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Novela “Fera Ferida” substitui “O Dono do Mundo” no canal Viva
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Nilson Xavier

José Wilker, Juca de Oliveira e Lima Duarte em "Fera Ferida" (Foto: Divulgação/TV Globo)

José Wilker, Juca de Oliveira e Lima Duarte em “Fera Ferida'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

O canal Viva já tem uma substituta para “O Dono do Mundo”, na faixa da meia-noite. Depois de anunciar a volta de “Despedida de Solteiro”, no lugar de “Tropicaliente” (em julho, às 15h30), a nova reprise será “Fera Ferida”, que estreia em junho, à meia-noite. Novamente uma trama de Aguinaldo Silva, já que atualmente (às 14h30) vai ao ar “Pedra Sobre Pedra”, também do autor. Tanto “Despedida de Solteiro” quanto “Fera Ferida” haviam sido opções em enquetes anteriormente promovidas pelo site do canal.

Fera Ferida” foi ao ar, originalmente, entre novembro de 1993 e julho de 1994, com uma reprise no “Vale a Pena Ver de Novo” entre 1997 e 1998. Baseada na obra do escritor Lima Barreto (1811-1922), a novela foi escrita por Aguinaldo Silva com a parceria de Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares, e direção geral de Dennis Carvalho e Marcos Paulo.

Na trama, Feliciano Júnior (Edson Celulari) retorna à cidadezinha de Tubiacanga para se vingar dos responsáveis pela morte de sua família, no passado, quando era criança. Seus pais morreram ao serem escorraçados da cidade por conta de uma intriga política envolvendo os poderosos do lugar.

Feliciano, já adulto, esconde-se na pele do alquimista Raimundo Flamel e aguça a cobiça dos mandachuvas de Tubiacanga ao prometer transformar ossos em ouro. Lembra das “camisas Flamel”, de manga comprida, sem gola? Usadas pelo personagem de Edson Celulari, elas ganharam as ruas e viraram moda em 1993.

Os autores criaram uma gama de personagens caricatos e atraentes, ora cômicos ora dramáticos, que caíram no gosto do público, em histórias envolventes e com apelo surreal, típico da obra de Aguinaldo Silva na época. Entre eles, a fogosa Rubra Rosa (Susana Vieira) casada com o vereador Numa Pompílio de Castro (Hugo Carvana) mas de caso com o prefeito Demóstenes (José Wilker), inimigo político de seu marido. Eram de autoria dela os discursos inflamados do prefeito atacando a oposição.

Ganhou destaque também a cômica Ilka Tibiriçá, vivida por Cássia Kis Magro (ainda Cássia Kiss), uma solteirona sensível, cheia de trejeitos engraçados, de visual anos sessenta, com fixação pelo filme “O Candelabro Italiano” (1962, de Delmer Daves), sempre embalada pela canção “Al Di Lá”, tema do filme e da personagem na novela. Ilka vai tentar ajudar o namorado Ataliba Timbó (Paulo Gorgulho) a resolver o seu probleminha de impotência sexual com receitas de pratos exóticos – uma atração à parte dentro da novela.

Fera Ferida” foi a primeira novela de Murilo Benício, Camila Pitanga e Carolina Dieckmann, então jovens atores desconhecidos na época. No elenco, também Giulia Gam, Lima Duarte, Joana Fomm, Juca de Oliveira, Vera Holtz, Cláudio Marzo, Arlete Salles, Cláudia Ohana, Marcos Winter, Luiza Tomé, Otávio Augusto, Cláudia Alencar, Deborah Evelyn, Ewerton de Castro, Giuseppe Oristânio e outros.

Fera Ferida” volta no Viva em junho, à meia-noite (com reprise no dia seguinte, às 13h30).

Saiba tudo sobre “Fera Feridano site Teledramaturgia.


Sucesso de “O Rei do Gado” aponta opção do público por novelões clássicos
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Nilson Xavier

Patrícia Pillar como a sem-terra Luana em "O Rei do Gado" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Patrícia Pillar como a sem-terra Luana em “O Rei do Gado'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

O Rei do Gado”, quem diria, está fazendo o maior sucesso no “Vale a pena Ver de Novo”. É de se espantar se considerarmos que esta é a sua terceira reprise e a última foi há apenas quatro anos. A novela foi originalmente exibida entre 1996 e 1997, e reprisada em 1999 e em 2011 (esta última, no canal Viva).

Os índices de audiência à tarde fizeram com que a Globo espremesse as demais atrações vespertinas (“Vídeo Show” e “Sessão da Tarde”) para aumentar o tempo de duração do capítulo. A novela repercute inclusive nas redes sociais. A sessão “Vale a Pena Ver de Novo” vinha sofrendo com baixos resultados. A tão esperada (e pedida) reprise de “Cobras e Lagartos” (a atração anterior) decepcionou.

Há quatro anos, a Globo entendeu o que o SBT já sabia há tempos. As pessoas gostam de ver de novo e de novo. A “re-reprise” era um recurso pouco usado no “Vale a Pena Ver de Novo”. Com o sucesso dos repetecos das novelas “xicanas” à tarde no SBT, a Globo resolveu fazer o mesmo: exibir tramas que já haviam sido reprisadas.

Nos últimos quatro anos, a volta de “O Clone”, “Mulheres de Areia”, “Chocolate com Pimenta”, “Da Cor do Pecado” e “O Cravo e a Rosa” foram relativamente bem. Mas a única que havia chegado perto do bom Ibope atual de “O Rei do Gado” foi “Mulheres de Areia” (re-reprisada entre 2011 e 2012).

Traçando um paralelo entre “O Rei do Gado” e “Mulheres de Areia”, pode-se concluir porque o público não se cansa de rever essas tramas. Nem entro no mérito de serem produções de primeira linha, com elencos estelares e textos inspirados. Também não engrosso o coro batido de que “as novelas antigas eram melhores” – produções boas e ruins houve em todos os tempos.

Entretanto, além de serem mais antigas, estas são “novelões” por excelência. Clássicos da teledramaturgia nacional, são histórias que povoam o nosso imaginário coletivo. E são de um tempo em que a televisão ainda reinava absoluta na preferência de entretenimento barato do brasileiro.

Explicando o sucesso atual de “O Rei do Gado”, Luiz Fernando Carvalho, o diretor, comentou nessa ótima entrevista concedida a Maurício Stycer.

“O público prefere uma grande história e bem contada, contextualizada. Não seria isso que eles estão sinalizando? O tema não importa tanto assim, mas que seja contado com sensibilidade e excelência.”
“(…) antes uma boa história de anos atrás do que uma novinha em folha com gosto de café requentado.”

Leia AQUI a entrevista completa.

Enquanto os saudosistas matam a saudade, os mais novos ficam conhecendo histórias que ouviam falar desde sempre. Assim como um conto de fadas, nossas novelas são universais e atemporais. Isso explica também o sucesso do canal Viva, especializado no acervo da TV Globo.

No ano de 2015, a emissora comemora seu Cinquentenário. A volta de “O Rei do Gado” foi anunciada como parte da festividade. Tomara que a Globo entenda essa repercussão toda e estenda por mais tempo a celebração, trazendo de volta outros títulos consagrados como “Vale Tudo”, “Tieta”, “O Salvador da Pátria”, “Baila Comigo”, “Pai Herói”…

COMENTE: Quais novelas antigas você gostaria de ver de novo?


“Boogie Oogie” chega ao fim sem conseguir manter a agilidade inicial
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Nilson Xavier

Giulia Gam e o "segredo de Carlota" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Giulia Gam e o “segredo de Carlota'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

Aconteceu o que tanto se temia. A novela “Boogie Oogie” termina em três semanas sem conseguir manter o pique do início, com o qual levou a história até mais da metade. A trama de Rui Vilhena começou causando alvoroço, pelo ritmo dinâmico com o que o autor imprimia os acontecimentos. Tinha-se a impressão de que, a cada semana, ou blocos de capítulos, a novela dava uma guinada e virava de pernas pro ar.

Rui conseguiu manter esse ritmo por pelo menos quatro meses – o que já é um feito e tanto. Vieram as festas de fim de ano e, naturalmente, a história deu uma desacelerada. Voltou com força em janeiro, mas logo perdeu o dinamismo. Hoje a trama capenga para terminar e “Boogie Oogie” em nada lembra a novela ágil de quatro meses atrás.

Segredo de Carlota blá-blá-blá segredo de Carlota blá-blá-blá segredo de Carlota
Tudo o que sobrou da história desemboca no malfadado “segredo de Carlota” – a megera interpretada por Giulia Gam. Poucas são as tramas paralelas que ainda interessam, ou que não citam “segredo de Carlota” em suas falas. Aliás, não se fala em outra coisa. É bom que o tal “segredo de Carlota” seja algo realmente contundente para justificar tanta repetição e não decepcionar o público. “Segredo de Carlota“, ponto.

Queimou na largada?
Boogie Oogie” é um ótimo exemplo de uma questão há tempos levantada por profissionais de televisão: a de que as telenovelas deveriam ser mais curtas. Rui Vilhena conseguiu contar sua história de forma satisfatória em cinco meses. A impressão que ficou é que o autor teve que espichar a trama para render um tempo a mais. Ou gastou munição: planejou mal sua estratégia, desperdiçando muito história no início.


Minisséries aproximam a TV do cinema, enquanto falta ousadia nas novelas
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Nilson Xavier

Paolla Oliveira no último capítulo de "Felizes Para Sempre?" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Paolla Oliveira no último capítulo de “Felizes Para Sempre?'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

A minissérie “Felizes Para Sempre?” – que terminou nesta sexta (06/02) – apresentou ao público do horário uma proposta diferenciada se considerarmos a tradicional produção televisiva. A parceria com a O2 Filmes – por consequência, a direção do cineasta Fernando Meirelles – rendeu uma atração que aproxima a TV do cinema.

Nunca foi novidade. A direção cinematográfica inspira a televisão desde a década de 1960 (por exemplo, nas superproduções da TV Excelsior, como as novelas “A Muralha” e “As Minas de Prata”). Entretanto, nas últimas décadas, com o HDTV e as novas tecnologias, temos visto crescer o número de séries e minis que buscam no cinema referências estéticas e de direção. A série americana, claro, também é “fonte inspiradora”.

O trabalho de quem dirige com o de quem escreve, em que um interfere na proposta artística do outro, tem funcionado muito bem. Haja vista que “o filme é do diretor” e “a novela é do autor”, são produtos de curta duração – as séries e minisséries – que têm apresentado resultados mais interessantes. Talvez pelo formato, que possibilita um melhor acabamento, estética e artisticamente falando.

Veja os títulos: “A Vida Como Ela É…”, em 1997, “Luna Caliente”, em 1999, “Cidade dos Homens”, em 2002, “Carandiru, Outras Histórias” e “Hoje é Dia de Maria”, em 2005, “Antônia”, em 2006, “Capitu” e “Ó Paí Ó”, em 2008, “Som e Fúria” e “Força Tarefa”, em 2009, “A Cura” e “Afinal, O Que Querem as Mulheres?”, em 2010, “Amor em Quatro Atos”, em 2011, “O Brado Retumbante” e “Subúrbia”, em 2012, “O Canto da Sereia” em 2013, “Amores Roubados”, “A Teia”, “O Caçador”, “Dupla Identidade” e “Eu Que Te Amo Tanto”, em 2014.

Na história das telenovelas, tivemos diretores que ousaram, deixaram suas influências, imprimiram suas marcas, muitas vezes inspirados no cinema. Walter Avancini fugiu do obvio e apresentou tomadas de câmera criativas na novela “Gabriela” (1975). Daniel Filho interferia diretamente no texto de Janete Clair: foi dele a decisão de matar o protagonista Carlão (Francisco Cuoco) no último capítulo de “Pecado Capital” (1976). Jayme Monjardim fez o Brasil se encantar com as belezas do pantanal mato-grossense, em tomadas lentas e bucólicas – em “Pantanal” (1990).

Luiz Fernando Carvalho casou bem sua criatividade estética com o texto emotivo de Benedito Ruy Barbosa, em novelas como “Renascer” (1993) e “Meu Pedacinho de Chão” (2014). Também cito Amora Mautner e José Luiz Villamarim, os diretores de “Avenida Brasil” (2012). Amora já havia apresentado “Cordel Encantado” (2011) e Villamarim levou para a novela “O Rebu” (2014) a parceria cinematográfica com os roteiristas George Moura e Sérgio Goldemberg e o fotógrafo Walter Carvalho, que havia rendido a mini “Amores Roubados”.

A telenovela, por ser um produto muito tradicional, ainda carece de ousadia. Os exemplos citados são bem sucedidos casos em que a mão (e a ótica) do diretor não só traduziu o texto do roteirista, como também agigantou sua ideia. Muito mais do que meros administradores de uma linha de produção, os diretores podem imprimir sua marca na obra do autor.

Desde que seja um casamento feliz. Independentemente de proposta artística ou estética, fico imaginando o que seria de “Em Família” se Manoel Carlos tivesse confiado sua novela a uma direção menos letárgica. Ou de “Império“, nas mãos de outro diretor.


Em 1976, ator bêbado causou confusão em festa de novela
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Nilson Xavier

BABADO, CONFUSÃO E GRITARIA!

Nesta edição do “Professor Novela“, narro um rebu que aconteceu durante uma festa na época da novela “Anjo Mau'' (a primeira versão), em 1976, envolvendo o diretor Régis Cardoso (1934-2005), e os atores José Wilker (1944-2014) e Vanda Lacerda (1923-2001).

O próprio Régis narrou o fato em seu livro “No Princípio Era o Som'' (Madras Editora, 1999).


“Alto Astral” poderia investir mais nos fantasmas cômicos
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Nilson Xavier

Jorge Fernando dirige Rodrigo Lopez, o mais novo fantasma da novela (Foto: Divulgação/TV Globo)

Jorge Fernando dirige Rodrigo Lopez, o mais novo espírito da novela (Foto: Divulgação/TV Globo)

O ator Rodrigo Lopez entra em “Alto Astral” para engrossar o time de fantasmas da novela das sete da Globo. Ele é Salvador, o espírito-chef que baixa em Afeganistão (Gabriel Godoy), enquanto ele dorme, para realizar os pratos deliciosos que a família de Manuel e Tina (Leopoldo Pacheco e Elizabeth Savalla) encontra pelas manhãs.

Alto Astral” tem ainda o espírito-médico Castilho (Marcelo Médici) e a espírito-menina Bela (Nathália Costa), que perseguem o protagonista Caíque (Sérgio Guizé). E a “Voz” (Simone Gutierrez), um espírito que sopra para Samanta (Cláudia Raia) as tragédias que vão acontecer – a vidente não consegue vê-la, apenas ouvi-la.

Enquanto segue a trama, ficam em banho-maria dois outros fantasmas: Meire (Débora Olivieri) e Ana Dirce (Marianna Armellini), mãe e filha que moram num casarão abandonado e são vistas pelo menino Azeitona (JP Rufino). Até o momento, pouco se sabe sobre elas, apenas que morreram faz muito tempo e habitam a casa assombrada.

Sempre achei que a novela de Daniel Ortiz tinha um arsenal de boas histórias ao explorar fantasmas e espíritos de forma leve e cômica, sem cambar para o didatismo religioso. Há exatamente três meses no ar, a trama vem satisfazendo com sua proposta. Só que a passos de tartaruga. O autor é cauteloso e parece ter receio em fazer aflorar uma legião de fantasmas e situações que – quem sabe – poderia tornar a trama mais dinâmica.

O sobrenatural (+ fantasmas e monstros) tratado de forma engraçada tem tradição na televisão. Na americana, mas, na brasileira, nem tanto. “Vamp”, também dirigida por Jorge Fernando, foi o ápice, lá em 1991. Seriados enlatados e desenhos animados sempre se aproveitaram desse filão, desde a década de 1960. Quem tem mais de 40 já deve ter ouvido falar em “Nós e o Fantasma”, “A Família Addams”, “Os Monstros”, “A Feiticeira”, “Sabrina” e “Os Monstros Camaradas”.

Alto Astral” é leve, divertida e despretensiosa, como pede a tradicional fórmula das sete horas. Tem amores impossibilitados pelas intrigas dos vilões, tem tipos caricatos e uma pitada de humor debochado. Cláudia Raia e Elizabeth Savalla, estranhas no início, parecem finalmente terem acertado o tom de suas personagens, sem mais exageros, caretas ou gritaria.

Difícil é engolir a xaropada do amor maduro entre Maria Inês e Marcelo (Christiane Torloni e Edson Celulari). Há de se dosar melhor esse romance adolescente tardio. Ainda que a música “Um Dia de Domingo” – cantada por Gal Costa e Tim Maia, tema dos personagens – seja muito bonita.


Conheça “Quem Ama Não Mata”, minissérie que originou “Felizes Para Sempre?”
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Nilson Xavier

Marília Pêra e Cláudio Marzo em "Quem Ama Não Mata" (Foto: Reprodução)

Marília Pêra e Cláudio Marzo em “Quem Ama Não Mata'' (Foto: Reprodução)

Para escrever “Felizes Para Sempre?”, o autor, Euclydes Marinho, inspirou-se em outra minissérie sua, “Quem Ama Não Mata”, de 1982. A nova só não é um remake da antiga porque as semelhanças param na presença dos cinco casais da história. Os personagens e dramas conjugais são outros, assim como a abordagem da atual, naturalmente mais moderna e condizente com a sociedade de hoje.

Quem Ama Não Mata” foi exibida em 20 capítulos, entre julho e agosto de 1982. Foi a terceira “minissérie” da Globo, um projeto que havia se iniciado naquele ano – foi antecedida por “Lampião e Maria Bonita” e “Avenida Paulista”.

Concebida em conjunto pelo autor e o diretor Daniel Filho, a proposta era mostrar vários níveis de relacionamentos conjugais a partir de cinco casais diferentes, de uma mesma família, aparentemente felizes. Euclydes e Daniel usaram referências autobiográficas. Como o casal Chico (Daniel Dantas) e Júlia (Denise Dumont), que se separa porque ela quer conhecer outros homens, enquanto ele não tem estrutura emocional para lidar com a situação. Isso aconteceu com Euclydes, em um casamento seu com uma atriz.

Os casais
Enquanto Jorge (Claudio Marzo) e Alice (Marília Pêra) não tinham diálogo (a rotina e os sentimentos não expressados verbalmente vão minando a relação), o casal jovem Chico (Daniel Dantas) e Júlia (Denise Dumont) – ela, sobrinha de Alice – tinha uma relação baseada no diálogo e na sinceridade, tanto que, apesar de se amarem, eles se separam por um tempo para que Júlia possa se relacionar com outros parceiros. Já Laura (Susana Vieira) – mãe de Júlia, irmã de Alice – estava em crise em seu terceiro casamento pois primava pela independência, queria uma relação sem união formal e morando longe do marido, Raul (Paulo Villaça), que achava que só o casamento tradicional poderia mantê-los juntos.

Fonseca (Hugo Carvana) e Odete (Tânia Scher) – vizinhos e melhores amigos de Jorge e Alice – viviam entre tapas e beijos, com muitas discussões, porque ele era ciumento e ela, muito despachada. Mas, no fundo, não conseguiam ficar longe um do outro. E, finalmente, o casal de terceira idade, o militar reformado General Flores (Dionísio Azevedo) e Dona Carmem (Norma Geraldy) – pais de Alice e Laura, avós de Júlia – viviam um casamento de mais de quarenta anos, no modelo antigo.

quemama1Ao final, a proposta era mostrar que nenhum modelo de casamento é o ideal para todos. O título “Quem Ama Não Mata” era uma alusão às pichações que apareceram nos muros de Belo Horizonte no início da década de 1980, por conta do julgamento do playboy Doca Street, acusado de ter matado a mulher, Ângela Diniz, num crime que mobilizou a opinião pública brasileira na época. Claro que havia um crime passional na história da minissérie.

No primeiro capítulo, ocorre uma discussão entre Jorge e Alice, seguida de um tiro. Fica claro ao telespectador que um dos dois morreu, mas o mistério permanece até o último capítulo, enquanto a trama se desenrola mostrando os antecedentes do crime. Dois finais foram gravados: um com Jorge matando Alice, e outro com Alice matando Jorge. Somente na noite em que foi ao ar o último capítulo, é que Daniel Filho decidiu qual dos dois desfechos apresentar. O escolhido foi aquele em que Jorge assassina Alice. O outro final foi exibido no domingo seguinte, depois do “Fantástico”.

Os casais de “Felizes Para Sempre?” vivem em Brasília, o que leva a uma abordagem política. “Quem Ama Não Mata” se passava no Rio de Janeiro e limitava-se aos dramas familiares. “Felizes Para Sempre?” tem muitas cenas de sexo e aborda a homossexualidade e a prostituição, tabus em 1982, portanto não tratados em “Quem Ama Não Mata”. Logo, a personagem de Paolla Oliveira, a prostituta Danny Bond, que tem uma relação com Daniela (Martha Nowill), não existia na produção dos anos 80.

Mas, Euclydes Marinho homenageia sua antiga minissérie na nova: os nomes de vários personagens de “Felizes Para Sempre?” são nomes dos atores que viveram os tipos correspondentes em “Quem Ama Não Mata”. Veja o álbum.


“Felizes Para Sempre?” estreia com um texto afiado sobre relações conjugais
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Nilson Xavier

Paolla Oliveira, Maria Fernanda Cândido e Enrique Diaz (Foto: Divulgação/TV Globo)

Paolla Oliveira, Maria Fernanda Cândido e Enrique Diaz (Foto: Divulgação/TV Globo)

A cidade de Brasília confere um charme extra a “Felizes Para Sempre?”, a nova minissérie da Globo que estreou nesta segunda-feira, 26/01. Foi poucas vezes usada como ambientação em nossa teledramaturgia, e, quando usada, sob o viés político – como nas minisséries “O Brado Retumbante” (Globo, 2012) – ainda que implicitamente – e “Plano Alto” (Record, 2014), ou na novela “O Rei do Gado” (Globo, 1996). Desta vez, a política fica apenas em segundo plano. Não é a razão de ser da atração.

O autor, Euclydes Marinho, aqui revisita uma antiga obra sua, a minissérie “Quem Ama Não Mata” (de 1982), que se passava em Niterói e no Rio de Janeiro, e tratava exclusivamente sobre as relações conflituosas de casais de uma mesma família. O mote central era um crime passional (razão do título) que acontecia no primeiro capítulo, cujo assassino e vítima só eram revelados no último.

Marinho manteve a essência de sua antiga minissérie, mas a trouxe para a luz da atualidade. A homossexualidade – por exemplo – não poderia ser abordada abertamente em 1982 como se faz agora. Paolla Oliveira vive uma prostituta de luxo que tem uma relação com outra mulher, personagens inexistentes em “Quem Ama Não Mata”. Mas os principais casais e seus dilemas no casamento foram mantidos. E com um texto afiadíssimo, provocativo e divertido. Um moderno diferencial.

Coprodução com a O2 Filmes, “Felizes Para Sempre?” tem na direção o peso da assinatura de Fernando Meirelles (dos filmes “Cidade de Deus”, de 2002, e “Ensaio Sobre a Cegueira”, de 2008) – um bom motivo para prestar atenção na minissérie. Fernando já havia apresentado um excelente trabalho na televisão, anteriormente, em outra minissérie: “Som e Fúria”, de 2009.

Aqui as tomadas são caprichadas. E inéditas: foram usados drones – veículos aéreos não tripulados – que captaram Brasília de ângulos nunca antes explorados. A trilha sonora é luxuosa, – um movimento nas séries e minisséries da Globo que vai na contramão do que é feito atualmente para musicar as novelas.

As qualidades técnicas são visíveis e inquestionáveis. Direção cinematográfica e apurada (com referências a alguns filmes), elenco excelente, muito à vontade, em interpretação natural. Fernando Meirelles e Euclydes Marinho abordam o casamento de forma moderna e despojada, sem medo, firulas ou conservadorismo. Já o cinismo de alguns personagens pode explicar a opção por Brasília.


Com “Império”, Aguinaldo Silva se redime de “Fina Estampa”
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Nilson Xavier

Laura Cardoso e Alexandre Nero (Foto: Divulgação/TV Globo)

Laura Cardoso e Alexandre Nero (Foto: Divulgação/TV Globo)

Entrando em sua reta final – “Império” termina em março – a novela de Aguinaldo Silva finalmente deslancha sua trama principal, a história do Comendador José Alfredo de Medeiros, vivido por Alexandre Nero.

Passaram-se exatos seis meses desde a estreia (21 de julho) e a trama do império do Comendador vinha comendo pelas beiradas, sendo construída paulatinamente. Neste tempo todo, o autor a costurou bem com tramas paralelas, bastante interessantes, envolvendo bons personagens, como Cláudio Bolgari (José Mayer), Enrico (Joaquim Lopez), Téo Pereira (Paulo Betti), Xana Summer (Aílton Graça), Magnólia e Severo (Zezé Polessa e Tato Gabus Mendes), Salvador (Paulo Vilhena) e Juju Popular (Cris Vianna).

A própria substituição de Drica Moraes por Marjorie Estiano (no papel de Cora) rendeu um bom reforço, repercutindo e colaborando na audiência. Diga-se de passagem, Marjorie nos apresenta uma Cora muito mais interessante do que a de Drica – não desmerecendo o ótimo trabalho que Drica Moraes fez. Talvez seja o momento da personagem na história. Ou talvez Cora tenha ganhado uma energia e jovialidade extras, próprias da personagem “remoçada”.

O mistério envolvendo a real identidade do vingativo (ou usurpador?) Maurílio Ferreira (Carmo Della Vecchia) aguça a curiosidade do público. Viram a ótima participação de Laura Cardoso nos últimos capítulos? A falsa morte do Comendador é um entrecho acertado do autor. Não é original, mas é folhetinesco.

Império” vai se fechando como uma novela redonda, sem muitos tropeços. A história central custou a acontecer, mas Aguinaldo a construiu com o suporte de tramas paralelas bem engendradas. Longe de ser um grande sucesso, a produção tampouco fez feio. Muito de seus atributos se deve ao elenco bem escalado e à direção de Rogério Gomes e sua equipe. Com “Império”, Aguinaldo Silva se redime de “Fina Estampa”, sua última novela (de 2011-2012), bastante criticada – apesar da expressiva audiência alcançada.


“Despedida de Solteiro” será a próxima novela a ser reprisada no canal Viva
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Nilson Xavier

Gabriela Alves, João Vitti, Paulo Gorgulho, Felipe Camargo e Eduardo Galvão em "Despedida de Solteiro" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Gabriela Alves, João Vitti, Paulo Gorgulho, Felipe Camargo e Eduardo Galvão em “Despedida de Solteiro'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

Sai uma novela de Walther Negrão e entra outra trama dele em seu lugar. O canal Viva irá reprisar, a partir de julho, a novela “Despedida de Solteiro”, em substituição a “Tropicaliente”, no horário das 15:30 (com reprise à 1 da manhã). As duas estavam entre as opções para votação do público no site do Viva, no ano passado (a terceira opção era “Lua Cheia de Amor”). A vencedora da enquete foi “Tropicaliente”, que estreou em novembro. A segunda colocada, “Despedida de Solteiro”, vem na sequência.

Escrita por Negrão, com direção geral de Reynaldo Boury, “Despedida de Solteiro” foi originalmente exibida entre junho de 1992 e janeiro de 1993, e reprisada no “Vale a Pena Ver de Novo” em 1996.

Lembra da abertura? A animação simulava um joguinho de videogame pixelizado, ao som de “Sugar Sugar“, em que o herói tinha que salvar a mocinha presa pelo vilão.

despsolteirot2A trama gira em torno dos amigos Pedro (Paulo Gorgulho), João Marcos (Felipe Camargo) e Paschoal (Eduardo Galvão), que lutam para provar que não foram os assassinos da prostituta Salete (Gabriela Alves), morta anos antes, crime pelo qual eles cumpriram pena e estavam em liberdade condicional. O quarto amigo, Xampu (João Vitti), que também fora condenado, morreu após a saída da prisão. O maior empecilho deles era o vilão Sérgio Santarém (Marcos Paulo), que faz de tudo para incriminá-los, já que sua mulher, Lenita (Tássia Camargo), ex-namorada de João Marcos, ainda é apaixonada por ele.

No elenco, também Lúcia Veríssimo, Lolita Rodrigues, Lucinha Lins, Elias Gleizer, Cristina Mullins, Helena Ranaldi, Jayme Periard, Mauro Mendonça, Ana Rosa, Rita Guedes, Sérgio Viotti, Maria Estela, Othon Bastos, Bárbara Fazzio, Cinira Camargo, Leila Lopes e outros.

Observação: o Viva informa que ainda não decidiu pela substituta de “O Dono do Mundo”, exibida à meia-noite, prevista para terminar em junho.

Saiba mais sobre “Despedida de SolteiroAQUI.