Blog do Nilson Xavier

Divertido, núcleo caipira de “Êta Mundo Bom!” é o grande destaque da novela
Comentários 46

Nilson Xavier

A família caipira da novela (Foto: Divulgação/TV Globo)

A família caipira da novela (Foto: Divulgação/TV Globo)

A boa repercussão de “Êta Mundo Bom!“, nessas suas três primeiras semanas de exibição, tem provado que o público estava ansioso por uma história interiorana e folhetinesca. Walcyr Carrasco reúne nesta novela tudo o que marcou suas tramas do horário das seis na década passada. Mais especificamente, falo de “O Cravo e a Rosa'' (2000-2001), “Chocolate com Pimenta'' (2003-2004) e “Alma Gêmea'' (2005-2006).

No elenco, alguns nomes já se destacam. Poucos ainda, a bem da verdade. O tom teatral do texto – que cabe na proposta da novela – exige um pouco mais do ator. Entre os que se sobressaem, Sérgio Guizé foi a escolha acertada para o protagonista. Candinho é tão original que o personagem parece feito para o ator. Eliane Giardini e Marco Nanini, experientes como são, também aproveitam a força de seus personagens e conseguem ir além do que pede o texto do autor.

Mas este post é para elogiar o que já considero, de longe, o melhor núcleo de “Êta Mundo Bom!'' – do qual nem Guizé, Giardini ou Nanini fazem parte. Quem conhece as novelas de Carrasco, sabe de sua predileção por caipiras, com fazenda, bichinhos de estimação, chiqueiro e humor pastelão. Teve nas três novelas que citei acima mais “Morde e Assopra'' (2011), trama contemporânea do horário das sete. O núcleo caipira de “Êta Mundo Bom!'' é, até o momento, o que mais tem divertido o telespectador. Nele, Carrasco deita e rola em situações que dispensam sutileza. Sutileza para quê, quando se arremessa o povo no chiqueiro?

etamundobom_cunegundesElizabeth Savalla – figurinha fácil nas novelas do autor – exercita diariamente seu talento e garganta com o texto afiado de Carrasco e o sotaque carregado de Cunegundes, sua personagem. A atriz nos brinda com sua força interpretativa em situações hilárias que envolvem os demais membros dessa família Buscapé. Também com personagens à altura de seus talentos Ary Fontoura – Quinzinho, o marido submisso – e Rosi Campos – Eponina, a cunhada solitária e encalhada. Completam o quadro familiar, os filhos Quincas e Mafalda, vividos pelos jovens Miguel Rômulo e Camila Queiroz., e as empregadas Manoela e Dita, interpretadas por Dhu Moraes e Jennifer Nascimento.

Camila Queiroz já havia sinalizado seu potencial com a Angel de “Verdades Secretas“. E agetamundobom_mafaldaora surpreende numa personagem completamente diferente e que lhe exige bastante. É uma grata surpresa confirmar o que já se suspeitava. A moça está ótima como a inocente caipirinha, ora romântica e ingênua, ora engraçada e com boas tiradas. Também tem Anderson Di Rizzi, como o funcionário Zé dos Porcos, e Flávio Migliaccio, como o vizinho Josias. É um elenco tão afinado e coeso que chega a destoar dos demais núcleos da novela, em que as histórias ainda engatinham e a maioria dos personagens não se mostrou totalmente ou não disse a que veio.

Ainda que o clã caipira de “Êta Mundo Bom!'' tenha tido importância para a trama central da novela – foi na família que o protagonista Candinho se criou e ainda há a filha Filó (Débora Nascimento) que partiu para a cidade grande -, a história se distancia da trama principal. O núcleo dos caipiras é inspirado no conto “O Comprador de Fazendas“, de Monteiro Lobato: uma família quer se livrar da fazenda decadente e faz um acordo com seus devedores para 'maquiá-la' a fim de vendê-la com mais facilidade, até que um suposto comprador – na verdade um malandro – se aproveita da situação para viver bem como hóspede, enquanto se decide.

A família Buscapé já fez sucesso como série na TV americana e até em desenho animado. É sempre um apelo cômico irresistível e que rende muito. Na novela de Walcyr Carrasco, texto, direção e elenco aproveitam – acertadamente – ao máximo esse potencial. Eta núcleo bom!

Siga no TwitterFacebookInstagram

BUSCAPE


TOP 10 personagens mortos em novelas que voltaram
Comentários 11

Nilson Xavier

Tony Ramos como Zé Maria e Pedro Vargas (Foto: Divulgação/TV Globo)

Tony Ramos como Zé Maria e Pedro Vargas (Foto: Divulgação/TV Globo)

Uma reviravolta agitou recentemente os capítulos de “A Regra do Jogo“: Zé Maria (Tony Ramos) simulou a própria morte para fugir da perseguição da facção. Mudou de aparência e assumiu uma nova identidade, Pedro Vargas. Esse plot é tão batido em nossa Teledramaturgia que vale como um clichê de novela. E dos mais irresistíveis: sempre rende ótimos ganchos. Relaciono aqui 10 casos semelhantes, de personagens que simularam a própria morte, a fim de esconderem algo, e ressurgiram depois. Lógico que em algum momento das tramas, eles foram desmascarados, o que, fatalmente acontecerá também ao personagem de Tony Ramos em “A Regra do Jogo“.

Francisco Cuoco e Regina Duarte em "Selva de Pedra" (Foto: Reprodução)

Francisco Cuoco e Regina Duarte em “Selva de Pedra'' (Foto: Reprodução)

01. Simone/Rosana em “Selva de Pedra'' (1972 e 1986)

Achando que o marido Cristiano (Francisco Cuoco) e o amigo dele, Miro (Carlos Vereza), querem matá-la, Simone (Regina Duarte) foge e sofre um acidente durante uma perseguição. Seu carro explode em uma ribanceira. Apenas um corpo foi encontrado, carbonizado, e todos acham que é ela. Mas era a sua carona. Simone escapou com vida. Para fugir de seus supostos algozes, ela sai do país sob uma nova identidade, Rosana Reis, e vai fazer sucesso em Paris, como artista plástica. Ao retornar ao Brasil, anos depois, Simone (agora Rosana) é reconhecida por Cristiano, e, pressionada por ele, revela a verdade, no capítulo que rendeu ao folhetim o famoso Ibope de 100% de audiência. Fernanda Torres interpretou Simone/Rosana no remake da novela, em 1986.

Eva Wilma como Ruth e Raquel em "Mulheres de Areia" (Foto: Divulgação)

Eva Wilma como Ruth e Raquel em “Mulheres de Areia'' (Foto: Divulgação)

02. Ruth e Raquel em “Mulheres de Areia'' (1973 e 1993)

Um acidente em alto-mar vitima as gêmeas Ruth e Raquel (Eva Wilma). Apenas o corpo de uma é encontrado, inconsicente. Trata-se de Ruth. Mas ela é confundida com Raquel e, mesmo assim, sustenta a confusão, pois é apaixonada pelo marido da irmã. Todavia, a outra gêmea não morreu. O corpo de Raquel (a verdadeira) foi parar em uma praia e ela ficou de longe espiando o comportamento da irmã farsante, esperando o melhor momento para desmascará-la. A confusão se arma quando, além de Ruth se passar por Raquel, a Raquel verdadeira se passa por sua irmã Ruth. Glória Pires viveu as gêmeas no remake da novela, em 1993.

Jorge Dória e Raul Cortez em "Brega e Chique" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Jorge Dória e Raul Cortez em “Brega e Chique'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

03. Herbert Alvaray/Cláudio Serra em “Brega e Chique'' (1987)

Para escapar da falência financeira, o rico Herbert Alvaray (Jorge Dória) simula a própria morte. Mas antes, deixa uma herança para a amante, Rosemere (Glória Menezes), mulher pobre que fica rica da noite para o dia, enquanto a esposa legítima, Rafaela (Marília Pêra), empobrece. O que ele não contava é que a sua “morte'' uniria as duas, que tornaram-se amigas sem saber de seus respectivos “falecidos''. Mas Herbert retorna, sobre nova identidade, Cláudio Serra, e novo corpo, após uma cirurgia plástica – na pele do ator Raul Cortez. E Herbert/Cláudio passa a seduzir suas duas mulheres.

Francisco Cuoco em "O Outro" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Francisco Cuoco como Paulo Della Santa em “O Outro'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

04. Paulo Della Santa em “O Outro'' (1987)

Para fugir de problemas familiares e existenciais, o rico empresário Paulo Della Santa (Francisco Cuoco) aproveita a explosão em um posto de gasolina para “sumir'', e fica conhecendo um homem idêntico a ele fisicamente, Denizard. Paulo escapa da explosão, mas seu sósia é encontrado inconscicente e desmemoriado. Confundido com Paulo, Denizard é levado à família dele e tenta se adaptar a essa nova realidade, enquanto a família de Denzard sofre com o seu desparecimento. Ao final, Paulo reaparece para elucidar o caso.

Tereza Rachel em "A Próxima Vítima" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Tereza Rachel como Francesca Ferreto em “A Próxima Vítima'' (Foto: Divulgação/Reprodução)

05. Francesca Ferreto em “A Próxima Vítima'' (1995)

Abutres! Dada como morta no início da novela, Francesca (Tereza Rachel) era – supostamente – uma das vítimas do serial killer da história. Ela “morrera'' envenenada no saguão de um aeroporto, juntamente com outra vítima do assassino, Hélio (Francisco Cuoco). Para surpresa geral, Francesca retorna no final da trama: é ela quem esclarece do caso do assassino da próxima vítima. Francesca tinha ligações com o criminoso, já que havia sido a mandante do primeiro crime, ocorrido 25 anos antes. O assassino vinha recebendo cartas anônimas e passou a matar cada um dos cúmplices daquele crime do passado. No último capítulo, é revelada a identidade do criminoso: Adalberto (Cecil Thiré), cunhado de Francesca.

Christiane Torloni como Vivi e Fernanda em "Cara e Coroa" (Foto: Reprodução)

Christiane Torloni como Vivi e Fernanda em “Cara e Coroa'' (Foto: Reprodução)

06. Fernanda/Vivi em “Cara e Coroa'' (1995-1996)

À beira da morte, Fernanda (Christiane Torloni) conhece, na cadeia, uma sósia, a doce Vivi, de temperamento completamente oposto ao seu. Para roubar dinheiro da rica família de Fernanda, os vilões Mauro Prates (Miguel Falabella) e Heloísa (Maitê Proença) escondem de todos a sua morte e colocam Vivi para se passar por ela diante de sua família. No decorrer da novela, o público fica sabendo que Fernanda não morreu. Ela volta para punir os vilões e retomar o seu lugar de direito – apesar de todos terem se afeiçoado à falsa Fernanda.

Fernanda Montenegro como Bia Falcão em "Belíssima" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Fernanda Montenegro como Bia Falcão em “Belíssima'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

07. Bia Falcão em “Belíssima'' (2005-2006)

Muitos mistérios e perguntas sem respostas envolviam a personagem Bia Falcão (Fernanda Montenegro). A vilã, querendo se passar por morta sem maiores complicações, armou para que outra personagem, Valdete (Leona Cavalli), morresse em seu lugar na explosão de um carro. Bia é dada como morta – inclusive para o público – e o “quem matou Bia Falcão'' passou a ser um dos mistérios da novela. Entretanto, para surpresa geral, ela reaparece como se nada tivesse acontecido! Bia Falcão volta para resolver pendências e esclarecer outros mistérios da história.

Dalton Vigh em "Duas Caras" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Dalton Vigh em “Duas Caras'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

08. Adalberto Rangel/Marconi Ferraço em “Duas Caras'' (2007-2008)

Adalberto Rangel (Dalton Vigh) casa-se com Maria Paula (Marjorie Estiano) por interesse e lhe rouba todo o seu dinheiro, deixando-a na miséria. Ele foge sob nova identidade, Marconi Ferraço, ressurgindo anos depois como um rico empresário, com outro rosto. A novela narra a trajetória de Maria Paula para vingar-se do homem que lhe arruinou. Mas Adalberto/Marconi é um novo homem – literalmente – e, regenerado, está disposto a lutar pelo amor de Maria Paula.

Letícia Sabatella e Alexandre Borges em "Caminho das Índias" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Letícia Sabatella e Alexandre Borges em “Caminho das Índias'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

09. Raul Cadore/Humberto Cunha em “Caminho das Índias'' (2009)

Desgostoso com o casamento e a vida pessoal e profissional, Raul (Alexandre Borges) desvia dinheiro da empresa do pai e, influenciado pela amante Yvone (Letícia Sabatella), foge com ela para Dubai, sob nova identidade, Humberto Cunha, enquanto no Brasil todos pensam que morreu. Lá fora, Raul/Humberto recebe uma rasteira de Yvone, que lhe rouba seu dinheiro deixando-o sem nada. Ao descobrir que foi enganado, Raul tenta voltar para o Brasil, mas sabe que pode ser preso, por falsa identidade e por ter roubado a família. Ao final, Yvone é presa como estelionatária e todos descobrem que Raul está vivo.

Domingos Montagner e Débora Bloch em "Sete Vidas" (Foto: Divulgação/TV Globo)

Domingos Montagner e Débora Bloch em “Sete Vidas'' (Foto: Divulgação/TV Globo)

10. Miguel em “Sete Vidas

Pressionado a constituir uma família, Miguel (Domingos Montagner), sentindo-se incapaz de assumir tal responsabilidade, larga a mulher que ama, Lígia (Débora Bloch) e parte para a Antártica, numa expedição sem data para voltar. Durante a viagem, sofre um acidente de barco e é dado como morto. Mas Miguel sobreviveu. Desmemoriado, um ano se passou até que ele recobrasse sua memória e decidisse retornar. Entretanto, Miguel se depara com Lígia vivendo com outro homem, Vicente (Ângelo Antônio), com quem formou uma nova família, e com sete supostos filhos que ele nem sabia que existiam – a maioria frutos de uma doação de sêmen que fez no passado. Diante da responsabilidade de manter tantos laços afetivos, Miguel decide continuar incógnito. Mas logo é descoberto.

Citei aqui 10 casos de personagens que voltaram sem nunca terem ido. Mas a lista é longa! Na própria “A Regra do Jogo'' a personagem Kiki (Deborah Evelyn), dada como morta, estava vivinha da silva! E Rodrigo (Carmo Dalla Vecchia) abandonou a mulher e se envolveu com Domingas (Maeve Jinkings) com outro nome, César. Abaixo outros casos:paola

Hugo Leonardo (Tarcísio Meira) em “O Semideus''
César Brandão (Roberto Maya) em “Final Feliz''
Roque (José Wilker) em “Roque Santeiro''
Agenor em (Juca de Oliveira) “Torre de Babel''
Baldochi (Humberto Martins) em “Uga Uga''
Fausto Cavalcanti (Francisco Cuoco) em “As Filhas da Mãe''
Paco (Reynaldo Gianecchini) em “Da Cor do Pecado''
Ben Silver (Bruno Garcia) em “Bang Bang''
Luciano/Martim (Carmo Dalla Vecchia) em “Cobras e Lagartos''
Paula/Taís (Alessandra Negrini) em “Paraíso Tropical''
Vários personagens de “Beleza Pura“, que sofreram um acidente aéreo na Amazônia, foram dados como mortos, mas sobreviveram
Donatela (Cláudia Raia) e Diva (Giulia Gam) em “A Favorita''
Gustavo/Vicente (Marcos Palmeira) em “Cama de Gato''
Totó (Tony Ramos) e Clara (Mariana Ximenes) em “Passione''
Max (Marcello Novaes) em “Avenida Brasil''
Otávio/Martim (Fernando Pavão/Heitor Martinez) em “Máscaras''
Comendador José Alfredo (Alexandre Nero) em “Império''
Bernardo (Felipe Camargo) em “Além do Tempo'' (primeira fase)
e, de lá fora, o mais famoso caso: Paola/Paulina (Gabriela Spanic) em “A Usurpadora“.

Colaboração de Carlos Eduardo Stefano

Siga o blog no TwitterFacebookInstagram


Tramas paralelas atrapalham o ritmo da história central de A Regra do Jogo
Comentários 24

Nilson Xavier

Zé de Abreu, como Gibson, o "pai" da facção (Foto: Reprodução)

Zé de Abreu, como Gibson, o “pai'' da facção (Foto: Reprodução)

Tenho – praticamente – uma relação de amor e ódio com “A Regra do Jogo“! Gosto demais da trama central da novela, que envolve os núcleos de Romero e Toia (Alexandre Nero e Vanessa Giácomo), mais a família de Gibson (José de Abreu) e a facção criminosa, passando por personagens como Zé Maria (Tony Ramos), Kiki (Deborah Evelyn), Atena (Giovanna Antonelli) e Ascânio (Tonico Pereira). O chato é quando aparecem as tramas paralelas, principalmente as do núcleo do Morro da Macaca, completamente alheias à história central.

Novelérie ou Serinovela

A Regra do Jogo'' se pretende um produto híbrido: novela com série. Sua trama principal tem uma narrativa seriada que prioriza a ação e o drama em detrimento do melodrama folhetinesco e romântico. Os capítulos emulam os episódios de séries, com títulos a cada dia. Sinto que, para atender a demanda novelística, a “série A Regra do Jogo'' tenha a necessidade de apresentar tramas paralelas com alívios cômicos e românticos, ausentes na história central. Servem para atender o público que está acostumado a consumir novela neste horário, não série, e para “encher linguiça'', já que cada capítulo tem mais de uma hora de duração e a novela precisa ficar, ao menos, seis meses no ar – a trama central sozinha não rende uma novela longa.

aregradojogo_reproducao24

É nesta mistura que “A Regra do Jogo'' se perde. Eu fico com a série. Ou seja, enxugaria todas as tramas secundárias e focaria na história da facção, que, por mais furos que possa ter, por mais inverossímil que possa parecer, é uma trama envolvente, bem delineada, com personagens ótimos e um elenco de primeira. Bom é acompanhar “A Regra do Jogo'' no site da novela (após a exibição do capítulo na televisão) com a possibilidade de pular o que não interessa. Tem lá as suas vantagens esses modernos métodos de se consumir audiovisual.

Até gosto da família de Feliciano, que apresenta algumas situações divertidas, com atores excelentes – principalmente Marcos Caruso, Alexandra Richter, Otávio Müller e Suzana Pires. Todavia, nem este núcleo, nem os funkeiros da Macaca e a maioria dos personagens do morro tem alguma ligação com a trama da facção. Pior: quando aparecem, quebram o ritmo da “série A Regra do Jogo“, o que é péssimo para uma série. Até para uma série que se pretende novela. Ou uma novela que se pretende série. Ou seria essa uma combinação equivocada? Ou teria sido melhor a trama central de “A Regra do Jogo'' ter sido apresentada como série? Ou uma novela curta, dessas das 23 horas…

Siga no TwitterFacebookInstagram


“Êta Mundo Bom!” estreia com trilha caipira e filtro de Instagram
Comentários 45

Nilson Xavier

Sérgio Guizé como Candinho (Foto: Reprodução)

Sérgio Guizé como Candinho (Foto: Reprodução)

Com “Êta Mundo Bom!'' (a novela das seis, estreia dessa segunda, 18/01) Walcyr Carrasco está de volta ao horário que o consagrou, com títulos como “O Cravo e a Rosa“, “Chocolate com Pimenta'' e “Alma Gêmea“. Sabe o que essas novelas todas têm em comum e que, certamente, não faltará em “Êta Mundo Bom!“? Isso mesmo, caipiras, bichos de fazenda, gente arremessada no chiqueiro, torta na cara e Elizabeth Savala. Ops, Savala não atuou em “O Cravo e a Rosa'' – mas esteve na maioria das novelas de Carrasco depois desta.

E é justamente a personagem de Elizabeth Savala – “Cunegundes'' – a que dá o tom da novela de Carrasco: a atriz gritou e esperneou com um sotaque caipira puxadíssimo – no sentido de carregado mesmo. “Êta Mundo Bom!'' promete toda a caricatura do caipira que fez o sucesso de Mazzaropi nos cinemas em meados do século passado. A trama é justamente baseada em um filme de Mazzaropi, “Candinho“, de 1954, que, por sua vez, tem referências no conto “Cândido ou o Otimismo“, de 1759, do filósofo francês Voltaire.

Não foi só Savala e o caipirês que chamaram a atenção nessa estreia. Sérgio Guizé está ótimo como o protagonista. Parece um roceiro ingênuo mas já deu mostras de ser esperto, deve cair nas graças do público. E tem a volta de Marco Nanini às novelas (finalmente!). Além do resgate do humor simplório (Carrasco estava afastado do horário das seis fazia dez anos), a trama carrega no melodrama digno de “O Direito de Nascer“, a mãe de todas as novelas – da TV e do rádio. E também tem uma novela dentro da novela – olha a referência à mítica “Espelho Mágico“, de Lauro César Muniz (1977). É a radionovela “Herança do Ódio'' (por sua vez baseada na obra de Oduvaldo Vianna), que os personagens de “Êta Mundo Bom!'' ouvirão.

A trilha sonora é predominantemente caipira, totalmente de acordo com a proposta da novela. Para a abertura, a banda Suricato fez uma gravação do clássico das festas juninas “O Sanfoneiro Só Tocava Isso'' com arranjos modernos. A abertura aposta nas colagens (de novo, vide “Totalmente Demais“). Incomodou a fotografia da novela, com filtros saturando a imagem de tal forma que lembra nossas fotos de Instagram. Tudo pode ser uma questão de habituar-se (ou não!).

Carrasco é mestre na carpintaria da telenovela. Não é à toa que sua obra é formada, na maioria, de sucessos populares. O novelista se firma como um dos mais versáteis de nossa televisão. Já escreveu para todos os horários. De “Amor à Vida“, pulou para “Verdades Secretas'' e agora dá um duplo mortal carpado com “Êta Mundo Bom!“, reinventando-se nos estilos. O pastelão está de volta. Prepare-se para oito, nove meses de muitos banhos no chiqueiro e torta na cara. Já teve no primeiro capítulo. Quer dizer, não teve a torta porque não deu tempo para a sobremesa, mas teve o prato principal.

Marco Nanini como Pancrácio (Foto: Reprodução)

Marco Nanini como Pancrácio (Foto: Reprodução)


“Além do Tempo” reconfigurou o maniqueísmo característico das novelas
Comentários 66

Nilson Xavier

Rafael Cardoso e Paolla Oliveira com a autora Elizabeth Jhin (Foto: Ellen Soares/Gshow)

Rafael Cardoso e Paolla Oliveira com a autora Elizabeth Jhin (Foto: Ellen Soares/Gshow)

Muito original a premissa de “Além do Tempo'' – a novela das seis, de Elizabeth Jhin, que terminou nesta sexta, 15/01 – inverter os papeis dos personagens em encarnações diferentes, de vilão a vítima (e vice-versa), para o julgamento do público. Culpado ou inocente? Ou nem tanto? O maniqueísmo, tão inerente às telenovelas, tem aqui uma reviravolta sui generis: o mau em uma vida ficou bonzinho na outra, com as maldades justificadas e, por fim, expiadas. Desta forma, a autora propôs uma espécie de nova configuração do maniqueísmo.

O livre arbítrio pode favorecer a expiação de erros nesta vida – como o que aconteceu com Bento (Luiz Carlos Vasconcelos) na segunda fase da novela, que, de mau, regenerou-se. Já Emília e Vitória (Ana Beatriz Nogueira e Irene Ravache) precisaram de 150 anos para acertarem as contas. O público sabia que Emília sofreu nas mãos de Vitória no século 19 e presenciou a vingança que ela impôs, na atualidade, à sua antiga rival. Ao final, a redenção e o perdão justificaram, explicaram e expiaram dissabores do passado, dessa vida e de anteriores. E o público como testemunha. Entrecho irresistível, não? Maniqueísta pero no mucho: o mau, afinal, não era tão mau assim, e tinha lá os seus motivos. Contudo, o amor venceu.

Ainda que, para tecer sua trama, a autora referenciasse o Kardecismo, com personagens filosofando doutrinariamente – como os diálogos entre o anjo Ariel (Michel Melamed) e seu mestre (Othon Bastos) -, Elizabeth Jhin usou todos os recursos do folhetim para cativar a audiência, com histórias envolventes e personagens carismáticos. Discutiu racismo e alienação parental e foi tão sagaz em sua carpintaria, que, mesmo com poucos acontecimentos se desenrolando na maioria dos capítulos (o que poderia caracterizar embromação), estes sempre terminavam com bons ganchos. Desta forma, o espectador tinha a sensação de que algo acontecia – porém, tudo se resolvia rapidamente no início do capítulo seguinte (com exceção, logicamente, das últimas semanas da primeira e segunda fases, que foram ágeis).

Dessa forma, não houve “barriga'' (jargão aplicado àquele período da novela em que nada acontece), já que a autora, na maioria das vezes, brindou o seu público cativo com algum gancho que o levasse a continuar ligado na novela no dia seguinte. Mesmo na segunda fase, quando “Além do Tempo'' deu mostras de perder fôlego. Enquanto a primeira parte da história explicou a trama central e os antecendentes dos personagens principais (Vitória x Emília + triângulo Lívia-Felipe-Melissa), a fase seguinte restringiu-se à vingança de Emília contra sua mãe Vitória, enquanto o triângulo amoroso central (Lívia-Felipe-Melissa) praticamente repetiu a mesma trama da fase anterior – inclusive com quase o mesmo final.

Irene Ravache e Ana Beatriz Nogueira (Foto: Reprodução)

Irene Ravache e Ana Beatriz Nogueira (Foto: Reprodução)

Produção, elenco e direção

Não foi só a trama e a técnica da autora que tornaram esta uma das mais originais novelas dos últimos tempos. Pouco disso surtiria efeito não fosse a direção primorosa (Rogério Gomes, Pedro Vasconcellos e equipe), a produção caprichada (nas duas fases, em cenários, figurinos, fotografia, trilha sonora) e o elenco bem escalado e bem dirigido, com atores dando o melhor. Brilharam em papeis marcantes Irene Ravache, Ana Beatriz Nogueira, Luiz Carlos Vasconcellos, Júlia Lemmertz, Paolla Oliveira, Emílio Dantas, Dani Barros, Nívea Maria, Louise Cardoso, Juca de Oliveira, Zé Carlos Machado, Luís Mello e Inês Peixoto (ufa!). Isso não diminui os não citados hein, que também estiveram ótimos (incluido Alinne Moraes e Rafael Cardoso, muito bem como o jovem casal protagonista).

Leia também: Maurício Stycer, “Além do Tempo se repetiu e perdeu audiência na segunda fase''.
Audiência de Além do Tempo superou a das últimas quatro novelas das 18h30“.

Siga no TwitterFacebookInstagram


Concurso de “Totalmente Demais” começa a cansar o público
Comentários 44

Nilson Xavier

Juliana Paiva e Marina Ruy Barbosa (Foto: Reprodução)

Juliana Paiva e Marina Ruy Barbosa (Foto: Reprodução)

A lengalenga do concurso “Garota Totalmente Demais” – da novela das 7 da Globo – já dá sinais de esgotamento. A história parece dar voltas e não ter muito para onde correr a não ser Carolina (Juliana Paes) tentando sabotar Eliza (Marina Ruy Barbosa) e, do outro lado, Fabinho (Daniel Blanco) tentando sabotar Jonatas (Felipe Simas).

A chegada de Stelinha (Glória Menezes) até deu um novo gás ao entrecho. Na verdade, está servindo para apressar o processo de “civilização” da protagonista Eliza, o que pode ser um bom sinal: de que o concurso está com os dias contados. Os autores prometem uma virada na trajetória dos principais personagens – com novos rumos – assim que sair o resultado que revelará qual das candidatas – Eliza, Cassandra (Juliana Paiva) ou outra –  se consagra a vencedora.

Marina e Juliana estão ótimas nas personagens. A transformação de Eliza é gradativa aos olhos do público, revelando uma harmonia entre o texto e a interpretação da atriz. Talvez, essa lengalenga sirva para isso mesmo: mostrar a evolução de Eliza. Juliana Paiva, por sua vez, está divertida na pele da deslumbrada Cassandra, um alívio cômico delicioso.

Ainda bem que a novela não se restringirá às várias fases do concurso. Vale lembrar que há pouco mais de dois anos, “Geração Brasil” também seguia pelo mesmo caminho, com um concurso – disputado por um bando de nerds, e com a interatividade do público.

Tudo bem que “Geração Brasil” foi prejudicada pelos jogos da Copa do Brasil (2014). Mas, mesmo assim, o tal concurso não era palatável ao grande público. E, com o final dele, restou pouca coisa para contar: a novela, que já não era muito atraente na fase do concurso, naufragou com o fim dele.

Totalmente Demais” tem a seu favor uma história mais simples e menos pretensiosa que “Geração Brasil”. Mais folhetinesca, a atual atração das sete dá margem a ótimos enlaces, calcada principalmente em personagens atraentes ao telespectador, de fácil identificação e simbiose. A diferença maior é que, mesmo com o concurso, “Totalmente Demais” ainda é agradável de assistir. Talvez “Geração Brasil” tenha sido um bom aprendizado afinal.

Siga no TwitterFacebookInstagram


Sem referências brasileiras, “Ligações Perigosas” parece cinema americano
Comentários 54

Nilson Xavier

Patrícia Pillar / Selton Mello / Marjorie Estiano (Foto: Divulgação/TV Globo)

Patrícia Pillar / Selton Mello / Marjorie Estiano (Foto: Divulgação/TV Globo)

A história é francesa, do século 18, e conhecida do público através de Hollywood. A não ser pelo elenco, quase não há referências brasileiras. Principalmente pelas locações. E é proposital: para não parecer “uma novela de Benedito Ruy Barbosa”.

A Globo apostou em uma história universal, já conhecida, para a minissérie que abre 2016: “Ligações Perigosas” (estreia desta segunda, 04/01), baseada no clássico francês de Choderlos de Laclos (de 1782), adaptada por Manuela Dias e dirigida por Vinícius Coimbra (em núcleo de Denise Saraceni). O público médio reconhece a trama das duas adaptações mais famosas, os filmes “Ligações Perigosas'' (1988), com Glenn Close, John Malkovich e Michelle Pfeifer, e “Segundas Intenções'' (1999), com Sarah Michelle Gellar, Ryan Phillippe e Reese Witherspoon.

Assistindo, na telona do cinema, aos dois primeiros capítulos (em uma sessão especial para a imprensa, em dezembro), a primeira impressão que ficou foi a de ver uma produção cinematográfica, hollywoodiana, da mais alta qualidade – só que com atores brasileiros. Chamou a atenção a falta de referência ao Brasil. A trama se passa na década de 1920 em uma fictícia cidade litorânea – que pode estar em qualquer parte do mundo. Nem a trilha sonora ajuda, já que mistura música erudita com charlestons e outros ritmos e modalidades musicais, e quase nenhuma alusão à música brasileira – pelo menos por enquanto, só Ernesto Nazareth.

Foi proposital. Palavras do diretor Vinícius Coimbra na ocasião: “para não parecer uma novela de Benedito Ruy Barbosa”. Muitas das gravações externas aconteceram na Patagônia (como as deslumbrantes tomadas na praia, com vista para falésias) e interior da Argentina. Umas das fachadas mais usadas (a mansão de Consuelo/Aracy Balabanian) é o Palácio de Santa Cândida, em Concepción Del Uruguay. Mas alguns prédios históricos do Rio de Janeiro e Niterói podem ser reconhecidos.

Leopoldo Pacheco / Alice Wegman / Jesuíta Barbosa (Foto: Divulgação/TV Globo)

Leopoldo Pacheco / Alice Wegman / Jesuíta Barbosa (Foto: Divulgação/TV Globo)

Alta tecnologia de televisão que emula os primórdios do cinema

A um custo 30% mais caro, a minissérie foi gravada em 4k, tecnologia que proporciona quatro vezes mais resolução de imagem que o HD. Só vai perceber a diferença quem tiver um televisor compatível – ou seja, poucos ainda, já que a tecnologia é nova. Todavia, é perceptível que o 4k confere ares de cinema à produção. E essa não foi a primeira vez: a série “Dupla Identidade'' (2013) já havia sido produzida em 4k.

Paradoxalmente, “Ligações Perigosas” foi “filmada” com maneirismos dos primórdios do cinema – muitas sequências com apenas uma câmera, o que demandou um esforço maior do elenco. A fotografia (assinada pelo francês Jean Benoit Crépon) aumenta a sensação de cinema: entre outros recursos, fez uso de refletores potentes e fumaça, para desfocar os ambientes e destacar os atores.

As tomadas são bonitas e criativas. Como a sequência na casa de chá em que Heitor (Leopoldo Pacheco) revela a intenção de se casar com a virgem Cecília (Alice Wegman): a câmera dá uma volta ao redor da mesa enquanto acontece o diálogo. Ou quando Isabel acerta uma taça na testa de Heitor. O elenco está ótimo, com destaque às interpretações de Patrícia Pillar, Selton Mello, Marjorie Estiano e a jovem Alice Wegman.

Ligações Perigosas” tem todo o apelo necessário para segurar o público em seus dez capítulos. E se engana quem pensa que vai ver sexo e “muitos nudes” – como anda mal-acostumado o público do horário. A minissérie sugere, mas não mostra. Já no primeiro capítulo, Cecília e sua amiga de internato quase se beijam. Só que não.

Em tempo: é raro a Globo adaptar para a TV (em formato de novela ou minissérie) uma obra literária não genuinamente brasileira. Com exceção do português Eça de Queiroz (“O Primo Basílio” e “Os Maias”) e da “era Magadan'' (primórdios da Globo, nos anos 1960), apenas o romance “La Luna Caliente”, do argentino Mempo Giardinelli, foi transformado em minissérie, em 1999 – e, mesmo assim, a trama foi transportada da Argentina para o sul do Brasil. Também pode-se citar a novela “O Cravo e a Rosa” (2000-2001), que teve como ponto de partida a peça “A Megera Domada”, de Shakespeare – mas a trama se passava em São Paulo.

Leia também: Maurício Stycer, “Globo 'desidrata' e tira a força de Ligações Perigosas para exibi-la cedo''.

Siga no TwitterFacebookInstagram


TOP 10 destaques entre as novelas de 2015, para o bem e para o mal
Comentários 2

Nilson Xavier

Além do Tempo / Babilônia / Os Dez Mandamentos (Foto: Divulgação)

Além do Tempo / Babilônia / Os Dez Mandamentos (Foto: Divulgação)

Apesar das duas principais novelas da Globo (das 21 horas) em 2015 (“Babilônia'' e “A Regra do Jogo“) não terem “emplacado'', propriamente dito, entre o público – entenda com audiência aquém da expectativa – considero que esse ano fecha com saldo positivo na Teledramaturgia. Foi o ano de “Verdades Secretas“, das ótimas tramas das seis (“Sete Vidas'' e “Além do Tempo“) e do furacão “Os Dez Mandamentos“, que mexeu com a hegemonia da Globo. Abaixo, uma retrospectiva do que rolou em 2015, dividida em 10 tópicos.

01. As retas finais de “Império” e “Alto Astral”

Boogie Oogie“, “Alto Astral'' e “Império“, as três novelas da Globo que entraram em 2015 enfrentando o horário de verão (quando o Ibope é menor), não podem ser consideradas grandes sucessos de audiência. Entretanto, com exceção de “Boogie Oogie'' (que começou o ano perdendo fôlego, sem muita história para contar a não ser o famigerado “segredo de Carlota''), as outras duas apresentaram uma notável performance em suas retas finais.

Alto Astral'' (que terminou em maio) começou (em 2014) despretensiosa, chamada de “bobinha'' por muitos, mas foi comendo pelas beiradas e alavancou a audiência do horário das sete, conquistando público e recuperando o prestígio perdido na faixa. “Império'' (que terminou em março), por sua vez, teve seu ápice em 2015, com o mistério envolvendo o personagem Fabrício Melgaço e a “nova'' Cora encarnada em Marjorie Estiano.

O mesmo não se pode dizer da concorrência: “Vitória'' (da Record, que terminou em março) amargou o terceiro lugar na audiência, e “Chiquititas'' (do SBT, que começou em julho de 2013 e terminou em agosto de 2015), só enrolou em seus últimos meses.

02. Reprises

O sucesso do repeteco de “O Rei do Gado'' no “Vale a Pena Ver de Novo'' deu o que falar, afinal, não era esperado nem pela Globo – chegou a bater de frente, na audiência, com “Malhação'' e a novela (inédita) das seis. “Caminho das Índias“, que a substituiu, não conseguiu manter o mesmo patamar.

Sobre reprises vespertinas, o SBT continua indo bem: em 2015 emplacou a sexta reexibição das mexicanas “A Usurpadora'' e “Maria do Bairro“. A Record, vendo o potencial das reprises da tarde, também embarcou na onda, promovendo o retorno de “Dona Xepa“, “Prova de Amor'' e “Chamas da Vida'' – as duas últimas ainda em exibição.

Já no canal Viva, a volta de “Cambalacho'' – um clássico da década de 1980 – vale a citação pela idade da obra (29 anos da exibição original) e pelo anseio do público saudosista do canal, que pede novelas mais antigas.

03. “Malhação Sonhos''

A “novela jovem'' das tardes da Globo, de vez em quando, solta uma daquelas temporadas que ficam para a prosperidade, pelo sucesso e repercussão. Aconteceu novamente em 2014-2015, com “Malhação Sonhos“, uma história bem amarrada pelos roteiristas Rosane Svartman, Paulo Halm e Márcio Wilson, em personagens carismáticos que arrebanhou fãs – e uma grande torcida pelo casal Pedro e Karina (Rafael Vitti e Isabella Santoni).

Verdades Secretas / A Regra do Jogo / Malhação Sonhos (Fotos: Divulgação)

Verdades Secretas / A Regra do Jogo / Malhação Sonhos (Fotos: Divulgação)

04. “Sete Vidas”

A qualidade do texto (Lícia Manzo), aliado à direção (Jayme Monjardim) e o ótimo elenco, fizeram desta uma das melhores novelas do ano. Na contramão do folhetim tradicional, a autora apresentou uma trama que priorizou as relações humanas, a sutileza e os diálogos, sem precisar abrir mão do ritmo narrativo pertinente à telenovela. Na ausência de vilões e mocinhos maniqueístas, a autora continua apostando na sensibilidade e na psicologia dos personagens – seu grande diferencial e mérito. Um grande momento: a sequência em que os irmãos confraternizam em um parque de diversões.

05. “Babilônia”

A maior decepção do ano na teledramaturgia. A novela começou a todo vapor, com um primeiro capítulo excelente, que gerou memes na Internet e exibiu um inesperado beijo romântico entre as personagens de Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg. Mas foi perdendo fôlego já ao longo da primeira semana. Diante da fuga da audiência, a Globo optou pelo pior: mexeu totalmente na história, descaracterizando tramas e personagens. Virou um frankenstein novelístico. “Babilônia'' acabou amargando a pecha de “menor Ibope das novelas das 8/9 da história da Globo“. Uma lástima. Contudo, o show diário de Arlete Salles valeu a espiada.

06. “Os Dez Mandamentos”

O maior buchicho de 2015 na Teledramaturgia. A novela bíblica da Record conseguiu um feito inédito: em 45 anos de Globo, bateu a audiência em seu horário nobre – ainda que por alguns capítulos. As pragas do Egito e a travessia do Mar Vermelho despertaram a curiosidade até mesmo de quem não era afeito ao assunto. Entretanto, a emissora não soube administrar a inesperada repercussão de sua novela. Atrapalhada, prolongou esse sucesso o quanto pôde, cansando o público, e não preparou uma substituta à altura – apesar de ter uma novela (não bíblica) pronta para estrear, “Escrava-Mãe“. Como “sutileza pouca é bobagem'', a versão em filme já é anunciada nos cinemas para breve, assim como uma curta continuação (será?), que servirá como prólogo para a próxima trama bíblica da emissora.

07. “I Love Paraisópolis'' e “Cúmplices de um Resgate''

Duas novelas que cumpriram o que se esperava delas. “I Love Paraisópolis'' herdou a boa audiência de “Alto Astral'' e até alavancou um pouquinho a faixa, destacando-se pelos divertidos personagens coadjuvantes, que suplantaram os protagonistas. “Cúmplices de um Resgate'' mantem o público infanto-juvenil do SBT cativo na faixa – mesmo tendo batido de frente com “Os Dez Mandamentos“. Espera-se que o SBT não cometa o erro de prolongar demais a novela.

A propósito: “Totalmente Demais“, que substituiu “I Love Paraisópolis'' em novembro, entrará na retrospectiva de 2016.

A sequência do parque de diversões em "Sete Vidas", uma das mais belas do ano (Foto: Divulgação)

A sequência do parque de diversões em “Sete Vidas'', uma das mais belas do ano (Foto: Divulgação)

08. “Verdades Secretas”

Outra das melhores novelas do ano. O autor, Walcyr Carrasco, praticamente reinventou-se com uma trama envolvente e forte. E não teve pudores ao abordar prostituição, sexo e drogas, com direito a muitos “nudes''. Grazi Massafera chamou para si a atenção em uma trama paralela que impressionou pelo realismo da caracterização e cenários (a cracolândia de São Paulo). Grandes atuações também de Marieta Severo, Eva WilmaDrica Moraes. E a excelente direção de Mauro Mendonça Filho, que, desta vez, conseguiu minimizar uma ou outra derrapada do autor no texto.

09. “Além do Tempo”

A terceira (e última) das “melhores novelas do ano''. Enquanto Lícia Manzo afastou-se do folhetim clássico em “Sete Vidas“, sua substituta, Elizabeth Jhin, pisou fundo para conduzir uma trama repleta dos mais rasgados clichês folhetinescos. Só que de forma envolvente e cativante. E, mesmo assim, conseguiu alguma subversão da fórmula, ao contar sua história em dois tempos, ou melhor, em dois séculos, usando os mesmos personagens em encarnações distintas. Lamenta-se apenas a perda de fôlego nesta segunda fase. Mesmo assim, a novela caminha para um desfecho eletrizante, como já ocorreu em seu ápice, no final da primeira fase e a passagem para a segunda. Destaca-se ainda a direção (equipe de Rogério Gomes) e o elenco afiado, com grandes performances de Irene Ravache e Ana Beatriz Nogueira.

10. “A Regra do Jogo”

A expectativa pela nova novela de João Emanuel Carneiro – “o mesmo autor de 'Avenida Brasil''' – era grande. A frase “quanto maior a expectativa, maior a decepção'' aplica-se a esse caso. A novela estreou no momento de maior promoção de “Os Dez Mandamentos'' e boa parte do público continuou rejeitando tramas realistas, como aconteceu com a anterior, “Babilônia“. Com o fim da produção bíblica da Record, “A Regra do Jogo'' ganhou em audiência. Mas dificilmente a novela será “um grande sucesso''. Nem a “caixa cênica'' da diretora Amora Mautner e nem a trama seriada foram capazes de conquistar o público. O elenco é estelar (com destaque para Alexandre Nero, Tony Ramos, Giovanna Antonelli e a participação de Cássia Kiss) e a trama central é boa, mas falta folhetim e sobra trama paralela desinteressante que só serve para “encher linguiça''.

Bônus

A única minissérie exibida em 2015, “Felizes Para Sempre?” foi uma coprodução da Globo e O2 Filmes, baseada numa antiga minissérie de Euclydes Marinho. Dessa vez, o palco foi Brasília, o que trouxe um frescor, pelo menos em termos de ambientação. A trama de sexo e bastidores do poder, envolvendo uma família, prendeu o público ao longo de seus dez capítulos. Mas o que deu o que falar mesmo – e pelo que a produção será sempre lembrada – foi a nudez de Paolla Oliveira, inesquecível como a prostituta Danny Bond. Em dezembro, a Globo Marcas lançou o DVD da minissérie, num box com 3 discos e cerca de 6 horas e meia de duração.

Ainda: TOP 10 Séries nacionais que se destacaram em 2015.

Leia também as críticas finais com os balanços de
Império“: Bom elenco e direção não conseguiram livrar a novela da trama irregular.
Alto Astral“: Trama simples levantou o moral do horário das sete da Globo.
Babilônia“: Provocativa e pretensiosa, novela afastou-se do folhetim e fracassou.
Sete Vidas“: A TV precisa de mais bons roteiros e sutileza como em “Sete Vidas”.
Verdades Secretas“: Bom exemplo de união entre roteiro, direção e elenco.
Os Dez Mandamentos“: Pirotecnia desviou atenção da fraca direção de elenco.
I Love Paraisópolis“: Coadjuvantes carregaram a novela “nas costas”.

Siga no TwitterFacebookInstagram


TOP 10 Séries nacionais que se destacaram em 2015, para o bem e para o mal
Comentários 17

Nilson Xavier

Beatriz Segall e João Côrtes em "Os Experientes" / Tom Cavalcanti em "#PartiuShopping" (Foto: Divulgação)

Beatriz Segall e João Côrtes em “Os Experientes'' / Tom Cavalcanti em “#PartiuShopping'' (Foto: Divulgação)

TV aberta

01. Exibida em quatro episódios independentes com um tema em comum, a terceira idade, “Os Experientes'' (coprodução Globo e O2 Filmes) foi, em minha opinião, a série de maior destaque do ano. Um excelente e sensível trabalho de direção, roteiro e elenco. Não se entende como pode ter ficado na gaveta da Globo. Merecia mais temporadas.

02. Uma produção do núcleo de Guel Arraes, “Amorteamo'' também fez bonito, com um primoroso trabalho estético e Marina Ruy Barbosa vivendo uma noiva-cadáver.

03. O roteirista Cláudio Paiva substituiu sua “A Grande Família“, às quintas-feiras, com “Chapa Quente“, pisando fundo no humor popularesco e em personagens caricatos. A audiência tem respondido à altura e a temporada de 2016 está garantida, com a promessa de algumas alterações nas abordagens. Tomara que para melhor. Bem melhor.

04. Em setembro, estreou “Mister Brau“, comédia assinada por Jorge Furtado e Adriana Falcão, estrelada por Lázaro Ramos e Taís Araújo. Com muito bom humor, o texto soa como uma resposta espirituosa ao racismo e preconceito social.

05. Miguel Falabella continua com seu texto inspiradíssimo em “Pé na Cova“. Agora, cada episódio potencializado por uma sensação de melancolia, por conta da morte de Marília Pêra. A série se encerra em 2016 com a exibição dos últimos episódios em que a atriz aparece com sua personagem Darlene.

06. No ar desde 2011, “Tapas e Beijos'' já estava desgastada. Teve sua última temporada (a quinta), exibida este ano. Finalmente.

Simone Spoladore em "Magnífica 70" / Vinícius de Oliveira em "Santo Forte" (Foto: Divulgação)

Simone Spoladore em “Magnífica 70″ / Vinícius de Oliveira em “Santo Forte'' (Foto: Divulgação)

TV fechada

07. Tom Cavalcanti voltou à cena com “#PartiuShopping“, (mais uma) série cômica do Multishow, de forte apelo popular, gravada com plateia. O diferencial foi o cenário – um shopping-center em dois andares, com escada rolante e figurantes perambulando – que disfarçou piadas sem graça e Tom mais do mesmo. Valeu apenas por Nany People, sempre ótima. Outra produção semelhante do canal estreada neste ano foi “Acredita na Peruca“, com Luiz Fernando Guimarães. Também poderíamos ter passado sem.

08. Entre as séries cômicas do canal GNT, “Odeio Segundas'' trouxe o humor da dupla Alexandre Machado e Fernanda Young ainda mais ácido do que na Globo. E com mais liberdade. Os roteiristas foram certeiros ao ambientar a série no mundo corporativo, onde sempre rende muitas, muitas situações dignas de humor ácido, mordaz e corrosivo. Quem viveu/vive esse ambiente sabe.

09. No ano de 2015, a TV a cabo investiu mais em séries dramáticas do que em anos anteriores. Além das ótimas “Zé do Caixão'' (canal Space, com uma impressionante caracterização de Matheus Nachtergaele), “Psi'' (HBO), “Questão de Família'' (GNT) e “Romance Policial – Espinosa'' (GNT), destaco “Magnífica 70'' (HBO), pelo ótimo roteiro e elenco (Simone Spoladore deslumbrante)…

10. … E “Santo Forte'' (AXN), com tramas policiais que envolvem misticismo e uma boa carga de realismo fantástico. Destaque para as atuações de Vinícius de Oliveira, como o protagonista, e Laila Garin.

Bônus
Já no final do ano, o canal Viva e a Globo apresentaram o especial da “Escolinha do Professor Raimundo'' (em cinco episódios), com Bruno Mazzeo como o personagem que foi de seu pai, Chico Anysio. Com piadas atualizadas e elenco bem caracterizado (a maioria dos atores incrivelmente bem nos personagens), a homenagem fez sucesso, tanto na exibição do Viva quanto na Globo.

Siga no TwitterFacebookInstagram


A Regra do Jogo melhora quando reforça o drama dentro da história policial
Comentários 17

Nilson Xavier

Deborah Evelyn e José de Abreu (Foto: Reprodução)

Deborah Evelyn e José de Abreu (Foto: Reprodução)

A novela “A Regra do Jogo” ganha um novo gás com a revelação de que Gibson Stewart (José de Abreu) é o “pai” da facção – o poderoso chefão da organização criminosa. A escolha por esse personagem não surpreendeu. Desde o início desconfiava-se dele. Principalmente por Gibson parecer um personagem avulso na trama, sem função, a não ser desferir falácias ultraconservadoras à la Odete Roitman. Parecia mesmo que Zé de Abreu estava sobrando na novela, num personagem aquém de seu talento.

aregradojogo_gibsonAgora está tudo claro para o público, quem são os mocinhos e os vilões e pelo que eles se enfrentam. Finalmente pode-se montar o xadrez humano das primeiras chamadas, com os personagens vestidos de preto ou branco. Perto de seu centésimo capítulo, a novela demorou muito para definir esses papeis. Deixar a dúvida no ar é interessante, quando a narrativa flui bem. Exemplo: eu, pessoalmente, preferia “A Favorita” quando existia a dúvida de quem era a vilã da novela, se Flora ou Donatela (Patrícia Pillar e Claudia Raia). Mas sabermos que a história só pegou mesmo para o grande público quando o autor deixou claro que se tratava de Flora.

A história principal de “A Regra do Jogo” é mais complexa, exige atenção e raciocínio do telespectador. Mas o foco no lado policial estava tornando-a repetitiva. Estou me referindo exclusivamente à sua trama central – as paralelas nem deveriam estar lá!  Vale ressaltar que a audiência melhorou com o fim de “Os Dez Mandamentos”: nas últimas semanas, a novela tem cravado 31 pontos no Ibope da Grande São Paulo, por alguns dias – o seu recorde.aregradojogo_kiki

A Regra do Jogo” começou bem, tendo como destaque a atuação marcante de Cássia Kiss, como Djanira. A personagem fazia as vezes do telespectador, perplexa diante de cada descoberta sobre os que a circundavam e seus envolvimentos com a facção. A morte de Djanira foi uma grande perda para a história. As cenas de Cássia Kiss eram sempre muito carregadas de emoção. A novela ficou mais fria sem a personagem, mais calcada no vai-e-vem da facção. E assim perdeu gás.

Agora, que sabemos que Gibson está por trás da organização, é a chance de um “recomeço” para “A Regra do Jogo”. A presença de Deborah Evelyn, como Kiki, traz à tona novos conflitos em uma trama interessante que pode render bem. A atriz está ótima na pele da mulher sequestrada (a mando do próprio pai), que se apaixonou por seu algoz (Zé Maria/Tony Ramos) e criou uma nova família, deixando para trás o seu passado. A novela melhora quando intensifica os dramas pessoais dos personagens, em detrimento do joguinho de gato e rato entre a facção e a polícia, que – convenhamos – andava bem maçante.

Leia também:
Maurício Stycer: “A Regra do Jogo dá passo ousado ao colocar empresário como líder do crime“.
Notícias da TV: “Foi difícil guardar segredo sobre o Pai, falo demais'', disse José de Abreu.

Siga no TwitterFacebookInstagram