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Só agora “Liberdade Liberdade” exibe uma interessante trama histórica
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Nilson Xavier

Juliana Carneiro da Cunha (Alexandra) e Susana Ribeiro (Carlota Joaquina) (Foto: Felipe Monteiro/Gshow)

Juliana Carneiro da Cunha (Alexandra) e Susana Ribeiro (Carlota Joaquina) (Foto: Felipe Monteiro/Gshow)

Duas semanas para o seu término e “Liberdade Liberdade” está pegando fogo! O cerco se fecha cada vez mais sobre os personagens de Vila Rica. A trama ganhou novo fôlego com a chegada do interventor da Coroa Portuguesa, o Duque de Ega (Gabriel Braga Nunes), que na verdade está mancomunado com a Princesa Carlota Joaquina (Susana Ribeiro) numa conspiração para que a Espanha domine o Brasil – o que revela interesses escusos escondidos sob a aura do sonho de liberdade.

Em sua reta final, “Liberdade Liberdade” apresenta agora o que faltou em três quartos da novela: uma trama ágil e coesa com conexão histórica. A maior crítica contra a produção era justamente ter pouca História retratada. Até então, apesar das alusões a vultos históricos (como Tiradentes e os inconfidentes, a Família Real Portuguesa e Mão de Luva), a novela não passava de um amarrado melodrama que poderia ser ambientado em qualquer época.

Liberdade Liberdade” começou modorrenta e levou um tempo até se estabelecer. A trama vinha andando em círculos, dando destaques momentâneos a personagens e núcleos isolados. Enquanto se desenrolava lentamente a trama principal, foram apresentados o rapto de Bertoleza (Sheron Menezes), a volta do marido (Jackson Antunes) de Dionísia (Maitê Proença), o drama do cego Ventura (Vitor Thiré) – que, diga-se de passagem, atualmente está abandonado -, etc.

Entretanto, apesar de seu roteiro um tanto quanto enviesado, “Liberdade Liberdade” tinha a seu favor ótimos trunfos que faziam valer a pena a audiência. O maior deles talvez fosse o excelente elenco em ótimos personagens, todos ricamente construídos, com destaque para Mateus Solano/Rubião, Lília Cabral/Virgínia, Maitê Proença/Dionísia, Caio Blat/André, Nathalia Dill/Branca, Zezé Polessa/Ascenção, Marco Ricca/Mão de Luva e Juliana Carneiro da Cunha/Alexandra.

A direção (artística de Vinícius Coimbra) teve importante papel na produção, tanto na condução do elenco quanto nos detalhes estéticos, com ênfase para as caracterizações pouco maquiadas, de atores e cenários – percebam como a fotografia escura deixa Vila Rica, os cenários e personagens com um aspecto ainda mais sujo. Uma proposta estética que flerta com o realismo, mas que, todavia, encontrava pouca ressonância no texto.

Faltando duas semanas para acabar, “Liberdade Liberdade” vem apresentando desfechos emocionantes para os personagens. E – apenas agora – tem revelado uma faceta histórica do período pouco conhecida ou divulgada, mas interessante: a de que conspirações podem servir a diferentes interesses. Bom quando uma trama histórica reverbera a atualidade.

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Entre as novelas atuais, “Velho Chico” é a que apresenta o melhor texto
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Nilson Xavier

Lee Taylor, Dira Paes e Irandhir Santos (Foto: Caiuá Franco/TV Globo)

Lee Taylor, Dira Paes e Irandhir Santos (Foto: Caiuá Franco/TV Globo)

Os autores de novelas têm escolhido o caminho mais seguro para contar a suas histórias: o do texto fácil que não exige muito do público a não ser a sua passividade. Telenovela é, acima de tudo, entretenimento. E é isso o que a maioria dos telespectadores querem: um texto mastigado de onde sabem exatamente o que esperar.

De todas as novelas atualmente no ar, em todas as emissoras, a única com um texto mais denso, que exige alguma reflexão do público, que traz à tona alguma problemática ou que levanta uma discussão de interesse social, é “Velho Chico”. E, não por coincidência, a novela tem uma média de audiência abaixo do esperado por sua emissora – ainda que tenha tido melhoras nas últimas semanas.

Ressalto que me refiro exclusivamente ao texto, e não ao enredo ou à trama. Tampouco desmereço o texto de obras como “Êta Mundo Bom”, “Cúmplices de um Resgate” e “A Terra Prometida”. Todas são escritas especialmente para os seus públicos alvo. O telespectador das novelas bíblicas já sabe que vai receber tudo mastigado, inclusive a pregação ou a filosofia religiosa. E em uma produção infanto-juvenil, a simplicidade ao contar uma história é preponderante. Tá tudo certo!

Entretanto, cabe uma crítica aos textos de “Escrava Mãe” e “Haja Coração”, em que imperam a reiteração e os esgarçados clichês folhetinescos, usados à exaustão, sem filtro, e sem ousadia ou criatividade. A novela da Record, apesar da bela produção e de seu bom elenco, soa como uma trama de época requentada, ou uma grande mistura de várias novelas de época. A da Globo resvala na repetição: como se não bastasse ser um remake, se apropria de mais tramas que já estamos carecas de conhecer – como Shirlei, a manca que era de outra novela, ou a mãe rejeitada pelo filho já vista no trabalho anterior do autor, vivida pela mesma atriz. É o clichê do clichê?

Liberdade Liberdade” se beneficia do horário tardio, em que nudez, sexo e violência são permitidos  – o  que, não necessariamente, lhe conferem o status de “ousada”. A única vanguarda até agora vista foi o sexo entre dois homens, que deu o mérito à novela de ser a primeira a exibir esse recurso. Em suma, “Liberdade Liberdade” é uma produção de primeira, bem dirigida, com elenco excelente e ótimos personagens. Tem história, todavia lhe falta História. E apesar do ineditismo, a discussão sobre homossexualidade (ou liberdade ou escravidão) ainda é rasa.

Velho Chico” vai pelo caminho menos fácil. A começar pela estética, que ainda causa estranhamento em boa parte da audiência. Muitos dirão que tem menos história que “Escrava Mãe”, “Liberdade Liberdade” ou “Êta Mundo Bom”. Discordo. Tem história, mas está em outro ritmo. “Velho Chico” convida à contemplação das imagens, às interpretações do elenco e à reflexão sobre o “ter agora'' e o “preservar para ter no futuro'' – seja do meio ambiente ou das relações humanas.

Outros dirão que “Velho Chico” tem menos audiência que “Êta Mundo Bom” ou “Haja Coração”. Mas a audiência nem sempre está disposta a refletir – na maioria das vezes, só quer se divertir. E nisso, todas as novelas têm cumprido seu papel, cada qual para seu público alvo.

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Releitura ou remake? O que mudou de “Sassaricando” para “Haja Coração”
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Nilson Xavier


Apesar do autor Daniel Ortiz ter vendido “Haja Coração” como uma “releitura'' de “Sassaricando”, vejo muitas semelhanças entre as novelas. Tanto, que parece mesmo um remake, já que as alterações feitas (inclusões ou exclusões de tramas e personagens) servem para atualizar a história – o que, convenhamos, já é feito em qualquer remake assumido, afinal uma novela da década de 1980 não rende sozinha uma novela dos dias de hoje.

As tramas centrais são exatamente as mesmas, apenas deslocando o protagonismo para o triângulo Apolo-Tancinha-Beto (Alexandre Frota/Malvino SalvadorClaudia Raia/Mariana XimenesMarcos Frota-João Baldasserini), que em “Sassaricando” só foi ganhar destaque com o passar do tempo. Na novela de 1987, a trama central era focada na figura de Aparício Varela (Paulo Autran).

O núcleo familiar de Tancinha é praticamente o mesmo de “Sassaricando”. Tancinha foi a única que permaneceu com o mesmo nome, todos os seus familiares tiveram nomes alterados. A mãe Francesca (Marisa Orth), uma mamma italiana, era espanhola em “Sassaricando”: Aldonza, (Lolita Rodrigues). O pai desaparecido (mesma trama) era o italiano Ricardo de Pádua (Carlos Zara), hoje é o italiano Guido Di Marino (Werner Schünemann). A irmã invejosa Carmela (Chandelly Braz) se chamava Isabel (Angelina Muniz).

O irmão Giovanni (Jayme Matarazzo) tinha uma trama diferente. Em “Sassaricando” ele se chamava Guel (Edson Celulari) e não era ex-presidiário. Atualmente, ele tem uma ex-namorada que não existia nos anos 80: Bruna (Fernanda Vasconcellos). A irmã mais nova de Tancinha, a manca Shirlei (Sabrina Petraglia), é uma personagem retirada da novela “Torre de Babel'' (de 1998, vivida por Karina Barum). Em “Sassaricando”, a caçula se chamava Juana (Denise Milfont) e nas duas novelas elas eram apaixonadas pelo irmão de Apolo, Adonis (Rômulo Arantes antes, José Loreto hoje).

A família Abdala de “Haja Coração” é praticamente a mesma de “Sassaricando”, os mesmos personagens com as mesmas características e tramas: o submisso Aparício (Paulo Autran/Alexandre Borges), a mulher megera Teodora (Jandira Martini/Grace Gianoukas), a filha mimada Fedora (Cristina Pereira/Tatá Werneck), o genro que quer dar um golpe Leonardo Raposo (Diogo Vilela/Gabriel Godoy), o mordomo Ariovaldo (Marco Miranda/Duda Mamberti), a cunhada Lucrécia (Maria Alice Vergueiro/Claudia Jimenez).

Houve uma atualização no perfil de Fedora: ela continua arrogante, metida, mimada, excêntrica e megalomaníaca (como era Cristina Pereira em “Sassaricando”). Hoje, Fedora é celebridade das mídias sociais (algo que não existia nos anos 80). O irmão de Aparício, casado com Lucrécia, que se chama Agilson (Marcelo Médici), tinha outro nome: Aprígio (Laerte Morrone). O casal tem uma filha, Camila (Maitê Proença/Agatha Moreira). Atualmente, Camila tem um ex-namorado, Enéas (Johnnas Oliva), que não existia em “Sassaricando”.

Outra diferença no núcleo Abdala: em “Sassaricando”, Teodora e Lucrécia tinham mais uma irmã, que não existe em “Haja Coração”: Fabíola, vivida por Ileana Kwasinsky. Fabíola era viúva e mãe de Tavinho (Alexandre Lipiani), outro personagem limado, que, por sua vez, tinha um romance com Diana (Marcela Muniz), a irmã caçula de Apolo e Adonis – que não existe atualmente, já que a irmã deles, Larissa (Marcela Valente), tem um perfil diferente de Diana.

O núcleo das três mulheres caçadoras de marido rico continua o mesmo: Rebeca (Tônia Carrero/Malu Mader), o amor da juventude de Aparício; Penélope (Eva Wilma/Carolina Ferraz); Leonora Lamar (Irene Ravache/Ellen Roche); e a empregada Dinalda (Stela Freitas/Renata Augusto). O perfil de Leonora mudou. Em 1987, ela era uma atriz sem talento que tentava um emprego na televisão, cinema ou teatro. Hoje, Leonora é uma subcelebridade, ex-BBB – por isso a atriz escolhida é mais jovem, que faz o tipo gostosona, diferente do que era Irene Ravache nos anos 80. A escalação de Ellen Roche chegou a ser criticada: “como assim ela vai fazer um papel que foi de Ravache“. Mas justifica-se pela mudança no perfil da personagem.

Pénelope continua com a mesma história de “Sassaricando”: apaixona-se por um rapagão – Tadeu (Roberto Bataglin), hoje Henrique (Nando Rodrigues) – sem saber que é o melhor amigo de seu filho Beto. A diferença é que hoje Penélope tem mais uma filha, Tamara (Cléo Pires), que não existia nos anos 80, que vai se apaixonar por Apolo. É uma personagem nova a movimentar ainda mais o triângulo central Apolo-Tancinha-Beto.

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O triângulo Apolo-Tancinha-Beto ontem e hoje (Foto: Divulgação/TV Globo)

O triângulo Apolo-Tancinha-Beto ontem e hoje (Foto: Divulgação/TV Globo)


Aguinaldo lembra carreira de repórter policial e questiona violência na TV
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Nilson Xavier

Foi por causa de sua carreira de repórter policial, escrevendo textos sobre casos policiais em um jornal no Rio de Janeiro, que Aguinaldo Silva foi parar na televisão. Em 1979, Daniel Filho o chamou para fazer parte da equipe de roteiristas da série “Plantão de Polícia“. Aguinaldo nunca mais voltou às redações dos jornais.

Hoje novelista de sucesso, Aguinaldo Silva juntou suas memórias do tempo em que era repórter no livro “Turno da Noite'' e analisa nessa entrevista: “Não tem como transformar a violência atual em ficção”. Na conversa, ele lembrou histórias como quando ficou preso por 70 dias durante a ditadura e a carona que pegou com um policial do antigo Esquadrão da Morte. E disse o que acha dos programas policiais da TV: “É um circo, não vai me acrescentar nada ver aquilo“.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista que Aguinaldo concedeu a mim com exclusividade para o TV UOL:


Além do “TV Pirata”, Guilherme Karan destacou-se em novelas de Glória Perez
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Nilson Xavier

Agronopoulos do "TV Pirata" / Raposão em "O Clone" / Porfírio em "Meu Bem Meu Mal" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Agronopoulos do “TV Pirata'' / Raposão em “O Clone'' / Porfírio em “Meu Bem Meu Mal'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

Quando penso em Guilherme Karan, lembro de seus personagens hilários no “TV Pirata”. O ator esteve no humorístico nas temporadas de 1988 a 1990 e deu vida a tipos incríveis, como Zeca Bordoada, o apresentador do “TV Macho”, e Agronopoulos, o “capanga” da novela “Fogo no Rabo” (que usava uma capanga!). Lembro também de um esquete em que ele personificou com graça a Bicha Gata, uma versão gay da Mulher Gato de Michelle Pfeiffer (do filme “Batman”, que fazia sucesso na época). Guilherme Karan era uma das presenças mais marcantes do “TV Pirata” e um dos atores mais versáteis do elenco.

O ator-comediante nos deixou nesta quinta-feira (07/07), vítima de uma doença degenerativa. Tinha 58 anos e estava afastado da profissão desde 2005. Mais detalhes sobre sua morte AQUI.

Outro personagem muito marcante de sua carreira foi o mordomo cara de pau Porfírio da novela “Meu Bem Meu Mal”, de Cassiano Gabus Mendes (1990-1991), atualmente em reprise no canal Viva. Porfírio era totalmente sem noção, mas conhecia seu lugar e respeitava o patrão, Dom Lázaro Venturini, vivido por Lima Duarte. E era apaixonado por Magda, personagem de Vera Zimmermann, a quem ele chamava de Divina Magda, uma garota sonsa que frequentava a piscina da mansão, sempre a lhe provocar. O mordomo vivia lhe dizendo obscenidades e impropérios, com muito humor. O casal fez sucesso na novela.

Em uma entrevista em 2003, Karan revelou que Cassiano Gabus Mendes tinha um carinho especial por seu personagem Porfírio:
“No último dia de gravação, uma atriz, que eu não posso revelar o nome, se aproximou de mim e disse que todas as declarações que Porfírio havia feito à Divina Magda durante a novela, ela havia ouvido na vida real do Cassiano. Eu descobri que havia vivido o alter-ego do autor!”

Guilherme Karan ainda atuou ao lado de Cassiano Gabus Mendes na novela “Perigosas Peruas”, de Carlos Lombardi (1992), em que o novelista fez uma participação como ator, vivendo o mafioso Dom Franco Torremolinos. Karan era um de seus filhos, Hector, um mau caráter engraçado, que rouba o pai ao longo da trama.

Karan também teve uma carreira no cinema, em filmes como “Luz Del Fuego” (1982), “O Rei do Rio” (1985), “Rock Estrela” (1985), “O Homem da Capa Preta” (1986), “Stelinha” (1990) e “Bella Donna” (1997). E tem toda uma geração que lembra dele dos filmes da Xuxa: “Super Xuxa Contra Baixo Astral” (1988), “Xuxa e os Duendes” (2001) e “Xuxa e os Duendes 2” (2002).

Além desses trabalhos, Guilherme Karan também destacou-se através de sua parceria com a amiga Glória Perez, que sempre que podia, lhe encaixava em suas novelas. Karan atuou na maioria dos trabalhos da autora. A primeira novela de Glória, “Partido Alto” (1984, escrita com a parceria de Aguinaldo Silva), foi também a estreia de Guilherme Karan na televisão. Ele viveu o guru de araque Políbio, que na trama enganava a deslumbrada personagem de Susana Vieira, uma socialite. Na sequência, Gloria foi para a TV Manchete, escrever “Carmem” (1987), e Karan ganhou um papel: Jano.

Guilherme Karan foi visto em quase todos os trabalhos de Glória a partir da década de 1990 (depois do “TV Pirata”): “Explode Coração” (1995), como o “rocker” Bebeto a Jato (com um visual rockabilly); a minissérie “Hilda Furacão” (1998), como o divertido sacristão João Dindim, em ótimas cenas com Paulo Autran, que fazia o padre; o remake de “Pecado Capital”, como o bandido Jurandir; “O Clone” (2001-2002), como o vigarista Raposão, do núcleo de Dona Jura (Solange Couto); e, por fim, “América” (2005), como o latino Geraldito, crooner de um bar do núcleo de Miami.

América” foi o último trabalho de Guilherme Karan, que afastou-se para tratar de sua doença. Há onze anos estava em tratamento. Que agora descanse em paz.

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Com Paulo Autran, parceria na minissérie Hilda Furacão (Foto: Divulgação/TV Globo)

Com Paulo Autran, parceria na minissérie Hilda Furacão (Foto: Divulgação/TV Globo)


“A Terra Prometida” estreia com produção superior a “Os Dez Mandamentos”
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Nilson Xavier

Sidney Sampaio à frente do elenco (Foto: Divulgação/Rede Record)

Sidney Sampaio à frente do elenco (Foto: Divulgação/Rede Record)

Não há como negar: “A Terra Prometida” é um upgrade de “Os Dez Mandamentos”. O novo folhetim bíblico foi a estreia dessa terça-feira (05/07) na TV Record. Tudo é melhor: o texto, o elenco, a produção, a direção, os cenários e figurinos. O expertise adquirido pela Record – não só com “Os Dez Mandamentos”, mas também com as minisséries anteriores – é incontestável. A emissora investe bem nesse filão que já tem o seu público cativo. Todos saem ganhando: o público, os profissionais e a concorrência.

A referência a “Game of Thrones” é proposital. Assim como é proposital vislumbrar os subprodutos que podem vir com a novela. A Record já faz “A Terra Prometida” pensando em sua versão para os cinemas, a exemplo de “Os Dez Mandamentos”. O texto é de Renato Modesto, um novo autor. A direção geral ainda é de Alexandre Avancini, o mesmo da produção anterior. Agora a Record vem com a parceria da Casablanca, a mesma produtora que apresenta atualmente “Escrava Mãe”, às 19h30.

O elenco traz vários atores conhecidos, da própria Record ou da Globo: além de Sidney Sampaio (ótimo como o protagonista Josué), apareceram nessa estreia Beth Goulart, Felipe Folgosi, Paloma Bernardi, Raphael Viana, Milhem Cortaz, Igor Rickly, Juliana Silveira, Kadu Moliterno, Cristiana Oliveira, Marcos Winter, Nívea Stellman, Thaís Melchior, Marisol Ribeiro, Paulo César Grande, Guilherme Leme, Myrian Freeland, Ernani Moraes, Valéria Alencar, Elizângela, Castrinho, Walter Breda, e outros.

Um detalhe ousado que distancia ainda mais “A Terra Prometida'' de “Os Dez Mandamentos” (apesar de uma história ser continuação da outra): a novela já começa introduzindo o seu ápice, a queda das muralhas de Jericó. “Os Dez Mandamentos” cozinhou por meses a sua história até que aparecessem as primeiras pragas do Egito. Numa cronologia ousada, o primeiro capítulo de “A Terra Prometida” mostrou o que está por vir para em seguida retroceder a história para seu começo. Não é original, outras novelas já o fizeram. Mas é uma forma de assegurar ao público fortes emoções.

Esperamos que “A Terra Prometida” atinja a mesma repercussão de “Os Dez Mandamentos”. E que a qualidade técnica e artística de sua produção se distancie ainda mais da novela anterior – o que pode ser traduzido com uma trama mais ágil, sem enrolações, interpretações melhores, uma direção mais criativa, texto menos didático e evangelizador, e caracterizações sem talco no cabelo para envelhecer atores jovens (que marcou o triste fim da saga de Moisés).

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A audiência das novelas cresceu entre os jovens em 2016
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Nilson Xavier

Marina Ruy Barbosa e Felipe Simas em "Totalmente Demais" (Foto: Reprodução)

Marina Ruy Barbosa e Felipe Simas em “Totalmente Demais'' (Foto: Reprodução)

A audiência das novelas cresceu consideravelmente entre os jovens brasileiros no último ano.

De acordo com dados da Kantar IBOPE Media – obtidos com exclusividade por essa coluna -, quando comparadas as informações coletadas de janeiro a maio de 2016 com o ano de 2015, foi possível notar um aumento na audiência das telenovelas em todas as faixas etárias, com destaque para pessoas de 18 a 24 anos, entre as quais houve uma alta de 12%. A mesma tendência foi verificada nas faixas de 25 a 34 anos (aumento de 4,5%) e de 35 a 49 anos (8%).

Analisando as atrações nos dois períodos, é possível compreender esse entusiasmo juvenil por nossas telenovelas através do sucesso de “Totalmente Demais”, folhetim das sete da Globo, um fenômeno desse primeiro semestre de 2016 alavancado pelos mais jovens.

Outros dados da Kantar IBOPE Media mostram que, dentro do universo pesquisado pela empresa no Brasil, a audiência absoluta das novelas teve crescimento de 8,5% entre 2014 e 2015. Além de “Totalmente Demais”, a boa repercussão de “Êta Mundo Bom” também colaborou para esse resultado.

Enquanto “Totalmente Demais” e “Êta Mundo Bom” bombaram o primeiro semestre de 2016, o mesmo período no ano passado não teve nenhum título expressivo. O maior resultado dentro da faixa que vai de janeiro a junho de 2015 foi a fase final da novela “Império” (que terminou em 14/03/2015).

Lembrando que outros dois sucessões de 2015 – “Verdades Secretas” e “Os Dez Mandamentos” – ficam de fora dessa análise pois só obtiveram números representativos durante o segundo semestre e o objetivo aqui foi comparar os números do primeiro semestre de 2015 com os de 2016.

A Kantar Ibope Media é a empresa líder em medição de audiência de mídia e investimento publicitário na América Latina e líder de mercado em medição de audiência de televisão.

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Canal Viva vai reprisar a novela “A Gata Comeu”
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Nilson Xavier

Christiane Torloni (Jô Penteado) e Nuno Leal Maia (Profº Fábio) (Foto: Divulgação/TV Globo)

Christiane Torloni (Jô Penteado) e Nuno Leal Maia (Profº Fábio) (Foto: Divulgação/TV Globo)

Um dos maiores sucessos da TV da década de 1980 estará de volta no Viva: a novela “A Gata Comeu”, com Christiane Torloni e Nuno Leal Maia, substitui “Mulheres de Areia'' em outubro. A trama do casal Jô Penteado e Professor Fábio, que vivia feito cão e gato, é hoje cultuada por fãs e uma das campeãs de pedidos de reprise no canal.

Escrita por Ivani Ribeiro, com direção geral de Herval Rosano, “A Gata Comeu” foi originalmente exibida, no horário das seis da Globo, entre abril e outubro de 1985. Foi reprisada duas vezes no “Vale a Pena Ver de Novo“: em 1989 e em 2001. Era o remake de uma antiga novela da TV Tupi (de 1974): “A Barba Azul”, com Eva Wilma e Carlos Zara.

A trama leve, divertida e despretensiosa teve como maior destaque o elenco mirim – filhos e alunos do Professor Fábio -, que encantou o público infanto-juvenil na época: Danton Mello (em sua primeira novela, então com 10 anos), Kátia Moura, Oberdan Jr, Juliana Martins, Silvio Perroni, Rafael Alvarez e Juliana Lucas Martin.

Os capítulos iniciais foram antológicos. Vários personagens passam dias perdidos em uma ilha deserta, após uma pane no barco em que faziam uma excursão. Foi nessa viagem que Jô conheceu Fábio. Também Paula (Fátima Freire), então noiva dele, e as crianças, seus alunos. Como a antipatia foi imediata, a confusão estava armada! “Bateu, levou!” era o bordão do casal que se odiou à primeira vista e trocava farpas e tapas na cara. Um ódio que escondia uma atração fulminante que acabou em amor ao longo da trama.

No elenco, também Mauro Mendonça, Anilza Leoni, Bia Seidl, Laerte Morrone, Roberto Pirilo, Fátima Freire, Élcio Romar, Mayara Magri, Cláudio Corrêa e Castro, Marilu Bueno, Luís Carlos Arutin, Dirce Migliaccio, Nina de Pádua, José Mayer, Deborah Evelyn, Eduardo Tornaghi, Rogério Fróes, Diana Morel e outros.

Volta dia 24 de outubro no Viva, substituindo “Mulheres de Areia” na faixa das 15:30 (reprise à 0:45).
Lembrando que o Viva também confirmou o retorno de outro clássico da TV: “Pai Herói“, que volta dia 17 de outubro, à meia-noite. Saiba mais AQUI.
E “Torre de Babel“, que volta dia 10 de outubro, às 14:30.

AQUI tem elenco completo, personagens, trama, trilha sonora e curiosidades sobre “A Gata Comeu”.

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Danton Mello, Silvio Perroni, Juliana Martins e Oberdan Jr. (Foto: Divulgação/TV Globo)

Danton Mello, Silvio Perroni, Juliana Martins e Oberdan Jr. (Foto: Divulgação/TV Globo)


“Haja Coração” não funcionaria não fosse seu elenco bem escalado
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Nilson Xavier

João Baldasserini e Mariana Ximenes (Foto: Ellen Soares/Gshow)

João Baldasserini e Mariana Ximenes (Foto: Ellen Soares/Gshow)

Haja Coração” é uma novela de bons trunfos. Segue à risca a receita do tradicional horário das sete da Globo: a comédia romântica sem medo do pastelão, colorida, com farto elenco jovem e bonito. É uma trama folhetinesca e despretensiosa, com reviravoltas, ação e bons ganchos, sempre dosando comédia e romantismo. A serviço da trama, um elenco, na grande maioria, bem escalado.

Os personagens são bons, com ótimas possibilidades de exploração, dramática ou cômica. As tramas paralelas costuram-se às principais. Existe uma unidade narrativa que conversa com a estética. A história, apesar de requentada, não destoa da atualidade – ainda que seja difícil de reconhecer pelas ruas um tipo como Tancinha, a bela de pouca instrução, com sotaque italianado, vivida por uma esfuziante Mariana Ximenes. É uma personagem que não emula a realidade e nem tem essa pretensão.

Realmente, não existem Tancinhas por aí, no mundo real. Mas, convenhamos, não existia nem em 1987, quando foi ao ar a novela que a originou, “Sassaricando” – Cláudia Raia foi muito criticada pelo sotaque e os exageros de sua interpretação, até o público se render a ela. Tancinha é um tipo que cai como uma luva para a comédia de situação. É para este fim que ela trabalha. A bela irreal dos sonhos de Beto (João Baldasserini) é a única capaz de tirá-lo de seu mundano universo de conquistas descartáveis.

Tancinha é uma personagem idealizada unicamente para servir a comédia romântica a que se propõe a novela. As cenas de Ximenes com Baldasserini são ótimas. Os dois têm química e seus personagens se completam. Malvino Salvador ficou com a parte menos cativante, Apolo, o bruto-romântico, que serve de contraponto a Beto, o atrapalhado-romântico. É mesmo pra fazer qualquer uma fica divididinha!

Haja Coração” não funcionaria não fosse seu elenco bem escalado. O clã Abdala é divertidíssimo. Grace Gianoukas está fazendo um enorme sucesso com sua megera Teodora. E a dobradinha com Tatá Werneck é ótima. Fedora é, em minha opinião, o melhor dos três momentos da atriz-comediante-apresentadora em novelas (os anteriores foram Valdirene em “Amor à Vida” e Danda em “I Love Paraisópolis”). As falas de Tatá, declaradas sílaba a sílaba, parecem uma resposta debochada aos que criticavam sua dicção incompreensível nas novelas anteriores (este colunista inclusive).

Ainda que Aparício Varela seja feito de gato e sapato nas mãos da mulher Teodora, Alexandre Borges conseguiu escapar da mesmice dos tipos bobões de trabalhos anteriores (como em “Ti-ti-ti”, “Avenida Brasil” e “I Love Paraisópolis”). E se é para elogiar o elenco, tem que citar Cláudia Jimenez, Marcelo Médici, Marisa Orth, Chandelly Braz, Gabriel Godoy e o trio Malu Mader, Carolina Ferraz e Ellen Roche – esta última, uma grata surpresa.

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Livro resgata as dificuldades dos roteiristas de TV ao escrever uma novela
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Nilson Xavier

novela_a_obra_aberta

Será lançado em São Paulo, nesta quinta-feira (23/06), o livro “Novela, a obra aberta e seus problemas” (Giostri Editora), do jornalista e pesquisador Fábio Costa. Uma ótima pedida para quem estuda o assunto, trabalha no ramo ou apenas se diverte com o universo novelístico. Ainda mais porque é baixo o número de bibliografia especializada sobre o tema, principalmente se considerarmos que este é o “país das novelas”. O prefácio é de Lauro César Muniz.

O autor compilou o resultado de uma detalhada pesquisa sobre as agruras pelas quais passa todo roteirista de televisão ao escrever uma novela. Pela sua natureza – uma obra que fica muito tempo no ar, que vai sendo escrita à medida que é produzida e exibida (por isso chamada de “obra aberta”) – a novela brasileira registrou em sua história inúmeros casos e curiosidades que atestam o talento (e o jogo de cintura) de nossos novelistas ao se depararem com percalços enquanto escrevem suas novelas, obrigando-os a mudarem os rumos de suas histórias, na maioria das vezes, de forma indesejada.

A doença de um ator (até mesmo sua morte), diretor ou do próprio autor. O baixo rendimento de um ator de quem se esperava mais, obrigando a diminuir a sua participação, ou substituí-lo. O alto desempenho de outro, de quem não se esperava tanto, ou cujo personagem caiu nas graças do público, fazendo aumentar sua participação na trama. Incêndios. Atrasos nas gravações (pelos mais variados motivos). Vazamentos de informações pela mídia, a contragosto do autor. A gravidez inesperada de uma atriz, o que muda os planos para sua personagem. As alterações no roteiro impostas pela censura (do Governo, da emissora) ou mesmo pelo público ou patrocinadores. Mudanças de horário de exibição. O alongamento (ou encurtamento) da novela. A concorrência. A baixa (ou a alta) audiência.

novelas1. O assassinato de Daniela Perez interrompeu a trajetória de sua personagem na novela “De Corpo e Alma” (1992);
2. A gravidez de Regina Duarte encurtou a novela “Carinhoso” (1974);
3. Alguns personagens rejeitados pelo público morreram na explosão do shopping em “Torre de Babel” (1998);
4. A censura do Regime Militar impediu o uso da palavra “escravo” em “Escrava Isaura” (1976).

Costumo dizer que o universo novelístico é um poço que precisa ser mais e mais cavoucado. O livro de Fábio Costa tem essa característica arqueológica de pesquisa. Um rico apanhado de informações que nos ajuda a refletir sobre o árduo caminho que o processo de produção percorre para chegar ao seu destino final, o telespectador, pronto para ser consumido. Em mais de cinquenta anos de telenovelas, muitas dificuldades ajudaram a construir e desconstruir essa história. “Novela, a obra aberta e seus problemas” satisfaz o público ávido por esse universo, seja o que vive dele (milhares de profissionais envolvidos, direta ou indiretamente), o que o estuda, ou o que apenas o aprecia. Ou seja, milhões de telespectadores Brasil afora.

Novela, a obra aberta e seus problemas”, de Fábio Costa, prefácio de Lauro César Muniz, Giostri Editora, R$50. Lançamento nesta quinta-feira, 23/06, às 19 horas, na Casa das Rosas, Avenida Paulista, 37, São Paulo. Antes da sessão de autógrafos, haverá um bate-papo entre o público, este colunista, o autor, Fábio Costa, e o novelista Lauro César Muniz.

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