uma direção segura, com trilha sonora perfeita.

São sequências como essa que fazem todo o diferencial em uma novela, independente da proposta dela. Ponto para o trio de atores, para Walther Negrão e sua equipe de roteiristas, e para Jayme Monjardim e seus diretores. Jayme é um diretor completo, que dirige atores como poucos hoje na televisão, juntando beleza estética e trilha sonora condizente.

Filhos ambiciosos com vergonha de pais simplórios são um prato cheio para ótimos entrechos folhetinescos. Vide Maria de Fátima e sua mãe Raquel (Glória Pires e Regina Duarte) em “Vale Tudo” (1988) e – mais recentemente – Guilherme e sua mãe Dulce (Klebber Toledo e Cássia Kis Magro) em “Morde e Assopra”, e Antenor e sua mãe Griselda (Caio Castro e Lília Cabral) em “Fina Estampa”.

O drama de Donato e Bibiana promete mais emoções, uma vez que Hélio já deu mostras de não estar nem um pouco preocupado com o sofrimento dos pais. Serão eles um obstáculo em sua obsessão por poder? A novela tem bastante chão pela frente.

Saiba mais sobre “Flor do Caribeno site Teledramaturgia.

Raphael Viana em “Flor do Caribe” (Foto: divulgação TV Globo)


Agilidade, texto afiado e nova classe C marcaram a estreia de “Sangue Bom”
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Nilson Xavier

Protagonistas de “Sangue Bom” (Foto: divulgação TV Globo)

Ótima estreia a de “Sangue Bom”, nesta segunda-feira (29/04) – a nova novela das sete da Globo, de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari. Um primeiro capítulo bem dirigido (Dennis Carvalho, Carlos Araújo e equipe), marcado por agilidade, com cenas curtas e clipadas. A dupla de novelistas veio com um texto afiadíssimo, em diálogos rápidos, espirituosos e sarcásticos – lembrou o texto de Carlos Lombardi. Frases de duplo sentido e expressões irônicas: “Não gosto de mulher que pisa” (personagem desaprovando slogan de campanha de sapato), “Mas morreu em que sentido?” (Barbara Ellen/Giulia Gam ao saber que o ex-marido havia morrido), “cara de cu-í-ca” (outra de Barbara Ellen, que, parece, tem muito a dizer na novela).

Será que os autores continuam neste ritmo ou foi apenas para impressionar? Pergunto porque não é bem o estilo das novelas de Maria Adelaide Amaral. Parece claro que “Sangue Bom” bebeu da fonte dos dois últimos sucessos do horário das sete: “Ti-ti-ti” (2010), também de Maria Adelaide e Villari, e “Cheias de Charme” (2012), de Filipe Miguez e Izabel de Olveira. Como elas, a nova trama das sete é colorida, viva, e combina com a agilidade proposta.

Agilidade também combina com juventude – reza a cartilha publicitária. Não por acaso, não se viu atores mais velhos no elenco. Os protagonistas são seis personagens jovens, em seus dramas de ter e ser. O mundo das celebridades e seus clichês ficaram explicitados em vários diálogos e situações. Lembrou a série “A Vida Alheia” (2010), de Miguel Falabella, e a novela “Celebridade” (2003-2004), de Gilberto Braga – que também tinha Dennis Carvalho na direção geral.

Referências à parte, “Sangue Bom” deve demarcar sua identidade própria já nos próximos capítulos. E passa longe de qualquer comparação com “Malhação” – como chegou a ser cogitado quando as primeiras chamadas foram veiculadas.

Os personagens centrais – que são vários – foram quase todos apresentados já nesta estreia, mesmo que em cenas rápidas – já deu para sentir a tônica deles (Bruno Garcia, Letícia Sabatella, Marisa Orth, Ingrid Guimarães, por exemplo). A trilha sonora, bastante executada, também chamou a atenção: hits internacionais e regravações brasileiras “descoladas” – como o próprio tema de abertura.

Malu Mader, quem diria, foi parar na Zona Norte de São Paulo, fazendo papel de pobre – ou de “nova classe C”. Os bairros da região foram devidamente mapeados e citados. A nova classe C – lembrada no texto – se sentiu homenageada. A Globo parece que não quer mais esquecê-la – como aconteceu em “Guerra dos Sexos”.


“Guerra dos Sexos” funcionou mais no drama do que na comédia
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Nilson Xavier

Irene Ravache e Tony Ramos (Foto: divulgação TV Globo)

É sempre grande a expectativa pelo remake de uma novela que fez muito sucesso no passado. As comparações acabam sendo inevitáveis. Os saudosistas que acompanharam a versão original estão sempre dispostos a apontar as diferenças e o que não está funcionando na versão atual. É difícil manter um distanciamento. Mas é necessário. Os tempos são outros, a sociedade e – principalmente – a TV são outras. Nosso olhar sobre a TV também, inclusive.

Guerra dos Sexos”, a novela de 1983, foi um marco e, de certa forma, revolucionou o horário das sete horas da Globo. A responsabilidade de Silvio de Abreu – o autor – era ainda maior. Também de Jorge Fernando, o diretor geral deste remake, que foi um dos diretores da novela original. Há ainda o fato de Jorginho ter sido o responsável pelo remake de “Ti-ti-ti”, em 2010, considerado um grande êxito: esperava-se a mesma repercussão nesta regravação de outro sucesso do passado. Esperava-se muito desta nova “Guerra dos Sexos”.

A novela estreou em um período por demais ingrato. Horário Político, Horário de Verão, festas de fim de ano, calor, tudo isso contribui para que as pessoas não estejam na frente da TV na hora da novela. A média geral na audiência da Grande São Paulo foi a pior já registrada no horário: 23 pontos no Ibope. Mas é importante salientar que esta baixa acometeu todo o horário nobre da TV aberta. Também “Salve Jorge” (às 21 horas) e “Lado a Lado” (às 18), registraram recordes negativos. Fenômeno este muito particular de São Paulo, haja vista que essas novelas tiveram números bem mais expressivos em outras praças.

A trama de Silvio de Abreu tem todos os ingredientes para o sucesso. A história é boa, o elenco e a produção são de primeira, os personagens são carismáticos, tem humor (necessário para o horário) e tem o melodrama (necessário para qualquer folhetim). No início, criticou-se muito o anacronismo do tema central – a luta entre homens e mulheres, em voga em 1983, mas um tanto quanto obsoleto nos dias atuais. Mas Silvio sempre foi categórico ao afirmar que não escreveria um compêndio sobre o assunto – seu objetivo era apenas divertir e fazer rir do ridículo desta luta insana entre homens e mulheres. Foi assim em 1983 e foi assim atualmente, guardadas as devidas proporções.

Drica Moraes, Bianca Bin e Daniel Boaventura (Foto: divulgação TV Globo)

O autor prometeu mudanças na história, mas poucas foram vistas. As mais objetivas ficaram para o final, como o desfecho de alguns personagens. Mas é fato que Charlô (Irene Ravache) – para caber na proposta atual – já não era mais uma feminista ferrenha como outrora. Otávio (Tony Ramos) manteve o ranço dos machistas irascíveis, o que conferiu certo exagero na interpretação de Tony Ramos em alguns momentos. O português Dominguinhos foi um respiro nas chatices de Otávio e deu a Tony a oportunidade de ampliar sua interpretação. Mesmo quando Otávio retornou, já estava mais humano, o que fez Tony Ramos brilhar em várias sequências.

No elenco, vale destacar também a interpretação marcante de Drica Moraes e Glória Pires (as irmãs Nieta e Roberta, respectivamente), que em nada deixaram a dever às intérpretes originais, Yara Amaral e Glória Menezesopa, olha a comparação! Bianca Bin teve a sorte de lhe cair nas mãos uma vilã, tipo mais rico e fácil de interpretar do que a mocinha (como havia sido a Açucena de “Cordel Encantado”, o trabalho anterior da jovem atriz). Edson Celulari cresceu com a novela: o estranhamento de um Felipe abobalhado no início foi se dissipando com o próprio amadurecimento do personagem ao longo da trama.

Se por um lado acho um equívoco acusar o tema central de “Guerra dos Sexos” de anacrônico, por outro vejo anacronismo no humor da novela – talvez este o seu maior problema. O autor propunha uma mistura de estilos de comédia, que vinha desde o humor infantil de desenho animado até o humor sofisticado do cinema clássico americano. Mas o resultado na tela passou batido. Talvez a direção não soube compilar essa sofisticação na hora de tirar do papel e passar para a tela. Faltou à direção fazer rir – o grande trunfo da novela em 1983.

De “Guerra dos Sexos”, ficamos com os momentos risíveis proporcionados por Nieta (Drica Moraes), Dona Semíramis (Débora Olivieri), Frô (Mariana Armellini), Dominguinhos (Tony Ramos), Olívia (Marilu Bueno) e alguns outros. E o lado folhetinesco da trama. Sempre se espera de uma novela que o público torça pelos seus casais românticos e se questione sobre os destinos dos personagens: “Com quem Nando vai ficar, Roberta ou Juliana?” “Ou Roberta fica com Felipe?” “E o fim de Carolina?”. Por conta dessa especulação em torno de seus desfechos, a novela viu sua audiência crescer na reta final, tendo inclusive ultrapassado os 30 pontos (a meta no horário) em uma ocasião. A “Guerra dos Sexos” de 2012-2013 saiu-se melhor no melodrama.

Leia também a opinião de Maurício Stycer sobre a novela ‘Com tema pouco atual e aposta no exagero, Guerra dos Sexos provocou indiferença’


Cinismo em “Guerra dos Sexos”: Jorge Fernando pede para sua mãe parar de apitar na novela
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Nilson Xavier

Jorge Fernando com sua mãe Hilda Rebello, ao fundo (Foto: TV Globo)

Perto de seu final, a novela das sete da Globo, o remake de “Guerra dos Sexos”, de Silvio de Abreu, apresentou, no capítulo de sexta-feira (12/04), uma cena inusitada, divertida e até bonitinha, que teve a participação do diretor geral da novela, Jorge Fernando (talvez vivendo ele mesmo).

Jorginho aparece rapidamente abordando sua mãe, Hilda Rebello – na vida real e na novela, já que ele a chamou de mãe. A sua participação nada mais era do que uma desculpa para um merchan: ele a presenteia com um sabonete de uma marca de cosméticos. E aproveita e pede encarecidamente para que ela pare de apitar na novela.

“Para com esse apito, mãe! Você não precisa disso!”

Ao final, ele olha sorridente para a câmera e fala: “Minha mãe!”

Dona Hilda passou “Guerra dos Sexos” inteira apitando – o que chegou a gerar reclamações nas redes sociais, como no Twitter. Ela é uma espécie de guarda que cuida do trânsito no estacionamento da loja Charlô´s. A personagem não existia na versão original do folhetim, e parece ter sido criada especialmente para ela.

Apesar de não ter relação nenhuma com a trama da novela, a sequência ficou agradável e soou como uma homenagem do diretor à sua mãe. Há mais de vinte anos, Hilda Rebello é uma figura presente em praticamente todas as novelas que Jorge Fernando dirigiu. O próprio diretor sempre dá um jeito de aparecer atuando em suas novelas – outra marca registrada sua.

Foi divertido ver uma sequência que já chegou a incomodar sendo tratada com cinismo: “Para com esse apito, mãe!” Foi o humor sarcástico, debochado e cínico que fez o sucesso da primeira versão de “Guerra dos Sexos” (em 1983) e que, justamente, ficou faltando neste remake, que optou por um humor mais infantil, e bobinho muitas vezes.

Ainda estou aguardando a cena em que Verusca – para fugir de uma perseguição, já que está de posse de umas pedras preciosas – dá um giro e se transforma na Mulher Maravilha!


Dança de Thammy repercutiu mas pouco mexeu na audiência de “Salve Jorge”
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Nilson Xavier

Thammy dançando “Conga La Conga” em “Salve Jorge” (Foto: TV Globo)

Mais um capítulo aguardado em “Salve Jorge”, o desta segunda-feira, 08/04. E não teve um novo ataque da injeção letal de Lívia Marine (Cláudia Raia), nem um puxa-cabelo entre Wanda (Totia Meirelles) e Morena (Nanda Costa) ou Lucimar (Dira Paes). Próxima de seu final, a autora, Glória Perez, finalmente acertou o tom da novela, que aposta na caricatura para chamar a atenção de seu público.

Desta vez, o clímax do capítulo nada teve a ver com a trama do tráfico de humanos. Afinal, foi muito mais interessante ver Thammy Miranda (Jô disfarçada de Lohana para engabelar os vilões do tráfico na Turquia) dançando “Conga Conga Conga” (de Mister Sam), o hit que consagrou a mãe da atriz, Gretchen, como a Rainha do Rebolado, lá nos anos 1970.

A homenagem – de Gloria e de Thammy – foi interessante e válida, funcionou no ar. Em nada alterou a trama da novela, mas foi uma atração à parte e repercutiu bastante nas redes sociais. Hoje já pipocam pela Internet vários gifs animados de Thammy sensualizando no palco da boate.

Apesar do burburinho, o capítulo não bateu recorde de audiência, como alguns esperavam. Pelo contrário, foi menor do que a novela registrou em alguns dias da semana passada: 39 pontos ontem contra 40 dia 01/04 e 42 no dia 2 (números da Grande São Paulo).

Leia também:Thammy canta Gretchen: uma boa surpresa, finalmente, em Salve Jorge” (Maurício Stycer).


Com recorde de audiência, “Flor do Caribe” apresenta um mais do mesmo bem feitinho
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Nilson Xavier

Henri Castelli e Jean-Pierre Noher em “Flor do Caribe” (Foto: TV Globo)

Flor do Caribe”, a atual novela das seis da Globo, de Walther Negrão, é mais do mesmo: não apresenta nada de novo e nem tem a pretensão de revolucionar.  História de vingança conhecida – inspirada no clássico “O Conde de Monte Cristo”, de Alexandre Dumas. E vingança é aquele prato frio que todos gostam e que sempre rende bem – vide “Avenida Brasil”, “Tieta”, “Fera Radical” (do mesmo autor) e tantas outras.  O elenco é bonito, bem escalado, rostos jovens, conhecidos de trabalhos recentes, misturados a alguns nomes consagrados e outros poucos nem tão conhecidos assim.

A fotografia e as belas paisagens do Rio Grande do Norte e da Guatemala são o grande diferencial.  “Flor do Caribe” – como nem poderia deixar de ser – é uma novela solar, iluminada, esteticamente bem concebida e realizada, exemplo de um bom casamento entre direção (geral de Jayme Monjardim e Leonardo Nogueira) e proposta estética. Contrasta com o trabalho anterior de Negrão, “Araguaia” (2010-2011), que tinha uma direção mais carregada e um aspecto soturno.

As cenas aventurescas, no exílio, do protagonista Cassiano (Henri Castelli) não chegam a ser espetaculares, mas são bem realizadas. As histórias prendem, são gostosas de acompanhar. O folhetim está bem costurado, afinal, Negrão é um dos autores mais experientes da televisão. Do alto de sua modéstia e simpatia, o autor já revelou em entrevista que se baseia em João Emanuel Carneiro (de “Avenida Brasil”). E já dá para perceber isso nos bons ganchos a cada bloco da novela.

Flor do Caribe” é assim, um mais do mesmo bem feitinho.  E talvez isso justifique a sua crescente audiência. A meta para o horário é 25 pontos (no Ibope da Grande São Paulo). A novela começou com audiência considerada baixa para o horário, mas vem subindo a cada semana: 16,8 de média na primeira semana (até o capítulo 6), 17,9 na segunda (até o capítulo 12) e 18,33 na terceira (até o capítulo 18). A trama anterior, “Lado a Lado”, havia registrado uma média de 17,83 até o capítulo 18.

No capítulo desta segunda-feira, 01/04, a novela bateu seu recorde de audiência, 24 pontos. E, pelo andar da carruagem do Conde de Monte Cristo, digo, do avião de Cassiano, a tendência é subir mais.

Em tempo, AQUI o colunista do UOL Maurício Stycer comentou sua boa impressão de “Flor do Caribe” após a primeira semana da novela.

Audiências das novelas na última semana no blog “O Cabide Fala”.


Com Ibope em ascensão, “Salve Jorge” repercute na Internet
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Nilson Xavier

Rodrigo Lombardi e Claudia Raia em cena de “Salve Jorge” (Foto: TV Globo)

Uma semana fria em São Paulo fez bater o recorde da audiência das novelas da Globo – que passavam por um período de Ibope baixo.. Na semana passada, as três novelas inéditas da casa registraram suas melhores médias desde suas estreias – “Flor do Caribe” = 19, “Guerra dos Sexos” = 24,7 e “Salve Jorge” = 38.

Salve Jorge”, entrando em sua reta final, está em sua melhor fase: a delegada Helô (Giovanna Antonelli) arquiteta com Morena (Nanda Costa) o desbaratamento da organização criminosa liderada por Lívia Marine (Cláudia Raia).

A novela começou a “bombar” no início da semana passada, com a morte de Raquel (Ana Beatriz Nogueira) – atacada pela seringa letal de Lívia dentro de um elevador sem câmeras -, passando pelo nascimento da filha de Morena – dentro de uma caverna que tinha uma imagem de São Jorge pintada na parede – e pela paixão desenfreada de Lívia pelo pastel Théo (Rodrigo Lombardi) – que, de uma hora para outra, ficou espertalhão e enganou a fria vilã, que, de uma hora para outra, ficou trouxa.

E a novela melhora a cada capítulo, graças à performance de Giovanna Antonelli – radiante como a super delegada – e graças ao roteiro de Glória Perez, que – parece – deixou de lado a seriedade que o tema tráfico de humanos pede e partiu para um viés mais bem humorado. Não que seja proposital da autora, mas é o efeito que causa quando a novela vai ao ar – algo do tipo “mirou no drama e acertou na comédia”.

Nanda Costa como Morena em “Salve Jorge” (Foto: TV Globo)

Acompanhar o desenrolar das tramas pelas mídias sociais deixa a novela ainda mais divertida. Se bem que a autora anda #xatiada (como se escreve na internet) com o “troll” (a gozação pela rede) e tem demonstrado sua insatisfação no Twitter, onde diariamente “Salve Jorge” é bombardeada com críticas e gracinhas. A hashtag #bondedosrecalcados – como autora chamou os troladores – chegou a primeiro lugar nos TTs (os assuntos mais comentados no Twitter). Ela ainda sugeriu que os críticos estão sendo pagos para trolar sua novela – como se Gloria nunca tivesse sido criticada em trabalhos anteriores (lembram de “América”?).

Além de criticar os críticos e os recalcados, Glória Perez tem se ocupado em retuitar elogios à trama (#bondedospuxasacos?) e tuitar números de ibope e textos que envolvam Janete Clair, sua madrinha na televisão. E notas sobre casos reais de tráfico – isso sim importante.

Convenhamos que tudo o que um autor quer é ver sua obra comentada, repercutida. E Glória sempre conseguiu essa façanha com suas novelas – de forma positiva, na maioria das vezes, mas também negativa, em algumas poucas ocasiões. Ela é uma autora experiente e sabe como manter sua novela na boca do povo – ainda que trolada no Twitter, onde a máxima “fala mal da novela mas não perde um capítulo” se aplica muito bem.

Pena que o “Casseta e Planeta” não esteja mais aí para eles também trolarem “Salve Jorge” (lembram de “O Siliclone”, “Amerreca” e “Com a Minha nas Índias”?) – acredito que renderia esquetes hilárias envolvendo Raquel no elevador tentando melhorar o sinal do celular, as cenas de sexo cafoDIGO caliente entre Livia e PasTheo, e Morena parindo na caverna – entre outras. Não creio que Glória ficaria #xatiada de ver sua novela trolada pelos cassetas.

Sobre as audiências das novelas na semana passada, saiba mais no blog “O Cabide Fala“.