Blog do Nilson Xavier

1ª fase de "Segundo Sol" abusou da coerência e da boa vontade do público

Nilson Xavier

24/05/2018 22h51

Adriana Esteves como Laureta (foto: reprodução)

Iniciou-se nesta quinta-feira (24/05) a fase definitiva da novela “Segundo Sol“. Ou seja, a trama, que havia começado no ano de 1999, avançou para os dias de hoje. Foram 9 capítulos na primeira fase da novela. Um ritmo alucinado em que o autor João Emanuel Carneiro criou milhares de situações para explicar os antecedentes dos personagens cujas histórias iremos acompanhar a partir de agora.

No afã de contar sua trama em poucos capítulos, Carneiro se atropelou em uma narrativa que abusou da coerência e apelou para a boa vontade do espectador. Fora que a originalidade passou longe: muita coisa “chupada” das mais variadas fontes. OK, o que resta para ser original em novela? (já escrevi sobre isso). Mas surpreendeu a profusão de entrechos batidos (reconhecidos inclusive de sua própria obra) vindo de um autor de quem é sempre esperado algo mais.

Nem a direção escapou ilesa da pressa: não passou despercebido do público um homem da produção dentro de um barco em cena e outros dois refletidos no espelho em outra.

Maurício Stycer listou semelhanças entre “Segundo Sol” e a novela anterior, “O Outro Lado do Paraíso” – BATE NA MADEIRA! Que as semelhanças parem aí! Mas, pelo menos, a primeira fase da novela de Walcyr Carrasco não foi corrida. Afastou o público mais pelos temas pesados (Gael batendo diariamente em Clara e Nádia extremamente racista) do que pelo ritmo. Eu, particularmente, preferia a primeira fase dessa novela (antes de o autor apelar para o absurdo para conquistar audiência fácil).

Deu canseira acompanhar tanto acontecimento por capítulo na primeira fase de “Segundo Sol“. Por que a maioria das novelas hoje têm essa divisão? A primeira fase de “Avenida Brasil” ficou centralizada em Nina criança, até ser abandonada no lixão. Foi o suficiente, mesmo porque, todos os mistérios que envolviam os antecedentes de Carminha, Nilo, Mãe Lucinda, Max e Jorginho foram explicados ao longo da trama ou em flashbacks. O mesmo em “A Favorita“.

Parece que, desta vez, João Emanuel Carneiro preferiu um atalho mais fácil e rápido (escaldado com “A Regra do Jogo“?). Dá medo imaginar que o caminho fácil para obter audiência seja uma herança de “O Outro Lado do Paraíso” a se tornar padrão daqui para frente.

Enfim, “Segundo Sol” é outra história. E não é porque foi atropelada que não é boa. Pelo contrário, tem a assinatura de João Emanuel Carneiro, algo que já vale a pena o tempo dispendido. E ainda a beleza das imagens, a trilha sonora nostálgica e o elenco primoroso: Giovanna Antonelli, Vladimir Brichta, Fabíula Nascimento, Caco Ciocler, André Dias (Groa) e Cláudia Di Moura (Zefa) ótimos. E Emílio Dantas, Déborah Secco, Fabrício Boliveira e Adriana Esteves em estado de graça. O que já valeu a correria desses 9 capítulos.

Vamos ver os que nos reserva os próximos 6 meses de “Segundo Sol“. O primeiro capítulo da segunda fase foi ótimo!

Leia também: Fantasma, cenário repetido e volta no tempo: 5 tropeços de Segundo Sol.

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Sobre o autor

Nilson Xavier é catarinense e mora em São Paulo. Desde pequeno, um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: em 2000 lançou o site Teledramaturgia (http://www.teledramaturgia.com.br/), cujo sucesso o levou a publicar o Almanaque da Telenovela Brasileira, em 2007.

Sobre o blog

Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.

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