Blog do Nilson Xavier

Mais do que atenção, "Dois Irmãos" exigia o mínimo de influências externas

Nilson Xavier

20/01/2017 23h31

Cauã Reymond (Foto: Divulgação/TV Globo)

Cauã Reymond (Foto: Divulgação/TV Globo)

Chegou ao fim nessa sexta (20/01) a saga de “Dois Irmãos”, baseada no livro de Milton Hatoum, recriada para a televisão por Luiz Fernando Carvalho, com roteiro de Maria Camargo. A narrativa ganhou o peso das tintas barrocas do diretor, que retratou a decadência de uma família, marcada por uma sucessão de erros, traçando assim uma metáfora com a cidade de Manaus (onde a trama foi ambientada) e, por conseguinte, com o Brasil.

Muitos reclamaram do áudio da minissérie. Em entrevista a Maurício Stycer (leia AQUI), Luiz Fernando Carvalho citou problemas técnicos nas gravações em locações reais, como o sobrado da história. Até acredito que tenha sido uma dificuldade para o público em alguns momentos, mas nada que tornasse incompreensível o entendimento da trama.

A bem da verdade, “Dois Irmãos” é um produto audiovisual que vai além do ato de assistir. Requer atenção e contemplação com o mínimo de influências externas. No Twitter, li pessoas reclamando que não estavam entendendo. Mas você está assistindo ou está tuitando?

Eliane Giardini e Cauã Reymond (Foto: reprodução)

Eliane Giardini e Cauã Reymond (Foto: reprodução)

Luiz Fernando Carvalho propôs uma imersão em sua narrativa, não só para o entendimento, mas também para o envolvimento com a trama e personagens. Quem embarcou não ficou alheio ao drama de Zana e nem deixou de julgá-la. Acima de tudo, “Dois Irmãos” trata-se da decadência do amor, da família e, num estágio maior, da sociedade.

Para uma tragédia de estética barroca, nada mais razoável que a direção pesada de Luiz Fernando Carvalho e as interpretações arrebatadoras de Eliane Giardini, Juliana Paes, Antônio Fagundes, Antônio Calloni, Matheus Abreu, Cauã Reymond e Irandhir Santos. Não existe o melhor: eles foram os melhores e em algum momento extrapolaram todas as expectativas.

Apenas uma crítica à escalação de Irandhir para viver Nael moço quando se podia ter optado por um ator mais jovem, correspondente à idade de Cauã Reymond, pai de Nael na história. Leia também: Passagem de tempo fica confusa em “Dois Irmãos”.

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Sobre o autor

Nilson Xavier é catarinense e mora em São Paulo. Desde pequeno, um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: em 2000 lançou o site Teledramaturgia (http://www.teledramaturgia.com.br/), cujo sucesso o levou a publicar o Almanaque da Telenovela Brasileira, em 2007.

Sobre o blog

Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.

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