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Arquivo : Reynaldo Gianecchini

“Guerra dos Sexos” funcionou mais no drama do que na comédia
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Nilson Xavier

Irene Ravache e Tony Ramos (Foto: divulgação TV Globo)

É sempre grande a expectativa pelo remake de uma novela que fez muito sucesso no passado. As comparações acabam sendo inevitáveis. Os saudosistas que acompanharam a versão original estão sempre dispostos a apontar as diferenças e o que não está funcionando na versão atual. É difícil manter um distanciamento. Mas é necessário. Os tempos são outros, a sociedade e – principalmente – a TV são outras. Nosso olhar sobre a TV também, inclusive.

Guerra dos Sexos”, a novela de 1983, foi um marco e, de certa forma, revolucionou o horário das sete horas da Globo. A responsabilidade de Silvio de Abreu – o autor – era ainda maior. Também de Jorge Fernando, o diretor geral deste remake, que foi um dos diretores da novela original. Há ainda o fato de Jorginho ter sido o responsável pelo remake de “Ti-ti-ti”, em 2010, considerado um grande êxito: esperava-se a mesma repercussão nesta regravação de outro sucesso do passado. Esperava-se muito desta nova “Guerra dos Sexos”.

A novela estreou em um período por demais ingrato. Horário Político, Horário de Verão, festas de fim de ano, calor, tudo isso contribui para que as pessoas não estejam na frente da TV na hora da novela. A média geral na audiência da Grande São Paulo foi a pior já registrada no horário: 23 pontos no Ibope. Mas é importante salientar que esta baixa acometeu todo o horário nobre da TV aberta. Também “Salve Jorge” (às 21 horas) e “Lado a Lado” (às 18), registraram recordes negativos. Fenômeno este muito particular de São Paulo, haja vista que essas novelas tiveram números bem mais expressivos em outras praças.

A trama de Silvio de Abreu tem todos os ingredientes para o sucesso. A história é boa, o elenco e a produção são de primeira, os personagens são carismáticos, tem humor (necessário para o horário) e tem o melodrama (necessário para qualquer folhetim). No início, criticou-se muito o anacronismo do tema central – a luta entre homens e mulheres, em voga em 1983, mas um tanto quanto obsoleto nos dias atuais. Mas Silvio sempre foi categórico ao afirmar que não escreveria um compêndio sobre o assunto – seu objetivo era apenas divertir e fazer rir do ridículo desta luta insana entre homens e mulheres. Foi assim em 1983 e foi assim atualmente, guardadas as devidas proporções.

Drica Moraes, Bianca Bin e Daniel Boaventura (Foto: divulgação TV Globo)

O autor prometeu mudanças na história, mas poucas foram vistas. As mais objetivas ficaram para o final, como o desfecho de alguns personagens. Mas é fato que Charlô (Irene Ravache) – para caber na proposta atual – já não era mais uma feminista ferrenha como outrora. Otávio (Tony Ramos) manteve o ranço dos machistas irascíveis, o que conferiu certo exagero na interpretação de Tony Ramos em alguns momentos. O português Dominguinhos foi um respiro nas chatices de Otávio e deu a Tony a oportunidade de ampliar sua interpretação. Mesmo quando Otávio retornou, já estava mais humano, o que fez Tony Ramos brilhar em várias sequências.

No elenco, vale destacar também a interpretação marcante de Drica Moraes e Glória Pires (as irmãs Nieta e Roberta, respectivamente), que em nada deixaram a dever às intérpretes originais, Yara Amaral e Glória Menezesopa, olha a comparação! Bianca Bin teve a sorte de lhe cair nas mãos uma vilã, tipo mais rico e fácil de interpretar do que a mocinha (como havia sido a Açucena de “Cordel Encantado”, o trabalho anterior da jovem atriz). Edson Celulari cresceu com a novela: o estranhamento de um Felipe abobalhado no início foi se dissipando com o próprio amadurecimento do personagem ao longo da trama.

Se por um lado acho um equívoco acusar o tema central de “Guerra dos Sexos” de anacrônico, por outro vejo anacronismo no humor da novela – talvez este o seu maior problema. O autor propunha uma mistura de estilos de comédia, que vinha desde o humor infantil de desenho animado até o humor sofisticado do cinema clássico americano. Mas o resultado na tela passou batido. Talvez a direção não soube compilar essa sofisticação na hora de tirar do papel e passar para a tela. Faltou à direção fazer rir – o grande trunfo da novela em 1983.

De “Guerra dos Sexos”, ficamos com os momentos risíveis proporcionados por Nieta (Drica Moraes), Dona Semíramis (Débora Olivieri), Frô (Mariana Armellini), Dominguinhos (Tony Ramos), Olívia (Marilu Bueno) e alguns outros. E o lado folhetinesco da trama. Sempre se espera de uma novela que o público torça pelos seus casais românticos e se questione sobre os destinos dos personagens: “Com quem Nando vai ficar, Roberta ou Juliana?” “Ou Roberta fica com Felipe?” “E o fim de Carolina?”. Por conta dessa especulação em torno de seus desfechos, a novela viu sua audiência crescer na reta final, tendo inclusive ultrapassado os 30 pontos (a meta no horário) em uma ocasião. A “Guerra dos Sexos” de 2012-2013 saiu-se melhor no melodrama.

Leia também a opinião de Maurício Stycer sobre a novela ‘Com tema pouco atual e aposta no exagero, Guerra dos Sexos provocou indiferença’


“Guerra dos Sexos” acerta ao focar no melodrama
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Nilson Xavier

Guilhermina Guinle e Reynaldo Gianecchini em “Guerra dos Sexos” (Foto: TV Globo)

Muita coisa rolou depois de mais de três meses da estreia do remake de “Guerra dos Sexos“. A trama de Silvio de Abreu enfrentou o Horário Político, enfrenta o Horário de Verão e a atual fraca audiência em todo o horário nobre na TV aberta brasileira. Teve a rejeição do público órfão da novela anterior, o sucesso “Cheias de Charme”. Lidou com todas as comparações possíveis com a versão original da novela, de 1983 – de elenco a tramas. Foi criticada pelo tema anacrônico (feminismo versus machismo), pela comédia sem graça, por algumas atuações do elenco, etc.

Mas, apesar dos percalços, a novela parece ter encontrado seu caminho. Quase em sua metade, “Guerra dos Sexos” já não causa mais o estranhamento do início. Talvez parte do público tenha se acostumado com a interpretação dos atores e embarcado na trama. Talvez os atores tenham encontrado o ponto de seus personagens. Reynaldo Gianecchini já não parece mais imitar o Pascoal, seu papel em “Belíssima”. Drica Moraes está mais à vontade em sua Nieta. Tony Ramos já soa menos histriônico. Edson Celulari não parece mais tão bobalhão com seu Felipe. Bianca Bin já não faz mais caras e bocas.

O elenco de “Guerra dos Sexos”, com poucas exceções, está afinado com a trama de Silvio, que já desce mais redonda, está agradável de se acompanhar. O autor tem focado nos romances e no melodrama, em detrimento ao humor, o que é um acerto. Nos últimos capítulos, vimos o caso de Wânia (Luana Piovani) e Felipe (Edson Celulari) ser descoberto por Charlô (Irene Ravache), que demitiu sua funcionária. Tudo pelas mãos da ardilosa Carolina (Bianca Bin). Em seguida, foi a vez de Juliana (Mariana Ximenes) ter seu caso com Fábio (Paulo Rocha) descoberto pela mulher dele, a neurótica Manuela (Guilhermina Guinle), que brindou o público com um barraco daqueles. Manuela ainda sofreu um acidente de carro que envolveu sua filha pequena, Cissa (Jesuela Moro). E Felipe não quer perdoar a filha Juliana, por se sentir traído. Quanto drama!

É claro que o horário da sete pede humor. Mas folhetim, independente da proposta, é folhetim: o melodrama ainda é a base. E, historicamente falando, em raras exceções, é sempre o drama que pode socorrer uma novela. Silvio já tem experiência com isso. Em 1990, “Rainha da Sucata” entrou para a história porque o autor percebeu a tempo que tinha que focar no melodrama, em detrimento ao humor que vinha aplicando. Na verdade, não existe uma receita para o sucesso. Mas certas premissas devem ser respeitadas. Janete Clair já pregava a boa dosagem do drama e comédia. E – parece – “Guerra dos Sexos” encontrou seu ponto certo.


“Guerra dos Sexos” tem a menor média de audiência desde 2010
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Nilson Xavier

Depois de duas semanas no ar, já pode tocar o sinal vermelho para Guerra dos Sexos: é a menor média no Ibope desde Tempos Modernos, em 2010. A novela das sete da Globo fechou sua segunda semana com uma média de 24,42 pontos (cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo), quando a meta é 30. Veja a média até o capítulo 12 das últimas novelas no horário:

Guerra dos Sexos: 24,42
Cheias de Charme: 29
Aquele Beijo: 27,1
Morde e Assopra: 26,2
Ti-ti-ti: 28,3
Tempos Modernos: 24,1
Caras e Bocas: 27,42

Fonte: blog O Cabide Fala.

Há algo de obsoleto na nova Guerra dos Sexos. E não estou me referindo exclusivamente ao seu tema, a luta Homens vs. Mulheres, muito em voga na época da novela original, mas um tanto sem sentido hoje em dia, pela forma como é abordado e está sendo apresentado na novela atual. Em tempos em que gays lutam pelos seus direitos, Guerra dos Sexos, ao ignorá-los, mantem o ranço da censura do início dos anos 1980, que proibia a presença deles em novelas.

Aliás, Guerra dos Sexos quebra um padrão entre as novelas das sete horas da Globo: desde o início da década de 2000, toda trama das sete tinha alguma referência a um personagem gay. Esta é a primeira novela, em mais de dez anos, em que não existe nenhuma. Não que seja obrigatória – a telenovela não precisa levantar bandeira de causa alguma, muito menos retratar gays caricatos ou não. Mas para uma novela que se propõe a ir além do simples remake e atualizar a temática apresentada há 29 anos, soa estranho não haver referência a gays nesta guerra entre homens e mulheres.

Tão obsoleto quanto o tema é o humor que a direção desta nova Guerra imprime à novela – o que tem feito a nova geração questionar a tal revolução na comédia que a trama original propiciou à TV na década de 1980. Se antes a criatividade da direção, aliada ao texto, deu origem a um delicioso espetáculo de comédia, hoje em dia, depois de tantas novelas engraçadinhas de Walcyr Carrasco dirigidas por Jorge Fernando e equipe, o mais do mesmo cansa e soa banalizado.

O tom exagerado nas atuações teatrais de Tony Ramos e Irene Ravache tem conseguido, no máximo, arrancar um sorriso amarelo. Reynaldo Giancecchini ainda não sabe muito o que fazer com seu Nando, que parece uma mistura de Jamanta com o mecânico Pascoal, que o ator viveu em outra trama de Silvio de Abreu, Belíssima, de 2005 – em que contracenava com Jamanta (Cacá Carvalho).

Os destaques no elenco têm sido Glória Pires e Drica Moraes, que demonstram bastante segurança em suas personagens. Guerra dos Sexos ainda não acertou seu tom. A direção, outrora inovadora, hoje soa burocrática no texto de Silvio de Abreu. Ainda bem que a Guerra está apenas começando Tem tempo de sobra para mudar as estratégias e vencer algumas batalhas.


Globo reprisa novamente “Da Cor do Pecado” no Vale a Pena Ver de Novo
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Nilson Xavier

Para a Globo, vale a pena ver de novo e de novo. Pela terceira vez consecutiva, a Globo opta por reprisar na faixa Vale a Pena Ver de Novo uma novela já reapresentada anteriormente. Depois de Mulheres de Areia e Chocolate com Pimenta, é a vez de Da Cor do Pecado voltar à tarde. Entre as outras candidatas à vaga, estavam novelas nunca antes reprisadas, como Meu Bem Querer (1998-1999), O Beijo do Vampiro (2002-2003), O Profeta (2006-2007) e Páginas da Vida (2006-2007).

A escolha por Da Cor do Pecado talvez se explique pela repercussão que a trama teve, tanto na sua apresentação original (de janeiro a agosto de 2004) – foi uma das maiores audiências do horário das 19 horas da Globo -, quanto na sua reprise anterior à tarde (entre maio e novembro de 2007). Também pelo fato de João Emanuel Carneiro ser o autor – o mesmo que faz sucesso atualmente com Avenida Brasil, às 21 horas. E a protagonista é Taís Araújo, que no momento vive a empreguete Penha em Cheias de Charme, o sucesso das 19 horas. Também Da Cor do Pecado é um sucesso de exportação – uma das novelas brasileiras mais vendidas para o exterior.

A trama conta a história de Preta (Taís Araújo), que vai do Maranhão ao Rio de Janeiro fazer com que o milionário Afonso Lambertini (Lima Duarte) reconheça seu filho pequeno Raí (Sérgio Malheiros) como neto dele. O menino é filho de Paco (Reynaldo Gianecchini), o filho de Afonso, dado como morto. Para impedir isso, a vilã Bárbara (Giovanna Antonelli), que também afirma ter um filho com Paco (na verdade o menino Otávio/Felipe Latgé é filho de seu amante Kaíke/Tuca Andrada), arma mil tramoias para desmoralizar Preta, e assim impedir que a herança dos Lambertini seja dividida.

O que ninguém sabe é que Paco tem um irmão gêmeo, Apolo, que vive com a mãe Edilásia (Rosi Campos) e com seus irmãos. Ela tivera os gêmeos com Afonso, mas ficou apenas com Apolo para criar, deixando Paco com o pai. O núcleo de Edilásia – chamada por todos de Mamushka – fez sucesso com o público, pela relação carinhosa da mãezona com seus cinco filhos marmanjões – uma família de lutadores em que apenas o caçula, Aberlardo (Caio Blat), não queria seguir os passos dos irmãos, mas ser maquiador. Outros núcleos de destaque foram o de Pai Helinho (Matheus Nachtergaele), um vidente de araque, e o do casal de trapaceiros Eduardo e Verinha (Ney Latorraca e Maitê Proença).

Guardadas as devidas proporções, Da Cor do Pecado tem algumas semelhanças com Avenida Brasil. Também teve personagem abandonado no lixão – Bárbara é largada lá no dia de seu casamento, vestida de noiva. E a dupla de vilões Bárbara e Kaíke tem as mesmas características de Caminha e Max (Adriana Esteves e Marcello Novaes).

Da Cor do Pecado foi a primeira novela solo de João Emanuel Carneiro, escrita com a colaboração de Ângela Carneiro, Vincent Villari e Vinícius Vianna, sob a supervisão de texto de Silvio de Abreu (35 primeiros capítulos). Direção de Maria de Médicis, Paulo Silvestrini, Denise Saraceni e Luiz Henrique Rios. Direção de núcleo de Denise Saraceni.
Estreia em 24 de setembro no Vale a Pena Ver de Novo.

Saiba mais sobre Da Cor do Pecado no site Teledramaturgia.

Cite novelas que você gostaria de rever no Vale a Pena Ver de Novo!