Blog do Nilson Xavier

Entenda por que "A Força do Querer" é a melhor novela de Glória Perez desde "O Clone"

Nilson Xavier

23/06/2017 10h51

Paolla Oliveira (Jeiza), Rodrigo Lombardi (Caio) e Juliana Paes (Bibi) (Foto: Fabio Rocha/Gshow)

A Força do Querer” está praticamente em sua metade e a novela de Glória Perez já é a mais vista desde “Amor à Vida”, de Walcyr Carrasco, em 2013. E vou além: é a melhor novela da autora desde o sucesso de “O Clone”, exibida entre 2001 e 2002. Depois desta, Glória apresentou as novelas “América” (2005), “Caminho das Índias” (2009-2010) e “Salve Jorge” (2012-2013).

O curioso é que as três tramas subsequentes a “O Clone” são mais parecidas com a própria do que “A Força do Querer” – que considero a mais original das novelas de Glória dos últimos anos. O que me leva a concluir que a fórmula de sucesso de “O Clone” foi repetida nas três tramas seguintes até atingir um desgaste (o auge foi “Salve Jorge”).

Teria o público se cansado das culturas de países distantes (Marrocos, Índia, Turquia), com vestimentas, linguagem (entenda aqui expressões e bordões) e dancinhas exóticas? Vejo duas razões principais.

1. A mudança de diretor

Sai Marcos Schechtmann, que dirigiu as quatro novelas anteriores da autora, entra Rogério Gomes em “A Força do Querer“. Schechtmann deveria trabalhar com praticamente a mesma equipe, o que deixava as novelas muito parecidas. Rogério traz uma proposta estética diferente, dá um novo tom, um novo estilo, outros ares à obra de Glória. Não querendo desmerecer o trabalho de Schechtmann, mas a mudança de diretor foi um importante upgrade para a autora. Sabemos que a maioria dos novelistas têm o seu diretor preferido, mas promover mudança de ares é muito importante, para todos.

2. A correção de erros

Glória Perez está mais comedida em “A Força do Querer”. Ela já não repete nesta novela erros comuns às suas obras anteriores. O primeiro: o número de personagens. Lembra dos 300 atores fazendo figuração de luxo em “Salve Jorge”? “A Força do Querer” tem um elenco enxuto, em que todos aparecem, a maioria com trama ou função. Alguns ainda não se destacaram, mas a novela nem chegou em sua metade. Outros tiveram seus momentos e agora estão em stand-by.

O excesso de fantasia

Lembra da igreja 24h de “Salve Jorge”? Do wi-fi na caverna da Turquia? Do assassinato no elevador sem câmera do hotel de luxo? Um boa dose de fantasia é inerente a todo folhetim. “É preciso voar!“, diria Glória. Mas convenhamos que a autora extrapolava. “A Força do Querer” tem uma trama em que o romance exacerbado se impõe à fantasia. Tirando um ou outro exagero, a trama é bastante crível. Por isso sinto Glória mais comedida. É possível embarcar na história, comprar os dramas dos personagens, sem se sentir subestimado ou lesado (ok, agora fui eu quem exagerou!).

Fora isso, as qualidades de “A Força do Querer” vão além da proposta estética e da trama bem urdida. Um elenco primoroso, bem dirigido, em cenas bonitas, de bom gosto. Diferente das três anteriores da autora, “A Força do Querer” é praticamente uma novela redondinha, tudo se encaixa, não há excessos. Como todos gostam.

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Sobre o autor

Nilson Xavier é catarinense e mora em São Paulo. Desde pequeno, um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: em 2000 lançou o site Teledramaturgia (http://www.teledramaturgia.com.br/), cujo sucesso o levou a publicar o Almanaque da Telenovela Brasileira, em 2007.

Sobre o blog

Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.

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