Blog do Nilson Xavier

Relembre 10 Carnavais que agitaram tramas de Novelas

Nilson Xavier

28/02/2017 07h00

O Brasil é o país do futebol, do carnaval e das novelas. E novela e carnaval é uma mistura que dá samba! Relembre 10 carnavais que movimentaram tramas de novelas – e outras curiosidades.

1. “Bandeira Dois” (1971-1972)

Paulo Gracindo e Marília Pêra em “Bandeira Dois”

A novela tinha como cenário o subúrbio carioca de Ramos, onde morava o protagonista, o bicheiro Tucão (Paulo Gracindo), figura querida da comunidade, presidente de honra da escola de samba e apaixonado pela porta-bandeira Noeli (Marília Pêra). Ficção e realidade se misturaram na trama: a escola era a Imperatriz Leopoldinense e o samba-enredo para o carnaval de 1972 – “Martim Cererê” – apareceu na novela, composto por Zé Catimba (personagem real interpretado por Grande Othelo) e Gibi (sambista da Imperatriz).

2. “Duas Vidas” (1976-1977)

A trama começou às vésperas do carnaval de 1974, quando se iniciaram as obras (reais) do metrô carioca, um dos focos da história. Foi num baile de carnaval que o casal Leda Maria (Betty Faria) e Tomaz (Cecil Thiré) teve uma discussão, que culminou com a morte dele, atropelado ao deixar o baile. É quando Leda inicia sua saga para se virar sozinha com um filho pequeno.

3. “Pai Herói” (1979)

Glória Menezes como Ana Preta em “Pai Herói”

A história terminou durante o carnaval, quando dois de seus protagonistas tiveram destinos diferentes. Ana Preta (Glória Menezes), desfilando pela Beija-Flor de Nilópolis, conheceu um novo amor. Enquanto isso, durante um baile de carnaval, o malfeitor Baldaracci (Paulo Autran) descobriu que a polícia estava em seu encalço e fugiu num helicóptero. Nem deu tempo de tirar a fantasia de pierrô.

4. “Partido Alto” (1984)

Betty Faria em “Partido Alto”

Uma das tramas abordava os bastidores de uma escola de samba fictícia. Jussara (Betty Faria) era porta-bandeira da Acadêmicos do Encantado, amante do chefão da comunidade, o bicheiro Célio Cruz (Raul Cortez), mas apaixonada por Piscina (José Mayer), um compositor de sambas-enredo que sonhava em ver uma música sua no carnaval. No último capítulo, a escola desfilou tendo Jussara como destaque, ao som do samba-enredo “E Agora José?”, de autoria de Piscina, composta em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. Mas ele foi assassinado por capangas de Célio Cruz em pleno desfile e Jussara assistiu a tudo do alto do carro alegórico, sem nada poder fazer.

5. “Que Rei Sou Eu?” (1989)

Em 1989, a escola de samba Beija-Flor – do carnavalesco Joãosinho Trinta – participou do carnaval carioca com o enredo “Ratos e Urubus Larguem Minha Fantasia”. O desfile impressionou a todos, mas apesar de ser uma das favoritas, a escola não foi vencedora. Na trama da novela “Que Rei Sou Eu?”, aconteceu um baile de carnaval no castelo de Avilan onde os nobres dançaram o refrão do samba da Beija-Flor em ritmo de minueto, fantasiados de mendigos, numa clara homenagem a Joãosinho Trinta.

6. “Felicidade” (1991-1992)

Maria Ceiça como a porta-bandeira de “Felicidade”

O novelista Manoel Carlos já usou o Carnaval nos entrechos de suas novelas (como em “Por Amor” e “Laços de Família”). Em “Páginas da Vida”, a empregada vivida por Quitéria Chagas, grávida, entrou em trabalho de parto quando desfilava pela Império Serrano. Em “Felicidade”, o autor adaptou o conto “A Morte da Porta-Estandarte”, de Aníbal Machado: a porta-bandeira Tuquinha (Maria Ceiça) foi assassinada a facadas pelo ex-namorado (Maurício Gonçalves) durante um ensaio na quadra da Estácio. Em 2001, a mesma história foi apresentada no episódio “História de Carnaval” da série ”Brava Gente”, com Juliana Paes e Norton Nascimento.

7. “Quem é Você” (1996)

A trama remetia a um baile de máscaras durante um carnaval de Veneza nos anos 1970. Na festa, Afonso (Alexandre Borges) foi seduzido por uma mulher mascarada, sem saber que ela era sua cunhada, Beatriz (Cássia Kiss), irmã de sua mulher, Maria Luísa (Elizabeh Savala). A abertura da novela apresentava máscaras de Veneza ao som da canção “Noite dos Mascarados”, de Chico Buarque, interpretada por Emílio Santiago.

8. “O Clone” (2001-2202)

A autora Glória Perez aproveitou o carnaval carioca para explorar o estranhamento do núcleo árabe da novela diante dos costumes brasileiros. Numa sequência divertida, a família de Mohammed (Antônio Calloni) assiste – horrorizada – a um desfile de escola de samba – que tinha a presença de alguns personagens, como o passista Miro (Raul Gazola) e a rainha da bateria Deusa (Adriana Lessa).

9. “Senhora do Destino” (2004-2005)

José Mayer, Susana Vieira e José Wilker em “Senhora do Destino”

Aguinaldo Silva também usa o Carnaval para rechear suas tramas. Em “Senhora do Destino”, a trajetória da protagonista Maria do Carmo (Susana Vieira) virou enredo da fictícia escola de samba Unidos de Vila São Miguel, comandada pelo bicheiro Giovanni Improta (José Wilker), apaixonado por Maria do Carmo. As cenas foram gravadas durante o desfile da Grande Rio no carnaval de 2005. Na trama seguinte do autor, “Duas Caras” (2007-2008), a escola de samba era a Nascidos da Portelinha, da comunidade cujo líder era Juvenal Antena (Antônio Fagundes), a carnavalesca era Dália (Leona Cavalli) e a rainha da bateria, Gislaine (Juliana Alves). O desfile foi gravado durante a apresentação da Portela no carnaval de 2008.

10. “Império” (2014-2015)

Alexandre Nero e Lília Cabral em “Império”

Ainda de Aguinaldo Silva, seu último trabalho, a novela “Império”, também teve desfile de escola de samba fictícia na Sapucaí, homenageando o protagonista, no caso o Comendador José Alfredo de Medeiros (Alexandre Nero). A vida do personagem foi transformada em samba-enredo e ele desfilou no alto de um carro alegórico ao lado da ex-mulher Maria Marta (Lília Cabral). Mas quase acabou assassinado por um homem misterioso fantasiado de Mr. M., não fosse Cora (Marjorie Estiano) se jogar na frente do alvo e levar o tiro.

E mais

Algumas minisséries tiveram o Carnaval em seus entrechos. “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1998), inspirada no romance de Jorge Amado, começava com a morte súbita do malandro Vadinho (Edson Celulari), enquanto ele brincava no carnaval de Salvador, no bloco Filhos de Gandhi. “Chiquinha Gonzaga” (1999) narrava a trajetória da famosa sambista e maestrina, consagrada por sua música, algumas delas, inesquecíveis marchinhas de carnaval. E “O Quinto dos Infernos” (2002) terminou de forma apoteótica, com os personagens da época da Independência caindo no samba na Marquês de Sapucaí dos dias de hoje.

Além de “Quem é Você“, outras aberturas de novelas remeteram ao Carnaval. A música “Enredo do Meu Samba“, de Dona Ivone Lara e Jorge Aragão, foi gravada por Sandra de Sá para a abertura de “Partido Alto” (1984) e fazia a analogia de uma relação amorosa com um desfile de escola de samba. A marchinha “Sassaricando” foi composta em 1952 para a peça de teatro de revista “Eu Quero Sassaricá“, estrelada por Virgínia Lane, que imortalizou a música tornando-a uma das marchinhas mais lembradas de todos os tempos. Rita Lee e Roberto de Carvalho a regravaram para a abertura da novela “Sassaricando“, em 1987. A TV Manchete se esmerou na produção da abertura de “Kananga do Japão” (1989), coreografada por Carlinhos de Jesus, em que um casal dançava em meio a imagens de fatos que caracterizavam a década de 1930 (retratada na trama) entremeados pelo carnaval de rua.

A única novela que teve um samba-enredo como tema de abertura foi em “Lado a Lado” (2012-2013). A trama situava historicamente o surgimento do samba, do futebol e das primeiras favelas no Rio de Janeiro e abordava a liberdade da mulher e dos negros, por reconhecimento como cidadãos. Tudo mostrado nas imagens da abertura. Para a música, foi escolhido o clássico samba-enredo que deu a vitória à Imperatriz Leopoldinense no carnaval carioca de 1989, cujo tema do desfile era o Centenário da Proclamação da República, celebrado naquele ano. Na apuração final, a Imperatriz havia empatado com a Beija-Flor e foi o samba-enredo da Imperatriz, que só havia recebido nota 10, o quesito de desempate, sagrando a escola a vencedora do carnaval daquele ano.

Liberdade!, Liberdade! Abre as asas sobre nós! E que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz!

Fotos: divulgação/TV Globo.
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Sobre o autor

Nilson Xavier é catarinense e mora em São Paulo. Desde pequeno, um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: em 2000 lançou o site Teledramaturgia (http://www.teledramaturgia.com.br/), cujo sucesso o levou a publicar o Almanaque da Telenovela Brasileira, em 2007.

Sobre o blog

Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.

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