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Blog do Nilson Xavier

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“Meu Pedacinho de Chão” estreia com proposta estética inovadora

Nilson Xavier

07/04/2014 20h10

Bruna Linzmeyer, a

Bruna Linzmeyer, a "prefessorinha" Juliana da novela (Foto: Divulgação/TV Globo)

Esqueçam as referências a Tim Burton, Fellini, Cao Hamburguer, Monteiro Lobato, Júlio Verne e até Dias Gomes. Quem conhece a obra do diretor Luiz Fernando Carvalho na televisão bem sabe que inovação estética parece ser sempre sua meta. Já em "Renascer" – do próprio Benedito Ruy Barbosa, de 1993 – o apuro visual fez toda a diferença. Depois vieram trabalhos como "Hoje é Dia de Maria", "A Pedra do Reino", "Capitu", "Afinal, o Que Querem as Mulheres?" e "Suburbia".

"Meu Pedacinho de Chão", a novela das seis da Globo que estreou nesta segunda, dia 7, tem tudo o que Luiz Fernando já fez e um pouco mais. O resultado na tela é lindo. Tudo parece meticuloso, calculado, pensado. Desde a tela em cinemascope nas sequências que lembram o faroeste do cinema, até os cortes com desenho animado e as imagens propositalmente desfocadas, retorcidas ou saturadas. A princípio, o exagero de cores confunde os olhos pouco acostumados. É uma explosão colorida nunca vista antes em uma novela.

Por conta de tudo isso, essa aura de novidade e inovação para o formato. "Meu Pedacinho de Chão" soa como mais um experimento. E eles são sempre bem vindos. Foi experimentando que a teledramaturgia se firmou na década de 1970 – lembram das novelas do antigo horário das dez da Globo? Esse movimento às seis horas vem acontecendo desde "Cordel Encantado", em 2011. Propostas estéticas diversas, que já alcançaram inclusive o horário das sete, com "Além do Horizonte", ainda no ar. A televisão e os hábitos dos telespectadores vêm mudando mais rápido do que nunca. A TV se apressa para acompanhar e se reinventar.

Direção, produção e elenco impecáveis nesta estreia, com destaque para Bruna Linzmeyer, Rodrigo Lombardi, Osmar Prado, Juliana Paes e Paula Barbosa (a Gina), todos falando caipirês. E as graciosas crianças do elenco, Geytsa Garcia (a Pituquinha) e Tomás Sampaio (o Serelepe). Benedito Ruy Barbosa, já escreveu para crianças. É dele o roteiro da versão de 1977 do "Sítio do Picapau Amarelo", a mais famosa de todas.

O texto original de "Meu Pedacinho de Chão", de 1971, com seu realismo em preto e branco, foi deixado para trás. A nova novela é completamente diferente. A princípio, parece que o foco são as crianças, que, certamente vão se encantar com a atração. Mas a nova "Meu Pedacinho" suscita muito mais. Os problemas do homem do campo e os temas sérios da novela original agora têm contornos caricatos. Mas a mensagem é uma só e atemporal.

Sobre o autor

Nilson Xavier é catarinense e mora em São Paulo. Desde pequeno, um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: em 2000 lançou o site Teledramaturgia (http://www.teledramaturgia.com.br/), cujo sucesso o levou a publicar o Almanaque da Telenovela Brasileira, em 2007.

Sobre o blog

Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.