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Balanço 2012: as Novelas que marcaram o ano
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Nilson Xavier

Adriana Esteves e Vera Holtz em “Avenida Brasil” (Foto: TV Globo)

O ano de 2012 foi de altos e baixos para a nossa Teledramaturgia. A Globo, por exemplo, foi ao céu e logo em seguida desceu ao inferno. Os dois maiores sucessos de repercussão da década (as novelas “Avenida Brasil” e “Cheias de Charme“) foram substituídos pela maior queda em audiência da história. Mais uma prova de que apenas boas produções com algum diferencial prendem o telespectador atualmente. O público hoje tem mais opções que antigamente e cansou do mais do mesmo na TV.

A Vida da Gente
Com uma trama feminina por excelência, Lícia Manzo mostrou competência em sua primeira novela solo, apresentando um texto realista e sensível poucas vezes visto em nossa teledramaturgia. Com o horário das seis em pleno Horário de Verão, a novela enfrentou a baixa audiência do início ao fim, apesar da boa aceitação do público. Talvez uma explicação estivesse no excesso de drama, presente em todos os núcleos, em detrimento ao humor.

Fina Estampa
Um sucesso popular que alavancou a audiência do horário nobre da Globo, a trama de Aguinaldo Silva foi a novela de maior ibope dos últimos cinco anos. O autor uniu tramas surreais – entende-se sem compromisso algum com a realidade – com personagens caricatos – como a vilã Tereza Cristina (Christiane Torloni) e o gay Crodoaldo Valério (Marcelo Serrado) -, e uma heroína maniqueísta – Griselda (Lília Cabral), mulher batalhadora, mãe sofrida, boa e justa, concebida para criar empatia com o público que se identifica com essa figura idealizada. A aposta no tom farsesco e na comédia popular funcionou. Apesar do espaço que a vilã Tereza Cristina ganhou em detrimento à protagonista Griselda, foi o coadjuvante Crô que teve mais notoriedade. E acabou pulando da telinha para a telona do cinema.

Aquele Beijo
Miguel Falabella apresentou uma trama de humor espirituoso e inteligente, típica de seu universo. Mas faltou à novela uma história central empolgante. Foram as tramas paralelas, recheadas de bons personagens secundários, que fizeram a novela. A audiência, aquém da esperada, ficou à altura da história morna apresentada.

Malhação
Em agosto de 2011, a Globo estreou com grande alarde “Malhação Conectados”. Trouxe Ingrid Zavarezzi da TV a cabo para roteirizar a nova fase de sua tradicional novela teen, e a lançou prometendo tramas sobrenaturais repletas de mistério e suspense. Mas de nada adiantou. À medida que a audiência foi caindo, os temas paranormais foram sumindo da história. Novos roteiristas entraram para auxiliar Zavarezzi. As tramas de suspense saíram, o romance ganhou mais destaque, mas o ibope continuou baixo.

Em agosto de 2012, “Malhação” estreou sua atual fase, que mantem a tradição do programa, retratando o dia-a-dia de colegiais, seus namoricos e problemas pessoais e familiares dentro e fora da escola. Com uma cara mais moderna e foco maior em adolescentes, a novelinha enfrenta a baixa audiência atual que assola a TV aberta.

Vidas em Jogo
A autora Cristianne Fridman soube despertar a atenção do público promovendo reviravoltas e pontuando a novela com momentos chave durante os longos onze meses em que a trama esteve no ar. Assassinatos em série, personagens com HIV e viciados em crack e até uma transexual foram o chamariz para despertar a curiosidade do público, que respondeu à altura e manteve a audiência do horário para a Record.

Rebelde
A primeira temporada da novela teen terminou em março de 2012 dando lugar à segunda temporada, que desgastou a grife e fez despencar a audiência. Prejudicada pelas constantes mudanças de horário, a trama apelou para a “vampiromania” e RPG sem sucesso. A crise maior instaurou-se com a estreia de “Carrossel” no SBT, que lhe tomou o posto de segunda colocada na audiência. A autora Margareth Boury acabou deixando a novela antes de seu término. “Rebelde” teve seu fim precipitado e terminou melancolicamente, com brigas e revolta nos bastidores. Apesar dos percalços, é inegável a repercussão junto aos fãs nas mídias sociais e nos shows da banda formada pelos atores da novela.

Empreguetes, Fabian e Chayene no palco, em “Cheias de Charme” (Foto: TV Globo)

Corações Feridos
Os 100 capítulos da novela de Íris Abravanel foram gravados entre março e agosto de 2010. Sua estreia foi sendo protelada, até que finalmente o SBT decidiu desengavetá-la. Puro folhetim, com todos os clichês possíveis do gênero, esta produção do SBT manteve o ranço melodramático da novela xicana original na qual foi inspirada – apesar de elementos nacionais incorporados à trama, como a trilha sonora e ambientações.

Amor Eterno Amor
Elizabeth Jhin apresentou uma trama folhetinesca diluída em um discurso filosófico e doutrinário com temas espiritualistas. Mas, ao impor uma doutrina em detrimento à história romântica, exagerou na dose religiosa, o que levou ao didatismo monótono. A trama ainda se arrastou por meses e a autora só apressou sua história no final. Os maiores destaques foram os vilões vividos por Cássia Kis Magro e Osmar Prado – Melissa e Virgílio.

Avenida Brasil
Um verdadeiro fenômeno de repercussão, a novela de João Emanoel Carneiro virou coqueluche na Internet , provando que a telenovela pode se aliar à rede, e não encará-la como uma concorrente. A “nova classe C” retratada na trama cativou todas as classes. Como em um jogo de certo ou errado, o autor brincou com as nuances simbólicas de ricos e pobres, elaborando uma crítica social muito pertinente. Adriana Esteves se consagrou na interpretação antológica da vilã Carminha, o melhor papel de sua carreira até então. No elenco, bem dirigido, destacaram-se também Débora Falabella, Murilo Benício, Marcello Novaes, José de Abreu, Vera Holtz, e muitos outros.

Avenida Brasil” transgrediu a fórmula do folhetim clássico ao apresentar uma história de vingança em detrimento à história de amor, com uma heroína de personalidade dúbia (Nina). A estética cinematográfica e o ritmo alucinante da trama – sempre com ganchos bombásticos, o que aproximou a novela dos seriados americanos – cativaram o telespectador e fidelizaram a audiência. Lamenta-se apenas que tenha perdido o fôlego na segunda metade para o final. O Brasil parou para assistir ao último capítulo – que chegou a ser noticiado pela imprensa internacional depois que um comício com a presidente Dilma Rousseff foi adiado para evitar a concorrência com o final da novela.

Cheias de Charme
A primeira novela da dupla de autores Filipe Miguez e Izabel Oliveira trouxe de volta o sucesso ao horário das sete da Globo e teve o mérito de tirar proveito da Internet, transformando-a numa poderosa aliada: a novela foi pioneira na ação de transmedia, com o lançamento do clipe das Empreguetes primeiro na rede, depois na novela. A indústria do entretenimento real misturou-se ao entretenimento da ficção, com os cantores da novela dividindo o palco com vários cantores reais. A identidade visual deu o tom que o roteiro exigia.  O colorido dos shows de technobrega inspiraram os cenógrafos, figurinistas e a direção de arte.

Cláudia Abreu brilhou com os figurinos exagerados e a interpretação da desastrosa vilã Chayene, sempre acompanhada de sua “personal curica” Socorro (a revelação Titina Medeiros). Apesar de toda a repercussão, registra-se a perda de agilidade em sua narrativa após o sucesso das Empreguetes como cantoras, a partir da segunda metade da trama.

Máscaras
Problemática atração da Record, a novela de Lauro César Muniz causou estranhamento logo no início: uma direção equivocada e um texto por demais confuso afastaram o telespectador. A emissora viu seu Ibope cair vertiginosamente, o que acabou por deflagrar a pior crise no setor de Teledramaturgia desde que foi renovado, em 2004. A novela teve seu horário de exibição trocado várias vezes, causou desconforto entre elenco e o autor (a atriz Luiza Tomé reclamou publicamente da novela e do autor), e culminou com a troca do diretor e a antecipação de seu término. Parte do elenco divulgou na Internet uma carta em que culpava a mídia pela repercussão negativa da novela. Mas o estrago já estava feito.

Carrossel
Um dos maiores êxitos do ano na televisão, a novela adaptada por Íris Abravanel (a partir do original mexicano) espantou até os dirigentes do SBT, que não esperavam esse sucesso todo. “Carrossel” tornou-se um fenômeno de audiência para os padrões atuais da emissora e lhe devolveu o segundo lugar no horário nobre, desbancando a Record. Novela com público fiel e certo – o infantil -, sua repercussão reflete a carência deste tipo de programação no horário nobre da TV aberta brasileira. A novela conseguiu atrair o público que estava nos canais pagos ou até mesmo longe da televisão.

Na sala de aula de “Carrossel” (Foto: SBT)

Gabriela
A nova adaptação para o romance de Jorge Amado – feita por Walcyr Carrasco – não marcou a história da TV como a primeira versão, de 1975, mas manteve uma boa audiência no horário das onze da noite. Elenco e direção competentes numa produção requintada, desde a abertura até cenários, figurinos, fotografia e a trilha sonora saudosista, que trouxe de volta algumas das músicas da novela da década de 1970. Os bordões “Vou lhe usar” (do Coronel Jesuíno/José Wilker) e “Jesus Maria José!” (de Dona Dorotéia/Laura Cardoso) se popularizaram e viraram memes na Internet. José Wilker e Laura Cardoso foram os grandes destaques no elenco.

Lado a Lado
A novela das seis – de autoria dos novatos João Ximenes Braga e Cláudia Lage – é a melhor atualmente no ar, mas amarga uma baixa audiência desde sua estreia, prejudicada pelo Horário Político e Horário de Verão. Uma trama de época com nuances históricas narrada sem grandes arroubos, retratando um período poucas vezes visto na teledramaturgia. A produção requintada e o elenco afiado parecem pouco para despertar a atenção do telespectador.

Guerra dos Sexos
Este remake da famosa novela de Silvio de Abreu da década de 1980 também sofre na audiência. Se não deslanchou depois de três meses no ar, dificilmente conseguirá. Aos olhos de hoje, a luta das mulheres pela conquista de um espaço na sociedade dominada por homens soa anacrônica. O autor até tirou o foco da disputa entre machistas e feministas, mas a direção optou por uma linha de humor mais ingênuo, que, no ar, soa bobinho demais. Na verdade, “Guerra dos Sexos” mostrou-se ser uma escolha equivocada para um remake.

Balacobaco
A Record antecipou o fim de “Máscaras” e colocou às pressas no ar essa história de Gisele Joras. Mas de nada adiantou. Nem o tom excessivamente popularesco da trama tem chamado a atenção do público. A novela tem uma pegada de comédia, é colorida, repleta de personagens caricatos e tem uma trilha sonora popularíssima. Une elementos de novelas das sete horas da Globo com trilha semelhante à de “Avenida Brasil”. Mas faltam personagens e histórias cativantes. Se “Máscaras” ficou marcada pela repercussão negativa, “Balacobaco”, com uma audiência ainda menor, nem sequer repercute.

Salve Jorge
Com a menor média de audiência da história no horário, a novela de Glória Perez tem enfrentado a rejeição do público e críticas por toda parte, seja pela repetição de temas e elenco, pelo número excessivo de personagens, ou pelas dancinhas e bordões estrangeiros que já não despertam mais tanto interesse como na época de “O Clone”. E a sensação de déjà vu é tão grande que a Turquia da novela parece uma mistura de Marrocos com a Índia.

Mas o inimigo maior de “Salve Jorge” é a novela anterior, “Avenida Brasil”, que acostumou mal o telespectador com uma trama ágil, deixou muitos “viúvos apaixonados” e tem uma grande diferença com a trama de Glória Perez: narrativa e esteticamente falando. O sabor de novidade de “Avenida Brasil” foi substituído por uma novela conservadora e já conhecida do público. Apesar de o tráfico humano abordado na trama ser uma novidade bem vinda.

Opine! Quais as novelas de 2012 que você mais gostou?


“Cheias de Charme”: repercussão foi maior que a audiência
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Nilson Xavier

Cida, Penha, Rosário, Fabian e Chayeme (Foto: TV Globo)

Pense numa novela porreta!

Vereda Tropical
Virou lugar comum elogiar Cheias de Charme, a novela da Globo que terminou nesta sexta-feira (28/09). Marcada pelo humor, criatividade e originalidade, talvez o maior mérito da trama tenha sido trazer de volta ao horário das sete um modelo de novela que a Globo consagrou na década de 1980, mas que foi sendo alterado com o passar dos anos e há muito não se via mais no horário: a comédia que parodia os pequenos dramas humanos, através de personagens cativantes, tramas alegres intercaladas com o mais puro dramalhão. Foi um formato que começou a ser moldado com Cassiano Gabus Mendes e teve seu ápice com Silvio de Abreu e Carlos Lombardi, e a dupla de diretores Jorge Fernando e Guel Arraes (vide Elas por Elas, Guerra dos Sexos, Vereda Tropical, Ti-Ti-Ti, Cambalacho, Brega e Chique, Sassaricando, Bebê a Bordo e Que Rei Sou Eu?).

Elas por Elas
Adaptada para os dias de hoje – em que personagens ricos já não protagonizam mais novelas sozinhos -, a história de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira colocou três empregadas, cinderelas modernas, como estrelas às voltas com uma patroa fada madrinha, uma bruxa de desenho animado e sua fiel escudeira atrapalhada – respectivamente Penha (Taís Araújo), Rosário (Leandra Leal), Cida (Isabelle Drummond), Lygia (Malu Galli), Chayene (Cláudia Abreu ) e Socorro (Titina Medeiros ). Cada uma delas, dentro de seu drama ou humor, tinham trajetórias e sonhos diferentes. Esta foi a grande sacada dos autores: juntas deram margem a um leque de opções bastante abrangente afim de gerar identificação para uma gama maior de telespectadores.

Que Rei Sou Eu?
Há alguns anos, via-se a Internet como uma concorrente da TV aberta. Um fenômeno de repercussão, Cheias de Charme teve o mérito de aliar-se à sua concorrente, tirando proveito da Internet (Se não pode contra ele, junte-se a ele!). A novela foi pioneira na ação de transmedia (como o lançamento do clipe das Empreguetes primeiro na Internet, depois na novela), abusou da própria programação da casa (os personagens foram vistos no Caldeirão do Huck, Encontro, Mais Você, Domingão do Faustão e outros), na citação às outras novelas (teve até propaganda de Guerra dos Sexos no penúltimo capítulo), e no uso dos cantores da trilha, que se apresentaram com os personagens-cantores fictícios. Isso sem falar nos produtos licenciados lançados no rastro de seu sucesso – ainda que se lamente o fato da Globo não ter posto no mercado o CD com as músicas cantadas pelas Empreguetes, Chayene e Fabian, ou o DVD com os clipes e shows deles.

Brega e Chique
A indústria do entretenimento real misturou-se ao entretenimento da ficção. O colorido dos shows de technobrega inspiraram os cenógrafos, figurinistas e diretores de arte da novela. Nunca o “sou brega, mas tô na moda” esteve tanto em evidência. A identidade visual deu o tom que o roteiro exigia, encheu os olhos, e juntamente com a história – um conto de fadas moderno – criou a empatia necessária para cativar os telespectadores de todas as idades. Não por acaso, a novela conquistou o público infantil, inclusive.

Laércio, Socorro e Chayene (Foto: TV Globo)

Cambalacho
As grandes estrelas de Cheias de Charme foram Cláudia Abreu e (a revelação) Titina Medeiros, nas peles das vilãs Chayene, a cantora invejosa e sem noção, e sua fã Socorro, a personal-curica desastrada. Juntas, protagonizaram as mais divertidas cenas, em meio a confusões, chá de ferra-goela, escorregadas no português, troca de nomes (Rosalba, Roxana, Rosilda, Rosiranha), e expressões que caíram na boca do povo (como “curica” e “amadinha”).

Sassaricando
Em contrapartida, é difícil falar da novela e deixar de lado os entrechos românticos e dramáticos, muito bem amarrados pelo texto afiado dos autores. Taís Araújo e Malu Galli brilharam com suas personagens. Penha, a mais pé no chão das empreguetes, mulher do povo, batalhadora, às voltas com um marido malandro (Sandro, um dos melhores papeis de Marcos Palmeira). Lygia, do outro lado, representante das patroetes, mas igualmente uma batalhadora. Para completar, vilões bem defendidos por Tato Gabus Mendes (Sarmento) e Alexandra Richter (Sônia), e o lado romântico, com Cida (Isabelle Drummond), uma cinderela dividida entre um príncipe que era um sapo (Conrado, Jonatas Faro) e um sapo que era um príncipe (Elano, Humberto Carrão). Também Rosário de Leandra Leal – que chegou a ganhar a antipatia do público por preferir a carreira em detrimento ao amor ao lado de Inácio (Ricardo Tozzi – destaque também como o caricato Fabian).

Ti-Ti-Ti
Cheias de Charme não foi nenhum grande fenômeno no Ibope: sua média geral deve fechar em 30 pontos, o que é o esperado para o horário (a mesma média de Ti-Ti-Ti e Morde e Assopra, de 2010-2011). Mas este é um fenômeno das novelas atuais: Cheias de Charme e Avenida Brasil são a prova de que audiência e repercussão nem sempre andam juntas – apesar da enorme repercussão, os números são ótimos, mas não excelentes. Uns culpam o início do Horário Político. Talvez o caso de Cheias de Charme seja o reflexo do único ponto negativo que a novela teve: a perda de agilidade em sua narrativa após o sucesso das Empreguetes como cantoras. A novela ficou dividida em duas partes: antes da formação das Empreguetes e depois. Mal acostumado com a história ágil da novela, o público se viu de repente em meio a uma trama que se arrastou até o final e cansou alguns. Reviravoltas pontuais e o carisma de Chayene salvaram a novela de um estrago maior.

Bebê a Bordo
A próxima novela, Guerra dos Sexos, que estreia segunda-feira (01/10), terá a difícil missão de manter não somente a audiência de Cheias de Charme, mas também a sua repercussão. Guardadas as devidas proporções, comparei aqui a linha dramatúrgica de Cheias de Charme com a das novelas da década de 1980. Resta saber se a trama deste remake de Guerra dos Sexos é compatível com os dias atuais, em que as mulheres ocuparam muito do espaço que reivindicavam no passado. Hoje são até capazes de virar empreguetes estrelas da música popular.


Globo falha por não lançar CD com músicas dos personagens de “Cheias de Charme”
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Nilson Xavier

Empreguetes (foto: TV Globo)

Nesta terça-feira (26), em entrevista ao programa Mais Você (de Ana Maria Braga), a atriz Cláudia Abreu – a Chayene da novela Cheias de Charme – afirmou alto e em bom som:

“Acho que foi uma pena não terem lançado um CD com as músicas cantadas na novela, como ‘Vida de Empreguete’, ‘Vida de Patroete’. Tem que ter um CD, um DVD com os clipes das músicas…”.

Esta é uma solicitação do público da novela desde que a trama começou. E a Globo desperdiçou uma ótima oportunidade em faturar com produtos audiovisuais em cima da repercussão de Cheias de Charme. A novela termina essa semana, e é um tanto quanto tarde lançar somente agora um CD com as músicas dos personagens-cantores, ou DVD com seus clipes. Se CDs ou DVDs tivessem sido lançados no auge do sucesso do folhetim, o aproveitamento teria sido bem maior.

O SBT tira vantagem do sucesso de sua novela Carrossel com o lançamento de produtos licenciados (mochilas, cadernos e artigos escolares em geral, álbuns de figurinhas, bonecas e outros brinquedos, CDs e DVDs). A Record faz o mesmo com a marca Rebelde. É algo que a Globo deveria ter pensado já na concepção de sua novela.

Não sei se existe algum impedimento mercadológico ou estratégico para a Globo neste sentido. Não vou discorrer sobre a crise no mercado fonográfico. Tampouco comparar a Som Livre (que comercializa as trilhas sonoras da emissora) de hoje com antigamente – quando cada trama tinha pelo menos duas trilhas lançadas DURANTE A EXIBIÇÃO DA NOVELA, e não ao final, como vem ocorrendo frequentemente nos últimos anos (isso quando mais de uma trilha é lançada).

Se Cheias de Charme usou o máximo que pôde de divulgação dentro dos próprios programas da Globo, e foi a novela que melhor fez uso da Internet a seu favor, faltou apenas a emissora tirar vantagem do potencial musical de sua novela.

Concordamos com a amadinha Chayene: foi uma pena não terem lançado um CD com as músicas cantadas na novela, ou um DVD com os clipes das músicas. Quem sabe ainda sai… semana que vem…

Algumas das músicas cantadas pelos personagens de Cheias de Charme:

Chayene (foto: TV Globo)

“Xote da Brabuleta (Voa Voa Voa Brabuleta)” – Chayene;
“Vida de Patroete” – Chayene;
“Vida de Empreguete” – Empreguetes;
“Marias Brasileiras” – Empreguetes;
“Forró das Curicas” – Empreguetes;
“Nosso Brilho” – Empreguetes;
“Chalalá” – Rosário;
“Amor Sem Fim” – Rosário;
“Só Me Vejo Contigo (Quando a Gente Briga)” – Rosário e Fabian;
“Vou Matar Esse Amor Dentro de Mim” – Rosário e Fabian;
“Impossível Acreditar que Perdi Você” – Fabian;
“Cheia de Charme” – Fabian;
“Se Você Me Der” – Chayene e Fabian;
“Chora Me Liga”  – Chayene.


“Cheias de Charme” perdeu seu charme inicial
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Nilson Xavier

O que terá acontecido a um dos maiores sucessos do ano da Globo? A novela das sete, Cheias de Charme - meses atrás considerada um fenômeno de repercussão -, entrou num círculo desinteressante que pode por abaixo todos os elogios conquistados. Definitivamente, não é a mesma novela dos primeiros meses. Não está mais tão charmosa.

A primeira parte da novela – que vai até o momento em que as empreguetes conquistam o sucesso como cantoras – foi um dos eventos mais deliciosos do horário nos últimos anos. A ascensão do trio de cantoras causou uma verdadeira comoção junto ao público, que vibrou com as histórias das protagonistas e se divertiu com a novela, suas cores e seus personagens.

Mas, passada esta fase, a sensação é que Cheias de Charme perdeu gás. Para evitar a barriga (aquele momento na novela em que nada acontece), os autores chegaram a usar o que chamei aqui no blog de “narrativa episódica”: dar destaque para alguma trama paralela durante um curto período para depois substituí-la por outra. Mas, há semanas que isso não tem mais funcionado desse jeito. O fato é que, depois do sucesso, as três empreguetes protagonistas perderam muito do brilho que tinham no começo da história.

Cida (Isabelle Drummond), depois de rica, caiu muito facilmente no conto de dois de seus algozes da primeira fase: passou a amar o antigo patrão que a desprezava, Sarmento (Tato Gabus Mendes), depois que descobriu que era filha dele, e não resistiu – mais uma vez – à lábia de Conrado (Jonatas Faro,) o príncipe-sapo. Os dois, à primeira vista regenerados, passaram a “amar” a empreguete depois que ela enriqueceu. Não dá para torcer por uma heroína tão ingênua. A não ser que os autores reservem uma grande virada na personalidade da empreguete.

Rosário (Leandra Leal), a responsável pela união das três cantoras, sempre foi a mais ambiciosa delas e agora segue a carreira-solo depois que o grupo se desfez. No momento, está às voltas com seus dois interesses amorosos, os sósias Fabian e Inácio (Ricardo Tozzi), que se alternam no posto de cantor-par dela – Inácio está se fazendo passar por Fabian depois que este teve o rosto desfigurado por Chayene (Cláudia Abreu). Mas esta é uma trama que já deu mais do que tinha dar, disfarçada pela quantidade de clipes românticos dos shows de Rosário e Fabian – o que dá aquela sensação de “encheção de linguiça”.

Penha (Taís Araújo) seguia um flerte até bem interessante com o Dr. Otto (Leopoldo Pacheco) e tinha a aprovação do público. Sua relação com a antiga patroa e agora amiga Lygia (Malu Galli) continua sendo uma trama bastante interessante dentro da novela. E promete render mais, quando Lygia descobrir que Penha está tendo um romance com Gilson (Marcos Pasquim), um antigo amor dela. Mas o romance entre Penha e Gilson não está colando. Nas mídias sociais, a torcida maior é por Penha e Dr. Otto juntos. Cida e Conrado também é um par que não agrada. Será que até o final da novela, Penha e Cida se decidem por Dr. Otto e Elano (Humberto Carrão)?

Enquanto as tramas das três empreguetes seguem barrigudas, Chayene parece ser a única que ainda brilha na novela e chama a atenção da audiência. As tiradas de Cláudia Abreu continuam divertidas e impagáveis. Em contrapartida, sua personal-curica Socorro (Titina Medeiros) está apagadinha. Aliás, Socorro é aquela personagem que melhor personaliza Cheias de Charme: começou vibrante mas foi murchando com o passar do tempo. Uma peninha.


Primeira semana do Horário Político prejudica audiência das novelas
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Nilson Xavier

Com o início do Horário Político na televisão – na terça-feira, 21/08 – todas as emissoras tiveram que fazer um remanejamento em suas grades, alterando o horário de várias atrações. As novelas – algumas, os programas de maior audiência da TV – tiveram seus horários de exibição alterados – começaram mais cedo ou passaram para outro horário. Apenas Gabriela (Globo) e Máscaras (Record) continuam em seus horários originais.

Esta mudança acabou por prejudicar a audiência de algumas novelas da Globo – pelo menos nesta primeira semana, em que o público ainda não acostumou-se com a nova grade. As mais prejudicadas foram Malhação e as tramas das seis e sete horas, Amor Eterno Amor e Cheias de Charme, que começaram por volta de vinte minutos mais cedo – tiveram uma queda significativa no Ibope se comparadas com as semanas anteriores.

Cada ponto no Ibope equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo:

A primeira semana da nova temporada de Malhação – que começou na segunda-feira, 13/08 – registrou 17 pontos no Ibope, mas caiu para 13 na segunda semana, quando entrou o Horário Político. Amor Eterno Amor vinha com uma média semanal de 23 pontos e fechou a média da última semana em 20. Cheias de Charme marcou 32 pontos na semana de 13 a 18 de agosto, e consolidou a semana passada em 28.

Avenida Brasil, às 21 horas – no ar por volta de 10 minutos antes do habitual – registrou uma queda menor, apenas um ponto em comparação com a semana anterior: vinha de 40 e fechou a semana que passou com 39. A queda maior foi de segunda para terça-feira (quando começou o Horário Político): na segunda, a novela cravou 44 pontos, e terça, 38. Mas a audiência foi subindo com o passar da semana.

A novela infantil do SBT, Carrossel - exibida antes às 20h30 e agora às 19h50 – e a novela teen da Record, Rebelde – antes às 20h30 e agora às 21 horas -, mantiveram o público fiel que tinham, apesar da mudança de horário. Carrossel fechou a semana nos 13 pontos (um ponto a menos que a semana anterior), enquanto Rebelde continua com seus 4 pontos habituais.

Gabriela e Máscaras continuam em seus horários originais. Enquanto Máscaras subiu um ponto (fechou em 6 na semana passada) em relação às semanas anteriores, Gabriela, por sua vez, teve uma queda: registrou 18 pontos na semana entre 13 e 17/08, e fechou a última semana com 16 pontos no Ibope.


“Cheias de Charme” usa narrativa episódica para evitar “barriga”
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Nilson Xavier

A pouco menos de dois meses de seu término, já se pode afirmar que Cheias de Charme é dividida em duas partes: antes e depois do sucesso das Empreguetes como cantoras. O nascimento e ascensão do grupo musical formado pelas três domésticas marcou a primeira fase da novela, a mais interessante, a que cativou o público e fidelizou a audiência.

Depois que Penha, Rosário e Cida (Taís Araújo, Leandra Leal e Isabelle Drummond) ficaram ricas, a novela mudou. Não que esteja menos interessante ou parada. Pelo contrário, as histórias seguem com novos entrechos explorando a atual condição do trio de protagonistas. Barriga – no jargão novelístico – é aquela fase da novela em que nada acontece, em que o telespectador sente que está sendo enrolado. Não é o caso de Cheias de Charme. Talvez a sensação de barriga possa acontecer porque a novela correu muito na primeira parte e acostumou mal o telespectador, que ficou viciado num ritmo e sente uma diferença quando a trama desacelera. É o que também ocorre com Avenida Brasil, às nove horas.

Mas vemos personagens de participação efetiva na primeira fase parecerem deslocados agora, ou em segundo plano. Falo de Chayene e sua personal curica Socorro (Cláudia Abreu e Titina Medeiros). Tirando o episódio do reality-show de Chayene, a participação das duas diminuiu, o que se lamenta, já que a dupla movimentou a novela até então, dando aquele sabor delicioso de comédia escrachada. Com Chayene e Socorro um tanto quanto apagadinhas, Cheias de Charme quase cai na simples comédia de situação, ou no melodrama – não fossem outros bons personagens e tramas que garantem o interesse pela história.

Percebe-se que os autores optaram por uma narrativa episódica nesta segunda fase. Primeiro a derrocada da família Sarmento – trama que continua evoluindo e sendo muito bem explorada, com a inversão de papeis: a empregada virou a patroa, e a patroa virou a empregada. Depois veio a falsa gravidez e o reality-show de Chayene. Na sequência, Samuel (Miguel Roncato) encontrou seu pai, Gilson (Marcos Pasquim), o que culminou com a descoberta de Lygia (Malu Galli) sobre a infidelidade do marido Alejandro (Pablo Bellini). Atualmente o foco está em Fabian, que treina o sósia Inácio (Ricardo Tozzi) para substituí-lo nos palcos (numa alusão ao clássico O Príncipe e o Plebeu).

Mirar a novela em subtramas que duram duas ou três semanas é um recurso válido para evitar uma barriguinha e assim manter a audiência e o interesse do público na novela. Cheias de Charme está assim, como um seriado, dividida em episódios. Como pano de fundo, as Empreguetes experimentam todo o prazer e dissabor do sucesso.


No Dia dos Pais, relembre pais inesquecíveis das novelas
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Nilson Xavier

André Cajarana (Tony Ramos) com o avô (Lima Duarte) – Pai Herói (1979)

Carinhosos ou severos, modernos ou antiquados, legítimos ou adotivos, a teledramaturgia brasileira já nos apresentou pais de todos os tipos. Relembre alguns que marcaram a nossa TV.

A novela Pai Herói (1979) foi um grande sucesso de Janete Clair, e contava a história de André Cajarana (Tony Ramos), um jovem que luta para limpar o nome de seu falecido pai, conhecido como um contraventor.

Papai Coração (1976) era uma trama importada de Abel Santa Cruz que contava a história da doce relação do paizão Mário (Paulo Goulart) com a filha pequena Titina (Narjara Turetta), que conversava com o espírito de sua falecida mãe. A mesma história foi apresentada no SBT em 2001, Carinha de Anjo, numa produção mexicana.

Carlos Lombardi foi um dos autores que melhor retratou a relação pai e filhos em novelas, sempre famílias problemáticas, com pais separados, mas filhos muito amorosos. Como o Seu Tico (Sebastião Vasconcelos), pai de Tonhão, Rei e Rico (José de Abreu, Guilherme Leme e Guilherme Fontes) em Bebê a Bordo (1988-1989); Lupércio (Claudio Marzo), pai de Lenin, Fidel e Mussolini (Humberto Martins, Marcello Novaes e Luciano Vianna) em Vira-lata (1996); e Giácomo (Elias Gleizer), pai de Lance e Tadeu (Marcos Pasquim e Rodrigo Lombardi) em Pé na Jaca (2007).

Era Uma Vez… (1998) – claramente inspirada no filme A Noviça Rebelde – apresentou o viúvo Álvaro que se apaixonava pela nova governanta Madalena (Drica Moraes) e tinha o total apoio dos filhos pequenos Glorinha, Zé Maria, Marizé e Fafá (Luiza Curvo, Alexandre Lemos, Alessandra Aguiar e Pedro Agum).

Salviano Lisboa (Lima Duarte) – Pecado Capital (1975-1976)

Salviano Lisboa, personagem inesquecível de Lima Duarte na novela Pecado Capital (1975-1976), de Janete Clair, era um pai viúvo e solitário que sonhava com a união de sua prole: Vitória, Vicente, Vilma, Vinícius, Válter e Virgílio (Theresa Amayo, Luiz Armando Queiroz, Débora Duarte, Marco Nanini, João Carlos Barroso e Lauro Góes).

O melhor de Coração de Estudante (2002) era a relação afetuosa entre o professor Edu e seu filho pequeno, Lipe (Pedro Malta), que ele criou praticamente sozinho.

Hipertensão (1986-1987) tinha como mote central a história da bela Carina (Maria Zilda) que desconhecia a identidade de seu pai, até conhecer três velhinhos, que passaram a disputar sua atenção: Candinho, Napoleão e Romeu (Paulo Gracindo, Cláudio Corrêa e Castro e Ary Fontoura). Um deles era seu pai, e o mistério foi desvendado no último capítulo, quando Carina descobriu, teve uma conversa em particular com cada um e ficou claro que sua emoção era maior com Romeu.

Gaspar (Nuno Leal Maia) e os filhos – Top Model (1989-1990)

Um dos destaques da trama de Top Model (1989-1990) era a relação do surfista quarentão Gaspar com seus cinco filhos, de mães diferentes: Elvis Presley, Olivia Newton-John, Jane Fonda, Ringo Starr e John Lennon (Marcelo Faria, Gabriela Duarte, Carol Machado, Henrique Farias e Ígor Lage).

Entre 1991 e 1992, o SBT apresentou a série Grande Pai que mostrava as dificuldades do estressado viúvo Arthur (Flávio Galvão) em educar suas três filhas, de idades diferentes: Jô, Ana e Flor (Patrícia Lucchesi, Paloma Duarte e Vanessa Rubi).

Na novela Bambolê (1987-1988), Álvaro (Cláudio Marzo) era um pai relapso nas coisas práticas da vida, quase irresponsável, um mulherengo inveterado, mas amoroso na relação com suas três jovens filhas: Ana, Yolanda e Cristina (Myrian Rios, Thaís de Campos e Carla Marins).

A prole do Capitão Jonas Rocha (Reginaldo Faria) – Vamp (1991-1992)

Em Vamp (1991-1992), o capitão reformado Jonas Rocha (Reginaldo Faria) era um viúvo com seis filhos – Lipe, João, Jade, Nando, Isa e Tico (Fábio Assunção, Pedro Vasconcelos, Luciana Vendraminni, Henrique Farias, Fernanda Rodrigues e José Paulo Jr.) – que viu a família aumentar quando se casou com Carmem Maura (Joana Fomm), também viúva  e mãe de seis filhos  – Lena, Scarleth, Rubinho, Dorothy, Leon e Sig (Daniela Camargo, Bel Kutner, Aleph Del Moral, Carol Machado, Rodrigo Penna e João Rebello).

Benedito Ruy Barbosa é outro autor que já retratou muito bem dramas familiares envolvendo pai e filhos. Em Pantanal (1990), José Leôncio (Cláudio Marzo) era um pecuarista do Mato Grosso às voltas com o filho criado na cidade grande, Jove (Marcos Winter) e que, ao longo da história, se descobriu pai de dois outros filhos, Tadeu (Marcos Palmeira), que sempre esteve de seu lado, e o misterioso Zé Lucas de Nada (Paulo Gorgulho).

Em Renascer (1993), Zé Inocêncio (Antônio Fagundes) tinha uma difícil relação com seu filho caçula, João Pedro (Marcos Palmeira), a quem ele culpava -  veladamente – da morte de sua mulher, Maria Santa – morta no parto de João Pedro. A situação se complicou quando Zé Inocêncio passou a disputar com o filho o amor da jovem Mariana (Adriana Esteves). O Painho, como era conhecido Zé Inocêncio, tinha outros três filhos, José Augusto, José Bento e José Venâncio (Marco Ricca, Tarcísio Filho e Taumaturgo Ferreira).

Totó (Tony Ramos) com dois de seus filhos – Passione (2010)

Em Passione (2010), a vida de Totó (Tony Ramos), que morava na Itália com seus quatro filhos – Adamo, Agnelo, Agostina e Alfredo (Germano Pereira, Daniel de Oliveira, Leandra Leal e Miguel Roncato) – mudava drasticamente quando foi procurado pela sua mãe, que ele não conhecia, Bete Gouveia (Fernanda Montenegro).

Na novela Cavalo Amarelo (1980), o saudoso ator Rofolfo Mayer viveu o severo empresário Salvador Maldonado, que trazia sua prole em rédeas curtas: os filhos Joana, Téo, Wálter e Lalucha (Márcia de Windsor, Fúlvio Stefanini, Wálter Prado e Marta Volpiani), que o chamavam carinhosamente de Paizão. Com a morte de Maldonado, descobriu-se que ele tinha um filho bastardo, Zeca (Kito Junqueira), seu braço direito nos negócios.

Em Páginas da Vida (2006-2007), Tide (Tarcísio Meira) perdia a mulher, Lalinha (Glória Menezes), mas fazia questão de manter sua prole unida, os seis filhos e os filhos destes, seus netos. Os filhos de Tide eram Carmem, Leandro, Elisa, Márcia, Jorge e Olívia (Natália do Valle, Tato Gabus Mendes, Ana Botafogo, Helena Ranaldi, Thiago Lacerda e Ana Paula Arósio).

Sidney, o Papito (Daniel Dantas) – Cheias de Charme (2012)

Para finalizar, Seu Sidney, carinhosamente chamado de Papito pela filha adotiva, Rosário (Leandra Leal). Cheias de Charme mostra bem a afetuosa relação do homem que tirou uma menina de um orfanato e a criou com carinho, cumprindo as funções e pai e mãe e confirmando a máxima “pai é quem cria e dá amor“.

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Tramas com vingança e paternidade desconhecida são destaques em três novelas da Globo ao mesmo tempo
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Nilson Xavier

Vingança e paternidade desconhecida são dois clássicos do folhetim. Também: amores impossíveis por causa de famílias inimigas ou de classes sociais diferentes, sósias em que um toma o lugar do outro, ou gêmeos de personalidades opostas. Estão sempre nas novelas dando aquela sensação de déjà vu. Mas é a maneira de contar uma história repetente o que diferencia uma trama da outra – e o que faz com que os telespectadores caiam sempre na mesma história.

Coincidentemente, três novelas da Globo estão atualmente explorando os batidos filões da vingança e da paternidade desconhecida.

“Vingança, minha filha! Vingança!”
Quatro amigas na cadeia selam um pacto contra os homens que as fizeram sofrer.
(Quatro por Quatro, 1994)

Em Avenida Brasil, a vingança de Nina/Rita (Débora Falabella) contra Carminha (Adriana Esteves) está dando o que falar nas rodas e redes sociais, e dividindo opiniões e torcidas. A patroa praticamente trocou de lugar com a empregada, e Carminha ainda tem que ceder calada às chantagens de Nina – numa clara alusão ao Primo Basílio, de Eça de Queiroz.

Ao mesmo tempo, na novela das sete – Cheias de Charme -, Cida (Isabelle Drummond) tomou uma decisão importante no capítulo desta terça-feira (31/07): decidiu ir à forra contra a família Sarmento, que a humilhou no passado. Após saber por Ernani (Tato Gabus Mendes) que é filha dele, mudou-se para a casa dos Sarmentos “pela porta da frente” – como uma vingancinha pessoal contra a ex-patroa Sônia (Alexandra Richter) e suas duas filhas malvadas, Isadora e Ariela (Gisele Batista e Simone Gutierrez).

A novela das seis, Amor Eterno Amor, por ser uma trama espiritualista, tem uma vingança à altura. Após ser assassinado por Melissa (Cássia Kis Magro), Zenóbio (Lucci Ferreira) retorna em espírito para atormentar sua algoz. O espírito obsessor de Zenóbio já provocou o acidente de carro de Fernando (Carmo Della Vecchia), filho de Melissa. E inclusive já baixou nele, para que ele maltratasse a mãe. Nos próximos capítulos, Zenóbio tentará matar Melissa, induzindo-a a se jogar no mar.

“Meu filho nasceu perfeito. O da Eduarda morreu logo depois de nascer.”
Eduarda lendo o diário da mãe e descobrindo que a criança não era seu filho, mas seu irmão.
(Por Amor, 1998)

Em Avenida Brasil, Jorginho (Cauã Reymond), descobriu que Carminha é sua verdadeira mãe, que o abandonara no lixão e depois o pegou de volta para acabar de criar. Falta ele saber quem é o pai. O passado de Carminha também é um mistério, e envolve Mãe Lucinda (Vera Holtz), Santiago (Juca de Oliveira) e Nilo (José de Abreu). Recentemente, Roni (Daniel Rocha Azevedo) descobriu que Soninha Catatau (Paula Burlamaqui) é sua mãe, e Paloma (Bruna Griphao) descobriu que Cadinho (Alexandre Borges) é seu pai. Aliás, e a mãe da Rita hein? Nunca foi citada, né! Por enquanto…

Em Cheias de Charme – como descrito acima -, Cida ficou sabendo ontem que Ernani Sarmento é seu pai, que se envolvera com a empregada da casa, mãe dela. Samuel (Miguel Roncato), por sua vez, pressionou a mãe, Lygia (Malu Galli), para lhe revelar a identidade do pai que ele nunca conheceu. Nos próximos capítulos Marcos Pasquim entra na novela para viver Gilson, pai biológico de Samuel.

Em Amor Eterno Amor, a personagem Priscila (Laila Zaid) descobriu recentemente que o vilão Dimas (Luís Mello) é o seu pai biológico, e não perdoa a mãe, Laura (Giulia Gam) de nunca tê-la contado. A novela tem ainda outra trama muito parecida: Laís (Jéssika Alves) quer saber da mãe Marlene (Hermila Guedes) quem é o pai que ela nunca conheceu. Logo mais esse mistério será desvendado.

As vinganças podem ser pelos motivos mais variados. E concretizadas de mil formas diferentes. Os filhos que desconhecem pai ou mãe geralmente envolvem algum segredo, mantido pelas mais diversas razões. Cabe a cada autor dar um entrecho diferente para cada história, ao seu modo. De antemão, sabemos apenas que o final – geralmente -será feliz.


“Cheias de Charme” repete trama de “Fina Estampa”
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Nilson Xavier

Os emergentes estão mesmo na moda. Pelo menos nas novelas. Tem a família de Tufão (Murilo Benício) em Avenida Brasil, e agora as Empreguetes em Cheias de Charme. Houve uma passagem de tempo na novela das sete e o grupo musical formado pelas ex-domésticas Penha, Rosário e Cida (Taís Araújo, Leandra Leal e Isabelle Drummond) se transformou num sucesso nacional.

Todas melhoraram de vida e estão devidamente repaginadas. O capítulo de segunda-feira (16/07) mostrou Cida levando a madrinha (Dhu Moraes) para jantar num restaurante chique. Penha comprou um carro e está de casa nova, maior, bem equipada. E Rosário vai comprar um apartamento alto padrão no mesmo condomínio de luxo onde um dia trabalhou como cozinheira na casa de Chayene (Cláudia Abreu), a inimiga das Empreguetes. Também Cida vai morar no condomínio, onde moram seus ex-patrões, a família Sarmento – agora em derrocada financeira.

É a história se repetindo. Na recente Fina Estampa, a protagonista pobre e humilde – Griselda de Lília Cabral – vivia em pé de guerra com a ricaça arrogante – Tereza Cristina de Christiane Torloni. Após ganhar na loteria, Griselda comprou uma mansão bem em frente à mansão de Teresa Cristina, para quem um dia prestou serviços domésticos como “marida de aluguel”.

Em tempo: personagens emergentes são recorrentes em novelas, independente da economia do país ou público alvo das tramas. O Cafona (1971) contava a história de um comerciante de subúrbio – vivido por Francisco Cuoco – que enriqueceu com seu negócio se tornando presidente de uma rede de supermercados. Mas seu sonho era entrar para a alta roda, mesmo sem ter nenhum traquejo social. Daí o título da novela.

Em Os Ossos do Barão (1973-1974), um imigrante italiano (Lima Duarte), que enriquecera com o trabalho, quer comprar a cripta mortuária do barão do café para quem trabalhou quando era criança, e cuja família quatrocentona estava falida e disposta a vender inclusive seu título de nobreza.

Em Rainha da Sucata (1990), uma mulher (Regina Duarte) – cuja família de origem humilde enriquecera a partir de um ferro-velho – era apaixonada e queria se casar com um rapaz (Tony Ramos) de família quatrocentona, mas falida. Ele não a amava, mas aceitou o casamento para tirar a família do vermelho.

Ainda: Foguinho (Lázaro Ramos) em Cobras e Lagartos (2006), que ganhou dinheiro com uma herança; a família de Meg Trajano (Françoise Forton) em Por Amor (1997-1998), representante dos emergentes cariocas da Barra da Tijuca; os personagens de Vidas em Jogo (2011-2012), que enriqueceram com um prêmio da loteria; e outros.


“Cheias de Charme” bate novo recorde de audiência com número de novela das nove
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Nilson Xavier

E mais uma vez Cheias de Charme bate seu recorde no Ibope. O último pico de audiência foi no capítulo do dia 25 de junho (uma segunda-feira) quando a novela cravou 36 pontos. O capítulo desta quinta-feira (12/07) consolidou 37 pontos no Ibope (com 62% de participação) – quando o esperado para o horário das sete horas são 30 (cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo).

Este foi um capítulo isolado – a novela vem mantendo uma média geral entre os 30 e 31 pontos. Mas 37 é mais audiência do que foi registrado em muita novela das nove nos últimos anos. Viver a Vida (2009-2010) e Insensato Coração (2011), por exemplo, fecharam com uma média geral de 36 pontos. Passione (2010), com 35 pontos. Ontem Cheias de Charme ficou cinco pontos atrás de Avenida Brasil – que cravou 42 pontos.

O clímax do capítulo foi a briga entre Socorro e Chayene (Titina Medeiros e Cláudia Abreu), com direito a troca de insultos, ovo, farinha e puxada de cabelo. Era para ser uma farsa, já que Socorro tinha que aparentar ser maltratada pela patroa. Mas Chayene, cansada das trapalhadas de sua “personal curica”, acabou por despedi-la.

Fenômeno de audiência, não dá para estabelecer um parâmetro de comparação com as tramas anteriores no horário, como explico em meu texto “Melhor novela das sete dos últimos anos” – clique AQUI para ler.