Blog do Nilson Xavier

20 Anos de “Quatro por Quatro”, uma das melhores novelas dos anos 90
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Nilson Xavier

Letícia Spiller, Elizabeth Savalla, Cristiana oliveira e Betty Lago (Foto: Divulgação/TV Globo)

Letícia Spiller, Elizabeth Savalla, Cristiana Oliveira e Betty Lago (Foto: Divulgação/TV Globo)

Quatro mulheres humilhadas, unidas para uma vingança contra seus respectivos homens, como quatros mosqueteiras, “uma por todas, todas por uma”. Este era o mote central da novela “Quatro por Quatro”, um grande sucesso da década de 1990, de autoria de Carlos Lombardi, que completa 20 anos de estreia neste dia 24 de outubro.

Na trama, Abigail (Betty Lago), Auxiliadora (Elizabeth Savalla), Tatiana (Cristiana Oliveira) e Babalu (Letícia Spiller) se conhecem logo no início, em um acidente no trânsito, quando vão parar na cadeia por desacato. Abigail foi humilhada pelo marido machista, Gustavo (Marcos Paulo). Auxiliadora foi trocada pelo marido Alcebíades (Tato Gabus Mendes) por uma garota vinte anos mais nova, Elisa Maria (Lizandra Souto), que ela chamava de “Paquita Erótica''. Tatiana foi abandonada no altar pelo noivo trambiqueiro, Fortunato (Diogo Vilela). E Babalu pegou o noivo galinha, Raí (Marcello Novaes), no maior flagrante com outra mulher.

quatrofOutra trama de interesse foi a luta do médico Bruno (Humberto Martins) para conquistar a filha pequena, Ângela (Tatyane Goulart), que ele abandonou quando nasceu e deixou nas mãos do primo Gustavo para que ele criasse. Gustavo era um médico inescrupuloso, e usou Susana (Helena Ranaldi), apaixonada por Bruno, para afastá-lo de sua família – já que o retorno de Bruno implicaria em passar a ele o cargo que Gustavo ocupava no hospital da família.

Mas, sem dúvida, o grande sucesso de “Quatro por Quatro” foi o furacão Babalu, o papel da vida de Letícia Spiller. A ex-paquita havia atuado em apenas uma novela anteriormente: um pequeno papel em “Despedida de Solteiro” (1992-1993). Babalu – ou melhor, Barbarela Lurdes – era uma manicure espevitada, barraqueira, de pavio curto, engraçada, cheia de tiradas espirituosas e que se vestia de forma bastante original: tiara de margarida (ou girassol) no cabelo, blusinha de cigana, shortinho, miçangas, batom e unhas bem vermelhas, e tamanco plataforma com meia colorida – figurino criado especialmente para a personagem por Lessa de Lacerda, figurinista da novela.

quatrot2O figurino, claro, virou febre e vendeu como água no comércio popular. O linguajar de Babalu também ganhou as ruas e popularizou palavras até então pouco usuais, como “bofe”, “mona”, “desaquenda”, “” e “babado”. A atriz conta que buscou inspiração para o temperamento de Babalu na Mônica de Maurício de Sousa. Carismática, Babalu era, acima de tudo, uma romântica. Seu caso com o mecânico mulherengo vivido por Marcello Novaes pulou da telinha para a vida real, com a união dos dois atores.

Elizabeth Savalla e Betty Lago também fizeram sucesso com suas personagens Auxiliadora e Bibi (Abigail). A aceitação do público pela divertida história de Carlos Lombardi foi tanta que a trama foi espichada e terminou com 233 capítulos (ficou nove meses no ar, de 24/10/1994 a 22/07/1995). A explicação para o sucesso estava num conjunto de fatores: o texto sempre sarcástico de Lombardi, uma história divertida e ágil, numa galeria de personagens carismáticos, com elenco bem escalado e direção dinâmica (direção geral de Ricardo Waddington).

Juntamente com “Vereda Tropical” (1984-1985) e “Bebê a Bordo” (1988-1989), “Quatro por Quatro” figura entre as melhores obras de Carlos Lombardi na televisão. Uma mistura homogênea de humor escrachado com folhetim romântico, sempre destacando as relações familiares – marca registrada do autor em todos os seus trabalhos.

“Sentiu a pressão, malandro!”

Saiba mais sobre “Quatro por Quatrono site Teledramaturgia.


Três atores em “Império” dividem opiniões do público
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Nilson Xavier

Paulo Betti, Paulo Vilhena e Joaquim Lopez em "Império" (Fotos: Divulgação/TV Globo)

Paulo Betti, Paulo Vilhena e Joaquim Lopez em “Império'' (Fotos: Divulgação/TV Globo)

Os telespectadores de “Império” estão divididos. Uns amam e outros odeiam três atores da novela pelos papeis que interpretam: Paulo Betti (o blogueiro Téo Pereira), Paulo Vilhena (o preso Domingos Salvador) e Joaquim Lopez (o dono de restaurante Enrico Bolgari). Tenho ouvido por todos os lados elogios e críticas das mais variadas. Não sei bem se por causa dos personagens (que provocam amor ou ódio, dependendo do ponto de vista de cada um), ou do talento dos atores (ou má vontade com suas performances).

Eu engrosso o coro dos que elogiam. E explico. São três personagens muito ricos e complexos, com grande destaque dentro da novela, cada qual em sua trama. Por essa complexidade, pelo espaço na história e repercussão, acredito que qualquer ator adoraria vivê-los. Ainda: são três personagens interpretados muitos tons acima.

teoPaulo Betti, ator tarimbado, de talento indiscutível, exagera na caricatura de Téo Pereira, o gay afetadíssimo e pra lá de venenoso, tanto em seus textos quanto em suas tiradas. Aceite! É um personagem para ser assim mesmo. O legal é que Téo poderia ser uma “releitura” do Crô, mas não é! Téo Pereira em nada lembra o Crodoaldo Valério que Marcelo Serrado interpretou na última novela de Aguinaldo Silva, “Fina Estampa” (2011-2012). Betti está tão bem que leva às gargalhadas com suas pantomimas. E – sem fazer juízo algum – é um tipo nada longe da vida real: quem não conhece um gay assim?

salvador2Paulo Vilhena não é tão tarimbado quanto seu xará Betti. Em sua interpretação como o preso “maluco” – que é um gênio da pintura (!) -, o ator tem a seu favor a direção. Sempre que Salvador aparece em seus surtos, a câmera corre solta, as imagens são rápidas e clipadas, quando não, distorcidas. A direção de cena ajuda a passar ao público o que o personagem sente. Acho, sim, que Vilhena faz muito bem esse tipo, com gestos pensados, fala e tiques nervosos que só valorizam a caracterização do personagem.

enricoJoaquim Lopez nunca teve em mãos um personagem com tanto destaque. Enrico parece ser aquele homofóbico que esconde algo de grave dentro de si – quem sabe um sentimento maior que ele? O ator, mais lembrado por tipos cômicos (como o Lucindo de “Sangue Bom”, 2013), exagera no gestual, no olhar, no tremer dos lábios, para transparecer a fúria do personagem. Acho Joaquim correto em suas cenas – convenhamos, todas muito difíceis. O que o público não gosta afinal? Do ator, por ter em mãos um ótimo papel? Do personagem e o que ele representa – ou o que ele desperta?

As interpretações de Betti, Vilhena e Lopez tem em comum o exagero, os “tons acima”. Todos são caricatos, estereotipados, cada qual dentro do universo do personagem e sua finalidade na trama de “Império”. Acho que aqui até vale um clichê: se provocam sentimentos de amor e ódio no público, é porque o objetivo foi atingido. Atingido se não pelos atores, pelo autor, Aguinaldo Silva.

COMENTE! O que você acha das interpretações desses atores?


Novela “Vitória” é bem escrita, mas mal realizada nas cenas de ação
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Nilson Xavier

O delegado Ramiro (Jonas Bloch) fantasiado de neonazista (Foto: Reprodução)

O delegado Ramiro (Jonas Bloch) fantasiado de neonazista (Foto: Reprodução)

É evidente o empenho da novelista Cristianne Fridman em mostrar um bom trabalho em sua novela “Vitória”, na Record. A trama é movimentada, já teve várias reviravoltas, parece que sempre se renova. Isso é essencial para o folhetim nos dias de hoje, em que o público precisa ser fisgado. “Vitória” ainda dosa bem romance, humor e ação. Mesmo assim, a novela pouco repercute.

A parte folhetinesca está na trama central, que aborda as disputas e interesses familiares envolvendo o casal romântico principal, Arthur (Bruno Ferrari) e Diana (Thaís Melchior). As tramas paralelas de maior destaque são duas: a dos desempregados que tiram a roupa para ganhar algum dinheiro – que traz leveza à atração, a parte da comédia – e a trama envolvendo os neonazistas – o lado mais “pesado” da novela.

É aí que “Vitória” derrapa. A história é bem conduzida, mas mal realizada quando exige mais além do trivial. Difícil vislumbrar se é um problema de direção ou de produção. Ou os dois. As sequências com mais ação, envolvendo confrontos entre a polícia e os vilões, deixam a desejar. Como a do capítulo desta quinta-feira (16/10), em que o delegado Ramiro (Jonas Bloch) se “fantasiou” de neonazista para infiltrar-se em um bar frequentado pelos bandidos.

Descoberto pelos neonazistas, ele acionou os policiais do lado de fora, que invadiram o local e iniciaram o tiroteio, numa sequência das mais fakes já vistas na Teledramaturgia moderna. Socos e marcação dos atores tão improváveis quanto o sangue cenográfico usado na cena. Não foi a primeira sequência de ação que não convenceu. “Vitória” merecia um cuidado maior. Fridman teve mais sorte com suas novelas anteriores na Record, “Chamas da Vida” (2008-2009) e “Vidas em Jogo” (2011-2012).


Novela “A Padroeira” recontou a história de Nossa Senhora Aparecida
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Nilson Xavier

Silvana (Laura Cardoso) ao receber a imagem da santa que apareceu no rio (Fonte: Reprodução)

Silvana (Laura Cardoso) ao receber a imagem da santa que apareceu no rio (Fonte: Reprodução)

No ano do 2001, a Globo exibiu, no horário das seis, a novela “A Padroeira”, de Walcyr Carrasco, que tinha dois pontos de partida: o romance histórico “As Minas de Prata”, de José de Alencar (que já havia rendido uma novela, de Ivani Ribeiro, na TV Excelsior, em 1966-1967), e a história da descoberta da imagem de Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil. Carrasco mesclou as tramas de forma que uma complementasse a outra.

A ideia era repetir a dobradinha Walcyr Carrasco (no roteiro) e Walter Avancini (na direção), responsáveis pelo sucesso de “O Cravo e a Rosa”, que havia terminado apenas três meses antes. Havia uma certa urgência em levar a nova produção ao ar, já que Avancini estava com sua saúde abalada. Mas, infelizmente, o diretor não chegou a ver sua obra concluída: Walter Avancini foi afastado um mês após a estreia de “A Padroeira”, vindo a falecer em 26 de setembro de 2001.

Na trama da novela, Carrasco remontou a história real da descoberta de uma imagem na região do Vale do Rio Paraíba, São Paulo, no ano de 1717, por três pescadores: Filipe Pedroso, João Alves e Domingos Garcia (na novela, interpretados por Isaac Bardavid, Cláudio Gabriel e Carlos Gregório, respectivamente). Não era época de pesca, mas os pescadores foram atrás de peixes para o banquete a ser servido ao Conde de Assumar (Antônio Marques), então governante da Capitania de São Paulo que estava de passagem pela cidade de Guaratinguetá.

apadroeira_logoOs pescadores jogaram a rede e tudo o que conseguiram foram o corpo da imagem de uma santa e, na sequência, a cabeça dessa imagem, que era negra. Os homens atribuíram a imagem à Virgem Maria, rezaram e foram agraciados com uma farta pesca. Levada para a cidadezinha, a cabeça da imagem foi colada ao corpo com cera, montada em um altar, que passou a reunir diariamente vários fieis para orações à Nossa Senhora que apareceu no rio.

Os personagens deste núcleo de “A Padroeira” são reais, reconhecidos pela Igreja Católica. Além dos três pescadores, destacaram-se também a beata Silvana (Laura Cardoso), mãe de João Alves, e Atanásio (Jackson Antunes), filho de Filipe Pedroso, que, juntamente com o vigário de Guaratinguetá, ergueu a primeira capela a Nossa Senhora Aparecida, por volta do ano de 1734.

A história da santa, dentro da novela, se funde com as demais tramas de “A Padroeira” quando cresce o preconceito com relação à adoração pela imagem da santa negra, o que divide os camponeses e fidalgos da região. Este preconceito cai por terra quando acontece o terceiro milagre atribuído à santa: a menina cega Marcelina (Renata Nascimento), filha do fidalgo Dom Lourenço de Sá (Paulo Goulart), começa a enxergar quando é levada para rezar junto à imagem. O capítulo de “A Padroeira” com esta sequência foi ao ar no dia 12 de outubro de 2001.

Inicialmente, “A Padroeira” teve rejeição do público, que estranhou sua estética sombria e pesada. Com a morte de Avancini, o diretor Roberto Talma assumiu a novela e, por conta dos baixos índices de audiência, a reformulou por completo. A direção de arte mudou o tom sóbrio da produção em cenários, figurinos e caracterização dos personagens, e parte do elenco original saiu e novos personagens foram criados para dar mais “vida'' à história.

Saiba mais sobre “A Padroeriano site Teledramaturgia.


Pretensiosa, “Geração Brasil” revelou-se uma novela com poucos atrativos
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Nilson Xavier

Murilo Benício e Renata Sorrah em "Geração Brasil" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Murilo Benício e Renata Sorrah em “Geração Brasil'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

Um manancial de boas ideias. Assim se podia definir a novela das sete da Globo, “Geração Brasil”, à época de sua estreia (começo de maio), com promessa de muitas ações de transmídia, interatividade com o público e repercussão nas redes sociais. Todavia, logo veio o primeiro golpe: a Copa do Mundo, que atrapalhou tudo na novela, do horário de exibição alterado à duração de capítulos limitada a drops diários de cinco minutos entre um boletim de Copa e outro.

Perto de seu fim, concluímos que “Geração Brasil” não resistiu à Copa. O reality-show dentro da história, promovido por Jonas Marra (Murilo Benício) para encontrar um sucessor para seu império, era o grande chamariz da trama de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira. O problema foi que esse apelo esgotou-se antes mesmo da Copa começar. Com o fim do campeonato, pouco de interessante havia sobrado.

O segundo golpe veio com o Horário Político, que mexeu novamente com a grade. Entretanto, a essa altura, pouco restava do folhetim que prometeu balançar as redes sociais com temas de interesse aos mais antenados (tecnologia, nerds, etc). Outro grande apelo que “Geração Brasil” se valeu foi de ser a novela seguinte da dupla de autores que fez um sucessão em 2012 com “Cheias de Charme” (a novela das Empreguetes), inclusive com parte de seu elenco.

Próxima do fim, “Geração Brasil” esvaiu-se em uma trama das mais convencionais, sem mais realities e aplicativos, pouca interação com o público e, pior, pouca repercussão. Das boas ideias iniciais, sobraram alguns bons personagens, interpretações corretas e uma produção caprichada. Sobrou pretensão para repetir o sucesso de “Cheias de Charme”, mas faltou história e fôlego para administrar as intempéries de 2014.


Relembre os trabalhos de Hugo Carvana na televisão
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Nilson Xavier

1. Lineu Vasconcelos morto em "Celebridade". 2. Como Waldomiro Pena em "Plantão de Polícia". 3. Com Nívea Maria e Natalia Lage em "Gente Fina" (Foto: Divulgação/TV Globo)

1. Lineu Vasconcelos morto em “Celebridade''. 2. Como Waldomiro Pena em “Plantão de Polícia''. 3. Com Nívea Maria e Natalia Lage em “Gente Fina'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

Acima de tudo, um homem de cinema. Hugo Carvana trabalhou em mais de 60 filmes. O primeiro papel de destaque foi em “Esse Rio Que Eu Amo” (1961). Esteve em longas importantes, como “Os Fuzis” (1963), “Terra em Transe” (1967), “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (1968), “Macunaíma” (1969) e “Toda Nudez Será Castigada” (1973). Seu primeiro trabalho como diretor de cinema foi “Vai Trabalhar, Vagabundo” (1973). Seguiram-se outros, como “Se Segura Malandro” (1978), “Bar Esperança” (1982), “O Homem Nu” (1997) e “Casa da Mãe Joana” (2008).

O ator e diretor nos deixou neste sábado, 4 de outubro, aos 77 anos. Carioca, Hugo Carvana de Holanda nasceu em 4 de junho de 1937. Antes de estrear em televisão, já atuava em filmes e peças de teatro. Amigo pessoal de Daniel Filho, foi ele quem o levou para a TV Globo. Primeiro, uma breve participação na novela “Anastácia, a Mulher Sem Destino”, em 1967. Priorizando o cinema, Carvana voltaria à televisão quase dez anos depois, com um papel de destaque na novela “Cuca Legal” (1975), formando uma dupla com Francisco Cuoco. No mesmo ano, teve uma rápida aparição em “Gabriela”.

Mas Hugo Carvana dedicou a década de 1970 ao cinema. O retorno à telinha aconteceu apenas em 1979, no papel mais marcante de sua carreira na TV: o repórter policial investigativo Waldomiro Pena do seriado “Plantão de Polícia” (1979-1981), um programa de Daniel Filho que tinha entre os roteiristas o então iniciante Aguinaldo Silva. Em 1982, viveu outro personagem sob a direção de Daniel Filho: com a atriz Tânia Scher formou um dos vários casais da minissérie “Quem Ama Não Mata”, de Euclydes Marinho.

O retorno às novelas ocorreu em 1984. Em “Corpo a Corpo”, de Gilberto Braga, Carvana viveu o rico empresário Alfredo Fraga Dantas, homem autoritário e preconceituoso que não aceitava o namoro do filho (Marcos Paulo) com uma moça negra (Zezé Motta). Num lance folhetinesco digno de “O Direito de Nascer”, a moça salva a vida de seu algoz em uma transfusão de sangue. Seguiram-se “De Quina Pra Lua” (1985-1986), como o inescrupuloso Silva, e “Roda de Fogo” (1986-1987), como Paulo Costa, um dos sócios das empresas do protagonista Renato Villar (Tarcísio Meira).

1. Com Marcos Paulo e Malu Mader em "Corpo a Corpo". 2. Como um aviador em "Cuca Legal". 3. Com Susana Vieira em "Fera Ferida". (Foto: Divulgação/TV Globo)

1. Com Marcos Paulo e Malu Mader em “Corpo a Corpo''. 2. Como um aviador em “Cuca Legal''. 3. Com Susana Vieira em “Fera Ferida''. (Foto: Divulgação/TV Globo)

Após um breve hiato, Hugo Carvana retornou à televisão em 1990, na novela “Gente Fina”, em que viveu o protagonista Guilherme, casado com Joana (Nívea Maria), cuja família sofre com a derrocada financeira. Em seguida, um papel em “O Dono do Mundo”, de Gilberto Braga: o marceneiro Lucas. Foi também o delegado Lima da minissérie “As Noivas de Copacabana” (1992), e Agenor, na novela “De Corpo e Alma” (1992), que pagava faculdade para o filho (Guilherme Leme) sem saber que ele tirava a roupa no Clube das Mulheres.

Em 1993, Hugo Carvana viveu outro de seus bons papeis na TV: o político Numa Pompílio de Castro da novela “Fera Ferida”, inspirada na obra do escritor Lima Barreto. O personagem era traído pela mulher, Rubra Rosa (Susana Vieira), com seu inimigo político (José Wilker). Era ela quem escrevia seus discursos inflamados. Até o ano 2000, seguiram-se vários personagens em novelas e minisséries: Luiz Magalhães em “Agosto” (1993), Irmão Fidélis em “Engraçadinha” (1995), Aníbal em “Cara e Coroa” (1995-1996), Azevedo em “Corpo Dourado” (1998), Gouveia em “Chiquinha Gonzaga”, Wagner Macieira em “Andando nas Nuvens” (1999).

Após participações nas novelas “Um Anjo Caiu do Céu” (2001) e “Desejos de Mulher” (2002), Hugo Carvana viveu outro personagem emblemático: o empresário Lineu Vasconcelos em “Celebridade” (2003-2004), de Gilberto Braga – que gerou o “quem matou Lineu?”. O personagem foi assassinado e virou o mistério da trama. Ao final, descobriu-se que a assassinada era a vilã Laura (Claudia Abreu). Do novelista Gilberto Braga, Carvana ainda interpretou personagens nas novelas “Paraíso Tropical” (2007, Belisário) e “Insensato Coração” (2011, Silveira).

Nos últimos dez anos, Hugo Carvana atuou nas seguintes novelas, séries e minisséries: “Como uma Onda” (2004), “JK” (2006), “Malhação” (temporadas de 2008 e 2009), “Três Irmãs” (2008), “Guerra e Paz” (2008), “Na Forma da Lei” (2010) e “O Brado Retumbante” (2012), sua última participação na TV. No cinema, os últimos trabalhos do veterano ator e diretor foram os filmes “Casa da Mãe Joana” (2008), “5 Vezes Favela, Agora por Nós Mesmos” (2010), “Não se Preocupe, Nada Vai Dar Certo!” (2011), “Giovanni Improta” (2013) e “Casa da Mãe Joana 2” (2013).

Poderemos conferir o trabalho de Hugo Carvana ainda este mês, na reprise da novela “O Dono do Mundo'' no canal Viva.

COMENTE: Quais os personagens de Hugo Carvana você mais gostou?


Nova produção da Record, “Plano Alto” promete, apesar do horário tardio
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Nilson Xavier

Milhem Cortaz, Gracindo Jr. e Bernardo Falcone em "Plano Alto" (Foto: Divulgação/TV Record)

Milhem Cortaz, Gracindo Jr. e Bernardo Falcone em “Plano Alto'' (Foto: Divulgação/TV Record)

A premissa de “Plano Alto” – a minissérie da Record que estreou nesta terça, 30/09 – é das mais interessantes. Três gerações de uma família ligada à Política: o avô lutou contra a Ditadura Militar, nos Anos de Chumbo, o pai foi cara pintada, no início da década de 1990, e o neto/filho participa das manifestações populares de 2013. Cai bem para um ano eleitoral como este. A produção estreia às vésperas do primeiro turno. Com apenas 12 capítulos (exibidos em três semanas), terminará antes do segundo turno.

Guido Flores (Gracindo Jr.) tornou-se governador. O filho, João Titino (Milhem Cortaz), com quem ele tem uma relação meramente política, é deputado federal. E Rico (Bernardo Falcone), criado longe do pai e do avô, é um estudante que vai se envolver com “black blocs”. Interessante notar que o autor, o experiente Marcílio Moraes, criou um distanciamento entre os personagens, apesar dos laços parentescos entre eles. O intuito é justamente dar ênfase ao jogo do poder político sobrepondo relações afetivas e familiares.

A minissérie pretende explorar uma faceta interessante da Política: a de que a dança do poder depende muito de qual lado se está. Contestadores na juventude – Guido como guerrilheiro e Titino como cara pintada –, os dois acabaram se rendendo ao sistema para chegar ao poder. O black bloc Rico terá o mesmo destino? Marcílio Moraes afirmou que, ao final da história, deixou uma brecha para que “Plano Alto” tivesse uma continuação (uma próxima temporada).

O autor ainda salientou que sua obra é totalmente apartidária e que não faz apologia a nenhum candidato neste ano de eleições. Nenhum partido real é mencionado. E a Brasília apresentada é cenográfica: a produção não conseguiu permissão para gravar em prédios do Governo – a não ser as tomadas da cidade, claro. O cara pintada Titino participou de manifestações pelo impeachment “de um certo presidente” no início dos anos 1990 – o nome de Fernando Collor não é citado na minissérie, apesar da referência óbvia.

Além do roteiro, que promete, “Plano Alto” tem outras qualidades que ficaram visíveis neste primeiro capítulo. O elenco é excelente: também Jussara Freire, Paulo Gorgulho, Esther Góes, Mariah Rocha, Daniela Galli, André Mattos, Floriano Peixoto, Giuseppe Oristânio, Flávia Monteiro, Bia Montez, Bemvindo Siqueira e outros. A direção de Ivan Zettel mostrou um ótimo serviço nessa estreia: edição ágil e bem cortada, sonorização de qualidade, câmeras seguras, elenco bem dirigido.

Por enquanto, apenas duas ressalvas. Ter que esperar o fim do episódio diário de “A Fazenda” para assistir a minissérie significa horário tardio e incerto. “Plano Alto” merecia um espaço mais nobre na grade da Record – apesar da possibilidade de o reality entregar a minissérie com audiência razoável. E há de se prestar atenção na escalação de Carla Diaz para um papel importante na trama, a black bloc Lucrécia. O pouco que se viu da atriz nesta estreia destoou do resto. Tomara que seja apenas a primeira impressão.

No mais, “Plano Alto” promete ser uma excelente opção off-Globo. Temáticas políticas que exploram os bastidores do poder são raras na Teledramaturgia brasileira. E “Plano Alto” ainda carrega a grife Marcílio Moraes.

Leia também: Maurício Stycer “Plano Alto'' faz reflexão política inteligente mas estreia na data errada.


“Boogie Oogie” manterá sua trama ágil nos próximos meses?
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Nilson Xavier

Ísis Valverde (Sandra) e Marco Pigossi (Rafael) (Foto: Divulgação/TV Globo)

Ísis Valverde (Sandra) e Marco Pigossi (Rafael) (Foto: Divulgação/TV Globo)

Há quase dois meses no ar, pode-se acusar “Boogie Oogie” (a novela das seis da Globo) de tudo, menos de marasmo ou falta de dinamismo. De sua estreia (em 4 de agosto) para cá, um zilhão de coisas aconteceram na trama de Rui Vilhenaa história da moça que perdeu o noivo no dia do casamento porque ele tentou salvar a vida de um cara… que largou a namorada porque se apaixonou por essa noiva… que não sabe que foi trocada no dia nascimento pela namorada do sujeito salvo pelo noivo…

Enfim! “Boogie Oogie” é um emaranhado que justifica bem uma definição da mestra Janete Clair: “novela é um novelo que vai se desenrolando aos poucos”. No caso desta, um novelo que se desenrola vertiginosamente, ao sabor dos tempos modernos: em que o telespectador exige agilidade porque faz várias coisas ao mesmo tempo e ficar engessado a um horário fixo diariamente não é mais possível diante de tantas outras oportunidades que a rotina atual apresenta.

A história de “Boogie Oogie” se passa no remoto ano de 1978, um tempo distante em que a vida tinha um ritmo completamente diferente dos dias de hoje. E a televisão daquela época ilustrava bem isso. Basta dar uma espiada em “Dancin´ Days” – novela produzida em 1978, atualmente reprisada no canal Viva – para se deparar com diálogos longos em cenas arrastadas, impensáveis para os dias atuais. E olha que “Dancin´ Days” nem era uma novela das mais lentas.

A agilidade na trama de “Boogie Oogie” atende o público moderno. E, para manter o telespectador fisgado na história, o autor parece dar uma guinada na trama a cada bloco de capítulos. “Boogie Oogie” é uma das poucas novelas em que se tem a sensação de que perder um capítulo faz falta sim. Lógico que sabemos que, ao final, Rafael (Marco Pigossi) viverá feliz para sempre com Sandra (Ísis Valverde). Mas o miolo dessa história tem tantas reviravoltas que nos perguntamos por quantos percalços ainda passará o casal até o enlace final.

Claro que a trama central não se sustenta sozinha. Como em toda novela, para permanecer diariamente no ar por mais de seis meses, são necessárias outras histórias a rechear a trama principal. A vingança de Suzana (Alessandra Negrini) é outro fio condutor importante que definirá o destino do casal de pombinhos protagonistas. Resta torcer para que “Boogie Oogie” continue com este fôlego todo. Para se manter neste rimo pelos próximos meses, o autor precisará de muitos nós neste novelo.


Longe da polêmica, “Sexo e as Negas” é uma leve comédia de costumes
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Nilson Xavier

As "negas" Maria Bia, Lílian Valeska, Corina Sabbas e Karin Hils (Foto: Divulgação/TV Globo)

As “negas'' Maria Bia, Lílian Valeska, Corina Sabbas e Karin Hils (Foto: Divulgação/TV Globo)

Agora sim! Passados dois episódios de “Sexo e as Negas”, já se pode julgar o novo programa de Miguel Falabella. Acusado de racismo, sexismo, machismo, e outros ismos, o seriado gerou polêmica antes de sua estreia, vejam só, por causa de seu título. Sim, porque o conteúdo – o que deveria ser julgado – se conhecia apenas pelas chamadas ou o que era lançado pela mídia antes da estreia.

Isso tudo apesar de o título julgado ser uma alusão à conhecida série norte-americana “Sex and the City” – que você só nunca ouviu falar se passou os últimos quinze anos morando em Marte. Haja vista o tipo de programa e seu horário de exibição, o público alvo de “Sexo e as Negas” é, de fato, o público que já ouviu falar em “Sex and the City”, e não o que passou os últimos quinze anos em Marte. Muito menos os que julgaram o programa e afirmam orgulhosos que não possuem um aparelho de TV em casa. Falabella não faz programa de televisão para quem não assiste TV.

Como bem disse Maurício Stycer em sua coluna AQUI, “a acusação de racismo pautou o primeiro olhar sobre Sexo e as Negas”. Sim, fomos contaminados pelas acusações: as calientes cenas de sexo do primeiro episódio remeteram à polêmica toda. Mas não vi nada que maculasse a imagem, a autoestima, ou o orgulho da mulher negra. Não passam de quatro mulheres que, por acaso, são negras, cujo universo a série trata. Mas seus anseios e desejos são inerentes a qualquer ser humano. Tanto que há uma personagem branca (Jesuína de Cláudia Jimenez) que costura as histórias das quatro negras e compactua desses desejos.

Falabella e as atrizes em questão – Maria Bia, Lílian Valeska, Corina Sabbas e Karin Hils – vieram a público defender a atração. E o próprio autor reconheceu que foram feitos cortes pontuais, ajustes normais pelos quais os programas passam para se adequar, até mesmo para caber no permitido no horário de exibição. Com um humor mais leve do que o habitual em suas séries (como a última, “Pé na Cova”), aqui Falabella caminha mais sutilmente pela comédia dramática, a que tanto pode provocar o riso quanto emocionar.

O segundo episódio – que pautou sobre a relação entre a mulher, seu cabelo e o amor – só não foi leve porque os cenários, figurinos e caracterizações das “negas” impossibilitam qualquer leveza (e isso não é uma crítica). Mas bem que poderia ter passado no horário da tarde. Acima de tudo, pelo visto até agora, “Sexo e as Negas” se mostra uma interessante comédia de costumes. E ainda será preciso assistir ao resto da série para comprovar que nada no programa denigre a imagem ou o orgulho da brasileira afrodescendente.

Ops! A palavra “denegrir” ainda pode ser usada? Ou a patrulha já a aboliu do vocabulário?


Com boa estreia, “Dupla Identidade” promete nos próximos episódios
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Nilson Xavier

Bruno Gagliasso como o serial killer de "Dupla Identidade" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Bruno Gagliasso como o serial killer de “Dupla Identidade'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

O que se viu na estreia de “Dupla Identidade” – seriado de Glória Perez, nesta sexta-feira, 19/09 – foi muito pouco para um julgamento mais aprofundado. Mas deu vontade de quero mais, o que é um bom sinal. Ponto para o programa.

As referências às séries americanas que exploram o gênero são evidentes. Entretanto, “Dupla Identidade” exibe um Rio de Janeiro atual e carregado nas sombras da fotografia, que escondem o céu e o mar azuis da praia. Algo também raro nas produções que mostram a cidade. O Rio sem máscara confere brasilidade ao tema para quem acha que este é privilégio apenas da TV americana. Mais um ponto para o programa.

O texto de Glória Perez é bom, apesar do didatismo na boca de Luana Piovani – explicando com frases de efeito – nas primeiras cenas. Com tomadas de câmera criativas, a direção (de núcleo) de Mauro Mendonça Filho valoriza o produto. A quase ausência de trilha sonora, contrastando com luz escura que esconde o rosto dos atores, cria o clima tenso que a produção tem a pretensão de passar.

Afastando-se de outra produção brazuca do gênero, a minissérie “As Noivas de Copacabana” (de 1992), ficou interessante essa junção de assassinatos em série com política, de serial killer com político. Ainda mais em ano eleitoral. Pouco se viu da atuação do elenco, a não ser uma Luana Piovani robótica em uma personagem importante. E Bruno Gagliasso fechou o episódio com cara de psicopata. Medinho que justifica acompanhar o segundo episódio.